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TESOI.

IRO
I)Ê EXEIIIPLOS
I ïr.rÌrtitre

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Ps. franciscu Âlvus.
c. ss.R.
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P. IìRANCISCOALVES. C. SS.R.

TE,SÕURO DE E,XEMPLOS
Para Us,o de Sacerdotes,Professóres,
Catequistase F'amílias, na Igreja,
na Escola e no Lo'r.

"Exempla magis, .
quam verba, movent".

V O L U M EP R I M E I R O
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II EDIçÃO

,.*
1958 :è
E DI T Ô R A V O Z E S L T D A., PE T R ÓP OLISR
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R ro D E J AN ET R O- S ÃO P AU LO
B EL O H OR IZ O N T E ''{
IMPRIMATUR
POR COMISSÃO ESPECIAL DO EXMO.
E R E V M O . S R . D O M M A N U E L P E D R OD A
CUNHA CINTRA, BISPO DE PETRÓ-
P O L I S . ' F R E I D E S I D É R I OK A L V E R K A M P ,
o . F . M . P E T R ó P O L r S .2 2 - 1 0 - 1 9 5 7 .

IM PRIMI POTEST
PENHA, 11 DE OUTUBRO DE 1952.P.
ANTÔNIO MACEDO C. SS. R. SUP.
PROVINCIAL.

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS


1*lïnt'

EX EM PLA M O V E N T. ..

Tôda criança gosta de ouvir historinhas.Em casa, na es-


cola, no colégio, na igreja, onde quer que estejam,as crianças
ficam quietinhas,atentas, que até parecem não respirar, quan-
do se lhes conta uma historinha bonita, um exemplo edificante.
O vigário, o missionár,io,a professôra,a catequista,todos
sabem isso por experiência.
Ora, ensinar catecisngr,presidir reuniões de cruzadinhos,
preparar cem, duzentas crianças para a primeira comunhão,e
não lhes contar 'historinhas emocionantes,é arriscar-se a fua'
cassar.Depois de algum tempo,meia hora se muito, estão abor-
recidas,desinteressadas, querem sair, conversam,brincam, bri-
g a m : é a a n a r q u i a ,é a d e b a n d a d a . . . E n ã o a d i a n t a g r i t a r ,
ameaçar,dar beliscões,puxões de orelha.. . nada, nada adianta.
E no dia seguinteo rúmero já será menor: os maioresnão vol-
tam. . . os medrosoYnão se arriscama entrar.. . os miudinhos
pouco entendeme ainda menos aprendem.. .
E, contudo, é mister ensinar à multidão infantil, que não
ouve falar de Deus, que cresce sem catecismo,Qüe perambula
pelas ruas, as verdadesde fé, os preceitosdivinos, a doutrina
consoladorada salvação.
Como se há de qonseguirque crianças,sempre irrequietas
e buliçosas,estejamafentas,não conversem,escutem,rezem,can-
tem, fQuem na fila?
Um poderoso meio de conseguir silêncio, atenção e inte-
rêsse é contar-lhes algum exemplo atraente, sugestivo, cheio
de emoções,bastante infantil e inteligível.
Os exemplos,como se encontramnos livros, são pouco mo-
vimentados,resumidos,breves... E' natural; pois livros volu-
mosos,quem os adquiriria,quem os leria?.. .
Por isso, a catequista,a professôra,o padre, que vai con-
tá-los, deve ler e meditar s exemplo preferido,a fim de descre-
vê-lo, ampliá-lo, dar-lhe vida e colorido e movimento, drama-
tizâ-lo, enfim. Contar com desembaraço,isto é, contar com as
=*-,

mãos, os braços, a cabeça.. . falar com os olhos.. . rir ou


clrorar.. . aterrar ou entusiasm
ar . . . lazer rir ou aÍrancar lá-
grimas de comoção.. . o mais sugestivo,o mais patéticopossível !
ConsegLre alguém clar vicla e calor às historinhasque conta
com a linguagem dos olhos, a expressãodo rosto, os movi-
n r e n t o sd o c o Í p o , a e n t o a ç ã od a v o z. . . ê s s e a l g u é m é s e n h o r
das crianças,poderá ïazer com elas o que quiser.
Narrado o exernplo,aproveitara boa disposiçãodo audi-
tório: ïazer ,repetirpor algum dêles a historinhae logo encai-
xar qualquerponto cle doutrina,recomendação ou aviso, um pe-
d i d o , u m a j a c u l a t o r i a.. .
N a p r e s e n t ec o l e ç ã on ã o s e e n c o n t r a me x e m p l o si n v e n t a d o s
por r-ìos;são autênticos,mesmo que não venha mencionadoo
a u t o r . À l u i t o s d ê l e s ,a l i á s , s ã o c o n t a d o sp o r d i fe r e n t e sa u t o r e s
coÍÌl peqllenasvariações.Isso nã,oplejud:ca.o narrador tem Ii-
b e r d a d ed e a m p l i a r ,c o l o r i r ,e n f e i t a rq u a l q u e re x e n i p l o o
. essen-
cial é que, no fur-rdo, o exemploseja possível,veríclico,doutrinário.
P o r f i n i , m u i t o p a r a d e s e j a rs e r i a q u e e s t a c o r e ç ã oa n d a s s e ,
também,nas mãos ciasmãezinhase clasvovirs,que imensobcm
f a l i a m a o s f i l h o s e a o s n e t i n h o s c, o n t a n d o - l h eas m i ú d o l i n d a s
históriascapazesde formar-lheso coraçãoe o carâterno ver-
cladeirosentidocristão.
A Nossa SenhoraAparecida,nossa .È.lra Rainha, consa-
gramos esta pequenasementedo bem, rogando-lheque a faça
crescere produzir frutos de salvaçãoentre as criançasdo nosso
q u e r i d oB r a s i l .
ADVERTÊNCIA

Vários autores naÍram, com pequenasmodif:cações,os mes-


mos exemplos.Por isso, em vez de citar, depoisde caclaexem-
plo, o nome de algum escritor,preferimosindicar aqui apenas
as principaisobras utilizadasnesta coleção.

Madrid.1944.
C. SS.R., A los Nifios,Pláticasy Ejemplos.
RamónSarabia,
Ramón Sarabi,a, Sermones. Ma{id. 1946.
P. Gerard, S. 1., AÍio Cristiano. Buena Prensa, Méxìco.
" Franz Spirago, B,eispiel-Sammlung.Lingen. 1926.
los. Fattinger, Der Katechet erzâltit. 1938.
Mons. B. Castegnaro, Il Catechismo agli Adulti. Vicenza. 1947.
l. Tusquets,,Manual de Catecismo. Barcelona. 1944.
R. V. Ugarte, S. /., Puntos de Catecismo. Bilbao. 1947.
l. Tusqu,ets,La Religión explicada a los Mayorcitos. Barcelona. 1946.
losé P. Grandmaison, Apuntes y Ejemplos de Catecismo. Buenos Ai-
res.1949.
Vicenzo Muzzatti, Proà-Íuario di Sentenze, Fatti e Similitudini. Torino-
Roma. 1937.
D r . I . C o l o m b o , P b r o . , N u e v a s H o m i l i a s D o m i n i c a l e s .V e r s i ó n C a s t e l l a n a .
La Plata. 1947.
!"

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l.

MENINA, LEVANTA.TE !

Jairo, o presidentede uma das sinagogasde Cafarnaum,


está angustiaclíssimo.Sua filhinha de doze anos acha-segÍave-
mente enfêrma, e sua cura é desesperada.Como única e extre-
ma solução recorre a Jesus. Sabe que acaba de regressar de
Gêrasa,e sai ao seu encontrg.
Senhor diz-lhe com voz angustiosa minha filha
está merrendo.Vem, impõe a tua mão sôbre ela para que sare
e viva.
O Mestre,sempremisericordioso e amlcíssimodas crianças,
acede, e imediatamentese põe a caminho; mas a multidão o
rodeia e aperta de tal forma, nas ruas estreitasda cidade, que
o detém mais tempo do que Jairo o quiserae a enfermidadeda
menina o permitia.tdor isso, antes de chegarem a casa, en-
contram-secom alguns criados,que dão a seu amo a fatal no-
tícia da morte da pequena.
Pobre pai! Cheio de esperançasrecorreraao Redentor;no
caminho vira crescer seu otimismo com a cura milagrosa da
hemorroíssalmas tôdas as suas ilusõesse desmoronam.E' tar-
de. Morrera. Têm ruzão seus criados: para que incomodar e
cansar mais o Mestreï'Jesus,porém, consola-o,dizendo:
- Não temas, crê e tua filha será salva.
eç;. Chegam a casa. Cobre-a o luto. Ali estão a exercer o seu
* ofício mercenário
as carpideirase os flautistas funerários -
importação pagã introduzida nos costumesjudeus; os parentes
e amigos rodeiama família.
- Por que choraise estaisalvoroçados? - lhes diz Jesus.
- A meninanão está morta, mas dorme.
Os que o ouvem falar assim riem-se dêle, pois viram o ca-
dáver e têm a certezade que está morta. Não saben que para
o Senhor da vida aquela morte é um breve sono, cujo despertar
está próximo.
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Jesus ordena que aquela gente se retire e penetra na ct
mara mortuâria acompanhadosó dos pais da defunta e de
três de seus discípulos.
Sôbre o leito estendem-se rígidos e frios os membrospá-
lidos do cadáver.
Aproxima-se,toma entre as suas a mão alabastrinada me-
ntna, e ordena com autoridade:
Talitha, cumi! Menina, levanta-te!
E com grande espanto de seus pais a menina levanta-se
e começaa andar.
Ressuscitou? Sim; não só ressuscitou, mas está além disso
completamente curada;tantoassimque logo começaa alimentar-se.
Operadoo milagre,Jesusretira-se,ordenandosilêncio,por-
que quer evitar aclamaçÇese demonstrações de entusiasmo.
Ape-
sar disso, como eïa natural, a noticia do prodígio espalhou-se
por tôda aquela região.

2.
O FILHO DA VIÚVA

*, Naim, aldeia situada na encosta seÈntrional do Pequeno


'j Hermon, a trinta e oito quilômetrosaproximadamente de Ca-
farnaum,foi teatro de um dos maioresm:lagresde Jesus.
;. Caia a tarde. O sol estava a ponto de esconder-seatrás
das montanhas,quando o Salvador,acompanhadode seus dis-
cípulos e de uma multidão que não podia separar-sedêle, su-
t:
bia pelo estreitocaminhoque dava acesfo ao lugar.
*.
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Próximo da porta da aldeia,teve de ceder o passoa outro
Ê cortejo que dali saía em direçãocontrária.Era . um entêrro.Sô-
bre um esquife,sem caixão, conduziamo cadáver dum jovem,l

j. envoìtonum lençol.
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Atrás vinha com os parentese amigos a mãe muito triste
e desolada.Era viúva e o defunto,quase menino ainda, era o
seu único filho e seu futuro arrimo. Morrera. Que seria dela
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?:. dali em diante?
n Informado do que se passava,Jesus,sempremisericordioso
e e compassivo,disse àquela viúva inconsolável:
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- Não chores,filha.
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E, aproximando-sedo féretro, lêz sinal para que parassem


e o deitassemno solo. Tôda gente se apinhou ao redor do Sal-
vador. Que iria acontecer?
os entusiastasdo divino Taumaturgo estavam acostuma-
dos a vê-lo operar estupendosmilagres; mas, com um morto,
que eÍa levadoà sepultura,què poderia êle fazer?
Os olhos daquela gente, arregaladospela curiosidade,náo
perdiam os menoresmovimentosdo Mestre.Jesus,olhando para
o cadáverdaquelerapaz, pálido e ríg:do pelo frio da morte, or-
dena-lheem tom imperativo:
- Môço, eu te digo, levanta-te!
o calafrio da emoçãoeletrizouos circunstantes. Não havia
dúvida, o morto ressuscitara.Todos podiam ver como o cadá-
ver se movia e a sua côr lívida desaparecia;os olhos brilha-
vam, os lábios abriam-se;o .defuntofalava.
Já não está morto. Vivel-vivea sua vida plena.
E Jesus,tomando-opela mão, entrega-oà mãe, güe, der-
ramando lágrimas de comoçãoe alegria, prostra-sepor terra
para dar graças ao Senhor da vida e da morte.

3.

n õuna DE uM cRrADo
Depois do sermão da Montanha, entrou Jesus em Calar-
naum. Achava-seali um centuriãoQüe,embora gentio, simpati-
zava com os Judeusa ponto de edificar-lhes,à sua custa, uma
sinagoga.
Certamenteouvira talar de Jesus, e é muito provável que
o conhecesse de vista e até tivesseouvido mais de uma vez suas
pregaçõese presenciadoalgum milagre.
Cai-lhe enfêrmo um servo "a quem ama muito". Sofre um
ataque de paralisiae está quase à morte.
O centurião,gue o ama deveras,deseja a todo transe a
sua cura e, ao inteirar-sede que Jesusestá no povoado,pensa
poder alcançardêle o que por meios naturaispareceimpossível.
E' humilde e não se atrevea ir em pessoater com o Mes-
tre. Como pretenderum tal favor, êle, um gentio? Mas, como
está bem relacionado,envia uma comissãode pessoasprinci-
pais do lugar.

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Estas, apresentando-seao Salvaclor,transmitem o pedido


do centurião. E, para mais ínclinarem o ânimo do benfeitor,
elogiam o centurião e enumeramos benefíciosrecebidos.
Jesus,todo atençãoe bondade,acolheu amàvelmenteos re-
presentantes do militar, dizendo:
- Eu irei e o curarei.
E pôs-se imediatamentea caminho.
Avisado de que o Salvador se dirigia a sua casa, assus-
tado com a grandezado favor, enviou-lhe o centurião alguns
amigos que lhe dissessem:
Senhor, não te incomodes.Não sou digno de que en-
tres em minha casa; dize, pois, uma só palavta e meu servo
ticará curado.
E explicoumais claramenteo seu pensamento, dizendoque
eÍa um simples oficial subalterno.e 9u€, apesar disso, apenas
dava uma ordem a seus inferiore-s,êstes lhe obedeciam.Não
poderia Jesus,sem o incômodode ir a Sua casa, ordenar que
a enfermidadecessasse?
Jesus mostrou-seadmirado ao ouvir tais palavras e disse
aos que o seguiam:
Em verdade,em verdade vos digo que nem em Israel
encontreitamanhafé.
Em seguida operou o milagre à dÌvância e naquele mo-
mento o paralítico que estava em perigo de morte sarou ins-
tantâneamente.

4.

HOJE ENTROU A SALVAÇÃG NESTA CASA

Logo que em Jericó se espalha a notícla da chegada do


Salvador, todos os seus habitantes correm para a rua ao en-
contro do homem extraordinárioque tantos milagres vem ope-
rando.
Uma grande multidão o cerca e acompanha por tôda a
parte, ao passo que outros tomam posiçãoao longo da rua paÍa
vê-lo quando passar por ali.
Zaqueu,homem riquíssimoe muito influente,é o chefe dos
arrecadadoresde impostos da cidade de Jericó, o centro co-
mercial mais importantede Israel.

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Ouviu falar de Jesus, e simpatizou com êle porque não I
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desprezaos de sua profissão,táo odiados pelo povo. ì:
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Quer vê-lo, mas náo o consegue;a sua pequena estatura


não lhe permite contemplá-lopor cima das cabeçasda enorme
multidão. Esforça-sepor abrir passagematravés da muralha
humana estendida ao longo do trajeto, mas nã.o o consegue.
Ocorre-lhe,então, uma idéia. No afã de ver o Messias,esque-
ce-se de sua dignidade,calca aos pés o respeito humano e,
correndo para a frente do cortejo, sobe ao tronco nodoso dum
sicômoro,firmando-senos galhos.
A multidão passa junto da árvore. Zaqueu está encantado
com o que vê. No centro do cortejo caminha Jesus,humilde e
magnífico, doce e grave ao mesmo tempo. Ao chegar em frente
da árvore, ergue os meigos olhos, fixa-os naquela exígua fi-
gura e diz:
Zaqueu, desce depreïsa porque é mister que hoje me
hospedeem tua casa.
Zaqueu estremecede emoção ao ouvir chamar-sepelo no-
me. O Rabino extraordinârio,a quem tanto desejara ver, irâ
hospedar-seem sua cása.
Desce apÍessadamente da árvore e, satisÌeitíssimopela dis-
tinção, Ieva-o a sua casa.
A gente imbuída-de espírito farisaico escandaliza-se, ven-
do que o Messiasvai hospedar-seem 'casade um publicano.
Êste, tendo sentido o aguilhão da graça penetrar em seu
coração,a ela sabe corresponder e dirigindo-seao Salvadordiz:
Senhor, darei aos pobres a metade de tudo quanto te-
nho e, se em alguma coisa defraudeiao próximo, devolver-lhe-ei
quatro vêzes mais.
Jesus acolhe os buns propósitos do pecador arrependido
e os aprova e bendiz com as palavras:
- Hoje entrou nestacasa a salvação.

5.
O MoçO RICO

Dirigindo-sea Jesus,pergunta-lhe:
- Bom Mestre,que hei de fazer para herdar a vida eterna?
Se queres salvar-te, cumpre os mandamentos,isto é.,
nã,o matarás, não cometerásadultério, não furtarás, não dirás
Íalso testemunho,honrarás teu pai e tua mãe e amarás ao pró-
ximo como a ti mesmo.

13

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- Tôdas essascoisastenho observadodesdepequeno;que


é que me falta ainda? :
P.ara sêres perfeito, vende tudo quanto tens, reparte-o
pelos pobres,e terás um tesourono céu. Depois,vem a mim e
segue-me. 1
- Eu, Mestre?
Sim; virás comigo; andará,sde cidacle em cidacle, de
u m a a l d e i aa o u t r a .
- Sim, Mestre,é belo!
- Teus vestidosterão, como os meus, o pó vermelhodos .
caminhos.Comerás,como os meus discípulos,o pão vindo da
e s m o l a . . . P o r e n q u a n t o ,v a i , v e n d e o q u e p o s s u i se , p o b r e e
humilde, vem comigo, e não penses mais no teu amanhã.
- l{as, Mestre, é tão difícil.*..
- Achas?.. . Vai rico e volta pobre, eis tuclo.. .
- À4ssf 19, tenho palácios.. . mobíliasfinas. . . arcas cheias
de pedras preciosas.. . possuovinhas, rebanhos.. . Mestre, sou
rico, mas quero salvar-me,quero o céu. . . Dize-me, Senhor,
ainda uma vez, que devereifazer?
- Vai, vende tudo; dá-o aos pohres e volta pobre; e
segue-me
- Mestre. .
- Jâ vais?
- Mestre, adeus.. .
- A d e u s ,m ô ç o .. .
Com os ombros curvados,,olhandopara o chão, o môço re-
tira-se vagarosamente. . . Está triste.. . -
O Mestre,também,triste e pensativo,suspira:
Como é difícil entrar um rico no reino de Deus! In- !
felizes os que se apegam às riquezas! . . .
João, ouvindo isso, pergunta:
- Senhor,quem poderá salvar-se?
O que para os homensé impossível,para Deus não o é !
O môço rico vai caminhando,lentamente.Parece carregar
todo o pêso do mundo. Na curva do caminho,pára, olha para
trás, como quem se despedede uma felicidadeperdida.. .
Depo:s,estuga o passo e. . . desaparece.

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6.
O CEGO À BEIRA DA ESTRADA

Jesus, acompanhadode seus discípulos,após longa cami:


nhada, estava para entrar na cidade de Jericó.
À beira da estrada, não muito longe das habitações,es-
tava um cego sentado,pedindo esmola. Aquela estrada, uma
das mais freqüentadaspelos peregrinos, era, certamente,um
{f
ponto bem escolhido pelo cego para estender a mão aos ã
transeuntes.
Naquela hora, porém, a esmola que ia receber não era
apenasgrande, eÍa a maior que podia desejarem sua vida. $
Ouvindo o tropel de gente que passava, perguntou: i

- Que movimentoé êsse? Quem é que está passando?


- E' Jesus de Nazaré,.disseram-lhe. I
l',
Jesus.Aquêle nome não lhe era desconhecido;pelo con- t.
t
trário. Iâ ouvira talar de muitos milagres operados por êle. l{,
sabe que Jesus,sempre caridoso e bom, restituíra a luz dos t-.
t
olhos a diversos outros cegos como êle. i
Quem sabe se não teria chegado,tambérn para êle, a ho- i1
i
ra da graça, o momento da cura? J
t;'
Cheio de espera{.J,põe-sea clamar: I
[I i ;
- Jesus,Filho cle David, tem piedadede mim! \"
i€
Era como se dissesse:senhor, tu és o Messiasprometido;
f . ï
t::
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tu és o Filho de Deus feito homem; tu podes curar-me,resti- I ::,
i"È
i \'',

tuindo-mea vista. !;
Interiormente,êste cego enxergava muito mais do que os i{
t3
pobres judeus obcecado.Manifestauma fé viva, uma confiança Ì,i
i,Ì
firme, um grande desasgombro.
l.r
Apesar de o repreenderem os que vinham à frente, man-
l;=
dando que êle se calasse,suspeitandoque quisessepedir algu- l',r
l á

ma esmolaa Jesus,nem por isso deixa de repetir: i*


fF' l1
:1
- Jesus,Jesus,tem piedadede mim que sou um pobre cego. i
[.i
Nosso senhor, quando mais perto, ouve aqueÌa voz rasti- Í'.-.4
tirf'
mosa,pára no meio da estradae diz aos que estãojunto ao cego: t.4
t .il

Tomai-o pela mão; trazei-o aqui. Eu quero vê-lo de t*


perto, quero falar-lhe.
conduziram-lheo cego e Jesus,embora conhecesseperfei-
tamentequal o pedido daqueleinfeliz, para que o mesmofizesse
uma profissãode fé no poder de Deus, perguntou-lhe:
- Que queresque eu te faça? Que é que pedes?

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l*r:

[Ê.
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- Senhor,ïaze que eu veja, pois é tão triste ser cego.Não
enxergo,não vejo nada dêste mundo; Senhor,taze que eu veja!
E Jesus,diante da fé viva do cego, usa de seu poder e de
sua bondade,dizendo simPlesmente:
- Vê! A tua fé te salvou. \
E no mesmo instanteo homem abriu os olhos e admirado, i

comovido até às lágrimas, começoua ver. E, em vez de correr


para CaSa,a Contar aos SeuSa graça que recebera,permanece
ão lado de Jesuse o vai seguindo,agradecendoa Deus e ben-
dizendoo seu Benfeitor.
Foi, então, que também todo o povo, que presenciouo mi-
lagre, pôs-sea louvar e bendizera D e u s .

7.
SEJAMOSRETRATÕS DE DEUS

Não podemosviver proÍanandoe manchandoa imagem di- r

vina que trazemosem nossa alma. Nosso dever é trabaÌhar em ?

todos os momentosde nossa vida e com todos os auxílios que


recebemosde Deus, para conseguirmosque êsse retrato divino
seja cada dia mais semelhanteao modêlo que temos diante dos
olhos. O nosso modêlo consumadoé Jesus-Cristo.
Quem é JesusCristo? E' o mistério da pobreza... Apre-
senta-seno mundo num estábulo. Repousa sôbre duras palhas
num mísero presépio . . . Chama a si os pobres: com êles se
ajunta e quer que formem a côrte do novo reino que veio fun-
dar neste mundo.
Quem é Jesuscristo? o mistériodo trabalho.. . Encerra-se
numa oficina e trabalha para comer o pfo amassadocom o suor
do seu rosto.. . Anda de cidade em cidade,espalhandoa dou-
trina da verdade e a sementeda perfeição.Êle mesmo afirma
que não tem uma pedra païa repousara cabeça.. .
Q u e m é J e s u sC r i s t o ? O m i s t é r i od a v e r d a d e . . . F a l a e m
É- tôda a parte. Fala das doutrinasmais elevadas.Trata dos pro-
i.- blemas religiosos, os maiores que jamais foram tratados nc)
mundo. Ouvem-no'seus inimigos, procurando surpreendernêle
i

algum êrro. . . Não o conseguem. Êle é o único homemem cujos


láb:os jamais apareceu a sombra fatídica do êrro e do engano. \ I

Quem ,é Jesus Cristo? O mistério do amor. . . Amou até


F
à abnegaçãomais absoluta, amou até ao sacrifício' amou Seus
t

16!

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.
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verdugos,seus inintigos,atnou atê tazet-senosso alitnento,amou


ate à morte da cruz. . .
Quem é JesusCristo? O ruistérioda humilhação... Lavou
os pés de seus discípulos.Subiu a uma cruz e ali naquelema-
deiro, que era o patíbulo dos escravos,ali o contemploua hu-
rnanidadedesnudoe abandonadode todos.
Quenr é Jesus Cristo? O mistério da obediência.. . Obede-
ceu desde o berço até o túmulo. Não se desviottnem un ápice
do caminho que lhe traçou o Pai celeste.
Quem é JesusCristo? E' o mistério do poder. . . Contra êle
se levantaram todos os partidos políticos de sua nação. Os que
representavam a lei e a religião coligaram-setambém contra êle.
Até seus amigos mais íntimos na hora da dor o abandonaram.
Estava só. . . Mas, afinal, triunfou de todos êles. Hoje, os que
ontem o odiavam são pó e cinza levadospelo vento: Êle reina
sôbre os povos e sôbr,eos corações.. .
Quem é JesusCristo? E' o mistério da glória. . . Triunfou
cla morte. Subiu aos céus. Ali está sentado à direita de Deus
Pai. Dali há de vir para julgar os vivt-rse os rnortos.E a sua
glória náo terâ fim.
Eis ãí, ern resutro, quem é Jesus Cristo. Todos os Santos
procuraÍam ser rsflstos perfeitíssimosdêsse Deus QU€, como
diz S. Agostinho, païa isso precisamentese tëz homem, para
que tivéssemoso modêlo mais admirável de Deus. Trabalhemos
e copiemosas divinas virtudes que nêle resplandecem.

8.
SALVO PELA MrSSA
o PAJE-À4

Tinha S. Isabel de Portugal urn pajem muito virtuosoe pie-


doso a quem encarregavade distribuir suASesmolas.Outro pa-
jem, que ambicionavaaquêlecargo, por ser muito,invejoso,acu-
sou-o junto ao rei de um grande crime, de um pecado muito
feio. Acreditou o rei nas mentiras do pajem perversoe resolveu
matar o pajenzinhoda santa rainha.
Ordenoua um homem,que tinha um forno de cal, que lan-
çasseao fogo o primeiro criado que chegassepara informar-se
se haviarncumprido as ordens do rei.
Em seguidamandou ao pajenzinhoque Íôsse levar o recado
ao cfonodo Íorno. O rapaz partiu imediatamente;mas, ao pas-

TcscruLt I - 2 t7

'"!

.l.r.r.*tr
F ìJ
't.
í

sar por uma igreja e ouvindo tocar para a missa, resolveuou-


vi-la antes de ir adiante.
Enquantoa ouvia, o rei, impacientede saber se tinha mor-
rido, mandouo pajem caluniadorque fôsse perguntarao homem
do Íorno se havia executadoa ordem do rei. Correu tão depressa
que chegouprimeiro ao forno e, dando o recado,o homem ime-
diatamenteo lançou ao fogo.
M estava ardendo, quando, pouco depois, chegou o pa-
jenzinho da rainha, que assistiraà missa tôda, e perguntouse
haviam cumprido a ordem do rei.
Tendo recebidouma respostaafirmativa, correu ao palácio
para comunicá-laao rei. F
Êst'e,ao ver o rapaz, ficou estupefato,e adivinhou as se-
cretas disposiçõesda Providência Divina, que permitira o cas-
tigo do culpado e a salvaçãodo inocente.
Um menino chamado Renato,*a quem o pai contou êste
caso, ficou tão impressionadoqlte não sòmentequis ouvir mui-
tas missas,mas ainda fazer-se padre para poder celebrar para
outros o santo Sacrifício.

9.
O MENINO QUE FOI ENFORCADU TRÊS VÊZES

Estamosna Palestina,pâtria de Jesus,onde se disse a pri-


meira Missa e os Apóstolosfizeram sua primeira comunhão.. .
E que é hoje a Palestina?Terra de desolação,de maometanos,
cismáticos,judeus e poucoscatólicos.
Um menino cismático de oito anos começou a sentir-se
atraído à religião dos católicos,a seustantos e festas que lhe
contavamseus companheiros.
Um dia quis ir ver. Com muito segrêdo, por temor dos
pais, assistiuà missa numa capela.
Ficou encantado.Depois da missa continuou ali com as
crianças do catecismo.Terminada a cerimônia,o Padre, que
não o conhecia,aproximou-seclêlepara saudá-lo carinhosamente.
O coração estava ganho, e o menino, às escondidas,continuou
a ouvir a missa todos os domingos.Um dia, porém, o pai o
descobriue perguntou-lhe:
- Você estêvecom os malditos católicos?
- Sim, papai.

18
- Eu não lho proibira?
- Sim, senhor.
- Jura-meque não voltarâ lâ?
- Não posso,pois em meu coraçãosou católico.
- Então você não jura?
- Não, senhor.
- Enforcá-lo.ei.. .
- O senhor pode enforcar-me.
Passou o bârbaro uma corda a uma viga do teto e o laço
ao pescoçodo filho e puxou-o para cima. Quando os pèzinhos
do menino deixaram de mover-se,o pai o desceu,soltou o laço
e, vendo que ainda estava vivo, disse:
- Agora você me promete de não ir ter com aquêles
m a l d i t o s. .
- Não, papai, não pa;so.
Segunda e terceira vez repetiu o pai o cruel suplício, mas
nã,o conseguiumudar o propósito do menino. Disfarçando,en-
tão, a sua cólera, tentou o bárbaro pai outros meios.
Tomandoem seus braçoso corpo extenuadodo pobrezinho,
disse:
- fi{as, meu filho, você não me ama?
- Amo-o, pap4.
- Como é, pois, que não quer me obedecer?
- E' que eu amo a minha alma mais do que a meu pai.
O menino,pouco a pouco, recobrouas fôrças e logo se fêz
batizar, tornando-secatólico.
Seu pai e sua mãe morreram de tifo no ano seguintee não
muito depois teve o pequeninomártir a morte de um' santo.

10.
AS MISSAS PELO PAPAI

Refere o Pe. Mateo, apóstolo da devoção ao' Sagrado Co- ì


ração de Jesus,QUe,.estando na Inglaterra em tempo de muito
frio, preparava para a primeira comunhãoum grupo de crianças
I
de se:s a nove anos.
Dizei a vossas mamãesque estou pregando o reino do
Sagrado Coração e que vós haveis de ser seus missionários.
Depoisque acabeide pregar,veio uma menininhae disse-me:

19

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$.$F$S.:'-.'''; ì:'- :.,{{:'::+.f,Fã+]|+.ËF.],f.rG
':{F\li:iÈ
atl l,:
::ìi:r::ì.:s\-J È;:.j..;:.*ri:;-tFfg;S-
"5íiì:.r$
.i:r -.

Padre, nleu pai nunca vem à igreja. Vou contar à nla-


mãe o que o Sr. nos disse e eu nunca perdereia rnissa.
Eu lhes havia pregado sôbre o Coraçãode Jesuse peclido
que me ajudassenta salvar alntas ouvinckrulÌla ou nrais missas.
A menina,chegandoa casa, clisseà rnamãcque todos os
dias iria ouvir nrissaspor seu papai.
- De ntanhátaz muito frio, filhinha.
- Não faz nral, mamãe,preciso ïazer algunr sacriiíciopa-
ra salvar a alma de meu papai.
- $sp, faça como quiser.
Três mesesdepois encontrei-mecom a mesma menina.
- Padre, disse, desde então não perdi nem uma missa.
Às vêzes tazia muito frio e eu tinha muito sono porque a missa
é tão cedo.. . mas o Sr. sabe o que eu digo a Jesusquando o
tenho no meu. coração?.. . Digo-lhe que vou ouvir missa e
comungar tôdas as manhãs por meú papai, para pagar o res-
gate por êle, para estar em seu lugar diante do Santíssimo,a
fim de que salve a sua alttta. Para isso estou aclui na sagrada
mesa, meu bom Jesus.
Criança admirável! Não Ìiquei sabendo se Jesus lhe
atendeuos pedidos; mas não hâ dúvida que o ïará'a seu tempo.
Não pode o bom Jesuspermanecersurdo a tais pedidos.Re-
ferindo-sea uma criança,diz un poeta: -
Pedidosdos lábios teus
p o d e mm u i t o ! . . . O s p e q u e n i n o s
sabem segredosdivinos
Conversamntuito corn Deus!

11.
U M A M I S S A .. . U M C A V A L H E I R O . . U M R E T R A T O .

Saberãoas almas quando se dizem missaspor elas?


Mônica, uma jovem muito boa e piedosa,está convencida
que sim. Era ela uma pobre criada, que ganhavao pão servin-
do nas casasdos ricos, simples,cheia de fé, contentecom o tra-
tamento e o pequenosalário que lhe davarn,pois Deüs a tizera
abnegadae sabia que a EIe sc podc servir ent qualcluerofício.
Mas um dia adoeceue não teve remédio senão internar-se
no hospital dos pobres. Depois de seis semanasderam-lhe alla;
perdera, porém, o emprêgo e úo sabia onde refugiar-se,débil

20
-:
N! ,1

,rS:5..1,",.'

' e sem recursos.Uma moeda de prata era tôda a sua fortuna;


ntas seu coraçãoestava cheio de confiançaem Deus. Toma a
sua ntoeclae ntanda celebrarunra santa missa pelas almas do
purgatório,a fim de que elas lhe consigamuma boa colocação.
' Ouviu a missa devotamente.E aquela mensagemchegou ao
d e s t i n o.. .
Ao sair encontrou-se com um senhor,gu€, aproximando-se,
a s a u d o ue d i s s e :
Soube que a senhoraprocura um emprêgo; aqui está o
enderêçode uma cas,aonde a receberão.Deu-lhe, em seguida,
o nome da rua e o númeroda casa,e desapareceu. Ficou Mônica
,' perplexa,sem saber que pensar nem como explicar tudo aquilo.
Como podia saber aquêlesenhorque ela procuravaum emprêgo,
à visto que não comunicaraa ninguémo seu desamparo?
Foi logo à Íua e casa indicadas.Disse o que desejavae
imediatamente a dona da cãsa a contratou para o serviço do-
rrréstico.
No clia seguinte,estando a ïazer a lirnpeza,pôs-se a con-
tentplar os retratospenduradosà parede.De repente,surpreen-
dida, exclamou:
- Senhora,quem é aquêle senhor que está ali retratado?
E' precisamente o senhor,QU€,ao sair eu da missa, me deu o
enderêçoda senhora.v
- Como! exclamou a senhora, êsse é meu filho, que há
pouco tempo tive a infelicidadede perder!
A notícia da missa chegaratão depressaao purgatório,que,
ao sair Mônica da igreja, a respostapessoala esperavaà porta.
O defunto alcançara de Deus permissão de vir agradecer
à sua benfeitorae pagar sua caridade.

12.
BRAVOSCRUZADINHOS

Nunt domingo de abril inúmerascriançasde Liverpool (ln-


glaterra) comparecerama uma reunião festiva no vasto Salão
de São Jorge. Cada paróquia enviara as crianças dâ Cruzada
Eucarísticae eram tantas,que muitíssimastiveramque ficar fora,
na praça.
Durante a prática perguntou-lheso Arcebispo:
- Sois todos cavaleirose pajensdo santíssimoSacramento?
- Sim, senhor,gritaram todos.

2l
F' ffi\--,

- E quantos comungamcada mês?


Muitas mãozinhasse levantaramtìmidamente.
- E quantoscomungamcada semana?
Todos gritaram levantando as mãos.
- E quantos comungam todos os dias ou várias vêzes
ì
por semana?
Também desta vez se levant aÍamtôdas as mãos.
a) Um missionáriodo longínquoOriente,vendo um joven-
zinho muito recolhido e devoto diante do altar do Santíssimo,
perguntou:
- José, que laz ai tanto tempo e que é que diz a
Jesus?
- Nada, Padre,pois não sei ler nos livros.Sòmenteexponho 1
minha alma ao Sol.
b) Aos seus mais pequenos Cruzadinhos perguntou um
Vigário: 't à'
- Quantas vêzes se deve comúngar?
- Muitas vêzes,Padre.
- Bem; e quem sabe me dizer por quê?
- E,u, Padre, eu sei.
Jesustomou o pão para mostrar que
o devemoscomer todos os dias; porque, se tivessetomado a so-
bremesa,diríamos que só se devia comungar nos dias de festa.
c) Numa rua de Munich, cidade da Baviera, uma menina
de sete anos avisa a mamãe que vem se \ìproximando um sa-
cerdote com o Santíssimo.
- Não é nada demais respondea mãe vai visitar
um enfêrmo.
- Vamos ajoelhar-nos,mamãe,êle está chegando.
- Que é que tens, tontinha?anda!
- Mamãe, é o bom Deus, ajoelhe-se suplica a me-
nina, que permanecede joelhos. !
Onde é que êsseanjinho aprendeutamanhorespeitoao San-
tíssimo, se não na Cruzada Eucarística?

13.
CRUZADA E SACRIFÍCIO

A cruzada Eucarísticatem por fim fornentarnão só a devo-


ção ao Santíssimo, mas tambémo zêlo e o espíritode sacrifício.
Num congressode cruzadinhos, apresentou-seum menino
camponês,bem vestido e todo garboso, à frente de um verda-
deiro batalhão de Cruzadinhos.

22
*-\\,. ' -

te^,*"?::fl'."u ïãfïïi"ïiï;ï::ï'''-
;:ï::.ïïï"1ïïr:
girar
O rapazinho,embaraçaÍfo,ïazia gorrinhoo sem saber
como responder.

: 3ff"ï,ï-ff#",:'ff:,1:Ï".'cruzados
-E que responderam?
-Que não queriam.
-E que fizeste, então?
-Comeceia comungarpor êles.
-E quiseram?
-Não, senhor.
-E que fizestedepois?
- Na comunhãoo Menino Jesus me inspirou que fizesse
sacrifícios.. .
- E quiseram?
- Então, sim.

