ÍNDICE 1. Introdução 1.1. Conceito de pH 1.2. Medida de pH 1.2.1. Indicadores 1.2.2. Medida instrumental pH-metro 1.2.2.1. Eletrodo de vidro 1.2.2.2. Eletrodo de referencia 1.2.2.3. Eletrodo combinado 1.2.2.4.

pHmetro 2. Aplicações
2.1. Inflûencia do pH na qualidade da água usada na indústria 2.2. Influência do pH na ionização de fármacos

2 2 2 3 3 4 5 6 7 8 9 11 12 14 16 21 22 23

2.3. Influência do pH na dissolução de fármacos 2.4. Influência do pH no solubilidade de diferentes formas polimórficas de fármacos. 2.5. Influência do pH na estabilidade de medicamentos 2.6. Influência do pH na análise de fármacos e medicamentos 3. Conclusões 4. Referência Bibliográfica

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1. INTRODUÇÃO 1.1 Conceito de pH O pH ou potencial de hidrogênio iônico, é um índice que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio. O conceito foi introduzido por S. P. L. Sørensen em 1909. O "p" deriva do alemão potenz, que significa poder de concentração, e o "H" é para o íon de hidrogênio (H+). Às vezes é referido do latim pondus hydrogenii. O "p" equivale ao simétrico do logaritmo de base 10 da atividade dos íons a que se refere, ou seja,

Equação 1 - em que [H+] representa a atividade de H+ em mol/L.

A equação 1 é simplesmente uma definição concebida com o objetivo de simplificar a representação numérica de [H +]. Como se pode ver, o pH é dado por um número positivo. Se não o sinal menos a afetar o logaritmo, o pH seria um numero negativo devido aos valores normalmente muito pequenos de [H+]. Repare-se que o termo [H+] na equação acima apenas diz respeito à parte numérica da concentração do íon de hidrogênio, pois não se pode determinar o logaritmo em unidades. Assim, tal como a constante de equilíbrio, o pH de uma solução é uma quantidade adimensional. Como o pH é simplesmente uma forma de exprimir a concentração do íon hidrogênio, as soluções ácidas e básicas a 25º C podem ser identificadas através dos seus valores de pH, como se segue1,2: • • • Soluções ácidas: [H+] = 1,0 x 10-7 M, pH = 7,00 Soluções básicas: [H+] = 1,0 x 10-7 M, pH = 7,00 Soluções neutras: [H+] = 1,0 x 10-7 M, pH = 7,00

1.2 Medida de pH

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geralmente em fitas de papel. A determinação do pH 3 . uma vez que.1 Indicadores Um indicador é uma substância que varia de cor dentro de um pequeno intervalo de pH. 1. são mais utilizados para uma avaliação semi-qualitativa com valores de 1 a 14 em escala de uma unidade de pH. Entretanto. em geral.2. na análise de metais pesados com comparação visual da solução amostra com solução padrão de chumbo3.2. Os indicadores empregam-se para medir de modo apropriado o pH das soluções. devido ao fato de poder existir em duas ou mais formas que têm estruturas distintas e apresentam cores diferentes. A figura 1 apresenta uma fita de medida de pH Figura 1 – Fita de medição de pH 1. a avaliação do pH com indicadores.2 Medida instrumental pH-metro O medidor de pH é um milivoltímetro com uma escala que converte o valor de tensão do eletrodo de pH em unidades de pH.4. Este material apresenta uso comum na análise química qualitativa para verificação do pH de ponto final de reação como por exemplo.O pH pode ser determinado por adição de um indicador de pH na solução em análise ou através do uso de um medidor de pH acoplado a um eletrodo de pH. a zona de viragem (mudança de cor) dos indicadores é de 2 unidades de pH.

O eletrodo de hidrogênio. é comumente utilizado. que consiste de uma haste de platina sobre a qual o gás hidrogênio flui a uma pressão de 101 kPa. O princípio da medição eletrométrica do pH é a determinação da atividade iônica do hidrogênio utilizando o eletrodo padrão de hidrogênio.2.1 Eletrodo de vidro O eletrodo de vidro (Figura 2) é um bulbo construído em vidro especial contendo uma solução de concentração fixa (0. no entanto. um outro eletrodo. o de vidro. não é bem adaptado para uso universal especialmente em trabalho de campo ou em soluções contendo espécies químicas contaminantes do eletrodo. 4 .é feita eletrometricamente com a utilização de um potenciômetro e eletrodos. normalmente constituído de prata revestida de cloreto de prata.1 ou 1 M) de ácido clorídrico (HCl) ou uma solução tamponada de cloreto em contato com o eletrodo de referência interno. que assegura um potencial constante na interface da superfície interna do sensor com o eletrólito.2. 1. Assim.

