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Trabalho acadêmico de Tanatologia

Tema: Suicídio

Docente: Adriana Pitinato.


Discente: Jocéli Grobério de
Oliveira
Matrícula: 201308328974
Estácio 2018.1

O suicídio é um grave problema de saúde pública e pode ser visto como um


comportamento humano complexo, incluindo comportamentos, atitudes e cognições,
cujos limites são vagos e imprecisos. Na ideação suicida, o indivíduo deseja estar
morto, o que pode levá-lo a tentativa de suicídio e ao suicídio consumado.

Existe, nos dias atuais, uma preocupação cada vez maior com a relação de depressão
com os riscos reais e potenciais do suicídio, pois tem-se estudado que os estados
depressivos têm uma grande variedade de manifestações clínicas, que apresentam
diferentes formas de desenvolvimento, e podem se relacionar a casos de suicídio.

O suicídio figura entre as três principais causas de morte de pessoas que têm de 15 a
44 anos de idade. Segundo os registros da Organização Mundial de Saúde (OMS), ele
é responsável anualmente por um milhão de óbitos (o que corresponde a 1,4% do total
de mortes).

Essas cifras não incluem as tentativas de suicídio, de 10 a 20 ve- zes mais frequentes
que o suicídio em si (World Health Organization [WHO], 2014). A cada 45 segundos
ocorre um suicídio em algum lugar do planeta. Há um contingente de 1.920 pessoas
que põem fim à vida diariamente.

Atualmente, essa cifra supe- ra, ao final de um ano, a soma de todas as mortes
causadas por homicídios, acidentes de transporte, guerras e conflitos civis (Värnik,
2012; WHO, 2014). O coeficiente de mortalidade por suicídio representa o número de
suicídios para cada 100.000 habitantes, ao longo de um ano. De modo geral, os
coeficientes mais altos encontram-se em países da Europa Oriental; os mais baixos,
em países da América Central e América do Sul. Os coeficientes nos Estados Unidos,
Austrália, Japão e países da Europa Central encontram-se numa faixa intermediária
suicídios oficialmente registrados no país, o que representa, em média, 27 mortes por
dia (Brasil, 2013).

Enquanto a população aumentou 17,8% entre 1998 e 2008, o número de óbitos por
suicídios cresceu 33,5% (Marín-León, Oliveira, & Botega, 2012). Do total de óbitos
registrados no Brasil, 1% decorre de suicídios. Em pessoas que têm entre 15 e 29
anos de idade, essa proporção atinge 4% do total de mortes (Brasil, 2013).

No Brasil, o coeficiente médio de mortalidade por suicídio no período 2004-2010 foi de


5,7% (7,3% no sexo masculino e 1,9% no feminino) (Marín-León et al., 2012.

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Causas

Fatores Sociodemográficos e Ambientais

• Desemprego;
• Perda de status sócio-econômico;
• Profissão;
• Migração;
• Sexo;
• Idade;
• Estado civil.

Fatores Familiares

• Problemas interpessoais (discussão com esposa, namorado, filhos);


• Rejeição (separação);
• Perdas (luto, status);
• Problemas com o trabalho (demissão, aposentadoria; dificuldades financeiras);
• Mudanças na sociedade (políticas e econômicas);
• Vergonha (falência, vícios).

MITOS

• Quem fala não faz;


• Quem quer se matar, se mata;
• Suicídios ocorrem sem avisos;
• A melhora após a crise significa que o risco passou;
• Nem todos os suicídios podem ser evitados;
• Uma vez suicida, sempre suicida.

Comportamento suicida

 Grito de dor
 Pedido de socorro

Para cada, há em média, 5 ou 6 pessoas próximas que sofrem conseqüências


emocionais, sociais e econômicas.

