Você está na página 1de 27

Argumentação Jurídica

EMENTA: interpretação, argumentação e coerência. Direito e interpretação. Coerência


narrativa. Modelo de narração.

1ª aula.

“Implantar a disciplina ‘Argumentação Jurídica’ nos cursos de Direito, por fazer parte da
formação do aluno, visto que, no mundo pós-moderno, torna-se imprescindível fomentar o
trabalho de raciocínio. Pois, temos a ilusória impressão de que o excesso de informação
importa na capacidade de formação do raciocínio”.

Objetivo: persuadir com maior desenvoltura, ampliando vastamente a gama de


recursos suasórios a disposição do argumentante.

Porque para o operador do Direito é importante bem argumentar?


Realidade: toda a classe jurídica tem a “massificação da atividade”. Advogados com
demandas em excesso e pouco promissoras, recursos tecnológicos (muita informação e pouca
compreensão), argumentações copiadas. Juízes com relatórios sucintos e mal redigidos,
fundamentações padronizadas, remissões a outros julgados.

Porém, não se trata de um problema do discurso judiciário, encontra-se em todo


contento social. A linguagem se dinamiza e, à medida que a velocidade de informações
aumenta, diminui a construção do raciocínio.
De forma paradoxal, a geração criada com inúmeras informações, da mídia e da
internet, parece cada vez menos capaz de produzir uma construção argumentativa. A
quantidade de informações não permite uma reflexão aprofundada.

Na área jurídica: as petições elaboradas rapidamente, recheadas de recortes com


julgados de pertinência discutível e de fácil acesso. O trabalho argumentativo perde espaço, à
medida que os juízes não se persuadem com a leitura, pois a produção argumentativa
contemporânea exige fins e não meios.

Atualmente, o que é mais necessário, o conhecimento jurídico ou a


argumentação?

Manuel Atienza: “A prática do Direito consiste na argumentação e a qualidade que


define um melhor jurista está na sua capacidade de construir e manejar os argumentos”.
A argumentação é tão imprescindível ao operador do Direito, quanto o conhecimento
jurídico propriamente dito, pois o Direito não se articula por si só, logo, só pode ser aplicado
através dos argumentos.
Os argumentos são as razões de Direito.
No Direito, nada se faz sem explicação, caso contrário, o pedido é considerado
desarrazoado, da mesma que nenhum juiz profere decisão sem motivos e isto é um raciocínio
argumentativo.

Fontes da argumentação: 1.doutrina – professores que interpretam e analisam o


ordenamento jurídico; 2.peças dos advogados – que articulam teses para adequar o caso
concreto a forma jurídica; e 3.decisões dos juízes.

O conhecimento jurídico representa uma série de informações, que por si mesmas não
garantem a capacidade de persuasão.
Ex: folha de antecedentes criminais juntadas aos autos é uma informação, assim como
o livro doutrinário. Ambos não tem função autônoma, a não ser que sejam invocados como
razões, através de um trabalho de raciocínio.
O estudo da argumentação não se limita ao estudo das escolas clássicas, e sim
constituir um método, com parâmetros e exemplos, para conhecer a boa argumentação,
conjugada ao conhecimento jurídico.

Histórico:
Na dec. 70, um filósofo do Direito e lingüista Chaim Peralman introduziu o curso na
Faculdade de Bruxelas.
a.C.: o argumento era secundário, o juiz deveria buscar, antes de tudo, o JUSTO e os
critérios e os critérios eram religiosos e morais. (falar de religião, ética e moral).
Para Peralman o divisor de águas foi a Revolução Francesa, com o advento da
separação dos poderes, leis escritas e obrigatoriedade de fundamentação das decisões e que
introduziu a necessidade do discurso, dos processos escritos, da racionalização do processo
de construção do Direito. O Direito afastou-se do jusnaturalismo e buscou sistematizar sua
atividade.
No período acima houve a racionalização do Direito, com a crença em valores exatos e
determinados. Ex: a Segunda Grande Guerra quase extinguiu a humanidade, através de um
Estado legitimado.
O Tribunal do Nuremberg foi o marco de uma nova visão do Direito, demonstrando que
um Estado poderia ser criminoso.
Superou-se o Direito como um processo empírico e racionalista, acrescentando valores
e flexibilizando conceitos para se trabalhar com paradigmas humanos. É uma tendência de
abertura da hermenêutica do Direito, encarando-o como um sistema aberto, que permite
analogia, a comparação, a cultura, as várias soluções possíveis.

Conceito de argumentação: é a arte de persuadir, em uma situação comunicativa.


A argumentação se processa por meio do discurso, formando um todo coeso que produz
um efeito racional no ouvinte. Quanto mais coeso e coerente o discurso, maior a sua
capacidade de adesão à mente do ouvinte:

EMISSOR--------- MENSAGEM ------------ RECEPTOR.

ARISTÓTELES: adotou uma divisão tripartite de discurso, a diferença entre elas é o


auditório a que se destinam.
Um discurso contempla três elementos: a pessoa que fala, o assunto de que se fala e a
pessoa com quem se fala.
Tipos de discursos:
1. Deliberativo: o auditório é uma assembléia (Senado), que é chamada para decidir
questões futuras (lei, projeto). Enfim, questões políticas de utilidade, conveniência e
adequação.
2. Judiciário: dirige-se ao juiz ou ao Tribunal. Discutem-se questões pretéritas (ainda
que com resultados futuros), porém documentadas. As questões passam por um
juízo de valor.
3. Demonstrativo (epidíctico): colocado a uma platéia para louvar ou censurar. Ex:
discurso político em comício com cabos eleitorais. Mesmo neste, onde não há
contraditório, está presente a arte da retórica (a arte de valorizar na fala os pontos
favoráveis).

Todos os tipos de discurso procuram convencer! A diferença que a platéia do operador


do Direito é o Judiciário, que é composta de duas partes debatendo, visando a vitória em uma
controvérsia.

Objetivo da argumentação:
a) Fazer com que o destinatário da argumentação creia no que está sendo
emitido;
b) Fazer com que o destinatário da argumentação aja de maneira como o
argumentante prescreve, pois, não adianta o juiz ou o tribunal acreditarem na tese
e não deferirem o pedido.
Crítica: há elementos externos à comunicação que interferem na realidade. Há uma
diferença entre crer na tese e o fazer crer.
Exs: Fumante – a argumentação que o cigarro faz mal a saúde não faz com que o
fumante abandone o vício, mesmo acreditando na assertiva.

Quais os meios utilizados para atingir os objetivos?


Ex: comercial de chuteiras com o Kaká (chuteiras Adidas, que o jogador utiliza em seus
jogos). O elemento persuasivo não está expresso, pois a figura do jogador faz parte de uma
argumentação que dispensa um raciocínio complexo, os elementos predominantes são: a
imagem e o conceito do jogador.
Quando um juiz analisa uma tese jurídica, pouco importa a figura do argumentante e
sim o raciocínio. No discurso judiciário o fator persuasivo é o raciocínio jurídico, seja na
interpretação da lei ou na análise das provas. O argumentante procura valorizar o que lhe é
favorável e isso se faz por MEIO de técnicas de argumentação, ou seja, através da valorização
dos aspectos favoráveis à tese.
Há elementos externos que fazem parte do raciocínio jurídico, como: a citação da
doutrina, o parecer de um famoso jurista (neste aspecto, vale-se de sua imagem de seu
conceito).

Características da argumentação:
a) Dirige-se a um auditório: os argumentos devem variar de acordo com aquele a
quem é direcionado.
b) Utilização da linguagem natural: regras de comunicação em geral., o bom trato com
as palavras.
c) Suas premissas são verossímeis, ou seja, não são prova de verdade, mas elementos
de demonstração de probabilidade.
d) A progressão discursiva depende do orador: livre escolha de quem escreve. Fazer
progredir um discurso é matéria do intelecto humano.
e) Permite conclusões controvertidas, ao contrário da lógica formal (ex: matemática).

Disputa entre dois argumentos:


Cada uma das partes procura obter para si o melhor resultado: a decisão favorável! E,
para tal, deve formular uma TESE. Quando se socorre do Judiciário, cada uma das partes
entende ter razão.
No Direito, quando se fala em disputa argumentativa, surge sempre à idéia do JUSTO,
sob tal ótica, a argumentação ou a retórica seriam instrumentos capazes de enganar o
julgador.
Na argumentação não há o debate entre o certo e o errado ou entre o justo e o injusto.
Quando duas partes estão em litígio, duas idéias opostas coexistem, mas o juiz não pode
acatar as duas teses como verdadeiras.

Argumento e verdade: o argumento não tem a lógica formal (matemática), por isso
se afasta do conceito binário de verdadeiro/falso. Trabalha-se com o aparentemente
verdadeiro/provável. É na probabilidade que se opera a variedade de argumentos.
Ex: (balas envenenadas) o laudo pericial com 99 % de probabilidade de a bala que
matou a vítima ser oriunda do revólver do réu. A acusação e a defesa têm a sua parcela de
razão. Quando há um argumento forte, a outra parte deve enfraquecê-lo.
A boa argumentação consistiu em valorizar para o ouvinte (os jurados) daquilo que era
meramente provável, como verdadeiro.

O argumento, antes de ser um modo de comprovação da verdade, é um elemento


lingüístico destinado à persuasão.
Elemento lingüístico: processo comunicativo que se exterioriza através da linguagem.
Elemento persuasivo: processo que visa convencer o leitor a crê nas premissas e na
conclusão.

Atenção:
Ex: “Dilma é a eventual candidata do PT à Presidência da República”.
Eventual significa esporádico, ocasional, o que ocorre de vez em quando. Ora, Dilma
não é uma candidata eventual, na verdade ela é a provável ou possível candidata.
Provável é o que deve acontecer e possível é o que pode acontecer.

