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Indisciplina e Ato Infracional

nas Escolas

Ministério Público de Goiás


Diferença entre Ato de Indisciplina
e Ato Infracional

Ato de Indisciplina:
descumprimento das normas da
escola (regimento ou
convenções escritas) e de
legislações aplicadas. Decorre
de desobediência ofensiva ou
desconhecimento,
provocado pelo caos dos
comportamentos ou pela
desorganização das relações.
INTENÇÃO:
O aluno indisciplinado não tem o propósito de ameaçar,
desrespeitar ou ofender ninguém.

MOTIVOS:
Carências sociais, falta de interesse, agressividade,
imaturidade, desafio da autoridade do professor, uso
de drogas, autoritarismo da escola.

COMO AGIR:
Os educadores devem aplicar as sanções disciplinares
prevista, conforme o caso.

Ato Infracional: conduta
prevista como crime ou
contravenção penal praticada
por criança ou adolescente.

Pode ser de menor potencial
ofensivo (perturbar, injuriar,
desrespeitar); ou grave
potencial ofensivo (furtar,
lesionar, portar arma etc).

Nem todo ato indisciplinar
configura ato infracional.
(previsão legal + intenção)

Providências: competência da
Polícia.
Uma ofensa verbal dirigida ao professor, pode ser

caracterizada como ato de indisciplina.

No entanto, dependendo do tipo de ofensa e da forma

como foi dirigida, pode caracterizar ato infracional -

ameaça, injúria ou difamação.

Para cada caso, os encaminhamentos são diferentes.


O ato infracional é perfeitamente identificável na
legislação vigente. Já o ato indisciplinar deve ser
regulamentado, nas normas que regem a escola,
assumindo o Regimento Escolar papel relevante para a
questão.
O QUE FAZER EM CASOS DE ATO INFRACIONAL
NO AMBIENTE ESCOLAR

Os casos de MAIOR GRAVIDADE devem ser levados ao

conhecimento da AUTORIDADE POLICIAL, para que esta

providencie a elaboração do BOLETIM DE OCORRÊNCIA e a

requisição dos LAUDOS necessários à comprovação da

materialidade do fato, imprescindível à instauração de processo

contra o adolescente, visando a aplicação de MEDIDA

SOCIOEDUCATIVA.


Evitar a POLICIALIZAÇÃO do dever de educar.
Ocorrem, entre outras hipóteses,
nos casos de:

■lesão corporal em que a vítima apresenta sinais da


agressão, em razão da necessidade de laudo de
exame de corpo de delito;

■homicídio em que a vítima deve ser submetida a


laudo de exame cadavérico;

■porte para uso ou tráfico de entorpecentes, pois a


autoridade policial realizará a apreensão da droga e
irá requisitar o laudo de exame químico toxicológico;
■porte de arma, vez que é necessária a apreensão da
arma que será submetida a exame pelo instituto de
criminalística;

■porte de explosivos ou bomba caseira, pois também


é necessária a apreensão do material que será objeto
de exame pelo instituto de criminalística;

■dano intencional ao patrimônio público ou particular,


em que deverá ser efetuado o levantamento do local.
O ato infracional não poderá ser narrado de modo
genérico, mas sim detalhado. São necessárias:

a) a qualificação completa do adolescente infrator (nome,


filiação, data de nascimento, endereço);

b) a indicação de data, horário e local do fato;

c) o nome das VÍTIMAS (com qualificação completa);

d) a informação de eventuais danos causados ao


patrimônio da escola ou de terceiros;

e) a indicação de testemunhas.
Se o ato infracional for praticado por
criança (pessoa com até 12 anos incompletos),
os fatos devem ser encaminhados ao Conselho
Tutelar.

No local em que os Conselhos Tutelares não


estiverem em funcionamento, o encaminhamento
deverá ser feito ao Juiz de Direito da Comarca e,
na Capital, ao Juizado da Infância e Juventude,
mediante ofício.
Os casos de comportamento irregular e
INDISCIPLINA devem ser apreciados pela
escola, que aplicará as sanções previstas no
regimento escolar ou, em último caso,
encaminhará ao Conselho Tutelar ou Promotoria
de Justiça da Infância e Juventude para o
acompanhamento devido.
Se um adolescente infrator cometeu ATO
INFRACIONAL GRAVE na escola, será
responsabilizado nos termos do Estatuto da
Criança e do Adolescente, sem prejuízo das
sanções disciplinares a serem impostas pela
escola. Entretanto, se o ato for de
INDISCIPLINA praticado por criança ou
adolescente, a competência para apreciá-lo é da
própria escola.
A Escola deverá abrir um livro próprio para o
registro de todas as ocorrências tratadas na presente
recomendação.

