Você está na página 1de 13

III - EPISTEMOLOGIA

p. 141
(Exercício retirado do teste intermédio de 2012)

1. Leia o texto seguinte.

Ser objeto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo exterior, como erroneamente se
supõe na linguagem vulgar, quando se opõe «mundo objetivo» a «mundo subjetivo». Uma ideia pode ser
objeto de conhecimento, como esta mesa; uma dor e um sonho podem ser, por exemplo, objetos de
conhecimento, sem, com isso, necessitarem de pertencer ao mundo exterior. «Objetivo» diz respeito ao
objeto e não implica existência no mundo exterior.

D. Santos, «Da Filosofia», in Obras Completas I, Lisboa, FCG, 1982.

Esclareça o sentido da frase «Ser objeto do conhecimento não significa que algo pertence ao mundo
exterior».

Cenário de resposta
A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– esclarecimento de que «objeto de conhecimento» não se refere necessariamente ao mundo exterior ou material;
– definição do objeto de conhecimento como representação mental, ou imagem;
– articulação do conceito de «objeto de conhecimento» com o conceito de «sujeito de conhecimento», identificando o
objeto de conhecimento pela possibilidade de ser conhecido por um sujeito.

p. 142
(Exercício retirado do teste intermédio de 2013)

1. Considere os seguintes enunciados relativos à definição tradicional de conhecimento.


1. Uma crença verdadeira pode, sob certas condições, constituir conhecimento.
2. O conhecimento é sempre uma crença partilhada, considerando que implica um sujeito e um objeto.
3. Uma crença falsa pode, sob certas condições, justificar um conhecimento.
4. Apenas crenças verdadeiras podem ser justificadas.

Deve afirmar-se que:


(A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.
(B) 4 é correto; 1, 2 e 3 são incorretos.
(C) 1 é correto; 2, 3 e 4 são incorretos.
(D) 3 e 4 são corretos; 1 e 2 são incorretos.

Cenário de resposta
1. (A)
p. 145
(Exercício retirado do exame nacional de 2013)

1. De acordo com a definição tradicional de conhecimento:


(A) a crença é condição suficiente do conhecimento.
(B) uma crença falsa pode ser conhecimento.
(C) a justificação é condição necessária do conhecimento.
(D) a opinião é condição necessária e suficiente do conhecimento.

Cenário de resposta
1. (C)

p. 145
(Exercício retirado do exame nacional de 2013)

1. Acerca da relação entre crença e conhecimento, é correto afirmar que:


(A) Há crenças falsas, mas nenhuma crença falsa é conhecimento.
(B) Podemos conhecer aquilo em que não acreditamos.
(C) As crenças são falsas, mas o conhecimento é verdadeiro.
(D) Não podemos acreditar naquilo que não conhecemos.

Cenário de resposta
1. (A)

p. 145
Assinale com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas.
(A) Nas afirmações «O Luís sabe tocar guitarra» e «A Lúcia conhece Paris», estamos perante o
conhecimento de saber-fazer.
(B) Um exemplo de conhecimento proposicional é a afirmação «As gralhas são pássaros negros».
(C) Saber qual é o autocarro que nos leva à escola é um conhecimento por contacto.
(D) «O António é bombeiro» e «A Carla é cabeleireira» são afirmações do conhecimento proposicional.
(E) «Aristóteles é macedónio» e «O Carlos sabe como arranjar a bicicleta» são afirmações do
conhecimento de saber-fazer.
(F) Andar de skate e jogar futebol são conhecimentos por contacto.
(G) A fenomenologia é um método filosófico.
(H) Para Husserl, o conhecimento resulta da relação entre um sujeito e um objeto.
(I) Para a análise fenomenológica do conhecimento, o produto do conhecimento no sujeito é uma
representação do objeto.
(J) Aquele que conhece designa-se por cognoscido.
(K) Segundo a análise fenomenológica, o conhecimento é marcado por três momentos: o sujeito sai de
si; o sujeito apreende o objeto; o sujeito regressa a si.
(L) No ato de conhecer, estabelece-se uma relação reversível entre o objeto e o sujeito.
(M) Para Platão, só há conhecimento quando existe uma crença justificada.
(N) Crença e verdade, segundo a teoria tradicional do conhecimento, são duas condições necessárias para
se poder falar em conhecimento.
(O) Para a teoria tradicional do conhecimento, crença e verdade são duas condições suficientes para que
exista conhecimento.
(P) A teoria platónica do conhecimento aceitaria como sinónimo de conhecimento a afirmação «Eu sei que
há cisnes negros, pois ontem vi um».
(Q) Gettier também consideraria a afirmação anterior como sinónimo de conhecimento.
(R) Para Gettier, a justificação é a única forma de avaliar a verdade de uma crença.
(S) Segundo Gettier, ainda que tenhamos crença verdadeira justificada não temos conhecimento.
(T) Gettier tornou claro que a teoria tradicional do conhecimento não é satisfatória para definir o que é
conhecimento.

