Segundo António Carlos Santos, o objecto do Direito Económico: Estudo da regulação jurídica específica da organização e direcção da actividade económica

pelos poderes públicos e (ou) pelos poderes privados quando dotados de capacidade de editar ou contribuir para a edição de regras com carácter geral, vinculativas dos agentes económicos.

Organizaç direcção d

Estado (poderes Públicos) P

Actividade Económica (produção, distribuição e consumo c

Organizaç d direcção d

Privados (empresas, sindicatos, associações patronais) p Estado / Privados (concertaç. Social, Contratos, etc)

Organizaç d direcção d

1. O papel do Estado – segundo Cabral Moncada, “no Direito Público da Economia, o legislador está fortemente condicionado: - pelas leis de funcionamento do sistema económico, - pelas expectativas modeladoras da actividade dos agentes económicos O que torna os diplomas legislativos a expressão ponderada das opções de política económica”.

As normas de Direito Público Económico incorporam, assim, um comando políticoeconómico que traduz a opção dos poderes públicos. A Constituição Económica é a parte da Constituição do Estado onde estão as normas necessárias à regulação da actividade económica, actividade essa que é desenvolvida pelos indivíduos, pelas pessoas colectivas ou pelo Estado. Este ordenamento é constituído pelas liberdades, deveres e responsabilidades destas entidades no exercício da actividade económica e é conformador das normas infra constitucionais da ordem jurídica da economia. A conformação é feita através de normas estatutárias ou de garantia e de normas directivas ou programáticas. Exemplo de norma estatutária ou de garantia: - artº 82º / nº 1 da CRM – “O Estado reconhece e garante o direito de propriedade”. Exemplo de norma directiva ou programática: - artº 96º / nº 1 da CRM – “A política económica do Estado é dirigida à construção das bases fundamentais do desenvolvimento, à melhoria das condições de vida do povo, ao reforço da soberania do Estado e à consolidação da unidade nacional, através da participação dos cidadãos, bem como da utilização eficiente dos recursos humanos e materiais”. Assim, as normas estatutárias ou de garantia pretendem garantir ou proteger um sistema económico, ao passo que as normas directivas ou programáticas determinam as principais linhas da economia, “conferem o direito ao exercício de actividades económicas e enunciam restrições gerais a esse mesmo direito, além de colocarem à disposição do Estado um conjunto de instrumentos que lhe permitem regular o processo económico e definir os objectivos a que essa regulação deve obedecer” (António Carlos dos Santos).

O legislador constituinte não pretende incluir na Constituição todas as normas e princípios de cariz económico. Há uma margem variável de liberdade que a Constituição deixa ao legislador ordinário. Esta margem de liberdade varia de acordo com o tipo de Constituição económica existente. Ex: 1 - artº 10º CRM 1975 – “Na República Popular de Moçambique, o sector económico do Estado é o elemento dirigente e impulsionador da economia nacional. A propriedade do Estado recebe protecção especial sendo o seu desenvolvimento e expansão, responsabilidade de todos os órgãos do Estado, organizações sociais e cidadãos”. 2 – artº 101º CRM (revisão 2004) “1. O Estado promove, coordena e fiscaliza a actividade económica agindo directa ou indirectamente para a solução dos problemas fundamentais do povo e para a redução das desigualdades sociais e regionais. 2. O investimento do Estado deve desempenhar um papel impulsionador na promoção do desenvolvimento equilibrado”.

Constituição Económica Formal e Material Segundo Teodoro Waty, em sentido formal, a Constituição é a fonte ou conjunto de fontes que possuem uma característica identificável, como a pertença a um texto legal, com formalidades e requisitos particulares de aprovação ou de modificação. Já a Constituição material é, segundo o mesmo autor, o conjunto de normas e princípios que estruturam e legitimam determinada ordem jurídica. Esta tem um âmbito que se alarga a outras fontes formalmente inferiores desde que nelas se consagrem normas essenciais para a caracterização do sistema. Constituição Estatutária e Programática

esta divisão entre Constituição Estatutária e Constituição Programática revela uma concepção estática e dogmática da ordem jurídica não justificável perante a autonomia deste ramo do saber jurídico que é o Direito Económico. preestabelecendo-a ou modificando-a através da acção dos órgãos do Estado. composta pelo conjunto de normas que caracterizam uma certa e determinada forma económica. ao qual corresponde uma projecção dialéctica.Segundo Teodoro Waty. . Na segunda opção. No primeiro caso. A Constituição Económica Estatutária é. ainda segundo Waty. de modo a provocar certos efeitos. Este golpe de estado assume um lema “Os três D’s” – Democratizar. pragmática e dinâmica. Para Waty. A Constituição Económica Programática (ou directiva) é que contem o conjunto de normas que visam reagir sobre a ordem económica. A organização económica e social de Moçambique à luz da Constituição Olhemos para Moçambique a partir de 25 de Abril de 1974 quando um golpe de estado em Lisboa põe fim ao Estado Novo. sem as quais não teríamos a indicação do “estatuto” da matriz das relações de produção dominantes. seria em função do próprio sistema económico e das suas mutações. o âmbito da Constituição Económica deve ser definido através de critérios jurídicos. Âmbito da Constituição Económica Segundo Teodoro Waty. a Constituição Económica emergiria de critérios jurídicos. o âmbito da Constituição Económica pode ser determinado com recurso a critérios económicos e a critérios jurídicos. competindo ao Direito qualificar como constitucionais as normas que se apresentam como fundamentais. Desenvolver e Descolonizar e é levado a cabo pelo MFA – Movimento das Forças Armadas.

Samora Machel faz um discurso onde é possível ler algumas das ideias socializantes para a orientação económica de Moçambique.a menção à defesa dos interesses das classes trabalhadoras e da prevalência dos interesses das classes mais desfavorecidas. .descolonizar o Estado significa essencialmente desmantelar o sistema financeiro. e apesar de não se falar em nacionalizações. Waty propõem-nos a análise do constitucionalismo económico moçambicano dividido em quatro grandes fases na história das constituições económicas: . Para o autor. mas sim ao serviço da dominação estrangeira . ainda não independente: . Nesta tomada de posse.o papel da agricultura e da indústria.herdámos uma estrutura económica colonial em que os factores de produção não estavam ao serviço do nosso país.Em 7 de Setembro de 1974 são assinados os Acordos de Lusaka e a 20 do mesmo mês toma posse o Governo de Transição. do nosso povo. apesar de não se extrair do discurso uma orientação clara. nesta fase há uma prática social muito marcada ideologicamente por intuitos socializantes. devem destacar-se os seguintes aspectos do discurso: . .devemos combater esta situação criando bases de uma economia independente ao serviço das massas laboriosas… . económico… .a agricultura será pois a base do nosso desenvolvimento e a indústria o seu factor dinamizador… Segundo Teodoro Waty.a nova ordem de colocar a economia ao serviço do Povo.

A Constituição Económica de Transição teve um conjunto de princípios. A Constituição Económica da Independência – Constituição do Tofo de 1975 3. protecção do trabalho 7. A Constituição Económica de Transição ou Pré-Constituição 2. afirmação de direitos sociais e laborais 3. 2. este conjunto de medidas influenciou fortemente o futuro texto constitucional de 1975. situações. Consagrava um conjunto de princípios e normas aptos a permitirem a construção de um determinado modelo de futura sociedade. de facto.1. A Constituição Económica de 1990 1. disposições propriedade 4. A Constituição de 1975 Esta Constituição tem um modelo teleológico e é elaborada num contexto em que a transformação e a mudança eram valorizadas. repressão de delitos anti-económicos (ex. disposições tendentes a desenvolver uma reforma agrária 5. o boato ou a sabotagem através do 20-24) Para Waty. de ocupação de empresas 6. normas e instituições que se foram definindo e haveriam de se vir a consagrar na Constituição de 1975: 2. A Constituição de 1975 não se limita a ser uma Constituição Estatutária. toleradas ou incentivadas pelo poder. Ela é predominantemente Programática visando transformar a realidade apesar de não estar consagrada no seu texto uma referência ao socialismo o que se compreende quando o grupo limitativas ou restritivas do direito de . (A Constituição Económica pré-PRES – Programa de Reabilitação Económica e Social) 4.

A FRELIMO traça a orientação política básica do Estado e dirige e supervisa a acção dos órgãos estatais a fim de assegurar a conformidade da política do Estado com os interesses do povo. a partir de 1977.“O Estado reconhece e garante a propriedade pessoal”).A República Popular de Moçambique é orientada pela política definida pela FRELIMO que é a força dirigente do Estado e da Sociedade. Assim. cooperativa e pública/estatal – (artº 10º .intervenção democrática dos trabalhadores – (artº 2º .apropriação estatal dos principais meios de produção.“…o sector económico do Estado é o elemento dirigente e impulsionador da economia nacional”).“o Estado encoraja os camponeses e trabalhadores individuais a organizarem-se em formas colectivas de produção…”).” .“o capital estrangeiro poderá ser autorizado a operar no quadro da política económica do Estado.“A República Popular de Moçambique é um Estado de democracia popular…o poder pertence aos operários e .coexistência de diversos sectores de propriedade – privada. (artº 13º .” . uma Constituição com carácter proclamatório. segundo Waty. a terra e os recursos naturais – (artº 8º . nas águas territoriais e na plataforma continental de Moçambique são propriedade do Estado.” Sendo. deixa uma certa de liberdade de meios (não de objectivos) que vai permitir que. A propriedade privada não pode ser usada em detrimento dos interesses fixados na Constituição”). a prática política quanto à economia se afirme de índole marxista.subordinação do poder económico ao poder político – (artº 9º .ou Partido que a prepara (FRELIMO) só haveria de o adoptar a 3 de Fevereiro de 1977. a prática constitucional consagraria os seguintes princípios: . (artº 14º . (artº 12º . (artº 11º .“À propriedade privada estão ligadas obrigações.A terra e os recursos naturais situados no solo e no subsolo.planificação central da economia – (artº 9º) . A política definida pela FRELIMO ficaria consagrada no artigo 3º: “.“o Estado promove a planificação da economia…”). . apesar de o texto não ter sido alterado e de conceitos como a nacionalização ou a socialização não estarem previstos na Lei Fundamental.

e em programas de desenvolvimento estratégico. e é exercido pelos órgãos do poder popular” A Constituição de 1990 Segundo Waty. pretende-se concentrar os esforços do governo na área de bens e serviços sociais. O governo moçambicano implantou em 1987 o Programa de Reabilitação Econômica e Social (PRES).org/wiki/ Em 1984. http://www. com o objetivo de introduzir a economia de mercado no país.wikipedia. Face a uma crise de fome e pobreza generalizados. o programa pretende estabilizar a área financeira no âmbito nacional e internacional. através de várias reformas.mz/econom. em 1987 o Governo declarou a situação de emergência e pediu assistência à comunidade internacional e lançou o Programa de Reabilitação Económica (PRE).htm Estes programas. e retirar do Estado a função principal de administrar e investir na economia. elaborados durante a vigência da Constituição de 1975 consagravam princípios feridos de inconstitucionalidade que apontavam a admissão de reprivatização da titularidade ou do direito de exploração dos meios de produção e/ou outros bens antes nacionalizados (ver Decreto 21/89 de 23 de Maio). O texto constitucional foi influenciado pela adesão de Moçambique às instituições de Bretton Woods e pelo Programa de Reabilitação Económica e pelo Programa de Reabilitação Económica e Social. .gov. a Constituição de 1990 orientou-se no sentido de acompanhar a evolução geral da sociedade moçambicana e do próprio ambiente político. com o partido dominante a deslocar-se mais da esquerda. http://pt. Desta forma. foi publicada a Lei do Investimento Estrangeiro e Moçambique tornou-se membro do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para isso.camponeses unidos e dirigidos pela FRELIMO.bip.

O mesmo artigo no nº 2 estabelece que a “economia nacional compreende…a propriedade estatal. . Interessa-nos. excepto aqueles que estejam reservados à propriedade ou exploração exclusiva do Estado. na iniciativa dos agentes económicos. O artº 42º proclama o papel fundamental do sector familiar. o artº 41º/ nº1 estabelece que “a ordem económica assenta nas forças de mercado. reduzindo o papel do planeamento central e fazendo desaparecer o objectivo do desenvolvimento da propriedade estatal ou social. do ponto de vista do Direito Económico. . a alínea d). a propriedade mista e a propriedade privada. a nova Constituição de 1990 configura uma neutralização ideológica. 2º e 3º.A Constituição Económica actual Em primeiro lugar. a alínea h). e desde logo.No texto constitucional de 1990. O artº 45º estabelece que os empreendimentos estrangeiros são autorizados em todos os sectores económicos. Tendo sido confirmante de posições assumidas e implementadas ainda antes da nova Constituição estar aprovada. a alínea c). poderá então assim falar-se de uma Constituição Intercalar. No artigo 11º. Segundo Teodoro Waty. olhemos para os grandes princípios constitucionais plasmados nos artºs 1º. desde logo. na participação de todos os tipos de propriedade e na acção do Estado como reguladora e promotora do crescimento…”. a propriedade cooperativa. na identificação dos objectivos fundamentais. em particular. a declaração enunciada no artº 1º “A República de Moçambique é um Estado…de justiça social”. realcemos.

a partir do artº 96º. Os princípios fundamentais desta Organização contemplados no artº 97º são: a) a valorização do trabalho b) as forças do mercado c) a iniciativa dos agentes económicos d) a coexistência do sector público. no mar territorial. de acordo com o interesse colectivo f) na protecção do sector cooperativo e social g) na acção do Estado como regulador e promotor do crescimento e do desenvolvimento económico e social O artº 98º determina a propriedade económica do Estado relativamente aos recursos naturais situados no solo e no subsolo. nas águas interiores.Do ponto de vista da sistematização do texto constitucional. na plataforma continental e na zona económica exclusiva. . sector privado e sector cooperativo e social. é fundamental notar que a parte da Organização Económica aparece depois dos Direitos Fundamentais. do sector privado e do sector cooperativo e social e) na propriedade pública dos recursos naturais e de meios de produção. Determina ainda o domínio público do Estado sobre a) a zona marítima b) o espaço aéreo c) o património arqueológico d) as zonas de protecção da natureza e) o potencial hidráulico f) o potencial energético g) estradas e linhas férreas (revisão de 2004) h) as jazidas minerais (revisão de 2004) i) os demais bens como tal classificados por lei No artº 99º garante-se a coexistência de três sectores de propriedade dos meios de produção: sector público.