14.
VISITANDO O SANTÍSSIMO

Um sacerdote,çre estavaa rezar o bfício divino a um canto


da igreja sem que o pudessemver, foi testemunhade uma gra
^ ciosavisita ao Santíssimo.
Aproximaram-seda grade do altar dois meninos: Lino, de
seis anos, e seu irmâozinho, de três. O maiorzinho tomou pela
cintura o pequeno,ergueu-o e conservou-ode pèzinho sôbre a
grade. Com a mão livre tomou a mãozinha de seu irmão para
persigná-loe, em seguiua,rezou com êle esta breve e bela oração:
"Meu Jesus,eu te amo de todo o meu coração". E repetiu
estas últimas palavras,pondo a mã,osôbre o peito para indicar
o coração.
Terminadaa oração,Lino explicouao irmãozinho:
- Olha, o bom Jesus, está dentro daquela casinha. As
imagens que vês em cima são retratos de Jesus e de sua
santa Mãe.
O pequenitoolhava atentamentecom seus olhos grandes e
negros para a estátua de Nossa Senhora do Sagrado Coração,
e de repenteperguntou:
- Lino, Jesusinhoquer bem a mim também?

23
, 1 . . . 1 . : . , * l - ! ; . ï * ' } f . . . . { ' ' ; . . . . ' . : ] . . . : ; , ì ] l 1 : ] . . ] : .

Sim, respondeLino; olha como nos mostra seu coração


com a mão esquerdae com a direita nos indica sua Mãe.
- Por que, hein?
O maiorzinho,um poucoperplexo,não soubeo que responder.
- Por quê? insiste o pequeno.
Então Lino, Ientamente,índeciso,atreve-sea balbuciar:
Talvez Jesusinhoqueira que peçamosa sua mamãe li-
cença para ficarmos com Êle.

15.
UM MENINO DISTRIBUI A COMUNHÃO

a guerra de lgl4, que durou quatro anos,os exércitosita-


Iiano e alemão pelejavam perto da povoação de Torcegno, oo
i. vale de Brenta. v
. À meia-noiteentraram os alemãespara ocupar a igreja e a
tôrre e levaram consigo prisioneiros os sacerdotesque havia,
sem dar-lhestempo de retirar o Santíssimoda igreja.
' De manhã, antes da aurora, o povo recebeuordem de eva-
'
cuar o povoado,pois ia dar-se ali a batalha.
', Eram os habitantescristãos fervorososque arnavam muito
suas roças, suas casase mais ainda sua igreja.
Mas não havia remédio; era preciso fügir.
ì - Salvemosao menos o Santíssimo,ãirs.ru* todos; mas
como, se não havia padres?
Lembraram-sede escolher o menino mais inocente e an-
' gélico para abrir o sacrário e dar a comunhãoa todos os pre- - -.--.---,-.---
j --,^r--
-,--!-- -r ;^ ;-
sentes,consumindo-se'assim tôdas as hóstias.
iJ' Ao sair o sol todo o povo estavana igreja, as velas acesas
i, no altar e o menino revestidode alvas veites.
Sobe o mesmo com grande reverênciaos degraus do altar,
: estendeo corporal, abre a portinha, toma o cibório douracloe,
. tendo todos rezado o "Eu pacador", desce até à grade e vai
=, clandoas hóstias até esvaziaro cibório.
Purificou logo o vaso sagraclocom todo cuidaclo,juntou as
mãos e desceuos degraus do altar como um anjo.
Levando Jesus no coração,todo o povo se apressoua fu-
. gir para os montes. Corriam lágrimas dos olhos de muitos, é
.. verdade,mas a alma estava confortada com o manjar divino.
i Ao pequeno"diácono" enviou o Santo Padre Bônto XV sua
.' bênção e suas felicitações.

24
11
ìr'

\,.
\ ..p.i,

16.
MENINOS MÁRTIRES
O acontecimento, que vamos narrar, passou-sena Rússia,
nos piores tempos do comunismoque vem varrendo do seu ter-
ritório tôdas as religiões,mormentea católica.
Numa vila, perto de Petrogrado,havia um asilo cle órfãos
com uma capela católica.
Os vermelhos(comunistas)fecharama casa alegandoque
não havia recursos para sustentá-lae expulsaramo capelão.
Aquêlesmaus soldadostiveram a sinistra idéia de converter
a capela em salão de baile e, como a mesma estava fechada,
resolveramarrombar a porta e profanar o que havia dentro.
Tomaram essa resoluçãonuma cantina, onde casualmente
três meninoscatólicosouviram a conversa.
Compreenderam que se-tratava de profanar a casa de Deus
e logo tomaram a resolução de defendê-la clo melhor moclo
que pudessem.
À noite, os três meninose rnais alguns colegasseus pene-
traram na igreja por uma janela e ntontaram guarda junto
do altar.
Os soldados,tendo arrontbadoa porta e penetradona câ-
pela, ordenaramque os meninossaíssemimediatamente. Nenhum,
porém, se moveu neïn se arredou do seu lugar.
Os perversoscomunistasatiraram, então, e mataram dois
meninos. Quiseram, êffi seguida, arrastar os outros para fora,
mas os meninospreferiram morrer a deixar de "proteger com
seus corpos a casa de Deus".
Os comunistas,ainda mais furiosos,disparararnde novo e
o sanguedaquelesinocentescorreu pelos degrausdo santo altar.
A mãe de um clêlòs,tomando nos braço.to filho agonizante,
perguntou-lhe:
- Meu filho, que fizeste?
- Detendemosa Jesus respondeu e os maus não
se atreverarna tocar n'Êle.

17.
O PRIMEIRO MÁRTIR DA EUCARISTIA
Era nos primeiros tempos do cristianismo.Os cristãoseram
perseguidos,lançadosàs feras, mortos.
Quase todos procuravam antes receber a santa comunhão.

25

\]
/ t

\
:Ì:ìuL - . -.i'
-i.ss
Os sacerdotestinham de esconder-seporque eram os mais
procuradospelos inimigos.
Um dia, depois de celebrar os divinos mistérios nas cata'
cunrbas,o padre, voltando-se pata os fiéis reunidos, mostrou-.
lhesaHóstiaedisse:
- Amanhã muitos dos nossos serão conduzidosàs feras.
Quem de vós, menos conhecidoque eü, poderá levar-lhes se-
cretamenteo Pão dos fortes?
A estas palavras aproxima-seum menino de dez anos, cha-
mado Tarcísio, que parecia ter roubado.aos anios a pureza da
alma e a formosura do rosto; e, ajoelhando-sediante do altar,
estendia os braços para o sacerdote Sem pronunciar palavra,
parecendoquerer dizer:
- Eu mesmo levarei Jesus aos irmãos encarcerados. ..
- És muito pequeno disse padre como poderei
t o
confiar-te tamanho tesouro?
- Sim, padre; justamentepor ser eu pequeno me aproxi-
marei dos mártires sem que ninguém descontie.
Falava com tanto ardor e candura, que o padre lhe con-
fiou os "Mistérios de Jesus". 'lr
O pequeno,radiante de alegria, aperta ao peito o seu te-
souro e diz:
- Antes que me façam em pedaçosnir'guém mo arrebatatâ.
Partiu pressurosopara o cárcereMamertino.
Ao atravessara praça, eis que um grupo de rapazeso cerca
e quer obrigá-lo a tomar parte em seus brinquedos.
- Não posso dizia Tarcísio não posso, estou com
pressa.
Os outros, vendo que êle conservavaas mãos sôbre o peito,
suspeitaramtratar-se dos mistérios dos* cristãos. Gritando co-
mo possessos,lançaram por terra o pobrezinho,deram-lhe gol-
p€s, atiraram-lhepedras, deixaram-noprostrado. O sangue cor-
ria-lhe,principalmenteda bôca, mas as mãos não se desprendiam
do peito.
Nisto passa por ali um oÍicial cristão, por nome Quadrato,
QU€,saltando no meio dos rapazes,dá golpes à direita e à es-
querda e dispersaa quadrilha malfeitora.
Como uma mãe carinhosa,toma com todo o respeitoo peque-
nino mártir da Eucaristiae leva-o em seus robustosbraços até às
catacumbas,onde o sacerdote,ao ver o menino,não pôde conter
as lágrimas. Tarcísio, o defensor de Jesus,expirou ali mesmo.

26
j . \

19.
A HONRA DE AJUDARÀ MISSA
Foi em 1888,Ano Jubilardo SantoPadrePapaLeãoXIII.
j'
Num dos altaresda Basílicade São Pedroencontravam-se
dois
sacerdotes:um era prelado romano e cônego da Basílica Va-
ticana; o outro era o bispo duma dioceseitaliana, vindo a Roma
para assistir às festas jubilares
O prelado romano, que se dispunha para celebrar a missa,
olhava inquieto ao redor, porque seu ajudante não aparecia.O
Bispo, que estava ajoelhado ali perto, aproxima-secom grande
simplicidadee diz:
- Permita-me,Monsenhor,que seja eu o ajudante de sua
missa?
- Não, Excelência,nio o permitirei: não convém a um
Bispo lazer de coroinha.
- Por que não? garanto-lheque darei conta.
- Disso não duvido, Excelência;mas seria muita humi-
lhação. Não, não o perfnitirei.
- Fique tranqüilo, meu amigo. Depressa ao' altar; comece:
Introibo. .
Dito isto, o Biyo ajoelha-see o prelado teve que ceder.
Assistido por seu novo ajudante, o prelado romano prosseguia
a sua Missa com uma emoção sempre crescente.
Terminadaa Missa, o celebrantese desfezem agradecimen-
tos peranteo Bispo.
Aquêle pio e humilde ajudante,vinte anos mais velho que o
prelado romano, era a glória da diocese de Mântua, D. José
Sarto, o futuro Papa pio X, hoje canonizadopor Pio XII.
Para o Cruzadinho,amigo fervorosode Jesus Eucarístico,
náo deve haver honra nem glória maior do que poder ajudar
devotamenteo sacerdoteào altar.

19.
JESUS NÃO FICARÁ SÓ
Robertinho é Cruzado do Santíssimo.Ouvira a Missa, re-
zaÍa sua ação de graças e queria voltar païa casa, quando ouviu
o pároco dizer ao sacristão:
- Êste ano não haverá exposiçãodo Santíssimonas Qua-
renta Horas, duranteo carnaval.

27

.-ii*$''
d
- Mas por que, Sr. Vigário?
- Porque o Santíssimoficará sir, conto o ano passado.. .
- Só, o Santíssinro ! diz Robertinho pesaroso; não, não
pode ser, não será.
De um salto põe-seà porta da igreja por onde está o pá-
roco a sair.
Que acontece,Robertinho?
Ouvi que o Sr. não tarâ a exposição.. .
Sim, temo que deixem Jesus sòzinho.
Padre, faça a'exposição;êles virão.
Êles, quem?
Os cruzadinhos.
Todos?
- Sim, sr. Vigário, todos; eu os trarei.
F.. - Mas a exposiçãodura o dia inteiro.. .
è
ìr
ìt - Sim, estaremosaqui todo a dia.
:Ì..
*r- Em vista da firme resoluçãodo menino,o pároco prometeu

r
{1 . ïazer a exposição.
$
ã
No clia seguinte,às sete da manhã, todos os Cruzadoses-
tavam prontos para a Missa e, depois,fariam meia hora de guar-
r{' da ao Santíssimo,revezando-se por turnos. Preparou-lheso pá-
*i
i1
ïr roco uns lindos genuflexóriosforrados cle vermelho.
a-

$ Revezaram-se os Cruzadosaté meio-di", voltandoalguns ao


{ seu pôsto até três vêzes.
R.,
ËÌ, Roberto dissera: "Trarei todos os Cruzados"; mas consigo
$ dizia: "As mãestambémvirão, e os irmãos maiorese até os pais".
+j
$:' E assim foi realmente.Foi uma beleza!
Yi
k.
E' que Robertinhopercorreraas casasdos Cruzadinhoscon-
È-
vidando-oscom ardor para a guarda ao Santíssimoe pedindo-
{:...,r
*l
lhes que rezassem,fizessem sacrifíciosc pedissema seus pais

lj
e irmãos que não faltassem.
Ë,. Eis o que pode um Cruzadinhofervoroso.
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lir

Ê-
.?::'

F
' 20.
i:j;
Q U E É Q U E P E D E S A J E S U S?
li.

ï.
i.:
'{:.
q..
*, Joei era uma meninaque as lrmãs de Caridadeencontraram
$" '
í:: abandonadapelos pais às margensdo Rio Amarelo da Grande
Ë:l

F
China.
fit
Ë: Estava a criancinhaa morrer de fome e frio, quando as
r'
$.
Irmãs a levaram para o hospital.Logo que a vestirame alimen-
R.
F
:.,i

&
28'.
F
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taram, danclo-lheleite quente,começoua pequeniuaa rccobrâr
a vida e a saúde.Foi batizadae logo brilhou a inteligênciaenr
seus olhinhosvivos e começoua conhecera Deus e a aprencler
as coisasdo cóu. Anclavajá pelos oito anos e gostavade assis-
tir à doutrina com as criançasque se preparavampaïa a pri-
tneira comunhão.Mas a sua memória não acoÍnpanhavao seu
coraçãoe quando o missionáriofoi examiná-la,teve que c'lar-lhe
a triste notícia de que não seria admitida à primeira conrunhão
enquantonão soubessemelhor a doutrina.
Julgava o Padre que essa determinaçãoa deixaria indife-
rente. Mas não foi assim. Daqueledia em diante notou-seuma
rnudançaextraordináriano comportamentoda menina.
Ern lugar de brincar, como antes, com as crianças de sua
idade, Joei começoua passar seus recreiosna capela aos pés
de Jesus. !
um dia, estandoJoei diante do santíssinro,o Paclreacer-
cou-se dela devagarinhoc ouviu que repetia conÌ freqüênciao
nonle de Jesus.
- Que é que fazes aí'ì
- Estou visitando o SantíssimoSacranrento.
- Visitando o Santíssimo !? tu nem sabes quem é o San-
t í s s i m o.. . v
- E' meu Jesus,respondeu
Joei.
- Bem; e que pedesa
Jesus?
Então, com as mãos postas e sem levantar a cabeça,collt
lágrimas nos olhos, respondeucom indizíveldoçura:
- Peço a Jesusque me dê
Jesus.
E a pequenaJoeitevelicençade lazer.sua primeiracontunhão.

2r'
euERosER'ADRE!
Aquêleque havia de ser o fundadorcla congregaçãoclo ss.
Sacramento,o Pe. Julião Eymard, parecia predestinadodesde
pequeninoa ser um grande devoto da Eucaristia. (ìuando sua
mãe, levando-onos braços,ia à bênçãodo Santíssinlo, o nrenino
não sc cansavaclc olhar para Jesusna custódia.
la conl a nrãe enr tôdas as visitas à igreja e não se can-
sava nem pedia para sair antes dela.
sua irmã Mariana, que tinha dez anos mais e roi sua se-

2g
gunda mãe, costumavacomungarcom freqüência.O irmãozinho,
invejando-a, dizia:
- Oh! como você é teliz, podendo comungar tantas vêzes;
faça-o alguma vez poÍ mim.
- E que pedirei a Jesus Por você?
- Peça-lheque eu seja muito mansinhoe puro e me dê a
graça de ser padre.
As vêzes desapareciadurante horas inteiras. Procuravam-
no e iam encontrá-loajoelhado num banquinho perto do altar,
rezandocom aS mãos juntas e os olhos pregadosno sacrário.
Antes mesmo do uso cla razáo ansiava por confessar-se;mas
não o admitiam. Quando tinha nove anos quis aproveitara festa '.\
do Natal para "converter-se" como dizia.
Apresentou-seao vigário e depois ao coadjutor, mas, como
estavammuito ocupados,nã.oo atenderam.
:. Partiu, pois, com um companheiro,em jejum, e, fazendo
i'
$
uma caminhadade oito quilômetrossôbre a neve, lâ, na parô-
a
1l quia vizinha, conseguiuconfessaÍ-se.
ï.-ì
.
(:!:

t
como sou feliz - dizia - como estou contente! agora
:'r.
Ëri estou puro!
- Que grandes pecadoshavia cometido?
{ì - Ai! cometi muitos pecados em minha infância: roubei
:,
k
um quepe (boné) numa loja e, depois,arrqrendido,voltei e dei-
F
ii xei-o em cima do balcão.
lì'
ï Para preparar-se para a primeira comunhão' começou a
È ', lazer penitências:colocava uma tábua em baixo do lençol, je-
ü" juava e quando a fome apertava,corria a fazet uma visita ao
i.jÌ'
Ë Santíssimopara esquecê-la.
&
qÌ Enfim, a 16 de março de 1823, chegou pan êle o grande
dia. Que se passou neste seu primeiro-abraço com Jesus?
:i
€ Quando o apertava ao coração,dizia-lhe:
"Quero ser padre! eu o Prometo".
I

$.,
È.
a
ï,
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É,, 22.
DAI-ME JESUS!E SEREI BOAZINHA...
*.':
{t
*.. Entre os meninose meninasmais pequeninos, puros e bons,
costumaJesusMenino escolherseus pajens (cruzadinhos)para
F'
&:
È que o acompanhemaonde quer que vá.
Ìì'
fra

ii' Uma dessascrianças foi S. Gema Galgani, uma santa de


-R
nossostempos,que durante tôda a sua vida recordavacom pra-
f
t'' i .
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30
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Ír::.
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fq:,;

zer as primeiras práticas que tivera com


Jesus Sacramentado,
sendoainda muito pequena.
o rosto de minha mã.e,depois de recebera comunhão,di-
zia, ficava radiante de alegria e meu coração batia mais de-
pressa,quando ela me chegavaa seu peito, dizendo:
- Gema, aproxima-tede meu peito para dar um beijo
a
Jesus.Desdeaquelaidade não cessavade pedir a suas professô-
ras e aos capelãesque lhe dessemo seu Jesus.
Êies olhavam para ela e sorriam, poii, apesar de ter nove
anos, era tão pequenaque parecia ter apenasseis. Naquele tem-
po o Papa não havia dado ainda o decreto da comúnhão dos
pequeninose exigiam-separa a mesma instruçõese conhecimen-
tos cabais.
- Tem paciência, diziam-lhe, ate que tenhas idade re-
a
querida.
Mas Gema pedia, pedia sem se cansar:
"Dai-me Jesus,dai-me... E vereis que serei boazinha,nã.o
pecareimais e serei bem comportada.Dai-me
Jesus,porque me
pareceque não poderei viver sem Êle,'.
Êstes belos sentimentosde um coração tão puro e amante
moveram seus superioresa apressar o dia teliz e suspirado e
satisfazer-lheas ânsiasde apertar Jesusa seu peito.
Gema tornou-sq realmente,em sua vida pobre e humilde,
uma grande Santa que mereceuas honras do altar.

23.
UM MÁRTIR DA CONFISSÃO E DA EUCARISTIA

Em 1927 dominavamno México os inimigos da lgreja ca-


tólica. os ministros dõ Jesus cristo eram põrseguidoì, pr.ro.
e fuzilados sem compaixão.Do número dêssesmártires foi o
anciãoPe. MateusCorrea.
Estava em casa de um amigo, num dos bairros mais Ía_
dicais, quando o foram chamar para um pobre índio que queria
re'ceberos últimos sacramentos.Apesar dò perigo qu.^ .oriiu, o
padre quis cumprir com êsse dever de caridade.Tómando con-
sigo o Santíssimo,dirigiu-se com o amigo à casa do doente.
Escolheramde propósito os caminhós menos freqüentados,
mas, assim mesmo,os soldadosde Calles os surpr.enderame,
yendo que o Padre levava o santíssimo,quiseram arrancar-lho
à fôrça para o profanar. Mas o pe. coriea foi mais esperto

31

que os soldados,pois, cot-Ìsunìitrclo a sagrada par-


imecliatanlente
t í c u l a ,d i s s e :
- Matai-nte,se quiserdes;lllas a Jesusttão o proÍanareis.
Depois de tttaltratarctncruelnìente âo pobre Padre, levarant-
no à cidadede Valparaíso,onclco nteteranìl1o cárcere.Acusaclo
de ter cunrpliciclacle cont os Cristerosquc contbatianlnos arre-
clores,detiverant-noali ató que o Ceneral Ortiz o levou consigo
a Durango.
Ali chegarama 4 de fevereiroe já no dia 6 seria julgado
o padre pelo Generalem Pessoa.
Vários outros presosiam ser fuzilados.Dirigindo-seao Pe.
Correa,disseo General:
- Ouça printeiroa conÌissãoclêsses bandidos,pois vão pa-
gar logo os seuscrimes.
Ouviu-lheso Padre a confissi2 e preparou-ospara unla
boa morte.
Tendo ternrinaclo, dissc-lheo General:
- Agora cliga-meo quc ôsscscanalhaslltc cotttarattt.
Erguenclo-sco Padre com nobre altivez, respondeu:
Nunca, isso nunca!
Não quer dizer?
Não, nunca!
Então será fuzilado cottì os outrosY
Fuzile-me,mas o segrêdo da confissãonão o violarei
Janlars.
O infante General manclounlatá-lo corn os dentais presos;
e, assim, o granclemártir selou conl o próprio sangue sua Fé
e seus sagradosministérios.

24.
A COMUNHÃODÁ FORçA

Estava a avòzinha no terreiro, assentadaà sombra de unla


viçosa parreira.
- Vovò zinha?
A avó levanta os olhos, um pouco surpreendida,pois até
aquelahora a netinhanão lhe ntostraramuito amor; era atenta,
nras não afetuosa.
- Que queres,filha?
- Vovó, eu queria saber por que tens uma perna de pau.
Anc{astea combater?

32
- Não, Lina; mas isso não é pergunta para a tua idade.
Não foi uma bala de canhão,que me cortou a perna, nem mes-
mo um acidente.
- Então, o que foi?
- Simplesmente a enfermidade:um tumor no joelho. Um
clia o médico declarouque era precisocortar a perna.
- Ih ! vovó, eu quisera antes morrer.
Eu também.
- Por Qüe, então, te deixaste cartar?
- Lina, não era possível;não vivia só para mim. Morrer
quando se quiser,é luxo. . . e algumasvêzes é cobardia.Tinha
de olhar para quatro filhinhos, que necessitavam de mim.
- Mas, païa cortar, fizeram-te dormir?
- Não, não quis; tinha muito mêdo de não acordar e aban-
donar meus filhos. E, afinal, se se tem de sofrer, é porque Deus
Y
o quer ou permite.
- Cortaram-tea perna, assim, viva?
A boa velhinha,só com o recordaro que se passara,ficou
pálida.
- Filhinha, antes da dolorosa operação,pedi o pão dos
fortes, recebi a santa comunhão e pedi a Jesus Sacramentado
paciênciae coragem.. . Teu papai seguravaa minha mão e até
êle, pobrezinho,quaÍ,i desfaleceu.
- VovÒzinha, ïoi a comunhãoque te cleu fôrças. Oh ! co-
m o J e s u sé b o m !

25.
P4O DOS FORTES

Na guerra da Criméia um coronel francês recebe a ordem


de apoderar-sede um fortim. Sem hesitarum instante,avançaà
frente de seu regintento,'queficou tambémeletrizadoà vista de
Iamanhacoragem.Calmo e impassívelno meio das metralhado-
ras e baionetas,como se se encontrassenuma parada militar,
toma de assalto a bateria inimiga, terrìvelmentedefendidapelos
TUSSOS.
Seu general, admirado de táo prodigiosa calma, exclama
peranteo EstadoMaior:
- Coronel,que sanguefrio ! Onde aprendestetamanhacal-
rna no meio de tão grande perigo?

Tesouro I - 3 33
r i

!
i
t
:
I

- Meu general,respondecom tôda a simplicidadeo coro- I


nel, é porque eu comungueiesta manhã. I

Honra ao coronelvalorosoe cristão,e valorosojustamente


porque cristão: e crístão não daqueles,que se envergonhamde
sua fé ou se contentamcom a comunhão de Páscoa, mas dos
fervorososque sabem alimentar-sedo Pao dos fortes com Íre-
qüênciae particularmente nas circunstâncias
difíceis da vida.

26.
A FÔRçA PARA O SACRIFÍCIO

Em 1901 começou,na França, o fechamentode todos os


conventose a expulsãodos religiosos.Foi nesseano que se deu,
em Reims,s .câsoseguintecontadopelo Cardeal Langenieux,ar-
cebispo daquela cidade. Havia em Peims, entre outros, um hos-
pital que abrigava sòmenteos doentesatacadosde doençascon-
tagiosas, que não encontravamalhures nenhum enfermeiroque
quisessecuidar dêles.
Em tais hospitaissòmenteas Irmãs de caridadecostumam
tratar dos doentese era essa a razã.opor que ainda não haviam
expulsado as religiosasdaquela casa.
Um dia, porém, chegou ao hospital um grupo de conse-
iheiros municipais (vereadores),dizendo à Superioraque pre-
cisavamvisitar tôdas as salase quartosdo estabelecimento,
porque
tinham de enviar um relatório ao Govêrno. A Superiora con-
duziu atenciosamente aquêlessenhoresà primeira sala, em que
se achavamdoentescujos rostos estavamdevoradospelo cancro.
Os conselheirosïizeram uma visita apressada,deixando perce-
ber em suas fisionomiasquanto lhes repugnavademorar-seali.
Passaramlogo à segunda sala; mas ai encontraramdoen-
tes atacadosde doençaspiores,vendo-seobrigadosa puxar logo
de seus lenços,pois não podiam suportaro mau cheiro.
A passos rápidos percorreramas outras salas e, ao deixa-
rem o hospital, aquêleshomens estavam pálidos e visìvelmente
comovidos.
Um dêles, ao despedir-se,perguntou à Irmã que os acom-
panhara:
Quantos anos taz que a Sra. trabalha aqui?
- Senhor,iâ laz quarentaanos.
- Quarentaanos! exclamououtro cheio de pasmo. De onde
hauris tanta coragem?

34
- Da santa comunhão que recebo diàriamente,respondeu
a Superiora.E eu lhes digo, senhores,
QUe,no dia em que o San-
tíssimo Sacramentocessar de estar aqui, ninguém mais terit
fôrça de Íicar nesta casa.

27.
a) O AMOR DOS PEQUENINOS
Perguntarama uma piedosajovenzinha:
- Que é a Primeira Comunhão?
- E' um dia de céu na terra.
Perguntaram-lheem seguida:
-Equeéocéu?
- E' uma Primeira Comunhãoque nunca terá fim res-
pondeuela graciosamente.
E respondeumuito benì, porque a felicidade dos Anjos e
Santosno céu consisteem possuir a Deus eternamente.Ora, não
é justamentea Jesus,verdadeiroDeus e verdadeirohomem, que
possuímosna Santa Comunhão?

b) DENTES DE LEITE
Escrevia em l9r5 um missionário: Uma òrïãzinha do Or-
fanato de Trichinopoli, que poderia ter dois palmos de altura,
veio um dia suplicar-meque a admitisseà Primeira Comunhão.
- Que idade tens? perguntei-lhe.
-- Ah ! isso náo sei.
Recolhidade lugar desconhecido, não pode saber quantos
anos tem; nem as Irmãs o puderamdescobrir.
- Mostra-me os dentes disse.
Com um sorriso gracioso descobrea inocentinhaduas filas
de alvíssimosdentinhos.
- Oh! exclamei;os teus dentesde leíte dizem-meque não
tens nem sete anos. Portanto, êste ano náo farás a Primeira
Comunhão.
Meu Deus! quem o acreditaria?tendo ouvido aquelaspa-
lavras, a menina,sem dizer a ninguém,corre ao quintal, toma
uma pedra e, intrèpidamente,laz saltar da bôca todos os den-
tinhos. Depois, com a bôca ensangüentada, mas com ar de triun-
fo, volta e diz-me:

JC
Padre, não tenho mais nem um dente de leite. Dai-me,
oh ! dai-me Jesus! Eu o quero m u i t o b e m ! . . .
Chorando de comoção- diz o missionário tomei-a em
meus braços e segredei-lheao ouvido:
- Filha, amanhãte darei
J e s u s. ..
Sím, não pcidiadeixar de atendê-la.

29.
A GRAVATA BRANCA

Jorge era um verdadeiroanjinho que a todos edificava por


suas virtudes.Fêz a primeira comunhãonum colégio de Rouen.
Entre outros ïêz o seguinte propósito: "Levarei comigo a
gravata'brancada minha primeira comunhãoaté o dia em QUe,
por suma desventura,venha a perller a graça de que ela é
símbolo".
Jorge crescera.. . conservandosempre a gravata branca.
Quando rebentoua guerra franco-prussiana,alistou-secomo vo-
luntário entre os zuavos do general De Charette.Em janeiro de
1871, por ocasiãoda vitória de Mans, foi ferido mortalmente.
ç: o capelão aproximou-sedêle imediatamente."obrigaclo, sr. ca-
-i:;
p e l ã o . . . c o n f e s s e i - mheá d o i s o u t r ê s d i a s ; n a d a m e p e s a n a
consciência;estendei-mesôbre um pouco de palha e trazei-meo
santo Viático, porque vou morreÍ".
O capelão voltou logo, trazendo o Santíssimo.,,Antes de
me da'r a comunhão,fazei-me um favor: abri a minha mochila
e encontrareisuma gravata branca, que me poreis ao pescoço".
D e p o i s r e c e b e uo s a n t o V i á t i c o , a g r a d e c e ue d i s s e : , , E i s
que morro; peço-voso obséquiode levar à minha mãe esta gra-
vata e dizer-lhe que, desde o dia da minha primeira comunhão,
não perdi a graça santificante; sim, dizei-lhe que esta gravata
não recebeuoutra mancha a não ser a do rneu sangue rubro
derramado pela Pâtria".

29.
QUEROIR AONDEESTÁJESUS
um pastor protestante,inclinadoiá ao catolicismo,foi um
dia com sua filhinha em .risita à capital da Inglaterra.A me-
nina contava apenas cinco arlos.

36
O pai levou-a primeiro a uma igreja católica e a atenção
da pequenaficou muito tempo prêsa à lâmpada do Santíssimo.
- Papai, - disse - para que aquela lãmpadazinha?
- Filha, é para lembrar a presençade
Jesusatrás daquela'
portinha dourada.
- Papai, eu quero ver Jesus!
- Filha, a porta está trancada e Êle está escondidode-
baixo de um véu, não o poderásver. ..
- Ah ! papai, quanto eu quisera ver
Jesus! . . .
Saindo dali, entraram logo depois num templo protestante,
onde não havia nem imagens,nem lâmpada nem sacrário.
- Papai, por que não há lâmpada aqui?
- Filhinha, é porque aqui não está
Jesus.
Desde aquêle dia a menina só falava na Igreja Católica.
Nunca mais quis entrar nu5 templo protestante,que para ela
não tinha iâ nenhumatrativo. Perguntaram-lhe:
- Aonde queres ir, então?
- Quero ir aonde está Jesus.
O pastor ficou confundido e comovido. Compreendeu,co-
mo sua filha, que só se pode estar bem onde está Jesus.Havia
de f azer-se católico, havia de abjurar sua seita e renunciar a
uma renda de cem mil libras, de que vivia a sua família, e ver-
se pobre de um dia para o outro.
Não obstante,pai e mãe se converteramao catolicismo,di-
zendo com sua filha: "Queremosestar onde está Jesus".

30.
NUM TRIBUNALREVOLUCIONÁRIO
Na revoluçãof rancesade 1793, a igreja de São Pedro de
Besançonfoi entregue a um padre cismático.Os padres cató-
licos, porém, fiéis às leis da lgreja, eram presose assassinados
pelos revolu,cionários.
Um dêstes padres, chamado João, ficara entre seus paro-
quianos disposto a sofrer tudo por Deus e pela lgreja. Andava
disfarçado: botas largas, blusa de carroceiro,lenço grande ao
pescoçoe chicote em punho, lá ia pelas ruas visitando as casas
de seus paroquianos.Levava pendurada ao cinturão uma cai-
xinha em que se achava o necessáriopara administrar os sa-
cramentos,bem como uma píxide de prata onde guardava o
Santíssimo.
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Passaram-semuitos meses sem que a polícia suspeitasse


que naquele carroceirose ocultava um sacerdote,Qü€ desempe-
.nhava seus ministérios.Afinal, um dia, foi descobertoe ime-
diatamenteconduzidoao tribunal revolucionário.
- Cidadão,quem és tu?
- Sou o Padre João,ministrode JesusCristo.
- A lei não te proíbe exercerteu ministério?
- Sim; mas Deus mo ordena.
- Parece que tens nessa caixinha cartas de correspondên-
cia com o estrangeiro?
- Não; isso nuncao liz.
- ,l![4s,que é que levas nessa caixa?
Temendo alguma profanação,e julgando que aquêlesho-
mens nã,ocompreenderiam a sua resposta,disse:
- São hóstias.
- Estão consagradas?Perguntouo Presidente.
- Sim, estão.
Passou-seentão um fato nunca visto em tais tribunais.O
Presidenteque, sem dúvida, quanclo menino receberainstrução
religiosa e no catecismoaprendera o dogma da presençareal,
gritou em voz imperiosa:
- Cidadãos,estão consagradas:de joelhostodos!
Além disso, chamando os guardas,-ordenaram-lhesque
acompanhassem o Pe. João até a igreja do padre cisrnáticopara
repor o Santíssimo.
No dia seguinte,após um juízo sumário,mandaram-lhecor-
tar a cabeçapor ter violado as leis vigentes.

31.
ESTOU VENDO OS CHINESES
*
Justo de Bretennières foi martirizado na Coréia a 8 de
março de 1866; mas desde6 anos de idade se sentirachamado
a ser sacerdotem;ssionário.
Era em 1844. Estava Justo brincandocom seu irmãozinho
Cristiano de quatro anos e ïaziam buracos no chão. De repente
Justo interrompea conversado irmãozinho:
Cala-te! cala-te, e, pondo-sea olhar por um daquêles
bura'cos,acrescentava:Vejo os chineses,estou venclo os chine-
ses. Vamos tazer um buraco.mais fundo e logo chegaremosaté,
êles. Cavemosmais fundo.

38

i!,
Cristianoinclina-se,espia e jura que não vê coisa alguma.
Justo,entretanto,insistee diz que está vendo o rosto, os trajes,
o rabicho.. . Inclina-seoutra vez e diz:
- Agora os estou ouvindo.
Cristianocorre, chama a mamãee ela tambémnão vê nem
ouve nada. Então Justo muito convencidodiz:
- Não os ouvis porque não é a vós que êles falam; mas
eu os ouço. Sim, mamãe, do fundo do buraco, lá' de longe, me
chamam.E é preciso que eu os vá salvar.
:
E foi, na verdade,missionáriofamoso na China e na Co- 4

réia. Os inimigosda religião fizeram-nosofrer horrível martírio.


No momentode morrer por JesusCristo, disse cheio de alegria:
- Vim à Coréia para salvar as almas. Com gôsto moÍro
por Deus e por elas.

32. ì
GERALDO E A EUCARISTIA

Geraldo, quando muito pequenoainda, tinha a felicidade


de brincar com o Menino Jesus,QU€,ao despedir-se,lhe dava 1

um pãozinho muito alvo e saboroso. Desde essa tenra idade


portava-se na igrelr com tamanho recolhimentoque o tinham
por um an]o.
Sua piedade verdadeiramenteangélica comovia os corações
de todos os que o viam e, certamente,mais ainda, o de Deus.
Nosso Senhor recompensava-lhe a terna devoçãoaparecen-
do-lhe, durante a santa missa, em forma visível. Seu coração
pareclaentão todo inflamadoe, quando,depoisda comunhãodo
sacerdote,o Senhor desaparecia,ficava Geraldo triste e seus
olhos enchiam-sede lágrimas.
Desde aquela época sentia um atrativo sobrenaturale irre-
sistível pela igreja, pelo augusto santuário,onde Jesus sacra-
mentadoo enchiade delíciasinefáveis.
À tarde, onde quer que est:vesse,ao ouvir o sino chamar
pafa a visita ao Santíssimo,deixava os brinquedose dizia aos
companheiros:
- Vamos, vamos visitar a Jesus que quis fazer-se prisio-
neiro por nossoamor.
E era de ver com que fervor e devoçãoo menino ali ficava
ajoelhado,imóvel e abismadono s e u D e u s .

39
l
Ì:
F-,
a '
É

Tinha um desejoimensode comungar;mas, por não ter a


idade requerida,não lho permitiarn.Deus, porém, quis satisfa-
zer ao desejo ardente de Geraldinho,que recebeua comunhão
miraculosamente das mãos de um anjo.
Aos dez anos fêz sua primeira comunhãosolene com o ar-
dor de um serafim; e daí em diante a Eucaristiafoi o pão ne-
cessáriode sua alma. Também, não tardou muito, o confessor
Ihe permitiu a comunhão diária.

33.
NOVO JUDAS
um menino, chamado Fúlvio, razia seus estudos num dos
principais colégiosde França. Enquanto a mãe o conservousob
suas vistas, foi o menino preservaJo dos graves perigos que
ameaçamos pequenos;mas no colégio apegou-seFúlvio a dois
colegas maus e corrompidoscom os quais vivia em estreita
amizade.
Bem depressa,poÍ causa dêles,perdeu a inocênciae com
ela a paz do coração.Alguns livros imora:s,que lhe deram os
companheiros,acabaramde perdê-lo.
Aos doze anos foi admitido à prime-ra comunhão; inte-
Iizmente não a tëz por devoção,mas apenas para obedecerà
7 mãe, sem propósito de mudar de vida nem de abandonar às
i
más companhias. Confessou-sesacrìlegamente,calando certos
i
: pecadosvergonhosose, assim, com o demônio no coração,com
o pecado mortal na alma, teve a temeridadede receber a co-
munhão.
os pais, enganadospelas aparências,julgaram-no bem com-
portado e mandaram-node novo ao colégio.Fúlvio, porém, por
sua indisciplinae preguiçanos estudos,teve um dia de ser se-
veramentecastigadopelo diretor e encerradopor algumashoras
na prisão do colégio.
chegada a hora de o pôr em liberdade,vão ao quarto que
servia de prisão e, antes de abrir a porta, escutamdo lado de
fora. . . Não ouvem nada. . . nenhum movimento.. . Bate-se à
porta, e ninguém responde.Abre-se, afinal, a porta, e que é
que se vê? Ai! que horror! o infeliz rapaz enfoicara-se:estaua
morto!
Imaginem-seos gritos e gemidos no colégio.
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40
i . ì

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aif:ì. ì
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I
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Sôbre a mesa foi encontradauma carta, na qual estavamex-


pressos os sentimentosde uma alma ímpia, desesperada,sa-
crílega.
Tal foi o fim do desditosorapaz, vítima de maus compa-
: nheiros,e que, tendo pecadocomo Judas,teve tambénra morte
de Judas.

