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ÉTICA

A ética é uma característica inerente a toda ação humana e, por esta razão, é um elemento
vital na produção da realidade social. Todo homem possui um senso ético, uma espécie de
"consciência moral", estando constantemente avaliando e julgando suas ações para saber se
são boas ou más, certas ou erradas, justas ou injustas.

Existem sempre comportamentos humanos classificáveis sob a ótica do certo e errado, do bem
e do mal. Embora relacionadas com o agir individual, essas classificações sempre têm relação
com as matrizes culturais que prevalecem em determinadas sociedades e contextos históricos.

A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com os outros
relações justas e aceitáveis. Via de regra está fundamentada nas idéias de bem e virtude,
enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existência
plena e feliz.

O estudo da ética talvez tenha se iniciado com filósofos gregos há 25 séculos atrás. Hoje em
dia, seu campo de atuação ultrapassa os limites da filosofia e inúmeros outros pesquisadores
do conhecimento dedicam-se ao seu estudo. Sociólogos, psicólogos, biólogos e muitos outros
profissionais desenvolvem trabalhos no campo da ética.

Ao iniciar um trabalho que envolve a ética como objeto de estudo, consideramos importante,
como ponto de partida, estudar o conceito de ética, estabelecendo seu campo de aplicação e
fazendo uma pequena abordagem das doutrinas éticas que consideramos mais importantes
para o nosso trabalho.

PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS

A ética não é algo superposto à conduta humana, pois todas as nossas atividades envolvem
uma carga moral. Idéias sobre o bem e o mal, o certo e o errado, o permitido e o proibido
definem a nossa realidade.

Em nossas relações cotidianas estamos sempre diante de problemas do tipo: Devo sempre
dizer a verdade ou existem ocasiões em que posso mentir? Será que é correto tomar tal
atitude? Devo ajudar um amigo em perigo, mesmo correndo risco de vida? Existe alguma
ocasião em que seria correto atravessar um sinal de trânsito vermelho?

Os soldados que matam numa guerra, podem ser moralmente condenados por seus crimes ou
estão apenas cumprindo ordens?

Essas perguntas nos colocam diante de problemas práticos, que aparecem nas relações reais,
efetivas entre indivíduos. São problemas cujas soluções, via de regra, não envolvem apenas a
pessoa que os propõe, mas também a outra ou outras pessoas que poderão sofrer as
conseqüências das decisões e ações, conseqüências que poderão muitas vezes afetar uma
comunidade inteira.

O homem é um ser-no-mundo, que só realiza sua existência no encontro com outros homens,
sendo que, todas as suas ações e decisões afetam as outras pessoas. Nesta convivência,
nesta coexistência, naturalmente têm que existir regras que coordenem e harmonizem esta
relação. Estas regras, dentro de um grupo qualquer, indicam os limites em relação aos quais
podemos medir as nossas possibilidades e as limitações a que devemos nos submeter. São os
códigos culturais que nos obrigam, mas ao mesmo tempo nos protegem.

Diante dos dilemas da vida, temos a tendência de conduzir nossas ações de forma quase que
instintiva, automática, fazendo uso de alguma "fórmula" ou "receita" presente em nosso meio
social, de normas que julgamos mais adequadas de serem cumpridas, por terem sido aceitas
intimamente e reconhecidas como válidas e obrigatórias. Fazemos uso de normas, praticamos
determinados atos e, muitas vezes, nos servimos de determinados argumentos para tomar
decisões, justificar nossas ações e nos sentirmos dentro da normalidade.

As normas de que estamos falando têm relação como o que chamamos de valores morais. São
os meios pelos quais os valores morais de um grupo social são manifestos e acabam
adquirindo um caráter normativo e obrigatório. A palavra moral tem sua origem no latim
"mos"/"mores", que significa "costumes", no sentido de conjunto de normas ou regras
adquiridas por hábito. Notar que a expressão "bons costumes" é usada como sendo sinônimo
de moral ou moralidade.

A moral pode então ser entendida como o conjunto das práticas cristalizadas pelos costumes e
convenções histórico-sociais. Cada sociedade tem sido caracterizada por seus conjuntos de
normas, valores e regras. São as prescrições e proibições do tipo "não matarás", "não
roubarás", de cumprimento obrigatório. Muitas vezes essas práticas são até mesmo
incompatíveis com os avanços e conhecimentos das ciências naturais e sociais.

A moral tem um forte caráter social, estando apoiada na tríade cultura, história e natureza
humana. É algo adquirido como herança e preservado pela comunidade.

Quando os valores e costumes estabelecidos numa determinada sociedade são bem aceitos,
não há muita necessidade de reflexão sobre eles. Mas, quando surgem questionamentos sobre
a validade de certos costumes ou valores consolidados pela prática, surge a necessidade de
fundamentá-los teoricamente, ou, para os que discordam deles, criticá-los. Adolfo Sánchez
VASQUEZ (1995, p. 15) coloca isso de forma muito clara:

A este comportamento prático-moral, que já se encontra nas formas mais primitivas de


comunidade, sucede posteriormente - muitos milênios depois - a reflexão sobre ele. Os homens
não só agem moralmente (isto é enfrentam determinados problemas nas suas relações
mútuas, tomam decisões e realizam certos atos para resolvê-los e, ao mesmo tempo, julgam
ou avaliam de uma ou de outra maneira estas decisões e estes atos), mas também refletem
sobre esse comportamento prático e o tomam como objeto da sua reflexão e de seu
pensamento. Dá-se assim a passagem do plano da prática moral para o da teoria moral; ou,
em outras palavras, da moral efetiva, vivida, para a moral reflexa. Quando se verifica esta
passagem, que coincide com os inícios do pensamento filosófico, já estamos propriamente na
esfera dos problemas teóricos-morais ou éticos.

Ou como bem nos coloca Otaviano PEREIRA (1991, p. 24):

O velho se contrapondo ao novo é o que podemos esperar como conflito saudável para o
avanço da moral. Ora, a vida das pessoas não deve ser como uma geladeira para conservas.
O ideal é evitar o "congelamento" da moral em códigos impessoais, que vão perdendo sua
razão de ser, dado o caráter dinâmico das próprias relações.

O mesmo autor prossegue:

A interação dialética entre o que é constituído (a moral vigente) e o constituinte (a moral sendo
repensada e recriada) é necessária à sobrevivência tanto da própria moral como da respiração
dos indivíduos frente a ela. A dança dos valores entra nessa intenção e na hierarquia que eles
implicam. Na hierarquia dos valores é a relatividade dos mesmos que se deve enfatizar, já que
o sufocamento do indivíduo pela absolutização do que está estabelecido é o perigo maior que
se deve evitar. Falar em valores e na sua relatividade diante da dinâmica que aí se estabelece
é referir-se necessariamente a uma crise em geral permanente, advinda das relações entre o
vivido e o herdado. É bom sempre tirarmos proveito disso, fazer dessa crise algo saudável.
Acontece que nossa ânsia benfazeja em mudar, recriar o mundo se esbarra no fato moral
natural de que, quando criamos regras, normas de conduta ou leis, nós as imaginamos como
um bem permanente [!]. (ibid., p.24)
Como podemos entender então o conceito de ética? A ética, tantas vezes interpretada como
sinônimo de moral, aparece exatamente na hora em que estamos sentindo a necessidade de
aprofundar a moral. Geralmente a ética apoia-se em outras áreas do conhecimento como a
antropologia e a história para analisar o conteúdo da moral. Seria o tratamento teórico em torno
da moral e da moralidade.

Uma disciplina originária da filosofia, há muito discutida pelos filósofos de todas as épocas e
que se estende a outros campos do saber como teologia, ciências e direito.

DEFINIÇÃO DE ÉTICA

A ética seria então uma espécie de teoria sobre a prática moral, uma reflexão teórica que
analisa e critica os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral. O
dicionário Abbagnado, entre outras considerações nos diz que a ética é "em geral, a ciência da
conduta" (ABBAGNANO, sd, p.360) e Sanchez VASQUEZ (1995, p.12) amplia a definição
afirmando que "a ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em
sociedade. Ou seja, é ciência de uma forma específica de comportamento humano." E reforça
esta definição com a seguinte explicação:

Assim como os problemas teóricos morais não se identificam com os problemas práticos,
embora estejam estritamente relacionados, também não se podem confundir a ética e a moral.
A ética não cria a moral. Conquanto seja certo que toda moral supõe determinados princípios,
normas ou regras de comportamento, não é a ética que os estabelece numa determinada
comunidade. A ética depara com uma experiência histórico-social no terreno da moral, ou seja,
com uma série de práticas morais já em vigor e, partindo delas, procura determinar a essência
da moral, sua origem, as condições objetivas e subjetivas do ato moral, as fontes da avaliação
moral, a natureza e a função dos juízos morais, os critérios de justificação destes juízos e o
princípio que rege a mudança e a sucessão de diferentes sistemas morais. (ibid., p.12)

Os problemas éticos, ao contrário dos prático-morais são caracterizados pela sua generalidade.
Por exemplo, se um indivíduo está diante de uma determinada situação, deverá resolvê-la por
si mesmo, com a ajuda de uma norma que reconhece e aceita intimamente pois o problema do
que fazer numa dada situação é um problema prático-moral e não teórico-ético. Mas, quando
estamos diante de uma situação, como por exemplo, definir o conceito de Bem, já
ultrapassamos os limites dos problemas morais e estamos num problema geral de caráter
teórico, no campo de investigação da ética. Tanto assim, que diversas teorias éticas
organizaram-se em torno da definição do que é Bem. Muitos filósofos acreditaram que, uma
vez entendido o que é Bem, descobriríamos o que fazer diante das situações apresentadas
pela vida. As respostas encontradas não são unânimes e as definições de Bem variam muito
de um filósofo para outro. Para uns, Bem é o prazer, para outros é o útil e assim por diante.

Quando na antigüidade grega Aristóteles apresentou o problema teórico de definir o conceito


de Bem, seu trabalho era de investigar o conteúdo do Bem e não definir o que cada indivíduo
deveria fazer numa ação concreta, para que seu ato seja considerado bom ou mau.

Evidentemente, esta investigação teórica sempre deixa conseqüências práticas, pois quando
definimos o Bem, estamos indicando um caminho por onde os homens poderão se conduzir
nas suas diversas situações particulares.

A ética também estuda a responsabilidade do ato moral, ou seja, a decisão de agir numa
situação concreta é um problema prático-moral, mas investigar se a pessoa pôde escolher
entre duas ou mais alternativas de ação e agir de acordo com sua decisão é um problema
teórico-ético, pois verifica a liberdade ou o determinismo ao qual nossos atos estão sujeitos. Se
o determinismo é total, então não há mais espaço para a ética, pois se ela se refere às ações
humanas e se essas ações estão totalmente determinadas de fora para dentro, não há
qualquer espaço para a liberdade, para a autodeterminação e, conseqüentemente, para a ética.
A ética pode também contribuir para fundamentar ou justificar certa forma de comportamento
moral. Assim, se a ética revela uma relação entre o comportamento moral e as necessidades e
os interesses sociais, ela nos ajudará a situar no devido lugar a moral efetiva, real, do grupo
social. Por outro lado, ela nos permite exercitar uma forma de questionamento, onde nos
colocamos diante do dilema entre "o que é" e o "que deveria ser", imunizando-nos contra a
simplória assimilação dos valores e normas vigentes na sociedade e abrindo em nossas almas
a possibilidade de desconfiarmos de que os valores morais vigentes podem estar encobrindo
interesses que não correspondem às próprias causas geradoras da moral. A reflexão ética
também permite a identificação de valores petrificados que já não mais satisfazem os
interesses da sociedade a que servem. Jung Mo SUNG e Josué Cândido da SILVA (1995, p.
17) nos dão um bom exemplo do que estamos falando:

Na época da escravidão, por exemplo, as pessoas acreditavam que os escravos eram seres
inferiores por natureza (como dizia Aristóteles) ou pela vontade divina (como diziam muitos na
América colonial). Elas não se sentiam eticamente questionadas diante da injustiça cometida
contra os escravos. Isso porque o termo "injustiça" já é fruto de juízo ético de alguém que
percebe que a realidade não é o que deveria ser. A experiência existencial de se rebelar
diante de uma situação desumana ou injusta é chamada de indignação ética [o grifo não
faz parte do original].

Sendo a ética uma ciência, devemos evitar a tentação de reduzi-la ao campo exclusivamente
normativo. Seu valor está naquilo que explica e não no fato de prescrever ou recomendar com
vistas à ação em situações concretas.

A ética também não tem caráter exclusivamente descritivo pois visa investigar e explicar o
comportamento moral, traço inerente da experiência humana.

Não é função da ética formular juízos de valor quanto à prática moral de outras sociedades,
mas explicar a razão de ser destas diferenças e o porque de os homens terem recorrido, ao
longo da história, a práticas morais diferentes e até opostas.

ÉTICA E HISTÓRIA

A ética aceita a existência da história da moral, tomando como ponto de partida a diversidade
de morais no tempo, entendendo que cada sociedade tem sido caracterizada por um conjunto
de regras, normas e valores, não se identificando com os princípios e normas de nenhuma
moral em particular nem adotando atitudes indiferentes ou o ecléticas diante delas. A história
da ética é um assunto complexo e que exige alguns cuidados em seu estudo.

