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TOXICOLOGIA

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TOXICOLOGIA

Plantas Tóxicas: Bico­de­Papagaio
Família: Euphorbiaceae. Nome científico: Euphorbia pulcherrima Willd. Nome popular: rabo-de-arara, papagaio. Parte tóxica: todas as partes da planta. Sintomas: a seiva leitosa causa lesão na pele e mucosas, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, dor em queimação e coceira; o contato com os olhos provoca irritação, lacrimejamento, edema das pálpebras e dificuldade de visão; a ingestão pode causar náuseas, vômitos e diarréia. Princípio ativo: látex irritante.

Plantas Tóxicas: Copo­de­Leite
Nome científico: Zantedeschia aethiopica Spreng. Nome popular: copo-de-leite. Parte tóxica: todas as partes da planta Sintomatologia: a ingestão e o contato podem causar sensação de queimação, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, náuseas, vômitos, diarréia, salivação abundante, dificuldade de engolir e asfixia; o contato com os olhos pode provocar irritação e lesão da córnea. Princípio ativo: oxalato de cálcio. Agrotóxicos- Efeitos sobre a Saúde

Os agrotóxicos podem determinar três tipos de intoxicação: aguda, subaguda e crônica. A intoxicação aguda é aquela na qual os sintomas surgem rapidamente, algumas horas após a exposição excessiva, por curto período, a produtos extremamente ou altamente tóxicos. Pode ocorrer de forma leve, moderada ou grave, dependerão da quantidade de veneno absorvido. Os sinais e sintomas são nítidos e objetivos. A intoxicação subaguda ocorre por exposição moderada ou pequena a produtos altamente tóxicos ou medianamente tóxicos e tem aparecimento mais lento. Os sintomas são subjetivos e vagos, tais como dor de cabeça, fraqueza, mal-estar, dor de estômago e sonolência, entre outros. A intoxicação crônica caracteriza-se por surgimento tardio, em meses ou anos, por exposição pequena ou moderada a produtos tóxicos ou a múltiplos produtos, acarretando danos irreversíveis, do tipo paralisias e neoplasias.

Essas intoxicações não são reflexo de uma relação simples entre o produto e a pessoa exposta. Vários fatores participam da determinação das mesmas, dentre eles os fatores relativos às características químicas e toxicológicas do produto, fatores relativos ao indivíduo exposto, às condições de exposição ou condições gerais do trabalho. · Características do produto: características toxicológicas, forma de apresentação, estabilidade, solubilidade, presença de contaminantes, presença de solventes, etc. Características do indivíduo exposto: idade, sexo, peso, estado nutricional, escolaridade, conhecimento sobre os efeitos e medidas de segurança, etc. Condições de exposição: condições gerais do trabalho, freqüência, dose, formas de exposição, etc. As características clínicas das intoxicações por agrotóxicos dependem, além dos aspectos supra citados, do fato de ter ocorrido contato/exposição a um único tipo de produto ou a vários deles. Nas intoxicações agudas decorrentes do contato/exposição a apenas um produto, os sinais e sintomas clínico-laboratoriais são bem conhecidos, o diagnóstico é claro e o tratamento definido. Em relação às intoxicações crônicas, o mesmo não pode ser dito. O quadro clínico é indefinido e o diagnóstico difícil de ser estabelecido. Inicialmente serão descritos os quadros específicos dos agrotóxicos mais utilizados, acrescentando-se ao final uma descrição dos efeitos resultantes da exposição a múltiplos agrotóxicos. Inseticidas Inseticidas Inibidores das colinesterases: Organofosforados: esse grupo é o responsável pelo maior número de intoxicações e mortes no país. Ex. Folidol, Azodrin, Malation, Diazinon, Nuvacron, Tamaron, Rhodiatox. Carbamatos: grupo muito utilizado no país. Ex. Carbaril, Temik, Zectram, Furadam, Sevin. Os inseticidas inibidores das colinesterases são absorvidos pela pele, por ingestão ou por inalação. Sua ação se dá pela inibição de enzimas colinesterases, especialmente a acetilcolinesterase, levando a um acúmulo de acetilcolina nas sinapses nervosas, desencadeando uma série de efeitos parassimpaticomiméticos. Diferentemente dos organofosforados, os carbamatos são inibidores reversíveis das colinesterases, porém as intoxicações podem ser igualmente graves. Organofosforados e carbamatos - Modo de ação Inibidores da colinesterase: no Sistema Nervoso Central nos glóbulos vermelhos no plasma em outros órgãos. Não se acumulam no organismo. É possível o acúmulo de efeitos. Efeitos neurotóxicos retardados ocorrem com certos organofosforados. Sintomas de intoxicação aguda - organofosforados e carbamatos Inicialmente:

Suor abundante Salivação intensa Lacrimejamento Fraqueza Tontura Dores e cólicas abdominais Visão turva e embaçada Depois: Pupilas contraídas - miose Vômitos Dificuldade respiratória Colapso Tremores musculares Convulsões Além das colinesterases, alguns grupos de inseticidas organofosforados podem alterar outras enzimas (esterases), sendo a principal a neurotoxicoesterase. Esta enzima, quando inibida pode determinar neuropatia periférica (membros inferiores) por ação neurotóxica retardada, com surgimento após 15 dias da intoxicação aguda inicial. apesar de ser possível mensurar a atividade das neurotoxicoesterases por metodologia laboratorial (análise em linfócitos), esta não está ainda disponível no país. A atividade da acetilcolinesterase pode ser determinada através de teste específico em sangue total, plasma ou eritrócitos. A acetilcolinesterase eritrocitária é mais específica, sendo também conhecida como acetilcolinesterase verdadeira. Intoxicações graves apresentarão níveis muito baixos. Em se tratando de carbamatos, esse exame deve ser realizado pouco tempo após a exposição. No caso dos organofosforados, a atividade da acetilcolinesterase eritrocitária poderá permanecer diminuída por até noventa dias após o último contato. Importante ressaltar que a análise da atividade daquelas enzimas não deve ser utilizada de maneira isolada. O exame pode ser bastante útil, quando entendido e usado como instrumento auxiliar, tanto no diagnóstico clínico, quanto nas ações de vigilância. Além das medidas gerais, utiliza-se sulfato de atropina como sintomático no tratamento das intoxicações por inseticidas inibidores das colinesterases. No caso dos fosforados, é indicado o uso de Contrathion como antídoto químico, estando contra-indicado seu uso nas intoxicações por carbamatos. Inseticidas Organoclorados: Ex.: Aldrin, Endrin, BHC, DDT, Endossulfan, Heptacloro, Lindane, Mirex, Toxafeno. Os inseticidas organoclorados foram muito utilizados na agricultura, porém seu emprego tem sido progressivamente restringido ou mesmo proibido, por serem de lenta degradação, com capacidade de acumulação no meio ambiente (podem persistir até 30 anos no solo) e em seres vivos, contaminando o homem diretamente ou através da cadeia alimentar, assim como por apresentarem efeito cancerígeno em animais de laboratório. No Brasil, seu uso foi limitado pela Portaria 329 de 02/09/85, permitindo sua utilização somente no controle a formigas (Aldrin) e em campanhas de saúde pública (DDT e BHC). Os organoclorados são produtos derivados do petróleo, sendo pouco solúveis em água e solúveis em solventes orgânicos, o que os torna mais tóxicos e de apreciável absorção cutânea. Além da via dérmica, são também absorvidos por via digestiva e respiratória. Devido à grande lipossolubilidade e a lenta metabolização, esses compostos acumulam-se

na cadeia alimentar e no tecido adiposo humano. A eliminação se faz pela urina, cabendo destacar também a eliminação pelo leite materno. Atuam sobre o sistema nervoso central, resultando em alterações do comportamento, distúrbios sensoriais, do equilíbrio, da atividade da musculatura involuntária e depressão dos centros vitais, particularmente da respiração. Em casos de intoxicações agudas, após duas horas aparecem sintomas neurológicos de inibição, hiperexcitabilidade, parestesia na língua, nos lábios e nos membros inferiores, inquietação, desorientação, fotofobia, escotomas, cefaléia persistente (que não cede aos analgésicos comuns), fraqueza, vertigem, alterações do equilíbrio, tremores, ataxia, convulsões tônico-crônicas, depressão central severa, coma e morte. Em casos de inalação ou absorção respiratória, podem ocorrer sintomas específicos como: tosse, rouquidão, edema pulmonar, irritação laringotraqueal, rinorréia, broncopneumonia (complicação freqüente), bradipnéia, hipertensão. Logo após a ingestão, náuseas e vômitos são sintomas proeminentes, podendo ocorrer também diarréia e cólicas. Organoclorados - Modo de ação Estimulantes do SNC (em altas doses são indutores das enzimas microssômicas hepáticas) São armazenados no tecido adiposo, em equilíbrio dinâmico com a absorção. Sintomas de intoxicação aguda - organoclorados Primeiramente: Irritabilidade Dor de cabeça Sensação de cansaço Mal-estar Depois: Tonturas Náuseas Vômitos Colapso Contrações musculares involuntárias Convulsões Coma

Como manifestações crônicas salientam-se neuropatias periféricas, inclusive com paralisias, discrasias sangüíneas diversas, inclusive aplasia medular, lesões hepáticas com alterações das transaminases e da fosfatase alcalina, lesões renais, arritmias cardíacas e dermatoses, como cloroacne. Inseticidas Piretróides: são compostos sintéticos que apresentam estruturas semelhantes à piretrina, substância existente nas flores do Chrysanthemum (Pyrethrum) cinerariaefolium. Alguns desses compostos são: aletrina, resmetrina, decametrina, cipermetrina e fenpropanato. Ex.: Decis, Protector, K-Othrine, SBP, Ambush, Fuminset. A alta atividade inseticida dos piretróides possibilita seu emprego em pequenas dosagens, que associada à sua seletividade, tem permitido o aparecimento de novos produtos de origem sintética, inclusive mais estáveis à luz e menos voláteis que os de origem natural, propiciando sua grande difusão como domissanitários ou para uso na agropecuária.São facilmente absorvidos pelo trato digestivo, pela via respiratória e pela via cutânea.Sendo

pouco tóxicos do ponto de vista agudo, são porém, irritantes para os olhos e mucosas, e principalmente hipersensibilizantes, causando tanto alergias de pele como asma brônquica. Seu uso abusivo nos ambientes domésticos vem causando incremento dos casos de alergia, tanto em crianças como em adultos. Em doses muito altas podem determinar neuropatias, por agir na bainha de mielina, desorganizando-a, além de promover ruptura de axônios. Piretrinas e Piretróides - Modo de ação Estimulantes do SNC. Em doses altas podem produzir lesões duradouras ou permanentes no Sistema Nervoso Periférico. Capacidade de produzir alergias. Sintomas de Intoxicação - Piretrinas e Piretróides Primeiramente: Formigamento nas pálpebras e nos lábios Irritação das conjuntivas e mucosas Espirros Depois: Coceira intensa Mancha na pele Secreção e obstrução Reação aguda de hipersensibilidade Excitação Convulsões Fungicidas Etileno-bis-ditiocarbamatos: Maneb, Mancozeb, Dithane, Zineb, Tiram. Alguns desses compostos contêm manganês na sua composição (Maneb, Dithane), podendo determinar parkinsonismo pela ação do manganês no sistema nervoso central. Outro aspecto importante refere-se à presença de etileno-etiluréia (ETU) como impureza de fabricação na formulação desses produtos, já se tendo observado efeitos carcinogênico (adenocarcinoma de tireóide), teratogênico e mutagênico em animais de laboratório . As intoxicações por esses compostos freqüentemente ocorrem através das vias oral e respiratória, podendo também ser absorvidos por via cutânea. Nos casos de exposição intensa provocam dermatite, faringite, bronquite e conjuntivite. Trifenil estânico: Duter e Brestan. Em provas experimentais, esses produtos têm promovido uma redução dos anticorpos circulantes em várias espécies de animais. Captan: Ortocide e Merpan. Este produto é considerado muito pouco tóxico, sendo utilizado para tratamento de sementes antes do plantio. Foi observado efeito teratogênico - má formação fetal - em animais de laboratório.

Hexaclorobenzeno. Pode causar lesões de pele tipo acne (cloroacne), além de uma patologia grave, a porfiria cutânea tardia. Herbicidas Esse grupo de agrotóxicos tem tido uma utilização crescente na agricultura nas duas últimas décadas. Os herbicidas substituem a mão de obra na capina, diminuindo, conseqüentemente, o nível de emprego na zona rural. Seus principais representantes e produtos mais utilizados são os seguintes: Dipiridilos: Paraquat, comercializado com o nome de Gramoxone. É bem absorvido através da ingestão e da pele irritada ou lesionada, sendo a via respiratória a de menor absorção. Provoca lesões hepáticas, renais e fibrose pulmonar irreversível. Em casos graves, a fibrose pulmonar pode levar à morte por insuficiência respiratória em até duas semanas. Não há tratamento para a fibrose pulmonar. As intoxicações ocupacionais mais importantes são aquelas relacionadas à absorção por via dérmica. Há que fazer referência ainda aos casos de intoxicações acidentais em crianças, que ingerem o produto pensando ser refrigerante, uma vez que tem cor de Coca-Cola. Além disso, tem sido relatados casos de suicídio em adultos. Modo de ação - Dipiridilos Entre os herbicidas dipiridilos, o Paraquat é altamente tóxico se ingerido. Lesão inicial: irritação grave das mucosas Lesão tardia: após 7-14 dias começa a haver alterações proliferativas e irreversíveis no epitélio pulmonar. Seqüelas: insuficiência respiratória, insuficiência renal, lesões hepáticas. Sintomas de Intoxicação - Dipiridilos/Paraquat Causa lesões graves nas mucosas (via oral). Causa lesões na pele (via dérmica). Sangramento pelo nariz. Mal-estar, fraqueza e ulcerações na boca. Lesões hepáticas e renais. Torna as unhas quebradiças. Produz conjuntivite ou opacidade da córnea (contato com os olhos). Fibrose pulmonar e morte.

Glifosato: "Rond-up" Promove problemas dermatológicos, principalmente dermatite de contato. Além disso, é irritante de mucosas, principalmente ocular. Pentaclorofenol: Clorofen, Dowcide-G. Há alguns anos não vem sendo utilizado como herbicida, tendo entretanto amplo uso como conservante de madeiras e cupinicida. E bem absorvido pelas vias cutânea , digestiva e respiratória. Esse composto possui na sua formulação impurezas chamadas dioxinas, principalmente a hexaclorodibenzodioxina (HCDD), que é uma substância extremamente tóxica, cancerígena e fetotóxica. Pode ainda levar ao aparecimento de cloroacne. Os dinitrofenóis (Dinoseb, DNOC) são compostos com ação semelhante ao pentaclorofenol. Pessoas que se expõem a esses compostos podem apresentar coloração amarelada da pele. Pentaclorofenol e Dinitrofenóis - Modo de ação Estimulam fortemente o metabolismo, com hipertermia, que pode se tornar irreversível. Não se acumulam no organismo, mas as exposições repetidas podem causar uma acumulação de efeitos. Pentaclorofenol e Dinitrofenóis - Sintomas de Intoxicação Primeiramente: Dificuldade respiratória Temperatura muito alta (hipertermia) Fraqueza Depois: Convulsões Perda da consciência Derivados do ácido fenoxiacético: tem dois representantes, o 2,4 diclorofenoxiacético (2,4 D) e o 2,4,5 triclorofenociacético (2,4,5 T). O 2,4 diclorofenoxiacético (2,4 D) é amplamente utilizado no país, principalmente em pastagens e plantações de cana açúcar, para combate a ervas de folhas largas. É bem absorvido pela pele, por ingestão e inalação, podendo produzir neurite periférica e diabetes transitória no período da exposição. O 2,4,5 triclorofenoxiacético (2,4,5 T) tem uso semelhante ao anterior, apresentando uma dioxina (tetraclorodibenzodioxina) como impureza, responsável pelo aparecimento de cloroacnes, abortamentos e efeitos teratogênico e carcinogênico. A mistura do 2,4 D com o 2,4,5 T representa o principal componente do agente laranja, utilizado como agente desfolhante na Guerra do Vietnã, responsável pelo aparecimento de cânceres, entre eles linfomas, nos veteranos de guerra, e de mal-formações congênitas em seus filhos. O nome comercial dessa mistura é Tordon. Fenóxi-acéticos - Modo de ação