97% DAS PESSOAS QUE COMETEM SUICÍDIO TÊM UM TRANSTORNO MENTAL:

 Depressão
 Transtorno de personalidade (impulsividade, agressividade
 variação súbitas do humor).
 Esquizofrenia
 Dependência de álcool / drogas

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Inquérito Epidemiológico

 Informações sociodemográficas
 Problemas da comunidade
 História de tentativa de suicídio
 Dados sobre a família
 Saúde geral, utilização de serviços
 de saúde geral e mental
 Álcool e drogas

Principais questões

 PENSAMENTOS

Você já pensou seriamente em

por fim à sua vida?

 PLANOS

Você chegou a planejar como

faria isso?

 TENTATIVAS

Alguma vez você tentou o

suicídio?

As causas de um suicídio (fatores predisponentes) são invariavelmente mais


complexas que um acontecimento recente, como a perda do emprego ou um
rompimento amoroso (fatores precipitantes). A existência de um transtorno mental
encontra-se presente na maioria dos casos.

Uma revisão de 31 artigos científicos publicados entre 1959 e 2001, englobando


15.629 suicídios ocorridos na população geral, demonstrou que em mais de 90% dos
casos caberia um diagnóstico de transtorno mental (Bertolote & Fleischmann, 2002).

Os transtornos mentais mais comumente associados ao suicídio são: depressão,


transtorno do humor bipo- lar e dependência de álcool e de outras drogas psicoativas.
Esquizofrenia e certas características de personalidade também são importantes
fatores de risco. A situação de risco é agravada quando mais de uma dessas
condições combinam-se, como, por exemplo, depressão e alcoolismo; ou ainda, a
coexistência de depressão, ansiedade e agitação (Bertolote & Fleischmann, 2002).

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A incidência de suicídios em hospitais gerais é alta. Estima-se que seja 3 a 5 vezes
maior que na população geral (Martelli, Awad, & Hardy, 2010). Ausência de redes de
proteção, janelas em andares elevados, falta de preparo ou atenção da equipe,
banheiros com trancas, bem como acesso indevido a medicações e a instrumentos
perfurocortantes são fatores que aumentam o risco.

Além dos fatores ligados à estrutura ambiental, deve-se considerar que pacientes
internados em pronto-socorros e hospitais gerais estão sujeitos a diversas causas
situacionais de aumento de ansiedade e depressão, como: reações agudas ao
diagnóstico, agravamento de condições clínicas preexistentes, discussões sobre
prognóstico, espera por resultados de testes, antecipação de procedimentos temidos
ou dolorosos, medo de recorrência após a completude de um determinado tratamento
e eventuais conflitos com família e equipe.

Há também situações de risco relacionadas à própria doença clínica ou ao seu


tratamento, como dor de difícil controle, estados metabólicos anormais, condições que
afetam o sistema nervoso central, efeitos adversos de fármacos, interações entre
medicamentos e estados de abstinência. No caso de pacientes que estão internados
por tentativas de suicídio, a atenção deve ser redobrada (Botega, Cais, & Rapeli,
2012).

Histórico

“O suicídio é visto como um comportamento humano complexo. Inclui muitos


comportamentos, atitudes e cognições, cujos limites são vagos e imprecisos e, nas
ultimas décadas, tornou-se grave problema de saúde pública”. (LOUZÃ NETO, 2007,
p. 475)

O suicídio é um fenômeno presente na humanidade desde os primórdios e constitui


um tema que tem gerado discussões em várias áreas do saber.

A palavra suicídio surgiu do século XVII, na Inglaterra, na obra do Inglês Sir Thomas
Browne, chamada Religio Médici, publicada em 1642. Na França, em 1734, foi
utilizada pelo abade francês Desfontaines, que havia visitado a Inglaterra
anteriormente, para significar “o assassinato ou a morte de si mesmo”. (LOUZÃ NETO,
2007, p. 475).

Na Antiguidade Greco-romana o suicídio era tido como um ato clandestino, patológico,


solitário e somente seria tolerado com a permissão da sociedade. Não havia o poder
de decisão pessoal, pois o ato suicida era considerado uma forma de transgressão.
Como punição, as mãos dos suicidas eram enterradas separadas e sem direito a uma
sepultura e ritos funerários. (KÓVACS, 1992).

