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direito penal -

parte geralII

combater aqueles que querem distanciar o Direito Penal de sua


Teoria reali­dade humana e social, partindo de “esquemas apriorísticos, guerra declarada, nos termos do artigo 84, XIX; de caráter
das Penas de classificações rígidas, de quadros fechados, de logoma­quias perpétuo; de trabalhos forçados; de banimento e cruéis”.
difusas e confusas, de sutilizações cerebrinas, de fragmen­tações
A prisão, como método penal, é relativamente recente. Antes, infinitesimais de conceitos”.
ela era cruel e impiedosa; eram os ergástulos, as enxovias, as Hoje, não se ignora que a prisão não regenera nem ressocia­liza
Espécies
masmorras, vestíbulos dos pelourinhos, depósitos das câma- ninguém; perverte, corrompe, deforma, avilta, embrutece, é uma de Pena
ras de suplícios, bastidores do cenário final onde os acusados fábrica de reincidência, é uma universidade às avessas, onde se
morriam atenazados, fustigados, esquartejados, enforcados diploma o profissional do crime. Art. 32, CP: privativas de liberdade; restritivas de direitos
ou queimados. Assim a retrata Michel Foucault. Reinavam e multa.
as forças da vindita, um espécime de talião agravado pela 1. Função da pena à luz da moderna criminologia: deveria ficar As penas privativas de liberdade podem ser de reclusão, que
mão da justiça do Príncipe, e o suplício tinha função jurídico- claro para todos que, “negando-se a natureza retributiva da pena, devem ser cumpridas em regime fechado, semi-aberto ou
política, com o componente de uma cerimônia punitiva. Além nega-se que a culpabilidade reside na base da responsabilidade aberto, e de detenção, que devem ser cumpridas em regime
da tortura, do castigo físico, requintava-se o escarmento ao penal.” (Élio Morselli). semi-aberto ou aberto, salvo necessidade de transferência
criminoso com a humilhação dos ferros e das galés. A tarefa mais urgente, que na atualidade compete à dogmática para o regime fechado (art. 33, CP). A diferença entre
O primeiro protesto contra esse ordenamento de atrocidades, penal, é a de reexaminar todos os problemas fundamentais da elas – reclusão e detenção - é puramente formal; refere-se
contra a pena de morte e contra a ignomínia das cadeias teoria do delito, fazendo-a à luz das mais recentes contribui­ções à sua execução.
de antanho vem inspirado no humanitarismo dos enciclope- das ciências sociais, ou seja, da sociologia, da criminolo­gia e,
distas, em Voltaire, em Rousseau, em Montesquieu, saído sobretudo, da psicologia. Hoje, finalmente, não mais é possível
das páginas imortais do livro Dos Delitos e das Penas, de continuar a tratar e resolver as principais questões da teoria Penas Privativas
Cesare Bonesana, marquês de Beccaria, onde se estuda, geral do delito, em especial as relativas ao elemento subjetivo, de Liberdade
na ciência penal de nossos dias, o movimento que se baseando-se nos tradicionais critérios da psicologia empírica ou
avoluma no sentido da abolição das próprias prisões, com do senso comum. Aquele que pretende enfrentar o estudo do 1. Reclusão: é a única em que o regime inicial pode ser
o encontro de substitutivos ou alternativas para manifestar a Direito Penal deve, pois, fazê-lo por meio de uma preparação o fe­­chado; que pode ter o efeito de perda do pátrio poder,
reprovação da sociedade contra o crime. Beccaria confessa científica que leve em consideração as mais re­centes contribuições tutela ou curatela (art. 92, CP); e que não permite tratamento
que tudo se deve à influência da leitura dos autores france- ofertadas pela psicologia dinâmica ou do profundo. ambula­torial ao inimputável, que deverá ser internado se
ses - D’Alembert, Diderot, Buffon, Hume, Helvetius. Depois respondeu por crime punível com reclusão, consoante dispõe
dele, veio toda uma elaboração doutrinária, que encheu o 2. Teorias das penas: a) teorias absolutas ou retribucio­nistas: o art. 97, CP.
século XIX de autores verdadeiramente preclaros – Filangieri, que condicionam a interpretação da sanção penal à exigência da
Romagnosi, Carmignani –, destacando-se, nesse período da justiça, devendo o agente ser punido porque co­meteu o crime. 2. Detenção: é aplicável aos crimes dolosos e culposos;
chamada escola clássica, a figura de Francesco Carrara. Ao ser imposto o castigo, não se deve levar em conside­ração a cum­prida só nos regimes semi-aberto ou aberto, salvo
Na trajetória do Direito Penal, outro dado importante, numa teleologia da sanção penal, de caráter moralista e ético retributivo, transferên­cia para regime mais grave.
visão de conjunto, é o surgimento da escola positivista portanto; b) teorias relativas ou unitárias ou utilitaristas: que
italiana, no último quartel do século passado, que deu um emprestam à pena uma finali­da­de práti­ca, preventiva. Dessa 3. Prisão simples: aplica-se às contravenções penais. Será
largo passo à frente na evolução do Direito Penal, entendi- maneira, o crime não seria o motivo da pena, mas a ocasião cumprida sem rigor penitenciário, em regime aberto ou semi-
do o crime não mais como um ente jurídico abstrato, mas para ser aplicada. Inspiradas no positi­vismo, em Jeremias aberto (art. 6º, LCP).
como uma ação humana determinada por circunstâncias de Bentham – “a pena é um mal tanto para o indivíduo que a ela é
natureza predominantemente social ou, mais raramente, de submetido, quanto para a socie­dade que se vê privada de um 4. Regimes penitenciários: são formas de prisão onde o
caráter individual (os doentes psíquicos). Era o determinismo indivíduo seu”; c) teorias mis­tas ou ecléticas: que nada mais ape­nado sofre restrições próprias a todos que se encontram
contra o livre-arbítrio na teoria da imputabilidade. Lombroso, são do que a fusão das duas corren­tes doutrinárias, passando a cerceados em sua liberdade de locomoção por força de sen­
Ferri e Garofalo compuseram um triunvirato no comando entender os estudio­sos que a pena, por sua natureza, é retributiva, tença judicial. Há três regimes de cumprimento de pena, a
da nova escola penal. Surgiram a antropologia criminal, a tendo-se em conta seu aspecto ético e moral, e a sua finalidade saber: fechado, semi-aberto e aberto.
criminologia e a sociologia criminal como ciências ancilares é preventiva, com vistas à educação, ressocialização. (Pelegrino O Código Penal, em seu art. 33, §§ 2º e 3º, estabelece os
do Direito Penal. O nome mais festejado desse período foi, Rossi, Guizot, Cousein). critérios para a fixação do regime inicial de cumprimento das
sem dúvida, Enrico Ferri, autor de dois livros básicos – So- penas de reclusão e detenção, levando-se em consideração
ciologia Criminal e Princípios de Direito Criminal. Ferri ainda a qualidade, quantidade da pena, reincidência ou não do
foi o presidente da comissão elaboradora de um projeto de
Conceito
con­denado e circunstâncias judiciais da aplicação da pena
código penal, em 1921, e seu autor principal. de Pena pre­vistas no art. 59, CP.
Estava aberto o caminho para a aproximação dos juristas e
dos criminólogos, o que realmente se deu, em 1889, com a Pena é a conseqüência natural e obrigatória imposta pelo Estado 5. Quanto à execução, os sistemas penitenciários estão
fundação da União Internacional de Direito Penal, por “Von quando a pessoa pratica um fato típico, antijurídico e culpável. assim subdivididos: a) Pensilvânico ou de Filadélfia,
Liszt”, “Van Hamel” e Adolphe Prins. Este, autor de uma obra, Tem a finalidade de reprovar o mal produzido pela conduta típica, conhe­cido como sistema celular: iniciado em 1790 em Walnut
em 1910, La Défense Social et les Transformations du Droit bem como prevenir futuras infrações penais. Street Jail, antiga prisão situada na rua Walnut, onde o preso
Penal, exerceu inegável influência em progressistas reformas tinha a liberdade de ficar em um pátio interno e circular sem
penais, adotadas na legislação das três primeiras décadas de trabalho nem visitas; b) Alburniano: iniciou-se em 1818
nosso século, na Europa e na América, chegando o código
Princípios
na penitenciária construída na cidade de Auburn, Estado
cubano de 1936 a se chamar Código de Defesa Social. Aplicáveis de NY. Permitia o trabalho dos presos, inicialmente dentro
O nosso Código Penal de 1940, ainda em vigor, se bem que de suas celas, e, pos­teriormente, em grupos. O isolamento
reformado em 1984, para melhor, na Parte Geral teve como 1. Legalidade: CF, art. 5º, XXXIX. noturno foi mantido, bem como o silêncio absoluto entre os
modelo imediato o Código Italiano. Daí os fortes resíduos au- apenados (silent system), sendo criado um alfabeto com
toritários incrustados em nossa legislação. Não tem sido fácil 2. Anterioridade: art. 5º, XXXIX, CF, e art. 1º do CP. as mãos a fim de estabelecer uma comunicação entre os
expurgá-los. O mais grave é que a mentalidade de grande presos, método utilizado até os dias atuais; c) Progressivo,
parte de nossos jurispenalistas – magistrados, professores 3. Personalidade: CF, art. 5º, XLV. inglês ou irlandês: iniciou-se na Inglaterra no século XIX,
e advogados – se formou sob a égide do Código Rocco e sendo posteriormente adotado pela Irlanda. Partindo do
de seu substrato filosófico, a chamada escola tecnojurídica, 4. Individualização ou proporcionalidade: CF, art. 5º, XLVI. confinamento celular ao trabalho em comum no terceiro
cujos áridos pressupostos constituem o que nos parece uma período, onde era permitida a semiliberdade, até evoluir
nociva contribuição do fascismo à ciência do Direito Penal. De 5. Inderrogabilidade: uma vez constatada a prática da infração para um quarto período, permitindo-se o livramento condi-
fato, essa escola gerou os dogmáticos, que Nélson Hungria penal, a pena não pode deixar de ser aplicada. cional. c1) Regime inicial fechado: a exe­cu­ção da pena
cau­terizou em memorável conferência – “os pandetistas dá-se em esta­belecimento de segurança má­xima ou média,
do Direito Penal” – onde escreveu páginas candentes para 6. Humanização: CF, art. 5º, XLVII. consoante arts. 87/90 da LEP. Aplicações/obser­vações:
Art. 5°, XLVII, CF: “Não haverá penas: de morte, salvo em caso de

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1. para o reincidente punido com reclusão, qual­quer que CP. Excetuada a hipótese da alínea a do § 2º do referido artigo, 4.2. Perda de bens e valores: estes pertencentes aos con-
seja o tempo da pena imposta; 2. para o não-reincidente cumpre sejam consideradas as circunstâncias judiciais (§ 3º, art. denados. A perda dar-se-á em favor do FUNPEN, no limite
punido com reclusão superior a oito anos. É pre­ciso ter em 33, III, do art. 59, ambos do CP)”. do prejuízo causado ou do proveito obtido pelo agente ou por
conta que é destinado ao início do cumprimento da pena “Não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra de- terceiro em consequência da prática do crime.
