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Educação para a

Cidadania Global
ficha técnica agradecimentos

Título do Manual: Promotor: Projeto: Às professoras que, como voluntárias, foram a


Manual de Educação para a Cidadania Global: uma proposta alma deste projeto, pela dedicação exemplar e pelo
de articulação para o 2º Ciclo do Ensino Básico
testemunho de cidadania global...
Editor:
AIDGLOBAL Aos alunos das turmas que fizeram parte do
Acção e Integração para o Desenvolvimento Global O presente projeto foi cofinanciado pelo Camões – Instituto
projeto, pelo entusiasmo com que, aprendendo,
da Cooperação e da Língua, conta com o apoio da Fundação
Autores: Montepio e tem como parceiros a Câmara Municipal de nele participaram…
Equipa da AIDGLOBAL e Ana Matias, Ana Lúcia Mendes, Loures, o Centro de Formação Loures Oriental e o Agrupa-
Carla Marta Carvalho e Judite Branquinho, professoras do mento de Escolas de Catujal-Unhos.
Agrupamento de Escolas de Catujal-Unhos Ao Hugo Cruz Marques, consultor de alguns dos
planos deste Manual, pela sua pertinente e astuta
Este projeto foi financiado por: E apoiado por:
Revisão didático-pedagógica: reflexão crítica...
M. Antonieta Pires

Design gráfico, ilustrações e paginação:


Ao AECU e ao CFLO, parceiros deste projeto,
© Marina Costa
Parceiros: Impressão com o apoio de: pela excelente orientação, ótimo acolhimento e
visão de cidadania global...
Impressão:
GIO – Gabinete de Impressão Offset, Lda.
Ao Camões-ICL e à Fundação Montepio, pelo re-
Copyrigh:
conhecimento e apoio incondicional...
Depósito legal: 399806/15
Esta publicação pode ser reproduzida e divulgada, para fins não comerciais,
Ano de publicação: 2015 desde que citada a fonte.
...A todos a AIDGLOBAL agradece por terem
Local de publicação: Lisboa É expressamente interdita a utilização comercial das ilustrações nela contidas. acreditado e, connosco, construído este projeto!

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índice 36 História e Geografia de Portugal
36 Paz e conflitos armados
43 Integração e valorização da diversidade étnica e cultural
50 Cooperação e solidariedade nacional e internacional
55 Igualdade de Género
5 INTRODUÇÃO 60 Matemática
5 AIDGLOBAL 60 Solidariedade internacional – Ajuda Humanitária
5 Projeto “Educar para Cooperar” e de Emergência
6 Importância da Educação para a Cidadania Global 66 Direito à Terra
73 Educação para todos
79 Alterações Climáticas e os seus impactos
10 Apresentação do Manual
85 Português
10 Objetivo
85 Igualdade de Género
11 Metodologia
11 Destinatários 92 Integração e valorização da diversidade étnica e cultural
11 Modo de utilizar 100 Luta contra a pobreza
105 Integração e apoio aos refugiados
14 Planificações de Aulas

15 Ciências Naturais
115 Considerações Finais
15 Preservação da biodiversidade
115 Potencialidades e limitações
19 Direito à água 115 Projeto em expansão
26 Redução da mortalidade infantil
e promoção da saúde materna
31 Saúde para todos 116 Referências Bibliográficas
1 Introdução Global, com o objetivo de os consciencializar Portugal, além de ações de sensibilização pon-
para as causas das desigualdades no mundo. Em tuais, a Organização tem vindo a desenvolver,
O presente Manual foi concebido no âmbito do
Moçambique, aposta numa Educação de Quali- desde o ano letivo de 2006/2007, o projeto
projeto “Educar para Cooperar – Loures (3ª Edi-
dade vocacionada para a promoção do acesso “Educar para Cooperar”.
ção)” desenvolvido pela AIDGLOBAL no Agrupa-
ao livro e para o combate à iliteracia, através da
mento de Escolas de Catujal-Unhos, Concelho
construção e reforço de bibliotecas municipais
de Loures, durante os anos letivos de 2013/2014
e escolares.  1.2 Projeto “Educar para Cooperar”
e 2014/2015. Pretende ser um recurso de livre
acesso aos professores do 2º Ciclo do Ensino A sua missão é identificar, desenhar e imple- O projeto “Educar para Cooperar2” tem como
Básico (CEB) para trabalharem com os alunos mentar estratégias e ações que contribuam para principal objetivo o envolvimento de professores
temáticas fundamentais à Educação para a atenuar as dificuldades de acesso à educação e dos 2º e 3º CEB nas questões da Educação para
Cidadania Global (ECG), integrando-as no cur- combater a iliteracia na Comunidade de Países a Cidadania Global, procurando que as escolas
rículo oficial da sua disciplina. de Língua Portuguesa (CPLP), cooperando com se assumam como espaços de construção de
as populações e autoridades locais e incentivando cidadãos críticos e participativos. Implementado
o exercício de uma cidadania ativa. em 11 escolas de dois concelhos de Portugal,
1.1 AIDGLOBAL o projeto tem vindo a capacitar professores
Neste contexto, a AIDGLOBAL tem vindo a envidar
através de ações de formação visando promover a
A AIDGLOBAL - Acção e Integração para o De- esforços no sentido de proporcionar recursos
integração da ECG no currículo oficial das suas
senvolvimento Global, enquanto Organização educativos1, intencionalmente concebidos para a
disciplinas.
Não Governamental para o Desenvolvimento promoção da Educação para a Cidadania Global.
(ONGD) trabalha em prol da Educação por um A ECG é uma das áreas prioritárias de ação da Os temas de ECG abordados pelo projeto “Educar
mundo mais justo e sustentável. Em Portugal, AIDGLOBAL, por entender ser urgente uma ampla para Cooperar” pretendem sensibilizar crianças
tem vindo a aproximar crianças, jovens e adul- sensibilização relativamente aos contrastes so- e jovens para uma consciência global do mundo,
tos dos valores da Educação para a Cidadania ciais e desigualdades no mundo, pelo que, em trabalhando as problemáticas atuais através de

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uma abordagem sistémica das dimensões social, 1.3 Importância da Educação para Desenvolvimento Sustentável (ODS) propõem-
económica e ambiental, numa perspetiva global a Cidadania Global -se atingir, até 2030, 17 objetivos e 169 metas
e local (glocal). que demons-tram a escala e a ambição desta
“Encontramo-nos num momento de enormes
nova Agenda Universal. Uma delas salienta a
Através deste projeto procura-se valorizar o desafios para o desenvolvimento sustentável.
importância da cidadania global como forma
papel do professor, não como um mero trans- Biliões de cidadãos continuam a viver na po-
de garantir que todos os alunos adquiram com-
missor de conhecimentos e informações, mas breza, sendo-lhes negada uma vida digna. Cons-
petências necessárias para promover o desen-
sim como um tutor/facilitador de uma educação tatam-se crescentes desigualdades dentro dos
volvimento sustentável.
cívica mais autónoma, crítica e participativa por e entre os países. Há enormes disparidades de
parte dos alunos. Neste sentido, quatro profes- oportunidades, riqueza e poder. A desigualdade Atualmente, a introdução de questões de cida-
soras são coautoras do presente Manual, tendo de género continua a ser um desafio fundamental. dania no currículo de ensino é fortemente
participado no projeto enquanto voluntárias. Os (...) Ameaças globais de saúde, desastres na- recomendada por diversas organizações go-
seus contributos foram essenciais para a elabo- turais mais frequentes e intensos, conflitos em vernamentais internacionais, designadamente a
ração das planificações de unidades didáticas ascensão, o extremismo violento, o terrorismo e United Nations Educational, Scientific and Cultural
que integram, pelo menos, uma temática de ECG as crises humanitárias relacionadas e o deslo- Organization (UNESCO), organizações governa-
e um conteúdo programático por disciplina (ver camento forçado de pessoas ameaçam reverter mentais nacionais, tais como a Direção-Geral da
quadro 3, página 13). grande parte do progresso do desenvolvimento Educação3, o Camões-Instituto da Cooperação e
feito nas últimas décadas.” (ONU, 2015, p. 6) da Língua e diversas organizações não-gover-
namentais, internacionais e nacionais.
Diante de desafios tão complexos e de um mundo
cada vez mais globalizado e interdependente,
as Nações Unidas têm vindo a empenhar-
1 3
Disponíveis em: http://www.aidglobal.org/#d-0-119 -se na procura de soluções. Neste contexto, Ver documentos orientadores em:
2 http://www.dge.mec.pt/educacao-para-cidadania
Ver mais em: http://educarparacooperar.pt/ os recentemente proclamados Objetivos de

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A necessidade de uma Educação para a Ci- rem responsabilidade sobre as suas decisões e
De acordo com esta autora, a ED assume cinco
dadania Global é, portanto, um ponto assente ações” (Andreotti, 2014, p. 63). Perfilhando esta
etapas evolutivas: a caritativa e assistencialis-
nas atuais políticas educativas. Este desafio visão, a ECG proporciona aos alunos competên-
destaca-se nas diretrizes políticas internacio- cias e oportunidade para reivindicarem os seus ta (décadas de 40 e 50), a desenvolvimentista
nais, como é o caso da Estratégia de Educação direitos e assumirem deveres como cidadãos (década de 60), a crítica e solidária (década de
da UNESCO (2014a) para o período de 2014 a responsáveis e participativos na sociedade atual 70), a do desenvolvimento humano e sustentável
2021, onde a ECG foi assumida como uma das e futura. A aprendizagem ao longo da vida, tendo (década de 80) e a atual, centrada na noção de
prioridades, tendo inclusive sido definido como início na infância e continuando até à vida adulta Educação para a Cidadania Global. Apesar de
segundo objetivo estratégico “capacitar alunos a através de abordagens formais, não-formais e terem objetivos comuns e de estarem forte-
assumirem-se como cidadãos globais criativos informais de educação, é essencial para a con- mente interligadas, reforça-se a necessidade de
e responsáveis” (p. 45). De facto, a Educação secução da ECG. centrar esforços na conceptualização da ECG
para a Cidadania Global deve ser considerada (UNESCO, 2014a), face às múltiplas interpreta-
um elemento crucial para os sistemas educati- Face a este conceito de ECG, é possível verifi-
ções que se fazem, nomeadamente através das
vos bem-sucedidos. car diversas interligações com outras “Educa-
ONG, educadores e académicos (Fricke, Gathercole
ções para…”. De facto, a ECG apresenta “uma
Segundo a UNESCO (2015), a Educação para a & Skinner, 2015).
abordagem multifacetada, envolvendo conceitos
Cidadania Global pretende ser transformativa,
e metodologias já aplicadas em outras áreas, in- Em Portugal, a nível institucional, a promoção da
envolvendo os alunos na construção de co-
nhecimentos, capacidades, atitudes e valores cluindo a Educação para os Direitos Humanos, cidadania global é a grande finalidade da Estra-
basilares para a promoção do respeito pelos di- a Educação para a Paz, a Educação para o De- tégia Nacional de Educação para o Desenvolvi-
reitos humanos, justiça social, paz, diversidade, senvolvimento Sustentável e a Educação para a mento (2010-2015). Esta estratégia tem como
igualdade de género e sustentabilidade ambiental. Compreensão Internacional” (UNESCO, 2014a, segundo objetivo específico “promover a con-
Neste âmbito, a ECG visa “capacitar os indi- p. 46). Reforça-se, ainda, a sua estreita rela- solidação da ED no setor da educação formal
víduos para a reflexão crítica sobre os legados ção com a Educação para o Desenvolvimento em todos os níveis de educação, ensino e for-
e os processos das suas culturas, para imagina- (ED), assumindo a Educação para a Cidadania mação, contemplando a participação das comu-
rem soluções futuras diferentes e para assumi- Global como uma evolução da ED (Mesa, 2014). nidades educativas”.

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Perante quadros referenciais como o da UNESCO Quadro 1: Articuladas entre si, estas dimensões propor-
(2014b, 2015) e perspetivas evolutivas como a cionam uma base para definir os objetivos da
de Mesa (2014), algumas das ONGD portuguesas
As principais dimensões conceptuais ECG, ou seja, os seus objetivos de aprendiza-
e estrangeiras, que inicialmente adotaram o na Educação para a Cidadania Global gens, as competências a desenvolver e as suas
conceito de Educação para o Desenvolvimento, (UNESCO, 2015, p. 15) prioridades de avaliação. Assim, a ECG visa tornar
têm assumido a terminologia Educação para a os alunos capazes de: (UNESCO, 2015, p. 16)
Cidadania Global.
Cognitiva • “desenvolver uma compreensão das estru-
O crescente interesse pela cidadania global tem “Adquirir conhecimento, compreensão e pen- turas de governação global, direitos e respon-
vindo a reforçar algumas dimensões concep- samento crítico sobre questões globais, regionais, sabilidades, questões globais e conexões entre
tuais centrais, identificadas a partir de estudos nacionais e locais e sobre a interligação e inter- os sistemas e processos globais, nacionais e
teóricos e práticos realizados na área da ECG dependência dos diferentes países e populações.” locais;
(UNESCO, 2015). Estas dimensões fundamen-
• reconhecer e valorizar as diferenças e as
tam-se em três domínios do processo da apren-
dizagem: cognitivo, sócioemocional e compor-
Sócioemocional várias identidades como a cultura, a língua, a
“Ter sentimento de pertença a uma humani- religião, o género e a nossa humanidade comum
tamental, conforme destaca o quadro seguinte:
dade comum, partilhando valores e responsabi- bem como desenvolver capacidades para viver
lidades, empatia, solidariedade e respeito pelas num mundo cada vez mais diversificado;
diferenças e pela diversidade.”
• desenvolver e aplicar capacidades críticas
para a literacia cívica, tais como análise crítica,
Comportamental tecnologia da informação, literacia para os média,
“Agir de forma eficaz e responsável a nível local, pensamento crítico, tomada de decisão, reso-
nacional e global para um mundo mais pacífico lução de problemas, negociação, construção da
e sustentável.” paz e responsabilidade pessoal e social;

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• reconhecer e analisar as crenças e valores e a menos como a pobreza (...) e, por isso mesmo,
forma como influenciam não só as tomadas de de- à procura da inclusão e da consequente solida-
cisão políticas e sociais mas também as perceções riedade que tal comporta. Ao professor caberá
sobre a justiça social e a participação cívica; formar jovens conscientes destes aspetos e
prontos a exercer a sua cidadania ativa.” (p. 343)
• desenvolver atitudes de empatia e solicitude
para com os outros e o ambiente e respeitar a Para concretizar os objetivos da ECG, Mundy e
diversidade; Manion (2008) destacam a importância da adoção
de pedagogias mais centradas nos alunos, re-
• desenvolver valores de equidade e justiça social
forçando a ideia de que para além dos conhe-
e capacidades para analisar criticamente as desi-
cimentos sobre cidadania importam, também, as
gualdades de género, de estatuto socio-económico,
formas de ensino e aprendizagem adotadas para
de cultura, de religião, de idade e outras;
esta finalidade. Através de abordagens peda-
• participar e contribuir para as questões glo- gógicas mais coerentes com uma educação que
bais contemporâneas, a nível local, nacional e visa a cidadania global, será possível desenvolver
global, enquanto cidadãos globais informados, competências, ou seja, um conjunto de conheci-
comprometidos, responsáveis e capazes de dar mentos, capacidades, atitudes e valores coeren-
respostas.” tes com as atuais recomendações da literatura de
referência, elencadas no quadro seguinte:
A promoção de uma cidadania ativa deve ser
uma responsabilidade assumida pelos educado-
res. De acordo com Cardoso (2013), “o professor
do futuro espera uma sociedade cada vez mais
preocupada com as desigualdades, com fenó-

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2 APRESENTAÇÃO DO MANUAL
Quadro 2: O Manual de Educação para a Cidadania Global

Competências a desenvolver na Educação para a Cidadania Global é um recurso educativo que disponibiliza um
conjunto de planificações de unidades didáticas
(Fricke et al., 2015; Mundy & Manion, 2008; Oxfam, 2015; UNESCO, 2015)
destinadas a integrar as temáticas de Educação
para a Cidadania Global (ECG) nos conteúdos
do currículo formal de quatro disciplinas nu-
CONHECIMENTOS CAPACIDADES ATITUDES E VALORES cleares − Ciências Naturais, História e Geografia
de Portugal, Matemática e Português.
• Globalização e interdependência • Pensamento crítico • Valorização e respeito pela
dos sistemas económico, político, diversidade
social e ambiental • Pensamento criativo
• Compromisso com a justiça social
2.1 Objetivo
• Justiça social e equidade • Resolução de problemas e igualdade Como objetivo primordial, o Manual procura fo-
mentar práticas de integração da ECG no Cur-
• Identidade e diversidade • Questionamento • Compromisso com o desenvolvi-
rículo Nacional do Ensino Básico, particular-
mento sustentável
• Desenvolvimento sustentável • Argumentação mente no 2º Ciclo, através da disponibilização
• Crença de que as pessoas podem de planificações de aulas aos professores e outros
• Paz e conflitos • Cooperação e resolução fazer a diferença agentes educativos.
de conflitos
• Direitos humanos • Sentido de identidade e autoestima
• Trabalho colaborativo
• Empatia e solidariedade

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2.2 Metodologia 2.3 Destinatários 2.4 Modo de utilizar
O conjunto de planificações presentes neste As planificações de unidades didáticas presen- De forma a contextualizar os utilizadores e a fa-
Manual partiu do trabalho desenvolvido por tes no Manual destinam-se mais diretamente cilitar a posterior implementação das atividades
quatro docentes que participaram em Ações de aos professores do 2º CEB das disciplinas de propostas nas planificações, recomenda-se a
Formação de duas edições do projeto “Educar Ciências Naturais, História e Geografia de Portugal, leitura prévia destas páginas iniciais do Manual.
para Cooperar – Loures (2ª e 3ª Eds.)”. Os pla- Matemática e Português. As 16 planificações de unidades didáticas apre-
nos de unidades didáticas foram elaborados, de sentadas no tópico seguinte estruturam-se de
Embora o Manual esteja explicitamente direcio-
forma colaborativa, pelas professoras e pela acordo com a matriz:
nado para docentes, este recurso pode ser adap-
equipa da AIDGLOBAL, tendo sido implementa-
tado e utilizado por qualquer pessoa que esteja • Dados iniciais: apresenta-se o tema de Edu-
dos, posteriormente, em sala de aula. As pro-
envolvida formal, não-formal ou informalmente cação para a Cidadania Global, a disciplina, o
postas pedagógicas apresentadas no manual
em processos educativos: professores, forma- ano de escolaridade, o conteúdo programático,
refletem a articulação dos temas de ECG com os
dores, animadores, voluntários, familiares, entre a duração estimada, o objetivo e os recursos
conteúdos das respetivas áreas disciplinares.
outros agentes educativos. envolvidos no plano;
A partir da experiência da sua aplicação, os
planos foram aprofundados e validados através Através do trabalho dos professores ou de outros • Breve contextualização para o professor:
de um processo de revisão científica, didático- atores educativos, este Manual tem como desti- propõe-se uma leitura introdutória para as
-pedagógica e técnica. natários preferenciais as crianças que frequen- temáticas abordadas na planificação. Geral-
tam os 5º e 6º anos de escolaridade (maioritari- mente são textos que refletem a complexidade
amente entre os nove e os doze anos de idade). da problemática trazida pelo tema ECG e/ou do
No entanto, considera-se que as atividades, es- conteúdo programático e, por serem geralmente
tratégias e recursos propostos são suscetíveis excertos de documentos de referência inter-
de serem adaptados e (re)utilizados noutros nacional e nacional, podem ser aprofundados
anos de escolaridade. através das fontes disponibilizadas;

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• Atividades passo a passo: descrevem-se as situações da vida real, com ligação prática aos Assumindo que a integração das Tecnologias de
sequências de ensino e aprendizagem, indican- contextos em que se movimentam os alunos e Informação e Comunicação (TIC) pode constituir
do a duração previsível para cada uma. Inicia- que proporcionem uma literacia crítica. uma barreira para alguns contextos educativos,
-se com uma introdução/motivação à unidade os recursos multimédia propostos são susce-
“Neste sentido, a literacia crítica não pretende
didática e encerra-se com uma breve síntese tíveis de serem impressos e/ou relatados, no
‘revelar a verdade’ aos aprendentes, mas sim
conclusiva. Há planificações que são comple- caso de não ser possível recorrer às tecnologias
proporcionar uma oportunidade para que refli-
mentadas com materiais de apoio, tais como fichas na sala de aula (computador, projetor, Internet,
tam sobre o seu próprio contexto e sobre as
de trabalho, cartões de jogos e questionários. entre outras ferramentas).
suposições epistemológicas e ontológicas suas
As atividades propostas caracterizam-se pela e dos outros: como é que acabámos por pensar/ Uma vez que o Manual não pretendeu ter uma
diversidade de estratégias e recursos que têm ser/sentir/agir de determinada forma e as im- estrutura sequencial, pois disponibiliza planifi-
como objetivo promover a participação ativa, o plicações dos nossos sistemas de crenças em cações de diversas disciplinas e temáticas ECG,
trabalho colaborativo, o pensamento crítico, a termos locais/globais face às relações de poder recomenda-se a quem o utilize a seleção das
resolução de problemas e a tomada de decisões. desiguais, relações sociais e distribuição de tra- planificações consoante as necessidades e ca-
No Manual são propostas estratégias participativas, balho e recursos.” (Andreotti, 2014, p. 64). racterísticas do público-alvo, podendo utilizá-
nomeadamente debates e reflexões em grupo, -las autonomamente ou em complementaridade
Os recursos utilizados requerem uma abordagem
jogos de papéis, inquéritos, chuvas de ideias e com outros recursos.
crítica e atual sobre as temáticas ECG que reflitam
dramatizações − abordagens conducentes ao
a sua complexidade no mundo (BAOBAB, 2009), No quadro seguinte apresenta-se a relação entre
desenvolvimento de conhecimentos, capaci-
pelo que se recorreu à integração de conteúdos as diferentes disciplinas, anos escolares, temáti-
dades, atitudes e valores essenciais à formação
educativos multimédia, nomeadamente vídeos, cas ECG e respetivos conteúdos programáticos
de cidadãos participativos no século XXI (UNESCO,
documentários, notícias online, infografias e com os quais se articulam.
2014a). Procura-se uma aprendizagem mais
mapas interativos, que proporcionam uma aborda-
significativa através da realização de atividades
gem global e local (glocal) das temáticas ECG.
cujas reflexões possam ser extrapoladas para

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Quadro 3: Relação entre área disciplinar, ano de escolaridade, temática ECG e conteúdo programático
área ano TEMÁTICA ECG CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Preservação da biodiversidade A importância da proteção da diversidade vegetal



Direito à água A importância da água para os seres vivos; a importância da qualidade da água para a atividade humana
CN
Redução da mortalidade infantil e promoção da saúde materna Transmissão da vida: reprodução do ser humano e crescimento

Saúde para todos Microorganismos: o seu papel para o ser humano; as agressões causadas por alguns agentes patogénicos

Paz e conflitos armados O processo de ocupação e as relações entre Muçulmanos e Cristãos na Península Ibérica; a herança muçulmana

Integração e valorização da diversidade étnica e cultural Portugal nos séculos XV e XVI
HGP
Cooperação e solidariedade nacional e internacional O terramoto de 1755

Igualdade de Género As mulheres na I República

Solidariedade internacional Números e Operações – Frações



Direito à Terra Números naturais: adição, subtração, multiplicação e divisão; Critérios de divisibilidade; Área
MTM
Educação para todos Representação e tratamento de dados

Alterações Climáticas e os seus impactos Números e operações; Reta numérica; Isometrias

Igualdade de Género Produção de texto: guião de entrevista; Leitura e compreensão de texto



Integração e valorização da diversidade étnica e cultural Ler e interpretar textos literários; Derivação de palavras por afixação (prefixação)
PT
Luta contra a pobreza Leitura e compreensão de textos; Expressões de sentido próprio e figurado; Inferência; Informação factual e não
factual; Sufixos aumentativos e diminutivos

Integração e apoio aos refugiados Interação discursiva; Expressão orientada; Interpretação de textos verbais e não-verbais; Deduções e inferências;
Classes de palavras
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3 PLANIFICAÇÕES Ciências Naturais Matemática

Apresentadas por ordem alfabética, as planifica-


• Preservação da biodiversidade • Solidariedade internacional
ções referenciam as seguintes disciplinas:
• Direito à água • Direito à Terra

• Redução da mortalidade infantil e promoção • Educação para todos


da saúde materna
• Alterações Climáticas e os seus impactos
Ciências Naturais • Saúde para todos

História e Geografia
de Portugal
Matemática História e Geografia de Portugal Português
• Paz e conflitos armados
Português • Integração e valorização da diversidade étnica
• Igualdade de Género

e cultural • Integração e valorização da diversidade étnica


e cultural
• Cooperação e solidariedade nacional e inter-
Nelas está patente o cruzamento das diver-
nacional • Luta contra a pobreza
sas temáticas de ECG com os conteúdos pro-
gramáticos. • Igualdade de Género • Integração e apoio aos refugiados

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Ciências Naturais PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
aula d0 5ª ano

Disciplina Ciências Naturais

Conteúdo A importância da proteção da diversidade


programático vegetal

duração 135 minutos (90 min. + 45 min.)


Breve contextualização
para o professor

Objetivo
O termo biodiversidade é hoje em dia amplamente utilizado por cientistas, políticos e opinião
pública em geral, na medida em que a variedade de formas de vida é fonte de alimentos ou • Conhecer algumas das plantas em vias de extinção
em Portugal e o seu papel na biodiversidade. Sensibilizar
produtos necessários à sobrevivência da humanidade. A Lista Vermelha de 2006 da União Inter- para a importância da mudança de comportamentos
nacional para a Conservação da Natureza regista um acréscimo de espécies em perigo de extinção, visando a sua preservação
(…) mais de um terço das espécies de animais, plantas e fungos monitorizados, concluindo-se
que os compromissos globais assumidos pelos governos nos últimos anos não estão a travar a Recursos
perda de biodiversidade. • Computador com acesso à Internet, projetor e colunas
de som;
As florestas são ecossistemas de grande complexidade caracterizados por alta densidade de
• Infografia interativa (online);
árvores, onde habitam e interagem milhares de plantas, animais e outros seres vivos. As florestas
constituem a maior reserva de biodiversidade do mundo e são cruciais para a formação dos solos, • Notícia informativa (online);
combate à erosão, produção de oxigénio, fixação de carbono, preservação da qualidade do ar, • Materiais de divulgação e escrita;
regulação dos aquíferos e da temperatura (…) e, obviamente, para a sobrevivência das populações
• Recurso Global Forest Watch (online);
locais, algumas delas em vias de extinção devido à atuação gananciosa do homem. (Naturlink) 1.
• Vídeo (online).

