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Índice
Introdução........................................................................................................................................4

I. CASAMENTO.............................................................................................................................5

1.1. Conceito de Casamento............................................................................................................5

1.2.Tipos de Casamento...................................................................................................................5

1.3.Promessa de Casamento............................................................................................................6

1.3.1.Ineficácia da Promessa...........................................................................................................7

1.3.2.Restricoes, nos casos de incapacidade e de retractação..........................................................7

1.3.3.Restituições no caso de morte.................................................................................................7

1.3.4.Indemnizações........................................................................................................................8

1.3.5.Caducidade das acções...........................................................................................................8

1.4.Casamento Putativo...................................................................................................................8

1.4.1.Boa-fé.....................................................................................................................................9

1.4.2.Efeitos Jurídicos....................................................................................................................10

1.5.Casamentos Urgentes...............................................................................................................13

1.5.1.Homilogação do Casamento.................................................................................................13

1.5.2.Causas justificadas da não homologação..............................................................................13

Conclusão......................................................................................................................................15

Referências bibliográficas.............................................................................................................16
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Introdução

Durante o decorrer do trabalho pretende-se debruçar sobre o Casamento, para tal, o trabalho vem
estruturado em apenas um Capítulo, no qual faremos a menção geral do casaemnto, promessa de
casamento, casamento putativo e por último casamentos urgentes.

Espera-se que a experiência decorrente da aplicação desse trabalho possa promover importantes
ajustes ao longo do tempo, sobretudo, na necessidade de introdução de métodos e procedimentos
que sejam determinantes para a modernização da gestão governamental.

O sucesso de todo e qualquer manual de padronização, ou de regras, depende,


preponderantemente, do bom-senso de quem o utiliza, pois o perigo das regras está na sua
interpretação. Este trabalho não substitui o conhecimento da legislação que afecta ao mesmo, seu
êxito não depende do bom nível cultural de quem irá manuseá-lo, mas, e principalmente, da
sensibilidade e humildade do seu consultante.

Para a concretização do presente trabalho os autores baseiam-se em algumas fontes


bibliográficas, electrónicas em que os autores estão citados nas referências bibliográficas. E
como estrutura o trabalho apresenta a seguinte, primeiramente, os elementos pré-textuais; o
desenvolvimento do trabalho, organizado em títulos e subtítulos; e os elementos pós-textuais.
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I. CASAMENTO

I.1. Conceito de Casamento

De acordo com o artigo 7º da Lei nº 10/2004, “o casamento é a união voluntária entre um homem
e uma mulher, com o propósito de construir família, mediante comunhão plena de vida”.

De acordo com STANHOPE (1999:423),

“Casamento é um vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante o reconhecimento


governamental, cultural, religioso (vide casamento religioso) ou social e que pressupõe
uma relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica é a coabitação,
embora possa ser visto por muitos como um contrato. Normalmente, é marcado por um
ato solene”.

Segundo MINUCHIN (1990:132), “O casamento é uma união contratual entre duas pessoas de
sexo oposto, mediante o conhecimento governamental e religioso. O casamento é celebrado por
várias razões, como por exemplo, procurar estabilidade económica e social, e para formar
familia”.

O casamento tem significados e celebrações diferentes para cada religião. Porém para todas as
religiões o casamento representa o amor entre duas pessoas que estão dispostas a compartilhar
um projecto de vida. Como o mais importante para todas as religiões é a fé, a celebração
religiosa é uma forma de reforçar os laços matrimoniais e o compromisso de doação mútua do
casal.

Segundo MINUCHIN (1990:132),

“As pessoas casam-se por várias razões, mas normalmente fazem-no para dar visibilidade
à sua relação afetiva, para buscar estabilidade econômica e social, para formar família,
procriar e educar seus filhos, legitimar o relacionamento sexual ou para obter direitos
como nacionalidade. Um casamento é, frequentemente, iniciado pela celebração de uma
boda, que pode ser oficiada por um ministro religioso (padre, rabino, pastor), por um
oficial do registro civil (normalmente juiz de casamentos) ou por um indivíduo que goza
da confiança das duas pessoas que pretendem unir-se. Em direito, são chamadas
"cônjuges" as pessoas que fazem parte de um casamento. O termo é neutro e pode se
referir a homens e mulheres, sem distinção entre os sexos”.

