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OIPM - Observatório de Interações Planta-Medicamento

OIPM - Observatório de Interações Planta-Medicamento UC FFUC OIPM Interações planta-medicamento Casos relatados

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Interações planta-medicamento

UC FFUC OIPM Interações planta-medicamento Casos relatados Interações planta-medicamento: Casos

Casos relatados

Interações planta-medicamento: Casos relatados

http://www.ff.uc.pt/oipm/interacoes/index.php?target=casos

http://www.ff.uc.pt/oipm/interacoes/index.php?target=casos 1 - Interação Matricaria recutita (camomila) e Varfarina

1 - Interação Matricaria recutita (camomila) e Varfarina

Descreve o caso de uma mulher de 70 anos, que enquanto fazia tratamento com varfarina, consumiu produtos à base de camomila (chá

e loção de corpo). Foi admitida no hospital com múltiplas hemorragias internas.

A paciente tomou chá de camomila para aliviar sintomas de dor de garganta, e utilizou a loção de camomila para diminuir o edema

localizado em ambos os membros inferiores.

A Matricaria chamomilla é largamente usada pelas suas propriedades como sedativo, espasmolitico e anti-inflamatório.

Bibliografia

Segal,R.; Pilote, L. Warfarin interaction with Matricaria chamomilla. CMAJ 2006; 174(9): 1281-2

2 - Possível interação entre Aloé vera e Sevoflurano

Uma mulher de 35 anos perdeu uma quantidade excessiva de sangue -5L- durante uma cirurgia para extração de hemangioma na coxa

esquerda. Perante a medicação usada (entre muitos o Sevoflurano) e a própria cirurgia, era esperada uma perda de 2,5 L de sangue.

A paciente tinha consumido, nas duas últimas semanas, 4 comprimidos/dia de Aloé vera, a propósito de um estudo no âmbito da

Medicina Tradicional Chinesa. Este fato era desconhecido pelo Anestesista. Investigação posterior corrobora uma potencial interacção planta-medicamento - entre o Aloé vera e o Sevoflurano - baseada no efeito anti-agregante plaquetar que ambos têm e que acumulado levou à elevada perda de sangue.

Bibliografia

Lee, A. et al. Possible interaction Between Sevoflurane and Aloé vera. Ann Pharmacother 2004; 38:1651-4

3 - Ácido Linoleíco Conjugado – Indução de Hepatite Crónica: primeiro caso relatado

Uma mulher de 46 anos foi encaminhada para o Serviço de Gastroenterologia do Hospital Universitário da Covilhã com os seguintes sintomas: astenia, icterícia e prurido.

A paciente não tinha história nem evidência clínica de hepatite viral, hepatite autoimune, hematocromatose ou doença de Wilson.

A doente revelou que, 14 dias antes da admissão no hospital tinha iniciado (por auto-medicação) tratamento com Ácido Linoleíco

Conjugado (CLA) com o intuito de diminuir a sua massa gorda corporal. Suspeitou-se logo de início de hepatotoxicidade, o que foi comprovado através de biopsia ao fígado. Após cessação da toma de CLA, os níveis das enzimas hepáticas normalizaram, e houve regressão completa da hepatite.

Bibliografia

Ramos, R. et al . Conjugated Linolenic Acid - induced Toxic Hepatites: First case report. Dig Dis Sci 2009 54:1141-1143

4 - Hepatotoxicidade do chá verde

Uma mulher italiana de 72 anos foi admitida num hospital com sintomas de icterícia aguda. Os testes laboratoriais revelaram elevados valores de bilirrubina (bilirrubina total de 18 mg/dL) de ALT e de AST (ambas superiores a 700 U/L). A biopsia hepática apontou uma hepatite colestática e uma colangite granulomatosa.

A

mulher mencionou estar a fazer tratamento, prescrito pelo oftalmologista, com dois suplementos alimentares: Epinerve® (SIFI, Itália)

2 comprimidos/dia - e Luteinofta® (SOOFT, Itália) – 1 comprimido/dia.

O

Epinerve® é composto por um extracto aquoso de chá verde, e o Luteinofta® é composto por luteína e vitamina E.

Depois de cessada a toma dos suplementos e com o tratamento farmacológico ministrado no hospital, os níveis das enzimas hepáticas

baixaram progressivamente até valores standart. A doente teve então alta hospitalar. Um ano depois, em consulta de follow-up, os níveis das enzimas mantinham-se em valores normais.

Bibliografia

Mazzanti, G. et al. Hepatoxicity from green tea: a review of the literature and two unpublished cases. Eur J Clin Pharmacol 2009

65:331-341

5 - Interação Erva S. João (Hypericum perforatum) e contracetivos orais

Uma mulher de 36 anos - hipercolestorolémica e com uma depressão - compareceu a uma consulta de ginecologia com sintomas de gravidez (não desejada). Os exames confirmaram as suspeitas de gravidez.

O histórico farmacológico revelou o uso regular do contracetivo oral Valette® (dienogest 2mg /etinilestradiol 0.030 mg) durante o ano

anterior; de fluvastatina durante os dois últimos anos (20mg/dia) e de alguns antidepressivos (inibidores seletivos da recaptação da

serotonina, e antidepressivos tricíclicos) que tomava desde 1995, após tentativa de suicídio. Revelou também que esta mulher tinha iniciado automedicação com extrato de Hypericum perforatum – Helarium® 450 – em doses diárias de cerca de 1700 mg.

