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Rescisao Do Contrato de Trabalho Sistema Homo Log Net

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Novembro/2010

Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet

Dra. Valéria de Souza Telles

RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO
AVISO PRÉVIO Finalidade – Prazo A finalidade do aviso prévio é dar condições ao empregado para encontrar nova colocação, quando dispensado sem justa causa. No caso de o empregado pedir demissão, terá por fim dar ao empregador a oportunidade para contratar outro empregado para o cargo. A comunicação deve ser feita com antecedência mínima de 30 dias, tanto no caso de dispensa sem justa causa como no de pedido de demissão (CLT, art. 487 c/c CF art. 7º, inciso XXI). Este prazo pode ser maior caso haja previsão em acordo, convenção ou dissídio coletivo de trabalho. Aviso prévio trabalhado Neste caso o empregado trabalha normalmente durante o prazo do aviso prévio, tenha ele sido dado pelo empregado ou pelo empregador. Redução da jornada Na dispensa sem justa causa, a duração da jornada de trabalho do empregado, durante o aviso prévio, é reduzida em duas horas, diariamente, sem prejuízo do salário integral. O empregado também pode optar por ausentar-se do trabalho por 7 (sete) dias corridos. Não há que se falar em redução da jornada de trabalho no período do aviso prévio dado pelo empregado ao empregador (pedido de demissão). Aviso prévio indenizado Rescisão por iniciativa do empregador (dispensa sem justa causa) O empregador que dispensa o empregado sem justa causa, e não concede o aviso prévio trabalhado, deverá indenizá-lo no valor correspondente. A data da baixa na CTPS será o último dia trabalhado.

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O prazo do aviso prévio concedido pelo empregador, ainda que não trabalhado (indenizado) integra o tempo de serviço do empregado para todos os efeitos legais. Rescisão por iniciativa do empregado (pedido de demissão) Caso o empregado peça demissão e não queira cumprir o aviso prévio, terá o desconto do valor correspondente nas verbas rescisórias. A data da baixa na CTPS será o último dia trabalhado. Neste caso o período do aviso prévio não é computado como tempo de serviço. Aviso Prévio “cumprido em casa” Quanto a esta modalidade de aviso prévio, não há qualquer previsão legal, pois o aviso prévio ou é cumprido pelo empregado (trabalhando normalmente) ou é indenizado, seja este último devido pelo empregador ou pelo empregado. Contudo, a Jurisprudência trabalhista, diante da realidade dessa forma de aviso tem se manifestado, em sua maioria, não só pela possibilidade do aviso prévio cumprido em casa, como tem determinado que o pagamento das verbas rescisórias, nessa forma de aviso, seja efetuado no prazo de 10 dias contados da data em que houve a concessão do aviso prévio e não no 1º dia útil imediatamente posterior ao término dos 30 dias do aviso. A IN nº 15/10 do Ministério do Trabalho, que estabelece procedimentos para assistência ao empregado na rescisão de contrato de trabalho, dispõe que esse tipo de aviso prévio equipara-se ao aviso prévio indenizado. Remuneração O valor a ser pago a título de aviso prévio trabalhado ou indenizado corresponde à remuneração do respectivo período. Exemplo Salário fixo do empregado = R$ 600,00 Aviso prévio = R$ 600,00 Salário pago por comissão a) Aviso prévio indenizado: média das comissões recebidas nos últimos 12 meses de serviço, ou para empregados com menos de 1 ano de serviço, a
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média das comissões referir-se-á aos meses trabalhados até o mês da rescisão. Exemplo: Empregado foi dispensado em 04 de maio de 2009 com salário à base de comissões. Mês/Ano Maio/08 Junho/08 Julho/08 Agosto/08 Setembro/08 Outubro/08 Novembro/08 Dezembro/08 Janeiro/09 Fevereiro/09 Março/09 Abril/09 Total Comissões recebidas R$ 800,00 R$ 600,00 R$ 700,00 R$ 550,00 R$ 750,00 R$ 850,00 R$ 1.100,00 R$ 1.300,00 R$ 1.350,00 R$ 1.400,00 R$ 1.600,00 R$ 1.800,00 R$ 12.800,00

Média: R$ 1.066,67 (R$ 12.800,00 ÷ 12) Aviso prévio indenizado = R$ 1.066,67 No valor das comissões já está computado o valor do RSR. Pode haver, por determinação de acordo ou convenção coletiva, a correção das comissões ou prazo inferior para a apuração da média. b) Aviso prévio trabalhado: o empregado recebe as comissões correspondentes às vendas efetuadas durante o aviso prévio, computada a integração das comissões na redução temporal (2 horas/dia ou 7 dias corridos), mais o RSR a ser apurado sobre as comissões. Para remunerar o período de redução considera-se a média das comissões dos último 12 meses, ou da admissão até a rescisão (o empregado com menos de um ano de trabalho). Da média, calcula-se o valor hora ou valor dia, para remunerar as duas horas ou os sete dias, respectivamente. Salário pago por tarefa
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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet a) Aviso prévio indenizado

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Realiza-se a média das tarefas produzidas nos últimos 12 meses ou da data da admissão à rescisão contratual (com inclusão do RSR). b) Aviso prévio trabalhado O tarefeiro recebe o valor correspondente às tarefas produzidas durante o aviso prévio, computada a integração das tarefas na redução temporal do mesmo, mais o RSR a ser apurado sobre as tarefas. Nota: “Art. 487...................................................................................................................... Parágrafo 6º - O reajustamento salarial coletivo, determinado no curso do aviso prévio, beneficia o empregado pré-avisado da despedida, mesmo que tenha recebido antecipadamente os salários correspondentes ao período do aviso, que integra o seu tempo de serviço para todos os efeitos legais“. Horas extras As horas extras habituais integram o aviso prévio indenizado Para o cálculo da integração considera-se a média das horas extras (quantidade) dos últimos 12 meses ou da data da admissão à rescisão. Auxílio doença – aviso prévio – efeitos O auxílio-doença é causa que suspende o contrato de trabalho. No entanto, a suspensão só ocorre a contar do 16º dia de afastamento, pois os primeiros 15 dias são pagos pela empresa, o que caracteriza a interrupção do contrato. Quando o empregado se afasta por motivo de auxílio-doença, tem seu contrato de trabalho suspenso e, em conseqüência, também a contagem do período do aviso prévio. Todavia, os 15 primeiros dias, os quais são pagos pela empresa, são considerados para efeito da referida contagem por tratar-se de simples interrupção do contrato. Se, considerando os 15 primeiros dias, ainda não estiver completo o período do aviso prévio, este ficará suspenso, devendo o empregado, após obter alta do órgão previdenciário, completar os dias faltantes.

