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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV


Capítulo I
1. Introdução

As Práticas Pedagógicas IV (PPIV) reflectem uma fase de amadurecimento e


aperfeiçoamento da actividade de leccionação por parte do estudante praticante, isto é, é a
aproximação à prática profissional e real, aproximação esta que deve ser feita tendo em
conta as teorias adjacentes que influenciam na teoria e no aperfeiçoamento dos
fenómenos reais do ensino e aprendizagem de uma determinada disciplina, neste caso da
disciplina de Português. É a fase da praxis da actividade docente.
Sendo assim, as Práticas Pedagógicas proporcionam um espaço de aprendizagem
com ricas situações que possibilitam aos estudantes aplicar os seus saberes teóricos no
contexto de sala de aula.
Com este relatório, pretende-se fazer uma descrição clara sobre as observações de
aulas na Escola Secundária Josina Machel, aulas leccionadas pelo tutor e as aulas
leccionadas pelo estudante praticante, entre outras actividades desenvolvidas na cadeira
de Práticas Pedagógicas IV.

1.1.Objectivos
Tal como em qualquer actividade que necessite de uma avalição e meta, para o presente
relatório foram definidos objectivos, nomeadamente:

1.1.a) Objectivos gerais


Constituem objectivos gerais do presente relatório:
 Estabelecimento de relação entre os conteúdos didactico-científicos adquiridos
nas aulas de Práticas Pedagógicas com a realidade concreta no terreno.

1.1.b) Objectivos específicos


Por sua vez, constituem objectivos específicos:
 Descrição das aulas leccionadas pelo professor-tutor na Escola Secundária Josina
Machel, sala 09, 11ª classe, curso diúrno;
 Descrição das aulas leccionadas pelos estudantes praticantes na Escola Secundária
Josina Machel, sala 09, curso diúrno, 11ª classe e;
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 Confrontação entre a abordagem teórica do processo de ensino-aprendizagem
(PEA) e a prática na sala de aulas.

1.2. Fases da Prática Pedagógica no Curso


As práticas pedagógicas estão organizadas em quatro fases:
 A primeira fase é a PPI que tem lugar no primeiro ano. Nesta fase o
estudante praticante em o primeiro contacto com a escola, onde se inteira sobre o seu
funcionamento e estrutra;
 A segunda fase é a PPII, cadeira do segundo ano. Nesta fase o estudane
praticante acompanha de perto as actividades do professor na sala de aulas, ajuda na
corecção de exercícios e participa na realização de outras activiades da scola integrada;
 A terceira fase é a PPIII, no terceiro ano, no qual o estudante praticante
planifica as aulas e lecciona algumas aulas, isto é, toma o controlo da turma;
 Finalmente a quarta fase que não difere muito da terceira, pois as
actividades são mesmas, somente acrescentando-se a maturidade do estudante praticante,
visto já er tido um contacto directo com alunos nas PPIII, na qual leccionou algumas
aulas.

1.3. Metodologia de trabalho

Para acentuar a credibilidade e cientificidade do trabalho, optou-se em usar alguns


métodos científicos, nomeadamente: a observação- este é um dos métodos principais,
pois nos permite fazer confrontos teórico-práticos, tendo como o campo de observação as
aulas leccionadas na sala 9, 11ª classe, curso diúrno da Escola Secundária Josina Machel
no ano 2010.
De igual modo foram consultadas algumas obras de alguns didactas,
especificamente Amor (1993), Haydt (2002), Libâneo (1994), Luckesi (1998).
De referir que o trabalho foi acompanhado pela supervisora, Prof. Dra. Elda
Santos e pelo professor tutor Dr. Rogério Paunde.
Dada a insuficiência de salas de aulas disponíveis, cada turma recebeu dois
estudantes praticantes Tito Mário Selemane e Gui Feliciano Pedro Leão, que
estrategicamente dividiram o programa de maneira que as aulas fossem leccionadas em
dez dias úteis, tendo o primeiro ficado com os primeiros cinco dias e o segundo com os
últimos cinco que se prolongaram até ao dia 11 de Outubro, por sinal o último dia de
aulas.
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Primeiramene a turma foi dividida em 12 grupos de trabalho para a apresentação
de seminários e outras actividades afins. Com o início da actividade de campo, houve um
redimensionamento. Deste modo, surgiram os subgrupos de dois estudantes que
trabalharam em cada turma conforme a explicação dada no parágrafo anterior.
Foram praticamente quatro semanas, das quais duas foram para assistência às
aulas do professor tutor e as duas últimas partilhadas pelos estudantes praticantes.
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Capítulo II

2. 1.Referencial Teórico.
Por se tratar de um relatório mais centrado nas actividades desenvolvidas na sala
de aulas, o referencial teórico estará mais centralizado nos aspectos que permitem a
existência de uma aula e que forma debatidos durante as PIV, especificamente: a aula, o
ensino, o processo de planificação, a observação e o processo de interação professor-
aluno como os pricipais elementos da sala de aula ou do cumprimento do currículo.
Ainda por se tratar de um processo de ensino-aprendizagem, faz-se uma
abordagem sobre a avaliação visto ser a partir dela que se sabe sobre o nível de
cumprimento dos objectivos traçados a todos os níveis.

2.1.1. A aula
Segundo LIBÂNEO (1994:117) a aula é “um conjunto de meios e condições
pelos quais o professor dirige e estimula o processo de ensino das actividades
próprias do aluno no processo de ensino-aprendizagem ou seja a assimilação
crescente e activa dos conteúdos”. Deste modo, a aula não é um espaço, mas sim
conjunto de acções orientadas pelo professor que permitem a parendizagem e
assimilação da matéria.

2.1.2. O ensino
Ensino é, semelhane ao estágio, um termo com vários significados,
especificamente:
 Acto de ensinar;
 Transmissão de conhecimentos e competências; instrução;
 Transmissão de princípios relacionados com o
comportamente e atitudes correspondentes aos usos socialmente tidos
como correctos; educação;
a) Tipos de Ensino
Ensino básico- ciclo de estudos compreendido nos anos da escolaridade
obrigatória, isto é, de 1ª à 7ª classes;
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Ensino especial – modalidade de ensino escolar destinada a alunos com
algum tipo de deficiência física, sensorial ou cognitiva;
Ensino secundário – ciclo de estudos relativos aos cinco anos anteriores
ao ensino universitário. Divide-se em;
 Ensino secundário I ciclo – ciclo de estudos anteriores ao
ensino pré-universitário. Corresponde à três anos (8ª, 9ª e 10ª classes);
 Ensino secundário II ciclo – ciclo de estudos
correspondentes à dois anos anteriores ao ensino unversitário (11ª e 12ª
classes);
Ensino superior – ciclo de estudos de qualificação profissional cuja
conclusão permite a obtenção de um grau académico.