Na Idade Média, o indivíduo e a sua vida eram considerados propriedades de Deus,


sendo ele castigado se tentasse se apossar da vida que não era sua. O suicídio ou ato
de se matar entre os povos primitivos estava relacionado às normas do grupo,
podendo ser incentivado pela comunidade – como, por exemplo, os escravos após a
morte do dono, e na Índia as viúvas após a morte do marido – ou sendo uma séria
infração às regras sociais. Havendo a quebra de costumes e das tradições nesta
sociedade era considerado como delito grave. (KÓVACS, 1992).

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De acordo com Dutra (2002) ao longo da história das civilizações, o suicídio tem sido
circundado de tabus, mitos e como também preconceitos das mais diversas naturezas,
principalmente os de ordem moral e religiosa. As definições teóricas e as suas causas
variam, agregam-se, contestam-se, permanecendo sem uma resposta definitiva e
exata a respeito de tal fenômeno

Nos dias atuais existe uma maior autonomia em relação ao suicídio, não tendo mais
os castigos que existiam anteriormente. É importante contextualizar o suicídio, levando
em consideração a inserção social deste ato na comunidade em que este indivíduo faz
parte, pois sabe-se que existem diversas culturas, e que os valores são diferentes em
várias localidades. (KÓVACS, 1992).

Falando de Suicídio

“Etimologicamente, a palavra suicídio deriva do latim e significa: sui=si mesmo


e caedes=ação de matar. Entretanto, essa definição etimológica de “morte de si
mesmo”, é ampla demais, não englobando todos os detalhes desse comportamento
tão complexo”. (MELEIRO; WANG 1995 apud LOUZÃ NETO, 2007, p.475).

O suicídio atualmente é considerado como todo caso de morte que procede direta ou
indiretamente de uma ação, positiva ou negativa, realizado pela própria pessoa, como
uma expressão inequívoca implicando assim em sofrimento e impacto profundo nos
familiares. Esse fenômeno implica em sofrimento individual intenso, necessitando
assim de cuidados especializados. (DURKHEIM, 1982 apud KÓVACS, 1992).

Durkheim (1982 apud KÓVACS, 1992) em seu livro “O suicídio” define o suicídio como
um ato pessoal com características da sociedade que o produz, através dos valores,
das normas sociais que podem influenciar o nível de interesse do indivíduo pela vida.
É um homicídio com intenção de matar a si próprio e também uma ação com
desespero de uma pessoa que não deseja mais viver, ou seja, esta decide por fim a
sua vida e a forma que ela encontra é através do suicídio. O suicídio pode ser causado
por uma insatisfação interior e profunda na qual o indivíduo no momento não está
encontrando solução para seus problemas.

Esse mesmo autor classifica o suicídio em: Egoísta, Altruísta e Anômico. O suicídio
egoísta procede de uma individualização excessiva. Pode ocorrer entre os indivíduos
que perderam o sentido de integração com seu grupo social, não mais se encontrando
sob a influência da sociedade, da família e da religião. No suicídio altruísta, o indivíduo
pode se matar quando está muito integrado num grupo, ocorrendo principalmente em
sociedades coletivas, onde os indivíduos suicidam-se para o bem comum, se
sacrificando pela comunidade. O suicídio anômico, é observado nos indivíduos que
vivem em uma sociedade em que está num momento de crise, quando lhes faltam os
modelos de ordem e de uma conduta habitual.

Segundo Fukumitsu (2005 apud ODDONE, 2005 p. 166) “o suicida não procura a
morte, mas a vida. O ato suicida trata-se de um derradeiro grito de confirmação da sua
própria existência, embora ele aparente extremo desespero e desistência”. Segundo
esta autora é importante entender o que está por trás desta tentativa, qual a
mensagem que precisa ser passada e a intencionalidade pode ser consciente ou não,
e nem sempre compreendido pela própria pessoa que tenta o suicídio.