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet C0NSIDERAÇÕES ESPECIAIS Décimo Terceiro Salário

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É devido em todos os casos de rescisão contratual, salvo justa causa e culpa recíproca. Para o cálculo da proporcionalidade considera-se mês integral a fração igual ou superior a 15 dias de trabalho dentro do mês civil. Férias É devido o pagamento correspondente às férias vencidas, não gozadas na vigência do contrato acrescida de 1/3 da Constituição Federal, na rescisão contratual, qualquer que seja o motivo. As férias proporcionais são devidas: a) quando o empregado tiver menos de um ano de empresa – na dispensa sem justa causa, extinção normal do contrato a prazo, rescisão antecipada pelo empregador de contrato a prazo; b) quando o empregado tiver mais de um ano na empresa – pedido de demissão, dispensa sem justa causa, extinção normal do contrato a prazo e falecimento. A proporcionalidade é calculada à razão de 1/12 do salário, por mês de serviço ou fração igual ou superior a 15 dias, contados do início do período aquisitivo, e não dentro do mês civil. Para a obtenção da média da remuneração variável em férias proporcionais apura-se a média do número de meses a que se refere o período incompleto de férias e, posteriormente, calcula-se a remuneração proporcional. Aplica-se a referida regra às parcelas variáveis em geral, tais como tarefas, comissões, percentagens, viagens, horas extras, horas noturnas, etc.. FGTS (Lei nº 9.491/97) Desde 27 de setembro de 2001, por força da Lei Complementar nº 110, empregador obriga-se a efetuar o depósito referente ao FGTS do mês da rescisão e do mês imediatamente anterior, ainda não recolhido, e quando for o caso, da importância igual a 40% (quarenta por cento) sobre o montante de todos os depósitos devidos na conta vinculada do FGTS, durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. Na culpa recíproca o percentual é de 20%, em ambos os casos acrescidos de 10% para a Contribuição Social, a serem recolhidas na GRRF - Guia de Recolhimento Rescisório
do FGTS
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Aplica-se a regra (depósitos rescisórios) na dispensa sem justa causa, rescisão indireta, dispensa por culpa recíproca, força maior, extinção normal de contrato a termo, rescisão antecipada pelo empregador de contrato a prazo. INDENIZAÇÃO ADICIONAL É devida ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede a data de sua correção salarial. O valor corresponde ao salário do empregado, acrescido dos adicionais legais e convencionais (Súmula TST nº 242). Aviso prévio trabalhado Ocorrendo rescisão do contrato de trabalho com Aviso Prévio Trabalhado, somente será devida a indenização se o último dia do aviso recair no período de 30 dias que antecede a data base. Com direito a indenização (APT) Empregado comunicado da dispensa .................................. 14/04 Data base................................................................................1º/06 Período que antecede a data base ...........................de 02 a 31/05 APT ......................................................................de 15/04 a 14/05 Sem direito a indenização (APT) Empregado comunicado da dispensa .................................. 1º/04

Data base...................................................................................1º/06 Período de 30 dias que antecede a data base ............de 02 a 31/05 APT .........................................................................de 02/04 a 1º/05 Aviso prévio indenizado Com direito a indenização Empregado comunicado da dispensa ..................................14/04 Data base ..............................................................................1º/06 Período de 30 dias que antecede a data base........ de 02 a 31/05
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Projeção do API...................................................de 15/05 a 14/05 RESCISÃO FRAUDULENTA (PORTARIA Nº 384/92) O empregado que é dispensado sem justa causa, somente poderá ser readmitido dentro de 90 (noventa) dias, sob pena de presunção de caracterização como fraude ao regime do FGTS.

DIREITOS DO TRABALHADOR NAS DIVERSAS MODALIDADES DE RESCISÃO CONTRATUAL
1) Dispensa Sem Justa Causa Com menos de um ano saldo de salário; aviso prévio férias proporcionais + 1/3 constitucional; 13º salário; FGTS + 40%.

Com mais de um ano saldo de salário; aviso prévio; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; férias vencidas + 1/3 Constitucional; 13º salário; FGTS + 40%.

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet 2) Dispensa Com Justa Causa Com menos de um ano saldo de salário

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Com mais de um ano saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional

3) Rescisão Indireta Com menos de um ano saldo de salário; aviso prévio; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; FGTS + 40%.

Com mais de um ano saldo de salário; aviso prévio; férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; FGTS + 40%

4) Culpa Recíproca Com menos de um ano saldo de salário;
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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet FGTS + 20%; 50% aviso prévio; 50% décimo terceiro; 50% férias proporcionais + 1/3 Constitucional.

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Com mais de um ano saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional; FGTS + 20%; 50% aviso prévio; 50% décimo terceiro; 50% férias proporcionais + 1/3 Constitucional.

5) Pedido de Demissão Com menos de um ano saldo de salário; 13º salário; férias proporcionais + 1/3 Constitucional.

Com mais de um ano saldo de salário férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário.

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6) Rescisão Antecipada de Contrato a Prazo Determinado sem Justa Causa (Regido pelo Artigo 479 da CLT) Com menos de um ano saldo de salário; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; indenização art. 479; FGTS + 40%.

Com mais de um ano saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; indenização art. 479; FGTS + 40%.

7) Rescisão de Contrato a Prazo Determinado com Justa Causa (Regido pelo Art. 479 da CLT). Com menos de um ano saldo salário

Com mais de um ano (até 2 anos) saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional

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8) Rescisão Antecipada de Contrato a Prazo Determinado por Pedido de Demissão (Regido pelo Art. 479 da CLT). Com menos de um ano saldo de salário; 13º salário; férias proporcionais + 1/3 Constitucional.

Com mais de um ano saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário.

9) Rescisão Antecipada de Contrato a Prazo Determinado sem Justa Causa (Regido pelo Art 481 da CLT) Com menos de um ano saldo de salário; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; aviso prévio; FGTS + 40%

Com mais de um ano saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário;
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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet aviso prévio; FGTS + 40%.

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10) Rescisão Antecipada de Contrato a Prazo Determinado por Pedido de Demissão (Regido pelo Art. 481 da CLT) Com menos de um ano saldo de salário; 13º salário; férias proporcionais + 1/3 Constitucional.

Com mais de um ano saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário.

11) Extinção do Contrato por Falecimento do Empregado Com menos de um ano saldo de salário; 13º salário; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; FGTS – Código 23

Com mais de um ano saldo de salário; 13º salário; FGTS/Código 23;

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional.

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12) Extinção do Contrato por Fechamento da Empresa Com menos de um ano saldo de salário; aviso prévio férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; FGTS + 40%

Com mais de um ano saldo de salário; aviso prévio; férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13 salário; FGTS + 40%.

13) Extinção de Contrato a Prazo Determinado (Inclusive Contrato de Experiência) Com menos de um ano saldo de salário; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; FGTS

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Com mais de um ano saldo de salário; férias vencidas + 1/3 Constitucional; férias proporcionais + 1/3 Constitucional; 13º salário; FGTS

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ASSISTÊNCIA AO EMPREGADO NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO (HOMOLOGAÇÃO)
Objetivo Orientar e esclarecer empregado e empregador acerca do cumprimento da lei, bem como zelar pelo efetivo pagamento das parcelas rescisórias. Obrigatoriedade A assistência ao empregado será devida: a) na rescisão do contrato de trabalho firmado há mais de 01 (um) ano; b) quando o cômputo do aviso prévio indenizado resultar em mais de um ano de serviço; e c) na hipótese de aposentadoria em que ocorra rescisão de contrato de trabalho que se enquadre nos itens acima. Conta-se o prazo de um ano e um dia de trabalho, incluindo-se o dia em que se iniciou a prestação do trabalho. Inaplicabilidade Não é devida a assistência à rescisão de contrato de trabalho em que figurem a União, os Estados, os Municípios, suas autarquias e fundações de direito público que não explorem atividades econômica, bem como empregador doméstico, ainda que optante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