2.2. Planificação
Segundo Haydt (2002), planificação é “um meio para se programar as acções do
professor, como também constitui momento de pesquisa e de reflexão intimamente ligado
à avaliação,” podendo haver três tipos de palno na esteira o mesmo autor, nomeadamente:
o plano da escola, o de ensino e o de aulas. O plano como instrumento orientador da
actividade docente deve apresentar: ordem sequencial, objectividade e funcionalidade,
coerência e unidade, precisão e clareza e flexibilidade.
É através da planificação que o professor constata as fraquezas dos seus alunos e
consequentemente procurar mecanismos para ultrapassar, como refere Libâneo:
“A planificação prevê objectivos, conteúdos e métodos a partir da
consideração das exigências postas pela realidade social, do nível do
preparo e das condições sócio-culturais e individuais dos alunos (…) assim
como facilita a preparação de aulas: seleccionar o material didáctico em
tempo hábil, saber que tarefa professor e aluno devem executar, replanejar
o trabalho frente a novas situações que aparecem no decurso das aulas ˝

Características da planificação.
A planificação, na esteira de Haydt (2002), tem as seguintes características:
 Prevê objectivos, conteúdos e métodos a partir das exigências
impostas pelas condições sócio-culturais e individuais dos alunos;
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 Assegura a racionalização e coordenação do professor,
possibilitando a realização de um ensino de qualidade e, evitando a improvisação
e a rotina;
 Facilita a preparação das aulas e a selecção do material didáctico
em tempo útil;
 Actualiza o conteúdo do plano, adequando-o às condições de
aprendizagem dos alunos, aos métodos, às técnicas e aos meios de ensino.

Finalidades da planificação

Para definir as finalidade do plano recorremos à RIBEIRO (1989:669) que


defende que a planificação tem como finalidade:
i) Análise das necessidades que corresponde a um processo de recolha de
informações e opiniões sobre as necessidades de aprendizagem dos alunos;
ii) O estabelecimento dos objectivos gerais baseando-se nas necessidades
e prioridades identificadas;
iii) A formulação dos objectivos específicos e comportamentais, que
correspondem a uma operação de composição dos objectivos gerais, postulando a
selecção e a determinação dos conteúdos;
iv) A selecção de métodos e meios, que se refere à definição de estratégias
e actividades de ensino e;
v) A elaboração dos instrumentos de avaliação.

Segundo LUCKES (1998: 126)


“A planificação implica o estabelecimento de metas, acções e
recursos necessários à produção de resultados, que sejam satisfatórios à
vida pessoal e social. O plano deve ser elaborado de modo a corresponder
às necessidades específicas dos alunos. O estabelecimento de um plano de
ensino não parte do nada, deve partir de uma realidade objectiva,
considerando os objectivos, o contexto, os conteúdos, os métodos, os meios e
o plano de avaliação.
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2.3. Observação
A observação é “o conjunto de actividades destinadas a obter dados e
informações sobre o processo de ensino-aprendizagem com o objectivo de proceder a
uma análise do processo nas variáveis em destaque”. (Alarcão, 1987). Deste modo, a
observação está ligada à avaliação, e esta pode ser feita tanto para a actividades e o
desempenho do professor quanto do aluno, assim como da escola e outros intervenientes,
pois Libâneo (1994) considera a avaliação como “uma reflexão sobre o nível de
qualidade do trabalho escolar, tanto do professor como do aluno. Esta é uma tarefa
complexa que não se resume à realização de provas e atribuição de notas.”

Por sua vez, Estrela (1994) divide a observação em três dimensões,


destacadamente:

a) Na perspectiva da situação ou atitude do observador,


 Observação participante e não participante;
 Distanciada ou participada;
 Intencional ou espontânea.

b) Quanto ao processo de observação:


 Sistemática ou ocasional;
 Armada ou desarmada;
 Contínua ou intermitente.

c) Quanto aos aspectos e características no campo de observação:


 Molar ou molecular;
 Verbal ou gestual e individual.

2.4. A Avalição

Segundo Haidt (2002/288), a avaliação é um processo de colecta e análise de dados,


tendo em vista verificar se os objectivos propostos foram atingidos. No âmbito
escolar, a avaliação se realiza em vários níveis:
- do processo de Ensino e Aprendizagem;
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- do currículo;
- do funcionamento da escola como um todo.

2.4.1. Tipos e Funções da Avaliação

Segundo Piaget, REUCHIN (1960), para julgar do carácter realista de um programa


ou de adequação ao objectivo dos processos pedagógicos postos em acção, é preciso
avaliar, num grande número de alunos que são submetidos a essas provas, a parte
desse programa que foi objecto de transmissão e assimilação.

Com a avaliação, pode fazer-se notar o nível de aquisição que o discente atingiu em
relação ao comportamento terminal que tem de atingir. Isto quer dizer que “Avaliar o
processo de ensino e aprendizagem é, basicamente, verificar o que os alunos
conseguiram aprender e o que o professor conseguiu ensinar” É muito útil o
professor observar, fixar e comprovar o comportamento do aluno, as suas produções
espontâneas, quer orais quer escritas, nessas situações naturais de rotina, tendo como
tipos e funções as que vão arroladas seguidamente:

a) Avaliação diagnóstica

Considera-se em língua portuguesa, como fundamental, já que os alunos nesta


disciplina, embora possam estar no mesmo ano do currículo ou classe chegaram à
escola em muito diferentes estádios e só uma metódica e individualizada avaliação de
localização pode evitar, por parte do professor, futuros e graves problemas de
homogeneidade ou heterogeneidade, quando extremas. Esta avaliação, permite:

 Conhecer os alunos - no início do ano lectivo quando se pretende conhecer


melhor os alunos no seu domínio da língua deve fazer-se uma avaliação de
localização ou avaliação diagnóstica. Este tipo de avaliação deve ocorrer no
princípio do ano lectivo ou antes de começar uma unidade de ensino para
verificar o coeficiente de reserva que os alunos possuem.
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b) Avaliação Formativa

Ocorre durante o Processo de Ensino-Aprendizagem e serve para:

 Identificar as dificuldades de aprendizagem e o grau de cumprimento dos


objectivos e com o intuito de corrigir possíveis erros. Esta avaliação permite
diagnosticar as dificuldades dos alunos bem como as suas causas, de natureza
cognitiva ou de ordem afectiva. Essas dificuldades devem ser superadas
através de um trabalho pedagógico.

