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EXMO. (A) SR. (A) DR.

(A) JUIZ (A) DA VARA FEDERAL DO TRABALHO


DA COMARCA DE ...

... (nome completo em negrito do reclamante), ... (nacionalidade), ...


(estado civil), ... (profissão), portador do CPF/MF nº ..., com Documento de
Identidade de n° ..., residente e domiciliado na Rua ..., n. ..., ... (bairro), CEP:
..., ... (Município – UF), por sua procuradora abaixo assinada (m. Junto), com
escritório profissional na cidade de Imperatriz-MA, na Rua Cel. Manoel
Bandeira, n.º 1703, Centro, local onde receberá as notificações de estilo, vem
a respeitável presença de Vossa Excelência, com fundamento jurídico nos
arts. 7.º, inc. XXIX da Constituição Federal, e 837 a 842 da Consolidação das
Leis do Trabalho, apresentar

RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

Em face de, _______________, pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CGC sob o n.º ..., situado na cidade ..., consubstanciada
nas razões fáticas e jurídicas a seguir aduzidas:

Dos fatos

Do contrato de trabalho e rescisão

O reclamante foi admitido pela reclamada em 01/01/1999, para desempenhar


a função de estoquista. Entretanto, em total descumprimento ao
art. 29 da CLT, a reclamada nunca anotou a CTPS do mesmo. Sendo demitido
sem justa causa em 04/04/2000, não recebendo as verbas decorrentes de tal
decisão arbitrária do empregador.

Da remuneração
A maior remuneração mensal do reclamante foi de R$ 90,00 (noventa reais),
mais uma vez a reclamada feriu brutalmente a Legislação. A Constituição
Federal (art. 7.º, inc. IV) veda o pagamento de salário inferior ao mínimo
legal. Destarte, a reclamada deve ser condenado a pagar ao reclamante a
diferença salarial, durante toda a vigência do pacto laboral.

Do aviso prévio

O reclamante não foi avisado de sua demissão conforme exigido pela


legislação: 30 dias de antecedência (CF, art. 7o, inc. XXI) e redução da
jornada laboral em duas horas diárias ou sete dias corridos (CLT, art. 488).
Destarte, a reclamada não cumpriu a determinação legal, pelo que deve ser
condenada ao pagamento do aviso prévio (CLT, art. 487, § 1o).

Da multa do § 8o do art. 477

A reclamada comunicou ao reclamante que este não mais precisaria trabalhar


para a mesma, sem qualquer justificativa e sem pagar qualquer verba
trabalhista.

A atitude da reclamada, amolda-se àquela prevista no art. 477, § 8o, da CLT,


ou seja, a empresa dispensou o reclamante do cumprimento do aviso prévio,
pelo que deveria ter pago as verbas rescisórias da mesmo até o décimo dia,
contados da data do aviso em tela, como entabulado no § 6o, letra b do
art. 477.

Vejamos o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho:

“Multa - rescisão contratual - aviso prévio em casa - Art. 477 da CLT. A figura
do ‘aviso prévio em casa’, sem nenhum esclarecimento adicional, equivale à
situação de ‘aviso prévio indenizado’ ou à de ‘dispensa do aviso prévio’, por
não prever a obrigação do empregado de comparecer para prestar serviço.
Assim sendo, enquadra-se a hipótese no art. 477, § 6o, letra ‘b’, da CLT,
sendo devida a multa prevista no § 8o. Recurso de revista desprovido. (Ac da
3a T do TST - mv, no mérito - RR 117.803/94.1 - 2a T - Rel. Min. Manoel
Mendes de Freitas - j 03.05.95 - Rcte. Pepsico e Cia.; Rcdo. Massao Matumoto
- DJU 02.06.95, p 16.527 - ementa oficial)”. (In Repertório de Jurisprudência -
IOB, 1a quinzena de julho de 1995 - no 13/95, texto 2/10246).