Cumpre advertir, antes de tudo, que a história da ética como disciplina filosófica é mais limitada
no tempo e no material tratado do que a história das idéias morais da humanidade. Esta última
história compreende o estudo de todas as normas que regularam a conduta humana desde os
tempos pré-históricos até os nossos dias. Esse estudo não é só filosófico ou histórico-filosófico,
mas também social. Por este motivo, a história das idéias morais - ou, se prefere eliminar o
termo "história", a descrição dos diversos grupos de idéias morais - é um tema de que se
ocupam disciplinas tais como a sociologia e antropologia. Ora, a existência de idéias morais e
de atitudes morais não implica, porém, a presença de uma disciplina filosófica particular. Assim,
por exemplo, podem estudar-se as atitudes e idéias morais de diversos povos primitivos, ou
dos povos orientais, ou de judeus, ou dos egípcios, etc., sem que o material resultante deva
forçosamente enquadrar-se na história da ética. Em nossa opinião, por conseguinte, só há
história da ética no âmbito da história da filosofia. Ainda assim, a história da ética adquire, por
vezes, uma considerável amplitude, por quanto fica difícil, com freqüência, estabelecer uma
separação rigorosa entre os sistemas morais - objeto próprio da ética - e o conjunto de normas
e atitudes de caráter moral predominantes numa dada sociedade ou numa determinada fase
histórica. Com o fim de solucionar este problema, os historiadores da ética limitaram seu
estudo àquelas idéias de caráter moral que possuem uma base filosófica, ou seja, que, em vez
de se darem simplesmente como supostas, são examinadas em seus fundamentos; por outras
palavras são filosoficamente justificadas. Não importa neste caso, que a justificação de um
sistema de idéias morais seja extramoral (por exemplo, que se baseie numa metafísica ou
numa teologia); o decisivo é que haja uma explicação racional das idéias ou das normas
adotadas. Por este motivo, os historiadores da ética costumam seguir os mesmos
procedimentos e adotar as mesmas divisões propostas pelos historiadores da filosofia. (MORA,
1996, p.246)

É muito interessante esta variedade de morais no tempo. Friedrich NIETZSCHE (1977, p.99),
em seu livro Além do Bem de do Mal, faz uma colocação muito interessante sobre a
interminável sucessão das doutrinas éticas, quando diz que "aquilo que numa época parece
mau, é quase sempre um restolho daquilo que na precedente era considerado bom - o
atavismo de um ideal já envelhecido". Essa visão é reforçada por Sánchez VÁSQUEZ (1995,
p.235) ao introduzir seu conceito de doutrinas éticas:

As doutrinas éticas fundamentais nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e


sociedades como respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os
homens e em particular pelo seu comportamento moral efetivo. Por isto, existe uma estreita
vinculação entre os conceitos morais e a realidade humana, social, sujeita historicamente à
mudança. Por conseguinte, as doutrinas éticas não podem ser consideradas isoladamente,
mas dentro de um processo de mudança e de sucessão que constitui propriamente a sua
história. Ética e história, por tanto, relacionam-se duplamente: a) Com a vida social e, dentro
desta, com as morais concretas que são um dos seus aspectos; b) com a sua história própria,
já que cada doutrina está em conexão com as anteriores (tomando posição contra elas ou
integrando alguns problemas e soluções precedentes), ou com as doutrinas posteriores
(prolongando-se ou enriquecendo-se nelas).

Em toda moral efetiva se elaboram certos princípios, valores ou normas. Mudando


radicalmente a vida social, muda também a vida moral. Os princípios, valores ou normas
encarnados nela entram em crise e exigem a sua justificação ou a sua substituição por outros.
Surgem então, a necessidade de novas reflexões ou de uma nova teoria moral, pois os
conceitos, valores e normas vigentes se tornaram problemáticos. Assim se explica a aparição e
sucessão de doutrinas éticas fundamentais em conexão com a mudança e a sucessão de
estruturas sociais, e, dentro delas, da vida moral.

Muitos filósofos se debruçaram sobre as questões morais e produziram contribuições muito


importantes sobre o tema. Foge ao alcance de nosso trabalho apresentar com profundidade as
contribuições que Platão, Aristóteles, Espinosa, Kant e outros grandes filósofos deram à
discussão sobre a moral. Mas, para entendermos nossas posturas frente aos problemas éticos
faz-se muito necessário uma análise das nossas matrizes culturais, que no ocidente estão
estabelecidas nas tradições greco-romanas e judaico-cristãs. Por essa razão é importantíssima
a análise de algumas doutrinas éticas que proporcionarão um embasamento teórico ao nosso
trabalho.

DOUTRINAS ÉTICAS

Para facilitar o estudo das doutrinas éticas, ou teorias acerca da moral, preferimos dividi-las
nos seguintes segmentos, correlacionados historicamente: ética grega, ética cristã medieval,
ética moderna e ética contemporânea.

Sendo assim, vamos partir do princípio que a história da ética teve sua origem, pelo menos sob
o ponto de vista formal, na antigüidade grega, através de Aristóteles (384 - 322 a.C.) e suas
idéias sobre a ética e as virtudes éticas.

Na Grécia porém, mesmo antes de Aristóteles, já é possível identificar traços de uma


abordagem com base filosófica para os problemas morais e até entre os filósofos conhecidos
como pré-socráticos encontramos reflexões de caráter ético, quando buscavam entender as
razões do comportamento humano.

Sócrates (470-399 a.C.) considerou o problema ético individual como o problema filosófico
central e a ética como sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas as reflexões
filosóficas. Para ele ninguém pratica voluntariamente o mal. Somente o ignorante não é
virtuoso, ou seja, só age mal, quem desconhece o bem, pois todo homem quando fica sabendo
o que é bem, reconhece-o racionalmente como tal e necessariamente passa a praticá-lo. Ao
praticar o bem, o homem sente-se dono de si e conseqüentemente é feliz.

A virtude seria o conhecimento das causas e dos fins das ações fundadas em valores morais
identificados pela inteligência e que impelem o homem a agir virtuosamente em direção ao
bem.

Platão (427-347 a.C.) ao examinar a idéia do Bem a luz da sua teoria das idéias, subordinou
sua ética à metafísica. Sua metafísica era a do dualismo entre o mundo sensível e o mundo
das idéias permanentes, eternas, perfeitas e imutáveis, que constituíam a verdadeira realidade
e tendo como cume a idéia do Bem, divindade, artífice ou demiurgo do mundo.

Para Platão a alma - princípio que anima ou move o homem - se divide em três partes: razão,
vontade (ou ânimo) e apetite (ou desejos). As virtudes são função desta alma, as quais são
determinadas pela natureza da alma e pela divisão de suas partes. Na verdade ele estava
propondo uma ética das virtudes, que seriam função da alma.

Pela razão, faculdade superior e característica do homem, a alma se elevaria mediante a


contemplação ao mundo das idéias. Seu fim último é purificar ou libertar-se da matéria para
contemplar o que realmente é e, acima de tudo, a idéia do Bem.

Para alcançar a purificação é necessário praticar as várias virtudes que cada parte da alma
possui. Para Platão cada parte da alma possui um ideal ou uma virtude que devem ser
desenvolvidos para seu funcionamento perfeito. A razão deve aspirar à sabedoria, a vontade
deve aspirar à coragem e os desejos devem ser controlados para atingir a temperança.

Cada uma das partes da alma, com suas respectivas virtudes, estava relacionada com uma
parte do corpo. A razão se manifesta na cabeça, a vontade no peito e o desejo baixo-ventre.
Somente quando as três partes do homem puderem agir como um todo é que temos o
indivíduo harmônico.

A harmonia entre essas virtudes constituía uma quarta virtude: a justiça.

Platão de certa forma criou uma "pedagogia" para o desenvolvimento das virtudes. Na escola
as crianças primeiramente têm de aprender a controlar seus desejos desenvolvendo a
temperança, depois incrementar a coragem para, por fim, atingir a sabedoria.

A ética de Platão está relacionada intimamente com sua filosofia política, porque para ele, a
polis (cidade estado) é o terreno próprio para a vida moral. Assim ele buscou um estado ideal,
um estado-modelo, utópico, que era constituído exatamente como o ser humano. Assim, como
o corpo possui cabeça, peito e baixo-ventre, também o estado deveria possuir,
respectivamente, governantes, sentinelas e trabalhadores. O bom estado é sempre dirigido
pela razão.

CORPO ALMA VIRTUDE ESTADO


Cabeça Razão Sabedoria Governantes
Peito Vontade Coragem Sentinelas
Baixo-ventre Desejo Temperança Trabalhadores

É curioso notar que, no Estado de Platão, os trabalhadores ocupam o lugar mais baixo em sua
hierarquia. Talvez isto tenha ligação com a visão depreciativa que os gregos antigos tinham
sobre esta atividade.
A ética platônica exerceu grande influência no pensamento religioso e moral do ocidente, como
teremos oportunidade de ver mais adiante.

Aristóteles (384-322 a.C.), não só organizou a ética como disciplina filosófica mas, além disso,
formulou a maior parte dos problemas que mais tarde iriam se ocupar os filósofos morais:
relação entre as normas e os bens, entre a ética individual e a social, relações entre a vida
teórica e prática, classificação das virtudes, etc. Sua concepção ética privilegia as virtudes
(justiça, caridade e generosidade), tidas como propensas tanto a provocar um sentimento de
realização pessoal àquele que age quanto simultaneamente beneficiar a sociedade em que
vive. A ética aristotélica busca valorizar a harmonia entre a moralidade e a natureza humana,
concebendo a humanidade como parte da ordem natural do mundo, sendo portanto uma ética
conhecida como naturalista.

Segundo Aristóteles, toda a atividade humana, em qualquer campo, tende a um fim que é, por
sua vez um bem: o Bem Supremo ou Sumo Bem, que seria resultado do exercício perfeito da
razão, função própria do homem. Assim sendo, o homem virtuoso é aquele capaz de deliberar
e escolher o que é mais adequado para si e para os outros, movido por uma sabedoria prática
em busca do equilíbrio entre o excesso e a deficiência:

A excelência moral, então, é uma disposição da alma relacionada com a escolha de ações e
emoções, disposição esta consistente num meio termo (o meio termo relativo a nós)
determinado pela razão (a razão graças à qual um homem dotado de discernimento o
determinaria). Trata-se de um estado intermediário, porque nas várias formas de deficiência
moral há falta ou excesso do que é conveniente tanto nas emoções quanto nas ações,
enquanto a excelência moral encontra e prefere o meio termo. Logo, a respeito do que ela é, ou
seja, a definição que expressa a sua essência, a excelência moral é um meio termo, mas com
referência ao que é melhor e conforme ao bem ela é um extremo. (ARISTÓTELES, 1992, p.42)

E procede exemplificado:

Em relação ao meio termo, em alguns casos é a falta e em outros é o excesso que está mais
afastado; por exemplo, não é temeridade, que é o excesso, mas a covardia, que é a falta, que é
mais oposta à coragem, e não é a insensibilidade, que é uma falta, mas a concupiscência, que
é um excesso, que é mais oposta à moderação. Isto ocorre por duas razões; uma delas tem
origem na própria coisa, pois por estar um extremo mais próximo ao meio termo e ser mais
parecido com ele opomos ao intermediário não o extremo, mas seu contrário. Por exemplo,
como se considera a temeridade mais parecida com a coragem, e a covardia mais diferente,
opomos esta última à coragem, pois as coisas mais afastadas do meio termo são tidas como
mais contrárias a ele; a outra razão tem origem em nós mesmos, pois as coisas para as quais
nos inclinamos mais naturalmente parecem mais contrárias ao meio termo. Por exemplo,
tendemos mais naturalmente para os prazeres, e por isso somos levados mais facilmente para
a concupiscência do que para a moderação. Chamamos portanto contrárias ao meio termo as
coisas para as quais nos sentimos mais inclinados; logo, a concupiscência, que é um excesso
é mais contrária à moderação. (ibid, p.46)

Daí ser difícil, segundo Aristóteles, ser bom na medida em que o meio termo não é facilmente
encontrado: "Por isso a bondade tanto é rara quanto nobre e louvável".

A Ética de Aristóteles - assim como a de Platão - está unida à sua filosofia política, já que para
ele a comunidade social e política é o meio necessário para o exercício da moral. Somente nela
pode realizar-se o ideal da vida teórica na qual se baseia a felicidade. O homem moral só pode
viver na cidade e é portanto um animal político, ou seja social. Apenas deuses e animais
selvagens não tem necessidade da comunidade política para viver. O homem deve
necessariamente viver em sociedade e não pode levar uma vida moral como indivíduo isolado
e sim no seio de uma comunidade.

O estoicismo e o epicurismo surgem no processo de decadência e de ruína do antigo mundo


greco-romano.
Para Epicuro (341-270 a.C) o prazer é um bem e como tal o objetivo de uma vida feliz. Estava
lançada então a idéia de hedonismo que é uma concepção ética que assume o prazer como
princípio e fundamento da vida moral. Mas, existem muitos prazeres, e nem todos são
igualmente bons. É preciso escolher entre eles os mais duradouros e estáveis, para isso é
necessário a posse de uma virtude sem a qual é impossível a escolha. Essa virtude é a
prudência, através da qual podemos selecionar aqueles prazeres que não nos trazem a dor ou
perturbações. Os melhores prazeres não são os corporais - fugazes e imediatos - mas os
espirituais, porque contribuem para a paz da alma.

Para os estóicos (por exemplo, Zenão, Sêneca e Marco Aurélio) o homem é feliz quando aceita
seu destino com imperturbabilidade e resignação. O universo é um todo ordenado e
harmonioso onde os sucessos resultam do cumprimento da lei natural racional e perfeita. O
bem supremo é viver de acordo com a natureza, aceitar a ordem universal compreendida pela
razão, sem se deixar levar por paixões, afetos interiores ou pelas coisas exteriores. O homem
virtuoso é aquele que enfrenta seus desejos com moderação aceitando seu destino. O estóico
é um cidadão do cosmo não mais da pólis.

