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Tabelas

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Interpretação

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Para a interpretação dos resultados desta prova, Kaufman (1994) recomenda que a
interpretação do protocolo se deva iniciar com os resultados mais gerais e finalizar com os mais
específicos.
No que se refere aos QIs deve-se ter em conta a nova classificação, cujas categorias
descritivas analisam o desempenho da criança comparativamente à média da população.

CLASSIFICAÇÃO DOS NÍVEIS DE INTELIGÊNCIA

QI CATEGORIA DESCRITIVA

130 ou mais Muito Superior


120 – 129 Superior
110 – 119 Médio Superior
90 – 109 Médio
80 – 89 Médio Inferior
70 – 79 Inferior
69 ou menos Muito Inferior

Deste modo, sugere-se a seguinte sequência para a interpretação dos resultados obtidos na
administração do teste:

1) cálculo dos QIs com os respectivos intervalos de confiança e análise da discrepâncias


significativas e das consequentes implicações;
2) cálculo dos Índices Factoriais com os respectivos intervalos de confiança e análise da
discrepâncias significativas e das consequentes implicações;
3) identificação da dispersão dos subtestes e interpretação das capacidades que se
apresentam discrepantes da média.

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Segundo Kaufman e Lichtenberger (2000), a análise do perfil da WISC-III pode ser
realizada através de uma abordagem sequencial, constituída por sete passos, que se inicia através
da análise da maioria dos resultados globais, sendo de seguida analisados os Índices Factoriais,
finalizando-se com a referencia da força ou fraqueza do perfil.

1. Análise dos QIs

PASSO 1. A análise do perfil da criança deverá-se iniciar com a


interpretação do QI Escala Completa, no que se refere ao seu
intervalo de confiança, percentil e a respectiva categoria descritiva.

No entanto, apesar do processo interpretativo se iniciar com este QI, grande parte das
vezes as competências da criança não são representadas por um único número.
Os três QIs são considerados como medidas integradas do funcionamento intelectual,
sendo que as possíveis dispersões prejudiquem o seu conteúdo global.
Mais especificamente, o QI Escala Completa é considerado como a melhor medida da
capacidade cognitiva, no entanto, a existência de diferenças significativas entre os QI
Verbal/Realização, flutuações dos Índices Factoriais e dispersões entre os resultados dos subtestes,
ou ainda, a presença de variáveis como fadiga, ansiedade, desmotivação ou privação cultural,
diminuem a importância do QI Escala Completa, como índice do nível de inteligência geral da
criança.

PASSO 2. Assim, para que se possa inferir acerca da interpretação


ou não do QI Escala Completa, deve-se analisar a diferença entre
QIs, QI Verbal – QI Realização

0 – 10 pontos - não significativa


11 - 14 pontos - (p< 0.05), ou seja, 95% de significância;
15 ou + pontos - (p< 0.01), ou seja, 99% de significância;

Se a diferença entre QIs não for significativa, então as capacidades verbais e não verbais
da criança estão desenvolvidas par a par, devendo-se interpretar o QI Escala Completa.

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Perante uma diferença significativa, o QI Escala Completa não deve ser interpretado,
analisando-se o significado desta diferença, se o QI Verbal e o QI Realização representarem
medidas unitárias.

PASSO 3A. Para que se possa inferir acerca da interpretação ou não


da diferença entre QIs, deve-se analisar a amplitude dos QIs, de forma
a avaliar se estes constituem medidas unitárias

Este passo é constituído por 3 questões, cujo objectivo é determinar se cada um dos QIs
mede um constructo unitário, isto é, se existir uma variação demasiado elevada entre os resultados
dos subtestes que constituem as escalas ou se existir uma variação demasiado elevada entre os
índices factoriais que constituem as escalas, então os QIs não podem ser considerados como
constructos significativos.