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Competência para a Prestação da Assistência na Rescisão São competentes para prestar a assistência ao empregado na rescisão do contrato de trabalho: a) o sindicato profissional da categoria do local onde o empregado trabalhou; b) a federação que represente categoria inorganizada; c) o servidor público em exercício no órgão local do MTE, capacitado e cadastrado como assistente no Homolognet; e d) na ausência dos órgãos citados nos itens acima, o representante do Ministério Público ou o Defensor Público e, na falta ou impedimentos destes, o Juiz de Paz. Atendimento em Circunscrição Diversa do Local da Prestação de Serviço Possibilidade O empregado poderá, em função da proximidade territorial, ser assistido em circunscrição diversa do local da prestação dos serviços ou da celebração do contrato de trabalho, desde que autorizadas por ato conjunto dos respectivos Superintendentes Regionais do Trabalho e Emprego. Prazos para a Formalização da Rescisão Assistida Ressalvada disposição mais favorável prevista em convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, a formalização da rescisão assistida, bem como o pagamento das verbas rescisórias, não poderão exceder: a) até o 1º dia útil imediato ao término do contrato; ou b) até o 10º dia contado da data da notificação da demissão, no caso de ausência de aviso prévio, indenização deste ou dispensa do seu cumprimento. Se o dia do vencimento recair em sábado, domingo ou feriado, o pagamento poderá ser feito no próximo dia útil. Pagamento O pagamento das verbas rescisórias constantes do TRCT será efetuado no ato da assistência, em dinheiro ou em cheque administrativo. É facultada, entretanto, a comprovação do pagamento por meio de: a) transferência eletrônica disponível;
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b) depósito bancário em conta corrente do empregado ou poupança, facultada a utilização da conta não movimentável conta salário; c) ordem bancária de pagamento ou ordem bancária de crédito. Desde que: a) o estabelecimento bancário esteja situado na mesma cidade do local de trabalho; b) o trabalhador tenha sido informado da forma do pagamento e os valores a serem disponibilizados para saque; e c) os valores tenham sido efetivamente disponibilizados para saque nos prazos legais. Ao empregado não alfabetizado, o pagamento das verbas rescisórias somente será realizado em dinheiro. Mora do Empregador - Constituição O pagamento das verbas rescisórias em valores inferiores aos previstos na legislação ou nos instrumentos coletivos constitui mora do empregador, salvo se houver quitação das diferenças no prazo legal. Multa O empregador que descumpre o prazo para o pagamento da rescisão contratual, fica obrigado ao pagamento de multa, a favor do empregado, no valor igual ao seu salário e, também, a uma multa administrativa em importância igual a 160 UFIR por empregado, ressalvado os casos de comprovação de que o atraso se deu por culpa do empregado. Pagamento Complementar de Valores Rescisórios O pagamento complementar de valores rescisórios, quando decorrente de reajuste coletivo de salários (data-base) determinado no curso do aviso prévio, ainda que indenizado, não configura mora do empregador, nos termos do art. 487, parágrafo 6º, da CLT. Rescisão Contratual - Circunstâncias Impeditivas Por ocasião da assistência, serão verificadas as seguintes circunstâncias impeditivas da rescisão contratual arbitrária ou sem justa causa:
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a) gravidez da empregada, desde a sua confirmação até 05 (cinco) meses após o parto; b) candidatura do empregado para o cargo de direção de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA), desde o registro da candidatura e, se eleito, ainda que suplente, até 01 (um) ano após o final do mandato; c) candidatura do empregado sindicalizado a cargo de direção ou representação sindical, desde o registro da candidatura e, se eleito, ainda que suplente, até 01 (um) ano após o final do mandato; d) garantia de emprego dos representantes dos empregados-membros, titulares ou suplentes, de Comissão de Conciliação Prévia (CCP), instituída no âmbito da empresa, até 01 (um) ano após o final do mandato; e) demais garantias de emprego decorrentes de lei, convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; e f) suspensão contratual, exceto na hipótese prevista no § 5º do art. 476-A da CLT (curso ou programa de qualificação profissional); g) irregularidade da representação das partes; h) insuficiência de documentos ou incorreção não sanável; i) falta de comprovação do pagamento das verbas devidas; j) atestado de saúde ocupacional – ASO com declaração de inaptidão; e l) a constatação de fraude. Não-Pagamento de Verbas Rescisórias – Impedimento para a Homologação É vedada a homologação de rescisão contratual que vise, tão somente, ao saque de FGTS e à habilitação ao Seguro-Desemprego, quando não houver o pagamento das verbas rescisórias devidas. Aviso Prévio - Integração ao Tempo de Serviço O aviso prévio, inclusive quando indenizado, integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais. Se o cômputo do aviso prévio indenizado resultar em mais de 01 (um) ano de serviço do empregado, é devida a assistência à rescisão.
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O prazo de 30 dias, correspondente ao aviso prévio, conta-se a partir do dia útil seguinte ao da comunicação, que deverá ser formalizado por escrito. Havendo cumprimento parcial de aviso prévio, o prazo para pagamento das verbas rescisórias ao empregado será de 10 dias contados a partir da dispensa do cumprimento, desde que não ocorra primeiro o termo final do aviso prévio. O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado, e o pedido de dispensa de seu cumprimento não exime o empregador de pagar o valor respectivo, salvo comprovação de haver o trabalhador obtido novo emprego. É incompatível, portanto, inválida a concessão do aviso prévio na fluência de garantia de emprego ou férias. Se o empregado optar for faltar 7 dias corridos, ao invés da redução de 2 horas diárias, a data de saída será a do termo final do aviso prévio. Presença das Partes O ato de assistência à rescisão contratual somente será praticado na presença do empregado e do empregador. Tratando-se de empregado menor, também serão obrigatórias a presença e a assinatura de seu representante legal no Termo de Homologação, exceto para os emancipados nos termos da lei civil. Representação O empregador poderá ser representado por preposto, assim designado em carta de preposição na qual haja referência à rescisão a ser homologada. O empregado poderá ser representado, também, por procurador legalmente constituído, com poderes expressos para receber e dar quitação. No caso de morte do empregado, a assistência na rescisão contratual será prestada aos beneficiários habilitados perante o órgão previdenciário, reconhecidos judicialmente ou previstos em escritura pública lavrada nos termos do art. 982 do Código de Processo Civil, desde que dela constem os dados necessários à identificação do beneficiário e à comprovação do direito, conforme o art. 21 da Resolução no 35, de 24 de abril de 2007, do Conselho Nacional de Justiça, e o art. 2o do Decreto no 85.845, de 26 de março de 1981. Documentos Necessários Os documentos necessários à assistência à rescisão contratual são:
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a) Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho (TRCT), em 4 vias; b) Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), com as anotações atualizadas; c) Livro ou Ficha de Registro de Empregados; d) notificação de demissão, comprovante de aviso prévio ou pedido de demissão; d) cópia da convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa aplicáveis; e) extrato analítico atualizado da conta vinculada do empregado no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e guias de recolhimento dos meses que não constem no extrato; f) guia de recolhimento rescisório do FGTS e da Contribuição Social, nas hipóteses do art. 18 da Lei nº 8.036/90 e do art. 1º da Lei Complementar nº 110/2001; g) Comunicação da Dispensa (CD) e Requerimento do Seguro-Desemprego, nas rescisões sem justa causa; h) Atestado de Saúde Ocupacional Demissional, ou Periódico, quando no prazo de validade, atendidas as formalidades especificadas na Norma Regulamentadora nº 7, aprovada pela Portaria MTb nº 3.214/78, e alterações; i) documento que comprove a legitimidade do representante da empresa; j) prova bancária de quitação, quando for o caso. l) carta de preposto e instrumentos de mandato que serão arquivados no órgão local do MTE que efetuou a assistência juntamente com cópia do Termo de Homologação; m) o número de registro ou cópia do instrumento coletivo de trabalho aplicável; e n) outros documentos necessários para dirimir dúvidas referentes à rescisão ou ao contrato de trabalho. Aviso Prévio Indenizado - Anotações Quando o aviso prévio for indenizado, a data da saída a ser anotada na CTPS deverá ser:
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I - na página relativa ao Contrato de Trabalho, a do último dia da data projetada para o aviso prévio indenizado; e II - na página relativa às Anotações Gerais, a data do último dia efetivamente trabalhado. III - no TRCT, a data de afastamento a ser consignada será a do último dia efetivamente trabalhado. Parcela indenizatórias – Contrato por prazo determinado Nos contratos a prazo determinado previstos na CLT, o empregador que dispensar o empregado sem justa causa será obrigado a pagar-lhe, a título indenizatório, e por metade, a remuneração a que teria direito até o término do contrato, nos termos do art. 479 da CLT. Havendo nos referidos contratos cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antecipada, desde que executada, caberá o pagamento do aviso prévio de, no máximo, 30 dias. Multa de 40% sobre os depósitos do FGTS É devido o recolhimento da multa de 40% sobre os depósitos do FGTS, nos termos do art. 14 do Decreto nº 99.684/90, rescisão antecipada do contrato a prazo determinado, realizada sem justa causa por iniciativa do empregador e independentemente da existência da cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antecipada. Homologação - Concordância do Empregado Apresentados todos os documentos necessários, o assistente não poderá deixar de homologar a rescisão quando o empregado com ela concordar. O assistente esclarecerá as partes que: a) a homologação de rescisão por justa causa não implica a concordância do trabalhador com os motivos ensejadores da dispensa; e b) a quitação do empregado na rescisão contratual refere-se tão somente ao exato valor de cada verba especificada no TRCT. TRCT – Vias – Destinação Homologada a rescisão contratual e assinadas pelas partes, as vias do TRCT terão a seguinte destinação:
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a) as 03 (três) primeiras vias para o empregado, sendo uma para sua documentação pessoal e as outras duas para movimentação do FGTS; b) a 4ª via para o empregador, para arquivo. SISTEMA HOMOLOGNET Obrigatoriedade e uso Gradual A utilização do HomologNet é facultativa. Nas rescisões contratuais sem necessidade de assistência e homologação, bem como naquelas em que não for utilizado o HomologNet, será utilizado o TRCT previsto no Anexo I da Portaria nº 1.621/10. É permitida a utilização do TRCT aprovado pela Portaria SRT nº 302/2002, até o dia 31/12/2010. O Sistema Homolognet, instituído pela Portaria nº 1.620/10, será utilizado gradualmente, conforme sua implantação nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego, Gerências Regionais do Trabalho e Emprego e Agências Regionais. Nas rescisões contratuais em que não for adotado o Homolognet, será utilizado o Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho - TRCT previsto no Anexo I da Portaria nº 1.621/10. Quando for adotado o Homolognet, serão utilizados os seguintes documentos: I - Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, previsto no Anexo II da Portaria nº 1.621/10; II - Termo de Homologação sem ressalvas, previsto no Anexo III da Portaria nº 1.621/10; III - Termo de Homologação com ressalvas, previsto no Anexo IV da Portaria nº 1.621/10; IV - Termo de Comparecimento de uma das partes; V - Termo de Comparecimento de ambas as partes, sem homologação da rescisão em face de discordância quanto aos valores constantes no TRCT; e VI - Termo de Compromisso de Retificação do TRCT.
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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Cadastro