Caso os alunos tenham alcançado todos os objectivos previstos, podem continuar


avançando no conteúdo curricular e iniciar outra unidade de ensino. Mas se um grupo
não conseguiu atingir as metas propostas, cabe ao professor organizar novas situações
de aprendizagem. Aqui notabiliza-se o papel da correcção dos erros ortográficos, dos
erros de construção frásica e de encadeamento lógico das ideias, etc. Esta é a forma de
avaliação que permite detectar as maiores dificuldades de expressão oral e escrita e
corrigi-los ainda a tempo.

c) Avaliação sumativa

Este tipo de avaliação é realizado no final do ano, do curso, de unidade temática ou


parte dele, com o intuito de:

 Aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem e promover os alunos. Para


esta avaliação usam-se testes de aptidão e testes de consecução que podem ir
desde os simples testes de leitura e interpretação de textos até aos testes de
elevada complexidade para testar o espírito crítico e de imaginação.

Este tipo de Avaliação fornece dados que permitem verificar o nível de aprendizagem
dos alunos e também determina a qualidade do processo de ensino. Neste sentido a
Avaliação tem a função classificatória e da de retroalimentação dos procedimentos de
ensino porque fornece (ao professor) dados paras repensar e replanificar sua actuação
didáctica.
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Capítulo III

3.1. Etapas das Práticas Pedagógicas IV


Por se tratar de um processo, as PPIV decorreram em etapas distintas e que se
complementam, nomeadamente:
 Pré- observação;
 Observação;
 Pós – observação.

3.1.1. Pré-observação
A pré-observação é uma fase que comporta actividades realizadas antes da partida
dos estudantes praticantes ao campo, ou seja, escola na qual o grupo ia trabalhar, e foi
composta por várias actividades, entre as quais destacamos:
 Realização de seminário sobre a autoridade do professor na sala de
aula pela doutora Tomásia Mataruca;
 Distribuição de horários e;
 Orientações gerais do estágio.

A primeira aula serviu para a apresentação dos docentes da cadeira,


nomeadamente: Prof. Dra. Paula Cruz (coordenadora) Dr. Cremildo, Prof. Doutor
Agostinho Goenha, Prof. Dra. Elda Santos, Dra. Angelina Boné, Dr. António Marques,
Dr. Paulino, Dr. Ernesto Jr., Dr. Balate, Dr. Henrique Mangue e Dr. Guedes.
Ainda neste dia a coordenadora da cadeira pediu que os estudantes se
organizassem em grupos, para futura distribuição dos mesmos aos supervisores.
De igual modo, foram explicadas as modalidades de avaliação, onde se soube que
o tutor tinha a autonomia de avaliar o praticante e por sua vez enviaria a proposta de
avaliação ao supervisor. Além dessa tarefa, o cabe ao supervisor e ao tutor fazer a análise
do plano de aula elaborado pelo estudante praticante.

A pedido da coordenadora da cadeira, o segundo dia de aulas foi marcado pela


apresentação da lista geral dos estudantes que frequentavam a cadeira de PPIV.
No terceiro dia sai a lista dos estudantes e seus supervisores, lista essa que foi
afixada no quadro verde que se localiza junto à parede da sala 10, local onde decorriam
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as aulas de PPIV.
As aulas seguintes serviram para consolidação das orientações sobre o processo
de PPIV, concretamente: o comportamento dos estudantes praticantes na escola
integrada, a pontualidade, o respeito pela hierarquia escolar e a necessidade de se
apresentar com a bata de professor enquanto estiver no recinto da escola.

a) Horários
A distribuição dos horários foi feita perante a escolha de cada estudante, pois esse
grupo teve a possibilidade de definir a escola e tempos para leccionação, tendo o
estudante praticante escolhido a Escola Secundária Josina Machel, 11ª classe, curso
diúrno, período da tarde, sala 9, com o seguinte horário:

Horário da turma 9, 11ª classe, curso diúrno


Tempo 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª
1º Português
2º Português
3º Português
4º Português Português

De referir que as aulas estavam bem distribuídas no horário, pois iniciava com
uma aula na 2ª feira e terminava com duas aulas na 5ª feira, facto que permitia a
recomendação de trabalhos de casa e o aluno dispunha de tempo suficiente para a
pesquisa e resolução.

b) Planificação
Após a indicação da escola, a coordenação das PPs recebeu os planos de aula
trimestrais, os quais distribuíu para a turma, de modo que cada estudante tivesse acesso
ao mesmo e pudesse usá-lo para a elaboração de planos de aula no período da
leccionação.
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3.2. Observação
Partindo do princípio de Libâneo (1994), segundo o qual a avaliação é “uma
reflexão sobre o nível de qualidade do trabalho escolar, tanto do professor como do
aluno,” nota-se que esta não é uma tarefa fácil e pacífica, dada a subjectividade
acentuada. Porém, o objecto da nossa avaliação já estava definido: o processo de
leccionação, tanto do professor tutor, quanto do colega estudante praticante.
Deste modo, o processo de observação só inicia com a ida ao campo, ou seja, a
escola integrada, o que se deu no dia nove de Setembro e as aulas inicaram no dia treze
do mesmo mês.
O professor tutor deu dez aulas, consequentemente, os estudantes praticantes
assistiram dez aulas. As aulas foram boas, com um nível de estrategias bem claro e
perceptível.
Durante o período de assistência o professor deu os seguintes temas: Texto
expositivo argumentativo e Textos líricos, matéria que foi avaliada através de exercícios
dados para resolver em casa e na sala de aulas.

3.2.1. Análise do programa da 11ª classe e da dosificação elaborada pela


escola
I. Programa de ensino.
 Estrutura:
O programa apresenta a estruturação seguinte: objectivos gerais e específicos,
orientações metodológicas e visão geral dos conteúdos.

