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Poder Judiciário da União

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS

3VARCRITAG
3ª Vara Criminal de Taguatinga
Área Especial Setor C Norte Único, 1º ANDAR, ALA SUL, SALA 162, Taguatinga Norte (Taguatinga),
BRASÍLIA - DF - CEP: 72115-901
Telefone: 61 3103-8030 Horário de atendimento: 12:00 às 19:00
E-mail: 3vcriminal.tag@tjdft.jus.br

Número do processo: 0003096-11.2015.8.07.0007

Classe judicial: AÇÃO PENAL - PROCEDIMENTO ORDINÁRIO (283)

AUTOR: MINISTERIO PUBLICO DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITORIOS

REU: MIRCIO ANTONIO ALVES

SENTENÇA

Vistos etc.

O Ministério Público ajuizou a presente Ação Penal em desfavor do Acusado MÍRCIO ANTÔNIO
ALVES, qualificado nos autos, imputando-lhe a prática de atos delituosos previstos no art. 121, §§ 3º e 4º
(c/c art. 13, caput e art. 2º, “a”, todos do Código Penal, porque segundo consta da denúncia de ID
51113769:

“Entre os dias 10 e 11 de setembro de 2014, na Clínica São Marcos, em Taguatinga/DF, o denunciado,


agindo de forma negligente e violando as regras técnicas de sua profissão e o dever jurídico de cuidado e
proteção que sua condição de médico lhe impunha em relação à parturiente ALESSANDRA ÉRICA

Número do documento: 21022317422548200000079168114


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MIRANDA e ao seu nascituro, deixou ambos sem assistência médica suficiente, com o que deu causa à
morte do nascituro, conforme descreve prontuário médico suficiente, com o que deu causa à morte do
nascituro, conforme descreve prontuário médico à fl. 20.

[...]”

A denúncia, acompanhada do inquérito policial e do rol de testemunhas, foi recebida no dia 25.01.2019
(ID 51113925).

O Réu foi devidamente citado/intimado (ID 51113934) e apresentou resposta à acusação (ID 51113940).

Em decisão de ID 49260102, este Juízo, não vislumbrando hipótese de absolvição sumária do Acusado,
determinou a designação de data para audiência de instrução e julgamento.

Na audiência de instrução e julgamento foram ouvidas as seguintes pessoas: Alessandra Erica Miranda,
Edilson Silva dos Santos, Elieni Martins de Oliveira e Tomaz Meneses Filho (ID 51114021).

A testemunha Sebastião Rodrigues de Oliveira foi ouvida por meio de carta precatória (ID 52480488).

O Acusado foi interrogado pelo sistema de videoconferência (ID 77356765).

Na fase do art. 402, do Código de Processo Penal, as partes nada requereram (ID 77356765).

Em sede de alegações finais, por memoriais, o Ministério Público sustentou e requereu, em síntese, que...
“além das provas testemunhais colhidas ao longo da instrução processual confirmarem os fatos
imputados na inicial, inclusive durante a fase judicial, o prontuário médico elaborado pelo denunciado
deixa claro que não foi investigada a causa do sangramento apresentado por Alessandra em 10/9/2014
(ID 51113835, p. 21 e 22), pois o denunciado deixou de realizar o exame clínico especular (com vistas a
identificar a origem do sangramento) e de solicitar exame complementar com vistas a averiguar a
vitalidade fetal e a auxiliar na investigação da(s) causa e consequência(s) do sangramento no binômio
mãe-filho; Em vez de agir conforme a boa literatura médica, o denunciado prestou um atendimento
incompleto e essa falta foi determinante para a piora gradativa da vitalidade fetal, que culminou no óbito
intraútero; Importa esclarecer que, conforme explicado pela testemunha Dr. Sebastião Rodrigues de
Oliveira, obstetra que atendeu Alessandra no Hospital Regional de Ceilândia (HRC) e constatou o
descolamento prematuro de placenta de grande monta, baixíssima frequência cardíaca fetal e
necessidade urgente de fazer a cesariana; que na assistência prestada pelo réu não foi feito o essencial
para garantir o bem-estar fetal; Inaceitável é o médico obstetra responsável pelo pré-natal, que
acompanhava a paciente desde o terceiro mês da gestação, diante de um sangramento vaginal na
segunda metade da gestação, inclusive comprovado em exame clínico, deixar de usar os meios