1 Disponível em: www.naturlink.sapo.pt

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Ciências Naturais PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 5’ • Questionar o seu conteúdo com perguntas do 3 Observatório Global das Florestas 20’
seguinte tipo:
• Projetar imagens de algumas plantas em vias • Perguntar aos alunos: Qual a importância das
- Com que finalidade publicou o jornal esta notícia?
de extinção. A turma identificará o assunto a florestas para a biodiversidade?
- Quem efetuou o estudo a que a notícia se refere?
tratar na aula, dado que, anteriormente, foram
- Estes dados serão de uma fonte confiável?
incumbidos de realizar um trabalho de pesquisa
- Quantas dessas plantas existem em Portugal?
em grupo: recolher informações sobre uma
(Clicar no gráfico circular das plantas.)
planta em vias de extinção em Portugal focando
“Em conjunto com outras associações vegetais,
o nome científico, o tipo de raiz, o tipo de caule, • Solicitar aos grupos que apresentem os trabalhos
a floresta encerra uma grande biodiversidade e
o local geográfico onde pode ser encontrada e realizados por eles sobre as plantas em vias de
garante o necessário equilíbrio ecológico. Por
as razões pelas quais está a desaparecer. As extinção em Portugal.
isso, ela é cada vez mais reconhecida como um
plantas atribuídas aos grupos são: Narciso-
• Propor aos alunos debaterem os seguintes espaço de importância fundamental para a ma-
-do-Mondego, Miosótis-das-praias, Azevinho,
aspetos: nutenção dos valores naturais e para a melhoria
Corriola-do-espichel, Diabelha do Algarve,
da qualidade de vida das populações.”Portal do
Alcar-do-Algarve e Trevo-de-quatro-folhas. - O papel das plantas na biodiversidade e de que
Ambiente e do Cidadão”3.
forma o seu desaparecimento pode vir a influ-
2 As plantas em vias de extinção em Portugal 40’ enciar a vida dos animais que dependem delas • Propor a ampliação de conhecimentos sobre
(para abrigo, alimento, ciclo da vida,…). este assunto, com base nos indicadores pre-
• Apresentar a infografia “Quase 1500 espécies
sentes no site da WWF Portugal4.
ameaçadas na Europa”2 que , por ser interativa, - Cuidados a ter para assegurar a preservação e
permite explorar os seus elementos ao clicar proteção destas espécies ameaçadas. (Prevenir 3 Disponívelem:
sobre os pequenos gráficos circulares. os incêndios, não poluir, plantar, atrair e prote-
http://ambiente.maiadigital.pt/ambiente/floresta-1/mais-in-
2 Disponível ger os animais polinizadores, tais como abelhas formacao-1/sobre-a-importancia-das-florestas
em: www.publico.pt/multimedia/infografia/
quase-1500-especies-ameacadas-na-europa-67 e outros insetos,…) 4 Disponível em: http://www.wwf.pt/o_nosso_planeta/florestas/

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Ciências Naturais PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Evidenciar os dados conclusivos mais impor- • Verificar que se pode fazer zoom ao mapa e 4 O ser humano e as florestas 15’
estudar mais profundamente cada país. Incen-
tantes, analisando, mais detalhadamente, dois deles.
tivar à análise do caso do nosso território, em • Lançar a seguinte pergunta: Será que todos
“As Florestas contêm 70% da biodiversidade especial o desaparecimento da Floresta Lauris- os seres humanos dependem das florestas de
terrestre.” silva, em Portugal Continental, encontrando-se igual forma? Ouvir e dialogar sobre alguns
ela, atualmente, só nos Arquipélagos da Madeira, argumentos.
“1,6 biliões de pessoas dependem das florestas.” Açores, Canárias e Cabo Verde.
• Visionar o vídeo da Organização Survival
• Questionar o significado de “conter 70% da • Convidar os alunos a verem o que se passa International 6 (4’18’’) , que tem um projeto
biodiversidade”. Reflectir sobre como as pes- numa das zonas mais importantes e conhecidas de ação para a preservação de uma tribo indí-
soas dependem das florestas e qual o fenómeno do mundo: a Floresta Amazónica. gena do Brasil que está a perder as suas terras
que está destruí-las? pela pressão da comercialização ilegal de madeira.

• Explorar o recurso do Global Forest Watch 5 • Debater o problema, com base em questões
visando: como:

- a evolução do desflorestamento mundial nos - O que sentiram ao verem este vídeo?


últimos anos;
- Ao destruir-se uma floresta, está-se só a ex-
- a identificação de zonas mais afetadas, as de terminar plantas?
florestas intactas, as áreas de conservação, os
- Porque é que os índios Awá estão sempre a fugir?
hotspots de biodiversidade, entre outras opções
que se encontram na barra superior do recurso.
5 Disponível em: globalforestwatch.org/map/3/15.00/27.00/
A L L /g r a y s c a l e / l o s s , f o r e s t g a i n ? b e g i n = 2 0 0 1- 0 1- 6 Disponível em: www.survivalinternational.org/pt/awa
01&end=2014-01-31&threshold=30

17
Ciências Naturais PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

- Será que alguém se importa com os pro- para a tribo Awá. Para ajudar nesta ação in- Caso se reúnam os recursos necessários, pode-
blemas dos índios do Brasil: governos, orga- ternacional, utilizar como símbolo o ícone dis- -se, ainda, elaborar um pequeno vídeo, tal como
nizações, instituições? ponibilizado no site da Organização7 no canto fez esta escola do Reino Unido: “Survival
inferior esquerdo, adequando-o ao contexto de International @ The BRIT School” 8 (4’41’’)
Portugal ou até mesmo ao da nossa localidade
5 Ajudar a tribo Awá 50’ ou escola. Ele pode ser utilizado na elaboração

• Informar a turma de que, felizmente, há Orga-


de cartazes, folhetos, estampagens ou outras 6 Síntese da Unidade Didática 5’
formas de comunicação adequadas para sensi-
nizações que se preocupam com os índios Awá • Terminar a Unidade Didática com as conclusões
bilizar pessoas para esta causa.
como é o caso da Survival International. tiradas a partir das atividades realizadas: as
Conforme sugere a Survival International, pode- problemáticas das plantas em vias de extinção e
• Propor ajudar a Survival, que lançou uma ação
-se, ainda, escrever uma carta ao Ministro da da destruição das florestas, elementos essenciais
internacional para pressionar as autoridades a
Justiça do Brasil, pedindo-lhe para proteger a à sobrevivência dos seres vivos, destacando-se
expulsar todos os madeireiros da reserva da
tribo ou às empresas que importam madeiras os casos da floresta Amazónica e da tribo indí-
tribo Awá, visto que é um território legalmente
tropicais falando-lhes da importância de só gena Awá. É, pois, necessário que o mundo se
protegido. A Organização, no seu site, incita
adquirirem madeiras certificadas e provenientes preocupe com estas ocorrências e se organize
não só os brasileiros como pessoas de todo o
de modos de produção mais sustentáveis. Desta em prol da preservação da biodiversidade.
mundo a criarem “uma onda visível de opinião
forma, estarão a ajudar os Awá, contribuindo
nacional e internacional”. Lá podem ser vistas
para que eles possam viver em paz numa flo-
algumas indicações de como o fazer.
resta protegida.
• Dividir a turma em grupos e pedir para cada
um elaborar, de forma criativa e original, uma
campanha de sensibilização, dirigida à comu-
nidade escolar, sobre a importância da floresta 7 Disponível em: www.survivalinternational.org/awa-action-pt 8 Disponível em: www.youtube.com/watch?t=37&v=4ntv9op7oqY

18
Ciências Naturais DIREITO À ÁGUA
aula d0 5ª ano

Disciplina Ciências Naturais

A importância da água para os seres vivos;


Breve contextualização Conteúdo
A importância da qualidade da água para a
programático
para o professor atividade humana

duração 135 minutos (90 min. + 45 min.)


“A água é vital para a vida e para o desenvolvimento, mas as fontes de água no planeta são
limitadas. Em todos os cenários, lidar com água demanda colaboração: é apenas por meio da
cooperação pela água que poderemos, no futuro, obter sucesso ao gerir as nossas fontes finitas
e frágeis de água, que estão sob crescente pressão exercida pelas atividades de uma população Objetivo
mundial em crescimento que já ultrapassa sete biliões de pessoas. A pressão sobre os recursos • Sensibilizar para a preservação e poupança da
hídricos está a aumentar com seu uso pela agricultura e pela indústria, com a poluição e a urba- água no planeta através da aprendizagem das
nização e com as mudanças ambientais e climáticas. A cooperação pela água assume muitas formas, Ciências Naturais
desde a cooperação através de fronteiras para a gestão de aquíferos subterrâneos e bacias
Recursos
fluviais compartilhadas, ao intercâmbio de dados científicos, à cooperação numa vila rural para
a construção de um poço ou para o fornecimento de água potável por meio de redes urbanas. • Computador com acesso à internet, projetor
Uma coisa é certa – a humanidade não pode prosperar sem a cooperação na gestão da água.  e colunas de som;
• Imagens
O desenvolvimento da cooperação pela água envolve uma abordagem que reúne fatores culturais,
educacionais e científicos e deve cobrir diversas dimensões: religiosa, ética, social, política, • Vídeos (online);
legal, institucional e económica. É um veículo para o intercâmbio, para a construção da paz e a • Calculadora da Pegada Hídrica (online);
fundação para um desenvolvimento sustentável.” (UNESCO1 , 2012) • Gráfico (online).

1 Disponívelem: http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/unesco_launch_of_the_in-
ternational_year_of_water_cooperation_2013_in_brazil#.Vfk03X9VhHw

19
Ciências Naturais DIREITO À ÁGUA
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ 2 A água, um recurso natural renovável mas 3 A aldeia Triângulo e o rio Paraíso: jogo de papéis
• Apresentar algumas imagens (corpo humano,
esgotável 15’ 40’

torneira a pingar, arroz,...) e lançar as perguntas • Comprovar essa constatação visionando um


• Indicar aos alunos que as atividades que vão
abaixo apresentadas2, pedindo aos alunos para vídeo intitulado “A água também se esgota” (7’)*
fazer se relacionam com os acontecimentos
adivinharem as respostas como se de um con-
ocorridos na aldeia Triângulo. Perguntar se já
curso se tratasse.
ouviram falar dela e afirmar que, a partir desse
• Refletir, em conjunto, sobre as duas mensagens
- Qual a percentagem de água existente no corpo momento, ela será a aldeia deles.
mais importantes do documentário: o alerta lan-
humano? (90%)
çado e a constatação de que ainda vamos a tempo. • Informar que a localidade em questão está a
- Quantos dias se pode sobreviver sem beber enfrentar graves problemas, como se pode ler
Lançar algumas questões orientadoras para a
água? (Apenas 4 dias.) na seguinte notícia publicada no boletim mensal
reflexão:
da junta de freguesia:
- Quantos litros de água são gastos por dia e por
- Que alerta foi esse? (A escassez de água está
pessoa? (Cerca de 100 litros.)
a aumentar na Europa.)
- Quantos litros são gastos por dia, quando uma
- Quem é o agente mais poluidor? (O ser humano.)
torneira é deixada a pingar? (190 litros.)
- É dito que ainda vamos a tempo de impedir
- Quantos litros de água são precisos para pro-
essa catástrofe. O que há a fazer? (Procurar
duzir 1 kg arroz (4500 litros.)
soluções urgentemente.)

2 Fonte:Adaptado de: *Disponível


em:
http://www.cm-pombal.pt/seu_municipio/ambiente/agua.php http://www.youtube.com/watch?v=jn97a0YxMkA

20
Ciências Naturais DIREITO À ÁGUA

ALDEIA TRIÂNGULO EM PERIGO • Lembrar que os rios são de água doce, a qual com argumentos a apresentar na Assembleia da
representa 3% da água existente no mundo. Câmara Municipal, cabendo ao porta-voz deba-
Os restantes 97% são de água salgada que não ter a problemática com os outros representantes
se pode beber diretamente. Ao poluírem-se os socioeconómicos locais e da autarquia.
rios, passa a haver cada vez menos água doce
• Como base de apoio, pode ser utilizada a ficha
disponível, em boas condições.
de atividades para o jogo de papéis constante
A aldeia Triângulo tem 500 habitantes que vivem
• Informar que a Junta de Freguesia da aldeia na planificação de aula “Direito à terra” (ver ma-
sobretudo da agricultura e da pesca. Ultimamente
não possui grandes recursos para acudir ao teriais nas páginas seguintes), adequando-o ao
têm surgido graves problemas de saúde que os
desastre ecológico que se avizinha e solicita à contexto situacional.
técnicos identificaram sendo originados pelas
Câmara Municipal a que pertence uma reunião
águas, cada vez mais poluídas, do rio Paraíso • Depois de todos os grupos terminarem a pre-
urgente, estando presentes as forças sociais lo-
que atravessa a povoação. A água potável, para paração da reunião, o professor, na qualidade de
cais. É preciso prepará-la.
consumo doméstico e para dar de beber aos moderador, dará início ao debate na Assembleia
animais está fortemente contaminada, situação • Explicar o trabalho a realizar: a turma será di- com base na seguinte questão: Mediante os dife-
agravada pela seca do ano passado que fez vidida em cinco grupos e cada um tem um papel rentes interesses e preocupações das pessoas
com que o caudal do rio diminuísse considera- a desempenhar como participante na reunião da aldeia, como podemos resolver o problema
velmente. Os agricultores temem que as águas com a autarquia, assinalado nos perfis constan- da poluição do rio e da escassez de água? Os
contaminem as plantações e os pescadores não tes nos cartões (ver materiais nas páginas vários grupos deverão negociar as propostas de
se atrevem a vender o peixe. Há gente que, em seguintes). forma a chegarem a um acordo, suportado pela
desespero, come produtos da terra e pesca às opinião da maioria.
• Dividir os alunos em cinco grupos, que repre-
escondidas… Triângulo é uma aldeia pobre e
sentarão um papel específico dentro desta reali- • A criação coletiva desse pacto, a que se pode chamar
sem esperança, se as entidades municipais lhe
dade. Inicialmente, o porta-voz lê ao seu grupo o “Carta da Água”, será registado por escrito e assinado
não acudirem.
que está registado no cartão. Todos contribuirão por todos os habitantes da aldeia, em ambiente de festa.

21
Ciências Naturais DIREITO À ÁGUA

• Confirmar essa realidade, acedendo ao cál- • Mostrar o gráfico “Cada país, sua pegada”4
culo da chamada Pegada Hídrica3 de uma pessoa.
que apresenta as médias das pegadas hídricas
Embora esteja em inglês, basta escolher o país,
Sugestões: O professor pode levar em diferentes países do mundo, procurando
sexo, tipo de alimentação e renda anual indi-
adereços, imagens e objetos que refletir por que o consumo de água por pessoa
vidual (pode ser um valor aproximado ou fictício).
transformem a sala de aula na al- varia tanto conforme o país.
deia Triângulo. Se achar pertinente • Fazer o cálculo da pegada hídrica de dois (ou
e houver condições, poderá en- mais) alunos que tenham nacionalidades diferen- 5 Um projeto pela água! 35’
caminhar a turma para fora da sala tes. Caso não exista essa possibilidade, simular
de aula, para um espaço ao ar livre. a situação de uma pessoa indiana e vegetariana.
• Ter como base de trabalho, faturas de água
dos últimos dois meses, que foram solicitadas
Registar o valor das pegadas, no quadro.
aos alunos, na aula anterior. Dividir os alunos
• Calcular a diferença entre os alunos, com base em grupos e identificar o valor total de custo
4 A Pegada Hídrica 30’ na informação de que a média mundial da pegada mensal por grupo. Cada grupo deve desenhar
hídrica por pessoa é de 1.243 m3. um projeto de ação para dois meses, incluindo
• Problematizar a importância da água e
atividades para a poupança de água. (Fechar a
soluções, com base nas questões: • Verificar quais nacionalidades e/ou que tipos
torneira sempre que se lavam os dentes, usar a
de alimentação tiveram as menores ou maiores
- Para que é que a água é utilizada? (Beber, co- água do banho para o autoclismo, instalar redu-
pegadas.
zinhar, lavar - como consumidor/gerar bens e tores de caudal nas torneiras,...) Pode-se utilizar o
serviços - como comercializador.) seguinte modelo para desenhar o projeto de ação:

- Será possível saber-se o volume de água po-


tável usado por um indivíduo, sociedade civil, 3 4
Disponível em Disponível em
empresa ou país? Qual a utilidade? (Fazer uma http://waterfootprint.org/en/resources/interactive-tools/per- http://pelanatureza.pt/agua/ecoinfo/water-footprint-pegada-
melhor gestão dos recursos hídricos.) sonal-water-footprint-calculator/ de-agua

22
Ciências Naturais DIREITO À ÁGUA

Tema do projeto:
• Durante os dois meses de implementação, o 6 Síntese da Unidade Didática 5’
Nome dos elementos do grupo: professor deve acompanhar a evolução dos pro-
Finalizar a Unidade Didática, sintetizando as
jetos dos vários grupos. Ao fim desse tempo,
ideias fundamentais decorrentes da sua análise,
os alunos voltam a solicitar o valor da fatura
Ações para a poupança de água da água aos encarregados de educação e com-
em particular que a água é um recurso vital para
a vida e para o desenvolvimento. Devido à má
param com o valor da fatura inicial.
gestão humana, tem vindo a escassear, com
Local Frequência
(casa de todos, casa da Maria, (diariamente, mensalmente, …) • Cada grupo deve elaborar uma apresentação graves repercussões na sobrevivência de todos
casa do João...) com as atividades desenvolvidas e os resultados os seres vivos. É necessário garantir a quali-
do projeto. Apresentar possíveis imprevistos dade, o acesso e o uso responsável da água,
que poderão ter levado a um aumento do valor sensibilizando as pessoas, empresas, organiza-
da fatura (entrada de novo membro na família, ções internacionais e governos a fazerem uma
problemas de canalização,...). boa gestão deste recurso vital.

Ressalvar que a poupança de água é fundamental


para a preservação desse recurso essencial a
todos os seres vivos.

23
Ciências Naturais DIREITO À ÁGUA
Cartões para o jogo de papéis

Grupo A – Associação de Moradores Grupo B - Pescadores Grupo C – Associação Ambientalista


Estes profissionais vivem da pesca do rio Paraí- A Associação Ambientalista está preocupada
so. Várias gerações têm sobrevivido graças à com a situação da aldeia Triângulo, dado que
apanha e venda do peixe. Os pescadores aper- os níveis de poluição do afluente são elevados,
A Associação de Moradores da aldeia Triângulo ceberam-se de que o rio está cada vez mais apresentando-se num estado lamentável, com
está preocupada: apercebeu-se de que os ha- poluído e que essa poluição mata e contamina a água baça, cheiros nauseabundos e nuvens
bitantes não têm a mínima noção dos riscos de os peixes, impedindo o seu ciclo de reprodução de mosquitos, problema agravado pela seca do
saúde que correm nem da importância do seu e causando graves problemas de saúde aos último ano que provocou alguma escassez de
papel na prevenção da poluição. consumidores. Uma das principais razões de- água. Tudo isto está a colocar em risco a biodi-
riva do plástico, material não solúvel em água versidade do ecossistema, a saúde humana e a
É costume, aos fins de semana, quando está bom
que demora muitos anos a degradar-se e que economia local, uma vez que a pesca é o meio
tempo, fazerem-se piqueniques à beira-rio. Os
é deixado à beira do rio e espalhado pelas ruas de subsistência para muitas famílias. As autori-
habitantes, apesar dos avisos, são descuidados
da aldeia. Outra razão são as fábricas e indús- dades locais não possuem verbas nem recursos
e deixam embalagens e sacos de plástico nas
trias que fazem descargas ilegais de resíduos humanos para vigiarem as descargas ilegais,
margens. Também não cumprem as diretivas
tóxicos. Os pescadores e as suas famílias es- nem os resíduos que a população abandona nas
quanto ao lixo doméstico pois, ao longo do ano
tão com dificuldades económicas, pois têm me- ruas e nas margens do rio.
e sobretudo no inverno, não o depositam nos
nos peixe para vender e os habitantes que se
contentores e deitam-no, frequentemente, para A Associação pensa em medidas para preservar
dedicavam à pesca para sobrevivência viram-se
o chão das ruas, sendo este lixo arrastado para a biodiversidade local e a qualidade de vida.
obrigados a suspender a sua atividade, por ser
o rio através da ação da chuva, aumentando a
perigoso para as suas famílias.
poluição das águas.
Os pescadores refletem sobre como podem ser
A Associação reflete sobre o que fazer para aju-
ajudados.
dar a resolver este problema.

24
Ciências Naturais DIREITO À ÁGUA

Grupo D – Fábrica Quadrilátero Cartões para Grupo E – Câmara Municipal


o jogo de papéis
A Fábrica Quadrilátero produz pastilha elástica
e está há muitos anos instalada na aldeia Triân-
Os responsáveis da Câmara Municipal não têm
gulo. Se bem que de pequena dimensão, é uma
tomado medidas quanto à situação do rio Paraí-
indústria importante na região, pois dá emprego
so, pois têm estado muito ocupados com outras
a pessoas da aldeia. No entanto, nos últimos
prioridades do concelho, como a construção de
anos, tem-se deparado com dificuldades finan-
uma nova escola, da sede do clube desportivo e
ceiras e, para poupar, não envia os seus resíduos
de uma estátua na praça principal.
à empresa de tratamento de águas residuais,
como a lei determina. A Fábrica está a lançar Face à pressão das instituições da aldeia Triângulo,
diretamente os seus resíduos no rio, poluindo a o presidente da autarquia sentiu-se obrigado a
água. A maioria das receitas advém das vendas receber os representantes locais tendo em vista
realizadas na aldeia e em duas pequenas po- a análise do problema, mas, primeiramente,
voações ribeirinhas próximas, também com as reúne com os seus vereadores para pensarem
mesmas dificuldades no que respeita à poluição em medidas a apresentar e, assim, resolverem
do rio Paraíso e à escassez de água. E o con- o problema da poluição e da escassez de água.
sumo de pastilha elástica, sendo um bem não Uma das possibilidades é o aumento do preço
essencial, diminuiu consideravelmente. da água, pois acham que, com essa medida, os
habitantes vão poupar mais.
Os donos da fábrica pensam em medidas para
resolver este impasse e ultrapassar a crise Os autarcas têm de pensar com que instituições
económica com que se deparam. vão contar para resolver este problema.

25
REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL
Ciências Naturais E PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNA

aula d0 6ª ano

Disciplina Ciências Naturais

Conteúdo Transmissão da vida: reprodução do ser


programático humano e crescimento

duração 90 minutos 45 min. + 45 min.)

Objetivo
Breve contextualização • Sensibilizar para a importância do acesso a uma
para o professor vida saudável e de qualidade, nomeadamente para a
redução da mortalidade infantil e promoção da saúde
materna
“O mundo tem feito, desde 1990, grandes progressos na melhoria da sobrevivência infantil, re-
duzindo a taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos para quase metade: de 90 para Recursos
46 mortes por 1000 nascimentos, em 2013. Atualmente, a taxa de mortalidade global de menores • Computador com acesso à Internet, projetor e colunas
de cinco anos está a diminuir mais rápido do que em qualquer outro momento das últimas duas de som;
décadas. [...] Muitas dessas mortes poderiam ser facilmente evitáveis com intervenções simples • Vídeo (online);
e de baixo custo, antes, durante e imediatamente após o nascimento. No entanto, a investigação
• Recurso Gapminder (online);
da UNICEF revela um elevado grau de variabilidade na utilização e na qualidade dos serviços
prestados às gestantes e aos seus bebés. Além disso, ainda há falta de cuidados com qualidade • Imagens.
aos recém-nascidos e às mães em contacto com o sistema de saúde.” (Wardlaw et al.1 , 2014, p. 1)

1
Disponível em:
http://data.unicef.org/corecode/uploads/document6/uploaded_pdfs/corecode/Enormous-progress-in-child-survival_220.pdf

26
REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL
Ciências Naturais E PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNA

Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 5’ • Visionar o vídeo “2 Girls 2 Lifes” 2 (2’36’’) 3 A problemática da mortalidade infantil: o que
• Afixar, no quadro, imagens: uma escola, um
e lançar algumas questões para reflexão: mudou em 200 anos 15’
hospital e crianças entre os 0 e 5 anos. - Quais foram os sentimentos que este vídeo • Perguntar aos alunos se desejariam saber
despertou? como este problema tem vindo a ser tratado
• Questionar e debater, brevemente, a relação
mundialmente.
possível/provável entre as três imagens, levando - O que aconteceu de diferente na vida destas
à dedução que, se o futuro de um país está nas duas raparigas? • Demonstrar a evolução das taxas de mortali-
crianças, é necessário cuidar e saber cuidar delas. dade infantil (dos 0 aos 5 anos de idade) nos
- Quais as causas dessa diferenciação?
diferentes países do mundo, ao longo dos últi-
• Legendar as imagens com a afixação das
- Quais foram as consequências deste facto na mos 200 anos, com base no recurso Gapminder3.
palavras EDUCAÇÃO SAÚDE CRIANÇAS, vida das duas raparigas – para a que frequentou
unidas pelo símbolo da interdependência. • Constatar que, até por volta de 1860, não havia
a escola e para a outra que não teve oportuni-
grandes diferenças entre os países do mundo
EDUCAÇÃO dade de o fazer?
quanto aos números, mas que, a partir de 1940,
SAÚDE
CRIANÇAS - O que pode ter acontecido ao bebé para ter as disparidades começam a ficar mais eviden-
causado a sua perda? Como poderia ter sido tes. Salientar que a diminuição da taxa de mor-
evitada essa tragédia? talidade se relaciona com a melhoria da situação
2 Duas raparigas, duas vidas distintas 10’
• Concluir que a mortalidade infantil constitui
económica (income per person).

• Lançar a questão: Será possível que duas cri- um grave problema mundial. • Ressaltar a crescente diminuição desta taxa
anças nascidas no mesmo dia, no mesmo local, ao longo dos anos, dando destaque ao grande
vivendo no mesmo bairro pobre, possam ter aumento que se observa a partir de 1980, devi-
destinos diferentes? Perguntar se gostariam de dos aos crescentes esforços para combater a
2
conhecer as histórias de vida da Mary e da Susan. Disponível em: vimeo.com/61018495 mortalidade infantil.