de reclusão, não da de detenção (art. 33, CP), enquanto o clarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de 4.3. Prestação de serviço à comunidade ou a entidades
semi-aberto e o aberto são reservados aos não-reinciden­ trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis”.Quando houver públicas: permitida em condenações superiores a 6 meses
tes. Logo, os reincidentes, aos quais não é permitido iniciar a condenação em mais de um crime, a deter­minação do regime de privação de liberdade, consiste no desempenho de tarefas
o cumprimento da pena nos regimes semi-aberto e aberto inicial será feita pelo resultado da soma ou unificação das penas gratuitas em entidades assistenciais e estabelecimentos
(§ 2º, letras b e c, art. 33, CP), começam o cumprimento no (art. 111 da LEP). congêneres, atribuídas de acordo com as aptidões do con­
regime fe­chado, desde que punidos com pena de reclusão, O ingresso do condenado no regime aberto supõe a aceitação denado e cumpridas à razão de 1 hora de tarefa por dia de
conforme re­za o art. 33, “caput”, CP; 3. os condenados por de seu programa e das condições impostas pelo juiz – art. 113, condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada
crime de­corrente de organização criminosa “iniciarão” o LEP. normal de trabalho (art. 46 e parágrafos, CP).
cumprimento da pena em regime fechado, nos moldes do A prestação, como ocorre com todas as penas restritivas
art. 10 da Lei 9.034/95; 4. A recente Lei 11.464/2007, repro- 8. Regras dos regimes: fechado – artigo 34, CP; semi-aberto que podem ser medidas pelo tempo, terá a mesma duração
duzindo uma ten­dên­cia manifestada pelo Supremo Tribunal – artigo 35, CP; aberto – artigo 36, CP; especial – artigo 5º, L e da pena privativa de liberdade, conforme determina o art. 55
Federal, alterou dis­positivos da Lei de Crimes Hediondos, XLVIII, CF, artigo 37 do CP e artigo 117 da LEP; e maiores de 70 do CP, mas a superior a um ano poderá ser cumprida em
estendendo o ins­tituto da progressão aos crimes hediondos anos – art. 82, § 1º, LEP (Lei 7.210/84). menor tempo, nunca inferior à metade da pena privativa de
e equiparados. O §2º da Lei 11.464/2007 determina que a liberdade (art. 46, § 4º, CP).
pena seja cumprida ini­cialmente em regime fechado; seu §1º 9. Deveres do preso: art. 38 do CP e arts. 38 e 39 da LEP. 4.4. Interdição temporária de direitos: proibição do
da Lei 11.464/2007 reza que a pro­gressão de regime, em se exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como
tratando de condenado por crime hediondo ou equiparado, 10. Direitos do preso: arts. 40 a 43 da LEP. de mandato eletivo; proibição do exercício de profissão,
dar-se-á após o cumprimento de 2/5 da pena, se o apenado atividade ou ofício que dependa de habilitação especial,
for primário, e de 3/5, se reincidente. c2) Regime semi- 11. Detração: disciplinada no art. 42 do CP. Consiste na conta­gem de licença ou autorização do poder público; suspensão de
aberto: a execução da pena é feita em co­lônia agrícola, no tempo da pena privativa de liberdade e da medida de segurança autorização ou de habilitação para dirigir veículo (segundo
industrial ou estabelecimento similar (arts. 91/92, LEP). do tempo em que o condenado permaneceu de­tido em prisão alguns autores, revogada pelo CTB) e proibição de freqüentar
Aplicações/observações: 1. para o não-reinci­den­te punido provisória, no Brasil ou no estrangeiro, de prisão administrativa ou determinados lugares.
com pena de reclusão superior a 4 anos e não superior a 8. mesmo de internação em hospital de custódia e tratamento. 4.5. Limitação de fim de semana: obrigação de permane­
A hipótese é facultativa, pois o juiz pode escolher o regime Opera-se por prisão ocorrida em outro processo, desde que o cer, aos sábados e domingos, por 5 horas diárias, em casa
fechado para início de cumprimento, se assim deter­mi­narem crime pelo qual o sentenciado cumpre pena tenha sido praticado de albergado ou outro estabelecimento adequado, onde
as circunstâncias do art. 59, CP; 2. para o reincidente e o anteriormente a seu encarceramento, numa espécie de fungibi­ poderão ser ministrados cursos, palestras ou atribuídas
não-reincidente punidos com pena de detenção superior a lidade da prisão. atividades educativas.
4 anos, prevendo a obrigatoriedade do regime semi-aberto
para o punido com detenção, porque o detento não poderá 12. Remição: é a abreviação do tempo da pena a ser cum­prida, 5. Substituição da pena privativa de liberdade: o rol é
cum­prir a pena no regime fechado desde o início. Poderá descontando-se 1 dia para cada 3 trabalhados em jor­nada entre taxativo e não exemplificativo.
cum­prir depois, por necessidade da execução; 3. Súmula 6 e 8 horas diárias. 5.1. Características: 1. a lei tem aplicação retroativa, po­
269 do STJ: “É admissível a adoção do regime prisional Link Acadêmico 1 dendo ser aplicada pelo juiz ou tribunal; 2. se transitar em
semi-aber­to aos reincidentes condenados a pena igual jul­gado, compete ao juiz da execução (Súmula 611, STF);
ou superior a qua­tro anos, se favoráveis as circunstâncias 3. são autônomas, isto é, não são aplicadas conjuntamente
judiciais”. 4. ao reincidente em crime apenado com detenção Penas Restritivas com as penas privativas de liberdade; 4. são aplicadas a qual­
o semi-aberto é obrigatório. 5. O STJ admite a imposição de Direitos quer infração, independentemente de a cominação es­tar na
inicial do regime semi-aberto a reincidentes, presentes as Parte Especial, em substituição (reclusão, detenção ou prisão
particularidades que en­vol­vem cada caso, observando-se 1. Introdução: são impostas em substituição à pena privativa de simples); 5. a substituição acontecerá depois de de­finidas as
requisitos objetivos, subjeti­vos, personalidade do agente liberdade (art. 43, CP). São sanções e medidas que não envolvem penas cominadas ao crime; 6. as penas restri­tivas possuem
e conduta não voltada para o crime. c3) Regime inicial a perda da liberdade. São meios dos quais se vale o legislador com caráter substitutivo, não podendo coexistir com a pena priva-
aberto: a pena será executada em casa de albergado ou o fito de impedir que ao autor de uma infração penal venha a ser tiva de liberdade, nem ser aplicadas dire­tamente, sem antes
estabelecimento adequado (arts. 93/95, LEP). Aplicações/ aplicada pena privativa de liberdade. Exs.: sursis, suspensão con- ser fixada a pena privativa de liberda­de; 7. se a privação da
observações: 1. para o não-reinci­den­te punido com pena dicional do processo, perdão judicial etc. Essas penas, autônomas liberdade for igual ou inferior a um ano, a substituição será
de reclusão igual ou inferior a 4 anos, podendo o juiz, em (podem ser impostas isolada ou cumulativamente, sem o caráter por multa ou por uma restritiva de direitos; se superior a um
cada caso, diante das circunstâncias do art. 59, fixar o de acessoriedade, que existia no CP de 1940), são aplicadas em ano, a substituição da pena pri­vativa de liberdade será por
regime aberto de imediato. 2. para o não-rein­cidente punido substituição a uma pena privativa de liberdade. As penas restritivas duas penas alternativas: uma restritiva de direitos e mais a
com pena de detenção igual ou inferior a 4 anos. 3. para o são as previstas na lei, causando ofensa ao princípio da reserva multa, ou duas restritivas de direitos.
reincidente punido com pena de detenção de até 4 anos. legal a criação judicial de novas hipóteses (frequentar cursos, 5.2. Requisitos objetivos: 1. pena aplicada não superior a
Súmulas 718 e 719, STF. submeter-se a tratamentos, assistir a cultos, o que também fere 4 anos; crime cometido sem violência ou grave ameaça à
o princípio de liberdade religiosa etc.). pessoa; 2. não se pode considerar aqui a violência imprópria;
6. Regime Disciplinar Diferenciado (RDD): modalidade 3. aos crimes culposos qualquer que seja a quantidade da
mais rigorosa de cumprimento do regime fechado, criada pela 2. Características: a) tem por finalidade a reinserção social do pena aplicada, mesmo em concurso.