A automedicação teve início, três meses antes da conceção, e até à conceção nenhum outro medicamento foi tomado. Com exceção da

pílula anticoncecional. Foi feito um aborto terapêutico aquando das 17 semanas de gestação.

Bibliografia

Schwarz, U. I.; Buschel, B.; Kirch, W. Unwanted pregnancy on self-medication with St John’s wort despite hormonal contracepcion. Br J Clin Pharmacol 2003 55:112-113

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6 - Interação entre Sumo de Mirtilos Vermelhos e Varfarina

Um norte-americano, de 78 anos, tratado há seis anos com varfarina – dose total por semana de 45mg – para uma fibrilhação auricular, deu entrada num centro de saúde local de Los Angeles com um INR (International Normalized Ratio) de 6.45. Os valores de INR, constantes no seu histórico, nunca tinham excedido os 2,96. A anterior medição (três semana antes) indicava um valor de 2.18.

O utente revelou ter ingerido, na semana anterior, meio galão americano (cerca de 1,89L) de sumo de mirtilos vermelhos.

Depois de descontinuar a ingestão do sumo, e com reajustes feitos à terapêutica, os valores de INR voltaram aos níveis adequados.

Bibliografia

Paeng, C. H.; Sprangue, M.; Jackevicius, C.A. Interaction Between Warfarin and Cranberry Juice. Clin Ther 2007; 29:1730-1735

7 - Provável Interacção entre o pólen apícola e a varfarina

Um homem de 71 anos compareceu a uma consulta de monitorização do INR, onde lhe foi detetado um valor de 7.1 (intervalo terapêutico de 2.0 – 3.0). Os medicamentos que usava, as dosagens e posologias dos mesmos, mantinham-se estáveis há nove meses. A dose semanal de

varfarina (47,5 mg) também se mantinha estável, tal como como os valores de INR obtidos nas medições feitas ao longo desse período (valores entre 1.9 – 3.3).

O doente negou ter alterado hábitos alimentares (especialmente no conteúdo em vitamina K), ter duplicado ou omitido alguma toma da

varfarina, consumir álcool ou tabaco, ter estado doente ou com alguma diarreia. A única alteração que fez na sua rotina, foi a inclusão de

uma colher de chá (duas vezes por dia) de grânulos de “pólen apícola”, um mês antes desta consulta.

Apesar da explicação de que os componentes do “pólen apícola” poderiam interagir com a varfarina, o doente insistiu em continuar a tomar o granulado. No dia em que o INR de 7.1 foi detetado a varfarina foi suspensa por alguns dias, e mais tarde recomeçada numa dose semanal inferior em 11% (42,5 mg por semana).

O INR continuou a ser controlado e os seus valores mantiveram-se dentro do intervalo terapêutico indicado durante os posteriores 7

meses.

O potencial mecanismo apontado para esta interação é o seguinte: os flavonóides contidos no pólen apícola podem inibir a CYP 2C9, uma

das enzimas responsável pela metabolização da varfarina. O resultado levou ao aumento da varfarina biodisponível, o que justifica a elevação do INR.

A redução da dose semanal de varfarina foi suficiente para que o resultado dessa interação não permitisse uma quantidade de varfarina

superior ao pretendido, e consequentemente um INR adequado e estável.

Bibliografia

Hurren, K. M.; Lewis, C.L. Probable interaction between warfarin and bee pollen. Am J Health-Syst Pharm 2010 67:2034-2037.

8 - Níveis séricos elevados de digoxina em consequência de reação cruzada com o Ginseng siberiano

Um doente de 74 anos que estava a ser tratado para fibrilação atrial com digoxina, mantinha-se estável com esta terapia há mais de uma década. Os valores séricos de digoxina tinham estabilizado entre 0,9-2,2 nmol/L sendo o intervalo terapêutico entre 0,6 e 2,6 nmol/L. Numa das análises de rotina os níveis séricos do referido fármaco apresentavam-se num valor supra-terapêutico: 5.2nmol/L. O doente não apresentava qualquer tipo de queixa ou sintomas coincidentes com os de intoxicação por digoxina.

A dose de fármaco administrada foi suspensa, reintroduzida em doses reduzidas e mais tarde descontinuada, mas apesar disso os

valores de digoxina mantiveram-se elevados (4,5nmol/L). Nessa altura o doente revelou estar a tomar Ginseng siberiano, em cápsulas, há vários meses. A toma do ginseng foi descontinuada nesse mesmo dia, e sete dias depois os valores já se encontravam dentro do

intervalo terapêutico (2,2 nmol/L). A terapia com digoxina foi restabelecida à medida que os valores foram diminuindo dentro do intervalo terapêutico.

O doente foi novamente estabilizado, e durante cerca de seis meses os valores séricos de digoxina mantiveram-se entre 0,8 e 1,1

nmol/L. Passado algum tempo o doente retomou a toma de Ginseng siberiano; cerca de um mês depois os valores subiram para 1,9 nmol/L e duas semanas depois disso subiram para 3,2nmol/L. Foi novamente cessada a toma de ginseng, e 6 dias foram suficientes para que os valores de digoxina voltassem ao intervalo de referência. Durante este segundo episódio o doente continuou a tomar digoxina nas mesmas doses em que estava estabilizado; não foram detetados sintomas de intoxicação. As amostras de Ginseng foram posteriormente analisadas, e não foi detetada contaminação do produto com digoxina ou digitoxina.

Bibliografia

McRae, S. Elevated serum digoxin levels in a patient taking digoxin and Siberian ginseng. Can. Med. Asso. J. 1996; 155: 293–295.