Cenários de resposta
(A) F; (B) V; (C) F; (D) V; (E) F; (F) F; (G) V; (H) V; (I) V; (J) F; (K) V; (L) F; (M) F; (N) V; (O) F; (P) V; (Q) F;
(R) F; (S) V; (T) V

p. 152
(Exercício retirado do exame nacional de 2013)

1. Os racionalistas defendem que:


(A) Os sentidos são a única fonte do conhecimento universal e necessário.
(B) O conhecimento se fundamenta a posteriori.
(C) Não há conhecimento a priori.
(D) A razão é a única fonte do conhecimento universal e necessário.

Cenário de resposta
1. (D)

p. 157
1. Complete os espaços em branco com as palavras sugeridas no quadro, de modo a que o
texto faça sentido.

certeza ; compreendo; sentidos; clara e distinta; sensações; eu; verdade; imaginações; absolutamente;
pensa

Agora fecharei os olhos, taparei os ouvidos, porei de parte todos os (1)-----------------, apagarei também
do meu pensamento todas as coisas corpóreas, ou pelo menos, porque isto é quase impossível, não as
tomarei em conta, por inanes e falsas, e, dialogando só comigo próprio e inspecionando-me mais
intimamente, procurarei tornar-me o meu próprio (2) ------------- progressivamente mais conhecido e
familiar. Eu sou uma coisa que (3)----------------, quer dizer, que duvida, que afirma, que nega, que
conhece poucas coisas, que ignora muitas, que quer, que não quer, que também imagina, e que sente.
Porque, como atrás notei, embora as coisas que sinto ou que imagino não sejam possivelmente nada fora
de mim, todavia aqueles modos de pensar que chamo (4)---------------- e (5)----------------- existem em
mim, de facto, enquanto são certos modos de pensar.
E, com estas poucas palavras, enumerei tudo o que verdadeiramente sei, ou pelo menos tudo aquilo que
até agora notei que sabia. Neste momento, vou considerar com mais exatidão se em mim há outros
conhecimentos que não tomei em conta até agora. Estou certo de que sou uma coisa que pensa. Mas sei
também o que se requer para que eu tenha a (6)----------------de alguma coisa? Seguramente, neste
primeiro conhecimento há apenas uma certa compreensão (7)-------------------------- daquilo que afirmo
- compreensão que não será suficiente para me dar a certeza da (8)--------------------- da coisa, se pode
dar-se, por acaso, que fosse algo que eu compreendesse assim clara e distintamente. E, por consequência,
parece-me que já posso estatuir como regra geral que é (9)------------------ verdadeiro tudo aquilo que
(10)------------------------ clara e distintamente.

R. Descartes, Meditações Metafísicas (Terceira Meditação), Almedina, 1985, pp.135-136.

Cenários de resposta
(1) sentidos; (2) eu; (3) pensa; (4) sensações; (5) imaginações; (6) certeza; (7) clara e distinta; (8) verdade; (9)
absolutamente; (10) compreendo

p. 157
(Exercício retirado dos exame nacional de 2013)

1. Considere os seguintes enunciados relativos ao estatuto do cogito, no sistema de Descartes.

O cogito é:
1. O primeiro princípio do sistema do conhecimento.
2. Uma verdade que se deduz de outras verdades.
3. Uma verdade descoberta com o apoio dos sentidos.
4. Uma verdade puramente racional.

Deve afirmar-se que:


(A) 2 é correto; 1, 3 e 4 são incorretos.
(B) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos.
(C) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto.
(D) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.