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propedêuticos adequados para se determinar a origem do sangramento e confirmar as condições de vida
fetais. Essa gestante, nessa situação, tinha que ter deixado o consultório do obstetra ao menos portando
um pedido urgente de exame de ecografia. É razoável que os meios para a realização desse exame, caso
tivesse sido pedido, ficassem a critério da própria gestante (buscar pronto-socorro público ou particular
que realizasse o exame ou pagar pelo exame em clínica particular), mas não é razoável que a
necessidade de realização do exame fosse uma decisão da própria gestante, principalmente depois dela
ter passado pela avaliação do obstetra responsável pelo pré-natal e que considerou desnecessária a
realização do exame. Já em relação à fala do réu em audiência de que orientou que Alessandra se
dirigisse ao pronto-socorro imediatamente (ID 77358921, aproximadamente 2 minutos e 30 segundos),
há controvérsias. Além de não ser o que está registrado em prontuário (ID 51113835, p. 22) não é o que
Alessandra e seu esposo afirmam e nem é o que os fatos demonstram. Tanto Alessandra quanto seu
esposo relatam que após a consulta se mantiveram em contato com o Dr. Mírcio e que seguiram as
orientações repassadas, tanto foi assim que só se dirigiram ao Pronto-Socorro após a recomendação
dele. Observa-se uma atitude cautelosa desses pais em relação à gestação, quando eles realizam
acompanhamento regular mensal com médico obstetra desde 28 de abril de 2014, quando procuram o
médico diante de desestabilização do estado clínico da gestante em 8 de setembro de 2014 e quando
retornam 2 dias depois, em 10 de setembro de 2014, diante da presença de sangramento vaginal (ID
51113835, p. 19 a 22); bem como, quando adotam conduta aparentemente passiva após a consulta com o
denunciado, observa-se extremo respeito e obediência às recomendações médicas repassadas pelo Dr.
Mírcio, não sendo coerente se pensar que esses mesmos pais tenham optado, conscientemente, por não
seguirem suposta orientação dada pelo Dr. Mírcio em procurar o pronto-socorro de imediato, colocando
em risco a vida do próprio filho. Os fatos e o registro em prontuário feita pelo réu «procurar
pronto-socorro ceilândia se sangramento reaparecer»2 permitem inferir que a essa recomendação de
buscar urgentemente um pronto-socorro não existiu. De qualquer sorte, para o caso de persistirem
dúvidas sobre a perda de sangue pela gestante devido ao descolamento prematuro de placenta,
registre-se que em 16 de setembro de 2014, portanto 5 dias após o ocorrido, Alessandra apresentou crise
convulsiva e retornou ao HRC, sendo diagnosticada anemia importante que necessitou de tratamento
com transfusão sanguínea, sendo transfundidas 3 bolsas de concentrado de hemácias (ID 51113924, p. 4
e 5). Por todo o exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO ratifica a íntegra da denúncia e de suas demais
manifestações nos autos e requer a integral procedência da ação penal para condenar o réu ao
cumprimento da pena prevista no art. 121, §§ 3º e 4º (c/c art. 13, caput, e § 2º, “a”), todos do Código
Penal, bem como a fixação de valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração penal
(CPP, art. 387, IV)...” (ID 79316486).

Por sua vez, a Defesa do Acusado aduziu e postulou, em suma: “... O Acusado dispensou
todos os cuidados necessários à parturiente; Não existe nos autos prova cabal que a morte do feto da
paciente Alessandra deu-se pelo agir do Acusado, haja vista que esta foi prontamente atendida, medicada
e orientada. O próprio prontuário médico ID-51113835 (fls.84/87), demonstra a orientação feita pelo
Acusado. As Alegações do esposo da paciente Alessandra, o Sr. Edilson que afirmou em depoimento que
ligou diversas vezes para o acusado é mentiroso. Ademais, não existe no bojo dos autos qualquer prova
material sequer indiciárias destas supostas ligações, o que demonstra que trata-se tais alegações de
natureza falaciosa. que paciente Alessandra estava em sua terceira gestação e detinha conhecimentos
sobre a evolução da gravidez e suas peculiaridades; que vale ressaltar que o Acusado já havia exigido o
exame ecográfico da paciente Alessandra, tendo o mesmo sido realizado em 23/08/20147 (fls. 21 dos
autos físicos) insertos no inquérito de ID n.º 51113774 – fls. 24). Nada havia anormalidade em referido
exame que apontasse um conduta ativa do Acusado para antecipação do parto da paciente Alessandra.
Em razão da limitação do local e do horário, o Acusado orientou a paciente a procurar o pronto socorro;
que pela prova dos autos restou demonstrado que a paciente Alessandra não seguiu as orientações do
acusado (vide prontuário médico); que não há comprovação de que a paciente adquiriu os medicamentos
prescritos ou que de fato ligou para o acusado após seu atendimento preliminar; que pelo prontuário
médico ID-51113835 (fls.84/87), existe a prova clara da orientação dada pelo Acusado para a paciente
buscar o pronto socorro. Assim, não pode ser imputada a demora do atendimento da paciente Alessandra
ao acusado após esta deixar seu consultório. Ademais, pela prova testemunhal colhida no ID52114536,
restou demonstrado que a paciente Alessandra deixou o consultório do acusado sem que este tivesse feito
a segunda avaliação hemodinâmica e de vitalidade fetal e, como, está já estava orientada previamente a