“Multa. Dispensa de cumprimento do aviso prévio - O direito ao trabalho não


pode ser obviado pelo empregador, quando não mais se interesse pela
continuidade do contrato. Notificando o empregado da dispensa e mantendo-o
afastado do local de trabalho durante o prazo do aviso prévio, viola o
empregador o direito ao trabalho e esse ato equivale à despedida sumária, de
que decorre o dever de pagar os títulos resilitórios no decêndio seguinte à
dação do aviso.” (Ac da 6a T do TRT da 2a R - mv - RO 02940100696 - Rel.
Designado juiz Luiz Carlos Gomes Godói - j 19.09.95 - Recte. Argamassa
quartzolit Ltda,; Recdo.; Lázaro Donizete Barbosa - DJ SP II 18.10.95, p 43 -
ementa oficial)”. (In Repertório de Jurisprudência - IOB, 2a quinzena de
novembro de 1995 - texto 2/10661).

Da jornada laboral

O reclamante trabalhava das 7:30 às 20:00 horas com uma hora e meia de
intervalo, de segunda a sábado, e aos domingos laborava das 7:30 às 13:00
horas sem intervalo. O reclamante só tinha direito a duas folga por mês, aos
domingos.

A Constituição Federal, em seu art. 7.º, inc. XIII, determina a duração do


trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro
semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada,
mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. O mesmo artigo no inciso
XV, determina o repouso semanal remunerado, preferencialmente aos
domingos.

Destarte, o reclamante perfazia durante todo o pacto laboral o total de 1003


horas, conforme demonstrado na planilha em anexo (doc. Junto).

Dos deveres legais

A reclamada não cumpria as obrigações entabuladas por lei, tais como


depósito do FGTS, registro do empregado junto ao INSS, cadastramento junto
ao PIS, pagamento de férias e 13o. Salário.

Do FGTS + multa de 40%

A reclamada demitiu o reclamante sem justa causa, destarte a obrigação de


pagar a multa de 40% sobre o valor referente ao FGTS, como entabulado na
legislação vigente. Desta forma deve ser obrigada a pagar a referida
imposição.

Do 13.º salário
A reclamada, não pagou ao reclamante as verbas relativas à gratificação
natalina, como vislumbrado pelo art. 7.º, VIII da Constituição Federal,
devendo se compelido ao pagamento dos valores, por ocasião da condenação.

Das férias

Durante todo o pacto laboral, o reclamante não gozou nem recebeu férias. A
atitude da reclamada afrontou o art. 7o, inc. XVII, da Constituição Federal de
1988, bem como o art. 129 da Consolidação das Leis do Trabalho, o que atrai
a nulidade estipulada pelo art. 9o da CLT, pois o período destinado à
recomposição do desgaste físico e mental do trabalhador constitui direito
irrenunciável e tampouco transacionável. Destarte, a reclamada deve ser
condenada ao pagamento das férias e a dobra sobre as férias, visto que não
concedeu férias ao reclamante.

Do seguro-desemprego

O reclamante não teve a sua CTPS assinada pela reclamada, assim como não
recebeu o comunicado de dispensa, o que o impediu de pleitear o seguro-
desemprego. Destarte, a reclamada é obrigada a indenizá-lo com o
pagamento das cotas do seguro-desemprego a que tem direito.

A Lei no 8.900/94, em seu art. 2o, estipula o seguinte número de parcelas: a)


3 parcelas para quem trabalhou de 6 a 12 meses; b) 4 parcelas para quem
trabalhou de 12 a 23 meses; c) 5 parcelas para quem trabalhou no mínimo 24
meses. Assim, considerando que o vínculo empregatício em tela durou 15
meses (considerando o período do aviso - CLT, art. 487, § 1o), a reclamada
deve indenizar ao reclamante com o pagamento de quatro cotas.

O entendimento jurisprudencial é pacífico quanto a este assunto. Vejamos:

“Indenização. Imotivada a despedida, a não entrega da guia de seguro-


desemprego acarreta a obrigatoriedade do pagamento de indenização
equivalente” (TRT-PE, RO 7.377/92, Gilberto Gueiros Leite).