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Para o empregador utilizar o Homolognet, deverá acessar o Sistema por meio do site do MTE na internet cadastrar-se previamente e: I - incluir os dados relativos ao contrato de trabalho e demais dados solicitados pelo Sistema; II - verificar a necessidade de agendamento da homologação com o órgão local do MTE; e III - dirigir-se ao órgão local do MTE, munido dos documentos necessários à homologação. Procedimentos do Assistente Diante das partes, cabe ao assistente: I - questionar o empregado e confirmar a veracidade dos dados contidos no TRCT; II - esclarecer às partes que: a) a homologação de rescisão por justa causa não implica a concordância do empregado com os motivos ensejadores da dispensa; e b) a quitação do empregado refere-se somente ao exato valor de cada verba especificada no TRCT. III – verificar a) b) c) d) e) f) g) h) i) a existência de dados não lançados no TRCT; a regularidade da representação das partes; a existência de causas impeditivas à rescisão; a observância dos prazos legais ou, em hipóteses mais favoráveis, dos prazos previstos em convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; a regularidade dos documentos apresentados; a correção das informações prestadas pelo empregador; o efetivo pagamento das verbas devidas; o efetivo recolhimento dos valores a título de FGTS e de Contribuição Social, devidos na vigência do contrato de trabalho; o efetivo pagamento, na rescisão sem justa causa, da indenização do FGTS, na alíquota de 40% (quarenta por cento), e da Contribuição Social, na alíquota de 10% (dez por cento), incidentes sobre o montante de todos os depósitos de FGTS devidos na vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros remuneratórios, não se deduzindo, para o cálculo, saques ocorridos; e
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j) indícios de qualquer tipo de fraude, especialmente a rescisão contratual que vise somente ao saque de FGTS e à habilitação ao Seguro-Desemprego. Incorreções ou Omissões Se referente a parcelas, o assistente deve solucionar a falta ou a controvérsia, por meio de orientação e esclarecimento às partes. Termo de Compromisso de Retificação do TRCT. Quando tratar-se de dados do contrato de trabalho o TRCT deverá ser retificado pelo empregador, e o assistente deverá lavrar o Termo de Compromisso de Retificação do TRCT. Tais dados poderão ser os referentes a categoria profissional, causa de afastamento, data de admissão e afastamento, percentual de pensão alimentícia a ser retida na rescisão, data do aviso-prévio, etc. Caso não sejam sanadas, o assistente deve comunicar o fato ao setor de fiscalização do trabalho do órgão para as devidas providências. Ressalvas Se houver a concordância do empregado, a incorreção de parcelas ou valores lançados no TRCT não impede a homologação da rescisão, devendo o assistente consignar as devidas ressalvas no Homolognet, que serão: I - parcelas e complementos não pagos e não constantes do TRCT; II - matéria não solucionada; III - a expressa concordância do empregado em formalizar a homologação; e IV - quaisquer fatos relevantes responsabilidades do assistente. Impressão do TRCT Na hipótese de correção dos dados ou de ressalva, será impresso o Termo de Homologação gerado pelo Homolognet, que deverá ser assinado pelas partes ou seus prepostos e pelo assistente. para assegurar direitos e prevenir

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Termo de Comparecimento

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Não comparecendo uma das partes, ou na falta de homologação da rescisão, no caso de discordância quanto aos valores, o assistente emitirá os Termos de Comparecimento gerados pelo Homolognet. Disposições Gerais A assistência prestada nas homologações de rescisões de contrato sem utilização do Homolognet obedecerá, no que couber, ao disposto da Instrução Normativa nº 15/10, devendo ser observado: I - o servidor público em exercício no órgão local do MTE, mediante ato próprio do Superintendente Regional do Trabalho e Emprego, ficará autorizado a prestar assistência na rescisão do contrato de trabalho; II - em caso de incorreção de parcelas ou valores lançados no TRCT, o assistente deverá consignar as devidas ressalvas no verso; III - é obrigatória a apresentação do demonstrativo de parcelas variáveis consideradas para fins de cálculo dos valores devidos na rescisão contratual e de cópia do instrumento coletivo aplicável; IV - o assistente deverá conferir manualmente os valores das verbas rescisórias. SEGURO DESEMPREGO Finalidade O seguro-desemprego tem por finalidade prover assistência financeira temporária ao trabalhador desempregado e auxiliá-lo na busca ou preservação do emprego, promovendo, para tanto, ações integradas de orientação, recolocação e qualificação. Habilitação O benefício é devido ao trabalhador desempregado sem justa causa, inclusive por rescisão indireta, que comprove: a) ter recebido salários de pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada, relativos a cada um dos 06 (seis) meses imediatamente anteriores à data da dispensa; b) ter sido empregado de pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada ou ter exercido atividade legalmente reconhecida como autônoma durante pelo menos 06 (seis) meses nos últimos 36 (trinta e seis) meses;
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c) não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário de prestação continuada previsto no Regulamento dos Benefícios da Previdência Social, excetuados o auxílio-acidente e a pensão por morte; d) não possuir renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua família. Nota: Considera-se mês de atividade a fração igual ou superior a 15 dias; O aviso prévio indenizado deve ser computado como tempo de serviço para essa contagem. Não tem Direito ao Recebimento do Seguro-Desemprego a) Empregado dispensado no término do contrato de experiência e de prazo determinado; b) Empregado doméstico, exceto se optante pelo FGTS; c) Estagiário d) Servidor público, civil e militar; e) Empregados que aderiram ao plano de demissão voluntária. Número de Parcelas O seguro-desemprego é concedido ao trabalhador desempregado por um período máximo variável de 03 (três) a 05 (cinco) meses, de forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo de 16 (dezesseis) meses, observando-se a seguinte relação: a) 03 (três) parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada de no mínimo 06 (seis) meses e no máximo 11 (onze) meses, nos últimos 36 (trinta e seis) meses; b) 04 (quatro) parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada de no mínimo 12 (doze) meses e no máximo 23 (vinte e três) meses no período de referência; c) 05 (cinco) parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada de no mínimo 24 (vinte e quatro) meses no período de referência.
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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Período Aquisitivo

