Você está na página 1de 3

FILME CUSTODIA

Ana Claudia da Silva

O filme explora transtornos psicológicos de modo surpreendente. Sendo


assim os primeiros 15 minutos do filme se desenrola numa audiência onde o casal
em processo de separação disputa a partilha dos filhos ao mesmo tempo em que a
juíza levanta uma serie de expressões de desamor de um lado e do outro.
Léa Drucker e Denis Ménochet, que interpretam os papéis da mãe e do pai,
onde a mãe se mostra franzina e rija, e o pai tem um porte de ogro tanto no peso
quanto na rudeza. A construção do drama consegue muitas vezes, mostrar que os
monstros não são ficção. O filme aborda a questão da violência exercida de pelos
pelos homens onde a história é apresentada por meio da juíza que cuida do caso
de divórcio e custódia dos filhos do casal. É complexo se ter uma visão geral do
caso, ainda que muitos elementos importantes sejam evidentes, como a violência
produzida pelo pai em relação à mãe aonde mostra se é conveniente ou não obrigar
a um filho a passar um tempo com o agressor de sua mãe.
Se constata que os monstros existem e fazem parte de famílias, não ficando e
isoladas nas esquinas noturnas. Esses monstros podem estar muito pertos, e isso
pesa ainda mais. A partir da decisão judicial onde se estabelece a custódia
compartilhada, se evidencia a catástrofe que está por vir. Há uma lenta explosão de
violência, de repressão e de inquietação em torno de Julien, a criança da família.
Desde o primeiro momento onde o pai assume a custódia da criança se
vivencia um clima de tensão dissimulado, uma criança assustada; diálogos sem
palavras e uma sensação de asfixia. A ausência de música ou de paz fazem faz com
que os sons cotidianos apareçam como ameaças a exemplo de chaves abrindo
portas, sendo sons de gatilho do medo a mulheres vítimas de maus-tratos.
O filme mostra um caso de alienação parental, um rótulo diagnóstico de base
científica duvidosa aonde o pai que é um pervertido narcisista muitas vezes se
mostra incompreendido e vítima, uma vítima que ama a sua família ,mas ninguém
da família acredita nesse papel interpretado .
.
Essa estratégia do pai de aproximação da esposa por meio da intimidação do
filho mostra um fracasso. Já sabemos que a frustração é um componente a ser
levado em consideração como percursor da raiva e da violência culminando em
tensão e frustração. Um pai que não consegue na custódia compartilhada a
reaproximação da sua mulher assustada que por sua vez se escondem e mente
para evitar uma agressão
Não sabemos como foi exatamente o caso de maus-tratos que ocorreu, mas
intuímos que foram muitas situações sem solução. Esse desenrolar da história
precipita uma catástrofe. Só merece o adjetivo de devastador. A protagonista se
apega à possibilidade de que esse som do “telefone” cesse. Ela sabe que está lá
embaixo, sabe que vai tocar por muito tempo. Intui que irá embora.
No entanto, o som acaba e começam outros, mostrando que dessa vez
Antoine não está disposto a parar. A última cena desse filme é terrível, sem
necessidade de efeitos especiais nem maquiagem lúgubre. O protagonista já não
parece um ser humano, somente uma fera cegada pelo orgulho e pela vingança. É
tamanha a realidade que se respira que a empatia por essa mãe e seu filho chega a
doer. Somos a vizinha que avisa sobre o que acontece, o policial que atende a
chamada tentando usar todo o seu conhecimento.
Os monstros são combatidos com a força da educação, a fuga da empatia, o
escudo da solidariedade, as grades da justiça e a aplicação de uma intervenção.
Custódia tem início com a audiência da guarda do pequeno Julien, e mostra total
igualdade entre seus pais, os personagens principais que estão diante de uma juíza
que lê uma carta do filho direcionada a seu pai, acusando-o de atos agressivos. A
advogada da esposa argumenta que o ex-marido é violento e a persegue enquanto
que a defesa expõe que ele só faz isso para ficar perto dos filhos.
. Para garantir a proteção do filho das agressões do pai, a mãe o acusa de ser
violento, e pede a custódia exclusiva. No entanto, é concedido a custódia
compartilhada aos dois e o torna o refém entre seus pais.
A humanização de alguns personagens aonde nem todos são vilões e nem
ingênuos, somente pessoas que tentam sobreviver e são desequilibradas
emocionalmente. Toda a construção do suspense do filme entrelaça pelas longas
cenas como da festa, as músicas altas, os diálogos abafados e as expressões de
desespero no rosto, nos dá uma idéia clara dos momentos mesmo os derradeiros de
uma tensão quase insuportável.
Custódia, portanto, não é um filme que possa ser lembrado por ser um bom
drama familiar, mas que trata de temas importantes, como os relacionamentos
abusivos, as constantes sensações de tensão, de violência e de julgamento.
Quando um casal inicia um processo de separação e/ou divórcio surge várias
situações como no caso aqui da guarda de seus filhos. E ao mesmo tempo, várias
transformações aparecem na estrutura familiar, precisando de ajuda e
esclarecimentos sobre como proceder e que acordos precisam ser realizado aos
seus filhos depois da separação.
 Para tanto, deve se conhecer a história e quais os pressupostos da guarda
da criança, se delineando os subtipos e os procedimentos de avaliação jurídica e
mostra assim a importância do papel da psicologia jurídica e visa auxiliar a resolução
de conflitos da estrutura familiar através de um trabalho especializado e que seja
comprometido com o bem-estar biopsicossocial da criança como mostrado no filme.
Essa abordagem perpassa por uma entrevista clinica com os pais, além da
entrevista clinica com a criança, uma observação pais-filho, a testagem psicológica
dos pais, se conhecer a história da criança através de uma entrevista
psicológica com a criança, haver um contato com a escola e médicos, contatar
parentes e demais pessoas significativas e sobretudo uma visita domiciliar.