O Cristianismo se eleva sobre o que restou do mundo greco-romano e no século IV torna-se a


religião oficial de Roma. Com o fim do "mundo antigo" o regime de servidão substitui o da
escravidão e sobre estas bases se constrói a sociedade feudal, extremamente estratificada e
hierarquizada. Nessa sociedade fragmentada econômica e politicamente, verdadeiro mosaico
de feudos, a religião garantia uma certa unidade social.

Por este motivo a política fica dependente dela e a Igreja Católica passa a exercer, além de
poder espiritual, o poder temporal e a monopolizar também a vida intelectual.

Evidentemente a ética fica sujeita a este conteúdo religioso.

Os filósofos cristãos tiveram uma dupla atitude diante da ética. Absorveram o ético no religioso,
edificando um tipo de ética que hoje chamamos de teônoma, que fundamenta em Deus os
princípios da moral. Deus, criador do mundo e do homem, é concebido como um ser pessoal,
bom, onisciente e todo poderoso. O homem, como criatura de Deus, tem seu fim último Nele,
que é o seu bem mais alto e valor supremo. Deus exige a sua obediência e a sujeição a seus
mandamentos, que neste mundo têm o caráter de imperativos supremos.

Num outro sentido também aproveitaram muitas das idéias da ética grega - principalmente
platônicas e estóicas - de tal modo que partes dessa ética, como a doutrina das virtudes e sua
classificação inseriram-se quase na sua totalidade na ética cristã.

Evidentemente, enquanto certas normas éticas eram assimiladas, outras, por sua
incompatibilidade com os ensinamentos cristãos eram rejeitados. A justificativa do suicídio, por
exemplo, foi amplamente rejeitada pelos filósofos cristãos.

A ética cristã é uma ética subordinada à religião num contexto em que a filosofia é "serva" da
teologia. Temos então um ética limitada por parâmetros religiosos e dogmáticos.

É uma ética que tende a regular o comportamento dos homens com vistas a um outro mundo
(o reino de Deus), colocando o seu fim ou valor supremo fora do homem, na divindade.

É curioso notar que ao pretender elevar o homem de uma ordem natural para outra
transcendental e sobrenatural, onde possa viver um vida plena e feliz, livre das desigualdades
e injustiças do mundo terreno, ela introduz uma idéia verdadeiramente inovadora, ou seja,
todos seriam iguais diante de Deus e são chamados a alcançar a perfeição e a justiça num
mundo sobrenatural, o reino dos Céus.

Em sua gênese essa ética também absorve muito do que Platão e Aristóteles desenvolveram.
Pode-se até dizer que seus dois maiores filósofos, Santo Agostinho (354-430) e São Tomás
de Aquino (1226-1274) refletem, respectivamente, idéias de Platão e Aristóteles.
A purificação da alma, em Platão, e sua ascensão libertadora até elevar-se ao mundo das
idéias tem correspondência na elevação ascética até Deus exposta por Santo Agostinho.

A ética de Tomás de Aquino tem muitos pontos de coincidência com Aristóteles e como aquela
busca através de contemplação e de conhecimento alcançar o fim último, que para ele era
Deus.

A história da ética complica-se a partir do Renascimento Europeu e podemos chamar de ética


moderna às diversas tendências que prevaleceram desde o século XVI até o início do século
XIX.

Não é fácil sistematizar as diversas doutrinas éticas que surgiram neste período, tamanha sua
diversidade, mas podemos encontrar, talvez como reação à ética cristã descêntrica e teológica
uma tendência antropocêntrica.

Evidentemente essa mudança de ponto de vista não aconteceu ao acaso. Fez-se necessário
um entendimento sobre as mudanças que o mundo sofreu, nas esferas econômica, política e
científica para entendermos todo o processo.

A forma de organização social que sucedeu à feudal, traz em sua estrutura mudanças em
todas as ordens.

A economia, por exemplo, viu crescer de forma muito intensa o relacionamento de suas forças
produtivas com o desenvolvimento científico que começara a fundamentar a ciência moderna -
são dessa época os trabalhos de Galileu e Newton - e desse relacionamento se desenvolvem
as relações capitalistas de produção.

Essa nova forma de produção fortalece uma nova classe social - a burguesia - que luta para se
impor política e economicamente. É uma época de grandes revoluções políticas (Holanda,
França e Inglaterra) e no plano estatal assistimos o desaparecimento da fragmentada
sociedade feudal e o fortalecimento dos grandes Estados Modernos, únicos e centralizados.

Nessa nova ordem vemos a razão se separando da fé (a filosofia separa-se da religião), as


ciências naturais dos pressupostos teológicos, o Estado da Igreja e o homem de Deus.

Essa ruptura fica muito evidente quando, entre a Idade Média e a Modernidade, o italiano
Nicolau Maquiavel (1469-1527) provoca uma revolução na ética ao romper com a moral cristã,
que impõe os valores espirituais como superiores aos políticos, quando defendeu a adoção de
uma moral própria em relação ao Estado. O que importa são os resultados e não a ação
política em si, sendo legítimos os usos da violência contra os que se opõe aos interesses
estatais.

Examinando as outras qualidades atrás enumeradas, direi que todo o príncipe deve desejar ser
tido como piedoso, e não como cruel; não obstante, deve cuidar de não usar mal a piedade.
Cesar Borgia era tido como cruel; entretanto, essa sua crueldade havia posto ordem na
Romanha, promovido a sua união e a sua pacificação e inspirando confiança, o que, bem
considerado, mostra ter sido ele muito mais piedoso do que os florentinos, os quais, para
esquivarem da reputação de cruéis deixaram que Pistóia fosse destruída. Deve um príncipe,
portanto, não se importar com a reputação de cruel, a fim de poder manter os seus súditos em
paz e confiantes, pois que, com pouquíssimas repressões, será mais piedoso do que aqueles
que, por muito clementes, permitem as desordens das quais resultem assassínios e
rapinagens. Estas atingem a comunidade inteira, enquanto que os castigos impostos pelo
príncipe atingem poucos. (MAQUIAVEL, sd, p.107)

Na verdade o que estamos presenciando é uma extraordinária sugestão para a aplicação de


novos valores. A obra de Maquiavel influenciará, como veremos mais tarde, outros pensadores
modernos como o inglês Thomas Hobbes e Baruch de Epinosa, extremamente realistas no que
se refere à ética.
O homem recupera então seu valor pessoal e passa a ser visto como dotado de razão e afirma-
se em todos os campos, da ciência às artes. Descartes (1596-1650) esboça com muita clareza
esta tendência de basear a filosofia no homem, que passa a ser o centro de tudo, da política,
da arte, e também da moral. Vemos então o aparecimento de uma ética antropocêntrica.

Como se vê, a É. dos secs XVII e XVIII manifesta um alto grau de uniformidade: não só ela é
uma doutrina do móvel mas também a sua oscilação entre a "tendência a conservação" e a
"tendência ao prazer" como base da moral não implica uma diferença radical, já que o próprio
prazer não é senão o índice e motivo de uma situação favorável à conservação.
(ABBAGNANO, sd, p.364)

Thomas Hobbes (1588-1679) consegue sistematizar esta ética do desejo, que existe em cada
ser, de própria conservação como sendo o fundamento da moral e do direito. Para Hobbes, a
vida do homem no estado de natureza - sem leis nem governo - era "solitária, pobre, sórdida,
embrutecida e curta", uma vez que os homens são por índole agressivos, autocentrados,
insociáveis e obcecados por um "desejo de ganho imediato".

O principal dos bens é a conservação de si mesmo. A natureza, com efeito, proveu para que
todos desejem o próprio bem, mas afim de que possam ser capazes disso, é necessário que
desejem a vida, a saúde e a maior segurança dessas coisas para o futuro. De todos os males
porém, o primeiro é a morte, especialmente se acompanhada de sofrimento. Já que os males
da vida podem ser tantos que senão se prever como próximo o seu fim, fazem contar a morte
entre os bens.(De hom., XI , 6)

Para Hobbes, indivíduos que decidem viver em sociedade não são melhores ou menos
egoístas do que os selvagens: são apenas mais clarividentes, percebendo que, se cooperarem,
podem ser mais ricos e mais felizes. Seu bom comportamento deriva do seu egoísmo. Em
outras palavras, o que leva dois homens pré-históricos a se unirem numa caçada a um tigre
dente-de-sabre, é o fato de que, juntos, têm mais chances de matá-lo sem se ferirem.

Baruch de Espinosa (1632-1677) afirmava que os homens tendem naturalmente a pensar


apenas em si mesmos, que em seus desejos e opiniões as pessoas são sempre conduzidas
por suas paixões, as quais nunca levam em conta o futuro ou as outras pessoas. Essa
tendência a conservação, à consecução de tudo que é útil é muitas vezes colocada na obra de
Espinosa como sendo a própria ação necessitante da Substância Divina.

Uma vez que a Razão não pede nada que seja contra a Natureza, ela pede, por conseguinte,
que cada um se ame a si mesmo, procure o que lhe é útil, mas o que lhe é útil de verdade;
deseje tudo o que conduz, de fato, o homem a uma maior perfeição; e, de uma maneira geral,
que cada um se esforce por conservar o seu ser, tanto quanto lhe é possível. Isto é tão
necessariamente verdadeiro como o todo ser maior que a sua parte. (ESPINOSA, 1973, p.244).

Jonh Locke (1632-1704) atrela a tendência à conservação e satisfação à uma concepção de


"felicidade pública". Dizia Locke:

Como Deus estabeleceu um liame indissolúvel entre a virtude e a felicidade pública, e tornou a
prática da virtude necessária à conservação da sociedade humana e visivelmente vantajosa
para todos os que precisam tratar com as pessoas de bem, ninguém se deve maravilhar se
cada um não só aprovar essas regras, mas igualmente recomendá-las aos outros, estando
persuadido de que, se as observarem, lhe advirão vantagens a ele próprio. (Ensaio, I, 2, 6)

David Hume (1711-1776) seguindo essa linha nos coloca que o fundamento da moral é a
utilidade, ou seja, é boa ação aquela que proporciona "felicidade e satisfação" à sociedade. A
utilidade agrada porque responde a uma necessidade ou tendência natural que inclina o
homem a promover a felicidade dos seus semelhantes.

Ao invés de limitar os desejos humanos àqueles determinados apenas pelo interesse pessoal
(comida, dinheiro, glória, etc), Hume percebeu que muitas das nossas paixões estão baseadas
no que ele chamava de simpatia - a capacidade de sentir em si mesmo os sofrimentos e até
mesmo as alegrias de outrem.

Essa visão do ser humano como criatura simpática tornava impossível traçar, à maneira de
Hobbes, uma nítida linha divisória entre o interesse pessoal e o interesse alheio, uma vez que
agora é possível encarar o interesse alheio como se ele fosse um interesse pessoal. Hume
estava propondo uma espécie de razão emocional para o comportamento altruísta.

Para Jean Jaques Rousseau (1712-1778) o homem é bom por natureza e seu espírito pode
sofrer um aprimoramento quase ilimitado.

Talvez a expressão maior da ética moderna tenha sido o filósofo alemão Immannuel Kant
(1724-1804).

A preocupação maior da ética de Kant era estabelecer a regra da conduta na substância


racional do homem. Ele fez do conceito de dever ponto central da moralidade. Hoje em dia
chamamos a ética centrada no dever de deontologia.

Kant dizia que a única coisa que se pode afirmar que seja boa em si mesma é a "boa vontade"
ou boa intenção, aquilo que se põe livremente de acordo com o dever. O conhecimento do
dever seria conseqüência da percepção, pelo homem, de que é um ser racional e como tal está
obrigado a obedecer o que Kant chamava de "imperativo categórico", que é a necessidade de
respeitar todos os seres racionais na qualidade de "fins em si mesmo". É o reconhecimento da
existência de outros homens (seres racionais) e a exigência de comportar-se diante deles a
partir desse reconhecimento.

Deve-se então tratar a humanidade na própria pessoa como na do próximo sempre como um
fim e nunca só como um meio.

A ética kantiana busca, sempre na razão, formas de procedimentos práticos que possam ser
universalizáveis, isto é, um ato moralmente bom é aquele que pode ser universalizável, de tal
modo que os princípios que eu sigo possam valer para todos.

"Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei
universal." (KANT, 1984, p.129)

Analisando a questão da tortura, por exemplo, me questiono se tal procedimento deveria ser
universalizado ou não. Se não posso querer a universalização da tortura, também não posso
aceitá-la no aqui e agora.

Friedrich Hegel (1770-1831) pode ser considerado como sendo o mais importante filósofo do
idealismo alemão pós-kantiano.

Para ele, a vida ética ou moral dos indivíduos, enquanto seres históricos e culturais, é
determinada pelas relações sociais que mediatizam as relações pessoais intersubjetivas. Hegel
dessa forma transforma a ética em uma filosofia do direito. Ele a divide em ética subjetiva (ou
pessoal) e em ética objetiva (ou social). A primeira é uma consciência de dever e a segunda é
formada pelos costumes, pelas leis e normas de uma sociedade. O Estado, para Hegel, reúne
esses dois aspectos numa "totalidade ética".

Assim, a vontade individual subjetiva é também determinada por uma vontade objetiva,
impessoal, coletiva, social e pública que cria as diversas instituições sociais. Além disso, essa
vontade regula e normatiza as condutas individuais através de um conjunto de valores e
costumes vigentes em uma determinada sociedade em uma determinada época.