1) Cálculo da amplitude do QI Verbal = Encontra-se subtraindo os resultados ponderados maior


pelo menor dos sub-testes.
Amplitude significativa: EV ≥ 7 pontos

2) Cálculo da diferença entre os Índices IOP e IVP = IOP - IVP


Diferença significativa: ICV - IOP ≥ 15 pontos

3) Cálculo da amplitude do QI Realização = Encontra-se subtraindo os resultados ponderados


maior pelo menor dos sub-testes.
Amplitude significativa: ER ≥ 9 pontos

No caso de qualquer uma destas questões apresentar um resultado significativo a diferença


QIV-QIR provavelmente não deve ser analisada, pois, por exemplo, a dispersão entre subtestes
verbais indica que a inteligência dita verbal não foi responsável pelos resultados nos subtestes,
mas que outras variáveis mais importantes influenciaram. Deste modo, este QI representaria uma
visão grosseira das capacidades da criança.
Se todas as questões deste passo não apresentarem resultados significativos, ou seja, não se
observam discrepâncias significativas nos QIs, nem se observa uma diferença significativa na
análise IOP-IVP, então os QIs Verbal e Realização constituem constructos unitários significativos

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e, portanto, deve-se interpretar o resultado QI Verbal – QI Realização. Esta discrepância
representa a diferença entre as capacidades verbais e não verbais da criança.

As diferenças entre QIs relacionam-se com as capacidades intelectuais cristalizadas (as que
se adquiriram através de treino, educação e aculturação, presentes na prova Verbal) e as
capacidades que envolvem uma certa fluidez que permita a adaptação a estímulos menos
familiares (presentes na prova de Realização).
No que diz respeito ao QI Verbal, este vai avaliar a compreensão verbal, proporcionando
informação sobre o processamento da linguagem, o raciocínio, a atenção, a aprendizagem verbal e
também sobre a memória. Assim, avalia-se inteligência auditiva e oral, analisando-se a facilidade
de expressão verbal e a percepção de diferenças subtis perante conceitos verbais.
Por sua vez, o QI Realização é uma medida de organização perceptual, através da qual se
avalia o processamento visual, a capacidade de planeamento, a aprendizagem não verbal e a
capacidade para pensar em estímulos visuais com rapidez e velocidade.
Quando o QI Verbal é superior ao QI de Realização, os resultados podem sugerir a
presença de um atraso psico-motor que se reflecte na execução das provas com tempo limitado,
como é o caso dos subtestes de realização, o que sugere um quadro depressivo. Deste modo, a
criança encontra-se mais virada para a introspecção do que para a acção, não estando motivada
para dispor da energia necessária à realização das tarefas. Igualmente, está presente facilidade oral
e auditiva, bem como capacidade para expressar ideias através das palavras.
Por outro lado, quando o QI Verbal é inferior ao QI de Realização, os resultados podem
sugerir uma sobreposição das capacidades intelectuais fluídas às capacidades cristalizadas, pelo
que a criança revela motivação pelas tarefas apresentadas. Sempre que este QI é elevado, a criança
apresenta facilidade visuomotora.
Deve-se ter em atenção os factores relacionais e emocionais perturbados, que poderão estar
na base do comprometimento do desenvolvimento intelectual e cognitivo, facto que poderá
revelar-se nos casos com grandes discrepâncias entre QIs.
No entanto, uma grande diferença entre QIs, que exceda 19 pontos, é frequentemente
associada a lesões cerebrais. No entanto, caso esta exceda os 15 pontos, pode ser predictora de
disfunções neurológicas, as quais devem ser suportadas por exames específicos que validem as
suspeitas.

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Diferenças de valores entre QIs superiores a 15 pontos podem, também, estar na base de
incapacidades visuais, que prejudicam o resultado de Realização, ou auditivas, que influenciam o
desempenho Verbal.