Lei 10.792/03, imposta ao réu provisório ou definitivamente autor da infração penal; b) a posição da vítima é secundária; 5.3. Requisitos subjetivos: 1. não ser reincidente em
condenado que praticar falta grave, ocasionando subversão c) admite progressão na execução da pena, de acordo com o crime doloso; 2. poderá o juiz efetuar a substituição desde
da ordem ou da disciplina do estabelecimento; apresentar comportamento do condenado; d) representa forma de atuação que so­cial­mente recomendável e desde que a reincidência
alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento do Estado Social. não decorra da prática do mesmo crime (art. 44, § 3º, CP);
penal ou da sociedade; sobre o qual recaiam reais suspeitas Após as reformas de 1984 e 1998, o Código Penal brasileiro 3. tecni­camente primário, art. 64, I, CP; 4. a culpabilidade,
de envolvimento em organizações criminosas, quadrilha adotou o sistema misto ou eclético: a) é retributivo-preventivo – os ante­cedentes, a conduta social e a personalidade do
ou bando. art. 59, caput; b) caminha no sentido da justiça restauradora (ex.: condena­do, bem como os motivos e as circunstâncias
Caracteriza-se pelo isolamento em cela individual ou cole- prestação pecuniária, 1998). indica­rem que essa substituição seja suficiente (art. 44,
tiva por no máximo 360 dias, sem prejuízo de repetição da inc. III, CP).
sanção até o limite de 1/6 da pena; visita apenas uma vez 3. Tendências do Direito Penal Moderno: a) Abolicio­nismo: 5.4. Forma de aplicação
por semana, de no máximo 2 pessoas, por 2 horas, sem política criminal alternativa, pretende a extinção do di­reito penal; a) 1º passo: fixa-se a pena-base (é a que contém o quantum
computar pessoas menores de 18 anos de idade; saída para b) Movimento de Lei e Ordem: tem por prin­cípio a criação de fundamentado nas circunstâncias judiciais, abstraindo as cir-
banho de sol por no máximo 2 horas por dia. novos tipos incriminadores e agravação das penas; c) Modelo cunstâncias legais genéricas – agravantes e atenuantes – e
alternativo: direito penal mínimo, com a intervenção penal mínima, as causas de aumento e diminuição), levando em considera-
7. Observações quanto aos casos: arts. 110 a 119 da com previsão na teoria da pre­venção geral e especial; d) Direito ção o art. 59 do CP (arts. 59 e 68, ambos do CP);
LEP. Penal brasileiro: não tem um rumo certo (Damásio). Inexiste uma b) 2º passo: fixada a pena-base, o juiz aplica as agravantes
O cumprimento da prisão albergue em regime domiciliar política criminal única dos três Poderes. e atenuantes dos arts. 61, 62, 65 e 66 do CP;
pode ser feito, nos termos do art. 117 da LEP, nos seguintes c) 3º passo: sobre a pena fixada no 2º passo, o juiz incidirá
casos: sentenciado maior de 70 anos, doente, mãe com filho 4. Espécies de penas restritivas de direitos as causas de aumento e diminuição de pena na Parte Geral
menor ou gestante. 4.1. Prestação pecuniária: consiste no pagamento em dinheiro à ou Especial do CP;
Para a escolha do regime inicial, não pode o juiz considerar vítima, a seus dependentes ou à entidade pública ou privada com d) 4º passo: analisa-se eventual substituição da pena, com
apenas a gravidade do delito (STJ, HC 9830/SP), devendo destinação social, cujo valor será fixado pelo juiz, não inferior a um base no art. 44, CP.
atender fundamentadamente ao disposto no art. 59 e apreciar nem superior a 360 salários mínimos. O valor pago será deduzido
as circunstâncias consideradas para a fixação da pena-base do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, 6. Execução das penas restritivas de direitos. Art.
(STJ, HC 9830/SP; REsp 68136/SP), art. 59 CP. se coincidentes os beneficiários. 147, LEP: “Transitada em julgado a sentença que aplicou a
Assim, é incompatível com o sistema a fixação do regime O § 2º do art. 45 do CP permite a prestação pecuniária que não seja pena restritiva de direitos, o juiz de execução, de ofício ou
inicial fechado se a pena imposta permitir o regime semi- em dinheiro, mas em prestação de outra natureza, se houver acei- a requerimento do Ministério Público, promoverá a execu­
aberto e as circunstâncias judiciais forem favoráveis ao réu tação do beneficiário, denominando-se pena alter­nativa inominada. ção, po­dendo, para tanto, requisitar, quando necessário,
(STJ, HC 10042/SP; HC 9559/SP). Não poderá ser em moeda, mas sempre terá natureza patrimonial, a colabo­r ação de entidades públicas ou solicitá-la a
No STF, assim decidiu a 2ª Turma, no julgamento do HC como a entrega de cestas básicas, material de construção etc. É parti­culares”.
78223/SP, rel. min. MARCO AURÉLIO: “O regime de cum- vedada a aplicação aos crimes que envolvam violência doméstica Art. 149 da LEP – Prestação de serviços à comunidade.
primento da pena é fixado a partir do disposto no art. 33 do ou familiar contra a mulher (art. 17, Lei 11.340/06). Art. 151 da LEP – Limitação de fim de semana.

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Art. 154 da LEP – Interdição temporária de direitos. 1. Judiciais: art. 59, CP: a serem consideradas na fixação inicial do resultado, ainda que este integre o tipo.
da pena imposta em qualquer delito. 11.8. Comportamento da vítima: decorre dos estudos de
Da Pena vitimologia.
de Multa 2. Legais: podem ser genéricas, quando previstas na Parte Geral 12. Reincidência: verifica-se quando o agente comete novo
do CP (agravantes, atenuantes e causas gerais de aumento ou crime, depois de transitar em julgado a sentença que o tenha
1. Conceito: Art. 49, CP. Consiste no pagamento ao fundo diminuição de pena), ou especiais (específicas), constantes na condenado por crime anterior - art. 63, CP. Para efeito de
penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em Parte Especial (qualificadoras e causas especiais de aumento ou reincidência, não prevalece a condenação anterior, se, entre
dias-multa. Será, no mínimo, de 10 e, no máximo, de 360 diminuição de pena). a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração
dias-multa, qualquer que seja o crime praticado pelo conde- posterior, tiver decorrido período de tempo superior a 5
nado e isoladamente na LCP. Sanção principal, alternativa ou 3. As Atenuantes ou agravantes genéricas: sempre atenuam anos, computado o período de prova da suspensão ou do
cumulativa com a pena privativa de liberdade, ou substitutiva ou agravam a pena em índices não fixados expressamente na livramento condicional, se não ocorrer revogação.
desta, conforme art. 60, § 2º, CP. lei - arts. 61 a 67, CP. 1. Pena-base: é a que contém o “quantum” fundamentado
Após o trânsito em julgado, dívida de valor, sujeita à nas circunstâncias judiciais, abstraindo as circunstâncias
atualização monetária até o seu pagamento, devendo ser 4. As Causas gerais de aumento ou diminuição de pena: legais genéricas (agravantes e atenuantes e as causas de
cobrada pela Procuradoria do Estado como dívida ativa da têm previamente demarcados nos correspondentes dispositivos aumento e diminuição), levando em consideração os arts.
Fazenda Pública. da Parte Geral os limites de aumento ou diminuição. Ex.: arts. 59 e 68 do CP.
16, 21, 2ª parte, 26, parágrafo único, CP, podendo ainda ser
2. Cominação da multa: deve atender às regras do art. 59 encontra­das em vários tipos penais, influenciando no aumen­to/ 2. Pena provisória: com as circunstâncias agravantes e
do CP. Consideram-se a gravidade do crime e suas circuns- diminui­ção, depois de consideradas as circunstâncias judi­ciais, atenuantes da Parte Geral. Havendo duas agravantes ou
tâncias, causas de aumento e de diminuição da pena, a fim as agravantes e atenuantes. duas atenuantes no mesmo sentido, ambas serão aplicadas
de fixar o parâmetro entre o mínimo e o máximo legal (10 a sobre a pena-base.