O ideal ético estava numa vida livre dentro de um Estado livre, um Estado de Direito que
preservasse os direitos dos homens e lhes cobrasse seus deveres, onde a consciência moral e
as leis do direito não estivessem nem separadas e nem em contradição.
Dessa maneira, a vida ética consiste na interiorização dos valores, normas e leis de uma
sociedade, condensadas na vontade objetiva cultural, por um sujeito moral que as aceita livre e
espontaneamente através de sua vontade subjetiva individual. A vontade pessoal resulta da
aceitação harmoniosa da vontade coletiva de uma cultura.

O alemão Karl Marx (1818-1883) também via a moral como uma espécie de "superestrutura
ideológica", cumprindo uma função social que, via de regra, servia para sacramentar as
relações e condições de existência de acordo com os interesses da classe dominante. Numa
sociedade dividida por classes antagônicas a moral sempre terá um caráter de classe.

Até hoje existem diferentes morais de classe e inclusive numa mesma sociedade podem
coexistir várias morais, já que cada classe assume uma moral particular. Assim, enquanto não
se verificarem as condições reais para uma moral universal, válida para toda a sociedade, não
pode existir um sistema moral válido para todos os tempos e todas as sociedades.

Para Marx, sempre que se tentou construir semelhante sistema no passado estava-se tentando
imprimir um caráter universal a interesses particulares.

Se entendermos a moral proletária como sendo a moral de uma classe que está destinada
historicamente a abolir a si mesma como classe para ceder lugar a uma sociedade
verdadeiramente humana, serve como passagem a uma moral universalmente humana.

Os homens necessitam da moral como necessitam da produção e cada moral cumpre sua
função social de acordo com a estrutura social vigente.

Torna-se necessária então uma nova moral que não seja o reflexo de relações sociais
alienadas, para regular as relações entre os indivíduos, tanto em vista das transformações da
velha sociedade como para garantir a harmonia da emergente sociedade socialista.

Tudo isso, a transformação da antiga moral e a construção da nova, exigem a participação


consciente dos homens. A nova moral, com suas novas virtudes transforma-se numa
necessidade. O homem portanto, deve interferir sempre na transformação da sociedade.

Uma outra visão nos é apresentada no pensamento de Nietzsche (1844-1900), que é um


crítico veemente e mordaz a toda moral existente, seja ela a moral socrática, a judaico-cristão
ou a moral burguesa.

Necessitamos uma crítica dos valores morais, e antes de tudo deve discutir-se o valor desses
valores, e por isso é de toda a necessidade conhecer as condições e os meios ambientes em
que nasceram, em que se desenvolveram e deformaram (a moral como conseqüência,
máscara, hipocrisia, enfermidade ou equívoco, e também a moral como causa, remédio,
estimulante, freio ou veneno) conhecimento tal que nunca teve outro semelhante nem é
possível que o tenha. Era um verdadeiro postulado o valor desses valores: atribui-se ao bem
um valor superior ao valor do mal, ao valor do progresso, da utilidade, do desenvolvimento
humano. E por que? Não poderia haver no homem "bom" um sintoma de retrocesso, um
perigo, uma sedução, um veneno, um sacrifício do presente a expensas do futuro? Uma vida
mais agradável, mais inofensiva, mas também mais mesquinha, mais baixa?... De tal modo que
fosse culpa da moral o não ter chegado o tipo homem ao mais alto grau do poder e do
esplendor? E de modo que entre todos os perigos fosse a moral o perigo por excelência?...
(NIETZSCHE, 1983, p.13-14)

Para este filósofo, a vida é vontade de poder, princípio último de todos os valores; o bem é tudo
que favorece a força vital do homem, é tudo o que intensifica e exalta no homem o sentimento
de poder, a vontade de poder e o próprio poder. O mal é tudo que vem da fraqueza. Nietzsche
anunciou o super-homem, capaz de quebrar a tábua dos valores transmutando-os a todos.

Uma outra corrente dentro da ética é o utilitarismo, segundo o qual o objetivo da moral é o de
proporcionar o máximo de felicidade ao maior número de pessoas.
Para John Stuart Mill (1806-1873), representante da ética utilitarista, a felicidade reside na
busca do máximo prazer e do mínimo de dor. O Bem consiste na maior felicidade e a virtude é
um meio de se atingir essa felicidade, fundamento de toda filosofia moral.

O credo que aceita a Utilidade ou Princípio da Maior Felicidade como fundamento da moral,
sustenta que as ações são boas na proporção com que tendem a produzir a felicidade; e más,
na medida em que tendem a produzir o contrário da felicidade. Entende-se por felicidade o
prazer e a ausência de dor; por infelicidade, a dor e a ausência de prazer . [...] O prazer e a
isenção de dor são as únicas coisas desejáveis [...] como fins; e [...] todas as coisas desejáveis
[...] o são pelo prazer inerente a elas mesmas ou como meios para a promoção do prazer e a
preservação da dor. (MILL, 1960, p. 29-30)

Da idéia de bem como sendo o que traz vantagens para muitos se deduziu até mesmo uma
matemática ou cálculo moral.

Estas tendências aparecem em muitas formulações éticas, principalmente numa corrente


conhecida como pragmatismo.

O pragmatismo, como doutrina ética, parece estar muito ligado ao pensamento anglo-saxão,
tendo se desenvolvido muito nos países de fala inglesa, particularmente nos Estados Unidos,
no último quarto do século passado.

Seus principais expoentes são o filósofo e psicólogo William James (1842-1910) e o filósofo
educador John Dewey.

O pragmatismo deixa de lado as questões teóricas de fundo, afastando-se dos problemas


abstratos da velha metafísica e dedicando-se às questões práticas vistas sob uma ótica
utilitária.

Procura identificar a verdade com o útil, como aquilo que melhor ajuda a viver e conviver. O
Bom é algo que conduz a obtenção eficaz de uma finalidade, fim esse que nos conduz a um
êxito.

Dessa forma os valores, princípios e normas perdem seu conteúdo objetivo e o bem passa a
ser aquilo que ajuda o homem em suas atividades práticas, variando conforme cada situação.

O pragmatismo pode bem ser o reflexo do progresso científico e tecnológico alcançado pelos
Estados Unidos no apogeu de sua fase capitalista onde o "espírito de empresa", o "american
way of life", criaram solo fértil para a mercantilização das várias atividades humanas.

Existe um grande perigo embutido no pragmatismo, que é a redução do comportamento moral


a atos que conduzam apenas ao êxito pessoal transformando-o numa variante utilitarista
marcada apenas pelo egoísmo, rejeitando a existência de valores ou normas objetivas.

Uma distorção muito comum em nossa sociedade capitalista é a busca da vantagem particular,
onde o bom é o que ajuda meu progresso e o meu sucesso particular.

Não podemos seguir adiante, sem comentarmos a obra do filósofo francês Henri Bergson
(1859-1941). Bergson distinguiu uma moral fechada e uma moral aberta. A fechada é o
conjunto do que é permitido e do que é proibido para os indivíduos de uma sociedade, tendo
em vista a autoconservação da mesma. Ela é imposta aos indivíduos e tem como finalidade
tornar a vida em comum possível e útil a todos. "Ela corresponde no mundo humano ao que é
instinto em certas sociedades animais, isto é, tende ao fim de conservar as próprias
sociedades."

Do outro lado encontramos a moral aberta, nascida de um impulso criador supra-racional. É a


moral do amor, da liberdade e da humanidade universal, que resulta de uma emoção criadora.
Enquanto tal, torna possível a criação de novos valores e de novas condutas em substituição
àquelas vigentes segundo a moral fechada.

É a moral dos profetas, dos inovadores, dos místicos, dos sábios e dos santos. Graças sempre
a eles, foi, e é possível, a instauração de uma nova ética em face da moral vigente.

Na filosofia contemporânea, os princípios do liberalismo influenciaram bastante o conceito de


ética, que ganha fortes traços de moral utilitarista. Os indivíduos devem buscar a felicidade e,
para isso, fazer as melhores escolhas entre as alternativas existentes. Para o filósofo inglês
Bertrand Russel (1872-1970) a ética é subjetiva. Não contém afirmações verdadeiras ou
falsas. É a expressão dos desejos de um grupo. Mas Russel diz que o homem deve reprimir
certos desejos e reforçar outros, se pretende atingir a felicidade ou o equilíbrio.

Para finalizar esse capítulo, consideramos ser de grande importância uma análise dos
trabalhos de Habermas e John Rawls.

Jurgem Habermas, filósofo alemão nascido em 1924, é professor da Universidade de


Frankfurt.

Sua obra pretende ser uma revisão e uma atualização do marxismo, capaz de dar conta das
características do capitalismo avançado da sociedade industrial contemporânea. Faz uma
critica à racionalidade dessa sociedade, caracterizando-a em termos de uma "razão
instrumental", que visa apenas estabelecer os meios para se alcançar um fim determinado.
Segundo sua análise, o desenvolvimento técnico e a ciência voltada apenas para a aplicação
técnica acarretam na perda do próprio bem, que estaria submetido às regras de dominação
técnica do mundo natural.

É necessário então a recuperação da dimensão humana, de uma racionalidade não-


instrumental, baseada no "agir comunicativo" entre sujeitos livres, de caráter emancipador em
relação à dominação técnica.

Habermas percebeu a distorção dessa possibilidade de ação comunicativa, que produziu


relações assimétricas e impediu uma interação plena entre as pessoas.

A proposta de Habermas formula-se em termos de uma "teoria da ação comunicativa",


recorrendo inclusive à filosofia analítica da linguagem para tematizar essas condições do uso
da linguagem livre de distorção como fundando uma nova racionalidade.

Habermas busca uma teoria geral da verdade, segundo a qual o critério da verdade é o
consenso dos que argumentam e defende a idéia de que argumentar é uma tarefa
eminentemente comunicativa. Por isso, o "discurso intersubjetivo" é o lugar próprio para a
argumentação.

Somente se poderia aceitar como critério de verdade aquele consenso que se estabelece sob
condições ideais, que Habermas chama de "situação ideal de fala". Ou seja, a razão é definida
pragmaticamente de tal modo que um consenso é racional quando é estabelecido numa
condição ideal de fala. Para que isso seja possível, definiu uma série de regras básicas, cuja
observação é condição para que se possa falar de um discurso verdadeiro.

Essas regras são, em primeiro lugar, que todos os participantes tenham as mesmas chances
de participar do diálogo, em segundo, que devem ter chances iguais para a crítica. São formas
de, quando uma argumentação tem lugar entre várias pessoas, a eliminação dos fatores de
poder que poderiam perturbar a argumentação.

Uma terceira condição seria que todos os falantes deveriam ter chances iguais para expressar
suas atitudes, sentimentos e intenções.
A quarta e decisiva condição afirma que serão apenas admitidos ao discurso falantes que
tenham as mesmas chances enquanto agentes para dar ordens e se opor, permitir e proibir,
etc.

Um diálogo sobre questões morais entre senhores e escravos, patrões e empregados, pai e
filho, violaria, portanto as condições da situação ideal da fala.

Lembramos que o "discurso autêntico" é aquele que ocorre com pessoas em situação igual,
sob condições igualitárias do ponto de vista de participação no discurso.

Habermas ainda defende o projeto iniciado pelo Iluminismo como algo ainda a ser desenvolvido
e significativo para nossa época, desde que a razão seja entendida criticamente, no sentido do
agir comunicativo.

John Rawls, em sua "Teoria da Justiça" (1971) afirma que a justiça não é um resultado de
interesses, por públicos que sejam. Ele fala de uma justiça distributiva partindo de um "estado
inicial" por meio do qual se pode assegurar que os acordos básicos a que se chega num
contrato social sejam justos e eqüitativos.

A justiça é entendida como eqüidade por ser eqüitativa em relação a uma posição original que
está baseada em dois princípios: a) cumpre assegurar para cada pessoa numa sociedade,
direitos iguais numa liberdade compatível com a liberdade dos outros; b) deve haver uma
distribuição de bens econômicos e sociais de modo que toda desigualdade resulte vantajosa
para cada um, podendo além disso ter cada um acesso, sem obstáculos, a qualquer posição ou
cargo.

A concepção geral de sua teoria afirma que, todos os bens sociais primários - liberdade e
oportunidade, rendimentos e riquezas, e as bases de respeito a si mesmo devem ser
igualmente distribuídas, a menos que uma distribuição desigual desses bens seja vantajosa
para os menos favorecidos.

Fonte: http://tpd2000.vilabol.uol.com.br/etica1.htm

ÉTICA PROFISSIONAL

Muitos autores definem a ética profissional como sendo um conjunto de normas de conduta
que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Seria a ação
"reguladora" da ética agindo no desempenho das profissões, fazendo com que o profissional
respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão.
A ética profissional estudaria e regularia o relacionamento do profissional com sua clientela,
visando a dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto sócio-cultural onde
exerce sua profissão.

Ela atinge todas as profissões e quando falamos de ética profissional estamos nos referindo ao
caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada profissão a partir de estatutos e
códigos específicos.

Assim temos a ética médica, do advogado, do biólogo, etc.

Acontece que, em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões muito


relevantes que ultrapassam o campo profissional em si. Questões como o aborto, pena de
morte, seqüestros, eutanásia, AIDS, por exemplo, são questões morais que se apresentam
como problemas éticos - porque pedem uma reflexão profunda - e, um profissional, ao se
debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um pensador, um "filósofo da
ciência", ou seja, da profissão que exerce. Desta forma, a reflexão ética entra na moralidade de
qualquer atividade profissional humana.