O artº 109º .artº 84º . da segurança dos seus .é garantido o direito à greve e é proibido o lock-out. O artº 104º mantém a indústria como factor impulsionador da economia nacional.o Estado garante o investimento estrangeiro que opera no quadro da sua política económica e estabelece as suas restrições no que respeita aos sectores económicos reservados à propriedade ou exploração exclusiva do Estado.artº 90º . O artº 105º realça o carácter fundamental do sector familiar.mantém a terra como propriedade do Estado acrescentando que a mesma não pode ser vendida.artº 82º . definidos nos termos da lei. O artº 106º reconhece a importância da produção de pequena escala. .artº 87º . ou por qualquer outra forma alienada. nem hipotecada nem penhorada. à protecção da saúde. Remetendo-nos agora aos direitos e deveres económicos e sociais: . . .declara-se o direito dos cidadãos a viver num ambiente equilibrado .O trabalho constitui direito e dever de cada cidadão.o Estado promove e apoia a participação activa do empresariado nacional. O artº 107º .reconhecem-se direitos ao consumidor à qualidade dos bens e serviços consumidos. utilidade ou interesse públicos. O artº 108º . à formação e à informação. e dá lugar a justa indemnização.artº 92º .O artº 103º mantém a agricultura como base do desenvolvimento.O Estado reconhece e garante o direito de propriedade e a expropriação só pode ter lugar por causa de necessidade.

anteriormente de economia planificada. Assim. o modelo económico. verificamos que o papel do Estado se modificou. Hoje. a actividade económica depende essencialmente da capacidade dos indivíduos organizarem a produção.a propriedade privada . Reconhece-se o direito de audição às associações de consumidores e cooperativas (de consumo) sendo-lhes reconhecida legitimidade processual para a defesa dos seus associados. a distribuição e comercialização de bens ou serviços com o objectivo de obterem rendimentos. Os três princípios básicos da economia são: . Os pressupostos básicos da economia da mercado Numa economia de mercado.a iniciativa privada .a livre concorrência A propriedade privada Noção e conteúdo . A publicidade é regulada por lei e são proibidas as formas de publicidade indirecta ou enganosa. bem como à reparação de danos. passando de Estador produtor e altamente interventor para um Estado regulador e garantístico na actual lei fundamental. e depois de termos olhado para a evolução constitucional moçambicana desde a Pré-Constituição até à actual Constituição. assume-se agora como de economia de mercado.interesses económicos.

o direito de não ser privado dela Restrições a) na aquisição ou acesso – há bens insusceptíveis de apropriação privada – é o caso dos bens de domínio público (artº 98º). delimitação de áreas de reserva agrícola. portanto. Ora.o direito de a adquirir . ser explorados por entidades privadas ou cooperativas em regime de concessão. o direito de propriedade não é um direito absoluto podendo ser objecto de limitações ou restrições. incluindo os direitos económicos ou sociais e as disposições da organização económica. as quais se relacionam. com razões de utilidade pública ou com a necessidade de conferir eficácia a outros princípios ou normas constitucionais. note-se que alguns desses bens poderão. planeamento urbano. desde logo. devem considerar-se outras condicionantes por razões ambientais ou de ordenamento do território (ex. reserva ecológica. No entanto.a liberdade na sua transmissão . de uma reserva de propriedade pública mas não de uma reserva de actividade económica pública.o direito de usar e fruir dos bens de que se é proprietário . por vezes.Como já vimos. O direito de propriedade privada inclui quatro componentes: . com princípios de Direito (ex: a função social da propriedade). Trata-se. b) no uso e fruição – para além do dever geral de uso relativo aos meios de produção (a propriedade de meios de produção implica o seu uso). no seu artº 82º / nº 1 reconhece e garante o direito de propriedade. a actual Constituição. etc.) .

. Coimbra Editora. Coimbra Editora. O facto de se exigir a existência de interesse público não significa que não possa haver expropriação a favor de entidades privadas como as associações desportivas. 1998 Luís Cabral Moncada. 4ª ed. calamidades naturais. é temporária e justifica-se por um interesse público urgente e excepcional (situações de guerra. por vezes. Direito Económico. Direito Económico – A ordem económica portuguesa.c) na transmissão inter vivos ou mortis causa – é por vezes limitada por direitos a favor de terceiros. Bibliografia: António Carlos Santos Manuel Afonso Vaz.. etc. também mediante indemnização. como o direito de preferência atribuído.) A expropriação refere-se a bens imóveis. Coimbra. tem carácter definitivo e é de uso frequente. A actual Constituição prevê a expropriação no seu artº 82º / nº 2. etc. Além da requisição e da expropriação. 2003 CRM Lei 9/79 – Lei das Cooperativas . aos proprietários confinantes ou aos herdeiros legitimários. d) Limites constitucionais ao direito de o titular não ser privado da sua propriedade – ao admitir-se a possibilidade de requisição e expropriação por utilidade pública. Coimbra. dada a sua necessidade para a construção de estradas e outras edificações públicas. sujeita ao pagamento de justa indemnização. a propriedade privada pode também ser limitada pela figura da nacionalização. A requisição de bens abrange móveis ou imóveis. Tanto a requisição como a expropriação implicam o pagamento de indemnização que deverá ser fixado pelo valor real do bem expropriado o qual tem a sua expressão mais próxima no seu valor de mercado. 4ª ed.

a qualidade e o preço dos produtos ou serviços transaccionados). definir objectivos. Esta liberdade consiste basicamente na combinação capital/trabalho para a obtenção de um produto ou serviço. à aquisição de empresas já existentes ou ao aumento de capital dessas empresas. Ao empresário compete-lhe maximizar a produção.artº 99º / nº 1 e nº 3 . de modo a assegurar rentabilidade ao capital investido. . Em sentido negativo. à semelhança do que faz para a propriedade privada. nomeadamente através da liberdade de criação de empresas e da sua gestão. O investimento pode levar à criação de uma empresa. combinar os factores de produção e dirigir a actuação das pessoas empregues na actividade empresarial.A Iniciativa privada Apesar de a Constituição da República de Moçambique não possuir nenhuma norma específica que. .a liberdade de investimento ou de acesso – consiste no direito de escolha da actividade económica a desenvolver.artº 107º Segundo António Carlos Santos. . garanta o direito de iniciativa privada. podemos deduzir a sua interpretação a partir de vários artigos: .a liberdade de organização – consiste na liberdade em determinar o modo como a actividade vai ser desenvolvida (incluindo a forma. minimizando os custos. o direito de iniciativa privada traduz a possibilidade de exercer uma actividade económica privada. O direito de iniciativa privada compreende os seguintes componentes: . esta liberdade significa o direito de retirar o capital investido quando proprietário o julgue conveniente. c) e d).artº 97º alíneas b).

entendida como modelo de sociedade ou como critério de qualificação das estruturas de mercado e do comportamento dos agentes económicos. à semelhança do direito de propriedade privada. da possibilidade de se estabelecerem reservas a favor do sector público (artº 99º / nº 2). As restrições constitucionais resultam. assumindo a gestão e a direcção efectiva da sociedade. assim como fixar o preço das mercadorias. Restrições à iniciativa privada A liberdade de iniciativa privada não é. que contribuem com o capital. sociedades em comandita1[1]. Significa ainda a liberdade de contratação de mão de obra e a fixação de salários e de outras condições de trabalho. sociedades anónimas.a liberdade de contratação ou liberdade negocial – consiste na liberdade em estabelecer relações jurídicas e de fixar. e sócios de responsabilidade ilimitada (comanditados). a liberdade de organização não impede que a lei configure os tipos de empresas sob a forma de sociedades comerciais (ex. um direito absoluto. as quais afectam em especial a liberdade de investimento ou de acesso.. sociedades por quotas. desde logo. Admitem-se restrições e condicionamentos. . Significa o direito do empresário de escolher os seus fornecedores e clientes. etc. Por sua vez. que contribuem com bens ou serviços.). A liberdade de iniciativa privada ou liberdade de empresa constitui uma condição básica da concorrência. por acordo. os quais podem resultar da lei constitucional ou de lei ordinária. Existem também regras obrigatórias sobre o 1[1] Sociedade em Comandita Noção É uma sociedade de responsabilidade mista porque reúne sócios de responsabilidade limitada (comanditários). o seu conteúdo.

A iniciativa cooperativa está contemplada no artº 99º / nº 4 CRM e Lei 9/79 (Lei das Cooperativas) Tal como na iniciativa privada. medidas de segurança.modo de organização interna das empresas.a liberdade de as gerir . etc. de protecção da saúde pública. bem como às condições técnicas de funcionamento do estabelecimento (ex. São também possíveis outras formas de iniciativa em que a solidariedade entre os seus membros ou entre estes e a sociedade prevaleça sobre o interesse lucrativo da organização. em exclusivo ou em concorrência com as entidades privadas. aos direitos das comissões de trabalhadores. de condições de higiene.) bem como na relação da empresa com o exterior (ex: actividades perigosas em zonas residenciais.a liberdade de contratação ou negocial inerente a essa mesma gestão (proibição de comportamentos restritivos da . Outras formas de iniciativa A iniciativa privada é a forma mais comum de iniciativa económica nas economias de mercado mas existem outras. consumidores (nulidade de certas cláusulas contratuais) ou outras empresas concorrência). o direito de iniciativa cooperativa inclui: . Trata-se de formas de “economia social” entre as quais se destaca o sector cooperativo e o sector social.a possibilidade de criar cooperativas. protecção do ambiente. relativas aos órgãos sociais. . etc.). Pode haver situações em que o Estado intervenha na produção de bens ou serviços. Quanto à liberdade negocial. existem também restrições quer nas relações contratuais com trabalhadores (ex: contratos de trabalho).

irá especificar 3 formas de propriedade de meios de produção que. os titulares da propriedade são os “povos”. ou seja. nacional e internacional De notar que o artº 99º. Os mais importantes destes princípios são: a) liberdade de adesão (princípio da porta aberta) b) princípio da gestão democrática (um homem = um voto) c) não discriminação social. apesar de falar. as restrições que se aplicam à iniciativa privada são extensíveis à iniciativa cooperativa nos seus vários componentes. se estes meios de . no caso de pagamentos de juros ao capital social e) repartição cooperativa de excedentes ou economias eventuais f) promoção do ensino dos princípios e métodos de cooperação g) cooperação com outras cooperativas à escala local. Quer isto dizer que. política. os “agregados populacionais”. pertencem ao sector social: Os meios de produção comunitários possuídos e geridos por comunidades locais – alínea a) do nº 4 do artº 99º A expressão “meios de produção comunitários” parece indiciar que se trata de bens de propriedade comunitária. as “aldeias”. Desde a constituição da primeira cooperativa (Sociedade dos Equitativos Pioneiros de Rochdale. em 1844) o movimento cooperativista internacional elaborou os princípios cooperativos que vieram a ser formulados pelos Congressos de Paris (1937) e de Viena (1966) da Aliança Cooperativa Internacional. Os casos mais conhecidos são os “baldios” que estarão na base da previsão constitucional. Neste caso. na realidade. racial ou religiosa d) limitação da taxa de juro. eventualmente sem personalidade jurídica pública ou privada. desde logo.Genericamente. de uma comunidade concreta. em sector cooperativo. De notar que estes meios de produção só integram o sector social quando são possuídos e geridos pelas respectivas comunidades locais.

de recursos materiais e financeiros. Os direitos económicos como parte integrante de uma Constutuição Económica – direitos a prestações Os direitos dos trabalhadores A iniciativa económica. por parte do empregador. designadamente. Trata-se de estender o sector social às entidades que desenvolvem uma actividade económica tendo em vista a solidariedade social e. já não são considerados como “meios de produção comunitários”. antes dirigida à ajuda mútua. sem o intuito de apropriação lucrativa pública ou privada. por exemplo). geralmente. entidades de natureza mutualista – alínea c) do nº 4 do artº 99º. sem carácter lucrativo. Considera-se que os bens podem ser de titularidade de entidades de entidades privadas ou públicas. Para além disso. por isso. pressupõe a disponibilidade. pública ou cooperativa. que tenham como principal objectivo a solidariedade social. pressupondo-se o assentimento dos titulares da propriedade ou um motivo legal que confira o direito à autogestão. Os meios de produção possuídos e geridos por pessoas colectivas. Os meios de produção objecto da exploração colectiva por trabalhadores – alínea b) do nº 4 do artº 99º Esta figura refere-se à autogestão das empresas pelos respectivos trabalhadores e é um direito que parece pressupor a gestão aos trabalhadores e a propriedade a outrem.produção são possuídos e/ou geridos por entidades públicas (autarquias. Trata-se dos trabalhadores por conta de outrem. ou por entidades privadas. quer seja privada. exige a necessidade de contratação de mão de obra mediante o pagamento de um salário. .

