ALENTEJO – uma SEARA VOCABULAR – 17 /18 “FILOLOGIA BARRANQUENHA” J.

Leite V (INCM 1955 – fac-simile 1981)
“A LINGUAGEM POPULAR do BA e o DIALECTO BARRANQUNHO” de M. J. Delgado, 1951 – ADBeja - 1983

17 / 18 – BARRANQUENHO

Pode ver em: http://www.joraga.net/_Alentejo_PlEx3_barranquenho_JLeiteV_1955.pdf José Rabaça Gaspar – 2013 04

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Notasiniciais:

GLOSSÁRIO BARRANQUENHO: (além de algumas palavras e expressões já incluídas do Glossário Alentejano) (e complementadas com algumas achegas do final da obra - A Linguagem Popular do Baixo Alentejo Manuel Joaquim Delgado - Ed. Assembleia Distrital de Beja 1983, da página 403 a 439, dedicada ao Dialecto Barranquenho SEARA VOCABULAR – colecção feita na máxima parte pela Excelentíssima Senhora D. Cesária de Figueiredo e aumentada um pouco, e aqui e além anotada por J. L. de V. - in Filologia Barranquenha, apontamentos para o seu estudo, - Dr. J. Leite de Vasconcelos - Fac-simile da obra de 1955 - Imprensa Nacional – Casa da Moeda - 1981 - Outubro

Alentejo – seara vocabular 17 e 18 – BARRANQUENHO – Manuel J. Delgado e José Leite de Vasconcellos

GLOSSÁRIO BARRANQUENHO
Sigla usada - FiloB CesariaF (Filologia Barranquenha, por D. Cesária Figueiredo)

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Pag.

TERMO / expressão

origem provável

CITAÇÃO/INFORMAÇÃO /Significado
1. pronome (§ 109); 2. artigo (§ 115) j 3. preposição (§ 174). interjeição de admiração aba abada nã dá abádu = não dar vencimento a fazer qualquer obra. abafar abanar com abanicu (leque). abati mi c6lhi = quási que me apanha; por um tris (§ 179). adoecer de cama. F. tá abarracadu, doente de cama, de barraca, «por agasalho, etc.» isso também eu queria! = não! haver avesso insecto que faz o mel

OBRA

a á! aba abada abádu: abafá abanicá ábati abarracá àbé! abê abêçu abêlha:

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abentá abentar-se abihpa abihpêru: abitaçõe abiu: abizá abondu abrigá abrigá-se abufêtêá abugádu aburrido abutuá acabante açandia

avental 1. atirar-se a outrem, em luta; 2. atirar-se de qualquer sítio abaixo. vespa ou abelha. O a- resultará, não do hesp. avispa, mas de influẽncia do de abelha (§ 191). «vespeiro). Vid. abehpa. compartimentos da casa. (= a-bi-u): aviamento de mantimentos que o trabalhador rural leva para se alimentar certo tempo no campo. avisar avonde, em abundância casaco d'abrigá, de abafar agasalhar-se esbofetear advogado. aborrecido, palavra portuguesa arcaica. abotoar; abutoa-te a xaqueta! abotoa o casaco! acabante de bi cá... como tive de vir cá... já que cá bim (aproveito a ocasião para). Particípio antigo (§ 190). ou balancia (mais usado): melancia. Do hesp. sandía com a prostético (§ 77).

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acariá:

açêrêjáda açertão

açim açuá açubiá açúca açudá açumá-çe açuprá afêtá afiá afilhá afiigí afugá aguantá

carrear, acarretar; acariá agua = trazer água pa!a casa. Of. carear, em portug. clássico (Morais) no sentido de « levar, conduzir»; e hesp. carear «dirigir el ganhdo hacia alguna parte». carni açé'ré'jáda, carne corada depois de cozida. adivinha; plural, açertõi (§ 20). N o português de Xalma também se diz «acertão»: isto é, acer??: vid. Rev. Lusit., XXXI, p. 286. Nome verbal derivado de acertar. assim (§ 172) assoar assobiar (feminino): açúcar (§ 90). açular: açudá um cão assomar-se. assoprar. fazer a barba. Cf. afeitar-se em Os LtMíadas, IX, 55. àfiá, afíô: enfiar; afiô pelaZé'hcada: subir. (afilhar), meter a porca na cuartelha para dar letinho aos bacorinhos. afligir: 3ª pessoa, afléje (§ 121) sufocar, asfixiar. Ex.: aqui ç'afoga um agüentar.

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aguardente agulheta águm(a) ahquérozu ahta ai(1) ai (2): ajuda alacrão: alburiada alburóte àlcacé

(masc. como em hespanhol): aguardente gancho de prender o cabelo algum, a par de argum (§ 68) asqueroso, nojento até, àhta logu (§ 41) 3." pessoa do verbo abê. Impessoal interjeição de dor clistér-também na Estremadura lacrau. Do hesp. alairano e vid. paralelos na Etnog. Port., II, p. 193 pessoa leviana-de arvorar alvoroço. Substantivo verbal de alburutar,. hesp., alborotar, alboroto (substantivo). para os animais. «alcaçêr, todo o género de pães em herva, enquanto crescem, e não tẽm o grão qualhado, o qual se dá assim verde às bêstas: de ordinário se toma por cevada, balanco, herva triga, naquele estado. (Vid. Morais, s. v.). si aI cazu = se acaso (§ 172). Veja apodo.Vid. Antrop. Port., p. 176. (fem.): eloendro natural da àldea ou àrdea,. aldêão. Usa-se também no Algarve aldíanu.

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al-cazu alcunha aldefa. aldíanu, -ai; ardianu, a

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alifafe alinhavá almáriu Almaz~e almiradu almití aluminia almurrânah altu çará!: amá amançá amanheçê amargá amargozu amêjua amêndua amigu aminihtradô amihtozu amontuá-çi ãmu

minúcia. Ex.: .Tantu alifafe!». Alinhavar «armário», usual por muita parte armazém admirado (§ 68) admitir (§ 68). albumina hemorróidas duvido muito! amar amansar amanhecer amargara amargo amêijoa amêndoa amigo administrador meigo, -a amancebar-se patrão

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amuladô amurêra amurtalhá anáfi andânçiu ande andô andrína an'durinha ané aniguá

amolador amoreira ou moreira amortalhar (masc.) fogareiro, fornalha andaço = epidemia de pouca importância onde (§ 171) andor ameixa oblonga, menor que o abrunho. Do hesp. andrina, que significa o fruto e a árvore respectiva (§ 191). andorinha anel em vez de, aliás (§ 174). Dá-me uma pêra, aniguá duas, porque gosto muito. Êste ano nas festas devia haver dois toiros, aniguá houve três=em vez de. (Of. Dicc. hesp., I, s. v. igual). Do hesp. en igual (en igual de), com apócope do -l (§ 67), e mudança do e (antes de n) em a: cf. em português Lianor, de * Lienor, Lionor anjinho, criancinha animal vid. Bezêrru

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anjinhu animá anôju

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antão anthonti antigu antiparra antrá ânu anzó apagá apanhá; culhê apará aparátu aparecê apêdreá apêlidu apêhtá apêtêcê apôdu apohta aprêguá aprenção aprendê

então. Antão porque nã fô(u)ti? Então porque não foste? ante-ontem antigo (no sing.) óculos entrar, a conjugação é: 1. entru; 2. entra, 3. entra, 4. entrêmu, 6. ẽntrom ano anzol apagar apanhar aparar aparato, aparelho, corno em hesp. aparecer apedrejar (Em hesp. Apedrear) apelido apestar, empestar apetecer o mesmo que alcunha e má'nome aposta apregoar temor, receio, apreensão aprender

FiloB CesariaF

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aprendi aprêtão aprubá aprubádu apudrêcê apunhalá apuquentação aquécê apurfiându apúru apuécê arádu aranha arami arbulário, -a árbu arca árcu ardê arêa argola

aprendiz apertão aprovar aprovado apodrecer apunhalar apoquentação, desgosto aquecer porfiar, fazendo a diligência por conseguir alguma cousa apêrto, aflição aquecer (as mãos etc.) arado aranha, aranhiço latão leviano, leviana (do hesp.) (masc.): árvore, como em hesp. árbol arca álcool arder areia argola

FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF

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árgudão àrgu~ei argum arjibêra armôçá armôçu arrahtrá arraiá arrancá Arraú arrebibê arrecada arreçidu arrefeçê arrêmpuxá arrependê-çe arrepenti-çe arrimá arrô

algodão (§ 12) Vid, águm algibeira almoçar (§ 68) de migas, ou çôrda no Inverno; sopa de batata com tomate, etc. …no verão (8h ou 9h) arrastar o sítio da feira onde se expõe o gado: de arraial arrancar Raúl, nome de homem ressuscitar brinco das orelhas com muito frio arrefecer empurrar, em puxar Tà-ti quiétu, nã me arrempuxi! arrepender-se Num conto ouvi o verbo hesp. arrepenter-se arrepender-se. Nas frases avulsas, série I, do hesp. encostar arroz

FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF

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árti artimânh ata, atá atehtadu atrafagá atrêbidu atró aturrulhá aturrulhão auçençia azêdá azêt azú babá babôzu báca baçia baçina baçiu

arte (a par de arte) a artimanha até (§ 41) atestado (documento) dô que atrafaga, dor que não deixa respirar atrevido muito grande, do hesp. atroz no mesmo sentido; tá m~ul atró: «está, muito forte». E também no sentido de «perverso». atrapalhar alguém, atormentar, incomodar, interromper o que aturrulha, pessoa que interrompe ou incomoda quem está a falar. sciência, i(h)tu nã tê' auçençia ninhuma. azedar e azeite azul babar, molhar com baba baboso, tolo, pateta vaca bacia vacina bacia de cama