PASSO 3B. No caso de qualquer uma das questões anteriores


apresentar um resultado significativo analisar a diferença ICV-IOP

A segunda forma de analisar as capacidades verbais e não verbais da criança é através dos
Índices Factoriais Compreensão Verbal e Organização Perceptiva.
Estes índices têm sido considerados por muitos autores como medidas “puras” da
inteligência verbal e não verbal, pois utilizam subtestes que medem processamento sequencial,
memória a curto prazo, e capacidade numérica obtidas através do Índice Compreensão Verbal e
dois subtestes que medem velocidade mental e motora obtidas através do Índice Organização
Perceptiva.
Quando a diferença é:
0 – 11 pontos - não significativa
12 - 15 pontos - (p< 0.05), ou seja, 95% de significância;
16 ou + pontos - (p< 0.01), ou seja, 99% de significância.
Se for a diferença for significativa, para possível interpretação, vão analisar-se as
amplitudes, sendo este processo semelhante ao realizado para os QIs Verbal e Realização.

Amplitude significativa ICV ≥ 7


IOP ≥ 8
No caso da amplitude de qualquer um dos índices apresentar um resultado significativo a
diferença ICV - IOP provavelmente não deve ser analisada. No entanto, se as amplitudes de
ambos os índices não for significativa, sendo estes considerados factores unitários, deve-se
interpretar o resultado obtido da diferença ICV – IOP.
Um ICV alto implica facilidade oral e auditiva, assim como capacidade de expressar ideias
em palavras.
Por sua vez, um IOP alto implica facilidade visuo-motora.

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PASSO 4. Determinar se a discrepância observada em QIV – QIR
e/ou ICV-IOP é demasiada elevada

Para a discrepância observada em QIV – QIR e/ou ICV-IOP ser considerada demasiada
elevada, ela deve ter como resultado mínimo 19 pontos.
Se for observada uma discrepância demasiado elevada entre as capacidades verbais e não
verbais da criança, esta deve ser interpretada, independentemente das conclusões obtidas nos
passos anteriores.

2. Análise dos Índices Factoriais

Segundo Wechsler, a interpretação dos resultados factoriais é mais fidedigna que a


interpretação individual dos subtestes.
Para Kaufman, ICV e IOP permitem uma visão mais pura e precisa da dimensão verbal e
não verbal da capacidade intelectual da criança, pois reflectem capacidades de domínio cognitivo.

PASSO 5. Para que se possa inferir acerca da interpretação ou não


dos Índices Factoriais, deve-se analisar as suas amplitudes, de forma a
avaliar se estes constituem medidas unitárias

A análise das amplitudes dos índices ICV e IOP foi realizada no passo 3B, assim como a
conclusão de serem ou não factores unitários.
Deste modo, resta calcular a amplitude do Índice Factorial Velocidade de Processamento,
de forma a determinar se este é ou não interpretável.
Amplitude significativa IVP ≥ 4

No caso da amplitude de qualquer um dos índices apresentar um resultado significativo,


estes não devem ser analisados. No entanto, se não se observar amplitudes significativas, estes
índices devem ser considerados factores unitários e, como tal, interpretáveis, de acordo com a
categoria descritiva que se situam.

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Compreensão Verbal (CV) – conceptualização verbal, conhecimento e expressão.
Resposta oral a questões que avaliam conhecimento factual, significado das palavras,
raciocínio e capacidade para expressar ideias em palavras.
Utiliza provas que avaliam:
1. Processamento sequencial
2. Memória a curto prazo
3. Capacidade numérica

Organização Perceptiva (OP) – pensamento não verbal e coordenação visuo-motora.


Integração de estímulos visuais, raciocínio não verbal, e aplicação de capacidades visuo-
espaciais e visuo-motoras na resolução de problemas que não exijam pensamento escolar.

Velocidade Processamento (VP) – Velocidade de resposta.