34.
O VALOR DA COMUNHÃO

a) Lê-se na biografia do CardealNewman um episódioedi-


ficante. Êle, antes de se tornar católico, era protestantee alto
dignitário da lgreja anglicanacom um vultoso estipênd:oanual,
pago pelo govêrno inglês.
-quis
Mesmo nessacondição estudar as razõese fundamen-
tos da lgreja Católica;e, conhecidaa verdade,abraçou-apron-
tamente.Como se sabe, tornou-se um católico fervorosíssimo;
preparou-se,fêz-se sacerdotee foi um apóstoloda Eucaristia.
' Antes da conversãoprocurou-oum amigo e disse-lhe:
Pensesèriamenteno passo que vai dar; saiba QUe,fa-
zendo-secatólico,o govêrnonão lhe dará mais nada e lhe reti-
rarâ a prebenda
Newman pôs-seem pé e exclamoucom ar de desprêzo:
- Que é um punhadode ouro, em confrontocom uma co-
ruunhão?
E logo depoisfêz-se católico.
Aquelaspalavrasmerecemser meclitadas.

b) Luísa compreendeo valor da comunhão.Tem apenas


nove anos e não pode ir comungarsenãoaos domingosna missa,
às dez horas. Sua mãe, temendoque ela adoeçapor ter de ficar
tanto tempo em jejum, proíbe-lhe a comunhão.Luísa, usando
de esperteza,finge quebrar o jejum, mas, durantea semanain-
teira, não come nem bebe antes do almôço.
- Mamãe, a Sra. me dá licença de comungar amanhã?
- N ã o , f i l h i n h a ;a c o m u n h ã oé m u i t o t a r d e . . . v o c ê f i c a r i a
doente.
- Mas, mamãe,eu passeitôda a semanaem jejum até o
almôço e não me sinto mal. . .

4l

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35.
AS CRIANÇAS DÃO BELOS EXEMPLOS
a) - SenhorPadre, é verdadeque só as mulherespodem
comungartodos os dias?
- Quem lhe disse isso?
- Ninguém; eu é que penseique nós outros não podemos
comungarsempre.
Quando soube que também os meninospodiam tazer o mes-
ffio, apresentou-setôdas as manhãs à sagrada mesa.
E não f icou nisso: tornou-seum apóstolo,po,isa êle deveu
o vovô, um pobre varredor de rúa, a graça do batismo e da co-
munhão antes da morte.
b) Preparava-seuma menina para lazer a primeira comu-
nhão. lâ sabia tôda a doutrina e quase tôdas as orações.Um
dia disse: *
- Mamãe, quisera tazer minha primeira comunhão pela
Páscoa.
- Não, não pode! respondeua mãe.
- Mas por que, mamãe,eu queriatanto. . .
- Não; você é muito desobediente.
- Ah! é por isso, mamãe?A Sra. verá como não desobe-
decereimais.
Passaram-sequinze dias; a menina parece transformada.
Vai ter com a mamãe:
- Então, mamãe, não tenho obedecidobem?
- Sim; você comportou-sebem.
- Bs6, mamãe; agora a Sra. deve deixar-me comungar
não é?
Êste exemplofoi imitado por outras criançase, na Páscoa,
pela primeira vez, houve primeiras comunhõesde crianças pre-
coces,acompanhadasde seus pais que também comungaram.

36.
O PASTORZINHOVEIO A SER PAPA

Um dia, lá pelo ano de 1530,um frade de Ascoli, na Mar-


ca de Ancona (ltália), perdera o caminho. Encontrandopor
acasoum pastorzinho,aproximou-sedo pequenoe perguntou-lhe:
- Por onde é que Se vai a Áscoli?
- ascoli? Sei, sim, senhor. Caminhemosdevagar, a passo
de meus cordeirinhos,e eu o levarei até lâ - disse o menino.

42

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Pelo caminho iam conversando.O frade notou que o peque-


no era vivo, amável e de boa prosa. Foi interrogando-oe soube,
então, que era filho de um trabalhadormuito pobre, que morava
num casebreali perto, e mal ganhavapara comer.Em vista disso,
havia pôsto o filho a cuidar das ovelhase porcos de um vizinho
mais abastado.O menino não sabia ler. Entretinha-sea cantar
alguns cânticos religiososrQUe lhe ensinara sua boa mamãe.
Era tudo.
O Írade ficou encantado com o rapazinho e, depois que
êste lhe mostrou o caminho e a cidade não muito longe, convi-
dou-o a visitá-lo em seu conventoem Ascoli.
O pastorzinho não se Íë,2 rogar. Fol ver o amigo e, daí
em diante, o seu passeio favorito, quando tinha tempo, era ir
conveÍsar com o frade, seu conhecido.
' Um dia, tendo aprese'rtadoo menino ao superior do con-
vento, perguntou-lhese não era pena deixar sem instrução um
rapaz tão desembaraçado e inteligente.
O superiorfoi da mesmaop:nião.Era precisoïazer estudar
aquêle pastorzinho.Dirigiram-se aos pais, prometendo-lheque
se encarregariamda educação de seu tilho. A proposta foi
aceita com gôsto. O pastorzinhopassou a moraÍ no conventol
em seguida foi a{nitido na comunidade,estudou, ordenou-se
sacerdotee chegou a ser professor de teologia. Confiaram-lhe
cargos importantes,de que se desempenhou tão bem que o Papa
o nomeouCardeal.Em 1585, após a morte de Cregório XIII, o
antigo pastorzinhosaiu eleito Papa coÍÌl o nome de Sixto V e foi
um dos maiores Pontífices.

37.
UMA PRIMEIRA COMUNHÃO E UMA CURA

Luís e Zélia Martin, pais de S. Teresinha,tinham uma fi-


lhinha chamadaMaria, que se preparavapara a primeira comu-
nhão. Ao mesmotempo a Irmã Maria Dositéia,tia da pequena,
estava afetada.de tuberculose.Um dos conselhosmais veemen-
tes que Zélia dava à filha era o de arrancar a Deus a cuta da
lrmá Dositéia."No dia da primeiracomunhão,repetiaela a cada
passo, alcança-setudo o que se pede". A criança assim o en-
t'endeu.Estudou o catecismocom entusiasmoe lèz uma verda-
deira ofensiva de oraçõese sacrifícios.Entava certa do milagre,

43
li

como se já o visse feito. O que ela queria,em sua ingênuatei-


mosia,era, se fôsse necessário, lazer mudar a vontadede Deus.
S. José servia-lhede advogado.
Chegou,enfim, o grande dia da primeira comunhão:2 de
julho de 1869. A pequenitaainda não completaranove anos e
meio. Falando da neo-comungante, dizia a mãe:
- Oh! como ela estavabem preparada;parecia uma san-
tinha. O Pe. Capelão disse-meque estava muito satisfeito com
ela e deu-lhe o primeiro prêmio de catecismo.
Maria, após a comunhão,dizia que havia rezado tanto pela
tia Dositéia que tinha a 'certezade ser ouvida por Deus.
Realmentea tia começoua melhorar:as lesõespulmonares
foram cicatrizandoràpidamente.Mais tarde, não sem uma certa
melancolia,havia de dizer à sobrinha:
- A você é que devo êstessetè anos de vida.
:'
5.

A pequenita,por seu lado, atribuía as honras da cura a


S. Josée, na confirmação,quis que acrescentassem ao seu nome
o de Josefina.

38.
NÃO OS AFASTEIS
DOS SACR1MENTOS
F Havia em Tolosa (França) uma família pouco religiosa.
Como o colégio dos Jesuítasera sem dúvida o melhor da cidade,
i.ì.
os pais resolveraminternar nêle seu primeiro filho.
O menino, mais dado à piedade que seus pais, começoua
t. freqüentar os sacramentose disso 'tirava grande proveito es-
piritual.
Tendo notícia dêssefato, correu a mãe clo menino ao Di-
retor do colégioe disse-lhe:
Padre, o Sr. está fazendo de meu filho um beato, um
carola. Saiba que não quero que êle seja um frade ou um vigário.
Não contente com isso, e paía vigiá-lo melhor, mudou-se
1l
para a cidade e pôs o filho no colégio como externo.Assim po-
!_ deria impedir as comunhõesfreqüentes.
Pobr,emãe! tinha mêdo que o menino se dessetodo a Deus
e que fôsse um cristão fervoroso.
Que é, porém,que aconteceu?Eis: pouco a pouco as comu-
nhõesdo jovem foram sendomais raras.. . até que, afinal, nem
uma por ano, nem pela Páscoa.. . O mais se adivinhafàcilmente.

44'*

+- +.!r.-..'-,r.+JaliFÈ-i.*!!S .!:\t:i.: .: | ;tu--'t*--. tìt'.: +j---ç-' i-::5:+\'ïaÉr!i$&


ó,-

A corrupção invadira o coração do rapaz e tomara o lugar da


virtude e da piedade.
Quandoo percebeua infeliz mãe, correu alvoroçadaa supli-
caÍ ao'Diretor que fizesseseu filho voltar à comunhãoe à moral
cristã. Mas o Padre deu-lheesta resposta:
- Minha senhora,é demasiadotarde; seu filho está per-
dido. Cumpri com o meu dever; era precisoque a senhoracunl-
prissecom o seu.
E o Padre tinha razão. Não levou muito tempo o desgra-
çado jovem morreu consumidode vícios horrendose vergonhosos.

39.
UMA CURA EM LOURDES

Quando Jesusandava p-relomundo, bastavaa sua palavra e,


às vêzes, um olhar seu para curar os doentes e ressuscitaros
mortos.
A hóstia consagrada,onde se acha ocurto, tem o mesmo
poder, quando êle o quer.
E' muito notável um caso referido pelo célebrenrédicoDr.
Boissarieem seu relatório dos milagres de Lourdes.
Margarida de s.:bóia chegou à gruta em estado lastimável:
entrevada,metida num caixão como se fôra um cadáver,páiida,
sem voz, sem'carnes e, tendo embora 25 anos, pesava apenas
16 quilos.
Quando partiu para Lourdes disseram-lheos médicos que
não teria mais de 15 dias de vida; e os da gruta não se atreve-
tam a tocâ-la, porque mal ainda respirava.Nem sequer pensa-
ram em levá-la à piscina,mas contentaram-se de a colocar diante
da Virgem ali mesmo.
Ao passaro Santíssimo, uma sacudidaforte e irresistívelati-
rou-a para ïora de sua maca. Quando Margarida se deu conta
de que estavade joelhos ao pé da caminha,levantou-sepor si
mesma,sem auxílio de uinguém,e gritou com tôda a fôrça:
- Estou curada!
A mãe, atônita, corre ao encontroda Ìilha quc a abr.açae
diz com voz forte:
- Mãe, estou curada!
No mesmo dia - diz o Dr. Boissarie- entrou e.n-Ìnosso
escritório, bem segura sôbre seus próprios pés, embora meio

45
morta pela debilidade.O seu contentamentoera tão grande, a
sua alegria tal que nem sentia fraqueza.
Dissemosque pesava 16 quilos; poucos dias após a cura
pesava já, 44. O crescimentotomou seu curso natural e a esta-
tura aumentou de sete a oito centímetros.Isto na idade de
25 anos!
Aqui não se trata de cura, mas de ressurreição.A virtude
do Deus da Eucaristiaoperou êste milagre.

40.
O MÊDO DO COROINHA

S. Pedro, chamado de Alcântara,pelo lugar onde nasceu


(1499), entrou na Ordem dos Franclscanoscom a idade de 16
anos. Foi um dos santos mais penitãntese favorecidoscle Deus
em seu tempo. S. Teresa de Ávila, que o conheciade perto, con-
ta-nos que S. Pedro passara40 anos sem dormir mais de hora
e meia por dia. O Santo não se deitava, mas Ïicava assentado
com a cabeçaencostadaa um pau da parede. Essa foi a peni-
tência que mais sacrifícioslhe custou.Além disso, usava horrí-
veis cilícios, passava às vêzes três dias, e atê,o'ito, sem outro
alimento que a Sagrada Comunhão.Em visÌa de tudo isso, não
é de estranharque se tenha elevado à mais alta contemplação,
e Jesus o tenha Íavorecido com inefáveiscarícias,mormentena
missa e na sagradacomunhão.
Conta-seQü€, em certo convento,o coroinha, que ajudava
a nrissado Santo, era um menino inocentee bonzinho.Um dia,
ao regressarda igreja, procurouo meninoa sua mãe e disse-lhe:
- Mamãe, eu não quero mais ajudar à missa 'do Padre
Pedro.
- Por QU€,meu filho, não hás de ajudar o Padre Pedro,
que é um padre tã'o santo?
- Mamãe, ao ajudar-lhe a missa, várias vêzes tenho visto
urn meninolindo, muito lindo, nas mãos dêle; e, na hora da co-
munhão, êle come aquêle menino. Mamãe, tenho mêdo que êle
me coma também.
A mãe, que conhecia a santidade do Padre Pedro, com-
preendeulogo o mistério e disse:

46
'iYe.::='-
I

- Não temas, meu filho; é o Menino


Jesus que está na
Hóstia.. . Que feliz és tu, que o vês com teus olhos inocentes
!
Dali em diante o menino não teve ma:s mêdo e aiudava à
missa do Santo com muito gôsto e devoção.

41.
ÊSTE MENINO SERÁ PADRE

O que vamos naÍrar é um episódioda vida de S. João Bosco.


Um dia foi procurá-lo a condessaD. Z. para suplicar-lhequr'
abençoasseseus quatro filhinhos. Dom Bosco, sempre amável e
amigo das crianças, com muito afeto deu uma poderosa bên-
ção aos pequenitos.
A Sra. CondessarQü€ também se ajoelhara, levantou-secer-
ta de que a bênção daquele sacerdote,Qü€ ela consideravaun
Santo, atrairia sôbre tôda a família graças copiosasde Deus.
Depois, apertando a si os filhos e sabendo,como era no-
tório, que D. Bosco lia no futuro, perguntou-lhe:
- Dom Bosco, que será de meus filhos?
D. Bosco, gracejando,referiu-sea cada um, a começarpelo
mais velho, profetiz4ndo bem a todos. Quando chegou ao úl-
-sôbre
timo, pôs-lhe a mão a cabeça,contemplando-ocom par-
ticular interêsse.
- Qual será a sorte dêsse,D. Bosco?
- Da sorte dêste último não sei, Sra. Condessa,se licarár
contente.. .
- Diga, pois, o que lhe parece.
- Bem! dêstedigo que será um ótimo padre.
A estas palavras a cena transformou-sede repente; a no-
bre dama empalideceu,apertou a si o menino como paÍa livrá- ÌI
Io de uma desgraça,e fora de si exclamou: I
- Meu filho padre?.. . Antes peço a Deus que lhe tire
a vida!
D. Bosco, que tlnha pelo sacerdócioa mais alta estima,
sentiu dolorosamenteaquelas palavras e, erguendo-sepesaroso,
despediua condessa.
Poucos mesesdepois o filho mais novo da condessaD. Z.
lhe eÍa arrebatadopor uma doença fulminante.

47
42.
AMORDE UM VELHINHO
Um dia estava rezando, diante de uma imagem de Maria,
S. Afonso Rodríguez,irmão leigo jesuíta, muito bom e muito
santo.
lâ era velhinhoe passavalongas horas aos pés de sua boa
Mãe do céu. As vêzes punha-sea chorar como uma criança; às
vêzes sorria como um anjo. Tinha algum sofrimento?la logo
comunicá-loa Nossa Senhora.
Sentia alguma alegria? Depressa, ia contâ-la à Mãe do
céu. Tentavam-noos demônios?Corria aos pés da Imaculada
e pedia-lheque não o desamparasse nem na vida nem na morte.
Naquele dia estavaêle a dizer a Nossa Senhoraque a amaua
nruito, muitíssinlo,com tôda a sua-alma,com todo o seu coração.
E parecia ao santo velhinho que a .l/irgem Santíssimalhe sorria
amàvelmente.Ouviu, entim, ou pareceu-lheouvir do fundo de
sua alma uma voz que dizia:
- Afonso, quanto me amas?
E o bom do velho respondeu:
- OIha, minha boa Mãe do céu: amo-te tanto, tanto, que
:*:\_ é impossívelme possasaÍnaÍ tanto como eu te amo.
?.
A Senhora,ouvindo isso, levantaa máo amorosa,dá-lhe uma
o
leve botetadae diz:
- Cala-te, Afonso, cala-te!.. . que estás dizendo? Eu te
amo imensamentemais do que tu me podes amar.
Eis por que devemos amar a Maria: ama-nos tanto que
jamais poderemoscompreender tôda a grandezade seu amor.

43.
S E N H O R A ,S Ê D E V Ó S A M I N H A M Ã E

Era no mês de novembro.Amarelas e sêcas caiam as fô-


lhas das árvores, como sêcas e murchas caem do coração as
ilusões da vida, quando se aproxima o inverno da velhice.
Em avila, numa nobre casa, está agonizandona primavera
da vida uma distinta e piedosaseuhora: dona Beatriz Ahumada.
Já os sacerdotes,ali reunidos, rezavaÍnas orações dos agoni-
zantes, quando aquela senhora abriu os olhos, olhou ao redor
de si e, com voz apagada,disse:
- Teresa! chamema Teresa.

48

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- '":
ffiiÌ::E:'
.ï--: ì
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t.

Uma menina de uns doze aÍtos, de singular modéstiae ex-


traordinâria formosura, penetrou no quarto e aproximou-seda
cabeceira da mãe agonizante.Esta, fixando a filha, e como se
Nosso Senhor lhe revelasseos futuros destinosdaquelamenina,
,H e x c l a m o u :- B e n d i t a . . b e n d i t a !E e x p i r o u .
Levantando-se a menina desteitaem pranto, beijou pela úl-
tima vez aquelasmãos frias e retirou-sea um aposento,onde
liavia um quadro de Nossa Senhora penduradoà parede. Ali
deixou correr livrementeas suas lágrimas.Depois, erguendoos
olhos com inefável ternura e uma fé imensa, disse do fundo
da alma estas comovedoraspalavras:
- Senhora,eis que não tenho mãe; sêde vós a minha mãe
daqui em diante.
Aquela menina,protegida da Mãe do céu, veio a ser uma I
das maioresmulheresda {istória, S. Teresa de Jesus,QU€me-
receuas honrasdos altares.
Tanto bem lhe adveiopor haver tomado a Maria Santíssima
por i\lãe desdeos primeirosdias de sua vida.

44.
N Ã O C H O R E S ,M I N H A M Ã E

Carlos, menino muito devoto de Nossa Senhora,caiu gra-


venientedoente.Seus pais, sumamenteaflitos e angustiados,le-
vaÍam-no ao hospital.Chegaramos médicos,examinaramo en-
fêrmo e disseram:
- E' precisooperá-lo; seu estadoé grave.
Fizeram-seos preparativose o enfermeirojá estavapronto
para dar-lhe clorofórmio, que é um líquido que Ìaz o doente
adorrnecere ficar insensívelàs dores da operação,Quandoêle
conÌeçoua falar:
- Não, respondeu,não quero clorofórmio;garanto-lhesque
ficarei quietinho.E dirigindo-seà mãe, que estavaao lado, disse:
- ^4sx1fg,dá-me o meu crucifixo; quero sofrer por
Jesus.
Durante tôda a operação não se queixou nem chorou, mas
ofereciaa Deus as suas dores,com os olhos fixos no Crucifixo.
Os médicos ficaram admirados de ver tanto valor e coragem
num menlno.
Desde aquêle dia não pôde articular palavra; fazia-se en-
tender por escrito.

Tesc.-lro I - 4
49
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I

Seu professor,uffi lrmão Marista, deu-lhe uma estampa de


Nossa Senhora com ulna inscrição que dizia: "Quent me anla
siga-me"
E Carlos,considerando como dirigido a si aquêleconvited a
-
Mãe de Deus, escreveu: Mamãe, eu amo muito a Nossa Se-
nhora e quero segui-la.
E como a mãe se pusessea chorar, Carlos continuou es-
crevendo:
- Não chores, minha mãe; vou para o céu, onde tezarei
por ti e por papai e estarei em companhiade Nossa Senhora;
dá-me um abraço.
Depois de abraçar sua mãe, a quem muito atnava, Carlos
fixou com ternura a imagem de Maria, beijou-a e expirou.

45.
DIANTE DA IMAGEM DE MARIA
Era Margarida uma jovem de dezesseisanos. Seu pai fôra
maçon; sua mãe, nada piedosa.Educaram-nanuma escolaonde
não se pronunciavao nome de Deus; mas Nosso Senhoramava
aquela menina. De caminho para a escola,ao passar por umá
igreja, sentia-seimpelidaa entrar e ali permaneciaalgum tempo
q
a olhar para o altar.
Muitas vêzes e de maneira maravilhosafalou Deus ao co-
ração daquela menina, QU€,às escondidas,chegou a confessar-
se e a comungar.
A falta de religião no lar bem depressaa lêz esqueceres-
sas inspiraçõesdivinas.
Não era ffiá, nunca dera escândalo,mas nunca Íezava nem
ia à Missa. Só pensavaem divertir-secom as amigas, entre-
gando-secom elas a bailes e passeios.Deus, porém, não per-
mitiu que seu coraçãose manchassecom impurezas.
Era o primeiro dia da novenade Nossa Senhorado Carmo-
Aigumasmôças,levandojarros, velase flôres,entraramna igreja'
onde ;.a começara novena solene.Margarida, que passavapor
ali com suas alegres çompanheiras, sentiu um não sei quê no
coração e, dirigindo-se às outras, disse:
- Vamos entrar; vamos Ver o que fazem essasbeatas.
E entrou.. . Pôs-se diante de Nossa Senhorado Carmo e
contemplou-amuito tempo. Não sei o que lhe disseramaquêles

50
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olhos da Senhora; o que eu sei é que Margarida ajoelhou-se,
ajuntou as mãos. . . a novena começou,terminou, passaram-se
longas horas e ela ali estava imóvel, ajoelhada,os olhos fixos
na Senhora e derramava lágrimas, muitas lágrimas.. . E ali
'fôsse
ficaria a noite inteira, se o sacristãonão lhe dizer, gritan-
do, que saísse,pois ia fechar a igreja. . . que já era tarde.
Aquêle fôra o dia de sua definitiva conversão.
Quando, mais tarde, um missionário lhe perguntou o que
ïizera naquelaslongas horas, que passou ajoelhada aos pés de
Maria, respondeu:
- Não fiz mais que dizer-lhe que tivesse compaixão de
rnim, me perdoasseminhas graves culpas e, não permitincloque
rne tornasseinfiel à sua voz, me dessea graça de começaruma
vida tão penitenteque reparassemeus erros passados.
Deveu a Nossa Senhorãa graça da conversão.

46.
VALOR DIGNO DE IMITAçÃO

O Íamoso orador P. Sarabia narra o seguintefato.


"Vivíamos então em plena revolução colnunista.As greves'
socialistastinham dnvenenadoos nossos operáriose cada dia i
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era maior o número dos que militavam sob as bandeirasver- 4


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melhas. Eram muitos e muito ousados.. . porque os governos
liberais não defendiamos direitos da ordem e da verdade.
Poucas eram as procissões,QU€,naquele tempo, saíam à
Íua; e, em algumas regiões,as poucas que saíam raramentevol-
tavam à igreja em paz sem serem molestadas.
Certo dia, em Bilbao, os católicos organizaram uma sole-
níssima procissão.Tôdas as fôrças católicas,levando suas ban-
deiras e estandartes,hav;am de subir ao santuáriode sua rainha
e Senhora,a Virgem de Begofia.
E marchavamaquelas filas intermináveisde fervorososca-
tólicos, ao som de magníficoshinos religiosos,com a fronte er-
guida e o coraçãotranqüilo.. . e marchavamcomo quem exerce
um direito e representaa verdadee a glória. De repenteouve-se
um tiro. . . Houveum momentode confusão.. . Soououtro tiro. . .
e logo 'mais outro. . . Não restava dúvida, os terozes socialistas
estavam escondidosatrás de alguma sacada e dali descarrega-
varn suas armas, impunemente,sôbre os católicos.. . Houve um

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momento em que as tilas se cortaram e alguns correram a es-
conder-senas entradasdas casas.Não foi mais que um instante.
Logo se reïizeramos valentesbilbaínos e subiam à igreja
à frente da santa imagemde sua Rainha e Senhor a. E não eram
poucos os valentes que se metiam pelas ruas e pelas casas à
caça dos covardesque pretendiamestorvaro triunfo da Virgem.
contudo os tiros aumentavam.. . o alvo preferidoera o es-
tandarte da Imaculadacarregadopela presidentedas Filhas de
Maria. . . Estavajá várias vêzesperturadode balas.. .
Naquelesolenee trágico momento,alguns moços marianos
aproximaram-seda Presidentee disseram-lhe:"euando sibiiam
as balas, as mulheresvão para casa ou para a igreja, e os ho-
mens ficam no campo de batalha".. .
Queriam,pois, que lhes entregassemo estandarteda lmacu-
lada, que êles o defenderiam.
Mas as Filhas de Maria agruparàm-seem tôrno de sua ban-
deira e a heróica presidenterespondeu-lhes:"Levareis êste es-
tandarte da Virgem, quando eu e tôdas as Filhas de Maria ti-
vermosmorrido a seuspés".
E os comunistas,encarniçadosinimigos da religião, não
:i> puderam impedir que a majestosaprocissãochegasseao San-
r tuário de Nossa Senhorade Begofra.
com que carinho de Mãe não as terá- recebido a excersa
Rainha e Senhora !

47.
DEVOçÃO A NOSSA SENHORA

a) um dia estava o santo cura de Ars em êxtase diante


duma imagem de Nossa Senhora.uma pessoaouviu êste diálogo:
- Boa Mãe, sabeis que não pude converter tal pecador.
Dai-me sua alma, Qüê por ela levarei o cilício durante oito dias.
Nossa Senhora r,espondeu:
- Eu ta concedo.
Há outro filho vosso,muito infeliz, do qual nada pude con-
seguir. Prometo-vosjejuar por êle muito tempo, se me conce-
deres a sua conversão.
- Eu ta concedo,respondeua Virgem.

b) ozanam, jovem de 18 anos e quase incrédulo, chegara


a Paris.
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um dia viu num canto da igreja um venerandoancião que


Íezava o rosário. Aproximou-se e o observou bem. Era o fa-
moso sábio Ampère. Ozanam fìcou comovido, ajoelhou-see cho-
rou em presençadaqueleespetáculo.Mais tarde costumavadizer:
o rosário de Ampèreproduziu em mim ma:s fruto do que todos
os sermõese livros de leitura.

49.
UM GRANDE DEVOTO DE MARIA

o célebrepresidenteda Repúblicado Equador,Garcia Mo-


reno, assassinado pela maçonariaem 1875, era devotíssimode
Nossa Senhora.
Achando-seum dia entre operáriosirlandeses,que mandara
vir dos EstadosUnidos pa:a montar uma serrar:amecânica,in-
terrogou-ossôbre os costumesreligiososde seu país e pergun-
tou-lhesse sabiam algum cântico em honra de Maria Santíssima.
os bons irlandesespuseram-selogo a cantar. Garcia Mo-
reno ouvia-oscheio de comoção.Terminadoo cântico,perguntou:
\ - Vós, irlandeses,amais muito a Nossa Senhora?
- Sim, senhor, de todo o coração,- responderam.
- Então, meus filhos, acrescentouo Presidente,ajoelhe-
nlo-nos e rezemosÒ' rosário, a fim de que persevereisno amor
e no serviço de Deus
E todos, ajoelhados.ao redor do Presidente,rezaÍam,com
grande fervor e com os olhos úmidos de pranto, a coroa mariana.
Foi na devoção a Nossa Senhora que Garcia Moreno en-
controu a fôrça daquela fé viva QU€,diante dos assassinos,lhe
pôs nos lábios, como um grito de desafio,a palavra memorável:
"Deus não morre!"

49.
OS DOIS SOLDADOS

Foi na guerra de 1914-18.um soldadofrancêsnarra o se-


guinte fato:
"Nunca me esquecereide um episódio,que eu mesmo pre-
senciei.Atacamos à tarde; depois de algumas oscilações,pene-
tramos na trincheira inimiga, onde iaziam cadávereshorrenda-
mente massacradospelos canhões75.

53

:-:ì1f;5p5i _
No momentodo novo ataque,uma metralhadorainimiga ca-
muflada abateu alguns dos nossos; eu fui um dêles. Passados
os primeiros instantesde terrível impressãopelo ferimento re-
cebido, olhei ao redor. Dois soldados jaziam por terra agonizan-
tes: um alemão,bávaro, louro e muito môço, com o ventre di-
lacerado,e ao lado dêle um francês, igualmentejovem. Ambos
manifestavamjá a palidez da morte; a minha maior dor era de
não poder mover-mepara socorrerou ao menossuavizara morte
do meu camarada
Foi quandoo trancês,com supremoesfôrço,procuroucom a
mão alguma coisa que estavasôbre o peito, debaixo do capote.
E tirou üm pequenocrucilixo que levou aos lábios; depois, com
voz traca, mas ainda clara, Íezou: Ave, Maria. . .
Vi então outra coisa. O alemão, que até aquêle momento
não dera sinal de vida, abriu os olhos azuis e meio apagados,
virou a cabeça para o f rancês e respondeu:Santa Maria Mãe
d e D e u s .. .
O francês,um tanto surpreendido, olhou para o seu vizinho;
seus olharesencontraram-se;o francês apresentouo crucifixo ao
bávaro,que o beijou; apertaram-se as mãos nunt trêmito de amor
a Deus e à pátria; seus olhos Íecharam-se, e o espíritodespren-
deu-se do corpo, enquanto o sol os iluminava através de pur-
púreasnuvens.. . "Amém, disse,e f iz o sinal da cruz".

50.
O SORRISODA IMACULADA

Quatro anos após a definiçãodo dogma da ImaculadaCon-


ceição,Nossa Senhorase dignou baixar à terra paÍa confirmar
dê um modo estupendoa declaraçãodo Papa Pio IX, de santa
memória.
Foi em Lourdes, na França, que Nossa Senhora apareceu
repetidasvêzesà inocenteBernadetee na última apariçãodisse:
Eu sou a Imaculada Conceição.
Quem refere o seguinteepisódionão é nenhum devoto,nem
sequer bom cristão. Êle escreve:
"Quandojá se falava muito das apariçõesde Lourdes,acha.-
va-me em Cauterets,povoaçãopróxima de Lourdes, mais para
distrair-medo que para curar-me.Achei graça ao ouvir que a
Virgem sorrira para Bernadetee resolvi ir a Lourdes para ver
a Vidente e surpreendê-lana mentira.Fui a casa dos Soubirous

54

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e encontreiBernadetesentadaà porta cerzindoumas meias. Pa-


receu-meo seu rosto bastantevulgar; apresentavasinais de en-
fermidadecrônicaao par de muita doçura.A instânciasminhas
contou-meas apariçõescom tôda a simplicidadee convicção.
- Mas é vercladeque a Virgem sorriu?
- Sim, sorriu.
- E como sorria?
- A meninaolhou-meconl ar de espanto,e disse:
- Mas, senhor, seria prèciso ser a gente do céu para re -
pet:r aquêlesorriso.
Não o poderia repetir para mim? Sou incréduloe não
creio nas aparições.
O rosto de Bernadetetornou-setriste e severo.
- Então julga o senhorque menti?
Senti-mevencido.Não, aquelamenina tão cândida não po-
clia mentir. Ía pedir-lhe desculpas,quando ela acrescenton:
- Bem; se o senhor-é um pecador,tentarei irnitar o sor-
riso de Nossa Senhora.
A meninaergueu-selentanrente, juntou as mãos e um retle-
xo ce este iluminou o seu rosto. Um sorriso clivino,que janrais
vi enr lábios mortais, encantouos meus olhos.. . Sorria ainda,
quanclo caí de joelhos, vencido pelo sorriso da Imaculada nos
lábios da ditosa Vidente.
Desde aquêle.lia nunca mais se me apagou da imaginação
aquêle sorriso divino. Passaram-semuitos anos, mas a slla re-
cordaçãoenxugou-memuitas lágrimas ao perder minha espôsa
e minhas duas f ilhas.. . Parece-meestar só no mundo e vivo
do sorriso da Virgem".

51.
NÃO IREI DORMIR EM PECADO

Quando fêz a sua primeira comunhão,tomou um menino a


resoluçãode nunca ir dormir com um pecado mortal na cons-
ciência.
O seu propósitoera: "Se tiver a desgraçade cair em falta
grave, irei confessar-me
no mesmo dia e não irei para a cama
antes de me haver reconciliadocom Deus".
Alguns mesesmais tarde teve a fraquezade cometerum tal
pecado.Era sábado,tazia mau tempo e a igreja era distante.
Êle dizia:

55
- Amanhã, quando fôr à mlssa, procuraÍero conÌessore
me confessarei.
Lembra-se,porém, de sua promessae uma voz interior
lhe diz:
- F aze o que prometeste,vai te confessar.. .
Contudo,não se resolviaa ir e, nessa luta, ajoelhou-see
implorou o auxíiro de Nossa Senhora,rezando uma Ave-Maria
pata que lhe fizesseconhecera vontade de Deus. Apenas ter-
nrinara a sua oraçã,o,sentiu-se mais vivamente impelido a ir
confessar-seimediatamente.Levanta-se,corre à igreja e con-
fessa-se.
De volta encontra-secom sua madrinha,QU€lhe pergunta
de onde venl.
- Acabo de confessar-me,diz com rosto alegre e f eliz:
cometi un pecadoe não qu:s ir dormir sem alcançaro perdão;
agora, sim, tenclo recuperadoa grata de Deus, posso dormir
t r a n q ü i l o.. .
Sua mãe tinha o costumede deixá-lodormir um pouco mais
aos domingos; por isso não ïoi despertá-locedo. As sete horas
bate à porta, chama-o pelo nome.. . Não responde.Passa um
quarto de hora e o menino não aparece.Chama-ç de novo, mas
sem resultado algum.
Inquieta,abre a porta, abeira-seda cama onde o filho jaz
imóvel; pega-lheda mão, está fria; f ixa-o um instante,dá unl
g r i t o e d e s m a i a . . . O m e n i n oe s t a v am o r t o !
E se não tivesseido confessar-se?

52.
E N T R E N A À 1 I N H AG U A R I T A !

O veteranocapitão Hurtaux, cavaleiroda Legião de Honra,


não era católico praticante; tinha, como muitos homens,certo
temorzinhoou respeitohumano de chegar-seà confissão.Muito
antes de dar o passo definitivo,gostavade invocar a SS. Vir-
g€ffi, indo ÍezaÍ no santuário de Nossa Senhora em Chartres,
onde morava.
Um dia, estandode joelhos diante de um grande Cristo na
catedral,viu que um sacerdote,QUeo conheciae tinha a fran-
quezade um milítar, se aproximou,bateu-lheno onrbio e disse:
- Capitão, pouco adianta estar o Sr. aí a rezar, se náo
se põe.na graça de Deus.

56

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.Ì.

E tomando-o pelo braço, acrescentou:


- Entre na minha guarita.
o capitão deixou-selevar, têz a sua confissãoe saiu com
o rosto radiantee a alma revestidada graça de Deus. Foi desde
êsse dia um cristão modêlo: todos os dras tazia a sua hora de
guarda aos pés de Nossa Senhora e não se levantavasem lan-
çar um afetuosoolhar para a Mãe do céu.
um dia, afinal, já não pôde ir ïazer a guarda e teve Nosso
Senhor,sem dúvida acompanhadode sua Mãe, que vir ao leito
de morte de seu servo.
Recebeuos sacramentoscom fé viva e, ao apresentar-lheo
paclrea sagradaHóstia, exclamou:
- Senhor,não sou digno. . . não sou digno que venhaisà
minha casa, mas sois tão bom!
O capitão não se enverqonhavade suas crençasnem dissi-
mulava suas práticas piedosãse sabia tapar a bôca dos que o
interpelavam.
- Aonde vais? perguntou-lhecerto dia um amigo, ao vê-lo
dirigir-se a utna igreja.
- Vou aonde tu deveriasir e não tens coragem.
Corn êste seu gênio tão simples como firme granjeara o
respeitode todos.

53.
t.
UM CASTIGO E UMA GRAçA

o Sr. Beauveau,marquêsde Novian, deveu a sua conversão


e vocação religiosa à Companhiade Jesus a uma vitória sôbre
o respeito humano para honrar a Nossa Senhora.
Em 1649, estando as tropas alemãs na Alsácia-Lorena,al-
guns soldados alojados em Novian, depois de haverem bebido
enl excesso,puseram-sea jogar. um dêles,depois de haver per..
clido no jôgo, vendo uma estátuade Nossa Senhoracolocadana
parede, f:cou furioso como se fôra ela a causa de sua falta de.
sorte, e corneçoua golpeá-la proferindo horríveis blasfêmias.
Apenas terminara,caiu por terra com um tremor em todo o cor-
po e dores tão fortes e contínuasque foi impossívelfazê-lo to-
mar alimento durante quatro ou cinco dias. Tendo a tropa re-
cebido ordem de partir, ataramo infeliz em seu cavalo para que
acompanhasse a marcha.

57
Soube-sedepois Qüe, à fôrça de agitar-se, caíra da mon-
taria e morrera no caminho,mordendo a terra e espumandode
raiva.
Naquela vila falou-se, por muito tempo, do exemplar cas-
tigo do blasfemo.Dois anos após, a pedido de um missionário,
reso;veu-sefazer um ato solenede reparaçáo.Paru êssefim fo-
Íam àquela casa em procissãoo vigário, o missionário,alguns
outros sacerdotese o povo de Novlan com o rnarquêsà frente.
Chegadosao lugar. por mais que o padre chanlassea al-
guns homens,nenhumse apresentoupara levar a imagemà igreja.
O Sr. Beauveau,indignadocom semelhante inditerençapara com
Nossa Senhora,sentiu-seinteriormente movido a levá-la êle mes-
mo. Apesar do respeitohumano e de parecer beato aos olhos
daquelagente,tomou a imageme levou-acom respeitoà capela
do casteloonde, por ordem do Bispo, foi colocadacom tôdas as
honras.Maria Santíssimanáo tardou a recompensar êste ato de
piedade, pois, segundo declarou êle*mesmo,começouo tnarquês
a recebertal abundânciade graças e tão fortes inspiraçõespara
a vida perfeita que não só se tornou um cristão ntodêlo,nÌas
ainda abraçoua vida religiosa,onde viveu e nlorÍeu santamente.