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boçemeçê baçoira báçu bácuro báfu bagáçu bágu bahtidô báhtu báidóza bailadô bailarinu baile baláçu balancía báldiu ou bárdiu balduréga balênti balidêh balô

vossemecê vassoura baço, Chamam pão baçu ao cereal de aveia e cevada, centeio, antes de ceifar. bácoro, leitão hálito resíduo de frutos depois de espremidos, por exemplo, azeitona, uva, etc. bago bastidor de bordar basto, denso, espesso vaidosa, que tem vaidade bailador bailarino baile. Não se diz bailo, nem bálhu, como noutras terras. tiro de bala (do hesp.). melancia baldio beldroega (metátese) valente valia, valor valor

FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF

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baltizá bancá bandêja bandêra banhá bânhu banqueti baptizadu baquêru bára baráçu barafuhtá barálha barânda baratu barbaridadi barbêru barêru (vareiru) barquináçu barráca barranquenhada

baptizar pano de mesa (de bancal) bandeja bandeira tomar banho 1. banho; 2. tina de banho banquete baptizado vaqueiro, homem que guarda vacas vara corda barafustar baralho de cartas varanda barato barbaridade barbeiro vid. supra formação de palavras, sufixo -ero. quêda, dá um barquinaçu. Do hesp. barquinazo. barraca frase barranquenha

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barrê barri barriçá barriga bárru barulhu barruntá báta batáta batatá batê baú bautizu bàxa baxá báxu bazá bazilha bázu bê bêbadu

varrer barril lamaçal. Do hesp. barrizál barriga barro bulha, barulho barrunta-me d-'ehte lado!, sinto unia impressão dêste lado. 1. chambre de homem; 2. bata em sentido geral batata plantação de batatas, batatal bater, dar pancada baú baptizado baixa descer baixo bazar, quermesse vasillla vaso, bacia de cama vêr bêbedo

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bêbê bêbêdêra bêbida bêçu behta bêhti bêhtidu bêa bôa beiçu bêjá bêja a bê veja bêju bêlá béla belaí ou bêlaí

beber bebedeira bebida, líquido que se bebe beiço bêsta, eqüino vestir vestido quási nada - bê: a boa a bi - mal a vi; bê a boa come - mal come. Fi em caza de F. e bê -a boa -'tib-' ali: e pouco tempo estive lá (§ 173) beiço beijar lá, vid. Supra § Sintaxe e estilo beijo velar, passar a noite sem dormir. (De velar) vela eis aí, aí está! «bêlaí tê as filhas em caza, não ganhom nada». «bêlaí morreria de fome, se não fôsse os ganhitus da mãi» velho, idoso Bernardo, nome de homem vendaval

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bélhu Benardu bêndabá

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bênênu bênta bentanêra bêntu benzê bêrão bérçu bêço bêrdadêru bêrdádi bêrdeguejá bêrdi bêrgônha bêrni bêrrá bérru bérruh béu bêzêrra

veneno venta. Do hesp. venta ventania, ventaneira vento benzer verão verso beiço verdadeiro verdade estar verde a seara, etc. Lê-se no provérbio nº 67: (vid. tarreguejá, neste vocabulário) verde vergonha verniz berrar berro agriões véu fêmea do bêzêrru bêzêrru: Na criação do gado bovino temos: bêzêrru e bêzêrra no feminino (de 4 a 5 meses); anôjo, de 1 ano; nubilhu, 2 a 3 anos, nubi-

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bezi biaje (masc.): biáji(m): bica bíçiu bihca bihcu bihtí bihtidu bihtimenta bilhá binágri bingança binhu binti biuba bixôcu bixôrnu bizinhu

lha, a fêmea; toiru d'aí para cima, e, se se capa, é boi; baca, fêmea do toiro; e do boi à bezi, às vezes (§ 170) caminho, no sentido de «espaço percorrido» viagem bica vício vid. brihca vesgo; bihçu, d’um ôlhu, também por cego de um ôlho. Do hesp. bizco, -a vestir; «me biht'í de lutu» vestido. Assimilação (§ 73) vestuário bilhar, jôgo vinagre vingança vinho. vinte. villva. furúnculo. abafado, abafadiço (tempo), dia abafado. Que bixornu tá oji! Do hesp. bochorno. vizinho.

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Alentejo – seara vocabular 17 e 18 – BARRANQUENHO – Manuel J. Delgado e José Leite de Vasconcellos

bizita bizitá boa bôda bolçu ou borçu bonçê bonçêde boncere bontádi bôrbê bortá bota

visita. visitar bẽ a boa (§ 173) casamento,bôda; a cerimónia. algibeira, bôlso (§ 68). vossemecê (§ 35). vossemecês (§ 35). vossemecê vontade. bôrbê (volver). E burbê. voltar. bota, botas (calçado). De uma pessoa que tem ganho num negócio: êçi se te po(h)tu ah bota (= as botas). Cantaram-lhe na rua o seguinte: U Çinhô Zé Prégu Çe tê po(h)tu ah bota Çó d’ehtá n’àdêga A’biá ah copa(h). =a aviar «copos« A' abiá ah copah A'abiá u binhu

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bráçu bradá bráza brazêru breçu bridu brihca brimbe brincá brincadêra brunhu brutu bruxa buá bulaxa buleta bulô bultu buluntáriu bumitá

U Çinhô Zé Prégu Já te(n) cularinhu. braço gritar brasa braseiro berço vidro - Metátese (§ 7 6). bisca, jôgo de cartas (do hesp. brisca). vime, planta. - Brimbêra, a planta (hesp. mimbre). jogar: brincá áh carta. divertimento, brincadcira. abrunho. bruto, grosseiro. bruxa, feiticeira. voar. bolacha. bolota. bolor. saliência, vulto, pessoa sem importância. voluntário. vomitar.

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Alentejo – seara vocabular 17 e 18 – BARRANQUENHO – Manuel J. Delgado e José Leite de Vasconcellos

bunéca bunitu buquêra burácu burbê burcá burdádu burrá burrachêra burrâncu burrêgu burru bute butica búxu cá cabaça cabálu cabeça cabêçêra cabéda

boneca. bonito, -a. boqueira, feridinha ao canto da bôca. buraco, orifício. voltar, volver. Parece que não se diz aburbê. é o mesmo que bocal (de poço). De *bolcá (metátese), ou . bulcá (§§ 68 e 76). bordado. apagar as letras da lousa da escola ou de qualquer papel. bebedeira burro pequeno (§ 186) borrêgo burro botas de homem do campo botica buxo, estômago de alguns animais cal vid. Calabaça - (pouco vulgar) - vasilha. cavalo cabeça cabeceira 3ª pés. Ind. verbo cabedar = cabe.

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cabedá cabêlêra cabra cabrêru cábuh cacareá caçadô cadêa cadêra café cafêtêra cahcabé cahtanhu caiá caída cajádu calabaça

(cabedar), tocar, caber, competir: «a cada peço a cabéda…». cabeleira cabra cabreiro cadilhos- em hesp., cabos de uma franja de lã, sêda, etc. cacarej ar (a galinha) caçador cadeia cadeira café chocolateira, cafeteira guizo do gado, cascavel castanheiro. cahtelu: castelo caiar. De ca-yá. A par de cajá. (§§ 54 e 61) queda - Dá uma caída (português arcaico e hespanhol) vid. garrote é palavra hespanhola que o barranquenho adoptou com o mesmo significado: abóbora. O têrmo cabaça, querendo significar «vasilha», é muito pouco corrente e presta-se a confusão. Admito que, como o têrmo cabaça

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Alentejo – seara vocabular 17 e 18 – BARRANQUENHO – Manuel J. Delgado e José Leite de Vasconcellos

caládu calamidade calça caldêrão caldêrêta calô Cálru caldêrão cama camara camilha

é pouco empregado, os barranquenhos julguem que será indiferente dizer cabaça ou calabaça, quando não é. Calabaça - abóbora. Cabaça (pouco vulgar) - vasilha. Cf. Etnog. Portug., II, p. 89; a forma caabaça, aí citada como arcaica, representa * calabaça, existente, como disse, em hespanhol (§ nº 17). Quanto à etimologia, vid. RL, XIV, p. 302 silencioso calamidade calça caldeirão ensopado, carne guisada. De cardereta (§ 68) calor Carlos, nome de homem (oxítono): caldeirão, caldeiro grande cama câmara municipal mesa redonda que tem junto ao chão um estrado com um buraco onde se coloca uma braseira. De origem hespanhola. Móvel e nome usado noutros pontos do Alentejo e Beira Baixa (C. Branco) caminho

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caminhu

FiloB CesariaF

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campá campanáriu cançânciu candêa cantá cantadêra cantiga capiróte capóti capuêra caquêru caráça caracó caramelanu carapúlu carbão carbuêra carbúru

ehte é que campa! (Êste é que está bem!) tôrre do sino cansaço candeia voz do burro: um burru a cantá. Em vez de «zurrar», que não se usa, vid. interjeições friso onde se põem os pratos para enfeitar a casa. (De cantareira) canção, cantiga tonto capote capoeira vaso de flores, ainda que seja inteiro máscara caracol calomelanos botão de flor. Ex.: um rusá carregadu dê carapuluh = uma roseira carregada de botões carvão carvoeira vasilha de lata, com duas asas, cilíndrica, sem tampa, de dez e mais litros de capacidade. Serve às lavadeiras para ferverem a água destinada a coar a roupa que lavam. O nome pro-

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carbúncu carcanhá cárçe carçõi carçona cargá carméçe carnabá carnêru carôçu carpmtêru carru cartêra cartêru

veio de Hespanha, onde carburo tem a mesma significação química que em português carbureto. A vasilha primitivamente utilizava-se para transporte de carburo ou carbureto de cálcio, ~ O nome da substância química passou a ser tropologicamente o da respectiva vasilha e com dissimilação de r…r, o que aconteceu ou ainda em Hespanha ou já em Portugal carbúnculo calcanhar cárcere, cadeia. Do hesp. cárcel (§ nº 12) calças calção. Já não se usa «uma carçona» (nem *calçona) carregar quermesse carnaval carneiro carôço carprntelro carro carteira da bolsa; da escola; etc. carteiro