Baixa ou moderada toxicidade aguda para mamíferos. Lesões degenerativas, hepáticas e renais (em altas doses). Lesões do Sistema Nervoso Central. Neurite periférica retardada. 2,4,5-T apresenta dioxina (TCDD - composto teratogênico). Fenóxi-acético - Sintomas de Intoxicação Primeiramente: Perda de apetite Irritação da pele exposta Enjôo Irritação do trato gastrintestinal Depois: Esgotamento Vômitos Dores torácicas e abdominais Fasciculação muscular Fraqueza muscular Confusão mental Convulsões Coma Fumigantes: Brometo de Metila, Fosfina. Bem absorvidos pela via respiratória e menos pela via dérmica. São excelentes irritantes de mucosas. Brometo de Metila: Promove edema pulmonar, pneumonite química, insuficiência circulatória e perturbações neuropsicológicas, como psicoses e tremores ( sintomas extrapiramidais ). Fosfina: Promove lesões herpéticas, por alterações no metabolismo dos carboidratos, lípides e proteínas. Edema pulmonar e arritmia cardíaca. Raticidas: Derivados da Cumarina e Indantiona. São absorvidos por via oral. São anticoagulantes, inibindo a formação da protrombina. Assim, promovem hemorragias em diversos órgãos Outros aspectos clínicos No Quadro 3, logo a seguir, apresentamos um resumo dos principais sinais e sintomas agudos e crônicos. Quadro 3 Sinais e sintomas de intoxicação por agrotóxico segundo tipo de exposição. Exposição

Sinais e Sintomas Única ou por curto período Continuada por longo período Agudos cefaléia, tontura, náusea, vômito, fasciculação muscular, parestesias, desorientação, dificuldade respiratória, coma, morte. hemorragias, hipersensibilidade, teratogênese, morte fetal. Crônicos paresia e paralisias reversíveis, ação neurotóxica retardada irreversível, pancitopenia, distúrbios neuro-psicológicos. lesão cerebral irreversível, tumores malignos, atrofia testicular, esterilidade masculina, alterações neuro-comportamentais, neurites periféricas, dermatites de contato, formação de catarata, atrofia do nervo óptico, lesões hepáticas, etc. Outro aspecto a ser ressaltado refere-se à exposição a múltiplos agrotóxicos. O trabalhador rural brasileiro freqüentemente se expõe a diversos produtos, ao longo de muitos anos, resultando em quadros sintomatológicos combinados, mais ou menos específicos, que se confundem com outras doenças comuns em nosso meio, levando a dificuldades e erros diagnósticos, além de tratamentos equivocados. O Quadro 5, mostra os efeitos da exposição prolongada a vários produtos agrotóxicos. A ocorrência de efeitos neurotóxicos relacionados à exposição a agrotóxicos tem sido descrita com maior freqüência nos últimos anos. É o caso das paralisias causadas pela exposição aos organofosforados, que podem aparecer tanto como um efeito crônico como na forma de uma ação neurotóxica retardada, após uma exposição intensa, porém não necessariamente prolongada. É importante realçar a ocorrência dos distúrbios comportamentais como efeito da exposição aos agrotóxicos, que aparecem na forma de alterações diversas como ansiedade, irritabilidade, distúrbios da atenção e do sono. Por último, vale a pena salientar que sintomas não específicos presentes em diversas patologias, freqüentemente são as únicas manifestações de intoxicação por agrotóxicos, razão pela qual raramente se estabelece esta suspeita diagnóstica. Esses sintomas compreendem principalmente os seguintes: Dor de cabeça Vertigens Falta de apetite Falta de forças Nervosismo Dificuldade para dormir A presença desses sintomas em pessoas com história de exposição a agrotóxicos, deve conduzir à investigação diagnóstica de intoxicação por esses produtos. Quadro 4 Efeitos da exposição prolongada a múltiplos agrotóxicos. Órgão/sistema Efeito Sistema nervoso

Síndrome asteno-vegetativa, polineurite, radiculite, encefalopatia, distonia vascular, esclerose cerebral, neurite retrobulbar, angiopatia da retina Sistema respiratório Traqueíte crônica, pneumofibrose, enfisema pulmonar, asma brônquica Sistema cardiovascular Miocardite tóxica crônica, insuficiência coronária crônica, hipertensão, hipotensão Fígado Hepatite crônica, colecistite, insuficiência hepática Rins Albuminúria, nictúria, alteração do clearance da uréia, nitrogênio e creatinina Trato gastrointestinal Gastrite crônica, duodenite, úlcera, colite crônica (hemorrágica, espástica, formações polipóides), hipersecreção e hiperacidez gástrica, prejuízo da motricidade Sistema hematopoético Leucopenia, eosinopenia, monocitose, alterações na hemoglobina Pele Dermatites, eczemas Olhos Conjuntivite, blefarite Por fim, há que se fazer a ressalva de que o objetivo desse Guia é nortear as ações de vigilância de populações expostas a agrotóxicos. Ou seja, em relação aos aspectos clínicos, as informações incluídas aqui são básicas, não esgotando em absoluto esse tema. É recomendável, e mesmo imprescindível para aqueles responsáveis pela atenção aos suspeitos de intoxicação por agrotóxicos, consulta à ampla literatura especializada disponível.

Animais peçonhentos e venenosos
ANIMAIS PEÇONHENTOS são aqueles que possuem glândulas de veneno que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o veneno passa ativamente. Ex.: serpentes, aranhas, escorpiões, abelhas, arraias. ANIMAIS VENENOSOS são aqueles que produzem veneno, mas não possuem um aparelho inoculador (dentes, ferrões) provocando envenenamento passivo por contato (taturana), por compressão (sapo) ou por ingestão (peixe baiacu). SERPENTES As serpentes são animais vertebrados, carnívoros, que pertencem ao grupo dos répteis. Podem ser classificadas em dois grupos básicos: as peçonhentas, que são aquelas que conseguem inocular seu veneno no corpo de uma presa ou vítima, e as não peçonhentas,

ambas encontradas no Brasil, nos mais diferentes tipos de habitat, inclusive em ambientes urbanos. A serpente peçonhenta é definida por três características fundamentais: presença de fosseta loreal; presença de guizo ou chocalho no final da cauda; presença de anéis coloridos (vermelho, preto, branco ou amarelo). Gênero: Bothrops Jararaca (Bothrops jararaca) Coloração esverdeada com desenhos semelhantes a um "V" invertido, corpo delgado medindo aproximadamente 1m. Sua picada causa muita dor e edema no local, podendo haver sangramento também nas gengivas ou em outros ferimentos pré-existentes. É encontrada nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.

Cruzeira (Bothrops alternatus) Coloração marrom escuro, possui desenhos em forma de gancho de telefone. Mede aproximadamente 1,5m. Encontrada em vegetação rasteira, perto de rios e lagos ou plantações. Sua picada causa muita dor local, podendo haver sangramento também nas gengivas ou em outros ferimentos pré-existentes. É encontrada nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. O gênero Bothrops é encontrado principalmente em zonas rurais e periferias de grandes cidades, preferindo ambientes úmidos como matas e áreas cultivadas e locais onde haja facilidade para proliferação de roedores (paióis, celeiros, depósitos de lenha). O acidente botrópico é responsável por cerca de 90% dos envenenamentos em nosso país. Gênero: Crotalus Cascavel (Crotalus durissus) Coloração marrom-amarelado, corpo robusto, medindo aproximadamente 1m. Apresenta chocalho na ponta da cauda. Após a picada, o paciente apresenta visão dupla e borrada e sua face se apresenta alterada (pálpebras caídas, aspecto sonolento). A urina pode se tornar escura de 6 a 12 horas após a picada. É encontrada nos Estados de Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Tocantins, Ceará, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Gênero: Micrurus Coral Verdadeira (Micrurus frontalis) Possui anéis vermelhos, pretos e brancos ao redor do corpo, medindo entre 70 e 80cm. Se esconde em buracos, montes de lenha e troncos de árvores. Após a picada, o paciente apresenta a visão dupla e borrada, a face se apresenta alterada (pálpebras caídas, aspecto sonolento), dores musculares e aumento da salivação. Insuficiência respiratória pode ocorrer como complicação do acidente. É encontrada nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Bahia. Gênero: Lachesis

Surucucu Também conhecida como pico-de-jaca. A cauda apresenta escamas eriçadas como uma escova. É a maior das serpentes peçonhentas das Américas, atingindo até 3,5m. São encontradas apenas em áreas de floresta tropical densa, como a Amazônia, pontos da Mata Atlântica e alguns enclaves de matas úmidas do Nordeste. Tratamento O tratamento consiste na administração, o mais precocemente possível, do soro antiofídico, distribuído gratuitamente pelo Ministério da Saúde para todos os hospitais, postos de atendimento médico. Medidas Preventivas Usar botinas com perneiras ou botas de cano alto no trabalho, pois 80% das picadas atingem as pernas abaixo dos joelhos. Usar luvas de couro nas atividades rurais e de jardinagem; não colocar as mãos em buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, utilizando para isso um pedaço de pau ou enxada. Examinar os calçados, pois serpentes podem refugiar-se dentro deles. Vedar frestas e buracos em paredes e assoalhos. Limpar as proximidades das casas, evitando folhagens densas junto delas. Evitar acúmulo de lixo, entulhos e materiais de construção. Avaliar bem o local onde montar acampamentos e fazer piqueniques. Preservar inimigos naturais (raposa, gambá, gaviões e corujas) e criar aves domésticas, que se alimentam de serpentes. LAGARTAS(Lonomia sp) Lagartas, rugas, mandorovás, marandovás, bicho cabeludo e taturanas identificam lagartas (larvas) de lepidópteros vulgarmente conhecidas como borboletas, de hábitos diurnos, ou mariposas, de hábitos noturnos. Os acidentes com lagartas de vários gêneros são comuns em todo o Brasil. A lagarta Lonomia ou simplesmente taturana, como é mais conhecida no sul do país, apresenta coloração marromesverdeada com listras longitudinais marrom-escuro e amarelo- ocre, cabeça cor de caramelo e espinhos ramificados e pontiagudos, em forma de "pinheirinhos" ao longo do dorso. Chegam a medir de 6 a 7cm. Dados das Regiões Sul e Sudeste indicam que existe uma sazonalidade na ocorrência desses acidentes, que se expressa mais nos meses de verão (novembro a março) e que vários fatores são responsáveis pelo crescimento desta espécie no sul do país, como o desmatamento, condições climáticas favoráveis, diminuição dos predadores e adaptação deste agente a espécies vegetais exóticas ao meio. As lagartas alimentam-se de folhas, principalmente de árvores e arbustos. A intoxicação ocorre pelo contato com as cerdas ou espículas da lagarta. O veneno está nos espinhos e atua no sangue provocando falta de coagulação. A manifestação inicial é dor e irritação imediatas no local atingido; dor de cabeça e náuseas;

sangramentos através da pele, gengiva, urina, pequenos ferimentos, nariz. A vítima pode ter hemorragias que podem levar à morte. Tratamento Lavagem da região com água corrente e compressas frias, antihistamínico oral, creme de corticóide local e analgésicos, se necessário. Medidas Preventivas Olhar, atentamente, para as folhas e troncos de árvores, evitando contato com as taturanas. Verificar presença de folhas roídas, casulos ou pupas e fezes de lagartas no solo. Usar luvas quando manipular troncos, árvores frutíferas ou em atividades de jardinagem. ESCORPIÕES Os escorpiões têm hábitos noturnos e, durante o dia, escondem-se sob cascas de árvores, pedras e dentro de domicílios, principalmente em sapatos. Podem sobreviver vários meses sem alimento e mesmo sem água, o que torna seu combate muito difícil. Os escorpiões picam com a cauda, causando muita dor local, que se irradia; pode ocorrer suor, vômitos e até mesmo choque. No Brasil, os de importância médica pertencem ao gênero Tityus. Escorpião Amarelo (Tityus serrulatus) Amarelo claro, com manchas escuras sobre o tronco e na parte inferior do fim da cauda, podendo chegar a 7cm. O quarto anel da cauda possui dentinhos formando uma serra. É encontrado nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Escorpião Marrom (Tityus bahiensis) Marrom avermelhado escuro, braços e pernas mais claros, com manchas escuras, pode ter até 7cm. Não possui serrinha na cauda. É encontrado nos Estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além dos citados acima existem outros escorpiões do mesmo gênero: o Tityus stigmurus, encontrado nos Estados da Região Nordeste do país; o Tityus cambridgei, na Região Amazônica e o Tityus metuendus, nos Estados do Amazonas, Acre e Pará. Tratamento O tratamento consiste na aplicação local de anestésico e, nos casos mais graves, deve ser usado o soro antiescorpiônico ou antiaracnídico. ARANHAS As aranhas são animais carnívoros, alimentando-se principalmente de insetos, como grilos e baratas. Muitas têm hábitos domiciliares e peridomiciliares. Apresentam o corpo dividido em cefalotórax e abdômen. No cefalotórax articulam-se os quatro pares de patas, um par de pedipalpos e um par de quelíceras, onde estão os ferrões utilizados para inoculação do veneno. Armadeira (Phoneutria sp)

De cor cinza ou castanho escuro, corpo e pernas com pêlos curtos e vermelhos perto dos ferrões, atingem até 17cm quando adultas, incluindo as pernas (o corpo de 4 a 5cm). A armadeira é encontrada em terrenos baldios, sob cascas de árvores, cachos de bananas e até dentro de casas em calçados. Sai para caçar em geral à noite. É muito agressiva, assumindo postura ameaçadora (daí seu nome). Apresenta uma dor intensa no local da picada. É encontrada na Região Amazônica, nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Tratamentoo tratamento consiste na aplicação local de anestésico e, nos casos mais graves, deve ser usado o soro antiaracnídico. Aranha Marrom (Loxosceles sp) De cor marrom amarelada, sem manchas, abdômen em forma de caroço de azeitona, atinge de 3 a 4cm incluindo as pernas. Vive em teias irregulares que constrói em tijolos, telhas, cantos de parede. Não é agressiva e os acidentes são raros mas, em geral, graves. Os primeiros sintomas de envenenamento são uma sensação de queimadura e formação de bolhas e escurecimento da pele no local da picada. É encontrada em várias regiões do país, principalmente no Estado de Santa Catarina. Tratamento:O tratamento é feito com soro aracnídico ou antiloxoscélico. Aranha de Grama, Aranha de Jardim ou Tarântula (Lycosa sp) De cor acinzentada ou marrom, com pêlos vermelhos perto dos ferrões e uma mancha escura em forma de flecha sobre o corpo. Atinge até 5cm, incluindo as pernas. Vive em gramados e os acidentes são freqüentes, porém sem gravidade. É encontrada, praticamente, em todo o país. Tratamento: não há necessidade de tratamento com soro. Viúva Negra (Latrodectus sp) De cor preta, com manchas vermelhas no abdômen. A fêmea mede 2,5 a 3cm, o macho é 3 a 4 vezes menor. Vive em teias que constrói sob vegetação rasteira, em arbustos, barrancos. São conhecidos poucos acidentes no Brasil, de pequena e média gravidade. É encontrada, praticamente, em todo o país. Tratamento:o tratamento consiste na aplicação local de anestésico nos casos mais graves, deve ser usado o soro antilatrodectus. Caranguejeira (Mygalomorphae) Aranha de porte geralmente grande, na cor marrom escuro, com pêlos compridos nas pernas e no abdômen. Pode atingir até 25cm com as patas estendidas. Embora muito temida, os acidentes são raros, ocorrendo apenas uma dermatite pela ação irritante dos pêlos do abdômen, que se desprendem quando o animal se sente ameaçado. É encontrada, praticamente, em todo o país. Tratamento:não há necessidade de tratamento com soro. Medidas Preventivas Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem. Examinar e sacudir calçados e roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las.

Afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários. Não acumular lixo orgânico, entulhos e materiais de construção. Limpar o domicílio, observando atrás de móveis, cortinas e quadros. Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros, meia-canas e rodapés. Utilizar vedantes em portas, janelas e ralos. Limpar locais próximos das casas, evitando folhagens densas junto delas e aparar gramados. Combater a proliferação de insetos, principalmente baratas e cupins, pois são alimentos preferidos dos aracnídeos. Preservar os inimigos naturais e criar aves domésticas, que se alimentam de aracnídeos. Em caso de dúvida ligue para o Centro de Intoxicações de sua região - Ligação Gratuita

Aspectos toxicológicos sobre o uso do  plástico reciclado para contato direto  com alimentos
O retorno do plástico reciclado para a aplicação em embalagens alimentícias implica em assegurar risco mínimo à saúde pública e o não comprometimento das propriedades organolépticas do produto envasado. A principal preocupação sobre o uso do plástico reciclado para essa aplicação é proveniente da presença de substâncias desconhecidas, as quais podem potencialmente migrar da embalagem para o alimento. Nesse cenário, o estudo das principais fontes de contaminação das embalagens plásticas pós-consumo assume um papel importante no estabelecimento de um critério que assegure a segurança do reciclado em aplicações para contato com alimentos. Uma vez que há uma grande diversidade de fontes de contaminantes antes e após a disposição final desse material, a avaliação de processos de reciclagem com relação a sua aptidão em produzir plástico reciclado para contato com alimentos normalmente é realizada através do uso de contaminantes modelo sob condições padronizadas. Os grandes desafios para a escolha dos contaminantes modelo advém da vasta quantidade de compostos orgânicos que podem representá-los nas vias reais de contaminação, das dificuldades analíticas e da escassez de dados de difusão e solubilidade desses contaminantes orgânicos em polímeros. Como as fontes de contaminação normalmente possuem formulações universais e diferem apenas nas proporções e combinações dos ingredientes, os contaminantes modelo podem ser mundialmente unificados independente do país em que as tecnologias de reciclagem venham a ser avaliadas. No entanto, o uso de coeficientes de segurança deve ser incluído e considerado imprescindível, visto a dificuldade em reproduzir as especificidades das vias reais de contaminação. Com o objetivo de descrever o estado da arte quanto aos aspectos supracitados, neste documento foram apresentados comentários relacionados às fontes reais de contaminação de plástico pós-consumo e às exigências necessárias para avaliar capacidade de processos de reciclagem em produzir plástico reciclado para contato com

alimentos. unitermos: contaminantes modelo, carcinogênicos, plástico reciclado, embalagens de alimentos.

