PROLAPSO VAGINAL
Autoras:
Andreisa Monteiro Bilhar - Uroginecologista RQE 6247 | CRM 10314
Sara Arcanjo Lino Karbage - Uroginecologista RQE 7918 | CRM 11519
Andressa Soares de Azevedo - Fisioterapeuta CREFITO 230781-F
Lanuza Celes Mendes - Enfermeira COREN 257468
Maio 2020
Edição: Being Marketing
Produção Editorial: Bruno Souza Jucá
Design: Thiago Lima
Fotos: Shutterstock
SOBRE AS AUTORAS
Sintomas:
O sintoma mais comum é a sensação de bola na vagina. As pacientes podem ainda referir
sensação de peso ou frouxidão vaginal. Mas nem todas as mulheres têm sintomas na presença
de prolapso vaginal. Boa parte delas pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves que
não interferem em sua qualidade de vida. Normalmente, à medida que o grau do prolapso vai
aumentando, as pacientes costumam referir bastante incômodo, que piora ao longo do dia,
principalmente ao fazer atividades físicas ou esforços extenuantes.
Nos casos mais avançados, com exposição quase total do prolapso, há dificuldade inclusive
para sentar, além de dificuldade para urinar e evacuar e o atrito do prolapso na roupa íntima
pode causar pequeno sangramento vaginal.
Dentre as que têm vida sexual ativa, é comum o relato de sensação de “frouxidão vaginal” e
eliminação de flatos pela vagina. Mulheres com prolapso vaginal sintomático têm grave prejuízo
na auto-estima e no relacionamento conjugal, interferindo negativamente na qualidade de vida.
Quem pode ter prolapso?
O surgimento de prolapso vaginal é mais comum em mulheres na pós menopausa, como
consequência do hipoestrogenismo e frouxidão dos ligamentos suspensores da vagina.
Entretanto, não é exclusivo desta faixa etária, podendo acometer mulheres de qualquer idade.
Além da idade, os principais fatores de risco para o aparecimento de prolapso são o número
de gestações e de partos vaginais, já comprovados em diversos estudos científicos. Outros
fatores que também devem ser considerados são história familiar, raça branca e condições de
aumento crônico da pressão abdominal, como obesidade, tosse crônica (tabagistas e portadoras
de doença pulmonar) e constipação crônica.
Doenças do colágeno (síndromes de Ehlers-Danhlos e de Marfan), hipermobilidade articular
e atividades fisicamente extenuantes, como algumas profissões com repetitivo levantamento
de peso e treinamentos físicos de alto rendimento também podem estar associados a maiores
índices de prolapso vaginal em mulheres.
Tratamento
O tratamento do prolapso genital pode ser conservador ou cirúrgico. Esta escolha deve ser
feita em conjunto, pelo médico e pela paciente.
Nos estadios iniciais, em mulheres oligosintomáticas, costuma-se optar por tratamento
conservador, com acompanhamento clínico, mudança de estilo de vida e fisioterapia do assoalho
pélvico.
Nos estadios mais avançados, é possível realizar correção cirúrgica do prolapso, em
conjunto com a correção de outra disfunção quando for o caso, como incontinência urinária. O
tratamento cirúrgico pode ser via vaginal ou via abdominal (neste caso, damos preferência pela
via laparoscópica). O tipo de cirurgia mais adequado vai depender do estadio do prolapso, de
qual(is) compartimento(s) afetado(s), da idade da paciente, vida sexual e história de cirurgias
prévias e risco de recorrência.
Nos casos em que não é possível ou em que não se deseja tratamento cirúrgico, pode-se
oferecer uso de pessários vaginais como opção de tratamento conservador do prolapso.
Papel da Enfermagem
O tratamento do prolapso normalmente envolve a atenção de uma equipe multidisciplinar
composta por médico, enfermeiro e fisioterapeuta, respeitando sempre a opinião da mulher.
O tratamento conservador inclui a modificação no estilo de vida, utilização de pessários
vaginais e treinamento da musculatura do assoalho pélvico. Nesse contexto, a enfermagem
desempenha um papel específico ao trabalhar com os pessários vaginais e orientações
pertinentes para tratamento satisfatório.
Os pessários são dispositivos de silicone,
introduzidos na vagina para dar suporte aos
órgãos pélvicos. É um tratamento de baixo custo,
com mínimos riscos e poucas contraindicações.