"54.
CASTIGO'DE UM ESTUD.ANTE

Dois estudantesperversosiam certo dia pelo caminho que


conduz ao santuáriode Nossa Senhorade Ostaker,onde muitos
enfermos recobram a saúde, bebendo água da fonte milagrosa.
Discorriam ambos sôbre como se divertiriam naquele fe-
riado, quandoum exclamou:
- Sabeso que vamos tazer?
- Não.
- Um milagre; sim, um autênticomilagre. Não te r;as e
ouve-me.Vendar-te-eios olhos, tu te tingirás de cego e eu te
levarei à tonte.
- E depois?
- Quando chegarmos,começarása rezar, lavarásos olhos
,coma água,e gritarás que estáscurado, que estásvendo.. . as-
sim pregaremosuma peça aos devotos.Não te parecedivertido?
- Sim, ótimo. E quando voltarmos,contaremoso prodígio
.aos jorna:s e como se rirão os leitores dêssespobres imbecis

58

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que vão lá, buscar saúde. Falarão de nós e nos tornaremos .14:
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célebres.. . I'

- V a m o s .. .
Assim foram nossosdois comediantes, fazendo cada um o
seu papel,até à fonte milagrosa.Como sempre,havia ali muitos
peregrinos.Vendo os dois jovens, aproximaraÍn-secom sinais
de simpatiacomo lazem os bons cristãoscom os enfermos.To-
dos se puserama rezaÍ enquantoo jovem ímpio se aproximava
da fonte para se lavar.
Com o auxílio de seu hipócrita companheiro,tira o pano
dos olhcs, fingindo chorar e lamentar-sede seu infortúnio.Toma
d a á g u a ,e s fr e g a o s o l h o s .. .
À{as,ó milagre! A água produz o efeito! Uma espessané-
voa lhe cobre os olhos. Não vê mais nada, está cego! Lança
então um grito cle desespêro,chama por sua mãe, conjura a
SantíssimaVirgem que lhe perdoe.. . censuraseu companheiro,
m u d o d e e s p a n t op , o r l h e h a v e r a c o n s e l h a d o ' a q u em
l aa l d a d e .
Os peregrinos, espantados,nada compreendiamdaquela
cena.Fazem-lheperguntase arrancam-lhes a confissãoda culpa.
Nunca se vira emoção semelhanteao redor da fonte; enì vão
põem-seos peregrinosem oração para obter o perdão aos mi-
seráveis.Deus não suporla que se zombe de Maria, suâ Mãe: o
cego ficou cego.. .
Teve êste tantarmopesarde seu crime,que perdeuo juízo e
foi terminar num manicômio,onde esperamosque Nossa Se-
nhora, em vista de sua pena temporal,lhe tenha alcançadoa
misericórdiade Deus.

55.
DEUS ME CHAMA

Um missionário Lazarista. falecido na Itália erÌl fins do


séculopassado,pregavaretiro a umas jovens cle Constantinopla
precisamentenos cliasem que a cólera invadia a infeliz cidade.
Na nranhãdo terceirodia, bem cedo,viu o missionárioche-
gar uma das jovens retirantes,que lhe disse:
- Padre, desejo confessar-mee ïazer uma boa comunhão
esta manhã. Depois da missa lhe direi o motivo.
Comungoucom singularesmostrasde fervor. Depoisda ação
de graças veio dizer-me:

59
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aÈ.-+-.,.-'. . ! -

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n:t. .

- Padre, esta noite, passei-a acordada e tive a sensação


de que chegara para mim o momento da morte e minha alma,
separadado corpo, era levada por meu anjo da guarda ao tri-
bunal do soberano Juiz
Jã não era o Salvador tão bom e misericordioso, de que
tantas vêzes nos falam os padres,nlas um juiz inexorável.Iam
chegandode tôdas as partes do muncloinúmerasalmas; muitas
iam para o inferno, bastantes paÍa o purgatório, muito poucas
diretaspara o céu.
Perturbada e atemorizada,levantei os olhos e - ó felici-
dade! - minha boa Mãe, a Imaculada,ali estavaa olhar para
mim com uma doçura infinita. Animada cont esta vista, clo tun-
do do meu coração saiu o grito que repetia muitas vêzes na
terra: "Boa Mãe, Mãe do Perpétuo Socorro, socorrei-me,sal-
vai-me!"
Estava eu aos pés do tribunal de Deus e a minha sorte
eternaia decidir-senum instante.
De repente,uma voz melodiosa,como nenhumaoutra da
terra, se fêz ouvir:
- À{eu Filho, esta é minha filha.
Então Nosso Senhor, voltando-se para sua gloriosa Mãe,
disse-lhe com inefável carinho, que não se pode exprimir em
linguagemhumana: v
- Pois é vossa: julgai-a Vós.
E por todo juizo a Rainha dos Santos abriu-me os bra-
ços eu me retugiei nêles. Era teliz por tôda a eternidade
e !. . .
Calou-sea jovem. Seu rosto brilhava como se ainda esti-
vesse vendo aquela visão celeste.
O missionário,mais impressionadodo que deixava perce-
ber, pregou naquela manhã sôbre a necessidadeda preparação
para a morte.
Apenas havia terminado,vieram chamá-lo com tôda a ur-
gência; uma das jovens que assistiamao retiro acabavade cair
de cama vítima da cólera. Naquelecorpinho,que se retorcia com
a violência da doença,reconheceuêle a jovem da visão.
- Padre, eu bem lhe dizia, Deus me chama!
E duas horas depois,com um sorriso celestialnos lábios,
sua alma voava para a glória, repetindo pela última vez sua
jaculatóriafavorita:
- Minha Mãe, Mãe do PerpétuoSocorro,socorrei-nte!sal-
vai-me!

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UM SACRISTÃOE UMA VOZ MISTERIOSA !.
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Na pequenacidade de Ostra-BraÍna,Polônia,hâ uma bela i
igreja ottde,há séculos,se vcnera uma devotainagem de Nossr l
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Senhoradas Dores. ì.
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!.

No mês de março de 1896, um forasteiro,falando polonês :ì ì


:
com sotaquerfisso,apresentou-se ao sacristãocom do-s grossos
círios, clizendoque queria ardessemdiante da milagrosa ima-
gem até se acabarem
- Fiz promessa disse que fiquent acesosaté ama-
nhã depois da missa sem que se apaguem.Tenho um grande
negócio,que amanhãse há de decidir e só me resta êste.tempo
para recomenclá-lo a Nossa Senhora.Se quiser, irei junto pata
colocáìos na igreja. ;
- Eu o farei com gôsto - replicouo sacristão- mas o q

':'
caso é que, quando se deixam luzes na igreja, tenho de passar
a noite lá, por temor de um incêndio. a '
i:

- Sei disse o desconhecido lllas por êsse seu tra-


- - - . - =i Ì
balho dou-lhe agora mesmo dois rublos.
r;'
A filhá do sacristãopreparouao pai a ceia e roupas quen- ìì :
tes e o russo foi com- êle acenderos círios, rezou alguns minu-
tos e toi-se embora. \
O sacristão,uma vez sòzinho, tocou as Ave-Marias,fechou 1

as portas, rezou sua oração da noite, sentou-senuma cadeira,


na sacristia,e logo começoua cochilar.
De repenteouve uma voz que lhe grita:
- Apaga, apaga os dois círios!
Assustado,levanta-se,olha pata todos os lados e não vê
ninguém.Julga ter sido um sonho e torna a dormir; mas, pouco
depois, desperta-oa mesma voz misteriosa:
- Apaga, apagaos círios!
Como não vê ninguém, para acabar com aquêles sonhos, i

acha que seria melhor apagar as velas; mas, lembrandode sua l

promessae do dinheiro recebido,pôs-se a rezar o rosário até


que, vencido pelo sono, adormecepela terceira vez. Ì
i
Desta vez a voz desperta-ocom mais tôrça:
- Apaga, apaga depressaos círios.
Convencidoafinal de que a voz vinha do alto, apaga os
círios e fica tranqüilo. Ao romper do dia toca as Ave-Marias, !

i,
prepara o altar païa a missa e começama chegar os fiéis e "..t'
{

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It '
I
I:
_ì -;

tambémsua filha. Esta, terminadaa missa,perguntaao pai por


que apagara os círios.
Inteirada do que acontecera,após a saída dos fiéis, levaram
o+ círios para examiná-lo,pois notaram que eram de um pêso
extraordinário.
O pai com uma ïaca foi rasgando a cêra e no meio virr
que o pavio penetravanum tubo de ferro. Suspeitandouma ar-
madilhasacrílega,puseramos círios num barril de água e foram
cfepressaavisar ao vigário e ao delegadode polícia.
DescobriÍam,então, que os dois tubos estavamcarregados
com dinamite e calculaclospara explodir precisamenteà hora
da missa.
Intagine-sea gratidão dos habitantesde Ostra-Brama para
com Nossa Senhorapor os haver l:vrado, com sua intervenção
clireta,do horrível atentado.

57.
SALVO POR NOSSA SENHORA

Um jovem seminaristafrancês, por instigação de um pa-


rente, abandonoua vocação. Seus pais e Jnestre5 fizeram tudo
para abrir-lhe os olhos e segurá-lo.Obstinou-see partiu para a
capital, onde conseguiuótima colocaçãoe ganhavabom dinheiro.
Desgraçadamente seus maus amigos o arrastaram aos víclos e
cle suas práticas religiosassó conservouo "Lembrai-Vos", que
tôdas as noites rezava em louvor de Maria Santíssima.
Ao cabo de alguns anos perdeu a colocaçãoe caiu na mais
profunda miséria; e, como já não contavacom o auxílio da re-
Iigião, entregou-seao desespêroe resolveuacabar com a vida.
Ia iâ lançar-se ao rio para afogar-se, quando, poÍ inspiração
singular,quis antes rezaÍ o seu "Lembrai-vos"a Nossa Senhora.
A j o e l h o u - se r e z o u . . .
Ao levantar-se,um terror estranhose apoderoudêle: pa-
recia-lhever um abismo aberto e fogo abrasadordiante de seus
olhos; em sua mente agitada pelo remorso começavama des-
pertar as recordaçõesda infância. Percebeuque um passo ape-
nas o separava do inferno. Fugiu atemorizado pelas ruas de
P a r i s , s e m s a b e r a o n d e i a . . . A o a c a s o ?N ã o . N o s s a S e n h o r a
guiou-lheos passosaté uma igreja, em que entrou arrastadopor
uma fôrça invisível.

62:
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Uma grande multidão de fiéis Íezava em siiêncio diante da


L

imagem de Maria adornada de luzes e flôres.


O infeliz sentiu pouco a pouco renascersua confiança.Viu
um padre que entravano confessionárioe foi ajoelhar-seaos pés
dêle. Era o VenerávelP. Desgenettes, pároco de Nossa Senhora
clas Vitorias. Entretanto,o rapaz não tinha intençãode confes-
sar-se;queria sòmentedesabafarseu coraçãoe contar a história
da sua vida e de seus desvarios.
O padre recebeu-ocom a bondadee doçura de uma mãe e'
quandoêle terminousua relação,disse:
- Meu filho, quero completara sua historia. Faz poucos
mesesum bispo estêvepregando nesta igreja e recomendouàs
oraçõesdos fiéis um jovem, a quem queria muito, e que andava
perdicloem algurna parte desta capital. O pecador,entre lágri-
mas e soluços,ocultou o roslo entre as mãos.
O pároco ouviu-lhe a confissão preparou-o para uma Íer-
vorosa comunhão,restituindo-lhea paz da alma.
o jovem reparou os escândalosque dera, indo pedir perdão
a seus pais, mestrese ao bondosoprelado e, por fim, entrou nu-
ma Ordem reiigiosa para lazer austeras penitências.
!

58.
NOSSASENHORAE O FAMOSOCAçADOR
ï
1
Certa manhã,,pouco antes do almôço, descia do trem em
1

È
Lourdes um senhoraço,completamenteindiferente, que mal Se i

resolveraa acompanhara espôsa e a filha ao balneário. Não


pensavaem demorar-seali mais que o tempo que medeia entre
dois trens: era tudo o que conseguiramalcançar dêle a espôsa
e a filha.
Apenas lâ chegadas,correram aS duas à gruta para rezar
pelo cheïe da família, que tanta pena lhes causava por sua
irreligião.
Êle, porém, mais preocupadocom o estômagodo que com
a alma, foi à procura do melhor hotel e, chamandoo garçon'
disse:
- Enquanto espero minha senhora e minha filha prepare
para nós três um bom almôço.
- Deseja o Sr. comida como de sexta-Íeira?
- Como? De sexta-feira?
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Ì
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i
- E' que hoje é dia de abstinênciae quase tôda gente o
guarda, pelo menosaqui.
- Que me importa o dia? diz o livre-pensador. Ora essa!
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O almôço tem que ser substancioso,e demaissou caçador,quero t
r
carne,ouviu?
O garçon inclinou-serespeitosoe deu orcl em ao cozi nhei ro
:r
de prepararbife, frango, etc.
Acendendoum bom charuto, o nosso homern dizia cle si
para si:
- Não hão de dizer que não vi a famosa gruta. lrel ver
aquilo.
Chegoula muito antes que as duas senhorastivessemter-
minado suasvisitasà gruta, à basílicae à cr:pta,em tôda a parte
rezando e suplicandopor seu querido rebelde.. . Quando che-
garam de novo à gruta, Que surprêsa!lá estavao homem ajoe-
lhado, chorandoe rezandocom todo o fervor. Era êle? Quase
não podiam cÍer. Sim, era êle mesmo.Não se atreviama falar-
lhe, mas êle logo que as viu exclamou:
- Sim, sou €u, Íezo e choro. Quereissaber como se deu
isto? Não sei explicar.Somentesei que v:m sem pensarem nada,
mas, achando-mediante desta imagem,uma emoçãoinclescritível
se apoderoude mim. Caí de joelhos e, ao ver um padre, pergun-
tei-lhe se podia me confessar.Atrás do pequeno altar da gruta
{iz minha confissão.Oh ! como sou feliz! Ficaremosaqui hoje e
amanhã comungaremos.
Não foi o único a derramar lágrimas; os três choravant
e davam graças a Nossa Senhora.Ao chegar ao hotel, e vendo
o salão repleto de gente, exclamou:
- Srs.,eu sou o famosocaçadorN. N. Quandochegueiaqui
ainda era um ímpio; agora tendes aqui um homem que acaba
de confessar-see vai comungar amanhã.
- Carçon, ponha para nós almôço de sexta-feira...
Que surprêsa para todos os assistentes!
Desdeaquelasexta-feirao Sr. N. N. foi um cristãofervoroso!

59.
O R O S Á R I ON O S P E R I G O S

b ïaz bastante tempo, deu-se na cidade de Cartago, na


república de Costa Rica, um terremoto táo violento que a des-
truiu quase por completo.

64

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F\-+#-4{

A Revista "América", dos Jesuítasde Nova York, narran-


do os pormenoresda pavorosacatástrofe,chamou a atençãodos
leitores para o fato seguinte:
D. EzequielGutiérrez,que fôra presidentedaquelarepúrbli-
cã, no momento do cataclismo,achava-seem sua casa rezando
:t o rosário acompanhadode tôda a sua família. Algumas pessoas
qu:seraminterrompera reza e fugir para a ïr7a,mas o chefe
obrigou-asa ficar até terminar o rosário.
Acabada a oïação,saíram à rua e qual não foi o assombro
de tôdas ao verem as casas convertidasent ruínas. Em tôda a
redondezanenhum edifício ficara intacto; a desolaçãoera coÍn-
pleta; sòmentea casa do ex-presidentenão soflera nenhumdano,
nenl sequerum abalo.
EvidentementeNossa Senhora a tomara sob a sua especial
proteção,porque ali se Íezava o seu rosário.

60.
O SENHORAMA A SUA MÃE?

Foi um'valente soldado o cabo Pedro Pitois, que lêz essa


pergunta a Napoleão. Pedro estava semp.rena primeira linha
de combate,não temia as balas inimigas,e, a 6 de julho de 1809,
na batalha de Wagiam, ainda pelejouvalorosamente. Depois de-
sapareceu.Desertarado exército.. . Não denloroumuito toi prêso
e conclenadoà morte.
- Tu, um dos mais valentes,por que fizesteisso? pergun-
tavam-lhe os compauheiros.
Não nre arrependo- respondia- não ïiz mal.
.
A meia-noite,na vésperada execução,um oficial entrou na
cela cle Pedro. Era Napoleão disfarçado e o prêso não o re-
conheceu.
Tomando-o pela mão, o Imperador disse-lhecom carinho:
"Amigo, eu como oficial sempre admirei o teu valor nos com-
bates. Agora venho saber se tens alguma recordaçãopara tua
família, que a enviarei depois da tua morte.
- Não, nenhuma.
Não queresmandar um adeusa teu pai, a teus irmãos ou
. _:
irmãs?
- Meu pai é falecido; não tenho irmão nem irmãs.
-Eatuamãe?

Tesouro I - 5 65
--- --*'-""'-1--._ - *..---|#

- Ai! não a nomeie,porque,quando ouço nomeá-la,tenho


vontade de chorar e um soldado não deve chorar.
- Por que não? replicouNapoleão.Eu não teria vergonha
de chorar ao lembrar-mede minha mãe.
- Ah! o Sr. quer bem a sua mãe? Vou contar-lhetudo.
De tudo que existeno mundo,nada amei tanto como minha
mãe.Quandoparti, deu-mesua bênçãoe disse-me:"Se me amas,
cumpre o teu dever".
Nas batalhas,diante das balas, sempÍeme recordeide suas
palavras.Não tinha mêdo algum. Um dia soube que estavagra-
vemente enfêrma; pedi licença para ir abraçá-la pela última
vez e. . . não me deixaram partir. Recebi,afinal, a notícia de
que falecerae pedi licença para ir vê-la ao menos morta. Se-
gundavez me disseramque não. Não agüenteimais: era precisoir
depositaruma flor ao menos sôbre a sua sepultura.Fui, chorei
e recolhi esta flor de miosótis que âqui trago sôbre o meu co-
ração.Morrerei amanhá,mas a morte não me amedronta.
Napoleão,depoisde algumaspalavrasde consôlo,retirou-se
grandementecomovido.No outro dia foi o prêso conduzidoao
lugar do suplício.
Estando a guarda para disparar, chegou o Imperador a ca-
valo, poupou a vida a Pedro Pitois e nomeou-ooticial.
- Amais a vossa mãe do céu?
Respondereis certamentecom S. Estanislau:"Como não a
hei de amar, se é minha Mãe?"
E ela vos diz: "Cumpri o vossodever,e eu vos alcançareia
perseverança, a graça final".

61.
A DEVOçÃO A MARrA DÁ VALOR

Muito tempo laz encontrava-seentre os religiosostrapis-


tas de Sept-Fonts,na França,um irmão leigo, muito velho e en-
fêrmo, que tinha semprena m'aoo seu rosário.Era o irmão Teo-
doro, o qual outrora fôra um soldadovaloroso.
Quando em l8l2 o exército francês, vencido, voltava da
Rússia,a coluna de Teodoro,extenuadade cansaçoe de fome,
encontrou-se em frente de uma bateria russa que barrava o ca*
rhinho de fugida.
Um verdadeirodesespêrose apoderoude todos: o fi c i a i s e
soldadosatiravamsuas armas ao solo. Que fazer? Era no rigor

66

k,,
Ë,ì .:

do inverno e haviam caminhadolongas horas sôbre a neve e 9


gêlo. Que ïazer? Voltar era impossível.Ir adlante? Ali estava
a poderosabateria inimiga. Permhnecernaquelepôsto? Era con-
denar-sea morrer de frio e de inanição.
De repenteadianta-seum oficial:
- Venham comigo os valentes! . . .
Coisa rara nos anais de nossasguerras: nem uma voz res-
pondeu.
Engano-me.Um só homem,um Só, o irmão Teodoro, saiu
da fila, dizendo:
Irei sòzinho,se o Sr. quiser.
Dizendo isto, tira a mochila e o fuzil e ajoelha-sena neve,
persigna-sediante de todos e Íeza uma dezenado rosário com
fervor coffiç nunca. Toma novamenteo fuzil e, de cabeçabaixa,
lança-sea passo de carreira,com tanta confiança como se dez
t'
rnil homenso seguissem.
Estava para alcançar a bateria inimiga, quando os russos,
crendo que os francesesqueriam apanhá-los pelas costas, en-
quanto se ocupassemde um só inimigo, abandonaramsua peça
e bagagem e fugiram.
Dono do campo, disse nosso herói com admirável natura-
lidade:
- Eis ail part sair de apuros, nã,ohá coisa melhor do que
rezar o rosário
O oficial entusiasmadocorre para êle, tira sua própria Cruz
cle Honra e pendura-a ao peito do jovem, exclamandocom lét-
grimas nos olhos:
- Valentesoldado,tu a merecesmais do que eu!
- Comandante(respondeuTeodoro), náo tiz mais do que
o meu dever.
Cinqüenta anos mais tarde, com seu hábito de trapista,
quando, no mais rigoroso inverno, passavaa maior parte do
dia de joelhosrezandoo rosário,gostavade repetir:
- Não faço mais do que o meu dever!

62.
SALVO PELO ROSÁRIO

Era em maio de 1808. Os habitantesde Madrid tinham-se


levantadocontra o intruso José Bonaparte,que usurpara o trono
closBourbons.
5i3
67
Os insurretos, cheios de ódio contra os franceses,mata-
vam sem piedade os soldadosque podiam surpreendernas ruas
e nas casas.
Certa manhã encontrou-seo célebre Dr. Claubry com uma
turba de insurretosque, pelo seu traje, viram que pertenciaao
exército invasor.
O Dr. era grande devoto de Nossa Senhorae pertenciaà
Confraria do Rosário.Naqueledia mesmo receberaa comunhão
numa igreia dedicadaa Nossa Senhorae voltava tranqüilamente
paÍa casa.
Quando percebeuo perigo, levantou as mãos ao céu e in-
vocou os santos nomes de Jesus e de Maria.
Já estavam prestes a matá-lo, acoimando-ode renegadoe
ímpio, quando uma feliz idéia lhe passou pela mente.
- Não, disse, não sou intiel nem blastemo e se querem
uma prova, vêde o que tenho comigu. E mostrou-lheso rosário
que estava rezando.
Diante disso os assaltantesbaixaram imediatamenteas aÍ-
m a s ,d i z e n d o :
- Êste homemnão pode ser mau como os outros, pois reza
o rosário.
Precisamentenaqueleinstante,como que enviado por Nossa
Senhora,surgiu ali o sacristão da igreja egt que o Doutor co-
mungara e, vendo-o cercadopelos insurretos,gritou bem alto:
- Não lhe façam mal; é devotode Nossa Senhora;eu o vi
comungar esta manhã em nossa igreja.
Ouvindo isto, os agressoresacalmaram-se,beijaram o cru-
cifixo do rosário de Claubry e levaram-noa um lugar seguro.
Regressando à sua pátria, o piedosoDoutor publicou o favor
recebidoe continuoutôda a sua vida rezandoo rosário.

63.
ÚLTIMA AVE.MARIA, ÚLTIMO SUSPIRO!

Achava-senum asilo de velhos um antigo soldado que, ape-


sar de sua vida de casernae acampamento,se conservavadó-
cil e acessívelàs verdadesreligiosas.
Um sacerdote,QUÊo visitava com freqüência,falou-lhe da
devoçãodo rosário e ensinou-lheo modo de rezâ-lo.
Deu-lhe a Irmã um rosário e o velho militar achou tama-

ô8

" rìgR
nho consôlo em rezâ-lo, que sentia muito não o ter conhecido
antes, dizendo que o teria rezado todos os dias.
Irntã, (perguntouum dia), quantosdias há em sessenta
anos?
- A lrmã têz o cálculo e respondeu:
- 21.900dias.
- Irmã, e quantosrosáriosteria eu que Íezar cada dia para,
em três anos, chegar a êssenúmero?
- 20 cada dia, disse-lhe a lrmã,.
Daí em diante viam-no, dia e noite, com o rosário na mão.
Após três anos de sofrimentos,suportadoscom grande pa-
ciência,chegou ao seu último rosário.
Ali o esperavaa morte, pois não viveu nem um dia nem
uma hora ma:s. Ao terminar a última Ave-Maria, deu o último
suspiro,entregousua alma_a Deus.

64.
U À { P E C A D O RS E C O N V E R T E

Diz S. Brígida que "assim como o magnete atrai o ferro,


assim também Maria Santíssimaatrai a Deus os corações".E'
um fato.
Um dia foi S. Francisco Regis chamado para. um entêrmo
que não queria de modo algum preparar-separa a morte. O in-
leliz negava-sea aceitar os socorros da religião, sabendo em-
bora que o seu fim era iminente.Convencendo-se S. Franciscode
que os. meios humanoseram inút'eis,tirou de seu breviário uma
imagem de Nossa Senhorae, mostrando-aao enfêrmo, disse:
- Olha! Maria te ama.
- Como! - replicou o pecador,como se acordássede um
sonho - então ela não me conhece.
- Mas eu sei que ela te ama! tornou o santo.
- Então ela não sabe que renegueia minha fé e desprezei
a minha religião?
- Sabe.
- Que insultei a seu Filho e calquei aos pés o seu sangue?
Sabe.
Que estas mãos estão manchadasde sangue inocente?
Sabe.
Padre, o Sr. talg a verdade?

69
--

- Sim; passarãoos céus e a terra, mas a palavra de Deus


não passará. Sabe; pois, que Deus disse outrora e te diz hoje
ainda: "Fiiho, eis aí tua Mãe!"
- Uma mãe, que me ama! . . . murmuravao pecadorenter-
n e c i d o ;m i n h a m ã e , m i n h a . . . e c o p i o s a sl á g r i m a sb r o t a v a md e
seus olhos. Eram lágrimas de sincero arrependimento,verda-
deira dor.
Fê,2imediatamenteuma confissãodolorosa e contrita de tô-
da a vida. Recebeucom visível fervor a sagrada comunhão.
Alguns dias depois,teliz e cheio de contiança,expirou no
amor de Deus a quem fôra atraído por Maria.

65.
E S C A P A R A MD A G U I L H O T I N A

Foi em Paris, na época mais triste da RevoluçãoFrancesa.


Para alguém ser prêso e condenadoà morte, bastavaque o acu-
sassemde monarquistaou católico intransigente.
Também os pais de Júlia Janau, uma criança de I I anos,
Íoram presospor causa de sua religião. Júliar eüe ficara só com
uma velha criada, chorava dia e noite, temendo pela sorte de
seus pais.
Em sua grande aflição rezava contìnuamenteo rosário à
compassivaMãe do Céu para que salvasseseus pais. Essa de-
voção do rosário ensinara-lhesua boa mãe, d:zendo-lheque, em
todo o perigo e necessidade,recorressea Maria com muita con-
fiança e seria socorrida.
Estava a menina ajoelhada, rezando o seu rosário, quando
um representantedo partido revo'lucionáriopenetrou na casa à
procura de mais alguma vítima para a gu:lhotina.
À vista daquela criança, inocentee tímida, o carrascosen-
tiu-se inexplicàvelmentecomov:do.Dirigindo-seà pequena,per-
guntou:
- Que estásfazendo?
- Estou rezandoo rosáriopor meus pais.
- O rosário?...
- Sim, para que reconheçamque êles são inocentes.
Ao pronunciar essaspalavras copiosaslágrimas corriant-lhe
dos olhos. Soluçando,ergueu, suplicante,as mãozinhasao revo-
lucionário que estava sèriamentecomovido.Num gesto de man-
sidão e de bondade,que havia ntuito não sentia, inclinou-sepaft

7A
*
.""r[Èì*, i,,i: !Ë&..ìgF

a pequena de cabelos louros e, colocando-lhea mão sôbre os


ombíos, perguntou:
- E acreditasque a tua oraçãoajudará?
- Sim, foi a firme resposta- porque minha mãezinhamo
ensinoue minha mãezinhanão mente.
O coraçãodaquelehomem rude e mau, enternecidodiantc
de tamanhainocênciae confiança,sentia iá uma terna compai-
xão pela criança.
- Achas, boa menina,que teus pais são inocentes?
- Acho, sim; êles nunca fizeram mal algum.
- Pois bem; verei o que se poderâ fazer por êles.
- Obrigado, senhor, por essa promessa.Ah ! salvai nleus
inocentespais; restituí pai e mãe a uma pobre criança aban-
donada.
A grande confiançadv Júlia no poder da Rainha do Santo
Rosário ficou gravada no coração daquele revolucionário;e co-
mo gozava de muita inlluência no tribunal, conseguiuque os
acusadosfôssemabsolvidose restituídosà sua inocentefilhinha.
QUÊ,pela devoção a Maria, os livraria da morte.

66.
O S T R Ê S D E G R A U SD A F Õ R C A

Era no tempo da famosa rainha Isabel que governoua In-


glaterra de 1558 a 1603. Foi uma rainha cruel e mandou ma-
tar fria e injustamentea muitíssimosde seus vassaloss:mples-
mente por serem católicos convictose fervorosos.
Entre as inúmerasvítimas de seu ódio satânicoestavaloão
Post, natural de Pereth (Cumberland),grancledevoto da Mãe
de Deus. Ainda na hora trágica da morte deu prova desta sua
devoção.
Foi assim: Ao ser conduzidoà fôrca, enì presençade inú-
meíos espectadores, ajoelhou-seno primeiro degrau da tôrca e
rezou em voz alta: "O anjo do Senhor anuncioua Maria; e ela
concebeudo Espírito Santo". E rezou logo em seguida uma
Ave-Maria.
Subiu, depois, ao segundo degrau e rezotl com voz forte:
"Eis aqui a escravado Senhor; faça-se em mim segundoA V O S -
sa palavra. E rezou outra Ave-Marla.

7l
Subiu, enfim, ao terceiro degrau, que era o último do ca-
dafalso, ajoelhou-sepela última vez e Íezou: "E o Verbo de
Deus se fêz homem e habitou entre nós". Rezou a terceira Ave-
À{aria, encomendando-se fervorosamentea Nossa Senhora.
Entregou-seentão ao carrascoe sofreu heròicamenteo mar-
tírio, sendo enforcadopor causa de sua fé inabalávelem Jesus
Cristo e na santa Igreja Católica.
Meu irmão, também nós estamoscondenadosà morte. To-
clos havemos'de morrer. Pode-se dizer que nos aproximamos
dela, subindo também três degraus: um pela manhã, outro ao
meio-diae o terceiroà tarde.
Irnitemoso exemplo dêssesanto mártir, rezandotrês vêzes
ao clia, como é costumeentre os bons católicos,o "Anjo do
Senhor".

67.
SÃO JOSÉE A PRIMEIRACOMUNHÃO

O célebrePe. Leonard, grande missionáriona |tár\ia,cho-


rava tôda vez que tinha de pregar um retiro de primelra co-
munhão.
- Mas, Padre, que é que tem o Sr.? perguntavam-lhe.
- Ah! não sabeis (respondia) que se p-reparampara o dia
da prirneira comunhãovários calvários, onde Jesus Cristo será
de novo crucificado?Nada mais comum do que êste crime entre
os nteninos.Não sabeis que muitos ocultam seus pecados na
confissão;outros se confessammal; outros não têrn arrependi-
mento; outros, enfim, não compreendem a grandezado ato que
vão tazer? Por pouco que se ame a Deus, é impossívelnão cho-
rar e não sentir horror de semelhanteatentado.
Inrpressionadocom estas palavras, um piedoso Diretor de
Colégio mandava ÍezaÍ todos os dias do mês de março para
que nenhum dos alunos cometessetão horrendo pecado. Nove
dias antes da comunhãodeviam fazer uma novena a S. José, a
fim de que todos se preparassembem para a primeira comu-
nhão e não se encontrassenenhumJudas entre os mesmos.Certa
vez, no últ:mo dia da novena, véspera da primeira comunhão,
um menino muito sobressaltadoveio cedinho à procura do con-
fessor, dizenclo-lheantes de conïessar-se:
- Padre, a noite passadanão pude dormir. Parecia-mever
S. José, que, irado, me dizia: "Infeliz, pedem-meos meninos

72

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lÈiu"-**,:- !.-, .,:';'!i-jf


_'

que não haja entre êles nenhum Judas e tu queres ser um, pois
ocultaste teus' pecados de impureza". .
E' por isso que aqui estou para reparar tôdas as minhas
confissões sacrílegase dizer-lhetudo o que tenho na consciência.

68.
A ESTÀTUAZINHA DE SÃO JOSE

Dois calroceirosestavamcarregandosuas carroçascom os


escombrosde um casarãoque fôra demolido.Eram bons e hon-
rados, mas, em matéria de religião, completamenteindiferentes:
e ignorantes.De repenteum dêles tirou com sua pá do montão
cle entulhouma estàtuazinha de S. José.
- Toma - disse ao seu companheiro- utïl deusinho.. .
- Não o quebres: isto te traria má sorte.
- Tu crês em contos de avòzinhas?
_- E' melhor que mo dês, pois, embora não sendo muito de
igreja, prefiro levar um santinho para minha casa a atirá-lo no
carro. Isso me sairia mal depois.
Tens razão, replicou o outro, lernbrando-selalvez do
t e m p od e s u a p r : m e i r ac o m u n h ã oé: m e l h o rl e v á - I o . . .
Passaram-seaffos. o carroceiro era iâ um velho inválido,
estendidonum leito de madeira carcomida.No quarto, duas ca-
cleiras desconjuntadas,uma mesinha cabaleantee uns pedaços
de cobertores.Acabava seus dias na miséria.A seu lado uma
netinhade treze anos.. .
- Vovô, o Sr. quer, eu vou chamar o padre que nos dá ca-
tecisnro;êle é muito bom.
Não, filha, ainda não estou tão mal. . .
E' sempreassim.Os pobrezinhosnunca julgam estar muito
mal. Mas S. José cuidou dêle.
- Mariazinha, traga-me a estátua de S.
José que está
a l i . . . e l a q u e r m e f a l a r . . . e u a o u ç o .. .
- Pobre vovô! a febre devora-o. . .
Põe-lhe nas mãos a imagem de São José e põe-se a cho-
rar. Parece-lhechegadoo momentode insistir:
- Vovôzinho,o Sr, quer talar com o vigário? Êle é tão bom.
o S r . o c o n h e c e...
- Falar? ïalar é coisa muito vaga; diga-lhe que quero con-
fessar-nie,ouviu?

73
+':=
ì

- Obrigada, meu S. José. Salvais a quem vos respeitou;


obrigada, obrigada, dizia a menina,correndoem busca do padre.
Reconciliadocom Deus, e beijando a estàtuazinha,dizia às
pessoaspresentes:- Não vos esqueçaisde Deus, dos deveres
religiosos,da missa aos domingos. Eu náo tazia nada disso e
estou arrependido.S. José me salvou.
Alguns dias depois o velho carroceiromorria santamente
abraçado à estàtuazinhado seu grande benfeitor S. José.

69.
A P O M B A M E N S A G E I R AD E S Ã O J O S É

Há acontecimentos que parecemnovelas:que os nossoslei-


tores tomem-nosa seu gôsto.
A Íamília do Sr. B. . . sua espesae uma filha, Josefina,de
20 anos, havia gozado em N. de uma bela fortuna; mas, a en-
fermidade do pai e alguns maus negóciosa haviam obrigado a
viver só do trabalho da filha.
A môça era inteligente,enérgica,alegre e, o que é mais,
piedosa. Um dia, porém, voltou para casa com uma notícia
triste: não quiseram pagar-lhe as costuras,e comunicaram-lhe
güe, por algumas semanas,não haveria trabalho.
Que fazer? Que comer? Mas ela não d*esanima; confia, não
nos homens,mas no paternal auxílio de seu poderosopatrono S.
José,cuja festa será celebradano dia seguinte.
Senta-se,escrevenum papelzinhoa sua situação penosa e,
.abrindouma gaiola onde tem uma pombinha mansa, ata-lhe de-
baixo da asa a sua missivae, beijando-a,solta-a dizendo:
- Vai, querida,aondete guie S.
Joséa fim de que encon-
tres pão para nós e para ti.
Passada meia hora, se muito, eis que se apresentaà en-
trada da casa um môço que pede para falar com Josefina;acom-
panhava-oum criado com um pesado embrulho. Diante da fa-
mília admiradaconta gu€, sendo devoto de S. José,lhe prome-
tera atender o primeiro pedido de auxílio que se apresentasse.
'Ora,
apenas fizera a sua promessa,entrou pela sua janela uma
pombinhaem cuja asa viu um papelzinhoe a petiçãoa S. José.
- Estou, disse, montandouma oficina de costura e já que
Josefinaprocura trabalho, aqui lhe trago algum e, por ser a pri-
meira vez, pago-lhe adiantado.

74
No volume achava-s€discretamenteenvolvida uma nota de
Cr$ 100,00.Os três infelizes nâo puderam deixar de exclamar
cheiosde comoção:
- Como S. José é bom! obrigado,Santo bendito!
Era a abundânciaapós a miséria mais atroz.
Àlas não parou ai a liberalidadede S. José.Como Josefina
teve de ir com freqüênciaà oficina, logo chamarama atenção
S C U S finos modos,sua habilidadeno trabalho e a fina educação
que recebera.
Entrou em relaçõescom a família de seu chefe,que logo en-
controu boa colocaçãopara o pai de Josefina,melhorandoassim
a srtuaçãodo lar. Não sabemosse Josefinase dirigiu a S. José,
como lazem muitas môças, para arranjar um bom espôso; o
certo é que o encontrouna pessoacle seu chefe e protetor.
Na sala de sua nova casa vê-se em lugar de honra uma es-
tâtua de S. José e debaixo-delauma pombinhade ouro com o
Ietreiro:
"A mensageirade S. José".