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cáru catá catarrá catárru catêquihta catrapiadu cautêlêru caxaça cáxêru cáxilhu caxóla caxorru cáxoti clára clarabóia clarinete claçe ou claçi cô côbi côçi côdu cólicu

de preço elevado catar, procurar pneumonia constipação catequista, que ensina a doutrina às crianças misturado, emmaranhado cauteleiro, vendedor de cautelas pachorra. Que caxaça tei! caixeiro, empregado de comércio caixão dum morto fígado de animal cachorro, cão pequeno caixote clara clarabóia clarinete geito: « fazia-me classi i'lá comprá ihtu» côr. Olhos: côl de roza, côl de mé (§ 68) couve coice cotovêlo. (Do hespanhol) cólica (dor)

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colohtru colu combatê combidá combidada combiná combinação combindá combjniênti compá compádri companhêru, -a compará compitênti comprá comprendê comprumiçu Conçenção conçênçia confêçá confêçô

colostro, primeiro leite depois do parto culhê em cólo = pegar numa criança ao colo combater convidar alvíssaras. Vid Pregão nos Textos. combinar combinação, ajuste, acôrdo convidar. Cf. no Algarve covindar (i. é, convindar) conveniente (com-par), passar «em compá» um pelo outro. Fulanu'bão ê compá=vão a par (§ 174) compadre companheiro, -a comparar que tem competência, competente comprar entender compromisso Conceição, nome de mulher consciência confessar confessor

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combérçá confiança conféti conforme confurmá contadô contenta, contentu contentá contênti côntu conçêrbá copa corgni côrmilhuh corrêa córte côrxa côrxa (corcha) côxu

conversa, conversação confiança confeito (amêndoa, etc.) logo que conformar aparelho para verificar o consumo de electricidade, gás ou água, contador contente. Vid. contente contentar contente conto, narrativa conservar hespanholismo: «copo»: uma copa de binhu cordoni dentes caninos. Do hesp. colmilhos. Quanto ao r (§ 68) correia «mê curtê um pé», com um machadn, navalha de… Difere de golpe (1): a par de curtiça; do hesp. côrcha (2): vasinho de cortiça, com ou sem pega. O mesmo que côxo ou côcho de outros territórios do Alentejo. (Do hespanhol) côxo, que coxeia

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crabêru crêcê crehta criança crihtá criminá crú crúja cuá cubêrtô cúbu cucarabáxa cuêlhu cuêntru cuhcurrão cuhpí cuhquilhah cuhtá cuhtiá cuhtumi cuhturêra

craveiro crescer crista de galináceo criança vidro (cristal) criminal cruz coruja coar cobertor balde barata, carocha coelho coentro côdea de pão cuspir cócegas saco grande: «um cuhtá de trigu». De costal «gordo, etc.» custear, fazer despesas costume, uso costureira

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cularinhu culébra culhé cumádri cumê cumêdô cumençá cumêrciante cumprí cumuduria

colarinho cobra colher comadre comer casa de jantar - em hesp. comedor começar. Vid. ênregá comerciante cumprir «comedoria», nome do conjunto dos comestíveis que o trabalhador rural recebe para seu sustento durante a semana, dados, segundo o ajuste, pelo patrão. Por exemplo, pão arroz, grão, batata, hortaliça, azeite, vina- gre, carne de porco. Vinho não leva conhecer conhecirnento curar coração curativo curva coureleiro, dono de uma courela corredor de uma casa

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cunhêcê cunhicimêntu curá curação curatibu curba curelêru currêdô

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currentilha curtá curtiça cutubelu cutubia culá cuzê cuzinha cuzinhêra ça, f çabunêti çaburêá çaburôzu çacá çahtifêtu ça(h)tre çaia çalamanquêza çalgá çaltá çâmiá

corrida pequena, a pé cortar. (Vid. córte) cortiça (Vid. côdu) cotovia colar coser com agulha; cozer ao lume cozinha cozinheira sal (a çá, o sal) sabonete saborear saboroso sacar, tirar. Çacá trigu da êra (eira) satisfeito sastre, alfaiate. Do hesp. sastre saia é, como me informam, o nome que dão à «osga» salgar, deitar sal dar saltos, saltar semear

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çampí çant'óliu çapatêru çapiá çápu çáu çaxá çêa

mê çampí êm caza dê Fulano = meti-me santos óleos. U duente taba má, i loguj'oi o padre a dá-le u çant'óliu. Não se diz «ungir» sapateiro apear-se (§ 195) sapo cestinho de vara de sáu. Suponho que é «salgueiro». Do hesp. sauce, pronunciado" sáuçe > '* sauç > sau(h) > sáu sachar, cavar com o sacho De inverno: um pedaço de pão, com uma prêza (pe- daço de toucinho ou chom'iço, ou queijo). Ao escurecer. Comem já com luz. De verão: às vezes, só um gaspachoj pão com toucinho ou queijo. Ao acender da luz (1): conjunção condicional e integrante. Partícula interrogativa (2): pronome reflexo (3) ser Vid. Çẽ cevada cebola planta da cebola quando pequena, cebolinho sêde, vontade de beber

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çe çe çê çẽ çêbáda çêbola çebulhinu çêdi

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çêgrêdu çégu çehta çehtu çementeriu çêntimentu çentupé çêrão çerejêru çêrênata çi çẽ çêrru çériu çi çi çiarêru çibéla çigânu

segredo cego cesto,cabaz cabaz cemitério. Igual noutras províncias sentimento centopeia serão, espaço de tempo entre o anoitecer e a hora a que nos deitamos; trabalho que se faz nesse período árvore que dá cereja, cerejeira, cerdeira serenata adv. interrogativo (§ 172) sem (§ 174) outeiro sério, grave, sisudo (1): se (§ 172, adv. interrogativo, e § 177, conjunção condicional) (2): se (conjunção condicional, § 177). -E vid. çe seareiro sovela, instrumento para nlrar a madeira ou a sola cigano

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çigárru çigonha çigu çilêru çilguêru çilhão çim ou çẽ: çimênti çiminteriu çinhidô çinhô cinturão çinu çinza çinxa çinxu

cigarro cegonha conforme celeiro pintassilgo- em hesp. jilguero cadeira de braços preposição « sem» (§ 174) semente cemitério. cinto, faixa para apertar a cintura. Do hesp. ceñidor senhor - Sinhô Dôtô cinto sino cinza cincha, cilha (de apertar o aparelho das bestas). Vid. çinxu (1): trança de linho do comprimento de 1 metro e da largura de quatro dedos, que serve para apertar uma, carga ou molho que o animal leva no espinhaço (lenha, esteva, mato, etc., não saco, nem cêsto): para isso a çinxa tem numa extremidade um garabátu) ou ganchinho de pau, e ~a outra exu'emidade uma

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çinxu çipultura çiqué çircadura çiria çirimónia çirinha çítula çó çóba çôçu çoldádu ou çurdadu? çônu çorda çórti çótu çubí

cor4a que se liga a ela debaixo da barriga do animal, e continua por cima da carga, depois de dar duas voltas, até se ligar ao gara- batu pela curva que êste faz (2): aro com que se aperta o queijo para lhe dar forma e para o espremer. - Pode ser de madeira ou de fôlha de Flandres sepultura sequer, pelo menos cercadura energia – Ex.: F. tem pouca çiria cerlmoma de palma para ir à praça às compras. - Deminutivo de ceira, assimilaçfio (§ 73) «ihto foi uma cítula» = isto foi um acaso sol: çó ateu, çó baxu sova, tareia ensosso, sem sal soldado, militar sôno, vontade de dormir açorda sorte quarto de cama em qualquer andar. De sótão subir

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Çubrá çubrádu çuçêgádu çuçiadadi çucurrê çufuquina çúhtu çujêtu çulânu çulimanada (água): çumá çunhá çuó çupêra çupêtão (de): çurripilhá çutarranho dá dábita danhino de

Çubrá da Adiça, Sobral andar de uma casa socegado sociedade recreativa, clube socorrer sufocação, desespêro susto pessoa de quem não se quere dizer o nome vento suão soluto de sublimado somar sonhar suor terrina de súbito, de repente surripiar. - Parece cruzamento de çurripiá(r) +pilhar(r) (§ 79) subterrâneo dar. Nã dá nẽ toma. - Diz-se de um doente em estado de grande prostração dádiva daninho. Metátese de

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debanadêra dêbáxo débi dêbulha dêbutá dêdu dêfêto degulá dehbiá dehcabêçá dehcahtadu dehcalçu dêhcampá dêhcançá dêhcáru dehcubri dêhcuidu dehfulá déhgohtu dehgraça dehgraçadu

dobadoira. Hesp. devanadera debaixo débil debulha desbotar dedo defeito cortar as goelas desviar cabecear - Dehcabêçá com sonu. De * descabeçar que não toma amizade a ninguém. De casta descalço escampar, deixar de chover descansar descaramento descobrir descuido esfolar desgosto desgraça desgraçado

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dehmangaritá dêhpacenciádu dêhpêdi dehpi dêhpêjá dehpertá dêhpoi dêhprêzu dêmanxá dêmóra dende dênti dentihta dêpênandu dêpósitu dêrrêtê dehcunfiadu dergadu dêtá dêxá dêzabêrgunhadu dêzaçuçêgo

escangalhar. Palavra parassintética. impaciente despedir despir despejar despertar, acordar depois desprezo desmanchar demora d’end’aqui ali = daqui até ali dente dentista depenendo depósito derreter desconfiado delgado deitar deixar (§ 63) desavergonhado desassossego