Cogumelos e plantas 

alucinógenas
Definição e histórico A palavra alucinação significa, em linguagem médica, percepção sem objeto; isto é, a pessoa que está em processo de alucinação percebe coisas sem que elas existam. Assim, quando uma pessoa ouve sons imaginários ou vê objetos que não existem ela está tendo uma alucinação auditiva ou uma alucinação visual. As alucinações podem aparecer espontaneamente no ser humano em casos de psicose, sendo que destas a mais comum é a doença mental chamada esquizofrenia. Também podem ocorrer em pessoas normais (que não têm doença mental) que tomam determinadas substâncias ou drogas alucinógenas, isto é, que "geram" alucinações. Estas drogas são também chamadas de psicomiméticas por "imitarem" ou "mimetizarem" um dos mais evidentes sintomas das psicoses - as alucinações. Alguns autores também as chamam. A palavra psicodélica vem do grego (psico= mente e delos= expansão) e é utilizada quando a pessoa apresenta presenta alucinações e delírios em certas doenças mentais ou por ação de drogas. É obvio que estas alterações não significam expansão da mente. Isto porque a alucinação e o delírio nada têm de aumento da atividade ou da capacidade mental; ao contrário são aberrações, perturbações do perfeito funcionamento do cérebro, tanto que são característicos das doenças chamadas psicoses. Grande número de drogas alucinógenas vêm da natureza, principalmente de plantas. Estas foram "descobertas" pelos seres humanos do passado ao sentirem os efeitos mentais das mesmas, passaram a considerá-las como "plantas divinas", isto é, que faziam com que quem as ingerisse recebesse mensagens divinas, dos deuses. Assim, até hoje em culturas indígenas de vários países o uso destas plantas alucinógenas tem este significado religioso. Com o processo da ciência várias substâncias foram sintetizadas em laboratório e desta maneira, além dos alucinógenos naturais hoje em dia têm importância também os alucinógenos sintéticos, dos quais o LSD-25 é o mais representativo. Há ainda a considerar que alguns alucinógenos agem em doses muito pequenas e praticamente só atingem o cérebro e, portanto, quase não alteram qualquer outra função do corpo da pessoa: são os alucinógenos propriamente ditos ou alucinógenos primários. O THC (tetrahidrocanabinol) da maconha, por exemplo, é um alucinógeno primário. Mas existem outras drogas que também são capazes de atuar no cérebro produzindo efeitos mentais, mas somente em doses que afetam de maneira importante várias outras funções: são os alucinógenos secundários. Entre estes últimos podemos citar uma planta, a Datura, conhecida no Brasil sob vários nomes populares e o medicamento Artane® (sintético). Os vegetais alucinógenos que ocorrem no Brasil O nosso país, principalmente através de sua imensa riqueza natural, tem várias plantas alucinógenas. Os mais conhecidos estão citados a seguir.

Cogumelos O uso de cogumelos ficou famoso no México, onde desde antes de Cristo já era usado pelos nativos daquela região. Ainda hoje, sabe-se que o "cogumelo sagrado" é usado por alguns pajés. Ele recebe o nome científico Psilocybe mexicana e o outro é espécie do gênero Paneoulus. Jurema O vinho de Jurema, preparado à base de planta brasileira Mimosa hostilis, chamado popularmente de Jurema, é usado pelos remanescentes índios e caboclos do Brasil. Os efeitos do vinho são muito bem descritos por José de Alencar no romance Iracema. Além de conhecido pelo interior do Brasil, só é utilizado nas cidades em rituais de candomblé por ocasião de passagem do ano, por exemplo. A Jurema sintetiza uma potente substância alucinógena, a dimetiltriptamina ou DMT, responsável pelos efeitos. Mescal ou Peyolt Trata-se de um cacto, também utilizado desde remotos tempos na América Central, em rituais religiosos. Trata-se de um cacto que produz a substância alucinógena mescalina. Não existe no Brasil. Caapi e Chacrona São duas plantas alucinógenas que são utilizadas conjuntamente sob forma de uma bebida que é ingerida no ritual Santo Daime ou Culto da União Vegetal e várias outras seitas. Este ritual está bastante difundido no Brasil (existe nos Estados no Norte, São Paulo, Rio de Janeiro, etc.) tendo o seu uso na nossa sociedade vindo dos índios da América do Sul. No Peru a bebida preparada com suas plantas é chamada pelos índios quéchas de Ayahuasca que quer dizer "vinho da vida". As alucinações produzidas pela bebida são chamadas de mirações e os guias desta religião procuram "conduzi- las" para dimensões espirituais da vida. Uma das substâncias sintetizadas pelas plantas é a DMT já comentada em relação à Jurema. Efeitos no Cérebro Já foi acentuado que os cogumelos e as plantas analisadas acima são alucinógenas, isto é, induzem alucinações e delírios. É interessante ressaltar que estes efeitos são muito maleáveis, isto é, dependem de várias condições, como sensibilidade e personalidade do indivíduo, expectativa que a pessoa tem sobre os efeitos, ambiente, presença de outras pessoas, etc., como a bebida do Santo Daime. As reações psíquicas são ricas e variáveis. As vezes são agradáveis ("boa viagem") e a pessoa se sente recompensada pelos sons incomuns, cores brilhantes e pelas alucinações. Em outras ocasiões os fenômenos mentais são de natureza desagradável, visões terrificantes, sensações de deformação do próprio corpo, certeza de morte iminente, etc. São as "más viagens". Tanto as "boas" como as "más" viagens podem ser conduzidas pelo ambiente, pelas preocupações anteriores (o experimentador contumaz sabe quando não está de "cabeça boa" para tomar o alucinógeno) ou por outra pessoa. Esse é o papel do "guia" ou "sacerdote" nos vários rituais religiosos folclóricos, que, juntamente com o ambiente do templo, os cânticos, etc., são capazes de conduzir os efeitos mentais para o fim desejado.

Efeitos no resto do corpo Os sintomas físicos são pouco salientes, pois são alucinógenos primários. Pode aparecer dilatação de pupilas, suor excessivo, taquicardia e náusea/vômitos, estes últimos mais comuns com a bebida do Santo Daime. Aspectos gerais Como ocorre com quase todas as substâncias alucinógenas, praticamente não há desenvolvimento de tolerância; também comumente não induzem dependência e não ocorre síndrome de abstinência com o cessar de uso. Assim, a repetição do uso dessas substâncias tem outras causas que não o evitar os sintomas de abstinência. Um dos problemas preocupantes com o uso desses alucinógenos é a possibilidade , felizmente rara, da pessoa ser tomada de um delírio persecutório, delírio de grandeza ou acesso de pânico e, em virtude disto, tomar atitudes prejudiciais a si e aos o

Escova progressiva traz riscos à saúde
A chamada escova progressiva, à qual um grande número de mulheres vêm aderindo, pode representar um risco para a saúde. A mistura que é aplicada no cabelo para alisá- lo possui em sua composição uma substância tóxica com potencial cancerígeno, o formaldeído, também conhecido como formol. A concentração de formol que é usada para a obtenção do alisamento é um mistério para o consumidor, pois seu preparo é feito de acordo com o tipo de cabelo. É o que atesta a pesquisadora Silvana Rubano B.Turci, Chefe da Área de Vigilância de Câncer Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que chama a atenção para as publicações de quatro importantes instituições internacionais - a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde, Agência de Proteção Ambiental (EPA/EUA), Associação Americana de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA/EUA) e Programa Nacional de Toxilogia dos EUA, que comprovam o fato. A pesquisadora do INCA desaconselha o uso desse procedimento para tratamento ou alisamento de cabelos, o que pode causar danos principalmente aos profissionais que aplicam durante horas seguidas esse produto. Segundo ela, a exposição ao formol, somada a outros fatores de risco, pode aumentar a possibilidade para o desenvolvimento de câncer. "A IARC classificou este composto como suspeito de ser carcinogênico - (grupo 2A), tumorogênica, teratrogênica - por produzir efeitos na reprodução para humanos. Em estudos experimentais, demonstrou ser cancerígeno para algumas espécies de animais, além de ser severo irritante para pele e olhos", explica Silvana, destacando que não existem níveis seguros de substâncias cancerígenas. Por outro lado, ela afirma que o risco de câncer passa a ser secundário quando comparado ao de intoxicação aguda ou por inalação, que pode causar até edema pulmonar. O formol é tóxico quando ingerido, inalado ou quando entra em contato com a pele. A inalação do formol pode causar irritação nos olhos, nariz, mucosas e trato respiratório superior. Em altas concentrações pode causar bronquite, pneumonia ou

laringite.Outros sintomas como proteinúria, acidose, hematemesis, hematúria, anúria, vertigem, coma e morte por falência respiratória também podem ser observados [031]. Ocasionalmente pode ocorrer diarréia (com possibilidade de sangue nas fezes), pele pálida, fria e úmida, além de sinais de choque como dificuldade de micção, convulsões, e estupor. A ingestão também pode ocasionar inflamação e ulceração /coagulação com necrose na mucosa gastro-intestinal [151]. Também podem ser observadas lesões como corrosão no estômago e estrias esofágicas e colapso circulatório e nos rins após a ingestão. A inalação ou aspiração do produto pode provocar severas alterações pulmonares ao entrar em contato com o meio ácido estomacal [151]. Outras conseqüências são danos degenerativos no fígado, rins, coração e cérebro.[301, 455].

Farmacovigilância
Antes de um medicamento ser lançado no mercado, ele passa por testes em um número limitado de pacientes e voluntários que obedecem a critérios internacionalmente adotados e aceitos. Mesmo assim, não conseguem prever todos os efeitos adversos e colaterais decorrentes do uso dos remédios ou o uso concomitante com outros remédios ou produtos. Somente o uso em maior escala durante a comercialização, permite que os efeitos adversos sejam observados e relatados para que se possa reavaliar o uso e os riscos da administração do produto em questão. A Farmacovigilância é uma atividade que permite, durante a etapa de uso comercial em larga escala, uma observação da segurança real do medicamento e assim, detectar efeitos adversos não previstos nas etapas previas ao seu lançamento no mercado. A Farmacovigilância nos auxilia assim a ter medicamentos mais seguros no mercado, detectando precocemente reações adversas (indesejáveis) conhecidas, mal uso dos mesmos e interações medicamentosas, assim como seus aumentos de frequência, além de identificar fatores de risco. Desde 1994, o CEATOX/HC/USP/SP tem analisado os casos de notificações de reações adversas a medicamentos. Além disso, participa ativamente das reuniões da Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) a convite como observador e como participante, relator e conferencista, além de participar de cursos de treinamento sobre reações adversas a medicamentos no Centro de Monitoramento de Medicamentos da O.M.S em Uppsala, Suécia. Desde fevereiro de 1998, o CEATOX é o Centro de Referência para Desenvolvimento e

Promoção da Farmacovigilância no Brasil, nomeado pela Organização Mundial de Saúde, participando do Programa Internacional de Monitoramento de Medicamentos da O.M.S, que atualmente conta com a participação de 56 países Apenas um centro por país pode participar deste programa como um Centro Nacional. Assim, se você usou ou prescreveu algum medicamento e acha que ele provocou uma reação diferente, descrita ou não na bula ou na literatura, entre em contato com o CEATOX para analise do caso. Para isso é importante que você tenha em mãos as seguintes informações: a) dados do paciente: nome, idade, sexo, peso b) dados do medicamento suspeito: razão do uso (indicação terapêutica), posologia, tempo de uso (início e término do tratamento); uso de outros medicamentos c) sintomas: início do aparecimento destes d) tratamento: tratamento realizado, se for o caso e) outras informações: doenças concomitantes e condições médicas relevantes (alergias, etilismo, insuficiência renal, etc) Casos de rabdomiólise com statinas relatados ao FDA Data: 21/5/2002 A rabdomiólise tem sido relatada mais frequentemente com a simvastatina e a cerivastatina, do que com outras statinas inibidoras da HMG-CoA redutase, de acordo com pesquisadores dos E.U.A.. Eles conduziram uma análise retrospectiva de todos os relatos presentes no banco de dados de eventos adversos do FDA, entre novembro de 1997 e março de 2000, no qual o uso da statina era primária ou secundariamente suspeito de estar associado com rabdomiólise. Haviam 871 relatos, sendo 601 casos onde foram usadas somete as statinas, e que foram associadas a rabdomiólise, durante aquele período. Os resultados da análise são demostrados nas tabelas abaixo: Statinas inibidoras da HMG-CoA redutase associadas com 601 casos de rabdomiólise nos E.U.A. (Banco de dados de eventos adversos do FDA) Statinas associadas com rabdomiólise Droga Número de casos únicos Simvastatina 215 Cerivastatina 192 Atorvastatina 73 Pravastatina 71 Lovastatina 40 Fluvastatina 10 Total 601 Drogas que potencializam os efeitos miotóxicos das statinas Droga Número de relatos Mibefradil 99 Fibratos 80 Ciclosporina 51 Antibióticos Macrolídeos 42 Warfarina 33 Digoxina 26 Antifúngicos azoles 12 Total Dentre os relatos, 38 tiveram evolução fatal (6.3%). Além disso, na maioria dos casos a interrupção do uso da statina resultou em melhora da rabdomiólise. Adicionalmente, os pesquisadores encontraram que 982 casos de outras alterações musculares do banco de

dados de eventos adversos do FDA eram associadas ao uso das statinas. Os pesquisadores concluíram que os dados obtidos não refetem as relativas taxas de incidência, contudo, eles concluíram que "apesar da limitações inerentes de se utilizar os eventos adversos do banco de dados de eventos adversos do FDA para tais análises, este tipo de pesquisa tem um papel importante na geração de hipóteses".