Sendo a ética inerente à vida humana, sua importância é bastante evidenciada na vida
profissional, porque cada profissional tem responsabilidades individuais e responsabilidades
sociais, pois envolvem pessoas que dela se beneficiam.

A ética é ainda indispensável ao profissional, porque na ação humana "o fazer" e "o agir" estão
interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir
para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de
atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão.

A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser
humano, por isso, "o agir" da pessoa humana está condicionado a duas premissas
consideradas básicas pela Ética: "o que é" o homem e "para que vive", logo toda capacitação
científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA,
1984, p. 69)

Constata-se então o forte conteúdo ético presente no exercício profissional e sua importância
na formação de recursos humanos.

INDIVIDUALISMO E ÉTICA PROFISSIONAL

Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de referências de muitos
estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e, quando esses
interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimos problemas.

O valor ético do esforço humano é variável em função de seu alcance em face da comunidade.
Se o trabalho executado é só para auferir renda, em geral, tem seu valor restrito. Por outro
lado, nos serviços realizados com amor, visando ao benefício de terceiros, dentro de vasto raio
de ação, com consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do mesmo.

Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de
grupo. Fascinado pela preocupação monetária, a ele pouco importa o que ocorre com a sua
comunidade e muito menos com a sociedade.

Para ilustrar essa questão, citaremos um caso, muito conhecido, porém de autor anônimo.

Dizem que um sábio procurava encontrar um ser integral, em relação a seu trabalho. Entrou,
então, em uma obra e começou a indagar. Ao primeiro operário perguntou o que fazia e este
respondeu que procurava ganhar seu salário; ao segundo repetiu a pergunta e obteve a
resposta de que ele preenchia seu tempo; finalmente, sempre repetindo a pergunta, encontrou
um que lhe disse: "Estou construindo uma catedral para a minha cidade".
A este último, o sábio teria atribuído a qualidade de ser integral em face do trabalho, como
instrumento do bem comum.

Como o número dos que trabalham, todavia, visando primordialmente ao rendimento, é grande,
as classes procuram defender-se contra a dilapidação de seus conceitos, tutelando o trabalho e
zelando para que uma luta encarniçada não ocorra na disputa dos serviços. Isto porque ficam
vulneráveis ao individualismo.

A consciência de grupo tem surgido, então, quase sempre, mais por interesse de defesa do
que por altruísmo.

Isto porque, garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e tutelar a conduta, o


individualismo pode transformar a vida dos profissionais em reciprocidade de agressão.

Tal luta quase sempre se processa através de aviltamento de preços, propaganda enganosa,
calúnias, difamações, tramas, tudo na ânsia de ganhar mercado e subtrair clientela e
oportunidades do colega, reduzindo a concorrência. Igualmente, para maiores lucros, pode
estar o indivíduo tentado a práticas viciosas, mas rentáveis.

Em nome dessas ambições, podem ser praticadas quebras de sigilo, ameaças de revelação de
segredos dos negócios, simulação de pagamentos de impostos não recolhidos, etc.

Para dar espaço a ambições de poder, podem ser armadas tramas contra instituições de
classe, com denúncias falsas pela imprensa para ganhar eleições, ataque a nomes de líderes
impolutos para ganhar prestígio, etc.

Os traidores e ambiciosos, quando deixados livres completamente livres, podem cometer


muitos desatinos, pois muitas são as variáveis que existem no caminho do prejuízo a terceiros.

A tutela do trabalho, pois, processa-se pelo caminho da exigência de uma ética, imposta
através dos conselhos profissionais e de agremiações classistas. As normas devem ser
condizentes com as diversas formas de prestar o serviço de organizar o profissional para esse
fim.

Dentro de uma mesma classe, os indivíduos podem exercer suas atividades como
empresários, autônomos e associados. Podem também dedicar-se a partes menos ou mais
refinadas do conhecimento.

A conduta profissional, muitas vezes, pode tornar-se agressiva e inconveniente e esta é uma
das fortes razões pelas quais os códigos de ética quase sempre buscam maior abrangência.

Tão poderosos podem ser os escritório, hospitais, firmas de engenharia, etc, que a ganância
dos mesmos pode chegar ao domínio das entidades de classe e até ao Congresso e ao
Executivo das nações.

A força do favoritismo, acionada nos instrumentos do poder através de agentes intermediários,


de corrupção, de artimanhas políticas, pode assumir proporções asfixiantes para os
profissionais menores, que são a maioria.

Tais grupos podem, como vimos, inclusive, ser profissionais, pois, nestes encontramos também
o poder econômico acumulado, tão como conluios com outras poderosas organizações
empresariais.

Portanto, quando nos referimos à classe, ao social, não nos reportamos apenas a situações
isoladas, a modelos particulares, mas a situações gerais.
O egoísmo desenfreado de poucos pode atingir um número expressivo de pessoas e até,
através delas, influenciar o destino de nações, partindo da ausência de conduta virtuosa de
minorias poderosas, preocupadas apenas com seus lucros.

Sabemos que a conduta do ser humano pode tender ao egoísmo, mas, para os interesses de
uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se acomode às normas, porque estas
devem estar apoiadas em princípios de virtude.

Como as atitudes virtuosas podem garantir o bem comum, a Ética tem sido o caminho justo,
adequado, para o benefício geral.

VOCAÇÃO PARA O COLETIVO

Egresso de uma vida inculta, desorganizada, baseada apenas em instintos, o homem, sobre a
Terra, foi-se organizando, na busca de maior estabilidade vital. Foi cedendo parcelas do
referido individualismo para se beneficiar da união, da divisão do trabalho, da proteção da vida
em comum.

A organização social foi um progresso, como continua a ser a evolução da mesma, na


definição, cada vez maior, das funções dos cidadãos e tal definição acentua, gradativamente, o
limite de ação das classes.

Sabemos que entre a sociedade de hoje e aquela primitiva não existem mais níveis de
comparação, quanto à complexidade; devemos reconhecer, porém, que, nos núcleos menores,
o sentido de solidariedade era bem mais acentuado, assim como os rigores éticos e poucas
cidades de maior dimensão possuem, na atualidade, o espírito comunitário; também, com
dificuldades, enfrentam as questões classistas.A vocação para o coletivo já não se encontra,
nos dias atuais, com a mesma pujança nos grandes centros.

Parece-me pouco entendido, por um número expressivo de pessoas, que existe um bem
comum a defender e do qual elas dependem para o bem-estar próprio e o de seus
semelhantes, havendo uma inequívoca interação que nem sempre é compreendida pelos que
possuem espírito egoísta.

Quem lidera entidades de classe bem sabe a dificuldade para reunir colegas, para delegar
tarefas de utilidade geral.

Tal posicionamento termina, quase sempre, em uma oligarquia dos que se sacrificam, e o
poder das entidades tende sempre a permanecer em mãos desses grupos, por longo tempo.

O egoísmo parece ainda vigorar e sua reversão não nos parece fácil, diante da massificação
que se tem promovido, propositadamente, para a conservação dos grupos dominantes no
poder.

Como o progresso do individualismo gera sempre o risco da transgressão ética, imperativa se


faz a necessidade de uma tutela sobre o trabalho, através de normas éticas.

É sabido que uma disciplina de conduta protege todos, evitando o caos que pode imperar
quando se outorga ao indivíduo o direito de tudo fazer, ainda que prejudicando terceiros.

É preciso que cada um ceda alguma coisa para receber muitas outras e esse é um princípio
que sustenta e justifica a prática virtuosa perante a comunidade.

O homem não deve construir seu bem a custa de destruir o de outros, nem admitir que só
existe a sua vida em todo o universo.
Em geral, o egoísta é um ser de curta visão, pragmático quase sempre, isoladao em sua
perseguição de um bem que imagina ser só seu.

CLASSES PROFISSIONAIS

Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela


natureza do conhecimento exigido preferencialmente para tal execução e pela identidade de
habilitação para o exercício da mesma. A classe profissional é, pois, um grupo dentro da
sociedade, específico, definido por sua especialidade de desempenho de tarefa.

A questão, pois, dos grupamentos específicos, sem dúvida, decorre de uma especialização,
motivada por seleção natural ou habilidade própria, e hoje constitui-se em inequívoca força
dentro das sociedades.

A formação das classes profissionais decorreu de forma natural, há milênios, e se dividiram


cada vez mais.

Historicamente, atribui-se à Idade Média a organização das classes trabalhadoras,


notadamente as de artesãos, que se reuniram em corporações.

A divisão do trabalho é antiga, ligada que está à vocação e cada um para determinadas tarefas
e às circunstâncias que obrigam, às vezes, a assumir esse ou aquele trabalho; ficou prático
para o homem, em comunidade, transferir tarefas e executar a sua.

A união dos que realizam o mesmo trabalho foi uma evolução natural e hoje se acha não só
regulada por lei, mas consolidada em instituições fortíssimas de classe.

VIRTUDES PROFISSIONAIS

Não obstante os deveres de um profissional, os quais são obrigatórios, devem ser levadas em
conta as qualidades pessoais que também concorrem para o enriquecimento de sua atuação
profissional, algumas delas facilitando o exercício da profissão.

Muitas destas qualidades poderão ser adquiridas com esforço e boa vontade, aumentando
neste caso o mérito do profissional que, no decorrer de sua atividade profissional, consegue
incorporá-las à sua personalidade, procurando vivenciá-las ao lado dos deveres profissionais.

Em recente artigo publicado na revista EXAME o consultor dinamarquês Clauss MOLLER


(1996, p.103-104) faz uma associação entre as virtudes lealdade, responsabilidade e
iniciativa como fundamentais para a formação de recursos humanos. Segundo Clauss Moller o
futuro de uma carreira depende dessas virtudes. Vejamos:

O senso de responsabilidade é o elemento fundamental da empregabilidade. Sem


responsabilidade a pessoa não pode demonstrar lealdade, nem espírito de iniciativa [...]. Uma
pessoa que se sinta responsável pelos resultados da equipe terá maior probabilidade de agir
de maneira mais favorável aos interesses da equipe e de seus clientes, dentro e fora da
organização [...]. A consciência de que se possui uma influência real constitui uma experiência
pessoal muito importante.

É algo que fortalece a auto-estima de cada pessoa. Só pessoas que tenham auto-estima e um
sentimento de poder próprio são capazes de assumir responsabilidade. Elas sentem um
sentido na vida, alcançando metas sobre as quais concordam previamente e pelas quais
assumiram responsabilidade real, de maneira consciente.

As pessoas que optam por não assumir responsabilidades podem ter dificuldades em encontrar
significado em suas vidas. Seu comportamento é regido pelas recompensas e sanções de
outras pessoas - chefes e pares [...]. Pessoas desse tipo jamais serão boas integrantes de
equipes.

Prossegue citando a virtude da lealdade:

A lealdade é o segundo dos três principais elementos que compõe a empregabilidade. Um


funcionário leal se alegra quando a organização ou seu departamento é bem sucedido, defende
a organização, tomando medidas concretas quando ela é ameaçada, tem orgulho de fazer
parte da organização, fala positivamente sobre ela e a defende contra críticas.

Lealdade não quer dizer necessáriamente fazer o que a pessoa ou organização à qual você
quer ser fiel quer que você faça. Lealdade não é sinônimo de obediência cega. Lealdade
significa fazer críticas construtivas, mas as manter dentro do âmbito da organização. Significa
agir com a convicção de que seu comportamento vai promover os legítimos interesses da
organização. Assim, ser leal às vezes pode significar a recusa em fazer algo que você acha
que poderá prejudicar a organização, a equipe de funcionários.

No Reino Unido, por exemplo, essa idéia é expressa pelo termo "Oposição Leal a Sua
Majestade". Em outras palavras, é perfeitamente possível ser leal a Sua Majestade - e, mesmo
assim, fazer parte da oposição. Do mesmo modo, é possível ser leal a uma organização ou a
uma equipe mesmo que você discorde dos métodos usados para se alcançar determinados
objetivos. Na verdade, seria desleal deixar de expressar o sentimento de que algo está errado,
se é isso que você sente.

As virtudes da responsabilidade e da lealdade são completadas por uma terceira, a iniciativa,


capaz de colocá-las em movimento.

Tomar a iniciativa de fazer algo no interesse da organização significa ao mesmo tempo,


demonstrar lealdade pela organização. Em um contexto de empregabilidade, tomar iniciativas
não quer dizer apenas iniciar um projeto no interesse da organização ou da equipe, mas
também assumir responsabilidade por sua complementação e implementação.

Gostaríamos ainda, de acrescentar outras qualidades que consideramos importantes no


exercício de uma profissão. São elas:

Honestidade:

A honestidade está relacionada com a confiança que nos é depositada, com a responsabilidade
perante o bem de terceiros e a manutenção de seus direitos.

É muito fácil encontrar a falta de honestidade quanto existe a fascinação pelos lucros,
privilégios e benefícios fáceis, pelo enriquecimento ilícito em cargos que outorgam autoridade e
que têm a confiança coletiva de uma coletividade. Já ARISTÓTELES (1992, p.75) em sua
"Ética a Nicômanos" analisava a questão da honestidade.