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dêzatá dezajêru dêzanda dêzaranjá dêzêju dêzêmbaráçu dêzênganu dêzênhá dêzênhu dezentulhá dêzêntulhi dêzêntupi dêziguá dêzigualá di diantêra dibêrti dibidi dicumentu didá

desatar exagero (§ 192) vid. supra (sufixo êru). descompostura desarranjar desejo desembaraço desengano desenhar desenho desentulhar. A par de desentulhi. O pretérito de dezentulhei é também casualmente desentulhi (§ 124). desentulhar desentupir desigual desigualar ir . Mê bô a di = vou-me embora dianteira divertir dividir documento dedal

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difiçi difuntu dihculpa dihfrutá dihgohtu dihguhtá dihparáti dimudádu dinhêru dizê dizóitu donde dôtô duáriu duenti égua ehcáda ebcamá êhcama êhcândalu ehcapá

difícil defunto desculpa desfrutar desgosto desgostar disparate diferente do que era dinheiro dizer dezoito onde (§ 171 e nos Provérbios). doutor parecer; diz-se duma pessoa que tem bom ou mau parecer: tem mau duáriu doente fêmea do cavalo escada escamar escama escândalo escapar

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êbcaquiadu ehcarmentá ehcarrá ehcarradô ehcôba ehcóla ehcondé ehcribão ehcritura êhculhê êhcumençá ehcupi ehcupinha ehcurah ehcurêçê êhcuridão êhcurregá ehcutá ehcuzádu ehfataxá

descasqueado, limpo ter emenda escarrar escarrador escova escola - Ubô a lêbá á ehcola = vou levá-lo à escola esconder. escrivão escritura escolher começar - De ex-conlençar cuspir cuspo escuras, às escuras escurecer escuridão escorregar escutar curioso, atrevido. Cfo hesp. escuso = às escondidas despedaçar Atiri um tiru a um cuelho, i u ehfataxi

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ehgarabatá ehmençá ehmóla ehmurêcidu ehpáda ehpantálhu ehparraguêra ehparragu ehparrilha ehpartilhu ehpêlhu ehpéra ehperá êhperá ehpêrádu ehpêrdiçá ehperimentá êhpêrtalhão ehpêrtêsa

esgaravatar começar - Ehmençá este trabalhu. O mesmo que cumençá (començar) esmola esmorecido espada espantalho - É um boneco de palha que se coloca no campo para espantar bichos bravos e aves planta que dá o espargo, ou (parrago) espargo grelha espartilho espelho espera esperar. - Nã sê pód’ehperá. Não se pode parar com mau cheiro. esperar. Na 2ª pessoa: pér'ai. Também péra aí noutras terras do Sul, por exemplo Lisboa. esperado esperdiçar experimentar espertalhão esperteza

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ehpértu éhpêtá ehpiga êhpigá ehpiguxa ehpingarda ehpirrá ehpóra ehprêguiçá ehpuma ehpinháçu ehqueçê ehquecimentu ehquerda êhquêlêtu ehquila ehquina ehquizitu ehtação ehtaláji ehtalajadêru ehtendê

esperto espetar espiga espigar espigar (§ 191, in fine) espingarda espirrar espora espreguiçar espuma espinhaço esquecer esquecimento esquerda esqueleto tosquia, corte da lã dos animais esquina esquisito estação estalegem estalajadeiro estender

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ehtêra ehtercu ehtoiru êhtômago êhtôrbo êhtralá êhtráda êhtragá ehtranhá êhtrêla êhtrêmêcê ehtrêtu ehtriá êhtribu ehtripá ehtrumá ehtrumentu ehtrupalhu ehtudá ehtúpidu ehturricá eláhticu

esteira esterco estoiro estômago estorvo estalar (§ 196 b) estrada estragar estranhar estrela estremecer estreito estrear estribo esborrachar estrumar, deitar estrume na terra instrumento esfregão estudar eshípido estorricar, torrar a ponto de ficar queimado elástico

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êlêganti, bem pohtu em na embaciná êmbéja embênêná embigu empandêrêtádu

pessoa elegante na vacinar inveja envenenar umbigo diz-se de qualquer causa muito cheia ou inchada. - Ex.: tênhu o estômagu empandêrêtádu (muito cheio). Tenhu oje o dêdu pio, mái empandêrêtádu empregado emprego empreitada inventar envergonhar envergonhado impostura enviuvar emborrachar-se eusaboar ofender-se meter na cabeça sem efeito - Çê ficou encantarádu = ficou sem

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êmprêgádu êmprêgu emprêtáda enbentá enbêrgunhá enbêrgunhadu empuhtura enbiubá enburraxá-se ençabuá encabritá-se encahquêtá encantarádu

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encarrilhá ençêrru ençiná encontradu encuhtá ênêmigu enfêtá enfriá enfurcá enganá enganxá engulhipá engumá engurdá enguripitadu engurrá engúrrah enjuá enjórmadu ênregá

efeito encaminhar bem; encarrilhar encerro ensinar erupção de pele encostar inimigo enfeitar arrefecer enforcar enganar enganchar engasgar engomar engordar empoleirado, põsto em cima de uma parede ou doutra cousa qualquerr enrugar, fazer rugas rugas enjoar desarrumado começar, o mesmo que cumençá, ou inregá. De rêgu

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enricá enritação enrulá entalá êntátu êntêriço êntêrrá êntêrradô entiáda êntrá êntrêgá entrêtê entretenga

enriquecer irritação enrolar entalar diz-se dum filho muito parecido com o pai: E o pai êntátu. De intacto inteiriço, duma só peça enterrar enterrador, homem que enterra, coveiro enteada entrar (oxÍtono) entregar entreter entretimento, ocupação - «talbê tibeçe alguma entretenga». A palavra não a acho em dicionários hespanhóis, prova que é barranquenha, mas formada do hespanhol entretener. A qual diz-se à portuguesa entretenha (Vid. entretenga) entrudo despejar (água) entupir entortar

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entretenha entrúdu enturná entupi enturtá

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enxamiá enxarmádu enxê enxêrga enxubá enxubalhádu enxucá enxugá enxutá êra érba erbilha êrdá êrdêru, -a êrmao êrmõih fába fabá fabô fabricá fábrica

enxamear, reunir em enxame estar tudo enxarmádu, desarranjado. Vid. xaramandonga. (Of. hesp. enjarmare) encher colchão de palha ou enxergão enxoval. amarrotado chocar enxugar enxotar eira erva ervilha herdar herdeiro irmão irnlãos fava faval favor fabricar fábrica

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fábu fáca facáda fáci fácilmenti fahtidiozu fâhtiu fála falá faladô familia fárdu fáréluh farinha farjá ou farrajá

favo faca facada fácil facilmente maçador falta de apetite, fastio fala, o dom da palavra falar falador família serapilheira, porque esta serve para enfardar farelos, o que fica da farinha depois de peneirada farinha ferrgial. Terreno delimitado, ou não, por parede, de cultura intensiva, na proximidade de uma povoação, às vezes com oliveiras e figueiras. Selve para se semear forragem, donde lhe veio o nome. Em regra sem casa de habitação farmacêutico ferramenta farpela - Figura nuns versos feitos por Alexandrino Alcario Varela, com os quais oferecia ao

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farmacêticu farramênta farrapela

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fartá fâtigah fazê fé (a): febra Fêbrêru fébri fehta fêhtêjá fêhtêru fêjão fêli fêmia fêra fêrbê

autor do presente volume um objecto de etnografia popular. Êste indivíduo é conhecido pela sua facilidade de versejar e diz que para se escreverem todos os versos que compôs, e tem de memória, não bastaria um dia inteiro. A palavra farrapela é usual: (Vid. supra na Etimologia popular) fartar tê fatigah - Diz-se quando uma pessoa está agoniada fazer fel uma febra de linha = um bocadinho de linha. Em hesp. diz-se: una hebra de hilo. Fevereiro febre festa festejar festeiro feijão feliz fêmea feira ferver

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Alentejo – seara vocabular 17 e 18 – BARRANQUENHO – Manuel J. Delgado e José Leite de Vasconcellos

fêrradô fêrrolhu férru ferrugi fêrrujentu fêta fêtô fêxá fiaxa fiadô fiambri ficá ficá fidéu figu figuêra fihcá filhu finji finu firida

ferrador ferrolho ferro ferrugem ferrugento feita feitor (§ 63, ei+ t) fechar fiapo fiador carnes frias (1): transitoriamente: «deixar). No conto dos «Sete irmãos» (2): ficar aletria figo figueira fiscal filho fingir fino ferida

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fixadura flama flô fôce fôgu fóhfuru fônti fóhfuru forma fórnu frágua frahcu frêgá freguê frehca frexu frijí friolentu fritá fuçinhu fuguêti

fechadura nã se pódi tê a porta aberta porque entra um(n)ta flama = ar muito quente flor foice fogo fósforo fonte fósforo : nã foi forma = não houve meio forno do ferreiro - Não se diz forja frasco esfregar freguês fresca freixo frigir ou fritá friorento. Dissimilação (§ 75) fritar ou frijí focinho foguete

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fuji fulhêro fumá funi fúmu fundah furahtêru furgá

correr - F. bai a fuji = a correr trapaceiro fumar funil fumo fronhas forasteiro (Do hesp. hurgar). Mexer com qualquer cousa. - Ex.: Mexer com os dedos no nariz ou mexer com a tenaz no lume - Influência da consoante labial fermento formiga formigueiro gabar gaveta fome Do hesp. gazuza gado gaspacho, ou caspacho gáspea gastador gastos gaita

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furmêntu furmiga furmiguêru gabá gabêta gaçuça gádu gahpaxu: gáhpia gáhtadô gáhtuh gaita