I.2. Tipos de Casamento

De acordo com SARACENO (1997:221), “a sociedade cria diversas expressões para classificar
os diversos tipos de relações matrimoniais existentes”. As mais comuns são:
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 Casamento Aberto (ou liberal) - em que é permitido, aos cônjuges, ter outros parceiros
sexuais por consentimento mútuo
 Casamento branco ou celibatário - sem relações sexuais
 Casamento Arranjado - celebrado antes do envolvimento afetivo dos contraentes e
normalmente combinado por terceiros (pais, irmãos, chefe do clã etc.)
 Casamento Civil - celebrado sob os princípios da legislação vigente em determinado
Estado (nacional ou subnacional)
 Casamento misto - entre pessoas de distinta origem (racial, religiosa, étnica etc.)
 Casamento Morganático - entre duas pessoas de estratos sociais diferentes no qual o
cônjuge de posição considerada inferior não recebe os direitos normalmente atribuídos
por lei (exemplo: entre um membro de uma casa real e uma mulher da baixa nobreza)
 Casamento Nuncupativo - realizado oralmente.
 Casamento Putativo - contraído de boa-fé mas passível de anulação por motivos legais
 Casamento Religioso - celebrado perante uma autoridade religiosa
 Casamento Poligâmico - realizado entre um homem e várias mulheres (o termo também
é usado coloquialmente para qualquer situação de união entre múltiplas pessoas)
 Casamento Poliândrico - realizado entre uma mulher e vários homens. Ocorre, por
exemplo, em certas partes do Himalaia.
 Casamento Por Conveniência - que é realizado primariamente por motivos econômicos
ou sociais.

De acordo com os números 1 e 2 do artigo 18º da Lei nº 10/2004,

 A celebração do casamento está sujeita a registo obrigatório;


 Não é permitido o casamento civil de duas pessoas ligadas por casamento religioso ou
tradicional devidamente transcrito no registo civil.

I.3. Promessa de Casamento

De acordo com SARACENO (1997:253), “Uma promessa pode ser equiparada a um juramento.
Existe para transmitir segurança, pois acredita-se que será cumprida. Usa-se folcloricamente, no
entanto, o ato de se cruzar os dedos para se prometer algo falsamente”.
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Ainda SARACENO (1997:253) afirma que muitas vezes, está associada a uma tradição religiosa,
nomeadamente a cristã. Nesta acepção, a promessa consiste no compromisso em se prestar culto
a uma entidade específica (um santo, Deus etc.) em agradecimento a um pedido atendido.

I.3.1. Ineficácia da Promessa

De acordo com os números 1 e 2 do artigo 19º da Lei nº 10/2004,

 O contrato pelo qual, a título de esponsais, desposórios ou qualquer outro, duas pessoas
de sexo diferente se comprometem a contrair matrímonio não dá certo a exigir a
celebração do casamento, nem a reclamar, na falta de cumprimento, outras indemnzações
que nao sejam as previstas no artigo 22º desta Lei, mesmo quando resultantes de cláusulo
penal;
 É nula a promessa de casamento, se algum dos promitentes for menor de 18 anos.

I.3.2. Restricoes, nos casos de incapacidade e de retractação

De acordo com os números 1 e 2 do artigo 20º da Lei nº 10/2004,

 No caso de o casamento deixar de celebrar-se por incapacidade ou de retractação de


algum dos promitentes, cada um deles é obrigado a restituir os donativos que o outro ou
terceiro lhe tenha feito em virtude da promessa e na expectativa do casamento, segundo
os termos prescritos para a nulidade ou anulidade do negócio jurídico;
 A obrigação de restituir abrange as cartas e retratos pessoais do outro contrente, mas nao
as coisas que hajam sido consumidas antes da retractação ou da verificação da
incapacidade.

