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O filósofo italiano Nicolau Maquiavel revolucionou o pensamento da ciência política ao buscar entendê-

la como realmente é.
Nascido em Florença no dia 3 de maio de 1469, o filósofo Nicolau Maquiavel ficou conhecido
principalmente por descrever as dinâmicas do poder. Em vez de formular teorias sobre como o estado ou
o governante ideal deveria ser, dedicou-se a dissecar a realidade. Ao fazê-lo, há quem diga que criou um
manual com estratégias e métodos sobre como os governantes deveriam se comportar para manter e
expandir o poder. Mas há também quem considere que ele, na realidade, alertou o povo sobre os perigos
da tirania.
Atualmente, o mais aceito é que as reflexões de Maquiavel formaram as bases do pensamento realista da
ciência política moderna, e a imoralidade atribuída a elas na verdade provém de uma interpretação
descontextualizada. Mesmo assim, o termo “maquiavélico” se tornou um adjetivo usado para qualificar
pessoas sem escrúpulos, traiçoeiras e sem respeito pelas leis morais.

Entenda melhor o pensamento de Maquiavel em 5 pontos:

1. Os fins justificam os meios


À primeira vista, a frase erroneamente atribuída a Maquiavel (ela não aparece em O Príncipe e em
nenhum outro texto do filósofo) é a que melhor parece resumir seus pensamentos. Afinal, em sua obra
mais conhecida o filósofo dissecou a política sem escrúpulos, mostrando que o que a move é a luta pela
conquista e manutenção do poder. Não importa se para isso for necessário romper com valores morais
impostos pela Igreja e pela sociedade, que não deveriam restringir a ação do rei ou do governante.
O que ele defende, na realidade, é que na política a ética é utilitária e a moralidade deveria ser medida
com base em atos que sejam úteis à coletividade, mesmo que com isso acabe ferindo valores individuais.
2. Virtude é mais importante que sorte
Um dos pontos mais centrais do pensamento de Maquiavel é a dicotomia entre virtude e sorte, ou
“fortuna”. Um príncipe, ou governante, virtuoso é aquele que não necessariamente é pérfido, mas sabe
conquistar seus favores para manter o poder e expandir o domínio sem depender do acaso. Na visão do
filósofo, ser virtuoso é saber o momento certo de agir e de não fazer nada, sem deixar margem para a
fortuna. Algumas interpretações enxergam isso como ser diabólico ou ardiloso.

3. Crueldade bem usada


Sobrepor a virtude à sorte pode significar também ter sabedoria para ser mau quando necessário:
Maquiavel defendia que, para salvar o Estado, um governante deveria saber “não ser bom”, mentindo ou
parecendo piedoso se a situação exigisse, de modo a manter a segurança e o bem-estar de seu povo. A
crueldade, nesses casos, seria justificável e bem usada.
4. É preferível ser temido que amado
O amor é um sentimento inconstante, visto que as pessoas são naturalmente egoístas e podem alterar sua
lealdade quando bem entenderem — ou, nas palavras do próprio Maquiavel, o amor é mantido por
vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários. Já o temor em ser castigado não
pode ser ignorado com tanta facilidade e, portanto, não falha.
5. Razão de Estado
Todas as observações de Maquiavel tinham, no fundo, a intenção de mostrar que o objetivo da política era
manter a estabilidade social e do governo a todo custo. Cabe lembrar que o contexto em que vivia era de
guerras e disputas, em uma Itália fragmentada e com o poder muito ditado pela Igreja.

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