No interior de um bulbo (Figura 2B) o elemento de referência acha-se imerso num eletrólito a qual entra em contato com a amostra através de junção (líquida) ou diafragma por onde se forma uma ponte salina a qual deve desenvolver um potencial de junção mínimo possível. forma uma camada de gel. Equação 2: Eobs = k + 0. seletiva de íon hidrogênio. Eobs = K . externa.1941. O potencial. Essa é uma operação teórica derivada da equação de Nernst (Walther Hermann Nernst. 1864 .2. ocorrem forças de repulsão de ânions por parte do silicato. Essa seleção é. 1. de 1906).059 log [Hs+ / He+]. Além disso.059 pH.2 Eletrodo de referência O eletrodo de referência consiste de uma meia célula de potencial constante e determinado. a geração de um potencial que é função da atividade do íon hidrogênio na solução.059 log [Hs+]. Na prática. é constituído por uma membrana de vidro que.0. na camada externa do sensor. que está fixo no sensor. hidratada. a variação do potencial do eletrodo como resposta à variação do pH (atividade do íon hidrogênio) embora seja linear ocorre com uma inclinação (slope) diferente como resultado de potenciais correspondentes menores.O elemento sensor do eletrodo. observado. Eobs = K + 0. de fato. Ocorre. onde k é constante.2. físico e químico alemão que ganhou o Prêmio Nobel de 1920 por seu trabalho com termoquímica. situado na extremidade do bulbo. potencial de oxi-redução (POR) e espécies iônicas específicas as quais se baseiam na medida de diferença de potencial entre o eletrodo específico e o Equação 2 5 . negativamente carregado. particularmente a partir da terceira lei da termodinâmica. O eletrodo de referência é bastante útil nas determinações potenciométricas de pH. uma troca de íons sódio por íons hidrogênio os quais formam uma camada sobre a superfície do sensor. do eletrodo de vidro depende dessa atividade na solução {Hs+} e da atividade do íon hidrogênio no eletrólito {He+}.

O eletrodo calomelano pode ser dos tipos um décimo normal (0. normal (1N) e saturado com relação à concentração do eletrólito cloreto de potássio. aos quais correspondem os potenciais padrões .0.2.281 e . através de junção (1ª). . como referência em amostras para as quais o calomelano é freqüentemente recomendado1-5. O eletrodo Ag / AgCl junção dupla é apresentado como possuindo as mesmas vantagens que o calomelano.eletrodo de referência. por exemplo. ilustrado na Figura 4. O eletrodo Ag / AgCl junção única tem sido referido como bom para a maioria das aplicações de laboratório ou de campo. com o eletrólito cloreto de potássio contido no interior de um bulbo provido de junção (2ª) que estabelece contato do eletrólito com a amostra. mas sem suas limitações com relação a temperatura. O eletrodo calomelano produz uma referência muito boa a temperatura constante. a 25°C.0. mas apresenta menos estabilidade com mudanças de temperatura que os eletrodos de prata /cloreto de prata e acima de 60°C ficam avariados.334.0. Os eletrodos de referência mais comumente usados são calomelano (Hg / Hg2Cl2) e prata/cloreto de prata1-5. (c) soluções contendo ácido fluorídrico. O eletrodo de referência de prata /cloreto de prata (Ag / AgCl) consiste de uma haste de prata recoberta com cloreto de prata imerso diretamente (Ag/AgCl junção única) ou em contato através de junção (Ag / AgCl junção dupla) no/com eletrólito cloreto de potássio 3M saturado com cloreto de prata contido por um bulbo provido de junção. com vantagem.1N). sendo o tipo saturado o mais comumente usado. 1. podendo ser usado. O eletrodo de referência calomelano consiste numa haste de platina envolta por uma pasta de mercúrio e cloreto mercuroso em contato.3 Eletrodo combinado A utilização de um par de eletrodos sempre se impõe para a determinação de íons específicos e de pH em soluções viscosas e suspensões coloidais.2.242 V. (b) soluções contendo sulfetos. O eletrodo calomelano é freqüentemente recomendado com amostras contendo qualquer das seguintes características1-5: (a) soluções ricas em proteínas. O eletrodo de vidro combinado. é um eletrodo 6 .

