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Correção do Teste de Avaliação – Filosofia 11.

Descrição e interpretação da atividade cognoscitiva


Análise comparativa de duas teorias explicativas do conhecimento

GRUPO I

1.
1.1. D.
1.2. C.
1.3. B.
1.4. A.
1.5. B.
1.6. A.
1.7. D.
1.8. C.
1.9. B.
1.10. D.

GRUPO II

1.
De acordo com a definição tradicional, apresentada por Platão no diálogo Teeteto, o conhecimento é
uma crença verdadeira justificada. Assim, as condições necessárias e conjuntamente suficientes para
que haja conhecimento são a crença, a verdade e a justificação. Se alguém tiver uma crença acerca
de determinada realidade, se essa crença for verdadeira e se dispuser de justificações para a sua
crença, então possui conhecimento da realidade em causa.

2.
A razão é, para os racionalistas, a fonte principal do conhecimento, porque só através dela se pode
encontrar um conhecimento seguro, o qual se apoia em princípios evidentes, sendo totalmente
independente da experiência sensível. Tal conhecimento, que é a priori, é considerado necessário –
tem de ser assim e não pode ser de outro modo, sob pena de entrarmos em contradição lógica – e
universal – tem de ser assim sempre e em toda a parte. Ao invés, as crenças e informações que se
obtêm através dos sentidos são muitas vezes confusas e incertas.

3.
Os céticos radicais, rejeitando haver justificações suficientes ou satisfatórias para mostrar a verdade
das nossas crenças, negam a possibilidade do conhecimento, suspendendo o juízo, baseados,
sobretudo, nos seguintes argumentos: a) os enganos e as ilusões dos sentidos: relativamente ao
mesmo objeto, há sensações e perceções diferentes, e até incompatíveis; também os objetos, pelas
diversas formas como nos surgem, desencadeiam ilusões e aparências; b) a discordância e a
divergência de opiniões a respeito dos mais variados assuntos, o que mostra que nenhuma se encontra
adequada ou suficientemente justificada, tornando impossível que nos decidamos por uma ou outra;
c) o facto de nada se poder compreender por si e o facto de nada poder ser compreendido com base
noutra coisa: para justificar uma crença tem de se recorrer a outra, e assim ou caímos num círculo
vicioso ou temos de recorrer a outras crenças, numa cadeia de justificação até ao infinito – regressão
infinita da justificação.

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José Ferreira Borges · Marta Paiva · Orlanda Tavares
GRUPO III

1.
Enquanto primeira verdade a que o filósofo acedeu após o exercício da sua dúvida metódica, o Cogito
surge como crença fundacional ou básica relativamente ao sistema do saber. Obtida por intuição, de
modo inteiramente racional e a priori, a afirmação “Penso, logo existo” constitui um princípio evidente
e indubitável, uma certeza inabalável, revelando também a essência do sujeito: o pensamento.
Mas, apesar de autoevidente, o Cogito não é suficiente para garantir a objetividade do conhecimento
e a verdade das ideias inatas. Com efeito, neste ponto da sua investigação, Descartes ainda não
afastou a hipótese da existência do Génio maligno ou do Deus enganador, colocada no ato de duvidar.
Ele necessita, por isso, de demonstrar a existência de um deus que não o engane, ou seja, de um
deus que sirva de garantia das verdades, afastando de vez qualquer ameaça do ceticismo.
A ideia de ser perfeito, uma das ideias inatas que possuímos, servirá a Descartes de ponto de partida
para a investigação relativa à existência do ser divino. Através do argumento ontológico, do argumento
da marca impressa e da investigação da causa da existência do ser pensante, o filósofo chega à
conclusão de que Deus existe, compreendendo, como refere na afirmação citada, “que tudo o resto
depende dele e que ele não é enganador”. Daí pôde concluir que tudo aquilo que é concebido clara e
distintamente é necessariamente verdadeiro.
Deus, o ser perfeito, é a garantia da verdade objetiva das ideias claras e distintas. Criador das verdades
eternas e origem do ser, Deus é o único ser que pode garantir a adequação entre o pensamento
evidente e a realidade, legitimando o valor da ciência e conferindo objetividade ao conhecimento.

2.
Segundo David Hume, o conhecimento da relação de causa e efeito não é obtido por raciocínios a
priori, mas deriva totalmente da experiência. Trata-se, pois, de um conhecimento a posteriori. Ora “só
mediante esta relação podemos ir além do testemunho da nossa memória e dos nossos sentidos”, ou
seja, ir para lá da experiência.
Esta relação é normalmente concebida como sendo uma conexão necessária: acreditamos que aquilo
a que chamamos efeito não pode ocorrer sem aquilo a que chamamos causa e que esta causa
produzirá necessariamente aquele efeito.
No entanto, não dispomos de qualquer impressão relativa à ideia de conexão necessária entre
fenómenos: a única coisa que percecionamos é que entre dois fenómenos, eventos ou objetos se
verifica uma conjunção constante.
Concluímos, então, que existe entre eles uma relação de causalidade e que essa relação de
causalidade constitui uma conexão necessária. Tal conexão não é racionalmente justificável, tendo
apenas um fundamento psicológico: o hábito ou costume.
O problema da relação de causalidade articula-se com o problema da indução ou problema da
uniformidade da natureza. A ideia de que a natureza é uniforme associa-se à crença na similitude dos
eventos e na suposta conexão necessária entre alegadas causas e alegados efeitos.
Ao efetuarmos inferências de carácter indutivo – previsões ou generalizações –, também vamos para
lá da experiência. Segundo Hume, qualquer argumento indutivo pressupõe (como premissa) o princípio
de que o futuro se assemelha ao passado e segundo o qual a natureza sempre funcionará da mesma
forma, de modo previsível e regular. Mas este princípio – princípio da uniformidade da natureza – não
é racionalmente justificável, porque não há um bom argumento indutivo nem um bom argumento
dedutivo a seu favor: qualquer argumento indutivo a seu favor é circular, e tal princípio também não é
uma verdade a priori ou obtida dedutivamente. Se o princípio da uniformidade da natureza não é
racionalmente justificável, também não há justificação racional para as crenças obtidas por indução.

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José Ferreira Borges · Marta Paiva · Orlanda Tavares