FARMACOVIGILÂNCIA Erva de São João (Hypericum perforatum) - interações medicamentosas Data: 4/4/2002 Interações com a erva de São Jõao - Hypericum perforatum DROGA EFEITO DA INTERAÇÃO O QUE FAZER Indinavir, nelfinavir, ritonavir, saquinavir Redução dos níveis sanguíneos com possível perda da supressão HIV Medir a carga de HIV RNA viral e interromper o uso da erva Efavirenz, nevirapina, delavirdina Redução dos níveis sanguíneos com possível perda da supressão HIV Medir a carga de HIV RNA viral e interromper o uso da erva Ciclosporina, tacrolimus Reduz os níveis sanguíneos com possibilidade de rejeição do transplante Checar os níveis de ciclosporina e tacrolimus e interromper o uso da erva; os níveis podem aumentar com a interrupção do uso da erva, portanto a dose poderá ser ajustada Warfarina Redução do efeito anticoagulante e a necessidade de aumento da dose da warfarina Checar INR e interromper o uso da erva; Digoxina Redução dos níveis sanguíneos e perda do controle do rítmo cardíaco ou falência cardíaca Checar os níveis de digoxina e interromper o uso da erva; os níveis podem aumentar com a interrupção do uso da erva, portanto a dose poderá ser ajustada Teofilina Redução dos níveis sanguíneos e perda do do efeito broncodilatador Checar os níveis de teofilina e interromper o uso da erva; os níveis podem aumentar com a interrupção do uso da erva, portanto a dose poderá ser ajustada Anticonvulsivantes (carbamazepina, fenobarbitona, fenitoína) Redução dos níveis sanguíneos com risco de convulsão Checar os níveis dos anticonvulsivantes e interromper o uso da erva; os níveis podem aumentar com a interrupção do uso da erva, portanto a dose poderá ser ajustada Contraceptivos orais Redução dos níveis sanguíneos com risco de sangramento. Possível falha do medicamento. Avaliar os benefícios da continuidade do uso da erva contra a possibilidade da eficácia reduzida do contraceptivo Citalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina, sertralina,, nefazodona Aumento dos efeitos serotonérgicos com aumento da chance do aparecimento de reações adversas Avaliar os benefícios da continuidade do uso da erva contra a possibilidade do aumento de reações adversas Sumatriptano, naratriptano, rizatriptano, zolmitriptano Aumento dos efeitos serotonérgicos com aumento da chance do

aparecimento de reações adversas Avaliar os benefícios da continuidade do uso da erva contra a possibilidade do aumento de reações adversas. FARMACOVIGILÂNCIA FENILPROPANOLAMINA retirado do mercado: CERTO ou ERRADO? Data: 27/11/2000 Fenilpropanolamina é uma substância utilizada como descongestionante nasal, e em doses mais altas, como inibidor do apetite. Um trabalho epidemiológico indicou que o uso de fenilpropanolamina poderia aumentar o risco de sangramento intracerebral. O trabalho aponta que o risco potencial ocorre principalmente em mulheres que usavam fenilpropanolamina para controle do peso. Apesar disto, os homens também têm risco, porém muito menor, de apresentarem estas reações adversas. Baseado nestas conclusões, o FDA resolveu suspender a comercialização de medicamentos contendo fenilpropalamina, apesar do estudo ser muito restrito. A ANVISA determinou também a proibição no Brasil, baseando-se única e exclusivamente na resolução do FDA. Nenhum outro país acatou esta resolução, adotando uma postura cautelosa e determinando no entanto que haveria necessidade de estudos mais conclusivos e bem conduzidos para uma posição definitiva. Em reunião realizada na Tunísia, os Centros Nacionais de Farmacovigilância foram unânimes em afirmar que a posição do FDA fora precipitada. Esta posição poderia causar, desnecessariamente, uma extrema inquietação entre os consumidores, principalmente nos pais de crianças e entre os idosos. A posição do CEATOX é de que a população mantenha-se tranqüila quanto ao uso anterior de medicamentos contendo fenilpropanolamina, pois não apresentam risco tardio nem cumulativo. Ademais, em mais de 30 anos de uso no Brasil, não houve um único registro de acidente vascular cerebral associado ao uso de fenilpropanolamina FARMACOVIGILÂNCIA Inibidores Seletivos da Recaptura de serotonina & aumento de sangramentos gastrointestinais Data: 5/11/2000 Inibidores seletivos da recaptura de serotonina (SSRIs). (fluoxetina-Prozac, paroxetina-Seroxat, citalopram-Cipramil, fluvoxamina-Faverin, sertralina-Lustral) Uma recente reportagem de British Medical

Journal (BMJ 1999; 319: 1106-1109) relatava sobre a relação entre os inibidores seletivos da recaptura de serotonina e o aumento de sangramentos gastrointestinais. O efeito total é moderado e praticamente equivalente a doses baixas de ibuprofeno. O uso concomitante de AINEs ou aspirina com estes inibidores aumenta consideravelmente o risco de sangramentos digestivos altos. Os médicos devem ficar alerta com os pacientes que utilizam SSRIs e já apresentaram episódios de sangramentos anormais, e também com aqueles que fazem uso terapêutico concomitante com anticoagulantes, drogas que atuam sobre a função plaquetária (por exemplo, AINEs, ácido acetilsalicílico e ticlopidina) ou outras drogas que podem causar risco de sangramento. Grepafloxacina (Raxar) é retirada do mercado. Grepafloxacina (não disponível no Brasil) é um antibiótico fluroquinolônico indicado para o tratamento de infecções causadas por bactérias que podem causar quadros como pneumonia; exacerbação bacteriana aguda na bronquite crônica; gonorréia não complicada (uretrite e cervicite); uretrite e cervicite causadas pela Chlamydia pneumoniae. A companhia, Glaxo Welcome, desenvolveu uma retirada voluntária desse produto após revisão de relatos da segurança da grepafloxacina. Conclui-se que, devido ao efeito da droga durante a repolarização cardíaca, havia prolongamento do intervalo QT e alguns pacientes poderiam apresentar uma rara, mas grave, arritmia ventricular conhecida como Torsades de Pointes quando tratados com a droga. FARMACOVIGILÂNCIA CISAPRIDA & arritmias cardiacas Data: 25/10/2000 A cisaprida tem sido implicada em mais de uma centena de casos de morte por arritmia cardíaca relatados desde 1992. Apesar destas evidências relatadas pelo Centro de Monitoramento de Medicamentos da Organização Mundial de Saúde, em Uppsala, Suécia, o fabricante tem reiteradamente negado tal associação. Em face do seu alto risco e a apresentação no mercado de outras alternativas, foi determinada sua retirada em diversos países, como demonstramos abaixo. Após coletar e analisar as decisões tomadas em outros países, o CEATOX apresenta um resumo da situação mundial: FARMACOVIGILÂNCIA Doxiciclina e lesões esofágicas Data: 15/10/2000

Foi relatada a ocorrência de distúrbios esofágicas associados com hidrocloridrato de doxiciclina. Esse efeito está relacionado com uso de todas as preparações de doxiciclina, mas atualmente tem se aumentado o risco dessas lesões, particularmente, com formulações que contém hidrocloridrato de doxiciclina. O mecanismo desta lesão parece ser uma conseqüência direta do contato prolongado de medicamentos irritantes em altas concentrações. É recomendado a ingestão destes produtos juntamente com quantidades apropriadas, até elevadas, de líquidos, para assim reduzir o risco de danos esofágicos. Além disso, o paciente deve permanecer em pé por pelo menos 30 minutos após a ingestão. Portanto, os médicos devem alertar seus pacientes a aderirem à dose recomendada e reportarem qualquer caso de reação adversa. FARMACOVIGILÂNCIA Agentes Anestésicos Halogenados & arritmias cardiacas Data: 10/10/2000 Recentemente foi publicada na revista Lancet a ocorrência de arritmias cardíacas em crianças que foram tratadas com halotano durante anestesia geral em procedimentos dentários. Esse estudo, em crianças com idade entre 3 a 15 anos, identificou arritmias em 48% dos pacientes anestesiados com halotano, comparado com 8% que receberam sevoflurano em doses progressivas e 16% em pacientes que receberam sevoflurano a 8%.As arritmias associadas ao halotano são principalmente ventriculares e seis crianças deste grupo apresentaram taquicardia ventricular. Os métodos de administração do sevoflurano não afetaram significativamente a freqüência das arritmias, que eram, principalmente, extrassístoles supraventriculares isoladas. Assim, recomenda-se que os anestésicos halogenados sejam usados em cirurgias dentárias somente em hospitais FARMACOVIGILÂNCIA Erva de São João ou Hypericum perforatum: segura ou não? Data: 15/9/2000 O uso cada vez maior e até indiscriminado, de medicamentos fitoterápicos podem provocar efeitos imprevisíveis. Estudos estão indicando que a prescrição destas ervas deve ser controlada . O uso da erva de São João com medicamentos alopáticos, em especial, os medicamentos antiretrovirais tem as seguintes recomendações: 1. A Erva de São João tem sido utilizada para tratamento da depressão e sintomas relacionados à esta doença. Seu mecanismo de ação antidepressiva ainda não é

totalmente claro, assim como seus efeitos. Vale lembrar que a depressão pode ser um quadro médico sério. Logo, o auto-diagnóstico e tratamento pode ser arriscado. 2. Também tem sido reportado a indução metabólica da Erva de São João sobre medicamentos, tais como: antidepressivos ,contraceptivos orais, warfarin, teofilina, digoxina, indinavir, ciclosporina, agentes anestésicos, assim como pode interferir na ação de certos medicamentos OTC (medicamentos isentos de prescrição médica). O efeito no metabolismo destes fármacos é a redução da concentração plasmática com a conseqüente redução da eficácia clínica dos mesmos. Além disso, o uso concomitante da Erva e de inibidores da recaptura de serotonina tem resultado em sintomas característicos da síndrome serotoninérgica central. 3. Tem se afirmado que a Erva não apresenta efeitos adversos; no entanto, tem sido relatado sintomas, tais como: fotossensibilidade, distúrbios gastrointestinais, fadiga e nervosismo. 4. A erva é um fármaco e não um suplemento alimentar, como tem sido sugerido na mídia. Portanto é necessário regulamentar este produto como um produto médico para garantir segurança e uso apropriado, como outras ervas medicinais. Em geral, os fitoterápicos e outros complementos medicinais tem sido largamente usados, mesmo com a falta de informações em relação a sua farmacologia, farmacocinética e interações com outras drogas. Com isso, médicos e farmacêuticos devem questionar e alertar seus pacientes sobre o uso de ervas medicinais em geral, e em especial com a erva de São João. Devido ao seu alto poder de interação, nenhum fitoterápico deve ser administrado com outros medicamentos sem orientação médica. Revista Brasileira de Toxicologia, 14(2), 49-54, 2001

Analgésicos, antipiréticos e antiinflamatórios não esteroidais: Dados epidemiológicos em seis centros de controle de intoxicações do Brasil
Herling G. A. Alonzo, Cristiana L. Corrêa, Flávio A. D. Zambrone Resumo Estudos e registros sobre intoxicações e reações adversas de vários países, incluindo o Brasil, demonstram que os medicamentos são responsáveis por grande parte dos atendimentos nos Centros de Controle de Intoxicações e em especial, os analgésicos, com destaque para dipirona, salicilatos e paracetamol. Com isso, o objetivo foi traçar o perfil epidemiológico das ocorrências envolvendo analgésicos, antipiréticos e antiinflamatórios não esteroidais no período de 1994 a 1997, e consequentemente, fornecer subsídios para a avaliação deste quadro no país. Foram consideradas as consultas envolvendo

medicamentos, registradas no período do estudo, pelo Grupo de Estudos Epidemiológicos em Toxicologia (GEET) composto por seis Centros de Toxicologia ligados a Hospitais Universitários, das cidades de Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Londrina (PR), Maringá (PR), Ribeirão Preto (SP) e Florianópolis (SC). Dos 75.717 casos registrados, os medicamentos aparecem como a segunda maior causa de notificação, com 22.165, sendo que deste total, 2263 referem-se aos analgésicos. Nas crianças de 1 a 5 anos, os acidentes com antiinflamatórios e salicilatos são os mais freqüentes e nos adultos, as tentativas de suicídio com dipirona, especialmente no sexo feminino. Unitermos: Epidemiologia, paracetamol, dipirona, salicilatos, analgésicos, antiinflamatórios não esteroidais. Psicofármacos em Crianças Os psicofármacos estão sendo prescritos para pacientes pediátricos sem justificativas palpáveis ou sem adequado acompanhamento terapêutico. Estes agentes são indicados com freqüência, por médicos não especializados em psiquiatria como: pediatras, médicos de família ou neurologistas, muitos dos quais carecem, às vezes, de adequada formação ou experiência em psicopatologia ou em psicofarmacologia. Em conseqüência, tem-se verificado um uso inadequado desses medicamentos em pacientes infantis, assim como ocasionais abusos. Quando esses agentes são usados de forma idônea e são administrados adequadamente a crianças ou a adolescentes, podem melhorar os sintomas de angústia dos transtornos psiquiátricos (1). Um estudo publicado na revista da Associação Médica dos EUA revelou que a prescrição de medicamentos psicofármacos às crianças na idade pré-escolar (2-4 anos) aumentou drasticamente entre 1991 e 1995. Os autores examinaram os registros de prescrições ambulatoriais de dois programas de saúde Medicaid (governamental) e serviços de medicina privada em vários Estados americanos, nos anos de 1991, 1993 e 1995. Foi avaliada a prevalência do uso de três dos principais grupos de psicofármacos: estimulantes, antidepressivos e antipsicóticos. Além disso foram avaliados dois medicamentos específicos: metilfenidato e clonidina; este último é usado para tratar a hipertensão em adultos e, cada vez mais empregado no tratamento de crianças com transtornos por déficit da atenção com hiperatividade. Durante o período de estudo os investigadores observaram aumentos significativos na prevalência da prescrição de clonidina, estimulantes e antidepressivos; houve um aumento leve da prescrição de antipsicóticos. O número de antidepressivos dobrou em ambos os grupos estudados (Medicaid e serviço privado). O metilfenidato foi o psicofármaco mais prescrito, sua indicação para crianças com idade entre 2 e 4 anos aumentou significativamente nos três programas em estudo, triplicando-se em dois deles. O uso de clonidina é particularmente preocupante dado o fato que sua prescrição elevada ocorreu na ausência de dados que justificasse o seu uso

(como seguro e efetivo) no tratamento de desordem da atenção. Foram verificados alterações no ritmo cardíaco e esmorecimento/desânimo nas crianças tratadas com clonidina associada com outros medicamentos para transtornos por déficit da atenção com hiperatividade (2). O editorial que acompanhou este estudo publicado enfatiza que a maioria dos medicamentos foram prescritos de modo impróprio, já que a eficácia dos psicofármacos até o momento não foi demonstrada em crianças com a faixa etária mencionada. Além do mais, questionou-se a validade e a confiabilidade dos diagnósticos de transtornos por déficit de atenção com hiperatividade, transtornos do humor e esquizofrenia. Os estudos atuais indicam que a essa idade as crianças experimentam enormes alterações no cérebro. Os processos visuais, de linguagem e das habilidades motoras são adquiridas durante este período. A densidade sináptica do córtex cerebral alcança seu desenvolvimento máximo na idade dos 3 anos e se modifica substancialmente durante os próximos 7 anos. Ao mesmo tempo, a taxa metabólica cerebral alcança seu pico entre os 3 e 4 anos. Não existem evidências empíricas que justifiquem o tratamento com psicofármacos em crianças menores de 06 anos (exceto nos casos de controle de transtornos convulsivos-epiléticos e psicopatias com intensa agressividade) e existe grande preocupação de que estes medicamentos possam produzir sérios danos ao cérebro em franco desenvolvimento. Sendo assim, é necessário a realização de maiores estudos para se determinar as conseqüências a longo prazo do uso de psicofármacos em pediatria (3). Referências Bibliográficas 1.OPS. Psicofarmacologia em niños y adolescentes: un manual para el clinico. Washington, DC: OPS, 1990. 2.Zito JM, Safer DJ, dos Reis S, Gardner JF, Boles M, Lynch F. trends in the prescribing of psychotropic medication to preschoolers. JAMA 2000; 283: 1025-1030. 3.Coyle JT. Psychotropic drug use in very young children (editorial). JAMA 2000; 283. DIPIRONA: SEGURA ou PERIGOSA ??? 1. As indicações de uso aprovadas na Alemanha não mudaram desde 1986. Não há evidência científica recente que influa quanto ao conhecimento. As indicações regulamentadas na Alemanha são: a) dor aguda grave em razão de trauma ou cirurgia. b) dor em cólica. c) dor relacionada ao câncer ou dor aguda ou crônica grave, mas apenas se outras intervenções terapêuticas falharam ou estão contra-indicadas.