Outras pessoas se excedem no sentido de obter qualquer coisa e de qualquer fonte - por
exemplo os que fazem negócios sórdidos, os proxenetas e demais pessoas desse tipo, bem
como os usurários, que emprestam pequenas importâncias a juros altos. Todas as pessoas
deste tipo obtêm mais do que merecem e de fontes erradas. O que há de comum entre elas é
obviamente uma ganância sórdida, e todas carregam um aviltante por causa do ganho - de um
pequeno ganho, aliás. Com efeito, aquelas pessoas que ganham muito em fontes erradas, e
cujos ganhos não são justos - por exemplo, os tiranos quando saqueiam cidades e roubam
templos, não são chamados de avarentos, mas de maus, ímpios e injustos.

São inúmeros os exemplos de falta de honestidade no exercício de uma profissão. Um


psicanalista, abusando de sua profissão ao induzir um paciente a cometer adultério, está sendo
desonesto. Um contabilista que, para conseguir aumentos de honorários, retém os livros de um
comerciante, está sendo desonesto.
A honestidade é a primeira virtude no campo profissional. É um princípio que não admite
relatividade, tolerância ou interpretações circunstanciais.

Sigilo:

O respeito aos segredos das pessoas, dos negócios, das empresas, deve ser desenvolvido na
formação de futuros profissionais, pois trata-se de algo muito importante. Uma informação
sigilosa é algo que nos é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória.

Revelar detalhes ou mesmo frívolas ocorrências dos locais de trabalho, em geral, nada
interessa a terceiros e ainda existe o agravante de que planos e projetos de uma empresa
ainda não colocados em prática possam ser copiados e colocados no mercado pela
concorrência antes que a empresa que os concebeu tenha tido oportunidade de lançá-los.

Documentos, registros contábeis, planos de marketing, pesquisas científicas, hábitos pessoais,


dentre outros, devem ser mantidos em sigilo e sua revelação pode representar sérios
problemas para a empresa ou para os clientes do profissional.

Competência:

Competência, sob o ponto de vista funcional, é o exercício do conhecimento de forma


adequada e persistente a um trabalho ou profissão. Devemos buscá-la sempre. "A função de
um citarista é tocar cítara, e a de um bom citarista é tocá-la bem." (ARISTÓTELES, p.24).

É de extrema importância a busca da competência profissional em qualquer área de atuação.


Recursos humanos devem ser incentivados a buscar sua competência e maestria através do
aprimoramento contínuo de suas habilidades e conhecimentos.

O conhecimento da ciência, da tecnologia, das técnicas e práticas porfissionais é pré-requisito


para a prestação de serviços de boa qualidade.

Nem sempre é possível acumular todo conhecimento exigido por determinada tarefa, mas é
necessário que se tenha a postura ética de recusar serviços quando não se tem a devida
capacitação para executá-lo.

Pacientes que morrem ou ficam aleijados por incompetência médica, causas que são perdidas
pela incompetência de advogados, prédios que desabam por erros de cálculo em engenharia,
são apenas alguns exemplos de quanto se deve investir na busca da competência.

Prudência:

Todo trabalho, para ser executado, exige muita segurança.

A prudência, fazendo com que o profissional analise situações complexas e difíceis com mais
facilidade e de forma mais profunda e minuciosa, contribui para a maior segurança,
principalmente das decisões a serem tomadas. a prudência é indispensável nos casos de
decisões sérias e graves, pois evita os julgamentos apressados e as lutas ou discussões
inúteis.

Coragem:

Todo profissional precisa ter coragem, pois "o homem que evita e teme a tudo, não enfrenta
coisa alguma, torna-se um covarde" (ARISTÓTELES, p.37). A coragem nos ajuda a reagir às
críticas, quando injustas, e a nos defender dignamente quando estamos cônscios de nosso
dever. Nos ajuda a não ter medo de defender a verdade e a justiça, principalmente quando
estas forem de real interesse para outrem ou para o bem comum. Temos que ter coragem para
tomar decisões, indispensáveis e importantes, para a eficiência do trabalho, sem levar em
conta possíveis atitudes ou atos de desagrado dos chefes ou colegas.

Perseverança:

Qualidade difícil de ser encontrada, mas necessária, pois todo trabalho está sujeito a
incompreensões, insucessos e fracassos que precisam ser superados, prosseguindo o
profissional em seu trabalho, sem entregar-se a decepções ou mágoas. É louvável a
perseverança dos profissionais que precisam enfrentar os problemas do subdesenvolvimento.

Compreensão:

Qualidade que ajuda muito um profissional, porque é bem aceito pelos que dele dependem, em
termos de trabalho, facilitando a aproximação e o diálogo, tão importante no relacionamento
profissional.

É bom, porém, não confundir compreensão com fraqueza, para que o profissional não se deixe
levar por opiniões ou atitudes, nem sempre, válidas para eficiência do seu trabalho, para que
não se percam os verdadeiros objetivos a serem alcançados pela profissão.

Vê-se que a compreensão precisa ser condicionada, muitas vezes, pela prudência. A
compreensão que se traduz, principalmente em calor humano pode realizar muito em benefício
de uma atividade profissional, dependendo de ser convenientemente dosada.

Humildade:

O profissional precisa ter humildade suficiente para admitir que não é o dono da verdade e que
o bom senso e a inteligência são propriedade de um grande número de pessoas.

Representa a auto-análise que todo profissional deve praticar em função de sua atividade
profissional, a fim de reconhecer melhor suas limitações, buscando a colaboração de outros
profissionais mais capazes, se tiver esta necessidade, dispor-se a aprender coisas novas,
numa busca constante de aperfeiçoamento. Humildade é qualidade que carece de melhor
interpretação, dada a sua importância, pois muitos a confundem com subserviência,
dependência ? quase sempre lhe é atribuído um sentido depreciativo. Como exemplo, ouve-se
freqüentemente, a respeito determinadas pessoas, frases com estas: Fulano é muito humilde,
coitado!

Muito simples! Humildade está significando nestas frases pessoa carente que aceita qualquer
coisa, dependente e até infeliz.

Conceito errôneo que precisa ser superado, para que a Humildade adquira definitivamente a
sua autenticidade.

Imparcialidade:

É uma qualidade tão importante que assume as características do dever, pois se destina a se
contrapor aos preconceitos, a reagir contra os mitos (em nossa época dinheiro, técnica,
sexo...), a defender os verdadeiros valores sociais e éticos, assumindo principalmente uma
posição justa nas situações que terá que enfrentar. Para ser justo é preciso ser imparcial, logo
a justiça depende muito da imparcialidade.

Otimismo:

Em face das perspectivas das sociedades modernas, o profissional precisa e deve ser otimista,
para acreditar na capacidade de realização da pessoa humana, no poder do desenvolvimento,
enfrentando o futuro com energia e bom-humor.
CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

Cabe sempre, quando se fala em virtudes profissionais, mencionarmos a existência dos


códigos de ética profissional.

As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta
humana podem ser reunidos em um instrumento regulador.

É uma espécie de contrato de classe e os órgãos de fiscalização do exercício da profissão


passam a controlar a execução de tal peça magna.

Tudo deriva, pois, de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo social.

Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da profissão,
abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e sociedade.

O interesse no cumprimento do aludido código passa, entretanto a ser de todos. O exercício de


uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional, como se uma lei fosse, mas com
proveito geral.

Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e de uma educação pertinente que conduza à
vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa disciplina da atividade é antiga, já
encontrada nas provas históricas mais remotas, e é uma tendência natural na vida das
comunidades.

É inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas
também o é que uma norma comportamental deva reger a prática profissional no que concerne
a sua conduta, em relação a seus semelhantes.

Toda comunidade possui elementos qualificados e alguns que transgridem a prática das
virtudes; seria utópico admitir uniformidade de conduta.

A disciplina, entretanto, através de um contrato de atitudes, de deveres, de estados de


consciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas
classes profissionais que são egressas de cursos universitários (contadores, médicos,
advogados, etc.)

Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e especialmente evitar que se
macule o bom nome e o conceito social de uma categoria.

Se muitos exercem a mesma profissão, é preciso que uma disciplina de conduta ocorra.

Fonte: http://tpd2000.vilabol.uol.com.br/etica2.htm
BREVE RETORNO ÀS ORIGENS

INTRODUÇÃO

A humanidade tem assistido a muitas mudanças em quase todos os sentidos da vida humana.
O desenvolvimento tecnológico está atingindo termos jamais antes imaginados ou mesmo
concebido pelo ser humano. As mudanças decorrentes da evolução e dos acontecimentos
históricos são muito significativas e representam um exemplo do que pode acontecer com os
esforços de criação da mente humana.

Nos campos das descobertas da medicina, da indústria, da tecnologia, jamais se assistiu


tamanho desenvolvimento. Assistimos a um aumento de velocidade de produção de
informações nunca conhecidos.

Em face das conquistas tecnológicas atuais, a ética está mais do que nunca presente nos
debates a respeito do comportamento humano e o seu estudo é sempre necessário em
decorrência da necessidade das pessoas orientarem seu comportamento de acordo com a
nova realidade na vida social.

Assim, a Ética é o conjunto de normas morais pelo qual o indivíduo deve orientar seu
comportamento na profissão que exerce e é de fundamental importância em todas as
profissões e para todo ser humano, para que possamos viver relativamente bem em sociedade.
Com o crescimento desenfreado do mundo globalizado, muitas vezes deixamos nos levar pela
pressão exercida em busca de produção, pois o mercado de trabalho está cada vez mais
competitivo e exigente, e as vezes não nos deixa tempo para refletir sobre nossas atitudes.
Temos que ter a consciência de que nossos atos podem influenciar na vida dos outros e que
nossa liberdade acarreta em responsabilidade. De forma ampla a Ética é definida como a
explicitação teórica do fundamento último do agir humano na busca do bem comum e da
realização individual.

1.1 - BREVE RETORNO ÀS ORIGENS

Historicamente, a Ética sempre foi orientada pela religião e pela razão, sendo esta uma razão
crítica em todas as sociedades. Podemos observar grandes filósofos como, Sócrates, Platão,
Aristóteles, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Hobbes, Hume, Hegel, Kant, Bérgson,
Heidegger, Habermas, cada um a seu modo, buscando o estabelecimento de códigos de ética
válidos universalmente.

Tendo a Ética como ciência da conduta, podemos observar duas concepções:

"ciência que trata do fim que deve orientar a conduta dos homens e dos meios para atingir tal
fim. É o ideal formulado e perseguido pelo homem por sua natureza e essência."

"ciência que trata do móvel da conduta humana e procura determinar esse móvel visando dirigir
a própria conduta. Liga-se ao desejo da sobrevivência."

(ABBAGNANO, 2000; BOFF, 2003).

Na primeira concepção vemos Sócrates como precursor da Ética no Ocidente, Platão que
tratou da ética das virtudes em "A República", Aristóteles que trata do propósito da conduta
humana de buscar a felicidade a partir da sua natureza racional. Hegel tratou do objetivo da
conduta humana destacando o Estado como a realidade na qual a conduta encontra integração
e perfeição, tratando a Ética como a filosofia do Direito.

Em sua segunda concepção, vemos Pródico que nos contempla com suas palavras: "Se
desejares ser honrado por uma cidade deves ser útil à cidade". (PRÓDICO. As Horas, o
original perdeu-se, mas a sua essência encontra-se em Memorabilia de
XENOFONTES)Protágoras pregava o respeito mútuo e a justiça como condições necessárias à
sobrevivência do Homem; Kant situou a Ética no mundo da razão pura, no qual os seres
racionais buscavam firmar esse mundo evitando os interesses individualizados e perseguindo o
bem. Benthan defendeu a conduta do Homem com sendo determinada pela expectativa do
prazer ou da dor, sendo esse o único motivo possível da ação.

Ainda como ciência da conduta vemos a Ética no Homem que exerce algum poder sentindo-se
o único sujeito real o eleito, o melhor, o mais capaz, o mais inteligente, portanto merecendo
privilégios. Neste sentido, Schopenhauer enfatiza que o significado ético deve estar sempre
associado ao outro. Somente em relação ao outro pode existir o valor moral e a conduta pode
ser uma ação de justiça:

"A única ética possível estrutura-se na relação do sujeito com o outro, em que é importante ser
preservado o complexo espaço para a inter-subjetividade. [...] só nessa relação do sujeito com
o outro podemos construir os valores éticos acerca do bem e do mal. [...] Representa também a
relação do indivíduo com as instituições [...] com a sociedade". (ARICÓ, 2001)
1.2 - AS CRISES DO PENSAMENTO RACIONAL E A ÉTICA

O pensamento ocidental revira-se e muda em função de crises, acarretando mudanças


comportamentais e, como conseqüência, mudanças no modo de análise das morais, mudanças
na ética. Sendo que a primeira grande crise enfrentada pelo mundo ocidental aconteceu na
passagem do pensamento mitológico para o pensamento filosófico entre os gregos. A partir
dessa mudança surge um homem que abandona a explicação mitológica ou sobrenatural
buscando uma explicação natural para si e seu mundo.

Pode-se localizar uma exacerbação dessa primeira crise com Sócrates e sua visão social e
comunitária. O pensamento racional abandona as causas físicas e passa a preocupar-se com o
destino humano; a ética enquanto estudo das relações entre os homens, enquanto pensamento
sobre as ações morais começa a aparecer a partir daí.

Aristóteles, discípulo de Platão e uma das maiores mentes observadas pelo mundo ocidental,
entra no furacão da racionalidade e, embora se afastando da orientação de seu mestre, pensa
a ética no contexto da polis, sem desconsiderar as paixões, naturais no ser humano, o que
influenciaria definitivamente qualquer ética, retirando a possibilidade de uma solução
puramente lógica, pois o homem para chegar à perfeição, deve alcançar seu objetivo final – a
felicidade.