27
REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL
Ciências Naturais E PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNA

• Questionar cada aluno sobre as razões do seu - As mulheres com mais escolaridade são mais
• Identificar os países que, atualmente, ainda
posicionamento relativamente às seguintes frases: propensas a fazer planeamento familiar e a
apresentam taxas elevadas de mortalidade
procurar cuidados médicos.*
infantil (colocando o cursor por cima das - As raparigas que permanecem na escola por
esferas do gráfico). mais tempo garantem menor qualidade de vida [Concordo]
para si e para os filhos que virão a ter.
- Os cuidados de saúde no momento do nasci-
[Discordo: As raparigas (…) garantem maior mento devem ser assegurados, principalmente
4 As principais causas dos problemas 15’ qualidade de vida (…)]* alguns dias após o parto, para diminuir a mor-
talidade infantil.
• Convidar os alunos a fazerem um jogo, expli- - Uma criança, cuja mãe foi escolarizada, tem
cando que o professor lhes vai apresentar seis 50% mais oportunidades de sobreviver depois [Discordo: (…) principalmente durante e logo
afirmações e eles têm de dizer se concordam dos 5 anos de idade.* após o parto, (…)]**
ou discordam delas. Afixar, em duas paredes
[Concordo] • Fazer notar que a maior parte das afirmações
opostas, cartões com as palavras “CONCORDO”
coincidem com os factos presentes no vídeo da
e “DISCORDO”. Explicar aos alunos que se devem - Na Indonésia, a taxa de vacinação infantil é de
Mary e da Susan.
dirigir a um ou a outro local, consoante concor- 19%, em relação às mães sem escolaridade, au-
darem ou não com as afirmações. Se alguém mentando para 68% se as mães têm, pelo me-
não tiver certeza da resposta, pode ficar a meio nos, frequência do ensino secundário.*
do caminho. É possível mudar de opinião, de-
[Concordo]
pois de ouvirem os argumentos dos colegas. A
deslocação deve fazer-se de forma tranquila e - Apenas a educação tem influência na redução
em silêncio. da mortalidade infantil. Tudo o resto não é assim * UNESCO (2010), disponível em: http://www.unesco.org/
tão importante fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Brasilia/pdf/MDG_EFA_
3
Disponível em: www.gapminder.org (Clicar sobre “GAP- new_figures_pt_21-09-2010.pdf
MINDER WORLD”, no menu superior do site, e, novamente, [Discordo: Outros fatores como educação,
** Wardlaw et al. (2014), disponível em: http://data.unicef.
clicar sobre o eixo y do gráfico, “Life expectancy”, e selecio- alimentação saudável e acesso à saúde têm org/corecode/uploads/document6/uploaded_pdfs/core-
nar a 4ª opção “Child mortality”.) influência na redução da mortalidade infantil.] code/Enormous-progress-in-child-survival_220.pdf

28
REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL
Ciências Naturais E PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNA

5 Elaborar um plano de ação 35’ • Identificar os países em questão, atualizando a 6 Síntese da Unidade Didática 10’
sua denominação para a língua portuguesa.
• Propor aos alunos que imaginem trabalhar • Questionar os alunos de modo a sistematizar
na UNICEF e que lhes foi concedida a respon- • Dividir a turma em grupos e sortear a cada as ideias trabalhadas nas temáticas abordadas
sabilidade de elaborarem um Plano de Ação grupo um dos países da lista. Pedir que preencham e registá-las recorrendo ao preenchimento do
para reduzir a mortalidade infantil e melhorar a a ficha de trabalho que se encontra na página seguinte esquema, organizado no quadro (as
saúde materna em determinado país. seguinte, tendo especial cuidado na formaliza- sugestões, pela positiva, são meramente ilus-
ção de um Plano de Ação viável. Ele constituirá trativas. Decerto os alunos sugerirão outras
• Projetar o seguinte documento da UNICEF,
o contributo da turma às entidades governativas formulações):
que nomeia os dez países onde há as maiores
locais, ou entidades significativas suscetíveis de
taxas de mortalidadede de crianças menores
viabilizar as propostas (associações, paróquias,
de cinco anos. ALIMENTAÇÃO CUIDADOS DE SAÚDE
mecenas), melhorando a qualidade de vida dos
ADEQUADA MATERNA E INFANTIL
cidadãos.

• Solicitar a cada grupo que apresente à turma


o seu Plano de Ação. Eventualmente, poderão SAÚDE
complementar esta atividade com detalhes
curiosos, objetos, adereços típicos de cada país,….
• Promover uma discussão em grupos sobre as EDUCAÇÃO
diferentes soluções apresentadas.

Gráfico: Os dez países com as maiores taxas de mortali- 4


Disponível em: data.unicef.org/corecode/uploads/document6/ INVESTIMENTO DOS GOVERNOS, FREQUÊNCIA
dade infantil no mundo (UNICEF, 2014, p. 18) 4 uploaded_pdfs/corecode/APR-2014-17Oct14-web_194.pdf INSTITUIÇÕES E ORGANIZAÇÕES ESCOLAR

29
REDUÇÃO DA MORTALIDADE INFANTIL
Ciências Naturais E PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNA

FICHA DE ATIVIDADES: “PLANO DE AÇÃO PARA O COMBATE


À MORTALIDADE INFANTIL E PROMOÇÃO DA SAÚDE MATERNA”

Componentes do grupo:

1 - Localizem, no mapa, o país para o qual o vosso grupo irá elaborar um Plano de Ação.
2 - Indiquem, no local adequado, as ações que acreditam ser as mais necessárias relativa-
mente à saúde e educação.

Figura: As crianças da África Subsaariana do Sudoeste


Plano de ação para (Nome do país). da Ásia enfrentam um maior risco de morrer antes de
completarem 5 anos de idade (UNICEF Report, 2014, p.11)5

ÁREA AÇÕES

Saúde

Educação

Potenciais 5
Disponível em: http://data.unicef.org/corecode/uploads/document6/uploaded_pdfs/corecode/
recursos unicef-2013-child-mortality-report-LR-10_31_14_195.pdf

30
Ciências Naturais Saúde PARA TODOS
aula d0 6ª ano

Disciplina Ciências Naturais

Microrganismos: o seu papel para o ser


Conteúdo
humano; as agressões causadas por
programático
alguns agentes patogénicos

duração 135 minutos (90 min. + 45 min.)

Breve contextualização
para o professor

“A promoção e proteção da saúde são essenciais para o bem-estar do Homem e para o desenvolvi- Objetivo
mento económico e social sustentável. Isto foi reconhecido há mais de 30 anos pelos signatários da • Sensibilizar para a importância do acesso mundial à
Declaração de Alma-Ata, que assinalaram que a Saúde para Todos contribuiria tanto para melhor saúde, conhecendo os microrganismos e a sua influência
qualidade de vida como também para a paz e segurança globais. (…) A necessidade de cobertura no bem-estar das pessoas
universal de saúde e duma estratégia para financiá-la nunca foram tão grandes como neste mo-
Recursos
mento em que o mundo se debate com o abrandamento económico, a globalização das doenças
e das economias e com exigências crescentes para cuidados crónicos. (…) Em muitos contextos, • Computador com acesso à Internet, projetor e colunas
de som;
(…) quando as pessoas usam os serviços têm frequentemente que arcar com elevados custos, por
vezes catastróficos, para pagar os cuidados. (…) Todos os países dispõem internamente de margem • Recurso Gapminder (online);
para angariar mais dinheiro para a saúde, desde que os governos e a população se comprometam • Vídeos (online);
a isso. Há, em termos gerais, (diferentes) modos de o fazer, (...) (um deles) é aumentar a ajuda ao
• Materiais de divulgação e escrita.
desenvolvimento e conseguir que esta funcione melhor para a saúde.” (Organização Mundial da
Saúde 1, 2010, p. xi-xii, xiv-xv)

1 Disponível em: www.who.int/whr/2010/whr10_pt.pdf

31
Ciências Naturais Saúde PARA TODOS
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 5’ 3 A relação entre saúde e pobreza: os dados • Verificar, com os alunos, que apesar da

• Lançar as questões, suscitando o interesse


dos últimos 200 anos até à atualidade 35’ evolução crescente neste últimos 200 anos,
ainda hoje há uma grande diferença na
sobre o tema, sem avançar argumentos: Complementar com os dados presentes no re-
expectativa de vida entre os países mais e
curso Gapminder 2 , demonstrando, através da
Será possível que a esperança de vida das pes- menos desenvolvidos, através da visualização
timeline, a evolução da humanidade no que se
soas seja diferente em diversos locais do mun- do vídeo “200 Países, 200 anos, 4 minutos”
refere à relação entre a expectativa de vida (life
do? Conhecem casos? (4’50’’) 3
expectancy) e os recursos económicos (income
per person) em diferentes países, ao longo de • Refletir sobre os factos observados.
200 anos.
2 Saúde e expectativa de vida 10’ • Propor à turma fazer uma encenação, tendo
“Em 1810, a esperança média de vida era abaixo dos 40 em vista a relação entre a doença e a capacidade
• Propor uma chuva de ideias com base no con-
anos em quase todos os países do mundo” (Gapminder). económica para lhe fazer frente, em diferentes
ceito: “expectativa de vida”. Dinamizar a atividade
pontos do globo. Selecionar três alunos, dois
inserindo questões do tipo:
dos quais são chamados a representar o papel
- Em média, até quantos anos as pessoas viviam de “doente” e o outro a personificação das pos-
há 200 anos? sibilidades de “cura”. Os alunos colocam-se em
pontos distantes da sala, frente a frente, e am-
- Na atualidade, qual será a expectativa de vida?
bos se dirigem um em direção ao outro. Um ter-
- Considerando que nem todos os países do mundo ceiro elemento, simbolizando a oposição à cura,
têm a mesma esperança de vida, quais podem ser coloca-se no meio e, por gestos, pede dinheiro
as razões? ao “doente” e não deixa a “cura” aproximar-se.

• Registar, no quadro, os itens que se relacionem 2 Disponível em: www.gapminder.org (Clicar sobre “GAP- 3 Disponível em: www.gapminder.org/videos/200-years-
com o conteúdo programático em curso. MINDER WORLD”, no menu superior do site.) that-changed-the-world-bbc/

32
Ciências Naturais Saúde PARA TODOS

Durante esta simulação, se necessário, dinami- 4 As doenças nos países em desenvolvimento 15’
zar a cena com questões do tipo:
• Lançar a questão: Será que haverá doenças
- O que impede o “doente” e a “cura” de se que são apenas frequentes nos países em de-
aproximarem? senvolvimento? Debater, brevemente, as razões
apresentadas.
- Qual é a importância do dinheiro no acesso à
saúde? Haverá outros fatores? Propor o visionamento do vídeo TED Ed “A
história da Cólera” (4’) 4 para conhecer
- Em que locais do mundo há menos possibili-
outros fundamentos.
dades de aceder à saúde?
• Debater as ideias contidas no vídeo, problema-
Durante o debate, é de referir que alguns povos,
tizando-as com recurso a questões do tipo:
nomeadamente tribos indígenas, não depen-
dem do dinheiro para ter acesso à saúde, pois - O que sentiram ao ver a narração destes factos?
aproveitam os recursos naturais ao seu dispor.
- Que outras doenças conhecem que causam
epidemias semelhantes à cólera?

- Em que países ocorrem, geralmente, estas


5 Os microrganismos 10’

epidemias? Porquê? • Clarificar o conceito de microrganismos,


através dos exemplos e conceções apresenta-
das, diferenciando os diversos tipos (vírus, bac-
térias, protozoários e fungos microscópicos) e
introduzindo a explicação sobre cada um, com
4
Disponível em: ed.ted.com/featured/l2cLflvw apoio ao Manual Escolar e/ou a outros textos.

33
Ciências Naturais Saúde PARA TODOS

Explicar, com apoio ao Manual Escolar ou a


6 A relação entre os microrganismos e o ser outros textos complementares, como o corpo
Muitas vezes, só no terreno é que é possível
humano 15’ humano reage à sua presença, de que forma
compreender estas diferenças. Complementar
atuam os medicamentos e quais as razões por com o seguinte comentário de um voluntário da
• Registar, no quadro, a questão: Todos os micror-
que alguns deles deixaram de ser tão eficazes. AIDGLOBAL, em Moçambique (Aníbal Querido,
ganismos provocam doenças?
antigo Vice-Presidente):
• Incentivar os alunos a encontrarem resposta a
“A algumas pessoas não lhes passa pela cabeça que um
essa questão no vídeo TED Ed “Tu és os teus
doente não vai ao hospital buscar os medicamentos
micróbios” (3’45’’/legendado)5
(que em alguns casos até são de graça) porque não tem
• Levar os alunos a desconstruírem a imagem 14 meticais (cerca de 0,33€) para ir e voltar de chapa
negativa que geralmente é veiculada sobre (transporte público local).”
os microrganismos unicamente como transmis-
sores de doenças e infeções, com argu-
mentos decorrentes da visualização deste recurso 7 Voluntários em ação para a saúde 40’
pedagógico.
• Propor aos alunos que imaginem ser voluntários
• Constatar que há microrganismos que causam
numa organização sem fins lucrativos que intervém
infeções e doenças, embora sejam menos frequentes
na área da saúde em vários países do mundo. Lan-
do que os microrganismos que beneficiam a saúde.
çar o desafio de criar folhetos informativos para
ajudar a combater a epidemia de algumas doenças.

• Chamar a atenção para o facto de que as


5
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1X8p0
realidades de alguns países do continente
vhsWREwatch?v=1X8p0vhsWRE africano diferem das do continente europeu.

34
Ciências Naturais Saúde PARA TODOS

Dividir a equipa de voluntários em nove grupos • Dar indicações sobre os elementos a integrar
e solicitar a cada grupo que fique responsável no folheto informativo, designadamente:
por promover uma campanha de combate a uma
- Nome da doença;
das seguintes doenças epidémicas:
- Nome do microrganismo que a provoca;

- Tipo de microrganismo (bactéria, fungo, proto-


zoário ou vírus);
Cólera
- Formas de contágio;
Ébola
- Como prevenir;
Febre Tifóde
- Cuidados médicos a ter;
HIV 8 Síntese da Unidade Didática 5’
- Mapa ilustrativo sobre a prevalência da doença.
Malária Finalizar a unidade didática destacando a im-
• Apresentação do folheto de cada grupo. Caso portância do envolvimento da sociedade para
Poliomielite não haja tempo, sugerir exporem-se os folhetos garantir o acesso de todos à saúde, aumentando
Rubéola na sala ou noutro espaço da escola. a esperança de vida. Assinalar o papel funda-
mental dos governos, das comunidades, das
Tinha Se se recorrer às TIC, os panfletos podem ser
farmacêuticas, das associações, dos volun-
criados em Power Point ou em Prezi 6.
Tuberculose tários, entre outros, uma vez que se começou
o tratamento deste tema com a questão: Será
possível que a esperança de vida das pessoas
6
Disponível em: prezi.com seja diferente em diversos locais do mundo?

35
história e geografia de portugal PAZ E CONFLITOS ARMADOS
aula d0 5º ano

Disciplina História e Geografia de Portugal

Conteúdo O processo de ocupação e as relações


programático entre Muçulmanos e Cristãos na Península
Ibérica; a herança muçulmana
duração
135 minutos (90 min. + 45 min.)

Breve contextualização
para o professor
Objetivo

“Na sequência da proclamação pela ONU, em Novembro de 1997, do ano 2000 como Ano • Sensibilizar para a importância da paz no desen-
Internacional da Cultura da Paz; na sequência também do apelo feito pelo então Diretor Geral da volvimento a partir da análise de conflitos armados
UNESCO a todos os Estados-membros para que promovessem ações destinadas a uma maior do passado e do presente
consciencialização das raízes culturais que estão na base dos conflitos armados, a Comissão Recursos
Nacional da UNESCO estabeleceu contactos com várias entidades (…) tendo em vista a realização
de um programa a que se apontaram três objetivos prioritários: pensar a paz, educar para a • Computador com acesso à Internet e projetor;
paz e sensibilizar para a paz. (…) Pensar a paz, todavia, é também uma condição para que a • Imagens;
sociedade aceite como responsabilidade sua, e não apenas como responsabilidade delegada às
• Mapa-mundo em dimensão grande;
instituições políticas e militares, a prevenção dos conflitos e a procura de instrumentos jurídicos
e plataformas de relacionamento socioeconómico que inibam o recurso à violência organizada, • Marcadores (verde e vermelho);
infelizmente o mais comum de todos os recursos sempre que há diferendos, não obstante os • Cartões com elementos da cultura árabe;
elevados custos que acarreta em vidas humanas e bens essenciais.” (Presidente da Comissão
Nacional da UNESCO1 – Aurélio, 2000, p. 17-18) • Post-its.

1
Disponível em: http://www.idn.gov.pt/publicacoes/nacaodefesa/textointegral/NeD95-96.pdf

36
história e geografia de portugal PAZ E CONFLITOS ARMADOS
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’


Wangari Maathai* e Malala Yousafzai*. Fazer notar DECLARAÇÕES DE MAHATMA GANDHI
que são todos de diferentes nacionalidades e re-
• Mostrar/projetar imagens2 que constituem ligiões e que alguns foram maltratados nessa luta. AFIXADAS
símbolos da paz (pomba, bandeira branca,…).
(*Prémio Nobel da Paz)
Perguntar à turma se elas lhes são familiares e “Não existe um caminho para a PAZ.
o seu significado. Dialogar, brevemente, sobre • Mostrar a fotografia de Mahatma Gandhi e A PAZ é o caminho”.
os aspetos com elas relacionados. dizer que, nas paredes da sala, existem afixadas
algumas afirmações deste pacifista. Os alunos
• Escrever a palavra PAZ no quadro e mantê-la
devem levantar-se, caminhar pela sala e lê-las.
“Acredito que nada duradouro pode ser constituído
ao longo das atividades.
Em seguida, escolhem e anotam a declaração a partir da violência”.
que mais os tenha impressionado. Ao regres-
sarem às suas mesas, devem completar a frase: “A primeira condição da não-violência é a justiça
2 A paz é o caminho 20’ “Para mim, a paz é…”. integral em todos os departamentos da vida”.
• Conversar com a turma sobre se a paz é uma
constante entre os Homens e em todos os tem-
“A força gerada pela não-violência é infinitamente
pos e encontrar algumas razões.
maior do que a força de todas as armas inventa-
• Perguntar se conhecem personalidades que
se bateram ou se batem pela paz ou que sejam
das pelo Homem”.
exemplos mundiais de pacificação. Distinguir os
que lutaram ou lutam ativamente, os que ape- “A humanidade não pode libertar-se da violência
laram ou apelam à paz através das suas ações Mahatma Gandhi senão por meio da não-violência”.
e ainda os que deixaram exemplos para a hu-
2
manidade: Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Disponíveis em:
“Primeiro eles ignoram-te, depois riem de ti,
Madre Teresa de Calcutá*, Nelson Mandela*, http://www.fcnoticias.com.br/os-simbolos-da-paz-e-seus-
significados/ a seguir perseguem-te. Então, tu vences.”

37
história e geografia de portugal PAZ E CONFLITOS ARMADOS
CONFLITOS
ARMADOS
• Apresentar as escolhas dos alunos e as suas Conquista da Península Ibérica
justificações. Os que escolherem a mesma fra- • Profissão de militar
se podem acrescentar, apoiar ou contestar as “Os Muçulmanos começaram a conquistar novos
• Treino de luta territórios de forma a: expandir o Islamismo,
razões apresentadas pelos colegas, bem como
as dos outros. A turma entrará em debate. procurando converter outros povos à sua re-
MOTIVAÇÕES OBJETIVOS ligião, melhorar as suas condições de vida,
• Selecionar a declaração de Gandhi que teve • Impedir atrocidades • Defesa do território dado que a Arábia era um território bastante
maior adesão. pobre. Foram conquistados territórios na Ásia,
• Fuga de escravidão • Expansão do território
e maus tratos no Norte de África e, em 711, iniciou-se a con-
• Reconquista de território quista da Península Ibérica. Os Mouros (desi-
• Defesa da honra gnação para os Muçulmanos oriundos do Norte
• Expansão e defesa da fé
• Obedecer a ordens de África) entraram pelo estreito de Gibraltar e
• Interesses económicos venceram os Cristãos visigodos na batalha de
3 A conquista da Península Ibérica no século VIII 30’ • Necessidade (fome, água) (indústria bélica,…) Guadalete. Muito rapidamente (em cerca de dois
• Referir que estiveram a falar de “pessoas pa- anos) os Muçulmanos ocuparam praticamente
• Mostrar uma imagem do Manual Escolar sobre toda a Península Ibérica, com exceção das
cifistas” que dedicaram as suas vidas a lutar
as batalhas entre Cristãos e Muçulmanos pela Astúrias e parte dos Pirenéus, devido às suas
pela paz. Questionar se só as “pessoas confli-
posse da Península Ibérica e perguntar a qual condições adversas. Esta ocupação foi realizada
tuosas” desencadeiam ou desencadearam con-
flitos armados. ou quais das razões apontadas na atividade an- através do uso de armas mas, em muitos casos,
terior ela corresponderá, e se sabem identificar faziam-se acordos com os visigodos que lhes
• Encontrar razões para essas atitudes, através os protagonistas. permitiam viver em paz e confraternizar, desde
da construção de uma chuva de ideias à volta que se submetessem aos novos conquistadores”
da expressão CONFLITOS ARMADOS. Os alu- • Perguntar se gostariam de conhecer os pres- (O Bichinho do Saber3, 2011).
nos vão lançando palavras ou expressões em supostos dessas lutas e projetar os textos sobre
3
interligação com o conceito, registando-as, no a conquista da Península Ibérica, fazendo a sua Disponível em:
http://www.obichinhodosaber.com/2011/06/09/historia-e-geografia-de-
quadro, num esquema do tipo: leitura coletiva. portugal-5%C2%BA-ano-a-ocupacao-muculmana/#sthash.DY9BlCrH.dpuf

38
história e geografia de portugal PAZ E CONFLITOS ARMADOS

Reconquista da Península Ibérica • Assinalar os aspetos presentes nos textos que Todos os alunos poderão entrar no jogo, pedin-
coincidem com as razões apontadas no esque- do, democraticamente, a palavra.
“Foi a partir das Astúrias e junto dos Pirenéus ma elaborado na atividade anterior.
que se iniciou a Reconquista Cristã, ou seja, os
• Convidar a turma a colocar-se nos papéis dos
Cristãos começaram a lutar contra os Muçulma-
“invasores” e dos “invadidos” e dramatizar um
4 Do entre-guerras ao pós-guerra 20’
nos para voltar a conquistar as terras que
tinham perdido para eles. Com o passar do debate entre eles (uso da 1ª pessoa: eu/nós). Di- • Constatar que a estadia dos Muçulmanos durou
tempo, o reino das Astúrias deu lugar a outros vidir os alunos em dois grupos, imaginando uns oito séculos. Eles só foram definitivamente ex-
reinos Cristãos: reino de Leão, reino de Castela, que são Muçulmanos e outros que são Cristãos. pulsos em 1492. Perguntar o que se passaria
reino de Navarra, e reino de Aragão. Cada reino nos períodos em que não havia guerra entre
Representar a conquista Muçulmana, tendo em
tinha como objetivo conquistar terras a sul aos Cristãos e Muçulmanos. (Houve períodos de
conta que:
Muçulmanos de forma a expulsá-los da Penín- paz e confraternização. Cristãos e Muçulma-
- os Muçulmanos invasores precisam de con- nos foram-se habituando a aceitar costumes e
sula Ibérica. Foram precisos quase 800 anos
quistar novas terras para conseguirem me- tradições diferentes dos seus.)
para o conseguirem. Entretanto também houve
lhores condições de vida e difundirem a religião.
períodos de paz e confraternização. Cristãos • Refletir sobre quais os sentimentos e valores
e Muçulmanos foram-se habituando a aceitar Questão: Que sentimentos e valores vos le- humanos que tiveram de predominar nesses
costumes e tradições diferentes dos seus” variam a pegar em armas? momentos de paz. (Resignação, humildade, es-
(O Bichinho do Saber4, 2011). perança, tolerância, perdão, partilha…)
- os Cristãos invadidos necessitam de de-
fender o seu território e a sua crença religiosa. • Lançar a pergunta: “O que ficou da presença
Questão: O que sentiriam se tivessem sido in- árabe na Península Ibérica depois da Recon-
vadidos por outro povo? quista Cristã?”. Propor debater a questão em
4
• A partir deste exemplo, promover a troca de trabalho de grupo.
Disponível em:
papéis para a situação da Reconquista Cristã,
http://www.obichinhodosaber.com/2011/06/10/historia-e-
geografia-de-portugal-5%c2%ba-ano-cristaos-e-muculmanos- em que um grupo representa os Cristãos (“in- Dividir a turma em grupos de três alunos e en-
no-periodo-da-reconquista-crista/#sthash.VqJcAcAH.dpuf vasores”) e outro os Muçulmanos (“invadidos”). tregar a cada um dos grupos um cartão com uma

39
história e geografia de portugal PAZ E CONFLITOS ARMADOS

Influência Muçulmana nos povos peninsulares


palavra, um utensílio e uma técnica relativas à “Os povos que sofreram maior influência da pre-
5 Porque há conflitos armados no mundo? 10’
cultura material e imaterial árabe presentes no sença dos Muçulmanos na Península Ibérica  foram
nosso dia a dia. A partir desse cartão, cada gru- • Perguntar se, atualmente, ainda existem conflitos
os do sul, pois foi aí que permaneceram mais tempo. armados no mundo e se conhecem alguns casos.
po pesquisará as informações disponibilizadas As principais marcas Muçulmanas foram:
e preparará uma apresentação para o resto da • Mostrar/projetar o mapa-mundo6 com a identi-
turma. Essa apresentação pode ser feita a partir • construção de mesquitas e palácios decorados
ficação dos países onde há atualmente conflitos
de desenhos, textos, poemas, etc., recorrendo à com azulejos;
armados (2015).
criatividade e ao trabalho colaborativo. • casas com terraços e pátios interiores, nor-
malmente caiadas de branco; • Problematizar as razões e verificar se são as
mesmas de antigamente, distribuindo um post-it
• desenvolvimento de indústrias artesanais a cada aluno, pedindo que escreva uma causa e
como armas, carros, tapetes,…; o cole no quadro.
• desenvolvimento da agricultura com novos • Analisar conjuntamente as respostas e con-
processos de rega: a nora, a picota e o açude;
cluir as diferentes razões (a título de exemplo:
• introdução de novas plantas como a laranjeira, interesses por terra, petróleo e outros recursos
o limoeiro, a amendoeira, a figueira e a oliveira; naturais, conflitos políticos, fundamentalismos
• contacto com novos conhecimentos de me- religiosos, entre outras).
dicina, navegação, astronomia e matemática;
• enriquecimento do vocabulário com a intro-
dução de cerca de 600 palavras, uma parte
considerável delas começada por “al” (Algarve,
aldeia,…)” (O Bichinho do Saber5, 2011).
5
Disponível em: 6
http://www.obichinhodosaber.com/2011/06/10/histo- Disponível em:
ria-e-geografia-de-portugal-5%c2%ba-ano-a-heranca- https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_ongoing_armed_
muculmana/#sthash.uJ6J672w.dpu conflicts

40
história e geografia de portugal PAZ E CONFLITOS ARMADOS

6 Consequências dos conflitos armados 20’ - O que podemos fazer, enquanto cidadãos, para 8 Síntese da Unidade Didática 5’
contribuir para um mundo com menos conflitos
• Questionar se os conflitos armados trazem e mais desenvolvimento? • Finalizar a Unidade Didática tirando conclusões
consequências para os intervenientes e não tais como: os conflitos armados do passado e do
intervenientes e convidar os alunos a descobri- • Convidar os alunos a tomarem iniciativas, presente, que geraram e geram tantas perdas
rem algumas delas, num trabalho a pares. designadamente: e sacrifício humano, levam-nos a constatar que
- Escreverem mensagens de paz para os co- todos deveriam lutar pela paz, deixando de lado
Colocar um mapa-mundo no chão (ou parede) e
legas, familiares, professores ou amigos (numa convicções, ódios, ambições. Importa, no entan-
dispor à volta afirmações impressas em papel,
ótica de resolução de possíveis conflitos); to, lembrar que os conflitos armados também
com um espaço destinado aos registos da turma
constituíram, no século VIII, fontes de mudança
(materiais das páginas seguintes). Dar a cada - Identificarem um conflito armado da atualidade civilizacional e cultural, como foi o convívio ente
par uma caneta verde e uma vermelha. Pedir e propor à turma organizar uma marcha pela Cristãos e Muçulmanos, ao longo de 800 anos,
que leiam todas as frases e façam um risco no paz, na escola ou na comunidade; na Península Ibérica.
local adequado da folha − a verde, se concorda-
rem, e, caso discordem, a vermelho. - Escreverem uma carta ao presidente da É essencial privilegiar a paz na resolução de
Comissão Europeia (ou a outra entidade) solici- conflitos.
• Cada afirmação é debatida em grande grupo, tando maior intervenção num determinado con-
com a mediação do professor. flito armado;
- Darem a conhecer um conflito mundial atual
7 Ser interveniente na promoção da paz 20’ e, caso esteja ativa online uma petição pela sua
solução, propor aos alunos e famílias que a as-
• Dialogar sobre o facto de haver tanta gente sinem. (Procurar possíveis petições no site da
pelo mundo fora a promover a paz e refletir sobre Amnistia Internacional7 ou da Avaaz.org8);
duas questões:
- Ou outra, sugerida pelos alunos.
- O que cada um de nós faz, no nosso dia a dia, 7
Disponívelem: http://www.amnistia-internacional.pt/
para promover a paz? 8
Disponível em: http://avaaz.org/po/

41
história e geografia de portugal PAZ E CONFLITOS ARMADOS

1 2 Cartões com as afirmações sobre


Os produtos agrícolas para alimentação Um conflito armado faz aumentar o
aumentam de preço com os conflitos
armados, dado que a destruição das
número de pessoas que migram, deslocan-
do-se para outros países ou regiões em
os conflitos armados
colheitas leva à escassez de alimentos. busca de melhores condições de vida.