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O período aquisitivo de 16 (dezesseis) meses é contado da data de dispensa que deu origem à última habilitação, não podendo ser interrompido quando a concessão do benefício estiver em curso. A primeira dispensa que habilitar o trabalhador determinará o número de parcelas a que terá direito no período aquisitivo. Documentos Necessários para Requerer o Benefício a) Carteira de Identidade; b) Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS); c) Documento de identificação no Programa de Integração Social (PIS) ou Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP); d) Requerimento do Seguro-Desemprego (RSD) e Comunicação de Dispensa (CD): e) Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT), homologado quando o período de vínculo for superior a 01 (um) ano; f) Documento de levantamento dos depósitos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço ou extrato comprobatório dos depósitos. Obrigações do Empregador e do Trabalhador – Requerimento – Prazo O empregador fica obrigado a fornecer ao empregado dispensado sem justa causa, formulário preenchido do Requerimento do Seguro-Desemprego (RSD), com a comunicação de dispensa (CD), nos quais devem constar todas as informações necessárias da Carteira de Trabalho e Previdência Social e dos demais documentos comprobatórios à habilitação do seguro-desemprego. Para requerer o benefício o trabalhador terá o prazo de 07 (sete) a 120 (cento e vinte) dias, contados a partir da data de sua dispensa. A empresa poderá utilizar formulário de sistema de processamento de dados próprio ou contratado, desde que autorizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mediante requerimento próprio encaminhado à Secretaria de Políticas de Emprego e Salário.

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Suspensão do Benefício

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O pagamento do benefício do seguro-desemprego será suspenso nas seguintes situações: a) admissão do trabalhador em novo emprego; b) início de percepção de benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto auxílio-acidente e pensão por morte. Assegura-se ao trabalhador o direito ao recebimento do benefício e/ou retomada do saldo de parcelas quando ocorrer a suspensão motivada por reemprego em contrato temporário, experiência, tempo determinado, desde que o motivo da dispensa não seja a pedido ou por justa causa e o término do contrato ocorra dentro do mesmo período aquisitivo. Cancelamento do Benefício O cancelamento do benefício do seguro-desemprego dar-se-á nos seguintes casos: a) pela recusa, por parte do trabalhador desempregado, de outro emprego condizente com sua qualificação e remuneração anterior; b) por comprovação da falsidade na prestação de informações necessárias à habilitação; c) por comprovação de fraude visando a percepção indevida do benefício do seguro-desemprego; d) por morte do segurado.
Nota:

Nas três primeiras situações, o seguro-desemprego será suspenso por 02 (dois) anos, dobrando-se este prazo em caso de reincidência. Parcelas Recebidas Indevidamente - Devolução De acordo com a Resolução do CODEFAT nº 32/92, as parcelas de segurodesemprego indevidamente recebidas pelos segurados são restituídas mediante depósito em conta do Programa Seguro-Desemprego, na Caixa Econômica Federal (CEF), por meio de instrumento próprio fornecido pelo MTb. O valor a ser restituído corresponde ao valor recebido, corrigido mensalmente pelo INPC/IBGE, e se por qualquer motivo, o mencionado índice for extinto ou não
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divulgado oficialmente em tempo hábil, o seu sucedâneo provisório,a partir de maio/92, passou a ser o IPC/FIPE. Anotação na CTPS O empregador deve anotar na CTPS do empregado, ao efetuar a rescisão do contrato de trabalho por dispensa sem justa causa ou por paralisação total ou parcial de suas atividades, além de outros elementos necessários, o número da Comunicação de Dispensa (CD) referente ao trabalhador dispensado.

Tabela para Cálculo do Benefício do Seguro-Desemprego Calcula-se o valor do salário médio dos últimos três meses trabalhados e aplica a tabela a seguir:

FAIXAS DE SALÁRIO MÉDIO

VALOR DA PARCELA

Até

R$ 841,88

Multiplica-se o salário médio por 0,8 (80%)

Mais de Até Acima de

R$ 841,89 R$ 1.403,28 R$ 1.403,28

O que exceder a 841,89 multiplica-se por 0.5 (50%) e soma-se a 673,51

O valor da parcela será de R$ 954,21 invariavelmente

A parcela não poderá ser inferior a um salário mínimo, atualmente R$ 510,00. Recebimento pelos Dependentes Habilitados O seguro-desemprego é pessoal e intransferível, salvo nos casos de:
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a) morte do segurado, para efeito de recebimento das parcelas vencidas, quando será pago aos dependentes mediante apresentação de alvará judicial; b) grave moléstia do segurado, comprovada pela perícia médica do INSS, quando será pago ao seu curador ao seu representante legal, na forma admitida pela Previdência Social.

VERBAS RESCISÓRIAS DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO
CONSIDERAÇÕES Os trabalhadores urbanos, rurais e domésticos fazem jus ao 13º salário com base na remuneração integral ou valor da aposentadoria. Para que tenham esse direito, devem possuir fração igual ou superior a 15 (quinze) dias trabalhados em cada mês do ano civil. PRAZO PARA PAGAMENTO A gratificação de natal, popularmente conhecida como 13º salário, deve ser paga em 02 (duas) parcelas, sendo a primeira entre os meses de fevereiro e novembro e a segunda até o dia 20 de dezembro. FALTAS NÃO JUSTIFICADAS Para efeito de pagamento e cálculo do valor da gratificação natalina, é necessário apurar, mês a mês, as faltas não justificadas pelos empregados para verificar se houve pelo menos 15 (quinze) dias de trabalho em cada um deles. Assim, restando em cada mês um saldo de no mínimo 15 (quinze) dias, após o desconto das faltas injustificadas nos respectivos meses, assegura-se aos trabalhadores o recebimento de 1/12 (um doze) avos de 13º salário por mês. 1ª Parcela Admissão até 17 de janeiro, inclusive Empregados com salários fixos Mensalistas, horistas e diaristas recebem metade do salário contratual percebido no mês anterior. Exemplos:
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a) Mensalistas com salário de R$ 510,00 recebe R$ 255,00 510,00 ÷ 2 = R$ 255,00 b) Horistas com salário de R$ 4,80 faz jus à metade de 220 horas (contratado à base de 220h mensais) R$ 4,80 X 220 = 1.056,00 ÷ 2 = R$ 528,00 c) Diarista com salário de R$ 42,00 recebe metade de 30 diárias R$ 42,00 X 30 = 1.260,00 ÷ 2 = R$ 630,00) Empregados com salário variável Recebem a metade da média mensal até o mês anterior (comissionistas, tarefeiros, contratistas e modalidades semelhantes). Para salário variável, sem parte fixa, somam-se as parcelas percebidas mensalmente até o mês anterior ao pagamento, em seguida, divide-se o total pelo número de meses trabalhados, encontrando-se assim, a média mensal. A 1ª parcela do 13º salário corresponde à metade dessa média. Exemplo – comissionista Empregado comissionista (sem parte fixa) recebe, de janeiro a outubro/2009: 2009 Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Total Comissões auferidas R$ 882,07 R$ 647,81 R$ 715,84 R$ 785,40 R$ 874,81 R$ 818,96 R$ 789,44 R$ 847,32 R$ 829,80 R$ 743,55 R$ 7.935,00

