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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO

DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE


ECONOMIA DOMÉSTICA E HOTELARIA CURSO DE
BACHARELADO EM HOTELARIA

JANAÍNA TELES DE SOUZA ALVES DA SILVA

ANÁLISE DO RACISMO ESTRUTURAL NA HOTELARIA


CARIOCA: UM OLHAR DENTRO DO CORPO DE COLABORADORES.

SEROPÉDICA – RJ
2019
JANAÍNA TELES DE SOUZA ALVES DA SILVA

ANÁLISE DO RACISMO ESTRUTURAL NA HOTELARIA


CARIOCA: UM OLHAR DENTRO DO CORPO DE
COLABORADORES.

Pré-projeto apresentado à disciplina de


Introdução ao Trabalho de Conclusão de
Curso em Hotelaria da Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ – Campus
Seropédica) como pré-requisito para avaliação
final.

Orientador(a): Prof./Profª. Doutora


Salomé Almeida.
Sumário
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 4
Escravatura ......................................................................................................................................... 4
Anomia Social .................................................................................................................................... 4
Fator educacional e contextualização.................................................................................................5

2 OBJETIVOS .......................................................................................................................................... 6
2.1 Objetivo Geral .............................................................................................................................. 6
2.2 Objetivos Específicos .................................................................................................................... 6
3 REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................................................................6

4 METODOLOGIA ...................................................................................................................................9

5 CRONOGRAMA ...................................................................................................................................9

REFERÊNCIAS
1 INTRODUÇÃO

O racismo é uma das maiores mazelas enfrentadas nos séculos XX e XXI,


causando de forma efetiva, segregação, desigualdade social e violência direcionada.
De acordo com Jacqueline de Jesus (2014): “É um conjunto de estereótipos,
preconceitos e discriminações que se baseia na crença da superioridade/inferioridade
de um grupo racial ou étnico com relação a outro, em uma conjuntura de dominância
social. ”

A dominância social trata-se de um mecanismo de poder, onde subjugar um


grupo racial em prol de outro tornou-se a idealização de “avanço em sociedade”, e isto
acarreta um pano de fundo para que as repetições de paradigmas sobre este
fenômeno transpassem os séculos, a partir da reprodução das instituições e
distanciamento social entre classes.

Escravatura

Mas, se tratando de suas origens, estas se deram pela ausência de garantias


financeiras e sociais para a transição do sistema de trabalho livre. (FERNANDES,
2008). Historicamente falando, durante a época de desapropriação do regime
escravocrata brasileiro (abolição da escravatura), os senhores tiveram seus “direitos”
sobre os escravos revogados, logo suas responsabilidades em cuidar também.
Nenhuma instituição tomou partido pelos novos “senhores de si mesmos”, que por
falta de escolha, não obtiveram meios para se sustentar e muito menos aos seus.
As oportunidades para os escravos libertos eram mais escassas, porém mais
onerosas se comparadas a vasta mão de obra originada dos imigrantes europeus.
(FERNANDES, 2008). Os negros perderam o grau de mão-de-obra única, e
consequentemente o interesse das classes dominantes, causando assim a retirada
efetiva de qualquer chance sólida de entrar no mercado de trabalho formal e por
consequência a marginalização em massa e fundamento do paralelo social entre
classe e cor conforme o avanço das décadas.

Anomia social

A desorganização social e a falta de possibilidades de melhora para os


afrodescendentes os levaram a circunstâncias de miséria extrema e ausência
generalizada de respeito a normas sociais e cada vez mais sendo levados a pior
situação econômica possível.

Na medida em que não estavam incorporados ou se incorporavam


apenas parcialmente ao sistema de classes emergente, o negro e o
mulato viviam numa situação ambígua, em confronto com os brancos
nacionais e estrangeiros (FERNANDES, 1978, p. 156).
Estas condições e o fator escravidão forçada sem atributos que o ajudassem, o
negro se tornou apático a sua atual conjuntura de miséria, desestrutura familiar,
prostituição e criminalidade.

Não podiam romper a crosta secular da miséria ostensiva, da


dependência disfarçada ou da semidependência [...]. Nem tinham
como superar as condições de existência social anômica, herdadas
diretamente das senzalas e reativadas pelas peripécias de
desagregação do regime servil. (FERNANDES, 2008, P. 271).