Os principais tipos de argumentos: de autoridade e por analogia. Os mais usuais,


visto que, por serem meios lingüísticos de persuasão, são infinitos os modos de convencer.

Funções: refletir sobre o valor do argumento e conhecer as técnicas de desarticulação,


quando utilizados pela parte contrária. Em auditórios heterogêneos, articulam-se argumentos
diversificados e evita-se a repetição de técnicas e seu esgotamento.

a) Argumento de autoridade:
Muitas verdades que aceitamos são baseadas no conhecimento de autoridades. Ex:
meteorologia, medicina - confiamos em suas manifestações por sua realidade científica, por
nosso conhecimento é estrito a áreas específicas;

Ditadura de autoridade: o conhecimento técnico baseado somente em declarações de


autoridade. De um lado, a pessoa passa a ter um conhecimento genérico e ampliado sobre um
assunto, mas de outra banda, reduz-se o tempo de as pessoas refletirem sobre o
conhecimento, restando apenas a alternativa de se estabelecer conclusões baseadas nos
especialistas.

O que é argumento de autoridade? É aquele que se utiliza a lição de pessoa conhecida e


reconhecida em determinada área do saber para corroborar a tese do argumentante.
Argumentum magister dixit / argumentum ad verecundiam.

John Locke: “Técnica que pode ser usada por uma pessoa contra a outra”. Tipo de
argumento utilizado para fazer prevalecer seu posicionamento ou silenciar o opositor. Para ele,
quando uma pessoa adquire certa reputação ou autoridade na sociedade, realça a modéstia
dos demais, que passam a não questionar o posicionamento da autoridade.
Utilizar um argumento de autoridade significa trazer a opinião de um especialista em
uma discussão. Ex: recorte da doutrina em petição.

Citação da doutrina: é o uso mais comum de argumento de autoridade. Quando se


estabelece à coerência entre a tese do autor e o posicionamento da autoridade, o argumento
de autoridade se aperfeiçoa.

1. Presunção de conhecimento – aval ao posicionamento sustentado pelo argumentante


(presunção de que qualquer manifestação do citado jurista seja reflexo de seu saber
reconhecido).
2. Presunção de imparcialidade – quando usa um posicionamento de autoridade induz
ao ouvinte de que aquela opinião da autoridade não atende a interesses outros, apenas a
verdade científica.

O que se busca no argumento de autoridade é que ele seja reflexo de um pensamento


confiável e científico (verdade). Diante do imediatismo e da tecnologia surge a falácia: a de
impor um raciocínio como verdadeiro, apenas por advir de fontes seguras.
Mesmo com bases científicas, as fontes podem trazer resultados contraditórios e
equivocados.

As ciências humanas estão em franca desvantagem na busca da verdade, então, para


aplicar e interpretar o direito como ciência, o julgador vai procurar se embasar nas provas e,
ao argumentar, não deve apenas persuadir, também contribuir à convicção. (Kant)
Convence-se entrando na ciência, localizando e indicando boas fontes de validade. Ex: o
autor citado não pode ser qualquer pessoa, deve ser reconhecido e legitimado pela
comunidade científica.
Como confiar na opinião da autoridade? O argumento de autoridade é um
argumento psicológico e, como argumento, é o melhor aquele que conta com maior aceitação
do auditório. Por este motivo, que não basta um texto de uma autoridade para comprovar uma
tese.
Ex: a autoridade do leão determinou-lhe a razão, mesmo sem razoabilidade.

O problema agrava-se com a mídia, que elege ou cria autoridades. Não é raro grandes
sábios serem preteridos por outros, apenas por terem acesso à publicidade. Quando um
argumento de autoridade desvirtua-se de sua função de presunção razoável de certeza,
constitui uma falácia de autoridade e surge a falácia da popularidade.

Falácia = falsidade / raciocínio falso que simula a veracidade.

Para um argumento de autoridade não se transformar em uma falácia, deve-se indicar


o ano da edição da obra transcrita, pois a mesma autoridade pode modificar o seu
posicionamento.

O contra-argumento. Como questionar um argumento de autoridade?


Respondendo afirmativamente as seguintes questões?
1. Questão do experto: qual o crédito do especialista como uma fonte científica? Não se
deve confundir autoridade técnica com poder. No meio jurídico essa confusão é muito comum,
pois um cargo público elevado e reconhecido não determina a autoridade jurídica de um
pronunciamento científico. Deve-se investigar o arcabouço jurídico daquele que se apresenta
como especialista.

2. Questão da área: o especialista é também especialista na área a qual emite um


posicionamento? Ex: cientistas pesquisadores em uma mata na companhia de um nativo como
guia, este, naquela situação, é o experto/especialista e suas opiniões são dignas de crédito,
pois conhece a topografia da região.

3. Questão da validade de opinião: o que o especialista afirma realmente implica na


afirmativa? É a questão mais importante.
Quando duas autoridades emitem opiniões diferentes, o que fazer? Trata-se de uma
disputa argumentativa e não de uma competição de egos. Resolve-se apresentando as razões
de quem citou a autoridade.
Usam-se os valores persuasivos, permitindo que o auditório possa acompanhar os
motivos que levaram a autoridade a alcançar tal conclusão. É o percurso argumentativo da
autoridade que permite que o ouvinte ateste o raciocínio lógico da conclusão e se realmente é
uma autoridade naquele assunto.

OBS: a citação é apenas um dos argumentos e não o argumento do advogado, para não
se tornar uma repetição do raciocínio alheio.

4. Questão da consistência: o especialista esta de acordo com a opinião de outros


especialistas? Ciência não se faz isolada e a divergência em matéria humana é comum, pois a
unanimidade não existe, mas sempre é convalidada por outras de igual ou maior saber.
Quem se depara com um argumento de autoridade deve buscar outros que digam o
inverso, mas esta é uma escolha do advogado (enfrentar ou não o posicionamento inverso).
Quanto maior foi a aclamação do mesmo princípio, por várias autoridades, maior força reveste
o argumento.

5. Questão da confiabilidade: o especialista é confiável como fonte de conhecimento? A


autoridade pode ceder a pressões políticas, a amizade, acompanhar o raciocínio dominante
para vender livros.
O argumento de autoridade é o argumento do humilde, da veneração, então a
autoridade não pode cair em contradição. Se o fizer, causa descrédito a fonte.
6. Questão das provas: a afirmação do especialista é baseada também nas provas?
Prova é a citação de documentos que permitam ao leitor comprovar as fontes – nome da obra,
lugar da edição, edição, ano, página.

Uso de citações falsas – Lei das Citações Século V d.C. Império de Teodósio II e
Valentiniano III –, só poderiam ser utilizadas citações de Gaio, Papiniano, Ulpiano, Paulo e
Modestino (ou de outros autores citados por eles). No caso de divergência de opiniões,
prevaleceria a da maioria, caso permanecesse a divergência a de Papiniano e, por último, a
decisão do juiz.
Ex: perito criminal: quando atesta que a uma substância é ilícita deve guardar um
pouco para produzir a contra-prova. O laudo deve trazer fundamentação suficiente para
permitir o contraditório.

Os pareceres: profissionais contratados pelas partes para proferirem pareceres em


processos específicos, assim seu escrito se transforma na aplicação da doutrina, no caso
concreto.
O consulente formula as perguntas e o parecerista, com uma redação técnica, traça o
percurso que dá suporte as questões.
As questões formuladas nos pareceres, com respostas já conhecidas, não são questões
de convencimento. Porém, os pareceres que atendam aos quesitos têm a presunção de
conhecimento e imparcialidade.

Como combater um argumento de autoridade?


Att: Deve-se ter muito cuidado ao tentar desvalorizar uma autoridade, atendo-se ao
caso concreto.
1º Responder afirmativamente a uma das questões;
2º Buscar outras autoridades. (Ex: O Bobo e o Rei - a autoridade, por maior que seja,
não pode se acomodar na presunção de boa fonte de seu pronunciamento).
3º Boa pesquisa.

Os Clássicos: o contexto jurídico muda rapidamente, então não faz sentido a citação
excessiva de autores antigos, que não mais condizem com o atual sistema legislativo. O Direito
é uma ciência e, como tal, evolui e aprimora-se constantemente. Deve-se ter muito cuidado.

b) Argumento por analogia:


É aquele que transita de um caso concreto a outro, em razão da semelhança em alguns
aspectos.
Ex: música Cálice de Chico Buarque “vinho tinto de sangue”.
= vinho tinto.
= tinto de sangue.
Chico Buarque cria um efeito com a ambigüidade lingüística na formação dos pares. No
contexto musical, o primeiro par evoca a comunhão e o segundo um corpo dilacerado, ambos
remetem à Paixão de Cristo, a tortura e ao momento político.
Referências poéticas à parte, o enunciador tem um expressivo recurso a seu favor, pois
ao utilizar a metáfora e comparação (figuras de linguagem) persuade a respeito da intensidade
da dor sofrida, tanto na Paixão de Cristo, quanto na tortura.

O ser humano raciocina muito pela semelhança, ou seja, pela analogia. A


exemplificação é uma espécie de argumento, que vai do fato à regra. Ex: a Inquisição como
Justiça Penal; Cristo crucificado entre dois ladrões; o Tribunal de Exceção.