liberdade sindical Segundo o artº 86º: . o artº 85º declara: 1 – “Todo o trabalhador tem direito a justa remuneração. Por esse motivo. 2 – O trabalhador tem direito a protecção. como é o caso.Os direitos dos trabalhadores são reconhecidos em sede de direitos e liberdades fundamentais e de direitos e deveres económicos. o modelo da estabilidade do emprego. segurança e higiene no trabalho. encontram-se os direitos atribuídos às organizações representativas dos trabalhadores: . pública ou cooperativa. descanso. Alguns desses direitos são atribuídos directamente ao trabalhador individual. A segurança no emprego e a proibição de despedimento sem justa causa visam limitar a plena disponibilidade da entidade patronal sobre as relações de trabalho. a garantia destes direitos dos trabalhadores implica restrições ao direito de livre iniciativa privada. b) Os direitos das organizações dos trabalhadores Ainda entre os direitos. A CRM acolhe. enquanto outros o são às suas organizações. (em lugar do modelo da mobilidade que hoje existe em diversas ordens jurídicas. férias e à reforma nos termos da lei. 3 – O trabalhador só pode ser despedido nos casos e nos termos estabelecidos na lei”. da GrãBretanha e dos EUA). assim. liberdades e garantias. por ex. a) direito à remuneração e segurança no emprego Pela redacção actual da revisão de 2004 da CRM.

relativamente ao patronato. no interesse das necessidades inadiáveis da sociedade e da segurança nacional. basear-se na activa participação dos seus membros em todas as suas actividades e de eleição periódica e por escrutínio secreto dos seus órgãos. ao Estado.o direito ao trabalho Ainda no âmbito dos Direitos Económicos e Sociais. união. sendo o seu exercício regulado por lei. No caso do direito à greve e proibição de lock-out. . 2 – As associações sindicais e profissionais devem reger-se pelos princípios de organização e gestão democráticas. 4 – A lei regula a criação. Subjacente a esta configuração constitucional parece estar a ideia de que é indispensável à efectividade dos direitos básicos dos trabalhadores a garantia dos direitos e liberdades das suas organizações e. 2 – Cada cidadão tem direito à livre escolha da profissão. . a CRM garante o direito ao trabalho. segundo o artº 87º: 1 – “Os trabalhadores têm direito à greve. federação e extinção das associações sindicais e profissionais. 3 – É proibido o lock-out”.1 – “Os trabalhadores têm a liberdade de se organizarem em associações profissionais ou em sindicatos. dos partidos políticos e das igrejas ou confissões religiosas. aos partidos políticos e às igrejas e confissões religiosas”. desde logo. bem como as respectivas garantias de independência e autonomia. 2 – A lei limita o exercício do direito à greve nos serviços e actividades essenciais. a possibilidades de se organizarem livremente. O artº 84º da CRM estabelece: 1 – “ O trabalho constitui direito e dever de cada cidadão. 3 – As associações sindicais e profissionais são independentes do patronato. do Estado.

O artº 92º da CRM vem proteger os direitos dos consumidores. exceptuando-se o trabalho realizado no quadro da legislação penal”. à formação e à informação. Por um lado.As associações de consumidores e as cooperativas têm direito. principal destinatário das normas constitucionais de protecção do consumidor.3 – O trabalho compulsivo é proibido. Os direitos dos consumidores Os bens ou serviços produzidos pelas empresas públicas. ao apoio do Estado e a serem ouvidas sobre as questões que digam respeito à defesa dos consumidores. 1. . sendo-lhes reconhecida legitimidade processual para a defesa dos seus associados”.“Os consumidores têm direito à qualidade dos bens e serviços consumidos. nos termos da lei. o que justifica a sua regulação pública. constata-se a cada vez maior sofisticação nos modos de captação de clientela. mas sim do consumidor final. 2. com recurso à publicidade e a outras formas de promoção de vendas. Não nos interessa tanto aqui falar das empresas enquanto consumidoras de produtos ou serviços de outras empresas. e não como um direito subjectivo a um concreto posto de trabalho. 3. Tem-se verificado uma necessidade crescente de protecção jurídica do consumidor. por vezes agressivas ou enganosas. consistindo no desenvolvimento de políticas que assegurem o máximo de emprego possível e a igualdade de oportunidades e de formação específica e genérica. ou consumidor. indirecta ou enganosa.A publicidade é disciplinada por lei. Este direito deve ser entendido como um direito a uma prestação positiva por parte do Estado. à protecção da saúde. privadas ou cooperativas têm um destinatário final que é o cliente. sendo proibidas as formas de publicidade. bem como à reparação de danos. da segurança dos seus interesses económicos.

segurança dos interesses económicos dos consumidores). segurança dos interesses económicos dos consumidores e garantia de reparação de danos). A protecção do ambiente abrange tanto o elemento natural como o elemento construído. A CRM define a forma de disciplinar a publicidade. proibindo a publicidade indirecta e enganosa.“Todo o cidadão tem o direito de viver num ambiente equilibrado e o dever de o defender. as suas condições de funcionamento. o combate à poluição nas suas diversas formas. os direitos dos consumidores são também direitos a prestações ou acções dos próprios agentes económicos. o ecossistema mas também a integração dos elementos económicos e sociais. 2.Para além de direitos positivos a prestações ou acções do Estado (direito à formação e à protecção da saúde. as suas relações com terceiros ou mesmo a sua extinção podem ser condicionadas ou determinadas por razões ambientais. a sua instalação. Como já vimos. eminentemente. O direito ao ambiente Está expresso no artº 90º. Os custos de poluição. adoptam políticas de defesa do ambiente e velam pela utilização racional de todos os recursos naturais”. produtores ou distribuidores (direito à informação. ou seja.O Estado e as autarquias locais com a colaboração das associações na defesa do ambiente. o acesso e a organização de uma actividade económica. Prevê. . 1. protecção da saúde. A CRM reconhece ainda o direito de participação às associações e cooperativas de consumo e o dever do Estado de as apoiar.

“O Segundo Tratado de Governo” de Locke (1690) . assim como o direito de indemnização em caso de lesão directa. XX aparece no seguimento dos grandes tratados de filosofia política que colocavam o homem numa posição diferente perante o Estado: 1 . o qual compreende um dever de abstenção (não atentar contra o ambiente) e de acção (impedir os atentados de outrem). A intervenção do Estado na Economia Bibliografia: Manuel Afonso Vaz O Estado liberal. A burguesia ascendente da fisiocracia e do liberalismo segue-se. agora. A liberdade e a propriedade assumem. E será interessante notar que a organização económica do fim do séc. ao despotismo iluminado e fundamenta-se na necessidade dos novos e ricos empresários burgueses em libertar a produção e os lucros do centralismo autoritário do rei. devendo a lei determinar o modo como pode ser exercido.assim como os custos da sua prevenção podem ser integrados nos custos de produção pelo reconhecimento legal do princípio do poluidor-pagador. igualmente. O direito de defesa do ambiente. um papel determinante nas reivindicações da burguesia. um dever de defesa do cidadão. historicamente. O direito ao ambiente compreende uma acção positiva do Estado no sentido de adoptar políticas de defesa do ambiente e velar pela utilização racional dos recursos naturais. Compreende ainda. A utopia do Estado neutral e abstencionista. XIX e do princípio do séc. é reconhecido a todos.

Locke é o pai da ‘revolução’ burguesa britânica. são direitos inalienáveis. A burguesia crescente saída da Revolução Industrial começa a reclamar contra o Mercantilismo dominado pelo Estado. John Locke vai estabelecer princípios doutrinários contra o Mercantilismo Estatal. É assim que os homens têm necessidade de fazer um contrato. quem gere melhor a propriedade privada? Os particulares). algo ou alguém que garanta o efectivo reconhecimento e respeito pelos mesmos. etc. laissez-passer). Na segunda componente da sua obra vai debruçar-se sobre o contratualismo com os princípios liberais (nomeadamente o princípio da subsidariedade. comercial. vai ser repensada a clarificada por Montesquieu. Locke vai classificar o estado-natureza como um Estado em que os homens já têm direitos (naturais) como o direito à vida. sobretudo na América do Norte e. nova-rica. Influencia também os teóricos da Revolução Francesa. Dá um corpo doutrinário à burguesia ascendente.). à segurança. A sua obra ecoa. dos seguros. Locke o primeiro a defender a tripartição de poderes como forma de limitar o absolutismo. Locke é o antepassado cultural de Adam Smith. Estes protestos começam em França (laissez-faire. A tri-partição que defende ainda de forma conceptual. pai do capitalismo. contra as políticas proteccionistas alfandegárias. da banca. Põe em causa as teses de alguns autores da moda (Hobbes. após a independência dos EUA. Ex.A fisiocracia era uma teoria relativamente recente. industrial. endinheirada. Descartes. Segundo Locke. . através do qual transferem alguns dos seus direitos para uma entidade superior que será o Estado. à propriedade privada. O Governo só devia ser polícia e árbitro (funções de defesa e justiça). O que falta ao estado-natureza é a tutela desses direitos. É também um filósofo eminente que é o que lhe traz reconhecimento publico. os americanos assumem a teoria liberal.

É o império do individualismo que fundamentará o liberalismo económico. Representa o Estado Liberal Democrático que chegou aos nossos dias. logo havia que o limitar. A tri-partição de poderes evitava o Despotismo.a sua obra mais célebre é ‘O espírito das Leis’ que foi terminada em 1748. Inspirou-se na Constituição Britânica mas é a Constituição Americana que ele vai influenciar directamente. portanto. Foi o precursor da Sociologia Política (relações entre a Sociedade e a Política). O autor dizia que todo o homem tem apetência crescente pelo poder. É nesta constituiçao que ficou consagrado este princípio tal como Montesquieu o tinha idealizado. isolado e igual e o espaço da sua realização ética passa pela afirmação da sua auto-suficiência. Representa-se no sistema de ‘checks and balances’ separação com interdependência de poderes. Admite. Foi um fisiocrata (pôs em causa o Mercantilismo acreditando na livre iniciativa) e um empirista. . Estes tratados bem como o espírito liberal nascido na Revolução Francesa colocam agora a perfeição do sistema no indivíduo livre.“O Espírito das Leis” de Montesquieu (1748) Montesquieu .Defendia que o Estado e os Governos poderão mudar se os homens assim o entenderem ou seja se aquele não respeitar o pacto. a mudança no poder. Vai separar o poder judicial do poder executivo a vai juntar a este o poder confederativo. . considerado segundo uma ordem natural e intrínseca da economia. O Estado-sociedade é o garante dos direitos. Vai aperfeiçoar o conceito de tri-partição de poderes de Locke.

abstracta e geral – sobretudo a propriedade e o contrato – era o suporte legal e único da economia. essencialmente. laissez-passer’ vai durar até à Revolução de 1917 e ao crash de 1929. A ordem jurídica comum. livre e perfeita concorrência entre as empresas. o domínio da metrópole acaba. Os Direitos. que determina a impossibilidade de estas controlarem os preços e os mercados. O modelo económico será preferentemente atomístico. de iniciativa económica. impera a liberdade individual.Os teóricos do capitalismo liberal foram. o Brasil e as colónias espanholas da América do Sul tornam-se independentes. Stuart Mill. verificamos que uma das condições lógicas será. Adam Smith. despidos de qualificação económica. O liberalismo entende o contrato de trabalho numa expressão inter individual já que o empresário e o operário assalariado aparecem. o consumidor é considerado o detentor do poder económico e o mercado é tido como instrumento de controlo e direcção da economia”. gozando os empresários de absoluta liberdade de iniciativa. . Hoje tenta-se a lógica do fair trade para evitar o ‘dumping social’ (abuso dos direitos humanos na produção). de concorrência perfeita e prefigurar-se-á na “existência de uma infinidade de pequenas empresas individuais. política. individual e abstractamente considerados. David Ricardo e Jean Baptiste Say. portanto. O ‘laissez-faire. Desde logo. A economia funcionaria como uma “mão invisível” na procura e obtenção da racionalidade. Acabou a escravatura em Inglaterra. a abstenção de intervenção do Estado na vida económica. Liberdades e Garantias deviam ser dados para proteger a livre iniciativa e a concorrência. No plano externo. como contratantes equiparáveis. individual. Com a Fisiocracia termina o proteccionismo interno (e externo). O comércio tornou-se livre. O free trade nasce com Adam Smits. Ex. perante a lei.