 Objectivos.
a) Os objectivos gerais definidos são:
 Dominar e aplicar as regras de funcionamento da língua portuguesa;
 Julgar as características essenciais da cultura e civilizações;
 Estudar sistematicamente mensagens orais e escritas;

b) Os objectivos específicos são os seguintes:


- Ler e interpretar de forma clara, reflexiva e crítica, fazendo
aproveitamento adequado de sua competência textual e de seu conhecimento do
mundo;
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- Exprimir-se oralmente com clareza lógica e concisa, adaptando o seu
discurso à situação específica de comunicação, e em função de objectivos múltiplos e
diversificados.

O programa de ensino da 11ª Classe está organizado em três trimestres e estes,


por sua vez, comportam Unidades Didácticas, a carga horária correspondente e os
respectivos conteúdos a serem ministrados.
1º Trimestre: seis unidades
2º Trimestre: seis unidades
3º Trimestre: seis unidades
Deste modo, o 1º trimestre é composto pelas seguintes Unidades Temáticas:
1. Textos Normativos;
2. Textos Administrativos;
3. Textos Jornalísticos;
4. Textos Multiusos;
5. Textos Literários e;
6. Textos de Pesquisa de Dados.
Por sua vez, o 2º Trimestre é composto pelas seguintes Unidades Temáticas:
7. Textos Normativos;
8. Textos Administrativos;
9. Textos Jornalísticos;
10. Textos Multiusos;
11. Textos Literários e;
12. Textos de Pesquisa de Dados.
Finalmente, o 3º Trimestre é composto pelas seguintes Unidades Temáticas:
13. Textos Normativos;
14. Textos Administrativos;
15. Textos Jornalísticos;
16. Textos Mutiusos;
17. Textos Literários e;
18. Textos de Pesquisa de Dados.
Feito o levantamento das unidades temáticas do primeiro trimestre com os
respectivos conteúdos programáticos, concluímos que eles estão organizados em seis
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unidades e, o mesmo acontece com os outros dois trimestres que, juntamente com
este, constituem o ano lectivo.
Cada unidade temática possui a sua orientação metodológica. Por exemplo, na
unidade temática XVIII: Textos de Pesquisa de Dados, leccionada pelo estudante
praticante redator, há algumas sugestões metodológicas, a destacar:
 Leitura individual e selectiva do texto para a identificação de dados
bibliográficos;
 Organização dos dados numa ficha bibliográfica;
 Leitura de textos;
 Levantamento de unidades de significação;
 Elaboração do plano do resumo;
 Escolha de textos sobre assuntos políticos, sócio-económicos e
culturais para a elaboração individual de resumos;
 Resumo de textos literários de autores estudados ao longo do ano;
 Elaboração de uma ficha de leitura, considerando as características da
ficha;
 Produção de frases complexas utilizando o conector “pois” com valor
conslcusivo e causal e;
 Produção de frases usando expressões de intensidade e quantidade em
orações comparativas e consecutivas.
Os conteúdos programáticos preconizados estão ligadaos às necessidades e
realidades do país.

b) Dosificação elaborada pela escola


A dosificação elaborada pela escola, a qual foi usada para a elaboração de
planos de aula, apresenta-se de maneira clara e objectiva, pois há um uso claro dos
termos e uma apresentação precisa dos conteúdos. Porém, parece haver uma previsão
temporal um pouco larga em relação ao período lectivo, facto que se veio a verificar
durante a leccionação, pois houve a necessidade de se usar em dez aulas para dar um
conjunto de matéria que tinha sido planificado para vinte e cinco tempos lectivos,
tendo causado algum constrangimento, visto que a velocidade das aulas tinha que ser
um pouco acelerada em relação ao normal. Contudo, sentiu-se que os alunos
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assimilaam a matéria dada, visto que conseguiam responder as questões que lhes eram
feitas na sala de aulas.

3.2.2. Observação da Turma


A turma 9, 11ª classe, do curso diúrno, na qual foi realizado o estágio, era
composta por 62 alunos (20 raparigas e 42 rapazes) com idades entre os 16 e os 22 anos
de idade, tinha um chefe de turma, seu adjunto, por sinal uma mulher, e um chefe de
saúde e higiene.o número de carteiras era aceitável, que todos se sentavam, chegando a
haver casos de sobra.
A iluminação da sala de aulas era também boa, pois, além das janelas nas paredes,
a turma beneficiava de duas lâmpadas fluorescentes que estavam sempre ligadas, excepto
em casos de corte de corrente eléctrica.
A maor parte dos alunos vive nas zonas periféricas das cidades de Maputo e
Matola, tendo como L1 o Português.
Para acrescentar mais sobre a existência de boas condições para ensino-
aprendizagem, é de salientar o silêncio que se verificava nas aulas durante o processo,
porém alguns alunos não beneficiavam deste factor, pois uns não assistiam as aulas e
outros simplesmente ficavam sentados a assistir sem ter participação activa.

3.2.3. Caracterização do Professor


O professor tutor, Dr. Rogério Paunde, 62 anos de idade, é formado pela
Universidade Pedagógica em 1995, curso de Licenciatura em Ensino de Português,
docente há 30 anos. Morador do bairro Maxaquene “B”, tem como L1 a língua Gi-tonga.
Segundo dados recolhidos dele numa entrevista, diz ser um apaixonado pela
actividade que desempenha,, estando, no ano de 2010, a leccionar em 4 turmas da 11ª
classe, curso diúrno, turmas que, segundo ele, têm todo o tipo de alunos: uns que gostam
e outros que não gostam de estudar.
Nas suas aulas privilegia mais alguns métodos e técnicas de ensino para
desenvolver certas habilidades, especificamente: a oralidade, a escrita e a leitura.
Quanto às dificuldades na área de ensino da língua portuguesa, o professor
lamentou o facto de o manual do aluno estar muito caro, não permitindo assim que
muitos tenham acesso ao mesmo.
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Actualmente não ocupa qualquer cargo na Escola e diz que a sua relação com os
alunos é boa, facto que foi confirmado durante o período de observação e leccionação
desta PPIV.