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buscar o pronto socorro, no sentir do acusado a paciente tinha ido para o Hospital; que o conjunto
probatório colacionado aos autos, mormente a prova testemunhal e documental, é assente no sentido da
ausência de nexo causal entre o óbito do feto e a conduta médica adotada pelo Acusado no momento de
seu atendimento preliminar em consultório. Oportunamente, destaca-se que o documento denominado
prontuário médico da paciente Alessandra (fls. 84/85 dos autos físicos), retrata a ocorrência de consulta
médica regular, realizada no consultório médico do Réu no dia 10/09/2014 ás 20:40 horas, sendo
descabido considerar tal momento como marco inicial para a alegada demora no atendimento da
parturiente; que é importante enfatizar que nem todo sangramento na gestação é sinal de descolamento
de placenta. O sangramento pode acontecer por placenta prévia, pólipos uterinos, vasos sanguíneos que
arrebentam em alguma relação sexual e até mesmo baixa hormonal. O tratamento para o descolamento
de placenta é no geral medicamentoso e repouso. que inexiste nos autos prova de negligência,
imprudência ou imperícia no atendimento dispensado pelo médico Réu a paciente Alessandra, referente
ao tratamento preliminar recebido em consultório na data de 10/09/2014, que pelas regras técnicas foi
adequado ao quadro clínico apresentado naquela oportunidade; que a punição a título culposo não pode
ser automática, não sendo aceitável que se presuma a negligência, imperícia ou imprudência do agente.
A culpa, em cada uma de suas modalidades, somente se encontra presente se preenchidos certos
requisitos, o que não ocorre neste feito; que se considere que o acusado agiu com culpa, o resultado
morte do feto não pode a ele ser imputado, visto que outras causas contribuíram para isto ocorresse; que
a bem da verdade, a prova judicializada, é completamente estéril e infecunda, no sentido de corroborar
com a exordial acusatória, haja vista, que o Titular da Ação, não conseguiu arregimentar uma única voz,
isenta e confiável, que depusesse contra o réu, no intuito de incriminá-lo do delito que lhe é
graciosamente capitulado. Assim, ante a manifesta anemia probatória hospedada na presente demanda
impossível é sazonar-se reprimenda penal contra o réu, embora a mesma seja perseguida, de forma
equivocada, pelo denodado integrante do parquet; que o denunciado adotou todas as medidas possíveis
para evitar o ocorrido, não lhe sendo imputável um ilícito ocorrido por culpa exclusiva da vítima e pela
reação própria de seu organismo; A reparação de danos, além de pedido expresso, pressupõe a
indicação de valor e prova suficiente a sustenta-lo, possibilitando ao réu o direito de defesa. Necessário,
portanto, instrução específica para apurar o valor da indenização. No caso dos autos, embora o
Ministério Público tenha pleiteado expressamente na denúncia a reparação do dano, nos termos do
artigo 387, inciso IV, CPP, não houve a instrução específica com a indicação de valores e provas
suficientes a sustenta-lo, proporcionando ao réu a possibilidade de se defender e produzir contraprova.
Postulou ao final: “...a ABSOLVIÇÃO do senhor MIRCIO ANTONIO ALVES, nos exatos temos do
artigo 386, inciso II, do Código de Processo Penal. Ato contínuo, caso assim não entenda Vossa
Excelência, protesta a defesa do acusado que na dosimetria da pena do Réu, que a sua situação seja a
mais favorável possível, ante a sua primariedade e sua idade; Fixação da pena base no mínimo legal,
(O acusado não possui maus antecedentes). Não há, no caso em tela, circunstâncias agravantes,
majorantes ou quaisquer qualificadoras que elevem a pena além do mínimo legal, observado o artigo 59,
do Código Penal; Não é demais conceder-lhe o privilégio da atenuante genérica, normatizada no artigo
Art. 66, do Código Penal; Em face da pena aplicada como acima requerido é perfeitamente possível e
cabível o regime inicial ABERTO, nos termos do art. 33, § 2º, c, do Código Penal; O BENEFÍCIO
PENAL da Substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos haja vista o acusado
preencher todos os requisitos dos incisos I, II e III, do artigo 44 do Código Penal, caso venha a pena
castigo ser aplicada no limite de quatro anos de privação da sua liberdade, observado a súmula nº 493,
do STJ. Ainda, restando frustrados os requerimentos acima, a concessão do Benefício Penal do “sursis”
da pena se Vossa Excelência fixar privativa de liberdade não superior a 2 (dois) anos, nos termos do
artigo 77, do Código Penal. Isto posto, deve o Réu ser absolvido, tanto em face da precariedade das
provas, aplicando-se, no caso, a regra do "in dubio pro reo".
Não entendendo Vossa Excelência pela absolvição do Réu, deve ser aplicada a regra contida no artigo
29 § 1º, da nova Parte Geral do Código Penal, diminuindo-se a pena de um sexto a um terço, por ser
medida de inteira JUSTIÇA! Seja decretada a absolvição do réu, forte no artigo 386, inciso IV (negativa
da autoria), do Código de Processo Penal, sopesadas as considerações dedilhadas linhas volvidas. Caso
não seja este o entendimento, que seja absolvido por não existir prova suficiente para a condenação, com
base no art. 386, VII do Código de Processo Penal. Por necessário, ad argumentum, caso Vossa
Excelência entenda pela condenação, requer que a pena seja fixada no mínimo legal e que o denunciado
possa apelar em liberdade nos termos do art. 283 do CPP, por preencher os requisitos objetivos para tal
benefício. E que seja levada em conta a atenuante presente no Art. 65, I do Código Penal... (ID
80297620).