Não deveria haver publicidade para não influenciar o consumidor. O preço tem que resultar apenas do livre jogo da oferta e da procura.muitos . em primeiro lugar. a fixação do preço. . a liberdade individual que se pretendia salvaguardar da interferência do poder sendo que a liberdade era entendida como libertação do Estado.o aparecimento das sociedades por acções (em contraposição à empresa individual) fruto dos mecanismos de acumulação de capital . Era. individualmente. a igualdade como súbdito e a independência como cidadão. não era pelo facto de a teoria apontar para a igualdade de posição e de iniciativa dos indivíduos que todos. A concorrência perfeita não existe. na prática. tinham a mesma capacidade ou as mesmas condições para a iniciativa económica. dispensa da tutela estatal. Deveria restringir-se a função do Estado à garantia e permanência da ordem jurídica. tais como: . Por outro lado. a concorrência livre e perfeita desejada. Como é que o liberalismo económico se desmoronou? No confronto com os factos reais da vida económica. O produto não deve ser diferente na concorrência. em teoria.tantos que nenhum deles. acabou por permitir fenómenos de concentração que o liberalismo não aceitava.A sociedade liberal era entendida como uma soma de indivíduos. O acesso ao mercado não tem regras. aliada ao progresso técnico. Qualquer novo produtor/vendedor pode entrar. seja de que maneira for. pode influenciar. Em primeiro lugar. segundo o ideal do Estado jurídico kantiano: garantir a cada indivíduo a liberdade como homem.produtores . O consumidor deveria pautar-se apenas por factores racionais. Aparecem novos fenómenos contrários à doutrina liberal.o aparecimento de trusts e cartéis (em contraposição à livre concorrência2[2]) 2[2] Nota: Na Concorrência Perfeita os 4 factores têm que estar reunidos: .

o Estado faz uma opção – a sua forma de intervir é ter decidido não intervir na vida económica. continuaram a afirmar-se. Intervenções unilaterais e bilaterais.. Sumário: O Estado Contemporâneo. Fundamentos actuais da intervenção do Estado. apesar de a economia ir dando sinais de rompimento com os ideais liberais. Bibliografia: Manuel Afonso Vaz . Trata-se de uma intervenção por omissão deliberada”. os constitucionais. sectoriais e pontuais ou avulsas. como a liberdade e a propriedade. A escala de valores próprios da intervenção do Estado. o que acontece é que a pretensão do liberalismo de ver os poderes públicos fora da órbita do económico vai significar uma opção por uma determinada ordem jurídica de economia. Intervenções globais. Segundo Mota Pinto.a criação de sindicatos e a celebração de contratos colectivos de trabalho Mas. nomeadamente. Intervenções imediatas e mediatas. A superação do modelo liberal e a incidência do princípio da socialidade. “mesmo nos países onde o Estado opta por um modelo de liberalismo económico. os princípios. Intervenções directas e indirectas. XX. mesmo já no início do séc. Ou seja. Será correcto afirmar-se não existir no modelo liberal uma ordem jurídica da economia? Como nos diz Manuel Afonso Vaz. o sistema jurídico manteve os princípios de neutralidade do Estado liberal frente à sociedade. retirando-se para uma posição de observador. É neste sentido que já se chamou à ausência de intervenção positiva do Estado dirigismo negativo.

No entanto. A I Guerra Mundial é o marco convencionado para o início da desagregação do liberalismo económico. os Estados começam por ter a necessidade de reorientar a economia para aguentar os custos da guerra e confronta-se com fenómenos económicos como a inflação e o desemprego. Em 1919. Por fim. a Constituição de Weimar vai estabelecer uma organização económica com princípios democráticos. da qual também já falámos. quer no aparecimento de conflitos sociais motivados pela divisão do trabalho no processo de industrialização. É com ela que se atesta a falência do modelo liberal económico. segundo Afonso Vaz. contribuiu igualmente. temporárias. Estas realidades obrigam os Estados a intervir procurando minimizar os efeitos da guerra. repercute-se por toda a Europa no pós-Guerra. para a modificação da relação entre poderes públicos e poderes privados. quer na incapacidade de manter uma matriz de concorrência perfeita e de sociedade atomista. poderia pensar-se que estaríamos perante medidas conjunturais. Trata-se de um projecto sedutor que tende a agregar muitos teóricos preocupados com os efeitos sociais nefastos do modelo liberal e da economia de guerra. A conflitualidade daí decorrente vai alimentar as correntes ideológicas anti-liberais. Os ideais da revolução de 1917. Como já vimos. Na altura. nomeadamente as correntes socialistas. elas levaram a uma mudança do comportamento do Estado perante a economia.Cabral Moncada O sistema liberal começa a dar sinais de enfraquecimento. . a crise de 1929 que parte dos EUA e irá afectar toda a Europa.

planificação urbana e planificação do espaço territorial. electricidade. Esta preocupação com o bem estar dos cidadãos manifestou-se. política de emprego. uma progressiva intervenção do Estado na economia. com três fases distintas: a) Intervencionismo Restrito –correspondendo ao período durante e após a I Guerra – restrito porque se trataram de medidas avulsas e conjunturais . XX. com a consciência da necessidade da intervenção do Estado com vista à realização da justiça social e do bem estar das populações. optam por um processo de nacionalizações com vista à promoção do interesse público que lhes parece impossível deixar nas mãos dos privados. gás. Do ponto de vista filosófico. verifica-se. No final da Guerra. política habitacional e de povoamento. mais uma vez está de rastos e os Estados. transportes públicos). o Estado vai alargar consideravelmente o seu âmbito de fornecimento de serviços: segurança social. escolar e de investigação. política ambiental. protecção no trabalho. Até aos anos 80 do séc. a Europa. política educacional. Adopta-se uma progressiva preocupação com a dimensão social da economia. os Estados retomam uma valoração ético-axiológica das suas próprias tarefas. A partir destas iniciativas primárias. protecção à família. políticas sanitárias. essencialmente.A II Guerra renova e amplia as preocupações estatais relativamente às suas economias internas. obrigando-se à criação de condições materiais da realização do indivíduo / cidadão. O Estado tinha a consciência que os privados não seriam a melhor opção para o fornecimento destes serviços se eles pretendiam ser um serviço público e não uma mera actividade geradora de lucro. com a consciência de que se está a lidar com bens escassos. no fornecimento de serviços a nível estatal (correios e caminhos de ferro) e a nível municipal (abastecimentos de água. preocupados em manter a economia a funcionar. assim. seguros contra o desemprego. etc.

ao aumento da intervenção dirigista do Estado. Os Fundamentos da intervenção do Estado A intervenção do Estado é um fenómeno que se manifesta.a partir do modo de coordenação – nas economias totalmente planificadas e nas economias de mercado . independentemente da sua classificação: . a intervenção do Estado tem intensidades diferentes. com ela. o modelo de Estado-Providência entra em crise e. discutem-se eventuais novos modelos de relação entre poderes públicos e privados.a partir do modo de produção – sistema económico de apropriação colectiva dos meios de produção ou sistema económico de apropriação privada dos meios de produção. em sistemas diversos. . por outro lado. A acção do Estado é entendida como um “poder-dever” que. além de legitimar a intervenção do Estado. lhe cria mesmo obrigações face à defesa da comunidade. à escolha de opções por determinadas políticas económico-sociais. hoje em dia. também o modelo de Estado-planificador.b) Dirigismo – no espaço entre as duas guerras verificou-se um aumento acentuado das restrições aos agentes privados e. tendente a racionalizar e ordenar a economia do país. Aceita-se que o Estado pode intervir na economia em favor da defesa do interesse público c) Planificação – a seguir à II Guerra a intervenção do Estado torna-se um processo coerente e sistemático. ou seja. A partir da década de 80. Mas. Hoje em dia.

apesar das recentes orientações de política económica que aliviam o papel do Estado na economia. O princípio da socialidade – origem e justificação para a tarefa conformadora do Estado na sociedade – reflecte-se no estabelecimento. remetendo-se a escolhas por vezes passageiras e mutáveis. só o Estado (socialista) tem legitimidade para traçar o espaço de realização do indivíduo. a questão coloca-se em termos de maior ou menor intervenção. a intervenção do Estado continua a ser uma realidade. Pactos da ONU de 1976). totalmente. condicionadas. mesmo já a nível internacional. sabemos que a colectividade não exprime. característica do liberalismo. e a intervenção do Estado na sociedade é limitada pelos princípios do Estado de Direito Democrático. No entanto. constituindo o retrato da vontade política da total direcção do todo social (economia incluída. Segundo Afonso Vaz. Os valores prosseguidos pelo Estado também só são legítimos dentro deste âmbito. não se recuperou a dispersão máxima dos indivíduos. a sociedade integra-se. de Direitos Económicos. em termos económicos por fenómenos como: maior ou menor crescimento económico.Numa economia planificada. no Estado e considera-se que. maior ou menor desenvolvimento. segundo Afonso Vaz. O Estado de Direito Social coloca-se entre os dois pólos. E. A escala de valores próprios da intervenção dos poderes públicos A legitimidade do Estado de Direito provém das preferências colectivas manifestadas no texto constitucional e na legislação ordinária. o Plano é o instituto normal. demonstrando que o Estado não se pode remeter à abstenção liberal pura. maior ou . Sociais e Culturais (ex. Hoje. ou de direcção central. de forma estável e racional uma escala de valores. é da “cultura pública democrática” que deve decorrer o equilíbrio consentido entre poderes públicos e privados. Neste sistema económico. nem tão pouco se assume a integração máxima do Estado totalitário. Nas economias de mercado. obviamente).

A diferença reside no carácter mais racional do documento planificatório. quer em termos qualitativos. de facto. segundo 3 formas diferentes: a) Intervencionismo b) Dirigismo c) Planificação A diferença entre intervencionismo e dirigismo é essencialmente qualitativa. corre-se o risco de uma flutuação permanente das opções económicas.menor desemprego. não existe. uma hierarquia rígida de valores na intervenção do Estado na economia. esta reveste-se de características diferentes. mais sistemático e mais racional. assim sendo. etc. Enquanto o intervencionismo se reduzia às intervenções pontuais sem outro objectivo que não o da resolução de problemas conjunturais. E. Tipologia de intervenção Como já tivemos oportunidade de ver. A diferença entre dirigismo e planificação é de ordem quantitativa. mais organizado. o Plano é mais detalhado. e já não. ao analisar a intervenção do Estado entre a I Guerra e os anos 80. A planificação é um dirigismo por planos. somente. arrecadar receitas. evitando o legislador constituinte a fixação de tal hierarquia no texto constitucional. Intervenções globais. ou seja. o dirigismo característico do pós-guerra já pressupõe uma actividade coordenada com vista à obtenção de certos fins. quer em termos quantitativos. maior ou menor inflação. nomeadamente de ordem sócio-económica. A intervenção do Estado caracteriza-se. portanto. sectoriais e pontuais ou avulsas .

imaginemos que uma empresa importante para a exportação entra em dificuldades económicas e o Estado decide encetar uma intervenção que vise a recuperação da mesma empresa. Se. no segundo caso. por exemplo. Intervenções imediatas e mediatas As medidas imediatas são aquelas que se caracterizam por terem efeito directo dirigido e intencional na economia. o Estado. as nacionalizações ou o apoio a determinadas actividades económicas. através de medidas de encorajamento do investimento. estaremos neste caso perante uma intervenção pontual ou avulsa. e se o Estado adopta medidas de encorajamento ao investimento neste sector. a baixa no investimento se verifica num só sector de actividade. o turismo. no primeiro caso intervém na Economia. acabem por afectar a actividade económica do país. intervém sobre a Economia. não sendo especificamente dirigidas a um sector económico ou à economia na sua globalidade. por ex. Por outro lado. o Estado pode tomar outro tipo de medidas que. Mas. uma baixa generalizada do investimento. por ex. considerado fundamental para o desenvolvimento do país.aumento ou diminuição de impostos sobre o rendimento das empresas ou sobre o trabalho . Se o Estado intervém para corrigir este fenómeno global.abertura de linhas de crédito a favor da construção social . . Segundo Cabral Moncada. .Olhemos para o Estado e para a Economia e pensemos num fenómeno global económico. estamos perante uma intervenção sectorial. estamos perante uma intervenção global.diminuição das taxas de juro estamos a falar de intervenções mediatas. ex.

Estamos a falar de medidas de concertação. o que é completamente diferente. A intervenção unilateral é considerada como tributária de uma concepção policial da intervenção económica do Estado. aumenta os impostos ou as taxas de juro. . Consideremos como exemplo a oferta. No entanto. deve-se ao facto de a via contratual assegurar o comprometimento da outra parte o que confere maior eficácia às medidas adoptadas. Estas intervenções são as tradicionais e ainda maioritárias. de reduções fiscais às empresas em troca de um aumento de investimento. apoia um sector. a concepção contratual traz consigo uma evolução da fase de polícia económica para a fase da política económica (Cabral Moncada). cada vez mais se acentua a tendência para o Estado intervir ao abrigo de formas convencionais e contratuais do exercício da autoridade. estamos perante intervenções unilaterais. da medida unilateral de reduções fiscais tout court. por parte do Estado. etc. em termos de efeitos esperados. qual o sentido que tem recorrer à negociação com privados para determinar formas de intervenção? Em primeiro lugar. Pelo contrário. Em segundo lugar. assegura um clima de paz social que seria mais difícil se as medidas fossem de carácter unilateral.Intervenções unilaterais e bilaterais Quando o Estado nacionaliza ou privatiza. Se o Estado está dotado de iuus imperii. Estas formas pressupõem um acordo entre Estado e privados para a determinação de formas de intervenção.

estamos perante intervenções directas. A intervenção indirecta do Estado limita-se a condicionar. a intervenção directa do Estado tem. a contratação. e através delas controla a produção. sem assumir o papel de sujeito económico activo. tradicionalmente exclusivos da actividade privada. a actividade económica privada. de uma maneira geral. crescentemente. Intervenções directas e indirectas Se o Estado constitui empresas públicas ou controla empresas privadas. os tribunais comuns. o seu contencioso faz-se em moldes de Direito Privado. sendo competentes. estamos perante intervenções indirectas. o Estado procura cada vez mais imitar a empresa privada.As medidas convencionais ou contratuais não se destinam a prevenir ou a reprimir comportamentos dos actores económicos mas sim a concertar políticas económicas consideradas desejáveis pelo Estado em função de interesses sociais gerais. O Estado produtor de bens e serviços . Trata-se da “regulação”. Sendo que a estrutura da empresa privada é a que melhor se adequa à obtenção do lucro. Tal como já tínhamos visto quando falámos da heterogeneidade das fontes de Direito Económico. Por outro lado. a partir de fora. Se o Estado fiscaliza uma empresa ou um sector. fins lucrativos. a comercialização ou a importação de determinados bens. apesar de ter presentes alguns elementos de Direito Público. ou se estimula a economia o seu todo ou sectorialmente.