I.3.3. Restituições no caso de morte

De acordo com os números 1 e 2 do artigo 21º da Lei nº 10/2004,

 Se o casamento nào se efectuar em razao de morte de algum dos promitentes, o


promitente sobrevivo pode conservar os donativos do falecido, mas nesse caso perde o
direiito de exigir os que, por sua parte lhe tenha feito;
 O mesmo promitente pode reter a correspondêcia e os retratos pessoais do falecido e
exigir a restituição dos que este haja recebido da sua parte.
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I.3.4. Indemnizações

De acordo com os números 1, 2 e 3 do artigo 22º da Lei nº 10/2004,

 Se algum dos contraentes romper a promessa sem justo motivo ou, por culpa sua der
lugar a que o outro se retracte, deve indemnizar o esposado inocente, tal como os pais
deste ou terceiros que tenham agido em nome dos pais, quer das despesas feitas, quer das
obrigações contraidas na previsão do casamento;
 Igual indemnização é devida quando o casameto não se realize por motivo de
incapacidade de algum dos contraetes, se ele ou os seus representantes houverem
procedido com dolo;
 A indemnização é fixada segundo o prudente arbítrio do tribunal, devendo atender-se, no
seu cálculo, não só a medida em que as despesas e obrigações se mostrarem razoáveis
perante as circunstâncias do caso e a condição dos contraentes, mas também as vantegens
que, independentemente do casameto, umas e outras possam proporcionar.

I.3.5. Caducidade das acções

De acordo com o artigo 23º da Lei nº 10/2004, o direito de exigir a restituição dos donativos ou a
indemnização caduca no prazo de seis meses, contando da data do rompimento da promessa ou
da morte do promitente.

I.4. Casamento Putativo

De acordo com SARACENO (1997:310),

“Casamento putativo é o casamento celebrado indevidamente de boa-fé, ou seja, um


"casamento imaginário" que se imaginava ser verdadeiro, por ter preenchido todos os
requisitos de existência, validade e produção de efeitos, no entanto, posteriormente,
verificou-se um vício, suscetível de anulação”.

Segundo MINUCHIN (1990:160),

“Considera-se putativo o casamento nulo ou anulável, mas contraído de boa-fé, ou seja,


celebrado com a convicção de se tratar de um casamento plenamente válido. De fato, o
termo “putativo” deriva do latim putativus, que significa “reputado ser o que não é” (no
caso, reputado ser válido, embora seja nulo ou anulável). Trata-se do casamento que
embora nulo ou anulável gera efeitos em relação ao cônjuge que esteja de boa-fé
subjetiva”.

Para entender o que é “casamento putativo”, primeiramente, é necessário conhecer o


significado da segunda palavra. Afinal, putativo é proveniente do latim e refere-se a
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imaginar; pensar. Assim, casamento putativo é aquele que diz ser o que não é., no
entanto, não basta dizer se tratar de um casamento de mentira. O casamento putativo
provém da boa-fé de quem acredita que está casado. (STANHOPE, 1999:499),

STANHOPE (1999:499) afirma que,

“Tem-se por casamento putativo aquele que é maculado por uma das causas de
anulabilidade ou nulidade, mas que foi celebrado de boa-fé ao menos por um dos
cônjuges. Todos os efeitos jurídicos inerentes ao casamento incidem para o cônjuge de
boa-fé e aos filhos que sejam frutos da relação”.

Além disso, pode ser anulado, com seus efeitos válidos até a data da sentença que o invalidou. O
facto protege quem foi inocente em acreditar nesta relação, bem como os filhos que vieram a
partir dela. Um exemplo palpável de um casamento nesses moldes quando somente uma das
partes agiu inocentemente, é o fato de uma pessoa já ser casada.

I.4.1. Boa-fé

De acordo com os números 1, 2 e 3 do artigo 72º da Lei nº 10/2004,

 Considera-se de boa fé o cônjuge que tiver contraido o casamento na ignorância


desculpável do vício causador da anulabilidade;
 É da exclusiva competência dos tribunais judiciais o conheciemto da boa-fé;
 A boa-fé dos cônjuges presume-se.

A boa-fé, no que diz respeito à putatividade do casamento, tem estreita relação com o
desconhecimento das circunstâncias impeditivas do matrimônio. A situação deve ser tal que, se
soubesse da informação que seu casamento não pode acontecer, o nubente de boa-fé não
consentiria com o ato. Ressalta-se, no entanto, que embora isto não esteja expresso em lei, a
maioria da doutrina concorda que a boa-fé é presumida, cabendo provar a má-fé a quem alegar.