70.
SÃO JOSÉCHAMAO PADREPARAUMA DOENTE
Certo dia, apre5entou-se na casa paroquialum ancião des-
conhecido,pedindo ao padre que fôsse socorreruma agonizante,
Êle mesmo o acompanhariaaté à casa. Como a rua era de
mâ tama e a noite se aproximava,o padre desconfioude alguma
cilada,mas o anciãoinsistiu:
E' precisoque o senhorvá logo, porque se trata de ad-
ministrar os sacramentos a uma velha.que está nas últimas.
Partiu o padre levandoo Santíssinroe os Santosoleos. A
noite efa glacial, mas o velho parecia não senti-lo; ia adiante
até chegaÍ a uma casa de péssimareputação;teve o padre um
momentode vacilaçãoe temor, nias o anciãoanimou-odizendo:
- Eu o esperareiaqui.
Bateu o padre à porta repetidasvêzese, como não abrissem,
o ancião deu umas pancadasesquisitase a porta abriu-seime-
diatamente.
- O Sr. entre, suba a escada,abra a porta do fundo do
corredor e encontraráa agonizante.
Disse essaspalavras com tal fôrça e autoridadeque o pa-

75

;ff.'.

dre não vacilou mais. Encontrou estendidanuma cama miserável


uma mulher abandonadaque repetia a gritos:
- Um padre! um padre! Deixar-me-eis morrer sem
padre?. .
-- Filha, aqui estou, sou o padre que a Sra. chama. Um
ancião foi buscar-me.. .
EIa não queria acreditar.
- Não, nesta casa não há ninguémque queira ir em busca
de padre e não conheçotal ancião.
Afinal, convencida,acusouos pecadosde sua longa vida de
pecadorae com tanta dor e arrependimentoo têz qui o padre
se adnrirou de encontrartais sentimentosnunla pesioa há tan_
tos anos afastadade Deus.
Arrumou o padre a mesinhae acendeuas velas para o viá-
tico e a extrema-unção.Nesse íntedm várias pessoasentraram
e saíram,parecendonão notar a presençado padre.
Depois de administrar-lhetodos os sacramentos, perguntou-
lhe o padre se havia conservadoalguma prática reiigioia que
lhe mereceutal benefícioem tã,ogrande necessidade.
- Nenhuma,disse,'a não ser uma oraçãozinhaque ïezava
todos os dias a S. José para que me concedesse uma 6oa morte.
Consolado,o padre assistiuao último s.rspiroda convertida.
Nem à porta nem no caminho encontrou o ancião, e ficou
convencidode que não era outro senão o misericordiosopatrono
cla boa rnorte,o glorioso S. José.

71.
SÃO JOSÉE AS CRIANÇAS

a) Nas horas em que não havia ninguérnna igreja, notou


o irmão sacristãoque um meninode cíncoanos vinha passarlon-
go tempo diante do altar de s. José.ora encostadoà grade, ora
de joelhose ora assentado, ali permaneciahoras olhandopara o
Santo.
O bom Irmão sentiu-seimpelido a lazer esta breve in-
vocação:
- O' bom S. José,ouvi a oração dêssepequenino,não lhe
recuseisa graça que vos pede com tanta piedade e inocência!
O pobrezinho rezava pela conversãoclo pai. . .

76
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-i.

ï
-i'

Èa
F
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Amiguinho, disse-lheo sacristão,se você quer dirigir a
S. José uma bela oração,.diga: "S. José,rogai por nós,'.
Tomou-o ao pé da letra o menino e, trocando de oração,
começoua ir e vir diante do Santo e, ajoelhando-se, dizia: "S.
José,rogai por nós; S. José,rogai por nós!"
Nisso se ocupava quando chegou sua mãe para buscá-ro.
Teve que sair. Duas horas depois,o papai, que havia dozeanos
não se confessava,
entrouna igreja para reconciiiar-se
com Deus.

b) um meninoda Diocesede Montpelliercontavaarsim unr


favor que alcançarade S. José:
"Quando brincava na esquinade uma rua, fui atropelado
por um carro que me esmagoucontra uma parede; meu corpo
tornou-seuma massainforme. o médiconão dava nenhumaes-
penança.Meus pais apressaram-se a chamaÍ um padre para me
dar a extrema-unção.
Uma rel:giosaamiga, muito devota de S. José, enviou-me
um cordão bento do Santo. Pedia-meque me encomendasse a
êle com fé e confiança.Assim o fiz.
Dormi logo depois e tive um sonho muito esquisito.pare-
cia-me estar vendo S. José,que garantia a minha cura. Anun-
!
ì
ciou-me,além disso,que eu seria padre. Desperteialegree con-
tei avisãoàminha*mãe.
O sonho realizou-se.Até esta data estou bom e são. . . e
n ã o p e n s os e n ã oe m s e r s a c e r d o t e ". .
{".
ir
l.
{:
ij
72.
PADROEIRODA BOA MORTE

S. José teve a felicidade de morrer nos braços de Jesus e


de Maria, e não pode deixar de vir com êles, visível ou invisì-
velmente,pata receberseus devotos.
Numa paróquia de Lyon (França) vivia um piedosoancião.
muito devoto de S. José,que não cessoudurante cinqüentaanos
de pedir-lhe a graça de uma boa morte. Para isso rezava, pela
manhã e à noite, fervorosasorações,jejuava e razia alguma es- l
mola tôdas as quartas-feiras.Para êle, o dia da festa de s.
ÍÌ '
José (19 de março) era o mais belo do ano. ï'
A 15 de março de 1859,na idade de 86 anos, caiu doente. I
Pediu imediatamente os santossacramentos e recebeu-oscom uma

77

l:
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f,
't

Íé que comoveua todos os assistentes. A 19 de março mandou


celebrar uma ganta missa e pediu que lhe rezassemas orações
dos agonizantes.O sacerdoteestava a terminar a consagração,
quando o doente,erguendoos olhos ao céu, cruzandoos braços,
r pronuncioudistintamenteos santíssimosnomes de Jesus,Maria
'r
e José, e exalou suavementeo último suspiro.
' i.
t Sua alma voou para o céu precisamenteno momento em
t
que o sacerdote,no Memento,ia pedir a Deus que recebesse as
i
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alnrasdos fiéis no lugar do refrigério,da luz e da paz eterna.
I
-'|
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:i 'í3.
I R E C U P E R O UA V I S T A
:l
.t
b
''l
; Em V:novo, aldeia pouco distante de Turim, na ltâlia, uma
môça chamada Maria Stardero tevè a desgraça de perder to-
talmentea vista.
Desejando recuperá-la, ïê,2 uma visita a S. João Bosco,
que então construía,com as esmolasdo povo de Turim, a magní-
fica igreja de Maria Auxiliadora. A môça, depois de ter iezado
diante da imagem de Nossa Senhora,falou com S. João Bosco,
que lhe perguntou:
- Faz muito tempo que perdeu a visla?
- Sim, multo; ïaz um ano que não vejo nada.
Tens consultadoos médicos?
- Ah! padre,já não sabemo que receitar-me.
- Distinguesos objetos grandesou pequenos?
- Não; como disse, não vejo nem pouco nem muito.
- Mas não vês a luz desta janela?
- Não, senhor; nada.
- Queresrecuperara vista?
- Sr. padre, sou pobre e precisodela para ganhar a vida.
- Servir-te-ásda vista para proveito de tua alma e não
para ofendera Deus?
- Prometo-osinceramente.
- Confia, pois, em Nossa Senhorae S. José. E, em
tom solene,D. Boscoacrescentou: - Para a glória de Deus, da
SS. Virgem e de S. José,dize: que é que tenho na mão?
A môça abre os olhos, QUeantes não viam nada, e diz:
- Uma medalha.de Nossa Senhora.
- E isto, que ê?

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- Um anciãocom a vata florida; é S. José.
Estava operado o milagre. Pode-se imaginar a alegria da
môça e de seus pobres pais! . . .

74.
UM LÔBO QUE SE TORNA CORDEIRO

Estava no hospital uma infeliz mulher que, há vinte e dois


anos, abandonarasua família para se entregaraos vícios mais
vergonhosos. Fôra, enfim, internadanaquelacasa pela polícia.
A vida que levara, de tal modo a embruteceraque parecia
louca; e o médico,não descobrindonela nenhumadoença,que-
ria despedi-lado hosp:tal para que não perturbasseos verda-
deiros enfermos.
Pediram-lheas religiosasque a deixassealguns dias ainda,
enquantorecorriama S. José.Bem inspiradas,vestiram-nacom
o hábito e com o cordão de S. José e puseram-sea pedir com
Íervor que êle tivessecompaixãodaquelapobre alma. ÏI
O auxílio de S. José não se lëz esperar. Poucos dias de- I
pois a mulher recobrou a pã2, confessoú-se'commuita dor e
arrependimento.Era um verdadeirolôbo e tornou-se tão manso \
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cordeiroque pediu a* seu protetor lhe alcançasseantes a morte
que voltar à vida de pecado.
Atendeu o Santo a tão pios desejos,vindo a convertidaa
falecer com os mais sincerossentimentosde dor. Antes da morte
ped:u humildementeperdão a todos os que escandalizaracom
seus vícios.

75.
PADROEIRO
DOS IMPOSSÍVEIS

Jazia em seu leito de agonia um infeliz apodrecidode ví-


cios, sem o menor remorso, zombando de Deus e desprezand.o
todos os auxílios da religião para a hora suprema.
Vendo-o zombar, com riso satânico,de seus esforços para
salvar-lhe a al.ma,resolveramseus parentesrecorÍer a S. José.
Êste grande Santo havia de fazer com que o misericordiosoCo-
ração de Jesusse cornpadecesse daqueleinÌeliz.
Era o mês de março. O sacerdote,os parentese amigosdi-
rigiram ao Padroeiro da boa morte fervorosassúplicas.

7A
Maravilhosopoder o da oração!Na manhã de lg de março,
festa de S. José,o próprio doentepediu a confissãoe fêz ques-
tão que chamassemo padre de quem mais zombara até então.
Confessou-se com o mais sincero arrependimento e, pouco
tempo depois,faleceu.. .

76.
A CASA DA SAGRADA FAMÍLIA

Durante trinta anos viveu Jesusem Nazaré,pequenacidade


da Galiléia.Ajudava a S. José, que era o santo carpinteiro,e
a Maria Santíssima,em seus trabalhosdomésticos.Por mais de
trinta anos toi aquela pobre e pequeninacasa santitlcaclapelas
mais sublimesvirtudes.
Muitos anos mais tarde, os tt'rcos conquistaramNazare e
destruíramem seu fanatismo desmedidoa grande igreja que os
cristãoshaviam construídoe que cobria prec:samente o recinto
da casa do Menino Jesus.
Aconteceu,porém, QUe,uma noite de céu estrelado,os an -
jos, tomando aquela casita e, voando, levaram-na até às proxi-
midadesde Fiume,na ltália. Mas, como havia ali muitosladrões,
que assaltavamos viajantes,logo os anjos a levaram de novo e
a deixaramno meio de um bosquede lourOç.Foi por causa dês-
ses louros que aquela casita veio a chamar-se"a santa casa de
Loreto". No centro do altar há uma milagrosa imagem da Mãe
de Deus e os aviadores tomaram por advogada e padroeira a
Nossa Senhorade Loreto.

77'
o 'TAJANTEE sÃo JosÉ
Foi a l8 de março de 1888.Viajava um sacerdoteno trem
de Mogúncia a Colônia, quando, ao passar poÍ Bonn, notou que
seu vizinho se persignou,juntou as mãos e se pôs a rezar.
- Amanhã,é a festa de S. José!... talvez que seja o seu
patrono, disse o padre.
- Não, sr., mas minha espôsachama-seJosefina.. . e gos-
taria de estar amanhã em sua companhia.Tenho, porém, outro
motivo de dar graças; e, se interessarao senhor, contar-lhe-ei
a minha história, pois um sacerdotea entenderá.

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- Certamente. i
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- Quando menino,recebi de minha boa mãe uma educação i
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bem cedo morreLlminha mãe; meu pai não
piedosa.Infelizmente, !I
se ocupou de minha educaçãoreligiosae. logo abandoneitôdas i',-
as práticasde piedade.Encontrei,mais tarde, uma jovenr exce-
Ìr
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lente e, desejandofazê-la minha espôsa,fingi sentimentosre- II
ligiosos que não possuía.Uma vez casados,quase morreu de l
pesar,quando lhe abri meu coraçãoe me pus a zombar de suas
devoções.Hâ cinco anos, na Sua festa onomástica,fiz-lhe um
rico presente,mas ela, quase receosa,me disse:
Há outro presenteque lìte ïarra nrais feliz. . .
- Qual?
- A tua alma, querido,respondeuentre soluços.
- Pede-meo que quiseres:eu o farei.
-- Vem conrigoamanhã,clia cle S. José,à Igreja de N. N.
Haverásermãoe bênção.
- Se fôr só isso, podes enxugar tuas lágrimas, QU€ te
aconrpanhai'ei.
A igreja estavarepleta;o pÍegador,muito môço, deixou-me
frio e indiferente;contudodisseuma coisa que me impressionou:
"Jamaisinvocoualg:ém a proteçãode S. José senl que sentisse
o seu auxílio. Tende tirme contiançade que correrá em socorro
de toclo aquêleque o invocar na hora do perigo, ainda que seja
pecaclorou mesmo incrédulo".
Ao sairrnosda igreja, disse-meminha espôsa:
- Meu amigo, muitas vêzesestarásem perigo enr titas via-
gens; prometes-meQü€, chegandoo caso, dirás esta breve ora-
ção: "S. José,rogai a vosso divino Filho por mim"?
- Assim o farei; não é nada ditícil.
Pouco depois,v:ajavapor êste mesmolugar em que nos en-
contramos;éramossete no compartimento. De repente,um apito
de alarma e iâ um formidável choque nos atirava pelos ares.
Não tive tempo de dizer mais que: "S. José,socorro!" Tudo foi
coisa de um instante. Ao voltar a mim, vi meus companheiros
horrìvelmente despedaçados e mortos. Eu sofrera apenas leves
contusões.Desde aquêle dia retomei as práticas religiosas e
repito, sempre com grande confiança: "S. José, socorrei-me!"

Tesorrro I - 6 8r
SFr.i H6.â
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78.
sÃo JosÉ E o PRTMETRO
ASTLADO
Em 1863 chegavaa Barcelonaurn grupo de lrmãzinhasdos
Pobres paÍa ïazer a sua primeira fundação na Espanha.Fo-'
ram muito' bem recebidas pelos catalães, que precisavanl nã.o
pouco de um asilo para tantos infelizesvelhosabandonadosque
costumahaver nas grandescapitais.O Asilo foi, como de cos-
tume, colocadosob a proteçãode S. José,a quem chamam as
Irmãs de Procuradorda Casa. No conrêço.por Ìalta de local,
aclmitiamsòmentemulheresvelhas. Mas, eis que S. José, urn
belo dia, lhes traz o primeirovelho. Era um honrentde 80 anos
que se apresentou,dizendo à lrmã:
- Venho aqui para internar-nre.
- E ' i m p o s s í v e lr,e p l i c o ua S u p e r i o r a ;a i n d a n ã o p o d : r n o s
recebernenhumhomem. I

- Seja, mas não há reméclio;ficarei assim mesmo. I

I
- Como se chamao Sr.?
- Chamo-meJosé.
Êste nome chamou a atenção das lrmãs; além disso era
dia consagradoa S. José. Não hâ remédio,recebê-lo-emos em
nome de São José. Y
O velho não possuía mais que farrapos e estava cotrerto
de insetos.Roupa de homem não havia. A Superiora,chamanclo
duas lrmãs, disse-lhes:
- Saiam as Senhorasà procura de roupa, enquantovanlos
lavá-lo e penteá-lo.
Durante êste breve colóquioouviu-sea campanhiada por-
taria: era uma senhora desconhecidaQUe,entregandoum em-
brulho, se retirou sem dizer nada. Abriram e viram, com grande
srrrprêsa,que era um traje complets para homem.
O pobre velho chegou ao cúmulo da alegria; nã,o menos,
porém. as lrmãs que compreenderam que S. José as convidava
a arnpliarseus planos de caridade.
e dentro de pou-
O Asilo cresceutranqüilae constantemente
cos anos abrigavamais de duzentosvelhossem que lhes faltasse
o pão de cada dia, nem as carinhosasatençõesdas boas lrmãs-

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79.
SANTA PAULA
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Natural de Roma, nasceu em meados do sécu;o IV. Era \
da mais alta nobreza,pois em suas veias corria sangue dos Ci-
p:ões e dos mais antigos reis.
Apos as perseguições,que loram terríveis, os cristãos re-
laxaram-seum pouco. Paula, embora cristã e honesta,vivia com J
',
excessivoluxo e moleza li'
' A Providência divina enviou-lhe amargos sofrimentos paft rÌ
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desenganá-lado mundo. Faleceu-lheo espôso,a quem amava $,,1
entranhadamente, e ela mesma contraiu uma grave e prolonga- II
da enfermidade.
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Quando recobroua saúde,despojou-secle suas galas e con- $
sagrou-sepor completoà oração, às obras de carictrade e à edu- .ì
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cação dos fllhos. "i
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Por motivo da celebraçãode um concílio,convocadopelo i
Papa S. Dâmaso, veio a Roma S. Jerônimo,grande amigo do jì

Pontífice e inconrparável conhecedor da Sagrada Escritura.


Paula tomou-o por diretor espiritual e, seguindoseus conselhos,
estudouos Livros Sagrados,especialmente os Evangelhos,e con-
cebeu o desejo de visitar e venerar a gruta de Belém.
Apos a morte ue S. Dâmaso, seu amigo S. Jerônimo aban-
donou Roma, para dedicar-sede novo a seus estudosbíblicos.
Queria ultimar sua gigantescatarefa de traduzir tôda a Bíblia
para o latim.
S. Paula não tardou a segui-lo. ConÍiou a uma filha casa-
da a educaçãoda menorzinha,e ela com FustÓquio,outra de
suas filhas, embarcourumo à Terra Santa.
Com S. Jeiônimo e Eustóquio,percorreua Palestina.Ao
chegar a Belém exclamouchorando: "Eu te saúdo, ó Belém,
cujo nome quer dizer Casa do Pão celeste;eu te saúdo, antiga
Eïratâ, cujo nome significa a Fértil, que tiveste por fruto e
colheitaao próprio Criador! E' possívelque eu, pecadora,beije
o berço onde repousouo Menino Deus, ore na gruta, onde deu
Jesus seus primeiros vagidos, onde a Virgem deu à luz o Sal- I
vador?" !
j
Junto à gruta de Belém levantou um mosteiro para a co- ì
.;
munidadede religiosaspor ela fundada e dirigida; e nos arre-
clores,outro para S. Jerônimo e Seus monges. Construiu, além
disso, unr ótimo albergue para os peregrinos,e costumavadizer:

83
"Se À'laria e José tivessemde retornar a Belém, para o recen-
seantento,jâ não lhes faltaria lugar na estalagem".
Passous. Paula o resto da sua vida meditandoa sagrada
Escritura, orando e mortificando-se conì seveÍas penitências,
animada pelo suave pensamentode que ali mesmo dera o Re-
dentor admirávell:ção de tôdas as virtudes.
Morreu aos 56 anos e foi sepultadanuma gruta ao lado cla-
quela do Nascimento.
Sôbre a porta dessa gruta mandou S. Jerônimogravar em
versos estas palavras: "Vês êste humilde sepulcronõsta rdcha
cavado? Dentro está de Paula o corpo, e dos bens celestesgo-
zando está a alma. Deixou pais e pátria e irmão e filhos e aqui
repousa,junto à gruta de Belém, onde reis e Magos a Cristo
adoraramconìo a Deus e homem".
- Festa: 28 de janeíro.

80.
SANTA MARGARIDADE CORTONA

Nasceu esta Santa no povoado de Laviano, na ltâlia, enì


1247.Seus pais eram lavradorese viviam pobremente.
Aos sete anos teve Margarida a desgraçade perder a mãe.
O pai casou-sede novo, e a madrastaodiavã a pobre òrfãzinha.
Um rico e poderoso senhor dos arredores seduziu-a e levou-a
para o seu castelo,rodeado de bosques,com muito luxo e cria-
dagem. Nove anos durou a triste vida de Margarida naquele
castelo.A miúdo sentia remorsose como que um desejo de fa-
zeÍ penitência,mas não sabia como livrar-se daquela mísera
situação.
Certo dia, o lebrel favorito de seu senhoraproxintou-se
dela,
ladrando choroso,e com os dentespuxava-lheo vestido como se
quisesseconvidá-laa segui-lo.
Penetraram pelo bosque adentro. Debaixo dum carvalho,
junto a um monte de ramos,parou o cão e redobrouseus latidos.
Afastou Margarida os ramos e encontrou,banhadoem sangue,o
cadáver de seu senhor. Haviam-no apunhalado.Surpreendera-o
a justiça de Deus.
Aquêle horrível espetáculoiluminou a alma de Margarida.
Converteu-se.Resolveucomeçar vida nova e dirigir-se, effi pri-
meiro lugar, ao casebrede seu pai, para desagravá-loe implorar-
fhe perdão.

84

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Não o alcançou,porque sua madrasta se opôs. Deus, po-


rénr, foi mais generoso.A pecadora, compreendendoque pre-
cisava confessar-se,para recuperara graça divina, dirigiu-se ao
convento franciscanoda vizinha cidade de Cortona e, ali, aos
pés do ministro de Cristo, reconciliou-Ëecom Deus, a quem tan-
to ofendera.
Tôdas as penitênciaslhe pareciamieves.Cortou sua longa
e negra cabeleira.Disciplinava-sesem misericórdia.Jejuava a
pão e âgua.
Num domingo,entrou na igre'ia de sua vila natal, vestida
cle farrapos e levanclo,conto os condenados, uma grossa corda
ao pescoço,e pediu püblicamenteque lhe perdoassemos escân-
clalosque dera.
Temia não estar bem perdoada.Cria que sint, ntas parecia-
lhe impossível,tendo pecado tão gravernente. Até que um dia,
enr que estavachorandodiante do CruciÍixo,a imagemdo Cristo
abriu os lábios para dtzer-lhe: "Teus pecadoste foram per-
ciuados".
Margarida foi devotíssimada Paixão do Salvador. Numa
Sexta-feiraSanta, quis JesusCristo que ela presenciasse tudo o
que acontecera durantea Paixão.Passaramdiante de seusolhos:
o beijo de Judas,a negaçãode Pedro, a cobardiade Pilatos,o
ódio dos judeus, os insultos na rua da Amargura e ouviu as pa-
lavras de Cristo na Cruz; e às três da tarde, hora em que expirou
nosso Salvador, inclinou também ela a cabeça e pareceu que
expirava. As pessoaspresentesnáo cessavamde soluçar.
O demôniotentou-ade mil modos; mas, rezando,como cos-
tumava, diante do Crucifixo, Jesusa consoloucom as seguintes
palavras: "Minha filha, tem coragem e obedeceao teu contes-
sor; desconfiade ti mesma,mas confia na minha graça".
Faleceu a 22 de fevereiro de 1297, contando cinqüenta
anos de idade. Durante os vinte últimos dias de sua vida, não
provou nenhum alimento ou, melhor, o seu alimento era a sa-
grada comunhão.
- Festa: 22 de fevereiro.

85
81.
VISÕES DE SANTA PERPÉTUA

Pouco se sabe da infância e juventude desta Santa. Con-


servam-se,porém, as atas de seu martírio, escritas, em parte,
porelameSma;eemparte'porumatestemunhapresencial.<
No ano de 202, o imperadorSeptímioSeveropublicou um
edito, proibindo tôda propagandacristã. Condenavaà pena ca-
pital tanto os convertidoscorïroos promotoresou cúmplicesde
sua conversão.O intento era extinguir o cristianismo.
Numa cidade vizinha de Cartago foi detida a nobre matro- ,'Ì
na Perpétuae mais otttroscatecúrnenos,entre os quais a esci'ava
Felicidade.
Meterant-nosno cárcere,onde Perpétuateve várias visões.
Numa delas manifestou-lheDeus qr5 o martírio a levaria para
o céu, sem passarpelo purgatório.
Viu uma altíssinraescadade bronze,que tertninavano céu.
Era tão estreitaqlre por ela só podia subir uma pessoa.Da es-
cada pendiam diversos instrumentosde suplício. Um forrnidável
dragão procurava impedir que se subissepor ela. Perpétua,iÍt-
vocandoo nome de JesusCristo, pisou sôbre a cabeçado tnons-
tro e começoua subir, de suplício em suplício. Ao chegar em
cima, surgiu ante os seus olhos um imensdjardim, no meio do
qual estavaunr Pastor rodeadoduma grande multidãovestidade
túrnicasbrancas.O Pastor,JesusCristo, fixou em Perpétuaseus
amáveis olhos e saudou-a com estas palavras
minha filha. E tôda a multidão exclamou:- Assim seja.
Noutra visão, Deus manifestou-lhe que podia satisÍazerpor
seu irmãozinhoDinócrates,cuja alma se achava no purgatório.
Viu Dinócrates saindo dum lugar tenebroso, onde havia
muita gente.Estavapálido,como se a sêdeo abrasasse. Próximo
dali encontrava-seum tanque cheio d'água cristalina,cujas bor-
das eram demasiadoaltas para que o menino pudessebeber. E
o pobrezinhosofria, pondo-senas pontas dos pèzinhos,sem po-
der alcançara água.. . Perpétuaofereceupor Dinócratessuas
oraçõese as penas que suportavano cárcere.
Um dia puseram-navárias horas no cepo, presos os pés
com argolas de ferro. Ofereceutambém êssesacrifício pela alma
de seu irmãozinho,e teve outra visão. Dinócrates,limpo, benl
vestido, estava cheio de paz e alegi'ia.As bordas da piscina

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ItsÈi*;;.*'-- - --.- *l^ - L-Ì --\L:e.Ì r.-ür.'-S.*nrt-eL--.-á* -


eram mais baixas e o menino bebeu daquela âgua misteriosa
num copo de ouro.
" E n t ã o - d i z a S a n t a - desperteie compreendique meu
irmã,ozinhodeixara o lugar da pena".
. Perpétuae Felicidade,as duas mártires, têm a sua festa
litrfrrgicaa 6 de morço.

82.
OS QUARENTA LEGIONÁRIOS

A famosa Legião Fplminante,junto com outras fôrças, es-


tava acampadana cidade de Sebaste(na Armênia), quando por
ordem do governador daquela região, o feroz Agrícola, se leu
um edito do imperadorLicínio, em que se ordenavaaos cristãos
que oferecessemsacrifíciosaos deuses.falsos.
Quarentadaquelesleg-tnáriosse negarama cumprir a or-
clent clo irnperador.Conduzidosà presençade Agrícola, respon-
deranr aos seus agrados e ameaçasdizendo: "Tu nìesmoreco-
nhecesque pelejamosheròicamente pelo imperadorda terra. Com-
batemos,todavia,com mais valor pelo do céu".
Entre outros suplícios,eu€braram-lhesos dentes com pe-
dras e arrancaÍam-lhesas carnes com gartos. Finalmente,le-
\/al-anr-nosa um ta,rque gelado e alì tiveranr de passar a noite
despiclos, no maior frio do inverno.
Junto ao tanque,Agrícola mancloupôr alguns banhos,cuja
âgua, aquecidapor braseiros,convidavaos mártires a renegar a
sua fé e a submergir-senelas.Durantea noite, os guardasador-
meceram;só ficou acordadaa sentinela.Um dos quarentacris-
tãos não resistiuà tentação.Gritando que renegavaa Cristo, saiu
do tanque e submergiuno banho quente; mas aquela ntudança,
por dernais rápida, ocasionou-lhea morte, perdendo,assim, a
vicia temporale a eterna.
Em seguida,a sentinelaviu um anjo que, descendodo céu,
coÍoava sucessivamente os trinta e nove que haviam permane-
cido no tanque.F:cou o anjo com uma coroa na rnão, parecendo
aguarclaralguém que substituísseo apóstata. A sentinela,ihl-
nrinada e movida pelo Espírito Santo, exclamou: "Eu também
solr cristão". Seus companheiros,que despertaramao grito, vi-
rarn-no despir-see entrar no tanqne gelaclo,onde o anjo o es-
perava para coroá-lo.Não era cristão, mas recebeuo batismo
de sangue.

87
Ao romper do clia, os guardas quebraram as pernas cÌos
quarentalegionáriose recolheram.seus cadáveresnum carro para
recluzi-losa cinzas.
Só unt, o mais môço de todos, chamadoÀlilitão, sobrevivera
à temperaturaglacial e à fratura das pernas.
Durante o trajeto para a fogueira,os verdugosexortavam - :
no a apostatar:
"Ainda podes salvar a tua vida diziam-lhe e Agrí-
cola dar-te-á riquezas".
Mas a mãe do jovenr, que com outros parentes dos ntâr-
tires acon-Ìpanhavam o carro, sobrepondo-seao amor natural :
que sentia pelo fiiho, exortava-oa manter-seÌiel a JesusCristo,
clizenclo:"Ternrina conl teus conrpanheirosesta bendita viagem,
pois, ainda que sejaso último a chegarao céu,não o serásdiantc
de Deus". Ressoavam ainda estaspalavrase já aquêlefilho ben-
dito voava païa o céu. v
- Festa: 10 de março.

83.
SÃO CLEMENTE MARIA

Nasceus. clemente a 26 cle dezembrode r75r numa al-


cieazinhada Austria.Contavasete anos apenas,quanclolhe mor-
] elr o pai. A mãe, tomandoum d;a o filhinho pela mão, levou-o
à igreja e, cliante de um belo e devoto Crucifixo, disse-lhe:
"À4eufilho, de hoje em diante teu pai é Jesus;não te apartes
jamais do caririnhoque lhe agrada". Êsseconselhoficou gravado
no coraçãoe na memóriade Clemente,servindo-lhede estínulo
nas horas clifíceis de sua v:cla. Depois de ter sido, sucessiva-
mente, aprendiz,eremita, peregrino e estudante,entrou, afina!,
na Congregaçãodos PaclresRedentoristas, em Roma, ordenan-
do-se sacerdote, quandojá contava34 anos de idade.
S. Afonso, ouvindo ïalar dêle, disse profèticanrente:,,Êsse
Padre Ìará grandescoisaspara a glória de Deus".
Em Ìavor das crianças pobres e órfãs saía o santo a es-
molar, expondo-sea hunrilhaçõese vexames.Sacrificava-sepelo
bem das crianças.Saiu, um dia, a esmolar e vendo na varanda
duma casa muitos homensem alegre reunião,julgou que ali Íe-
ceberia um bom auxílio para o orfanato. Aproximando-semo-
cÌestanrente de unl daquefessenhoresdisse-lhe:

88

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\

- Meu amigo, venho peclir-iheunl auxílio para os nleus


òrfãozinhos.
O homern,nada anr:go de paclres,e ainda menos disposto
a dar esmolas,cobriu-o de injúrias e, exaltado ao extremo, com
sumo desprêzoescarrou-lheno rosto. Clemente,com grande cal-
a
ma e paciência,toma o lenço,limpa o rosto, e cliz:
- Meu amigo! isto foi para mim; agora clê-me alguma ,Í
J
coisa para os meus Òrfãozinhos.
Não houve, entre aquêles homens, quem não admirassea
heróica nransidãode Clemente.O propno ofensor,arrependido,
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deu-lheunra boa esmolae tornou-segrande admirador do Santo.
I

Em suas pregaçõesera Clementebastanteoriginal. Havia !


no lugar, onde pregava,uma rrelha,mulher do ferreiro cla vila, Í
que se contentavacom uma úirica confissãoanual. Clemente
exortou-aa confessar-se nlais vêzes,pois não demorariaa com-
parecercliantecle Deus.
- Mas, padre, que diria a gente se a mulher do ferreiro
fôsse confessar-se muitas vêzes?
No domingo seguinte,depois de pregar sôbre a freqüêncir
dos sacramentos, de repenteexclama:
- Mas a velha "ïerreira" diz: "que diria a gente se a mu-
lher do ferreiro ïôsse confessar-semuitas vêzes?" E olhando pa-
Ía a mesma, que timbém ali estava, perguntou:
- o' boa "ferreirinha",que diria a gente,se a ferreira es-
tivesseno inferno?
uma testemunhade suas pregaçõesdizia: "euando prega-
\ã, parecia um serafim. Freqüentesvêzes os numerososouvintes
não potjianr conter as lágrimas nem reprimir os soluços.Como
confessor,eÍa extraordinário.Parecia ler nas consciências.Uma
vez, unl nrôço,logo após o sermão,procurou-o para confessar-se.
- Ainda não (respondeuo Santo); vem comigo.E condu-
zindo-o a um quarto, aponta p4ra o crucifixo e diz: olha,
aprendeaqui a tua lição.
Rosa, aluna dum colégio, estava à morte. Agitava-se e
gritava:
- O cão prêto quer me devorar.. . O cão prêto quer me
devorar...
Chamaram a Clemente.Apenas penetrou no quarto, excla-
m o u a m e n i n a :- O c ã o p r ê t o e s t á f u g i n d o . . . O cão prêto já
desapareceu. ..
O Santo preparou-a para a nrorte, que náa demorou.

89
s

ã
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Ë

- Irmãs, disse, temos no céu mais um anjo que rezarét


por nós.
S. Clemente,chamado com razã,oo Apóstolo de Viena e o
Propagadorinsigne da CongregaçãoRedentorista,após uma ati-
vidade estupenda,entregousua bela alma a Deus no dia 15 dc
março de 1820, na idade de 69 anos. Foi canonizadoa 20 de
maio de 1909.
i - Fests: 15 de fftarco.
fr
t.-
''
t

It -. 84.
Ir SANTA CATARINA DE GÊNOVA
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Esta Santa,talecidaem l510, não foi santa desdeseus pri-


nreil'osanos de vida.
Nasceu rica, viveu entre as dversões e nos clias cle sua
mocidadenão foi lá rnuito piedosa,não. Era conrotantas môças
,de hoje que pensam ser muito santas,só porque vão à missa
de preceito e não dão graves escândalos.
Casou-se,afinal, com um môço muito rico, o qual cle cristão
tinha apenas o nome. Isso bem o sabia ela antes cle casar-se;
mas, como acontece,deixou-sefascinar pelas riquezas,pela ele-
gância e até pelas audáciasdaquele aventu_.eiro do amor.
E sucedeuo que era de esperar:aquêlehomem,poÍ callsa
de sua vida licenciosa,não pôde tazê-la feliz. Enquanto ela, enr
'casa,chorava a sua desgraça,êle, como louco, corria de orgia
em orgia. Esquecidade Deus, a pobre mulher nraldiziaa hora
em que se casaracom um vilão conlo aquêle.
Menos mal. Morreu o canalha (e dizem que morreu con-
vertido), e a jovem viúva pôde respirar. Buscou ainda a felr.
cidade nas diversões, reuniões barulhentas e nos espetáculos.
Tinha uma fome canina de felicidade,e cada dia se sentia mais
desgraçada.
Certo dia, ouviu uma voz interior que lhe clizia:
- Catarina. so em Deus acharás o verdadeiro alltor e a
felicidade.
A jovem viúva ficou muito comovida.Parecia-lhe,porém,
intpossívelque a felicidadeestivesseescondidaatrás das grades
de um convento e debaixo de um grosseiro hábito religioso.
Não entrava em sua cabeça que o amor pudesseviver no si-
lêncio do claustroe entre cilíciose disciplinas.

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Catarina tinha uma irmã, Qü€, mais piedosa do que ela, se r
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lizera religiosa e vivia contentíssimano convento.Quantas vê- . l

zes esta santa religiosa, prostrada aos pés do sacrário, havia .tÌ
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pedido a Jesuspor aquela irmãzrnhasua, que andavapelo mundo, -t
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tão fútil, tão inleliz! {\


Deus atendeua sua oração. Um dia Catarina foi v:sitá-la.
Estao,'atriste como nunca a pobre viúrva.E ali, no regaço de sua
santa irmã, deixou correr lágrimas muito amargas. Disse-lhe:
Sou uma desgraçada;o mundo é um impostor; o amor não é
mais que egoísmobrutal; não, não agüentomais! quero morrer.
A santa irmã deixou que ela se desabafassee, enxugando
as lágrimas,disse-lhe:
- Catarina, parece nrentira que anclestão louca e enga-
nada. Jâ náo te disse mil vêzesque só Deus é a verdadeirate- .\'l
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licidacle,que só nêle encontraráso amor pllro que não deixa na j

alma remorsose desenganç;?. . . Deus te chama ao seu amor e i


tu te empenhasem fazer-te surda às suas vozes amorosas.Re- t
q\
solve-tede uma vez a consagrar-tea Deus e encontrarása paz
e o amor. Faze uma boa conÌissãoe confia na divina miseri- I
al

cordia. Estou certa de que Nosso Senhorte larâ feliz.


A dor e os desenganos, e mais que tudo a mesmagraça de
Deus haviam preparadojá o coraçãode Catarina.Caiu de joe-
lhos diante da imagem de Jesus cruciticado e chorou amarga-
mente, dizendo: Meu Jesus,não mais pecar, não mais pecar.
Jesus,Amor intinito das almasntoma o meu coração.E' teu.
E assim,banhadaem lágrimas,ajoelhou-seaos pés de unl
santo confessor'. Ali estêve longo tempo. Quando se levantotl,
jâ era outra.
-Ajoelhara-sepecadora,levantara-sesanta,porque êssefoi o
clia de sua definitivaconversão.
Dai em diante vivett e morreu como santa.
- Festa: 22 de março.