Outra crise ocorre, com a revolução trazida pelo pensamento cristão, a partir do ano I da Era
Cristã. O novo pensamento se difunde; a herança filosófica grega instala-se no meio cristão. A
nova crise racional tira o Homem do centro colocando Deus e a doutrina cristã da alma eterna.
A desagregação e queda do Império Romano acarretaram desorganização política e
subseqüente convulsão social, em face de seu montante. O desaparecimento dos grandes
centros culturais restringe a cultura aos Monastérios, ficando as preocupações filosóficas
ligadas à problemática religiosa, entretanto, as pequenas seitas que proliferaram no mundo
helenístico sucedendo à Filosofia Grega Clássica, continuaram a existir assegurando a
sobrevivência da herança antiga, pelo menos até Constantino declarar cristão o Império
Romano.

Do Século VIII ao Século XIV a Igreja Romana dominou a Europa, criando uma nova moral
onde, coroou reis, organizou Cruzadas à Terra Santa, fundou as primeiras Universidades.
Nesse período a Filosofia Medieval ou Escolástica chega a uma exacerbação da lógica
tentando provar a existência de Deus e da alma imortal.

Do Século XIV ao XVI gesta-se a terceira crise, a idéia da liberdade política é reencontrada,
colocando o ser humano como artífice do seu próprio destino, através do conhecimento, da
política, das técnicas e das artes.

Nicolau Maquiavel que nasce em 1469, percebe que o poder fundava-se apenas em atos de
força, e pela força era deslocado onde nem religião, tradição, ou vontade popular legitimavam o
soberano.

Com a crise gestada na Renascença, o mundo prepara-se para uma nova racionalidade, a
crise do pensamento.
O determinante maior do pensamento ocidental até o final do Séc. XIX e começo do Séc. XX foi
a teorização da modernidade atribuído a Descartes, que inaugura o que se pode chamar de
racionalidade moderna caracterizando em primeiro lugar a separação radical entre corpo e
alma, valorizando a alma, que para Descartes equivale a pensamento, espírito, raciocínio
lógico: o corpo passa a segundo plano, como mais difícil de conhecer do que a alma. No final
do século XIX, onde a racionalização atinge seu ápice entrando na "crise da modernidade".

Immanuel Kant, cujas idéias parecem ser ponto de convergência do pensamento filosófico
anterior, faz uma análise crítica do universo espiritual humano voltando suas preocupações
para duas questões: o problema do conhecimento, suas possibilidades, seus limites e sua
esfera de aplicação e o problema da ação humana, ou seja, o problema moral, o que fazer e
como agir em relação ao semelhante, como alcançar a felicidade ou o bem supremo.

O imperativo categórico kantiano é puramente racional e vazio e desvinculado de qualquer


condição ou empiria: "Age de tal modo que a máxima de sua vontade possa valer-te sempre
como princípio de uma legislação universal". (KANT, I. Coleção os Pensadores. São Paulo:
Nova Cultural, 1991).

Nietzsche, em seu ético questionamento da moral, repensa radicalmente seus fundamentos e a


transforma em um problema, embora seja tão duro ou mais do que o próprio Kant, quando se
trata de moral.

Em plena "crise da modernidade", surge Freud e a Psicanálise, num mundo onde crenças e
valores são questionados e Lacan que leva a Psicanálise às últimas conseqüências, deixando
no ar se o que teríamos depois de Lacan, seria então o fim da Psicanálise como vinha sendo
profetizado há muito?

Só o homem é capaz de ser mau, pois poderia escolher outros caminhos articulados ao
respeito mútuo, mas escolhe a violência e o poder como protagonistas do desejo. [...] A ética
da globalização da economia triunfa, tornando cada vez mais difícil a humanização das
condições materiais, necessárias à construção de um novo homem solidário, íntegro ou apenas
obediente a uma nova ordem mais justa. [...] Os homens estão aí, na maioria das vezes,
bastante disponíveis às manipulações perversas que evidentemente achincalham a cidadania.
(Aricó 2001)

1.3 - CONCEITUANDO ÉTICA PROFISSIONAL

É extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Direito. Estas três áreas de
conhecimento se distinguem, entretanto têm grandes vínculos e até mesmo sobreposições.

A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa independente das fronteiras
geográficas e garante uma identidade entre pessoas que mesmo sem se conhecerem utilizam
este mesmo referencial moral comum.

O Direito estabelece o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. As


leis têm uma base territorial, pois elas valem apenas para aquela área geográfica onde
determinada população ou seus delegados vivem. Alguns autores afirmam que o Direito é um
subconjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a lei é moralmente
aceitável.
Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos entre a Moral e o Direito. Um
exemplo disso é a desobediência civil, que ocorre quando argumentos morais impedem que
uma pessoa acate uma determinada lei. Assim a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a
uma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes.

Muitos autores definem a ética profissional como sendo um conjunto de normas de conduta
que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Sendo assim, a ação
reguladora da ética que age no desempenho das profissões, faz com que o profissional
respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão.

A ética profissional estudaria e regularia o relacionamento do profissional com sua clientela,


visando a dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto sócio-cultural onde
exerce sua profissão, atingindo toda profissão. Ao falamos de ética profissional estamos nos
referindo ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada profissão a partir de
estatutos e códigos específicos. Assim temos a ética médica, do advogado, do biólogo, do
psicólogo, etc, relacionada em seus respectivos códigos de ética.

Em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões relevantes que ultrapassam o


campo profissional em si, como o aborto, pena de morte, seqüestros, eutanásia, AIDS, e
outros, que são questões morais que se apresentam como problemas éticos, pois pedem uma
reflexão profunda e assim, um profissional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como
tal, mas como um pensador, um filósofo da ciência, ou seja, da profissão que exerce. Desta
forma, a reflexão ética entra na moralidade de qualquer atividade profissional humana.

A ética inerente à vida humana é de suma importância na vida profissional, assim para o
profissional a ética não é somente inerente, mas indispensável a este. Na ação humana o fazer
e o agir estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional
deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional,
conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão.

A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser
humano.

O agir" da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela
Ética: "o que é" o homem e "para que vive", logo toda capacitação científica ou técnica precisa
estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69)

Constatamos assim o forte conteúdo ético presente no exercício profissional.

1.4 - REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA PROFISSIONAL

As reflexões realizadas no exercício de uma profissão devem ser iniciadas bem antes da
prática profissional. A escolha por uma profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de
deveres profissionais passa a ser obrigatório.

Toda a fase de formação profissional, abrangendo o aprendizado das competências e


habilidades que se referem à prática específica numa determinada área, deve incluir a reflexão.
Ao completar a graduação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua
adesão e comprometimento com a categoria profissional onde formalmente ingressa, o que
caracteriza o aspecto moral da chamada Ética Profissional.

O fato de uma pessoa trabalhar numa área que não escolheu livremente como emprego por
precisar trabalhar, não a isenta da responsabilidade de pertencer a uma classe, não a eximindo
também dos deveres a cumprir. Algumas perguntas podem guiar a reflexão, até esta tornar-se
um hábito incorporado ao dia-a-dia, como por exemplo, perguntar a si mesmo se está sendo
bom profissional, se está agindo adequadamente e ainda se está realizando corretamente sua
atividade.

É fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que não estão descritas nos
códigos de todas as profissões, mas que são comuns a todas as atividades que uma pessoa
pode exercer, gostando do que se faz, sem perder a dimensão de que é preciso sempre
continuar melhorando, aprendendo, experimentando novas soluções, criando novas formas de
exercer as atividades, estando aberto a mudanças, mesmo nos pequenos detalhes, que podem
fazer uma grande diferença na sua realização profissional e pessoal. Isto tudo pode acontecer
com a reflexão ética incorporada a seu viver.

E isto é parte do que se chama empregabilidade, que nada mais é que a capacidade que você
pode ter de ser um profissional eticamente bom. Comportamento eticamente adequado e
sucesso continuado são indissociáveis!

1.5 - ÉTICA PROFISSIONAL, RELAÇÕES SOCIAIS E INDIVIDUALISMO

As leis de cada profissão são elaboradas com o objetivo de proteger os profissionais, a


categoria e as pessoas que dependem daquele profissional, mas há muitos aspectos não
previstos especificamente e que fazem parte do comprometimento do profissional em ser
eticamente correto, ou seja, fazer a coisa certa.

Outra referência que tem sido objeto de estudo de muitos estudiosos parece ser a tendência do
ser humano de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e, quando esses
interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimos problemas.

O valor ético do esforço humano é variável em função do seu alcance, em face da comunidade.
Se o trabalho executado é só para auferir renda, tem em geral seu valor restrito. Os serviços
realizados, visando o benefício de terceiros com consciência do bem comum, passa a existir a
expressão social do mesmo.

Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo
e a ele pouco importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade.

O número dos que trabalham visando primordialmente o rendimento é muito grande, fazendo
assim com que as classes procurem defender-se contra a dilapidação de seus conceitos,
tutelando o trabalho e zelando para que uma luta encarniçada não ocorra na disputa dos
serviços, pois ficam vulneráveis ao individualismo.

A consciência de grupo tem surgido mais por interesse de defesa do que por altruísmo, pois
garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e tutelar a conduta, o individualismo pode
transformar a vida dos profissionais em reciprocidade de agressão.
Tal luta quase sempre se processa em virtude da ambição de uns em cima de outros, e que em
nome dessas ambições, podem ser praticadas, por exemplo, quebras de sigilo.

A tutela do trabalho processa-se pelo caminho da exigência de uma ética imposta através dos
conselhos profissionais. As normas devem ser condizentes com as diversas formas de prestar
o serviço de organizar o profissional para esse fim.

A conduta profissional, muitas vezes, pode tornar-se agressiva e inconveniente e esta é uma
das fortes razões pelas quais os códigos de ética quase sempre buscam maior abrangência.
Assim, ao nos referirmos à classe, ao social, não nos reportamos apenas a situações isoladas
ou modelos particulares, mas a situações gerais.

O egoísmo desenfreado de poucos pode atingir um número expressivo de pessoas e até


mesmo influenciar o destino de nações, partindo da ausência de conduta virtuosa de minorias
poderosas, preocupadas apenas com seus lucros.

Sabemos que a conduta do ser humano pode tender ao egoísmo, mas, para os interesses de
uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se acomode às normas, porque estas
devem estar apoiadas em princípios de virtude, assim a ética tem sido o caminho justo e
adequado, para o benefício geral.

1.6 - VOCAÇÃO PARA O COLETIVO

Egresso de uma vida inculta, baseada apenas em instintos, o homem, sobre a terra, foi-se
organizando, na busca de maior estabilidade vital, cedendo parcelas do referido individualismo
para se beneficiar da união, da divisão do trabalho e assim da proteção da vida em comum. A
organização social foi e continua a ser um progresso, na definição das funções dos cidadãos e
tal definição acentua, gradativamente, o limite de ação das classes.

A vocação para o coletivo já não se encontra, nos dias atuais, com a mesma eficácia nos
grandes centros, como ainda é encontrado em núcleos menores e, poucas cidades de maior
dimensão, possuem o espírito comunitário, enfrentando com grande dificuldade as questões
classistas.

Parece-nos pouco entendido, que existe um bem comum a defender do qualum número
expressivo de pessoas dependem para o bem-estar próprio e o de seus semelhantes, tendo
assim uma inequívoca interação. O progresso do individualismo gera sempre o risco da
transgressão ética assim, é imperativa a necessidade de uma tutela sobre o trabalho, através
de normas éticas.

1.7 - CLASSES PROFISSIONAIS

Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela


natureza do conhecimento exigido para tal execução e pela identidade de habilitação para o
exercício da mesma. A classe profissional é um grupo dentro da sociedade, específico, definido
por sua especialidade de desempenho de tarefa.

A divisão do trabalho é antiga e está ligada à vocação de cada um para determinadas tarefas e
às circunstâncias que obrigam, muitas vezes, a assumir esse ou aquele trabalho; ficou prático
para o homem, em comunidade, transferir tarefas e executar a sua. A união dos que realizam o
mesmo trabalho foi uma evolução natural e hoje se acha não só regulada por lei, mas
consolidada em instituições fortíssimas de classe, como os códigos de ética.

1.8 - ÉTICA PROFISSIONAL E ATIVIDADE VOLUNTÁRIA

Outro conceito interessante que podemos examinar é o de Profissional, que é regularmente


remunerado ao executar a atividade que exerce, em oposição ao Amador, que podemos
conceituar sendo aquele que exerce atividade voluntária e que, nesta conceituação, este não
seria profissional, sendo esta uma conceituação polêmica.

Voluntário é aquele que se dispõe a exercer a prática Profissional não-remunerada, seja para
fins assistenciais, ou prestação de serviços, por um período determinado ou não. É
fundamental observar que só é eticamente adequado, o profissional que age, na atividade
voluntária, com o mesmo comprometimento que teria no exercício profissional se este fosse
remunerado.

Se a atividade é voluntária, sendo uma opção realizá-la, é eticamente adequado que esta seja
realizada da mesma forma como faz tudo que é importante em sua vida.

1.9 - ÉTICA PROFISSIONAL: PONTOS PARA REFLEXÃO

É imprescindível estar sempre bem informado, acompanhando não apenas as mudanças nos
conhecimentos técnicos da sua área profissional, mas também nos aspectos legais e
normativos. Vá e busque o conhecimento. Muitos processos ético-disciplinares nos conselhos
profissionais acontecem por desconhecimento, negligência.

Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, confidencialidade,


privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvimento, afetividade, correção de conduta,
boas maneiras, relações genuínas com as pessoas, responsabilidade, corresponder à
confiança que é depositada em você.