360 dias-multa). Duas fases: 5. As Causas especiais de aumento de pena ou qualificado­ras
2.1. o juiz estabelece o número de dias-multa – entre 10 e em sentido amplo: dizem respeito a certos tipos penais, estabe- 3. Pena definitiva: com as causas de aumento ou de diminui-
360 - com base nas circunstâncias judiciais e atribui valor ao lecendo um aumento da sanção imposta ao crime sim­ples em ção, genéricas ou especiais.
dia-multa - entre 1/30 a 5 vezes o salário mínimo - com base decorrência de sua existência no fato, o que o torna mais grave 3.1. Primeiro aplicam-se as causas de aumento; depois,
na condição econômica do réu. Se o valor for insuficiente, por estas circunstâncias. Ex.: art. 122, parágrafo único, CP. as de diminuição. O cálculo da primeira modificação é feito
embora aplicado no máximo, poderá elevá-lo até o triplo; sobre a pena até ali encontrada, que tanto pode ser a pena-
O cálculo não sofre os efeitos das causas de aumento ou 6. As Qualificadoras são integrantes dos tipos penais deno­ base (se não houver agravantes ou atenuantes) como a
de diminuição. minados qualificados. Ex.: art. 121, § 2º, CP. pena provisória (resultante da aplicação das atenuantes ou
A pena de multa também pode ser substitutiva (vicariante), agravantes, na segunda fase).
aplicada isolada ou cumulativamente com pena restritiva de 7. Circunstâncias agravantes: art. 61, CP. O rol é taxativo. 3.2. Havendo uma segunda causa de aumento ou de dimi-
direitos, preenchidos os requisitos do art. 44 do CP, vedada nuição, o cálculo é feito sobre a última pena já alterada por
a aplicação isolada, referente aos delitos previstos na Lei 8. Circunstâncias atenuantes: art. 65, CP. O rol é exemplificativo, influência da anterior causa de aumento ou de diminuição.
11.340/06, art. 17. É possível cumular a pena de multa comi- atenuando a pena, exceto quando a pena-base estiver no seu 3.3. As causas de aumento decorrentes do sistema da exas-
nada no CP com multa substitutiva. Porém, em se tratando de mínimo legal (Súmula 231, STJ). peração (toma-se a pena mais grave e sobre esta incide a
legislação especial, com a cominação de pena privativa de li- causa de aumento), que regula a aplicação das penas no
berdade e de multa, a Súmula 171 do STJ veda a substituição 9. Circunstância inominada: art. 66, CP. A pena pode ser ainda concurso formal, art. 70, e no crime continuado, art. 71,
da pena de prisão por outra pena de multa. atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior devem ser aplicadas depois de calculada integralmente a
ao crime, embora não prevista expressamente em lei. pena correspondente ao fato mais grave do concurso ou
3. Atualização monetária: marco inicial: fato delituoso, da continuação.
consoante Súmula 43 do STJ. 10. Circunstância preponderante. Art. 67, CP. No concurso de 3.4. Depois de encerrado esse trabalho, será feito o aumento
agravantes e atenuantes, a pena deve se aproximar do limite decorrente da continuação, ou do concurso formal. Assim,
4. Execução da multa: após o trânsito em julgado, deve ser indicado pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se no caso de dois furtos noturnos tentados, em continuação,
inscrita na dívida ativa da Fazenda, cabendo ao procurador como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, será aplicada a causa de aumento de 1/3, art. 155, § 1º, CP,
estadual a sua execução como dívida de valor, aplicando- da personalidade do agente e da reincidência. Inexiste preponde- a diminuição de 1 a 2/3, pela tentativa, e finalmente a causa
se-lhe as normas relativas à Fazenda Pública (arts. 49, § rância entre agravantes e causas de aumento de pena ou entre de aumento pela continuação.
2º, e 51, ambos do CP; art. 144, § 1º, CTN; e arts. 2º, § 2º, atenuantes e causas de diminuição. Link Acadêmico 3
e 32, §§ 1º e 2º, da Lei 6.830/80, e não mais pelos artigos
164 e segs). A reforma a que foi submetida a Lei 9.268/96 11. Circunstâncias judiciais: art. 59, CP. Genericamente mencio- Concurso
passou a vedar a conversão da pena de multa em privativa nadas na lei por meio do dado objetivo ou subjetivo que deve ser
de liberdade. apreciado; fica delegado ao trabalho do julgador a identificação de Crimes
Link Acadêmico 2 do fato relevante no âmbito referido pela lei:
11.1. Culpabilidade: ao juiz cumpre avaliar o grau de censura- 1. Conceito. Ocorre quando, em uma mesma oportunidade
bilidade da conduta do réu. Considera-se, nessa fase, que o ou em ocasiões diversas, uma mesma pessoa vem a cometer
Da Cominação e da Apli- crime representa uma quebra na expectativa de que o agente duas ou mais infrações penais, que, de algum modo, estejam
cação da Pena atenderia ao princípio ético vigorante na comunidade assim ligadas por circunstâncias várias, “concursus delictorum”, o
como expresso na lei; seu ato será tanto mais censurável quanto que dá origem ao concurso de penas.
1. Nos termos do art. 59 do CP, o juiz deve obedecer ao maior a frustração.
seguinte: 11.2. Antecedentes: são os fatos registrados sobre o compor- 2. Sistemas para aplicação da pena: a) cúmulo material:
1.1. Estabelecer as penas aplicáveis dentre as cominadas, tamento anterior do réu; integram a sua história de vida e já não recomenda-se a soma das penas de cada um dos delitos
que podem ser isoladas, cumuladas ou alternativas, conforme podem ser modificados, apenas conhecidos e avaliados, sempre componentes do concurso; b) cúmulo jurídico: a pena a
o tipo penal estabelecer; na perspectiva do crime que está em julgamento. ser aplicada deve ser mais grave do que a cominada para
1.2. Graduar a pena escolhida dentro dos limites legais; 11.3. Conduta social: trata-se de averiguar o seu desempenho na cada um dos delitos, sem se chegar, entretanto, à somatória
1.3. Determinar o regime inicial de cumprimento da pena sociedade em geral, formando um conjunto de fatores, talvez, sem delas. (concurso material); c) absorção: só deve ser aplicada
pri­vativa de liberdade; registro especial, mas que serve para avaliar o modo pelo qual o a pena do delito mais grave, desprezando-se as demais; d)
1.4. Decidir sobre a substituição da pena ou a sua suspensão agente se tem conduzido na vida de relação, permitindo concluir exasperação das penas: deve ser aplicada a pena do delito
condicional se, em princípio, a pena aplicada admitir. se o crime é um simples episódio, resulta de falta de educação mais grave, entre os concorrentes, aumentada a sanção
O julgador deve examinar ainda a possibilidade de substi- ou revela sua propensão para o mal. de certa quantidade em decorrência dos demais crimes
tuição da pena por medida de segurança, quando o réu for 11.4. A personalidade do agente: é formada pelo conjunto dos (concurso formal).
semi-imputável e necessitar de especial tratamento curativo dados externos e internos que moldam um feitio de agir do réu, O nosso legislador, ao tratar dos artigos 69, 70 e 71, hipóteses
(art. 98, CP). instrumental que ele herdou ou adquiriu e com o qual responde às de concurso material, formal e crime continuado, não se
diversas situações que lhe são propostas na vida diária. preocupou em conferir uma abordagem mais abrangente à
2. Cálculo do tempo da pena: é contado de acordo com 11.5. Os motivos: são os fatores que animaram o agente a praticar questão da unidade e da pluralidade das infrações penais.
os prazos do Código Penal, ou seja, dias, meses e anos, o delito. Estão ligados à causa da conduta (agiu impelido pelo ódio Adotando-se a divisão feita por JOSÉ FREDERICO MAR-
conforme o calendário comum: computa-se o dia em que à vítima) e nada dizem com a finalidade porventura perseguida QUES, são três as situações que apresentam um equacio-
começa a execução - art. 10, CP. Nas penas privativas de (matou para encobrir a autoria de outro delito). Podem ser nobres namento legal: a) pluralidade de normas e pluralidade de
liberdade, desprezam-se as frações de dia, tomando-se ou vis, e dentro dessa régua de valores devem ser avaliados, crimes (concurso formal e material ou real); b) pluralidade de
em conta os dias inteiros, desprezando-se a fração que contando ainda a sua intensidade para a determinação da ação. normas e unidade de crime (concurso aparente de normas,
sobra - art. 11, CP. 11.6. Circunstâncias: referem-se a todos os demais elementos crime complexo, crime permanente, crime progressivo, pro-
que, como decorre da etimologia da palavra, cercam o fato: gressão criminosa e crime habitual); c) pluralidade de normas
3. Limite máximo de cumprimento de pena: 30 anos é o de ordem externa (tempo, local, arma utilizada etc.) ou interna e unidade legal de crimes (crime continuado).
prazo máximo da pena privativa de liberdade - art. 75, CP. Se (relações com a vítima, finalidade etc.).
for condenado por vários crimes, as penas devem ser unifica- 11.7. Conseqüências do crime: a intensidade e lesividade ao bem 3. Concurso material ou real: quando o agente, mediante
das para atender ao limite máximo - art. 75, 1º do CP. atingido podem variar substancialmente sem modificar a natureza mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos (homogêneo) ou não (heterogêneo), aplicam-se
Elementares e Cálculo da Pena cumulativamente as penas privativas de liberdade em que
Circunstâncias haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de

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3
reclusão e de detenção, executa-se, primeiro, aquela (art. 69, com o mesmo titular ou diverso. não comparecer à audiência admonitória, sem justificação;
CP). Ex.: sujeito subtrai automóvel, atropela ciclista na fuga 6.3. Aplicação da pena: nos crimes dolosos contra vítimas 4.2. facultativamente, caso o condenado descumpra
e arrebata mulher com o fim de praticar conjunção carnal diferentes, cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa, qualquer outra condição imposta ou se vier a ser condenado
violenta. Há concurso material de furto (art. 155 do CP), lesão poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os anteceden­tes, a irrecorívelmente, por crime culposo ou contravenção, à pena
corporal culposa (art. 304 do CTB) e rapto (art. 148, § 1º, V, conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos privativa de liberdade ou restritiva de direitos.
do CP). A pena final a ser aplicada é a somatória das que e as circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se Link Acadêmico 5
deve­riam ser aplicadas isoladamente a cada delito. Aplica- idênticas, ou a mais grave, se diversas, até o triplo, observadas
se, pois, o cúmulo material, devendo o juiz individualizar a as regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75. Livramento
pena fixa­da para cada um dos componentes para, depois, 6.4. Regra: o aumento deve levar em conta o número de cri­mes, Condicional
somar as reprimendas. e não as circunstâncias judiciais de dosagem ou repri­menda. No
caso do tresdobro, o juiz deverá levar em conside­ração não só Trata-se de um direito subjetivo público do condenado, me-
4. Concurso formal: quando o agente, mediante uma só o número de crimes, mas, aí sim, as circunstâncias judiciais que dida penal de fundo não institucional, restritiva da liberdade
ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos cercaram a realização dos delitos em série – é o chamado “crime de locomoção incidente na execução da pena privativa de
(homogêneo) ou não (heterogêneo), aplica-se-lhe a mais continuado específico”. liberdade, sendo uma antecipação provisória da liberdade
grave das penas cabíveis, ou, se iguais, somente uma delas, Link Acadêmico 4 do condenado quando satisfeitos determinados requisitos e
mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. mediante determinadas condições.