85.
A VIDA LENDARIA DE SÃO DIMAS

Contamantigaslendasque a SagradaFamília,ao fugir para


o Egito, quis reÏugiar-se, pata passar a noiteonuma cova QUe'
por desgraça,era uma guarida de ladrões.
O Capitão dos bandiclossentiu-secomovidoao veÍ a ve*
nerável bondade de S. José, a pureza e formosura da SS. Vir-

91
-9fFs-tr:Ef -

gern e o olhar todo celestedo Menino Jesus.Acolheu-os,deu-


lhes de comer e, na manhã seguinte,ofereceu-lhespão para a
viagem e, a Maria, uma bacia d'água para banhar o Menino. O
capitão tinha um Íilhinho, da idade de Jesus aproximadamente,
que se achava coberto de lepra. Nossa Senhora,corresponclendo
as frnezas daquele homem rude e duro, mas que algo de bom
tinha no coração, aconselhou-oa lavar o filhinho na água enl
que banhaÍaa Menino Jesus.
Assim o ïëz o bandoleiroe, no mesmo instante,seu Ìilhi-
nho ficou curado da lepra. O capitão lembrou ntuitas vêzes ao
filho a quem devia a saúde e a vida, dizendo: "Foi o rnilagre
dum Menino cletua iclade,QUeseria,quem sabe,o À4essias anun-
ciado pelos profetas".
Crescendo,seguiu aquêle menino o exemplo do pai, tor-
nanclc-seladrão. Prêso e condenaclo à morte, ao subir ao Cal-
vário, ia pensandoem Jesus,seu companheirode suplíc:o,que
era tão santo e paciente,Qüs, sem ciúvida,havia de ser o Mes-
sias, aquêle mesmo Menino que o livrara da lepra. As lendas
dizem que o bom ladrão se chamavaDintas e o mau, Gestas.
Ambos foram condenadosa morrer junto com Jesuse no mes-
mo suplício.
Atrás de Jesus subiranr ao Calvário, Ievanclosuas cruzes.
Junto com êle foram levantadosnas respectivascruzes. Viram
coÍïle os soldadosrepartiram.entresi as vestesdo Salvadorl mas,
conro a túnica era de uma só peça, tiraranr a sorte a ver quenl
a levaria.Ouviram as palavrasde Cristo: "Pai, perdoai-lhespor-
que não sabemo que f.azem".
Jesusera objeto de todos os insultos.A multidão,culiosa e
soez, passava por diante dêle, e, movendo a cabeça em sinal
de desprêzo,dizia: "Vamos! tu que destróiso templo de Deus
e enr três clias o reedificas,salva-tea ti mesmo.Se és o Filho
de Deus, desceda crt)z.. ."
Todos blasfemavame insultavama Jesus.Mas a graça o,pe-
rou um milagre: Um dos ladrões,Dimas, considerandoas vir-
tudes sôbre-humanasde Jesus,creu ser êle o Messiasprometido
e amou de todo o coração a Bondade infinita. Dirigindo-se a
Cestas, o outro crucificado,repreend€ü'o,d:zendo: "Como nã,o
temesa Deus, estandocomo estásno mesmosuplicio?E' justo,
na verdade,que soframospor nossoscrimes,mas Jesus,que mal
fêz êle?'
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È E cheio de esperançae com grande arrependimentodisse
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a Jesus: "Senhor, quando chegaresao teu reino, lembra-te de
mim". Jesus,olhando Dimas com infinita misericórdia,íespon-
deu: "Em verdade te digo que hoje mesmo estaráscomigo no
paraíso".
Naquela mesmanoite, a alma de Jesusvisitou o limbo dos
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justos e concedeuao bom Ladrão a vista de Deus, a felicidade t1
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eterna. \ì
Festa: 25 de ntorco. *1
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86.
PREGADOR QUE SACUDIA O AUDITÓRIO

Nascido enl meados do seculo XIV, na formosa Valença,


S. VicenteFerrer,!â na'infância,deu ciaros indícioscla extraor-
dinária missão que Deus lhé reservava.
Gostava de ouvir sermões,para, depois, reunidos os seus
colegas,repetir-lhescom grande ardor os trechosmais impres-
sionantes.
Aparecerâm, no pescoçode um seu amiguinhode cinco anos,
umas chagas malignas.Vicente foi visitá-lo e, pa::amortiticar-se
e aliviar o doente, lambeu-lheas chagas, QUe,imediatamente,
desapareceram. Êste-loi o primeiro milagre que operou.
Aos dezoito anos entrou na Ordem Dominicana,tornanclo-
se professorfamoso em várias universidades. Mas o fruto obtido
por seus sermõestê-lo abandonara cátedra e dedicar-seexclu-
sivanrenteà pregação.
Percorreu, como pregador, grande parte da Europa, não
faltando enì nenhumade suas missõeso famoso sermão sôbre
o Frm do mundo e o luiz'o universal.Certa vez, ao pregá-lo nu-
ma praça diante de milhares de ouvintes, quando pronunciou
com voz terrível aquelaspalavrasdos anjos: "Levantai-vos,mor- i;
I

tos, vinde ao Juizo!",todo o auditóriocaiu por terra, comomorto; ii


e, todos, ao se erguerem,estavampálidos e a tremer, como se t

surgissemdos sepulcros.
Outra vez, pregandoo mesmosermão,disse ser êle o anjo,
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do qual S. João diz, no Apocalipse,que cruzarâ pelos ares, cla- ri


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mando: "Temei a Deus e honrai-o, porque está chegando a
hora do Juí2o". lì
Escandalizaram-se alguns, ao ouvirem tais palavras; mas I
o Santo, pata provar-lhes que tinha razã.o,mandou que trou-

93

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xessemuma defunta que era levada ao cemitério.Vários homens
o cortejo fúnebree trouxeram
sairam e, realmente,'encontrararn
à praça o caixão. Puseram-no,por ordem do Santo, no meio do
povo. O pregador mandou que a defunta se levantassee con-
vidou-a a reconhecerque era êle o anjo do Apocalipse,enviado
por Deus para lembrar aos homenso fim do mundo. Ela con-
firmou a palavra do Sant'o, diante daquela imensa multidão
admirada.
Dirigindo-seà ressuscitada,perguntouS. Vicente:- Que-
res viver ou morrer de novo? Quero viver para ïazer mais
pelo céu.
E aquela muiher foi por muitos anos um atestadovivo do
poder de S. Vicente.
Seus serntõesconvertiamcidades inteiras e enchiam os se-
minários e os conventos.Seguiam-nomilhares de penitentes,in-
do os hontensà direita, as mulheresà esquerdae no meio os
sacerdotes,rezandotodos o rosário e cantandohinos religiosos.
Era de ver o fervor com que todos taziam penitência,discipli-
nando-see implorando o perdão de seus pecados.
Vicente morreu coÍno santo em 1419.
Festa:5 de abril.

87.
SANTA CASSILDA

Era princesa moura, filha do rei de Toledo, e nasceu em


fins do séculodécimo.
Seu boníssimocoração estremeciadiante das misériase so-
frimentos que suportavamos escrav,os cristãos,aprisionadospelo
rei em suas campanhasguerreiras.
A princesavisitava as masmorrase socorria os prisioneiros
com dádivas e palavras consoladoras.
Êles, em troca, instruíam-na pouco a pottco na doutrina
cristã.
Atraída pela belezade nossa religião, tão heróica e ao mes-
mo tempo tão misericordiosa, Cassildapedia a Nossa Senhora,
da qual lhe haviam falado os cativos,que se compadecesse dela
e lhe mostrasseo caminho para receber o batismo e viver se-
gundo a fé cristã.

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A virgem atendeuàs suas súplicas.cassildacomeçoua sen-


tir-se doente de um mal estranhoque lhe consumiaos ossos,e
contra o qual se mostravamimpotentesos melhoresmédicos.
um cativo cristão contou-lhe Qü€, perto de Burgos, havia
uma fonte, chamada de S. Vicente, cujas águas curariam a sua a-ar

doença.
A princesareferiu ao pai o que ouvira do cativo e pediu-lhe
Iicença para experimentaraquêle remédio. Seu pai opôs-se,a
princípio,por achar-sea fonte em terra de cristãos;mãs, diante
clos progressosda enfermidade,terminou por aceder.
Acompanhadade um séquitodeslurnbrante, chegouCassilda
a Burgos, onde foi cortêsmenterecebida pelo rei Fernando I'
de Castelae hospedadacom tôdas as honras.Dirigiu-se logo à
prodigiosafonte e, quando se banhou em suas águas, recobroua
saúde corporal. Atribuindo-l à intercessãode Nossa Senhora,
acaboude instruir-sena doutrina cristã e, pouco depois,as águas
do batismoderam-lhea saúdeda aima.
o rei, seu pai, alarmadocom a demora e com as notícias
que recebia, enviou-lhemensageiroscom a ordem de regressar
imediatamente.
s. cassilda mandou dizer-lheque já era princesado céu e
que, por seu reino tgmporal, nã.oqueria perder o Reino eterno.
Mandou construìr uma humilde cela perto da fonte mila-
grosa e da igreja, onde receberao batismo e ali passoua vida,
dando exemplode tôdas as virtudes,especialmente de caridade
e penitência.
Sua festa cai no dia g de abril; e suas preciosasrelíquias
são veneradas,atualmente,parte na catedral de Burgos e parte
na de Toledo.
Festa: I de abril.

88.
SANTA CATARINA DE SENA

Nasceu em sena, cidade da ltália, €Íil ls[T, no dia em que


a lgreja celebrao mistério da Encarnação.
Seu pai dedicava-seà indústria tintureira.
catarina fôra precedida,no lar paterno, por vinte e um ir-
mãos. Contava apenas seis anos, quando Nósso Senhor a fa-
voreceu com uma visão extraordinâriae profética.

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Sôbre a tôrre do convento de S. Domingos vin unt trono


resplandecente,no qual estava sentado Jesus Cristo, revestido
conro um Papa, com a tiara na cabeça,e tendo a seLl laclo S. ;
Pedro, S. Paulo e S. João. Jesus Cristo infundiu-lhe um conhe- t,'
lt.
cimentosobrenaturaldo que é a Igreja e unt amor ardentíssirno t
IE
à mesma,e anunciou-lheque seria uma grande capitã de seus
exércitose que se valeria dela para purificar a sua lgreja.
Aos catorze anos, manifestoua seus pais o desejo cle in-
gressar na Ordem Terceira de S. Domingos.Para provar sua vo-
cação,empregaram-na nos trabalhosmais humilcles.Foi a criada
de todos. Portou-secom tamanhahumildadeque seus pals con-
sentiram que seguissea vocaçãoreligiosa.
Para que compreendesse ainda mais a lgreja, JesusCristo
fê-la morrer, e sua alma, separadado corpo, percorreuo céu e
o purgatório e mostrou-lhemesmo o inferno, onde os separados
para sempre da lgreja sofrem eternamente,e logo a ressuscitou.
Assim preparada,começouo seu apostolado.Não pregava
dos púlpitos, porque isso competeaos sacerdotes;f.alava,porém,
a enormes auditórios tanto nas praças como em pleno carnpo.
Seguiam-namilhares de discípulos,entoandosalmos de peni-
tência; seguiam-namuitos sacerdotes,que confessavamos pe-
cacloresarrependidos. Aquêleseram para a Igreja dias difíceis.O
Papa mudara-separa a cidade de Avinhãq na França, e esta
troca de residênciado bispo de Roma escandali zava e clividia
os católicos.
Obedecendoa Jesus Cristo, S. Catarina apresentou-se ao
Papa, que era Gregório XI, e intimou-oa voltar para Roma. 0
Pontífice pediu-lhe uma prova de que o Espírito Santo a inspi-
rava e ela respondeu:"Tu mesmo o prometeste,com voto, no
dia de tua elevaçãoao Pontificado". O Papa, ao ver descoberto
êsse segrêdo,que a ninguém da terra havia confiado, não vaci-
lou mais e transferiu-separa Roma.
S. Catarinapediu a Deus que aceitassea sua vida pela sal-
vação do sucessorde Gregório X[, Urbano VI, a quem os cle-
mônios queriam assassinar,induzindo os romanos à sublevação.
Aceitou Jesus a sua oferta, sendo a sua últ:ma entermidadeum
verdadeiro martírio. Seu corpo parecia um esqueleto.
A 29 de abril de 1380, aos trinta e três anos de idade (isto
é' na mesmaidade em que morreu JesusCristo, segundose crê)
seu rosto iluminou-see sua alma voou para o céu.
Festo: 30 de abril.

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89.
O SIGILO DA CONFISSÃO

S. João Nepomuceno,natural da Boêmia, foi martirizada


em Praga no ano de 1393.
Seus pais, de iclade bastante avançada,desejandoter su-
cessão,visitaram como peregrinosum santuáriode Maria, onde
imploraram a graça.
Dizem QUC,ao nascer-lheso filho, baixou do céu uma luz
que env,olveutôda a casa em forma de auréola.
A primeira coisa que o menino quis aprenderna escolafoi
o catecismoe o modo de ajudar à missa.Tôdas as manhãscor-
ria ao convento e com edificante piedade servia de coroinha.
Sentindo vocação pan padre, foi para Praga, capital do reino,
onde estudou,recebeuas sagradasordens e começoua pregar"
Tendo seus sermõesproduzido notável mudança nos costumes,
foi nomeadocônegoe pregadorda côrte. Quis o rei Venceslau
que o Santo fôsse sagrado bispoi loáo, porém, que era muito
humilde,declinoudaquelahonra, mas continuoudesempenhando
o cargo de confessorda rainha.
Aconteceuque o rei começoua entregar-sea excessosde-
gradantes:embriagava-secom f reqüênciae deixava-searrebatar
pela cólera a ponto de mandar meter num forno aceso seu co-
zinheiro,pelo simpleì fato de lhe ter servidouma ave mal assada.
Entre outras alucinações,concebeua idéia de que sua espôsa
era infiel e quis vingar-se.À{as como essa idéia náo se apoiava
em prova alguma, chamou o confessorda rainha e exigiu que
revelasseos pecadosouvidos na confissãoda mesma,prometen-
do-lhe grandesrecompensas. S. João respondeu: Não posso
quebrar o sigilo sacramental.Tenho que servir e obedecera
Deus antesque aos homens.Venceslaumandouatormentá-locom
tenazesem brasa e encerrá-lonum cárcere escuro.Mas, vendo
que nada conseguiae tendo a rainha intercedidopor seu santo
confessor,deixou-o em liberdade.
Isso, porém, não durou. Um dia, voltava o Santo de uma
visita ao santuário de Nossa Senhora de Bunzlau e, ao passar
perto do palácio real, o cruel Venceslauviu-o e, num de seus
arrebatamentosde cólera, ordenou aos soldadosque ,o prendes-
sem e disse-lhe:- Olha, padre: agora não se trata de guardar
siiêncio. Se não me dizes iá, os pecados que sabes da rainha,
beberástôda a água do rio Moldava. O Santo não respondeua
tão insolentespalavras.Limitou-sea cruzaÍ os braços e a orar.

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Ataram-lhe os pés e mãos, meteram-lhena bôca uma cunha


e arrojaram-no da ponte principal de Praga ao rio. Encontrado
milagrosamenteo seu cadáver, sepultaram-nona catedral. Em
l7 tg estava ainda incorrupta a língua do mártir do sigilo sa-
cramental.
F e s t a : 1 6 d e m'aio.

90.
SANTA RITA DE CÁSSIA
Nasceuesta Santa a 22 de maio de 1381, numa povoação-
zinha chamadaRocca Porrena, não muito distante de Cássia,na
Itália.
Quando os pais, que eram lavradores,iam trabalhar na roç4,
depositavama filhinha num cestinhqde vime, que colocavamà
sombra duma árvore.
Urn dia, enquanto lavradorese pássaroscantavam alegres,
a criança sonhava e agitava as débeis má,ozinhas,tendo os o'lhos
voltados para o céu azul. Foi então que se deu um fato curioso,
como se lê em sua biografia. Um grande enxame de abelhas
brancas envolveua menina, produzindo um zumbido especial.
Muitas entraramem sua bôca e nela depositarammel; e o mais
interessanteé que nenhumaa picava, comoìe não tivessemfer-
rões. Nenhum chôro da criança se ouvia; de modo que os pais
perceberamo fato, quandoum dos ceifeirosse feriu com a pró-
pria foice e quis ir a Cássiapara o necessário
curativo.Ao passar
perto da criança viu as abelhas,que logo começarama zumbir-
lhe ao redor da cabeça.Parou e agitou as mãos para livrar-se
delas e no mesmo instante a sua mão ferida cessoude sangrar
e o ferimentoÍechou-se.Deu gritos de surprêsae, quando os
pais da criança chegaram correndo, o enxame estava de novo
rodeandoa criança.Êste fato é relatadopelos biógrafosda Santa
e transmitidopelas lições do Breviário.
Rita cresceue, contra seu desejo,Íoi por seus pais dada
em casamentoa um homemque a ïêz sofrer muitíssimo.A santa
não só soube suportar tudo coÍn heróica paciência,como ainda
conseguiua conversãodo espôso.Após o falecimentodêste, pe-
diu admissão num convento,mas não' a receberam.Deus, po-
rém, a queria no conventoe, certo dia, por um milagre, quando
as religiosas,de madrugada,entraram no oratório, lâ estava a
Santa a rezar.

98

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O milagre da videira sêca é daquele tempo. A superiora,


para pôr à prova a obediênciada boa noviça, ordenou-lheque
regassede manhã e de tarde um madeiro sêco, provàvelmente
um galho de videira que só servia para o fogo. Rita não opôs
dificuldade alguma: de manhá e de talcie, com admirável sim-
plicidade, desempenhava a sua tarefa, enquantoas Irmãs a ob-
servavame se edificavam.Muito tempo durou a prova, ocasião
naturalmentede muitos merecimentospaïa a Santa. E Deus,
também,quis manifestarquanto lhe agradoua obediênciada vir-
tuosa noviça. E foi assim: Um belo dia ficaram as Irmãs es-
tupeÍatas;e não era para menos,pois aquêlegalho sêco começou
a viver: surgiram brotos, apareceramfôlhas, estenderam-seÍa-
mos e uma bela videira deu a seu tempo deliciosasuvas. Foi
um milagre evidentee que perdura até hoje, pois a videira mi-
Iagrosalá está na horta das agostinianasde Cássiapan teste-
munhar a obediênciada Santa.
Benzem-seas uvas, que produz, e pelo seu uso e pela in-
vocaçãoda Santa obtêm-segrandesgraçase maravilhosas curas.
A 22 de maio de 1457 voava pan o céu aquela santa
alma. São inúmeros os fatos maravilhososdevidos à sua inter-
cessão.EIa é, por isso, chamadaa Santa dos impossíveis.
Foi canonizadapor Leão XIII em 1900.
Festa: 22 de ruio.

91.
SÃO PEDRO, APÓSTOLO

Nasceuem Betsaida,cidadeda Galiléia.Seu pai chamava-se


Jonas, nome que por singular coincidênciasignifica "pomba".
Em certo sentido, todos os Papas são filhos da pomba,
porque na eleiçãodos mesmosinflui o Espírito Santo. E S. Pe-
dro havia de ser o primeiro Papa.
Tinha êle um irmão chamadoAndré, e dois primos, Tiago e
João, ïilhos de Zebedeu e pescadores,como êles, no lago de
Tiberíades.Casara-sePedro em Cafarnaum,pôrto famoso da-
quele lago, e vivia muito bem com os seus. Prova disso é que
Jesus,sem dúvida a pedido de Pedro, curou-lhea sogra. Não
só era bom espôso,mas - coisa menos freqüente- era tam-
bém bom genro.
Um dia entrou Jesusna barca de Pedro e seus companheiros
e mandou que remassemparc o alto mar e lançassemas rêdes.

99
- Mestre, (disse Pedro), trabalhamosa noite inteira e não
pegamosnem um peixinho; mas, já que assim o queres,€ffi teu
nome lançareias rêdes.
A pesca foi tão abundanteque Pedro se lançou aos pés
de Jesus,suplicando:_- Afasta-tede mim, Senhor; eu não sou
mais que um miserávelpescador.
- Tem confiança e segue-rne.De hoje em diante serás
pescadorde homens.
E Pedro, abandonandotudo, seguiu,prontamentea Jesus.
Cristo dist:nguiu-omuito e prometeu-lheque o ïaria seu Vigário
e chefe supremoda Igreja. Pedro, por su,avez, foi o primeiro
a afirmar categòricamente que JesuseÍ,ao Filho de Deus.
Durante a última ceia, Pedro mostrou-seexcessivamente
confiado nas próprias fôrças. Jesus,porém, disse a êle e aos
outros QUe,qu.andoo vissem prêso e martratado,todos o aban-
donariam.Pedro replicou impetuosamente: - Ainda que todos
te abandonem,eu não te abandonarei.
Nosso Senhor repreendeu-osuavemente,porque sabia que
o ardoroso Apóstolo o havia de negar três vêzes. E assim foi.
Mas Pedro, segundo contam os antigos, chorou tanto êsse pe-
cado, que as lágrimas abriram dois sulcos em suas faces.
Depois da Ressurreição foi por JesusCristo nomeadosole-
nementeChefe supremo da lgreja, que governouaté à morte.
Em Jerusalém, o rei mandouprendê*ropara, depoisda pás-
coa, dar-lhe a morte. Mas, ouvindo as precesdos fiéis pelo pri-
meiro Pontífice,enviou Deus um anjo à prisão e o Apóstolo toi.
libertado
Depois de ter estadoem Antioquia,fixou pedro a sua sede
em Roma, de onde governavatõda a lgreja.
Quando Nero decretou a primeira perseguiçãocontra os
cristãos,S. Pedro foi encerradona prisão Mamertina,onde per-
maneceuvários mesesem companhiade S. paulo.
A 29 de junho do ano 67, o príncipedos apóstolosfoi cru-
cificadosôbreuma colinaàs margensdo rio Tibre. pediu e obteve
que o pregassemna cÍuz de cabeça para baixo, por se julgar
indigno de morrer da mesma forma que seu divino Mestrô.No
lugar do glorioso martírio de S. Pedro levanta-sehoie o Va-
ticano,onde reside o seu sucessor,o Papa.
Festa: 29 de junho.

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92.
SANTA MARIA MADALENA

Nasceu, provàvelmenteem Betânia. Foi filha, segundo S.


Antonino,de Siro e de Êucaris,ambos muito consideradospor
sua nobreza e fortuna. Eram seus irmãos À{arta e Lâzaro, a
quem JesusCristo ressuscitou.
Maria Madalena,pela morte de seus pais, herdou o castelo
de Mágdala e converteu-oem palácio de prazeresmundanos.
Suas paixões e as carícias, de que era alvo por causa de sua
formosura, levaram-na a cometer graves pecados. Talvez por
conselhode seus irmãos foi um dia ouvir a pregaçãode Jesus.
Foi para ela a hora da graça. A grande pecadora escreve
S. Cregório - começoua amar a Verdade e resolveumudar de
vida; antes,porém, quis obter o perdão de seu Mestre.
Estava Jesusà mesa em casa de um fariseu,chamadoSi-
mão. Maria de Mágdala ajoelhou-sea seus pés, regou-os com
suas lágrimas de arrependimento, perfumou-oscom riquíssimo
aroma e enxugou-oscom seus próprios c.abelos.O fariseu dizia
consigo:"Se êstehomemfôsseprofeta,bem saberiaquem é essâ
mulher e não consentiriaque lhe beijasseos pés". Mas Jesus,
penetrando-lhe os pensamentos, disse: "Simão, vês esta mulher?
Entrei em tua casa, e não me deste âgua para os.pés; ela, po-
rém, banhou-meos pés com suas lágrimas e enxugou-oscom
seuscabelos.Não me desteo beijo da paz; ela, porém,não ces-
sou de beijar-meos pés, desdeque entrou.Não me ungistea ca-
beça com perfume; ela, porém, ungiu-me os pés com bálsamo
precioso.. . Pelo que te digo que lhe são perdoadosos seus pe-
cados, porque amou muito". Depois disse à pobre Madalena:
"Os teus pecadoste são perdoados".E acrescentou:"A tua
fé te salvou; vai-te em paz".
Os Evangelhoscontam vários outros episódiosem que in-
tervém Maria Madalena. Com S. João e as santas mulheres
acompanhouJesusdurante a paixão, estêveao pé da cruz e aju-
dou a amortalharo corpo do Senhor.No Domingo, foi a pri-
meira a chegar ao sepulcro e, achando-ovazio, correu a avisar
a S. Pedro e a S. João. Verificado o fato, voltaram para casa;
Maria, entretanto,continuou a chorar junto ao sepulcro.Olhan-
do para o interior do mesmo,viu dois anjos vestidosde branco,
sentadosum à cabeceirae o outro aos pés, que lhe perguntaram:
Mulher, por que choras?" Choro, respondeu,"porque levaram

101
daqui o meu Senhor e nã,o sei onde o puseram". De repente,
ouve passos.Volvendo e olhar, vê Jesusa quem toma pelo hor-
telão e diz: "Se tu o tiraste daqui, dize-meonde o pusestee eu
o levarei". Então o suposto hortelão pronunciou-lheo nome:
"Maria!" Ela, reconhecendo a voz de Jesus,diz: "Mestre!" e
quis beijar-lheos pés. - Mas Jesusse opôs, dizendo:"Não me
toques,porque ainda não subi ao Pai", e encarregou-a de anun-
ciar aos discípulosa Ressurreição.
Segundoantiga lenda, S. Madalenateve de fugir da Pales-
tina, em companhia de seus irmãos Lâzaro e Marta, indo es-
tabelecer-seem MaLselha. Dizem que Lázaro foi o primeiro
bispo dessacidade.A nossa Santa, porém, retirada a uma gruta,
passou seus últimos trinta anos de vida fazenclorigorosíssimas
penitências.
A lgreja celebraa festa desta Santa a 22 de julho.

93.
sÃo JoÃo MARrAVTANNEY
Nasceude família humildenuma pequenaaldeia da França,
em 1785. Aos oito anos guardava um peguenorebanho e, le-
vando consigo um,a imagenzinhade Nossa-Senhora,reunia os
companheirosda sua idade e diante da imagem rezavam o ro-
sário. Outras vêzes,confiava à sua irmãzinha a guarda das ove-
lhas e procuravaum lugar solitário para Íezat.
Aos treze anos deixou o rebanho e começou a trabalhar
na roç4.
"Quando estava na roça - conta êle mesmo- rezava em
voz alta, se não havi,aninguém perto; e em voz baixa, quando
havia ali algum companheiro.Ao manejar a enxada, costumava
dizer: E' preciso aÍrancar da alma as más ervas. Quando, de-
pois de comer, os outros dormiam a sesta, eu aparentavador-
mir, màs continuava conversandocom Deus em meu coração.
Quando ouvia o relógio, dizia: Coragem,minha alma; o tempo
passa; a eternidadechega; vivamoscomo conden4dosa morrer.
E rezava uma Ave-Maria".
Estudou para padre. Muito lhe custou passar nos exames;
mas, à fôrça de trabalho, penitência e oraçã,o,conseguiuche-
gar a bom têrmo. Seus superioresmostraram-sebenévoloscom
êle, porque reconheciamsua virtude e seu zêlo.

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Foi destinado a reger a pequeninaparóquia de Ars. Os
moradores de Ars eram indiferentes; náo iam à igreja. João
Maria recorreu a SuaSarmas Íavoritas: paSSaVahoras inteiras,
em oraçáo,diante do sacrário; mortificava-se,disciplinava-see
tudo oferecia a Deus para que tocasseos coraçõesde seus pa-
roquianos.Ao mesmotempo, esmerava-se em tratá-los com amor
e prodigalizar-lhesconselhosê esÍnolâs.
Pouco a pouco fêz-se o milagre, e Ars começoua ser uma
paróquia exemplar.A tama da santidadedo cura de Ars trans-
Mi-
bOr fronteiras não só daquela aldeia, mas até da França.
lhares e milhares de pessoaschegavamde tôda a parte paÍa
Confessar-se com o Santo, ouvir os SeuSSermões'solicitar SeuS
milagres. Em 1840, contaram-semais de 20.000 peregrinos,e
êsse número continuouaumentando.
Levantava-se,invariàvelmente,à mei.a-noitepara dirigir-se
à igreja e sentar-seno confessionário. Os penitentessucediam-se
sem interrupção até às sete, hora em que o vigário celebrava.
Terminadaa missa, outra vez contissãoaté às onze. Sttbia,então,
ao púlpito e ïazia a sua instrução catequética.Saía da igreja
ao meio-dia.Dois guardasprecisavamdefendê-lodos empurrões
do povo, pois todos queriam vê-lo, falar-lhe, tocá-lo, recebersua
bênção, guardar alguma palavra sua. AS 13 horas, novamente
confessaraté à rezd da noite.
Perguntaram-lheuma vez:
- Se Deus vos permitisse escolher entre estas duas coi-
sas: ir para o céu, agora mesmo, ou ficar na terra, até o fim
do mundo, tlabalhandona conversãodos pecadores,que faríeis?
- Ficaria na terra.
- Até o fim do mundo?
- Sim, até o fim do mundo.
- l!t2s, com tanto tempo ainda, não vos levantaríeistão de ,"
m a d r u g a d a .. n á o é , ? É
- Ah! meu amigo; Ievantar-me-iacomo agoÍa, à meia-
noite, e seria o mais feliz dos servidoresde Deus. ï
Aozava do dom da profecia e de penetrar no mais secreto
das vidas e das consciências. Gente não dispostaa confess,ar-se,
'a
ou resolvida lazê-lo mal, ficava surpreendidaquando o Santo
lhe recordav,apecadosocultos, e saía chorando do confessioná-
rio. Dissipavaas dúvidas com muita facilidade.
Fëz grandes e inúmeros milagres tanto em vida como de-
pors cle sua morte, cuia data êle mesmo antlncioucom exati'dão.

103
.A I de agôsto de 1859, aos setenta e três anos de idade, sua
alma voou para o céu, onde goza e gozará do prêmio eterno
de seus trabalhos e penitências.
Festa: I de ogôsto.

94.
NUNCA PISAREI EM MEU DEUS

NasceuS. Dominguinhsem Saragoça(Espanha),pelo ano de


1240. Quando sua mãe lhe deu o primeiro abraço,descobriu-lhe
no ombro direito a marca 'de uma cruz e, sob os cabeloslou-
ros, um círculo encarnado,como de uma coroa de espinhos.
O brasão da família, descendente dum cruzado francês,os-
tentava uma grande cruz sôbre Íundo encarnadocom quatro es-
trêlas nos ângulos.
"lsto significa (dizia-lhe o pai) que nós estamossempre
dispostosa derramar o sangue por Jesus Cristo e procuramos
exercitar-nosnas virtudes".
O menino foi educadono colégio da catedral.Era de ver
a piedadecom que servia ao altar e a voz angélicacom que en-
toava os cantos sacros. Os mestreselogiavam-lhemormentea
aplicaçãoe docilidade.
os Judeus de Saragoçaresolveramassassinarum menino
cristão para regar com seu sangueos pães ázimos da ceia pas-
cal. Encarregadopela sinagoga,uffi dêles seqüestrouo inocente
Dominguinho,quando regressavada catedrale, à noite, levou-o
aos judeus.
- "psminguinho disse-lheo grande Rabino não te
faremosmal algum, se atiraresao chão êssecrucifixo que trazes
ao pescoçoe se o pisarescom teus pés".
- í ( A h ! n ã o ; n u n c a p i s a r e i e m m e u D e u s ! " r e s p o n d e uo
menino.
condenaram-no,então,à morte e reproduziramcom êre tô-
da a paixão de Jesus cristo. Açoitararn-no,coroaram-node es-
pinhos, pregar,am-nona parede e, quando expirou, atravessa-
ram-lhe o coração com uma enorme faca. Durante tôda essn
cena bârbara, Dominguinho rezava e perdoava.
uma vez recolhido o sangue da vítima, pan seus ritos, os
judeus cortaram-lhea cabeçae as mãos, arrojando-asnuma cis-
terna e, depois,enterraramo resto do corpo. Eis, porém, que

104

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Ê)ã
tudo foi descoberto.Luzes miraculosasforam vistas sôbre o
sítio em que iazia o cadáver. As autoridadesforam avisadas.
Feitas as devidaspesquisas,encontrou-seo corpinho mutilado e,
depois,a cabeçae as mãos do mesmo.Prêsos os presumíveis
culpados,uffi dêlespor nome Albaeluz se declarouautor do hor-
rível crime. Foi condenado,mas, antes de morrer, converteu-se
ao cristi,anismoe Íoi batizado. Certamentefoi Dominguinho que
Ihe alcançouessa graça.
Festa: 3l de agôsto.

95.
SÃO GERALDO MAJELA

Nasceu êste santo na pequeninacidade de Muro, na ltália,


em abril de 1726.
Seu pai, que exercia a profissão de alfaiate, faleceu poucos
anos depois, em 1738. Geraldo, que precisavaajudar sua mãe
e irmãs, teve de abandonaro estudo e dedicar-se à aprendi,za-
gem do ofício paterno.
Conta-seQU€,um dia, um pobre lhe pediu gue, por cari-
dade, lhe fizesseum terno. Entregou-lhe,paÍa êssefim, uma fa-
zenda absolutamentEinsuficiente.o Santò não hesitou um ins-
tante. Começoua cortar o pano, o qual foi crescendode tal
modb entre as suas mãos, que chegou para o terno e ainda
sobrou.
Admit:do na congregaçãoRedentorista,foi um modêro de
tôdas as virtudes e um 'insigne taumaturgo.São sem conta os
milagrespor êle operados
_ Um dia, por exemplo,entrando numa choupana,pediu à
dona que ali morava um pedaço de pão, por amor de Deus.
ora, lazia dois dias que não havia pão naquela casa. A pobre
mulher tinha apenasum pouco de farinha, que, naqueleinstante,
lhe tinham trazido. Desculpou-se,pois, dizendo qìe nada po-
dia dar, porque nada possuía.
- Não tendesnada?- replicouo santo - e a vossa caixa
não está cheia?
- Pobre de mim! ela está muito vazia, isso sim.
- Tende contiança em Deus, e levantai a tampa.
A mulher abre a caixa e - ó milagre! - encontra-acheia
de pão de excelentequalidade.

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Por causa de sua vida auster,ae penitente,grande poder
tinha o Santo sôbre os espíritosmalignos,que lhe moviam guer-
ra sem tréguas. E' notável e interessanteo Íato seguinte: Ge-
raldo estava de viagem para Iliceto. Espêssonevoeiio caía sô-
bre a terra; a noite adiantada,a cheia do rio, os abismosocul-
tos pelas trevas, tudo concorria para tornar difícil a posição de
Geraldo, QU€,de mais a mais, perdera o caminho. De repente,
um vulto sinistro avança,barra-lhe a passageme diz em tom
sarcástico: Chegou a hora da vingança: tenho todo poder
sôbre ti !
Compreendendo que aquêle não podia ser outro senão o
demônio,Geraldo sem perda de tempo, diz: Bêsta vil, em
nome da SS. Trindade,eu te ordeno que tomesa rédea do meu
cavalo e me conduzas direito à cidade sem me causar dano
algum. E o demônio,muito constrangido,teve de obedecer.
Achando-seum dia, na praia de Nápoles,viu que um barco
cheio de gente ia sendo arrastado para o alto mar e, dentro
em breve, seria engolidopelas ondas. Considerandoa iminência
do perigo, Geraldo grita para a embarcação: Em nome da
SS. Trindade,pâral E o barco permaneceimóvel. O Santo, Ça'
minhando sôbre as águas, sem o menor esfôrço puxa o barco
até à praia. Milagre! Milagre! E' um santo!.. . E Geraldo
esconde-se oficina dum artesãoe dali nãd sai até que o povo
na
se disperse.
A 16 de outubro de 1755, após uma vida breve mas san'
tíssima.fechava êle os olhos a êste mundo. Quando o médico
lhe perguntou se desejavaviver, respondeu:"Nem viver nem
morrer: quero só o que Deus quer". E, depois,suspirava:"So-
frer, meu Jesus,sofrer ainda; é pouca coisa, quando se sofre
por vós". - Festa: 16 de outubro.

96.
O NIGROMANTE SANTO

A vida do Irmão coadjutorredentorista,que veneramosem


nossos altares e se chama Geraldo Majela, está semeada de
maravilhas.
Regressava,um dia, ao seu convento.Sua batina muito po-
bre; seu chapéu muito velho. Atravessavauma floresta e, com
o pensamentoem Deus, murmurava atos de amor. Andava tam-

106

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bém pbr ali um môço com o péssimointento de assaltaros via- ÌI
jantes para roubar-lheso dinheiroque encontrasse. Viu o jovent ì
religiosoe Íicou admirado r
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"Êsse homem - dizia - não é um religioso,deve ser um \


nigromante,um dêsseshomensque têm trato com'os espíritos
do outro mundo e que possuema rara virtude de encontrarte-
souros nas entranhasda terra".
E sem mais, aproxima-sedo Irmão e diz: Não negues:
li em teus olhos,todo o teu porte me diz que és um nigromante.
Es um feiticeiro poderoso,possuisos segredosda Natureza e
sabes as entranhasque guardam tesouros.
O Santo lrmão fitou nêle um olhar cheio de surprêsae de
bondade. Deus fê-lo compreender imediatamente qLlem era
aquêle pobrezinhosalteadorde estrada que assim talava, e res-
pondeu: - Não te enganaste.Tenho realmenteo segrêdo de
um grande tesouro. Eu to poderia ensinar, mas. . . não me
atrevo. Para isso seria mister que fôsseshomem de mu:ta cora-
gem. . . mas não sei se o serás.. .
- $eu, sim, replicou o salteador.Não tremo diante de
crime algum; a mim não me espantanem mesmo o diabo. Te-
nho roubado,matado,enfrentadoinimigos.. . Nem o sanguedas
vítimas, nem o brrlho das armas me intimida. Quando quero
alguma coisa,eu a consigo,ainda que tenha que passarpor cima
de cadáveres.
Geraldo, o jovem taumaturgo,não se intimidou: Calmo e
bondoso,fixou nêle os olhos e disse: - Pois se és tão valente,
segue-me.Garanto que encontrarásum grande tesouro.
Puseram-sea caminhar.Adiante ia Geraldo, atrás o môço.
Geraldo rezava em voz baixa, o môço ia iâ devorandocom os
olhos da alma o ouro que via em suas mãos. Assim chegaram
ao meio da selva,longe da estrada.Ali chegados,tirou Geraldo
o capote e estendeu-oaberto no chão. O môço olhava assom-
brado. Começavaa tremer. Parecia-lheque de repente apare'
ceria ali o diabo em pesso a. . . Mordia os lábios e todo o seu
corpo se agitava com espantoso tremor. Geraldo olha para êle
com grande majestade e diz:
- Agora ajoelha-te sôbre êsse manto. O môço ajoelhou-
se... Tremia dos pés à cabeça. Agora junta as mãos! 0
môço juntou as mãos e cravou' os olhos aterradosnaqueletre-
mendo-nigromante.
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Naquele solenemomentoS. Geraldo tirou do peito o Santo


Cristo, que sempre tinha consigo, e, pondo-o diante do saltea-
dor, disse:
- Meu irmão pecador, eu te prometi que encontrariasum
tesouro s:eÍïrigual nem no céu nem na terra. . . Não vês êste
Cristo?Não o conheces? E'teu Deus: morreupor ti, por tua
salvação,para perdoar teus pecados,para levar-te para o céu.
E tu, infeliz, que fizeste?
Naquele momentolenta e solenementelhe ia recordandoto-
dos os seus pecados.E o pobre pecadorchoravae soluçava...
S. Geraldo, chegandoaquêle devoto crucifixo aos lábios do
pecador arrependido,diz com voz enternecedora:
- Beija-o, chora a seus pés tôdas as tuas culpas e acha-
rás a graça, acharás a Deus e com Deus, meu filho, possuirás
todos os tesouros.
O môço, desteito em lágrimas, repetia: "Jesus meu, perdão
e misericórdia".
Estêve,em seguida,alguns dias em retiro no convento.Fêz
ali uma confissãogeral e encontroua paz da alma. Saiu ben-
dizendo a hora em que se encontraracom aquêle santo lrmão.