Cenário de resposta
1. (D)

p. 160
(Exercício retirado do teste intermédio de 2013)

1. Considere os seguintes enunciados relativos à dúvida cartesiana.

Para Descartes a dúvida é:


1. Um instrumento de exame crítico dos conhecimentos que conduz ao ceticismo.
2. Estrategicamente hiperbólica para permitir separar radicalmente o verdadeiro do falso.
3. Um ato exercido por um sujeito que não alcança, por esse meio, qualquer verdade.
4. Um ato que permite afastar o conhecimento humano de qualquer referência a Deus.

Deve afirmar-se que:


(A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.
(B) 2 é correto; 1, 3 e 4 são incorretos.
(C) 1 é correto; 2, 3 e 4 são incorretos.
(D) 3 e 4 são corretos; 1 e 2 são incorretos.

2. Leia o texto seguinte.

Mas, porque a razão me persuade logo que não devo menos cuidadosamente coibir-me de dar o meu
assentimento às coisas que não são plenamente certas e indubitáveis do que às abertamente falsas, para
rejeitá-las todas basta que se me depare em uma delas qualquer razão de dúvida. Para isso, não tenho
que percorrê-las cada uma em particular, trabalho que seria sem fim: porque uma vez minados os
fundamentos, cai por si tudo o que está sobre eles edificado, atacarei imediatamente aqueles princípios
em que se apoiava tudo o que anteriormente acreditei.
R. Descartes, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Almedina, 1976, pp. 106-107.

A partir do texto, estabeleça a relação entre dúvida e verdade no pensamento de Descartes.


Na sua resposta deve referir:
- o que Descartes entende por conhecimento verdadeiro;
- a natureza, alcance e utilidade da dúvida.
Cenários de resposta
1. (B)
2. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– caracterização do conhecimento verdadeiro. É verdadeiro o conhecimento evidente, isto é, claro e distinto, e como tal
indubitável.
– explicação da natureza da dúvida:
• é metódica, porque a sua aplicação está associada à regra da evidência;
• é deliberadamente hiperbólica, porque se considera falso tudo aquilo de que se possa duvidar
– explicitação do alcance da dúvida:
• é radical, porque põe em causa os princípios ou fundamentos em que se baseavam as proposições do conhecimento
tradicional;
• é provisória, porque tem em vista uma nova fundamentação.
– Justificação da utilidade da dúvida:
• permite que o espírito descubra uma verdade indubitável, modelo e critério de verdade – o cogito;
• liberta a razão da dependência em relação a autoridades externas e em relação aos sentidos.

p. 160
(Exercício retirado do exame nacional – época especial de 2012)

1. Leia o texto seguinte.

(…) Embora vejamos o Sol muito claramente, não devemos por isso julgar que ele só tem a grandeza que
vemos; e podemos à vontade imaginar distintamente uma cabeça de leão unida ao corpo de uma cabra,
sem que tenhamos de concluir que no mundo existem quimeras: porque a razão não garante que seja
verdadeiro o que assim vemos ou imaginamos. Mas sugere-se que todas as nossas ideias ou noções devem
ter algum fundamento de verdade; porque não seria possível que Deus, que é inteiramente perfeito e
completamente verdadeiro, as tivesse posto em nós sem isso.

R. Descartes, Discurso do Método, Edições 70, 2000.

1.1. Identifique os três tipos de ideias presentes no texto.

Cenário de resposta
1.1. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– identificação dos três tipos de ideias, segundo Descartes, presentes no texto: ideias adventícias, ideias factícias e ideias
inatas.

p. 160
(Exercício retirado do exame nacional de 2012)

1. Leia o texto seguinte.

Assim, rejeitando todas aquelas coisas de que podemos duvidar de algum modo, e até mesmo imaginando
que são falsas, facilmente supomos que não existe nenhum Deus, nenhum céu, nenhuns corpos; e que
nós mesmos não temos mãos, nem pés, nem de resto corpo algum; mas não assim que nada somos, nós
que tais coisas pensamos: pois repugna que se admita que aquele que pensa, no próprio momento em
que pensa, não exista.

