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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA XXX VARA

CRIMINAL DA COMARCA DO RIO DE JANEIRO

PROCESSO Nº: XXX

RODRIGO, já qualificado nos Autos, por intermédio de seu


advogado regularmente constituído (procuração anexa.), vem respeitosamente
perante Vossa Excelência, apresentar CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO na
forma do art. 600 do Código de Processo Penal e nos moldes em anexo.

Espera assim a remessa dos autos a Instância Superior na forma do


art. 601 do Código de Processo Penal

Termos em que,
Pede deferimento.

Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2015.


Advogado - OAB
Apelante: RODRIGO

Apelado: MP DO ESTADO DO RJ

Egrégio Tribunal de Justiça,


Colenda Câmara,
Douta Procuradoria do Estado.

O apelante, já qualificado nestes autos, vem respeitosamente


perante Vossas Excelências apresentar suas CONTRARRAZÕES DE
APELAÇÃO com fundamento no Art. 600 do Código de Processo Penal, pelos
motivos de fatos e direito que seguem:

I. DOS FATOS

No dia 24 de dezembro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro,


Rodrigo e um amigo não identificado foram para um bloco de rua que ocorria
em razão do Natal, onde passaram a ingerir bebida alcoólica em comemoração
ao evento festivo. Na volta para casa, ainda em companhia do amigo, já um
pouco tonto em razão da quantidade de cerveja que havia bebido, subtraiu,
mediante emprego de uma faca, os pertences de uma moça desconhecida que
caminhava tranquilamente pela rua. A vítima era Maria, jovem de 24 anos que
acabara de sair do médico e saber que estava grávida de um mês. Em razão
dos fatos, Rodrigo foi denunciado pela prática de crime de roubo duplamente
majorado, na forma do Art. 157, § 2º, incisos I e II, do Código Penal.

Durante a instrução, foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais


de Rodrigo, onde constavam anotações em relação a dois inquéritos policiais
em que ele figurava como indiciado e três ações penais que respondia na
condição de réu, apesar de em nenhuma delas haver sentença com trânsito em
julgado. Foram, ainda, durante a Audiência de Instrução e Julgamento ouvidos
a vítima e os policiais que encontraram Rodrigo, horas após o crime, na posse
dos bens subtraídos. Durante seu interrogatório, Rodrigo permaneceu em
silêncio. Ao final da instrução, após alegações finais, a pretensão punitiva do
Estado foi julgada procedente, com Rodrigo sendo condenado a pena de 05
anos e 04 meses de reclusão, a ser cumprida em regime semiaberto, e 13 dias-
multa. O juiz aplicou a pena-base no mínimo legal, além de não reconhecer
qualquer agravante ou atenuante. Na terceira fase da aplicação da pena,
reconheceu as majorantes mencionadas na denúncia e realizou um aumento
de 1/3 da pena imposta.

O Ministério Público foi intimado da sentença em 14 de setembro de


2015, uma segunda-feira, sendo terça-feira dia útil. Inconformado, o Ministério
Público apresentou recurso de apelação perante o juízo de primeira instância,
acompanhado das respectivas razões recursais, no dia 30 de setembro de
2015, requerendo:

i) O aumento da pena-base, tendo em vista a existência de diversas anotações


na Folha de Antecedentes Criminais do acusado;

ii) O reconhecimento das agravantes previstas no Art. 61, inciso II, alíneas ‘h’ e
‘l’, do Código Penal;

iii) A majoração do quantum de aumento em razão das causas de aumentos


previstas no Art. 157, §2º, incisos I e II, do Código Penal, exclusivamente pelo
fato de serem duas as majorantes;

iv) Fixação do regime inicial fechado de cumprimento de pena, pois o roubo


com faca tem assombrado a população do Rio de Janeiro, causando uma
situação de insegurança em toda a sociedade.

II. DOS DIREITOS

O recurso de apelação não merece prosperar por se encontrar


intempestivo. O Ministério Público foi intimado da sentença em 14 de Setembro
de 2015, segunda-feira, vindo a apresentar sua apelação em 30 de Setembro
de 2015, de acordo com o art. 593 do CPP o prazo de tal recurso é de 5 dias,
tendo findado o prazo em 21 de Setembro de 2015, portanto, se encontra
intempestivo e não merece prosseguir.
Caso Vossa Excelência entenda por prosseguir com o seguinte
recurso, que seja negado os pedidos de modificação da sentença nos
seguintes termos:

a. Não reconheça o aumento de pena base pelos maus


antecedentes, pois, em nenhuma das ações na qual o réu
figura chegou a transitar em julgado, a súmula 444 defende
que não se aplica ações e inquéritos em andamento para
aumentar a pena do acusado, por ferir o principio da
presunção da inocência.
b. Que seja afastada as agravantes previstas no art. 61, II, "h" e
"l" do CP.