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Constam dos autos alguns documentos, merecendo destaque os seguintes: Portaria de Instauração de
Inquérito Policial; Comunicação de Ocorrência Policial; Termos de Declarações; Documentos Diversos,
ID 51113774; Documentos Diversos, ID’s 51113793 e 51113821; Prontuário Médico – Paciente
Alessandra Érica Miranda, ID 51113843; Laudo de Exame de Corpo de Delito, ID 51113901; Parecer
Técnico, ID 51113924; e Folha Penal do Acusado, ID 81161114.

É o relatório

Decido

II

Trata-se de ação penal pública incondicionada, imputando ao Acusado MÍRCIO ANTÔNIO ALVES,
qualificado nos autos, a prática de atos delituosos previstos no art. 121, §§ 3º e 4º (c/c art. 13, caput e § 2º,
“a”, todos do Código Penal, cuja tramitação, mormente a sua instrução, deu-se de forma válida e regular,
observando-se os mandamentos constitucionais do contraditório e da ampla defesa, não havendo questões
preliminares ou prejudiciais a serem analisadas, de modo que passo ao exame do mérito.

E no mérito, encerrada a instrução, pode-se adiantar que a denúncia há de ser julgada procedente.

Sobre os fatos aqui discutidos, o Código Penal estabelece:

“Art. 121. Matar alguém:

[...]

§ 3º Se o homicídio é culposo: (Vide Lei nº 4.611, de 1965)

Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos.

§ 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de
regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não
procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o
homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14
(quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

[...]”

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O mesmo Diploma Legal preceitua:

“Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa.
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

[...]

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O
dever de agir incumbe a quem: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

[...]”

No caso em tela, a materialidade restou provada, em face tanto dos documentos (Portaria de Instauração
de Inquérito Policial; Comunicação de Ocorrência Policial; Termos de Declarações; Documentos
Diversos, ID 51113774; Documentos Diversos, ID’s 51113793 e 51113821; Prontuário Médico –
Paciente Alessandra Érica Miranda, ID 51113843; Laudo de Exame de Corpo de Delito, ID 51113901;
Parecer Técnico, ID 51113924), quanto pelos depoimentos das testemunhas ouvidas, constantes dos
autos.

E a autoria, da mesma forma, restou provada nos autos.