Demonstração de velocidade na resolução de problemas não verbais (velocidade de
pensamento assim como velocidade motora).
 Velocidade Psicomotora (Código)
 Velocidade Mental/ Processamento (Pesquisa Símbolos)
 Coordenação visuo-motora
 Motivação
 Memória visual
 Capacidade de Planeamento, Organização e
Desenvolvimento de Estratégias

3. Análise de dispersão dos subtestes

A chave para correctamente caracterizar as áreas fortes e fracas de funcionamento de uma


criança é examinar o seu desempenho através de diversos subtestes; nunca interpretar os resultados
individuais de cada subteste de forma isolada.
A partilha ou sobreposição das capacidades no desempenho observado através dos diversos
subtestes é crucial para a criação de uma compreensão significativa das capacidades cognitivas da
criança. Embora seja importante as competências únicas de cada subteste, é, igualmente,

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importante examinar as capacidades avaliadas pela maioria dos subtestes de forma a obter-se a
informação adequada num todo.
Através de cada subteste podemos obter informação empírica, cognitiva e clínica.

Medida de inteligência geral (g)


Dentro dos subtestes da WISC-III, existem alguns que nos possibilitam uma maior
compreensão da inteligência geral da criança – Factor geral (g) -, ao passo que outros apenas nos
conduzem para competências únicas.

Medidas boas de g Medidas razoáveis de g Medidas pobres de g


Vocabulário Compreensão Memória de Dígitos
Informação Composição de Objectos Código
Semelhanças Completamento de Gravuras
Aritmética Pesquisa de Símbolos
Cubos Disposição de Gravuras

Independentemente da medida, um subteste nunca deve ser interpretado como a


representação universal do nível da capacidade cognitiva da criança.

Especificidade dos subtestes


Ampla Adequada Inadequada
Memória de Dígitos Pesquisa de Símbolos Composição de Objectos
Código Aritmética
Disposição de Gravuras Compreensão
Completamento de Gravuras Informação
Cubos Vocabulário
Semelhanças

Competências partilhadas com outros subtestes


Estas competências avaliadas pelos diversos subtestes são hipotetizadas de acordo com a
estrutura organizada do Modelo de Processamento de Informação (Silver, 1993).
A medida das capacidades de cada subteste é categorizada num destes 3 grupos:
a) Input, que involve as capacidades relacionadas com o tipo de informação que tem que ser
tratada (estímulo visual ou auditivo);
b) Integração/Memorização, que involve as capacidades que estão relacionadas com os
componentes do processamento e da memória;

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c) Output, que representa a forma como a criança expressa a sua resposta (coordenação motora ou
expressão verbal).

Modelo de Processamento de Informação (Silver, 1993)

Input
como a informação derivada dos
sentidos entra no cérebro

Integração
interpretação e processamento da
informação

Memorização
arquivo da informação para posterior
recuperação

Output
expressão da informação através da
linguagem ou actividade motora

A organização em duas categorias (verbal e realização) é comum a todas as escalas de


Wechsler. No entanto, têm sido propostos outros modelos organizativos para a interpretação, que
derivam da reorganização teórica das escalas. Guilford (1967), Horn (1989), Horn e Cattell (1966,
1967) e Bannatyne (1974) são os autores cujos modelos serão referidos.

Modelo de Horn

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Inteligência Inteligência Aquisição e Amplitude de Amplitude de
Fluída Cristalizada Recuperação a Visualização Velocidade
(Gf) (Gc) Curto-Prazo (Gv) (Gs)
(SAR)
Disposição de Informação Aritmética Completamento Código
Gravuras de Gravuras
Cubos Semelhanças Memória de Cubos Pesquisa de
Dígitos Símbolos
Composição de Vocabulário Composição de Composição de
Objectos Objectos Objectos
Semelhanças Compreensão
Aritmética Disposição de
Gravuras

Correspondência dos Factores da WISC-III à Teoria de Horn


Factores Constructo de Horn
ICV Gc
IOP Gv e Gf
IVP Gs

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Operações e Conteúdos de Guilford

Operações Descrição
(Processos Intelectuais)
Cognição (C) Atenção, reconhecimento e compreensão do estímulo
Memória (M) Retenção da informação na mesma forma que foi armazenada
Avaliação (E) Julgamentos realizados acerca da informação nos termos do
conhecimento normativo
Produção Convergente (N) Resposta ao estímulo de forma única ou adequada
Produção Divergente (D) Resposta ao estímulo na qual a ênfase é colocada sobre a
variedade ou qualidade da resposta (associada à criatividade)