As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação
ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de
Suspensão Condicional 1. Requisitos objetivos (dizem respeito à natureza e à
desígnios autônomos, ex vi do art. 70, CP: a) a primeira da Pena - “Sursis” quantidade da pena): 1.1. condenação a pena privativa
parte estabelece a regra do concurso formal simples, de de liberdade igual ou superior a 2 anos. A soma das penas
conformidade com a exasperação da pena de um sexto até É a suspensão da execução da pena privativa de liberdade. é permitida para atingir esse limite mínimo, mesmo quando
a metade; b) a segunda parte fixa o sistema de cumulação Dois sistemas conhecidos: probation, ou anglo-saxão, segundo aplicadas em processos distintos; 1.2. cumprimento de mais
aritmética para o concurso formal qualificado, nos casos de o qual o juiz suspende a prolação da sentença condenatória, de 1/3 da pena, desde que tenha bons antecedentes e não
desígnios autônomos. submetendo o processado a um sistema e prova que, se resultar seja reincidente em crime doloso; 1.3. mais da metade, se
A hipótese restante de unidade de crime é o verdadeiro satisfatório, evita a prolação da sentença e, consequentemente, a reincidente em crime doloso; 1.4. entre 1/3 e metade, se tiver
crime continuado, que deve ser construído pela doutrina e própria condenação; e o sursis, ou franco-belga, por meio do qual, maus antecedentes, mas não for reincidente em crime do-
jurisprudência, partindo-se da interpretação lógica dos tipos de modo condicional, o juiz prolata a sentença condenatória, ou loso; 1.5. reparação do dano, salvo efetiva impossibilidade.
penais em particular, e que pressupõe a aplicação da pena seja, se o apenado cumpre as condições que lhe foram impostas
do crime continuado. durante certo lapso, a condenação em si desaparece. O sistema 2. Requisitos subjetivos (referem-se à pessoa do conde-
Para haver concurso formal é necessária a existência de atualmente encontrado no Brasil é o da suspensão condicional nado): 2.1. bons antecedentes; 2.2. comportamento satisfa-
uma só conduta (ação ou omissão), embora ela possa da execução penal, ou seja, uma variável franco-belga, mas tório durante a execução; 2.3. bom desempenho no trabalho
desdobrar-se em vários atos. não inteiramente puro, pois a condenação subsiste, como dispõe atribuído; 2.4. aptidão para prover a própria subsistência com
Quando o agente, com uma única ação, infringe várias o artigo 82 do CP. trabalho honesto; 2.5. constatação das condições pessoais
vezes a mesma disposição ou disposições legais, ocorre do agente que façam presumir que não voltará a delinquir,
o concurso formal. 1. Requisito objetivo: a pena deverá ser privativa de liberdade tendo praticado crime doloso mediante violência ou grave
Havendo duas ou mais ações distintas, ainda que em sequên- e nunca superior a 2 anos. ameaça à pessoa.
cia, inexistirá o concurso formal, podendo-se falar, conforme
o caso, em progressão criminosa (antefactum ou postfactum 2. Requisito subjetivo: determina que o condenado não seja rein- 3. Forma de requerimento: 3.1. pode ser requerido pelo
impunível), concurso material, crime continuado etc. cidente em crime doloso e que a culpabilidade, os antecedentes, a próprio apenado, cônjuge ou parente em linha reta, bem
conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos como pelo diretor do estabelecimento ou do Conselho Peni-
5. Concurso formal impróprio ou imperfeito: refere-se a e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício. tenciário, conforme art. 714 do CPP. Pode vir acompanhado
uma só conduta dolosa em que o agente causa dois ou mais A execução da pena privativa de liberdade, portanto, não superior a do parecer do Conselho Penitenciário, embora o juiz não
resultados com desígnios autônomos, ou seja, ele almeja 2 anos, poderá ser suspensa, por 2 a 4 anos, desde que o conde- fique a ele adstrito; 3.2. o juiz, de posse do parecer do Con-
resultados diversos. nado não seja reincidente em crime doloso e que a culpabilidade, selho Penitenciário, deve ouvir o diretor do estabelecimento
os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, prisional, bem como o representante do Ministério Público e o
6. Crime continuado: quando o agente, com mais de uma bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão defensor. A oitiva do Conselho Penitenciário é facultativa; 3.3.
ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma do benefício e não seja indicada ou cabível a substituição prevista deferido o pedido, o magistrado especificará as condições
espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de no artigo 44, CP. a que ficará subordinado o liberado, nos termos do art. 132
execução e outras semelhantes, devem os subsequentes da LEP, e designará uma audiência onde lerá a sentença,
ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a 3. Espécies explicadas as condições impostas (art. 85, CP); 3.4. em dia
pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, 3.1. “Sursis” simples: condiciona o sentenciado, no primeiro ano e hora designa­dos, celebrará cerimônia e, após, expedirá
se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um 1/6 a 2/3. do prazo, à prestação de serviços à comunidade ou a submeter-se a carta de livra­men­to com a cópia integral da sentença em
O CP adotou a teoria objetiva pura, ou da unidade ficta, à limitação de fim de semana, e ainda poderá o magistrado, a seu duas vias: uma será remetida à autoridade administrativa
como sendo uma realidade apurável objetivamente mediante critério, estabelecer outra condição, que seria a condição judicial. incumbida da exe­cu­ção; a outra, ao Conselho Penitenciário;
elementos circunstanciais exteriores, independentemente As condições legais são: a) obrigatoriedade de, durante um ano, 3.5. o preso, ao ser liberado, deverá receber seus pertences,
da unidade de desígnio, em relação a crimes praticados em prestar serviços à comunidade ou submeter-se à limitação de fim o saldo do seu pecúlio, além de uma caderneta, que deverá
iguais condições de tempo, lugar, maneira de execução e de semana, penas substitutivas (art. 78, § 1º do CP); b) não ser ser apresentada à autoridade judicial ou administrativa
outras semelhantes. condenado em sentença irrecorrível, por crime doloso (art. 81, I, do sempre que lhe for exi­gi­do ou, na sua falta, um salvo-conduto
6.1. Características: 1. pluralidade de crimes, duas ou mais CP); c) não frustrar, sendo solvente, a execução da pena de multa (art.138, LEP).
con­dutas do mesmo agente e dois ou mais resultados. Em (art. 81, II, do CP); d) efetuar, salvo motivo justificado, a reparação
te­se, um concurso material. Existindo apenas uma conduta, do dano (art. 81, II, § 2ª parte do CP); e) não ser condenado por 4. Condições do livramento condicional
ainda que desdobrada em vários atos, haverá concurso for- crime culposo ou por contravenção à pena privativa de liberdade 4.1. Obrigatórias: a) obter ocupação lícita dentro de prazo
mal; 2. é necessário ainda que se trate de crimes da mesma ou restritiva de direitos (art. 81, 81º, 2ª parte do CP). razoável, se for apto para o trabalho; b) comunicar periodica-
espé­cie, que se assemelhem em seus tipos fundamentais por 3.2. “Sursis” especial: é menos rigoroso e tem como requisitos mente ao juiz sua ocupação; c) não mudar do território da
seus elementos objetivos e subjetivos, violadores do mesmo aqueles previstos no art. 77 do CP, e também mais duas exigên- comarca do juízo da execução, sem prévia comunicação.
inte­resse jurídico, nada impedindo que haja continuidade cias, a saber: 1ª) reparação do dano, salvo impossibilidade de 4.2. Facultativas: a) não mudar de residência sem comunica-
delitiva entre crimes tentados e consumados, simples ou fazê-lo; 2ª) que as circunstâncias do art. 59 do CP sejam totalmente ção ao juiz e à autoridade incumbida da observação cautelar
qualificados. favoráveis ao condenado. O juiz poderá substituir a exigência de e de proteção; b) recolher-se à habitação em hora fixada; c)
Magalhães Noronha, Aníbal Bruno e Basileu Garcia alegam no primeiro ano prestar serviços à comunidade ou limitação de fim não frequentar determinados lugares.