nas actividades que se constituíssem como extensão natural de um serviço público administrativo (é o caso das imprensas nacionais e do fabrico de equipamentos para as forças armadas). através de duas figuras: 1. ao socorrer-se dos dinheiros públicos. através do movimento de nacionalização das empresas. a administração directa por departamentos da Administração Pública sem personalidade jurídica própria. suprir incapacidades privadas na produção de bens ou serviços de interesse geral em quantidade ou condições adequadas (é o caso das infraestruturas). o Estado do período liberal organizava-se. só se aceitava legítima a sua actividade como produtor para colmatar eventuais falhas de mercado. era considerada como distorcendo os princípios “sagrados” da doutrina liberal. 2. enquanto produtor.No liberalismo. História das nacionalizações . Esta nova figura fica a coexistir com os serviços públicos personalizados e com as concessões a privados de actividades de interesse geral. evoluiu para a figura de serviços dotados de personalidade jurídica. estaria em condições vantajosas para concorrer de forma desleal com os privados. a da empresa pública. A partir da II Guerra surge uma nova figura. a actividade económica do Estado. a concessão dessas actividades a sociedades privadas A partir da I Guerra. nos chamados monopólios naturais (os caminhos de ferro ou as telecomunicações). ou seja. Assim. enquanto produtor. Considerava-se que o Estado. É ainda a época em que os Estados criam novos mecanismos de intervenção com o Plano e os auxílios às empresas privadas. a figura do Serviço Público Económico não personalizado. como já vimos. Para isso.

a revolução implicou a colectivização (estatização) total da economia. um surto de nacionalizações mais alargado. para seu uso. as nacionalizações são. nacionalizam-se fábricas de material de guerra. gás. em termos qualitativos e quantitativos. fósforos. Daqui decorre que a terra é propriedade da Nação (e não do Estado) e que a sua aquisição privada é sempre limitada pelo interesse colectivo. as empresas que ocupavam mais de 10 operários (ou mais de 5 se utilizassem equipamentos a motor) e todo o comércio que não correspondesse à venda de produção própria. água. sobretudo características do período após a II Guerra Mundial. moedas e medalhas. aviação civil. limitada pelo interesse público. nacionalizam-se os bens colectivos essenciais (electricidade. No entanto. Nacionalizaram-se: a terra. em 1936-37. os transportes. a indústria. caminhos de ferro. Esta disposição constitucional esteve na base da reforma agrária do México nos anos seguintes. Na Alemanha. no seguimento da Constituição de Weimar de 1919. indústria de guerra. sobretudo após a II Guerra que se verifica. Na Rússia. etc.a Constituição mexicana . na Europa. Mas é. .a propriedade da terra e das águas interiores é da Nação. o ano de 1917 traz já elementos a considerar: .) Em França. a banca. caminhos de ferro. os seguros. a qual tem o direito de a transferir para pessoas privadas.a Revolução soviética Na Constituição mexicana aparece um novo conceito de propriedade: .Como já tivemos oportunidade de ver.

em regra. Canal do Suez no Egipto em 1956. após 1949. .Interessa agora ao Estado controlar sectores-chave da economia. defendeu a figura da nacionalização com as seguintes justificações: a) existência de sectores de actividade económica que desempenham um papel social relevante e decisivo. companhias de seguros. medida pragmática de atenuação do individualismo e do puro liberalismo económico. e nas ex-colónias portuguesas). dado que se defende. ao contrário do clássico instituto da expropriação por utilidade pública. Não foi só o pensamento marxista que defendeu as nacionalizações. Numa perspectiva marxista defensora de uma economia socialista. por princípio. transportes aéreos. colectiviza-se a terra e. se generalizaram as nacionalizações. abrangendo a quase totalidade dos meios de produção. consequência de um acto político-ideológico. Nacionalizam-se bancos. explorações e indústria de carvão. nacionalizam-se as indústrias. b) a necessidade de subtrair ao controlo dos monopólios privados sectores-chave da economia. A emancipação e independência política das nações do Terceiro Mundo implicaram também nacionalizações (ex. Também o pensamento social democrata. As nacionalizações são. a apropriação colectiva de todos os meios de produção. posteriormente. as nacionalizações são o instrumento privilegiado para alterar radicalmente o sistema anteriormente vigente. transportes ferroviários e siderurgia. depois da II Guerra. se inseriram na órbita soviética. Na República Popular da China. indústria petrolífera no Irão em 1951. no final da II Guerra. Também nas democracias populares de Leste que.

c) a necessidade de fazer face a situações de subdesenvolvimento e desigualdades regionais; d) necessidade de colmatar lacunas da iniciativa privada económica; e) tentar um melhor aproveitamento dos meios disponíveis e dos recursos naturais mediante a utilização de técnicas de planeamento. O pensamento social-democrata manifesta-se, no entanto, contra uma alteração radical do sistema económico de mercado, já que não aceitava uma nacionalização maciça e integral da economia. A social-democracia não considera que o colectivismo integral seja condição necessária de justiça social. Para esta corrente político-ideológica, o sector público da economia seria um instrumento (não o único) de realização da justiça social. A social-democracia aponta para uma economia onde coexistem os três sectores de produção, já que considera que o colectivismo de Estado é incompatível com a eficiência económica, com a liberdade e com a democracia. O sector do pensamento liberal, e mesmo alguns sociais-democratas, são muito mais críticos em relação à figura da nacionalização, já que acreditam que o colectivismo conduzirá a uma gestão burocrática e insuficiente, além de, segundo eles, ser incompatível com a liberdade dos cidadãos. Consideram que, a um aumento do poder do Estado corresponde sempre uma progressiva diminuição da autonomia do cidadão e, no caso da colectivização integral da economia, julgam estes elementos liberais e alguns sociaisdemocratas que, sendo o Estado o único patrão, lhe será fácil e tentador eliminar a sobrevivência dos adversários do regime. O conceito de nacionalização Por nacionalização entende-se o acto político-legislativo que transfere a propriedade dos bens económicos para a Nação.

Pressupõe a existência simultânea dos seguintes componentes e características: a) uma componente ideológico-política, implicando, fortemente, a subordinação do poder económico ao poder político o que, juridicamente, se vem a formalizar em um acto legislativo, tornando-o normalmente, inaccionável (dada a ausência de garantias por vazio legal). b) o objecto da nacionalização é um bem económico em sentido estrito. O que provoca a nacionalização é o facto de ser uma “unidade produtiva” (o não o valor real do património). Os bens continuarão como unidades produtivas na posse da Nação. c) A titularidade e posse útil dos bens transferem-se para a Nação.

O termo de referência da nacionalização é a Nação e não o Estado. Ou seja, o interesse da colectividade (Nação) pode exigir formas de detenção e gestão dos bens nacionalizados não necessariamente estatais, reconhecendo-se que a prossecução do interesse colectivo pode aconselhar formas mais amplas e diversificadas de gestão dos bens nacionalizados. No entanto, note-se que o acto de nacionalizar é sempre um acto estatal. A gestão e detenção útil dos bens é que poderá levar a formas de estatização ou de propriedade social, ou o seu retorno à propriedade e gestão privadas. Vamos então olhar para alguns dos modos de constituição de propriedade e/ou gestão colectivas que, embora com estruturas semelhantes, têm naturezas diversas e até divergem quanto aos fins: a) nacionalização – consiste em subtrair, por acto de autoridade pública, bens económicos à propriedade e gestão privadas. Apesar de ser um conceito jurídico

neutro, pode converter-se num instrumento de subversão do sistema económico, ou numa possibilidade de uso a título excepcional. O destino e enquadramento jurídico dos bens nacionalizados vão depender da intencionalidade da nacionalização. Se consideramos a consagração da iniciativa económica privada como direito subjectivo fundamental e garantia institucional da ordem económica, a nacionalização e outras formas de intervenção e de apropriação colectiva dos meios de produção e solos, têm de entenderse como uma excepção de restrição qualificada de propriedade e iniciativa económica privadas. Devem apontar-se: o requisito de necessidade e indispensabilidade da nacionalização para salvaguardar outros valores constitucionais. Assim, por exemplo, se o valor que se pretende preservar, puder ser salvaguardado através da intervenção estatal na gestão da empresa, será inconstitucional o recurso imediato à nacionalização, pois esta é mais onerosa para o Direito do que aquela. Uma outra questão é a do destino dos bens nacionalizados no que respeita à sua propriedade e gestão. Hoje permite-se a reprivatização da titularidade ou do direito de exploração de meios de produção e outros bens nacionalizados. b) a expropriação por utilidade pública A expropriação por utilidade pública não tem por objectivo a transferência de bens de produção da propriedade privada para a propriedade pública. A nacionalização limita o direito de empresa (direito de iniciativa) enquanto a expropriação limita o direito de propriedade. Os fundamentos ideológicos são bastante diferentes num caso e no outro. A nacionalização é determinada por razões de ordem política (necessidade de subtrair às entidades privadas sectores-chave da economia a favor da Nação); a expropriação por utilidade pública é

sectores de actividade. A Constituição moçambicana em vigor não contempla a figura do confisco. A nacionalização é um acto materialmente político-legislativo enquanto que a expropriação por utilidade por utilidade pública é um acto administrativo sujeito ao princípio da legalidade e susceptível de impugnação.determinada pela indispensabilidade dos bens à realização de tarefas próprias da Administração.. ou seja. c) expropriação de meios de produção em abandono (confisco) O decreto-lei 16/75 de 13 de Fevereiro previa a conduta dolosa dos particulares na actividade económica de Moçambique. a perda dos bens a favor do Estado. na Constituição portuguesa (artº 88º) prevê a possibilidade de abandono de meios de produção. pela expropriação ou ainda por dois outros instrumentos sancionatórios: arrendamento ou concessão de exploração compulsivos. quer por acção quer por abandono (artº 1º) a que corresponderia. no entanto. o confisco sobre os meios de produção (artº 10º / nº 3 sobre presunção de abandono). A nacionalização incide sobre empresas. O confisco configura uma “expropriação-sanção”. enquanto que a expropriação incide sobre bens imobiliários. não lhe corresponderá nenhuma indemnização. fundada numa conduta tipificada como criminosa. Sendo uma sanção. quotas de empresas. optando. Actualmente. d) A intervenção do Estado na gestão da empresa privada . em última instância. etc. Tanto a nacionalização como a expropriação obrigam ao pagamento de indemnização.

a submissão ao princípio da legalidade e a justa indemnização. A intervenção do Estado é uma intervenção a termo (artº 9º). A titularidade dos bens continua a ser pertença dos particulares. a figura encontra-se no Decreto-Lei 16/75. É uma característica doutrinal desta figura. Em Moçambique. e) Requisição A requisição relaciona-se com a possibilidade de a Administração ou as autoridades militares poderem impor a um particular a obrigação de prestar serviços ou dispor um bem para utilização temporária. sendo a figura da intervenção do Estado na gestão da empresa privada de carácter excepcional e transitório.No caso da intervenção do Estado na gestão da empresa privada é unicamente a gestão que se torna pública e não a propriedade. Tema: Noção de empresa pública e empresa estatal Bibliografia: Manuel Afonso Vaz . Competirá à lei definir os espaços temporais limitativos da intervenção bem como os casos em que a mesma se justifica. O normal é que o titular da propriedade detenha igualmente a gestão. Tem como pressuposto a necessidade por interesse público. A cessação da intervenção poderá implicar o retorno da gestão da empresa aos seus titulares ou a sua nacionalização.

de acordo com este diploma. estavam particularmente associadas ao processo revolucionário em curso. As empresas estatais. . As empresas estatais gozam de personalidade jurídica (artº 5º) mas não detêm autonomia administrativa. técnica. necessitando de aprovação do Ministério da Finanças nos termos da lei orçamental aprovada (artº 26º / nº3). obrigando-se. essencialmente. não só ao desempenho de funções na área da produção. é-lhes concedida. a possibilidade de contrair empréstimos a curto prazo. bem como de formação política. pelo artº 1º (definição) “são empresas estatais as unidades sócio-económicas. as quais seriam transferidas em cada ano para o Orçamento Geral do Estado (artº 26º / nº 2) Também as subvenções recebidas do Orçamento de Estado poderiam ocorrer quando tal se justificasse. responsáveis pelo fornecimento de receitas ao Estado. dirige e afecta os recursos materiais. Esperava-se que as empresas estatais fossem. mas a um conjunto de tarefas de defesa do modelo socialista (artº 3º). científica e cultural dos seus trabalhadores (artº 2º). propriedade do Estado que as cria.Cabral Moncada Noção de empresa estatal Segundo a lei 2/81 de 10 de Setembro. financeiros e humanos adequados à aplicação do seu processo de reprodução no cumprimento do plano. pelo artº 25º / nº1. No campo financeiro. no sentido de consolidar e aumentar um sector estatal que domine e determine a economia nacional” (…) “As empresas estatais realizam a sua actividade no quadro do cumprimento do plano”. financeira ou patrimonial.

entendem-se as empresas públicas como “criadas pelo Estado. pelo artº 1º (Objectivos). para além de uma profunda alteração na gestão das empresas dotadas de capital do Estado. b) existência de capital estatutário. estruturalmente por: a) exercício directo de uma actividade económica e social. verifica-se que “as empresas públicas gozam de personalidade jurídica e são dotadas de autonomia administrativa. Transição de empresa estatal para empresa pública Como se vê no preâmbulo da lei 17/91 de 3 de Agosto. Pelo artº 2º. era necessário alterar o regime jurídico das empresas estatais dado estar ultrapassado. c) aplicabilidade de regras de economicidade e gestão empresarial. quer em concorrência. Defendia-se a introdução de novos mecanismos jurídicos no sentido de garantir uma maior eficiência e rentabilidade do sector empresarial público. A empresa pública institui-se por acto de autoridade e caracteriza-se. financeira e patrimonial”. por força da aplicação do Programa de Reabilitação Económica. . com capitais próprios ou fornecidos por outras entidades públicas”. quer as empresas actuem em monopólio. Bibliografia: Manuel Afonso Vaz Cabral Moncada Lei 17/91 Noção de empresa pública Segundo a lei 17/91 de 3 de Agosto. garantia dos credores e suporte do seu equilíbrio financeiro.A alienação de património só podia ocorrer com autorização do órgão central do aparelho do Estado que superintendia aquele sector de actividade (artº 27º / nº2).