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Média mensal R$ 7.935,00 ÷ 10 = R$ 793,50

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Cálculo da 1ª parcela do 13º salário: R$ 793,50 ÷ 2 = R$ 396,75 Exemplo – comissionista com salário misto Para salário misto (fixo + variável), apura-se a média mensal da parte variável e adiciona-se o salário fixo contratual vigente no mês anterior ao pagamento. Logo, para um fixo de 350,00 e comissões de janeiro a outubro, no montante de R$ 1.350,00, temos: R$ 2.350,00 ÷ 10 + R$ 235,00 (média) R$ 235,00 + R$ 350,00 = R$ 585,00 R$ 585,00 ÷ 2 = R$ 292,50 (1ª parcela) Considera-se como parte fixa dos salários mistos o do mês anterior ao do pagamento, e não a média de janeiro a outubro. A média só é utilizada para apuração da parte variável ou da produção. Admissão após 17 de janeiro O salário mensal é estabelecido na forma dos exemplos anteriores. Computa-se, todavia, o período efetivamente trabalhado, atribuindo-se metade de 1/12 da remuneração mensal percebida ou apurada por mês de serviço ou fração igual ou superior a 15 dias (Decreto nº 57.155/65, art. 3º, parágrafo 4º). Exemplo – Mensalistas Empregado admitido em 15 de março com salário de R$ 768,00. 1ª parcela paga em novembro: R$ 768,00 ÷ 12 = R$ 64,00 (1/12) R$ 64,00 x 8 (nº de meses de serviço até outubro) = R$ 512,00 R$ 512,00 ÷ 2 = R$ 256,00

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Exemplo – Comissionista (sem parte fixa) Empregado admitido em 28 de julho: Comissões pagas: Agosto Setembro Outubro Total 815,00 921,00 829,00 2.565,00

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Média das comissões: 2.565,00 ÷ 3 = 855,00 Cálculo da proporcionalidade – 4/12 (agosto a novembro): 855,00 ÷ 12 x 4 = 285,00 Cálculo da 1ª parcela: 285,00 ÷ 2 = 142,50 2ª PARCELA Admissão até 17 de janeiro O pagamento da 2ª parcela deve ser efetuado até o dia 20 de dezembro, deduzindo-se, após o desconto dos encargos legais incidentes, o valor pago referente à 1ª parcela. O valor da 2ª parcela corresponde ao salário do mês dezembro para os mensalistas, horistas e diaristas. Exemplo – Mensalista Empregado mensalista, com salário de R$ 510,00 em outubro, recebe a 1ª parcela do 13º salário em novembro. O valor da 2ª parcela, sabendo-se que o salário vigente em dezembro ficou mantido em R$ 510,00, será:
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-

remuneração em dezembro + R$ 510,00 13º salário integral = R$ 510,00 1ª parcela = R$ 255,00 2ª parcela = R$ 510,00 – R$ 40,80 (INSS) - R$ 255,00 (1ª parcela) = R$ 214,20

Exemplo – Horista (base: 220h mensais) Empregado horista recebe a 1ª parcela do 13º do salário em maio, por ocasião das férias, com salário/hora de R$ 2,26 em abril. O valor da 2ª parcela, sabendose que o salário/hora em dezembro é R$ 2,51, será: 1ª parcela: salário/hora em abril = R$ 3,26 remuneração base = R$ 3,26 x 220 = R$ 717,20 1ª parcela maio = R$ R$ 717,20 ÷ 2 = R$ 358,60

2ª parcela salário/hora em dezembro = R$ 3,51 13º salário integral + R$ 3,51 x 220 = R$ 772,20 2ª parcela = R$ 772,20 - R$ 134,05 (INSS) – R$ 358,60 (1ª parcela) = R$ 280,15

Exemplo – Diarista Empregado diarista recebe a 1ª parcela do 13º salário por ocasião das férias em abril, à razão da remuneração de R$ 32,10 diários vigentes em março. Sabendo-se que em dezembro passa a R$ 37,50 diários, o valor da 2ª parcela será: 1ª parcela salário/dia em março = R$ 32,10 1ª parcela em abril = R$ 32,10 x 30 = 963,00 ÷ 2 = R$ 481,50

2ª parcela salário/dia em dezembro = R$ 37,50 13º salário integral = R$ 37,50 x 30 = R$ 1.125,00 2ª parcela = R$ 1.125,00 – R$ 144,59 (INSS) – R$ 481,50 = R$ 498,91

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Aos trabalhadores que recebem salário variável (Comissões, tarefas, etc.), calcula-se a média mensal das importâncias percebidas de janeiro a novembro. Àqueles que recebem salário misto, calcula-se a média da parte variável percebida de janeiro a novembro, adicionada ao fixo no mês de dezembro. Em resumo, para se apurar a remuneração integral mensal, em todos os casos, usa-se critério idêntico ao utilizado na apuração da remuneração integral mensal para pagamento da 1ª parcela: somar o salário fixo de dezembro à média da parte variável de janeiro a novembro, ou da admissão a novembro. Exemplo – Comissionista Empregado percebe comissões da janeiro a novembro, à média mensal de R$ 350,00. (incluídos os repousos semanais remunerados). A parte fixa é R$ 180,00. O 13º salário a ser pago será de R$ 530,00 (R$ 180,00 + R$ 350,00), menos a quantia eventualmente recebida como 1ª parcela e sujeita a acerto até 10 de janeiro do ano seguinte, em decorrência das comissões de dezembro.

Empregado comissionista recebe comissões de janeiro a junho no valor de R$ 1.496,00. O salário fixo na época é R$ 231,20. Recebe a 1ª parcela do 13º salário, por ocasião das férias, em julho: 1ª parcela total das comissões de janeiro a junho = R$ 1.696,00 média mensal das comissões: R$ 1.696,00 ÷ 6 = R$ 282,66 R$ 282,66 + R$ 231,20 = R$ 513,86 ÷ 2 = R$ 256,93 2ª parcela Sabendo-se que de julho e setembro (mês de rescisão) recebe mais R$ 991,00 de comissões e um fixo de R$ 270,00, tem-se: Total das comissões de janeiro a setembro = R$ 1.696,00 + R$ 1.191,00 = R$ 2.887,00 Média duodecinal = R$ 2.887,00 ÷ 12 = R$ 240,58
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2ª parcela = R$ 240,58 + R$ 270,00 = R$ 510,58 – R$ 40,85 (INSS) – R$ 256,93 (1ª parcela) = R$ 212,80 Admissão após 17 de janeiro Empregado admitido em 12 de julho recebe a 1ª parcela do 13º salário em novembro, com salário em outubro de R$ 990,00 mensais. Em dezembro passa a R$ 1.120,00 mensais. 1ª parcela salário mensal em outubro = R$ 990,00 1ª parcela = 4/12 de R$ 990,00 = R$ 330,00 R$ 330,00 ÷ 2 = R$ 165,00 2ª parcela salário mensal em dezembro = R$ 1.120,00 2ª parcela = 6/12 de R$ 1.120,00 = R$ 93,33 x 6 = 560,00 R$ 560,00 – R$ 58,00 (INSS) – R$ 165,00 (1ª parcela) = R$ 337,00 AFASTAMENTOS Auxílio-Doença Previdenciário O empregado que está ou esteve em gozo desse benefício recebe da empresa o 13º salário proporcional, considerando o período de efetivo trabalho, ou seja, os 15 (quinze) primeiros dias de ausência, e o tempo anterior e posterior ao afastamento. A Previdência Social assume o período relativo ao afastamento, isto é, do 16º (décimo sexto) dia até o retorno ao trabalho, computando-o para fins de pagamento do abono anual.