Ainda em condição de competição direta com o imigrante europeu, o negro


liberto se recusava a pegar tarefas que retratavam sua labuta anterior, e isto o deixou
em posição desfavorável com a do imigrante que aceitava qualquer tarefa sem
questionar. Outra controvérsia que surgiu foram este último foi conceituado como
“agente natural para trabalho livre” (FERNANDES, 1978, p. 27), um estereótipo de
que a mão de obra europeia (estrangeira) era superior a negra (nacional). Este fator
gerou a suposição de que o imigrante europeu era mais qualificado, deixando o negro
em mais desvantagem na disputa pelas ocupações fabris. O preconceito socialmente
construído no processo de mudanças econômicas, sociais e culturais de uma
sociedade escravista para capitalista, o negro sofreu as piores consequências.
(PIMENTEL, 2009), mudando apenas a forma de exploração.

Fator educacional e contextualização

Devemos discutir aqui que o racismo com o negro vem de uma série de fatos
históricos que geraram comportamentos associados ao tratamento diferenciado
baseados no julgamento de suas características fenotípicas, de que esta raça é
menos merecedora de certas vantagens:

[...], o racismo deve ser compreendido como um sistema de opressão


e produção sistemática de discriminações e desigualdades que,
baseando-se na crença acerca da existência de raças superiores e
inferiores (intelectual, cultural e socialmente), distribui, de modo
assimétrico, privilégios e desvantagens. (JESUS, 2018).

Mesmo liberto, e em condições desleais de desemprego, o acesso a educação


foi tardia e resultado de lutas constantes, pois no século XIX teriam havido obstáculos
a escolarização, proibindo a presença de negros escravos frequentando instituições
consideradas convencionais na época. E por consequência minando o alcance de
conhecimento em posições específicas de trabalho, contribuindo ainda mais para a
marginalização (BARROS, 2016, p. 593).
Traçando uma trajetória linear transpassando os séculos XIX e XX, nota-se o
decréscimo da taxa de analfabetos nos grupos mais vulneráveis
socioeconomicamente, ainda há grande diferença se compararmos o desempenho
escolar desfavorável entre negros e não negros. A população negra ainda apresenta
menor frequência na escola e adequação na relação idade/série, para os que seguem
estudantes.

Por exemplo, entre os jovens brancos de 18 a 24 anos que frequentam


escola (33,5%), a maior parte está no ensino superior. No caso dos
jovens negros nesta faixa etária, um quarto continua seus estudos;
metade destes ainda no ensino médio. Na faixa etária de 25 a 29 anos,
a maior parte dos jovens brancos alcançou, no mínimo, ensino médio
(72%), em contraste com 52,5% dos negros (MATIJASCIC e SILVA,
2016 p. 276).

Não há de se ignorar que temos uma população negra mais escolarizada e


consciente, mas em comparação com os não negros, é alarmante a condição
desfavorável em que ainda se encontram. Este fator por si ainda é o grande causador
do afastamento do negro a educação superior e consequentemente a cargos de
liderança no mercado de trabalho.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Realizar uma análise sobre a trajetória pessoal, acadêmica e profissional de


profissionais e especialmente líderes negros na hotelaria.
2.2 Objetivos específicos
- Identificar o quadro atual de negros inseridos no mercado de trabalho da hotelaria
carioca entre 2015 e 2019, e especificar quantos ocupam posições de liderança;
- Apontar a se houve crescimento ou decréscimo do número de negros ou
afrodescendentes em cargos de chefia em 5 hotéis localizados na Av. Atlântica, na
zona Sul da cidade do Rio de Janeiro;
- Registrar pelo ponto de vista do colaborador negro a sua percepção diária do
comportamento de hóspedes e outros funcionários no que diz respeito ao cargo que
ele ocupa.
- Comparar suas formações com de pessoas de raças diferentes.
3 REFERENCIAL TEÓRICO

O crescimento contínuo e sagaz da globalização permitiu a inclusão parcial das


classes em trabalhos até antes considerados inacessíveis, como cargos de front-office
em meios de hospedagem.
Porém a diferença gritante no processo de escolarização do indivíduo negro
comparado ao não negro incide no fato de que isto pode atrapalhar o critério de
competição para o negro exercer candidatura para os cargos acima mencionados, o
deixando em posição claramente desfavorável. “A intensa desigualdade racial
brasileira, associada às formas usualmente sutis de discriminação racial, impede o
desenvolvimento das potencialidades e o progresso social da população negra”
(HENRIQUES, 2001: 5)