um eletrodo de vidro combinado pode ser usado. promove uma rotação da curvatura do eletrodo em torno do ponto isopotencial (pH = 7 e E = 0). com auxilio de um outro tampão promover o ajuste da inclinação. O eletrodo é adequado para a maioria das aplicações de laboratório sendo mais fácil de manusear que o par de eletrodos separados.3 pHmetro O sistema medidor de pH ou pH-metro consiste de um potenciômetro (aparelho medidor de diferença de potencial). Os ajustes dos desvios lateral e de inclinação utilizando soluções tampões padrões constituem os procedimentos básicos de calibração 7 . conforme ilustrado na Figura 5.compacto no qual o eletrodo de vidro acha-se envolvido pelo eletrodo de referência de prata/cloreto de prata. 1. Para a maioria dos instrumentos existem dois controles importantes: . A calibração do instrumento com uma solução tampão de pH 7 é uma aplicação prática de correção de desvio lateral. para uma dada temperatura. conforme descrito anteriormente. Na prática. devidos por exemplo à influência da temperatura. . Os eletrodos combinados mais recentes têm também um sensor de temperatura integrado útil na compensação automática de leituras de temperatura de diferentes amostras1-5.o controle de desvio lateral (intercept) usado para corrigir desvios laterais da curva potencial do eletrodo de pH em função do pH. em seguida. um eletrodo de vidro. Alternativamente. um eletrodo de referência e um sensor de compensação de temperatura. com relação ao ponto isopotencial.o controle de inclinação (slope) usado para corrigir desvios de inclinação. calibrar o eletrodo com a solução tampão de pH = 7 (correção do desvio lateral) e. para evitar a inclinação da curva.

instrumental para a determinação de pH. O sistema pode ser usado para medidas de pH quanto para titulações potenciométricas. A Figura 6 apresenta a representação de um equipamento moderno de medida de pH e também de potencial em mV ou volts e um pHmetro portátil usados para medidas experimentais de campo. O sistema apresenta um display de fácil visualização e também saída de dados para impressora que facilita na elaboração de relatórios e laudos analíticos. 8 .

requer a existência de certos valores de pH. os 9 . os principais aspectos relacionados a ela mais críticos são: • Controle de qualidade da agua usada na produção de medicamento e também na análise. APLICAÇÕES O pH é muito importante na indústria farmacêutica. naturalmente. e entre as quais está.2 a 7. drágeas e cápsulas em diferentes meios de dissolução de pH variando de 1. são avaliadas informações bibliográficas para encontrar os valores de pH e pka de ativos e excipientes para serem usados. é escolhida a forma de dosagem mais adequada para a administração medicamento. • Pré-formulação. • Estudo de perfil de dissolução nos quais são avaliadas a desintegração e solubilidade do medicamento de forma sólida como comprimidos. caso contrário. O estudo de dissolução intrínseca é usado neste estudo avaliando a solubulidade do fármaco em diferentes tampões salinos de diferentes pH´s. • Formulação: dependendo das propriedades físicoquímcias (principalmente). 2. para verificar possíveis incompatibilidades e características das principais substâncias utilizadas. durante estes estudos. Durante estes estudos são considerados valores de pH das diferentes áreas do trato gastro-intestinal. • Análise físico-química de matérias-primas e produtos acabados e também de agua de lavagem. o valor de pH. Para alguns estudos identificados em farmacologia.5.Figura 6 – Representação de um phmetro moderno6 e de um pHmetro portátil.