A jurisprudência é fonte do Direito e repousa sua utilidade no princípio da eqüidade,


porque a justiça deve transpor resultados equivalentes a casos semelhantes.
O uso da jurisprudência se transforma em um argumento por analogia, na medida em
que determinado julgado é utilizado como parâmetro.
O recorte de um julgado tem a força do próprio argumento, ou seja, requer a seu caso
o tratamento idêntico àquele que o invoca como paradigma, pois, em um mesmo
ordenamento, situações idênticas devem ser submetidas ao mesmo tratamento.
Também tem força de autoridade científica, como fator de convencimento, pois goza da
presunção de que o Relator do julgado invocado conhece o Direito, principalmente se for um
julgado de um Tribunal Superior.

Qualidade da jurisprudência: a analogia estabelece uma proporção simétrica entre o


foro (a relação conhecida / o caso que se discute / lugar onde se discuta assuntos públicos) e
o tema (o objeto da discussão / assunto que se quer desenvolver ou provar).

A jurisprudência persuade: pela autoridade do órgão prolator; pela atualidade; e pela


sua proximidade entre o foro e o tema, ou seja, entre o caso que se discute e a solução que se
pretende dar, refletida no paradigma.
Desaconselha-se o uso de meras ementas, para poder comprovar a relação entre o foro
e o tema.
Também não é prudente a transcrição ipsis litteris, pois não atrai a atenção do leitor.
O receptor deve ser respeitado e merece a cortesia da originalidade. Assim, recorta-se
o texto baseado no nível de aproveitamento que as idéias copiadas têm no discurso do
argumentante.

Combate-se o argumento de analogia:


a) Desconstituindo o paralelismo entre o foro e o tema, ou seja, demonstrando a
disparidade entre o efetivo conteúdo do argumentante e o julgado citado;
b) A citação de outro julgamento contrário.

2ª aula. Coerência.

Diferença entre argumentação e fundamentação:


Não se deve confundir o discurso jurídico com o discurso científico, pois o bom
argumentante, em seu trabalho de argumentação, deve ter em conta que não procura a
verdade científica erga omnes, mas sim o convencimento de pessoas determinadas (auditório),
a respeito de uma tese que surge em determinada situação fática e específica.

No discurso judiciário, a ciência do Direito é o instrumento de convencimento de um


terceiro, o julgador. Este trabalho não é idêntico à demonstração de uma tese científica.

Ex: texto de opinião “A Construção do Futuro”.


Trata-se de um texto argumentativo pq utiliza vários elementos lingüísticos que
procuram fazer com que o leitor ideal seja conduzido à conclusão.

Responda as questões no texto:


1. Qual a tese principal da qual o autor procura convencer o leitor? O que o autor
procura comprovar como objetivo final da argumentação. Trata-se da idéia principal, na qual
todos os argumentos convergem.

2. Qual a estrutura argumentativa principal? Quais foram os principais argumentos


traçados pelo autor. Vai de argumentos mais longos a outros menores, também dirigidos ao
convencimento (dentro dos argumentos há elementos ainda menores). Não é rara a técnica
retórica de fazer com que o ouvinte se concentre tanto em um argumento que o interprete
como tese.
Ex: balas de hortelã. Tese defesa: negativa de autoria; e a tese de acusação: laudo de
balística. O laudo, conclusivo ou não, era apenas um dos argumentos. No exemplo houve a
desconstituição da certeza do laudo, através de outros argumentos, que conduziram a
aceitação da tese da defesa.

3. Quais os motivos ou fundamentos que levaram o autor a escrever o texto? Há um


estranhamento no texto. São recursos que causam a expectativa no leitor (características da
narrativa literária) e que conduzem a percepção de que os motivos são diferentes dos
argumentos elencados.

O motivo: existe um problema a ser solucionado – o problema do menor abandonado.


O fundamento: as causas que levaram o autor a querer solucionar o problema. Enuncia
os fatos.

Fundamentação:
Quando o autor enuncia fatos, o leitor percebe os verdadeiros fundamentos da
argumentação.
Os fundamentos são elementos racionais que sustentam a conclusão. Consciente disso,
o autor, ao escrever, abandona a fundamentação para dedicar-se a argumentação, pensando
não em si, mas no auditório.

Na argumentação não se justifica como funciona o raciocínio ou explica as conclusões,


mas visa convencer ao leitor, adaptando o discurso às condições pessoais do ouvinte.

Fundamentação: art. 93 IX da C.R; já o CPP no art. 381, III trata-a como sinônimo de
motivação.
Quando o juiz fundamenta, elenca elementos que devem convencer as partes de que
seu raciocínio é o mais correto, decorrente da lei e do livre convencimento, através da
avaliação das provas. Ele apresenta o seu método de raciocínio. A fundamentação deve ser
exaustiva, revelando o percurso lógico traçado. Quem fundamenta explica sua própria decisão,
que é objetiva, ou seja, conforme alegação das partes.

Para o advogado, os raciocínios que levam ao convencimento, não coincidem com o que
levam o ouvinte a aderir à tese.
Argumentar, em sentido estrito, significa partir do bom raciocínio jurídico,
preocupando-se com o conteúdo lingüístico necessário para que o leitor o aceite como o mais
provável.
O advogado, que defende um interesse, não explica o seu raciocínio, e sim expõe um
raciocínio que conduza a adesão.

Argumentação: concentra-se naquele a quem se fala.


Fundamentação: concentra-se naquele que fala.

Ex: no exemplo das balas de hortelã, as balas não fazem parte dos motivos, mas
representam um meio eficiente de levar os jurados a aderirem a essa conclusão. A defesa se
preocupou com o meio eficiente de exteriorizar o raciocínio e atingir ao auditório.

O ponto de vista comprometido: acreditava-se que um bom raciocínio estava mais


próximo da fundamentação do que da argumentação. Essa afirmativa parte da premissa
errada, ou seja, nunca se procura, ao argumentar, convencer o ouvinte a qualquer custo, pois
a argumentação se depara com princípios éticos e não se coaduna com a mentira.

Argumenta-se para valorizar um raciocínio para um determinado leitor.


O que autoriza ao argumentante a buscar elementos de persuasão específicos é o fato
de partir sempre de um ponto de vista comprometido, o que é uma eterna desvantagem da
argumentação.
Ex: vendedor de carros, conforme a condução da venda, a resposta pode estar
comprometida, porque há interesses pessoais daquele que fala. Porém, se ele argumentar
comprovando as afirmações, que serão filtradas pelo ouvinte, a argumentação será mais
eficiente, para compensar o ponto de vista comprometido que tem.
No Direito ocorre o mesmo, ao defender o cliente o advogado não pode ocultar que seu
ponto de vista é comprometido, o que não quer dizer que ele só produza falácia, a
compensação está na técnica argumentativa.
O Discurso científico e o auditório específico:

Auditório universal - não existe uma argumentação erga omnes.


O discurso jurídico reside em matéria humana, por isso carregada de subjetivismo. A
argumentação deve ser um presente, a ser apreciada e valorizada pelo receptor.
Para a idéia ser um bom argumento necessita de conteúdo, compreensão,
entendimento do leitor; e coerência com os demais argumentos elencados no texto.

Quando alguém se dispõe a ouvir uma argumentação, se predispõe a interpretar o que


diz o emissor, ou seja, cria um texto novo. O que significa que todo discurso tem a
participação do ouvinte que CRIA UM NOVO TEXTO!

A partir do processo de interação sujeito/linguagem gerado pela leitura, o leitor será co-
produtor do texto, completando-o com sua bagagem histórico-sócio-cultural. Mas, para que
esta produção se efetue é necessário ativar o processo cognitivo de percepção do texto,
decodificação, compreensão e interpretação.
O discurso é direcionado e, através do conhecimento, o leitor completará as lacunas,
para estabelecer a coerência de sentido, formando um verdadeiro diálogo.

Coerência e extensão da argumentação. Para que uma idéia represente um forte


argumento é necessário: trabalhar a intertextualidade (o diálogo) e trabalhar com uma
informação pertinente, que acresça à conclusão do receptor.

Platyn: “A argumentação é uma operação que se apóia sobre um enunciado seguro


(aceito), o argumento, para chegar a um enunciado menos seguro (menos aceitável), a
conclusão”.
O argumento é o caminho a ser trilhado (o instrumento), daí a importância da coerência
como fator de ligação entre os argumentos e o resultado final.
Coerência + argumentos = conclusão.

Coerência: é o nível de ligação entre as idéias do texto, para que dele se retire à
unidade de sentido. É um fator exterior, assim como a intertextualidade, porque depende da
inter-relação com as demais idéias do discurso.
Não basta ao argumentante ter boas idéias se o receptor não tiver plena compreensão
da utilidade de cada um dos argumentos, neste caso, o discurso terá falha de coerência. A
incoerência pode chegar a se tornar uma contradição.

Exs: Juca-Pirama (Poema de Gonçalves Dias). “Tu, covarde, meu filho não és”.
Amornar – pode ser esfriar ou esquentar, depende da argumentação e ao fim
que é dirigido.

A diferença entre a narrativa literária e a argumentação está no fato de que a primeira


não tem vínculo com o mundo exterior; enquanto a argumentação exige diálogo com a
realidade, porém ambos tem o objetivo da adesão, do convencimento.
Ex: texto “O Homem do 1003”. Todo interlocutor é seduzido pelo bom raciocínio, sendo
considerado o melhor, aquele que não se altera e não apresenta incoerência em nenhuma de
suas fases. É o autor quem estabelece seus próprios parâmetros, suas premissas, logo, deve
segui-las.