Conteúdos Descrição
(Natureza do Estímulo)
Figurativa (F) Forma ou objectos concretos
Simbólica (S) Números, letras simples ou outro código simbólico
Semântica (M) Palavras e ideias que significam algo
Comportamental (B) Principalmente não verbal, envolvendo interacções humanas com
stress nas atitudes, necessidades, pensamento, entre outras

Classificação dos Subtestes da WISC-III de acordo com o Modelo de Guilford


Produção
Subtestes Cognição Memória Avaliação Convergente
Compreensão Verbal
Informação Semântica
Semelhanças Semântica
Vocabulário Semântica
Compreensão Semântica

Organização Perceptiva
Completamento Gravuras Figurativa Figurativa
Disposição Gravuras Semântica Semântica
Cubos Figurativa Figurativa
Composição Objectos Figurativa Figurativa

Aritmética Semântica Simbólica


Memória Dígitos Simbólica

Velocidade de Processamento
Código A Figurativa Figurativa
Código B Simbólica Simbólica
Pesquisa Símbolos Figurativa Figurativa

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Classificação dos Subtestes da WISC-III de acordo com o Modelo de Bannatyne
Conceptualização Conhecimento
Verbal Espacial Sequencial Adquirido

Semelhanças Completamento Gravuras Aritmética Informação


Vocabulário Cubos Memória Dígitos Aritmética
Compreensão Composição Objectos Código Vocabulário

Considerações Clínicas
Para a compreensão adicional dos aspectos psicométricos dos subtestes e competências,
deve-se ter em conta diversos factores clínicos que, obtidos através da experiência clínica e
literatura, devem ser considerados como hipóteses.

PASSO 6. Interpretação da Força ou Fraqueza dos Subtestes

É ao nível dos subtestes que se desenvolve uma compreensão da unicidade da criança.


Para tal, é necessário situar cada subteste relativamente à sua prestação média. Existem
duas possíveis formas de obtenção da média dos resultados dos subtestes:
a) cálculo da média de todos os subtestes administrados, se a discrepância observada em QIV
– QIR não for demasiada elevada (< 19 pontos);
b) ou cálculo separado da média dos subtestes verbais e dos subtestes de realização, se a
discrepância observada em QIV – QIR for demasiada elevada ( 19 pontos).
A média a utilizar para comparação com os resultados dos subtestes deverá ser
arredondada para o número inteiro mais próximo.
Para a comparação do desempenho da criança com a sua média, Kaufman sugere como
desvios interpretáveis:
 ± 3 pontos para os subtestes Informação
Semelhanças
Aritmética
Vocabulário

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 ± 4 pontos para os subtestes Compreensão
Memória de Dígitos
Completamento de Gravuras
Disposição de Gravuras
Cubos
Composição de Objectos
Pesquisa de Símbolos
 ± 5 pontos para os subtestes Código

Se a diferença entre um determinado subteste e a média obtida é considerada


estatisticamente significativa, então deve ser considerada como uma força (acima da média) ou
fraqueza relativa (abaixo da média).
Se não for observada diferenças estatisticamente significativas, então devem ser
consideradas como flutuações, não devendo ser interpretadas ao nível de força ou fraqueza. No
entanto, as performances da criança nestes subtestes podem ser utilizadas para suporte de
determinadas hipóteses, discutidas no passo 7.

PASSO 7. Hipóteses gerais acerca das flutuações dos subtestes no


perfil

Este passo requer um exame cuidadoso de toda a informação obtida no perfil da WISC-III,
assim como através do comportamento observado, anamnese e informação recolhida noutras
provas, de forma a suportar ou rejeitar hipóteses acerca das competências cognitivas da criança.
De forma a criar hipóteses significativas, deve-se interpretar as competências partilhadas
por mais de dois subtestes, assim como as competências únicas de cada subteste de acordo com a
sua média.
Igualmente, é importante interpretar a prestação da criança relativamente à população,
tendo em conta que a média de cada subteste para a população é de 8 a 12, sendo 1 a 7 abaixo da
média e 13 a 19 acima da média.