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É importante ressaltar a diferença ente o ato suicida e suicídio. O ato suicida “ocorre
quando o indivíduo causa uma lesão a si mesmo, qualquer que seja o grau de
intenção letal”. (OMS, 2000- 2001) No ato suicida a pessoa está ferindo e causando
danos a si mesmo, compreendendo todas as tentativas de suicídio, e o suicídio
acontece quando o ato é realmente consumado.

Toda pessoa que decide por fim a sua vida, necessariamente tem representação
antecipada da própria morte, levando as pessoas a planejarem diversas vezes como
deseja morrer.

Cassorla (1984) aponta que muitas pessoas apresentam comportamentos que


contribuem para a redução do seu tempo de vida, como por exemplo, os fumantes de
longos anos, já portadores de moléstias cardiopulmonares causadas pelo uso do
tabaco, mas que devido ao vício não conseguem parar de fumar. Os alcoolistas,
toxicômanos e até mesmo pessoas que ingerem alimentos prejudiciais ao organismo
podem ser considerados suicidas, pois estão colaborando para causar danos à saúde,
podendo chegar à morte.

Cassorla (1984) ainda afirma que indivíduos que de forma consciente ou não, optam
por viver enfrentando perigos, como os que participam de corridas automobilísticas, os
que realizam a roleta russa paulista, os policiais ao enfrentar perigos constantemente,
o soldado voluntário que se dispõe para uma função que pode colocar a sua vida em
risco também podem ser considerados suicidas.

Segundo Louzã Neto (2007, p.476) “a condição sine qua non do suicídio é a morte em
que o sujeito é, ao mesmo tempo, o agente passivo e ativo, a vítima e o assassino, o
desejo de morrer e ser morto e o desejo de matar”. Portanto a dificuldade de se
suicidar reside na determinação da qualidade impulsiva ou voluntária da atividade
suicida, ou seja, é uma decisão pessoal de cometer o suicídio. Por exemplo, quando
um paciente pula de um local elevado quando ouve vozes alucinatórias, ele se torna o
agente ativo e ao mesmo tempo vítima.

Botega et. al. (2006, apud VIEIRA, 2008) aponta alguns fatores de risco para o suicídio
como: transtornos mentais (como por exemplo, a depressão), perdas recentes, perdas
de figuras parentais na infância, dinâmica familiar conturbada, personalidade com
fortes traços de impulsividade de agressividade, certas situações clínicas (como
doenças crônicas incapacitantes, dolorosas, desfigurantes), acesso fácil a meios
letais.

Baptista (2004) aponta outros fatores de risco para o suicídio como: isolamento social,
transtorno de ansiedade ou pânico, uso de álcool ou outras drogas, estresse,
problemas econômicos que causem crises financeiras, migrações, dor física intolerável
e prolongada decepção amorosa.

De acordo com Pasternack (1983 apud DIAS, 1991, p.17):

Os motivos mais comuns relacionados aos desejos de suicídio são: fantasias de uma
outra vida, de um paraíso, de um encontro com Deus, de outro mundo de riquezas e
delícias de reencontro com pessoas queridas que morreram, de retorno ao seio
materno; desejo de punição, de castigo, de destruição de impulsos assassinos ou de
impulsos sexuais culposos etc.

Desta forma é importante salientar que as experiências de perda ou um luto mal


resolvido podem ser fatores que desencadeiem a tentativa de suicídio.

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Estudo do Comportamento Suicida

Mann e Arango (1992 apud BAPTISTA, 2004) ressaltam que o comportamento suicida
abarca a ideação suicida, as tentativas frustradas e também a efetivação do suicídio.

Portanto a ideação pode ser passiva, abrangendo pensamentos ou desejo de estar


morto, ou ativa se os pensamentos comprometerem os métodos ou o momento de se
matar. As tentativas e o suicídio com sucesso estão ligados a comportamentos
impulsivos e agressivos, como também a comportamentos de automutilação.

Existem também as hipóteses neuroquímicas que relacionam os sistemas


serotonérgico, noradrenérgico e dopaminérgico de neurotransmissão ao
comportamento suicida, porém com manipulações farmacológicas ou
comportamentais as atividades desses sistemas podem ser equilibradas, pois
encontram-se em baixa concentração no organismo.