orgânicos. Para a indústria farmacêutica os compostos que devem despertar maior interesse são os compostos inorgânicos. géis. pois é um solvente universal e pode carregar consigo algumas substâncias que comprometem não somente a qualidade dos medicamentos. Da mesma forma. microorganismos. 2. em formulações como cremes.5. No âmbito do tratamento de água residuárias por processos químicos ou biológicos o pH deve ser mantido em faixas adequadas ao desenvolvimento das reações químicas ou bioquímicas do processo7. O padrão de potabilidade em vigor no Brasil. preconiza uma faixa de pH entre 6. pois além de participar dos processos de limpeza de materiais e superfícies. A figura 7 apresenta uma classificação da água para uso na indústria farmacêutica.5 e 8. a água deve ser analisada em sua composição. A determinação do pH é uma das mais comuns e importantes no contexto da química da água. abrandamento e desinfecção. Devido a essa importância. mais de 6 mil compostos químicos que depois de utilizados pelas empresas e residências serão lançados nos corpos d’água. controle da corrosão. mas também a vida útil dos sistemas de tratamento de água. pode ser utilizada como veículo em formulações.valores serão incorretos ou variam significativamente. O pH da água para uso em injetável deve estar entre 5 a 7. existem hoje disponíveis no mercado. deve-se verifica o valor do pH para evitar possível irritação nas áreas de aplicação e para determinar a viabilidade do crescimento bacteriano. shampoo e outros produtos de uso tópico. os quais deve-se fazer um prétratamento para adequar às condições de potabilidade7.1 Inflûencia do pH na qualidade da água usada na indústria A água tem importância fundamental para indústria farmacêutica. bactérias e vírus. incluindo algumas aplicações importantes. o que exige maior atenção e conhecimento. 10 . Para se ter uma idéia. As indústrias podem optar pela captação da água de poços artesianos ou mananciais. No campo do abastecimento de água o pH intervém na coagulação química.

A análise do pH é usada rotineiramente neste processo. A) B) 20 NE (B). sendo que este controle é realizado por medidas diretas de utilizando eletrodo combinado de vidro para avaliação da concentração hidrogeniônica da amostra. Entre os testes microbiológicos. O controle de pH é também realizado no ajuste do pH do detergente no momento da limpeza dos tanques reatores. portanto. uma grande parte faz uso de indicadores de pH em discos ou em soluções que após o contato com o material analisado apresenta alteração de cor caso haja contaminação. Na indústria farmacêutica o sistema de condução de água passa por um processo de sanitização por meio químico e ou térmico. Após este processo são realizados testes para verificação da composição da água e também de contaminação microbiológica. A Figura 8 apresenta um exemplo de dois destes testes o BBL cristal em que os substratos enzimáticos e bioquímicos passam por reações baseadas na habilidade do microorganismo em metabolizar o substrato. Figura 8 – Testes de identificação usando kits de indicadores de reação BBL cristal (A) e API 11 ..Figura 7 – Classificação da água para indústria farmacêutica A água utilizada para lavagem dos reatores de produção contém detergentes e resíduos dos medicamentos manipulados e. deve passar por um processo de tratamento para que esteja de acordo com os padrões solicitados pela Cetesb para lançamento na rede de coleta de esgoto. provocando alteração de cor do indicador do pH8.

apenas com base na reação do fármaco com a água. havendo rinsagens espontâneas coloridas e reveladas por adição de reativos. estes dois parâmetros são determinantes dos processos de absorção.2 Influência do pH na ionização de fármacos. transporte e excreção dos fármacos É possível prever qualitativamente. por exemplo. Assim. maior a concentração de H3O+. Já para um fármaco de caráter básico. 12 . quanto menor o pH. em sua maioria. portanto o equilíbrio da reação é deslocado para a esquerda com o aumento da concentração da forma não ionizada. 2. Considerando-se que a forma não ionizada de um fármaco é mais lipossolúvel que a forma ionizada. o Ka da substância e o pH do meio são dois parâmetros que influem diretamente na passagem dos fármacos através das membranas biológicas e. maior é o consumo de H3O+ e o equilíbrio da reação se desloca para a direita com o conseqüente aumento da concentração da forma ionizada do fármaco. há aumento da concentração de forma ionizada em pH menor e de forma não ionizada em pH maior9. para um fármaco de caráter ácido (HA). Como os fármacos. em pH maior. portanto. em que pH a relação das concentrações de formas não ionizadas e ionizadas será maior e dessa forma avaliar. Nos testes de assimilação as bactérias crescem se forem capazes de utilizar o substrato correspondente ocorrendo a alteração da cor do indicador8. dependendo da constante de acidez (Ka) e do pH do meio em que se encontram. maior é a concentração de íons OH –. são ácidos ou bases fracas. que recebe próton da água. em que parte do trato gastro-intestinal a absorção será mais efetiva.O teste de API 20 NE é composto por 20 microtubos em que ocorrem reações durante o período de incubação. Ao contrário. no meio biológico estarão mais ou menos ionizados.