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Marnat (1999) sugere 3 passos para interpretar a variabilidade dos subtestes:
1. Determinar se as flutuações são significativas;
2. Desenvolver hipóteses relacionadas com o significado das flutuações de cada subteste;
3. Integrar estas hipóteses com informações relevantes referentes á criança.

Regras para aceitar ou rejeitar hipóteses


Número de subtestes com Regra para interpretar uma Regra para interpretar uma
competências partilhadas competência como competência como
Força Fraqueza

2  Todos os subtestes devem  Todos os subtestes devem


estar acima da média estar abaixo da média
3 ou 4  Pelo menos dois ou três  Pelo menos dois ou três
subtestes devem estar acima da subtestes devem estar abaixo
média e só um subteste deve da média e só um subteste deve
estar equivalente à média estar equivalente à média
5 ou mais  Pelo menos quatro subtestes  Pelo menos quatro subtestes
devem estar acima da média e devem estar abaixo da média e
só um subteste deve estar só um subteste deve estar
equivalente à média ou menor equivalente à média ou maior
que a média que a média

Análise subteste a subteste


Nota: As competências únicas de cada subteste encontram-se indicadas com (*)

INFORMAÇÃO
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos complexos verbais
Integração/Memorização:
Conhecimento adquirido (Bannatyne)
Inteligência cristalizada (Horn)
Conhecimento cultural armazenado
Procura de informação
Memória a longo prazo
Memória (primaria), ao nível dos estímulos semânticos (Guilford)
Compreensão Verbal (Índice Factorial)
* Nível de conhecimento geral factual

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Output:
Resposta verbal simples

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Oportunidades culturais dentro da família
Interesses
Viveza e interesse perante o ambiente circundante
Riqueza do ambiente familiar
Aprendizagem escolar
Background linguístico
Curiosidade e recolha intelectual

COMPREENSÃO
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos complexos verbais
Integração/Memorização:
Conhecimento dos estímulos semânticos (Guilford)
Senso comum (relações causa-efeito)
Inteligência cristalizada (Horn)
Conceptualização verbal (Bannatyne)
Conhecimento cultural armazenado
Desenvolvimento da linguagem
Raciocínio (verbal)
Juízo ou julgamento social (inteligência social)
* Demonstração de informação prática
* Avaliação e uso de experiências passadas
* Conhecimento dos comportamentos convencionais padronizados
Output:
Expressão verbal

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Oportunidades culturais dentro da família
Desenvolvimento de consciência ou juízo moral
Flexibilidade
Negativismo
Pensamento concreto

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Aritmética
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos complexos verbais
Viveza e interesse mental
Integração/Memorização:
Conhecimento dos estímulos semânticos (Guilford)
Aquisição e memória a curto prazo -SAR (Horn)
Conhecimento Adquirido (Bannatyne)
Raciocínio (Numérico)
Facilidade com os números
Inteligência Fluída (Horn)
Memória a longo prazo
Memória de estímulos simbólicos (Guilford)
Sequencial (Bannatyne)
Processamento sequêncial
Velocidade do processamento mental
* Capacidade de computação
* Raciocínio Quantitativo
Output:
Expressão verbal

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Atenção
Ansiedade
Concentração
Distracção
Aprendizagem escolar
Dificuldades Auditivas
Dificuldades de Aprendizagem
Trabalho sob pressão

VOCABULÁRIO
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos simples verbais
Integração/Memorização:
Cognição dos estímulos semânticos (Guilford)
Conhecimento Adquirido (Bannatyne)
Inteligência Cristalizada (Horn)
Grau de pensamento abstracto
Procura de informação