R. Descartes, Princípios da Filosofia, Presença, 1995.

1.1. Indique o primeiro princípio indubitável aceite por Descartes.


1.2. Explicite, a partir do texto, duas das características da dúvida cartesiana.

Cenários de resposta
1.1. O primeiro princípio indubitável aceite por Descartes é o cogito (ergo, sum).
1.2. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados.
Explicitação de duas das seguintes características, integrando a informação do texto:
– voluntária (duvidar é uma decisão intelectual, é um ato de vontade livre);
– provisória (duvidar tem por finalidade alcançar uma verdade que resista à dúvida – cogito);
– hiperbólica ou excessiva (duvidar consiste em rejeitar como falso tudo o que possa suscitar a mínima
dúvida, chegando-se a atingir, neste processo, a crença natural na existência da realidade exterior).

p. 160
(Exercício retirado dos exame nacional de 2013)

1. Leia o texto seguinte.

Dado que nascemos crianças e que formulámos vários juízos acerca das coisas sensíveis antes que
tivéssemos o completo uso da nossa razão, somos desviados do conhecimento da verdade por muitos
preconceitos, dos quais parece não podermos libertar-nos a não ser que, uma vez na vida, nos esforcemos
por duvidar de todos aqueles em que encontremos a mínima suspeita de incerteza.
Será mesmo útil considerar também como falsas aquelas coisas de que duvidamos, para que assim
encontremos mais claramente o que é certíssimo e facílimo de conhecer.

R. Descartes, Princípios da Filosofia, Presença, 1995.

A partir do texto, esclareça o papel da dúvida cartesiana no «conhecimento da verdade» (linhas 2 e 3).
Na sua resposta, integre, de forma pertinente, informação do texto.

Cenário de resposta
1. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– explicação do caráter metódico da dúvida cartesiana.
– apresentação do critério cartesiano de verdade: a evidência como clareza e distinção das ideias.
– explicação do caráter radical ou hiperbólico da dúvida cartesiana.
– explicitação das razões para duvidar: os erros dos sentidos; a dificuldade em distinguir claramente o sonho da vigília;
a hipótese do génio maligno.
– identificação do cogito como primeiro princípio indubitável e fundamento do saber.

p. 163
(Exercício retirado do teste intermédio de 2013)

1. Todos os empiristas afirmam que:


(A) Existem ideias inatas.
(B) O conhecimento verdadeiro deriva da razão.
(C) A metafísica é uma ciência.
(D) Não existem ideias anteriores à experiência.

Cenário de resposta
1. (D)

p. 168
1. Complete os espaços em branco com as palavras sugeridas no quadro, de modo a que o
texto tenha sentido.

cópias; observa; claras; ideias; pensamento; perceção; vívido; experiência; impressões; imagina

Hume utiliza o termo (1)«----------------» para referir quaisquer conteúdos da (2)-------------------- (…).
As perceções ocorrem quando o indivíduo (3)---------------, sente, recorda, (4)------------------, e assim
por diante, sendo que o uso atual da palavra cobre um leque muito menos vasto de atividades mentais.
Para Hume, existem dois tipos básicos de perceções: (5)----------------- e (6)------------------.
As impressões constituem as experiências obtidas quando o indivíduo observa, sente, ama, odeia, deseja
ou tem vontade de algo. Hume descreve este tipo de perceções como sendo mais (7) «----------------» do
que as ideias, termo com que o filósofo parece querer afirmar que as impressões são mais (8)------------
--- e mais pormenorizadas do que as ideias. As ideias, por sua vez, são (9)----------------- das impressões.
Trata-se dos objetos do (10)------------------ humano quando os indivíduos recordam a sua experiência
ou exercitam a sua imaginação.
N. Warburton, Grandes Livros de Filosofia, Edições 70, 2001, p. 98.

Cenários de resposta
(1) perceção; (2) experiência; (3) observa; (4) imagina; (5) impressões; (6) ideias; (7) vívido; (8) claras; (9) cópias;
(10) pensamento

p. 171
(Exercício retirado do exame nacional – época especial de 2012)

1. Explique a origem das ideias que conduzem ao conhecimento, segundo a filosofia de


Descartes e segundo a filosofia de Hume.

Cenário de resposta
1. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– identificação das ideias que conduzem ao conhecimento como tendo origem na razão humana, na filosofia de Descartes,
e como tendo origem nas impressões, na filosofia de Hume;
– explicação das ideias inatas, que têm origem na razão, e se caracterizam pela universalidade e pela necessidade,
segundo a filosofia de Descartes;
– explicação do conhecimento, na filosofia de Descartes, a partir dos princípios da razão, que, em última análise, têm
origem em Deus, fundamento do conhecimento;
– explicação da relação entre impressões e ideias e entre ideias simples e ideias complexas, na filosofia de Hume;
– explicação, segundo a filosofia de Hume, da necessidade de as ideias que conduzem ao conhecimento terem
correspondência com uma impressão.

p. 171
(Exercício retirado do exame nacional de 2013)
1. Leia o texto seguinte.