A discussão maior sobre o tema era a respeito dos tipos de erros de que decorreriam a
putatividade. Esses tipos de erros são:

 Erro de facto, que é o desconhecimento de circunstância que vicia a validade do


casamento. E.g.: Dois parentes em linha reta (tal qual pai e filha) que se casam sem ter
consciência do seu parentesco.
 Erro de direito, que decorre da ignorância de que a lei impede o ato nupcial. E.g.: Sogro e
nora, que sabem que o são entre si, mas que desconhecem a causa impeditiva que recai
sobre a união de parentes afins em linha reta.
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A boa-fé a que se refere o Código Civil ao disciplinar o casamento putativo (art. 72º) é a boa-fé
subjetiva, isto é, a boa-fé de conhecimento. Em outras palavras, considera-se de boa-fé o nubente
que efetivamente desconhecia a causa de nulidade ou anulabilidade, e que, se a conhecesse, não
teria se casado.

I.4.2. Efeitos Jurídicos

STANHOPE (1999:501) afirma que,

“Os efeitos jurídicos do casamento declarado putativo são principalmente em relação aos
cônjuges e aos seus filhos. Mas vale lembrar que não desaparecem os direitos e
obrigações de terceiros, em razão de contratos feitos com o casal. E.g.: Doação dos
cônjuges a terceiros. Havendo boa-fé de ambos os cônjuges, o casamento gera efeitos em
relação a estes e aos filhos, até o trânsito em julgado da sentença de nulidade ou
anulação”.

Por isso, eventuais bens adquiridos no período devem ser partilhados entre os cônjuges de acordo
com o regime de bens adotado. Em suma, o Direito de Família atinge ambos os cônjuges. Segue-
se a corrente doutrinária e jurisprudencial que sustenta a permanência de efeitos pessoais mesmo
após a sentença.

Além disso, os efeitos de um casamento putativo podem encontrar na boa-fé de ambos os


envolvidos, os seguintes pareceres:

 As convenções antenupciais são válidas até a data da anulação;


 Para o caso de morte de um dos cônjuges, se a dissolução do casamento for decretada
depois disso, o outro está apto a ser herdeiro. Assim, a parte viva herdará em sua
integralidade - de acordo com o acordo antenupcial, para os casos em que o falecido não
tenha descendentes e ascendentes;
 No entanto, se uma das partes vier a falecer depois da anulação, não haverá sucessão de
bens do falecido;
 Durante o pacto nupcial, as doações que forem efetivadas não podem ser anuladas. Tudo
porque, a boa-fé permanece como critério. Entretanto, se as núpcias forem anuladas por
um dos cônjuges, todas as vantagens serão perdidas, de acordo com a obrigação do
cumprimento contratual;

Para os filhos, os efeitos são os mesmos citados acima, com o favorecimento da proteção de seus
direitos sucessórios e familiares, como por exemplo, para o uso de sobrenome.
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a) Dos efeitos em relação aos cônjuges

De acordo com STANHOPE (1999:501), “Os efeitos, em relação aos cônjuges, variam de acordo
com a forma em que a boa-fé recai sobre eles, posto que a lei dispõe expressamente que se um
dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento, os efeitos civis só a ele e aos filhos
aproveitarão”.

Dessa forma, no que tange ao direito das sucessões, quando a morte se dá antes da sentença
anulatória, o viúvo inocente conserva os bens herdados que lhe competiram por sucessão do
falecido cônjuge de má-fé. Enquanto o cônjuge culpado, não podendo auferir proveito algum do
casamento anulado, perde retroativamente todo direito sobre a sucessão do outro, assim, se ele
eventualmente tiver recolhido a herança, deverá restituí-la aos herdeiros imediatos.

 Ainda em sucessões, no que diz respeito a herança decorrente de filiação, ambos


aproveitam seus efeitos igualmente, uma vez que não há o que se falar nesse caso em
genitor de má-fé ou boa-fé. E por fim, quando há morte de um dos cônjuges após a
anulação do casamento, o entendimento também é pacífico que não há vinculo sucessório
e por isso nem cônjuge inocente, nem culpado, tem direito à herança.
 O cônjuge de má-fé tem também o dever de indenizar o de boa-fé, em virtude do ato
ilícito praticado, fundamentado. E esta indenização envolve não apenas o dano
patrimonial (perdas e danos. E.g.: gastos com a cerimônia, renúncia a uma proposta de
emprego) como o moral.