A prática de ATOS INFRACIONAIS ou de


INDISCIPLINA não pode resultar na aplicação, por parte
das autoridades escolares, de sanções que impeçam o
exercício do DIREITO FUNDAMENTAL À EDUCAÇÃO. As
crianças ou adolescentes deverão ser submetidos a uma
completa AVALIAÇÃO sob os pontos de vista PEDAGÓGICO e
PSICOLÓGICO, para apurar as necessidades especiais que
porventura apresentem, com o posterior encaminhamento aos
PROGRAMAS de orientação, apoio, acompanhamento e
TRATAMENTO adequados à sua peculiar condição (conforme
Art.100 do ECA).
Tendo em vista a necessária preocupação em
PREVENIR a ocorrência de atos de indisciplina ou
infracionais, a direção da escola e os professores
deverão procurar, a todo momento, ORIENTAR os
alunos acerca do binômio DIREITOS X DEVERES,
incutindo em todos noções básicas de cidadania, como
aliás é exigência da Constituição Federal (em seu Art.
205), Estatuto da Criança e do Adolescente (em seu
Art. 53, caput) e Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, promovendo a CULTURA DA PAZ
nas escolas.
Consequências práticas
do Ato Infracional
e Ato Indisciplinar
Fiz uma
Besteira!
E Agora?!
A CRIANÇA infratora fica sujeita às
medidas de proteção previstas no artigo 101
do ECA:
Encaminhamento aos pais ou responsável,
mediante termo de responsabilidade;

Orientação, apoio e acompanhamento temporários;


Matrícula e frequência obrigatórias em
estabelecimento oficial de ensino fundamental;

Inclusão em programa comunitário ou oficial de


auxilio à família, a criança e ao adolescente;
Requisição de tratamento médico, psicológico ou
psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;

Inclusão em programa oficial ou comunitário de


auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e
taxicômanos;

Abrigo em entidade;
Colocação em família substituta.
O ADOLESCENTE infrator submete-se a um
tratamento mais rigoroso, com as medidas
sócioeducativas (incluindo as medidas de proteção)
previstas no artigo 112 do Estatuto, que podem
implicar na:

●Advertência;
●Obrigação de reparar o dano;
●Prestação de serviço à comunidade;
●Liberdade assistida;
●Inserção em regime de semiliberdade;
●Internação;
●Qualquer uma das previstas no artigo 101, I ao VI.
As medidas sempre devem ser aplicadas levando
em consideração uma relação de
proporcionalidade, ou seja, a capacidade do
infrator em cumpri-la, as circunstâncias e a
gravidade da infração.
No caso de cometimento de um ATO
INDISCIPLINAR, quer pela CRIANÇA OU
ADOLESCENTE, o tratamento é o mesmo: a
aplicação do regimento escolar, com as
consequências nele previstas. No entanto, algumas
regras básicas devem ser observadas:
a) o princípio da legalidade: a punição deve estar
inserida no regimento da escola;

b) a sindicância disciplinar deve proporcionar


ampla defesa ao aluno, com ciência de seus
genitores ou responsáveis;

c) as punições devem guardar uma relação de


proporcionalidade com o ato cometido,
preferindo-se as mais brandas;
A competência para aplicá-las é do Conselho de
Escola, após regular sindicância para apuração do
ato de indisciplina.

Importante consignar que, na INTERPRETAÇÃO e


aplicação do Estatuto e do Regimento Escolar,
deve-se levar em consideração os FINS SOCIAIS
da norma e a CONDIÇÃO PECULIAR da criança e
do adolescente como pessoas em desenvolvimento.
POR QUE SOLICITAR O REGISTRO DA OCORRÊNCIA
DE ATO INFRACIONAL?


A omissão pode configurar:
- crime de prevaricação -> art. 319, CP: Retardar
ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício,
ou praticá-lo contra disposição expressa de lei,
para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
- contravenção penal -> art. 66, LCP: Deixar de
comunicar à autoridade competente:
I- crime de ação pública, de que teve conhecimento no
exercício de função pública, desde que a ação penal
não dependa de representação;
- infração administrativa -> art. 245, ECA:
Deixar o médico, professor ou responsável por
estabelecimento de atenção à saúde e de ensino
fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à
autoridade competente os casos de que tenha
conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação
de maus-tratos contra criança ou adolescente.


As providências legais de prisão, apreensão,
investigação e julgamento de atos infracionais não
são de competência da administração escolar.

Combate à impunidade, ao crescimento da violência na
escola e prevenção de novos fatos.
PROCEDIMENTO EM CASO DE ATO
INFRACIONAL

Adolescente é conduzido à DELEGACIA para registro do
BOC.


Após a oitiva informal, conforme a natureza do delito, o
relatório técnico e o histórico de indisciplina, o Promotor
pode:

– oferecer remissão pura e simples


– oferecer remissão cumulada com medida
socioeducativa
– representar

O adolescente que cumpre medida socioeducativa cumulada
com remissão é acompanhado até o fim do cumprimento da
medida.


Em caso de representação, o procedimento será instruído e
o adolescente submetido a medida socioeducativa aplicada
pelo juiz.


Somente o juiz pode aplicar as medidas socioeducativas de
semiliberdade e internação.
Centro de Apoio Operacional da
Infância e Juventude

E-mail:caojuventude@mp.go.gov.br

Fones.: 3243-8029/8030/8031