E mais, verifica-se que o fornecimento das guias para o recebimento do


seguro-desemprego quando do trânsito em julgado da sentença,
impossibilitaria o recebimento do benefício em tela junto à Caixa Econômica
Federal, pois o empregado poderá, quiçá, já estar trabalhando. As respectivas
guias deveriam ter sido entregues ao reclamante quando da demissão.
Dos pedidos

DIANTE DO EXPOSTO, requer:

a)Seja concedido o benefício da Assistência Judiciária Gratuita, visto que o


mesmo não possui condições de pagar as custas processuais e honorários
advocatícios (Leis 1.060/50 e 5.584/70);

b)Diferença salarial referente a todo o período laborado, (CF, art. 7o,


incs. IVe V)...;

c)Aviso prévio (CF, art. 7o, inc. XXI)...;

d)Multa do art. 477, § 8o da CLT...;

e)1003 horas extras, acrescidas de 50%, durante o período laboral...;

f)Reflexo das horas extras sobre: aviso prévio; 13o salário; férias e FGTS
(+40%)...;

g)FGTS referente a todo o período laboral, (CF, art. 7o, inc. III)...

h)Multa de 40% sobre o FGTS, (CF, art. 7o, inc. I, c/c ADCT, art. 10, inc. I)...;

i)13o salário referente a 01/01/99 a 31/12/99 (CF, art. 7o, inc. VIII)...;

j)13o salário proporcional (3/12) referente a 01/01/00 a 04/04/00 (CF,


art. 7o, inc. VIII),,,,,,,,...,;

k)Férias proporcionais (3/12), acrescidas de 1/3, referente ao período de


01/01/000 a 04/04/2000 (CF, art. 7o, inc. XVII)...;

l)Férias, acrescidas de 1/3, ref. Ao período aquisitivo de 01/01/99 a 31/01/99


(CF, art. 7o, inc. XVII)...;

m)Indenização correspondente ao seguro-desemprego 04 parcelas (CF,


art. 7o, inc. II)...;

n)Descanso semanal remunerado e feriados trabalhados, em dobro (CF,


art. 7o, inc. V)... R$...;

o)Reflexo do descanso semanal remunerado e feriados sobre: aviso prévio;


13o salário; férias e FGTS (+40%)...;

p)Pagamento em dobro das verbas incontroversas, caso não sejam pagas


quando da audiência preambular (CLT, art. 467);

q)Sejam efetuadas as anotações de estilo na CTPS do reclamante: registro do


contrato de trabalho e anotação referente ao labor (CLT, art. 29).
Requer ainda, seja recebida a presente reclamatória, determinando dia, hora
e local para a realização da audiência, com a regular notificação da
reclamada, no endereço supra mencionado para, querendo, comparecer à
audiência e apresentar defesa, sob pena de revelia, o que implicará em aceitar
como verdadeiros todos os fatos ora articulados, cominando com o
julgamento pela procedência da ação condenando a reclamada nos pleitos
acima e em honorários advocatícios de 15% sobre o valor total da
condenação, além das cominações de praxe.

Finalmente, protesta por todos os meios de provas admitidos em direito, e em


especial, pelo depoimento pessoal da reclamada, através de seu
representante legal, sob pena de confissão e testemunhas do reclamante que
comparecerão à audiência independentemente de intimação.

Dá-se à causa, nos termos do demonstrativo anexo, o valor de R$

Nestes termos,

pede e espera deferimento.

... (Município – UF), ... (dia) de ... (mês) de ... (ano).

ADVOGADO
OAB n° .... - UF

Atenção

Dentre as principais mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista,


importante destacar sobre a necessária liquidação prévia dos valores
pleiteados, considerando a alteração do Art. 840 da CLT, passando a adotar a
seguinte redação:

§ 1o Sendo escrita, a reclamação deverá conter a


designação do juízo, a qualificação das partes, a breve
exposição dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido,
que deverá ser certo, determinado e com indicação de seu
valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu
representante.

§ 2o Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em


duas vias datadas e assinadas pelo escrivão ou secretário,
observado, no que couber, o disposto no § 1o deste
artigo.

Com isso, tem-se a necessidade de se apresentar os valores


discriminados das verbas pleiteadas e todos os seus reflexos, sob pena de
extinção do processo, conforme redação do referido artigo 840 em seu § 3º:

§ 3o Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1o


deste artigo serão julgados extintos sem resolução do
mérito.

A importância de uma discriminação minuciosa dos valores pleiteados


ganha especial relevância, uma vez que estes valores serão tomados por base
para o pagamento das verbas de sucumbência, outra novidade trazida pela
reforma trabalhista.

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