apresenta maior solubilidade em determinado pH. IV. Figura 10 . 2. Reduzida solubilidade e reduzida permeabilidade. para a maioria dos medicamentos administrados por via oral. tais como a situação de jejum ou pós-prandial. justificando. Reduzida solubilidade e elevada permeabilidade. Elevada solubilidade e reduzida permeabilidade. Elevada solubilidade e elevada permeabilidade. solúvel insolúvel solúvel Figura 9 – Estrutura do aminoácido tirosina em função do pH.O pH também influência na ionização dos aminoácidos e indicadores.3 Influência do pH na dissolução de fármacos No desenvolvimento do fármaco é importante avaliar a solubilidade do fármaco e a permeabilidade classificando em uma das 4 opções para a classificação biofarmacêutica. por exemplo.Sistema de classificação biofarmacêutico (Adaptado10. II. Figura 10: I.11) A solubilidade de um fármaco constitui requisito prévio à absorção e obtenção de resposta clínica. o 13 . a importância e necessidade dos estudos de dissolução. A tirosina. Figura 9. Os modelos que permitem prever a absorção dos fármacos a partir dos estudos de dissolução estão limitados pela complexidade de fenômenos que ocorrem no trato gastrointestinal (TGI).se assim. III. o esvaziamento gástrico. a fase do ciclo de motilidade.

tampão fosfato pH 7.Variação da concentração molar de indometacina das várias amostras.11 estudaram a dissolução e coeficiente de partição da indometacina utilizando como fase aquosa. 14 . O pH ao longo do TGI varia do meio ácido para básico e. A complexação aumentou a capacidade de solubilização e dissolução da indometacina. n-octanol e a influência da complexação coma ciclodextrina para alteração da solubilidade nos dois diferentes pH´s.0 e 5. A hidroxipropil-β-ciclodextrina confere aos fármacos nela incluídos melhores características de solubilidade. a qual tem caráter lipófilo.0. A formação de complexos com indometacina protege da hidrólise. é praticamente insolúvel em água.conteúdo do lúmen intestinal. sem alteraras características que lhe permitem ter boa capacidade de difusão através de membranas biológicas. A indometacina. o mecanismo responsável pela absorção do fármaco e permeabilidade e alterações físicoquímicas da molécula ao longo do TGI. Figura 11 . Rama et al.5 e como fase oleosa. Os resultados em tampão fosfato pH 5. antes e depois da mistura do sistema binário fase aquosa/fase oleosa.5 foram mais promissores comparados aos em pH 7. a avaliação da solubilidade do fármaco em diferentes faixas de pH é de extrema importância para um correto desenvolvimento da formulação11. antes e depois da mistura do sistema binário fase aquosa/fase oleosa (adaptado11). antiinflamatório não-esteróide. aumentando a solubilidade. desta forma. A figura 11 apresenta a variação da concentração molar de indometacina das várias amostras.

que apresentam diferentes propriedades físico-químicas e biofarmacêuticas12. pois os polimorfos podem possuir diferenças que alterem a qualidade e eficácia terapêutica do medicamento. No entanto. dureza.4 Influência do pH no solubilidade de diferentes formas polimórficas de fármacos. A presença de polimorfos diferentes em uma formulação pode comprometer a dissolução de um fármaco a partir de sua forma farmacêutica. essas variações causam alterações nas propriedades físico-químicas e provocam diferenças entre os polimorfos como: forma. calorimetria). solubilidade em diferentes meios de pH. densidade. conhecidas como formas A. uma vez que os polimorfos freqüentemente apresentam diferentes solubilidades. Froehlich e Gasparotto12 realizaram o estudo de dissolução de comprimidos de mebendazol. entre outras conseqüências. dissolução intrínseca e tal detecção é extremamente necessária. ensaios para a identificação das possíveis formas polimórficas de um mesmo fármaco. a solubilidade em diferentes meios. O polimorfismo é a capacidade uma molécula adquirir mais de uma forma ou estrutura cristalina. A Figura 12 apresenta o perfil de dissolução de diferentes comprimidos em meio de dissolução HCl 0.2. tendo um efeito antagônico e/ou tóxico. entre elas. Os comprimidos de mebendazol apresentaram diferentes solubilidades no meio de dissolução avaliado devido às diferentes propriedades físico-químicas. difração de raio-X. Sua pesquisa se faz através de técnicas de detecção como: análise térmica (termogravimetria. O mebendazol possui três formas polimórficas diferentes.1N contendo lauril sulfato de sódio como surfactante. B e C. microscopia eletrônica. 15 . normalmente. faixa de fusão. as monografias farmacopéicas não apresentam.