d) hiperpirexia grave, quando a aplicação de outras medidas tenham falhado. Assim, a dipirona não está aprovada para dor como enxaqueca, uma vez que outros analgésicos não opióides (ácido acetilsalicílico, paracetamol ou naproxeno) são igualmente efetivos e outros medicamentos sejam até superiores, como sumatriptano ou ergotamina. A dipirona não é também considerada um substituto para o ácido acetilsalicílico, paracetamol ou diclofenaco nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde para o controle da dor pois ela tem um risco mais alto para o paciente que outros medicamentos, em doses com igual efetividade. As regulamentações da lei de medicamentos da Alemanha não são invalidadas por alegações de "liberdade terapêutica" feitas pela profissão médica. O médico assistente que usou dipirona fora das indicações de uso aprovado é legalmente responsável nos casos de suspeita de dano induzido por medicamento. O ônus recai sobre o médico, não sobre o paciente, para que prove que a escolha terapêutica foi adequada. É difícil concluir, especialmente se existem poucos dados para mostrar que a dipirona é mais efetiva ou mais segura que outros analgésicos não opióides. 2. O fabricante de dipirona e alguns conselheiros científicos tem reiteradamente afirmado que o risco de desenvolver agranulocitose em razão do emprego de dipirona é tão baixo quanto 1:1.000.000. Isso é enganoso e falso. Os resultados apresentados pelo IAAAS (International Agranulocytosis and Aplastic Anemia Study)5 dão como dimensão do denominador "uma semana de uso", enquanto a freqüência de agranulocitose é usualmente dada como casos por ano. Assim, tem de se multiplicar a freqüência de agranulocitose induzida por dipirona segundo a IAAAS (1:1.000.000) por 52 (semanas) a fim de obter a unidade correta (ano). Isto dá o número de um caso de agranulocitose por 20.000 usuários de dipirona por ano (1:20.000), um valor realístico. Em 1985, o IAAAS documentou cerca de 100 casos de agranulocitose induzida por dipirona na República Federal da Alemanha. O uso de dipirona esteve próximo de 10 milhões de caixas prescritas para cerca de 3 milhões de pacientes no mesmo ano. Isto dá um caso de agranulocitose em 30.000 usuários (1:30.000). Este valor está de acordo com os dados calculados provenientes da literatura internacional, feitos pelo Federal Health Office em 19821. Ambos os cálculos mostram que o risco de agranulocitose induzida pela dipirona é na verdade 50 vezes mais elevado que a magnitude do risco "semanal" de 1:1.000.000 descrito pelo IAAAS5 e amplamente propagada pelo produtor. 3. A dipirona tem um componente imunogênico muito alto. Ela não só causa reações alérgicas na medula óssea mas também o inteiro espectro das doenças imunogênicas graves incluindo nefrite intersticial, hepatite, alveolite e pneumonite tanto quanto doenças cutâneas graves como a síndrome de Stevens-Johnson ou a de Lyell2. A dipirona muitas vezes causa vasculite que clinicamente se apresenta como síndrome de choque com início agudo ou demorado. Dados provenientes de nosso sistema hospitalar de vigilância

de reações adversas medicamentosas sugerem que as reações de choque do tipo vasculite induzidas pela dipirona ocorrem dez vezes mais freqüentemente que a agranulocitose. A mortalidade desta reação parece ser de 30% a 50% em nossos pacientes: tanto a reposição de volume quanto as medidas vasopressoras falham na elevação da pressão arterial em razão da destruição das células endoteliais vasculares pela vasculite de hipersensibilidade induzida pela dipirona. Esta dimensão dos riscos induzida pela dipirona não é publicada nem discutida por produtores ou usuários4, ainda que esteja disponível a informação sobre os elevados riscos de se contrair muitas doenças imunogênicas em acréscimo à agranulocitose2. 4. Não pode ser argumentado que a dipirona foi licenciada de novo na Suécia, uma vez que as autoridades suecas querem revisar uma falsa avaliação dos riscos do produto feita em 19933. O clínico que descreve o risco especial de agranulocitose por dipirona não é mais profissional ativo. De outro lado, o chefe do departamento de segurança de medicamentos na agência sueca de medicamentos parece ter interesses semelhantes aos da Hoechst, principal produtor de dipirona, o que pode ser inferido de sua participação na IAAAS. Parece estranho que seja permitido a um representante oficial de uma agência regulamentadora de medicamentos participar de projetos patrocinados pela indústria farmacêutica e tirar proveitos na sua carreira científica deste patrocínio. Atividades similares suspeitas causaram até pedido de demissão do presidente da Agência de Saúde da Alemanha Federal (BGA) em meados dos anos 80. Comentários da Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime) 1) Porcentagem de vendas de produtos com base em dipirona - 30,88%; paracetamol 16,33%; ácido acetilsalicílico - 11,55%; ácido mefenâmico - 3,09%. 2) Todas as associações da tabela (dois ou mais princípios ativos) são irracionais. 3) O ácido mefenâmico não é analgésico comum. É usado para o tratamento da dor na artrite reumatóide e na dismenorréia e menorragia, unicamente sob prescrição médica, nos países desenvolvidos. 4) Nenhum dos produtos com base em dipirona como único princípio ativo está comercializado na maioria dos países desenvolvidos (Austrália, Canadá, Dinamarca, EUA, Noruega, Reino Unido, Suécia etc). Em poucos países desenvolvidos (p.ex. Alemanha) a dipirona é utilizada, sob prescrição médica, nas seguintes situações clínicas: dor aguda grave em razão de trauma ou cirurgia; dor em cólica; dor relacionada ao câncer ou dor aguda ou crônica grave, mas apenas se outras intervenções terapêuticas falharam ou estão contra-indicadas; hiperpirexia grave quando a aplicação de outras medidas tenham fracassado. Na Alemanha, há alguns anos, foi retirado do mercado todas as associações contendo dipirona.

5) O uso do ácido acetilsalicílico só é aconselhado para maiores de 12 anos por causa da possibilidade de síndrome de Reye (distúrbio cerebral grave que se verifica após doença febril aguda, geralmente influenza ou varicela). 6) O único princípio ativo que consta da Lista Modelo de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde e da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename-2000) é o paracetamol. 7) Qualquer produto farmacêutico que pode ser adquirido sem prescrição médica ou odontológica não deveria ser consumido sem orientação de médico, dentista ou de farmacêutico.

Formas de Intoxicações
Normalmente se ignora a fonte de intoxicação que motiva a enfermidade do paciente. Entretanto, a suspeita de tal eventualidade e sua ocorrência devem entrar no diagnóstico diferencial corrente do médico prático. As principais etiologias toxicológicas são: • Acidentais • Iatrogênicas • Profissionais • Suicidas • Homicidas • Rurais • Urbanas • Sociais (toxicomanias) • Genéticas a) INTOXICAÇÕES ACIDENTAIS São as mais correntes em pediatria. As crianças se intoxicam ao ingerir medicamentos, substâncias cáusticas (ácidos ou álcalis), domissanitários ou defensivos devido as mais diversas circunstâncias, seja durante suas peripécias e brincadeiras, seja motivada pelo descuido e imprudência dos adultos ou sem causas aparentemente justificadas. Também sofrem, semelhante aos adultos, mas com agravo clínico de grandes proporções, as conseqüências das emanações de monóxido de carbono das cozinhas e de calefações; ou comem alimentos venenosos por conterem toxinas naturais ou por contaminação extrínsica; ou confundem plantas venenosas com as que não são, freqüentemente ingerindo sementes altamente tóxicas como a do pinhão-bravo (pinhão-paraguaio Jatropha sp.); ou são vítimas de picadas de animais peçonhentos como serpentes, escorpiões, aranhas, lacraias ou lepidópteros. Absorvem através da pele as anilinas das tintas de suas roupas e sapatos, pelo couro cabeludo componentes de xampus pediculocidas a base de piretróides, cuja absorção e toxicidade são amplificados em virtude de lesões de continuidade provocadas pelo repetido ato das crianças de coçar a cabeça com as unhas. Muito preocupante, é a

utilização indiscriminada do acaricida tóxico NEOCID® (tem 02 organofosforados: malation/ diclorvós) consagrado pela medicina popular como potente ectoparasiticida é lipossolúvel e penetra a pele integra. Outra forma que merece destaque é a intoxicação acidental medicamentosa, muito presente em Pronto-Socorros e Centros de Saúde, determinando muitas vezes, severo agravo à saúde, particulamente da faixa etária de 1-4 de idade, a mais acometida. Na verdade, as toxinas, os venenos, as substâncias nocivas podem ingressar em nosso organismo por qualquer via, às vezes sem que o paciente ou seus familiares percebam e se previnam contra essa eventualidade. A respeito dessa causa de intoxicação, toda precaução e todo cuidado são poucos, todos nós estamos o tempo todo sob risco iminente. Por isso, lançamos a seguinte questão: "- Já nos intoxicamos alguma vez acidentalmente?" Muito provavelmente sim. "-Estamos nos intoxicando atualmente ?" ou ainda, "-Estamos nos intoxicando agora, neste momento ?". Pode até parecer que não, mas se pensarmos na qualidade da nossa água potável, será que não está com excesso de sais metálicos como prata e aluminio utilizados no seu tratamento; e o ar que respiramos nos centros urbanos, já imaginou a quantidade de gases tóxicos e partículas que inspiramos; e quando estamos ao lado do fumante, não fumamos passivamente até 2 metros de distância dele mesmo em local aberto. Muitas formas de intoxicação são sutis, estão inseridas no nosso cotidiano e estão implicitas, nos contaminado cronicamente, de modo contínuo, ininterrupto até a saturação completa dos nossos mecanismos de ajuste e controle homeostáticos, gerando diversos distúrbios patológicos de diagnósticos dificeis e terapias marcadas pelo insucesso. b) IATROGÊNICAS Esta forma engloba os quadros clínicos causados por tratamentos e terapias, especialmente a farmacoterapia prescrita e não-prescrita. Podem ser devidos à sensibilidade individual do paciente, a idiossincrasia (seja uma resposta idiossincrásica por hiperdinamia, hipodinamia ou paradinamia), como as alergias dos pacientes frente a doses normais de certas drogas dentro de uma tratamento convencional (penicilina, sulfamidas, salicilatos, etc) gerando as farmacoalergias; ou também a tratamentos errôneos executados por leigos inaptos e imperitos como curandeiros. Intoxicações por "chá de papoula", "anis estrelado" e tantos outros elementos da medicina folclórica brasileira, que ainda se multiplicam em nosso meio e se apoiam nas crenças populares e num sistema público de saúde deficitário e mercantilista. As intoxicações por salicilatos (AAS, aspirina), por exempo, são muito comuns, porque os adultos dão este medicamento às crianças em quantidades que ultrapassam as doses terapêuticas e as administram sob o pretexto de alimento ou como "docinho" agradável ao paladar, deturpando completamente o real significado do medicamento, bem como sua finalidade. As atrosidade tarapêuticas não param por aí, xaropes antitussígenos a base de codeína ou de depressores respiratórios são prescritos e indicados para tratar afecções gripais ou rino-alérgicas; sedativos e psicofármacos somados a toda e variada gama de medicamentos que são autoprescritos encerram potencialmente perigos colaterais que conduzem a sintomatologia tóxica ou a verdadeiros envenenamentos. c) PROFISSIONAIS Também chamada de ocupacional, esta etiologia afeta a quem trabalha com substâncias tóxica e também a seus familiares e pessoas diretamente ligadas ao convívio no ambiente de trabalho. Pequenas indústrias estabelecidas no próprio lar;

ofocinas de reparação de acumuladores elétricos para veículos automotores, impressoras, oficina de cromados, lojas de pinturas com tintas contendo chumbo, podem determinar o saturnismo, tinturarias, fábricas metalúrgicas, indústrias de borracha, etc. É imprescindível averiguar cuidadosamente na anamnese do doente a natureza de suas tarefas profissionais para esclarecer uma possível relação causa/efeito de sua enfermidade, traçando uma sensata hipótese diagnóstica. Igual conduta cabe ao pediatra e ao farmacêutico ao interrogar sobre o ambiente em que vive a criança. d) SUICIDA A auto-intoxicação deliberada é o epifenômeno de uma enfermidade cujo verdadeiro diagnóstico não é o coma barbitúrico ou o coma tóxico e sim tentativa de suicício (TS) ou ainda, tentaiva de autoextermínio (TAE). Feito o diagnóstico correto do caso - a cada dia mais freqüente e numeroso - o tratamento não se limitará ao cuidado urgente do quadro tóxico e manutenção das funções vitais, imperativo ineludível para salvar a vida, mas deverá complementar-se de maneira harmônica, com o enfoque e cuidado global do paciente em sua patologia psicossocial. Para isto têm sido criados os Centros de Assistência ao Suicida, destinados a facilitar a reabilitação daqueles que tentaram se auto-eliminar para prevenir possíveis tentativas. Estes Centros estão ligados a uma entidade internacional que planifica a tarefa comum, enquadrada na integração de esforços através de equipes constituídas por toxicólogos, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e voluntários. A equipe multiprofissional deve auxiliar nessas crises vitais para resgatar efetivamente a vontade de viver do suicida, recuperando-o integralmente, removendo as causas do episódio e melhorando, na medida do possível, a psicopatologia individual de cada caso. Nas cidades grandes, onde as TS ocorrem com maior freqüência, é recomendável a criação de Centros Multiprofissionais de Assistência ao Suicida, para atender ao problema de forma idônea e integral. e) HOMICIDAS A suspeita de homicídios por envenenamentos escapa à responsabilidade de juízes, funcionários ou policiais, que intervém após a denúncia, e corresponde ao médico comum, em sua prática diária, pública ou particular. No capítulo da medicina legal, assim como outros desta especialidade, é de natureza eminentemente clíncia. O crime mediante o uso de tóxicos toma contato direto com o médico através da vítima "enferma". Uma negligência culposa surge com o fornecimento de atestado de óbito sem haver suspeitado do mecanismo anômalo da morte, atendo-se ao simples dado do processo terminal. A toxicologia apresenta-se com os quadros da medicina corrente: neurológicos, psiquiátricos, cardiovasculares, hepáticos, etc. O que vale não é o diagnóstico sintomático, correto porém insuficiente, e sim o etiológico. Não devemos relegar este tipo de homicídio a reduzidos ambientes sórdidos e excêntricos ou limitar-se a possibilidades dos argumentos de novelas, cinena ou televisão. Nas famílias mais bem conceituadas podem existir personalidades alteradas, desígnios funestos ou paixões aberrantes capazes de provocar intoxicações delituosas. A cobiça, o ódio, os ciúmes não têm variado com o tempo enm com as classes sociais. Suspeitando da possibilidade desta etiologia ilegal, ver-se-á com surpresa que sua realidade é bastante superior ao número de casos conhecidos. f) RURAIS

A medicina rural atua em muitos quadros de intoxicação: defensivos agrícolas, plantas tóxicas, animais peçonhentos e intoxicações endêmicas. Quanto aos agropesticidas, estes nos obrigam a mantermos uma atualização constante do conhecimento, pois se renovam periodicamente em suas fórmulas químicas, variando por isso a sua sintomatologia característica, seu grau de toxicidade e um tratamento específico e eficiente, juntamente com um antídoto em particular. Hoje em dia não há propriedade rural que não os manuseie. O perigo ameaça o trabalhador e também sua família em contato direto ou indireto com tão perigosas substâncias. Médicos e farmacêuticos atuam em um duplo papel de curar as intoxicações, individuais ou coletivas, e de trabalhar com agentes de saúde e de medicina preventiva. Devem aproveitar o contato com seus pacientes para elucidá-los sobre os perigos potenciais desses produtos, seu uso correto, as precauções que devem tomar, a destruição das embalagens vazias, a tríplice lavagem das embalagens vazias, o cuidado com a contaminação da água dos mananciais, represas, rios, lençol freático, e os cuidados constantes com os alimentos tratados com defensivos agrícolas. É extremamente útil e valioso a vinculação interprofissional de médicos e farmacêuticos com engenheiros agrônomos e veterinários, pois de sua tarefa comum redundarão evidentes benefícios para a saúde rural e urbana. g) URBANA Uma característica das grandes cidades é a chamada poluição urbana, que em alguns centros urbanos está assumindo proporções significativas. Descrevem-se dois tipos mais importantes: a poluição oxidante ou tipo "Los Angeles", em que a principal fonte são os veículos automotores, e a redutora ou tipo "Londres", conseqüente à queima de materiais para a produção de calor. Em ambos os casos as conseqüências sobre o ser humano são expressivas, pois apesar de geralmente não muito graves atingem proporção considerável da população. Os principais agentes químicos envolvidos são o monóxido de carbono, óxidos de enxofre e de nitrogênio, hidrocarbonetos e ozônio. h) SOCIAIS As toxicomanias não se reduzem aos casos graves, se bem que felizmente pouco freqüentes, de morfinômanos ou cocainômanos. O diagnóstico clínico deve ser feito segundo a pessoa e não conforme a droga. É necessário estabelecer a existência de uma dependência entre o enfermo (toxicomaníaco) e o tóxico. Esta relação produz euforia, hábito, costume e determina a síndrome de abstinência quando o organismo do viciado se priva do tóxico. Entretanto, a marca patognomônica de uma toxicomania é a mudança de personalidade, ou seja, a despersonalização. Este conjunto de sinais e sintomas nos leva à conclusão de que estamos diante de um toxicômano, ainda que aparentemente a droga motivadora seja menos tirana que a morfina e a cocaína. O enfoque supracitado autoriza a considerar como toxicômano os alcoólatras, os fumantes inveterados, os habituados aos barbitúricos e às anfetaminas, etc. A transferência da personalidade de um indivíduo acarretado pelas drogas, gerando os fenômenos e síndromes inerentes a dependência química ou a dependência psiquíca, está sempre presente para aquelas substâncias consideradas drogas despersonalizantes e por isso, dentre outros efeitos nocivos ao organismo humano, são na sua maioria ilícitos e tem seu tráfico combatido pela polícia federal. O toxicômano carece de tratamento especial e deve estar amparado por uma equipe multiprofissional (médicos, toxicólogos, farmacêuticos, psicólogos e assistentes

sociais) juntamente com a família e amigos, objetivando a perda lenta e progressiva do hábito de consumir a droga como uma parte desintoxicante e outra, mais transcendental, de natureza psiquiátrica, tentando restaurar o livre-arbítrio do enfermo e romper todos os elos de ligação toxicômano-droga até anular completamente todos os níveis de dependência à droga. Em pediatria tem-se diagnosticado a toxicomania de "cheirar colas", prouzidas pela inalação de solventes voláteis que causam embriaquez e narcose, conduzindo, às vezes, ao coma grave. A questão é bastante preocupante, em virtude da facilidade da instalação da dependência química, pois as criança tornam-se viciadas logo após as primeiras experiências com a aspiração dos solventes das colas modernas como a cola de sapateiro, a qual pode determinar lesões irreversíveis no SNC. i) GENÉTICAS O processamento desta matéria tem esclarecido muitos quadros considerados como de "idiossincrasia a drogas", mas na realidade, correspondem a falhas genéticas que provocam deficiências enzimáticas. Grupos étnicos, geneticamente puros, que não toleram anestesia nem medicamentos depressores do SNC; labilidade tipo familiar nos eritrócitos de certas pessoas afetadas por quadros de hemólise intravascular e icterícia provocada, por exempo, pela ingestão de certas favas ou de produtos farmacêuticos, por não possuírem a enzima glicose-6-fosfato-desidrogenase suficiente para o metabolismo da hemácia, "acatalásia" ou impossibilidade de decompor a água oxigenada, por ausência das catalases no sangue; aqueles indivíduos da raça dos Judeos com deficiência de esterases séricas (principalmente a butirilcolinesterase) que não conseguem hidrolisar a succilcolina (bloqueador neuromuscular) podem evoluir para dispnéia, apnéia e parada respiratória. O panorama é amplo e este enfoque permite explicar quadros considerados antes como idiopáticos ou de origem desconhecida.