97.
HISTÓRIADE SANTACECÍLIA

Roma, a capital do famoso Império Romano, foi o berço


de S. Cecília,nascida em meados do século segundoda nobi-
líssima família dos "Cecílios".
Educada desde a infância na fé cristã. de tal modo amava
a Jesus Cristo que lhe consagroutodo o coração,fazenclovoto
de virgindade.
Muito contra a sua vontade,foi por seus pais dada em ca-
samentoa Valeriano,jovem de raras qualidades,mas pagão.
Na mesmanoite do casamentodisseCecíliaa Valeriano:
Eu sou cristã, coÍïlo tu bem sabes; estou sob a custódia
dum anjo que guarda a minha virgindade. Tem-no presente
para que Deus não se ire contra ti.
Valeriano,comovidopor essaspalavras,não só a respeitou,
mas acr:escentou: - Se êsse anjo se me deixar ver, acreditarei
em JesusCristo.
- Para isso, disse Cecília, é indispensávelque te instruas
nas verdadesda fé e recebaso batismo.

108

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Naquela mesmanoite procurou valeriano o papa s. urbano,


que morava nas catacumbas.O Pontífice instruiu-o nos pnnci-
pais mistériose batizou-o.
Ao regressarpara junto de cecília, encontrou-aorando, e
viu ao lado dela o anjo que brilhava com uma claridade celes-
tial. Maravilhado,chamou seu irmão Tibúrcio e contou-lhetodo
o ocorrido. Êste, seguindoos mesmospassos de seu irmão, foi
batizado pelo Papa 'e, depois, viu também o anjo de cecília.
os dois neo-convertidosforam denunciados,como cristãos,
ao governadorAlmáquio, QUêos condenouà morte, decretando
que seriam decapitadose em seguida confiscadostodos os bens
que possuíam.Cumprida a primeira parte da sentença,mandou
chamar Cecília e disse-lhe: Sabe que tens de entregar-me
tôdas as riquezasde Valeriano e de Tibúrcio.
- Almáquio, como cristã que sou,
iâ depositeiessas fl-
quezasno tesourocomum de JesusCristo.
- E onde está êsse tesouro?
- Êsse tesouro são os pobres, entre os quais distribuí to-
dos os bens.
O governador,enfurecido,mandou decapitá-la.
Três vêzes o algoz desfechou-lheo golpe sem conseguir
cortar-lhe a cabeça.Viveu ainda três dias, ao cabo dos quais
recebeuno céu a dhpla coroa da virgindade e do martírio.
ImitemosS. Cecília na devoçãoao anjo da guarda.
Festq: 22 de Novembr,o.

Ì
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I
99. L

UM PAI BÁRBARO E UMA FILHA SANTA lI


Em meados do século III, nasceuem Nicomediaa futura
s. Bárbara. seu pai era o senador Dióscoro, homem rico, so-
berbo ,e fanático adorador dos falsos deuses.
Na escola teve a jovem Bárbara um mestre cristão que a
instruiu nas verdadesda fé. Quando o pai soube disso f:con
furioso. Encerrou-anuma tôrre e ameaçoulevá,la aos tribunais
se, ao regressarduma viagem que ia empreender,ela persistisse
em aborrecero paganismo.
Na parte baixa da tôrre, Dióscoro mandara preparar um
qu,artode banho, adornado com estátuasde ídolos,^que recebia
luz por duas janelas. S. Bârbara, na ausênciado pai, ïêz abrir

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uma terceirajanela, para recordaro mistérioda SantíssimaTrin-
dade. "Assim como uma mesma hn dizia ela entra por
três janelas diversas,assim também num só Deus há três Pes-
soas distintas". Outras vêzes punha-se a contemplar a piscina e
exclamava:"Agua que brilhas ao resplandor da luz das três ja-
nelas, tu me fazes pensar no Batismo, cuja água, vivificada pela
Santíssima Trindade, apaga da alma o pecado original".
Logo que regressouda viagem, perguntou Dióscoro à filha
por que mandara abrir outra janela. A Santa aproveitoua oca-
sião para falar-lhe dos principais mistérios da fé e exortou-o
a converter-seao cristianismo.
O pai, enfurecido,entregou-aao pretor Marciano, QUe a
submeteua cruéis suplícios. Suportou-os ela com tal resigna-
ção e coragemque despertoua compaixãodo povo. Uma mulher,
chamad,aJuliana, que acorrera por curiosidade,ao vê-la e ou-
vi-la, sentiu-se transformadapor Deus e exclamou: "Eu tam'
\Ì bém quero adorar a JesusCristo".
i O luiz ordenou que Bárbara e Juliana fôssem, imediata-
I
I mente, decapitadas.
\ Dióscoro, o desumano Pai, quis executar pessoalmentea
ì
sentença.Quando regr'essavade cortar a cabeça de sua própria
filha, estalou uma furiosa tormenta e um raio feriu-o de morte.
Quase ao mesmo tempo outro raio matava t juiz Marciano.
Êstes castigosdivinos puseramtêrmo, em Nicomedia,à per-
seguiçãocontra os cristãos.
S. Bârbara é patrona da artilharia, porque os artilheiros
têm por armas "o trovão e o raio", isto é, a explosãoe a granada.
Fests: 4 de d'e,zembro.

99.
DEMÔNIOS, ANJOS E UMA SANTA

Neste mundo constantementeinclinado à corrupção e ao


abandono de Deus, cuida a Providênciaque haja sempre pes-
soas de vida celestial Qüc, com suas virtudes e milagres, dão
testemunhode Cristo e condenama maldade.
S. FranciscaRomana,nascidaem Roma em 1384, foi des-
de pequeninade uma puÍeza instintiva e delicada que não su-
portava caríciasnem do próprio pai. Aos doze anos de idade foi
por seu pai dada em casamentoa um nobilíssimoe piedosoca'
valheiro, do qual teve três filhos:

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João Batista que chegou a boa idade, Evangelistaque fa-


leceu aos nove anos e logo veio buscar sua irmãzinha Inês
de cinco.
Desde que se casou, Franciscafoi levada à mais alta con-
templaçãoe por isso perseguidapelo demônio.Para mais a pu-
rificar e estimularpermitiu Deus que o inimigo a atormentasse
de mil modos: levantava-apelos cabelos,batia-a contra a pa:
rede e prostrava-a de pahcadas.Causou-lheinúmeros outros
sofrimentos,durando a guerra tôda a sua vida até à última en-
fermidade.Mas Deus nunca a deixava só: os anjos contìnua-
mente a acompanhavame defendiam.
Seu Íilho Evangelista,um verdadeiro anjo, foi-lhe arreba-
tado aos nove anos. Uma vizinha.enfêrma viu-o subir ao céu
entre anjos.
No ano seguinteapareceuà nrãe radiante de luz e acom-
panhado de um anjo ainda mais formoso do que êle.
- Mãe, disse-lhe,estou no segundo côro da primeira je-
rarquia; meu companheiro,que vês, está ainda mais elevado.
Deus o enviou para te gu.ardar,acompanhar,consolar e gu.iar
sempre.Agora venho buscar minha irmázinha para gozar comigo
da incomparávelÍelicidade do paraíso. Com efeito, pouco de-
pois faleceua pequlna aos cinco anos de idade.
O anjo permaneceuao lado de Francisca,sempre visível:
pareciaum menino de nove anos (como seu fiiho), cabeloslou-
ros e anelados caindo sôbre os ombros, os braços e sôbre o
peito, um,a túnica branca e uma pequena dalmática, às vêzes
branca, outras vêzes vermelha ou azul. Despedia tanta luz que a
santa podia com ela ler o Ofício.
Instruía-a, avis.ava-ae consolava-a;mas tinha também um
anjo que a corrigia.Um dia deu-lheuma bofetadaouvida pelos
presentes,poÍque, numa reunião, não cortara uma conversavã,
e inconveniente.
Pouco antes de sua morte, perguntou-lheseu confessorque
oraçõesestava a murmurar.
- Acabo, disse, de rezar as Vésperasde Nossa Senhora.
E logo expirou, tendo 55 anos de idade.

111
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100.
UM SALTOMARAVILHOSO

Em 1856, às altas horas da noite, irrompeu um enorme in-


cêndio nos maiores edifícios da cidade de Zams, n0 Tirol
(austria).
Com grande dificuldadeconseguiramos inquilinos escapaÍ
pelas escadas;mas ficaram desgraçadamente esquecidas,num
dos andares mais altos, duas meninas,uma de oito e outra de
doze anos.
Despertou-aso ruído das vigas de seu aposento ao que-
br,arem-sepelo fogo do andar inferior. Saitando imediatamente
da cama correram à porta p'arafugir p,elaescada,mas as cha-
mas e o fumo que viram eram tão gÍandes, que mal puderam
fechar de novo a porta. Quase desesperadasgemiam: - Se-
renlos qu:eimadas vivas. . .
Mas a maior teve uma idéia. Abriria a janela e saltaria
para fora, tentando salvar a vida à custa de alguma fratura.
- Eu s.altareiprimeiro - disse à irmázinhã - e, se náo
me acontecernada, saltarás também.
Meu SantoAnjo da Guarda,disse,amparai-me!e... saltou!
Chegada ao solo, antes mesmo de levantar-se,gritou:
- Joaninha,náo me aconteceunada, Salta! . . .
- Santo Anjo, repetiu Joaninha,e saltou sem causar-seo
menor dano.
Os pais das meninasreconheceram neste fato uma proteção
visível dos Santos Anjos e deram graças a Deus por um be-
nefício tão insigne.

101.
AS HORAS SÃO SÉCULOS. .

S. Paulo da Cruz, estandouma noite para meter-se.na ca-


ma, ouviu de repenteum granderuído perto de seu quarto.Cren-
do ser uma visita do demônio,que vinha, como de costume,per-
turbar o seu sono, aliás brevíssimo,deu-lhe ordem para retirar-
se. . . Mas, repetindo-sepor três vêzes o estranho ruído, per-
guntou quem era e o que queria.
Sou, disse ao apresentar-se, a alma do sacerdoteque
faleceu esta tarde às seis e meia e venho comunicar-lheque es-

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Ria
t

l***--,ou*;o Purgatório por não me haver emendadodos defeitos de


t Ou. o sr. me repreendeumuitas vêzes.Oh ! quanto sofro! Pa-
rece-me ter passadojá mil anos neste oceanode fogo.
I
I' Comovido até,às lágrimas, levanta-seo Santo, olha o reló-
gio que marcavaseis e três quartos,e diz ao sacerdote:
ï Como? Faz um quarto de hora que falecestese parece-
I v o s q u e são mil anos?!
- Oh ! respondeuo outro, como é longo o tempo no Pur-
I
gatório!
t
f E pedindocom instânciaque o aliviasse,não se afastouen-
l quanto o Santo não lho prometeu.
Tomando sua disciplina de ferro, S. Paulo da Cruz açoita-
se até o sangue,ora e chora pedindo a Deus que livre aquela
alma cle tão grandestormentos.
Não recebendonenhum aviso do céu, como soía acontecer,
toma de novo seus rudes instrumentosde penitência,querendo
ïazer violênciaà divina Misericórdia.Como a respostanão viesse,
disse num transportede confiançafilial; - 'í$snhor,meu Deus,
rogo-vos que iivreis esta alma peio amor que tendes à minha""
Vencido por seus rogos, prometeu-lheo Senhor QUe , no
dia seguinte,antes do meio-dia, a alma do sacerdotesairia do
Purgatório.
Apenas amanheteusubiu S. Paulo ao alt.are celebroucom
mais fervor que nunca o Santo Sacrifício,oferecendoa Deus
por aquelaalma o preciososanguede JesusCristo.
O' maravilha!No momentoda comunhão,viu o Santo pas-
sar diante de si, alegre e resplandecente de luz, a alma daquele
sacerdoteque subia ao céu.

102.
A S C R I A N Ç A SE O P U R G A T Ó R I O

S. Perpetua, quefoi marti rizadaem Cartago no ano de 202,


refere,em carta escritade seu próprio punho no cárcere,que teve
um sonho em que viu seu irmáozinho,falecido na idade de sete
anos, encerradonum lugar escuro,coberto de lodo e devorado
pela sêde.Ao ,acordarentendeuo que o sonho significavae pas-
sou o dia em oraçãopelo defunto.Depois de algumasnoitestor-
nou a vê-lo, mas destavez junto a uma tonte em que bebia; as
vestesestavamllnrpas e êle muito melhor e alegle. A Santa ti-

?esor''o I - 8 1r3

V-
tL
cou muito consoladacom aquela visão e viu que aquêlessonhos
foram mandadospor Deus para o bem daquelemenino.

a) S. Pedro Damião ficou órfão muito criança e. cresceu


sob os cuidados de um seu irmão que o tratava com a maior
crueldade,dando-lhealém disso muito pouca roupa e comida.
Um dia achou no caminho uma moeda de prata, que para
êle seria um tesouro para comida, roupa e sapatos. Estava a
pensar no que laria com aquêleachado,quando lhe veio à mente
a lembrançade seuspais que tinham sido tão bons para com êle.
Ah ! - disse consigo- talvez estejampenando no Purga-
tório e eu agora os poderia aliviar.
Correu à igreja e entregouo dinheiroao sacerdote,dizendo:
- Peço a V. R. que celebremissaspor meus falecidospais. íÌ I
I
Desde aquela data tôdas as portas se lhe abriram para ser
sacerdotee um grande santo.
!
b) S. Catarina de Bolonha foi certa vez tavoreciclacom uma I

visão do Purgatório. Viu o fogo ardente que devoravao íntimo !

das almas e pareceu-lheque o do inferno não poderia ser mais


abrasador. Havia ali, ardendo nas chamas, tanta gente como
fôlhas numa floresta. Muitos haviam Ievacrovida muito santa,
mas ainda não estavambastante puros para ver a Deus.
Viu ali, também, muitos meninos que não haviam cometi-
do mais que pecadosveniais, como desafios, discussõescom
seus irmãos, desobediência aos pais. . . e as penas que sofriam
por essasfaltas leves causavamcompaixão.Com isso compreen-
deu a gravidadedo pecadovenial que Deus, em sua justiça e
santid,ade,castiga tão severamente.

103.
M O R R E A M Ã E ; A C R I A N Ç A ,N Ã O

Em 15 de junho de 1909 caiu um raio em Serebes(Hun-


gria), atingindoa senhoraJosefinaToth, que trazia no colo seu
filhinho. A mãe, fulminada pelo raio, morreu instantâneamente;
a cri.ancinha,porém, não sofreu coisa alguma.

t14

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I
104.
DEVOÇÃO AOS SANTOS ANJOS

S. Paulo da Cruz e S. Franciscode Salesnunca começavam


seus sermões sem antes saudar os Anjos da Guarda de seus
ouvintes,suplicando-lhesseu auxílio.
O venerávelB,altasarAlvares, em suas viagenS,ao entrar
num povoado ou numa cidade, invocava os Anjos tutelares da-
queles habitantese pedia-lhesque o ajudassema salvar as al-
mas; e o seu apostoladofoi semprecoroadode grandeêxito.
S. Afonso, bispo de S. Águeda, nunca entravanum quarto
estranhosem saudar primeiro os Anjos da Guarda dos donos
da casa.
O beato Grignion de MontÍort, missionárioe grande devoto
de Maria, costumavasaudar os SantosAnjos das pessoascom
quem se encontrava.

105.
QUANTO SOFREM AS ALMAS

O verdadeiro e orincipal tormento do Purgatório é a pri-


vação da vista de DEus. Fala-se, porém, do fogo do purgató-
rio como de uma pena semelhante à do inferno,com a diferença
de que não ê, eterna.
Num convento dos Estados Unidos duas Religiosas,liga-
das durante dez anos por uma santa amizade espiritual, pÍo-
curar,amajudar-sea servir a Deus cada dia com maior perfeição. j "'t
l

Veio a falecer uma delas a quem chamavama "santa da i

L.
casa".
Fizeram-sepor ela os sufrágios costumadosna comunidade
e sua companheiranão deixou de encomendá-lade modo todo
especial.
Uma tarde, na mesma semanada mort,e,enquantoceavam,
sua amiga que pensavanela, creu ouvir estas palavras: "Venho
pedir-lhetrês missas;crê a sra. que rezou muito por mirn e que i
I
não estou sofrendo? Para que tenha uma idéia de minhas pe- i
nas, vou tocá-la apenascom um dedo".
No mesmo instante a religiosa sentiu-se tã,o horrìvelmente
queimadano joelho que lançouum grito agudíssimo.Tôda a co-
munidadeficou espantada;calou-sea leitora e tôda a comuni-

115

l,
l.:,,-
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r:a;ìffi
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dade voltou sua atenção para a Írmã. Interrogad,a,referiu à Su-


periora o que acabava de passar-se e viram, com efeito, no
joelho da Irmã um.aprofunda queimadura.
Deu-seêssefato em julho de 1869,e o periódico"La Croix"
acrescentavaa I de novettrbrode 1889 que a referida Religiose
estavaviva e ainda allresentavaas cicatrizesda queimadura.
As missasforam naturalmentecelebradaso mais cedo pos-
sível e a defunta não tornou a aparecer.

106.
ÁTILA E SÃO LEÃO

Assim como o Anjo protegeua S. Pedro, o primeiro Papa,


Iivrando-o das mãos de Herodes,assim cuidou também que o
grande Papa S. Leão náo caísse nas mãos do mais teroz dos
bárbaros,Atila, rei dos Hunos.
As horciasdos bárbaros avançavampor tôda a Europa, ar-
rasandocidadese levandoos povos como escravos.Já etiia com
seus cem mil guerreiros havia penetrado no norte da ltëúia e
marchavapara Roma, arrasandoas cidades,arruinandoas sea-
ras, roubandotudo quanto tinha algum valor e matando a todos
os que se lhe opunham
Parecia que tôda a cristandadeia perecer.Deus, porém,
pusera à Írente de sua Igreja um homem que foi o martelo'das
heresiase o domadordos bárbaros,S. Leão Magno. Era homem
de grande ciência,visão clara, decisãopronta e segura, Lirmeza
inquebrantável, constânciaem seus projetos e grande caridade.
Se era notável como homem de seu século,não o er,amenospor
suas virtudes cristãs; sem pretensõespessoais,tôdas as suas
atividadeseram consagradasa Deus, à lgreja e ao serviçodos
ignorantes,extraviados,pobres e aflitos.
Assim foi que, quandoo imperadorValentinianoIII lhe ma-
nifestou que seus soldados eram incapazesde defender a ltëúia
e Roma dos bárbaros que avançavamvitoriosos,não duvidou em
oferecersua vida por suas ovelhas.
O terror e o pânico que se apoderaramde Roma e de ou-
tras cidades da ltáilia er,amindescritíveis.Ninguém senão Deus
podia deter a inundaçãoe as destruiçõesdos bárbaros que iá'
assomavamàs portas. O Bom Pastor nã,o faltou ao dever de
defenderas suas oveihas.

116

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Mandou lazer oraçõesao Deus dos exércitos,suplicando-


Ihe que velasse por seus rebanhos e por tantos inocentesque
iam perecersem remédio.Dirigindo-seà cidadede Mântua,onde
entrarao chefedos bárbaros,resolveuapresentar-se-lhe para im-
plorar misericórdiae paz.
Ia revestido de suas vestes pontificais, tiara e báculo; e
seu rosto, embora suplicante,apresentavaa majestadedo Vigário
de Jesus Cristo. Atila náo se impress:onariacom essa vista,
nem com palavras ou lágrimas; mas aconteceuqualquer coisa
de sobrenatural.Dizem que, por detrás do Pontífice,apareceuao
bârbaro um Anjo, sem duvida S. Miguel, com rosto severo e
celestialque, de espadaem punho, ameaçavaÁtila se não aten-
desseas súplicasdo venerandoancião. E o teroz conquistador,
pel,a primeira vez, sentiu-sevencido e ordenou que suas tropas
abandonassem o caminhode Roma e tomassemoutro rumo.

107.
NÃO TERIA SIDO UM ANJO?

Pio IX (1846-1878)o , g r a n d e P a p a d a I m a c u l a d a e, r a t i -
lho do conde Mastai-Ferreti.Quando menino, costumavaajudar
à missa,na capeladomésticade seuspais. Um dia, estandoajoe-
lhado no degrau do ãltar, notou QU€,do lado oposto, um vulto
o chamavapor sinais.
O menino teve mêdo de sâir do seu lugar. Mas, como viu
que o vulto insistia, cada vez mais, deixou o lugar e passou
para o outro lado onde se achavaaquêlevulto.
Naquele mesnto instante desprendeu-sedo teto uma gran-
de estátuaque caiu exatamenteno lugar onde o coroinha,havia
poucos segundos,estavaajoelhado.
E' que os santos Anjos protegem as crianças de modo
maravilhoso.

109.
INSPIRAÇÃODO ANJO DA GUARDA
Em 1890, 31 criançasda escolade uma aldeia,na Boêmia,
foram um clia a passeio pelos campos vizinhos.
Estandoali, desencadeou-se uma furiosa tempestadeque as
obrigou a se refugiaremdebaixo de uma grande árvore até, que
cessassema chuva e os raios.

l17
De repenteuma das meninasse sentiu impelida a sair da-
quele abrigo, gritando:
- Vamo-nosembora! e pôs-sea correr.
Seguiram-nainstintivamente tôdas as crianças.
Apen,asse haviam afastadoum pouco, caiu um raio naquela
árvore, causandoenorme estrago.
Os pais das crianças,gratos aos SantosAnjos, ergueramali
um grande cruzeiro para perpetuar a lembrança do aconteci-
mento.

109.
P E R D O A RA O S I N I M I G O S

João Gualberto era homem como outros. Trazia uma espa-


da à cinta e costumavaviver metido em brigas e desafios.Tinha
um irmão a quem amavacom tôda a sua alma. Um dia, porém,
um malvado matoq o seu irmão. Gualberto conheciamuito bem
o assassino,e dacjüeledia em diante procurava ocasião de va-
rar-lhe o peito com sua espada.Êle o havia jurado e assim o
taria.
Era uma Sexta-feiraSanta. João Gualberto montou a ca-
valo e saiu a passearpelo campo.. . Foi_andando, atê que se
meteu num caminhoestreitoentre penhascosmuito altos. Nesse
momentovê que vem ao seu encontroum viandante.. . fixa-o. . .
conhece-o. . . e, veloz como um raio, salta do seu cavalo.Era o
assassinode seu irmão. Ali o tinha diante de si; podia saciar
seus desejosde vingança,e grita:
- Canalha! assassino ! por Barrabásque agora mesmomor .
res em minhas mãos.
E, desembainhando a espada,lança-sesôbre o outro.
Nessemomento,o ass.assino, QU€ia desarmado,prostra-se-
Ihe aos pés e, com voz angustiosae com os braços em ctuz, di-
rigi-lhe esta súplica:
- Irmão, hoje é Sexta-feiraSanta; por amor de Cristo cru-
cificado,perdoa-me!.. .
Que se passouentão no coraçãode Gualberto?
Conteve-se;ergueu os olhos ao céu. . . olhou para a cÍuz
gravada em sua espada.. . Pensouem JesusCristo que do alto
da cruz perdoaraa seus crucificadores.
- Irmão - disse Gualbertoao assassino- por amor de
Jesus Cristo eu te perdôo.. .

il8

Èa.
t'ï, 1
A

Despediram-se. O assassinoafastou-searrependidoe dan-


do graças a Deus. Gualberto entrou numa capela que encontrou
no caminho.Ajoelhou-sediante do Cristo que ali estavapregado
na quz. Tirou a espada, suspendeu-aaos pés daquela Vítima
divina e jurou aos pés da mesma deixar tudo e enveredarpelo
caminhoda santidade.E assim të2. A Igreja comemora-oa 12
de julho.

I 10,
FIRMEZA NA FÉ

Naquele tempo perdia-seem tôdas as libertinagense fazia-


se réu de tôdas as crueldadesum dos reis mais perversosda
história: HenriqueVIII da Inglaterra.
Era chancelerde seus reinos um homem de conduta irre-
preensível:Tomás Moro.
Quis o rei arrastá-lopelos mesmoscaminhosde dissolação
e impiedadeque seguia. O magnânimochanceler,QUe era um
católicode grandeenvergadura, resistiucom enérgicaheroicidade.
Por fim, o rei o depôsde seu cargo e o condenouà morte.
Com a coragem e a intrepidez dos mártires caminhavaêle
para o patíbulo, sereno e majestoso.Foi quando saiu ao setl
encontrosua mulheí,que, com lágrimasnos olhos,lhe pedia que
renegassea fé católica ou ao menos a clissimulasse. Respondeu-
lhe o santo espôso:
Luísa (assim se chamavasua mulher), nem tu nem eu
somosmoços.. . Quantosanos pensastu que ainda possoviver?
- Ao menosvinte anos, Tomás.
- V i n t e a n o s ! . . . V i n t e a n o s ! . . . M u l h e r e s t u l t a p, o r v i n t e
anos de vida neste mundo, queresque eu perca a vida eterna e
seja condenadoeternamente?
Assim falou Tomás Moro, hoje canonizadoe veneradosôbre
os altares. Está no céu, onde recebee receber á por tôda a eter-
nidade a recompensade sua firmeza na lé. E onde estará Hen-
rique VIII, aquêle rei crudelíssimo,que antes era católico, e,
depois, apostatouvergonhosamente, abr.açandoo protestantismo
paÍa viver na devassidão?
S. Atanásio diz: "Os santos que praticarama virtude kã'o
para a vida eterna; os pecadores,os que obraram m.al, bai-
xarão ao fogo eterno.. . Esta é a fé católica,e não poderá sal-
var-se quem não a guardar com fidelidadee firmeza até à morte".
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\.

111.
DESFILE DE PRESOS

Narram as crônicasdo tempo que um vice-rei de Nápoles


foi certo dia visitar uma prisão. Ordenouque num grande pátio
formassemtodos os presos.Momentosapós ali estavamalinha-
dos, como soldados,todos os reclusos daquele presídio. Que
tipos! que caras! que olhares!que atitudes!Sòmentever aquela
gente impressionava.Quase todos levavam na fronte a marca
dos crimes cometidos.
Apresentou-seo prudente e discreto vice-rei e começoua
passá-losem revista.Um após outro, todos tinham que desfilar
diante dêle.
Passouo primeiro prêso.
- Por que estás aqui? - perguntouo vice-rei.
- Senhor- respondeuo presidiário- por nada,por uma
calúnia.
Passou o segundo.
- E tu, por que estás aqui? Que crime cometeste?
- [q, crime?.. . Não cometi crime nenhum.
Passou o terceiro.
- Vamos ver se encontroalgum crimloso. Dize: Tu por
que estásgqui?
- Eu, senhor, porque me trouxeram, pois não tiz mal a
ninguém.
E assim passaramquatro, vinte, cinqüenta. Todos eram
bons, inocentes.Cada um dizia mais ou menos o mesmo: nã.o
matei, não roubei, não desonrei,nãa ïiz mal ,a ninguém. Esta-
vam presos apesar de serem todos bons e virtuosos.A justiça
humanaera a única culpada.
Aconteceu,porém, passaÍ um prêso que respondeude ma-
neira diferente de todos os outros. Era um môço. Manifestava
nas faces a vergonha que lhe causavao achar-senaquelelu-
gar.Apresentou-sediante do vice-rei, que lhe perguntoucomo
aos demais:
- Por que estás aqui? Que crime cometeste?
Senhor, respondeuo inïeliz, baixando a cabeça; senhor,
tenho cometidomuitos.Estou onde devo estar.A justiça humana
teve razã,ode me condenar;esperoque me salve a misericórdia
divina.

r20
t\ \ìl '

E, após êle, foram desfilando todos os restantes;todos uns


verdadeirossantos, pois não tinham derramado nem uma go-
tinha de sangue.
Terminou o desfile. O vice-rei chamou aquêle que havia
; conressado
,';ï'rlïJüi; ï.ïfiï és o únicomau,e os outrossão
bons. Para não contaminares a êles.. . sai depressa,vai para a
rua !
E, voltando-sepaïa os outros, acÍescentou:
- Vós, porém, continuaiaqui. Na rua hâ muitos pecado-
res e não convémque êles tornem a perder-voscom seus maus
exemplos.

ll2.
HEROÍSMO DE UMA FAMILTA

Foi nos primeirosdias da luta contra o comunismona Es-


panha. O Exército da África levantara-separa salvar a Espa-
nha das garras moi-taisclo terrível inimigo.
Num vilarejo de Navarra vivia um homem já idoso, pai de
três filhos robustose sãos de corpo e plma, como seu pai.
- Vou (disseèle à mulhere aos tilhos), vou lutar por Deus
e pela Espanha.
E pôs na cabeçaa boina vermelha.
- E eu vou com o senhor- disse o lilho ma:s velho.
- E eu também- acrescentou o segundo.. .
Duas boinas mais que adornaramas cabeçasde dois sol-
dados da Pâtria... E os três cheiosde santo entusiasmomaÍ-
charam para a guerra.
Chegou a hora da refeição. Na mesa só havia um prato
preparado.. . A mãe e espôsa sentou-sediante dêle serena e
grave. O último filho, que mal teria dezesse;sanos, olha ad-
mirado para a mãe.
- Mãe, disse, e eu, não como?
- Em minha casa (respondeulacônicamenteaquela ver-
d a d e i r ae s p a r t a n a )n, ã o c o m e mo s c o v a r d e s . . .
E o rapaz colocou na cabeça outra boina vermelha e foi
atrás de seus irmãos e de seu pai pata lutar e morrer com êles.
Até aqui a história é autêntica.Entra agora a lenda. Meses
mais tarde regressavamao lar o pai e os três filhos; voltavam

t2l
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5t
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Fif
Èl alegres,cantandocançõesguerreiras.. . voltavam com as con-
;.7

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decoraçõesdos heróis... Não regressavamsós: um grupo cle
q
3l
,rl soldadosos acompanhava.
il Falou o último dos lilhos, o mais entusiasmado:
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ft - Mãe, aqui estamospor poucos dias. . . Tornaremosà
il
guerra que ainda será longa. Lutaremosaté o fim. Como vês,
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{ seguem-nosêstesamigos que ontem eram milicianosvermelhose
!.1
hoje combatempor Deus e pela Espanhaao nossolado. . . Ren-
i deram-se ao nosso heroísmo.. . Falamos-lhesde Deus e da
3
I
jI
nossa querida Espanha.. . e os conquistamospara a Espanha
e para Deus. Por êsse ideal querem lutar até à morte.
-t E aquelamãe de três heróis e espôsade um gigante, abra-
ça-os a todos e fá-los sentar à mesa para servir-lheso melhor
que possuí3.
E termina a lenda, afirmandoque jamais uma mulher teve
uma alegria tã,o grande como aquela.

11 3 .
E' DEUS QUEM ME FALA

Certamentejá ouvistesïalar em Donoso Cortês. Foi um dos


maiorese mais vigorosospensadoresdo sécolopassado;o mais
f amoso orador espanhol do seu tempo, consideradoo mestre
do pensamentoe a glória da eloqüênci.aparlamentar.
Era embaix4dorda Espanhaem Paris. Todos os domingos
e dias de preceito abandonavao bulício daquela capital e ia
assistir à missa na pobre igreja de uma aldeia vizinha. Ajoe-
lhava-seno chão, Íezava como um Santo, ouvia com tôda a aten-
ção o santo sacrifício.
Depois do Evangelhoo vigário daquela paróquia voltava-se
para os assistentes e tazia a sua prática ou homilia.. . Donoso
Cortês era quem o ouvia com maior atenção e reverência.
- Donoso dizia-lhe um amigo se sabes mais que
êssepadre, se és maior orador que êle, por que o ouves?
O gtande Donoso respondeu:
- Pode ser que eu saiba mais. . . talvez possua ntais elo-
qüência; mas êle tem uma coisa que eu não tenho: é o repre-
sentanteda autoridadee da palavra de Deus. Quando êle fala,
é Deus quem tala; e suas palavras sempre têm o segrêdo de
comover-mee tornar-me melhor. E é isso que procuro.

122
It: *
è.-ì
.

A exemplo dêssegrande cristão, abandonaios cuidados da


vida; deixai por algumashoras as ocupaçõesdêste mundo; cor-
rei à casa de Deus para ouvir a doutrina da salvação,para sal-
v a r a v o s s aa l m a ! . . .
?

ll4.
o coRAÇÃo
DEouRo
O moderno e famoso escritor Tihamér Toth narÍa a se-
guinte curiosidade.
Havia naquelacidade (não se'diz o nome) um senhorcuja
fé não devia ser lâ muito profunda. Profundo, sim, e ridículo
era o conceitoque tinha das superstições. A todo o transe havia
de levar consigo algum amuleto ou talismã. Pensavaque sò-
mente assim podia ser feliz.
Entrou numa joalheria. Pôs-se a contemplaros diterentes
talismãsusadospela gentesupersticiosa de nossosdias: uma fer-
radurinhacom diamantes.. . uma estrêlade ouro. . . um corcun-
dinha.. . um elefantede marfim. . . e outros muitos.
Contemplou-osdemoradamente aquêle senhor,mas nenhum
daquelesobjetoslhe agradou.Voltando-separa o joalheiro,disse:
- Não teria-um coraçãode ouro?.. . Creio que isso seria
a minha felicidade.
Não tenho, respondeuo outro. Isso iâ nã,o se usa. . .
está fora da moda. Talvez noutra casa o senhorencontre.
E o homem percorreu pacientementeuma, duas, três ca-
sas.. . Os amuletoseram muitos e mui variados,mas todos os
joalheiros lhe diziam a mesma co:sa: O coração de ouro está
f o r a d a m o d a . . . j á p a s s o us u a é p o c a . . . E , a f i n a l ,q u e m m a n -
da no comércioé a moda!
Desconsoladosaía aquêle senhor da última casa. Não en-
contrarao coraçãode ouro que lhe poderiatrazer a felicidade.. .
- Amigo, (disse-lheo dono da última casa, acompanhan-
do:o até à porta), vá, a uma casa de antiguidades.. . talvez lá,
encontreo coraçãozinhode ouro que procura.
E o h o m e ml á s e f o i . . .
Caro leitor, o coraçã,ozinho de ouro já não se usa... estâ
f o r a d a m o d a . . . e , c o n t u d o ,p a r a s ê r e sf e l i z e p a r a f a z e r e sf e -
lizes aos outros só precisariasdisso, QU€,desgraçadamente, não
s e e n c o n t r au: m c o r a ç ã od e o u r o . . .

t23
Como seríamos{elizes, como viveríamosem pã2, se todos
'
levássemos, aqui dentro do peito, um coraçãode ouro. . . um co-
ração cheio de caridade par3 com Deus. . . e para com o
p r ó x i m o .. .