3 4 5 6
Os povos invasores e os povos invadidos, Os militares dos vários países, em situa- O acesso à educação e à saúde não
em determinadas circunstâncias, podem ções de conflito, são enviados pelos Voluntários e profissionais prestam
apoio humanitário e de emergência dependem de haver conflitos
conviver pacificamente. respetivos governos para os locais de armados ou não.
luta, ajudando os que deles necessitam. a países e regiões afetados pelos
conflitos armados.

7 8 9 10
Campanhas de angariação de fundos para Os conflitos armados não têm As pessoas não se preocupam O contacto entre povos inimigos tem,
apoiar as vítimas dos conflitos armados consequências para o ambiente. minimamente com os conflitos no entanto, modificado e enriquecido a
são desenvolvidas por esse mundo fora. armados que não tenham a ver cultura e os saberes.
com o seu país.

42
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
história e geografia de portugal DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL
aula d0 5º ano

Disciplina História e Geografia de Portugal

Conteúdo
programático Portugal nos séculos XV e XVI

duração
90 minutos (45 min. + 45 min.)

Objetivo
• Sensibilizar para a importância da diversidade
Breve contextualização étnica e cultural a partir da História de Portugal dos
para o professor séculos XV e XVI

Recursos
• Computador com acesso à Internet e projetor;
“Num mundo que alguns pretendem cada vez mais globalizado e que, contraditoriamente,
tende a dividir-se em grandes e inconciliáveis blocos civilizacionais, com assinaláveis • Vídeo/música (online);
‘choques’ e notórias ‘falhas’,(...) a cultura tem vindo a afirmar-se como uma componente • Imagem planisfério (online) ou Google Earth.
forte na procura de uma identidade que permita constituir núcleos de resistência ao pretenso
nivelamento da globalização. Há, porém, o perigo da especificidade cultural, reivindicada por
certos grupos, se converter em ameaça agressiva para os detentores de outras culturas,
exigindo-se uma busca de equilíbrios pela concretização de políticas e pedagogias atentas à
diversidade, à complexidade e à globalidade”. (Coelho1, 2008, p. 70)

1
Disponível em: http://www.oi.acidi.gov.pt/docs/Col_Percursos_Intercultura/1_PI_Cap2.pdf

43
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
história e geografia de portugal DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ O conquistador


• Convidar a turma a visualizar o vídeo da can- Voz: Da Vinci
ção “O conquistador” dos Da Vinci (3’19’’)* Poema: Pedro Luís

• Mostrar/projetar o seguinte poema da canção Era todo um povo


e questionar a turma quanto ao significado e in- guiado pelos céus…
tencionalidade da música. Espalhou-se pelo mundo
Era um mundo novo, seguindo os seus heróis…
um sonho de poetas: E levaram a luz da cultura,
ir até ao fim, semearam laços de ternura…
cantar novas vitórias, Foram mil epopeias,
e erguer orgulhosas bandeiras, vidas tão cheias…
viver aventuras guerreiras… Foram oceanos de amor.

Foram mil epopeias, (refrão)


vidas tão cheias.
Foram oceanos de amor. Foram dias e dias
e meses e anos no mar,
(refrão) percorrendo uma estrada de estrelas
a conquistar.
Já fui ao Brasil,
Praia e Bissau, (refrão)
Angola, Moçambique,
Goa e Macau, Fui conquistador!
*
Disponível em: ai, fui até Timor. Fui conquistador!
https://www.youtube.com/watch?v=UChhniDdQ8o Já fui um conquistador! Fui conquistador!

44
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
história e geografia de portugal DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

Será que iriam cantar palavras de alegria, sur- • Complementar com a leitura do seguinte texto
2 À conquista dos mares 10’
presa, esperança, desconfiança, medo...? e problematizar as informações nele contidas.
• Analisar algumas ideias presentes na canção,
lançando as seguintes questões:
3 A abertura de portas ao mundo 15’
Os portugueses em África
- Porque é que o autor do poema prefere usar
o termo “conquistadores” em vez de “desco- • Indicar a época e séculos a que se refere a
Os portugueses faziam comércio em África,
bridores” ou “navegadores”, como é habitual? canção dos Da Vinci. (Descobrimentos, séculos
onde trocavam sal, trigo, objetos de cobre e
(Para transmitir a ideia de que conquistaram a XV e XVI.)
latão e tecidos coloridos de pouco valor por
glória de vencer os perigos dos mares e conti- • Identificar os locais referidos no poema, num ouro, escravos, marfim e malagueta. “Nos locais
nentes até aí desconhecidos pelos portugueses.) planisfério (utilizar uma imagem2, impressa ou com bons portos naturais e onde o comércio
- O poema refere “oceanos de amor”. Será projetada, ou a ferramenta Google Earth3). Fazer era mais intenso, os portugueses estabelece-
totalmente verdade? (Também houve lutas contra notar que Cabo Verde está implícito na referên- ram feitorias. Além dos contatos comerciais,
os povos que já viviam nessas terras e contra as cia a [Cidade da] Praia, sua capital. realizaram expedições, da costa africana para o
forças da natureza, sobretudo o mar.) interior, para dominar alguns reis, desenvolver
• Reconhecer duas consequências positivas do
relações de paz e amizade e também para cris-
- O poema refere que os portugueses “levaram a contacto dos portugueses com outros países e
tianizar os povos africanos”.
luz da cultura, semearam laços de ternura”. Será culturas e duas consequências negativas, tendo
que só levaram e semearam ou aprenderam algo em conta tanto o ponto de vista dos portugueses (O Bichinho do Saber, 2011)*
com os povos que lá viviam? (Também apren- como o dos povos que os receberam. Registá-
deram e trouxeram conhecimentos sobre outras -las no quadro em duas colunas.
culturas, novos artefactos e a natureza.)
2
Disponível em:
- O poema reflete o pensamento dos descobri- *
Disponível em:
http://historiaybiografias.com/planisferio.htm
dores portugueses. O que cantariam os habitan- http://www.obichinhodosaber.com/2011/11/11/historia-e-
3 geografia-de-portugal-5%C2%BA-o-imperio-portugues-
tes dos países que viram chegar os portugueses? Disponível em: https://earth.google.com no-seculo-xvi/#sthash.Rihp08CX.dpuf

45
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
história e geografia de portugal DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

4 Gentes de além-mar: a diversidade étnica e Pero Vaz de Caminha: Escrivão da armada de Pedro Apresentar os trabalhos dos grupos.
Álvares Cabral, relatou ao rei D. Manuel I por-
cultural 30’ menores da chegada ao Brasil. (1500)
• Lançar a questão: Se fosse outra pessoa a
chegar àquelas regiões, descreveria os povos
• Questionar a turma como foi possível que da mesma forma? Promover uma breve reflexão
• Informar que a tarefa a realizarem, de seguida,
saibamos hoje tantos pormenores do contacto sobre a subjetividade das descrições e da in-
em trabalho de grupo, se baseia em excertos dos
dos portugueses com outros povos, tendo-se fluência do “eu” na visão do “outro”.
documentos escritos pelos indivíduos anterior-
tudo passado há tantos séculos. (Registos de
mente referidos e, também, no depoimento de
cronistas/historiadores, padres e missionários • Suscitar a referência à riqueza da diversidade
um piloto português da época. Dividir a turma em
ou simples testemunhos passados ao papel.) étnica e cultural (aparência, costumes, lingua-
grupos e distribuir a cada um deles um cartão
gens e religião). Referir a importância do res-
• Saber se já ouviram falar destes nomes e infor- com um testemunho relativo ao contacto dos
peito e valorização da diversidade.
mar que são todos homens da época dos Desco- portugueses com outros povos (ver materiais nas
brimentos que deixaram documentos escritos. páginas seguintes).
O porta-voz de cada grupo deve tomar notas 5 Em busca do mundo e do amor:
para, depois, apresentar as respostas e argu- a miscigenação 10’
Álvaro Velho: Cronista da frota de Vasco da Gama, mentos às seguintes questões:
fez o relato da descoberta do caminho marítimo • Recordar o verso do poema dos Da Vinci
para a Índia. (1497) - De onde são originárias as pessoas descritas
“semearam laços de ternura” e referir que os
no texto?
Jorge Álvares: Explorador, foi o 1º europeu a portugueses estabeleceram laços de amizade
chegar à China por via marítima, onde ergueu - O que é que vos desperta mais curiosidade na e comércio com outros povos (se falaram de
o 1º padrão português. Essa viagem esteve na descrição que é apresentada? casamentos mistos, recuperar a ideia). Ques-
base do estabelecimento de futuras feitorias. (1513) tionar se seriam apenas laços de amizade e co-
- Como descreveriam os navegadores portu-
mércio. Referir o caso curioso de Cabo Verde,
Frei Gaspar da Cruz: Missionário dominicano, es- gueses, se vocês fossem um dos habitantes
que eram ilhas desabitadas, quando os navega-
creveu a 1ª obra completa sobre a China. (1569) dessas regiões?
dores as descobriram e colonizaram. Em 1462

46
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
história e geografia de portugal DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

começaram a ser povoadas com escravos ori- “O número de casamentos entre portugueses
undos da costa da Guiné que viriam a unir-se e estrangeiros registados em Portugal mais do
6 Racismo evidente e racismo escondido 10’

com portugueses. que quadruplicou em dez anos: o país passou de • Recuperar a palavra RACISMO que ficou re-
uns discretos 1262 registos em 1997 para uns gistada no quadro e perguntar à turma se co-
• Questionar se essa miscigenação só aconte-
mais visíveis 5678 registos em 2007. (…) Há dez nhecem pessoas antirracistas e pessoas racis-
ceu em Cabo Verde e reconhecer que esse fenó-
anos, os chamados casamentos mistos repre- tas e se esses sinais são exibidos ou escondidos
meno ocorreu com todos os povos com quem os
sentavam 1,9 por cento. O ano passado (2007), (De que forma se manifestam?).
portugueses se relacionaram (incluído os povos
que invadiram a Península Ibérica). As próprias 12,2.” (Público4, 02-11-2008) • Escrever, no quadro, por baixo de “RACISMO”
autoridades incentivavam o casamento entre os duas colunas com as designações: “Declaração
portugueses e mulheres indígenas, com vista ao tolerante” e “Declaração intolerante”.
povoamento e posse das terras descobertas.
• Dialogar sobre as afirmações constantes em
• Inquirir se as pessoas sempre aceitaram bem os cartões (ver materiais nas páginas seguintes) e
casamentos mistos e os filhos que deles nasce- sua afixação na coluna respetiva.
ram. Constatar que houve sempre quem fosse
contra a mistura de etnias e culturas e perguntar
se conhecem a palavra que define essa posição 7 Síntese da Unidade Didática 5’
preconceituosa: racismo. (Registar esta palavra
no quadro e deixá-la para atividade posterior.) • Concluir a Unidade Didática com a síntese das
linhas de força nela abordadas: os navegadores
• Perguntar se esses casamentos que unem portugueses partiram além-mar em busca de
etnias e culturas ainda acontecem, atualmente, novas terras e novos locais para comerciar.
em Portugal. Incentivar a conhecer o número Estabeleceram contactos com diferentes povos,
de ocorrências, apresentando o texto com da- 4
abrindo caminho para Portugal ser o país multi-
Disponível em:
dos sobre a evolução quantitativa de casamento http://www.publico.pt/portugal/jornal/casamentos-mistos- cultural que é atualmente. O respeito pela diver-
mistos em Portugal entre 1997 e 2007. mais-do-que-quadruplicaram-282337 sidade deve ser assumido por cada um.

47
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
história e geografia de portugal DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL
GRUPO GRUPO

1 4
“Os homens de Calecute são baços […]. E trazem as “A feição deles é serem pardos, um tanto averme-
orelhas furadas, e nos buracos delas, muito ouro. lhados, de bons rostos e de bons narizes, bem feitos.
E andam nus da cinta para cima, e para baixo, trazem
uns panos de algodão […]. As mulheres em geral são
CARTÕES: Andavam nus, sem cobertura alguma […] traziam o
beiço de baixo furado e metido nele um osso branco
feias e de pequenos corpos. E trazem ao pescoço
muitas joias de ouro, e nos dedos dos pés trazem
TESTEMUNHOS RELATIVOS AO […]. E andavam lá outros, quartejados, de cores, a
saber, metade deles da sua própria cor, e metade de
anéis com pedras ricas.” CONTACTO COM OUTROS POVOS tintura preta, um tanto azulada […].”

Álvaro Velho Pêro Vaz de Caminha


Carta a El-Rei D. Manuel, 1500
Roteiro da 1ª Viagem de V. Gama à Índia, 1497-1499

GRUPO
GRUPO
GRUPO
3 5
2 “Os negros da Guiné […] são muito desregrados no
comer, porque não se alimentam a horas certas, e
“Estimam muito falar manso. […] É gente branca
de boas feições […] que come três vezes por dia comem quatro ou cinco vezes por dia. Não têm ca-
“Qualquer pessoa que chegue a casa de homem
e comem pouco de cada vez. […]. Comem no chão belos mas só alguma carapinha na cabeça, a qual não
limpo tem por costume oferecer-lhe uma bandeja
como os mouros e com paus como os Chineses; cresce […]. Vivem longamente, a maioria dos quais
galante, uma porcelana com uma água morna a que
cada pessoa come de sua gamela […]. Bebem água até aos cem anos, sempre bem-dispostos, exceto
chamam chá […] feita de um cozimento de ervas […].
de umas ervas que não alcancei saber que ervas em algumas épocas em que se sentem adoentados e
São os chinas muito comedores e comem muitas
eram […]. As mulheres […] vão onde lhes vem a von- quase como se tivessem febre […]. Pela terra dentro,
iguarias […]. É gente limpa e nobre no trato, conver-
tade, sem perguntarem a seus maridos.” há alguns negros tão supersticiosos que adoram a
sação e trajo […].”
primeira coisa que veem naquele dia.”
Frei Gaspar da Cruz Jorge Álvares Piloto português anónimo
Tratado das Coisas da China, 1569 A Informação sobre o Japão, 1547 Navegação de Lisboa à Ilha de S. Tomé, séc. XVI

48
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
história e geografia de portugal DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

1 2
“O meu país é dos que cá nasceram e “Os imigrantes da minha cidade e da minha
CARTÕES:
não devemos admitir ou casar com escola estão muito bem integrados. AFIRMAÇÕES DE TOLERÂNCIA
estrangeiros.” Fico feliz por isso.” E INTOLERÂNCIA

3 4 5
“A nacionalidade é razão para que os imi- “A cor da pele ou nacionalidade
grantes não tenham os mesmos direitos “Pessoas de outras nacionalidades não
pouco importa, pois somos todos são convidadas para as minhas festas
e deveres do que os nacionais.” seres humanos.” de família.”

6 7 8
“O racismo não tem nada a ver “A cor da pele, o tipo de cabelo, a
“As diferentes culturas e credos dos comigo, mas nunca casaria com uma forma de vestir e o modo de falar
outros povos devem ser respeitados.” pessoa de outra cor.” só porque são diferentes não nos
afastam uns dos outros.”

49
COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE
história e geografia de portugal NACIONAL E INTERNACIONAL

aula d0 6º ano

Disciplina História e Geografia de Portugal

Conteúdo O terramoto de 1755


programático

duração 135 minutos (90 min. + 45 min.)

Breve contextualização
para o professor

“(Em 2015) mais de 100 milhões de mulheres, homens e crianças precisam de assistência humani- Objetivo
tária que salve as suas vidas. A quantidade de pessoas afetadas por conflitos atingiu níveis que já • Sensibilizar para a importância da cooperação e so-
não eram vistos desde a Segunda Guerra Mundial, o que é acompanhado por um grande número lidariedade após um desastre natural, recorrendo ao
de pessoas afetadas por desastres naturais e induzidos pelo Homem. terramoto de 1755, em Lisboa, e ao de 2015, no Nepal
Neste dia (Dia Mundial da Ajuda Humanitária – 19 de agosto) também celebramos os valores co- Recursos
muns à Humanidade. As famílias e as comunidades que atualmente lutam para sobreviver nas
situações de emergência fazem-no com grande capacidade de resistência e dignidade. Elas pre- • Computador com acesso à Internet, projetor e colunas
cisam e merecem que se renove o compromisso para se fazer todo o possível no sentido de lhes de som;
fornecer as condições para um futuro melhor. • Vídeos (online);
• Imagens;
Cada um de nós pode fazer a diferença. Num mundo que está cada vez mais tecnologicamente • Notícia de jornal (online).
interligado, cada um de nós tem o poder e a responsabilidade de inspirar os outros a ajudarem a
criar um mundo mais humano.” (Mensagem do Secretário-Geral das Nações Unidas 1 , 2015)

1
Disponível em: www.unric.org/pt/mensagens-do-secretario-geral/31937-mensagem-do-secretario-geral-para-o-dia-
mundial-da-ajuda-humanitaria

COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE NACIONAL E INTERNACIONAL 50


COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE
história e geografia de portugal NACIONAL E INTERNACIONAL

Atividades passo a passo…

• Mostrar à turma as duas fotografias e perguntar • Imagem a cores


1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’
a que poderão referir-se. (Dois terramotos – • Casas baixas, de fraca estrutura, degradadas
Lisboa,1 1755 e Nepal2, 2015) e humildes
• País interior, sem costa marítima
2 Desastres Naturais 10’
• Constatar que se trata de dois “desastres
• Verificar as semelhanças e diferenças entre as naturais” e explicar o sentido desta designação.
1. Lisboa, 1755 2. Nepal, 2015 imagens. A título de exemplo: Perguntar se conhecem outros casos.

SEMELHANÇAS
• Imagem de um desastre natural 3 Jogo do Concordo ou Discordo 20’
• Edifícios destruídos
• Dispor as carteiras da sala de aula em “U”.
Cada aluno tem na mão dois cartões: um verde
DIFERENÇAS e um vermelho, correspondendo às afirmações
Lisboa CONCORDO e DISCORDO, respetivamente.
• Época do acontecimento - 1755 No centro da sala, à vez, vai estando um aluno
• Imagem a preto e branco que lê uma das oito frases constantes na página
• Prédios altos, igrejas e outros monumentos seguinte. Quando ele a enuncia, em voz alta, os
• Caravela e ondas enormes (O terramoto foi colegas levantam o cartão, sinalizando a con-
seguido de maremoto/tsunami) cordância ou discordância com a afirmação
proferida, de acordo com os seus conhecimen-
Nepal tos prévios. O professor vai contabilizando as
Imagem 1: http://aventar.eu/tag/terramoto-de-1755/
Imagem 2: http://lidernoticias.com/lider/?p=3274 • Época do acontecimento - 2015 respostas, no quadro.

COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE NACIONAL E INTERNACIONAL 51


COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE
história e geografia de portugal NACIONAL E INTERNACIONAL

AFIRMAÇÕES • Promover o debate, em redor das justificações


dos alunos, informando que cada um pode mu-
DISCORDO CONCORDO dar de opinião, depois de ouvir os argumentos Sugestão: Em alternativa, podem-
CONCORDO DISCORDO
dos outros. No final, serão tiradas conclusões. -se explorar os materiais apre-
sentados pelo Manual Escolar da
1.Um desastre natural é resultado exclusiva- disciplina, adaptando as questões
mente da ação humana.
4 Desastres naturais em Portugal: em seguida apresentadas.
2. Um desastre natural decorre apenas da ação o terramoto de 1755 em Lisboa 25’
da natureza.
• Suscitar o interesse da turma pelo Terramoto • Lançar questões para a reflexão, designada-
3. Um acidente aéreo é um desastre natural. de Lisboa e indagar os conhecimentos que os mente:
alunos têm sobre ele.
4. Terramotos, secas, vulcões e inundações são - Qual foi a passagem do vídeo que mais vos
desastres naturais. • Visionar o vídeo “Conte-me História: Terra- marcou?
moto de 1755” 2 (ver desde 1’ 32’’ até 10’).
5. Desastres naturais podem ser evitados, se res- Informar que é um documentário muito engra-
- E a que acharam mais graça?
peitarmos a natureza. - O terramoto de 1755 foi o único desastre natu-
çado, pois os acontecimentos são recontados,
6. As populações têm formas de se protegerem em tom de brincadeira, por um comediante e um ral que destruiu Lisboa no dia em que ocorreu?
Qual foi o outro?
perante um desastre natural. historiador.
- Também se podem classificar os incêndios
7. Desastres naturais ocorrem, com frequência, após o terramoto como um desastre natural?
em Portugal.
Porquê?
8. O desastre natural mais conhecido, ocorrido - Depois desta catástrofe, como ficou a popula-
em Portugal, é o terramoto de 1755. 2
Disponível em: www.youtube.com/watch?v=kBnB7AQuPyo ção que habitava a cidade?

COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE NACIONAL E INTERNACIONAL 52


COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE
história e geografia de portugal NACIONAL E INTERNACIONAL

• Perguntar aos alunos se sabem quem foi a


leitura da seguinte notícia: “Quase um milhão de mundo. Devem ser tidas em conta e registadas,
pessoa que ficou responsável pela reconstrução
crianças nepalesas precisam de ajuda humani- numa tabela, as seguintes áreas:
da cidade. (Secretário de estado do rei D. José,
futuro 1º ministro e marquês de Pombal.) tária urgente.” 3
1. Alimentação; 2. Alojamento; 3. Apoio médico;
• Confrontar as ações referidas no texto com e 4. Infraestruturas.
as dos alunos e refletir sobre essas diferenças,
• Solicitar a cada grupo a apresentação do seu
5 A importância da Ajuda Humanitária nos ressaltando a importância de atender primeira-
Plano de Ajuda Humanitária para a reconstrução
desastres naturais 20’ mente as populações mais vulneráveis.
de Lisboa. O professor aponta, no quadro, o valor
• Informar que, segundo se conta, o Marquês 45’ orçamentado por cada grupo, assim como as
de Pombal, na altura, proferiu a seguinte frase: ações prioritárias elencadas.
“Enterrem-se os mortos e cuide-se dos vivos”.
6 Elaboração de um Plano de Ajuda Humanitária
• Promover uma assembleia entre todos os gru-
Teria agido sozinho? • Lançar a questão: Se vocês estivessem lá,
pos para debaterem as várias propostas com
exatamente logo após o terramoto de 1755 e
• Reforçar a importância da Ajuda Humanitária vista a delinearem uma ação conjunta, tendo em
constituíssem uma equipa de Ajuda Humani-
e da cooperação após a ocorrência dos conta o orçamento limite. Este debate pode ser
tária, como agiriam?
desastres naturais, para minimizar os impactos orientado pelas seguintes questões:
causados nas populações atingidas. Explicar que a resposta a esta questão será
- Quais as prioridades que foram consideradas
dada em trabalho de grupo. Terão de elaborar
• Pedir aos alunos para expressarem quais mais importantes pelos diferentes grupos?
um plano de auxílio à população e reconstrução
deveriam ser as primeiras ajudas a prestar
da cidade de Lisboa, considerando os recursos - De que forma o orçamento pode limitar a defi-
numa localidade devastada por um terramoto.
que temos hoje em dia. A turma será dividida em nição das prioridades de ação?
Registar no quadro as ideias.
grupos que deverão ter por base um orçamento
• Passar da realidade do terramoto de 1755, em de 500 mil euros, que foram doados a Portugal
3
Lisboa, para a do Nepal, em 2015, fazendo-se a por organizações sem fins lucrativos de todo o Disponível em: www.sol.pt/noticia/388579

COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE NACIONAL E INTERNACIONAL 53


COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE
história e geografia de portugal NACIONAL E INTERNACIONAL

Modelo a desenhar numa folha A4:

Salientar os pontos fortes de cada plano de ação. ÁREA DE MONTANTE AÇÃO


• Voltar a elaborar um novo plano colaborativo a
INVESTIMENTO € (Descrever as ações que consideram prioritárias nas respetivas áreas)
partir dos aspetos mais relevantes identificados
nos planos dos grupos.