Formol ou Formaldeído
O formol ou formaldeído, solução a 37%, é um composto líquido claro com várias aplicações, sendo usado normalmente como preservativo, desinfetante e anti-séptico. Também é usado para embalsamar peças de cadáveres, mas é útil também na confecção de seda artificial, celulose, tintas e corantes, soluções de uréia, tiouréia, resinas melamínicas, vidros, espelhos e explosivos. O formol também pode ser utilizado para dar firmeza nos tecidos, na confecção de germicidas, fungicidas agrícolas, na confecção de borracha sintética e na coagulação da borracha natural. É empregado no endurecimento de gelatinas, albuminas e caseínas. É também usado na fabricação de drogas e pesticidas. Toxicidade - O formol é tóxico quando ingerido, inalado ou quando entra em contato com a pele, por via intravenosa, intraperitoneal ou subcutânea. Em concentrações de 20 ppm (partes por milhão) no ar causa rapidamente irritação nos olhos. Sob a forma de gás é mais perigoso do que em estado de vapor. Carcinogenicidade (avaliação do potencial cancerígeno) Em quatro instituições internacionais de pesquisa foi comprovado o potencial carcinogênico do formaldeido.

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Em 1995, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) concluiu que o formaldeído é um provável carcinógeno humano. Entretanto, em uma reavaliação dos dados existentes em junho de 2004, o IARC reclassificou o formaldeído como carcinogênico para humanos . Agência de Proteção Ambiental (EPA), dos EUA: "O composto foi avaliado pelo grupo de avaliação de carcinogenicidade da ACGIH e foi considerado suspeito de causar câncer em humanos " [015,415,421]. Associação de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA), dos EUA: considera que o agente é suspeito de causar câncer para humanos. O Programa Nacional de Toxicologia dos EUA (Fourth Annual Report on Carcinogens) de 1984 considerou que o formaldeído é um agente cancerígeno nas seguintes doses para ratos:por via oral, 1170 mg/kg/; por via dérmica 350 mg/kg e por via inalatória 15 ppm/6 horas

Sintomas em caso de intoxicação A inalação deste composto pode causar irritação nos olhos, nariz, mucosas e trato respiratório superior [036, 151, 301,406]. Em altas concentrações pode causar bronquite, pneumonia ou laringite [036,151]. Os sintomas mais freqüentes no caso de inalação são fortes dores de cabeça, tosse, falta de ar , vertigem, dificuldade para respirar e edema pulmonar [215]. O contato com o vapor ou com a solução pode deixar a pele esbranquiçada, áspera e causar forte sensação de anestesia e necrose na pele superficial. Longos períodos de exposição podem causar dermatite e hipersensibilidade, rachaduras na pele (ressecamento) e ulcerações principalmente entre os dedos; podem ainda causar conjuntivite [036,151]. O vapor de formaldeído irrita todas as partes do sistema respiratório superior e também afeta os olhos. A maioria dos indivíduos pode detectar o formol em concentrações tão baixas como 0.5 ppm e, conforme for aumentando a concentração até o atual limite de Exposição Máxima, a irritação se dá mais pronunciada. Medições das concentrações de formaldeído no ar em laboratórios de anatomia no ar têm apontado níveis entre 0,07 e 2,94 ppm (partes por milhão). Uma relação entre a concentração e os sintomas podem ser feitos:
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0,1 a 0,3 ppm: menor nível no qual tem sido reportada irritação; 0,8 ppm: limiar para o odor (começa a sentir o cheiro); 1 a 2 ppm: limiar de irritação leve; 2 a 3 ppm: irritação dos olhos, nariz e garganta; 4 a 5 ppm: aumento da irritação de membranas mucosas e lacrimejação significativa; 10 a 20 ppm: lacrimejação abundante, severa sensação de queimação, tosse, podendo ser tolerada por apenas alguns minutos (15 a 16 ppm pode matar camundongos e coelhos após 10 horas de exposição; 50 a 100 ppm: causa danos severos em 5 a 10 minutos (exposição de camundongos a 700 ppm pode ser fatal em duas horas).

A ingestão causa imediata e intensa dor na boca e faringe [151]. Provoca dores abdominais com náuseas, vômito e possível perda de consciência [036,151,301]. Outros sintomas como proteinúria, acidose, hematemesis, hematúria, anúria, vertigem, coma e morte por falência respiratória também podem ser observados [031].

Ocasionalmente pode ocorrer diarréia (com possibilidade de sangue nas fezes), pele pálida, fria e úmida, além de sinais de choque como dificuldade de micção, convulsões, e estupor. A ingestão também pode ocasionar inflamação e ulceração /coagulação com necrose na mucosa gastro-intestinal [151]. Também podem ser observadas lesões como corrosão no estômago e estrias esofágicas e colapso circulatório e nos rins após a ingestão. A inalação ou aspiração do produto pode provocar severas alterações pulmonares ao entrar em contato com o meio ácido estomacal [151]. Outras conseqüências são danos degenerativos no fígado, rins, coração e cérebro.[301, 455].

Intoxicação aguda - No estado líquido ou vapor é irritante para pele, olhos e mucosas. [036,151,301,406]. Também é um potente irritante do trato respiratório. É absorvido através da pele [169]. Pode causar lacrimejamento [455]. Recomendações - Segundo a OSHA, o limite máximo permitido de exposição contínua é de 5 ppm, sendo que, nos casos de pico, a concentração máxima deve ser de 10 ppm. A OSHA classificou o formol como irritante e com potencial cancerígeno O Criteria Document publicado pelo Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional dos EUA (NIOSH) recomenda que o limite máximo presente no ar seja de 0.1 ppm/15M e o uso de luvas e máscaras durante a manipulação do produto. A máscara deve ter filtro especial para vapores orgânicos. Informações adicionais - Sendo um composto com suspeita de causar câncer em humanos, todo cuidado deve ser tomado durante a manipulação do formol. Deve ser estocado em temperatura ambiente, mas não inferior a 15 Co(60 F).Deve ser protegido da luz e hermeticamente fechado para evitar contato com a atmosfera e com a lua. Em caso de derramamento deve-se usar papel absorvente para retirada do líquido. Deve-se retirar toda a roupa contaminada e colocá-la em recipiente adequado para ser descontaminação Caso tenha havido contato com a pele, deve-se lavar a superfície com sabão e água. Informações técnicas nome químico:: formaldeído a 37% fórmula química: CH2O fórmula estrutural: H2C=O sinônimos: formalina, formol, formalit, ivalon, Karsan, Lysoform, Oxometano, Oximetileno etc. Informações físico-químicas descrição: composto líquido claro peso molecular: 30.03 ponto de ebulição: 96 C [031,036] solubilidade: água: >=100 mg/mL @ 20.5 C (RAD); DMSO : >=100 mg/mL @ 20.5 C (RAD); 95%; etanol : >=100 mg/mL @ 20.5 C (RAD); acetona : >=100 mg/mL @ 20.5 C (RAD) volatilidade : pressão de vapor: 93.60 mm Hg @ 38 C (RAD) densidade do vapor: 1.0 [451] flamabilidade: Este composto tem seu flash point em 85 C0 (185 F) (058). É um composto combustível. pH: 2.8-4.0 [031]

Reatividade - O formol é um composto químico com enorme capacidade de redução, especialmente na presença de álcalis. É incompatível com amônia, álcalis, tanino, bissulfetos, preparações à base de ferro, prata, potássio e iodo. Reage com albumina, caseína, Agar-agar formando compostos insolúveis . É violentamente reativo com óxidos, nitrometano, carbonato de manganês e peróxidos. Estabilidade - Pode se transformar em nuvem especialmente em baixas temperaturas. Pode sofrer oxidação na presença do ar e da luz.

Iintoxicação na Infância
As intoxicações são a causa mais freqüente de acidentes domésticos não fatais. Nas crianças, as intoxicações graves mais comuns são decorrentes da ingestão de acetaminofeno, aspirina, substâncias cáusticas, chumbo, ferro e hidrocarbonetos. A maioria das intoxicações é acidental em crianças pequenas, mas, em crianças maiores, podem ser decorrentes de tentativas de suicídio. Quando uma criança ou um adulto é exposto a uma substância tóxica, a primeira providência é solicitar orientação do Centro de Controle de Intoxicações local. O número de telefone do Centro está listado no catálogo da região ou pode ser obtido junto à telefonista. Formas para prevenir intoxicações
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Uso de tampas e recipientes de segurança Armazenamento de substâncias perigosas em armários trancado Não guardar produtos domésticos em prateleiras baixas e nem deixá-lo no chão Manter medicamentos e substâncias perigosas em seus recipientes originais Ensinar às crianças sobre os perigos de ingerir ou manipular medicamentos e produtos domésticos

Inseticida pode até dobrar risco de  leucemia
A aplicação de xampus à base de piretrina para tratar piolho ou o uso de inseticidas em casa podem dobrar as chances de uma criança desenvolver leucemia, de acordo com um estudo do Inserm, o Instituto Francês para Pesquisa Médica. O trabalho, publicado nesta terça-feira pela revista médica Occupational and Environmental Medicine Journal e liderado por Florence Menegaux, descobriu que o uso de inseticidas é perigoso durante a gravidez ou a infância das crianças. "As descobertas desse estudo reforçam a hipótese já indicada pela literatura especializada de que a exposição a pesticidas de uso caseiro pode ter um papel na leucemia aguda infantil", afirmou Menegaux. As conclusões foram baseadas no estudo de 568 crianças, das quais 280 tinham leucemia aguda e outras 288, do mesmo sexo e mesma faixa etária, eram saudáveis.

Os pais das crianças responderam questionários sobre a sua ocupação e sobre o uso de pesticidas no jardim e dentro de casa. Polêmica Os médicos relacionaram o uso prolongado de inseticidas de jardim a um aumento de 2,4 vezes nos riscos, enquanto os de uso caseiro provocaram um aumento de 2,5 vezes nos riscos. "A consistência dos nossos resultados e dos resultados de estudos anteriores indica que pode ser oportuno considerar medidas preventivas", afirmou a chefe da equipe de cientistas, que, no entanto, não considera o estudo prova definitiva da relação entre câncer e inseticidas. Ken Campbell, um representante do Fundo Britânico de Pesquisa sobre Leucemia, ressaltou que a relação entre o uso de inseticidas e a leucemia é "contenciosa". "Há relatos conflitantes. O problema é que normalmente quem faz essa relação ganha publicidade", disse o representante da ONG. Ele aponta dois principais problemas na pesquisa francesa: o primeiro é que o número de casos estudado é "pequeno"; além disso, Campbell diz que a pesquisa depende da memória dos pais, que "é notoriamente imprecisa". Para ele, a pesquisa não é prova de que haja a relação entre pesticidas e leucemia em crianças.

 ntoxicação alimentar

Por Lúcia Helena Salvetti De Cicco Causas mais comuns: A deterioração dos alimentos. O cozimento por complexo destrói as bactérias nocivas "Deve ter sido alguma coisa que eu comi." Quantas vezes você já disse ao sentir um indisposição acompanhada de vômitos, dores de estômago e diarréia? De fato, os casos de uma ligeira intoxicação alimentar se tornaram tão comuns hoje em dia que dificilmente achamos necessário consultar um médico a respeito. Intoxicação alimentar é o nome que se dá aos sintomas desagradáveis que uma pessoa experimenta depois de ingerir alimentos contaminados por certas bactérias nocivas. Contraindo a crença popular de que alimentos deteriorados costumam provocar intoxicação alimentar, as bactérias que deterioram os alimentos não são a causa mais comum desse distúrbio. Na realidade, esse tipo de intoxicação é muito raro porque, em geral, as pessoas não chegam a ingerir um alimento que está notoriamente estragado. Muito pelo contrário, a comida contaminada que realmente provoca a intoxicação quase sempre tem aparência, cheiro e gosto normais. Tipos de intoxicação alimentar Em geral, a intoxicação alimentar é provocada por três tipos de bactérias. Cada uma delas se desenvolvem num determinado tipo de alimento (necessitando de certas condições especiais para poder se multiplicar) e produz um conjunto deferente de sintomas.

Intoxicação por salmonela As bactérias do tipo salmonela são a causa mais freqüente de intoxicação alimentar. Elas contaminam todos os tipos de carne usados na nossa alimentação, antes mesmo de o animal ser abatido. Depois que um animal é contaminado pela salmonela, ele se torna portador e propagador da bactéria, pois, como ela é eliminada junto com as fezes, o solo e a água usados pelo animal também ficam contaminados, afetando outros animais. Os métodos modernos de cultivo intensivo, utilizado atualmente nas fazendas, também facilitam a disseminação da salmonela e, em geral, a infecção não chega a ser descoberta porque os animais afetados quase nunca mostram sinais de doença. Depois, quando o animal doente é enviado ao matadouro para ser abatido , outros animais ficam expostos aos germes, principalmente quando as normas de higiêne são negligenciadas. Como é praticamente impossível distinguir entre carne sadia e contaminada pela salmonela, a carne infectada acaba sendo comercializada da maneira habitual. O cozimento completo da carne contaminada, seja em casa, seja por meio de processamento industrial do produto, destrói totalmente as bactérias nocivas, exceto nos casos de carne descontaminada volta a entrar em contato com outras carnes infectadas pela salmonela. Existe perigo toda vez que a carne não é cozida durante o tempo necessário e a uma temperatura suficiente alta para matar a salmonela. Isso acontece, por exemplo, com as aves congeladas antes de serem levadas ao fogo. Se uma galinha ou um peru grandes forem assados a uma temperatura demasiado baixa, de modo que o calor não chegue a atingir o centro da ave, há uma grande possibilidade de que as bactérias sobrevivam. Nesse caso, elas continuarão a se reproduzir e contaminarão todo o resto da carne, tornando-a inadequada para o consumo. Por isso deve-se tomar muito cuidado com os frangos grelhados habitualmente vendidos em rotisserias, porque são assados a temperatura muito baixas, insuficientes para exterminar as bactérias. A intoxicação por salmonelas também pode ser provocada pela clara de ovo que, depois de se tornar contaminada, passa por processo de desidratação, ou congelamento e é utilizada, sem cozimento, para coberturas e recheios de bolo. Sintomas Se uma pessoa ingere um alimento contaminado por salmonela, 12 ou 48 horas depois ela pode Ter diarréia, embora esta possa se limitar a apenas um ligeiro desarranjo intestinal. A gravidade dos sintomas varia de pessoa para pessoa, dependendo da quantidade de toxina ingerida e da resistência natural de cada organismo. Embora a intoxicação por salmonela quase nunca cause enjôos e dores de estômago, a pessoa contaminada pode Ter, além da diarréia, um pouco de febre e dor de cabeça. Em geral, numa pessoa com saúde normal, os sintomas desaparecem após três ou quatro dias. No entanto, as pessoas contaminadas continuam portadoras da doença durante vários meses. A razão é que, embora os sintomas tenham desaparecido, as bactérias continuam presentes no intestino e são eliminadas com as fezes. Por esse motivo, é muito importante lavar sempre as mãos depois de ir ao banheiro, principalmente se a pessoa vai manipular alimentos e utensílios usados para comer. Tratamento: É sempre aconselhável procurar um médico.Nos casos menos graves, um dia de repouso e a ingestão de uma grande quantidade de água ou de sucos, para compensar a perda de líquidos provocada pela diarréia ou pelos vômitos, serão o bastante para a recuperação. Também é aconselhável evitar alimentos sólidos durante um ou dois dias. Se os sintomas persistirem, é aconselhável procurar um médico. Cuidados especiais