Assim como a depressão, o comportamento suicida vem sendo considerado um sério


problema de Saúde Pública, despertando interesse de pesquisadores no campo das
mais diferentes ciências. (FEIJÓ, 1998).

Segundo Jamison (2002 apud SEGAL, 2009 p.17):

O comportamento suicida é um ato saturado de ambivalência. Mesmo já havendo


definições sobre os fatores de risco e proteção do suicídio, estes ainda se encontram
insuficientes na prevenção e no tratamento do problema.

Segundo Berman; Farberon apud Maris (2002 apud BAPTISTA, 2004) alguns
comportamentos destrutivos podem aumentar a probabilidade de autolesão, como o
jogo patológico, esportes de risco ou radicais, sexo desprotegido com diversos
parceiros, entre outros.

De acordo com a OMS (2000-2001 apudWERLANG, 2004) vários são os fatores de


proteção para o suicídio como: o apoio e a confiança nos membros da família, buscar
ajuda e conselhos, ter senso de valor pessoal, boa relação com amigos e colegas,
valores culturais, lazer, praticar esporte entre outros.

O comportamento suicida pode se relacionar a fatores de risco como a desesperança,


o abuso de álcool e drogas, o neuroticismo. Os traços de personalidade são
importantes no estudo do risco de suicídio, como humor instável, comportamento anti-
social, dificuldade de aceitar a realidade, baixa tolerância a frustração.

“A noção mais global de comportamento suicida evita a tendência de se valorizar,


exageradamente, a intencionalidade e a lucidez de consciência durante o ato suicida”.
(BOTEGA, 2006, p. 431) A pessoa com comportamento suicida possui uma visão
negativa da vida, crêem que não há mais solução para seus problemas, ou que a vida
não tem mais sentido.

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É importante se pensar na prevenção do comportamento suicida, pois isso não
pressupõe apenas evitar a morte das pessoas e sim alertar as implicações que o
suicídio desencadeia na sociedade, como o mal estar e estado de perturbação que é
gerado nesta. Assim acredita-se que com a prevenção possa ser oferecido ao
indivíduo possibilidades de enfrentar as dificuldades que levam ao comportamento
suicida. Com a prevenção do comportamento suicida visa-se aspectos como promover
a qualidade de vida, criar estratégias de comunicação e sensibilização relacionada a
este fenômeno. (BOTEGA et. al, 2006).

Relação da Depressão com o Suicídio

“Assim como a depressão, o suicídio vem sendo considerado como um sério problema
de Saúde Pública, despertando interesse de pesquisadores no campo das mais
diferentes ciências”. (VIEIRA, 2008, p. 1).

Entende-se que a relação do suicídio e da depressão é estreita, pois o suicídio


atualmente é considerado um sintoma ou exclusivamente uma conseqüência da
depressão. (VIEIRA, 2008).

Conforme Nierenberg, Stephen; Grandin (2001 apud BAPTISTA, 2004, p.8) apontam
que “muitas pessoas que apresentam transtornos de humor, principalmente depressão
maior e transtorno bipolar, podem pensar se matar, ainda que decidam viver na última
hora além do que muitas pessoas que se suicidam sofrem de transtornos do humor e,
de diversas formas, estas mortes poderiam ser prevenidas.

Malone (2000 apud BAPTISTA, 2004) afirmou que pessoas depressivas que tentaram
suicídio relatam maior desesperança e ideação suicida do que depressivos que nunca
tentaram suicídio.

Para as pessoas que tem depressão, pensamentos de morte e pensamentos suicidas


podem ser freqüentes em suas vidas, devido a isso elas podem planejar o suicídio,
tentar ou até cometer o ato.

De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2006 apud VIEIRA, 2008) é importante
estar atento a alguns sinais que compõem a história de vida e o comportamento das
pessoas que possam ter risco para o comportamento suicida como: cartas de
despedida, doença física crônica, menção repetida de morte ou suicídio, desejo súbito
de concluir os afazeres pessoais como organizar documentos e escrever um
testamento, ansiedade ou pânico, mudança de personalidade.