Dispõe de personalidade própria. a) Personalidade jurídica A empresa pública é autónoma face ao Estado. é a condição indispensável para que a actividade empresarial se constitua como a actividade principal da empresa e assim se constitua o seu regime jurídico. A concessão de personalidade jurídica estabelece: a) todos os direitos e obrigações necessários à prossecução do seu objecto – lei 17/91. artº 2º / nº 2 b) representação através do seus órgãos – (Conselho de Administração na lei 17/91.d) aplicabilidade genérica das normas comuns em matéria fiscal. aplicável aos actos próprios da actividade da empresa. face ao Estado. O objecto da empresa pública é sempre definido pela lei e constitui um limite à sua competência. Também para as empresas públicas vigora o princípio da especialidade. genericamente. processual e de trabalho. patrimonial e financeira”. artº 19º A sua capacidade jurídica não diverge da capacidade das pessoas colectivas previstas no Código Civil. nos termos do qual. A personalidade jurídica autónoma. sendo nulos todos os actos e contratos praticados e celebrados pela empresa. f) reconhecimento de uma ampla autonomia “administrativa. artº 16º / nº 2 d) autonomia financeira – lei 17/91. artº 11º / alínea i) c) autonomia patrimonial – lei 17/91. os quais contrariem ou transcendam o seu objecto. e) o direito privado é o direito. não podem praticar actos contrários as seus fins. .

para os tribunais administrativos. a Lei 17/91. a serem submetidos à aprovação do Ministro das Finanças. . por grandes rubricas. e de acordo com os estatutos. O orçamento não faz parte integrante do Orçamento de Estado nem incide sobre ele qualquer acto de aprovação parlamentar. No caso de Moçambique. sob proposta do ministro da respectiva área de subordinação. no seu artº 24º / nº 1 estabelece que as empresas públicas devem elaborar. A fiscalização da execução do orçamento compete ao Conselho Fiscal (lei 17/91. orçamentos de exploração e investimento.Para a prática de actos só indirectamente relacionados com o objecto da empresa. em cada ano económico. artº 14º/ alínea c). elaborado pela própria empresa e aprovado pelo governo. consoante os casos. c) Autonomia financeira A autonomia financeira assenta na existência de um orçamento próprio. dos seus actos (praticados pelos seus órgãos no âmbito das suas competências) não cabe recurso hierárquico mas só contencioso. A capacidade jurídica de direito público é aquela que a lei lhes concede ao determinar a sua competência. b) Autonomia administrativa A autonomia administrativa determina que as empresas públicas podem praticar actos administrativos e executórios e que. é necessária a autorização do Governo ou o parecer dos órgãos da empresa.

minas. O património da empresa pública é o limite da garantia dos credores. bem como realizar as despesas inerentes à prossecução do seu objecto (lei 17/91.Para poderem ter um orçamento próprio. aeroportos. artº 16º/ nº 2). No entanto. artº 19º). cisão e liquidação das empresas públicas é da competência do órgão que as criou” – lei 17/91. excluindo-se os bens de domínio público sob administração da empresa pública. etc. sobre eles. linhas férreas. o regime de autonomia patrimonial das empresas públicas não permite a sua falência ou insolvência não sendo possível liquidação concursal plena do seu património por iniciativa dos credores. artº 31). d) autonomia patrimonial A existência de autonomia patrimonial significa que é apenas o património da empresa que responde pelas suas dívidas (lei 17/91. É o caso dos portos. bens esses cuja titularidade é do Estado ou de outras pessoas colectivas públicas. Os bens que integram o património da empresa podem ser penhorados e executados judicialmente bem como podem ser constituídas. as empresas públicas têm competência para cobrar receitas provenientes das suas actividades ou que lhes sejam facultadas nos termos dos estatutos ou da lei. . Esta não pode exercer-se sobre os bens do domínio público administrados pelas empresas. A liquidação das empresas públicas ocorre por iniciativa do governo (“A fusão. garantias reais de modo a privilegiar determinados credores numa eventual execução.

Criação e extinção da empresa pública Nos termos da lei 17/91. h) Mostrando-se insuficiente o produto da realização do activo para pagamento aos credores comuns. só podem ser alienados os bens que não estejam afectos a fins de utilidade pública. O regime da penhorabilidade dos bens da empresa pública e da sua oneração por negócio jurídico é. pelo contrário. sendo ou não penhoráveis.possibilitar a normal prossecução do serviço público. A proibição da execução universal não impede a licitude da execução singular das dívidas com a ressalva de isenção de penhora dos bens “afectados ou aplicados a fins de utilidade pública”. Só no primeiro caso são penhoráveis. passa pela questão de saber se eles têm por função: .a produção de um rendimento de utilidade económica ou. serão os credores pagos de acordo com a graduação de créditos estabelecida. Como vimos.Os credores só podem ver satisfeitos os seus créditos uma vez declarada a liquidação da empresa por iniciativa governamental e até ao limite do património desta: Lei 17/91 – artº 38º g) “Finda a verificação do passivo e realizado o activo da empresa. O critério para se saber se os bens integrantes do património de uma empresa pública estão ou não afectos a um fim de utilidade pública. . pois só são penhoráveis os bens que podem ser alienados. artº 3º . pois. A afectação a fim de utilidade pública é um limite à alienabilidade e consequentemente à penhorabilidade do património das empresas públicas. um regime restrito. . serão estes pagos rateadamente”.

Quanto à extinção das empresas públicas. mediante o competente diploma legal (artº 31º). nos termos do artº 30º da mesma lei 17/91.Órgãos das empresas públicas Os órgãos obrigatórios das empresas públicas são: 1. O diploma de criação das empresas públicas definirá o órgão do aparelho do Estado a que se subordinam”. . Conselho de Administração – 5 a 7 elementos. Não é aplicável a extinção de uma empresa pública pelas regras aplicáveis à dissolução e liquidação das sociedades nem pelos estatutos de falência e insolvência (artº 30º / nº 2). O Conselho de Administração é o órgão executivo com “todos os poderes necessários para assegurar a gestão e o desenvolvimento da empresa” (artº 11º). ela opera-se segundo três possibilidades: a) fusão b) cisão c) liquidação Qualquer destas três formas de extinção é da competência do órgão que criou a empresa em questão.1. renováveis. os restantes membros são nomeados e exonerados pelo ministro da respectiva área de subordinação. para isso b) aprovar as políticas de gestão da empresa g) aprovar a aquisição e a alienação de bens e de participações financeiras quando as mesmas se encontrem previstas nos orçamentos anuais aprovados e dentro dos limites estabelecidos pela lei ou pelos estatutos . incluindo um representante do Ministério das Finanças ou da Comissão Nacional do Plano e um representante eleito pelos trabalhadores.“As empresas públicas são criadas por decreto do Conselho de Ministros 2. Os mandatos são de três anos. O seu Presidente é nomeado e exonerado pelo Conselho de Ministros. destacando-se.

Sempre que se revele necessário. dirigir superiormente os seus serviços e gerir tudo quanto se relaciona com o objectivo da empresa. o Estado pode intervir com todos os poderes que decorrem de uma relação especial de sujeição (era o caso das empresas estatais – Lei 2/81. Os poderes são os da intervenção e da fiscalização (mas não em poderes de orientação da entidade controlada). dirige e afecta os seus recursos materiais…”). . ouvido o ministro da área de subordinação. Conselho Fiscal – com 3 a 5 elementos. não se presumindo. a comodidade e eficiência da gestão e a realização dos resultados e benefícios programados. por períodos de cinco anos. Na relação hierárquica.A intervenção do governo O estatuto de autonomia das empresas públicas impede um controlo de ordem hierárquica. nomeados por despacho do Ministro das Finanças. de amortização e de reintegração de provisões e reservas e de determinação de resultados f) pronunciar-se sobre o desempenho financeiro da empresa. Os poderes de tutela e superintendência são só os que estão previstos na lei. renováveis (artº 14º / nº 2) Destacam-se. figuras compatíveis com a autonomia da entidade controlada. . (artº 12º / nº 1) o Conselho de Administração poderá nomear directores executivos fixando-lhes o âmbito da sua actuação. das suas competências: c) examinar periodicamente a contabilidade da empresa e a execução dos orçamentos d) pronunciar-se sobre os critérios de avaliação de bens. activa e passivamente j) coordenar toda a actividade da empresa. 2. artº 1º / 1 “Estado que as cria. O controlo governamental exerce-se através da tutela e superintendência. pelo contrário.i) representar a empresa em juízo ou fora dele.

Regime de tutela e superintendência . em particular. “A gestão das empresas públicas deve ser conduzida de acordo com a política económica e social do Estado…” Este regime consolida-se. balanço e demonstração de resultados. através da presença. garantindo-se. origem e aplicação de fundos. no Conselho de Administração. A superintendência demonstra-se.artº 21º 1. bem como parecer do Conselho Fiscal sobre os mesmos . com capitais próprios ou fornecidos por outras entidades públicas. dos orçamentos anuais de exploração e investimento (artº 24º / nº 1. realizam a sua actividade no quadro dos objectivos sócioeconómicos do mesmo”.“As empresas públicas criadas pelo Estado. do representante do Ministério das Finanças ou da Comissão Nacional do Plano. apresentação ao Ministro da área de subordinação (que depois remete para o Ministro das Finanças) de determinados documentos (artº 28º / nº 1). participações noutras empresas e financiamentos.a priori – ex: subscrição de participações financeiras (artº 6º). sob proposta do ministro da respectiva área de subordinação. com capitais próprios ou fornecidos por outras entidades públicas. relatório anual. igualmente através da necessidade de aprovação governamental de orçamentos. pois: .artº 1º .através de poderes de orientação – ex: “As empresas públicas criadas pelo Estado. A superintendência governamental exerce-se. assim a prossecução das finalidades gerais da política económica constantes do planeamento. realizam a sua actividade no quadro dos objectivos sócio-económicos do mesmo” (artº 1º).a posteriori – ex: aprovação pelo Ministro das Finanças. nº 2 e nº 4). ex: emissão de obrigações (artº 20º / nº 1) . . “A gestão das empresas .

subsídios do Estado sempre que as actividades da empresa.na nomeação dos membros do Conselho Fiscal por despacho do Ministro das Finanças – artº 14º / nº 3 .públicas deve ser conduzida de acordo com a política económica e social do Estado…” (artº 21º / nº 1). não sejam rentáveis – artº 21º/ nº 2. dos orçamentos anuais de exploração e investimento – artº 24º / nº 1. por razões de ordem política do Estado. nos termos da lei ou dos estatutos. nº 2 e nº 4 .na emissão de obrigações que carecem de autorização do Ministério das Finanças – artº 20º / nº 1 .no momento da sua criação – artº 1º e artº 3º / nº 1 .na subscrição de participações financeiras para constituição de empresas mistas.na aprovação ou autorização do Ministro da respectiva área de subordinação dos actos e documentos que. o devam ser – artº 11º / alínea h) . identificaremos os meios e os momentos em que se estabelece uma relação prática e obrigatória. alínea b)/ nº 3 . na sequência do regime de tutela e superintendência entre a empresa pública e o Estado: .aprovação pelo Ministro das Finanças.na integração um representante do Ministério das Finanças ou da Comissão Nacional do Plano no Conselho de Administração – artº 10º / nº 3 . Se olharmos para a lei 17/91. mediante autorização do órgão de subordinação e do Ministro das Finanças – artº 6º .na aprovação do regulamento interno da empresa pelo órgão que superintende no respectivo ramo de actividade – artº 8º / nº 1 .nas dotações e outras entradas patrimoniais do Estado e das demais entidades públicas destinadas a reforçar os capitais próprios – artº 17º / nº 2 . sob proposta do ministro da respectiva área de subordinação.na nomeação e exoneração do presidente do Conselho de Administração pelo Conselho de Ministros e na nomeação e exoneração dos restantes membros pelo ministro da respectiva área de subordinação – artº 10º / nº 2 .