ALIMENTAÇÃO

ALOJAMENTO

7 Síntese da Unidade Didática 5’

• Concluir, com os alunos, que, ao longo destas


aulas, comprovaram a importância da coope- APOIO MÉDICO
ração e solidariedade nacional e internacional,
após um desastre natural, recorrendo aos casos
do terramoto de 1755, em Lisboa, e ao de 2015,
no Nepal. Verificaram que é importante planificar
ações e recursos, tendo em vista os gastos es- INFRAESTRUTURAS
senciais e a Ajuda Humanitária disponibilizada.

COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE NACIONAL E INTERNACIONAL 54


história e geografia de portugal IGUALDADE DE GÉNERO
aula d0 6º ano

Disciplina História e Geografia de Portugal

Conteúdo As mulheres na I República


programático

duração 135 minutos (90 min. + 45 min.)

Breve contextualização
para o professor Objetivo
• Sensibilizar para a Igualdade de Género a partir das
“[Com o Dia Internacional das Mulheres], a ONU pretende homenagear as mulheres de todas as histórias de vida de mulheres da I República e da
nações que viram o seu papel na sociedade menorizado e os seus direitos violados por terem atualidade e suas lutas pelo direito à igualdade
nascido mulheres e que lutaram por direitos de cidadania, iguais aos direitos reconhecidos aos Recursos
homens. O Dia da Mulher foi celebrado pela primeira vez em 1911. Decorreu de uma iniciativa
de Clara Zetkin, aprovada no congresso internacional das mulheres, na Internacional Socialista, • Computador com acesso à Internet, projetor e colunas
em 1910. Nos primeiros anos foi celebrado em dias diferentes, mas sempre em março, a 19 e a de som;
25, dependendo dos diferentes contextos ou países. Após a greve das operárias russas, a 8 de • Vídeo (online);
março de 1917, que marcou o início da Revolução Russa, passou a ser celebrado a 8 de março” • Notícia de jornal (online).
(Plataforma Portuguesa para o Direito das Mulheres 1 ). Neste período, que coincide com a 1ª
República em Portugal (1910-1926), diversas mulheres lutaram pelo acesso aos direitos e liber-
dades fundamentais para o seu exercício pleno como cidadãs de uma sociedade igualitária.

1
Disponível em:
plataformamulheres.org.pt/dia-internacional-da-mulher

55
história e geografia de portugal IGUALDADE DE GÉNERO
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ 2 Os direitos das mulheres ontem e hoje: 15’ 3 As mulheres da I República e os direitos das
• Perguntar se sabem quem é a atriz que inter-
chuva de ideias mulheres 20’
preta a Hermione Granger dos filmes de Harry • Lançar as questões: Questionar se os seguintes nomes lhes dizem
Potter. Apresentar uma imagem de Emma Watson. alguma coisa:
- Acham que as mulheres e os homens têm os
Explicar que, para além de atriz, Emma Watson mesmos direitos, hoje em dia? E como era no Adelaide Cabete, Alice Moderno, Amélia Santos, Ana de
é uma ativista pela Igualdade de Género, sendo tempo das vossas bisavós? Será que elas tinham Castro Osório, Angelina Vidal, Carolina Beatriz Ângelo,
nomeada, em 2015, Embaixadora da Boa Von- os mesmos direitos que as vossas avós e mães Carolina Michaëlis, Maria Amália Vaz de Carvalho,
tade por Mlambo-Ngcuka, secretária-geral e têm hoje? Maria Veleda, Regina Quintanilha,...
diretora executiva da ONU Mulheres. A ONU
• Ir registando as ideias no quadro, organizan- • Informar que são personalidades da I República
acredita que a inteligência e a paixão de Emma
do-as em duas colunas: “Hoje em dia” e “Anti- que lutaram pelos Direitos das Mulheres, em
permitirão tocar o coração e a mente de jovens
gamente” e, no final, refletir sobre as diferenças, Portugal, sendo estas as mais conhecidas pois,
de todo o mundo para que se envolvam na pro-
semelhanças e progressos, ao longo dos tempos. em sua homenagem, os seus nomes foram dados
moção da Igualdade de Género, no século XXI.
a ruas, escolas, hospitais e outras instituições.
• Perguntar se acham que, em Portugal, tam-
Perguntar aos alunos porque é preciso, nos dias
bém tem havido mulheres que lutaram ou lutam • Visualizar um vídeo, onde podem ser vistas outras
de hoje, promover a igualdade entre mulheres
pela Igualdade de Género. ativistas reivindicadoras da igualdade entre mu-
e homens.
lheres e homens, durante a I República 2 (5’ 18’’).

• Debater o assunto, a partir da última afirmação


do vídeo: “Não foram poder. Mas eram ouvidas”.
2
Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=l9ptJiaCMZA
Emma Watson

56
história e geografia de portugal “Não podemos esquecer:
IGUALDADE DE GÉNERO
um livro, uma caneta, uma
criança e um professor
podem mudar o mundo”.

4 Ativistas dos tempos modernos 25’ sobre a situação da mulher na atualidade, no-
meadamente em 142 países. A pontuação mais
• Lançar e debater a questão: Será que as mu-
elevada é 1 (igualdade) e a mais baixa é zero
lheres de Portugal e de outros países mundiais
(desigualdade). Identificar os países que estão
conseguiram a Igualdade de Género? Ainda se
mais próximo da igualdade (1) e, no outro ex-
luta por essa causa no século XXI?
tremo, os países que estão mais próximos da
• Complementar, perguntando se já ouviram Malala Yousafzai desigualdade (0). Identificar a posição de Portugal
falar de Malala Yousafzai e da sua luta. Mostrar (39º) e explorar as razões pelas quais o nosso
a imagem da jovem paquistanesa. país se encontra nesta posição. (Desigualdades
• Confrontar as respostas dos alunos dadas
salariais, desigualdades nos cargos de poder,
• Destacar o percurso de Malala Yousafzai, Pré- anteriormente com as situações retratadas
entre outras.)
mio Nobel da Paz 2014, como um dos exemplos no vídeo. Refletir sobre as razões pelas quais
de como, atualmente, ainda há mulheres que, os direitos são diferentes, procurando com-
mesmo correndo risco de vida, lutam pela igual- preender os fatores que influenciam, nomea-
dade de direitos e de oportunidades, visionando damente religiões fundamentalistas, sistemas Sugestão: Ter atenção às genera-
um vídeo sobre a vida de Malala, que ilustra a políticos rígidos, existência de conflitos e guer- lizações que podem ser feitas.
luta pelo direito das jovens mulheres à edu- ras, falta de cultura cívica, falta de investimento É necessário promover a reflexão
cação, o que, ainda hoje, é negado em alguns em educação,… Reforçar os casos em que nem crítica, com base no contexto e
desenvolvimento de cada país, no
países. “MALALA”3 (8’19’’) o direito à educação é respeitado, perpetuando-
que diz respeito à cultura, religião,
-se o ciclo de desigualdade. situação histórica e política.
• Apresentar o ranking mundial Global Gender
3 Gap 4, do Fórum Económico Mundial (2014). 4
Disponível em: http://reports.weforum.org/global-gender-
Disponível em:
www.youtube.com/watch?v=T2u39aIsK9U Este ranking tem como objetivo chamar a atenção gap-report-2014/rankings

57
história e geografia de portugal IGUALDADE DE GÉNERO

5 Desigualdade de Género: trabalho de grupo 20’ • Perguntar que desafio lançou a atriz aos homens.
8 Síntese da Unidade Didática 5’

Identificar, em trabalho de grupo, algumas das • Questionar se acham que o Harry Potter tam- • Fazer a síntese da Unidade Didática, problema-
razões que estão na base da Desigualdade de bém lutaria por estes direitos. (Confirmar que tizando os dados nela abordados e concluindo
Género. Dividir a turma em pequenos grupos e Daniel Radcliffe, o ator que interpreta o feiti- que a defesa dos Direitos das Mulheres/Igual-
distribuir-lhes uma folha de papel contendo frases ceiro, se tem empenhado muito nesta luta.) dade de Género é um problema comum a todas
sobre as causas relacionadas com a privação as classes sociais e sobretudo um problema de
de direitos das mulheres (ver material na página
7 Somos todos ativistas dos mulheres e homens conscientes e lutadores.
seguinte). Pedir para cada grupo discutir e se- direitos da mulher 20’ Está longe de ser resolvido, pois ainda há muita
lecionar três afirmações que considerem ser injustiça no mundo. É indispensável que impor-
as mais relevantes. Um elemento de cada gru- • Mostrar o que é o Movimento de Solidariedade tantes figuras mundiais alertem e lutem lado a
po ficará responsável por anotar os pontos em pela Igualdade de Género, visualizando: HeForShe lado pela melhoria das condições de vida das
discussão mais importantes e apresentá-los à (ElesPorElas) 6. mulheres, onde quer que elas vivam, porque “os
turma, no final, relatando alguns aspetos/comen- feminismos não são a luta contra os homens.
• Pedir aos alunos que escrevam mensagens
tários que, eventualmente, tenham surgido no São a luta contra as instâncias e as instituições
positivas de igualdade de género e as distribuam
decurso do trabalho. que não querem atribuir às mulheres os mes-
pelos colegas da escola, principalmente aos
mos direitos” (Jornal Expresso, 31-05-2008).
rapazes e homens, inspirando-se neste movi-
mento solidário.
6 Os homens e os direitos das mulheres 20’
5
Disponível em:
Mostrar/projetar a reportagem5 “Emma Watson lifestyle.publico.pt/noticias/339340_emma-watson-quer-
quer que os homens defendam os direitos das que-os-homens-defendam-os-direitos-das-mulheres
mulheres” e fazer a leitura em cadeia da repor- 6
Disponível em:
tagem, lendo cada aluno um parágrafo. www.heforshe.org/pt

58
história e geografia de portugal IGUALDADE DE GÉNERO
FICHA ORIENTADORA DO TRABALHO DO GRUPO
Grupo: Porta-Voz:
Debatam, entre vós, o conteúdo das afirmações
e selecionem as três que considerem ser as
Causas que estão na origem da desigualdade de género: mais importantes. O porta-voz de cada grupo
ficará responsável por apresentar as vossas
Ditaduras ou regimes políticos que não respeitam as liberdades individuais e não escolhas à turma, bem como alguns factos ou
permitem a participação das mulheres em cargos de poder, sobretudo na política. argumentos muito significativos que surjam ao
longo do trabalho.
Sensibilização insuficiente e pouca participação dos homens em prol dos direitos das mulheres.

As mulheres não se unem em movimentos ou grupos de defesa dos seus interesses por terem receio das consequências
que isso pode trazer, principalmente agressões físicas ou verbais, despedimentos ou não admissão nos empregos.
Os homens não são educados a realizarem e partilharem as lidas domésticas.
Por essa razão, acham que elas são tarefas só das mulheres.
As mulheres não são incentivadas ou são impedidas de seguirem carreiras profissionais técnicas e científicas.
Por isso não apresentam competências e conhecimentos para realizarem determinadas profissões.
Algumas religiões ou seitas fundamentalistas transmitem a mensagem
de que as mulheres devem ter direitos diferentes dos homens.
Em determinadas sociedades e regiões considera-se que a missão da mulher deve ser
exclusivamente a de realizar tarefas domésticas e tomar conta dos maridos e dos filhos.
Outra(s):

59
SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL:
matemática AJUDA HUMANITÁRIA E DE EMERGÊNCIA

aula d0 5ª ano

Disciplina Matemática

Conteúdo Números e Operações – Frações


programático

duração 135 minutos (90 min. + 45 min.)

Breve contextualização
para o professor
Objetivo

Atualmente, a Ajuda Humanitária visa não só colmatar as necessidades imediatas de pessoas • Sensibilizar para a importância da cooperação e da
em perigo de vida ou em situações de carência devido a constrangimentos sociais, ambientais solidariedade internacional para com populações
e conflitos armados como também acionar mecanismos preventivos para estas e outras ocor- fragilizadas em situação de desastre natural, recor-
rências previsíveis. De acordo com as situações, os planos de intervenção são, obviamente, rendo ao uso das frações matemáticas
distintos bem como os papéis dos vários atores, as estratégias de interação e a sempre escassa
Recursos
assistência material a angariar. A tudo isto sobreleva a salvaguarda da dignidade humana. Hoje
em dia, o campo de ação compassiva não se reduz ao Homem. Assistimos a campanhas em prol • Computador com acesso à Internet, projetor
de outras espécies animais e vegetais. O aumento exponencial de ocorrências e a consciência e colunas de som;
que as pessoas têm vindo a capitalizar têm compelido a que a vontade política, geralmente nula • Vídeos (online).
ou escassa, as instituições e sobretudo as Organizações sem fins lucrativos, lado a lado com
civis, geralmente, seus membros e simpatizantes, atuem. O financiamento destas ações tem,
também, vindo a tornar-se mais internacional. (Escritório das Nações Unidas para a Coordena-
ção de Assuntos Humanitários - OCHA) 1

1
Disponível em: www.unocha.org

60
SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL:
matemática AJUDA HUMANITÁRIA E DE EMERGÊNCIA

Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ 2 A passagem do Tufão Haiyan 20’ “O tufão Haiyan é um poderoso ciclone tropi-
cal que chegou a atingir velocidades máximas
• Mostrar/projetar a seguinte notícia: • Apresentar o desastre natural que ocorreu
de ventos de 315 quilómetros por hora, sendo
“Ninguém no mundo consegue evitar ou prever em 2013 nas Filipinas: o tufão Haiyan, também
considerado o ciclone mais forte já registado
catástrofes naturais mas é possível mitigá-las, conhecido por Yolanda.
na história, superando o tufão Tip de 1979.”
e esse é o caminho que está ser traçado por Lisboa”.
(Wikipédia, 2013)3 . “A passagem do tufão Haiyan
(mensagem do Vereador da Proteção Civil da
pelas Filipinas fez mais de 10 mil mortos e mais
Câmara de Lisboa, na abertura da Conferência
de 600 mil deslocados. A maioria dos sobre-
Europeia Governação do Risco de Desastres
viventes [ficou] sem acesso a comida, água e
Naturais 2 , 2015.
medicamentos.” (Euronews, 2013) 4
• Questionar os alunos sobre a mensagem do
vereador. ...foi em
2013 nas
- A que acontecimento se refere a notícia? Filipinas...
- Qual a preocupação comum a todos os partici-
pantes na conferência?
• Informar a turma que a conferência se rea-
lizou no âmbito da comemoração dos 260 anos
do Terramoto de 1755, que a Câmara Municipal
de Lisboa celebrou, ao longo do ano de 2015,
promovendo um conjunto de atividades que
3
visaram um maior conhecimento dos perigos, Disponível em:
pt.wikipedia.org/wiki/Tuf%C3%A3o_Haiyan_(2013)
vulnerabilidades e riscos associados aos fenó- 2
Disponível em: www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/
4
menos sísmicos e aos desastres naturais. riscos-e-desastres-naturais-em-conferencia-europeia-1 Disponível em: http://pt.euronews.com/2013/11/12/

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SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL:
matemática AJUDA HUMANITÁRIA E DE EMERGÊNCIA

• Visionar um vídeo informativo sobre a


passagem deste tufão pelas Filipinas.
• Sensibilizar para a importância das comuni- 4 Portugal: ocorrências e ações
“Euronews: Milhares de filipinos fogem do
dades (vizinhos, amigos, voluntários nacionais, de solidariedade 40’
Haiyan” 5 (1’18’’) sociedade civil em geral) se unirem para apoi-
• Lançar a pergunta: Será que os desastres na-
arem as vítimas e referir o papel da Ajuda
turais só acontecem nos países em desenvolvi-
Podem, também, ver-se fotografias aéreas que Humanitária e de Emergência nestas situações.
mento? e debater as ideias dela decorrentes.
comparam o antes e o depois da passagem do
tufão em: “Tufão Haiyan: o antes e depois da • Concluir que os desastres naturais podem
destruição de Tacloban, Filipinas” 6 (7 sequências ocorrer em todos os países do mundo (apesar
comparativas). de alguns países serem mais vulneráveis do

- Quais são as populações mais afetadas


3 A matemática em ação na Ajuda Humanitária 60’ que outros) tendo, no entanto, mais impacto nos
países em desenvolvimento por estes terem
perante um desastre natural? • Entregar aos alunos uma ficha de exercícios de
menos condições financeiras para investirem
matemática, a ser realizada em pares, tendo por
- De que forma a sociedade se pode mobilizar em medidas preventivas, mitigatórias e de recu-
base a realidade das Filipinas depois da passagem
para apoiar as vítimas? peração, frente a estes desastres.
do Haiyan (ver materiais nas páginas seguintes).
- A comunidade internacional pode fazer algo • Continuar a debater o problema, apresentando
• Resolver, em conjunto, as questões, procu-
para acudir? Que tipo de ajuda pode proporcionar? uma nova questão: Já alguém ouviu falar de um
rando valorizar a participação ativa dos alunos
tornado que ocorreu em Paredes, Portugal?
e a entreajuda na resolução dos problemas.
Recordar o dito popular: “Duas cabeças pensam • Mostrar a notícia de jornal, intitulada “Tornado
5 melhor do que uma”, tal como se verificou em de Paredes teve ventos de até 184 km/h” 7.
Disponível em: www.youtube.com/watch?v=xa_VObanJj0
6
relação à ajuda aquando dos desastres naturais
Disponível em: http://greensavers.sapo.pt/2013/11/14/tufao-
haiyan-o-antes-e-depois-da-destruicao-de-tacloban-filipi-
e situações de carência. Todos se devem ajudar 7
Disponível em: www.publico.pt/ecosfera/noticia/tornado-
nas-com-fotos/ uns aos outros. de-paredes-teve-ventos-de-ate-184-kmh-1619177

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SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL:
matemática AJUDA HUMANITÁRIA E DE EMERGÊNCIA

• Promover uma atividade de simulação da 5 Síntese da Unidade Didática 5’


realidade, em trabalho de grupo. Apresentar
a seguinte situação: O tornando que devastou
Paredes, no dia 4 de janeiro de 2014, causou
muitos estragos materiais. Desta forma, o
Presidente da Câmara de Paredes solicitou,
entre outros apoios, a ajuda das escolas do
país. A comunidade escolar decidiu preparar
um plano de ação, no qual angariou 1000 euros.
É necessário haver critérios de distribuição.

• Definir a tarefa a realizar: cada grupo deve


apresentar a fração da quantia de dinheiro que
propõe ser investida em cada uma das seguintes
áreas: educação, cuidados médicos, habitação,
• Chegar às conclusões finais da Unidade
água, agricultura. (Exemplificação: 1/10 em edu-
Didática. Fazer a síntese dos aspetos tra-
cação, 3/10 em cuidados médicos,….)
balhados mais significativos: perante situações
de desastres naturais, a solidariedade é o
melhor meio de auxiliar as populações afetadas.
As necessidades devem ser inventariadas, dando
• Registar, no quadro, os planos de cada grupo, prioridade às mais urgentes. Tudo o que for soli-
de forma a comparar e discutir quais foram as dariamente adquirido deve ser repartido (fracio-
áreas de maior e menor investimento e porquê. nado) de acordo com as carências dos afetados.

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SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL:
matemática AJUDA HUMANITÁRIA E DE EMERGÊNCIA

FICHA DE ATIVIDADES:
FILIPINAS, A FORÇA DA AJUDA HUMANITÁRIA
Com base nas informações presentes nesta ficha de trabalho, realiza as
II - Nas Filipinas, foram destruídas 500 000 casas e a população teve de
operações matemáticas propostas.
procurar alimento, roupa e outros bens no meio dos destroços, devido à
II - Nas Filipinas, em 2013, foram destruídas 500 000 casas e a população passagem de um tufão, em 2013. Todos os sobreviventes se uniram para
teve de procurar roupa e outros bens, no meio dos destroços, devido à trabalharem em conjunto e se entreajudarem. Apesar do sofrimento, a
passagem de um tufão. Em Portugal, diversas famílias, escolas, empresas população sentia-se afortunada pelo dom da vida e por poder contar com
e civis angariaram dinheiro para construir 500 casas, organizando jantares a família, amigos, vizinhos e desconhecidos, na reconstrução do seu país.
e vendendo rifas.
“A preparação para a grande operação de socorro já se iniciou em força. Cen-
1 – Representem, em fração, a razão entre o número de casas construídas tenas de voluntários vieram ajudar no trabalho de embalagem de alimentos.
(com a ajuda dos portugueses) e o número de casas destruídas. Temos encomendadas toneladas de arroz, caixas de massas, água potável,
café, leite, panelas de cozinha, cobertores, etc.”, testemunho de um Missionário.
2 – Quantas casas faltavam construir para que todos os filipinos tivessem
nova habitação? 5 - Se cada embalagem leva 3 quilos de arroz, quantas embalagens são
necessárias para embalarmos 21 000 quilos desse produto?
3 – A angariação de fundos para ajudar as Filipinas realizou-se em diver-
sos países do mundo. As Nações Unidas informaram serem necessários 6 - Após a passagem do tufão, 1/3 das casas filipinas foram imediatamente
contributos no valor de 200 milhões de euros para ajudar à recuperação. reconstruídas com a ajuda internacional. Sabendo que foram destruídas
Portugal contribuiu com 100 mil euros. Que fração representa a ajuda de 500 000 casas nas cidades afetadas, qual a totalidade das casas reconstruídas?
Portugal face ao valor reivindicado pelas Nações Unidas?
7 – Se para a construção de cada casa forem necessários 60 sacos de
4. Qual seria a fração ideal para que todos tivessem casa? cimento, quantos sacos são precisos para construir 120 casas?

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SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL:
matemática AJUDA HUMANITÁRIA E DE EMERGÊNCIA

III - Nas Filipinas, 12 000 pessoas ficaram sem água canalizada nas suas
casas devido à destruição causada pelo tufão. As lojas ficaram destruídas,
por isso não havia água à venda.

Pessoas de todo o mundo doaram dinheiro para que pudessem ser


distribuídos garrafões de água à população e para que se pudessem re-
construir os poços. Com o dinheiro angariado, em 2 meses, conseguiram
doar 10 000 garrafões de água por dia.

8. Representem, em fração, a razão entre o número de pessoas que ficaram


sem água (após os donativos) e o número de pessoas que receberam um garrafão
de água, por dia.

9. Quantos garrafões faltavam para que todas as vítimas tivessem um garrafão


de água por dia?