que, dentro do crime continuado, cada episódio no curso dos de semana pelas condições, cumulativamente: 1ª) proibição de
acontecimentos é uma ação integral, um crime em si mesmo, freqüentar determinados lugares; 2ª) proibição de ausentar-se da 5. Revogação: 5.1. Obrigatória (artigo 86, CP): deve o juiz
no seu aspecto objetivo e subjetivo. A unidade atribuída ao comarca onde reside; e 3ª) comparecimento pessoal e obrigatório revogar o livramento, independentemente de ouvir antes o
con­junto deve assentar também em uma unidade de fato a juízo, mensalmente, objetivando justificar suas atividades. liberado, em caso de condenação irrecorrível por crime come-
re­sultante das circunstâncias que vinculam entre si as ações 3.3. “Sursis” etário: trata-se de uma novidade introduzida pela tido durante a vigência do benefício, ou condenação por crime
su­cessivas e em uma unidade psíquica que compreende as reforma de 84; é previsto para o condenado que tenha mais de cometido antes de sua vigência; 5.2. Facultativa: deixar de
várias realizações como um todo. 70 anos na data da sentença. Além de ter sido condenado a uma cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença,
É necessário que toda a série de delitos tenha origem num pena não superior a 4 anos, neste caso o período de prova altera- obviamente aquelas contidas no artigo 132, § 1º, LEP, ditas
mesmo ímpeto criminoso, numa mesma ideação criminosa. se, passando a ser de 4 a 6 anos, ressaltando que devem estar legais, e as facultativas, no mesmo art. 132, §2º, do LEP,
Se os delitos resultaram de deliberações autônomas, não também presentes as condições do “sursis” simples. ditas judiciais, ou condenação por crime ou contravenção a
se pode afirmar existente o nexo de continuidade. Um 3.4. “Sursis” humanitário ou profilático: aplicado ao conde- pena que não seja privativa de liberdade.
desdobramento lógico da primeira ação. nado com grave problema de saúde, ex vi do art. 77, § 2º, 2ª
6.2. Consumação: o entendimento é o de que o lapso parte, CP. 6. Efeitos da revogação: a prática de novo crime enseja:
entre um e outro delito, que é de trinta dias, seja na mesma 6.1. se o crime for praticado durante o livramento, não se
localida­de ou até mesmo em municípios diversos. Aplica-se 4. Revogação: poderá ser revogado: 4.1. obrigatoriamente, se desconta o tempo durante o qual o sentenciado esteve solto,
a quaisquer crimes, sejam ou não lesivos a bens perso- o beneficiado vier a ser condenado em sentença irrecorrível, por ou seja, deverá ficar preso todo esse tempo e somente
nalíssimos e patrimo­niais, quaisquer que sejam os bens crime doloso, ou se o condenado frustrar, embora solvente, a poderá obter novo livramento em relação à nova conde-
jurídicos ofendidos, vida, honra, saúde, pudor, liberdade, execução de pena de multa; se descumprir a prestação de serviços nação; 6.2. se o crime for praticado antes do livramento,
à comunidade ou a limitação de fim de semana; se o condenado

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4
computar-se-á o tempo em que esteve solto como tempo de natureza pública. ocorrendo se se tratar de enfermo mental ou na hipótese
de cumprimento de pena, permitindo-se a soma do tempo de conflito entre os interesses do ofendido e os do seu
restante com a nova pena, para cálculo do novo benefício; 3. Condições da ação: serão apreciadas pelo juiz no momento representante legal. Se o ofendido é morto ou ausente por
6.3. por descumprimento das condições impostas, não se do recebimento da denúncia ou queixa, rejeitando a peça inicial, decisão judicial, o direito de queixa passa para o cônjuge
desconta o tempo em que esteve solto em livramento e não declarando o autor carecedor de ação, na falta de qualquer uma (companheiro), descendente, ascendente ou irmão, sendo
poderá obter novo livramento em relação a essa pena, por delas: a) possibilidade jurídica do pedido: no processo civil, o o rol taxativo (exercido o direito de queixa pelo primeiro, o
ter traído a confiança do juízo. conceito é negativo, ou seja, desde que o ordenamento não vede, segundo fica impedido);
admite-se a propositura da ação. No processo penal, ao contrário, b) Prazo: o prazo é de seis meses, contados da data do
Se até o seu término o livramento não é revogado, considera- só se pode ajuizar a ação se houver admissão por expressa previ- conhecimento da autoria do crime pelo ofendido ou seu re-
se extinta e pena privativa de liberdade. Tal dispositivo deverá são legal daquele caso concreto; b) interesse de agir: constituído presentante legal (CP, 103; CPP, 38). O não exercício dentro
ser interpretado em consonância com o art. 89 do CP, ou seja, pelo mesmo trinômio necessidade, utilidade e adequação; e c) desse prazo leva à extinção da punibilidade pela decadência
prorrogação do período de prova sem revogação. legitimação para agir ou legitimidade ad causam: para ocupar do direito de queixa (CP, arts. 103 e 107, IV).
Link Acadêmico 6 tanto o pólo passivo como o ativo da ação. 4.4. Ação privada subsidiária da ação penal pública:
ocorre quando o Ministério Público, por inércia, não oferece
4. Espécies de ação penal: a ação é pública ou privada. Se a a denúncia no prazo legal - 5 dias da data do recebimento
Efeitos da lei nada diz a respeito da ação penal, ela será pública incon­ dos autos, se o acusado estiver preso, e 15 dias, se estiver
Condenação dicionada. É a regra. Se a lei faz expressa referência à necessi- solto - devendo ser promovida mediante queixa.
dade de proceder-se mediante representação do ofen­dido (ou seu 4.5. Ação privada personalíssima: a titularidade é exclusiva
A condenação produz vários efeitos: pressupõe reincidência - representante) ou requisição do Ministro da Justiça, a ação penal do ofendido. Vedado o seu exercício, portanto, ao seu repre-
art. 63, CP; impede, em regra, o sursis - art. 77, I, CP; causa, será pública condicionada; quando a lei diz que em determinado sentante legal, e mesmo, em caso de morte, aos sucessores.
em regra, a revogação do sursis - art. 81, I e § 1º, CP; causa crime só se procede mediante queixa, a ação é privada. Trata-se de um direito personalíssimo e intransmissível.
a revogação do livramento condicional - art. 86, CP; aumenta 4.1. Pública incondicionada 4.6. Ação penal no crime complexo. Dispõe o artigo 101
o prazo da prescrição da pretensão executória – art. 110, a) Titularidade: a CF/88, em seu artigo 129, I, e as leis orgânicas do CP: “Quando a lei considera como elemento ou circuns-
caput, in fine, CP; transitada em julgado, a prescrição da nacional e estaduais, conferiram titularidade exclusiva da ação tância do tipo legal fatos que, por si mesmos, constituem
pretensão executória não tem início enquanto o condenado penal pública condicionada ou incondicionada ao Ministério crimes, cabe ação pública em relação àquele, desde que,
permanecer preso por outro motivo – art. 116, parágrafo Público, que a promoverá independentemente da vontade de em relação a qualquer destes, se deva proceder por iniciativa
único, CP; causa a revogação da reabilitação - art. 95, CP; quem quer que seja (no caso da incondicionada), havendo justa do Ministério Público”.
tem influência na exceção da verdade, no crime de calúnia causa. Ex.: art. 155, CP; Está a dizer o legislador que o crime complexo possui duas
- art. 138, § 3º, I e III, CP; impede a aplicação dos arts. 155, b) Princípios: obrigatoriedade, indisponibilidade, oficialidade, formas: a) os vários tipos apresentam-se como elementares
§ 2º, 170, 171, § 1º, e 180, § 3º, 1ª parte, todos do CP, em autoridade, oficiosidade, indivisibilidade e intranscendência; de uma nova figura delituosa. Ex.: roubo impróprio – art. 157,
relação ao segundo crime. 4.2. Pública condicionada à representação: depende da mani- §1º, do CP. Nesta modalidade criminosa, estão incluídas
festação de vontade da vítima ou do seu representante legal para a subtração, a violência física e a ameaça; b) os vários
1. Principais: aplicação de pena privativa de liberdade, res- sua propositura. Ex. art. 147, CP. tipos apre­sentam-se: uns como elementares, outros como
tritiva de direitos, multa ou medida de segurança. a) Titularidade: a ação é titularizada pelo Ministério Público, circuns­tâncias qualificadoras. Ex.: art. 157, §3º, do CP - onde
que, entretanto, está condicionado à manifestação de vontade do o roubo se apresenta como elementar e o homicídio como
2. Secundários: reflexos, acessórios, de natureza penal, ofendido ou de seu representante legal. Deve-se considerar que qualifica­dora.
podendo ser classificados em: 2.1. Genéricos (art. 91, a representação não vincula o Ministério Público ao oferecimento Assim, o legislador está a dizer que, no crime complexo,
CP): torna certa a obrigação de indenizar o dano causado da denúncia, devendo o mesmo analisar se convém ou não a desde que seja de ação penal pública, qualquer dos fatos
pelo crime; perda em favor da União, ressalvado o direito do propositura da ação penal, podendo concluir pelo arquivamento do que o agrava ou o constitui, que por si mesmos são crimes,
lesado ou de terceiro de boa-fé, dos instrumentos do crime, inquérito. Pode ser exercida por procurador com poderes especiais a natureza pública transmite-se à ação penal do todo, que
desde que consistam em coisa cujo fabrico, alienação, uso, (CPP art. 39). No caso de morte do ofendido, o direito passará ao é o crime complexo.
porte ou detenção constitua fato ilícito, e do produto do crime cônjuge (entenda-se também o companheiro, art. 226, § 3º, CF), Ocorrendo o concurso formal entre um crime de ação penal
ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido ascendente, descendente ou irmão (CPP, art. 24, § 1º); pública e outro de ação privada, não pode o Ministério Público
pelo agente com a prática do fato criminoso; 2.2. Específicos b) Representação: trata-se de condição objetiva de procedi- oferecer denúncia nos dois casos. Ex.: art. 240 c/c art. 233
(art. 92, CP): perda de cargo, função pública ou mandato bilidade, sem a qual não se pode iniciar a ação penal, cujo do CP. Tal regra se aplica aos casos de concurso material
eletivo; incapacidade para o exercício do poder familiar, não-exercício acarreta a extinção da punibilidade do agente pela e aos delitos conexos.
tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos à pena de decadência (art. 107, IV, CP). Nos casos de concurso de ação penal pública incondicionada
reclusão, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; Se o ofendido for incapaz e não tiver quem o represente, o juiz, de e condicionada à representação, também deve contê-la
inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio ofício ou a requerimento do Ministério Público, dar-lhe-á curador nos autos.
para a prática de crime doloso. especial, o qual analisará a conveniência em ofertar a represen- Link Acadêmico 7
tação. Essa mesma regra vale quando os interesses do ofendido
colidirem com os do seu representante legal (art. 33, CPP).