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Capacidade de aprendizagem
Compreensão verbal (Índice Factorial)
Memória a longo prazo
Conceptualização verbal (Bannatyne)
Formação de conceitos verbais
Desenvolvimento da linguagem
* Conhecimento (lexical) de palavras
Output:
Expressão verbal

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Oportunidades culturais dentro da família
Viveza e interesse intelectual
Interesses
Riqueza do ambiente
Aprendizagem escolar

SEMELHANÇAS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos simples verbais
Integração/Memorização:
Cognição dos estímulos semânticos (Guilford)
Inteligência Cristalizada (Horn)
Grau de pensamento abstracto
Distinção dos detalhes essenciais/não essenciais
Inteligência Fluída (Horn)
Raciocínio (verbal)
Compreensão verbal (Índice Factorial)
Conceptualização verbal (Bannatyne)
Formação de conceitos verbais
Desenvolvimento da linguagem
* Pensamento lógico abstracto (categorial)
Output:
Expressão verbal

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Flexibilidade
Interesses
Negativismo
Pensamento concreto

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MEMÓRIA DE DÍGITOS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos simples verbais
Compreensão de palavras
Integração/Memorização:
Memória dos estímulos simbólicos (Guilford)
Aquisições e memória a curto-prazo (Horn)
Facilidade com números
Codificação da informação para futuro processamento cognitivo
Sequencial (Bannatyne)
Processamento sequencial
Memória curto-prazo (auditiva)
* Evocação imediata
Output:
Expressão vocal simples

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Flexibilidade (mudança de série directa para inversa)
Negativismo
Atenção
Ansiedade
Distracção
Capacidade para receber passivamente os estímulos
Dificuldades de aprendizagem
Défices auditivos

DISPOSIÇÃO DE OBJECTOS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Capacidade de distinguir de detalhes essenciais de não essenciais
Percepção auditiva de estímulos verbais complexos
Rota visuo-motora
Percepção visual de estímulos significativos
Integração/Memorização:
Senso comum (relações causa-efeito)
Avaliação e produção convergente de estímulos semânticos (Guilford)
Inteligência Cristalizada (Horn)
Organização Perceptiva (Índice Factorial)
Inteligência Fluída (Horn)
Funcionamento integrado cerebral (verbal-sequencial e visual-espacial)
Capacidade de planeamento
Raciocínio (não verbal)

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Processamento simultâneo
Julgamento Social
Velocidade de processamento mental
Síntese (relação parte-todo)
Organização visual sem actividade motora essencial
Processamento visual (Horn)
Sequência visual
* Antecipação das consequências
* Sequenciação temporal e concepção de tempo
* Antecipação das relações entre as partes
Output:
Motora simples

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Criatividade
Oportunidades culturais na família
Trabalho sob pressão
Flexibilidade

COMPOSIÇÃO DE OBJECTOS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Direcções verbais simples
Percepção visual de estímulos significativos
Rota visuo-motora
Integração/Memorização:
Cognição e avaliação dos estímulos figurativos (Guilford)
Inteligência Fluída (Horn)
Organização Perceptiva (Índice Factorial)
Capacidade de planeamento
Raciocínio (não verbal)
Espacial (Bannatyne)
Processamento simultâneo
Velocidade de processamento mental
Síntese (relação parte-todo)
Aprendizagem tentativa-erro
Processamento visual (Horn)
* Benefício do feedback sensorio-motor
* Antecipação das relações entre as partes
Output:
Amplitude Velocidade (Horn)
Coordenação visuo-motora

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Influências que afectam a pontuação do subteste:
Competência para responder perante a incerteza
Estilo cognitivo (restrito ou não)
Experiência com puzzles
Trabalho sob pressão
Flexibilidade
Persistência
Problemas visuo-perceptivos