Com efeito, o próprio Acusado MÍRCIO ANTÔNIO ALVES, em Juízo, embora apresentando a versão
que lhe pareceu mais conveniente, não negou os fatos, ou seja, admitiu ter atendido a Vítima lá no
Hospital, quando declarou:

Não é verdadeira a acusação. Mais ou menos por volta de 20 horas o marido dela ligou dizendo que ela
estava com sinal de sangue, mas sem dor. Faltava ainda três meses e meio para o bebê nascer. Informou a
eles que procurassem o pronto socorro mais próximo de sua residência, pois a clínica do depoente não
tinha condições de fazer qualquer atendimento do tipo. Ainda assim, depois de meia hora, a mulher
chegou carregada pelo marido em sua clínica. Então prestou o atendimento, sendo feita a ficha. Ela não
apresentava dor no abdômen. Pediu a ela para que aguardasse mais meia hora para ver se pioraria ou não
o sangramento. Indicou a eles que se encaminhassem ao pronto-socorro mais próximo imediatamente,
tendo passado uma receita também. Voltou a atender outros pacientes e deixou-a no consultório ao lado
em repouso. Quando voltou, ela já tinha ido embora, não sendo feita sua reavaliação. Posteriormente,
ficou sabendo que o marido teria a levado para um hospital próximo. O descolamento prematuro de
placenta não tem motivo definido e costuma ser grave. É diagnosticado pela presença de muita dor e
endurecimento do abdômen, sendo que ela não apresentava estas condições. Pode ter ou não dilatação do
colo uterino, mas ela não apresentava (ID 77358921).

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Por outro lado, os demais elementos de convicção não deixam dúvida sobre a conduta do Acusado nos
fatos sob comento.

Assim, a Vítima ALESSANDRA ERICA MIRANDA, mãe do nascituro, pessoa que, como paciente, foi
atendida pelo Acusado na Clínica São Marcos em Taguatinga/DF, em Juízo, corroborando as informações
prestadas na fase policial, foi firme nas suas afirmações, confirmando a materialidade e a autoria do delito
narrado na denúncia, ou seja, deixou claro que o Acusado, na condição de Médico, não lhe deu o
atendimento necessário em face do seu estado de saúde, quando asseverou:

Até o dia do acontecido o atendimento foi tranquilo. Na mesma semana já tinha procurado o médico pois
já tinha sentido algumas dores, ele disse que era dor de estômago e prescreveu dois medicamentos. Foi
duas vezes na semana do ocorrido. No começo da outra, foi quando passou mal. Teve hemorragia no dia,
estava sangrando muito, esperou seu marido chegar e foram à clínica. Lá, tiveram de subir as escadas,
ainda que seu marido estivesse com a perna machucada, pois o doutor disse que não poderia descer para
fazer o atendimento. Subiram e lá ele fez o procedimento padrão, escutou os batimentos do bebê, botou o
aparelho e estranhou os batimentos no aparelho pois estavam muito baixos. Disse para Mircio que achava
aquilo estranho e que acreditava necessitar de uma ecografia, devido ao sangramento. Mircio apenas
passou medicamentos, então foi à farmácia e voltou para casa. Seguiu com dores em casa, cochilava e
acordava e a todo momento seu esposo em contato com Mircio, questionando, até o momento em que não
aguentava mais as dores, estava tendo contrações e decidiram ir até o HRC, onde foram atendidos de
imediato pelo Dr. Sebastião, o qual falou que não sabia por que Mircio teria feito isto com a depoente. No
HRC, fizeram o atendimento com uma urgência muito grande, pois a depoente e o bebê estavam correndo
grandes riscos. Chegou a tomar os medicamentos prescritos na noite do ocorrido. A causa, segundo Dr.
Sebastião foi o deslocamento total da placenta. Pelo período, tanto a depoente como o bebê corriam risco
de vida. Não se recorda se levou os exames pedidos pelo médico na semana. Todos os exames que fez
foram apresentados a Mircio. Ele orientou a depoente que caso o sangramento piorasse, devia a depoente
ir ao hospital. Seguiu o que o médico pediu a todo momento, por isso não foi até o hospital anteriormente.
Não foi feita a necropsia do bebê, não viu mais o Dr. Sebastião após o parto de seu bebê (ID’s 52114634,
52114744, 52114816, 52114842).