Na argumentação jurídica existe uma coerência interna e uma externa, o ouvinte que
estabelece a coerência no discurso, trabalha com elementos e informações do texto, que
também fazem parte do mundo exterior (da realidade).
Ex: textos sobre a imputabilidade penal do menor – são opiniões diversas sobre o
mesmo tema, mantendo cada qual sua coerência, cada um defendendo o seu ponto de vista e
buscando persuadir ao leitor.
Texto 1. Positivista do séc. XX, a lei penal deve ser aplicada sem diferença.
Texto 2. Redução da maioridade penal, pela capacidade de compreensão.
Texto 3. Impossibilidade de redução da maioridade.
Diferentemente do que ocorre nos textos de ficção, no mundo jurídico, além de zelar
pela coerência interna, também se deve preocupar com a externa (a intertextualidade).

Para ser coerente não precisa considerar todas as opiniões a serem abordadas, mas é
imprescindível que o argumentante, para convencer o interlocutor, estabeleça um vínculo com
elementos externos da realidade a seu texto, ao qual não se pode furtar. (Trabalhar mais de
um ponto de vista).

Coerência e intertextualidade
A intertextualidade é o diálogo que nosso discurso faz com outros textos que montaram
nosso discurso e que podem, ou não, fazer parte do universo do receptor.
Ex: citação de Pontes de Miranda, o argumentante espera que o receptor conheça o
autor, para valer-se do argumento de autoridade. Se o leitor conhecer o autor citado, então o
argumento será eficiente; se também admira, será, além de eficiente, persuasivo.

O nível de eficiência de cada argumento pode ser medido pela proximidade que o
receptor tenha com os textos.
Se utilizar algo desconhecido para o receptor, o diálogo textual será ineficiente e, de
fraca argumentação, pois as lacunas do texto não serão devidamente preenchidas.
Um bom diálogo intertextual é aquele que tem sentido completo ao ouvinte, aproxima-
se do mesmo, com citações pertinentes ao raciocínio que se desenvolve.
Nem sempre a idéia mais erudita é o melhor argumento, o argumento forte é aquele
que obtém uma proximidade com determinados interlocutores, sendo persuasivo.

Um discurso, para ser um forte argumento, necessita além de um bom conteúdo, de


dois fatores: da compreensão do intérprete (seu entendimento) e da coerência com os demais
argumentos do texto.
Um bom diálogo intertextual é aquele que compõe o discurso, que faz sentido completo
ao ouvinte e também lhe é próximo. Quem se preocupa em conhecer o ouvinte tem um
discurso mais persuasivo.

Relações intertextuais:

a) Intertextualidade e pressuposição: são proposições tomadas pelo produtor do


texto como já estabelecidas. Em verdade, trata-se de um outro texto, que corresponde à
opinião geral, a uma experiência textual acumulada.
Ex: “A ameaça da violência urbana”. O artigo definido indica proposição que tem
significado existencial, no exemplo citado, pressupõe a existência de uma ameaça.
A pressuposição é algo tomado como tácito pelo produtor do texto e são formas
efetivas de manipulação das pessoas, porque são difíceis de desafiar.

b) Intertextualidade e negação: as frases negativas são usadas com finalidades


polêmicas.
Ex: Tarso Genro afirma que não há nenhuma denúncia contra Renan Calheiros.
(O Dia on line de 25/5/2007 as 19:12).
A segunda oração pressupõe a proposição, observada em algum outro texto, de que há
alguma denúncia a ser feita, exigindo um conhecimento prévio do intérprete.

c) Intertextualidade e metadiscurso: forma peculiar de intertextualidade em que o


autor se distancia de seu próprio no texto, como se fosse um outro texto.
Isso se faz através de frases evasivas com expressões como: “tipo de”, “espécie de”,
com paráfrases ou metáforas.
Ex: Estradas federais: 75% apresentam algum tipo de problema (O Dia on line
de 31/10/2007 as 19:00).
d) Intertextualidade e ironia: a natureza intertextual da ironia é demonstrar uma
disparidade entre o enunciado e a função real, que é a de expressar ou denunciar algum tipo
de atitude negativa.
Ex: Uma ‘praia’ na Baixada (O Dia on line de 10/11/2007 as 01:39).
A ironia depende que os intérpretes sejam capazes de reconhecer o significado do
texto.

e) Intertextualidade e transformações: as cadeias intertextuais podem ser


complexas, como textos diplomáticos envolvendo negociações de mercado de capitais. Mas,
estes textos podem ser transformados em texto de mídia, em comentários, em livros ou
artigos acadêmicos, em discursos parafraseados e, até mesmo, em conversas informais.
Assim, os tipos de textos variam de acordo com o tipo de redes de distribuição e de
cadeias intertextuais.

f) Intertextualidade e sujeitos: a constituição de sujeitos nos textos e a contribuição


de praticas discursivas em processo de transformação para mudanças na identidade social.
Ex: o texto de opinião de Cristóvam Buarque, que incorpora em seu discurso elementos
partilhados com discurso de propaganda política.
Um discurso desse molde contribui para a constituição de eleitores, aspecto relevante
para a manipulação social, diante de um discurso bem articulado.

g) Intertextualidade / coerência / sujeitos sociais:


Um texto coerente está ligado ao propósito de atingir ao intérprete e, desta forma,
atingir a várias identidades sociais. Os intérpretes são sujeitos do discurso e também sujeitos
sociais
Ex: no texto acima citado há a questão do desemprego, das crianças de rua, da falta de
escola, da omissão das autoridades governamentais, neste aspecto, várias identidades sociais
são atingidas.
Há alguns intérpretes, que podem desarticular a juntura intertextual, reagindo ao texto.
A eficácia política e ideológica do discurso como mudança social depende do
diálogo entre o autor e os sujeitos sociais.

Estilo e subjetividade:
Toda comunicação impõe o seu ritmo.
Ex: novela – ritmo lento de evolução; filmes – ritmo célere. Nos exemplos, quando há
inversão do ritmo, perde-se a atenção do receptor. Ex: último capítulo de novela ou
documentários.
A argumentação também segue o seu ritmo, seja longa ou curta, deve-se regrar pelo
estabelecimento do ritmo determinado, pois o interlocutor adota um ritmo de interpretação e
frustra-se quando este é interrompido.

O leitor espera que o fato mais importante seja aquele no qual o autor mais se
preocupará, então, se eu tenho uma preliminar longa, o assunto principal deverá ser longo,
para preservar a importância do fato principal.
Se o texto, no todo, é curto, os argumentos devem ser mais sucintos, principalmente os
secundários.

A estética da tipografia, por si só, não estabelece a coerência, mas destacam


argumentos importantes. Cuidado para não poluir o texto!
A extensão do discurso não interfere no fato de ser bom ou ruim; persuasivo ou de
fraca argumentação. A extensão determina o espaço que deve ocupar cada argumento ou
informação, bem como a pertinência das idéias secundárias.
Ao adquirir um ritmo, este não deve ser violado. Porém, a quebra do ritmo pode ser
intencional, para chamar atenção do leitor.
Ex: Inexigibilidade de conduta diversa (advogado que mais ataca do que defende).
Dicas sobre coerência:

1. Preocupar-se com o espaço de tempo existente para a progressão do discurso;


2. Encadeamento do discurso. A passagem de uma premissa para outra, nem sempre,
exige a utilização de conectivos, pois o leitor pode fazer a ligação por si mesmo, porém, caso
use-os deve fazer corretamente.
3. Discurso e planejamento, para uma boa construção do discurso.
4. Não repetir informação, o argumentante deve se preocupar com a platéia e prever o
que é necessário para a compreensão e persuasão.
3ª Aula. A narrativa e Interpretação.

Métodos e conceitos clássicos de interpretação.


Quem argumenta busca convencer, utilizando-se da combinação coerente de
enunciados aceitos, por isso trabalha com tema (assunto ou proposição de que se vai tratar
em um discurso) e com enunciados genéricos.
Antes de argumentar, de procurar apresentar uma tese que convença o interlocutor, é
necessário fixar premissas aceitáveis.(Cada umas das proposições do silogismo).
Premissa maior + premissa menor = conclusão.
A primeira é utilizada da narração dos fatos e permitir ao interlocutor compreender os
limites e as premissas da argumentação a ser desenvolvida.
Nos processos judiciais, a narrativa dos fatos precede a jurídica, propriamente dita.
A narrativa dos fatos tem um conteúdo informativo, porque já é contaminado pela
vontade do argumentante de persuadir, mas, em tese, o momento é só de informar.

Características e funções da narrativa:

1. Figuratividade: a narrativa é auxiliar da argumentação, mas se desenvolve em


progressão diversa. Ela se desenvolve por meios de figuras, ou seja, de personagens que
atuam sobre a realidade, transformando-a (sejam as figuras, as pessoas ou as coisas). Ou
seja, há mudança no status quo ante, que representa o núcleo de toda narrativa, que só
ocorre pela combinação das figuras apresentadas.
Ex: homicídio consumado: quem era vivo perde essa qualidade, pois alguém alterou a
realidade anterior, um segundo personagem que, com determinada ação, provocou a morte de
primeiro. Quando narramos um fato, apresentamos a relação entre as figuras.

2. Transcurso do tempo: enquanto a progressão da argumentação é lógica (informal)


– porque representa o encadeamento de idéias que se combinam -, a progressão da narrativa
é temporal, ou seja, o tempo é o único elemento que ordena as ações narradas.

Fatos: a narrativa;
Direito: a argumentação.

Não se trata de uma separação organizacional, mas de separar o discurso, por


existirem progressões diversas.
Não existe texto narrativo puro (o tempo é o fator regente principal), mas não o único.
Porém, no momento da enunciação, o autor atribui um marco temporal em seu texto.
Também não existe discurso argumentativo sem uma interferência da narrativa. Ex: ao
se fazer uma analogia, há uma progressividade lógica, sem se aprofundar no decurso do
tempo.
Ex: jornalista: a informação pura é impossível, não existe o mito da neutralidade.