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gala galápagu galhêtêru galinha galinhêru gálu gálu du câmpu ganhança' gánhá ganhafóte garabatu gárfiu gargaliço gargânta garranxu

galadura do ovo cágado – Em hesp. galápago galheteiro galinha galinlleiro (1): galo (2): gaio, ave tê poca’ ganhança’ = pucos lucros ganhar gafanhoto (§ 76) ganchinho curvo de azinho que faz parte do cinxo. (Vid. çinxu) garfo gargarejo garganta garrancho - Espécie de fateixa de pau, presa à extremidade duma corda e que serve para tirar água dum poço com nm caldeiro. Em vez de garrancho emprega-se também uma fateixa de ferro carraça série em fileira de cousas: pratos, garrafas, etc. briga

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garrapáta garrafilêra garrêa

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garriá garrote garróxa garrôxu

ralhar – 1ª pessoa, ê garrêu (§ 150) arrimo, semelhante ao cajado, mas em vez de ter em cima uma volta, como um báculo, tem uma saliência angular garrocha (nas touradas) pau curvo para apertar uma carga (§ 79). Há a alcunha Agarrôxu, mas o vocábulo da língua comum é com g sem a-. Em português: arrôcho. (Vid. «arrochar a carga») gateira, buraco que se faz nas portas das casas para passarem os gatos. Encinasola - vila hespanhola. gosto pancada contundente, pode não rasgar, o contrário de corte. gordo golpelha, recipiente feito de palma, para acarretar palha,estêrco, etc., no cimo de um animal (burro, macho, etc.). É comprido barrete, boné, boina boné gravidade gracioso chuva de pedra, granizo borbulha

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gatêra Ginaçola gohtu gólpe gordu gôrpêlha gôrra gôrru grabidádi graçiozu graniçu grão

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gritá guardaxuba gubêrná gubêrnu guhtá guiçôpu guízu

gritar chapéu de chuva governar governo gostar zaragatoa guisado de legumes ou hortaliça. O substantivo guiso, que segundo o meu informador se usa na raia de Hespanha, é tirado do verbo guisar, como em hespanhol o substantivo frito é tirado do verbo fritar. Em Portugal as rela- ções são as mesmas guloso engomar gordura golpelha Vid. gôrpêlha ihtu me gohtar goteira gozar espelho turbulento (§ 192) igreja igual

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gulôzu gumá gurdura gurpelha guhta gutêra guzá hpêlhu htrabulento igrêja iguá

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ihtória ihtruidu imaginá imbérnu impentible inçultá indagá indêçênti indibidu indijihtão infêriô infeli inférnu infurmá inhpétô injecção inpêrtinenti impingi impurtância impurtuná inregá intêrêçânti

história instruído imaginar Inverno alfinete de dama Em hesp. imperdible insultar indagar indecente indivíduo indigestão inferior infeliz inferno informar inspector injecção impertinente impingir importância importunar (enregar) começar - «inregá a trabalhá» interessante

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ínti intilijenti inuçênti inurância inuti inxá ipidimia jabardu janéla Janêru jantá janta jantão jardinêru jarra jêmáda jêmê jenela

momento, «naquele ínti» = naquele instante. Do lato interim. .Latim que passou para o hespanhol e dêste para o barranquenho. inteligente inocente ignorância inútil inchar epidemia javardo, porco bravo janela Janeiro (1): Vid. Merenda (2): jantar - Ex.: hoje temu para a janta… Cf. na linguagem familiar portuguesa geral vamos à janta. jornaleiro que anda a lavrar por conta do patrão. jardineiro garrafa gemada gemer janela

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jenetía jentíu jêrno Jerômo jêtu jília jimão jinela jingêra jôgu juêlhu juêrá jugá juhtiça juíh juntá labada labadêra lâbáj labatiba labatóriu

judiarias. Fazê munta' jenetía. muita gente genro Jerónimo, nome de homem. geito Vid. Divisão Terceira, cantiga nº 8. presunto Do hesp.jamón. (= ji-ne-la): janela que dá a ginja. jogo joelho joeirar: passar o trigo pela joeira brincar, ê nã jugo. De jogar. _Cf. hesp. jugar justiça juiz jlllltar. acto de lavar. - Oji é dia di labada. lavadeira lavagem clister, seringa de lata que noutros tempos empregavam para o dar. lavatório

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labôra labrá labradô láçu ladêra ladrá ládu lagá lagártu lágrima láhca lahtima láji lambêdô lancêtá landia langarútu lavativa lápi laranjá laranja laranju

lavoura lavrar lavrador laço ladeira ladrar lado lagar lagarto lágrima lasca lástima laje, pedra lambedor lancetar moleja

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esguio
palavra hespanhola lápis laranjal (fruto). E vid. laranju (árvore) laranjeira

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lárgu láta latigaço l atuêru le lê lêbantá lébri lécri lêgá lehma lehna lei lêlão lêmbê lembrá lençó l ençu lênha léqui

largo lata, folha chicotada. Do hesp. latigazo latoeiro lhe (§ 109) ler levantar lebre leque. Vid. léqui.-Noutras partes de Portugal: lécre legal lesma. Parece que também se usa lehna, que é o hesp. lesna Vid. Lehma amizade: Como un le tê(n)' lei. Como lhe tenho amizade leilão lamber lembrar lençol Lenço lenha leque Vid. lécri

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lête (fem) letrah lêtrêru lêtura lhanu lhânu lião librá libre liçença licô ligá ligadura lijêra limão limpá limpu lindá lindu lingua linhu

o leite letras letreiro leitura plano, -a - Um lhanu, um plano Vid. planu leão livrar livre licença licor ligar ligadura ligeira limão limpar limpo lindar, confinar bom - Ex.: «Quê côbe mai linda». «Era uma pessoa um(n) linda» língua linho. Também noutras partes de Portugal

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linterna listo literna lízu lôbu lucá lôça lôcu logrêrão lógu loja lombêro lombri lombrizih lômbu lômu lônji lua luá

lanterna rápido, pronto - « Vai-me fazer êste recado, anda listo». - O mesmo que lestes ou lesto. Os três vocábulos vêm nos dicionários. lanterna de lata, manual, para ir de noite a um palheiro; e também duma procissão. liso. lobo local louça louco que engana com astúcia. Oxítono depois - Lógu compri i(h)tu, etc., numa narração seguida loja, venda lombeiro lombriga lombrigas lombo lombo (de porco, etc.) longe lua luar

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luba lucrá luh luhtru lumbró lúmi luná: lunária lutêria: lútu luxu má máça maçã maçadô maçêta madêra madráhta madrinha madrônhu madrugá

luva lucrar luz lustro lombriga. No pl. çincu lombrizi. Do hesp. lombriz lume sinal no corpo pessoa maníaca lotaria luto luxo mar, pl. mári massa maçã maçador vaso de flores; o mesmo que caquêru. Do hesp. 'maceta madeira madrasta madrinha medronho, fruto do nledronheiro madrugar

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madrunhêra madrunhêra madurá madúru mágru mahcá máhcara mahcarrá majâricu malacatão maldôzu malencolia malhádu malfêri málha maliciôsu malmêqué mamá mâna manajêru manântíu mançã

que dá medronhos. Não se usa o masculino medronhejro, árvore que dá madrônhu’ anladurar, amadurecer maduro magro mastigar máscara mascarrar manjerico plur. malacatõi: pêssego, pêssegos maldoso melancolia malhado aferir medidas e pesos malha, tecido malicioso, que tenl malícia malmequer (flor) mamar irmã empreiteiro do trabalho do campo, manajeiro nascente de água maçã

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mançanêru mâncu mançu mandádu manêra manhã má'nome mànta mantê mantêga mantilha màntu mànu mànxa máquinihta marcá marinhêru marmêláda marmêlêru martêláda martelu marva

(masc.): macieira aleijado das mãos ou dos braços manso recado tá dê má manêra = estar grávida manhã Vid. apodo manta sustentar manteiga e banha mantilha, véu que se deita pela cabeça nlanto irmão mancha, nódoa maquinista marcar, pôr marca marinheiro nlarmelada marmeleiro martelada martelo malva (§ 68)

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marxá matá mata-bixo matadêru matànça matêriá matrimoniu mátu maxacá maxádu máxu mé mêa mêdálha mêdi médicu mêdida mêdu méhtri

marchar matar em jejum: copinho de aguardente, o qual pode ser de pau, de vidro, etc. … De manhã cedo matadouro, sítio onde se mata o gado para consumo. nlatança dos porcos material, tudo o que é preciso para a construção de uma casa casal de marido e mulher. Do hespanhol mato, campo que não está cultivado machucar, pisar o coalho para coalhar leite destinado aos queijos, pisar tempêro (alho, coentro), pimenta preta, etc. machado macho a mé=o mel meia medalha medir médico medida medo mestre, homem que ensina

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melacatunêru mêlão mêléçina mêlêndéru mêluá mentá menti mentirôzu mêréçê, mêrêcimentu merenda

árvore que dá melacotões melão remédio, medicamento merendeira, pãozinho pequeno meloal nomear, mencionar, citar. - Mentár alguêm= falar de alguém mentir mentiroso merecimento de verão e de inverno: o que está na panela e que se chama jantá - grãos, clúcharos, com batatas ou arroz, etc.- : «bamu' à merendá». Disse-me o Sr. Torrado que à «merenda» também se chama jantá (1): No verão - sete horas-: morcela crua ou toucinho cru, ou sardinhas, com gaspacho. De inverno não há merendilha, há çea (2): refeição… mérito, merecimento metal metade meter

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merendilha merendilha méritu mêtá mêtadi mêtê

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metru mi miá mialhêru migah mihmu mihtura milhó militá minêrá minêru minina mininu miolêra misté mizéria mí móbitu môçu, -a môhca mohtra

metro me miar mealheiro comida que se faz numa certã com pão cortado em fatias com azeite e alho mesmo mistura melhor militar mineral mineiro menina menino mioleira mester ; é misté, é preciso miséria mim aborto solteiro, -a; rapá môço, rapariga moça mosca amostra