No mesmo sentido foram as declarações da testemunha EDILSON SILVA DOS SANTOS, esposo de
ALESSANDRA e genitor do nascituro, pessoa que acompanhou os atendimentos recebidos pela Vítima
feitos pelo Denunciado, o qual, em Juízo, confirmando as informações de ALESANDRA e os indícios da
fase policial, esclareceu que o Acusado, conquanto tendo sido informado sobre a real situação da Vítima,
não tomou as providências necessárias, de modo que tiveram que procurar um outro profissional da saúde,
ou seja, asseverou:

Subiu com ela para serem atendidos, tentou fazer com que o médico atendesse lá embaixo, mas ele disse
que não poderia descer. O médico auferiu os batimentos, o depoente o avisou que ela teria perdido muito
sangue, até encharcou o lençol de sangue. No diagnóstico Mircio disse que estava tudo normal, indicou
apenas repouso e um medicamento para parar o sangramento. Não se recorda se escutou os batimentos do
bebê. Compraram os remédios e voltaram para casa, seguiu em contato com Mircio e falava que o
sangramento persistiu e ela seguiu passando mal, ficando branca e o sangramento não parou. Por volta de
três, falou novamente com Mircio e este disse para leva-la para um hospital. Levou-a para o HRC,
prontamente o médico a levou para dentro, perguntou a quanto tempo ela estava sangrando e já pediu a
ecografia, e operou em sequência. Não se recorda o nome do médico. Foi orientado por um médico,

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estava em contato a todo momento com Mircio, este disse que estava tudo normal, por isso não levou sua
esposa ao hospital. Foi em todos os exames de ecografia com sua esposa, até aquela data tudo estava
normal com sua esposa (ID’s 52115704, 52115719 52115738, 52115753, 52115764, 52115782 e
52115788).

E confirmando que o estado de saúde da Vítima ALESSANDRA não era bom e que a mesma necessitava
de atendimento especial, com procedimentos específicos para a sua situação, tem-se as declarações da
testemunha SEBASTIÃO RODRIGUES DE OLIVEIRA, Médico que atendeu a referida Vítima no
Hospital Regional de Ceilândia, o qual deixa claro que houve omissão por parte do Acusado, Dr.
MÍRCIO, quando, diante da situação da Vítima não tomou todas as providências necessárias para o caso.
Confira:

Não se recorda deste caso específico, mas nas condições que a paciente se encontrava, é comum ser
pedido um exame ecográfico. Normalmente é feito este exame. Baixa frequência do feto é um sintoma
que se caracteriza ser necessário uma cesárea. O sangramento vaginal apresentado era um sinal clínico de
alerta para o obstetra-assistente. O exame ginecológico especular é um método propedêutico importante
para a análise de sangramento vaginal em gestantes. Na hora que viu a paciente já não era indicado o
medicamento prescrito pelo réu no caso dela. O descolamento prematuro da placenta é uma urgência
obstétrica e este pode ocasionar sangramento vaginal. A internação hospitalar era indicada para a paciente
baseada no quadro clínico que a mesma se encontrava. Era indicada a realização de ultrassonografia
quando a mesma chegou. Pelo tempo em que a gestação já havia decorrido, o indicado era que ocorresse o
parto, dado que ele já tem chance de sobrevivência (ID’s 52480514, 52480527, 52480569, 52480594,
52480607, 52480651, 52480676).

Por outro lado, as demais testemunhas ouvidas não trouxeram informações capazes de afastar as
responsabilidades do Acusado no caso sob comento.

Assim, a testemunha ELIENI MARTINS DE OLIVEIRA, pessoa que trabalhava no Hospital com o
Acusado, em Juízo, esclareceu o seguinte:

A primeira vez que Alessandra foi até o hospital ela não era paciente, apenas tinha ido lá para conversar
com o Dr. Mircio, ela nunca pagou pelas consultas. Fica acompanhando Mircio. Viu que ela chegou com
o esposo carregando, Mircio orientou para que a depoente levasse a gestante a um consultório ao lado e
que já iria lá ver sua condição. Mircio examinou a gestante, ele auferiu os batimentos e para a depoente
tudo estava na normalidade. Mircio falou para a gestante esperar, pois a agenda daquele dia estava muito
lotada, então faria mais alguns atendimentos e voltaria para atender novamente. Ela foi embora antes que
fosse reavaliada. Só hospitais de emergência fazem exames ecográficos na parte da noite (ID 52114536).

E a testemunha TOMAZ MENESES FILHO, pessoa que também trabalhava no Hospital, em Juízo,
apenas declarou:

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Conhece uma pessoa conhecida como “Laninha”. Abriu o portão para que o casal saísse. Ela saiu andando
normalmente. Ela não retornou mais neste dia ao consultório. O Dr. Mircio e a secretária foram lá
procurá-la (ID 52114560).