Além de educador em saúde, o enfermeiro atua
com essa população na utilização do dispositivo e
orientação dos cuidados necessários para sucesso
do tratamento.
Qualquer mulher com prolapso pode optar por
tentar o tratamento com pessário, independente
da idade, do estadio do prolapso e da presença ou
não de vida sexual ativa. Inicialmente, é realizada
a apresentação do dispositivo e avaliação para seleção do tipo e tamanho do pessário adequado
para cada caso.
É necessário um acompanhamento profissional especializado para estabelecer um plano
de cuidados individualizado que considere os riscos e benefícios do dispositivo, com foco na
prevenção de complicações. Os pessários podem ser utilizados como tratamento definitivo do
prolapso, para evitar sua progressão ou enquanto se programa a cirurgia.
O tratamento com pessário vaginal é capaz de reduzir os sintomas de prolapso, com grandes
chances de melhorar a qualidade de vida e a percepção da imagem corporal da mulher. A taxa
de satisfação com uso de pessário pode chegar a 90%.
IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA
A Fisioterapia é considerada uma importante aliada no tratamento do prolapso genital. Os
músculos do assoalho pélvico (MAP) são fundamentais para a sustentação dos órgãos pélvicos
(como bexiga e útero, por exemplo) e o trabalho específico nesse grupo muscular pode contribuir
bastante para o tratamento de pacientes acometidas com essa disfunção, especialmente em
casos mais leves.
A intervenção fisioterapêutica também pode ser indicada antes e/ou após a correção cirúrgica,
pois é fundamental trabalhar a recuperação ou melhora da função dos MAP, colaborando assim
para a redução de recidiva do prolapso.
Tudo começa com uma avaliação individualizada, onde são verificadas as queixas da paciente,
a função do seu assoalho pélvico e sua correlação corporal, investigando os impactos disso
nas suas atividades de vida diária e participação na sociedade. O Fisioterapeuta irá elaborar,
juntamente com a paciente e suas especificidades, o melhor plano terapêutico para cada caso,
dispondo para isso de variados recursos. O treinamento dos músculos do assoalho pélvico, a
cinesioterapia (tratamento por meio do movimento), a eletroestimulação e o biofeedback são
alguns dos mais utilizados. A escolha para a utilização de cada recurso obedece a critérios
verificados na avaliação e evolução do tratamento.
Eletroestimulação
É um recurso que utiliza a estimulação elétrica terapêutica por meio de aparelhos que
facilitam a percepção perineal e o ganho de força muscular. Por vezes, as pacientes com
prolapso genital possuem dificuldade em perceber essa região e apresentam fraqueza muscular
do assoalho pélvico, sendo assim beneficiadas com a utilização desse recurso.
Biofeedback
É um aparelho que permite à paciente notar a contração e o relaxamento da região perineal
por meio de estímulos visuais ou sonoros, causados pela pressão das paredes vaginais na
sonda utilizada. Percebendo a contração, a mulher alcança melhor coordenação muscular e se
sente ainda mais incentivada a realizar os exercícios.
Não existe um protocolo padrão de atendimento às pacientes com prolapso genital. Todos
os recursos citados podem ser utilizados pelo Fisioterapeuta no decorrer do tratamento, sendo
considerado o seu uso ou não de acordo com as indicações para cada paciente e priorizando
a redução de suas queixas e ganho de funcionalidade. Vale ressaltar que cada mulher e seu
caso são únicos, sendo analisados individualmente por toda a equipe multidisciplinar que a
acompanha.
É POSSÍVEL PREVENIR?
Bo K. Pelvic floor muscle training in treatment of female stress urinary incontinence, pelvic
organ prolapse and sexual dysfunction. World J. Urol. 2012; 30 (4):437-43.
BUMP, R. C. et al. The standardization of terminology of female pelvic organ prolapse and
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DELANCEY , J. O. The hidden epidemic of pelvic floor dysfunction: achievable goals for
improved prevention and treatment. Am J Obstet Gynecol,v. 192, f. 5, p. 1488-1495, 2005.
Li C, Gong Y, Wang B. The efficacy of pelvic floor muscle training for pelvic organ prolapse:
a systematic review and meta-analysis. Int Urogynecol J. 2016 Jul;27(7):981-92.
Wallace SL, Miller LD, Mishra K. Pelvic floor physical therapy in the treatment of pelvic floor
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Diretora Técnica:
Kathiane Lustosa CRM: 11531 | RQE: 6694