As dificuldades de inserção pioram as condições para busca de autonomia e transição


da escola para o mundo do trabalho, onde o contexto do mercado de trabalho
manifesta a desigualdade entre negros e não negros avaliando os quadros de
desocupação, a remuneração e o tipo de ocupação (MATIJASCIC e SILVA, 2016):
A presença massiva de trabalhadores negros em cargos com menor remuneração
ajuda a explicar a diferenciação de renda entre negros e não negros.
Ao verificar os índices mostrados acima em vários pontos de vista relacionados ao
modo de vida, escolaridade, porém, é necessário destacar que as desproporções
entre negros e brancos ainda são enormes e seu retrocesso, poderia ser vagaroso
demais para se equiparar as populações e evitar desigualdades que não sejam de
longo prazo.

4 METODOLOGIA

A metodologia usada neste trabalho consiste na pesquisa descritiva, que é muito


utilizada quando se pretende descrever fenômenos (DENCKER, 1998), enfatizando o
estudo por meio da coleta de dados com a aplicação de questionários e com isto
visando obter informações que permitam a análise quantitativa do perfil étnico e
escolar dos colaboradores de hierarquias de liderança.
Em um segundo momento, serão realizadas entrevistas semiestruturadas com líderes
operacionais, e gerentes de departamento.
A pesquisa será realizada com profissionais de 5 estabelecimentos hoteleiros
localizados na Avenida Nossa Senhora de Copacabana – Rio de Janeiro.
5 CRONOGRAMA
ANO 2019 2020

Novembro

Dezembro
Setembro

Fevereiro
Outubro
Agosto

Janeiro

Março
Mês→

Maio
Julho

Abril
Etapas↓

Desenvolvimento de
        
estudos bibliográficos

Construção dos
instrumentos de    
pesquisa
Aplicação do plano piloto  
Coleta de dados in loco 
Tabulação dos dados

obtidos
Elaboração do trabalho
   
final
Entrega e defesa do
Trabalho de Conclusão de  
Curso

Etapa 01: Desenvolvimento de estudos bibliográficos;


Etapa 02: Construção dos instrumentos de pesquisa;
Etapa 03: Aplicação do plano piloto;
Etapa 04: Coleta de dados in loco;
Etapa 05: Tabulação dos dados obtidos;
Etapa 06: Elaboração do trabalho final;
Etapa 07: Entrega e defesa do Trabalho de Conclusão de Curso.
REFERÊNCIAS

PORFíRIO, Francisco. Racismo; Brasil Escola. Disponível em:


https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/racismo.htm. Acesso em 03 de junho de 2019.

JESUS, Jacqueline de, et al. O que É Racismo? 4. ed. Lisboa: Escolar Editora, 2014.

FERNANDES, Florestan. A Integração do Negro na Sociedade de Classes. 5. ed. São


Paulo: Globo Editora, 2008. 439 p.

PIMENTEL, Anne Geraldi. O negro na pré-história do trabalho assalariado. 5. ed.


Campinas: Cemarx, 2009.

JESUS, Rodrigo Ednilson de. MECANISMOS EFICIENTES NA PRODUÇÃO DO


FRACASSO ESCOLAR DE JOVENS NEGROS: ESTEREÓTIPOS, SILENCIAMENTO E
INVISIBILIZAÇÃO. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 34, p.1-18, 18 jan. 2018.
FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/0102-4698167901. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
46982018000100102&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 03 jun. 2019.

HENRIQUES, R. Desigualdade Racial no Brasil: Evolução das condições de vida


na década de 90. Rio de Janeiro: IPEA, 2001.

BARROS, Surya Pombo de. Escravos, libertos, filhos de africanos livres, não livres,
pretos, ingênuos: negros nas legislações educacionais do XIX. Educ. Pesqui., São
Paulo , v. 42, n. 3, p. 591-605, Sept. 2016 . Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
97022016000300591&lng=en&nrm=iso. Accesso em 08 jul.
2019. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-9702201609141039.

MATIJASCIC, Milko; SILVA, Tatiana Dias. JOVENS NEGROS: Panorama da


situação social no Brasil segundo indicadores selecionados entre 1992 E 2012. In:
SILVA, Enid Rocha Andrade da; BOTELHO, Rosana Ulhôa (Org.). Dimensões da
Experiência Juvenil Brasileira e Novos Desafios às Políticas Públicas. Brasília:
Ipea, 2016. Disponível em:
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/livro_dimensoes_miol
o_cap09.pdf. Acesso em: 08 jul. 2019.