3.2.4. Descrição Geográfica da Escola


A Escola Secundária Josina Machel fica situada numa zona nobre da cidade de
Maputo, Bairro da Polana Cimento no lado direito do Museu da História Natural e em
frente ao Jardim dos Professores, com visto sobre a baía de Maputo

Em frente à Escola passa a Av. Patrice Lumumba, à direita encontra-se a Av.


Tomás Ndunda e, à esquerda passa a rua dos Lusíadas. Na parte sul, separada por um
muro está a Escola Comercial de Maputo.

A Escola Secundária Josina Machel é composta por 40 salas de aulas, distribuídas


por cinco blocos de dois pisos cada.
A Escola tem uma biblioteca, uma sala de informática que beneficia e duas
cantinas e duas reprografias.
A sala dos professores é bem espaçosa, tem duas mesas grandes rodeadas por
cadeiras forradas de napa de cor creme onde os professores planificam.

3.2.5. Descrição e organização das aulas observadas, leccionadas pelo tutor


Durante o estágio foram assistidas dez aulas leccionadas pelo tutor: duas duplas e
uma aula simples em cada semana.
Depois da apresentação no dia 09 de Setembro, a primeira aula foi no dia 13 do
mesmo mês. A aula começou com o resumo sobre o texto argumentativo e, de seguida, o
professor orientou para leitura de um texto da página 44 do livro do aluno. Falou-se sobre
a organização do texto argumentativo e suas formas discursivas.
No fim foram deixados exercícios para trabalho de casa.
A segunda e terceira aulas foram no dia 14 de Setembrodo mesmo ano. Começou
com a correcção do T.P.C, onde alguns alunos resolveram o exercício oralmente e o
professor, junto aos alunos, ia fazendo algumas correcções com a ajuda dos alunos.
A quarta e quinta aulas foram leccionadas no dia 16 de Setembro. Foi feita a
correcção do T.P.C. Porém, muitos alunos não o tinham feito e o professor foi corrigindo
aos poucos, juntamente com os que já o tinham resolvido.
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Nesta aula constatou-se que a maioria dos alunos não trazia o material didáctico,
especificamente o livro do aluno, mesmo o texto para a aula recomendado pelo professor.
Assim, o professor passou a ditar os apontamentos a partir do manual do aluno.
Um dos métodos mais utilizados pelo professor foi a elaboração conjunta e o
método de trabalho individual.

A seguir, o professor marcou um trabalho para casa, no qual os alunos, em


grupos, deviam elaborar um texto expositivo-argumentativo com o tema “ As
manifestações do dia 1 de Setembro”. Neste texto os alunos deviam seguir todos os
passos e caracteriticas do texto em causa.
A sexta e sétimas aulas foram no dia 21, cujo tema foi “Continuação do
exercício”. Os alunos elaboraram o texto em grupos e depois foi feita a entrega do mesmo
aos estudantes praticantes, uma vez que o professor tutor se encontrava numa cerimónia
familiar, não se podendo fazer presente na aula do dia.
Pontos negativos: os alunos faziam muito barulho, a sala não tinha espaço para
circular.

Pontos positivos: os alunos interagiam com sucesso, isto mostrava que eles
entendiam a matéria.

3.2.6. Observação - descrição e análise das actividades da leccionação e avaliação da


aula dada pelo estudante praticante Tito Mário Selemane
O estudante praticante Tito Mário Selemane deu no total cinco aulas, nas quais
falou sobre os textos líricos, em jeito de consolidação e continuação da matéria iniciada
pelo professor-tutor.
Falou sobre a vida e obra de Rui de Noronha e Luís Vaz de Camões. Para
aprofundar a abordagem, o colega fez a análise, juntamente com os alunos, dos textos dos
dois poetas em questão, tendo sido feita a divisão métrica ou escanção dos versos,
pequenos debates sobre os poemas, o que levou os alunos a participarem de forma
positiva na aula.
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Um dos principais factores que chamou atenção neste processo foi a capacidade
do colega de envolver os alunos nas suas aulas, mosrando, deste modo, uma mediação e
iteração na abordagem da matéria.
A supervisora assistiu as aulas do colega e reclamou pelo facto de ele estar a
dirigí-la de maneira lenta, o que não era o melhor para os estudantes daquele nível.
Para cada aula o estudante praticante apresentou um plano de aulas, o que
mostrou a sua maturidade para o efeito.

a) Domínio dos conteúdos


O estudante praticante mostrou forte domínio da matéria dada, justificando-se,
deste modo, a massiva participação dos alunos e a apreensão da matéria, que foi avaliado
com base nas intervenções feitas por estes.
Quanto aos aspectos negativos, de referir o facto de as aulas terem tido um ritmo
muito lento. Porém, o praticante justificou-se, dizendo que fé-lo intencionalmente, pois
atingira os objectivos mais cedo do que o previsto, havendo a necessidade de tomar um
rítmo menos acelerado.

b) Selecção e uso dos métodos e meios de ensino


Como estratégia de ensino, o praticante usou o método de trabalho individual, que
consiste em pôr os alunos a trabalharem cada um por si e no fim cada um dava a sua
resposta. Também foi usado o método de elaboração conjunta, ao serem elaborados
trabalhos em pequenos grupos de alunos, que depois faziam a unificação das opões de
resposta.
De igual modo foi usado o método expositivo, principalmente quando se notava
que os alunos tinham ou apresentavam um fraco domínio da matéria ou parte da matéria.

c) Avaliação e consolidação da aprendizagem


Na medida em que o professor pedia a intervenção, automaticamente estava sendo
feita a avaliação. Deste modo, nas aulas do praticante a avaliação foi frequente, pois a
metodologia do professor ajudou bastante.
A avaliação sobre a vida e obra de dos poetas Luís Vaz de Camões e Rui de
Noronha foi feita através de perguntas e respostas, com base no trabalho de casa dado
pelo professor praticante e outros exercícios dados durante as aulas.
25
Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
d) Planificação e execução de aulas
Todas as aulas foram antecipadamente planificadas, contudo, há que referir alguns
aspectos negativos e positivos verificados durante a implementação dos planos. Na
planificação das aulas socorreu-se do programa de ensino, da dosificação e fotocópias de
textos.

Na primeira aula sentiu um pouco de nervosismo, mas no decorrer da aula o


nervosismo foi diminuindo e foi capaz de atingir os objectivos.
Apesar do barulho que alguns faziam, os alunos respondiam à expectativa e,
faziam os TPCs.