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môhtru môlhu moncede mônhu montá montádu montadu mônti móra mórti môrtu môxu mü(n): muá mubimêntu muda mudânça mudinha múdu

monstro, «aquilu pareç' ü(n) môhtru’ », b6xu, etc. De mo(n)stru; com s ou h (§ 13) molho vós (pron.) (§ 35) chama-se ao cabelo enrolado e preso com ganchos montar (1): montado, pôsto em cima do cavalo ou do burro (2): campo de azinho ou de sôbro onde comem os porcos : casa de campo, casal amora fruto da amoreira morte morto mocho mui (§ 172) gadu muá: muar movimento diz-se da galinha quando muda a pena e de um jôgo de roupa de cama ou de vestir mudança cantiga popular mudo, que não fala

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muê muéla: mu(n)i muhquêru

moer dente molar muito (§ 172) (1): espanejador que se coloca sôbre a testa de eqüinos e muares para afastar as môscas, feito de uma rabada de boi. Há-os de forma artística (2): mosqueiro mosquito moinho (§ 53) moleiro molhar molhadela mulher muito (§ 53) amoreira morador morcego morcela, chouriço de sangue morder dentada moreno

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muhquêru muhquitu muinhu mu(n)tu mulêru mulhá mulhadéla mulhé muntu murá muradô murçêgu murçilha murdê murdicáda murênu

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murrão murrê murrinha murtálha murtânçinu murtificá murxá murxu mutô muxila múzica na nabálha nábu náca naçê naçimêntu nada nânu nárdu

morrão, a parte queimada das torcidas morrer mortandade nos animais mortalha, vestido que se põe aos cadáveres mortiço, prestes a extinguir-se mortificar murchar murcho motor mochila música 1. «em a» (§ 174); 2. pronome pessoal depois do verbo terminado em nasal (§ 109); 3. não (§ 172) navalha nabo madrepérola. - Butõe dê náca = botões de madrepérola nascer nascimento (§ 172) anão - Em hesp. enano flor muito aromática, nardo

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nárga narí narízi

nádega - De nalga (§ 68) nariz forma plural e feminina. Significa «nariz» (§ 104.). Ex.: narízi piquen’'; duah narízi; que narízi mái torta"'! (§ 31). M. Lübke:, Rom. Wb., § 5, p. 824, admite que houve em latim vulgar * naricoe, que explicaria, no nominativo, o género, tanto do barranquenho como do hespanhol; em hespanhol também se diz las naríces, no plural natal natural natureza nevar nevada neve névoa, nevoeiro negar (neguciá) negociar - Preso do indic.: ê neg6ciu (§ 123). Além do sentido usual, êste verbo, com a negação, quere dizer: não lucrar nada, isto é: nã neguciô nada negócio nervoso

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natá ou nôti-bôa naturá naturêza nêbá nêbáda nébe nébua nêgá neguciá

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nêgóciu nêrbôzu

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nêrbu néta nétu ni(n) nibé ninguẽ nínhu nó nó nó nôbu nóçu nóda noiba noite nórti nôte nôti nu nubêlu

nervo neta neto nem nível instrumento para nivelar (§ 112) ninho (1): noz, fruto da nogueira (2): nó (3): nós (prono peso), cõ nó = connosco novo nosso mancha nódoa namorada a par de note norte noite a par de nôite, ou com –i 1. «em u» (§ 174); 2. pronome pessoal depois do verbo terminado em nasal (§ 109) novelo

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nubêna nubidadi nubilhu nubradu nujêntu numaro nutiçia ó óbêlha ôbi: ôbidu óbra obrigação ôbu ôcu ôçu óculuh ódiu ofendê ofêrêçê

novena novidade novilho (particípio): u çeu tá nubraduo - Parece que também significa «nuvens»: u çeu tem muntu’ nubradu’ ou têm trê ou quatru, etc., nubradu’ nojento número notícia interjeição de admiração ovelha (§ 58) ouvir ouvido obra, trabalho obrigação ovo oco ôsso óculos ódio ofender oferecer

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ofêrêcimentu ôfiçiu óhpidêria óhpidi óhpitá ôji olêru ôlhá olhinh ôlhu ôlibá óliu ômbru ome ómẽ omi onomasiologia onradu onti ópêrá ópêração

ofereciniento oficio, assim ouvi com ô, mas talvez seja ò hospedaria hóspede hospital hoje oleiro olhar fuligem da chaminé ôlho. Não abre olho nem buraco=diz-se de um doente . que está muito mal olival, campo de oliveiras óleo ombro Vid. omi homem (§§ 71 e 96, nota 1) o mesmo que ome Vid. neste vocabulário « bezêrru», refeições honrado ontem operar operação

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ordênádu ordináriu órêlha orgulhôzu orgúlhu ôrin ôrtêju ôrtigõi ortu paçá paçajêru páçaruh paçençia paçêiu páxão paçuh paçu padêçê

ordenado ordinário orelha orgulhoso orgullio urina (masc.): o ôrin hortêjo ortigas horto, horta pequena passar. Como em hespanhol. Por exemplo: na çê u que le paça passageiro pássaros paciêncla passeio. [Com -eiu ou eu?] - Dêtá um paçêiu = passear paixão paçiá: passear dá uh passuh (os passos): tratar das formalidades para um enterro (passo) tá nu paçu - Diz-se duma mulher que está em trabalho de parto padecer, sofrer

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padêçimêntu padráhtu pádri padrinhu pagá paguh páhcua pahtáji pahté pahtilha pahtô pai páiu palábra palaçiu paladá pálha palhaçáda palhêru paliá palitêru

mal físico padrasto padre sacerdote padrinho pagar pagamentos páscoa pastagem pastel pastilha pastor pai paio palavra palácio paladar palha palhaçada palheiro, casa onde se guarda a palha separar o trigo, cevada, etc., na eira ou no celeiro, para apartar o grão e o joio paliteiro

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palitu palmêra palôma palpadêra pandiga pantaralha panturrilha pânu pão papé papelão papêlêtah papêlinhuh papêra pápu papurrita' pará parabẽ: parafúzu pardá

palito palmeira borboleta, pomba (do hespanhol) apalpadeira - Mulher encarregada, nos postos fiscais, de apalpar as pessoas do seu sexo pândega aventesma, fantasma. (De espantar) pantuminêru: pantomineiro barriga da perna pano pão papel burlão bilhetes duma rifa papelinhos com que se brinca no Carnaval papeira, trasorelho estômago das aves, papo dêtá-se de papurrita = de costas - Cf. de papo para o ar, em português parar, suspender parabéns parafuso pardal, pássaro

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parelha (1): parelha (2): parbalhêra pareçidu parêdi parentehcu parrêra partêcipá partêra partí páta pâtaliá páteira

1. «igua]»; 2. «parelha de :muares», isto é, atrelados parelha dê copuh) parelha dê pratuh = par de copos, par de pratos pessoa parva parecido, que tem semelhanças parede, muro parentesco parreira, parra participar parteira partir, dividir fêmea do pato, pés dos animais e dos móveis mexer muito com os pés o que guarda sempre o monte e trata das galinhas, distribue rações para os animais e tem as chaves de todos os compartimentos do monte. A mulher chama-se o que guarda sempre o monte e trata das galinhas, distribue rações para os animais e tem as chaves de todos os compartimentos do monte. A mulher chama-se trôpego manjedoura dos cavalos - Liga-se a presépio) por causa da lenda do nascimento de Cristo. -

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páteiru

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pátétâ pêçébre

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pêxi pêçuá pêdaçu pêdi pêdráda pêdrê (galinha): pêdrêgulhu pedrêru péhca pêhcada pêhcadô pehcôçu pêhquêria pehtanha péih pêlá pelá pelfa

Do lat. proesepe peixe pessoal, gente pedaço pedir pedrada galinha pintada de preto e branco = pedrês pedregulho pedreiro pesca pescada pescador pescoço pescaria pestanas pés mê bô a pêlá = vou cortar o cabelo cortar o cabelo que coexiste com perfa: tareja, sova em crianças ou ammais. - Pessoa que tem muito uso do hespanhol diz-me que não é palavra hespanhola. - É, porém, puro barranquenho, diz. - A verigüei que pelfa é hespanhol de origem

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péli pêlicu pelóte (ê): pená pençá pênti pêntiá, ou péntiá pêpinu perá pêrçêbê pêrçêbêju pêrçêgui pêrdê pêrdi pêrdidu pêrdigão pêrduá pêrfêtu perigalhu!: pêrigu pêrna pértu

pele pelico, fato de pastor, feito de pele de borrego nu penar, sofrer pensar pente pentear pepino pereira - Do hesp. peral perceber percevejo, parasito perseguir perder perdiz perdido perdigão, o macho da perdiz perdoar perfeito pessoa que mente, etc., um traste perigo perna perto, próximo

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pêrú pêtihcu pêtróliu pêtu piá pião picu piditóriu pihcu pihtóla pilá pilhihcá pilhihcão pimêntu pinçé pindurá pinêrá pingá pingálhu

peru petisco petróleo peito poial servente de pedreiro bico de uma ave - Não se diz como instrumento de pedreiro, mas picareta e em hesp. picocha; espinho o peditório que se faz no dia 15 de Agosto, para fazer a festa pisco, ou zarolho, vesgo. Indivíduo que tem seu tic convulsivo nas pálpebras pistola, arma de fogo pilar, chafariz beliscar beliscão pimentão pincel pendurar, suspender em lugar elevado peneirar, passar a farinha pela peneira pingar farrapo

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pinitenti pintá pintô pintiá pintu pinxá pió pipah pipinu pipôrru piquênu piquinha piquininu píri pirúm pizáda pitihcá pitu planiá plânu plantu

sê ficá comu um pinitenti = ficou todo molhado (da chuva, ou por outra causa) pintar pintor o mesmo que pentiá pinto, frango inlplume. picar (do hesp. pinchar) pior pevides pepino vasilha de barro pequeno comichão, prurido pequenino pires, pratinho da chávena peru. No plural, pirui (§ 103) pegada petiscar apito planear, projectar o mesmo que lhanu (do hesp. lhano) chôro. - Fazê o planto: chorar por alguém. Quanto mais se fala, mais bonito é o planto.

