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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DO JUIZADO

ESPECIAL CRIMINAL DA COMARCA DE CIDADE...

Processo nº...

GISELE sobrenome..., qualificada nos autos do processo


crime acima referido, vem, respeitosamente, perante Vossa
Excelência, por sua procurada, apresentar MEMORIAIS, em
substituição ao debate oral, nos termos do artigo 4033, § 3º, do
Código de Processo Penal.

I- DOS FATOS

O Ministério Público ofereceu denúncia contra a acusado pela


suposta prática do delito de lesão corporal leve inscrito no artigo 129, caput, do
Código Penal, com circunstância agravantes por ter comedido a acusada lesão a
gestante no dia 01/04/2009.

Todavia, em que pese os fatos descritos na exordial acusatória


e as parcas alegações em sede de memorial, as provas produzidas ao longo da
instrução processual são suficientes para a absolvição da ré Gisele.

II- PRELIMINARES

- DA DECADÊNCIA

Primeiramente, cumpre frisar que o direito de queixa já havia


decaído antes de ter sido informado na delegacia.

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Isso porque, segundo o artigo 38 do Código de Processo
Penal, o ofendido decai de seu direito de queixa crime ou representação se não o
exercer dentro do prazo de seis meses, contados a partir do momento em que a
vítima conhece a identidade de seu agressor.

No caso em tela, o delito supostamente pratica ocorreu no dia


01/04/2009 e foi noticia a delegacia no dia 18/10/2009, ou seja, 17 dias depois do
prazo legal.

Assim, verifica que o processo não deve prosseguir, visto que


não devia ter nem sido recebida a denuncia, pois já havia o direito de oferecer
queixa decaído.

- DA NULIDADE

Ainda em sede de preliminar houve nulidade do processo, por


inobservância do rito da Lei 9.099/95, anulando-se o recebimento da denúncia, com
a consequente prescrição da pretensão punitiva.

Isso porque os fatos datam de 01/04/2009 e a pena máxima


em abstrato prevista para o crime de lesão corporal leve é de um ano, que prescreve
em quatro anos (Art. 109, inciso V, do CP). Como se trata de acusada menor de 21
anos de idade, o prazo prescricional reduz-se pela metade (Art. 115, do CP),
totalizando dois anos.

Com a anulação do recebimento da denúncia, este marco


interruptivo desaparece e, assim, configura-se a prescrição da pretensão punitiva.

III- MÉRITO

Não sendo acatadas as preliminares arguidas pela defesa, de


igual forma não há provas suficientes para ensejar na condenação na ré, visto que a

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materialidade do delito não restou comprovada, conforme estabelece o artigo 158,
do Código de Processo Penal.

O delito de lesão corporal exige perícia, seja direta ou indireta,


o que não foi feito na instrução do feito. A única testemunhal não viu nem os fatos e
nem mesmo os ferimentos da vitima.

Além disso, não há nenhuma circunstancia agravante alegada


pelo Ministério Público.

Considerando que a ré agiu em hipótese de erro sobre a


pessoa, artigo 20, §3º do Código Penal, deve ser considerada apenas as
características da vitima pretendida, ou seja, as características a serem observadas
são de Amanda e não da vítima que estava grávida.

Além disso, não incide a agravante da reincidência, pois a


aceitação da proposta de suspensão condicional do processo não acarreta
condenação e muito menos reincidência; Gisele ainda é primária.

Assim, deve ser acolhida a tese defensiva com a absolvição da


ré Gisele.

IV- DOS PEDIDOS

ISSO POSTO, requer:

a) A extinção da punibilidade da ré pela decadência do direito


de representação;
b) A declaração de nulidade do processo da pretensão
punitiva;
c) A absolvição da ré com fundamento na ausência de provas
para condenação, subsidiariamente em caso de

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condenação a ré não deverá ter na pena a incidência de
circunstância agravante de ter cometido crime em mulher
grávida, bem como a não incidência da reincidência e a
atenuação da pena como consequência à aplicação da
atenuante da menoridade relativa da ré.
Nestes termos,
Pede deferimento.

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