ERRO DE TIPO CONCEITO – é um erro que incide sobre um dado da realidade, da vida real, concreta.

Assim, para que um erro incidente sobre um dado da realidade seja considerado erro de tipo, é preciso que a situação sobre a qual incidir o erro esteja descrita num tipo penal como elementar ou circunstância. A denominação “erro de tipo” deve-se ao fato de que o equívoco do agente incide sobre um dado da realidade que se encontra descrito em um tipo penal. Assim, estamos diante de um erro de tipo quando o agente erra, por desconhecimento ou falso conhecimento, sobre os elementos objetivos do tipo, sejam eles descritivos ou normativos; ou seja, o agente não conhece todos os elementos a que, de acordo com o respectivo tipo legal de crime, se deveria estender o dolo. OBS: 1) Erro de tipo x erro de direito – embora o tipo esteja previsto em lei, o erro de tipo não é um erro de direito. Ao contrário, ele incide sobre a realidade, ou seja, sobre situações do mundo concreto. As pessoas, ao agirem, não cometem enganos sobre tipos, como se os estivessem lendo antes de praticar os mais comezinhos atos. Os equívocos incidem sobre a realidade vivida e sentida no dia-adia. Quando essa realidade, seja situação fática, seja jurídica, estiver descrita no tipo, haverá o chamado erro de tipo. Assim, este incide sobre situação de fato ou jurídica, e não sobre o texto legal (até porque não se escusa o desconhecimento ou mal conhecimento da lei). Exemplo: o agente vai caçar em área permitida, olha para uma pessoa pensando ser um animal bravio, atira e mata. O erro não foi “de direito”, mas sobre a situação fática (confundiu uma pessoa com um animal). O fato, porém, sobre o qual incidiu o equívoco está descrito como elementar no tipo de homicídio (matar alguém – pessoa humana). Assim, em razão de erro de fato, o sujeito pensou que estava cometendo um irrelevante penal (caçar em área permitida) quando, na verdade, praticava um homicídio. 2) Erro de tipo x erro de fato – o erro de tipo também não se confunde com erro de fato. Erro de fato é o erro do agente que recai puramente sobre situação fática; já o erro de tipo recai não só sobre os requisitos ou elementos fático-descritivos do tipo (que para serem reconhecidos não precisam de nenhum juízo de valor – ex.: filho, gestante, mulher, etc.), como também sobre requisitos jurídico-normativos do tipo (que para serem conhecidos necessitam de juízo de valor – ex.: coisa alheia, documento público, mulher honesta, etc.). Assim, o erro de tipo pode recair sobre situação jurídica, o que o torna inconfundível e muito mais amplo que o erro de fato. ESPÉCIES – (i) Erro de tipo essencial – é o que incide sobre elementares e circunstâncias do tipo penal. Com o advento da teoria finalista da ação e a comprovação de que o dolo integra a conduta, chegou-se à conclusão de que a vontade do agente deve abranger todos os elementos constitutivos do tipo. Desejar, portanto, a prática de um crime nada mais é do que ter a consciência e a vontade de realizar todos os elementos que compõem o tipo legal. Nessa linha, o erro de tipo essencial ou impede o agente de saber que está praticando o crime, quando o equívoco incide sobre elementar, ou de perceber a existência de uma circunstância. Daí o nome erro essencial: incide sobre situação de tal importância para o tipo que, se o erro não existisse, o agente não teria cometido o crime, ou pelo menos não naquelas circunstâncias. Assim, a característica do erro de tipo essencial é que ele impede o agente de compreender o caráter criminoso do fato ou de conhecer a circunstância. O erro de tipo essencial comporta três subespécies: a. Erro incidente sobre elementar de tipo incriminador – o equívoco incide sobre uma realidade que está descrita como elementar de um tipo incriminador (ex.: caçador atira em bailarino supondo ser uma gazela, pessoa pega caneta de outrem pensando ser sua, etc.). A conseqüência deste erro de tipo é que ele sempre