Segundo MINUCHIN (1990:160),

“A lei disciplina ainda que o cônjuge de má-fé deve restituir as vantagens auferidas do
cônjuge de boa-fé, mas que sobre ele ainda recai o dever de cumprir o pacto antenupcial.
Em linhas gerais, isso quer dizer que o cônjuge culpado não tem direito à meação dos
bens que o cônjuge de boa-fé trouxe para o patrimônio comum, mas que para o
contraente de boa-fé é garantida a partilha nos termos do regime jurídico de bens no
casamento”.

De acordo com os números 1 e 2 do artigo 74º da Lei nº 10/2004,

 O homem ou a mulher que contrair novo casamento sem respeitar o prazo nupcial perde
todos os bens que tenha recebido do primeiro cônjuge por doação ou sucessão;
 A infracção do disposto nas alíneas b), c) e d) do artigo 32º importa, respectivamente para
o primo ou prima, para o tutor, curador ou administrador, os seus parentes afins na linha
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recta, irmãos, cunhados ou rimos, e para o acolhido, seu cônjuge ou parentes na linha
recta, a incapacidade para receberem do seu consorte qualquer benefício por doação ou
testamento.

b) Dos efeitos em relação aos filhos

STANHOPE (1999:499) afirma que

“Havendo má-fé de ambos os cônjuges, o casamento somente gera efeitos para os filhos.
Eventualmente, se bens forem adquiridos durante a união deverão ser partilhados de
acordo com as regras obrigacionais que vedam o enriquecimento sem causa”.

Não há mais o que se falar de legitimidade ou ilegitimidade da filiação no casamento putativo


com o advento da Lei da Familia, pois esta igualou todo tipo de filiação. No ordenamento
jurídico atual todos os filhos tem direitos iguais e plenos independente da origem, se biológica,
se proveniente da adoção, se oriundo do casamento ou fora dele, etc.

Por isso, a guarda dos filhos, que nos termos do antigo Código Civil era devida ao cônjuge
inocente, agora será definida observando o melhor interesse para o menor, ou seja, deverá ficar
com o genitor que puder prover as melhores condições de manter a sua prole. E no que tange aos
direitos de herança, os filhos deste casamento aproveitam normalmente seus direitos em face de
ambos os genitores.

c) Menor incapaz

O casamento civil é uma das formas pelas quais relativamente incapazes podem adquirir
capacidade civil plena. Uma vez anulado o casamento, há intensa discussão doutrinária sobre se
o menor voltaria ao seu estado anterior de incapacidade.

De acordo com os números 1, 2 e 3 do artigo 73º da Lei nº 10/2004,

 O menor que casar sem ter pedido o consentimento dos pais ou tutor, podendo fazê-lo, ou
sem ter aguardado a decisão favorável do tribunal no caso de opsição, continua a ser
considerado menor quanto à administração de bens que leve para o casamento ou que
posteriormente lhe advenham por título gratuito, até a maioridade ou a emancipação
plena, mas dos rendeimentos desses bens são-lhe arbitrados aos alimentos necessários ao
seu estado;
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 Os bens retirados à administração do menor são administrados pelos pais, tutor ou


administrador legal, não podendo em caso algum ser entregues à administração do outro
cônjuge durante a maioridade do seu consorte; além disso, não respondem nem antes,
nem depois da dissolução do casamento, por dívidas contaídas por um ou ambos no
mesmo período;
 A aprovação do casamento pelos pais ou tutor faz cessar as sanções prescritas nos
números antecendentes.

I.5. Casamentos Urgentes

De acordo com os números 1, 2 e 3 do artigo 44º da Lei nº 10/2004,

 Quando haja fundada receio de morte próxima de algum dos nubentes é permitida a
celebração de casamento independentemente do processo preliminar de publicações e
sem a intervenção do funcionário do registo civil.
 Do casamento urgente é lavrado, oficiosamente, um assento provisório.
 Sendo que, o funcionário do registo civil é obrigado a lavrar o assento provisório, desde
que lhe seja apresentada, para esse fim, a acta do casamento urgente, nos termos
prescritos na legislação do registo civil.