as mesmas condições e características que possuía quando da época de sua 16 . mantém dentro dos limites especificados e durante todo o período de estocagem e uso.5 Influência do pH na estabilidade de medicamentos A estabilidade é definida como o tempo durante o qual a especialidade farmacêutica ou mesmo a matéria-prima considerada isoladamente.13 discutiram a diferente solubilidade e absorção de fármacos em diferentes pH´s de acordo com a o pH do TGI em estado de jejum e alimentado. 2. Diversos fármaco.Figura 12 – Perfil de dissolução dos diferentes polimorfos do mebendazol (Adaptado12). conforme seu pKa. Manadas et al. Figura 13 – pH no intestino delgado em humanos em jejum e alimentado (Adpatado13). apresentam diferentes solubilidades de acordo com o pH do meio. conforme Figura 13.

A solução de um sal pode variar de acordo com o pH apresentado na Tabela 114.fabricação. o que permitiria que 17 . desde que os produtos de alteração estejam todos seguramente identificados e previamente reconhecidos seus efeitos. deverão ser usados agentes de correção com o ácido fosfórico e trietanolamina usados na produção farmacêutica. por um lado o tipo de degradação (hidrólise. umidade. Na maioria dos processos de degradação de medicamentos em solução. realizaram o estudo de degradação fotocatalítica do fungicida tebuconazol em solução aquosa. forma farmacêutica e sua composição. de pendendo do sal do fármaco usado na formulação líquida haverá alteração de pH e. A estabilidade dos produtos farmacêuticos depende de fatores ambientais como temperatura. processo de fabricação. Prestes et al. luz. a velocidade desta reação. Desta forma. de substâncias ativas e excipientes farmacêuticos. a velocidade de reação é diretamente proporcional a concentração do próprio ativo. fotólise) e por outro lado. Como não houve interesse em controlar (manter constante) esta variável ao longo dos ensaios. pra correção. tipo e propriedades dos materiais de embalagens. oxidação. pH do fármaco e condições de armazemangem e de outros fatores relacionados ao próprio produto como propriedades físicas e químicas.15. tornando-se cada vez mais ácido (sempre menor do que 5 em todas as reações). optou-se por determinar a influência do pH inicial da mistura reacional. Observou-se que o pH da mistura reacional variou ao longo do experimento. A concentração de um medicamento em uma solução vai condicionar. Pode também ser definida como o período de tempo compreendido entre o momento no qual o produto está sendo fabricado àquela que sua potência está reduzida a não mais do que 10%.

Tabela 2.Dados físicos de alguns fármacos Substâncias* Benzilpenicilina Temperatura 25oC 60oC Complementos pH Penicilina 2. A Figura 14 apresenta a variação do pH em função da constante cinética no estudo de fotodegradação.00 Acetaminofen Indometacina Cafalotina 25oC 35oC Cefalosporina 9.70 6. Foram realizados experimentos com pH inicial entre 5. (Adaptado)15. Figura 14. antes de ligar a lâmpada.84 18 . pelo período de 1 h (precedidas por 1 h de escuro).9. A Tabela 2 apresenta exemplos de fármacos em temperatura e pH de favorecimento da hidrólise. Efeito do pH inicial da mistura reacional na constante cinética aparente (k). após a adição do catalisador.75 Antiinflamatório 6.2 e 8.7. foram feitas reações fotocatalíticas no mesmo aparato experimental. Assim.se realizasse um único ajuste desta variável. mantendo-se o fluxo de irradiação em. Os resultados mostrados observa-se um máximo de degradação para pH 7.

