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Imperfeições em

arranjos atômicos
Parte II
Defeitos Lineares
Discordância Aresta é um defeito provocado pela
adição de um semiplano extra de átomos.
Vetor de burgers
(b)
Semiplano
Àtomos localizados acima
adicional
da linha de discordância
(Compressão)

Discordância aresta

Àtomos localizados abaixo


da linha de discordância
(Expansão)

Discordâncias são desalinhamentos de átomos ao redor de defeitos


unidimensionais.
Vetor de Burgers b indica a magnitude e
a direção da distorção da rede cristalina

Discordância aresta
Estas imperfeições podem ser produzidas:

 durante a solidificação;
 na deformação plástica de sólidos cristalinos ;
 como resultado da concentração de vacâncias.
Deslizamento é o processo que ocorre quando uma
força causa o deslocamento de uma discordância,
causando uma deformação plástica
Tensão

Ocorre a
formação de um
semiplano extra
Representação por analogia entre os movimentos de uma lagarta e de uma
discordância
Discordância Espiral ocorre quando uma região do
cristal é deslocada de uma posição atômica.
A região anterior superior do
cristal é deslocada uma
distância atômica para direita

Linha de
discordância Vetor de
burgers
(b)
Discordância Espiral é gerada por uma
Tensão Cisalhante
Discordância Espiral:
Vetor de Burgers

Vetor de
Burgers
Vetor de Burgers:

(a) discordância aresta


o vetor de Burgers é perpendicular à linha

(b) discordância em hélice


o vetor de Burgers é paralelo à linha
Discordância Mista é o tipo mais provável de
discordância e corresponde à mistura de discordâncias
de aresta e espiral.

Ponto A =
Discordância Espiral

Ponto B =
Discordância Aresta
Os materiais podem ser solicitados por tensões de compressão,
tração ou de cisalhamento.

Como a maioria dos metais são menos resistentes ao


cisalhamento que à tração e compressão e como estes últimos
podem ser decompostos em componentes de cisalhamento, pode-se
dizer que os metais se deformam pelo cisalhamento plástico ou
pelo escorregamento de um plano cristalino em relação ao outro.

O escorregamento de planos atômicos envolve o movimento de


discordâncias.
Escorregamento em um Linhas de escorregamento
monocristal de zinco em liga Cu-2% Al
policristalina
Escorregamento com
desvio em um
monocristal de cobre
Defeitos
Interfaciais

São contornos que separam regiões com diferentes estruturas cristalinas


ou orientações cristalográficas

Superfícies Contornos de
externas Grãos

Contornos de
Maclas
Superfícies
externas

Os átomos não estão ligados ao número máximo de vizinhos mais próximos

Estado de energia maior do que os átomos nas posições interiores


Átomos ligados de maneira irregular
ao longo do contorno:
Contornos de MAIOR ENERGIA DE SUPERFÍCIE
Grãos

 Regiões entre cristais


 Transição entre diferentes estruturas cristalinas Contorno
 Ligeiramente desordenados de grãos

 Baixa densidade dos contornos de grãos:


 Alta mobilidade
 Alta difusividade
 Alta reatividade química (contornos são
mais reativos do que os grãos, devido a maior energia
do contorno)
São possíveis Ângulo de desalinhamento
vários graus de
desalinhamento
cristalográfico
entre grãos
adjacentes
Contorno de grão de alto ângulo

Contorno de grão de baixo ângulo

Ângulo de desalinhamento
Demonstração de como
um contorno de inclinação
que possui um ângulo de
desorientação θ resulta de
um alinhamento de
discordâncias de arestas

θ
Átomos ligados de maneira irregular
ao longo do contorno:
MAIOR ENERGIA DE SUPERFÍCIE

Átomos de impureza se segregam preferencialmente ao longo


destes contornos
Alteração da estrutura dos grãos de um metal policristalino como o resultado de deformação
plástica

Os metais policristalinos são mais resistente do que seus equivalentes monocristalinos (são
exigidas maiores tensões para se iniciar o escorregamento, devido à restrições geométricas
impostas sobre os grãos durante a deformação)
MOVIMENTO DE DISCORDÂNCIAS EM SOLUÇÕES SÓLIDAS
Quando um átomo de uma impureza está presente, o movimento da discordância
fica restringido, ou seja, deve-se fornecer energia adicional para que continue
Separação
havendo escorregamento.
Por isso soluções sólidas
de metais são sempre mais
resistentes que seus metais
puros constituintes
Compressão

Se a discordância no ponto A se move para a esquerda ela é bloqueada pelo defeito


pontual. Se a discordância se move para a direita, ela interage com a perturbação próxima
à segunda discordância em B. Se a discordância se mover ainda mais para a direita, ela é
bloqueada pelo contorno de grão.
Técnica para aumentar
a resistência e
endurecer metais

Solução Formação de ligas com Solução


sólida ÁTOMOS DE sólida
substitucional IMPUREZAS intersticial

Aumento da resistência
por solução sólida
Linhas de escorregamento
na superfície de uma
amostra de cobre que foi
polida e posteriormente
deformada
São contornos de grão com simetria
Contornos de espelhada específica da rede cristalina:
Maclas
 os átomos em um dos lados do contorno estão
localizados em posição de imagem em espelho em
relação aos átomos do outo lado do contorno