Os fatos sob o ponto de vista do narrador:


Em algumas petições, o julgador dá maior atenção à narrativa dos fatos do que a
persuasão referente ao direito. Elementos informativos que ocorreram com o personagem réu,
no momento do fato delituoso. O bom narrador seleciona elementos da realidade que
conduzem o interlocutor a um ponto de vista que ele pretende demonstrar.
Utiliza elementos aparentemente informativos, mas que, na verdade, são argumentos
diluídos no texto.
Em um texto evidentemente narrativo está presente a transformação no espaço e no
tempo, buscando informar ao ouvinte sobre tais fatos. Mas, por ser criação do intelecto
humano, a narrativa assume um ponto de vista que parte de seu autor e é construída a partir
da interpretação pessoal. Tal interpretação é tida como uma tese a ser comprovada pela
argumentação.
Ao construir uma narrativa, o enunciador transforma os elementos lingüísticos,
selecionando da realidade os fatos mais importantes para o fim pretendido.
Ex: narrador esportivo de rádio – é o ponto de vista do narrador esportivo que constrói
o percurso dos fatos que os ouvintes “visualizam”.
O bom narrador seleciona os elementos da realidade que conduzem o interlocutor a um
ponto de vista que ele pretende demonstrar.
Por ter um vínculo estreito com o processo, não pode se afastar da verdade, mas
defenderá a sua tese.
Ex: conturbação mental do autor do crime, que, por estar apaixonado, terá uma
reprovabilidade menor. Tese que não pertence à narrativa, mas ficará sedimentada nela.

Efeito suasório de texto narrativo:


1. Se o enunciador, no relato, deixar transparecer a TESE que posteriormente irá
defender, esta poderá perder sua credibilidade, pois a argumentação tem um ponto de vista
explícito.
O ponto de vista existe, permeia toda narrativa dos fatos, mas nela jamais deve ser
revelado, pq na narrativa, o ponto de vista é implícito.

2. A narrativa, aparentemente informativa, encontra no interlocutor maior probabilidade


de atenção que a própria argumentação.
Ex: campanha política (propaganda política X notícia televisiva (aparentemente
independente)), o que convence mais ao leitor?
Assim, o efeito persuasivo da narrativa tem a vantagem de contar com a atenção do
interlocutor, mesmo sem grandes pretensões argumentativas.

Função da narrativa: a narrativa como função de persuasão, nos moldes acima, deve
ser valorizada pelo profissional do Direito. A coerência da narrativa representa um diferencial
que o argumentante deve adquirir, em decorrência da liberdade que têm na exposição dos
fatos e da novidade da narrativa, que desperta interesse dos leitores.

Quando um leitor inicia um romance ou quando um jurado ouve o relato de um crime,


quer, a princípio, uma orientação cronológica. Entretanto, antes de se estabelecer uma
progressão temporal, o enunciador deve escolher quais os fatos mais importantes, além de
agregar outros, menos importantes, apenas para realçar os primeiros.
Obs: a narrativa que muito informa desvaloriza a leitura.

Tipos de narrativa do discurso jurídico:


a) Fatos juridicamente relevantes: aqueles sobre os quais recai a conseqüência jurídica
direta (representa o cerne da argumentação).
b) Fatos que contribuem para a compreensão dos fatos juridicamente relevantes:
aqueles responsáveis pela criação do contexto do primeiro. Uma narrativa pra ser
minimamente entendida deve responder a sete questões: o que? Quem? Como?
Quando? Onde? Por que? Por isso... (conseqüentemente?).
c) Fatos que contribuem para a ênfase de outros mais importantes: são aqueles que
estabelecem circunstâncias com finalidade suasória, com vista a uma
argumentação.
d) Fatos que satisfazem a curiosidade do leitor ou despertam seu interesse: são
aqueles que contribuem para a progressão de um conflito no discurso narrativo, que
fazem com que o ouvinte anseio pelo seu desfecho, aumentando sua atenção. Estes
geralmente são adequados à narração literária.

Narração: há a consciente progressão de um conflito. (letra d)


Narrativa: pertence à ficção literária, desempenhando funções diversas para a
progressão do conflito, com também revelando o fluxo de pensamento do autor.

A classificação serve para evitar, na seleção dos fatos, a incoerência pelo agregamento
de informações irrelevantes. Então há uma cadeia de enunciação, pois os fatos no discurso
têm uma ordem cronológica, iniciando a narrativa pelo que ocorreu primeiro, este é a regra.
Excepcionalmente, pode-se escolher uma ordem não linear, subvertendo a ordem
cronológica. Porém, a subversão da ordem não intencional quebra a coerência.
A narrativa, no discurso judiciário representa uma premissa. Embora não vise
convencer, nos fatos que surgem os direcionamentos da argumentação, logo torna-se uma
oportunidade, pois em seu conteúdo há grande poder de persuasão, ao “informar” ao
interlocutor de que uma versão é provavelmente verdadeira ou verossímil.

A ilustração e o recurso da figuratividade:


A figuratividade é tendência nos discursos atuais. As crônicas que se lêem nos jornais
têm conteúdo argumentativo, pois defendem uma tese essencial, mas não dispensam uma
história figurativa, que inicia e termina o texto.
“Se é atraente ao interlocutor é eficiente o argumento”.

Não se pode defender a banalização do discurso. Ex: Mídia: notícias curtas ou imagens
substituindo palavras. Porém, o discurso jurídico é capaz de flexibilizar-se tanto em linguagem,
como na figuratividade.
Discussões jurídicas fechadas, prontas e acabadas são enfadonhas. A utilização de
pequenos trechos narrativos são capazes de tornar competente, atraente e adequado o
discurso jurídico, ainda que seja necessário OUSAR.
Ex: fotografia de cadáver trazida pelo MP: o que se pretende é tornar a vítima presente
(figuratividade), por isso a argumentação pode ser encarada como a arte de tornar os
elementos mais importantes presente na mente do leitor.
Não se trata apenas de imagens visuais ou textos inteligentes, mas de um recurso
lingüístico (uma citação literária, um toque de humor, uma foto), que são capazes de
aumentar a presença de determinado argumento e, assim, torná-lo preferível ao da parte
contrária.

Obs: não se combate a ilustração, por ser um recurso retórico que pode ceder diante de
argumentos mais sólidos. É um recurso didático, sem compromisso com a verdade ou com a
coerência lógica.

Responsabilidade Civil (a má atuação profissional e o ato responsável).


O advogado exerce função essencial à justiça, daí a sua grande responsabilidade no
desempenho de seu mister. Detém, ainda, imunidade judiciária, desde que suas
argumentações jurídicas guardem pertinência temática com a demanda.
A sua indispensabilidade para a administração da justiça não revogou todas as
hipóteses de dispensa da postulação direta pela parte.
Os serviços advocatícios são disciplinados pelo CDC, tendo este diploma consagrado à
responsabilidade subjetiva do causídico. Em regra, o advogado assume uma obrigação de
meio, impondo, entretanto, a utilização de todos os meios jurídicos viáveis para a proteção dos
direitos do seu contribuinte.
A má atuação do advogado deverá ser valorada concretamente, avaliando-se se
naquela situação seria exigível uma atuação diversa, pertinente aos padrões legais ou
jurisprudenciais aplicáveis.
O ensino jurídico e o exame da Ordem são fatores importantes para atestarem a
qualidade profissional, devendo ser utilizados corretamente, a fim de que a sociedade possa
estar bem representada juridicamente.
Ao lado das grandes prerrogativas conferidas ao advogado pelo ordenamento pátrio,
surge, na mesma medida, a sua responsabilidade jurídica perante o seu constituinte, que
anseia pela efetiva tutela de seus direitos. Para tanto, o advogado, no exercício do seu ofício,
tem o dever de agir com a máxima diligência na defesa e no resguardo dos interesses do seu
cliente, sob pena de responder civil, penal e eticamente pelos danos que lhe causar. (art. 133
CR).

Ora, não são raras as situações em que assistimos advogados perdendo prazos,
interpondo medida judicial em confronto com a lei ou jurisprudência, cometendo erros
grosseiros de direito ou de fato. Todas essas ações ou omissões (dolosa ou culposa) são
potencialmente capazes de causar um desequilíbrio jurídico-econômico ao cliente, impondo-se,
então, o dever de reparar o dano suportado pelo cliente.

Para responsabilizarmos civilmente o advogado, segundo o entendimento moderno e


majoritário, é verificável a presença dos seguintes elementos:
1. Ato ou omissão do advogado
2. Dano material ou moral
3. Nexo de causalidade entre o ato e o dano
4. Culpa do advogado
5. Imputação da responsabilidade civil ao advogado

Entretanto, a grandeza da advocacia exige, primeiramente, uma adequada habilitação


profissional; uma constante atualização; certos cuidados com ao contratar com determinados
clientes inescrupulosos, para não ser surpreendido em razão de informações omitidas ou
falseadas por seu cliente.

Ex: ofensa irrogada em juízo (contra o juiz). Art. 133 (inviolabilidade profissional) X
art. 5º, X – inviolabilidade da honra.

Responsabilidade contratual e extracontratual – de acordo com a qualidade da violação.


Nas duas há um dever jurídico pré-existente.
Quem infringe dever jurídico que resulte dano a outrem fica obrigado a indenizar. Se a
violação for de um dever gerado em negócio jurídico, há um ilícito contratual.