Reabilitação As pessoas jurídicas poderão exercer o direito de representação Extinção da
por meio dos seus sócios-gerentes, diretores ou quem os estatutos Punibilidade
1. Conceito e características: indicarem (art. 37, CPP);
1.1. Visa restituir o apenado à condição anterior à condena­ c) Prazo: 6 meses, contados do dia em que vier a saber quem 1. Conceito de punibilidade e introdução: A punibilidade
ção, retirando as anotações do seu boletim de antecedentes, é o autor do crime – art. 107, IV, CP (decadencial). No caso de é a possibilidade jurídica de se aplicar a sanção penal ao
por meio de uma declaração judicial de que estão cumpridas menores ou portadores de doença mental, o prazo de 6 meses criminoso. Seus efeitos não são permanentes, extinguindo-se
ou extintas as penas impostas, que assegura o sigilo dos não fluirá enquanto não cessar a incapacidade, porque inexiste pelas causas previstas em lei, cujo rol no CP é exemplifica-
re­gistros sobre o processo e atinge outros efeitos da con­ decadência de um direito que não pode ser exercido. Já no caso tivo. As condições objetivas de punibilidade possuem duas
denação. do representante legal, o prazo flui normalmente. características: a) situam-se fora do crime praticado pelo
1.2. Trata-se de causa suspensiva de alguns efeitos secundá- No tocante à formalidade, o STF e demais tribunais já declararam agente e não dependem do dolo, como no caso da extrater-
rios da condenação e dos registros criminais, cabível quando a desnecessidade de formalismo, bastando a intenção da vítima ritorialidade condicionada; b) estão fora do dolo do agente,
há sentença condenatória com trânsito em julgado, cuja restar clara e inequívoca. Não é necessária uma peça, ou petição, como a extradição; a circunstância não faz parte do fato
pena tenha sido executada ou esteja extinta há 2 anos, podendo ser adotados modelos pré-elaborados, manifestação cometido pelo agen­te e não depende de sua vontade.
devendo ser considerado o período de prova do “sursis” e perante a autoridade policial ou ministerial, termo nos autos do
do livramento condicional. inquérito policial, indicando o acusado e narrando os fatos; 2. Escusas absolutórias: são causas que fazem com que a
1.3. Pode ser revogada por condenação do reabilitado, como d) Irretratabilidade: a representação é irretratável após o ofe- um autor de fato típico e antijurídico, inobstante a sua culpabi-
reincidente, por sentença irrecorrível; a nova condenação recimento da denúncia (arts. 25 do CPP e 102 do CP), podendo lidade, não seja imposta pena por razões de utilidade pública.
deve ser por crime punido com pena privativa de liberdade. ser exercida antes do oferecimento da denúncia pela mesma São também denominadas causas de exclusão ou de isenção
pessoa que representou sem gerar qualquer efeito. A retratação de pena. São distintas das causas excludentes da antijuridi-
da retratação também é aceita desde que exercida no prazo cidade e da culpabilidade. As excludentes da ilicitude têm o
Ação decadencial de 6 meses, a revogação da retratação, porém, condão de excluir o crime. As excludentes da culpabilidade
Penal equipara-se à renúncia, qualificando-a como causa extintiva da excluem a censurabilidade que recai sobre a conduta do
punibilidade (art. 107, VI, CP). sujeito, isentando-o de pena. Não há delinquente.
1. Conceito e introdução: é o direito de pedir ao Estado-Juiz 4.3. Privada: é aquela na qual o Estado continua como titular A escusa absolutória deixa íntegros o crime e a culpabili­
a aplicação do direito penal objetivo a um caso concreto. As exclusivo do direito de punir, mas transfere a legitimidade ativa para dade, permanecendo o fato típico e antijurídico, e o sujeito,
regras disciplinadoras da ação penal estão previstas nos propor a ação penal à vítima ou a seu representante legal. Nela, culpável. Entretanto, por questões de utilidade pública, o
arts. 24 a 62 do CPP. o ofendido é denominado querelante; o réu, querelado. Trata-se agente fica isento de pena. Exs.: a) um homicídio praticado
de hipótese de legitimação extraordinária decorrente de política em legítima defesa: não há crime, diante da excludente da
2. Características: a) é um direito autônomo; não se confun- criminal, conferindo ao ofendido a conveniência na propositura da anti­juridicidade; b) um homicídio praticado sob coação mo­ral
de, pois, com o direito material que se pretende tutelar; b) ação penal, com vistas a evitar o strepitus judicii, às vezes um mal irresistível: o fato é ilícito; a conduta, entretanto, não é cen­
é um direito abstrato, pois independe do resultado final maior do que a punição impingida ao ofensor: surável em face da excludente da culpabilidade, fican­do o
do processo-crime; c) é um direito subjetivo, na medida a) Titularidade: se o ofendido não contar ainda com 18 anos agente isento de pena (art. 20, § 1º, 1ª parte, CP); c) es­­cusa
em que o titular pode exigir do Estado-Juiz a prestação de idade, poderá exercer a ação privada por seu representante absolutória: filho que furta o próprio pai: o fato é ilícito e
jurisdicional posta à sua disposição; d) é um direito público, legal; na sua ausência, o juiz nomear-lhe-á um curador especial a conduta, consurável; entretanto, em face de política
porque a atividade jurisdicional que se pretende provocar é para o oferecimento da queixa-crime (art. 33, CPP), o mesmo cri­minal, o agente – o filho, no caso - ficará isento de pena

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(art. 181, II, CP). O CP traz essa previsão nos artigos 181, a fiança, caso a tenha prestado; 2.2. afasta todos os efeitos, em relação a cada crime, considerado isolada­mente, sem o
I e II, e 348, § 2º. principais e secundários, penais e extrapenais, da condenação; acréscimo legal, art. 119, CP.
2.3. a condenação não pode constar na folha de antecedentes,
3. Causas de extinção da punibilidade: o elenco contido exceto quando requisitada por juiz criminal; 2.4. se reconhecida 6. Prescrição retroativa: resulta da combinação das
no artigo 107 do CP não é taxativo, coexistindo, portanto, em grau de recurso ou revisão criminal, deverá ser decretada e a disposições dos §§ 1º e 2º do art. 110 e art. 109, ambos
com outras causas, a exemplo dos arts. 121, § 5º, 129, § 8º, sentença penal não produzirá nenhum efeito primário ou secun- do CP, e constitui forma de pretensão punitiva, possuindo
180, §5º, 181 todos do CP. etc. dário; entretanto, não atingirá a reparação do dano civil (art. 67, características próprias.
a) Morte do agente: não é admissível a morte declarada por II, CPP); 2.5. desclassificada a infração penal para outra de menor Inexiste justa causa para se iniciar ou continuar a ação penal
sentença judicial, como no caso da declaração de ausência, gravidade, a decisão tem efeito retroativo, alcançando os ter-mos quando já se esgotou o lapso prescricional referente à pena
pois se trata de natureza civil (art. 22, CC). Ausente é aquele iniciais; 2.6. no concurso de crimes, a prescrição atinge a pretensão aplicada, pois a punibilidade seria declarada extinta, logo a
que desapareceu e não morreu. Em face do que dispõe a em relação a cada um isoladamente, sem considerar as causas de seguir, pelo reconhecimento da prescrição retroativa.