1.10 - VIRTUDES PROFISSIONAIS

Não obstante os deveres de um profissional, os quais são obrigatórios, devem ser levadas em
conta as qualidades pessoais que concorrem para o enriquecimento de sua atuação
profissional, facilitando o exercício da profissão.

Muitas destas qualidades poderão ser adquiridas com esforço e boa vontade, aumentando
neste caso o mérito do profissional que, no decorrer de sua atividade, consegue incorporá-las à
sua personalidade, tentando vivenciá-las ao lado dos deveres profissionais.

O consultor dinamarquês Clauss Moller faz uma associação entre as virtudes lealdade,
responsabilidade e iniciativa como fundamentais para a formação de recursos humanos em um
artigo publicado na revista exame. Segundo Clauss Moller o futuro de uma carreira depende
dessas virtudes:

O senso de responsabilidade é o elemento fundamental da empregabilidade. Sem


responsabilidade a pessoa não pode demonstrar lealdade, nem espírito de iniciativa [...]. Uma
pessoa que se sinta responsável pelos resultados da equipe terá maior probabilidade de agir
de maneira mais favorável aos interesses da equipe e de seus clientes, dentro e fora da
organização [...]. A consciência de que se possui uma influência real constitui uma experiência
pessoal muito importante. (Clauss Muller, 1996, p. 103-104)

Só pessoas que tenham auto-estima e sentimento de poder próprio são capazes de assumir
responsabilidade, pois elas sentem um sentido na vida, alcançando metas sobre as quais
concordam previamente e pelas quais assumiram responsabilidade real, de maneira
consciente.

As virtudes da responsabilidade e da lealdade são completadas por uma terceira, a iniciativa,


capaz de colocá-las em movimento e, assim, tomar a iniciativa de fazer algo no interesse da
organização significa demonstrar lealdade pela organização. Em um contexto de
empregabilidade, tomar iniciativas não quer dizer apenas iniciar um projeto no interesse da
organização ou da equipe, mas também assumir responsabilidade por sua complementação.

Dentre as qualidades que consideramos mais importantes no exercício de uma profissão, está
a honestidade que se relaciona com a confiança que nos é depositada, com a responsabilidade
perante o bem de terceiros e a manutenção de seus direitos. É muito fácil encontrar a falta de
honestidade quanto existe a fascinação pelos lucros, pelo enriquecimento ilícito em cargos que
outorgam autoridade e que têm a confiança coletiva de uma coletividade.

Os exemplos de falta de honestidade no exercício de uma profissão são muitos. Um


psicanalista, abusando de sua profissão ao induzir um paciente a cometer adultério, está sendo
desonesto. Um contabilista que, para conseguir aumentos de honorários, retém os livros de um
comerciante, está sendo desonesto. A honestidade é a primeira virtude no campo profissional.
É um princípio que não admite relatividade, tolerância ou interpretações circunstanciais.

O Sigilo também é uma das qualidades consideradas de maior importância, senão o maior
deles dentro de uma profissão. O respeito aos segredos das pessoas, deve ser desenvolvido
na formação de futuros profissionais, pois se trata de algo muito importante. Uma informação
sigilosa é algo que nos é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória. Hábitos
pessoais, dentre outros, devem ser mantidos em sigilo e sua revelação pode representar sérios
problemas para a empresa ou para os clientes do profissional.

Competência, sob o ponto de vista funcional, é o exercício do conhecimento de forma


adequada e persistente a um trabalho ou profissão. Devemos buscá-la sempre, como afirma
Aristóteles, p.24: "a função de um citarista é tocar cítara, e a de um bom citarista é tocá-la
bem".

É de extrema importância a busca da competência profissional em qualquer área de atuação.


Nem sempre é possível acumular todo conhecimento exigido por determinada tarefa, mas é
necessário que se tenha a postura ética de recusar serviços quando não se tem a devida
capacitação para executá-lo. Pacientes que morrem ou ficam aleijados por incompetência
médica, causas que são perdidas pela incompetência de advogados, prédios que desabam por
erros de cálculo em engenharia, são apenas alguns exemplos de quanto se deve investir na
busca da competência.
A prudência é uma das qualidades que faz com que o profissional analise situações complexas
e difíceis com mais facilidade e de forma mais profunda e minuciosa, contribui para a maior
segurança, principalmente das decisões a serem tomadas. A prudência é indispensável nos
casos de decisões sérias e graves, pois evita os julgamentos apressados e as lutas ou
discussões inúteis.

A coragem é uma das qualidades mais exigidas a todos os profissionais. Todo profissional
precisa ter coragem, pois "o homem que evita e teme a tudo, não enfrenta coisa alguma, torna-
se um covarde" (Aristóteles, p.37). A coragem nos ajuda a reagir às críticas, quando injustas, e
a nos defender dignamente quando estamos cônscios de nosso dever. Ajuda-nos também a
não ter medo de defender a verdade e a justiça, principalmente quando estas forem de real
interesse para outrem ou para o bem comum.

A perseverança é uma qualidade difícil de ser encontrada, mas necessária, pois todo trabalho
está sujeito a incompreensões, insucessos e fracassos que precisam ser superados,
prosseguindo o profissional em seu trabalho, sem entregar-se a decepções ou mágoas. É
louvável a perseverança dos profissionais que precisam enfrentar os problemas do
subdesenvolvimento.

Compreensão é uma qualidade que ajuda muito um profissional, porque é bem aceito pelos
que dele dependem, em termos de trabalho, facilitando a aproximação e o diálogo, tão
importante no relacionamento profissional. Porém, não podemos confundir compreensão com
fraqueza, para que o profissional não se deixe levar por opiniões ou atitudes, nem sempre,
válidas para eficiência do seu trabalho, para que não se percam os verdadeiros objetivos a
serem alcançados pela profissão.

Vê-se que a compreensão precisa ser condicionada, muitas vezes, pela prudência. A
compreensão que se traduz, principalmente em calor humano pode realizar muito em benefício
de uma atividade profissional, dependendo de ser convenientemente dosada.

O profissional precisa ter humildade suficiente para admitir que não é o dono da verdade e que
o bom senso e a inteligência são propriedade de um grande número de pessoas. A humildade
representa a auto-análise que todo profissional deve praticar em função de sua atividade
profissional, para reconhecer melhor suas limitações, buscando a colaboração de outros
profissionais mais capazes, quando tiver esta necessidade, numa busca constante de
aperfeiçoamento. Humildade é qualidade que carece de melhor interpretação, dada a sua
importância, pois muitos a confundem com subserviência ou dependência e, quase sempre, lhe
é atribuído um sentido depreciativo.

Imparcialidade é uma qualidade tão importante que assume as características do dever, pois se
destina a se contrapor aos preconceitos, a reagir contra os mitos, a defender os verdadeiros
valores sociais e éticos, assumindo principalmente uma posição justa nas situações que terá
que enfrentar. Para ser justo é preciso ser imparcial, logo a justiça depende muito da
imparcialidade.

Otimismo em face das perspectivas das sociedades modernas é uma das qualidades em que o
profissional precisa mais estar dedicado, pois é imperativo que o profissional seja otimista, para
acreditar na capacidade de realização da pessoa humana, no poder do desenvolvimento,
enfrentando o futuro com energia e bom humor.
1.11 - CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

Sempre, quando se fala em virtudes profissionais, é preciso mencionar a existência dos


códigos de ética profissional.

As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta
humana podem ser reunidos em um instrumento regulador. Assim, o código de ética é uma
espécie de contrato de classe em que os órgãos de fiscalização do exercício da profissão
passam a controlar a execução de tal peça magna. Tudo deriva, pois, de critérios de condutas
de um indivíduo perante seu grupo e o todo social.

Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da profissão,
abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e sociedade. O
interesse no cumprimento do referido código deve ser de todos. O exercício de uma virtude
obrigatória torna-se exigível de cada profissional, como se uma lei fosse, uma vez que toda
comunidade possui elementos qualificados e alguns que transgridem a prática das virtudes;
seria utópico admitir uniformidade de conduta.

A disciplina, entretanto, é um contrato de atitudes, de deveres, de estados de consciência, e


que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas classes
profissionais que são egressas de cursos universitários (contadores, médicos, advogados,
psicólogos, etc.).

Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e especialmente evitar que se
macule o bom nome e o conceito social de uma categoria.

CONCLUSÃO

A definição de ética e moral leva a insinuação de que ambas assumem a mesma identidade.
Neste bojo, a ética seria a teoria dos costumes, ou a ciência dos costumes, enquanto a moral
seria tomada como ciência, haja vista ser o objeto da mesma.

O Positivismo propõe que a Ética, enquanto conhecimento científico deva aspirar à


racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deva proporcionar
conhecimentos sistemáticos, metódicos e, no limite do possível, comprováveis (VÁZQUEZ,
1995; MONTE, 2002).

Construir a noção abstrata de conceitos como Justiça, Liberdade, Igualdade e outros, como a
Ética, é também invocar à semântica – suas conotações e múltiplos sentidos atribuídos. Estas
expressões imbuem o sujeito que as assimila de forte e evidente carga emocional. Nalini (1999)
afirma que é ainda utilizar-se de expressões que transbordam o sentimento e encerram a
complexidade característica às questões filosóficas.

Contudo, a aplicabilidade pragmática da Ética reside na crise de sustentação que civilizações


modernas passam. De modo que se encontram imbricadas questões filosóficas, políticas,
societais (e culturais), estéticas e, sem excluir, questões religiosas, dentre tantas outras. A
Crise da Humanidade é uma crise moral, afirma Nalini (1999). Partindo desta premissa é que
não se pode desfocar da preservação da dignidade humana, quando se pauta na conduta
pessoal.
Indistintamente, Ética "é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade"
(Engelhardt, 1998:72). Desta forma é concebida como uma ciência, e como tal, tem objeto
próprio, leis próprias e métodos próprios. Assim, o objeto da ética é a moral, que se torna
reconhecida como um dos aspectos comportamento humano. A expressão deriva da palavra
romana mores, que assume o sentido de costumes, ou seja, conjunto de normas adquiridas
pelo hábito reiterado de sua prática.

Todavia, não se trata apenas da concepção teórico-epistemológica de moral como produto ou


essência de comportamento humano, mas a moral, como produto da ética, vista através da
moralidade positiva. Isto porque a ética abriga-se na idéia do "conjunto de regras de
comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem"
(Maynéz apud Nalini, 1999:35)

A ética é uma disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-las e elucidá-las.
Mostrando às pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência, a ética
aprimora e desenvolve seu sentido moral e influencia a conduta.

Com o advir da ética nas profissões e seus respectivos códigos de ética, o homem assume-se
como epicentro na tomada de decisões, reconhecimento de si como objeto de um sujeito – isto
justifica a necessidade de normas avançadas que compreendam a dimensionalidade assumida
pelo homem –, e ainda questões que contemplem a ética do comportamento, sobre a vida e os
"novos" mecanismos de relação estabelecidos para a garantia e manutenção desta.

A sustentação da ética profissional nas disciplinas como campo de assistência que trabalha
com a subjetividade e o psiquismo humano, como por exemplo a Psicologia, abre indagações
longínquas que contornam a ética profissional e suas atuações.

Mesmo a Filosofia da Ética através do seu estudo histórico sobre o comportamento humano,
bem como o reflexo da ética da vida, por trás de sua manutenção ou não, e, por sua
normatização e positivação das condutas que vislumbram a transformação da profissão e da
ciência, frente ao ser humano, as condições para que encerrem as discussões sobre a ciência
do bem e do mal ainda estão aquém de um meio e, por fim, de conclusões cristalizadas sobre o
comportamento humano, ou seria o humano comportamento?

O ser humano, como sabemos, é dotado de matéria e pensamento, de água e espírito.

A ética para a psicologia é uma forma específica do comportamento humano. Ela se relaciona
com outras ciências humanas com o intuito de se alcançar um comportamento moral.

Segundo VÁZQUEZ, 1977.

"Ainda que o comportamento moral responda – como veremos – à necessidade social de


regular as relações dos indivíduos numa certa direção, a atividade moral é sempre vivida
interna ou intimamente pelo sujeito em um processo subjetivo para cuja elucidação contribui
muitíssimo a psicologia. Como ciência do psíquico, a psicologia vem em ajuda da ética quando
põe em evidência as leis que regem as motivações internas do comportamento do indivíduo,
assim como quando nos mostra a estrutura do caráter e da personalidade. Dá a sua ajuda
também quando examina os atos voluntários, a formação dos hábitos, a gênese da consciência
moral e dos juízos morais.
Em poucas palavras, a psicologia presta uma importante contribuição à ética quando esclarece
as condições internas, subjetivas, do ato moral e do comportamento humano possibilitando a
compreensão das condições subjetivas dos atos dos indivíduos e, deste modo, contribuindo
para a compreensão da sua dimensão moral.

Devemos conhecer e aplicar nosso Código de Ética, mas também fazer brotar na categoria a
(com) paixão e o compromisso com a área e com a sociedade à qual servimos.

A indiferença

"Primeiro, levaram os comunistas. Mas eu não me importei com isso.

Não sou comunista.

Em seguida, levaram alguns operários. Mas eu não me importei com isso.

Eu também não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas. Mas eu não me importei com isso.

Eu não sou sindicalista.

Depois agarraram os sacerdotes, mas, como eu não sou religioso, também não me importei.

Agora estão me levando.

Mas já é tarde."

Bertold Brecht

REFERÊNCIAS

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Fonte: http://www.webartigos.com/articles/9551/1/Etica-Profissional/pagina1.html.