3.2. Planificação e Execução de Aulas do Praticante Relator


Durante as PPIV o estudante praticante relator planificou e leccionou cinco aulas
e usou dois textos: “Mensagem” do livro do aluno, página 153-154 e “Dor de Amor e de
Fome”, da página 213-214.
A primeira e segunda aulas foram leccionadas no dia 05 de Outubro do ano em
curso. Estas estavam programadas para o dia 04, mas foram adiadas para o dia seguinte,
porque o primeiro dia é o dia da assinatura dos “Acordos de Paz”, não sendo, deste modo,
um dia lectivo.
Tinham como conteúdo “ O Resumo”. Estiveram presentes na aula o professor
tutor, Rogério Paúnde, o colega estudante praticante, Tito Selemane, e a Dra. Elda
Santos, a supervisora.
De referir que foi uma aula dupla, ou seja, de 90 minutos. Nela foi feito o resumo
do texto “Mensagem” do livro do aluno, páginas 153-154, conforme o plano de aulas no
apêndice.
A terceira e quarta aulas tiveram lugar no dia 7de Outubro do ano corrente, e
tiveram como conteúdo “O Resumo e a Ficha de Leitura”, com a duração de 90 minutos.
Nesta aula foi feita a conclusão do tema “O Resumo” e foi introduzido e
concluído o tema “Ficha de Leitura”.
Feito o prosseguimento das fases e técnicas planificadas, os alunos, juntos ao
estudante-praticante, identificaram algumas técnicas de elaboração de fichas de leitura.
No fim da aula todos produziram uma pequena ficha de leitura de um parágrafo, somente
como forma de amostra.
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
Além dos aspectos relativos à técnica e estrutura da ficha, focou-se ainda a parte
gramatical, que consistia no uso do conecto “pois” com o valor conclusivo e causal.
Finalmente, a quinta aula teve lugar no dia 11 de Outubro do ano corrente, com
tempo de 45 minutos, cujo conteúdo era “O Texto Dramático”.
Nesta aula foi feita uma introdução ao texto dramático, transtextualização, ou
seja, passagem de texto narrativo para dramático, identificação dos elemenos do texto
dramático e resposta à algumas questões ligadas à matéria.
No fim da aula, os alunos elaboraram um pequeno texto dramático a partir do
texto narrativo “Dor de Amor e de Fome” da página 213 e 214 do livro do aluno.
De referir que os temas eram vastos e o tempo muito escasso que se teve que
recorrer ao método de texto de apoio para facilitar a aquisição do conteúdo.

3.3.Pós-observação
Após a observação das aulas do professor e do estudante praticante, decidiu-se a
elaboração de dois textos de apoio: um sobre “Textos Líricos” e outro sobre “Textos de
Pesquisa de Dados – O Resumo e a Ficha de Leitura”.
Quanto à análise das aulas, de referir que foram feitas algumas intervenções junto
ao colega, no sentido de dar algumas observações sobre a sua aula.
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
Capítulo IV

4. Seminários

4.1.Seminários orientados por alguns docentes

4.1.1.Seminário sobre “Como Manter a Autoridade sem Ser ser Autoritáritário”


A Dra. Tomásia Mataruca abriu a sessão dos seminários no dia 12 de Agosto de
2009, com o tema “ Como Manter a Autoridade sem ser Autoritário”. Na sua abordagem
entendeu-se que para que o professor mantenha a ordem na sala de aulas é necessário o
domínio dos conteúdos programáticos de modo a dotar os alunos de habilidades psico-
pedagógicas que o façam aplicar o conhecimento em instâncias independentes ao seio
escolar. Para tal, o professor deve:
 Dominar os conteúdos;
 Estimular a acção educativa dos alunos;
 Valorizar as experiências dos alunos e privilegiando aos menos reactivos
no PEA;
 Criar ambiente favorável que abre espaço para uma colaboração
inteligente e sábia nos alunos;

4.1.2.Seminário sobre “Didáctica da Literatura “ Importância do Ensino da


Didáctica de Literatura”
Este seminário foi apresentado pelo Dr. Calane da Silva no dia 19 de Agosto do
ano corrente, que considerou a Didáctica da Literatura como um instrumento para o
ensino da literatura. De igual modo, o orador defendeu uma maior abertura ediálogo entre
o professor e aluno, vice-versa, e recomendou ao uso do texto em todas as aulas, pois
este.
Segundo o Dr. Calane da Silva, o papel da Didáctica da Literatura é o de ensinar o
aluno a gostar de ler, isto é, saber ler, interpretar, distinguir do ponto de vista literário as
diferenças entre género e correntes literárias.
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
4.1.3.Seminário sobre a Abordagem de tema transversal
Este tema foi abordado pela Professora Doutora Hildizina Dias, com quem se ficou a
saber que os temas transversais são os conteúdos de carácter social que dada a sua
importância são abordados durante as aulas. Para tal é necessária uma planificação do
grupo de disciplina de modo a se criar um debate sério e a se seleccionar bons
métodos para o efeito.
Os temas transversais são de extrema importância, pois estes estão sempre ao alcance
do aluno, uma vez que fazem parte dos problemas sociais e actuais.
O professor de Português pode fazer a sua abordagem através de:
 Conversas na sala de aulas
 Debates sobre algum assunto da actualidade;
 Produção escrita e mais formas criativa, dependendo da idade e nível dos
alunos.