Plano da Macla
Plano de macla
(contorno)
Maclação resultante de uma tensão cisalhante

Superfície polida

Plano de macla Plano de macla


As maclas são resultantes de deslocamentos atômicos a partir de forças mecânicas de
cisalhamento (maclas de deformação) ou durante tratamentos térmicos de recozimento
(maclas de recozimento)

Plano da macla
(contorno)
As maclas de
deformação ocorre em
metais com estrutura
cristalina CCC e HC,
em baixas temperaturas,
sob taxas de
carregamento elevadas
(cargas de impacto)
Terraço
Dobra Borda saliente Monocristais de Ce-Zr-O2 utilizados
em conversores catalíticos para
automóveis

Adátomo
(átomo
Degrau Lacuna adsorvido)

Defeitos de superfície –sítios de


adsorção potenciais para catalisadores

Uma ligação
interatômica/intermolecular é
formada entre um sítio de defeito
e uma espécie molecular que é
adsorvida
Soluções sólidas e Propriedades Mecânicas

PRESENÇA DE SOLUTOS ALTERA O COMPORTAMENTO


MECÂNICO DOS METAIS:

Aumento o da
quantidade de soluto Diferença entre tamanhos
leva ao aumento da atômicos leva ao aumento
resistência mecânica da resistência mecânica
LIGA Cu-Be:
AUMENTO ELEVADO –
TAMANHOS ATÔMICOS
DIFERENTES

LIGA Cu-Sn:
AUMENTO MÉDIO -
TAMANHOS ATÔMICOS
DIFERENTES

LIGA Cu-Zn:
AUMENTO PEQUENO –
TAMANHOS ATÔMICOS
PRÓXIMOS
Tensão limite de escoamento
Transição elastoplástica bem definida, que ocorre de
uma forma abrupta.
Tensão-limite
de LIMITE DE ESCOAMENTO
escoamento SUPERIOR

T T
E E
N LIMITE DE ESCOAMENTO
N INFERIOR
S S
à Ã
O P = surgimento
O
da deformação
plástica que
aumenta mais
rápido com o
aumento da
tensão

DEFORMAÇÃO DEFORMAÇÃO
Contorno de Grão e Propriedades Ópticas
Difusão
A presença de
interstícios e
vacâncias facilita o
processo de difusão
Diagrama de
fases do
sistema Cu-Zn
(influência da
temperatura)
Difusão dos átomos e defeitos cristalinos
 O que é difusão?
Fenômeno que transporta matérias por movimentos atômicos.

 A difusão é mais rápida no contorno de grão ou na superfície? Por


quê?
No contorno de grão, porque são regiões “ricas” em vazios (lacunas ou
interstícios) e isto facilita o deslocamento dos átomos que se difundem. Do
ponto de vista energético, a energia de ativação necessária para a difusão no
contorno de grão é menor.
 Explique porque a difusão de intersticiais é mais rápida que
a difusão de vacâncias.
A difusão dos intersticiais ocorre mais rapidamente que a difusão de vacânci
as, pois os átomos intersticiais são menores e então tem maior mobilidade.
 Quais são as principais forças motrizes para que ocorra a difusão?
- Existência de sítios vazios;
- O átomo deve ter energia suficiente para quebrar às ligações atômicas que une
os seus átomos vizinhos e então causar alguma distorção na rede cristalina durante o
deslocamento;
- Temperatura.

 O que é e de que depende o coeficiente de difusão?


- O coeficiente de difusão é um indicativo da velocidade segundo o qual os átomos se
difundem.
- As espécies difusíveis, bem como o material hospedeiro, influenciam o coeficiente de
difusão. Depende da natureza dos átomos, do tipo de estrutura cristalina e da
temperatura.
Determinação do tamanho de grão
Método mais utilizado: ASTM (American Society for Testing and Materials)

Quadros de comparação padronizados com diferentes tamanhos médios de grãos


Número do tamanho de grão (números de 1 a10)
Amostra deve ser fotografada sob ampliação de 100 vezes

n = número do tamanho de grão

N = número médio de grãos por polegada


quadrada (ampliação de 100 vezes)

Sob ampliações diferentes de 100X, deve-se


utilizar a seguinte fórmula:
ASTM (American Society for Testing and Materials)
Tamanho de Grão -ASTM
Exemplo1 :
a) determine o número do tamanho de grão ASTM (n) para uma amostra de metal se 45
grãos por polegada quadrada são medidos sob uma ampliação de 100 X
b) Para a mesma amostra anterior, quantos grãos por polegada quadrada irão existir
sob uma ampliação de 85X ?

grãos /polegadas²

1 polegada = 2,54 cm
Exemplo2 :
Determine o número do tamanho de grão ASTM (n) se em uma ampliação de 250 X, são
medidos 30 grãos por polegada quadrada.
Exemplo 3 :
Determine o número do tamanho de grão ASTM (n) se em uma ampliação de 75 X, são
medidos 25 grãos por polegada quadrada.
Exemplo 4 :
Para um tamanho de grão ASTM igual a 6, quantos grãos devem existir
aproximadamente por polegada quadrada em:
a) Uma ampliação de 100 X
b) Sem qualquer ampliação (utilize M= 1)

grãos/m²

grãos/m²