Erro incidente sobre elementar de tipo permissivo ou DESCRIMINANTE PUTATIVA POR ERRO DE TIPO – tipo permissivo é aquele que permite a realização de um fato típico. quando na verdade está errado. o agente terá cometido crime doloso mas não responderá por ele. há que se indagar se o erro era evitável ou inevitável. 21 CP e são as mesmas do erro de proibição direto ou propriamente dito. e portanto exclui a culpa. eventual erro quanto à idade da vítima será erro incidente sobre elementar do tipo incriminador. Ele supõe que está diante da causa que exclui o crime porque avalia equivocadamente a norma: pensa que esta permite. supõe que o injusto é justo.: estupro.: pessoa após naufrágio pensa que está em alto mar e. a descriminante putativa compreende: a) a legítima defesa putativa. quando na verdade ela proíbe. pois guarda relação com a violência. retira a bóia de outro náufrago que acaba morrendo. para salvar-se. ignora-se apenas a circunstância. pois de qualquer forma o resultado era querido pelo agente. mas apenas na imaginação do agente (putativo = imaginário). Conseqüências – encontram-se no art. imagina que age certo. ii. para fins de reconhecimento de violência presumida nos crimes contra os costumes. Há duas espécies de descriminante putativa: i. e não erro incidente sobre circunstância c. diz-se que é escusável. sendo portanto acessória e tendo por objetivo apenas influir na pena. O dolo não pode ser excluído porque o engano incide sobre a culpabilidade e não sobre a conduta. se o erro for evitável. imaginando a ocorrência de uma causa de exclusão da ilicitude (ex. Erro incidente sobre circunstância – nesta hipótese. etc. o erro incide sobre uma situação não tão importante. legítima defesa. Assim. sem configurar infração penal (trata-se das causas de exclusão da ilicitude). Se o erro incidir sobre circunstância. b. Assim. Descriminante putativa por erro de tipo .). porquanto descrita pela lei como circunstância de um tipo penal.na descriminante putativa por erro de tipo o agente se equivoca sobre uma situação de fato.exclui o dolo. tripulante de helicóptero em pane atira o companheiro do . verificando-se depois que tudo se passou no raso. que não será reconhecida. c) o exercício regular de direito putativo. e desta forma inescusável. ele não exclui o dolo. atentado violento ao pudor. se evitável. ele só não sabia da existência da circunstância agravante ou atenuante. o agente será responsabilizado pela modalidade culposa.: estado de necessidade. não havendo estado de necessidade que justificasse a atitude. Quando o tipo admitir a modalidade culposa. OBS: Idade da vítima nos crimes contra os costumes praticados com violência ou grave ameaça – o fato da vítima contar com menos de 14 anos. Não há erro sobre a situação de fato. Se o erro for inevitável. Se o erro for inevitável. que é elementar dos crimes contra os costumes praticados com violência ou grave ameaça (ex. etc. Não há qualquer engano acerca da realidade. porque o sujeito na verdade nunca sabe que está cometendo um crime. Descriminante putativa por erro de proibição – o agente tem perfeita noção de tudo o que está ocorrendo. não é circunstância mas sim elementar. responderá pelo crime doloso com pena diminuída de 1/6 a 1/3. Assim. Por outro lado.) (ex. Putativo é aquilo que não existe na realidade. mesmo que seja uma circunstância atenuante do delito. b) o estado de necessidade putativo.

seja o erro evitável. excluirá a culpa apenas se a conduta tiver sido inevitável (erro escusável). se a conduta for evitável (erro inescusável). etc. o fato é que ela mais se parece com o dolo. que pensava tratar-se de um ataque contra a sua pessoa. não exclui nada e o agente responde por crime doloso tentado ou consumado. aplica-se a pena do crime culposo (tentado ou não). apesar de ser condenado por crime doloso. pessoa assiste filme de terror e um parente seu aproxima-se vestido de monstro para assustá-la e é morto pelo expectador do filme de terror. inevitável. com diferentes efeitos jurídicos: a. tentativa de homicídio culposo). não existindo o estado de necessidade apto a justificar a conduta. Erro essencial que recai sobre elementar – sempre exclui o dolo. exclui a culpabilidade. nem mesmo com emprego de cautela.aparelho pensando que só há um pára-quedas. decorrem diferentes efeitos jurídicos. pois todo erro essencial o exclui.o erro de tipo essencial pode ser escusável ou inescusável. ou seja. tampouco o fato típico. se evitável. por isso a sua denominação correta deve ser apenas “descriminante putativa”. evitável. Este erro não exclui o dolo ou a culpa. Erro essencial inescusável – é aquele indesculpável. Erro essencial inescusável que recai sobre elementar – sempre exclui o dolo. que não poderia ter sido evitado nem mesmo com o emprego de uma diligência mediana. que poderia ter sido evitado se o agente empregasse mediana prudência. b.). A culpa nesta hipótese é a denominada culpa imprópria ou por extensão ou assimilação. responderá o agente pela modalidade culposa. invencível. mas caso haja previsão da modalidade culposa. que é reconhecida apenas em razão de uma extensão do conceito. seja inevitável. Formas . Se o agente não sabia que estava cometendo o crime. nos exemplos dados). b. exclui o dolo. mas não a . vencível. pois apesar do agente agir na maioria das vezes com imprudência na avaliação incorreta da realidade. uma vez que estava presente a intenção de praticar o verbo. por desconhecer a existência de elementar. Na verdade. o que revela erro quanto a excludente de legítima defesa. Erro essencial escusável que recai sobre elementar – sempre exclui o dolo e a culpa. se a vítima sobrevive. 2ª Posição – a descriminante putativa por erro de tipo não é erro de tipo. Se o erro não podia ser vencido. Erro essencial escusável – é aquele desculpável. não se pode dizer que o agente procedeu de forma culposa. OBS: Vítima sobrevive na hipótese de descriminante putativa por erro de tipo – nos exemplos dados. por questões de política criminal. quando inevitável. trata-se de um erro “sui generis” e não um erro de tipo. A conseqüência deste erro é que. que é a única hipótese aceita pela doutrina de crime culposo tentado. Conseqüências – do fato do erro essencial ser escusável ou inescusável. c. reconhece-se a tentativa de crime culposo (nos exemplos dados. bem como do fato de recair sobre elementar e circunstância. quando na verdade há dois. Neste último caso. Conseqüências – 1ª Posição – a conseqüência este erro de tipo é a mesma do erro incidente sobre elementar de tipo incriminador. jamais poderia querer praticá-lo. de atingir o resultado (matar. a saber: a.