I.5.1. Homilogação do Casamento

De acordo com os numeros 1 e 2 do artigo 45º da Lei nº 10/2004,

 Lavrado o assento provisório, o funcionário decide se o casamento deve ser homologado;


 Se não tiver ja corrido, o processo de publicações é organizado oficiosamente e a decisão
sobre a homologação é proferida no final deste processo.

I.5.2. Causas justificadas da não homologação

De acordo com os numeros 1, 2 e 3 do artigo 46º da Lei nº 10/2004,

 O casamento nao pode ser homologado:


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a) Se nao se verificarem os requisitos estabelecidos na lei, ou nao tiverem sido


observados as formalidades prescritas para a celebracao do casamento urgente e para
a realizacao do respectivo assento provisorio;
b) Se houver indicios serios de serem supostos ou falsos esses requisitos ou
formalidades;
c) Se existir algum impedimento dirimente.
 Se o casamento nao for promolgado, o assento provisorio é cancelado;
 Do despacho que recusar a homologacao podem os conjuges ou os herdeiros, bem como
o Ministerio Publico, recorrer para o tribunal, a fim de ser declarada a validade do
casamento.
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Conclusão

Em prol das abordagens acima referidas, fez-se a menção de seguintes aspectos a saber que o
Casamento é um vínculo estabelecido entre duas pessoas, mediante o reconhecimento
governamental, cultural, religioso (vide casamento religioso) ou social e que pressupõe uma
relação interpessoal de intimidade, cuja representação arquetípica é a coabitação, embora possa
ser visto por muitos como um contrato. Normalmente, é marcado por um ato solene. O
casamento é uma união contratual entre duas pessoas de sexo oposto, mediante o conhecimento
governamental e religioso. O casamento é celebrado por várias razões, como por exemplo,
procurar estabilidade económica e social, e para formar familia”. O casamento tem significados e
celebrações diferentes para cada religião. Porém para todas as religiões o casamento representa o
amor entre duas pessoas que estão dispostas a compartilhar um projecto de vida. Como o mais
importante para todas as religiões é a fé, a celebração religiosa é uma forma de reforçar os laços
matrimoniais e o compromisso de doação mútua do casal. Uma promessa pode ser equiparada a
um juramento. Existe para transmitir segurança, pois acredita-se que será cumprida. Usa-se
folcloricamente, no entanto, o ato de se cruzar os dedos para se prometer algo falsamente.

Casamento putativo é o casamento celebrado indevidamente de boa-fé, ou seja, um "casamento


imaginário" que se imaginava ser verdadeiro, por ter preenchido todos os requisitos de
existência, validade e produção de efeitos, no entanto, posteriormente, verificou-se um vício,
suscetível de anulação. Considera-se putativo o casamento nulo ou anulável, mas contraído de
boa-fé, ou seja, celebrado com a convicção de se tratar de um casamento plenamente válido. De
fato, o termo “putativo” deriva do latim putativus, que significa “reputado ser o que não é” (no
caso, reputado ser válido, embora seja nulo ou anulável). Trata-se do casamento que embora nulo
ou anulável gera efeitos em relação ao cônjuge que esteja de boa-fé subjetiva. Tem-se por
casamento putativo aquele que é maculado por uma das causas de anulabilidade ou nulidade,
mas que foi celebrado de boa-fé ao menos por um dos cônjuges. Todos os efeitos jurídicos
inerentes ao casamento incidem para o cônjuge de boa-fé e aos filhos que sejam frutos da
relação.
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Referências bibliográficas

MINUCHIN, Salvador. Famílias: Funcionamento & Tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas,
1990.

SARACENO, Chiara. Sociologia da Família, Lisboa: Estampa, 1997.

STANHOPE, Márcia. Teorias e Desenvolvimento Familiar. 1ª Ed. Lisboa : Lusociência, 1999.

Legislação:

Boletim da República, Lei no 10/2004, de 25 de Agosto.