10. Qual seria a fração ideal para que todos tivessem um garrafão de água por dia?

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matemática DIREITO À TERRA
aula d0 6ª ano

Disciplina Matemática

Números naturais: adição, subtração,


Conteúdo multiplicação e divisão; Critérios de
programático
divisibilidade; Área

duração 90 minutos

Breve contextualização Objetivo


para o professor • Sensibilizar para a posse abusiva de terra através da
matemática

Embora o biocombustível constitua uma alternativa menos impactante que o combustível de ori- Recursos
gem biológica fóssil (petróleo), aquele, sendo de origem biológica não fóssil, também provoca al- • Computador com acesso à Internet, projetor
guns impactos sociais, ambientais e económicos. Normalmente é produzido a partir de vegetais, e colunas de som;
tais como milho, soja, canola, Jatropha e outros, requerendo grandes extensões de terra para
• Vídeos (online);
o plantio. Com o aumento exponencial da população e do consumo energético, a produção de
biocombustível tem vindo a crescer a ritmo acelerado, bem como a procura de áreas para o seu • Imagens.
cultivo. Esse incremento confronta-se, por vezes, com regiões habitadas por populações locais,
muitas das quais acabam por ser expulsas, desapropriadas das suas casas e hortos, ficando a
viver em condições ainda mais precárias, para dar lugar a extensas plantações ao serviço de
empresas com pouca responsabilidade social. (Gulbenkian 1 , 2011)

1
Disponível em: www.proximofuturo.gulbenkian.pt/blog/seculo-xxi-a-posse-abusiva-de-terra-em-africa

66
matemática DIREITO À TERRA
Atividades passo a passo…

“Os biocombustíveis, além de permitirem re-


1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 5’ • Concluir que é um símbolo relacionado com os
duzir a dependência energética em relação aos
biocombustíveis.
• Mostrar/projetar as seguintes imagens: combustíveis fósseis, são produzidos a partir de
plantas que absorvem CO2 (…).
2 Chuva de ideias: os biocombustíveis e seus Esta característica dos biocombustíveis fez com
efeitos 10’ que, em Março de 2007, os Estados-Membros
da UE adotassem um objetivo vinculativo de uti-
• Propor o aprofundamento do assunto, a partir
lização de, pelo menos, 10% de biocombustíveis,
do resultado das suas pesquisas feitas em casa.
nos combustíveis utilizados no setor dos trans-
Lançar as seguintes perguntas:
portes, até 2020. (…)
- O que são os biocombustíveis? No entanto, muitas das terras utilizadas para o
- A partir de que matérias-primas são fabricados? cultivo das plantas eram anteriormente regiões
com grande capacidade de absorção de CO2,
- Quais as vantagens e desvantagens para as como é o caso das florestas tropicais.
populações rurais o cultivo da matéria-prima
• Perguntar à turma com o que é que se rela- Outra desvantagem apontada diz respeito à po-
para fabricação dos biocombustíveis?
cionam as imagens. Acolher as leituras propos- luição provocada pelas culturas intensivas, ao ele-
tas pelos alunos, que decerto as identificarão, vado consumo de água e à perda da diversidade
na medida em que, em aulas anteriores, lhes biológica e dos habitats.” (Portal Energias 2 , 2012)
foi solicitado que pesquisassem sobre os bio-
combustíveis, suas vantagens e desvantagens.
(Como habitualmente, poderiam recorrer à pes-
quisa na Internet, jornais, revistas ou a informa- 2
Disponível em: www.portal-energia.com/biocombustiveis-
ções de familiares, amigos ou da comunidade.) vantagens-e-desvantagens/#ixzz3IPOLiUa4

67
matemática DIREITO À TERRA

3 O impacto dos biocombustíveis? 20’


- O que representa o braço que surge em cena? Precisando de ocupar o espaço onde se ergue a
povoação e arredores, é pretensão da empresa
- O que poderá acontecer a estas famílias que deslocalizar para a aldeia de Tati os cerca de 850
• Visualizar um vídeo sobre “Land Grabbing”3
ficaram sem as suas terras? residentes em Mbata. A maioria sobrevive graças à
(2’22’’) que ilustra a pressão de grandes produção e venda do arroz, em torno de um grande
empresas em países em desenvolvimento, onde - Acham justo? Quem poderá ajudar? lago que viabiliza o seu cultivo e onde a população
se apropriam de terras para a criação de recursos vai, também, buscar água para os seus animais e
que servirão para a produção e comércio externo. para as hortas de subsistência, para beber, cozinhar
Este conceito é conhecido por “Land Grabbing”,
4 Mbata, uma aldeia na Tanzânia: jogo de papéis 50’ e tomar banho.
traduzido por “posse abusiva de terra”, também O Parque Natural com animais selvagens em vias de
• Dar a conhecer um caso específico, em África,
conhecido por “grilagem”. extinção existente em Mbata deverá, igualmente, ser
sobre a problemática gerada pela produção transferido para Tati.
• Parar o vídeo no minuto 2’ e chamar a atenção massiva de biocombustíveis, lendo, em conjun-
to, o seguinte texto: Ao serem deslocalizadas, as pessoas terão de deixar
para a legenda ali presente, dizendo que, mais
as suas habitações, os seus terrenos, os seus
tarde, vão vê-la traduzida e, então, conhecerão locais de trabalho e negócios. Na nova aldeia não
o seu significado. existem escolas e o lago fica muito distante dela.
“Big land deals are tearing whole communities apart, Peter Auge, o diretor da empresa, assegura que os
leaving people hungry and homeless.” (Oxfam) MBATA, UMA ALDEIA NA TANZÂNIA habitantes da aldeia irão receber dinheiro pela
venda das terras, irão trabalhar nas plantações e
• Fazer um breve reconto do filme, analisando e Sun Biofuels, uma importante companhia britânica,
promete a construção de uma escola.
deseja adquirir vastos terrenos na aldeia de Mbata,
comentando as ideias nele presentes. Incentivar
na Tanzânia, um pobre país africano a norte de
com as seguintes perguntas: Moçambique, com a finalidade de neles cultivar uma
planta a partir da qual se produz biocombustível e
- O que é que os factos narrados vos fizeram
cujo plantio e colheita requerem pouco esforço e 4
sentir? despesa. A venda de biocombustível a toda a Europa Texto adaptado de Oxfam GB. Disponível em: www.ox-
fam.org.uk/~/media/Files/Education/Resources/Food%20
conferir-lhe-á lucros consideráveis e Mbata é o local for%20thought/Learn/Geography/Learn_land_primary_pu-
3
Disponível em: www.youtube.com/watch?v=5GL54O0QthE ideal para produzir Jatropha em grandes quantidades. pil_worksheets.ashx

68
matemática DIREITO À TERRA

• Informar os alunos que o povo e sobretudo Fase 3: A turma participa num debate dinamizado consenso, todos assinam um tratado pela justa
os agricultores terão de tomar uma decisão em a partir de algumas das seguintes questões: distribuição dos recursos naturais.
apenas quatro dias e que é preciso ajudá-los a
refletir sobre o problema. Irão fazê-lo através - A população deve aceitar ser deslocada? Como
de um jogo de papéis, dividindo-se a turma em podemos garantir que, no novo local, vão ter
cinco grupos e distribuindo-se-lhes cartões (ver acesso à água e à terra para a sua sobrevivência?
material na página seguinte), contendo indica-
- O Parque Natural pode ser transferido? Que
ções para os diferentes papéis.
impactos pode ter a mudança de habitat no
• Apresentar todos os intervenientes e explicar bem-estar dos animais e plantas?
que a dinâmica da atividade será realizada em Sugestão: Envolver os alunos na
- Quais são as vantagens e as desvantagens da
três fases. vivência dos factos de forma a
plantação da Jatropha para produção de bio-
Fase 1: O grupo faz a leitura e resolve o problema combustível? que o imaginário permita a repre-
matemático presente em cada cartão. Seguida- sentação das cenas e que perce-
- Os empregos que a empresa quer oferecer bam que todos os grupos têm um
mente, cada componente do grupo interpreta o
são suficientes para a população? papel a desempenhar em prol de
seu papel, refletindo sobre a problemática e prepa-
rando argumentos para o debate com apoio da ficha um desenvolvimento mais susten-
Os grupos podem apresentar alternativas e ne- tável e justo.
de atividades (ver material nas páginas seguintes).
gociar entre eles. A Assembleia tem de chegar a
Fase 2: Os grupos participam na Assembleia um consenso e todos têm de tomar uma decisão
Geral da Tanzânia. O professor faz o papel de democrática: a empresa fica em Mbata e a po-
moderador, dando as boas-vindas e convidan- pulação é deslocalizada para Tati ou a empresa
do-os a expressarem as suas preocupações/ não se instala em Mbata e os habitantes per-
interesses e posições. manecem na sua aldeia? Após chegarem a um

69
matemática DIREITO À TERRA

5 Síntese da Unidade Didática 5’


cartões para o jogo
de papéis
• Dialogar sobre os aspetos mais importantes
trabalhados na Unidade Didática, fazendo a sua
síntese. Salientar a importância da sociedade
civil, governos, setor público e privado trabalha-
rem em conjunto em prol do bem comum, pois,
por esse mundo fora, assistimos a verdadeiros 1 2
atentados a populações rurais por parte das
grandes companhias de biocombustíveis, muitas Agricultores Empresa
vezes com a conivência de governos negligentes.

• Recordar que se tinha parado o filme da apro- A empresa quer comprar uma vasta extensão de
priação das terras para ver uma legenda, em inglês. terreno que, por ser adquirido a baixo-custo, lhe
Os agricultores estão preocupados com a sua
Mostrar a sua tradução. proporcionará avultados lucros. Para convencer
fonte de sustento e rendimento, pois aquela
a população a sair das suas terras, promete
terra produz os alimentos e, sobretudo, o arroz
dar-lhe empregos nas novas plantações.
para venda, além de proporcionar trabalho aos
outros habitantes. Em contrapartida, a empresa A área do terreno a adquirir é 123 metros de
inglesa oferece 168 empregos. largura por 60 metros de comprimento. Quantos
metros quadrados tem o terreno?
Se existem 550 adultos na aldeia, será que a
Grandes negócios com terras estão a destruir oferta é justa? Quantos mais empregos seria A empresa deve refletir sobre a possibilidade de
comunidades inteiras, deixando os habitantes sem preciso que a empresa oferecesse para que todos negociar com a população, caso esta não aceite
abrigo e com fome. os adultos da povoação tivessem trabalho? as condições propostas.

70
matemática DIREITO À TERRA

3 4 5
Parque Natural Associação das Mulheres de Mbata Governo da Tanzânia
O Chefe da reserva natural de animais e plantas
está preocupado com o futuro da biodiversidade,
Este grupo de mulheres está muito preocupado
pois as terras que a empresa pretende adquirir O Governo tem poder de decisão relativamente
com o futuro de todos, dado que, em Mbata,
também incluem aquelas onde o Parque está ao problema. Apesar de saber que a maioria da
existe um lago onde se vai buscar água para regar,
localizado. O encarregado diz que, ali, existem população desaprova a venda e desapropriação
beber, cozinhar e tomar banho. O lago está a 2
800 espécies de animais e vegetais, sendo que das terras, está recetivo à ideia de as vender à
Km de distância de Tati, a aldeia para onde se
1/8 destas espécies se encontra em vias de empresa, pois, segundo ele, o país vai ganhar
quer deslocalizar a população. As mulheres lem-
extinção. muito dinheiro com o negócio.
bram que 1 Km leva 10 minutos a percorrer a pé.
Qual é a percentagem de espécies de animais Sabe-se que 1 m2 custa 90 euros.
Se a população mudar de aldeia, quantos minu-
e vegetais, existentes no parque, em vias de
tos vão precisar para ir buscar água? Isso Se as terras têm 7380 m2, quanto é que a em-
extinção?
equivale a quantas horas? presa deverá pagar?
Os responsáveis do Parque Natural devem re-
fletir sobre o impacto que a mudança de habitat As mulheres devem refletir se valerá a pena O Governo deve refletir sobre a possibilidade de
poderá ter no bem-estar dos animais. o esforço. receber o dinheiro ou de recusá-lo.

71
matemática DIREITO À TERRA
5
FICHA DE ATIVIDADES PARA O JOGO DE PAPÉIS
Nome dos integrantes do grupo:
Papel que estão a assumir:

A quem pertence esta terra?


Centrem a vossa atenção num argumento e planifiquem a vossa intervenção no debate!

Quais as vossas Que factos ou informações O que planeiam dizer?


preocupações e posições? vos ajudaram?

5
Fonte: Ficha de registos adaptada de Oxfam GB www.oxfam.org.uk/~/media/Files/Education/Resources/Food%20for%20thought/Learn/Geography/Learn_land_primary_pupil_worksheets.ashx)

72
matemática educação para todos
aula d0 6ª ano

Disciplina Matemática

Conteúdo Representação e tratamento de dados


programático

duração 135 minutos (90 min. + 45 min.)

Breve contextualização
para o professor
Objetivo
“Os esforços empreendidos desde 2000 para fazer avançar a educação no mundo tornaram-se
• Sensibilizar, através da matemática , para a importân-
quase sinónimo de garantir que cada criança esteja na escola. A meta da Educação para Todos cia de garantir o acesso à educação para todos
(definida no Fórum Mundial de Educação - Dakar, em 2000) de acesso universal à educação
primária era particularmente aplicável aos países mais pobres, mas não era tão relevante para Recursos
outros países. Nesse contexto, o foco na matrícula universal na educação primária significou • Computador com acesso à Internet, projetor e colu-
menos atenção a outras áreas cruciais, como qualidade da educação, educação e cuidados na nas de som;
primeira infância e alfabetização de adultos. • Recurso da UNESCO (online);
De maneira geral, nem mesmo a meta de educação primária universal foi alcançada, quanto • Fichas de atividades;
mais os objetivos mais ambiciosos de Educação para Todos, e os mais desfavorecidos con- • Vídeo (online).
tinuam sendo os últimos a serem beneficiados. Houve, no entanto, conquistas que não devem
ser subestimadas. O mundo terá avançado até 2015 para além do que teria, caso persistissem as
tendências dos anos 1990. Além disso, o monitoramento do progresso da educação desde Dakar
melhorou e expandiu-se” (UNESCO1 , 2015, p. 13).

1
Disponível em:
unesdoc.unesco.org/images/0023/002325/232565por.pdf

73
matemática educação para todos
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ gas fora da escola” (clicar no botão REPETIR LA Educação Primária
PRESENTACIÓN, no centro da página). Número de crianças em idade escolar fora da
• Promover um breve diálogo em torno das
escola primária:
seguintes questões: • Solicitar aos alunos que se organizem em
pares e, tendo em conta o exposto na apresen-
- Será que, hoje em dia, ainda há crianças que
tação do recurso pedagógico da UNESCO,
não vão à escola?
criarem um gráfico circular, de forma a repre-
A partir das opiniões dos alunos, ir chamando a sentarem, visualmente, essas percentagens:
atenção para a importância de todas as crian-
Das 59 milhões de crianças que estão fora
ças frequentarem a escola. (Registar no quadro
da escola:
EDUCAÇÃO PARA TODOS.)
23% abandonaram os estudos;
- Será que uma disciplina como a matemática
tem a ver com a qualidade da educação? 34% iniciará os estudos tardiamente; 44% diminuição
(Registar no quadro A IMPORTÂNCIA DA 43% nunca ingressará na escola
MATEMÁTICA.) Ressaltar que, apesar de ainda haver 59 milhões
de crianças fora da escola, há poucas décadas,
este número era quase o dobro. A título de
2 Leitura e análise de dados 30’ exemplo: em 1990 eram 104 milhões de crianças
sem acesso aos estudos. Assim, em cerca de 20
• Explorar, junto dos alunos, os dados sobre
anos, conseguiu-se uma redução de 44%.
o acesso à educação primária em diferentes
2 (UNICEF,2015,p.17) disponível em:
países, com base na visualização da apresenta- Disponível em:
www.uis.unesco.org/_LAYOUTS/UNESCO/oosci-data-tool/ www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/UNICEF_Progress_
ção do recurso da UNESCO 2 “Rapazes e rapari- index-en.html#es/cover for_Children_23_June_2015.pdf

74
matemática educação para todos

• Organizar os alunos em trabalho de pares,


3 Diferentes países, realidades semelhantes 45’
distribuindo um país diferente a cada dupla.
• Chamar a atenção para o facto de, neste último Procurar que cada grupo tenha acesso a um com-
recurso, a UNESCO sinalizar 23 países onde putador, mas caso não haja essa possibilidade,
ainda há grandes desigualdades no acesso à disponibilizar, impressos em papel, os dados
educação primária. que se encontram no recurso.

• Explorar, mais profundamente, os elementos • Entregar a cada dupla, a ficha de atividades


• Sintetizar conclusões: a educação é funda-
da apresentação, através dos gráficos, começando a para registo dos dados nas tabelas (ver página
mental para o desenvolvimento de cada país.
trabalhar os dados de cada país, presentes na seguinte).
barra lateral direita do recurso da UNESCO3. • Refletir, com os alunos, sobre as causas da
• Dar indicações aos alunos no sentido de faze- falta de acesso à educação, com base na
Correndo a barra lateral direita para baixo, ler
rem um clique sobre o nome de cada país para seguinte afirmação da UNESCO: “Desigualdades
em conjunto os textos com os dados que retra-
terem acesso aos dados sobre a população de enraizadas, ligadas a riqueza, género, etnia,
tam a realidade de cada país. Chamar a atenção
crianças em idade escolar primária e referentes língua e localização geográfica, ainda são
para os casos da Nigéria, Paquistão e Índia, por
à desigualdade de género (rapaz/rapariga), situa- barreiras importantes para a universalização da
possuírem uma elevada taxa de crianças fora da
ção económica (riqueza/pobreza) e localização educação primária” (UNESCO4 , 2010, p. 2).
escola. Dar, também, destaque aos países onde a
geográfica (meio rural/urbano).
incidência de guerras, conflitos e doenças impe-
dem as crianças de irem à escola. • Registar, nas tabelas, os dados destas três
dimensões da desigualdade, assim como a breve
conclusão que se encontra na mesma folha.
3 4
Disponível em: Disponível em:
www.uis.unesco.org/_LAYOUTS/UNESCO/oosci-data-tool/
• Solicitar a cada dupla a apresentação da sua
www.unesco.org/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Brasilia/
index-en.html#es/cover conclusão sobre os dados do país que analisou. pdf/MDG_EFA_new_figures_pt_21-09-2010.pdf

75
matemática educação para todos

4 A importância mundial da educação 15’ Factos sobre a importância da educação 5 Utilizar o direito de voto para identificar
• Problematizar a questão: por que razão a edu- 6
(UNESCO , 2010):
meios de aceder à educação de qualidade 25’
cação é tão importante?, propondo o visiona-
mento do vídeo “Indiano Kailash Satyarthi • “171 milhões de pessoas poderiam sair da pobreza, • Refletir com os alunos sobre algumas soluções
e Malala Yousafzay vencem Nobel da Paz”5 (3’) se todos os estudantes em países de renda baixa para resolver esta situação, promovendo uma
que dá a conhecer o trabalho de dois ativistas deixassem a escola sabendo ler”; atividade democrática: o direito ao voto.
que lutam pelo direito das crianças à educação.
• Dividir a turma em pares e solicitar às duplas
• Apresentar alguns dados levantados pelos • “Uma criança cuja mãe sabe ler tem 50% mais hipó- que votem em três das medidas propostas que
anteriores Objetivos de Desenvolvimento do teses de sobreviver depois dos 5 anos de idade”; considerem ser as mais importantes, presentes
Milénio (2000 - 2015), que apostaram na pro-
no quadro da página seguinte (que pode ser pro-
moção do ensino primário universal, no sentido • “No Quénia, mulheres agricultoras com o mesmo jetado ou impresso e entregue a cada grupo).
de compreenderem a amplitude dos impactos da nível de educação do que os seus companheiros
educação na vida das pessoas. aumentam as suas produções de milho e feijão • Reunir os votos dos grupos e elaborar um
em até 22%”. gráfico de barras com os resultados da votação.
Analisar as opções mais votadas.

• Refletir sobre a realidade educacional em


Portugal através destas questões orientadoras:

- E em Portugal, existem essas ou outras


barreiras ao acesso à educação?
5 6
Disponível em: Disponível em:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/10/malala-vence- http://www.unesco.org/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/
- O que, neste país, ainda se pode fazer para que
nobel-da-paz.html Brasilia/pdf/MDG_EFA_new_figures_pt_21-09-2010.pdf a educação seja acessível a todos?

76
matemática educação para todos

6 Síntese da Unidade Didática 10’


POTENCIAIS MEDIDAS/SOLUÇÕES VOTOS

• Construírem-se escolas com acessos apropriados a pessoas com limitações físicas.


• Finalizar a unidade didática, recordando aos
• Acabar com as guerras, incentivando as pessoas a deixarem o ódio de lado. alunos os conceitos iniciais: EDUCAÇÃO PARA
TODOS e A IMPORTÂNCIA DA MATEMÁTICA,
• Recomendar aos governos que invistam na educação. registando-as, de novo, no quadro.
• Levar à conclusão que, apesar dos esforços
• Disponibilizar material escolar para todos terem acesso aos livros. recentes, ainda há muitas crianças fora da
escola e outras que não recebem uma educação
de qualidade. A educação é um direito essencial
• Reduzir a gravidez precoce na adolescência, permitindo que as raparigas terminem os seus estudos. ao desenvolvimento, garantindo oportunidades
a todos, em particular às pessoas que lutam
• Ter acesso à saúde para que os alunos e professores não adoeçam e possam ir à escola com regularidade. contra as desigualdades sociais e outros desafios.
• Reforçar a ideia de que é pela matemática que
• Construir infraestruturas que melhorem o acesso às escolas (estradas, pontes,...). se faz o tratamento dos dados colhidos pelos
investigadores/estudiosos, que servirão de base
para darem indicações aos governantes sobre
• Proporcionar um salário mais digno aos trabalhadores para que os pais possam garantir que os seus lhos vão à escola. a necessidade de melhorar a educação e fazer
progredir o país.
• Construir mais escolas, salas de aula equipadas e haver mais professores.

77
matemática educação para todos

Grupo:
Conclusão
Estes são os dados do país:

Estes dados indicam que… (Complete as frases.)

no país há mais
Género Fora da escola Na escola (raparigas/rapazes) fora da escola, representando % da popula-
ção em idade escolar. As crianças de famílias mais
Raparigas % % (pobres/ricas) são as que frequentam menos a escola, representando
%. Também as que vivem no meio (rural/urbano)
Rapazes % %
são as que menos tem acesso ao ensino, representando %.

Situação económica
(riqueza/pobreza) Fora da escola Na escola

Mais pobres % %
Mais ricos
% %

Localização geográfica
(meio rural/urbano) Fora da escola Na escola

Rural % %
Urbano % %

78
matemática AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E OS SEUS IMPACTOS
aula d0 6ª ano

Disciplina Matemática

Conteúdo Números e operações; Reta numérica;


programático Isometrias

duração 90 minutos

Breve contextualização
Objetivo
para o professor
• Utilizar os conhecimentos matemáticos para
compreender alguns fatores das Alterações Climáticas

“Este problema das alterações climáticas tem tido uma influência crescente na sociedade atual. Recursos
De facto, a extensão, gravidade e os impactes resultantes das catástrofes ditas “naturais” estão • Computador com acesso à Internet, projetor
intimamente associados às opções estratégicas de desenvolvimento e ao estilo de vida insusten- e colunas de som;
tável das sociedades modernas. O comportamento humano perante o ambiente e a insensibili- • Vídeo (online);
dade das decisões de desenvolvimento tem levado a um incorreto ordenamento do território e à
• Post-its.
alocação indevida de atividades humanas em zonas de risco. A análise do panorama mundial, em
tudo semelhante à situação nacional, mostra que a maioria da população (em Portugal cerca de
80%) vive em zonas costeiras, mais suscetíveis à ocorrência de desastres “naturais”, em que o
aumento do nível do mar é o mais óbvio como se referiu. Contudo, não se cuidam as áreas mais
críticas em termos ambientais: os leitos de cheia dos rios, constrói-se sobre falhas sísmicas,
desfloresta-se potenciando a desertificação.” (Borrego et al.1, 2009, p. 37)

1
Disponível em:
https://infoeuropa.eurocid.pt/files/database/000043001-000044000/000043449.pdf

79
matemática AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E OS SEUS IMPACTOS
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 5’ 2 Alterações Climáticas: chuva de ideias 15’


“As alterações climáticas são já uma realidade:
as temperaturas estão a aumentar, os padrões da
• Mostrar a imagem abaixo, pedir para fazerem a • Realizar uma chuva de ideias sobre as causas
sua leitura e questionar os alunos se já ouviram que provocam as alterações no clima, cabendo a precipitação estão a mudar, os glaciares e a neve
falar de Alterações Climáticas ou de Aqueci- cada aluno escrever, num post-it, um elemento que estão a derreter e o nível médio das águas do mar
mento Global. acredite contribuir para as Alterações Climáticas está a subir. É de esperar que estas alterações
e colá-lo no quadro.
prossigam e que se tornem mais frequentes e
• Fazer a leitura coletiva das possibilidades intensos os fenómenos climáticos extremos que
registadas nos post-its e reorganizar os
elementos pela sua natureza em dois grandes acarretam perigos como inundações e secas. Na
grupos: “resultantes da ação humana” (emissão Europa, os impactos e as vulnerabilidades no que
de gases com efeito de estufa pela indústria, respeita à natureza, à economia e à nossa saúde
desflorestação, incêndios,...) e “não resultantes
da ação humana” (variabilidade da intensidade
diferem entre regiões, territórios e setores
solar, aleatoriedade da atividade vulcânica,...). económicos.”
• Clarificar o conceito de Alterações Climáticas, (Agência Europeia do Ambiente, 2014)2
visualizando o vídeo “Causas e consequências
das alterações climáticas” (4’16’’/legendado)*

* 2
Disponível em: Disponível em:
http://www.accuweather.com/pt/world-weather http://www.eea.europa.eu/pt/themes/climate/intro

80
matemática AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E OS SEUS IMPACTOS

• Acrescentar (eventualmente) ou reposicionar


os post-its a partir da informação obtida no vídeo.
4 A matemática ao serviço do ambiente 40’

• Refletir sobre o conceito, as causas e as con-


sequências das Alterações Climáticas e tirar
• Desenhar, no quadro, uma reta numérica.
conclusões.
• Dividir a turma em cinco grupos e distribuir um
cartão a cada um com o relato de uma história
3 Países que poluem mais que outros 10’ de vida pessoal (ver materiais nas páginas
seguintes), e um desafio matemático a resolver.
• Explorar o infográfico interativo “Alterações
Climáticas”3 e verificar, através dos dados, quais • Apresentar os resultados dos trabalhos: cada
são os diferentes países que emitem − mais e grupo dramatiza a personagem que lhe coube
menos − dióxido de carbono (CO2). Comparar em sorte, sem ler, e refere à turma a sua história
estes dados com a realidade de Portugal. de vida e a solução matemática do desafio pro-
posto. A resposta ao desafio matemático deve
• Problematizar as consequências do local versus
ser registada na reta numérica desenhada no
global e vice-versa, através da seguinte pergunta:
quadro.
As Alterações Climáticas só trazem consequên-
cias àqueles países que mais poluem? • Para a dramatização da história, poderão ser
usados símbolos, adereços, objetos ou informa-
ções complementares da cultura em referência.
• A partir das marcações na reta numérica, reali-
zar cálculos das distâncias a que se encontram
3
Disponível em: http://static.publico.pt/homepage/infogra- os números (a título de exemplo, distância entre
fia/ambiente/alteracoesclimaticas/ a temperatura média da Nigéria e a de Portugal).

81
matemática AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E OS SEUS IMPACTOS

5 O que fazer no dia a dia 15’


6 Síntese da Unidade Didática 5’

• Perguntar o que cada um de nós pode fazer, Finalizar a unidade didática, concluindo que
no dia a dia, para atenuar o impacto das Alte- cada um de nós pode ter um papel em prol de
rações Climáticas, promovendo uma chuva de um mundo mais sustentável, em concreto, na
ideias. Registar as respostas no quadro. atenuação do impacto das Alterações Climáti-
cas, através da mudança de atitudes e compor-
• Sabendo que privilegiar as energias renováveis, tamentos, como preferir andar a pé, de bicicleta
como a solar e a eólica, e a redução do uso de ou de transportes públicos, sensibilizar para o
carros a gasóleo ou gasolina são medidas es- uso de energias renováveis, poupar energia,
senciais para combater as Alterações Climáti- plantar árvores, entre outras.
cas, mostrar imagens, entre elas, um painel solar,
um aerogerador e uma bicicleta.

• Pedir para identificarem se as imagens fazem


lembrar alguma isometria. Caso respondam
afirmativamente, questionar que tipo de isome-
trias (reflexão, rotação, translação) estão pre-
sentes nas imagens.