Responsabilidade Civil

Responsabilidade: contratual e extracontratual

Responsabilidades subjetiva: a) culpa provada


b) culpa presumida

objetiva: a) abuso do direito


b) atividade de risco
c) fato do produto
d) fato de outrem
e) fato da coisa
f) prestação de serviço público
g) relação de consumo

Obrigações na responsabilidade contratual a) obrigação de meio


b) obrigação de resultado
Culpa: violação do dever de cuidado.

Responsabilidade objetiva: não se prova o elemento culpa, ou seja, responde


independentemente de culpa, que pode existir, mas será irrelevante para configurar o dever
de indenizar. É indispensável à relação de causalidade, assim, exclui o dever de indenizar na
hipótese de caso fortuito, força maior, fato exclusivo da vítima ou de terceiro.

Responsabilidade subjetiva: prova-se a culpa (lato sensu - art. 186 CC). Elementos: conduta
culposa do agente, ou seja, ação ou omissão voluntária, negligência ou imperícia; nexo causal;
e o dano.

Presumida e provada: refere-se ao ônus da prova. Na provada cabe à vítima provar a culpa do
causador do dano; na presumida há a inversão do ônus probatório, deve-se provar que não
agiu com culpa. (juris tantum).

Fatos jurídicos: fatos naturais


(relevância jurídica)
fatos voluntários atos lícitos atos jurídicos
(conduta humana) negócios jurídicos

atos ilícitos civil


penal
administrativo

Na má atuação profissional, o advogado responde subjetivamente por seus atos quando


violadores do dever contratual.
Correntes: a) presunção de culpa
b) culpa provada (dolo ou culpa).

4ª Aula. Estrutura Lógica dos Argumentos.

Alguns tipos de argumentos, por constituem raciocínios comuns no Direito, fazem parte
do discurso judiciário.
Os raciocínios a contrario sensu, a fortiori e ad absurdum são corriqueiros no discurso
judiciário.

a) Contrário sensu (= de interpretação inversa): fundamentado sempre no princípio


da legalidade. É a invocação ao interlocutor de que, se a norma jurídica prescreve uma
conduta e a sua transgressão uma sanção (direta ou indireta) devem-se excluir de sua
incidência todos os sujeitos que não sejam alvo literal daquele preceito.
Ex: É lícita a prisão cautelar quando houver indícios de autoria, assim, na interpretação
inversa, a ausência desses indícios torna a prisão cautelar ilegal.

Os menores de 18 anos são inimputáveis (art. 27 do CP).


Ora, Paulo é maior de 18 anos
Logo, Paulo é imputável.

Errado! Pois os doentes mentais também são inimputáveis. Este entendimento chama-
se reducionismo e conduz à falácia, devendo ser evitado.

b) Ad absurdum: tende a mostrar a falsidade. É procurar no discurso argumentativo


um dado não verdadeiro que tenha permitido o desvio no raciocínio.
Demonstrar o absurdo de um texto restabelecendo a verdade que nele deva estar
contida. Para isso, apresenta-se o sentido correto. Trata-se de uma argumentação indireta e
tem por fundamento lógico o fato de que duas idéias contraditórias não podem ser verdadeiras
e falsas ao mesmo tempo.
É também um argumento de fuga, muito comum no discurso político atual.
Elevar ao ridículo é parte do argumento ad absurdum. Ex: fábula dos dois leões
(funcionário público).
Com humor, a argumentação ultrapassa o que seria o teor meramente expositivo para
alcançar o resultado suasório. No discurso judiciário, o papel do humor é bastante discutível.
Se mal colocado, o ridicularizador torna-se ridículo.

c) Argumento a coherentia. Aparentemente duas normas jurídicas regulam o mesmo


fato. No caso de brechas na lei, quando se trata de coerência, devem-se procurar falhas na
enunciação do conjunto normativo.
A lei não é um dogma inatingível, a decisão judicial também é a aplicação do Direito (o
Direito posto), a lei é uma diretriz dogmática, sujeita à construção argumentativa.
Ex: Creonte e Antígona. A lei não foi feita para ser desobedecida, mas deve ser
analisada a coherencia, por isso o dever de fundamentação e a possibilidade de argumentação.

d) Argumento a fortiori = com maior razão. Impõe a distinção entre norma proibitiva
e permissiva.
Ex. Contrato rubricado por duas testemunhas não tem força executiva, então, com
maior razão, um contrato sem assinatura de duas testemunhas também não é exeqüível.
Outro ex: “Quem pode mais pode menos”: se a lei concede um benefício a uma infração
mais grave, como a lesão corporal; com maior razão, deve conceder o mesmo benefício a uma
infração menos grave, como as vias de fato.

e) Argumento de Córax. Procura demonstrar que, a ausência de lacuna,


paradoxalmente causa a imperfeição da argumentação.
A perfeição é alvo de crítica, pois o córax fundamenta-se na vaidade e na ganância
humana, tão complexa e impenetrável que sempre representa material argumentativo amplo.
Então, quando existe simulação ou mentira, há a perfeição simulada.

Conta-se que, na Sicília, no início da codificação da retórica, havia um professor


chamado Córax, que começou a cobrar por suas lições. Ele teve um discípulo de nome Tísias,
a quem aceitou ensinar suas técnicas de persuasão e ser pago de acordo com os resultados
obtidos pelo aluno, quando passasse a atuar diante dos tribunais.
O que combinaram foi que, quando Tísias defendesse o primeiro cliente, pagaria ao
mestre se ganhasse o processo, e não lhe pagaria nada se o perdesse.
Logo depois de terminar seus estudos, Tísias entrou com um processo contra o seu
professor, dizendo que não lhe devia nada. Ele poderia perder ou ganhar esse que era o seu
primeiro processo. Dizia que se perdesse, isto é, se o tribunal determinasse que ele pagasse
as lições de Córax, não precisaria pagar nada, porque, em virtude do acordo entre eles, se
perdesse o primeiro processo, não necessitaria remunerar o trabalho do professor. Se
ganhasse, não deveria pagar nada ao mestre, em razão da sentença.
Córax, em sua defesa, disse que se Tísias perdesse ou ganhasse o processo deveria
pagar. Pois, se o tribunal determinasse o não pagamento, ele ganharia a causa então deveria
pagar em razão do acordo entre eles. E se o tribunal decretasse o pagamento, teria perdido a
demanda, mas deveria pagar em obediência ao veredicto judicial.
Conta-se que os juízes puseram os dois para fora do tribunal a bastonadas.

A estória acima ilustra a tese da antifonia: toda verdade constituída de um discurso


pode ser desconstruída por um contradiscurso; tudo que é feito por palavras pode ser desfeito
por palavras.
No exemplo acima, trata-se de um conflito entre obrigações. A antifonia é a colocação
de dois discursos em oposição, cada um produzido por um ponto de vista distinto, cada um
projetando uma realidade específica.
Ainda é a base da justiça, do contraditório.

Ex. nos dias atuais: o caseiro Francenildo Costa desmentiu o então Ministro da Fazenda,
Antônio Palloci, que afirmara que não freqüentara uma casa de prazeres. Imediatamente,
foram vazadas informações sobre as contas bancárias do caseiro. É provável que o Governo
tenha quebrado clandestinamente o sigilo bancário, para colocar em dúvida a honestidade de
suas afirmações.
No entanto, em virtude da probabilidade, as suspeitas recaíram sobre o Governo, que
deverá suportar o ônus de provar, que não o fez. Porém, a alegação foi de que um
simpatizante o fez involuntariamente, o que retratou uma probabilidade de segundo nível.

f) Argumento ad hominem = dirigido aos homens. Critica mais a pessoa, do que


argumenta. São ataques pessoais à parte contrária, como um insulto, que visa afastar a
verdadeira discussão.

O argumento jurídico e o senso comum.

a) O senso comum é aquele que se aproveita de uma afirmação que goza de consenso
geral, goza de conhecimento amplo e genérico, sem lastro científico aprofundado.
A vantagem do argumento baseado no senso comum é a qualidade que ele tem de ser
incontestável. Embora não admita contraditório, tal fato é compensado por sua pouca força
argumentativa.
Ex: campanhas políticas, quem ousaria contestar os problemas sociais apontados nas
campanhas.
Mas, o senso comum é apenas um contato, entre a mera exaltação e o discurso
dialético (de persuasão).
Ex: o consumidor deve escolher o melhor produto, logo, deve comprar nas Casas Bahia.
É do senso comum que o consumidor deve escolher o melhor, mas a campanha reforça e
persuade.
Ex: pedir justiça no final da petição. É redundante, quer convencer o interlocutor
daquilo que faz parte de sua convicção, de que é justo.

b) O argumento de fuga: tática argumentativa para desviar a discussão do que é mais


importante, que não é o cerne da questão.
Em defesa, o defensor traz questões que, embora não pertinentes, tem valor na
discussão. Ex: pessoa idônea, idosa, nunca cometeu ato ilícito, sem mácula em sua vida
pessoal ou profissional.
O argumento de fuga é lícito na argumentação, desde que o tema desenvolvido pareça
ao interlocutor pertinente à argumentação.

A linguagem e o argumento. Quando a linguagem é argumento?


Para que exista argumentação efetiva é necessário que alguém se disponha a discursar,
mas conseguir atenção do interlocutor não é algo fácil, vide os publicitários.

Técnicas para o orador: roupa apresentável, gestos firmes e adequados, entonação da


voz;
Técnicas para o redator: a linguagem. Quando alguém lê, primeiro repara na forma,
após o conteúdo e depois continua considerando a forma pela absorção da linguagem. O
homem admira o belo, mas a linguagem se transforma em argumento, na medida em que
importa na persuasão/adesão do leitor. Então, há um argumento lingüístico.

- A palavra: todo discurso é feito de palavras e estas informam o conhecimento.