Nesses termos, à luz do conjunto probatório, não se tem nenhuma dúvida de que entre os dias 10 e 11 de
setembro de 2014, na Clínica São Marcos em Taguatinga/DF, o Acusado MÍRCIO ANTÔNIO ALVES,
agindo de forma negligente, realmente violou regras técnicas e dever de cuidado e proteção decorrentes
de sua condição de médico, até porque, como bem ponderado pela Ilustre Representante do Ministério
Público em suas alegações finais, “o prontuário médico elaborado pelo denunciado deixa claro que não
foi investigada a causa do sangramento apresentado por Alessandra em 10/9/2014 (ID 51113835, p. 21 e
22), pois o denunciado deixou de realizar o exame clínico especular (com vistas a identificar a origem do
sangramento) e de solicitar exame complementar com vistas a averiguar a vitalidade fetal e a auxiliar na
investigação da(s) causa e consequência(s) do sangramento no binômio mãe-filho (ID 51113924, p.6). Em
vez de agir conforme a boa literatura médica, o denunciado prestou um atendimento incompleto e essa
falta foi determinante para a piora gradativa da vitalidade fetal, que culminou no óbito intraútero” (ID
79316486).

Portanto, a materialidade e a autoria delitivas restaram devidamente demonstradas, não havendo que se
falar em aplicação do princípio in dúbio pro reo, de modo que, sem maiores delongas, as teses defensivas
não encontram amparo no conjunto probatório.

Por outro lado, não vejo nos autos qualquer circunstância que exclua a ilicitude do fato ora analisado ou
que exclua ou diminua a imputabilidade do Acusado que, pois, era imputável, tinha plena consciência dos
atos delituosos que praticou e era exigível que se comportasse de conformidade com as regras técnicas da
sua profissão de médico.

Assim, forçoso é concluir que os atos do Réu MÍRCIO ANTÔNIO ALVES, noticiados nos autos,
realmente correspondem ao tipo penal descrito pelo art. 121, §§ 3º e 4º (c/c o art. 13, caput e § 2º, “a”),
ambos do Código Penal.

Portanto, a denúncia merece ser julgada procedente.

No que se refere à fixação do valor mínimo para reparação dos danos materiais causados pela infração,
nos termos da novel redação do Código de Processo Penal (inciso IV do artigo 387), dada pela Lei n.
11.719, de 20 de junho de 2008, publicada no DOU de 23.06.2008, verifico não ser possível no presente
caso. Como visto acima, encerrada a instrução, não restou esclarecido nem mesmo por aproximação, o
valor decorrente de danos materiais causados pela infração, não sendo possível fixar qualquer valor,
mesmo que mínimo, a título de reparação de danos materiais, de modo que deixo essa questão (danos
materiais) para ser resolvida na esfera cível, se for o caso.

Contudo, no que concerne à fixação de valor referente aos danos morais, tenho que tal medida é possível.
Como se pode verificar, o Ministério Público fez pedido nesse sentido quando do oferecimento da

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denúncia ID 51113769), o que foi novamente ventilado na fase das alegações finais (ID 79316486). E
como é sabido, é “....3. Possível a fixação de valor mínimo a título de indenização por danos morais na
sentença penal condenatória, nos termos do artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal, e da
jurisprudência dominante, desde que o pedido seja expressamente formulado na denúncia, a fim de
possibilitar o contraditório e a ampla defesa....” (APR nº 20140310214717 (1179104), 3ª Turma Criminal
do TJDFT, Rel. Demetrius Gomes Cavalcanti. j. 13.06.2019, DJe 18.06.2019). Ademais, como já visto
acima, não se tem nenhuma dúvida de que entre os dias 10 e 11 de setembro de 2014, na Clínica São
Marcos em Taguatinga/DF, o Acusado MÍRCIO ANTÔNIO ALVES, agindo de forma negligente,
realmente violou regras técnicas e dever de cuidado e proteção decorrentes de sua condição de médico, ou
seja, deixou a parturiente ALESSANDRA ÉRICA MIRANDA e seu nascituro sem a assistência médica
suficiente. Portanto, com base no art. 387, IV, do CPP, e considerando as circunstâncias em que os fatos
aconteceram, eis que o Acusado, por omissão, não prestou atendimento completo para ALESSANDRA e
seu parturiente, acolho em parte o pedido do Ministério Público para condenar o Acusado MÍRCIO
ANTÔNIO ALVES, qualificado nos autos, ao pagamento da quantia de R$ 40.000,00 (quarenta mil
reais), como valor mínimo, a título de reparação de danos morais causados pela infração ora analisada, em
favor de ALESSANDRA ÉRICA MIRANDA e seu esposo EDILSON SILVA DOS SANTOS.