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plêteandu pó pô pô baia! pobu pôçu pôdri poi pólbura pôlhu pombá pômbu pônti pontuá pôpa pôpá pôrcu porta falça pózi prátu preçizá

Diz-se: « Quê planto mai bonito le fê!» fazendo a diligência por alguma cousa pó pôr pois vá! terra, povoação poço podre pois pólvora pintainho pombal pombo ponte pontual popa (ave) economizar, poupar porco portão do quintal pós prato precisar

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prêdicá pregão

pregar 1. de venda na rua (§ 56, b); 2. anúncio que um homem do povo faz num largo da povoação da perda dum objecto, etc. O homem tem o titulo de pregueiro. Este costume é muito vulgar no Alentejo. (Vid. um exemplo na Divisão Terceira, depois dos contos) prego com que se prende alguma cousa preguiçoso preguntar que pregunta muito presto, pronto (§ 170) amarrar arranjar, dispor hortelã - Uma raminha de prehta pretendente presente, dádiva presilha preso - pessoa que está na cadeia primavera primor (não princepe), príncipe, num conto

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prégu prêguiçozu prêguntá prêguntão prehte prendê prêpará prehta: prêtêndenti prêzênti prêzilha prêzu primabéra primô prinçipe

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pringá pringue priô próbe prubêtão prufeçô própriu prubá prubêa prubêtu prufeçá prupóhta prupriadade puhtá puhtigu pulçêra pulçu pulêru purga purquêra

pringà u xão (chão): untá-lo com gordura, para o limpar (§ 124). Vid. pringue gordura, pingue, quer seja azeite ou banha prior pobre mendigo profesor próprio provar pobreza (§ 191) proveito ehte duente nã prufeça nada=não quere tomar nada proposta propriedade rústica bilhete postal postigo pulseira pulso poleiro; vara que se coloca nas gaiolas ou galinheiros para as aves pousarem pulga (que purquêral): porcaria

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purtadô purtádu Purtugai puxá puxádu puxêru quá quadra quadri quádru quaréhma quartela? quartêrão quartina qué quêju quẽi quêm ou quẽ quẽmá

portador portado - Degrau de escada, de pedra, ou de madeira,- dentro ou fora de casa. É vulgar estar s6 ou à entrada da casa: upurtádu pur eçe' Purtugai fora… lá por longe; Purtugai é plural puxar esticado, puxado panela de barro pequena - Do hesp. puchero qual cavalariça – Cf. Hespanhol quadril quadro quaresma quarteirão cortina quer queijo quem (§ 113) (§ 113) queimar. Com ẽ (e invertido), não com ê, como se esperaria; pelo menos assim diz Manuel

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rrorrado, de 65 anos, grande sabedor de barranquenho. Pelo contrário diz-me a Sr." D. Cesária e seu marido que nunca ouviram quemá mas quêmá como está infra. Ele çe pudia quəma. Nóh nu quəmámu (pret.). Assim: ê mə quêimu. Tu tamei tə quêima'. (§ 122) queimar a par de qu()mar queimadura queimado querer quente queixa queixo, a maxila inferior candeeiro. - Mãi, qué que le lebe u quinqué? é o sorteio militar. (§ 190). - Dia da quinta: dia de sorteio. Os rapazes respectivos são os quintus. - Há uma quadra popular satírica em hespanhol na qual se lhes chama quintilhus quintu: mancebo que vai tirar a sorte para militar

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quêmá quêmadéla quêmadu quêrê quẽti quêxa quêxu quinqué quinta

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quinzi quitão ou quihtão quitão rabada rábia rabiôzu rêgá rêgá réhgá rêgadô rêgihtrá rêguingá rehpêlado rehpetá rêhpêtu rêhpingu rêhpirá rehtu rêi rêlóju

quinze questão (§§ 59 e 77*) questão, plural quitõe, por quihtão (§ 99) Vid. muhquêru;. O rabo cortado raiva raivoso rasgar; ê régu, g sem h. regar rasgar; ê réhgu «resgo, rasgo» - O infinitivo deve ser rehga' regador revistar, passar revista responder com mau modo pessoa que tem o cabelo todo penteado para trás respeitar - «Na me repetahte» respeito salto, ou gesto de contrariedade respirar palavra obscena. - Ex.: le sortô um rehtu = Disse uma palavra feia assim é a pronúncia (§§ 52 e 63) relógio

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rêmêdiá rêmédiu rêmêndá rêmórçu rempuxá rêpará rêpêzu rêpicá rêpiti rêpóhta rêpôlhu rêprênção rêpuhtáda rêpunânçia retentiadu rêtratihta rêtrátu rexinó rexiná rêzá rezimbindu

remediar remédio remendar remorso empurrar reparar, dar atenção contrapêso, porção que se põe na balança para completar um peso repicar repetir resposta repolho repreensão resposta insolente repugnância adoentado - Andá retentiadu retratista retrato rouxinol ranger, estalar rezar recém-vindo

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ribançêra ribêra rimêra rinhão rinhõe rôbá rôju rôla rôlo ronco, a rorá rôxinó ruidôzu ruzá tabuádu tabulêru talêga, talêgo tanxá tapádu tapêti tapinu

ribanceira, despenhadeiro ribeira rimêra de lenha, rima rim. (Vid. voc. seg.) rins roubar u çacú de rojo (sacar) - Trouxe-o de rastos para fora ave macho da rola rouco, rouca, falando da voz. Hespanhol roseira rouxinol rabugento, impertinente; diz-se das crianças (rosal) roseira - Do hesp. rosal palanque que fazem na praça, de cima do qual se assiste às touradas tabuleiro taleiga, taleigo pregar espetar – De chantar tapado coberto tapete rolha - Cf. hesp, tapón

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taramenhu tarraçu tarreguejá

idea, entendimento, tato; ter taramenhu, não ter taramenhu para nada, talento, perdê u taramênhu =perder o tino utensílios de uma casa - Limpá u' tarraçu' estar a seara coberta de terra, sem o semeado crescer muito (o que deve acontecer em Março, etc.). - Lê-se no provérbio n.O 67. - Pois que o provérbio oferece muitas previsões, a palavra tarraguejá = tarr-eg-já: foi do Norte para o Sul, e o suf. - eg- deve ascender ao lato - icantigamente dizia-se assim o hesp, tê: «chá»; hoje xá. tecer, trabalhar com o tear testamento riscado (fazenda), saia de tea (§ 63) - Os hespanhóis dizem tela telefone telegrafar tendeiro, homem que anda pelas ruas. vendendo linhas, botões, agulhas, etc. reünião de amigos, tertúlia. Do hespanhol (= ti-u) - Além da significação de respeito tiu F., tem tiu a significação de sogro, como tia a de sogra (§ 118) tear - engenho para tecer pano)

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té têçê têhtamentu têa têlêfóni têlêgrafá tendêru têrtulia tia, tiu tiá

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tilhádu Timoitu tintêru tirá títarih tí-te d'í titimunha tixugu tízicu tizôra tõ tôca tôiru toma tontu torêjá tórpi tórta trábahcôntah trabalhadô trabéça

telhado Timóteo, nome de homem tinteiro tirar, atirar companhia de saltimbancos tira-te daí! - Cf. em português: sem tir-te nem guar-te testemunha. Certamente por tihtimulma texugo tísico, tuberculoso tesoura (dar-se), dar-se importância chalinho de malha que as mulheres põem pelos ombros touro Vid. dá pouco esperto, parvo tourear estúpido, que não é capaz de aprender pão de ló, ou bóIo feito com torresmos engano nas contas homem que trabalha travessa, prato

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trabêçêru trabuáda trabulentu trápu tragá trampôzu trêmê trêmôçu trêmpi trêpadêra trez-ant'ôntẽ Tribuçia trihti trilhá trina tripêrah truá trupêção truvisca tubilhu tucá

travesseiro da cama trovoada turbulento trapo, bocado de pano velho engulir trapaceiro. Do hespanhol tremer tremôço trempe, aro de ferro com três pés, sôbre o qual assentam as caçarolas ao lume planta trepadeira transanton tem (§ 170) Tibúrcia, nome de mulher triste trilhar (ehtá que), está desesperado as mulheres que na matança dos porcos vão lavar as tripas trovejar acto de tropeçar, esbarrar trovisco. E trovisquêra a respectiva moita tornozelo (do hesp. tobillo) tocar

FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF

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tucadô tucinhu tuhtá tulôndru turçá turçê turnêra turrácah t'xugu U uba' um umêdêçê umô uni urtigão X xábana xábi xamarrêta

tocador, que toca toucinho (§ 65) tostar parvo torçal, linha torcer torneira lascas de um tronco de árvore velha teixugo (§ 55, obs. 2.ª) um ramu de uba' = um cacho de uvas no sentido de a gente, «um», «algum», «alguém». Pronome indefinido umedecer humor unir, juntar ortiga chávena chave colete de homem. - Do hesp. chamarreta, mas a palavra mudou muito de sentido, pois na vizinha língua significa casaquilha com mangas

FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF

Alentejo – seara vocabular 17 e 18 – BARRANQUENHO – Manuel J. Delgado e José Leite de Vasconcellos

xâmiçu xamuhcá xaparrá xapada xapéu xaqueta xaramandunga xaxapim xegá xêrá xêru xiba xibu xihpa xigá xigá-se xilhá xixárra xixarrõeh xóça xôriçu

lenha millda chamuscar chaparral, terra com chaparros encosta, ou ladeira de cêrro. Pode ter penedos e árvores e cultivar-se chapéu casaco de homem; jaqueta trabalho mal feito, por exemplo: um fato pássaro xəgá «chegar». Enfàticamente xêgá cheirar cheiro rapariga leviana chibo, cabrito bebedeira, faúlha chegar: xigô du campu (§ 175) aproximar-se chiar, gritar cigarra torresmos, resíduo torrifica,do do toucinho,ou da banha de porco choça, cabana chouriço

FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF

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xubê xucá xucalheira xucálhu xupá xurá xuxá Y yôdu Z zah! zambomba:

chover chocar mulher que dá à língua: cala-te, xucalha! chocalho chupar chorar chuchar iodo - (tintura de)A par de jôdu zás – (interjeição) instrumento feito de uma vasilha grande, de lata ou de barro, furada em baixo, a cuja bôca se adapta uma pele, pelada, de cabrito, borrêgo ou ovelha, e nela se fixa uma canabória, dobrando um pouco a pele por baixo e atando-a com um fio d'acarrêtu (barbante, guita). A canabória é untada de cêra e logo se passa a mão por ela., de cima a baixo. Isto produz ruído grande, tanto mais quanto maior é a vasilha. Como vasilha pode servir um cântaro de lata, uma tarefa, um pote (do azeite). A lata é preferível, porque o ruído é maior. Também se pode empregar uma cana delgadinha, mas prefere-se a canabória, por não ter nós.

FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF FiloB CesariaF

Alentejo – seara vocabular 17 e 18 – BARRANQUENHO – Manuel J. Delgado e José Leite de Vasconcellos

Brincadeira da noite de Natal, pelas ruas ou em casa. Ao mesmo tempo cantam cantigas, em hespanhol, por exemplo: Dicen que nó es de mujer El tocar este instrumento: Diós le dê salud a mi amante, Que me dió el consentlmlento. La noche buena, Señores, Ella se viene y se vá, Y nosotros nos iremos, Y no volveremos más. çe zangá «ralhar» Vid. pihcu) vesgo zinco troça zunir (um insecto, etc.) raposa Vid. canta Pl. zurzai, estorninho

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zangá zarolhu zincu zombaria zuní zôrra zurrá zurzá

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ALGUNS TEXTOS para se poder entender melhor o vocabulário barranquenho… LPBA JD – Delgado – da Página 403 a 439 – O Dialecto Barranquenho. Numerais Delgado p. 417 DOS NOMES NUMERAIS a) Numerais cardinais: ũ, uma doi(h), dua(h) trê(h quatru çincu çeih çete, çeti ôitu e óitu nóbe, nóbi dé(h) onze, onzi doze, dozi tréze, trezi ? NÚMEROS b) Ordinais: primêru çigundu terçêru etc. çehta (fera) çehtu

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dezaçei(h), dizaçei(h) dezaçéte, dezaçéti, dizaçéte dezoitu ? binti bint'i um, binta um bint'i doih etc. cem çêntu i ũ ôitu çentu novi çentu mi (mil)

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Verbos Delgado - p. 420 – 423 abe andá balê bê cabê caí dá dizê duê êhtá fazê frigi ou fritá garriá bihtí bi çabê çaí cê haver andar valer ver caber cair dar dizer doer estar fazer fritar ralhar vestit vir saber sair ser

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i ou d’i impedi jugá lê midí ou medí mintí muê òbí pidí pô pudê querê requerê rí tê trazê

ir impedir jogar ler medir mentir moer ouvir pedir pôr poder querer requerer rir ter trazer

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Contos 1 de 5 Delgado p. 428…

O BARRANQUENHO em TEXTOS POPULARES CONTOS POPULARES 1. O CHIBO MEDROSO Era uma bê ũ xibinhu çubidu num xaparrinhu. Paçô pur alí um lôbu que com ah mânhah dê um zôrru, preguntô com falah mança' au próbe xíbu medrôzu: que fázi aí xibinhu çubidu nu xaparrinhu? U xibinhu rehpondeu àquela fala de zôrru: Ehtô aqui, tenhu çezõi. Déce daí! - dice o lôbu rindu para uh çeu'bohtõi, que nóh doi bâmu Z a cumê fêjõi. (Contado pela Senhora D. Maria Águeda Mendes Burgos Tereno, natural de Barrancos e residente em Beja)

Era uma vez um chibinho subido num chaparrinho. Passou por ali um lobo, que, com as manhas de um zorro, perguntou, com falas mansas ao pobre chibo medroso. - que fazes aí chibinho, subido no chaparrinho? O chibinho respondeu àquela fala do zorro: Estou aqui, tenho sezões. Desce daí – disse o lobo – rindo para os seus botões, que nós os dois vamos a comer feijões.

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Contos 2 de 5 Delgado p. 428…

2. A FORMIGUINHA E O JOÃO RATÃO Era uma bê uma furmiguinha que ehtaba barrêndu a çua cazinha. Ficô contente, pôi Z encontrô ũ tohtão dêbáxu da cadêrinha. Çe foi lógu à loja i comprô túdu que a fizeçe mái' furmoza. Çe pô Z à janela i paçarom muntu' bixu' que quêriom cazá com ela. Mái ninhum foi elêtu' pêlu çeu curação, pôi çó gohtô du Juão Ratão. Mái êli era ũ gulôzu i murrêu quêmadu num cardêrão. A furmiguinha, xurandu, dizia bàxinhu: próbêzinhu du meu ratinhu, morrêu quêmadu pu çê gulozinhu.
(Contado pela Senhora D. Maria Águeda Tereno)

Era uma vez uma formiguinha Que estava varrendo a sua cozinha. E ficou muito contente Pois encontrou um botão Debaixo da cadeirinha. Se foi logo a uma loja E comprou tudo (o que havia) Que a fizesse mais formosa. Se pôs à janela E passaram muitos bichos Que queriam casar com ela. Mas nenhum foi eleito pelo seu coração Pois ela só gostou do João Ratão. Mas ele era um guloso E morreu queimado num caldeirão. E a formiguinha chorando, dizia muito baixinho: Pobrezinho do meu ratinho, Morreu queimado por ser golusinho.

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Textos populares
(Filologia Baranquenha, p. 26 – 27)

Para o leitor fazer melhor idea da fala de Barrancos, aqui se lhe oferecem alguns textos populares, em prosa (e em verso): Um continhu Um continho Era ũma zorra i ũ môxu. I le di a zorra áu môxu: Era uma zorra e um mocho. E dizia a zorra ao mocho - Anda cá, compádri môxu. - anda cá compadre mocho. - Não! cumádri zorra, que logu me cômi!. - Não, não comadre zorra, porque logo me comias! - Nã te cômu, compádri môxu, purqu'agora tem - Não te como compadre mocho, porque agora está bindu' uma ordẽ du bixinhu nã fazênu má ũ vindo uma ordem do bichinho, não fazem mal uns òzôtru. aos outros… - Poi tẽ que dizê trê bêzi: môxu cumí! - Pois sim, mas tens que dizer três vezes: ‘Mocho coBàxando áu xão u môxu, a zorra abrí a bôca, pã mi!’ comé u môxu. A zorra bái a dizê: môxu cumí! i u Baixando ao chão o mocho, a zorra abre a boca, para môxu saí a buá, dizendu: comer o mocho… A ôtru, ma não a mim! A zorra vai a dizer. ‘Mocho comi!... A zorra então sai voando, dizendo: (Contado por uma mulher de meia idade). A outro, mas não a mim!
Ver por exemplo para comparar: http://www.consciencia.org/a-raposa-e-o-mocho-e-a-raposa-e-o-galo-fabulas-de-animais

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Várias expressões barranquenhas ou BARRANQUENHADAS
Filologia Barranquenha, apontamentos para o seu estudo, Dr. J. Leite de Vasconcelos Fac-simile de 1955 Imprensa Nacional – Casa da Moeda 1981 – Outubro – p. 133

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alá bô! aqueli cabelu’ aqueliz ome çi çê! ehta mehma mulheri ehti mehmu Z óme u çinhô fá fabô de bi acá u çinhô fá fabô di dêxa-me paçá

já lá vou (singular e plural) (reaparece o Z do primitivo plural, por se seguir vogal) se sei! estas mesmas mulheres estes mesmos homens o senhor faz favor de cá vir o senhor faz favor de me deixar passar…

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Youtube… (algumas Ligações do): Barrancos e a guerra Cívil de Espanha, Isac, moderador Serões Culturais na APZ por Quelhas1 Histórias de „Barrancû en Portugá" Um excelente e original serão cultural, com o ilustre barranquenho José Bonito Navarro, cativou os frequentadores habituais das noites culturais da APZ. http://www.youtube.com/watch?v=g0E6vrFhOq0 Navarro falou em Barrancanho de Contrabando e Toiros nos Serões Culturais 5 por Quelhas Histórias de „Barrancû en Portugá" Um excelente e original serão cultural, com o ilustre barranquenho José Bonito Navarro, cativou os frequentadores habituais das noites culturais da APZ. http://www.youtube.com/watch?v=bifUTAp1Yp4 CONTRABANDO fpedregosa http://www.youtube.com/watch?v=dQp4JS24ma0&feature=related 2 en la Raia - Oliva de la Frontera-Barrancos 1 trompetilla13 http://www.youtube.com/watch?v=zqnHxg1YZdU&feature=related

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2 en la Raia - Oliva de la Frontera-Barrancos 2 trompetilla13 Relación entre oliveros y barranqueños durante el contrabando, del cual quedó un fuerte lazo de amistad. http://www.youtube.com/watch?v=eWZAj__u5_c&feature=related 2 en la Raia - Oliva de la Frontera-Barrancos 3 trompetilla13 http://www.youtube.com/watch?v=l6TMcIV1_hc&feature=related

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trabalho realizado por @ JORAGA Vale de Milhaços, Corroios, Seixal 2013

JORAGA JORAGA

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Corroios - www.joraga.net - 2013