Auxílio-Doença Acidentário
O entendimento da Justiça do Trabalho é de que as faltas ou ausências decorrentes de acidentes do trabalho não são consideradas para efeito de cálculo da gratificação natalina (Súmula do TST nº 46). Portanto, as ausências ao serviço por acidente do trabalho não reduzem o cálculo e consequente pagamento do 13º salário.
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Nesse caso, tendo em vista que o empregado receberá o abono anual da Previdência Social, entende-se que a empresa deve apenas complementar o valor do 13º salário, calculando-o como se o contrato de trabalho não tivesse sido interrompido pelo acidente. Serviço Militar No caso de convocação para prestação do serviço militar obrigatório, o empregado não faz jus ao 13º salário correspondente ao período de afastamento. Base de cálculo – Constituição Federal Os trabalhadores urbanos, rurais e domésticos fazem jus ao 13º salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria (CF, art. 7º, VIII e parágrafo único). Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjeta que receber. Ao salário integram-se: importância fixa estipulada, comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem excedentes a 50% do salário percebido pelo empregado e os abonos pagos pelo empregador (CLT, art. 457, e parágrafos). Os adicionais por trabalho insalubre e perigoso, bem como o salário utilidade, também integram-se a esse efeito. No que tange às gorjetas, o Súmula nº 354 do Tribunal Superior do Trabalho – TST prevê: “Gorjetas – natureza jurídica – Repercussões (Revisão do Súmula nº 290). As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo da base de cálculo para as parcelas de aviso prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.”. Lembra-se que quando a remuneração do empregado for composta de parte em dinheiro e de parte em utilidades como, por exemplo, alimentação e habitação o valor da quantia efetivamente descontada e correspondente a estas, deve ser computado para determinação do respectivo valor do 13º salário (Decreto nº 57.155/65, art. 5º). A jurisprudência predominante do TST orienta, por meio de Súmulas, a integração de horas extras habitualmente prestadas (45), adicional noturno habitual (60).
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A legislação trabalhista não prevê expressamente a integração desses adicionais no cálculo do 13º salário. Contudo, tendo em vista que o supracitado art. 7º, VIII, da CF, determina que o 13º salário deve ser calculado com base na remuneração integral, a inclusão de adicionais ou vantagens percebidos pelo empregado de forma habitual passou a ser uma garantia constitucional, a contar de 05/10/88, data da promulgação da Carta Magna. HORAS EXTRAS Súmula TST nº 45: “A remuneração do serviço suplementar, habitualmente prestado, integra o cálculo da gratificação natalina prevista na Lei nº 4.090, de 1962”. Adicional noturno Súmula TST nº 60 (incorporada a Orientação Jurisprudencial nº 6 da SBDI-1): “I - O adicional noturno, pago com habitualidade, integra o salário do empregado para todos os efeitos. (ex-Súmula nº 60 - RA 105/1974, DJ 24.10.1974) II - Cumprida integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta, devido é também o adicional quanto às horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT (ex-OJ nº 6 da SBDI-1 - inserida em 25.11.1996)”. Exemplo Empregado ganha em dezembro R$ 6,90 por hora extra (R$ 4,60 x R$ 1,50). Trabalha em horário extraordinário 550 horas, de janeiro a novembro, em média 45,83 horas por mês (550 ÷ 12). No 13º deve-se acrescentar R$ 316,23 (45,83 x R$ 6,90). Na impossibilidade de acrescentar, à média, as horas extras de dezembro, devese fazer o acerto em janeiro do ano seguinte. Ainda que o empregado tivesse trabalhado apenas 10 meses (no caso de admissão ou demissão no curso do ano), ainda assim, divide-se pelo divisor 12 (duodecimal). Nota: Há quem entenda que a média, para cálculo de horas extras é mensal, dividindose o total das horas extras pelo número de meses trabalhados, tendo em vista a falta de informação sobre a fórmula de cálculo.
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FÉRIAS INDIVIDUAIS
Direito Todo empregado tem direito anualmente ao gozo de um período de férias, devidamente remunerado. Período Aquisitivo e Concessivo As férias são concedidas após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho (período aquisitivo), nos 12 (doze) meses subseqüentes (período concessivo), sendo que sua duração (número efetivo de dias de gozo) é regulada pela quantidade de faltas injustificadas praticadas pelo empregado no decorrer do período aquisitivo de férias, da seguinte forma: Dias corridos 30 24 18 12 Faltas injustificadas Até 5 De 6 a 14 De 15 a 23 De 24 a 32

O empregado que tiver mais de 32 faltas injustificadas no período aquisitivo, perde o direito a férias. Perda do Direito A legislação relaciona as situações em que o empregado perderá o direito às férias remuneradas, estabelecendo, por meio do Art. 133 da CLT, que a ocorrência das hipóteses abaixo elencadas, no curso do período aquisitivo, retira do trabalhador a possibilidade de exercer tal direito. São elas: I – deixar o emprego e não for readmitido dentro de 60 (sessenta) dias subseqüentes à sua saída: II – permanecer em gozo de licença, com percepção de salários, por mais de 30 (trinta) dias; III – deixar de trabalhar, com percepção do salário, por mais de 30 (trinta) dias em virtude de paralisação total ou parcial dos serviços da empresa; IV – tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente do trabalho ou de auxílio doença por mais de 06 (seis) meses, embora descontínuos.

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Um novo período aquisitivo terá início quando o empregado retornar ao serviço, devendo a interrupção da prestação de serviço ser anotada na Carteira de Trabalho e Previdência Social. Serviço Militar Obrigatório O tempo de trabalho anterior à apresentação do empregado para prestar serviço militar obrigatório computa-se no período aquisitivo, desde que ele compareça ao estabelecimento dentro do prazo de 90 (noventa) dias da data em que se verificar a respectiva baixa. Portanto, o período de afastamento não é computado para efeito de férias, sendo considerado o período anteriormente trabalhado e complementado com o tempo que falta quanto o empregado retornar ao serviço. Remuneração das férias A remuneração das férias é calculada com base no salário vigente na data de sua concessão, acrescido 1/3 da Constituição Federal de 1988. Efetua-se o pagamento até dois dias antes do início do respectivo período (artigos 142 e 145 da CLT). Caso haja reajuste salarial, após o pagamento das férias, o empregado terá direito às diferenças apuradas, inclusive em relação ao terço constitucional e ao abono pecuniário, quando for o caso. Por serem pagas em dias, encontra-se a remuneração diária, qualquer que seja a forma de pagamento. Forma de cálculo a) Mensalista – remuneração mensal vigente no mês da concessão das férias, acrescida do 1/3 constitucional. Exemplo Salário = R$ 1.800,00 Gozo de férias de 01/11 a 18/11 (16 faltas injustificadas no período aquisitivo) Salário/dia = R$ 60,00 (R$ 1.800,00 ÷ 30) Remuneração de férias =R$ 1.080,00 (R$ 60,00 x 18 dias) 1/3 da CF = R$ 360,00 (R$ 1.080,00 ÷ 3)
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Total = R$ 1.440,00 – R$ 129,60 (9% INSS) = R$ 1.310,40 b) Horista – remuneração horária vigente no mês da concessão das férias, multiplicada pelo número de horas de férias a que o empregado fizer jus, acrescida de 1/3. Exemplo Salário = R$ 2,72 (jornada de 7h20 ou 7,333...) Gozo de férias de 01/12 a 30/12 Salário/dia = R$ 19,94 (R$ 2,72 x 7,33333) Remuneração de férias = R$ 598,20 (R$ 19,94 x 30) 1/3 da CF = R$ 199,40 (R$ 598,20 ÷ 3) Total = R$ 797,60 – R$ 63,81 (8% INSS) = R$ 733,79