4.2. Seminários apresentados pelos estudantes praticantes

4.2.1.Seminário sobre A Abordagem do Vocabulário e Coesão


O vocabulário ensina-nos a aplicar as palavras segundo o seu contexto, uma vez que
uma palavra pode ter mais de um campo de aplicação.
No seminário sobre o vocabulário notou-se que a aprendizagem deste está sendo
distorcida, pois os professores limitam-se em traduzir as palavras somente.
Outro aspecto levantado foi a questão do tempo de leccionação. Pensa-se que este seja
muito curto que não permite ao professor o uso de várias estrategias de ensiono.
Porém, recomenda-se que os professores de Português se empenhem de modo a
superar esta dificuldade e levar o aluno ao domínio das técnicas de aprendizagem
vocabular.
Maior responsabilidade cai para os alunos do II ciclo do ensino secundário, pois estes
logo que saem da escola ganham diferentes horizones, uns chegano a se empregar, e,
levando a dificuladade vocabular, podem correr o risco de fazer más interpretações
dos documentos que passarem por suas mãos, ou pensarem que a palavra tenha um e
único contexto de aplicação.
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
4.2.2.Seminário sobre “Como Abordar os Actos d Fala na Aula de LP?”
Os actos de fala são peças fundamentais para o dsenvolvimento de qualquer
indivíduo.
É através das diferentes maneiras de se comportar perante os outros e em diferentes
situações que os indivíduos se destacam e os outros o admiram.
Para a abordagem dos actos de fala o professor tem que se basear de um texto
completo – seja ele escrito ou oral- para, mais tarde, com a atenção dos alunos, fazer a
identificação dos actos.
Há textos muito ricos em actos de fala, é o caso de textos expositivos argumentativos,
nos quais encontramos actos de fala para persuadir, para explicar e muito mais.

4.2.3.Seminário sobre “Perspectivas de abordagem de Produção de Texto


Escrito”
Há várias maneiras e estrategias para fazer com que o launo aprenda ou escreva um
texto, destacadamente:
- Escolha de um tema corrente, que seja do domínio o aluno. Este facto vai tirar do
aluno a timidez e a exitação que caracteriza uma partedos alunos.
- O tempo para a actividade não deve ser muito apertado, principalmente quando se
trata de alunos que não têm muita habilidade na escrita. Deste modo, o professor pode
optar em iniciar o trabalho na sala de aula e terminá-lo em casa, para efectuar a devida
correcção na aula seguinte.
- A abertura do professor ajuda muito para a abertura do aluno. Deste modo, se o
professor se mostrar muito interressado pelo trabalho, sem limitar muito a ideologia
dos alunos, estes terão maior liberdade em se expressar de maneira escrita.

4.2.4.Seminário sobre a Ensino da Gramática de LP

Segundo Gomes et al (1991: 223), gramática é um sistema estruturado e


organizado dos elementos da língua e não o conjunto de regras abstractas. No ensino
da gramática há que ter em conta os tipos de gramática, a saber:

Gramática implícita- é o saber gramatical apreendido intuitivamente


pelo aluno, resultado do domínio prático das formas básicas da língua .
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
Quando o aluno já é capaz de descrever e de explicar as regras a que
obedece a organização e o funcionamento da língua, entrou no domínio da chamada
gramática explícita. É uma capacidade que surge no segundo nível de escolaridade e
afirma-se nos níveis subsequentes (Gomes up cit 1991: 189).

Como ensinar a gramática?


Para Figueiredo (2005:110), o ensino da gramática projecta levar o aluno
a descobrir progressivamente, primeiro, intuitivamente, depois de forma reflexiva, os
princípios de funcionamento da língua.

Fases do ensino da gramática


O ensino da gramática, tal qual qualquer processo, segue algumas fases,
especificamente:
1ª fase- consagrada à análise do texto (as condições de produção do texto: fim,
lugar social, estatuto do enunciatário e do enunciador; o modo de organização do
conteúdo do texto: tipo do plano; as unidades linguísticas que aí aparecem).
2ª fase- tem incidência na gramática da frase. A partir do exame de frases
retiradas do corpus, o aluno constrói progressivamente quatro tipos de
conhecimentos: os constituíntes de uma frase, as funções gramaticais de cada um dos
constituintes; as unidades que compõem cada um dos grupos e seus valores
semânticos; o encadeamento de frases por coordenação e subordinação.
3ª fase- consiste na exploração a nível discursivo dos conhecimentos
adquiridos no quadro das actividades de estruturação frásica. São analisadas unidades
de conexão, coesão e modalização de acordo com o género de texto nos quais elas
aparecem, e de acordo com a operação precisa a qual elas correspondem.
Face aos problemas constatados na escola integrada, o grupo tirou algumas
conclusões e recomenda que o ensino- aprendizagem da gramática deve ter como ponto
de partida, o texto, obedecendo o seguinte eixo: texto→ frase→sintaxe e não o inverso.
Foram apresentados alguns exercícios sobre a gramática, destacadamente:
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
1.Coerência e coesão textuais

1. Usando conectores, preencha os espaços em branco de modo a formar um texto


coeso.

A ecologia

A palavra ecologia significa, ___________(conforme/enquanto/embora) a sua


origem, a parte da Biologia que estuda a relação entre os seres vivos com o ambiente,
__________(porque/ou seja/no qual), a relação entre os seres vivos e o seu meio.
_____________(isto é/assim/todavia) é uma ideia comum que a ecologia significa o
percurso normal da Natureza ou os atentados contra esta,
____________(enquanto/isto é/com efeito), a destruição do meio ambiente
_________ (neste caso/ o qual/portanto) explicada pela grandeza que essa destruição
atingiu.

2. Orações adjectivas

 No exercício abaixo, sobre o texto O ensino e as novas tecnologias de


informação e comunicação, substitua a oração em negrito por um adjectivo.

1. Se pensarmos nas implicações que podem ter nos processos de


ensino/aprendizagem…
_____________________________________________________
2. …convém conhecer as resistências que se podem encontrar, para
melhor as contrariar…
______________________________________________________
3. …nada que saia do âmbito curricular, por muitas vantagens que eles
reconheçam por esses “desvios”…
______________________________________________________

3. As Preposições

Complete cada uma das frases seguintes com a preposição adequada (com, contra,
de, a, em, para, por):
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
a) O senhor Almeida devia abster-se ________ tomar bebidas alcoólicas.
b) Ele sempre exortou aos funcionários ________ que fossem correctos e
cumpridores.
c) Agradecia-te que traduzisses estas instruções _______ Alemão.
d) Claro que nos regozijamos __________resultados tão promissores.
e) O dinheiro não lhe interessava; só aspirava ________ uma vida tranquila.
f) A circular recentemente enviada pelo Ministério induziu __________ erro os
Encarregados de Educação.
g) Ao saber que o desfalque, o tesoureiro da empresa atentou _________ a
própria vida.

4.2.5.Seminário sobre a escrita


Escrita – é um sistema de representação da linguagem que consiste na
apropriação de um objecto de conhecimento de natureza simbólica. (Ana Toberosky).
Ela é a representação sempre imperfeita da linguagem falada por meio de sinais
visuais, convencionais feitos na superfície de diversos materiais.
A aprendizagem da escrita começa normalmente quando a criança entra para a
escola, Delgado Martins (1992-1996).