CUBOS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos verbais complexos
Rota visuo-motora
Percepção visual de estímulos abstractos
Integração/Memorização:
Cognição e avaliação dos estímulos figurativos (Guilford)
Inteligência Fluída (Horn)
Funcionamento integrado cerebral (analise e sintese)
Organização Perceptiva (Índice Factorial)
Planeamento
Reprodução de modelos
Espacial (Bannatyne)
Processamento simultâneo
Velocidade de processamento mental
Visualização espacial
Síntese (relação parte-todo)
Aprendizagem tentativa-erro
Processamento visual (Horn)
* Análise do todo a partir de partes componentes
* Formação de conceitos não-verbais
Output:
Coordenação visuo-motora

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Estilo cognitivo (restrito ou não)
Trabalho sob pressão
Flexibilidade
Problemas visuo-perceptivos

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COMPLETAMENTO DE GRAVURAS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Direcções verbais simples
Percepção visual de estímulos significativos
Rota visuo-motora
Integração/Memorização:
Cognição e avaliação dos estímulos figurativos (Guilford)
Capacidade para distinguir detalhes essenciais de não essenciais
Inteligência Visual (Horn)
Processamento simultaneo
Organização Perceptiva (Índice Factorial)
Espacial (Bannatyne)
Processamento holístico
Organização visual sem actividade motora essencial
* Reconhecimento e identificação visuais (memória visual de longo prazo) sem
actividade motora essencial
Output:
Resposta motora ou vocal simples

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Estilo cognitivo (restrito ou não)
Competência para responder perante a incerteza
Viveza e interesse perante o ambiente circundante
Trabalho sob pressão
Concentração
Negativismo

CÓDIGO
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção auditiva de estímulos verbais complexos
Rota visuo-motora
Percepção visual de estímulos abstractos
Integração/Memorização:
Produção e avaliação convergente de estímulos figurativos (Código A Guilford)
Produção e avaliação convergente de estímulos simbólicos (Código B Guilford)
Codificação da informação para futuro processamento cognitivo
Facilidade com números (Código B)
Funcionamento integrado cerebral (verbal-sequencial e visual-espacial)
Capacidade de aprendizagem
Organização perceptiva
Planeamento

57
Reprodução de modelos
Sequencial (Bannatyne)
Processamento sequencial
Memória a curto prazo (visual)
Sequência visual
Output:
*Velocidade psicomotora
Velocidade de Processamento (Índice Factorial)
Coordenação visuo-motora

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Ansiedade
Distracção
Trabalho sob pressão
Motivação
Persistência
Problemas visuo-perceptivos

PESQUISA DE SÍMBOLOS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Percepção visual de estímulos abstractos
Percepção auditiva de estímulos verbais complexos
Distinção de detalhes essenciais de não essenciais
Rota visuo-motora
Integração/Memorização:
Produção e avaliação convergente de estímulos simbólicos (Guilford)
Codificação de informação para futuro processamento cognitivo
Avaliação figurativa (Guilford)
Funcionamento integrado cerebral (verbal-sequencial e visual-espacial)
Capacidade de aprendizagem
Organização perceptiva
Capacidade de planeamento
Memória a curto-prazo (visual)
Visualização espacial
Velocidade de processamento mental
Memória visual
* Velocidade de procura visual
Output:
Amplitude de velocidade (Horn)
Coordenação visuo-motora
Velocidade de processamento (Índice Factorial)

58
Influências que afectam a pontuação do subteste:
Ansiedade
Distracção
Motivação
Trabalho sob pressão
Persistência
Problemas visuo-perceptivos

LABIRINTOS
Competências partilhadas com outros subtestes:
Input:
Direcções verbais complexas
Percepção visual de estímulos abstractos
Rota visuo-motora
Integração/Memorização:
Cognição figurativa (Guilford)
Avaliação figurativa (Guilford)
Processamento holístico
Capacidade de planeamento
Processamento Visual (Horn)
Processamento simultâneo
Espacial (Bannatyne)
Aprendizagem tentativa-erro
* Seguimento de um padrão visual
Output:
Coordenação visuo-motora

Influências que afectam a pontuação do subteste:


Estilo cognitivo (restrito ou não)
Distracção
Flexibilidade
Motivação
Trabalho sob pressão
Concentração
Persistência
Problemas visuo-perceptivos

59