Todas as ideias são copiadas de impressões ou de sentimentos precedentes e, onde não pudermos
encontrar impressão alguma, podemos ter a certeza de que não há qualquer ideia.
Em todos os exemplos singulares das operações de corpos ou mentes, não há nada que produza qualquer
impressão e, consequentemente, nada que possa sugerir qualquer ideia de poder ou conexão necessária.
Mas quando aparecem muitos casos uniformes, e o mesmo objeto é sempre seguido pelo mesmo evento,
começamos a ter a noção de causa e de conexão.
D. Hume, Tratados Filosóficos I, Investigação sobre o Entendimento Humano, INMC, 2002 (adaptado).

A partir do texto, exponha a tese empirista de Hume sobre a origem da ideia de conexão causal.
Na sua resposta, integre, de forma pertinente, informação do texto.

Cenário de resposta
1. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados.
– apresentação da perspetiva empirista de David Hume: o conhecimento do mundo está limitado àquilo de que temos
experiência.
– esclarecimento da ideia de conexão causal: perante dois acontecimentos sucessivos, o primeiro dá origem ao segundo,
ou o segundo ocorre porque o primeiro existiu anteriormente.
– apresentação das razões pelas quais a ideia de conexão causal não pode ser adequadamente justificada pela
experiência: a experiência apenas pode revelar a sucessão e a conjunção constante de acontecimentos, mas não nos dá
a ideia de conexão necessária entre acontecimentos.
– explicitação do fundamento da ideia de conexão causal: é o peso do hábito que nos leva a crer que dois acontecimentos
que se sucedem ou que acontecem conjuntamente têm uma relação causal entre si.

p. 173
(Exercícios retirados do teste intermédio de 2012)

1. Leia o texto seguinte.

Quando lanço um pedaço de madeira seca numa lareira, o meu espírito é imediatamente levado a conceber
que ele vai aumentar as chamas, não que as vai extinguir. Esta transição de pensamento da causa para o
efeito não procede da razão (…). E como parte inicialmente de um objeto presente aos sentidos, ela torna
a ideia ou conceção da chama mais forte e viva do que o faria qualquer devaneio solto e flutuante da
imaginação.

D. Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in Tratados Filosóficos I, Lisboa, INCM, 2002.

1.1. Explicite, a partir do exemplo do texto, em que se baseia a ideia da relação de causa e efeito, segundo
Hume.
1.2. Compare as posições de Hume e de Descartes relativamente à origem do conhecimento humano.
Na sua resposta deve integrar, pela ordem que entender, os seguintes conceitos:
− razão;
− sentidos;
− ideias.

Cenários de resposta
1.1. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– afirmação de que a relação de causalidade em Hume se baseia unicamente na expectativa e no hábito ou costume,
como inferência a partir da experiência;
– caracterização da relação de causa e efeito segundo Hume como ligação entre fenómenos que se sucedem
temporalmente, de forma regular e constante, e não como conexão necessária;
– aplicação da ideia de relação causa e efeito ao exemplo, explicando que a relação entre a madeira seca (considerada
causa) e o atear das chamas na lareira (considerado efeito) não pode ser logicamente deduzida (não é necessária), mas
procede unicamente da experiência anterior repetida, que gera a expectativa.
1.2. A resposta integra os seguintes aspetos ou outros considerados relevantes para a comparação entre os dois autores.
- identificação da teoria racionalista em Descartes e da teoria empirista em Hume como respostas ao problema filosófico
da origem do conhecimento.
- formulação da tese racionalista da afirmação da razão como origem e critério de todo o conhecimento verdadeiro e da
tese empirista da afirmação dos sentidos como origem e critério do conhecimento acerca da realidade.
- explicação da teoria racionalista de Descartes, segundo a qual existem ideias inatas, com origem na razão, constituindo
os princípios de todo o conhecimento; explicação da teoria empirista de Hume, que rejeita o inatismo e considera que
não é possível extrair da razão um conhecimento fundado, defendendo que o conhecimento da realidade só é possível a
partir de uma base empírica – as impressões sensíveis.
- caracterização da evidência racional das ideias, na teoria racionalista de Descartes, como garantia da certeza do
conhecimento; caracterização, na teoria empirista de Hume, da experiência – impressões sensíveis – como garantia da
adequação entre as ideias e a realidade, de modo que qualquer ideia – simples ou complexa – tem de poder ser
reconduzida a uma impressão sensível, à experiência.
- caracterização do papel da razão e dos sentidos no conhecimento da realidade, de acordo com a filosofia cartesiana: as
operações da razão – intuição e dedução – são a base do método racional através do qual se pode alcançar e progredir
no conhecimento da realidade; as ideias com origem nos dados dos sentidos (ideias adventícias) são incertas e confusas,
não podendo a experiência servir de ponto de partida para o conhecimento. Caracterização do papel da razão e dos
sentidos no conhecimento da realidade, de acordo com a filosofia de Hume, segundo a qual a razão sem os sentidos não
pode ajuizar ou fazer inferências sobre a realidade.