Estádios da escrita
Segundo William Grey apud Pestana (s/d) para que as crianças possam atingir
os tipos complexos de escrita deverão elas ser treinadas em exercícios das chamadas
formas simplificadas obedecendo os planos de ensino da língua portuguesa aos
seguintes estádios:
1º- Preparação para a escrita;
2º-Aprendizagem da escrita e;
3º-Assimilação das formas complexas.

No primeiro estádio a preocupação do professor é de despertar nos alunos o


desejo e o interesse de aprender a ler e escrever e prepará-los para aquisição da
necessária e indispensável técnica.
33
Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
No segundo estádio decorre já propriamente a aprendizagem da escrita
quando, por conseguinte, vencidas as dificuldades maiores os alunos se encaminham
decididamente para as formas simplificadas da escrita. Começa o registo de uma
palavras ou de ideias, na legenda de um desenho, na identificação de um objecto
pessoal, etc.
Finalmente, o terceiro estádio é dedicado à assimilação das formas complexas.

Métodos de ensino da escrita

Método sintético
Privilegia-se o desenho de partes e de letras isoladas para treinar o aluno
numa caligrafia modelar e também do tipo único. A criança limita-se a uma atitude
unilateral de desenhar as letras.

Método Global
O método global tem os seguintes postulados:
 A escrita não é apenas uma técnica de ensino, mas um
meio de expressão e uma arte a qual o estilo pessoal deve emprestar
um máximo de harmonia e de elegância;
 O ritmo da vida moderna exige uma escrita cada vez
mais rápida;
 O ensino da escrita deverá dar a cada criança a melhor
escrita que ela for capaz de realizar com a conveniente e suficiente
rapidez.
Estratégias para avaliação da escrita
 Provas escritas;
 Produção textual;
 Resolução de exercícios no quadro;
 Prática de combinar e;
 Técnica de escrita livre:

Recomendações
Após a observação de algumas aulas na escola integrada, ogrupo propões
algumas recomendações baseando-se em Martins (1992-1996), que defende que, para
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
o desenvolvimento da capacidade de escrever, o aluno deve entrar em contacto com
matérias escritas no dia a dia.

4.2.6. Seminário sobre a “Avaliação do PEA da LP”


Segundo Valadares & Graça (1998:34) “ avaliação é uma actividade vital para
o ser humano porque lhe serve para orientar, de forma válida, as decisões individuais
e colectivas. A avaliação é frequentemente utilizada de forma sistemática nos mais
diversos campos.”

Tipos e Funções da Avaliação


Podemos ter 3 tipos de avaliação, nomeadamente:
 Avaliação de localização ou diagnóstica – feita logo no início do ano
lectivo ou de qualquer matéria para colher informações sobre o
conhecimento que o aluno traz;
 Avaliação Formativa - feita durante o Processo de Ensino e
Aprendizagem, para medir o nível de assimilação e percepção da
matéria dada e:
 Avaliação sumativa – feita no final do ano, no final de um curso, de
uma unidade temática ou parte dele.

Técnicas de Avaliação da Aprendizagem


O professor dispõe-se de várias técnicas e instrumentos de avaliação das quais
destacamos as seguintes:

 Observação – é uma das técnicas de que o professor dispõe para melhor


conhecer seus alunos, identificando suas dificuldades e avaliando seu avanço
nas várias actividades quotidianas realizadas na sala de aula.

 Prova oral - as provas orais podem ser utilizadas para avaliar opiniões,
atitudes e habilidades de se expressar oralmente. São recomendados para
habilidades que exigem locução.
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
 Testagem - é uma técnica de avaliação que utiliza instrumentos chamados
testes. Por sua vez, teste é um conjunto de tarefas apresentadas a todos os
elementos de um grupo com procedimento uniforme de aplicação e correcção.
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
Conclusão
As Práticas Pedagógicas são uma actividade com carácter processual. Acredita-se
que seja por esse motivo que a UP a dé de maneira faseada, começando pela PPI, PPII,
PPIII e PPIV.
A PPIV constituiu um período de grande aprendizagem, tanto teórica quanto
prática, pois o estudante praticante teve a oportunidade de participar nos seminários e na
assistência e leccionação de aulas na Escola Secunária Josina Machel.
Quanto aos seminários, dizer que foram muito importantes para assimilação e
consolidação dos conteúdos científicos e técnicas pedagógicas, uma vez que, quando se
partiu para o campo de trabalho, os estudantes praticantes puderam elaborar pessoalmente
os seus planos de aulas e leccionaram sem muitas dificuldades.
De referir que, ainda neste processo, houve alguns aspectos que podem ser
melhorados de modo a que a PPIV se torne ainda melhor. É o caso da período de
disponibilização dos horários e turmas para o estágio. Para este ano parece que as coisas
não foram tão boas e, segundo a coordenação das PPs, tal facto deveu-se à não
disponibilização das turmas por parte das escolas integradas. No entanto, tudo foi feito de
modo que os estudantes praticantes pudessem ir ao campo.
Finalmente, sugerir que se aumente o tempo de estágio, pois isso vai permitir aos
estudanets praticantes se familiarizarem com o ambiente escolar, principalmente os qu
ainda não estão na carreira docente.
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Leão, Gui Feliciano Pedro, Relatorio de Prática Pedagógica IV
Bibliografia

DIAS. N.H. et al. Manual de Práticas Pedagógicas. Editora Educar, 2008.


GOLIAS, Manuel, Didáctica Geral, Universidade Pedagógica - Faculdade de
Ciências Pedagógicas, Maputo, 1995;
GÉRARD, François, ROGIERS, Xavier. Conceber e Avaliar Manuais Escolares. Porto,
Porto editora, 1998.
HAYDT, Regina C. C., Curso de Didáctica Geral, 7ª. Edição, Editora Ática, São Paulo,
2002;
LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica, Edições Cortez, São Paulo, 1994.
LAKATOS. E. M. & MARCON. M. de A. Metodologia de trabalho científico. 2ª
Edição, São Paulo, Altas. 1991.
PILETT, Claudino. Didáctica Geral. 23ª Edição, Editora Ática, São Paulo, 2006.