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Súmula 534-STJ

Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO PROCESSUAL PENAL


EXECUÇÃO PENAL
Falta grave e interrupção do prazo para a progressão de regime

Súmula 534-STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a progressão de
regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração.
STJ. 3ª Seção. Aprovada em 10/06/2015, Dje 15/06/2015.

Falta grave
A Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/84) prevê as situações que configuram falta grave.
As situações de falta grave irão variar conforme o condenado esteja cumprindo pena privativa de
liberdade ou restritiva de direitos.
 Hipóteses de falta grave para réus que estejam cumprindo pena privativa de liberdade: estão
previstas no art. 50 da LEP;
 Hipóteses de falta grave para réus que estejam cumprindo pena restritiva de direitos: estão elencadas
no art. 51 da LEP.
 Hipótese de falta grave aplicável tanto para réus que estejam cumprindo pena privativa de liberdade
como para condenados a pena restritiva de direitos: prática de crime doloso (art. 52, caput, 1ª parte).

Hipóteses de falta grave para condenado que esteja cumprindo pena privativa de liberdade
A Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/84) prevê um rol de situações que configuram falta grave do
condenado que esteja cumprindo pena privativa de liberdade.
Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:
I — incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;
II — fugir;
III — possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem;
IV — provocar acidente de trabalho;
V — descumprir, no regime aberto, as condições impostas;
VI — inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei;
VII — tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a
comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso provisório.

Além dessas situações acima, a LEP prevê uma hipótese que constitui falta grave tanto para condenados
que estejam cumprindo pena privativa de liberdade como para os que estejam cumprindo pena restritiva
de direitos. Trata-se da prática de crime doloso, situação trazida pelo art. 52, caput, 1ª parte da LEP. Veja:
Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave (...)

Falta grave acarreta a interrupção da contagem do tempo para a progressão


Se o condenado comete falta grave, há a interrupção da contagem do tempo para a concessão da
progressão de regime. Em outras palavras, a contagem do requisito objetivo é zerada e deve reiniciar-se.
Para a jurisprudência do STJ, se assim não fosse, ao custodiado em regime fechado que comete falta grave
não se aplicaria sanção em decorrência dessa falta, o que seria um estímulo ao cometimento de infrações
no decorrer da execução.

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Vejamos o seguinte exemplo:
“A” foi condenado a 6 anos por roubo (roubo não é hediondo, salvo o latrocínio).
“A” começou a cumprir a pena em 01/01/2010 no regime fechado.
Para progredir ao regime semiaberto, “A” precisa cumprir 1/6 da pena (1 ano) e ter bom comportamento
carcerário.
“A” completaria 1/6 da pena em 31/12/2010.
Ocorre que, em 30/11/2010, “A” fugiu, tendo sido recapturado em 15/12/2010.
A fuga é considerada falta grave do condenado (art. 50, II, da LEP).
Como “A” praticou falta grave, seu período de tempo para obter a progressão de regime irá reiniciar do zero.
O prazo se reinicia a partir do cometimento da infração disciplinar. No caso de fuga, a contagem do tempo
é recomeçada a partir do dia da recaptura. Isso porque enquanto o reeducando está foragido, ele continua
praticando a falta grave. É como se fosse um estado de permanente falta grave. Assim, o prazo para a
progressão só irá recomeçar quando ele for novamente preso.
Logo, para que “A” obtenha o direito à progressão, precisará cumprir 1/6 do restante da pena período
contado a partir de 15/12/2010.
Até o dia da fuga, “A” cumpriu 11 meses. Restam ainda 5 anos e 1 mês de pena. Desse período, “A” terá
que cumprir 1/6. Conta-se esse 1/6 do dia da recaptura (15/12/2010).
Dessa feita, “A” atingirá 1/6 em 19/10/2011.
Em suma, o cometimento de falta grave pelo apenado implica o reinício da contagem do prazo para obter
os benefícios relativos à execução da pena, inclusive para a progressão de regime prisional.

Cuidado para não confundir. Consequências decorrentes da prática de falta grave:

EXECUÇÃO PENAL
Consequências decorrentes da prática de FALTA GRAVE:

ATRAPALHA NÃO INTERFERE

 PROGRESSÃO: interrompe o prazo para a  LIVRAMENTO CONDICIONAL: não


progressão de regime. interrompe o prazo para obtenção de
 REGRESSÃO: acarreta a regressão de regime. livramento condicional (Súmula 441-STJ).
 SAÍDAS: revogação das saídas temporárias.  INDULTO E COMUTAÇÃO DE PENA: não
 REMIÇÃO: revoga até 1/3 do tempo remido. interfere no tempo necessário à concessão
 RDD: pode sujeitar o condenado ao RDD. de indulto e comutação da pena, salvo se o
 DIREITOS: suspensão ou restrição de direitos. requisito for expressamente previsto no
 ISOLAMENTO: na própria cela ou em local adequado. decreto presidencial.
 CONVERSÃO: se o réu está cumprindo pena
restritiva de direitos, esta poderá ser convertida
em privativa de liberdade.

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