p. 173
(Exercício retirado do exame nacional de 2012)

1. Confronte o inatismo cartesiano com a filosofia empirista de Hume.


Na sua resposta, deve abordar, pela ordem que entender, os seguintes aspetos:
− origem das ideias;
− limites do conhecimento.

2. Leia o texto seguinte.

(…) Quando analisamos os nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos ou sublimes que possam
ser, sempre constatamos que eles se decompõem em ideias simples copiadas de alguma sensação ou
sentimento precedente. Mesmo quanto àquelas ideias que, à primeira vista, parecem mais distantes dessa
origem, constata-se, após um exame mais apurado, que dela são derivadas.
A ideia de Deus, no sentido de um Ser infinitamente inteligente, sábio e bondoso, deriva da reflexão sobre
as operações da nossa própria mente e de aumentar sem limites aquelas qualidades de bondade e de
sabedoria.
D. Hume, «Investigação sobre o Entendimento Humano», in Tratados Filosóficos I, INCM, 2002.

2.1. Nomeie os tipos de perceção da mente, segundo Hume.


2.2. Explicite, a partir do texto, a origem da ideia de Deus na filosofia de Hume.

3. Confronte as ideias expressas no texto de Hume com o racionalismo de Descartes.


Na sua resposta, deve abordar, pela ordem que entender, os seguintes aspetos:
− inatismo;
− valor da ideia de Deus.

Cenários de resposta
1. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– distinção entre o inatismo cartesiano, segundo o qual existem na razão ideias que não têm origem nos sentidos, e o
empirismo de Hume, segundo o qual todas as ideias têm origem nas impressões;
– caracterização das ideias inatas, no âmbito do racionalismo de Descartes, como ideias que proporcionam um
conhecimento claro e distinto;
– distinção entre impressões e ideias (simples e complexas), no âmbito do empirismo de Hume;
– oposição entre a crença cartesiana na certeza inabalável e no conhecimento universal (fundamentado na existência de
Deus) e as impressões como limite ao conhecimento na filosofia de Hume.
2.1. Os dois tipos de perceções da mente, segundo Hume, são as impressões e as ideias.
2.2. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– relação entre as impressões e as ideias e entre as ideias simples e as ideias complexas;
– identificação da ideia de Deus como ideia complexa que tem por base ideias simples que a mente e
a vontade compõem e potenciam.
3. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– distinção entre o empirismo de Hume, segundo o qual o conhecimento tem origem nas impressões, e o racionalismo
inatista de Descartes, que reconhece um papel fulcral às ideias inatas consideradas como princípio do conhecimento;
– referência à relação entre ideias simples e ideias complexas na filosofia empirista de Hume;
– caracterização das ideias inatas no racionalismo de Descartes como ideias provenientes da razão, claras e distintas,
garantindo a certeza e a universalidade do conhecimento, e das ideias provenientes dos sentidos como ideias falíveis,
incertas e confusas, que não conduzem ao conhecimento;
– comparação entre o valor da ideia de Deus na filosofia de Hume e o valor da ideia de Deus na filosofia de Descartes;
– caracterização da ideia de Deus na filosofia de Hume como ideia a que nenhum objeto da experiência sensível
corresponde;
– caracterização da ideia de Deus, ideia inata do ser perfeito e infinito, como garantia do valor do conhecimento,
fundamento da verdade, na filosofia de Descartes.