Ficam. . excepcionais. a) economicidade O princípio da economicidade exige o lucro empresarial.no momento da fusão. bem como parecer do Conselho Fiscal sobre os mesmos . para a transformação da empresa pública em sociedade anónima de responsabilidade limitada ou em sociedade por quotas – artº 44º A gestão económica da empresa pública Os princípios da gestão das empresas são os da economicidade. Mas. transportes públicos) ou pretenda. o de contribuir para a auto-suficiência da empresa (artº 21º / nº 2. as subvenções para cobertura de défice de exploração devem ser. consideradas. alínea b). através dela. portanto. diferença entre proveitos e custos da produção.artº 21º / nº 2. Os preços praticados pela empresa devem. o excedente. cisão ou liquidação da empresa pública – artº 31º . Isto significa que. quando o Estado impõe às empresas públicas missões que se afastam da sua gestão normal deve atribuir-lhes as necessárias compensações financeiras de modo a não comprometer o seu equilíbrio. sempre..apresentação ao Ministro da área de subordinação (que depois remete para o Ministro das Finanças) dos documentos constantes no artº 28º / nº 1. no entanto. eficiência e planeamento. salvaguardadas as situações em que seja necessário o apoio financeiro do Estado (preços políticos) sempre que a empresa desempenhe uma função económica eminentemente social (ex. ou seja.na autorização da entidade competente para a criação. aumentar o volume de exportações (Lei 17/91 . alínea b). O lucro tem um destino legal. O auto-financiamento é composto pelo valor das amortizações e dos excedentes líquidos de exploração e o lucro da empresa é o saldo líquido. ser superiores aos preços de custo.

a cobertura dos custos pelas receitas. uma capacidade de estabelecer estratégias de gestão (artº 22º. Pretende-se que os seus órgãos se habituem a calcular racionalmente as suas decisões de acordo com a conjuntura económica nacional e internacional. assim. no que em ambos não estiver regulado. As empresas públicas que explorem serviços públicos. É o corolário do princípio da economicidade que possibilita criar as condições de rentabilidade das empresas. isto não significa que a gestão não respeite o princípio da economicidade. b) A eficiência Este princípio obriga a um aproveitamento racional dos meios humanos e materiais. Por economicidade deve entender-se a manutenção do equilíbrio financeiro. pelos estatutos respectivos e.No caso de empresas públicas com actividades não lucrativas. alínea f). minimizando os custos de produção (artº 21º / nº 2. c) O planeamento Este princípio visa a perspectivação racional da gestão da empresa anual e a médio prazo. ou seja. Temos. alínea b). portanto. regem-se pelas normas de direito privado (artº 39º / nº1). empresas públicas comerciais e industriais lucrativas e empresas públicas de serviço público não lucrativas embora funcionando em termos moderadamente empresariais. Requere-se. A noção de economicidade é mais ampla do que a de lucro. defesa nacional) ou que exerçam a sua actividade em regime de exclusividade (monopólio) podem ser objecto de um regime especial de direito público . O direito aplicável às empresas públicas As empresas públicas em Moçambique regem-se pela Lei 17/91. assegurem actividades de interesse fundamental (ex.

para cobrar taxas. características de um regime de direito administrativo. etc. a) o accionariato do Estado O Estado assume. o papel de sócio. O Estado transforma-se. etc. são actos e contratos administrativos e são da competência do Tribunal Administrativo para julgamento de litígios com eles relacionados (artº 40º / nº 2). os actos e contratos das empresas públicas investidas de especiais prerrogativas de autoridade ao abrigo de um regime de direito público. aos órgãos e à inaplicabilidade de falência. maioritário ou não.(artº 39º / nº 2). sucessão legitimaria. Este regime pode comportar a atribuição àquelas empresas de prerrogativas de autoridade. ao abrigo deste regime. pelo menos quanto à parte nuclear da respectiva actividade. em accionista e a personalidade jurídica da empresa de direito privado mantém-se já que a empresa continua a ser o titular dos restantes bens e direitos integrados no património. Assim sendo. doação. É o caso de as empresas públicas que. numa empresa que se mantém de direito privado. ou por meios de direito público.. . Isto ocorre pelas mais diversas razões: compra e venda. têm competência legal para declarar a expropriação por utilidade pública de certos terrenos. estas restrições conduzem à atribuição de um estatuto de liberdade legal em vez de autonomia privada. Segundo Cabral Moncada. No caso das empresas públicas que se regem pelo direito privado. assim. Bibliografia: Cabral Moncada António Carlos Santos Muitas vezes o Estado acede à titularidade de títulos de participação no capital de empresas privadas. assim. há que notar a excepção feita quanto ao regime de superintendência.

passa a controlar a empresa. a intervenção do Estado também se manifesta neste particular com o objectivo de utilizar estas empresas como instrumento dos fins públicos.Mas. a posse de acções especiais da empresa podem dar-lhe ainda especiais direitos enquanto accionista. dotados de poderes especiais como os de suspender a executoriedade ou vetar as deliberações sociais. As sociedades de capitais públicos e as de economia mista Deve estabelecer-se uma diferença na análise entre: . muitas vezes. a Administração utiliza a respectiva capacidade de direito privado através do princípio da fungibilidade das formas jurídicas. por nomear gestores e administradores por parte do Estado. o Estado pode fazê-lo com duas intenções: a) para controlar preços e assim garantir uma receita fiscal ou b) aplicar à empresa as directivas da política económica do Estado com vista à prossecução do interesse público Ao controlar. Não nos esqueçamos que a titularidade de parte do capital da empresa privada não priva o Estado dos seus poderes de ius imperium. Mesmo sendo minoritário. o qual permite a prossecução de fins públicos por meios jurídicos de direito privado. Quais as possíveis intenções do Estado ao pretender controlar estas empresas privadas? Segundo Cabral Moncada. as empresas privadas.as empresas em que todas as acções pertencem ao Estado ou a outras entidades públicas . Se o Estado é maioritário. opta. Por outro lado. desde que estes sejam capazes de responder às exigências das tarefas administrativas. de um modo ou do outro.

as sociedades de capitais públicos e as sociedades de economia mista. O conceito O conceito de privatização. pertence ao Estado. o que não existe nas sociedades de capitais públicos. As sociedades de economia mista estão muito mais próximas do direito privado e mais impermeáveis ao controlo governamental. segundo Manuel Afonso Vaz. Destaca-se como diferença fundamental a existência de uma assembleia geral de sócios / accionistas com os poderes inerentes nas sociedades de economia mista. o órgão correspondente é. A natureza pública desses bens ou empresas tanto pode ser . O Decreto 46/2001 de 21 de Dezembro cria o Instituto de Gestão de Participações do Estado o qual tem por finalidade a gestão. Bibliografia: António Carlos Santos Tema: A privatização 1. Nestas.as empresas em que só uma parte das acções. assim concluir. numa acepção ampla. maioritária ou não. As primeiras denominam-se sociedades sociedades de capitais públicos e as segundas são sociedades de economia mista. Estreitando o conceito.. consiste na decisão de Administração abandonar uma actividade económica em proveito do sector privado. o sector público empresarial integra as empresas públicas. pode entender-se privatização como: a) Transferência total ou parcial da propriedade de empresas e/ou bens públicos para entidades privadas. normalmente de nomeação governamental destinado a assegurar o seu controlo. coordenação e controlo de participações do Estado nos diferentes tipos de sociedade. Poderemos.

f) Processo de submissão dos serviços ou das empresas públicas a regras de gestão de natureza privada – entende-se como privatização formal. que nem todas as formas de privatização implicam que o Estado abandone o financiamento e mesmo o planeamento dos respectivos serviços e que. a exploração de petróleo ou a gestão de estabelecimentos de saúde). d) Abertura à iniciativa privada de sectores anteriormente explorados pelo sector público em regime de monopólio (ex. da gestão de empresas públicas ou serviços públicos (ex. há uma privatização no sentido da abertura aos privados de um sector de actividade antes restrito ao sector público.originária como resultar de nacionalizações anteriores (neste caso fala-se de reprivatização). a televisão ou a distribuição de energia) – trata-se da remoção de restrições à iniciativa. assim. nalguns casos. e) Desregulação sempre que o Estado alivia a carga normativa reguladora de um sector de actividade na produção ou distribuição de de um bem ou serviço (ex. b) Concessão a entidades privadas. mediante contrato. Entende-se. o regime de preços) permitindo o livre funcionamento das regras de mercado. Apesar de não se verificar verdadeiramente privatização na medida em que não há alienação da titularidade das empresas públicas. não se trata de transferência de propriedade ou de gestão públicas mas de ampliação do papel da actividade privada ao lado da actividade pública. as telecomunicações. . em concorrência ou conjugação. c) Contratação de serviços por entidades públicas a entidades privadas (contracting out ou out sourcing ou subcontratação de serviços públicos a privados).

ou seja. argumentavam-se razões de ordem financeira. j) A intenção de promover o capitalismo popular. Como se vê. em parte pelo facto de a gestão pública sacrificar objectivos económico-financeiros e comerciais aos objectivos políticos e sociais – ex: contracção de empréstimos. política e ideológica para justificar o movimento de privatizações. i) A redução do peso político dos sindicatos (Grã-Bretanha) ou das clientelas político-partidárias (Itália). 3. aliviando-os dos défices de algumas empresas públicas e acrescendo-os das receitas provenientes da venda do respectivo capital e património. provocada. Privatizações em Moçambique . XX.2. económica. respondendo a uma lógica crescente de redução do papel do Estado na economia e na vida social. Este movimento é impulsionado pelo reaparecimento de doutrinas neoliberais e neoindividualistas. h) A necessidade de diminuir o desequilíbrio dos orçamentos públicos. a distribuição popular de capital através da participação neste dos trabalhadores das empresas a privatizar. Foram apontadas várias razões para a necessidade das privatizações: g) A ineficiência das empresas públicas. redução de tarifas e preços e manutenção do emprego. Fundamentos O grande movimento de privatizações começa nos anos 70 e 80 do séc.

Definiram-se os sectores de carácter estratégico que obrigavam à permanência nas empresas públicas (artº 4º) independentemente de posterior alargamento a ser determinado por Decreto do Conselho de Ministros. a. c) sociais – intenção de promover uma ampla participação dos trabalhadores das próprias empresas e dos pequenos subscritores na titularidade do capital das empresas d) políticos – redução do Estado na economia Os objectivos desta reestruturação empresarial do Estado estão contemplados no artº 6º. e mais profundamente.Ainda em 1989. antes. será a Lei 15/91 de 3 de Agosto que irá definir. Regime jurídico Mas. . b) financeiros – diminuição dos encargos com o sector público. instalações. a) económicos – modernização e aumento da competitividade económica. financeiros. quotas e outras formas de participação financeira do Estado. da dívida do sector empresarial do Estado. sociais e políticos. identificando as modalidades de alienação a título oneroso de empresas. Objectivos Os objectivos para as privatizações são de naturezas diversas: económicos. utilização das receitas das privatizações para amortização da dívida pública. o Decreto 21/89 já pretendia regular o novo fenómeno de alienação de partes do sector público a favor de privados. De facto. esta lei veio regular o processo de reestruturação empresarial do Estado (artº 3º). portanto da Constituição de 90 que haveria de consagrar a abertura à economia de mercado. estabelecimentos. reforço da capacidade empresarial nacional e desenvolvimento do mercado de capitais. 2. de forma clara.

O capital decorrente do investimento estrangeiro não poderá. Participação dos trabalhadores no capital A alienação total ou parcial de uma empresa pública ou estatal privilegia a aquisição de participações no capital da empresa pelos seus gestores. técnicos e trabalhadores moçambicanos até a um total máximo de 20 por cento (artº 16º) sendo que. A necessidade de adaptação constante à mudança . técnicos e trabalhadores da empresa. no entanto. O investimento estrangeiro nos processos de alienação A alienação é aberta ao investimento estrangeiro podendo mesmo ser o capital maioritário (artº 18º.3. 4. nº 3. artº 11º e artº 13º). Exceptua-se a obrigatoriedade de limite máximo de 20 por cento nas condições do artº 16º. Processo requerido para a alienação A alienação total ou parcial das empresas obedece a processos definidos no artº 8º e será precedida de um diagnóstico do potencial de reestruturação (artº 9º. não poderão adquirir individualmente mais de 10 por cento do capital. 6. corresponder a 100% (artº 18º / nº 3). 5. nº 1) sem prejuízo do acesso ao capital pelos gestores.

na privatização. 7. são de particular importância: . o Estado ir tomando medidas tendentes à introdução e desenvolvimento de um clima de real competição bem como com vista a evitar o aparecimento de monopólios privados em consequência das privatizações.O artº 23º chama a atenção para a necessidade de. O fundo de privatizações O produto gerado pela alienação constituirá receita de um fundo próprio a ser criado pelo Conselho de Ministros (artº 25º) e essas receitas terão como destino prioritário: a) estimular o investimento em actividades produtivas e de prestação de serviços. b) criação de emprego e introdução de novas tecnologias c) promoção e dinamização de actividade do empresariado nacional de pequena e média dimensão. são aplicados regimes preferenciais e restrições na aquisição e subscrição de capital a) o “capitalismo popular” – a participação dos trabalhadores no capital das respectivas empresas (regime preferencial) b) os limites à concentração de capital – (restrição) c) os limites à participação de capital estrangeiro – (restrição) d) as acções privilegiadas do Estado (golden share) – (regime preferencial para o Estado) Outras leis sobre a matéria: No seguimento desta Lei 15/91. progressivamente. d) reinvestimento no sector empresarial do Estado. Verificamos assim que.