Em formulações com pH ajustado em torno de 7. visando prevenir a ionização do fármaco. bem como aspectos fisiológicos relacionados com a via de administração. apenas cerca de 12% da indometacina encontra-se solúvel na fase oleosa. a indometacina é estável em pH ácidos. Nanoemulsões são fisica e quimicamente mais estáveis em pH de 6. e conseqüentemente. O pH final das nanoemulsões deve levar em consideração a estabilidade do fármaco no veículo e a estabilidade da forma farmacêutica. promover sua localização na fase oleosa. sendo que o restante está solúvel na fase aquosa. Fronza et al. Os ácidos graxos livres formados reduzem o pH das formulações. Fronza et al.91 Nestas condições pode ocorrer facilmente a hidrólise do medicamento e ocorrer a degradação do medicamento16. ao dissociarem-se. a sua forma não ionizada ocorre em pH neutros e fracamente alcalinos.Sulfacetamida 120oC Antibacteriano 6. Além disso.17 realizaram a inflluência do pH no estudo de nanoemulsões como sistemas de liberação para fármacos oftálmicos. neste pH favorável para a estabilidade da formulação.0. sendo empregados como indicadores de estabilidade de nanoemulsões em diferentes condições de temperatura e armazenamento e frente à operação de esterilização. No caso da pilocarpina.5. O 19 .0. liberam ácidos graxos livres. A indometacina representa um exemplo clássico da influência do pH. Esse fato está relacionado à taxa de hidrólise dos triglicerídeos e fosfolipídeos que. entretanto. uma vez que o pKa da indometacina é 4. O pH final das formulações também pode ter uma influência marcante na localização e estabilidade do fármaco associado à nanoestrutura.16 desenvolveram nanoemulsões cujo pH final foi ajustado até 3.5 a 8. a pilocarpina é extremamente instável.8.

Montagner e Corrêia realizaram a avaliação da estabilidade de cremes com uréia em diferentes pH´s18. A figura 15 apresenta os resultados em diferentes pH´s. pH superiores não seriam aceitáveis devido a sua rápida degradação17. 20 .grupo também relatam o desenvolvimento de nanoemulsões contendo pilocarpina em pH 6.5. Muito embora neste pH não se tenha a maior biodisponibilidade do fármaco.

Observa-se. prateleira e geladeira foi se alterando. 21 . O pH no decorrer dos testes aumentava chegando a 8 nestes cremes e pH 9 no creme com pH inicial 8. tiveram seus pHs diminuídos no decorrer dos testes. tiveram pequena variação. (adaptado)18.Figura 15 – Variação do creme com uréia em diferentes faixas de pH. Os cremes com uréia com pH inicial 4 e 6. observou-se que os cremes com pH inicial próximo a 4 armazenados na janela. 2 e 3. prateleira e geladeira. Este aumento do pH em ambos os cremes deveu-se ao aumento brusco da temperatura. havendo um aumento do pH independente do local de armazenagem. prateleira e geladeira. apesar da variação que ocorreu entre pH 4 e 5. o pH foi totalmente alterado em todos os cremes. portanto. foi o que obteve menor variação no pH. sendo que esta ficou em torno de 6. Estes foram mantidos para as amostras da janela. que o creme armazenado na geladeira não chegou atingir pH em torno de 6 como os demais. mostrado na Figura 15. Através da do gráfico 1. tiveram seu pH aumentado até 7 na segunda e terceira verificação. pouco significativa. observa-se que quando armazenados em temperatura elevada. Analisando os gráficos 1. que é um grande influenciador no aumento da velocidade das reações que provocariam a instabilidade do creme com uréia18. Isso se deve ao fato de que em baixas temperaturas a estabilidade é mantida por um período de tempo maior. No gráfico 2observou-se que os cremes com pH inicial 6 armazenados na janela. No gráfico 3 percebese que todos os cremes com pH inicial 8.

Esta correção é realizada a partir da verificação do pH utilizando o sistema usual de 22 . seja no preparo da amostra.6. pode-se dizer que em quase todas as análises químicas em alguma parte da análise. Na análise por métodos espectrofotométricos a diferentes formas de ionização dos fármacos devido aos grupos cromóforos estarem em estado ionizado ou molecular. haverá a correção do pH.70 (C ) e pH 7. benzilamina e fenol) em fase móvel metanol e tampão pH 2. um composto de propriedades básicas. Na análise por titulométrica.Cromatograma da separação da mistura teste de Tanaka (uracila. apresenta um estado de protonação e interage de diferentes formas no meio em pH ácido pH 2.19 estudaram o comportamento da separação de fármacos de caráter ácido e básico em diferentes pH´s de fase móvel.6 (D). A benzilamina.7 e meio ligeiramente básico pH 7. A análise é realizada em pH 12.5 e 10 usando indicador negro de eriocromo e solução titulante de EDTA4. devido também a diferente ionização dos grupos silanóis da fase estacionária19. no meio reacional ou no ajuste para especificar um certo elemento. por exemplo. na determinação de cálcio e magnésio em medicamento ou matéria-prima a análise é realizada em diferentes faixas de pH para a determinação individual dos metais.6 Influência do pH na análise de fármacos e medicamentos O uso da faixa correta de pH em uma análise de fármaco ou medicamento apresenta influência na ionização do fármaco e na resposta que irá apresentar de acordo com o método de análise. havendo diferentes faixas de absorção4. De forma geral. Rose et al. Figura 16.2. Figura 16 .5.

