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Correção do Teste de Avaliação – Filosofia 11.

º ano

Estatuto do conhecimento científico


— Conhecimento vulgar e conhecimento científico
— Ciência e construção – validade e verificabilidade das hipóteses
— A racionalidade científica e a questão da objetividade

GRUPO I

1.
1.1. C.
1.2. B.
1.3. A.
1.4. D.
1.5. D.
1.6. B.
1.7. D.
1.8. A.
1.9. B.
1.10. C.

GRUPO II

1.
A ciência distingue-se das outras formas de saber pelo seu método ou pelo conjunto de
meios mediante os quais o cientista poderá atingir um determinado objetivo, associado à
busca da verdade. Esses meios são orientados por um conjunto de regras que estabelecem
a ordem das operações a realizar com vista a atingir um determinado resultado. Graças
ao método experimental, a ciência tornou-se capaz não só de descrever como também de
prever a ocorrência de fenómenos, sendo o método científico “a forma mais eficaz de
descobrir e prever o comportamento da natureza”. As descobertas científicas permitiram
aplicações práticas, técnicas e tecnológicas que possibilitaram, por seu turno,
determinados feitos notáveis: a ida à Lua, a descoberta da cura de algumas doenças, bem
como a produção de objetos que se tornaram indispensáveis para o conforto do dia a dia,
nomeadamente os carros, os computadores, as televisões, etc.

2.
Duas das críticas de que foi alvo a conceção indutivista do método científico são: a) a
observação não é necessariamente o primeiro momento do método científico e, mesmo
que o cientista a ela recorra, ela não é inteiramente neutra e isenta; b) o raciocínio indutivo
não oferece a consistência lógica que as teorias científicas reclamam.
Relativamente à primeira alínea, podemos dizer que a observação pura não existe. No
mínimo, os conhecimentos anteriores do cientista, as teorias com que contactou,
determinam a observação que efetuará, pelo que, partindo daí, já não é da observação
que parte. A sua observação é, portanto, mediada, isto é, não neutra nem isenta.
A segunda crítica é de índole lógica. De facto, o raciocínio indutivo amplificante – não o
enumerativo, de Aristóteles – constitui um salto lógico, que leva do particular ao geral. A
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sua validade está, portanto, comprometida. David Hume afirmou, a este propósito, que a
generalização indutiva é uma mera crença ou expectativa, fundamentada pelo hábito e
suportada pela convicção, e não pela impressão, de que as mudanças na natureza são
regulares. A veracidade das leis científicas, por definição universais, está, enfim,
comprometida pelo problema da indução.

3.
Para Popper, o critério da verificabilidade não é suficiente para demarcar a ciência de
outras formas de saber, nomeadamente de carácter metafísico. O critério verificacionista
fica, antes de mais, refém do próprio problema do indutivismo. Por exemplo, o enunciado
“Todos os cisnes são brancos” não pode ser verificado na sua totalidade, pois é impossível
observarmos todos os cisnes que já existiram, que existem e que existirão no futuro. Face
a esta dificuldade, os neopositivistas consideraram que, na impossibilidade de uma
verificação universal, poder-se-ia confirmar o enunciado com algumas observações.
Assim, bastaria encontrar alguns cisnes brancos para tornar o enunciado científico.
Contudo, Popper discorda deste modo de demarcar os enunciados científicos dos que o
não são. Muitos enunciados metafísicos e filosóficos, a partir deste critério, seriam
científicos. Por exemplo, “O mundo vai acabar” seria um enunciado científico, pois é
possível verificar empiricamente (bastaria presenciar esse facto), mas não é possível
falsificar um enunciado que não exprime quando esse facto acontecerá. Assim, um
enunciado para ser científico deve ser, à partida, empiricamente falsificável, isto é, deverá
ser possível encontrar factos que contrariem a hipótese. Se tal não for possível, estaremos
na presença de enunciados metafísicos, mas não científicos.

4.
Para Kuhn, o desenvolvimento da ciência está dependente de um paradigma ou modelo
científico, isto é, de um conjunto de teorias, factos, crenças e conhecimentos, regras,
técnicas e valores, compartilhados e aceites pela maioria dos cientistas. Dizer que os
paradigmas são incomensuráveis equivale a afirmar que são incomparáveis e
incompatíveis. Não se pode comparar objetivamente aquilo que cada paradigma defende,
dado que eles correspondem a formas totalmente diferentes de explicar e prever os
fenómenos. Uma vez que cada paradigma corresponde a um modo qualitativamente
diferente de olhar o real, a verdade que cada um contém está circunscrita ao que nele se
determina. Cada paradigma é uma representação do real.

GRUPO III

1.
Popper considera que as teorias científicas têm uma justificação objetiva e que a sua
validação obedece ao critério da falsificabilidade. Na sua perspetiva, as teorias são
submetidas a sucessivos testes empíricos e são avaliadas de acordo com critérios lógicos
objetivos (independentes de fatores subjetivos). Kuhn, por seu turno, entende que a
adesão da comunidade científica a uma teoria em detrimento de outra depende de fatores
objetivos, mas também subjetivos, comparando-a a uma conversão religiosa. Na
perspetiva de Kuhn, nenhum conjunto de critérios objetivos assegura que diferentes
cientistas adotem as mesmas teorias, pois a interpretação e a aplicação desses critérios
dependem de fatores subjetivos, ou seja, “toda a escolha individual entre teorias rivais
depende de uma mistura de fatores objetivos e subjetivos, ou de critérios partilhados e
individuais”.

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Popper defende que da aplicação do método científico resulta a substituição das teorias
falsificadas por outras melhores, num processo de contínua aproximação à verdade. Com
efeito, “a ciência é a busca da verdade”, e embora não possamos saber se a alcançámos,
podemos ter razões para pensar que estamos mais próximos dela. Kuhn, por sua vez,
defende que os paradigmas rivais (as teorias em confronto) são incomensuráveis, e que
a substituição de um paradigma por outro (de uma teoria por outra) não representa uma
aproximação à verdade.

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