No primeiro caso, a pena não pode ser agravada porque a vitima


estava grávida de apenas um mês e tinha acabado de descobrir seu estado
gravídico e o acusado não tinha como saber do estado em que ela se
encontrava, praticou a conduta sem saber que estava ofendendo uma mulher
grávida.

No segundo caso, não é cabível a agravante da embriaguez


preordenada, pois, essa exige que o acusado se embriagasse para tomar
coragem para praticar o crime, não foi o que ocorreu. Era uma festa em
comemoração ao natal e o acusado apenas bebia com um amigo para sua
diversão, portanto, incabível a aplicabilidade de tal agravante.

c. O membro do parquet pediu pela majoração da pena em


razão das várias causas de aumento de pena aplicadas ao
caso, ocorre que, a medida é totalmente incabível diante de
tal justificação e não merece ser aplicada.
d. O regime inicial de cumprimento de pena exige uma
motivação idônea e não pode ser aplicada em regime mais
severo do que a pena aplicada, a mera opinião do julgador
não é uma justificativa plausível nos termos do entendimento
dos tribunais convertidos em sumula 718 e 719 do STF e 441
do STJ, portanto, a justificativa de regime inicial fechado para
o acusado pelo fato de que o crime de roubo com faca tem
assombrado a população não é motivo idôneo e não merece
prosperar.

III. DOS PEDIDOS

Ante todo o exposto requer a Vossas Excelências seja o presente recurso:

a) Desconhecimento do recurso por sua intempestividade,


conforme Art. 593 do Codigo de Processo Penal.
b) Caso Vossa Excelência entenda por reconhecer, que não seja
provido e mantenha integralmente a respeitável sentença de
1º Grau.

Nesses termos,
Pede deferimento.

Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2015.

Advogado - OAB
ESQUELETO

1. APELANTE / APELADO
RODRIGO / MP DO ESTADO DO RJ

2. Endereçamento:

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS


COLENDA CÂMARA,
DOUTO DESEMBARGADORES

3. Identificação da peça

...vem por seu advogado (Procuração anexa) perante vossa Excelência


apresentar CONTRARRAZOES DE APELAÇÃO com fundamento nos Art. 600
do Código do Processo Penal.

2. Dos fatos

3. Dos fundamentos

a) Observa-se que o réu tinha advogado constituído nos autos, que


posteriormente renunciou. Nessa situação o juiz deveria intimar o réu, que
estava preso, para que este informasse se desejava constituir novo advogado
ou ser assistido pela Defensoria Pública. No entanto, o magistrado encaminhou
os autos imediatamente para a Defensoria, em franca violação ao princípio da
ampla defesa, causando evidente prejuízo ao réu, assim deve-se alegar
preliminarmente a reforma da sentença, com pedido de anulação dos atos
processuais desde a apresentação das alegações finais pela defesa.
b) Deve-se pleitear a absolvição do acusado diante da
desistência voluntária, prevista no art. 15 do CP: “o agente que,
voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado
se produza, só responde pelos atos já praticados”. Assim, o agente só
responderá pelos atos já praticados e não pelo crime tentado. Tendo em vista
que o crime de ameaça é de ação penal pública condicionada à representação
e que o cliente ameaçado nunca levou a efeito representação contra Leonardo,
a absolvição é a medida mais adequada.
c) Por uma questão de eventualidade, caso seja mantida a
condenação do réu, o advogado deverá requerer a revisão da dosimetria da
pena ao juízo ad quem, pleiteando inicialmente a aplicação da pena base no
mínimo legal, porquanto a existência de representação por ato infracional não
justifica o reconhecimento de maus antecedentes, uma vez que a punição do
réu, quando inimputável, não pode figurar como causa de aumento de pena.
d) Deve-se requerer a apreciação da atenuante genérica da
menoridade relativa, pois Leonardo era menor de 21 anos na data dos fatos
(art. 65, I, do CP). Do mesmo modo, a atenuante da confissão espontânea do
acusado de que trata o art. 65, III, alínea d, do CP, que não foi considerada
pelo juiz.

7. Pedidos

a) Absolvição do crime de violação de domicílio;

b) Afastamento da circunstância agravante da reincidência;

c) Consequente diminuição da pena;

d) Fixação do regime aberto para cumprimento de pena;

e) Substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de


direitos.

8. Local, data, assinatura e OAB.


Local, 03 de Setembro de 2013.