Se os sintomas forem muito acentuados ou levarem mais de três dias para desaparecer, o paciente deve consultar um médico sem demora. No caso de bebês, crianças ou pessoas idosas afetados pela doença, também é preciso consultar um médico imediatamente após o aparecimento dos primeiros sintomas. Nesses casos, a perda de líquidos, em conseqüência da diarréia ou dos vômitos, pode levar uma rápida desidratação e consequentemente se transformar num problema sério. Os antibióticos raramente são receitados para pacientes com intoxicação alimentar porque, em geral, eles atuam apenas sobre a corrente sangüínea, e as salmonelas estão presentes no intestino. Além disso, os antibióticos podem até mesmo impedir que o mecanismo natural de defesa do organismo combata a infecção. Intoxicação alimentar por clostrídios A bactéria responsável por esse tipo de intoxicação alimentar, o Clostridium prefringes, se torna ativa - e causa problemas - durante o cozimento dos alimentos. Os pratos à base de carne, como os ensopados e as tortas, por exemplo, são particularmente suscetíveis ao ataque desses germes. Essas bactérias, que estão presentes no ar, na poeira e no chão, disseminadas pelas moscas, são indestrutíveis e sobrevivem à fervura durante horas seguidas. Em temperatura abaixo de 20ºC, ou acima de 60ºC, elas se mantém inativas. Porém, entre esses dois limites, elas se multiplicam rapidamente, contaminando o alimento é mantido aquecido durante várias horas após o cozimento, quando, quando ele é esfriado lentamente e em seguida não obtém uma refrigeração adequada ou quando ele é requentado durante vários dias seguidos. Sintomas Os sintomas desse tipo de intoxicação surgem em geral entre 12 e 24 horas após a ingestão do alimento contaminado. Na maioria dos casos, o paciente tem fortes e persistentes does abdominais seguidas de diarréia,. Entretanto, a temperatura permanece normal e é rara a ocorrência de vômitos. Embora a pessoa se sinta bastante indisposta durante todo o tempo em que os sintomas persistirem, eles desaparecem depois de um ou dois dias. Se os sintomas continuarem presentes por mais tempo, é possível que o problema tenha uma causa completamente diferente. Tratamento: É sempre aconselhável procurar um médico. Este tipo de intoxicação alimentar deve receber o mesmo tratamento dado à intoxicação por salmonela. O paciente necessita de um dia de repouso e deve ingerir uma grande quantidade de líquidos. Caso a diarréia persista, ele deverá seguir tratamento médico. De qualquer maneira, sempre é aconselhável procurar um médico se os sintomas forem muito acentuados e persistentes ou se o paciente for uma criança ou uma pessoa idosa. Intoxicação alimentar por estafilococos O Staphylococus aureus, um microorganismo que causa uma outra forma muito comum de intoxicação alimentar , geralmente está presente na superfície da pele, principalmente em torno do nariz, e também em certas infecções cutâneas, tais como cortes sépticos, espinhas e furúnculos. Um corte infeccionado na mão ou no braço de uma dona de casa que prepara uma refeição para sua família, por exemplo, pode contaminar os alimentos se eles não forem cozidos a um temperatura de 60ºC ou mais durante no mínimo meia hora. Se os alimentos contaminados por esta bactéria forem ingeridos crus ou parcialmente cozidos, eles podem provocar uma intoxicação alimentar que, na verdade, não é causada pela própria bactéria, mas sim pela toxina que ela produz. Os alimentos comumente relacionados com esse tipo de intoxicação são presunto, língua, carnes defumadas (os conservantes usados nesses alimentos, infelizmente não

eliminam as bactérias), pasta de carne, maionese, sorvetes, confeitos e doces industrializados. Sintomas Os sintomas surgem de uma a quatro horas após a ingestão do alimento contaminado e costumam ser bastante acentuados. Logo no início, o paciente sente tonturas e náuseas. Esses primeiros sintomas são acompanhados de vômitos abundantes que duram entre quatro e seis horas. Algumas pessoas também têm diarréia, sobretudo se ingerirem uma grande quantidade de toxina. A maioria dos pacientes se recupera em um período de 24 horas, mas as crianças e as pessoas idosas costumam levar mais tempo para se fazer. Tratamento: É sempre aconselhável procurar um médico. O tratamento para esse tipo de intoxicação alimentar é exatamente o mesmo indicado para intoxicação por salmonela e por clostrídio- repouso e uma abundante ingestão de líquidos. Tipos de intoxicação pouco freqüentes Uma forma muito grave, embora extremamente rara, de intoxicação alimentar é o botulismo , doença causada por uma bactéria do gênero Clostridium. Em vez de atacar o intestino, como os outros tipos de intoxicação alimentar, o botudismo ataca o sistema nervoso e requer um tratamento totalmente diferente. O paciente com butolismo precisa ser internado num hospital, onde é submetido a um tratamento intensivo. Plantas venenosas Algumas plantas venenosas, quando ingeridas, causam intoxicação agudas, que chegam a ser fatais se não forem tratadas prontamente: · Comigo - ninguém pode As folhas dessa planta provocam fortes queimaduras que atingem o esôfago, causando a morte devido ao traumatismo que se segue à intoxicação. A vítima sente dor e ardor intensos nos lábios, no nariz e na garganta; sua boca e laringe incham e as gengivas sangram. · Mandioca -brava Provoca palidez, arroxamento da pele, dilatação das pupilas e aparecimento de espuma sanguinolenta nos cantos da boca. · Mamona Cerca de uma hora após a ingestão, a vítima é acometida por náuseas, vômitos e diarréia. Também aparecem reações como prostração, sonolência e convulsões. Para todos os casos, a melhor solução é fazer a vítima vomitar, misturando-lhe água morna, óleo vegetal , etc,. e procurar assistência médica imediatamente. Como evitar a intoxicação alimentar Muitas pessoas chegam a achar exagerados alguns dos cuidados que relacionamos abaixo. Mas, considerando os perigos que sua não observância acarreta, eles até que valem a pena. Mas ainda: são precauções muito fáceis de tomar e exigem muito pouco esforço.

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Lave sempre as mãos depois de ir ao banheiro e antes de preparar os alimentos. Se você tiver um ferimento nas mãos ou nos braços, proteja - o com esparadrapo e use luvas de borracha. Lave bem frutas e verduras em água corrente, sobretudo se você pretende ingerilos crus. Certifique - se de que os alimentos estão sendo cozidos da maneira certa. Em caso de dúvidas sobre a temperatura da água ou o tempo de cozimento corretos, consulte um bom livro de culinária. Degele completamente a carne de aves antes de levá- la ao fogo. As carnes de vaca, carneiro e peixe podem ser cozidas logo depois de serem tiradas do congelador. Se você fez um ensopado e pensa utiliza - lo em mais de uma refeição, cozinhe rapidamente, cubra e conserve num lugar frio, de preferência na geladeira. Esta precaução é particularmente importante se você pretende come-lo frio, ou deixá-lo para o dia seguinte. Se quiser manter a comida quente para alguém que chegará depois, mantenha - a aquecida a uma temperatura superior a 60ºC. Quando você for requentar a comida, faça-o de maneira que ela seja totalmente reaquecida e requente apenas a quantidade que você irá comer realmente. Não deixe a carne crua entrar en contato com a que está cozida ou assada. Evite comprar em estabelecimento onde carnes cruas e cozidas ficam junt

Intoxicações
A intoxicação é o efeito nocivo que se produz quando uma substância tóxica é ingerida ou entra em contato com a pele, os olhos ou as membranas mucosas (p.ex., da boca, da vagina ou do pênis). Entre os mais de 12 milhões de produtos químicos conhecidos, menos de 3.000 causam a maioria das intoxicações acidentais ou premeditadas. Contudo, praticamente qualquer substância ingerida em grande quantidade pode ser tóxica. As fontes comuns de venenos incluem drogas, produtos domésticos, produtos agrícolas, plantas, produtos químicos industriais e substâncias alimentícias. A identificação do produto tóxico e a avaliação exata do perigo envolvido são fundamentais para um tratamento eficaz. Informações sobre o tratamento de intoxicações por várias substâncias podem ser obtidas no Centro de Controle de Intoxicações mais próximo, cujo número telefônico encontra-se no catálogo local ou pode ser obtido com o auxílio da telefonista. A intoxicação pode ser um acidente ou uma tentativa deliberada de assassinato ou de suicídio. As crianças, especialmente aquelas com menos de 3 anos de idade, são particularmente vulneráveis à intoxicação acidental, assim como as pessoas idosas (porque se confundem em relação aos seus medicamentos), os pacientes hospitalizados (por erros de medicação) e os trabalhadores da indústria (pela exposição a produtos químicos tóxicos). Sintomas Os sintomas de intoxicação dependem do produto tóxico, da quantidade ingerida e de certas características da pessoa que o ingeriu. Alguns produtos tóxicos não são muito potentes e exigem uma exposição prolongada ou ingestões repetidas de grandes quantidades para que ocorram problemas. Outros produtos tóxicos são tão potentes que basta uma gota sobre a pele para causar uma lesão grave. As características genéticas podem influir no fato de uma substância ser tóxica ou não para uma determinada pessoa.

Algumas substâncias que não são tóxicas, o são para as pessoas que apresentam determinadas características genéticas. A idade costuma afetar a quantidade de uma determinada substância que pode ser ingerida antes que a intoxicação intoxicação ocorra. Por exemplo, em comparação a um adulto, uma criança pequena pode ingerir uma maior quantidade de acetaminofeno antes de adoecer. Um benzodiazepínico (um sedativo) pode ser tóxico para uma pessoa idosa em doses que um adulto de meia-idade pode ingerir sem qualquer problema. Os sintomas podem ser pouco importantes mas desagradáveis (p.ex., prurido, boca seca, visão borrada e dor), ou podem ser graves (p.ex., confusão mental, coma, arritmias cardíacas, dificuldade respiratória e agitação intensa). Alguns produtos tóxicos produzem sintomas em segundos, enquanto outros somente produzem sintomas após horas ou mesmo dias. Alguns produtos tóxicos causam poucos sintomas evidentes até que tenha ocorrido uma lesão permanente da função de órgãos vitais (p.ex., fígado ou rins). Por essa razão, os sintomas de intoxicação são tão numerosos quanto a quantidade de produtos tóxicos existentes. Diagnósticos e Tratamento Após entrar em contato com o Centro de Controle de Intoxicações, os membros da família ou os colegas de trabalho das vítimas podem dar início aos primeiros socorros enquanto aguardam a ajuda dos profissionais. Deve ser determinado se a vítima está respirando e apresenta batimentos cardíacos e, quando necessário, a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada. Como o tratamento é realizado de forma mais adequada quando o produto tóxico é conhecido, os recipientes e amostras do vômito devem ser guardados e entregues ao médico. Quando o produto tóxico é desconhecido, o médico tenta identificá-lo através de exames laboratoriais. Um exame de sangue pode ajudar, mas, geralmente, o exame de uma amostra de urina é mais útil. O médico pode remover o conteúdo do estômago através da aspiração e enviálo para análise e identificação laboratorial. Quando uma pessoa ingere um produto tóxico, a indução do vômito deve ser rapidamente realizada, exceto quando existe o risco do produto produzir um maior dano se vomitado. Os exemplos de substâncias que não devem ser vomitadas são os objetos cortantes ou perfurantes, os produtos derivados do petróleo, a lixívia e os ácidos. Quando uma pessoa apresenta sonolência intensa, perda de consciência ou convulsões, o vômito não deve ser induzido, pois ela pode sufocar. O xarope de ipeca é o produto comumente utilizado para induzir o vômito. As instruções sobre dose estão impressas no rótulo do frasco. Quando ele não estiver disponível, a água com sabão pode ser utilizada. No hospital, a equipe médica utiliza outras técnicas para eliminar produtos tóxicos do estômago. Eles podem aspirar o estômago com o auxílio de uma sonda nasogástrica e lavá-lo com água (lavagem gástrica). Eles podem administrar carvão ativado através de uma sonda nasogástrica ou podem fazer o paciente ingeri-lo. Esse composto liga-se a uma quantidade significativa do produto tóxico, evitando que ele seja absorvido pela corrente sangüínea. Qualquer pessoa que foi exposta a um gás tóxico deve ser removida da área o mais rapidamente possível, de preferência para um local ao ar livre. Assim que chega ao local, a equipe médica de emergência administra oxigênio à vítima. Nos casos de derramamento de produtos químicos, todas as vestimentas contaminadas, incluindo os calçados e as meias, geralmente são imediatamente removidas. A pele e os olhos, caso tenham sido expostos, devem ser lavados abundantemente com água. Os socorristas devem tomar todas as precauções para não se contaminarem. Após o produto tóxico ser absorvido pelo trato gastrointestinal, da pele ou dos pulmões, ele dissemina-se rapidamente por todo o corpo. Finalmente, a maioria dos produtos tóxicos é

detoxificada pelo fígado ou excretados na urina. O médico tenta acelerar a detoxificação e a eliminação dos produtos tóxicos e, concomitantemente, tenta reverter seus efeitos tóxicos. Geralmente, é realizada a administração de líquidos pela via intravenosa para manter a vítima da intoxicação bem hidratada e também para manter a produção de urina. A esses líquidos, podem ser adicionadas bases ou ácidos fracos para aumentar a excreção do produto tóxico na urina. Substâncias químicas que se ligam a determinados produtos tóxicos, sobretudo metais pesados como o chumbo, podem ser administrados pela via intravenosa para ajudar a neutralizar e a eliminálos. A diálise pode ser necessária para a remoção de produtos tóxicos que não são imediatamente neutralizados ou eliminados do sangue. Quando existe um antídoto específico, este deve ser imediatamente administrado. São exemplos os anticorpos antidigoxina para tratar uma intoxicação pela digoxina e a droga naloxona para uma intoxicação causada pela morfina ou pela heroína. A intoxicação freqüentemente exige tratamentos adicionais, dependendo dos sintomas e da substância ingerida. Um respirador pode ser necessário quando ocorre uma parada respiratória, como pode ocorrer após uma dose excessiva de morfina, heroína ou barbitúricos. É freqüente a ocorrência de edema cerebral após uma intoxicação causada por sedativos, monóxido de carbono, chumbo ou outras substâncias químicas que deprimem o sistema nervoso. As drogas administradas para reduzir o edema cerebral incluem os corticosteróides e o manitol. A intoxicação pode causar insuficiência renal, que pode ser grave a ponto de exigir a diálise.

Plantas Tóxicas: Buchinha
Nome científico: Luffa operculata Cogn. Família botânica: Cucurbitaceae Outros nomes populares: buchinha-do-norte, buchinha-paulista, cabacinha. Sinonímia botânica: Cucumis sepium G.V.W. Mey, Luffa purgans M., Mormodica operculataL., M. purgans M., M. quinquefida Hk. E Arn., Poppya operculata Roem. Trepadeira de caule 5-anguloso, gavinhas simples ou bífidas, compridas e vilosas. Folhas longo-pecioladas, cordiformes ou reniformes, angulosas ou lobadas (3-5 lobos), um pouco ásperas. Flores amarelas, campanuladas, pequenas, axilares. Frutos ovóides, moles, pequenos, ásperos e com pequenas nervuras ou saliências espinescentes e seriados. Sementes compridas, lisas, com as margens regulares, sem alas. A buchinha é originária da América do Sul, e nativa no Brasil. A aspiração do infuso aquoso dos frutos há muito tempo tem sido utilizada empiricamente contra a sinusite. Porém, existem muitos relatos da ocorrência de hemorragias nasais após estas aspirações, resguardando seu uso. Entretanto, não foi da utilização desta planta no tratamento da sinusite que resultaram as intoxicações atendidas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Neste, todas as ocorrências relacionadas à buchinha tiveram como vítimas mulheres, entre 16 e 25 anos, que ingeriram quantidades variáveis de chás preparados com os frutos, na tentativa de causar aborto; um caso de óbito foi registrado. São poucos os relatos na literatura referentes a intoxicações por esta espécie. Os que existem fazem alusões a intoxicações experimentais

em animais. O mecanismo de ação do vegetal não está esclarecido e ainda existem dúvidas sobre o princípio causador do quadro toxicológico. Das espécies Luffa acutangula Roxb., L. cylindrica (L.) Roem. e L. aegyptiaca Mill. foram isoladas glicoproteínas com ações inibidoras da síntese protéica, embriotóxicas e abortivas, propriedades estas demonstradas em animais de laboratório (Ngai et al. 1992a, 1992b e 1993 apud Schenkel et al., 2001). Da espécie L. operculata propriamente dita, não há experimentos específicos com o objetivo de elucidar a ação abortiva do fruto. O trabalho mais significante foi realizado por Matos & Gottlieb em 1967. Neste, os autores isolaram do extrato aquoso do fruto um princípio amargo denominado isocucurbitacina B. As cucurbitacinas são esteróides resultantes da oxidação de triterpenos tetracíclicos e estão largamente distribuídas na família Cucurbitaceae. Para estas substâncias as atividades biológicas descritas na literatura são ações descongestionantes, laxativas, hemolíticas, embriotóxicas e abortivas. Recentemente trabalhos sobre o efeito necrótico destas substâncias em tumores estão sendo publicados. Assim, em virtude da série de relatos confirmando a toxicidade das cucurbitacinas, admite-se que a isocucurbitacina B seja o princípio tóxico de L. operculata. Em todos os casos, os sintomas apareceram cerca de 24 horas após a ingestão do chá. Náuseas, vômitos, dores abdominais e dores de cabeça são os sintomas primários, subseqüentemente advêm hemorragias, podendo ocorrer o coma e a morte. Para o tratamento são recomendados apenas a administração de carvão ativado, e tratamento sintomático para distúrbios gastrintestinais.

lantas Tóxicas: Comigo­Ninguém­Pode
Programa Nacional de Informações sobre Plantas Tóxicas

COMIGO-NINGUÉM-PODE Família: Araceae. Nome científico: Dieffenbachia picta Schott. Nome popular: aninga-do-Pará. Parte tóxica: todas as partes da planta. Sintomas: a ingestão e o contato podem causar sensação de queimação, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, náuseas, vômitos, diarréia, salivação abundante, dificuldade de engolir e asfixia; o contato com os olhos pode provocar irritação e lesão da córnea. Princípio ativo: oxalato de cálcio, saponinas.