- Conteúdo e forma: o argumento de competência lingüística é aquele em que o conteúdo e a
forma se misturam para levar a persuasão. Assim, a boa escolha das palavras também é um
tipo de argumento.

Os operadores do Direito valorizam a forma, já a discussão política, embora dispensem


a forma, será pela lingüística que realça o discurso. Por isso é difícil dissociar a forma e o
conteúdo da argumentação.
Desta forma, a argumentação contundente é aquela construída de bons raciocínios bem
externados.
A linguagem adequada: quando construímos um discurso jurídico devemos selecionar
palavras adequadas para exteriorizar as idéias e os argumentos.
O vocabulário, em português, assume variantes externas, dependendo de quem se
pretende atingir.
No contexto jurídico predomina a linguagem culta, de modo que ela é a única que, em
regra, tem o valor de argumento de competência lingüística.

A linguagem técnica, o jargão e os brocardos jurídicos.


Conhecer a linguagem que deve ser utilizada em determinado discurso é bom em
argumentação, na medida que o interlocutor sempre presume que aquele que tem a melhor
linguagem, ou seja, que melhor enuncia, conhece a matéria sobre a qual disserta.
Trata-se de uma presunção que já constitui um argumento de competência lingüística e
é baseada na observação do real, ou seja, não se compra um livro pela capa, mas depreende-
se que se o livro é mais bem encadernado (mais caro) foi porque a editora investiu em um
bom autor.

O vocabulário técnico-jurídico é, no discurso judiciário, o mais importante a ser


dominado. Se bem articulado traz a presunção de bom conteúdo, mas o JARGÃO JURÍDICO (a
gíria profissional), não constitui argumento de competência lingüística, por ser constituído de
palavras que na possuem nenhum arcabouço técnico, e sim um meio específico de os
profissionais de determinada área se expressarem.

Diferentemente, a linguagem jurídica, como argumento que faz presumir o


conhecimento da matéria, não é um jargão jurídico, mas uma linguagem técnica. Trata-se de
uma linguagem que nasce da teoria, que tem o arcabouço teórico aprofundado, pois invoca,
dede logo, um conceito científico cheio de sentido.
Linguagem técnica é aquela que tem sentido científico. O erro é utilizar jargões como se
fosse linguagem técnica, pois o uso de jargões torna o texto pouco coeso e atécnico.

Comuns também os preciosismos jurídicos como o arcadismo, que são palavras difíceis,
que não significam competência lingüística e podem quebrar a coerência do discurso.
Para configurar a competência lingüística, a linguagem deve ser precisa, direta, culta e
clara. Assim, para usar um termo raro, deve-se ter sustentabilidade na enunciação, ou seja,
estar inserido em um contexto adequado.

O que determina a eficiência e o estilo do texto não é o emprego de palavras raras, e


sim a seleção de termos claros e precisos para enunciar a idéia que se quer transmitir ao
interlocutor. Ademais, o uso da linguagem corrente implica em flexibilização.

Brocardos jurídicos (termos jurídicos) e expressões latinas. Qual o seu


contexto na argumentação?
Ex: prova da OAB que exigia o uso de três expressões latinas (data vênia, ex positis,
rebus sic standibus). São expressões genéricas para cumprir a proposta da prova, sem
finalidade. Este erro se repete no cotidiano jurídico: peças e sentenças permeadas de
expressões latinas, que nada acrescentam e, ainda, tiram a objetividade da linguagem.

Funções das expressões latinas na argumentação:


1. Demonstrar competência lingüística, com efeito, persuasivo de mostrar o domínio da
matéria e a autoridade na enunciação da tese.
2. Revelar que determinado princípio é tão antigo e amplamente aceito que deve ser
interpretado como senso comum.
3. os brocardos (expressões carregadas de sentido) revelam princípios amplamente
aceitos.

Honestidade na argumentação: não existe nada pior do que o interlocutor notar que
o argumentante está mentindo ou tentando induzi-lo a erro.
Não se mede a honestidade da argumentação peal causa que se defende, ela passa a
ser desonesta quando tende a falácia, ao erro; o que prejudica a verossimilhança, desviando o
percurso argumentativo da razoabilidade lógica, então o argumento será falho.

Falha/falácias:
1. Preconceito e generalização. Ex: nas favelas só têm criminosos.
2. Reducionismo: esquecimento de causas diversas, para a argumentação, retirando
elementos importantes; ou deixar de responder a questões pertinentes.
3. Atingir a pessoa do argumentante.
4. Apelar para a piedade.
Ex: o réu alega em sua defesa que é pobre e nunca se envolveu com crimes, pois se o
fizesse teria melhores condições econômicas. Porém, contratou um advogado renomado e de
honorários elevados, logo, o reducionismo tornará a conclusão inadequada e o discurso ficará
assim:

Um bom advogado é caro


O réu contratou um bom advogado
Logo o réu tem dinheiro

O réu é pobre
Ora, honestamente, o réu tem dinheiro para contratar um renomado advogado.
Logo, o réu é criminoso.

Proposições desvirtuadas fazem com que a argumentação seja falha logicamente. A


honestidade na argumentação passa pela construção do discurso apto a conduzir uma
conclusão aceitável e também é aquela que não foge à defesa de uma tese clara.
No discurso judiciário não há espaço para ambigüidades ou dissimulações – a falta de
clareza e objetividade afasta o interlocutor.
A fuga à verossimilhança ofende ao leitor, quebra de coerência do texto e põe fim a
capacidade de convencimento.

Ordem dos argumentos: depende da coerência preestabelecida pelo discursante, dos


momentos de ênfase que pretende estabelecer, da coerência, do ritmo do texto e de sua
estrutura lógica.
Ex: o avião passa maior parte do tempo na decolagem e no pouso, então, sustentações
que iniciam com longas saudações, nada realçam o começo efetivo da argumentação.

Não há outra maneira de alcançar bons argumentos sem o estudo e o conhecimento da


matéria principal; o que depende do acúmulo do conhecimento, que é lento e gradual. Estas
são as duas fases da consecução dos argumentos.

Para o argumentante não há leitura que seja desperdiçada, pois com o acúmulo de
leitura que se complementa as lacunas da argumentação.

A informação é argumento, na medida em que colabora para a tomada de decisões e,


não apenas quando é matéria teórica relacionada ao tema sobre o qual disserta.

A melhor dica: seja interessante, não diga tudo o que sabe, mas apenas o que os
ouvintes devem saber.

Discurso oral: tem estilos próprios, atinentes ao estudo da oratória. Há peculiaridades


como a imagem em evidência, observação constante e requer mais cuidado.
Discurso escrito: não deixar de consultar às técnicas de redação.

Premissas: quem vai ler o que está escrito? Coesão textual (ligação entre as palavras).
Evitar ambigüidades e contradições; atenção à gramática.
Dicas de construção textual:
a) Procure colocar a idéia principal do período como oração principal.
b) Evite inversões dos termos da oração.
c) Evite ecos na escrita, quem rima é o poeta.
d) Evite o excesso de informações em um só período (períodos longos).
e) Podem-se construir frases mais longas quando o assunto é fácil e mais curto quando
o assunto for difícil, para não haver esforço do leitor.

Segredo final: a humildade.


Para imprimir sentido a seu discurso, o interlocutor tem uma série de fatores externos,
o currículo de quem argumenta, a aparência, as citações formuladas, histórico, voz,
segurança, entre outros. Mas, deve ser humilde em saber que o centro das atenções no
discurso é o ouvinte.
Quem estuda argumentação para demonstrar que sabe bem argumentar está a um
passo de construir um discurso nada persuasivo.

Argumentar significa a transformação das capacidades pessoais (o trato com a


linguagem, erudição, raciocínio, conhecimento jurídico), que atraiam o interlocutor (o
auditório).
O operador do Direito, como profissional da comunicação, age como escritor, como
publicitário, como vendedor, ou seja, sempre com vista no auditório.

Finalizando, o criativo é diferente e é instinto natural a repulsa ao diferente, pq gera


insegurança. Porém, a criatividade na argumentação jurídica repousa na ousadia e fomentam a
discussão.
Ex: Clarice Lispector, que começa o seu texto com uma vírgula.

Observações em um texto dissertativo:

1. Não fugir ao tema proposto.


A fuga ocorre quando o tema se aproxima de outro tema semelhante, geralmente
quando o escritor não domina o conteúdo. É uma forma de burlar a questão.

2. Evite gírias e palavrões.


A petição é uma escrita científica, logo se devem respeitar os padrões lingüísticos da
norma culta. A gíria se refere à linguagem oral, caso tenha que usá-la, coloca-se entre aspas
(“).

3. Atenção a gramática, principalmente a pontuação.


O tropeço no idioma corresponde a não dominá-lo, logo perde no argumento lingüístico.

4. Cuidado com a concordância.


Principalmente a concordância verbal, sempre atenta ao núcleo do sujeito.

5. Evite repetições de palavras.


A repetição prejudica a fluência do texto, sua concisão e compreensão.

6. Procure não elaborar períodos longos.


Períodos gramaticais extensos prejudicam a compreensão do leitor. Não se empolgue,
querendo dar ênfase.

7. Evite abreviações.

8. Não fazer uso da primeira pessoa, seja do singular ou do plural, para não se incluir
na discussão.
Usa-se a terceira pessoa porque a petição exige um distanciamento, por ser um texto
argumentativo, onde se trabalha uma tese.

9. Ponto final e pronto.


Não se deve usar: fim, justiça ou epígrafe (esta fica entre o título e a introdução do
texto, com a finalidade de preparar para a leitura).