III

Isto posto, JULGO PROCEDENTE a denúncia, para CONDENAR o Réu MÍRCIO ANTÔNIO
ALVES, devidamente qualificado nos autos:

1) ao pagamento da quantia de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), como valor mínimo, a título de
reparação de danos morais causados pela infração ora analisada, em favor de ALESSANDRA ÉRICA
MIRANDA e seu esposo EDILSON SILVA DOS SANTOS;

2) nas penas do art. 121, §§ 3º e 4º (c/c o art. 13, caput e § 2º, a), ambos do Código Penal.

Cumprindo exigência do art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, e observando as diretrizes do art. 68
do CPB, passo à dosimetria da pena.

Assim, tendo em vista os termos do art. 59, do mesmo Código Penal, e considerando que: 1) a
culpabilidade está devidamente caracterizada na vontade do Réu quando da prática do crime; 2) o
Acusado possui bons antecedentes, ou seja, conforme se verifica da sua FAP, não ostenta outras
condenações transitadas em julgado por fato anterior (ID 81161114); 3) a conduta social do Réu é
ajustada ao meio em que vive (não há informação em sentido contrário); 4) a personalidade do Acusado
não é voltada para a prática de atos delituosos; 5) os motivos do crime sob comento não restaram
devidamente esclarecidos; 6) as circunstâncias favorecessem ao Acusado, uma vez que o crime foi
praticado em situação normal para o tipo em tela; 7) as consequências do fato foram ruins, mas foram as
normais para o tipo penal; 8) o comportamento da Vítima, ao que consta, não colaborou à prática do ato
delituoso, fixo a pena-base em 01 (um) ano de detenção.

Número do documento: 21022317422548200000079168114


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O Acusado, embora a seu modo, confessou os fatos, o que facilitou os trabalhos da Justiça. Contudo a
pena foi fixada no seu mínimo legal. Assim, com base na súmula 231 do STJ, mantenho a pena ora
fixada, qual seja, 01 (um) ano de detenção.

Na terceira fase, não vislumbro a presença de causas de diminuição da pena. Por outro lado, constato que
o crime em tela resultou de inobservância de regra técnica de profissão por parte do Acusado, na sua
condição de Médico. Portanto, com base no § 4º, do art. 121, do Código Penal, elevo a pena para 01 (um)
ano e 04 (quatro) meses de reclusão, pena esta que torno definitiva, por não haver causas outras de
redução ou de elevação da pena, a serem consideradas.

O Réu MÍRCIO ANTÔNIO ALVES, cumprirá a pena, desde o início, em regime aberto, nos termos do
art. 33, § 2º, alínea “c”, do Código Penal.

Condeno o Réu MÍRCIO ANTÔNIO ALVES, ainda, ao pagamento das custas processuais, ressaltando
que eventual causa de isenção deverá ser analisado pelo Juízo das Execuções Penais.

Considerando o regime da condenação; considerando que o Réu respondeu ao presente feito em


liberdade; enfim, considerando que não vislumbro a presença de qualquer dos requisitos necessários para
a decretação da prisão preventiva, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal, concedo ao Réu
MÍRCIO ANTÔNIO ALVES, caso queira, o direito de apelar em liberdade, se não estiver preso
por outros fatos.

O Réu, ao que se sabe, é primário, isto é, não possui condenação com trânsito em julgado. Assim, pelo
que consta, entendo que suas condições subjetivas permitem que a pena privativa de liberdade seja
substituída por outras restritivas de direitos. Nesses termos, tendo por base os arts. 43 e seguintes, do
Código Penal, na sua atual redação, substituo a pena privativa de liberdade por duas outras restritivas de
direitos, penas estas a serem estabelecidas pelo Juízo das Execuções penais.

Após o trânsito em julgado, oficie-se ao TRE para os fins do art. 15, inciso III, da Constituição Federal e
expeça-se carta de guia ao Juízo das Execuções Penais.

Em face das disposições previstas na Portaria GC 61, de 29.06.2010, da Corregedoria de Justiça do


Distrito Federal e dos Territórios (art. 1º), no art. 102 do Provimento Geral da Corregedoria - PGC, e
ainda da Resolução n. 113, de 20.04.2010, do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, determino que, após o
trânsito em julgado, arquivem-se os presentes autos, com as comunicações e cautelas de praxe,
notadamente o disposto no § 1º do art. 4º da referida Portaria.

P. R. I.

Número do documento: 21022317422548200000079168114


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TAGUATINGA, DF, 23 de fevereiro de 2021 17:15:26.

JOÃO LOURENÇO DA SILVA

Juiz de Direito

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