L. 2009. pode-se concluir que a análise de pH. L. para avaliação da formulação. tendo em vista que.ed. Holme. Desta forma. Tradução e revisão Marcia Guekezian et al. A.eletrodo combinado de vidro com um medidor de potencial ou de leitura direta de pH. seja na sua própria determinação quanto na aplicação em outros processos. Porto Alegre. RUSSEL John B. Química Geral Aplicada à Engenharia. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. Química geral. Esta monitoração do pH passa pela análise da água para produção e análise. técnicas e análises.S. Brown. apresenta seu espaço e importância fundamental. P. 2. 2001. Pearson Makron Books. Cengage Learning. Ed. 23 . CONCLUSÃO A avaliação do pH nas área relacionadas à indústria farmacêutica apresenta grande importância. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. para condição do método de análise e também na avaliação do produto para diferentes faixas de pH principalmente para formulações líquidas e semi-sólidas. 3º ed. Bookman. Ed. Jones. SP . São Paulo. 3. São Paulo. apesar de ser uma técnica simples comparada a outros métodos para determinação de outras propriedades dos fármacos e medicamentos.. 2. 4. desde o desenvolvimento do sal do fármaco a ser usado no produto e características de solubilidade do fármaco até a fase final de análise e estudo de estabilidade do medicamento o pH é sempre monitorado. ATKINS. 2006. T. 3.

Corrêa. BICA. Pina.D. Veiga. Princípios de Análise Instrumental. J. C. 798-801. 38. Teixeira Acta farmacéutica bonaerense.A. D. Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica. G. Tratamento de água na indústria farmacêutica. acessado em 25/11/2010. 2002. Thomas. C. 7. BARRETO. EDUSP.org/publications/cd/medicinal_chemistry/.J. T. C. 85. Microchem. H. 2010. 3.Nieman. Veiga. 42. Prestes. Denney. C. R.injectaveis. 1. Vogel – Análise Química Quantitativa. Skoog. F. Florence. Principios Fisico-Químicos em Farmácia.iupac. A. F. Farm. J. LEF. Airoldi. Collins. 2009. Figueiredo. I. Rev. acessado em 25/11/2010. Caramona. 5. sexta edição. Universidade de São Paulo. F. http://www. R. A. Campos.A. M. Silva. FARINHA. M. Sistemas de classificação biofarmacêutica. Bookman Companhia Editora. 11.com/estabilidade. M. Catálogo Metrohm 2009. O. Barnes. V. 150. Jardim. 12. 2003. E.32.J. 25/11/2010. Básica Apl. http://www. 10.racine. A. Dep. Silva. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences. Rama. B. Rev.. 13. D. A. F. 2005 205-210. J. 18. Bras. Gibbon. T. Fronza. 2004. M. C. Farm. Moro. Froehlich. 6. H. Mendham. 2002.. 2002. www. Porto Alegre. 48-61. 2002. Sousa. Gasparotto. R. C. 16. p. A. M. 9. Montagner. Dissertação de mestrado. A.M.br/portal-racine/setor-industrial/instalacoes-eprojetos-industriais/sistemas-de-tratamento-de-agua-para-usofarmaceutico. D. 8. C. da Silva Martins.4. S. Faculdade de Ciências Farmacêuticas. A. Bol. R. Attwood. A. Curso de Tecnologia Químico-Farmacêutica. E. Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences. A.2-10. D.K. 15. I. 2006. 2006. 17. Manadas. M. S. Nova acessado em 33. Ciênc. 69-72. 375-399. Rio de Janeiro. Quim. v. T. 14.C. 82. 26. 23. P.com. T.html. 24 . H. 19. Holler. quinta edição. Lisboa. F. Lansarin. Livros Técnicos e Científicos Editora S. 2004. R.

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