p. 173
(Exercício retirado do teste intermédio de 2013)

1. Leia o texto seguinte.

Descartes defendeu que o pensamento era a essência da mente; não este ou aquele pensamento, mas o
pensamento em geral. Isto parece ser absolutamente ininteligível, uma vez que tudo o que existe é
particular e, portanto, devem ser as nossas perceções particulares que compõem a mente. Digo, compõem
a mente, não pertencem à mente. A mente não é uma substância, à qual as perceções sejam inerentes.
Esta noção é tão ininteligível como a noção cartesiana segundo a qual o pensamento, ou a perceção em
geral, é a essência da mente.
Não temos noção alguma de substância de qualquer espécie, uma vez que só temos ideia do que deriva
de alguma impressão e não temos impressão de substância alguma, seja material ou espiritual. Não
conhecemos nada a não ser qualidades e perceções particulares.

D. Hume, «A Letter from a Gentleman to his Friend...» in An Enquiry Concerning Human Understanding,
Indianapolis/Cambridge, Hackett Publishing Company, 1993, p. 135.

Hume defende a tese de que «só temos ideia do que deriva de alguma impressão» (linhas 7-8).
Redija um texto argumentativo em que discuta a tese acima enunciada, a partir das posições de Descartes
e de Hume.

Cenário de resposta
1. A resposta integra os seguintes aspetos, ou outros considerados relevantes e adequados:
– apresentação e confronto das teses acerca da origem das ideias defendidas pelos dois autores:
• formulação do problema da origem do conhecimento: a relação entre as ideias e a experiência;
• apresentação da tese de Descartes relativamente à existência de ideias inatas, única fonte segura do conhecimento. As
ideias inatas são verdades universais necessárias, uma vez que são as únicas indubitáveis (claras e distintas);
• referência ao caráter duvidoso atribuído por Descartes às ideias adventícias que têm origem nos sentidos – que já nos
enganaram algumas vezes – o que as torna falíveis e sujeitas a erro;
• apresentação da tese de David Hume sobre a origem empírica das ideias. As ideias são o resultado de impressões
(sentimento exterior) enfraquecidas, ou a consequência da reflexão da mente sobre as impressões recebidas (sentimento
interior);
• referência à perspetiva de David Hume sobre a impossibilidade de um conhecimento não
fundamentado na experiência. A mente, na origem, nada transporta consigo. Todas as ideias são resultado de operações
sobre as impressões, meras perceções particulares.
– avaliação das teses em confronto: apresentação e reflexão crítica sobre o antagonismo racionalismo-empirismo.

p. 173
(Exercício retirado do exame nacional de 2013)

1. Considere os seguintes enunciados relativos à comparação entre as teorias do conhecimento


de Descartes e de David Hume.

1. Para o primeiro, todas as ideias são inatas; para o segundo, nenhuma ideia é inata.
2. Os dois autores defendem que há ideias que têm origem na experiência.
3. Para o primeiro, o conhecimento tem de ser indubitável; para o segundo, pode não ser indubitável.
4. Os dois autores defendem que não há conhecimento sem experiência.

Deve afirmar-se que:


(A) 1 e 4 são corretos; 2 e 3 são incorretos.
(B) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto.
(C) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos.
(D) 1, 3 e 4 são corretos; 2 é incorreto.

2. Considere os seguintes enunciados relativos à posição de David Hume sobre a indução.


1. As nossas crenças acerca do mundo dependem, em grande parte, da indução.
2. A crença no valor da indução é justificada pela razão.
3. As inferências indutivas decorrem do hábito ou costume.
4. A indução é o método que permite descobrir a verdade.
Deve afirmar-se que:
(A) 1 e 3 são corretos; 2 e 4 são incorretos.
(B) 2 e 3 são corretos; 1 e 4 são incorretos.
(C) 2 é correto; 1, 3 e 4 são incorretos.
(D) 1, 2 e 3 são corretos; 4 é incorreto.