c) Diarista – remuneração diária vigente no mês da concessão das férias, multiplicada pelo número de dias de férias a que o empregado fizer jus, acrescida de 1/3. Exemplo Salário = R$ 28,00 Gozo de férias de 02/07 a 31/07 Salário/dia = R$ 28,00 Remuneração de férias = R$ 840,00 (R$ 28,00 x 30) 1/3 da CF = (R$ 840,00 ÷ 3) = R$ 280,00 Total = R$ 1.120,00 – R$ 100,08 (9% INSS) = R$ 1.019,92 d) Diarista com jornada de trabalho variável – neste caso, apura-se a média do período aquisitivo, aplicando-se ao resultado o valor do salário/hora na data da concessão, acrescido do 1/3 constitucional. Exemplo
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Salário dia = R$ 3,50 Gozo de férias de 01/06 a 30/06 Total de horas do período aquisitivo = 1.800 hs Média das horas = 1.800 ÷ 12 = 150 hs Remuneração de férias = R$ 525,00 (R$ 3,50 x 150) 1/3 da CF = R$ 175,00 (R$ 525,00 ÷ 3) Total = R$ 700,00 – R$ 56,00 (8% INSS) = R$ 644,00 e) Tarefeiro – toma-se por base a média de produção no período aquisitivo do direito a férias, aplicando ao resultado o valor da remuneração da tarefa na data da concessão, acrescidas de 1/3 da CF/88. Exemplo Salário = R$ 0,15 por tarefa Gozo de féria de 01/10 a 30/10 Total de tarefas realizadas no período aquisitivo = 72.000 Média das tarefas = 7.200 ÷ 12 = 6.000 Remuneração das férias = R$ 900,00 (R$ 0,15 x 6.000) 1/3 da CF = R$ 300,00 (R$ 900,00 ÷ 3) Total = R$ 1.200,00 – R$ 108,00 (9% INSS) = R$ 1.092,00 f) Comissão – apura-se a média percebida pelo empregado nos 12 meses que precederam a concessão das férias, acrescendo-se 1/3 da CF/88 havendo média do nº de meses mais vantajosa em acordo, convenção ou dissídio coletivo, ela deverá ser utilizada, bem como reajuste das comissões, que não é previsto em lei. Exemplo Gozo de férias de 02/05 a 25/05 (10 faltas injustificadas no período) Comissões:
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Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril/00

R$ 580,00 R$ 650,00 R$ 630,00 R$ 590,00 R$ 620,00 R$ 650,00 R$ 580,00 R$ 630,00 R$ 590,00 R$ 610,00 R$ 620,00 R$ 640,00 R$7.390,00 ÷ 12 = R$ 615,83

Média das comissões = R$ 615,83 Remuneração de férias = R$ 476,77 [(615,83 ÷ 31) x 24] 1/3 da CF = R$ 158,9 (R$ 476,77 ÷ 3) Total = R$ 635,69 – R$ 50,86 (8% INSS) = R$ 584,83 g) Adicionais – os adicionais por trabalho extraordinário, noturno, insalubre ou perigoso são computados no salário que serve de base de cálculo da remuneração das férias (CLT, art. 142, parágrafo 5º). Também sofrem acréscimos de 1/3 da CF/88 na remuneração total das férias. Computa-se, para efeitos de cálculo, a média duodecimal das horas dentro do período aquisitivo (CLT, art. 142, parágrafo 6º).

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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Exemplo Nº de horas extras no período aquisitivo = 396 Média de horas extras = 33 (396 ÷ 12) Salário-hora da época da concessão = R$ 14,00 Adicional de hora extra no período = 50% Valor da hora extra = R$ 21,00 (R$ 14,00 + 50%)

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Valor a ser integrada na base de cálculo das férias = R$ 693,00 (R$ 21,00 x 33) Pagamento em dobro O empregado adquire direito à remuneração em dobro das férias quando o empregador não as concede nos 12 meses subseqüentes à aquisição do respectivo período, ou seja, dentro do período concessivo (CLT, art.137). O pagamento de férias em dobro tem caráter de penalidade, imposto ao empregador que descumpre o prazo legal de concessão. O gozo das férias é simples e a remuneração dobrada. Exemplo 1º período aquisitivo: 14/04/09 a 13/04/10 Período concessivo: 14/04/09 a 13/04/10 De 14/04/10 em diante o pagamento será em dobro relativo ao período aquisitivo 09/10. Dobra parcial Diante da omissão legal, entende-se que os dias de férias, gozados após o período legal de concessão, são remunerado em dobro (Súmula TST 81). REPOUSO SEMANAL REMUNERADO Todo empregado (urbano, rural, inclusive doméstico) tem direito ao repouso semanal remunerado (RSR) de 24 horas consecutivas, preferentemente aos domingos e, nos limites das exigências técnicas das empresas, nos feriados civis e religiosos, de acordo com a tradição local.
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Rescisão do Contrato de Trabalho e Sistema Homolognet Exemplo Comissionista

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Valor total da comissões recebidas na semana...........R$ 420,00 Nº de dias trabalhados na semana ........................................... 5 Nº de dias úteis da semana........................................................6 RSR = R$ 420,00 ÷ 6 ......................................................R$ 70,00 Para cálculo mensal, dividir o total das comissões pelo nº de dias úteis e multiplicar pelo nº de domingos e feriados do mês. Exemplo: Valor total das comissões............................R$ 1.680,00 Nº de dias úteis do mês...............................................24 Nº de feriados e domingos............................................6 R$ 1.680,00 ÷ 24...............................................R$ 70,00 RSR = R$ 70,00 X 6...................................... R$ 420,00

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TABELAS PRÁTICAS INSS - Tabela de Contribuição dos Segurados Empregado, Empregado Doméstico e Trabalhador Avulso, para Pagamento de Remuneração a partir de 16 de Junho de 2010 SALÁRIO-DECONTRIBUIÇÃO (R$) Até 1.040,22 De 1.040,23 até 1.733,70 De 1.733,71 até 3.467,40 ALÍQUOTA PARA FINS RECOLHIMENTO AO INSS () 8% 9% 11% DE

TABELA PROGRESSIVA CALENDÁRIO DE 2010 BASE DE CÁLCULO EM R$

MENSAL

IMPOSTO

DE

RENDA

ANOA

ALÍQUOTA (%) isento 7,5 15 22,5 27,5

Até 1.499,15 De 1.499,16 até 2.246,75 De 2.246,76 até 2.995,70 De 2.995,71 até 3.743,19 Acima de 3.743,19 Dedução por dependente – R$ 150,69

PARCELA DEDUZIR 112,43 280,94 505,62 692,78

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou de qualquer meio. A violação dos direitos de autor (Lei nº 9.610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. Todos os Direitos Reservados à Autora/Instrutora. 45

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