Como afirma Lewinsohn, Rohde e Seeley (1994 apud BAPTISTA, 2004) um preditor
de uma posterior tentativa de suicídio é já ter tentado suicídio anteriormente.

De Man; Leduc (1995 apud BAPTISTA, 2004) relacionam a ideação suicida com baixa
auto-estima, depressão, estresse, percepção de saúde, uso de drogas, baixo status
familiar, performance acadêmica ineficiente, suporte social inadequado.

Portanto vários fatores necessitam ser trabalhados juntamente ao paciente depressivo.


Como por exemplo, a família que está completamente envolvida no processo de
adoecimento, levando em consideração a dinâmica familiar, e os estresses
relacionados a ela.

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De acordo com Louzã Neto (2007, p. 230):

Os períodos de mudança de humor, como início ou fim de um episódio depressivo,


constituem risco, assim como a associação de sintomas (em geral mistos), por
exemplo, irritabilidade, abuso de drogas, e prolongada fase depressiva em paciente
bipolar representa combinação particularmente letal. A presença de evento de vida
estressante antecedendo tentativa de suicídio foi comum em doentes unipolares e
bipolares, apesar de ter se associado mais aos doentes bipolares.

Há risco de suicídio em pacientes depressivos, principalmente quando se tem um


maior tempo de evolução e gravidade no quadro e também com relação à maior
freqüência de sintomas residuais encontrados nestes pacientes, como humor
deprimido, perda de interesse ou prazer em realizar atividades.

Segundo Ballone (2003 apud VIEIRA 2008, p.3):

Os sintomas depressivos mais associados ao suicídio dizem respeito ao severo


prejuízo da auto-estima, aos sentimentos de desesperança e à incapacidade de
enfrentar e resolver problemas. Esses sintomas podem não estar presentes no início
do quadro, mas à medida que a depressão vai se tornando mais grave, a baixa da
auto-estima vai piorando, vão surgindo sentimentos de inutilidade e,
progressivamente, o indivíduo vai ficando mais desesperado.

Atualmente, os fenômenos do suicídio e da depressão estão mais presentes nos


espaços sociais, quebrando algumas barreiras como o sexo, idade, classe econômica
ou cultural, sendo todos problemas de saúde pública. A depressão gera um sofrimento
psíquico interferindo na qualidade de vida do indivíduo que é diminuída. (VIEIRA,
2008).

Conforme Coutinho (2005 apud VIEIRA 2008, p.67) afirma que:

Identificar as representações sociais acerca da depressão e do suicídio é


compreender as formas que as pessoas utilizam para criar, transformar e interpretar
essas problemáticas vinculadas à sua realidade. Como também conhecer seus
pensamentos, sentimentos, percepções e experiências de vida compartilhadas,
destacadas nas modalidades diferenciadas de comunicação, de acordo com o
contexto cultural e a classe social a que pertencem, e as instituições às quais se está
vinculado, prolongam-se para além das dimensões, intrapsíquicas e concretizando-se
em fenômenos sociais palpáveis de serem identificados e mapeados.

É importante entender as representações sociais do ser humano, saber como o


paciente constrói saberes acerca de determinadas circunstâncias, estando incluídos
neste contexto a depressão e o suicídio.

Segundo Brasil (2006 apud VIEIRA, 2008) que existem quatro sentimentos que
indicam o risco para a consumação e a tentativa de suicídio que são: depressão,
desesperança, desamparo e desespero.

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De acordo com Vieira (2008) não existe uma patologia ou algum acontecimento que
possa prever o suicídio, e sim há certas fragilidades que indicam que algumas
pessoas estão mais vulneráveis a cometer esse ato do que outras. Nesse contexto a
depressão é destacada como um fator de risco para o comportamento suicida. O
transtorno depressivo é destacado entre as doenças vulneráveis ao suicídio e de
acordo com a OMS (2000 apud Vieira 2008) esta é causadora de 30% da ocorrência
de suicídio no mundo.