Lei 9.434/97 (retirada e transplante de órgãos e tecidos), a aumento ou de diminuição da pena, art. 119, CP; 2.7. para efeito
morte a ser considerada é a encefálica, sendo necessária de contagem do prazo da prescrição, devem ser consideradas as 7. Contagem do prazo prescricional retroativo
a declaração judicial; lavra-se a certidão de óbito e julga-se causas de aumento e de diminuição da pena; 2.8. as circunstâncias 7.1. com o trânsito em julgado da sentença para a acusação
extinta a punibilidade; agravantes e atenuantes (arts. 61, 62 e 65 do CP) não interferem ou improvido o seu recurso, verifica-se o quantum da pena
b) Anistia: é o ato pelo qual o Estado, por intermédio de um no prazo prescricional, com exceção do art. 115, CP. cominada;
ato legislativo, renuncia ao “jus puniendi”. Pode ser especial, 7.2. adapta-se a pena aplicada a um dos casos previstos
comum, própria, imprópria, geral ou plena e parcial e restrita, 3. Termo inicial da prescrição antes de transitar em julgado a no artigo 109, CP;
e ainda condicionada e incondicionada. A competência sentença: nos crimes comuns, aplica-se o art. 111 do CP: 1º) do 7.3. encontrado o prazo prescricional, deve-se encaixá-lo
é exclusiva da União, privativa do Congresso Nacional e dia em que o crime se consumou, ou seja, no momento em que entre dois pólos, conforme art. 111, CP, sendo:
sancionada pela CF, art. 21, XVII, e art. 48, VIII. Atinge se dá a ação ou omissão (teoria da atividade); a) data da consumação do crime e a do recebimento da
todos os efeitos penais, principais e secundários, menos os 2º) no caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade denúncia ou queixa;
extrapenais da sentença condenatória e, uma vez concedida, criminosa; b) data do recebimento da denúncia ou queixa e a publicação
não pode ser revogada; 3º) nos crimes permanentes, do dia em que cessou a perma- da sentença condenatória;
c) Graça: é o benefício individual obtido mediante provoca- nência; c) se o prazo prescricional couber retroativamente dentre
ção da parte interessada, concedido, por via de lei, pelo 4º) no crime de bigamia e nos de falsificação ou alteração de os períodos acima, caberá a extinção da punibilidade, nos
Presidente da República; assentamento do registro civil, da data em que o fato se tornou termos do § 2º do art. 110 do CP.
d) Indulto: é coletivo e concedido espontaneamente, de conhecido. O recurso interposto pelo Ministério Público visando à agra-
forma discricionária, pelo Presidente da República para vação da pena impede a sua ocorrência, desde que provido;
extinguir penas, mediante decreto; 4. Períodos prescricionais, consideradas as causas inter- se improvido, entretanto, deve ser reconhecido, motivo pelo
e) Retratação do agente, nos casos em que a lei admite: ruptivas da prescrição: segundo o art.117 do CP, o curso da qual não pode ser reconhecida em primeiro grau e, caso as
retratar é desdizer, retirar o que disse. É cabível nos casos de prescrição interrompe-se: a) pelo recebimento da denúncia ou partes não recorram, deve ser provocado recurso adequado
calúnia e difamação (injúria não admite), com exceção de ser queixa; b) pela pronúncia; c) pela decisão confirmatória da pro- para invocá-la.
praticado por meio da imprensa, quando é admitida. É cabível núncia; d) pela sentença condenatória recorrível; e) pelo início ou Link Acadêmico 7
nos casos de calúnia, difamação e injúria da Lei 5.250/67; no continuação do cumprimento da pena; f) pela reincidência.
crime de falso testemunho e no art. 342, § 2º do CP; Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do início ou conti-
f) Retroatividade de lei que não mais considera o fato nuação do cumprimento da pena, todo o prazo começa a correr,
como criminoso: a “abolitio criminis” extingue o próprio novamente, do dia da interrupção. Podem-se sintetizar os períodos
crime e, iniciado o processo, não prossegue mais; se prescricionais do seguinte modo:
condenado, rescinde a sentença, não subsistindo nenhum 4.1. entre a data da consumação do crime e a do recebimento
efeito penal; da denúncia ou queixa; 4.2. entre a data do recebimento da
g) Renúncia do direito de queixa: é a manifestação de denúncia ou queixa e a da publicação da sentença; 4.3. a par­tir
desinteresse de exercer o direito de queixa. É a abdicação da publicação da sentença condenatória. Nesse caso, devemos
do direito de promover a ação penal privada pelo ofendido considerar a contagem dos prazos antes e após o trânsito em
A coleção Guia Acadêmico é o ponto de partida dos es-
ou seu representante legal. É anterior ao ajuizamento da julgado da sentença, da seguinte maneira: a) o cri­me é praticado tudos das disciplinas dos cursos de graduação, devendo
queixa-crime. Pode ser expressa ou tácita; e o réu, condenado. Nesse caso, havendo recurso pelo Ministério ser complementada com o material disponível nos Links
h) Perdão aceito nos crimes de ação privada: é a desistên- Público, inicia-se o início da conta­gem do prazo prescricional, e com a leitura de livros didáticos.
cia do querelante de prosseguir na ação penal de exclusiva que deve considerar a pena em abstrato; b) interposto recurso
iniciativa privada. É ato bilateral e só se completa com sua pelo Ministério Público com a intenção de aumentar a pena, ao Direito Penal – Parte Geral II – 2ª edição - 2009
aceitação pelo querelado. É posterior à propositura da ação, qual é negado pro­vimento, o prazo prescricional será calculado
mas pode ser extraprocessual, de forma expressa pelo ofen- com base na pena em concreto. O tribunal declara extinta a Coordenador:
dido ou seu representante legal. punibilidade se o prazo tiver sido fulminado; c) havendo recurso Carlos Eduardo Brocanella Witter, Professor uni-
de ambas as partes e improvido o apelo do MP, o tribunal deve versitário e de cursos preparatórios há mais de 10
aplicar a prescrição da pretensão punitiva pela pena em concreto
Prescrição e julgar prejudicado o recurso do réu; d) havendo o provimen­to do
anos, Especialista em Direito Educacional; Mestre
em Educação e Semiótica Jurídica; Membro da
recurso do MP, sem alteração da pena, ou, aumento-a, contudo,
Associação Brasileira para o Progresso da Ciência;
1. Conceito e introdução: é a perda da pretensão punitiva ou sem aumento do período prescricional, aplica-se a prescrição
Palestrante; Advogado e Autor de obras jurídicas.
executória do Estado pelo decurso do tempo sem o seu exer­ pela pena em concreto (§ 1º, art. 110, CP); e) ha­vendo recurso
cício. Torna sem efeito um direito pela decorrência de certo somente do réu, com a redução da pena, aplica-se o disposto no Autor:
prazo legal, acarretando a extinção da punibilidade, conforme § 1º; f) havendo desclassificação do crime, deve ser considerada Antônio Carlos Lorenzetti, Promotor de Justiça e
artigo 107, IV, CP, fazendo desaparecer o direito de o Estado a nova tipificação para efeito da aplicação da PPP, de acordo com Professor de Direito Penal.
exercer o “jus persequendi in judicio” ou o ”jus punitionis”, a pena máxima comi­nada. Antes de aplicar a pena, deve o juiz
subsistindo o crime em todos os seus re­quisitos. fazer o cálculo: se estiver extinta a punibilidade, assim declarará. A coleção Guia Acadêmico é uma publicação da Memes
Na prescrição, a pretensão do Estado é extinta diretamente. 4.4. Tratan­do-se de crime da competência do Júri, os prazos Tecnologia Educacional Ltda. São Paulo-SP.
Em face disso, o direito de ação é atingido por consequência. prescricio­nais são: a) entre a data do fato e a do re­ce­bimento Endereço eletrônico: www.memesjuridico.com.
A decadência é a perda do direito do ofendido de propor ação da denún­cia; b) entre a data do recebimento da denúncia e a da br
penal em face da sua inércia dentro do prazo improrrogável pu­blicação da pronúncia; c) entre a pronúncia e sua confir­mação; Todos os direitos reservados. É terminantemente proibida
de 6 meses. Em primeiro lugar, é extinto o direito de ação d) entre a pronúncia ou sua confirmação e a sentença final; e) a a reprodução total ou parcial desta publicação, por qual-
e, por via indireta, é atingida a punibilidade. Perempção partir da sentença condenatória. quer meio ou processo, sem a expressa autorização do
consiste na perda do direito do querelante em prosseguir autor e da editora. A violação dos direitos autorais caracte-
na ação penal privada por conta de negligência. Por conse- 5. Prescrição da pretensão executória (ou prescrição da pena riza crime, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
quência, extingue-se o direito de punir (pretensão punitiva). propriamente dita): verifica-se: 5.1. após o trânsito em julgado da
É cabível somente depois de iniciada a ação penal privada. sentença condenatória para ambas as partes, estando regulada
É uma pena a ele aplicada. pela pena em concreto; regula-se pela pena aplicada; 5.2. os pra-
zos aumentam um terço, se o condenado é reincidente, devendo
2. Prescrição da pretensão punitiva: ocorre antes do ser reconhecida na sentença condenatória. Esta prescrição tem
trânsito em julgado da sentença condenatória, porque o como consequência apenas a extinção da pena, ficando incólumes
decurso do tempo sem o seu exercício faz com que o Estado os demais efeitos secundários dela decorrentes; 5.3. o prazo de
perca o poder-dever de punir o infrator. Não poderá, portanto, contagem se inicia com o trânsito em julgado da sentença con-
a ele aplicar a pena correspondente ao crime perpetrado. denatória para a acusação, ou aquele que revogou a suspensão
É regulada pelo máximo da pena abstrata cominada na lei condicional da pena ou o livramento condicional, conforme artigo
penal incriminadora, seja simples ou qualificado o delito, 112, CP; 5.4. se a pena privativa de liberdade foi substituída
conforme artigo 109, CP. Efeitos: 2.1. impede o início e pela restritiva de direitos, o prazo prescricional se regula pelos
o trancamento do IP, bem como interrompe a persecução mesmos prazos previstos para as privativas de liberdade – art.
penal em juízo, devendo ser decretada de ofício, e, se em 109, parágrafo único, CP; 5.5. no caso do crime continua­do, é
fase de julgamento, o juiz a decretará sem atingir o mérito, necessário desintegrar a sanção decorrente do crime con­tinuado
e o acusado não pagará custas, devendo ser lhe restituída e distribuí-la pelos delitos componentes, incidindo a prescrição

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