.o Decreto 19/93 de 14 de Setembro – visa criar condições para regular a situação jurídica de empresas. o quadro legal. instalações e participações financeiras do Estado. inclusive à sua qualificação como “órgãos indirectos” da Administração. estabelece um regime especial quanto a modalidades e prazos de realização de participações do capital por parte dos gestores. estabelecimentos. técnicos e trabalhadores . pela Administração Pública a uma entidade externa (concessionária). torna os concessionários..o Decreto 20/93 de 14 de Setembro técnicos e trabalhadores nacionais. por contrato. A entidade concessionária pode ser uma empresa de capital privado. mais detalhadamente. da gestão e/ou da exploração de uma actividade ou serviço públicos. A concessão de bens e serviços públicos Consiste na atribuição. misto ou público. tendo levado.a Lei 17/92 de 14 de Outubro – clarifica a aquisição de capital por parte de gestores.o decreto 28/91 de 21 de Novembro – regulamenta.a Resolução 15/2001 de 10 de Abril – define as linhas gerais da política de Reestruturação do Sector Empresarial com Participações do Estado. O facto de os contratos de concessão preverem com frequência um longo período de validade. . critérios e modalidades de privatização das empresas. prática necessária ao processo de reestruturação do sector empresarial do Estado . numa espécie de colaboradores permanentes da Administração. .

mas à autoridade pública reserva-se um poder de controlo. no final. um direito seu. a projectar. através das quais o Estado. o concessionário é encarregado de tudo: projectar. tendo em . No âmbito deste contrato. o serviço para o Estado. como já vimos. construir e manter uma obra e/ou a fazer funcionar um serviço. Tema: O Estado como regulador da economia 1. naquilo que constitui. transformando muitas empresas públicas em sociedades comerciais e em empresas privadas deram uma maior relevância e esta figura da concessão de bens e serviços públicos. O concessionário assume o exercício da actividade por sua conta e risco. noção de regulação pública da economia A regulação pública da economia consiste no conjunto de medidas legislativas. Nos actuais esquemas de concessão de obras públicas. controla ou influencia o comportamento dos agentes económicos. construir as infraetruturas e explorar o serviço. os valores de taxas ou preços. Determina (sujeita a um limite máximo contratual) e cobra. cobrando as tarifas ou taxas aos utentes e transferindo. nomeadamente o de proceder a expropriações de utilidade pública. No caso da construção de uma obra. financiar. o contrato pode prever a atribuição de poderes necessários à sua execução. o concessionário compromete-se a prospectar e / ou explorar bens do domínio público. determina. administrativas e convencionadas. em princípio.A concessão faz-se através de um contrato de natureza administrativa celebrado entre o Estado e a entidade concessionária. por si ou por delegação. As recentes alterações ao sector empresarial do Estado.

vista evitar efeitos desses comportamentos que sejam lesivos de interesses socialmente legítimos. igualmente. contratos-programa. A regulação pública é. interessa ao Estado alterar o comportamento dos agentes económicos em relação ao que seriam se esses comportamentos obedecessem apenas às leis do mercado ou a formas de auto-regulação. ou contratualizadas entre entidades públicas e privadas. regulamentos internos ou códigos de conduta de associações privadas). como é óbvio. No entanto. diferente da regulação do mercado por regras de entidades privadas dotadas de poder económico suficiente para a tornarem efectiva (ex. A matéria de concorrência é um exemplo claro já que as a suas regras se aplicam a todos os agentes económicos. desde logo. âmbito da regulação A regulação pode ter diferentes amplitudes de um ponto de vista territorial ou material: . e orientá-los em direcções socialmente desejáveis. O conceito de regulação exclui. maioritariamente ao sector privado. Enquanto regulador. abrangido. preços convencionados e acordos de concertação). Cabe. igualmente. isso não significa que o Estado não seja. no âmbito da regulação pública a regulação produzida por entidades privadas por delegação e com base no enquadramento produzido por entidades públicas. a actividade directa do Estado como produtor de bens ou serviços. por iniciativa e num quadro legal das 2. como acontece com as normas técnicas. independentemente da sua natureza pública. Apesar de a regulação pública se dirigir. privada ou outra. cabem no âmbito da regulação pública as medidas convencionadas primeiras (ex.

das normas de concorrência. das normas de defesa do consumidor ou do ambiente). as telecomunicações. a agricultura). regional. os têxteis. pequenas e médias empresas) ou a uma actividade específica (ex. A distribuição de competências pode suscitar problemas de ordem diversa. Uma das principais e mais importantes características da regulação pública é a interpenetração. através de um programa de criação de emprego e a nível nacional – ex. a hierarquização e a dependência entre os níveis de regulação. 3. a um tipo de empresas (ex. nestes casos. o seu âmbito pode ser mundial. etc). através do estabelecimento a nível mundial – por vias das grandes linhas orientadoras de apoio através de incentivos fiscais locais de acordos preferenciais no âmbito da SADC negociadas no âmbito da OMC. a um sector (ex. através do plano. entre os quais se coloca o da eficiência. o princípio da subsidiariedade segundo qual os patamares superiores de regulação só devem ser accionados quando os patamares mais baixos não tenham capacidade para atingir uma solução satisfatória. através de planos de apoio ao sector têxtil a nível regional da África Austral – ex. Por exemplo. a actividade da empresa moçambicana de têxteis será afectada por regulação pública b) c) d) e) a nível local – ex. a regulação pública dirige-se ao conjunto da economia (por exemplo. tipos de regulação . a exportação.a) de um ponto de vista territorial ou geográfico. nacional ou local. regional (SADC) e nacional (direito económico que lhe seja aplicável) ou local (no caso de haver um programa especial para a desenvolvimento da área do país onde a empresa se situe). Invoca-se. os transportes. Por exemplo. a actividade de uma empresa moçambicana do sector têxtil pode ser simultaneamente regulada por normas de vocação mundial (OMC). b) de um ponto de vista material.

Em função dos seus objectivos. 4. organização ou exercício da actividade económica. Ex. apoios ou auxílios aos mesmos para que assumam determinados comportamentos favoráveis ao desenvolvimento de políticas públicas. procedimentos unilaterais Trata-se de medidas imperativas. particularmente no que respeita à matéria de concorrência e preços. Os planos de desenvolvimento e os diversos tipos de auxílios concedidos às empresas enquadram-se nesta categoria. incentivos. temos o regime de acesso. administrativa ou penal). licenciamento e exercício de uma actividade. Este tipo de regulação é tradicionalmente designado por polícia económica e opera através de medidas de carácter preventivo e repressivo. nomeadamente económicas e sociais. dar . de natureza legislativa e/ou administrativa. através da proibição de instalação de bombas de gasolina ou de vendas de bebidas alcoólicas junto a escolas) ou reprimir-se (repressão) práticas ilícitas tipificadas na lei. de âmbito geral ou individual. limitadoras da liberdade dos agentes económicos ou dando-lhes algumas vantagens condicionadas a determinados comportamentos. procedimentos de regulação a. Destas normas advêm faculdades. actos de controlo (inspecções) e incentivos condicionados a determinados comportamentos dos agentes económicos (ex. Esta regulação significa sempre que os destinatários das normas assumem deveres. actos administrativos de carácter preventivo (licenças). Como grandes exemplos deste tipo de regulação. as medidas de regulação pública podem ser agrupadas em duas categorias básicas: a) Com vista à restrição da liberdade de iniciativa económica em qualquer das suas componentes: acesso. através de normas de indicações. Pode proibir-se ou condicionar-se (prevenção) o exercício de certas actividades (ex. actos repressivos (aplicação de sanções de natureza civil. b) Com vista ao apoio aos agentes económicos.

Trata-se de contratos que integram. procedimentos negociados Trata-se da crescente privatização dos instrumentos de regulação económica da Administração complementando ou substituindo os actos administrativos unilaterais por acordos de incitação ou de colaboração com os destinatários da regulação. embora negociado na sua elaboração e execução. a não ser por incumprimento da outra parte. é originariamente.emprego a deficientes ou dar primeiros empregos) quando a lei confere à Administração o poder discricionário para proceder a esse julgamento. Essas obrigações constam de um acordo assinado livremente. obtendo contrapartidas a que o Estado se obriga. a natureza mista do direito económico. previamente. o Estado não pode alterá-lo ou rescindi-lo. por lei. Para além disso. elementos de direito público e de direito privado. Por estas razões. são por vezes designados por actos-condição. os contratos económicos Natureza jurídica: contêm características especiais que podem levantar dúvidas sobre a sua natureza de verdadeiros contratos. A favor da natureza contratual está o facto de implicarem a aceitação (pelas empresas) de certas condições. Fica assim limitado o princípio da autonomia da vontade. claramente. já que as empresas interessadas em subscrevê-los têm que possuir determinados requisitos impostos. um procedimento unilateral de orientação e enquadramento. assim. As obrigações nele constante resultam do contrato e não de lei. b. i. . Também a decisão final de celebrar ou não o contrato depende das autoridades administrativas competentes. O plano económico e social. comprovando-se aqui.

institucionalizado ou não. de definição de medidas de política económica e social mediante a negociação entre o Estado e os representantes dos interesses afectados por essas medidas. Podem ter. a execução do plano b) contratos de desenvolvimento geral – é o caso. As organizações patronais e sindicais são os parceiros típicos dos acordos de concertação. A sua autonomia e natureza jurídica não são muito claras. políticas globais (controlo da inflação). Estão próximos dos contratos económicos. por exemplo. sectoriais (reestruturação de um sector em crise) ou aplicar-se mesmo a uma só empresa. dos acordos políticos ou de processos de consulta. Principais modalidades de concertação social: .pactos tripartidos – governo. como os dos consumidores com os fabricantes e/ou distribuidores. a concertação da economia social Designa um processo. essencialmente.Tipos de contrato: a) contratos-programa – visam. mas pode haver outros. de contratos para o desenvolvimento do sector da exportação c) contratos fiscais – vantagens fiscais a troco de um projecto de investimento d) os “quase contratos” – constituem promessas de comportamento por parte das empresas para obterem contratos de auxílio financeiro como os de viabilização da empresa. ii. patronato. sindicatos para a elaboração de contratos colectivos de trabalho . por âmbito.

O movimento planificador inicia-se com a Constituição de Weimar através de uma planificação a ser desenvolvida por lei especial. O orçamento é o Plano mais antigo. sistemática e propositada dos fenómenos económicos por parte do Estado.2.Qualidade .Informação O Plano (segundo apontamentos de aulas do regente Dr. faz-se uma diagnose e são fixados os objectivos.Concorrência e preços . Trata-se de uma orientação global. é definida a prognose (desde que as circunstâncias supervenientes não sejam contrárias à diagnose). O Plano tem uma formalização a partir de um diagnóstico. A evolução para o Estado Social pressupõe a aplicação de técnicas planísticas. O Plano tem objectivos económicos mas também sociais.Protecção dos consumidores .Planeamento e formas de orientação e auxílio aos agentes económicos . Está sujeito à clausula rebus sic stantibus.Ambiente .Actividade monetária e financeira . . principais áreas da regulação pública económica . Teodoro Waty – anos 2006 e 2007) O Plano visa alterar o comportamento dos agentes económicos através de um grande quadro normativo definido pelo Estado. ou seja.Restrições e condicionamentos à actividade económica . Ou seja. É uma via intermédia entre o Estatismo e o “laissez faire”.

Quantos aos tipos de Planificação. Define direitos. A Planificação deve ser dinâmica. 11. Os Planos podem ser de longo. Para o averiguarmos. A primeira é de natureza macroeconómica e de referência político-económica e a segunda limita-se aos aspectos técnicos e meios necessários à realização dos objectivos planificados. A norma que contém o Plano é de especial dignidade podendo ser materialmente constitucional. científica. 9. técnicas e administrativas regular (ou normal) eventual (ou de emergência) sectorial regional global. médio e curto prazos. temos que comparar os Planos desde 1975. 8.A Planificação pressupõe sempre uma programação. podemos encontrar: 5. económica e social com opções políticas. 6. legitimidade constitucional. como é o caso de Moçambique. desde logo. 7. colocando o Plano a nível de Princípio Constitucional mesmo que não escrito. . obrigações e expectativas e é um instrumento privilegiado para a realização imediata de certos direitos fundamentais com repercussão sócio-económica. O Plano terá relevância jurídica? Tem. podendo ser de mudança evolutiva ou radical. racional. etc. Está ao nível do catálogo geral de Direitos Fundamentais. Há Planos mistos. 10.

Funda-se na responsabilidade e na necessidade de dominar o acaso assumindo-se como uma obrigação de fazer. As obrigações no âmbito do Direito Privado são subalternizadas perante o Plano. É imperativo quanto à sua apresentação na Assembleia da República mas é maleável quanto ao seu cumprimento. com implicações no Direito Público e Privado. Recordemos os Planos em Moçambique: a) PAP – Plano de Acções Prioritárias b) PEN – Plano Económico Nacional c) PEC – Plano Estatal Central d) PES – Plano Económico e Social e) Agenda 20 – 25 Natureza jurídica do Plano a) super-norma. É a partir daí que se constrói o PES anual. com força jurídica especial. o Plano não é neutro e gera uma dicotomia que se resolve entre a protecção dos valores reconhecidos constitucionalmente e o carácter necessário e imprescindível da execução do Plano por propósitos constitucionais do Estado de Direito. É uma área de intervenção dos poderes públicos onde se evidencia a vontade e a ideologia dos agentes administrativos. Em termos axiológicos. São consideradas nulas (mesmo que pré-existentes) se contrariam o Plano. na economia de mercado Jurisdicidade do Plano – compete ao Governo propor o Plano Quinquenal. A Planificação pode exigir uma relativa contracção de certos Direitos Fundamentais. nos regimes económicos socialistas. As regras de responsabilidade civil são amovíveis. b) Lei. .

ilustração de contradições internas da Democracia. Está dotado de generalidade e de normatividade própria dos actos jurídicos e a sua elaboração corresponde às exigência democráticas pelos mais qualificados representantes dos administrados. não pode deixar de ser qualificado como um instrumento jurídico. Alguns defendem que se trata de um Acto-Incentivo – pode dar compensações a quem cumprir os incentivos lá contemplados (volumes de investimento.comprometimento unilateral do Estado .geocities. apesar de ter disposições obrigatórias para certos agentes públicos. com carácter dirigista e orientador.geocities.academiabeira. http://www. É correntemente referido como . nas economias de mercado.acto colectivo . é mais político e técnico de política governativa. quantidades produzidas. etc.com/ http://www.com/terceiroano1/planoanalitico2009. Apesar de não conter sanções. É também uma Lei orientação.O Plano pode aparecer como uma Lei-Medida e o primeiro interessado em cumpri-lo é o Governo.htm .blogspot.) O Plano.com/terceiroano1/desite2009.acto jurídico .htm http://www.

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