82
matemática AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E OS SEUS IMPACTOS
Fichas de atividade para trabalho de grupo

Grupo 1: Pólo Norte Grupo 2: nigéria Grupo 3: Ilha da Madeira/Portugal


Olá! Chamo-me Naiara e vivo no Pólo Norte, na maior Olá! Eu sou o Rui e, de momento, estou a fazer Olá! O meu nome é Teresa, moro em Albufeira, no
ilha do mundo, a Gronelândia. Os não nativos desta voluntariado no deserto da Nigéria (Abuja), um país Algarve. Escolhi a Madeira (Funchal) para passar as
região antártica consideram-na extremamente fria, africano situado no Golfo da Guiné. Nasci e tenho férias com alguns dos meus amigos. Aqui o clima é
dado que as temperaturas4 apresentam variações vivido no norte de Portugal onde há muito frio e neve mais húmido e chuvoso do que lá no sul do conti-
consideráveis: de -43°C a -26°C. Nós cá cobrimo- no inverno. Aqui o clima é estranho, as temperatu- nente, mais ameno. As temperaturas5 vão desde os
-nos com casacos de peles ou anoraks forrados, ras* oscilam entre os 17°C e os 36°C. Durante o dia, 13°C aos 29°C, o que faz com que a Madeira seja,
cachecóis, luvas, tapa-orelhas. Os ursos-polares cos- o sol é fortíssimo e de noite faz frio, o que me obri- até agora, uma ilha verdejante e colorida. No entanto,
tumavam aparecer por aqui, mas, agora, poucos nos gou a vestir roupas leves fabricadas com tecidos que os cientistas dizem que, com o Aquecimento Global,
visitam. O gelo oceânico é fundamental para a sua protegem do sol e do frio. No Sahel quase não chove poderá haver uma redução da pluviosidade (chuva)
sobrevivência, mas o Aquecimento Global tem pro- e a terra está a ficar seca e sem vegetação por causa em cerca de 35%, o que afetará a agricultura. A ne-
vocado o degelo, o que põe em risco a sua vida. Con- do Aquecimento Global. Sem água, há uma redução cessidade de pagar mais pela água para a rega pode
sideram os cientistas que esta espécie está em vias da oferta de alimentos, levando a uma migração das vir a pesar na economia da população. Mas a nature-
de extinção e que, no final do século, não restarão populações para os centros urbanos. Recentemente za também é generosa e, na Madeira, há alternativas:
ursos-polares no planeta4. foi um dos países afetados pelo surto de ébola, tendo se o tempo aquecer, florescerá a cultura da banana e
recebido Ajuda Humanitária a população muito po- da batata. Tem sido uma estadia maravilhosa!
Desafio matemático bre, cujos direitos humanos nem sempre são res-
Desafio matemático
peitados pelos governantes.
Qual a temperatura média no Pólo Norte?
Qual a temperatura média na Ilha da Madeira?
Efetua a seguinte operação: -43o + (-26o) Efetua a seguinte operação: 13o + 29o
2 Desafio matemático
2
Qual a temperatura média na Nigéria?
R: R:
Efetua a seguinte operação: 17o + 36o
4 5
Disponível em: Disponível em:
2 http://www.researchgate.net/publication/237675643_IM-
http://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/
urso-polar-em-extincao-e-consequencias-aquecimento- PACTOS_DAS_ALTERAES_CLIMTICAS_NOS_ECOS-
global/ R: SISTEMAS_TERRESTRES_DA_ILHA_DA_MADEIRA

83
matemática AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E OS SEUS IMPACTOS

Grupo 4: japão Grupo 5: Estados Unidos da América


Olá! Sou o Pedro. Estou, há cinco anos, a trabalhar Olá! Chamo-me Maria e, desde que, na infância,
como geólogo no Japão. Gosto de viver em Tóquio, vi na TV uma reportagem sobre as desgraças hu-
onde a temperatura* é agradável, variando de -1°C a manitárias provocadas por el Niño, na América La-
36°C, com tendência a alterar-se devido ao Aqueci- tina, o meu sonho foi sempre estudar as causas e
mento Global. Temos apanhado sustos tremendos… consequências dos desastres naturais. Atualmente
Lembram-se de ouvir falar no tsunami de 2011? vivo nos Estados Unidos da América (EUA), em
Seguiu-se a um tremor de terra e provocou ondas Nova Iorque, e trabalho numa agência de gestão de
gigantes que destruíram cidades inteiras e vias de emergências, coordenando as respostas aos desas-
comunicação, ficando milhões de habitantes sem tres naturais. Nesta cidade as temperaturas* variam
condições de vida, energia elétrica e água potável entre -17°C e 36°C. Em 2012, a costa leste sofreu as
(para beber), situação que levou os governantes lo- consequências dum furacão, favorecido pelo au-
cais a aceitarem a Ajuda Humanitária oferecida pelos mento da temperatura da superfície dos oceanos.
líderes mundiais e voluntários individuais e de orga- A maioria dos cientistas afirma que o Aquecimento
nizações sem fins lucrativos. Global faz aumentar a quantidade de chuva dos fura-
cões, tornando-os mais violentos. Encanta-me este
Nós que trabalhamos cá estamos sempre à espera trabalho, mas sofro com as destruições que provoca.
que algo aconteça. Por isso estudamos a estrutura
da Terra, a sua origem, natureza, transformações
e fenómenos que originam catástrofes naturais,
constituindo uma equipa que integra geólogos e Desafio matemático
outros investigadores.
Qual a temperatura média nos EUA?
Desafio matemático Efetua a seguinte operação:
Qual a temperatura média no Japão?
-17o + 36o
Efetua a seguinte operação: -1o + 36o
2
2
R: R:

84
português IGUALDADE DE GÉNERO
aula d0 5º ano

Disciplina Português

Conteúdo Produção de texto: guião de entrevista;


programático Leitura e compreensão de texto

Breve contextualização
duração 135 min. (90 min. + 45 min.)
para o professor

“Embora muitas mulheres continuem, nas suas vidas diárias, a luta contra as desvantagens baseadas no
género, as coisas mudaram para melhor — e a um ritmo que seria impensável até há duas décadas. As mu-
lheres tiveram ganhos sem precedentes em direitos, educação e saúde, em acesso a empregos e meios de
subsistência. Mais países do que nunca garantem direitos iguais perante a lei para homens e mulheres em
áreas tais como posse de terra, herança e casamento. No geral, 136 países têm, hoje, nas suas constituições,
garantias explícitas para a igualdade de todos os cidadãos e não discriminação entre homens e mulheres.
O progresso não tem acontecido facilmente. E não aconteceu de modo uniforme para todos os países ou
para todas as mulheres — ou em todas as dimensões de igualdade de género. A probabilidade de mulheres
morrerem durante o parto, na África Subsariana e partes do Sul da Ásia, ainda é comparável à do Norte da
Europa, no século XIX. Uma criança urbana rica na Nigéria — menino ou menina — tem em média 10 anos
de escolarização, enquanto garotas rurais pobres da etnia Hausa têm, em média, menos de seis meses. (…)
Divórcio ou viuvez leva muitas mulheres a perderem a sua terra e os seus bens. As mulheres continuam
a agrupar-se em setores e ocupações (…), muitas delas mal remuneradas. E, em quase todos os lugares, a
representação das mulheres na política e nos cargos de alta gerência em empresas permanece inferior à dos
homens.” (Banco Mundial 1 , 2012, p. 2-3)

1
Texto adaptado, disponível em: https://openknowledge.worldbank.org/bitstream/handle/10986/4391/WDR%202012%20
Overview-Po.pdf?sequence=14

85
português IGUALDADE DE GÉNERO
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ - O que podemos concluir em relação ao papel 2 Leitura e interpretação do texto 20’
dos meios de comunicação (televisão, rádio, jor-
• Promover um diálogo breve introduzindo as • Iniciar a leitura conjunta do texto “Yan, o Pequeno
nais, revistas, Internet) na divulgação dos acon-
três linhas de força da unidade didática: Igual- Imperador”2, presente no recurso pedagógico “O
tecimentos, por esse mundo fora? (Escrever no
dade de Género, Meios de Comunicação Social mundo em nós 3” (AIDGLOBAL, 2010).
quadro: MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL/MÉDIA.)
e Entrevista.
• Interpretar as sequências narrativas de forma
- Esses factos são resultantes apenas da observa-
- Será que um bebé, assim que nasce, já tem reflexiva, problematizando as questões ligadas
ção ou há contactos pessoais com os interveni-
direitos? aos papéis mais comummente desempenhados
entes para validar e aprofundar os conhecimentos?
pelos homens e pelas mulheres na sociedade.
- Terá sido assim, desde que as sociedades pro- Que nome damos a esse tipo de conversas?
curaram tornar-se mais civilizadas? - Em que país se passam os acontecimentos
- Temos, então uma nova conclusão. Qual?
narrados neste conto?
- E hoje em dia? (A Entrevista é uma das técnicas que pode ser
bastante útil na pesquisa de informação, divul- - Por que razão Yan vive com a mãe e não com
- Isso acontece em todos os países do mundo?
gação e debate de ideias.) Escrever no quadro: o pai?
- Nesse caso, poderemos dizer que meninos
e meninas, homens e mulheres (não) têm - Na China são raras as crianças que têm irmãos.
igualdade de direitos?! (Escrever no quadro A que se deve esta situação?
IGUALDADE DE GÉNERO.) ENTREVISTA - Numa família chinesa é ainda mais raro os
rapazes terem irmãs. Qual a sua justificação?
- Como sabemos tudo isso, se alguns dos países
e regiões ficam tão longe de nós?
• Suscitar o interesse por uma realidade diferente,
- De que modo é que essas notícias/informa- num país com outra cultura: a do pequeno chinês 2
Disponível em:
ções nos chegam? Yan. Perguntar aos alunos se a querem conhecer. www.aidglobal.org/userfiles/China_tudo%20junto.pdf

86
português IGUALDADE DE GÉNERO

“A China adotou sua política oficial de filho único 3 Chuva de ideias: Igualdade de Género 10’ 4 As desigualdades em Portugal e além-
nos anos 1970, com o objetivo de conter a rápida
• Realizar uma chuva de ideias em torno do concei-
-fronteiras 35’
expansão populacional. (…) A tradicional prefe-
to “Igualdade de Género”. Algumas das questões • Colocar diversas profissões, escritas em papel
rência por meninos criou um desequilíbrio entre
que podem impulsionar esta dinâmica são: e espalhadas pelas paredes da sala, que este-
o número de homens e mulheres, já que alguns
jam fortemente relacionadas com o estereóti-
casais optam por abortos seletivos de acordo - O que é a Igualdade de Género?
po masculino ou feminino. A título de exem-
com o sexo do bebé.”
- Existe, entre os portugueses, igualdade entre plo: bailarino/a, engenheiro/a, costureiro/a,
Em 2013, a China oficializou a reforma da política homens e mulheres? arquiteto/a, professor/a, advogado/a, bombeiro/a,
de controlo da natalidade com a aprovação de médico/a, cientista, mecânico/a, político, polícia,
- De que forma a Igualdade de Género está as-
uma resolução que autoriza os casais a terem maquinista, taxista,…
sociada à redução da pobreza?
dois filhos se, pelo menos, um dos progenitores
• Pedir a cada aluno para, entre todas as pro-
for filho único. (BBC, 2013)3. (A título de exemplo, a igualdade no acesso à
fissões, escolher aquela que gostaria de exercer
educação garante mais oportunidades de tra-
no futuro e posicionar-se junto da mesma. Em
balho e melhor remuneração para mulheres e
seguida, cada um deve explicar as razões da sua
homens.)
preferência.

• Registar, no quadro, as opções dos alunos,


diferenciando a quantidade de rapazes e rapari-
gas que preferiram cada profissão. Estes dados
ajudarão a identificar a influência dos estereóti-
pos na escolha profissional. Refletir, em conjunto,
3
Disponível em: www.bbc.com/portuguese/noticias/ • Ir registando, no quadro, dados significativos sobre as diferenças ou igualdades de género
2013/12/131228_china_politica_filho_unico_rw para o tema a ser trabalhado. nas preferências manifestadas.

87
português IGUALDADE DE GÉNERO

• Visualizar os seguintes vídeos que ilustram situa- “Encontramos, no nosso dia-a-dia, milhares de
ções em que os estereótipos são desconstruídos: notícias em jornais, revistas, televisão e Internet
“Educador de infância: uma profissão de mulher?” (4’) 4 que nos ajudam a entender o mundo e a formar a
“Bombeiro: uma profissão de homem?” (4’) 5 nossa própria opinião. Existem minorias que
têm relativamente poucos representantes.
• Questionar se algum aluno sentiu qualquer
Uma delas são as mulheres. Em 2013, a Uni-
constrangimento por ter escolhido uma pro-
versidade de Nevada analisou 352 notícias de
fissão que, socialmente, tem sido vista como
primeira página do jornal The New York Times
sendo mais do género masculino ou do género 5 Entrevistas 15’
e constatou que, de entre os entrevistados, 65%
feminino, salientando a necessidade de se res-
• Realizar um exercício de simulação para colocar eram homens e apenas 19% eram mulheres
peitarem as escolhas individuais.
os alunos mais à vontade no papel de entrevistador (17% referiam-se a fontes institucionais).
• Visionar um terceiro vídeo que aborda a com- e entrevistado, tendo por base as entrevistas já es-
Essa presença minoritária da voz feminina, na
plexidade da problemática da desigualdade de truturadas (ver materiais nas páginas seguintes).
comunicação social, traz muitos problemas para
género no mundo:
• Dispor os alunos em pares, alternando os pa- a sociedade e para a democracia. É necessário
“A luta das mulheres pela igualdade entre sexos” (10’) 6 péis de entrevistador e entrevistado. Se pos- que os média representem a diversidade, inclu-
sível, fazer-se o registo sonoro da conversa, indo as mais diferentes perspetivas e pontos de
• Tirar conclusões, levando à reflexão de que é
usando um gravador ou o telemóvel. vista, para se criarem reportagens e análises
importante identificar o que está na raiz da dife-
mais ricas e complexas. E isso não será atingi-
renciação e qual o papel de cada um na trans-
do, se as opiniões de metade da população, que
formação social e na construção de um mundo 6 Preparação de um guião de entrevista e… são mulheres, não forem levadas em conta.”
com igualdade de oportunidades para todos. entrevistar uma mulher! 30’ (texto adaptado de Think Olga , 2014) 7.
4
Disponível em: vimeo.com/75384829 • Apresentar o projeto Entreviste uma Mulher 7 Think
5
Disponível em: vimeo.com/75865169
Olga (2014), “Entreviste uma mulher”, dis-
6
Disponível em: www.youtube.com/watch?v=-iDanu5csJw. da Organização Não Governamental Think Olga . ponível em: thinkolga.com/projeto-entreviste-uma-mulher/

88
português IGUALDADE DE GÉNERO

• Envolver os alunos na promoção da Igualdade


de Género, começando por conhecer a realidade Modelo para a elaboração de um guião de entrevista
da sua escola ou comunidade local, incentivan-
do-os à realização de entrevistas a mulheres e
raparigas. Para tal, dividir a turma em grupos, Data da entrevista
visando a elaboração de um guião. Para orientar
esta atividade, pode utilizar-se o modelo à di- Local da entrevista
reita ou trabalhar este conteúdo, de forma mais
aprofundada, com o apoio do Manual Escolar ou Entrevistado (nome)
outro material, sobre o que é uma entrevista, as
Idade
suas etapas e principais regras de construção.
• Aplicar a entrevista, após a receção, por parte Função que desempenha
na escola/comunidade
de cada grupo, da revisão/contributos do pro-
fessor sobre o guião.
objetivo da entrevista

Pergunta 1

Sugestão: As entrevistas podem ser Pergunta 2


gravadas e, sob a autorização da pes-
soa entrevistada, divulgadas pelos Pergunta 3
órgãos de comunicação internos das
escolas e/ou da sua comunidade local,
Pergunta…
de acordo com os recursos existentes.
Agradecimento final

89
português IGUALDADE DE GÉNERO

7 A igualdade começa...em casa! 10’

• Visionar um conjunto de cartoons 8, tendo ENTREVISTAS


em vista sensibilizar os alunos para as atitudes a
ter no dia-a-dia, que garantam maior igualdade
entre géneros. Podem divulgar-se estes cartoons
A
junto da Associação de Pais, para que as famílias
sejam, também, alertadas para esta causa. Entrevistador: Sabia que Portugal é um país onde ainda há muita desigualdade entre homens e mulheres?
Entrevistado: Já ouvi falar disso. Até tive curiosidade em me informar mais sobre o assunto.
8 Síntese da Unidade Didática 5’
Entrevistador: Os salários das mulheres portuguesas chegam a ser 15,7% 9 mais baixos do que os dos homens. Este é um dos
• Finalizar a unidade didática, fazendo a síntese fatores mais penalizadores para as mulheres, em Portugal. O que pensa destes dados?
dos aspetos mais importantes trabalhados ao
Entrevistado: São dados chocantes. Não concordo que as mulheres ganhem menos do que os homens só
longo desse conjunto de aulas.
porque são mulheres! Li num documento da Organização das Nações Unidas que os seres humanos nascem
Ressaltar que a Igualdade de Género é uma
livres, iguais e já com direitos e que, por serem seres inteligentes, têm o dever de se preocuparem e
questão complexa que envolve a garantia dos di-
cuidarem dos outros. Ora, todos os seres humanos significa homens e mulheres.
reitos humanos e a promoção da justiça social,
sendo igualmente um requisito para o desen- Entrevistador: De que forma a Igualdade de Género está associada ao desenvolvimento das sociedades?
volvimento e a paz. Os meios de comunicação
Entrevistado: Ao ter acesso à educação e a uma justa remuneração, mulheres e homens podem mais facil-
social devem ser o espelho de uma sociedade
mente sair da pobreza, ter acesso a cuidados de saúde e proporcionar mais oportunidades aos seus filhos.
que respeita esses mesmos direitos e promove
as mesmas oportunidades para mulheres e homens.
8 9
Disponível em: educarparacrescer.abril.com.br/comporta- Disponível em: www.publico.pt/sociedade/noticia/mulheres-europeias-trabalham-mais-59-dias-para-ganharem-o-mesmo-
mento/dicas-igualdade-generos-784552.shtml#3 que-os-homens-1626584

90
português IGUALDADE DE GÉNERO

B C
Entrevistador: No documento “Índice Global das Diferenças de Género” 10, publicado em Entrevistador: Quando um dia for pai/mãe, vai preferir ter um rapaz ou uma rapariga?
2013, Portugal surge na 51ª (quinquagésima primeira) posição entre 136 países, atrás Entrevistado: Não vou ter preferência, pois o mais importante é a criança ter
de Espanha, Filipinas, Moçambique, Cuba e Austrália. O que tem a dizer sobre estes dados? saúde. Se eu tiver uma menina, vou querer que ela seja feliz. E, por exemplo,
Entrevistado: Achava que havia mais igualdade em Portugal do que noutros eu acho que os homens devem ajudar as mulheres nos trabalhos de casa,
países! pois as tarefas têm de ser divididas.

Entrevistador: Quando se fala em “desigualdade de género”, referimo-nos a quê, em Entrevistador: Sabia que, na União Europeia, as mulheres que trabalham fora de casa
concreto? dedicam, em média, 26 horas por semana às atividades domésticas e os homens apenas
Entrevistado: Bom, eu acho que falamos das mulheres não terem os mesmos
9 horas ? 11
direitos do que os homens, como por exemplo, não poderem ir à escola, não Entrevistado: Bom, de facto, na minha casa, o meu pai ajuda pouco a minha
terem o mesmo acesso aos cuidados de saúde, não poderem participar politi- mãe. Mas eu não concordo e, quando constituir a minha própria família, vou
camente e não terem a liberdade de decisão para se casar e/ou se divorciar, querer que todos dividam as tarefas e partilhem os trabalhos domésticos por
como ainda ocorre em alguns países. igual. Eu, agora, ainda sou jovem, mas ajudo a minha mãe na lida da casa:
faço a minha cama e arrumo o meu quarto, ponho e tiro a mesa, estendo,
apanho e dobro a roupa e outras coisas mais.

11
Dados do “Relatório sobre o progresso da igualdade entre homens e mulheres” (Comissão
Europeia, 2014). Disponível em: http://www.igfse.pt/upload/docs/2014/Relatorio_progressoI-
10
Disponível em: www.weforum.org/reports/global-gender-gap-report-2013 gualdade_homensmulheres2013.pdf

91
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

aula d0 5º ano

Disciplina Português

Conteúdo Ler e interpretar textos literários; Derivação


programático de palavras por afixação (prefixação)

duração 135 min. (90 min. + 45 min.)

Objetivo
• Sensibilizar para as migrações visando conhecer
Breve contextualização e aprender a respeitar a diversidade étnica e cultural
para o professor
Recursos
• Computadores com acesso à Internet e projetor;
• Vídeo (online);
“As migrações internacionais são hoje uma prioridade na agenda política mundial. À medida
• Post-its.
que a magnitude, âmbito e complexidade da questão têm vindo a aumentar, os Estados e
outras partes interessadas têm vindo a aperceber-se das dificuldades e das oportunidades que
as migrações internacionais representam. Em todas as partes do mundo há agora uma maior
consciência de que os benefícios económicos, sociais e culturais das migrações internacionais
têm de ser mais eficazes, e que as consequências negativas dos movimentos transfronteiriços
podem ser melhor resolvidas.” (Gulbenkian 1 , 2005, p. vii)

1
Disponível em: http://www.gulbenkian.pt/images/mediaRep/institucional/fundacao/Benefic%C3%AAncia/forum%20
imigra%C3%A7%C3%A3o/GCIMReport.pdf

92
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ 2 Migrações e Interculturalidade 20’ - O que terá levado as pessoas a deixarem os
seus países de origem?
• Questionar se conhecem ou gostariam de • Extrapolar para o contexto escolar a con-
- Por que terão escolhido Portugal?
conhecer o conto 2 “Meninos de todas as cores” vivência do Miguel com outros povos, focando a
de Luísa Ducla Soares. Visualizá-lo na versão multiculturalidade presente no estabelecimento
adaptada por Lúcia Cruz. de ensino/turma e apresentar alguns dados so-
ciodemográficos pré-recolhidos pelo professor,
• Descodificar o sentido do título, face à viagem designadamente países de origem dos próprios
3 Leitura e interpretação de um poema 30’

do Miguel, e como ele aprendeu a respeitar e a e/ou famílias e número de alunos. • Perguntar aos alunos se acham possível que
admirar a diversidade (evidenciado nos desenhos um tema como as migrações, tão sério, tão
• Considerar a solicitação feita na aula anterior: problemático, tão ligado à sociedade e com tão
diferentes dos outros meninos).
a realização de uma pesquisa individual sobre profundas consequências na vida das pessoas
um dos países representativos da comunidade possa ser abordado em poesia.
• Distinguir o sentido das palavras VIAJAR escolar, evidenciando aspetos que acharem
e MIGRAR, focando o contacto com outras reali- mais importantes (música, escritores, património, • Propor a leitura de um poema de Gabriel Mari-
dades culturais e a aquisição de novos saberes sociedade, economia,…). ano, poeta cabo-verdiano em trabalho de grupo,
INTERCULTURALIDADE. preenchendo, em conjunto, uma ficha de traba-
• Dinamizar uma chuva de ideias tendo por base
lho (ver materiais nas páginas seguintes). Dividir
as pesquisas dos alunos sobre os vários países
a turma em grupos e disponibilizar a cada grupo
(A título de exemplo: Angola, Brasil, Cabo Verde,
cópias do poema e um exemplar da respetiva
Roménia, Ucrânia, China,…).
ficha de trabalho.
• Impulsionar a atividade, introduzindo questões
• Corrigir, colaborativamente, as respostas.
2
Disponível em: http://pt.slideshare.net/cruzluc/meninos-de-
do tipo:
todas-as-cores-7243302 - O que descobriram sobre os respetivos países? • Fazer a leitura declamada do poema.

93
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

4 Clarificação de conceitos e aprofundamento • Identificar os países com maior fluxo mi- 5 Conversas familiares sobre migrações 25’
de conhecimentos 15’ gratório, com base na observação do mapa.
• Convidar a turma a apresentar os resultados
• Clarificar o conceito de “migrantes” e os movi- • Visionar o vídeo “Tipos e causas das migra- do trabalho que desenvolveu, em casa, com os
mentos dele decorrentes: emigração e imigra- ções” 4 (2’24’’). seus Encarregados de Educação: o questionário
ção, recorrendo aos processos morfológicos de sobre migrações que foi entregue na aula ante-
Refletir sobre as causas e consequências das
formação de palavras: palavras simples e com- rior, disponível nas páginas seguintes.
migrações no mundo.
plexas (focando apenas a derivação afixal por
prefixação, fazendo distinção de sentido entre
os dois prefixos).

• Complementar esta temática com a seguinte Sugestão: Orientar a discussão


citação: para uma reflexão crítica sobre
“O mundo tem hoje 232 milhões de migrantes internacionais as migrações e a convivência
(3,2% da população mundial)” 3 (ONU, 2013). entre diferentes culturas e ana-
lisar as raízes dos problemas e
Mapa 1 - Variação do stock de migrantes internacio-
o papel dos cidadãos na mudan-
nais, 2000 - 2013 (percentagens)
ça sistémica que se pretende
para esta problemática.

• Focar o problema social da intolerância (Se


Variação percentual 3
Disponível em: nacoesunidas.org/mundo-tem-232-mil- tiver havido respostas deste teor, aproveitá-las.)
Aumento de 50% ou mais hoes-de-migrantes-internacionais-calcula-onu. e promover o diálogo sobre a importância da in-
Aumento inferior a 50% 4
Decréscimo Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v clusão e integração dos migrantes, relacionan-
=alsQcwTTCdc do-as com a viagem do Miguel.

94
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

6 Espiral da participação: a mudança começa • Projetar a imagem da espiral e distribuir a 7 Síntese da Unidade Didática 5’
em cada um de nós 30’ cada aluno um post-it, pedindo-lhe que registe
• Finalizar a Unidade Didática, recordando os
uma ação que considere importante para pro-
aspetos mais importantes trabalhados ao longo
mover a interculturalidade na dimensão que
desse conjunto de aulas, devendo estes apontar
lhes coube em sorte. Solicitar a cada grupo que
para a importância da valorização da diversidade
vá ao quadro/parede/painel e afixe o conjunto
étnica e cultural e da integração dos migrantes.
de ações que os seus elementos assinalaram.

Espiral da Verificar que há ações que são comuns.

participação

• Dividir a turma em seis grupos e propor-lhes


uma atividade relacionada com o envolvimento e
participação individual na integração social dos • Constatar que acabaram de definir um plano
imigrantes, sob seis perspetivas, a sortear pelos de ação coletivo (do individual ao mundial) para
grupos: 1. Eu; 2. A minha turma; 3. A minha promover a interculturalidade, cabendo a cada
escola; 4. A minha comunidade; 5. O meu país; um empenhar-se e envolver os seus familiares
6. O meu mundo. e amigos, localmente, na sua promoção.

95
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

1
QUESTIONÁRIO AOS
ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO O que são, para si, migrações?

Numa das próximas aulas da disciplina de


português, serão abordados os temas da
Interculturalidade e Migrações. Gostaríamos 2
de conhecer o que a comunidade escolar pensa
Quais acha que são as principais dificuldades sentidas pelos migrantes,
sobre estes temas, para podermos refletir quando chegam aos países de destino?
sobre o assunto, inclusivamente considerar os
contributos de todos para que os imigrantes
se sintam integrados e o que podemos aprender
com as diferentes culturas.
Solicitamos, pois, a sua colaboração.