Cenários de resposta
1. (C); 2. (A)

p. 173
1. Assinale com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas.
(A) O racionalismo considera que toda a crença verdadeira justificada é produto da razão.
(B) Para os racionalistas o conhecimento a priori é universalmente válido e logicamente necessário.
(C) Segundo os racionalistas, afirmar que «o todo é maior do que a parte» é referir um conhecimento a
posteriori.
(D) Em Descartes, o cogito é uma verdade justificada racionalmente.
(E) A dúvida é, para Descartes, o método para atingir o conhecimento claro e distinto.
(F) A dúvida cartesiana é provisória e universal.
(G) O génio maligno é uma criação de Deus para enganar Descartes.
(H) Clareza e distinção é o critério de verdade para Descartes.
(I) O penso, logo existo cartesiano é uma intuição racional.
(J) Deus garante a Descartes apenas e só o conhecimento claro e distinto do cogito.
(K) Para o empirismo, os racionalistas estão certos quando dizem que os sentidos são enganadores.
(L) Segundo o empirismo, não há conhecimento a priori na razão.
(M) Para o empirismo, a experiência sensível é o critério para o conhecimento e a sua justificação.
(N) Para os empiristas, as verdades a priori, e somente elas, são analíticas.
(O) David Hume é um empirista pois considera que a razão é uma tábua rasa, sem qualquer conteúdo
anterior à experiência.
(P) Para David Hume, os primeiros dados do conhecimento são ideias sob a forma de imagens.
(Q) Em David Hume, as impressões sensíveis são mais fiáveis do que as ideias.
(R) Afirmar «automóvel verde» seria considerado por Hume uma ideia complexa.
(S) Para David Hume, o conhecimento de matérias de facto não origina verdades necessárias.
(T) O conhecimento das matérias de facto assenta na relação causa e efeito que é uma conexão necessária
e fruto do hábito.

Cenários de resposta
(A) V; (B) V; (C) F; (D) V; (E) V; (F) V; (G) F; (H) V; (I) V; (J) F; (K) F; (L) V; (M) V; (N) V; (O) V; (P) F; (Q) V;
(R) V; (S) V; (T) V

p. 182
1. Assinale com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas.
(A) Kant concorda com o empirismo ao considerar que os dados dos sentidos são importantes para haver
conhecimento.
(B) Kant concorda com o racionalismo quando afirma que nem todo o conhecimento procede da
experiência.
(C) A revolução operada por Kant é também uma revolução cosmológica.
(D) Metodologicamente, a revolução kantiana dá a primazia ao sujeito no ato do conhecimento.
(E) A revolução coperniciana de Kant é metodológica, mas não epistemológica.
(F) Com a sua revolução, Kant afirma a passividade do sujeito face à realidade.
(G) Com a revolução coperniciana de Kant, o objeto é colocado no centro do conhecimento.
(H) Segundo Kant, o objeto imóvel é apreendido pelas faculdades do sujeito.
(I) A sensibilidade capta as impressões.
(J) O entendimento organiza os dados da sensibilidade através dos conceitos.
(K) O espaço e o tempo são condições subjetivas de toda a experiência sensível.
(L) A sensibilidade é recetividade ativa.
(M) O entendimento pensa os fenómenos sintetizando-os pela aplicação dos conceitos.
(N) Para Kant, o espaço e o tempo são intuições puras.
(O) Kant afirma que pensamentos sem conteúdo são cegos.
(P) Podemos afirmar, com Kant, que o entendimento nada pode intuir.
(Q) O entendimento é a capacidade de produzir representações ou a espontaneidade do conhecimento.
(R) Kant defende que sem sensibilidade nenhum objeto nos seria dado.
(S) Uma das afirmações de Kant é a de que intuições sem conceitos são cegas.
(T) Para Kant, é tão necessário tornar sensíveis os conceitos como tornar compreensíveis as intuições.
(U) Segundo Kant, sem a sensibilidade nenhum objeto seria pensado e sem o entendimento nenhum seria
dado.
(V) O espaço e o tempo são condições de toda a experiência e são absolutamente a posteriori.
(W) Espaço e tempo são o modo como percebemos todas as impressões particulares.
(X) Segundo Kant, existe conhecimento absolutamente a priori e conhecimento a posteriori.
(Y) Em Kant os fenómenos correspondem ao que as coisas são para nós.
(Z) O númeno é para nós incognoscível.
Cenários de resposta
(A) V; (B) V; (C) F; (D) V; (E) F; (F) F; (G) V; (H) V; (I) V; (J) V; (K) V; (L) F; (M) V; (N) V; (O) F; (P) V; (Q) V;
(R) V; (S) F; (T) V; (U) F; (V) V; (W) V; (X) V; (Y) V; (Z) V