10. Distribuir as idéias nos parágrafos.

Coesão e coerência textuais


1. Coesão: a coesão não nos revela a significação do texto, e sim a construção do texto
enquanto edifício semântico. (M. Halliday)
A metáfora acima representa o que é coesão, assim como as partes que compõe o
edifício devem estar bem conectadas, as partes de uma frase devem se apresentar bem
conectadas para que o texto cumpra sua função primordial, que é ligar o emissor ao receptor.
Assim, coesão é o entrelaçamento entre declarações e sentenças.
Ex: procurei Túlio, mas (estabelece a oposição entre as duas orações) ele (o pronome
retoma o substantivo Túlio) havia partido.

Tipos de coesão:
a) Coesão léxica: é obtida pelas relações de sinônimos ou quase sinônimos,
hiperônimos, nomes genéricos e formas elididas.
b) Coesão gramatical: é conseguida a partir do emprego adequado dos pronomes,
adjetivos, pronomes substantivos, pronomes pessoais de terceira pessoa, elipse,
determinados advérbios e expressões adverbiais, conjunções e numerais.

A ruptura da coesão:
- Voluntárias: inserção de um comentário, intervenção do narrador. Ex: gostaria de
dizer – não sei se devo – que ele nunca agiu bem como amigo; ou anacolutos (ruptura da
coesão sintática). Ex: não sei, crio que ele não chegará.
- Involuntárias (= erro): frases inacabadas, ambigüidades em relação ao antecedente
do pronome, erros de concordância, etc. Ex: entre a cadeira e a mesa, creio que ela gostaria
mais dela.
2. Coerência textual: é a não-contradição de sentidos entre as passagens do texto, na
existência da continuidade semântica, possibilitando a atribuição de sentido ao texto,
assegurando um princípio, um meio, um fim e uma adequação da linguagem de acordo com o
tipo de texto.
A coesão auxilia no estabelecimento da coerência, entretanto, não é algo necessário.

É importante observar que para se obter coerência, deve-se empregar com propriedade
as partículas de transição e palavras de referência.
- Partículas de transição: são os conectivos: preposições, conjunções e pronomes
relativos.
- Palavras de referência: são os pronomes em geral, os advérbios, as locuções
adverbiais e, até mesmo, orações e períodos.

Principais conectivos:
- Adição: e, nem, mas, também, como também;
- Adversidade: mas, também, todavia, conduto, entretanto, no entanto.
-Alternância: ora...ora, quer...quer, ou (repetido ou não).
- Conclusão: logo, portanto, por conseguinte, pois (após o verbo).
- Causa: já que, visto que, uma vez que.
- Concessão: embora, conquanto, ainda que, ainda quando.
- Comparação: como, mais...que, tanto...quanto.
- Condição: se, caso, contanto que, desde que.
- Conformidade: conforme, segundo, consoante, como.
- Conseqüência: que (precedido de tal, tão, tanto e tamanho).
- Explicação: porque, que, porquanto, pois (antes do verbo).
- Finalidade: a fim de que, para que...
- Proporção: à proporção que, à medida que...
- Tempo: quando, enquanto, logo que, assim que, desde que...

Há na língua, operadores que conduzem a uma conclusão relativa a argumentos de


enunciados anteriores, tais como os conectivos. Observe a força diferenciada dos operadores:
Todo aquele que mata em legítima defesa não deve ser condenado
Ora, João agiu em legítima defesa.
Logo, João não deve ser condenado.

No silogismo acima, o par de operadores “ora...logo” conduz a uma tese: a chegada a


uma conclusão é linear e não admite negociações.

Todo aquele que mata em legítima defesa não deve ser condenado
Se João agiu em legítima defesa.
Então João não deve se condenado.

Nesse silogismo reside uma fragilidade de convicção do argumentador.

Em termos de estratégia argumentativa, porém, o par: “ser...então” pode produzir


excelentes resultados, especialmente quando o argumentante tem convicção e finge que tem
dúvidas. Ele finge abrir mão da atividade de construção da tese, desarmando o interlocutor e
ampliando as possibilidades de adesão.

Retórica

Conceito: técnica, ou conjunto de técnicas, que visa convencer alguém sobre alguma
coisa. Próvém do grego fhetoriké que significa “arte da oratória” ou “ato de falar” – o
discurso.

Alheio as verdades absolutas, esse trabalho de persuasão tem pilastras em opiniões,


cenças, valores e ideologias, sendo útil nas mais diferentes áreas, da política à publicidade.
Aristóteles divide os raciocínios em:
a) Necessários: aqueles cuja conclusão decorre necessariamente das premissas
colocadas, ou seja, sendo verdadeiros os princípios, a conclusão não pode não ser válida. As
premissas são as proposições, as idéias das quais se parte para chegar a uma conclusão.
Ex: o silogismo demonstrativo:
Todos os metais são bons condutores de eletricidade
Ora, o mercúrio é um metal.
Logo, o mercúrio é um bom condutor de eletricidade.

No exemplo, a conclusão não depende de valores, da visão do mundo, de posição


religiosa, de sentimentos.
São estudados pela Lógica.

b) Preferíveis: aqueles cuja conclusão e possível ou provável, mas não é


necessariamente verdadeira, porque as premissas sobre as quais ela se assenta não são
logicamente verdadeiras.
Ex: o silogismo dialético ou retórico.
Todo filho ama a mãe.
Ora, Pedro é filho.
Logo, Pedro ama a mãe.

Nesse caso é possível ou é provável que Pedro ame sua mas não é logicamente
verdadeiro. A admissão das premissas depende de valoração.
Os raciocínios preferíveis são estudados pela Retórica e destinam-se a persuadir alguém
de que sua tese deve ser aceita, porque é a mais adequada, mais provável, mais verossímil.
Ex: aborto deve ser crime? Parceria civil de pessoas do mesmo sexo?

A persuasão se divide:
- Convencimento: argumenta-se para se chegar a probabilidade da tese.
- Comoção: a persuasão é feita insuflando o estado de espírito do destinatário, suas
paixões, seus preconceitos.
A CONSTRUÇÃO DO FUTURO

Em um debate, em Brasília, foi perguntado aos líderes de meninos de rua se


acreditavam que um dia o Brasil não teria mais uma única criança abandonada, e c
isto poderia ser conseguido. Na hora, alguém respondeu: “basta dar emprego a no
pais”.
Uma solução tão simples e perfeita que provocou o silêncio e a pergunta
todos: por que isso não seria feito?
Primeiro, porque a propriedade da terra teria de ser subordinada aos intere
da maioria de trabalhadores rurais, que ficaria no campo, que alimentaria
famílias, que evitaria abandonar seus filhos nas ruas das cidades. Isso não foi feito
proprietários de terra, os governos do país preferiram que a terra servisse pa
especulação, para a produção voltada à exportação. Criaram um sistema de incenti
subsídios, manipulações, mortes, e, ao longo de décadas, expulsaram os milhõe
pais das crianças abandonadas nas cidades.
Segundo, porque as opções de investimentos deveriam produzir os bens
atenderiam às necessidades da maioria, subordinando as técnicas e o aumento
produtividade ao emprego dos trabalhadores. Mas os empresários e os gove
preferiram outro caminho. Em vez de produtos de que a maioria necessit
substituíram as importações por produtos que ricos importavam; substituíram a m
de-obra por máquinas desenhadas para países com outras características.
Terceiro, porque em vez de investimentos na área social, que abolissem
doenças endêmicas, que educassem todos os habitantes, os governos optaram
implantação da infra-estrutura econômica, das rodovias que viabilizam a indústri
automóveis, das hidroelétricas que viabilizam indústrias de alumínio.
As crianças não foram abandonadas, o abandono foi construído.
A reversão dessa situação não ocorrerá através de investimentos, mas de
nova ética, e da redefinição dos propósitos nacionais. Não se trata de investir para
as indústrias que demitiram agora criem emprego. Se na década de 70 o Brasil cre
e o abandono de crianças aumentou, o fim da tragédia não será a conseqüência d
da economia. Mas de um novo tipo de crescimento, em que a economia
subordinada a objetivos sociais, entre os quais, o fim da tragédia social, do aband
de crianças, da miséria.
Só a subordinação da economia a uma ética social dará racionalidad
prioridade dos investimentos sociais sobre os industriais, à produção voltada pa
consumo das massas nacionais sobre a exportação para mercados internacionais.
O Brasil tem 31 milhões de crianças; destas, apenas três milhões terminarã
curso secundário.
Bibliografia Básica: É uma forma de abandono disfarçado, mesmo daquelas que
dormem na rua. Um programa educacional para todas estas crianças não se fará
lógica do crescimento econômico, mas sim usando um crescimento econômico
seja subordinado e compatível com a educação.
ATIENZA, Manuel. Razões do Direito: teorias da argumentação jurídica. 3 ed. São Paulo:
Lancy, 2003.

BASTOS, Celso Ribeiro. Hermenêutica e interpretação constitucional. São Paulo: Saraiva,


1988.

BOAVENTURA, Souza Santos. Discurso e poder: ensaio sobre a sociologia da retórica jurídica.
Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris Editoras, 1988.

BOBBIO, Norberto. O positivismo jurídico: lições de filosofia do direito. São Paulo: Ícone, 1995.

CHAIM, Perelmal. Lógica jurídica. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

GOLDENBERG, Miriam. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências


sociais. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 1997.

LARENZ, Karl. Metodologia da ciência do Direito. Lisboa: Calouste GulbeNkian, 1989.

RODRÍGUES, Victor Gabriel. Argumentação Jurídica: técnicas de persuasão e lógica informal.


São Paulo: Martins Fontes, 2005.

VOESE, Ingo. Argumentação Jurídica. 2ª ed. Curitiba: Juruá, 2006.