96
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

3
Na sua opinião, Portugal é um país que acolhe bem os imigrantes? De que modo?

4
O que podemos todos nós beneficiar com a presença dos imigrantes?

97
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

CARTA DE LONGE Tinha Guiné Moçambique


Angola veio e depois
Macau Timor Venezuela
Carta de longe lembrando
Goa Brasil São Tomé
a dispersão dolorosa.
e dos quarenta só quatro
Carta de Boston América
em Cabo Verde ficaram.
de Jorge Pedro Barbosa.
Caminhos brandos p’ra quem
Eram quarenta e só quatro
os pés já sangram doridos
em Cabo Verde ficaram.
ainda meninos os pés
os pés já sangram doridos.
Tinha Brasil Argentina
tinha Dakar-Senegal.
Ó meus destinos inquietos
América vinha primeiro
no inquieto mapa do mundo.
já nos obscuros caminhos.
Eram quarenta e só quatro
em Cabo Verde ficaram.
(…)
Fonte: Mariano, Gabriel (Cabo Verde,1965), 12 poemas de circunstância.

98
INTEGRAÇÃO E VALORIZAÇÃO
português DA DIVERSIDADE ÉTNICA E CULTURAL

FICHA DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DO TEXTO FICHA DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DO TEXTO

1- Organização do poema: 3- Preenche os espaços em branco com palavras retiradas do texto.


a) O poema é constituído por versos. a) Os seis países para onde foram os “quarenta” são:
b) Os versos estão organizados em estrofes.
c) O poema apresenta/não apresenta rima. (Sublinha a opção correta.)
d) Transcreve um exemplo de enumeração presente no texto:
4 - Conteúdo do poema.
a) O tema do texto é sobre:
2- Responde às questões com frases completas, tendo em conta a afirmação:
a alegria do regresso a emigração uma carta a despedida
O poema fala de uma carta.
a) Quem é que a redigiu? b) O assunto do poema é:
b) Onde foi escrita?
c) Quando o poema menciona os “quarenta”, a que é que se refere?

d) O que aconteceu a esses “quarenta”?


c) O sentimento que está sempre presente é:
a resignação a esperança alegria tristeza

99
português LUTA CONTRA A POBREZA
aula d0 6º ano

Disciplina Português

Leitura e compreensão de textos;


Conteúdo Expressões de sentido próprio e figurado;
programático Inferência; Informação factual e não factual;
Sufixos aumentativos e diminutivos

duração 135 min. (90 min. + 45 min.)

Breve contextualização
para o professor Objetivo
• Sensibilizar para a luta contra a pobreza, através da
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (2000), cuja finalização se fixou em 2015, tinham
reflexão crítica sobre as suas causas e consequências
como primeiro objetivo erradicar a pobreza extrema e a fome. Ainda que em algumas partes do
mundo se constatem progressos, por vezes assinaláveis, a consecução deste objetivo ainda está
Recursos
longe de englobar muitas das populações mundiais. A Organização das Nações Unidas alerta
• Computadores com acesso à Internet e projetor;
que “o mundo tem 1 mil milhão de pessoas a viver em extrema pobreza, ou seja, com menos
• Imagens;
de 1,25 dólar por dia. E 60% vivem em apenas cinco países: Índia, Nigéria, China, Bangladesh e
• Texto “Filémon e Báucis” (online);
República Democrática do Congo”. Nesta luta contra a pobreza no mundo, todos temos um papel
• Infografia;
a desempenhar, contribuindo com as nossas reflexões, ideias e ações, no sentido de minimizar
• Post-its.
as causas e as consequências da pobreza mundial. Verificando-se que ainda há muito a fazer,
compete à comunidade internacional decidir qual o futuro quadro mundial para a erradicação da
pobreza. (ONU1 , 2015)

1
Disponível em: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2015/07/mais-de-40-da-populacao-da-africa-subsaa-
riana-vive-na-extrema-pobreza/#.Vh0CzlRVhHx

100
português LUTA CONTRA A POBREZA
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 15’ • Informar que a Grécia é constituída essen- 2 Leitura e interpretação do texto 35’
cialmente por ilhas e montanhas. A mais alta
• Afixar três imagens: mapa da Europa, bandeira • Ler o texto “Filémon e Báucis”, presente nos
chama-se Olimpo. Averiguar se já ouviram falar
da Grécia e figuras de gregos antigos com trajes “Contos Gregos” da autoria de António Sérgio 3.
deste monte. (No qual os gregos antigos acha-
da época.
vam que moravam os Deuses.) • Questionar quanto ao facto de o conto ser
• Convidar os alunos a fazerem a sua leitura grego, mas que, no texto, surge como autor um
• Afixar uma nova imagem: uma pintura de
numa perspetiva espácio-temporal: país euro- escritor português. Referir que muita da litera-
Rijckaert (representando as personagens do
peu, bandeira, habitantes da Grécia antiga. Lem- tura grega era transmitida oralmente e que os
conto que irão ler) 2. Esclarecer que se trata de
brar que a Grécia foi outrora uma região diferentes povos a foram fixando por escrito, em
uma cena de um famoso conto grego.
(Império) muito vasta e importante, que abarcava diversas versões. Este reconto é uma delas.
o atual país, algumas regiões em redor (Chipre, • Identificar as quatro figuras presentes: um
• Fazer a análise da narrativa, focando os
Anatólia, Sul de Itália e França,…), sendo con- casal de velhinhos e dois deuses – Zeus e Hermes.
seguintes aspetos:
siderada o berço da civilização ocidental, da Suscitar o interesse pela leitura do conto.
democracia, dos jogos olímpicos,… Foi famosa, - Localização espácio-temporal: Locais – Mon-
também, pela sua literatura e tecnologia. A cul- te “Olimpo”, “desceram (…) à cidade”, “região
tura grega exerceu poderosa influência sobre chamada Frígia” (hoje na Turquia); Tempo − “há
os romanos, que se encarregaram de a espalhar muito, muito tempo” (período áureo da Grécia
antiga que foi de 800 a.C a 500 a.C), “uma tardinha”.
pelas diversas regiões da Europa. Explicar, a
título de exemplo, que os romanos tinham cren-
ças religiosas semelhantes, mas deram outros
nomes aos deuses gregos, ao traduzirem do 2
3
Disponível em: issuu.com/theras/docs/fil_mon_e_baucis2
Disponível em: commons.wikimedia.org/wiki/File:David_ /4?e=1433258/3776638jpg?uselang=pt Obra recomendada
grego para o latim: Zeus/Júpiter; Hermes/Mer- Rijckaert_(III)_-_Philemon_and_Baucis_Giving_Hospital- pelo Plano Nacional de Leitura e constante das Metas Cur-
cúrio, Afrodite/Vénus, Palas/Minerva. ity_to_Jupiter_and_Mercury_-_WGA20589.jpg?uselang=pt riculares de 2015.

101
português LUTA CONTRA A POBREZA

- Diferenças entre os gregos antigos e atuais 3 Causas e consequências da pobreza 10’ Só conhecemos “a ponta do iceberg”. Registar,
− vestuário, crenças religiosas (politeísmo e no quadro, esta expressão.
• Perguntar aos alunos os aspetos que mais os
monoteísmo).
impressionaram nesta narrativa (O preconceito • Afixar, no lado esquerdo do quadro, a 1ª imagem:
- Personagens principais (Deuses: Zeus, que se faz dos pobres, a pobreza em que os a ponta visível de um iceberg.
Hermes/Mercúrio (asas), Mortais/humanos: velhinhos viviam e o amor que sentiam,…)
Filémon e Báucis) e secundárias (Deusa Pala,
• Colocar a questão: Porque é que os Deuses,
rapazinhos, donos dos cães).
ao assumirem figura humana, se mascararam
- Modo como foram recebidos pelo casal Filé- de “pobretões”?
mon e Báucis – contraste com a receção de
• Referir o valor que o sufixo aumentativo con-
quando chegaram à terra.
fere à palavra: intensidade e depreciação/des-
- Indicadores de pobreza: casa pequena prezo. Fazer a distinção entre sufixos diminuti-
(significado do sufixo diminutivo – ita/casita), vos e aumentativos (casinha e pobretão).
banco tosco, recipientes de materiais pobres,
• Refletir como a situação se pode ligar a
pouca comida e bebida.
problemáticas da atualidade, em concreto à
- Recompensa dos Deuses aos velhos pela sua pobreza e aos pré-conceitos (preconceito) que
bondade: alimentação básica (leite, pão, mel) até se fazem dos “pobres” (inclusive, como a apa-
ao fim da sua existência, prolongamento da sua rência física pode influenciar o julgamento das
vida (sendo velhos, ainda viveram muitos anos) pessoas). Contextualizar o provérbio: “O hábito
e um pedido especial. não faz o monge”.

• Fazer o reconto oral do texto em cadeia: inicia • Concluir que vamos tendo conhecimento muito
um aluno e outros vão continuando. superficial da problemática da pobreza mundial.

102
português LUTA CONTRA A POBREZA

4 A ponta do iceberg 30’


• Colocar a 2ª imagem do iceberg, por baixo da • Estabelecer a relação entre as duas imagens e
outra. o conteúdo dos post-it: tal como com os icebergs
pobreza em que se vê apenas a ponta, mas há muito dele
escondido abaixo da água do mar, o problema
da pobreza é bem maior e mais profundo do que
• Convidar os alunos a explorarem a problemáti- parece à primeira vista. O que sabemos dela é,
ca da pobreza, tão implícita no conto dos Deuses. geralmente, apenas “a ponta do iceberg”.
Registar, no quadro, à direita do 1º iceberg, a
palavra POBREZA.

• Solicitar que, num post-it, os alunos registem 5 Qual é a dimensão da pobreza? 15’

uma palavra ou expressão que associem à


• Lançar as questões: Têm conhecimento do
pobreza. De seguida, deverão colá-lo por baixo
grau de pobreza mundial? Gostariam de sabê-lo?
da palavra que está no quadro.
• Explorar o segundo sentido da expressão “isto • Visualizar a infografia “Os números da pobreza” 4.
• Lançar a questão: Quais serão as causas da
é apenas a ponta do iceberg” (sentido figurado): Refletir sobre os dados nela presentes e finali-
pobreza? Suscitar a resposta, a partir da leitura
conjunta dos post-its. Concluir que a pobreza icebergs são enormes pedaços de gelo que zar com questões do tipo:
é, ao mesmo tempo, causa e consequência de flutuam no mar, sendo que a maior parte fica
- Podemos considerar estes dados relevantes
uma série de problemáticas atuais, tais como a submersa na água.
ou factuais tendo em conta os acontecimentos
exclusão social, trabalho infantil, analfabetismo, Por isso, o dito popular é usado para referir algo apresentados no conto “Filémon e Báucis”?
absentismo escolar, fome, subnutrição, mortali- que aparenta ser pequeno ou simples, ter pou-
dade infantil, epidemias de doenças, desigual- co significado, quando, na verdade, é de muito 4
Disponível em: www.publico.pt/multimedia/infografia/os-
dades de género, entre outras. maior dimensão e profundidade. numeros-da-pobreza-148

103
português LUTA CONTRA A POBREZA

- Como podemos distinguir um facto de um não • Convidar os alunos a realizarem uma cam-
facto? panha de solidariedade na escola ou na comuni-
dade e mobilizar à sua participação. Reforçar
• Concluir que têm de ser encontradas soluções
que as pequenas ações ou gestos de solidarie-
para este problema tão grave para a humanidade.
dade fazem bastante diferença no mundo, con-
tribuindo para maior e justiça social. Combinar,
brevemente, algumas estratégias a utilizar.

6 Chuva de ideias para uma educação mais


participativa 20’
• Propor à turma a realização de uma chuva de
ideias sobre as possíveis soluções para erra-
dicar a pobreza, registando-as, igualmente no
quadro. Criar um cartaz coletivo com estas 7 Síntese da Unidade Didática 10’
soluções.
• Lançar a questão: O que aprendemos nestas
• Questionar sobre quais são as pessoas e as aulas em termos de cidadania?, demarcando as
instituições que os alunos conhecem ou de que linhas de força da Unidade Didática: causas e
tenham conhecimento que contribuem para uma consequências da pobreza e contributos indivi-
sociedade mais justa e equitativa. (Referir os duais e coletivos para a sua erradicação. Constatar
casos de ajuda humanitária: a Organização das que este é um problema que atravessa os tem-
Nações Unidas, o Movimento Internacional da pos e os lugares e é muito mais grave do que
Cruz Vermelha, a AMI,…) parece, à primeira vista.

104
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS
aula d0 6º ano

Disciplina Português

Conteúdo Interação discursiva; Expressão orientada;


programático Interpretação de textos verbais e não-verbais;
Deduções e inferências; Classes de palavras

duração 135 min. (90 min. + 45 min.)


Breve contextualização
para o professor
Objetivo
“De acordo com a Convenção de Genebra de 1951, relativa ao Estatuto de Refugiado, um refu-
• Sensibilizar para a realidade dos refugiados
giado é uma pessoa que “receando com razão ser perseguida em virtude da sua raça, religião,
e compreender as causas que os levam a sair
nacionalidade, filiação em certo grupo social ou das suas opiniões políticas, se encontre fora do
dos seus países
país de que tem a nacionalidade e não possa ou, em virtude daquele receio, não queira pedir a
proteção daquele país (…). O sistema de proteção internacional (…) procura assegurar que os
Recursos
refugiados beneficiem de proteção num país de acolhimento.” (CPR 1 , 2015)
• Computadores com acesso à Internet e projetor;
No entanto, a Convenção de Genebra estabeleceu um critério de seleção limitado na definição de • Fotografias (online);
Refugiado. Já o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) contempla a di- • Infografia (online);
mensão ambiental e sugere a seguinte definição: “refugiados ambientais são pessoas que foram • Post-its.
obrigadas a abandonar temporária ou definitivamente a zona tradicional onde vivem, devido ao
visível declínio do ambiente (por razões naturais ou humanas) perturbando a sua existência e/
ou a qualidade da mesma de tal maneira que a subsistência dessas pessoas entra em perigo.”
(LiSER2 , 2015)

1 2
Disponível em: www.cpr.pt Disponível em: www.liser.eu/pt

105
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS
Atividades passo a passo…

1 Motivação/Introdução à Unidade Didática 10’ 2 Diferentes tipos de refugiados: chuva de cartoonista australiano: Concluir com a ideia de
ideias 20’ que todos pertencem, como nós, a um mesmo
planeta, com direitos consagrados pelas Nações
• Propor uma chuva de ideias com base na
Unidas.
palavra REFUGIADO e incentivar ao diálogo com
perguntas de reflexão do tipo:
- Quando pensam em refugiados que ideias vos surgem? 3 Ser refugiado 20’

- Estes refugiados que se veem nas imagens fogem todos • Propor uma dinâmica com base na questão:
pelas mesmas razões? Tenho de partir para outro país como refugia-
- Quais são as zonas do mundo onde pensam que há mais do. O que vou levar comigo?
refugiados? Entregar a cada aluno um post-it e pedir que
indique nele um objeto para si muito importan-
- Que razões levam uma pessoa a fugir do seu país de origem?
te que levaria de certeza para o país de aco-
- Que problemas podem encontrar nos países de acolhimento? lhimento. Cada aluno levanta-se e cola o objeto
perto da palavra “REFUGIADOS” escrita no quadro.
• Afixar a palavra REFUGIADO , no quadro, e
levar os alunos a tirarem conclusões sobre o(s)
? ? ?
sentidos(s) de refugiado. (Recorrer ao texto da
REFUGIADOS
“breve contextualização para o professor”.)
? ? ?
• Perguntar se a imagem lhes é familiar, uma Constatar que os refugiados são cidadãos do
vez que tem surgido em noticiários da TV e o mundo, habitantes do planeta Terra, situação
que sabem sobre o assunto. A palavra-chave é muito bem definida no desenho humorístico 3
Disponível em: simonkneebone.files.wordpress.
REFUGIADOS. (cartoon) da autoria de Simon Kneebone 3, um com/2014/03/refugees-pic.jpg

106
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

• Complementar com a apresentação de algu- 5 Testemunhos de refugiados 20’ TESTEMUNHO DE UM REFUGIADO


mas fotos de refugiados (do Sudão do Sul) 4 e Com a minha esposa grávida e seis crianças
• Perguntar à turma se gostaria de conhecer
dos objetos que levaram consigo. Comparar
com os escolhidos pelos alunos, possivelmente
a declaração de um refugiado (publicado pela caminhámos por 20 dias
UNHCR). Mostrar/projetar o testemunho.
muito ligados à sociedade de consumo. Quando o conflito começou em Malakal, eu es-
5
Disponível em: tava a trabalhar na cidade como consultor de
• Concluir que os refugiados têm outras priori- infograficos.oglobo.globo.com/mundo/mapa-dos-refugiados- HIV para a ADRA, uma ONG japonesa. Todos os
no-mundo.html
dades. Referir que, muitas vezes, eles não têm membros internacionais da equipa fugiram do
tempo para fazer a mala e se esquecem de levar Sudão do Sul, e os habitantes do local foram
um dos objetos mais importantes: o seu docu- aconselhados a buscar proteção noutro lugar.
mento de identificação, essencial para certificar Com a minha família, refugiei-me numa esquadra
a sua identidade. de polícia e fiquei lá uma semana. Quando a
situação estava a ficar mais calma, essa cidade
foi recapturada pelas forças rebeldes e os con-
4 Refugiados no mundo 10’ frontos tornaram-se tão intensos que tivemos
de nos transferir de Malakal para Nassir. Se eu
• Apresentar um infográfico5 sobre refugiados
estivesse sozinho, teria sido mais fácil, mas es-
no mundo atual e identificar, com os alunos, os
tava com a minha esposa gravidíssima e seis
países de origem da maioria dos refugiados
crianças. Caminhámos durante vinte dias, con-
Verificar, também, os países de destino.
seguimos comida de algumas pessoas que nos
4 abrigaram. Por vezes, tínhamos que vender
Disponível em:
briansokol.photoshelter.com/gallery/The-Most-Important- roupas nossas para conseguirmos dinheiro ou
Thing-Sudanese-Refugees/G0000HnPmGVdcxAc alimento. Foi muito difícil.

107
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

O governo de Martenga irá decidir, nos próxi-


Quando chegámos a Nassir, a minha mulher não • Refletir sobre as ideias presentes no texto,
mos dias, o que fazer, com base nas seguintes
estava em condições de prosseguir − ela estava lançando algumas perguntas orientadoras, no-
propostas apresentadas pelos deputados:
prestes a dar à luz o nosso sétimo filho. Fo- meadamente:
mos assistidos num hospital dos Médicos Sem - Construir um muro de 50 metros de altura ao
longo da fronteira para impedir os refugiados
Fronteiras, em Nassir, onde o meu filho mais - Que sentimentos e reações a leitura deste
de entrar;
novo nasceu. O nome dele é Gatla Hoth Yual. testemunho provocaram em vós?
- Integrar as pessoas no país, contando com o
O Sudão do Sul está, agora, em guerra e eu vim - O que nele nos informa acerca da situação
envolvimento de toda a sociedade;
com a minha família para a Etiópia, por segu- dos refugiados no mundo? (Dificuldades, movi-
rança. No meu país não há comida nem escola mentos de solidariedade/apoio humanitário, - Outra, ainda a decidir.
para os meus filhos. Estou preocupado com o oportunidades de uma vida melhor,…)
seu futuro. Aqui, decerto, vamos conseguir para
• Dividir a turma em dois grupos e selecionar
eles educação e serviços básicos. Se a situa-
ção melhorar no Sudão do Sul, eles terão na sua
6 Jogo de papéis: À procura de soluções 30’ quatro alunos para serem observadores. Pro-
por um debate de ideias, sendo que cada grupo
terra um futuro melhor, sem guerra”. • Comentar o facto de muitos governos estarem
terá um papel predefinido (materiais das pági-
a procurar soluções para resolverem os pro-
Luiz Fernando Godinho, em Gambela, Etiópia. nas seguintes):
blemas dos refugiados, nem sempre as melhores…
Propor a análise da seguinte situação, em traba-
lho de grupo:
1. Grupo dos que são contra o acolhimento dos
refugiados

Anualmente chegam a Martenga cerca de 50 000


2. Grupo dos que são a favor do acolhimento
dos refugiados
refugiados que fogem do seu país devido a
perseguição política e religiosa, sendo que • Quatro alunos terão o papel de observadores.
Fonte: Adaptado de: stories.unhcr.org/pt/minha-es-
posagrvida-6-crianas-caminhamos-por-20-dias-p157.htm 70% são mulheres e crianças. Será sua função estarem atentos às observações

108
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

dos dois grupos e anotarem as suas re-


• Tirar conclusões da atividade, lançando e voluntariar-se para apoiar na integração dos
flexões e sugestões. Não lhes cabe tomar par-
questões do tipo: refugiados.
tido por uns ou por outros, mas devem comentar,
sobretudo, as propostas que referirem atitudes - Que direitos têm as pessoas que são obrigadas a deslocar-se
e comportamentos que valorizam o respeito pe- do seu próprio país? 7 Reforço gramatical contextualizado 20’
los direitos humanos. - O que é que os países de acolhimento podem ganhar com a • Remeter para o texto do testemunho do pai de
• No início da reunião da Assembleia, o professor, chegada de novas pessoas? uma família do Sudão do Sul que foi obrigado a
no papel de mediador, dá as boas vindas aos - Que papel podemos ter no acolhimento e na garantia dos partir para a Etiópia, informando que ele servirá
grupos que irão decidir o futuro da situação dos direitos das populações que são obrigadas a refugiar-se no de base ao reforço dos conteúdos gramaticais já
refugiados em Martenga. De seguida, a atividade nosso ou noutro país? estudados nas aulas. Os alunos irão fazer uma
desenvolve-se através das seguintes fases: ficha de trabalho, individualmente ou em pares
• Referir que o Alto Comissariado das Nações
(materiais das páginas seguintes).
Fase 1: Cada grupo apresenta as suas posições; Unidas para os Refugiados (ACNUR) é um
organismo internacional que tem como missão
Fase 2: Os grupos fazem perguntas uns aos dar apoio e proteção a refugiados de todo o mun-
8 Síntese da Unidade Didática 5’
outros. Nesta fase, podem negociar uma
do. Mencionar, ainda, que, em Portugal, também,
possível solução; • Finalizar a unidade didática, fazendo a sín-
há instituições que os auxiliam − o Conselho
tese dos aspetos mais importantes trabalhados
Fase 3: Os observadores reúnem e trazem para Português para os Refugiados (CPR) que tem
ao longo das aulas, fazendo referência às
o grande grupo as notas mais importantes que inclusive uma casa de acolhimento para crian-
problemáticas que forçam as pessoas a saírem
foram registando durante o debate, sem referir ças e o Serviço Jesuíta aos Refugiados, entre
dos seus países e as dificuldades e/ou oportuni-
nomes de colegas; outras. Foi ainda constituída, recentemente, a
dades que daí lhes advêm. É essencial acolher
Plataforma de Apoio aos Refugiados que con-
Fase 4: Os grupos assinam um acordo pelo fu- grega várias instituições da sociedade civil. As
e integrar os refugiados, garantindo-lhes
turo dos refugiados. proteção ao nível dos direitos humanos.
pessoas podem contactar estas organizações

109
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

cartões para
o jogo de papéis 2
1 3
Grupo dos que são a favor
Grupo dos que são contra do acolhimento dos refugiados Grupo dos Observadores
o acolhimento dos refugiados Defendemos o acolhimento de refugiados. Anualmente Tal como os jornalistas, estes alunos tiram notas dos
Defendemos a construção de um muro de 50 metros de chegam 50 000 pessoas a Martenga, sendo a maioria comentários e observações dos restantes grupos (dois
altura ao longo da nossa fronteira para impedir que mulheres e crianças vulneráveis. Esta gente já passou alunos por grupo). Não podem tomar partido de nenhuma
refugiados entrem no nosso país. Não há condições por muito, pois foram vítimas de perseguição política e posição. Analisam se se verificam as seguintes situações:
financeiras para acolher tanta gente. Anualmente chegam religiosa. Passaram fome e frio, não há futuro para eles
- atitudes e comportamentos que valorizem o respeito
50 000 pessoas e as casas de acolhimento de refugiados nos países de origem. É preciso acolhê-los, tratá-los com
pelos direitos humanos;
só têm vaga para 2000. dignidade e dar-lhes oportunidades, pois todos os seres
humanos têm direitos. - atitudes e comportamentos que se destaquem pela
Defendemos, ainda, a união de esforços da comunidade
capacidade de dialogar e chegar a um entendimento.
internacional para a resolução deste problema. Entre Defendemos o acolhimento dos refugiados e a sua inte-
outras soluções propomos que os países do mundo doem gração no nosso país e, para tal, consideramos que o Após o debate, este grupo irá destacar as afirmações e
mais dinheiro e bens para apoiar as populações vulneráveis governo de Martenga deve destinar uma parte das recei- atitudes que se distinguiram por terem revelado respeito
no seus países de origem. tas dos seus impostos a este projeto. pelos direitos humanos.

110
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

FICHA DE TRABALHO Nomes próprios Nomes comuns Nomes coletivos


GRAMÁTICA

As seguintes atividades têm por base o texto resultante do depoimento do


sul-sudanês refugiado na Etiópia. Deves ter em consideração todo o contexto
dessa entrevista.

Preenche os quadros em branco com as palavras das listas que se seguem:

1
alimento futuro equipa Malakal Dissílabos Trissílabos Polissílabos
dias nome guerra semana
forças comida Etiópia situação
membros educação lugar filhos
Sudão do Sul Gatlat segurança médicos
cidade pessoas crianças serviços
dinheiro condições família polícia

111
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

Verbos no Verbos no Verbos no


Pretérito Perfeito Presente do Indicativo Futuro do Indicativo

2 Verbos regulares Verbos irregulares

abrigaram
buscar vim fugiram
caminhámos estava há
chegámos fiquei nasceu
começou foi terão

112
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

Artigo definido Artigo indefinido Quantificador

Adjetivo numeral Determinante Determinante


3 possessivo demonstrativo

a minha família uma ONG


essa cidade vinte dias
os confrontos o nosso sétimo filho
seis crianças uma semana

113
português INTEGRAÇÃO E APOIO AOS REFUGIADOS

Adjetivo no grau normal Adjetivo no grau superlativo


absoluto sintético

esposa gravidíssima
forças rebeldes
membros internacionais

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115
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