Medidas Preventidas

1 - Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das crianças. 2 - Conheça as plantas venenosas existentes em sua casa e arredores pelo nome e características. 3 - Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e não utilizá-las como brinquedos (fazer comidinhas, tirar leite, etc.). 4 - Não prepare remédios ou chás caseiros com plantas sem orientação médica. 5 - Não coma folhas, frutos e raízes desconhecidas. Lembre-se de que não há regras ou testes seguros para distinguir as plantas comestíveis das venenosas. Nem sempre o cozimento elimina a toxicidade da planta. 6 - Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex provocando irritação na pele e principalmente nos olhos; evite deixar os galhos em qualquer local onde possam vir a ser manuseados por crianças; quando estiver lidando com plantas venenosas use luvas e lave bem as mãos após esta atividade. 7 - Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação. 8 - Em caso de dúvida ligue para o Centro de Intoxicação de sua região.

Plantas Tóxicas: Coroa­de­Cristo
Família: Euphorbiaceae. Nome científico: Euphorbia milii L. Nome popular: coroa-de-cristo. Parte tóxica: todas as partes da planta. Sintomas: a seiva leitosa causa lesão na pele e mucosas, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, dor em queimação e coceira; o contato com os olhos provoca irritação, lacrimejamento, edema das pálpebras e dificuldade de visão; a ingestão pode causar náuseas, vômitos e diarréia. Princípio ativo: látex irritante.

Plantas Tóxicas: Hera

Nome científico: Ficus pumila L. Nome popular: hera-miúda Família Botânica: Moraceae Trepadeira lenhosa de caules numerosos e delicados, muito ramificados e aderentes às paredes pelas suas abundantes raízes adventícias. Folhas alternas, sendo as dos ramos jovens subsésseis e menores, largo-ovaladas cordiformes na base; as dos ramos adultos ou floríferos são pecioladas, elípticas e coriáceas. Futos em forma de figos ovóides. O gênero Ficus consiste de mais de 850 espécies, e está predominantemente distribuído em áreas tropicais e subtropicais. O potencial anti-helmíntico do látex presente nas espécies deste gênero é freqüentemente relatado na literatura, sendo esta propriedade resultante da presença de uma enzima proteolítica de baixa toxicidade para mamíferos, denominada ficina (Gaughran, 1976; Perelló et al., 2000). A espécie F. pumila (Figura 14) é nativa na China, Japão e Formosa e foi largamente difundida por todo o mundo devido ao seu aspecto ornamental. Para esta espécie os casos de intoxicações relatados na literatura estão restritos ao contato do látex com a pele ou uso tópico do mesmo no tratamento de verrugas (Massmanian, 1995). Esta aplicação do látex traz graves conseqüências para a pele, caracterizadas por ulceração intensa. O caso relatado no Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto teve como vítima uma criança de nove meses de idade. Ela ingeriu parte de uma folha da planta, e reagiu imediatamente à presença da folha na boca chorando e com salivação abundante. O exame mostrou leve irritação na mucosa oral, sem maiores complicações. Um estudo morfológico da folha foi realizado neste trabalho para averiguar a possível presença de agentes mecânicos que pudessem ter provocado o desconforto sentido pela criança. Os cortes histológicos mostraram a presença de uma grande quantidade de cristais triangulares e drusas. Testes realizados confirmaram que estes cristais são formados por oxalato de cálcio. Não é muito provável que tais cristais tenham promovido algum tipo de injúria mecânica, dada a regularidade de suas formas, as quais não apresentam superfícies cortantes capazes de perfurar as mucosas. Como dito anteriormente, os casos de intoxicação por esta espécie estão raramente relatados na literatura, e os poucos que existem fazem menção a fotodermatites causadas pelo contato da planta com a pele. Apenas um trabalho, o de Paulsen et al. (1998), analisa os sintomas causados na mucosa oral por F. pumila L., juntamente com 33 outras plantas de diversas famílias. Os autores relatam que, a cada três pacientes testados, um apresentou reação positiva ao contato do látex desta espécie. Os sintomas apresentados foram leve irritação urticária na pele e da mucosa oral, sem a liberação de histamina. Pistelli et al. (2000), num estudo detalhado da constituição química das folhas desta planta, constataram a presença de grandes quantidades de furanocumarinas, cumarinas e alguns terpenóides. A maioria das cumarinas, especialmente as furanocumarinas, absorve fortemente a radiação ultravioleta e, por isso, são altamente reativas sob a incidência da luz. Após absorver um fóton, as furanocumarinas formam um estado excitado que pode reagir com bases pirimídicas ou com o oxigênio no estado fundamental. Disso resulta a formação de oxirradicais tóxicos, os quais podem reagir com DNA, RNA, proteínas e lipídios, ocasionando injúrias nas células que entram em contato com estas substâncias (Kuster & Rocha, 2001).

A manifestação mais comum da toxicidade das cumarinas em mamíferos é a fitodermatite, uma reação epidérmica caracterizada por erupções, hiperpigmentação, eritema e formação de vesículas. As furanocumarinas podem prejudicar a pele por contato direto com os vegetais que as contêm ou por ingestão. A reação de fotoxicidade depende da concentração dos componentes cumarínicos presentes no vegetal em questão e também da hipersensibilidade individual (Daiwara & Trumble, 1997 apud Kuster & Rocha, 2001). Devido ao exposto acima, pode-se supor que a reação causada na mucosa oral da paciente atendida no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto tenha sido desenvolvida pela ação das furanocumarinas presentes nas folhas da planta. O tratamento foi apenas sintomático para aliviar o desconforto da paciente.

Plantas Tóxicas: Mamona
Família: Euphorbiaceae. Nome científico: Ricinus communis L. Nome popular: carrapateira, rícino, mamoeira, palma-de-cristo, carrapato. Parte tóxica: sementes. Sintomas: a ingestão das sementes mastigadas causa náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarréia mucosa e até sanguinolenta; nos casos mais graves podem ocorrer convulsões, coma e óbito. Princípio ativo: toxalbumina (ricina).

Plantas Tóxicas: Pinhão ­ Paraguaio
Nome científico: Jatropha curcas L. Família botânica Euphorbiaceae Outos nomes populares: pinhão-de-purga, pinhão-de-cerca, purgante-de-cavalo, manduigaçu, figo-do-inferno Sinonímia botânica: Castiglionia indica A. Richard, C. lobata Rus et Pavon, C. purgans Endl.,Curcas adansonii Endl., C. curcas Brett. et Millsp., Jatropha acerilifolia Salisb., J. condor Wall.,J. moluccana Wall. Arbusto com ca. 4m de altura, latescente. Folhas alternas, longo-pecioladas, cordiformes, levemente lobadas, com cinco lobos. Flores unissexuadas, pequenas, pentâmeras, amarelo-esverdeadas em panículas terminais ou axilares e com as flores masculinas ocupando as extremidades superiores dos ramos. Frutos cápsulas tricocas, coriáceas, lisas com três sementes lisas e escuras. A espécie J. curcas está distribuída em regiões tropicais de todo o globo, inclusive no Brasil. Cresce rapidamente em solos pedregosos e de baixa umidade (Makkar et al., 1998; Gandhi et al.,

1995). Muitas vezes é cultivada como cerca viva, mas seu maior emprego está na medicina popular. As sementes, bem como o óleo retirado destas, são freqüentemente usadas como purgativo, no tratamento de afecções da pele, hidropisia, gota, paralisia e reumatismo, principalmente nos países tropicais (Gandhi et al.; 1995; Adolf et al., 1984, Scavone e Panizza, 1980). A planta apresenta uma grande importância econômica. Seu óleo é empregado como lubrificante em motores a diesel e na fabricação de sabão e tinta (Scavone & panizza, 1980; Gandhi et al., 1995). Apesar de usadas na medicina popular, as sementes são altamente tóxicas. A ingestão destas e/ou o uso do óleo como purgativo pode causar graves irritações e envenenamentos. Por muito tempo se pensou que a atividade tóxica da planta era causada pela ação da lectina curcina abundante nas sementes. Contudo, vários trabalhos vêm contribuindo para demonstrar que a atividade tóxica das sementes, bem como do óleo de J. curcas, deve-se, na verdade, à presença de ésteres de forbol, e não da curcina. Aregheore et al. (1998) compararam a atividade da lectina para variedades tóxicas e não tóxicas de J. curcas, e observaram que o efeito da lectina é similar para ambas as variedades. Ghandhi et al. (1995) relatam que a atividade inibidora da síntese de proteínas da curcina é cerca de mil vezes menor que a da ricina e a da abrina (potentes fitotoxinas extraídas da espécie Ricinus communis L. e do gênero Aleurites, respectivamente) e, que para ela, esta atividade só foi demonstrada in vitro. Os mesmos autores realizaram ensaios de toxicidade aguda, via oral, em ratos e toxicidade tópica em coelhos, ratos e camundongos. Eles observaram que os efeitos tóxicos do óleo das sementes sobre estes animais é similar aos efeitos produzidos pelo óleo de tungue, extraído das sementes de Aleurites fordii Hemsley, o qual é tóxico devido à presença de ésteres de forbol. Já em 1984, Adolf et al. haviam isolado estas substâncias de quatro espécies do gênero Jatropha (J. podogrica, J. multifida, J. curcas e J. gossypifolia). Para as duas primeiras, os autores evidenciaram que o 16-hidroxiforbol é o éster de forbol presente no óleo, enquanto o 12deoxi-16-hidroxiforbol-13-acilato está presente no óleo extraído das outras duas. O diterpeno 16-hidroxiforbol é um éster de forbol do tipo tigliane, e apresenta atividades irritantes e promotoras de tumor. Makkar et al. (1998), trabalhando com variedades tóxicas e não tóxicas de J. curcas, isolaram lectinas, inibidores de tripsina, fitatos e ésteres de forbol das sementes. Inibidores de tripsina apresentam efeitos biológicos adversos em animais monogástricos como o homem (White et al., apud Makkar et al. e Hajos et al. apud Makkar et al., 1998). Os fitatos diminuem a bioutilidade de minerais, especialmente Ca e Zn, e também diminuem a digestibilidade de proteínas por formar complexos e interagir com enzimas como a tripsina e a pepsina (Reddy & Pierson, 1994, apud Makkar et al., 1998). Os autores observaram que os níveis de lectinas, de fitatos e de inibidores de tripsina são similares para ambas variedades, mas em contrapartida, os níveis de ésteres de forbol diferem drasticamente entre elas, podendo-se concluir que os ésteres de forbol são responsáveis pelos efeitos nocivos que as variedades tóxicas provocam nos seres humanos. Os ésteres de forbol são uma complexa mistura de ésteres do forbol tetracíclico diterpeno. Eles apresentam atividades carcinogênicas e ação inflamatória. Experimentos in vitro indicam que os receptores que medeiam a atividade promotora de tumor são diferentes daqueles que medeiam a ação inflamatória. Na atividade inflamatória os ésteres de forbol mobilizam fosfolipídeos, liberam ácido araquidônico e causam a secreção de prostaglandinas, principalmente a PgE, levando a uma resposta inflamatória do tecido. A atividade promotora de tumor parece estar relacionada à habilidade apresentada pelos ésteres de forbol de substituir o diacilglicerol na ativação da proteína quinase C, e também a suas habilidades de estimular a síntese de proteínas, síntese de RNA e DNA, comportando-se como agentes mitogênicos e estimulando o crescimento celular, mesmo em doses muito baixas (Evans & Edwards, 1987). Durante décadas, vários autores fizeram experimentos relatando a toxicidade de J.

curcaspara animais. Adam & Magzoub (1975) demonstraram a toxicidade desta planta para cabras. As sementes se mostraram tóxicas e com conseqüências fatais entre dois e vinte e um dias. Os sintomas foram diarréia profusa, desidratação e debilidade orgânica. A biopsia revelou extensas lesões nos intestinos, o que provavelmente causou a diarréia. Gandhi et al. (1995) estudaram a toxicidade aguda em ratos. Os animais exibiram diarréia e hemorragia nos olhos; a autópsia revelou inflamação do trato gastrintestinal. A toxicidade por aplicação tópica também foi analisada em camundongos, ratos e coelhos. Nos coelhos, a fração tóxica do óleo produziu eritema e edema da pele que mais tarde tornouse necrótica e subseqüentemente regenerada. Camundongos exibiram inchaço da face, hemorragia nos olhos, diarréia e eritema da pele. Os ratos mostraram edema e eritema. A fração tóxica do óleo não somente teve um efeito irritante após a aplicação tópica, como também causou diarréia e mortalidade em animais, indicando que há uma absorção substancial dos componentes tóxicos do óleo através da epiderme. Todos estes sintomas são, provavelmente, conseqüências da ação irritante dos ésteres de forbol. Não existem antídotos específicos. O tratamento tem sido sintomático e preventivo, a fim de se evitar complicações cardiovasculares, neurológicos e renais. A lavagem gástrica sempre deve ser tomada como medida preliminar.

Plantas Tóxicas: Saia­Branca
Nome Nome científico: Datura popular: trombeta, trombeta-de-anjo, suaveolens L. trombeteira, cartucheira, zabumba.

Parte tóxica: todas as partes da planta. Sintomas: a ingestão pode provocar boca seca, pele seca, taquicardia, dilatação das pupilas, rubor da face, estado de agitação, alucinação, hipertermia; nos casos mais graves pode levar a morte. Princípio ativo: alcalóides beladonados (atropina, escopolamina e hioscina).

Plantas Tóxicas: Taioba­Brava
Nome científico: Colocasia antiquorum Schott. Nome popular: cocó, taió, tajá. Sintomas: a ingestão e o contato podem causar sensação de queimação, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, náuseas, vômitos, diarréia, salivação abundante, dificuldade de engolir e asfixia; o contato com os olhos pode provocar irritação e lesão da córnea. Princípio ativo: oxalato de cálcio.

Plantas Tóxicas: Tinhorão
Programa Nacional de Informações sobre Plantas Tóxicas

TINHORÃO Família: Araceae. Nome científico: Caladium bicolor Vent. Nome popular: tajá, taiá, caládio. Parte tóxica: todas as partes da planta. Sintomas: a ingestão e o contato podem causar sensação de queimação, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, náuseas, vômitos, diarréia, salivação abundante, dificuldade de engolir e asfixia; o contato com os olhos pode provocar irritação e lesão da córnea. Princípio ativo: oxalato de cálcio.

Medidas Preventidas 1 - Mantenha as plantas venenosas fora do alcance das crianças. 2 - Conheça as plantas venenosas existentes em sua casa e arredores pelo nome e características. 3 - Ensine as crianças a não colocar plantas na boca e não utilizá-las como brinquedos (fazer comidinhas, tirar leite, etc.). 4 - Não prepare remédios ou chás caseiros com plantas sem orientação médica. 5 - Não coma folhas, frutos e raízes desconhecidas. Lembre-se de que não há regras ou testes seguros para distinguir as plantas comestíveis das venenosas. Nem sempre o cozimento elimina a toxicidade da planta. 6 - Tome cuidado ao podar as plantas que liberam látex provocando irritação na pele e principalmente nos olhos; evite deixar os galhos em qualquer local onde possam vir a ser manuseados por crianças; quando estiver lidando com plantas venenosas use luvas e lave bem as mãos após esta atividade. 7 - Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação.

8 - Em caso de dúvida ligue para o Centro de Intoxicação de sua região.

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