Segundo Lönnqvist, (2000 apud BOTEGA, 2006, p.217):

A associação entre depressão e suicídio é inequívoca. O risco de suicídio aumenta


mais de 20 vezes em indivíduos com episódio de depressão maior, e é ainda maior em
sujeitos com comorbidade com outros transtornos com outros transtornos psiquiátricos
ou doenças clínicas.

De acordo com alguns dados da autópsia psicológica a metade dos indivíduos que
morreram por suicídio estava sofrendo de depressão, mesmo considerando os
indivíduos com outros transtornos mentais, a sintomatologia depressiva era central.
(BOTEGA, 2006)

Segundo Sadock (2007, p. 975) “mais pessoas com transtornos depressivos cometem
suicídio no começo da doença do que mais tarde”. A depressão está associada tanto
ao suicídio consumado como às tentativas de suicídio e o aspecto clínico associado
com mais freqüência à gravidade da intenção de morrer é um diagnóstico de um
transtorno depressivo.

Ainda citando este autor, os transtornos de humor estão dentre os diagnósticos mais
comuns associados ao suicídio, pois os pacientes sentem-se deprimidos, tristes,
instáveis de tempos e tempos, quando estes sentimentos persistem interfere na vida
do paciente O isolamento social entre pacientes depressivos aumenta as tendências
suicidas.

O profissional de Saúde e o suicida

A lida com o suicídio exige do profissional de saúde um olhar atento aos fatores de
risco e aspectos relacionados à morte e ao desespero humano. Embora o ato de se
matar deva ser visto como problemática de saúde pública, considera-se que uma das
maneiras de se prevenir o suicídio é compreender e enxergar a pessoa como um ser
singular e suas inúmeras motivações para tal comportamento.

O profissional de saúde precisa desenvolver empatia no que se refere ao sofrimento


humano, isto é, o profissional pode se disponibilizar para se aproximar do lugar onde o
paciente está e, por meio da sua disponibilidade interpessoal, há esperança de que o
cliente possa reconhecer suas potencialidades, a fim de ampliar sua maneira de
enfrentamento de seus sofrimentos.

Para lidar com clientes que perceberam o suicídio como uma solução, primeiramente,
o trabalho deve ser realizado em parceria com a família e outros profissionais
envolvidos, tais como psiquiatras, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas,
massoterapeutas, nutricionistas.

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Algumas estratégias podem ser adotadas para a lida com o suicídio: Sigilo no
acompanhamento do cliente, desde que, não haja risco de vida. Pede-se que o cliente
escolha duas pessoas, deixando seus números de telefones. Os escolhidos pelo
cliente poderão ser considerados como rede de apoio no trabalho profissional de
saúde e em crise suicida, tanto o cliente quanto o profissional de saúde poderão tentar
acesso aos indicados.

Disponibilizar-se para dor do outro produz efeitos igualmente dolorosos no profissional,


ou seja, acompanhar o cliente na luta com o seu sofrimento significa também se auto-
acompanhar, no sentido de saber que o profissional só poderá oferecer aquilo que é
possível ofertar.

FATORES DE PROTEÇÃO PARA O SUICÍDIO

• Religiosidade
• Proximidade com a família
• Percepção otimista da vida
• Gravidez e maternidade
• Ter uma ocupação/emprego
• Rede social (interdependência)
• Capacidade de enfrentamento (coping)

Para os profissionais

1.Ouvir atentamente

2.Conhecer fatores de risco

3.Fazer algumas perguntas

FRASES DE ALERTA

• “Eu preferia estar morto”


• “Eu não posso fazer nada”
• “Eu não agüento mais”
• “Eu sou um perdedor e um peso para os outros”
• “Os outros vão ser mais felizes sem mim”

SENTIMENTOS

4 D:

 Desesperança
 Desamparo
 Desespero

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PORTARIA 1.876 - 14/08/06

Institui as Diretrizes Nacionais para a Prevenção do Suicídio, a serem


implantadas em todas as unidades federadas, respeitadas as competências
das três esferas de gestão.