não se pode dizer que o agente não se houve com um mínimo de culpa. OBS: 1) Legítima defesa – se o agente estava em legítima defesa. Pode ser: i. d. errando o alvo e atingindo vítima diversa (ex. portanto é um erro que não traz qualquer conseqüência para o direito penal. nessa espécie de erro acidental. é irrelevante indagar sobre a evitabilidade do erro. o agente por ele responde como se não houvesse o erro. acaba atingindo também um terceiro inocente. a menos que haja excesso culposo na legítima defesa. ii. por erro na execução. mas realiza o crime de forma desastrada. Erro essencial que recai sobre circunstância – quando o erro incidir sobre a circunstância. de sorte que o agente não responderá por crime algum. Erro sobre a pessoa – é o erro na representação mental do agente. na medida em que não traz qualquer conseqüência jurídica. impondo-se a pena do crime mais grave. Erro na execução ou ABERRATIO ICTUS – “aberratio” significa erro. ou seja. Com resultado duplo ou unidade complexa – nesta hipótese. pois todo erro de tipo essencial exclui o dolo.). o agente responde por crime doloso com relação ao primeiro resultado e crime culposo no que toca ao segundo resultado (aplica-se a regra do concurso formal. se o fato for punido sob a forma culposa. pretendendo atingir determinada pessoa. o agente responderá por crime culposo.(ii) culpa.: quer matar enteado mas acaba matando por engano seu colega de escola. desvio. Com resultado único ou unidade simples – ocorre quando o agente.). responderá pelo crime doloso em concurso formal imperfeito. pois os resultados diversos derivam de desígnios autônomos. somando-se as penas. como o agente sabe perfeitamente que está cometendo um crime. Conseqüência – a conseqüência jurídica é a mesma do erro sobre a pessoa. golpe. a conseqüência será inexoravelmente a exclusão do crime. isto é. b. etc. Conseqüência – neste caso. o agente atinge quem ele queria. mas. Em outras palavras. que olha um desconhecido e o confunde com a pessoa que quer atingir. Tal erro é absolutamente irrelevante. acaba atingindo outra por erro na execução do crime. Como este erro não impede a apreciação do caráter criminoso do fato. Há cinco sub-espécies de erro de tipo acidental: a. Quando o tipo não admitir a culpa. levam-se em consideração as características da pessoa que o agente queria atingir na tipificação do crime e aplicação da pena.: erro de pontaria.: quer furtar saco de arroz mas furta saco de cebola – responde pelo furto de qualquer jeito. deixando de se reconhecer a atenuante. agravante ou qualificadora. esta excludente de antijuridicidade também é reconhecida em face dos terceiros atingidos. Se o erro poderia ter sido evitado com um mínimo de cuidado. Erro sobre o objeto – o erro sobre o objeto é o erro sobre a coisa.). Conseqüência – o agente responde pelo crime de qualquer jeito pois seu erro não o impediu de saber que cometia um ilícito (ex. Assim. aumentada de 1/6 até a metade – o aumento varia de acordo com o número de vítimas atingidas por erro). c. Vale frisar que . não havendo forma culposa no tipo. desvio da trajetória de projétil. Erro de tipo acidental – é um erro que incide sobre um dado irrelevante da figura típica. etc. Conseqüência – levam-se em consideração as características da pessoa que o agente queria atingir na tipificação do crime e aplicação da pena. etc. O agente não se confunde quanto à pessoa que pretende atingir. o sujeito pensa que “A” é “B” (ex. 2) Dolo eventual quanto aos terceiros inocentes – se o agente agir com dolo eventual quanto aos terceiros inocentes. e. ele sempre a excluirá. “ictus” significa execução.

isto é. somente se cogita do aberratio ictus com unidade complexa quando os terceiros forem atingidos por culpa.quando houver dolo eventual com relação a terceiros. Como se pode afirmar ter havido “erro na execução” quando o agente quis atingir todas as vítimas? Assim. não se poderá falar em aberratio ictus. . por erro.

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