ESTRATÉGIAS

1- Desenvolver estratégias de promoção de qualidade de vida, de educação,


de proteção e de recuperação da saúde e prevenção de danos;

2- Desenvolver estratégias de informação, de comunicação e sensibilização da


sociedade de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser
prevenido;

3- Organizar linha de cuidados integrais (promoção, prevenção, tratamento e


recuperação) em todos os níveis de atenção, garantindo o acesso às diferentes
modalidades terapêuticas;

4- Identificar a prevalência dos determinantes e condicionantes do suicídio e


tentativas, assim como os fatores protetores e o desenvolvimento de ações
intersetoriais de responsabilidade pública, sem excluir a responsabilidade de
toda a sociedade;

5- Fomentar e executar projetos estratégicos fundamentados em estudos de


custo-efetividade, eficácia e qualidade, bem como em processos de
organização da rede de atenção e intervenções nos casos de tentativas de
suicídio;

6- Contribuir para o desenvolvimento de métodos de coleta e análise de dados,


permitindo a qualificação da gestão, a disseminação das informações e dos
conhecimentos;

7- Promover intercâmbio entre os Sistema de Informações do SUS e outros


sistemas de informações setoriais afins, implementando e aperfeiçoando
permanentemente a produção de dados e garantindo a democratização das
informações;

8- Promover a ed. Permanente dos profissionais de saúde das unidades de


atenção básica, inclusive do PSF, dos serviços de S.M., das unidades de
urgência e emergência, de acordo com os princípios da integralidade e
humanização.

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Conclusão

A frase de Merighi (2002) apresenta que: “cuidar é indispensável da compreensão e


como compreensão deve ser simétrica: ouvindo o outro, cuidando de nós mesmos”. (p.
158)

Com base no conhecimento prévio dos fatores de risco, seja possível conhecer os
fatores de proteção, prevenção e recuperação da saúde, para que as mortes por
suicídios sejam minimizadas.

Na prevenção do suicídio, deve se dar prioridade as ações que busquem evitar o que
pode ser evitado.

Reflete-se que o manejo com aqueles que pensam no suicídio requer respeito,
disponibilidade, trabalho constante com dores, tolerância às frustrações e trabalho
interdisciplinar.

Os meios mais frequentemente usados para o suicídio variam segundo a cultura e


segundo o acesso que se tem a eles. Gênero e faixa etária também exercem
influência, esses dados conformam uma espécie de iceberg, pois apenas uma
pequena proporção do chamado “comportamento suicida” chega a nosso
conhecimento, após o registro de atendimento em um serviço de saúde.

Uma tentativa de suicídio é o principal fator de risco para sua futura concretização.
Após uma tentativa, estima-se que o risco de suicídio aumente em pelo menos cem
vezes em relação aos índices presentes na população geral (Owens, Horrocks, &
House, 2002).

Apesar dessas ressalvas, o conjunto de dados populacionais aqui resumidos confirma


a magnitude desse fenômeno humano. Além do impacto emocional desse tipo de
morte, há o impacto dos números. Isso, aliado à frequente associação de suicídios a
transtornos mentais, levou a Organização da Saúde a fomentar ações de prevenção,
trazendo o suicídio - também - para a arena da saúde pública.

Várias ações podem ser realizadas no âmbito da saúde pública, entre elas: elaboração
de estratégias nacionais e locais de prevenção do suicídio, conscientização e
questionamento de tabus na população, detecção e tratamento precoces de
transtornos mentais, controle de meios letais (redução de armas de fogos, regulação
do comércio de agro- tóxicos, arquitetura segura em locais públicos) e treinamento de
profissionais de saúde em prevenção de suicídio.

Outro aspecto clínico a ser lembrado é que uma tentativa de suicídio é o principal fator
de risco para uma futura efetivação desse intento. Por isso, essas tentativas devem
ser encaradas com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de
fenômenos psicossociais complexos. Dar especial atenção a uma pessoa que tentou
se suicidar é uma das principais estratégias para se evitar um futuro suicídio.

Estácio 2018.1
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