I 15.
O TIO PEDRO ASSISTEÀS MISSÕES

Era em 1909. Cedinhofoi o missionárioà pequeninaigreja


da vila. A porta ainda estavafechada;mas quem estavaali com
a sua lanterninhana mã,oera o tio Pedro: homem muito conhe-
cido em todo o muni,cípiopor sua fé robusta e sua v:gorosa
velhice. Entre o .missionârio e o bom roceiro travou-se logo
animada conversa.
- Quantosanos tem, tio Pedro?
- Passeidos oitenta, "sell" missionário.
- Tem assistidoàs santasmissões?
- Os senhoresiá pregaramquatro nesta comarca.Assisti
a tôdas; não perdi nem um sermão e não faltei a nenhum ca-
tecismo,porque sempre se aprendealguma coisa.
- Muito bem, tio Pedro, bravo; e sua casa, quanto dista
daqui? L
- Quase nada: uns dois quilômetros.
- E o senhorvem tôdas as manhãs?
- Tôdas. Acendo a minha lanterninhae. . . toco para a
missão.
- Pois olhe, tio Pedro, nã,oÌaça isso.. . O caminhoé pés-
s i m o e o s e n h o rj á n ã o é c r i a n ç a . . . P o d e a c o n t e c e r - l hael g u m
desastre,uma queda por exemplo,e ficamossem o tio Pedro.
- Não tenha pensão,"seu" missionário.Quando saio de
casa,digo ao meu Anjo da Guarda: "Meu santo Anjo, cuida do
tio Pedro, que iâ está velho, a fim de que não lhe aconteça
nada". E até hoje, graças,ao meu Anjo, nada me aconteceu.
- otimo, tio Pedro; mas, seja como fôr, não venha. Jâ
assistiua quatro missões.. . tique em casa.
Ao ouvir essaspalavras,tio Pedro eÍgueu-se,pôs-se de pé
direitinhoe disse:
- S r . P a d r e , n ã o m e d i g a i s s o n e m p o r b r i n c a d e i r a. .
Destascoisasde Deus não se deve perder nem uma migalha!
E, com efeito, náo perdeu nenhuma migalha daquelassan-

t24

sl
:.
:.Ì
tas missões.Assistiua todos os sermõescom o f e r v o r e a p i e -
dade de um santo.
Oh! se todos t,vcssemuma fé viva como o tio Pedro! .ì
ì
11 6 .
HISTÓRIADE UMA PENEIRA

Um jovem abandonouo mundo e foi sepultar-seno de-


serto. Tinha ânsiasde Deus. P,aranão pensar senãoem Deus e
viver sòmente para Nosso Senhor, encerrou-senuma cela soli-
tária. Dali saía apenas uma vez por semana:ia ouvir a prática
que um velho monge ïazia àqueiessolitários.
contam que um dia o jovem foi ter com o santo ancião e
falou-lhe:
- Meu pai, só tenhoum amor: o amor de Deus... Só
tenho um desejo: o de o amar cada dia mais. Por isso deixei
o mundo; por isso vim morar nestesdesertos.Sou teliz em mi-
nha estreita celazinha Encantam-mea oração e a meditação.
Deixo o silêncio de minha cela sòmente para vir ouvi-lo cada
s e m a n a . . .M e u p a i , e u o o u ç o . . . e n ã o s e i o q u e s e r á . . . p a -
rece-rneque não tiro fruto de suas prédicas. Não seria melhor
que eu ficasse enr-minha cela consagrandoo tempo à oração?
Respondeuo santo velho:
- Meu filho, não faças isso; assistea essaspráticas;sem-
pre farão muito bem ao teu espírito, embora pareça que não
sirvam para a purificaçãode tua alma.
O j o v e m c o n t i n u a v ad u v i d a n d o . . . O v e l h o m o n g ec a l o u - s e ,
Em seguida,tomandouma peneira,deu-a ao noviço e disse:
- Toma, vai à fonte e traze-me a peneira cheia de âgua.
O jovem, obediente,foi. . . Passadosalguns instantes,vol-
taya com a pen'eir a vazia.
- Meu pai, disse, a agua se foi pelos buracos.
- Anda, insistiu o monge, volta à fonte e traze-mea pe-
neira cheia de á,gua.
Segundavez ïoi o noviço.Encheu-acompletamente. . . vor-
tou correndo.Em vão. . . Não ficou na peneiranem uma gôta
sequer.
o ancião sorriu. o obedientenoviço corre de novo, enche
a peneira,e quando,de volta, chega à cela do mestre,diz:
M e u p a i ! n e m u m a g ô t a .. . n e m u m a . . .

t25
O santo monge deu-lhe então esta maravilhosalição:
'ela
- E' verdade, filho, não me trouxeste a água.. . vai-
se pelos buracos;mas lavastea peneira.
O noviço compreendeu a lição: Vals aos sermões.Parece-te
que não tiras proveito nenhum.Continua assistindo.. . e pou-
co a pouco a alma estará purificada das vaidades e triunfará
em teu coraçãoo amor das coisas divinas.

ll7.
UM MONCE E A SUA CURIOSIDADE

Vivia um monge no silênciode seu mosteiro.. . Era sábio


e santo. Permitiu Deus que uma curiosidadeperturbassea paz
de sua alma: "Qual será atualmenteno mundo - perguntava-se
- das almas a mais santa?" "E a mais sábia e mais feliz, qual
será?"
Estava no côro, às primeiras horas da manhã,oraya e diri-
gia a Deus a mesma pergunta: "Senhor, das almas que vivem
agora neste mundo, qual será 4 mâis santa, mais sábia e mais
leliz?" Ouviu uma voz que lhe dizia: "Vai ao pórtico da igreja
e ali te dirão qual é".
O monge pôs o capuz na cabeça,meteu as mãos nas lar-
gas mangas do hábito e atravessou os claustros silenciosos.
Chegouao pórtico. Um pobre ali estava.Passaraa noite esten-
dido num banco de pedra e naquelemomento espreguiçava-se e
benzia-se.
- Bom dia, irmão disse-lheo monge.
- Bom dia, respondeuo mendigo com rosto alegre e
em tom de entusiasmo.
ri
,.,\ - Irmão replicou o monge pelo que vejo estás
contente.
- Sempre estou contente.
- Sempre?Então és um homem ïeliz?
- Multo leliz respondeuo humilde mendigo.
- F e l i z ? . . . n ã , oc r e i o . D i z e - m e :Q u a n d o t e n s f o m e e p e -
d e s e s m o l ae n ã o r e c e b e s . . . é s f e l i z ?
- Sim, padre, sou feliz, porque penso que Deus, meu Pai,
quer que eu passeum pouco de fome. . . Êie tambémpassou.. .
Mas Deus é muito bom para mim; nunca me falta um pedaço
de pão.

126
:
I - Dize-me - prosseguiuo monge - quando está nevan-
È do no inverno e tu, tremendode frio, vais de porta em porta, \
:
a
como um passarinhoque salta de um galho para outro' és feliz?
- Sim, padre, muito Ïeliz, porque penso: é Deus, meu Pai, \
que quer que passe um pouco de frio, pois também êle passou
t
!

trio. . . Aliás nunca me falta um palheiro,onde passar a noite. 'l

Estava o monge admirado.. . contemplando-ode alto a


' i

b a i x o ,d i s s e :
- Tu me enganas.. . náo és Pobre.
Sorriu o mendigo e respondeu:
Não, Padre, eu não sou um Pobre.
- Logo vi. . . Então, quem és?
- paãre, disse o outro, sou um rei que viajo incógnito
por êste mundo.
U m r e i ? . . . U m r e i ? . . . E q u a lé o t e u r e i n o ?
- Meu reino é o meu coração,onde mando sôbre minhas
paixões! Tenho, porém, um reino muito maior. . . Vê o senhor
êrr. céu imensoi tem visto o sol, as estrêlas,o firmamento?
Tudo isso é de Deus, meu Pai. Todos os dias ponho-mede joe-
lhos muitas vêzes e digo: "Pai nosso' que estais nos céus.. '
como sois grande,como sois sábio' como sois poderoso!^Não vos
esqueçaisdêtt. pobre filho que anda por êste mundo. Creia-me:
para o
Quando chegar a m-rte, despirei êstesandrajos e voaÍei
céu, onde verei a Deus, meu Pai, e com êle reinarei pelos séculos
] d o s s é c u l o s ".. .
o monge não perguntou mais. Baixou a cabeça e voltou

ao côro; estava convenc:dode ter encontradoo homem mais
santo, mais sábio e mais feliz neste mundo.

11 8 .
FILHA, TEU PAI ESTÁ NO CÉU
rt

)
N.a vida de s. Margarida Maria Alacoque lê-se um tato
ï muito consolador.
"t
Sendo a Santa mestra de noviças, recebeu unla catta em
l
{
que se comunicavaa morte do pai de uma sua noviça e em que
t se pedia fôsse transmitida a dolorosa notícia senÌ causar-lhc
F pena.
-
i A Santa chamou a noviça e, com palavras de muito con-
t,
fôrto, anunciou-lhea morte do pai. Compreende-sea dor da-
quela filha.
t27
Passadoo primeiro instantede amargura,disse à mestra:
- Rogo-lhq Madre, à Sra., que é tão do Sagrado
.devota
Coração de Jesus,Qü€ reze por lneu caro pal.
Foi a santa e Íezov com todo fervor. Em seguida, tôda
.':i .
contente,chamou a noviça e disse-lhe:
\. - Minh.a querida filha, boas notícias: teu pai iâ está no
céu; foi Jesusquem mo disse.
A nòviça, diante de tão inesperadanotícia, exclamou:
8.,
;
- como assim? Meu pai, é verdade, eÍa um bom cristão,
;
mas estava longe de ser um santo!
tf
- Dentro d. três dias, lesponcleua santa, tua mãe virá
te visitar: pergunta-lheque tê,2teu pai antes de morrer.
A mãe vúo realmente.A filha deu-lhe a consoladoranotí-
cia de que o pai estavano céu e depoisindagou:
- Mãe, que é que fêz meu pai antes de morrer?
- Teu pai, minha fiiha, quando o padre lhe levou o santo
Viático, viu èntre os que o acompanhavamum homem que vá'
rias vêzes o ofendera muito. Quando deu conr os olhos nêle,
antes de tomar a ganta Comunhão,chamou-o pata junto de si
e o abraçoue beijou e, em pÍesençade todos,perdoou-lhede co-
raçã,oos graves danos e as ofensasque dêle recebera.A seguir,
reóebeucõntenteo santo Viático. Julgo por isso que, se teu pai
poÍ- âÍÏ1or de Deus e a
iá, está no céu, é justamente porque,
de
Ëxemplo Jesus Ciisto, perdoou a quem tanto o havia oÏendido'

119.
. O C O N S O L A D O RD O S Q U E S O F R E M

Lembremoso exentplo daquela gloriosa mârtit Írancesa,S'


Joana d'Arc.
i
Põe-se à frente das tropas de sua pátri,ae as conduz de
{È vitória em vitória. À frente dos exércitos vencedoresentra pe-
Ias portas da cidade de Reims e ali é ungido, consagradoe
proclamadoCarlos VI[, o verdadeirorei de França. .:Ir:
/jv

Algum tempo depoís,aquela valorosa heroína cai em podeL ìf

dos inglêses,seus in:migos,e é condenadaà morte. Ergueu-se


o patíbulo no meio da cidade de Ruão, onde se ajuntou enorme
multidão.Serena,com a serenidadeda justiça, e formosacom a
formosura da inocência,subiu Joana as escadasda morte e
amarratam-naa um postede terro. Momentosdepois,no meio dum

r28

ç
--:r-<
*mF--.._-'-:-r
.{.

inrponentesilêncio,o algoz põe Íogo à lenha que a circunda e


as chamasvorazessobeme pegam em seusvestidos.Ardia aquela
carne virginal.. . Em frente dela estavaum frade com um cru-
cifixo na mão.
- Padre - dizia-lhe a mártir - levantai-o um pouco.. .
quero vê-lo. . .
Seus olharespregavam-senaqueledivino Crucificadoe uma
fôrça divin,apunha em suas faces a beleza do amor'.. .
"Mais lenha - diziam os algozes- mais lenha!"
E atiravamna fogueira feixes de lenha... As chamasen-
volvi'am a mârtir por todos os lados e a carne ardia como ví-
tima de santidade.Ela gritava com ânsiasainda maiores: "Pa-
dre, levantai-omais atto, mais alto, que não o vejo".
E o frade atou o Cristo a um pau e levantou-obem alto,
acima das chamasque formavamuma fogueira gigantesca... E
Joanarezavae olhava païa o seu Deus crucificadoe dizia: "Je-
sus! Jesus!" E caiu morta, quase convertidaem cinzas no meio
daquelashorríveis chamas.
A vista dêsseDeus crucificadode tal modo conscllaas ví-
timas da dor, que S. Madalenade Pazzi dizia, louca de amor:
"Senhor,sofrer e não morrer!"
Sim, olhai para o céu: ali se enxugarãoas vossas lágri-
mas. . . ali está o rdino da felicidadee do amor.

120.
S O U U M A S S A S S I N O !S O U U M A S S A S S I N O !

Dia inesquecível naquelecolégio!


Era a festa de Nossa Senhoraque se veneravana igreja,
e ao mesmo tempo a festa do Padre Diretor. Felicidade,ale-
gria, entusiasntopor tôda parte.
Pela manhã,comunhãogeral; às dez, missasoleníssima com
sermão; à tarde, esplêndidaprocissão.Como rezavam! Como
cantavam aquêles alunos!
Que dia formoso! Quem pudera imaginar o desenlacetrâ-
gico que ia ter!
As seis da tarde haveria representaçã,oteatral, em que se
levaria ao palco "A morte de Garcia Moreno".
Meia hora antes que soassea sinêta para aquelafesta, dois
rapazesde uns quinze anos entraram num quarto contíguo ao
rlesour I - I
129
:
! : ç

f'

cenário.Ali estavasôbre a mesa um revólver.Com êle iam dis-


parar pela janela, quando no palco se representassea p.anto-
mima de disparar o tiro em Garcia Moreno. Um dos fapazes,
precisamente o que ia fazer de assassinono palco, toma o re-
vólver e diz ao seu amigo:
- Toma posição.. . para veres como te vou apontar no
palco.
O outro, que ia Ïazer de Garcia Moreno, a nobre vítima,
apruma-secom energia e diz:
- Atira, traidor!
O amigo aperta o gatilho, soa um disparo,sai uma bala e
enterra-sena cabeçado desventuradorapaz, que cai redonda-
mente, derramandoum rio de sangue pela ferida.
O inocenteassassinoatira-se sôbre o ferido, lançandogri-
tos de dor.
- Amigo, que Íiz? Eu te matei, eu te matei. Foi sem que-
rer. Perdoa-me.Não, amigo, eu não' queria te rnatar.. . Amigo,
levanta-te... não, náo morrast ,Ì
'
E, tirando o lenço, procurava estancar o sangue. Mas era
inútil; o ferido não se movia.
- Amigo (continuava gritando), levanta-te.. . não mor-
r a s . . . n ã o q u e r i am a t a r - t e . . . P e r d o a - m *
E pegava-o e levantava-oum pouco, mas não podia com
êle. Ensopav,a-se naquelesangue.
- Morreu (gritava), morreu; matei-o. Sou um assassino! '
ai! sou um assassino!
Entretanto,os outros alunos estavamnos pátios do colégio,
em conversaanimada à espera do som da sinêta. De repente
ouvem gritos, olham.. . Lá, no fundo do pátio apareceo rapaz
todo cheio de sangue.Levantavaos braços e gritava como de-
sesperado,correndode um l.adopara outro:
- Matei-o, matei-o! Sou um assassino !
E corria senr Íürto nem destino,como um louco.
Por nossospecadossomos também assassinos. Por nossos
pecadossofre e morre Jesus.Nossossacrilégios,impurezas,pro-
fanações são os punhais que cravamos no coração de Nosso
Senhor.Somosassassinos !
Com que grande, imensa, infinita dor deveríamoschegar
ao confessionârio. Que santa seria então a nossa confissão!

130
k' .r, &**-' .=l}

l2l.
D E U S R E C O M P E N S AO S S A C R I F Í C I O S

Os sacrifícios escolhidosvoluntàriamentelazem que Deus


seja generosoe bom para conosco.Os pequenospresentesque
lhe oferecemosespontâneamente exercemgrande, irresistívelpo-
der sôbre êle. Forçado então pela bondadedo seu coraçã'o,Deus,
que não se deixa Vencerem não se cansade cumu-
generosidade,
iãr de bênçãosaquêlesque se mostram generosos para com êle.
A propósitoo seguinteexemPlo:
Nunt colégiode Friburgo, na Suíça,achava-se,poucosanos
taz, uma menina que lazia extraordináriosprogressosnos es-
tudos, e sentia-sefeliz.
Certo dia recebeua superiorado Colégio uma carta do pai
da criança, comunicando-lhe9u€, por diÌiculdades financeiras,
não lhe era possívelmanter a filha no Colégiopor mais tempo"
Que rêz a superiora?Mandou chamar a menina e disse-lhe:
- lvlinha filha, uma notícia bem desagradâvel.Teu pai
acaba de escrever-meque se acha enl grandes dificuldades e
que talvez sela obrigado a retirar-te do Colégio.
A menina,muito atlita, pôs-se a chorar e dizer:
- Madre, que será de mim? Ajudai-me,Madre, ajudai-me!
Dizei-me o que der-) f.azet.
- Minha filha (disse a superioramuito comovida),tu po-
des modificar tudo isso. Sabes que dentro de algumas semanas
teremoso santo Natal; sabes,igualmente,que atê lâ temos to-
dos os dias a devoçãoao Menino Jesus,náo é?
- S i m , M a d r e .. .
- Pois bem; ïaze um fervorosopedido diàriamenteao Me-
nino Jesus, paÍa que êle te conserveaqui e oferece-lhealguns
pequenossacrifícios.Verás que Jesus não reieitarâ os teus pe-
didos.
- Sim, Madre, farei tudo para que Jesusme ouça, e peço
também as vossasorações.
A menina, que tinha grande desejo de continuar seus es-
tudos na companhia das [rmãs, cheia de confiança, sentou-Se
e escreveuao Menino Jesus uma cartinha. Prometia não só
oraçõesfei'vorosas,mas tazia também o propósito de, por amor
de Jesus,abster-se,todos os dias até o Natal, de queijo e fru-
tas, de que gostavamuito. E tudo isso para que Deus socorÍesse
seu querido pai e ela pudessecontinuar no Colégio.

131
-G
i+f.j.:rF=_ * ''.-É
-1..

No dia do Natal achou a superiora debaixo da imagem


do Menino Jesusa cartinha da menina.Leu-a e ficou profunda-
mente comovida.
Dois dias depois chegava uma carta do pai, gue, entÍe ou-
tras coisas,dizia:
- Madre, não sei como agradecera Deus. De modo pro-
digioso e inesperadoveio o auxílio do céu. . . Minha filha pode
c o n t i n n a ra í . . .
Pod'enrosimaginar a alegria de anrbas,a aluna e a Supe-
riora, vendo que a sua confiançaenr Deus não falhou.

7.22.
O I T O C A D Á V E R E S !.. .

Há homens,que parecemferas.. . Entre os comunistasver-


melho.shá dêsseshomens.. .
Foi no tempo do MovinrentoNacional,QUe liltertou a Es-
panha das garras do comunismo.O que vamos narrar passou-
se perto de Córdova.
Triunfaram ali, desdeos primeirosinstantes,as hordas co-
munistas.. . Saítam como saenl as feras de seus coìis e, em
poucas horas, mais de cem cadáveresde 'obres e cristãosia-
ziam por terra junto aos muros do cemitério.. .
Enfureceram-se principalmente contra uma família de fé ar-
raigada, de coração generosoe de fortuna regular. Jamais ne-
garam os direitos dos operários.. . Jamais um pobre bateu às
portas de sua casa e dali foi despedidosem auxílio.. . Mas o
pai, os filhos, as filhas, toclosnaquelanumerosafamília se dis-
tirrgu:ampela firmeza de suas cÍençascatólicas.
- '/[g6ra, êstes!",bradaramaquelasferas huntanas.E na-
dando em sanguecaiu o velho pai, homem f idalgo e distinto.. .
E nadando em sangue cairant três filhos seus, jovens na flor
c l a i d a d e . . . E n a d a n d oe m s a n g u ec a í r a mt a m b é md o i s g e n r o s ,
que eram o encantode suas espôsase o orguho da religião.. .
Havia outros dois jovens que eranÌ noivos das duas filhas
solteiras. " A g o r a , ê s t e s ! " r u g i i , a ma q u e l a sh i e n a s . . . E o s
dois caíram,também,nadandoem sangue.
Oito cadáveresjaziam às portas daquela residência,onde
até poucashoras viviam felizesaquêlescoraçõescristãos.. . Oito
c a d á v e r e sE! r a m o s s ê r e sm a i s a m a d o s . . . e r a m a e s p e r a n ç a da
família.. . eÍam o amor de todos.. . Oito cadáveres !

r32
',i

i,

"Agora, êstes!", continuavamuivando aquelasferas se-


dentas de sanguehumano.. . E em 'desordenado tropel penetra-
ram naquelatidalga residênci,a, espalhando-se por ela, roubando,
saqueando, destruindotr-rdoo que encontravam. . . Enfim, cansa-
dos de tantasfadigas,estiraram-se nos sotás e cadeirasde braço,
b e b e n d oe c a n t a n d o ; . . .e s t a v a ms a t i s f e i t odse s u a o b r a . . . O i t o
cadáveres !
E a espôsa?e as filhas casadas?e as solteiras?e os ten-
ros e delicadosnetinhos? Não os esqueceram,nã,o,aquêlesvis
criminosos.. . Tnncaram-nos nurn quarto, dlzendo-lhesque es-
perassema decisãodo povo. . . ao povo pertenciadispor dêles.. .
E o povo dispôsque fôssemenxotadosde sua própria casa,que
desde aquêle momentoera propried'adedo comunismo.. .
E de sua casa teve de sair a infeliz Íamília. Ia adiante a
velha mãe, de cabelosbrancos.. . atrás, as filhas casadas,car-
regando seus tenros tilhinhos.. . e, por fim, as filhas solteiras
sem pai, sem irmãos, senl amôres,sem um pedaço de pão. . .
E, asïim foram batendo de porta em porta. . . e viram que âs
portas de muitas famílias qlle julgavam amigas se fecharam
para elas.. . E isso porque levavam a maldição da "Casa do
P o v o " .. .
Oh! foi triste, foi doloroso,foi revoltante!Foi, em suma,
a obra do comunisnroateu, do qual nos livre a misericórdiade
Deus.

t23,
BAILANDO
COMO DIABO
Uma jovem francesa, que freqüentavaas salas de baile,
atraída pela fama do santo Cura de Ars, resolveu procurá-lo
par'a se confessar.
Vejamos como ela narrou o seu colóquio com o Santo.
- Lembras-te (disse êle) da última vez que fôste ao bai-
le?. . . Estava lá um môço que te parecia bonito, e te causou
sentimentos de ciúmee de inveja,porquebailavasòmentecom as
outras e não se dignavadirigir-te um olhar sequer?
- E' verdade.Lembro-me,sim.
- Lembras-te gu€, em dado momento, êle retirou-se da
sala, deixando-tedesiludida,por não se ter dignado dançar con-
tigo nem uma vez?. . .
- Sim.

133
\----;
V E
,f
t

- E notaste,então,um pequenofenômeno:duas como cha-


mazinhasentre as solas dos sapatosdêle e o pavimentoda s,ala,
quando se retirou. . . E não fizestecaso,atribuindo,aQuiloa uma
ilusão de ótica do contrasteentre as luzes e a obscuridadeda
porta de saída.. . lembras-tedisso?
- Sim; Iembro-me.
- P o i s b e m .A q u ê l eq u e t e p a r e c i au m r a p a z e n c a n t a d o r . . .
que te causoutantosciúmes.. . tanta inveja.. . tanto despeito.. .
Quem era?

- Aquêle era o diabo. Dançou com aquelasque já lhe per-


tencem,com aquelasque não têm o menor escrúpuloda impu-
reza.. . Contigo não quls dançar, porque ainda eras pura, e
sabia que virias te confessar.. .
Ficou a jovem impressionadíssima com aquelas revelações
do Santo e prometeuque nunca m.aisiria a um baile.
E tu, jovem leitora, não achas que contigo poderia Scon-
tecer. .

124.
UM PREFEITO LIVRE-PENSADOR LLVA NA CABEçA

Há cêrca de quarentaanos entrava numa vila d,a Áustria o


coronelDobner von Dobenaucom o seu batalhão.Ia estabelecer
ali o seu quartel de inverno.
A populaçãoalegrou-secom isso, pois esperavaïazer bons
negócioscom os oficiais e soldadose contava,além disso, com
bom número de distracões.
O prefeito da cidade, acompanhadode seus conselheiros
municipais,saiu a sauclaro coronel.Êste era fervorosocatólicoe
um de seusfilhos era padre.Mas, ignorandoessascircunstâncias,
e julgando-olivre-pensador, s prefeitodirigiu-lhelongo discurso,
insistindona alegria que os habitantesda cidadesentiamcom a
presençada tropa QUe,certamente,viria quebrar a monotonia
da estaçãohibernal. Não pôde deixar, porém, de mostrar seu
desagradopelas práticas religiosas,dizendo:
- Uma só coisa desagradávelhá aqui, meu coronel: E'
que hoje, precisamente, os padres deram início a uma grande
ntissãoque vai durar mais de oito dias. Infelizmentenão a po-
demos impedir, apesar de vermos na mesma um grande des-

134
+Ëìr" i ïE
t;
mancha-prazeres. O batalhão deve, entretanto,consolar-secom
o pensamentode que êssesdias passarãoe, logo depois,a ale-
gría será muito maior. Í- ,
Terminado o discurso,o coronel, carregandooS sobrolhos'
respondeuem tom sêco:
- senhor preteito, não vejo na missão absolutamente ne-
nhum desmanchã-ptur.r.r.Pelo contrário; eu só não assistirei
permitir. E
aos sermõesda missão, quando o serviço não mo
meus oficiais, bem como iOOa a tropa, terão o prazer, de me
prefeito, de
acompanhar.Eu só sinto não ter o poder, senhor
l,nundff também a vós e aos vossosconselheiros a todos oS ser-
mões. As pregaçõesnão vos fariam mal nenhum; muito ao con-
trário, elas vos fariam imenso bem.
Após o seu destemidodiscurso,retirou-setriamente o cofo-
nel, deìxandobastantedesapontaclos e contusosos seusvisitantes'
E a lição toi bem merecida.

125.
O L Á ! V O C Ê V I R O U C A R O L A ? .. ,

Pedro Jorge Frassati,falecidosantamenteem Turim a 4 de


abril de 1925,era Ïirho de um ilustre embaixador'
Muito rico, Con-Servou,entretanto,Sua inocênCia'Sua fé e
um coráção extrem.amente sensívelàs misérias alheias.
Tornou-se um campeão de cristo e um apóstolo do bom
exemplo.Frassati náo era dêssesque só praticama religião quan-
do encerradosdentro de quatro paredes.A propósito lê-se em
sua biograti.ao fato seguinte:
um dia, ao sair duma igreja, conservavaainda na mão o
seu rosário.Um conhecidopassapor ali justamentenaquelemo-
mento e, não perdendoa ocasião,diz-lhe, mofando:
- Olá, Jorge! você virou carola?.. .
E Jorge, sem se perturbar,respondeprontamente:
- Não; eu continuoapenasum bom cristão; e disso não
me envergonho,antes me glorio.
AnteJ de expirar - e contav.asòmentevinte e quatro anos
de idade - Frassati lë'z a seguinteprofissãode fé:
cada dia compfeendomelhor a graça de seÍ católico.
Pobres, infelizes os que náo têm fé. Viver sem a té, sem uma F
que se possa ,
-porse possa delender,sem uma verdade
herança que
sustentar um combate contínuo,não é viver, é vegetar' Não

135
r-ç

devemosvegetar, devemosviver; porque, apesar de tôdas as


decepções,. devemoslembrar-nossemple que somos os únicos
a possuira verdade.Temos uma fé que defender,e a esperança
de chegar à nossa pâtria. Para o alto os coraçõese avante
semprepelo triunfo do reinadode Cristo na sociedade.
E Jorge Frassatifoi um dêssesapóstolosdo reino de Cristo
na sociedade;foi um militante da Ação Católica,foi um com-
batente ardoroso até à morte.

126.
A COLEGIAL QUE SE CONVERTEU

Estudavanum colégio de irmãs uma menina de treze anos


apenas.
Era alma forte; era coraçãoindômito.Não sei o que tinha
aquela criatura, mas exercia uma influênciapavorosasôbre tô-
das as colegasque viviam com ela. . . Quando pregavaa revo-
lução entre suas companheitascontra as ordens das Irmãs, a
revolução estalava tumultuosa,e só a mão forte da Superiora
conseguiaimpor de novo a disciplina.
Um dia aquela menina altiva e insolentefoi severamente
repreendidae castigada. v
Aquela tarde nã.o poderia sair a passeio com as colegas.
Tinha que ficar no colégio, escrevendocem vêzes estas pala-
vras: Primeiro mandamentoda lei de Deus: Amarás o senhor,
teu Deus, com todo o teu coração,com tôda a tua alma, com
tôdas as tuas fôrças.
Ficou na sala vigiada por uma professôr a. . . Pôs o papel
diante de si e começoua escrever:Primeiro mandamentoda lei
d e D e u s : A m a r á s o S e n h o r ,t e u D e u s . . . E c o n t i n u o ue s c r e -
v e n d o .. . L o g o e s t a v ac a n s a d a... L a r g o u a p e n a e p a s s o uo s
olhos pela sala.Bem em frente,pendurada na parede,estavauma
devota imagem de JesusCrucificado.. . Contemplou-ocomo ja-
mais o conternplara.Parecia-lheque aquelaspalavras que aca-
bava de escrever,a ela eram dirigidas por aquêle santo Cristo,
que tinha diante dos olhos.. . Lentamente,solenemente,com
acentode ternura.. . com olhos cheiosde lágrimas.. . dizia-lhe
aquêle Deus amoroso:Amarás o Senhor,teu Deus, com todo o
teu coração.. .
Que se passou então naquela alma forte e naquelecoração

136

ffi,
ãôír ry "ì*E
W1;i:
:-, jr'ij
.' 'j
I

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i n d ô m i t o ,Q U e - l h es a l t a r a ma s l á g r i m a s . . . e a l i m e s m os e a j o e -
l ^

:
lhou. . . e se fixaram longo tempo os olhos daqueleDeus-amore
daquela menina-revolução? :{
:i:
's
Em seguida levantou-se. . . pediu humildementelicença à .{
mestra para ir uns instantesà capela.Tinha sêde de falar de I
mais perto com Deus.. . e Deus estavaali, a dois passosdela,
no sacrário.
Quando se levantouestavaregenerada. . . Desde aquêledia
foi a santa do colégio.. .
Anos mais tarde, quando o capelãoe o confessorfalavam
dela, diziam: As almas assim ou são grandes santas ou gran-
des pecadoras.
Naquelatarde de sua vida começoua ser santa e o foi até
o fim, até o heroísmo.. .

127.
COMO MORRE UM VIGÁRIO

O pároco de Constantina,em terras de Sevilha,era um ho-


mem de fé ardente.
PrenderarÌ-Íto*,,S bárbaros comunistas,lançaram-no numa
asquerosaprisão, deram-lhemuitas pauladas,negaram-lhetodo
o alimentoe, por fim, tizeram em nome do comunismoo que não
poderiamdeixar de ïazer, isto é, saquearama casa paroquiale
a igreja.
Mas foram mais longe: conduziram-noà praça púbrica e
ali o apresentaram àquelesmesmosparoquianospelos quais êle
trabalhara durante vinte e seis anos. A multidão, enfurecidape-
Ios vermelhos,sacioucontra êle o seu ódio vil.
Levaram-nooutra vez à igreja. cinco dias durava já,o mar-
tírio; há cinco dias que não via sua querida igreja paroquial.
Ao entrar nela voltou-secom grave dignidade para aquêlessa-
crílegos,e disse-lhes:
- Perdôo-voso que a mim me tendesteito; mas profanastes
a igreja de Deus e sentireiso pêso da justiça divina.. .
Aproximou-sedo altar do Santíssimoe. .. que dort viu
que as sagradaspartículastinham sido atiradasao chão.. . Quis
ajuntá-las.. . mas não pôde. Derrubaram-nopor terra e ali
mesmo o golpearambàrbaramente.Quis dizer:

r37
Viva Cristo Rei! e não terminou.Um vil aósassinoatra-
vessou-lhea cabeçacom uma bala. . .
Alguns mesesmais tarde, a 15 de dezembro,quandg a ci-
dade dã Constantinacaiu em poder das tropas espanholas,or-
denou a cãmata que desenterrassem o cadáver do pároco. Es-
tava perfeitamenteincorrupto.Tinha sôbre o peito' um crucifixo'
Aquêle santo Cristo se lhe incrustara completamentena car-
ne. . . Conseguiramsepará-lo, mas a cÍrtz ficou para sempre
gravada no peito do mártir. Ficou incrustada a cruz em seu
p e i t o .. .
Trazei também vós no coração o espírito de Jesus Cristo
e, estou certo, náo deixareis de perdoar a todos oS VoSSoS
inimigos.

128.
OLHAI PARA O ALTO

S. Aïonso, um dos homens mais santos e sábios, gostava


de recordar o Íato seguinte.
Caminhavampor montes e Valesuns homensricos e amigos
dos prazeres.Eram caçadores?Não saben-cs;o certo é que
se internaram pela floresta adentro e no rieio dela, entre as
árvores ïrondosas,encontraramuma choupana.Aproximaram-Se
e dentro dela viram um anacoreta,'cuio rosto era o retrato duma
alma que gozava de P,az.
Irmão perguntaram aquêles senhores que fazes
uquir
- Irmãos - respondeuo ermitão vim procurar a fe-
licidade.
- A felicidade?Nós gozamosda abundânciadas riquezas;
corremosde diversãoem diversãoe, contudo,não pudemosachat
a felicidade;e tu a procurasteaqui?
- Aqui a procurei e aqui a encontrei.
- Encontrastemesmo a felicid,ade?
- Sim; olhai por esta janelinha da minha choupana.Por
aí so vê a minha felicidade.
Os caçadoresprecipitam-separa a janelinha e olham an-
siosos.Em seguida,mal-humorados,dizem:
- Irmão, enganaste-noscomo um velhaco.

138
h ç , i.r '\, rn|r llFqtr
-.
lì:
{::i.

- Nunca,nunca- replicouo santo solitário;é porquenão


olhastesbem; tornai a olhar. Garanto que por aí se vê a minha
felicidade.
Segundavez chegam-seos homensà janelinha,olham por
todos os lados e, agastados,dizem:
- Irmão, pel,asegundavez nos enganaste.És um impostor.
E o solitário, com aquêle aÍ de paz que nunca o abando-
nava, responde:
- Irmãos, não olhais bem. Asseguro-vosque nã,ovos en-
gano: olhai melhor, pois garanto que daí se vê a minha fe-
licidade.
Os homens,desejososde descobrira felicidade,olham, tor-
nam a olhar para baixo, para cima, para os lados.. . e por f im
dizem:
- Irmão, não nos enganesmais. Por aqui não se vê nada;
a p e n a sá r v o r e se u m p e d a c i n h od o c é u . . .
- Isso, isso (exclamouradiantede alegria o ermitão),isso,
isso. Aí está a minha felicidade.Quando tenho algum sofri-
mento, quando a dor me atormenta,contemploêsse pedacinho
de céu e digo a mim mesmo: Tudo passa; dentro em pouco
estareino céu. A a'.:gria enchea minha alma.. .
Êsse solitário eÍa S. Antão. Fôra para o deserto em busca
da felicidade.Passou os longos anos de sua vida em orações
e penitências.Olhava para o alto e via um pedacinhodo céu!
Teve lutas terríveis com o espírito do mal; não via o fim da-
quela guerra; mas olhava para o alto, e via um pedacinhodo
céu!
Sofreu fome, calor e sêde; a carne pedia comodidade,o ci-
lício atormentava-o,molestava-oa pobrezado hábito. . . Olhava
para o alto e via um pedacinhodo céu!
Passaram-seos dias e passaram-seos anos. Olhava sem-
pre para s alto, e o pedacinhodo céu parecia-lhecada vez mais
próximo, caclavez maior. Afinal, um dia não vê mais a terra,
não vê mais o deserto.Ante seusolhos surgia uma cidadefantás-
tica. Aquilo eÍa a terra da promissão,era a pátria de Deus,
era o que tantas vêzes vira de longe: o céu! o céu!
E a alma de S. Antão, que vivera para Deus, para a ora-
Ção, para a penitência,para a santidade,para o céu, entrava
gloriosa no paraíso.. .

139
r\'r - lr'" ;r.\rra+*-y\?.a^*-.r

.Ì.\*;
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. !

l2g.
ê A MENINA QUE REZAVA PELOS AVIADORES
i

Do alto do púrlpitoum dos mais famososoradoÍescontem-


porâneos da Espanha dirigia sua palavra eloqüentea um se-
leto auditório.
Era na festa de Nossa Senhorade Loreto e êle talava aos
aviadores que a haviam escolhido por padroeira. Falou-lhes
assim:
"Aviadores de minha pâtria, ainda vos lembrais? Era nos
primeiros dias do nosso Movimentocontra o comunismo.Vós,
tôdas as manhãs,em vossosaviões de bombardeio,em forma-
ção impecável,voáveissôbre terras de Castela,e, ousadose des-
temidos,internando-vosnas zonas montanhosasde Biscaia,"íeis
Íomper com vossasbornbaso cinturão de terro de Bilbao.
O QUe,porém, não sabeisé que ali, nas margensclo Ebro,
todos os dias, guardando o seu rebanho,estava uma menina
que não passariados onze anos. Ao ver-vos ficava emociona-
da: ajoelhava-se e com as mãos postasrezavaa Nossa Senhora
por vós para que triunfásseisdos inimigos de Deus e da Es-
panha, e para que não sofrêsseisnenhuma desgraça.E quando
em vossosaviões desaparecíeis ao longe, a menina, sempre de
joelhos, levava os dedos da ntão direita à l-lca, imprimia nêles
um beijo e vo-lo mandava a vós, heróis da pátria e soldados
da fé.
Os aviões tinham iá desaparecidoe a menina continuava
ainda de joelhosrezandopor vós. Graçasa Deus estaiscom vida.
Não deveis (quem sabe?) a vossa vida às oraçõesdaquele
anjo de onze anos que guardava seu rebanho de ovelhas em
terras de Castela?"
E aquêlesfrios aviadores,acostumadosa desafiar a morte
e a permanecertranqiiilose calmosno meio dos tremendospe-
rigos dos ares, choravamcomo crianças.
,

130.
CAI-VÁRIO DE UMA MÃE

Quereisum exemplode paciênciae resignaçãode uma mãe


sublimee heróica?
Foi sempre boa aquela senhora.Nascera na pobreza e nos
trabalhos dos campos passara os anos da juventude.Quando
estava para completarvinte e cinco anos casou-secom um môço

140
tffi \" ìr:,iì!,FE:

\*.+r"

\
bom como ela, e, como ela, lavradorde pobrescanlpos,que eram \
tôda a sua fazenda.
Tiveram cinco filhos: três meninose duas meninas.Esta-
vam todos ainda na infância,quando lhes morreu o pai. A po-
bre viúva pôs a sua confi.ançanaquele Senhor que nos livros
sagradosse chama a si mesmo "consôloe amparo das viúvas,,.
E não esperouem vão. Trabalhoumuito a pobre mãe; mas afi-
nal teve a consolaçãode ver que seus filhos cresciarnfortes e
bons. Naquela casa não faltava o pão ganho com o trabalho
honestoe comido em paz e graça cle Deus.
O mais velho dos filhos disse um dia à mã,e:,,Mãe, vou a
N. para ver se ganho algum dinheiro para nós,'. Foi a N. e,
poucos dias depois de lá chegar, morreu.
'
Disse o segundofilho: "Mãe, eu não vou a N.; vou à Ca-
pital à procura de uma colocaçãopara que não tenhasde traba-
lhar tanto". E foi à Capital; mas apenas lá, chegou, pereceu
num incêndio.
O terceirofilho disseum dia à mãe: "Mãe, eu não vou nem
a N. nem à capital; ficarei em casa cultivandonossospobres
campos.Deus jamais nos negará um pedaçode pão". E um dia
subiu a um morro em companhiade um amigo; e êste, ao ex-
perimentaruma arma, sem querer destechou-lhe um tiro e ma-
tou-o; e o pobre atl ficou no meio do caminhoestendidoe ba-
nhado no próprio sângue.
A filha mais velha, derramandolágrimas sôbre os finados
irmãos, disse à mãe: "Mãe, que pecado teremoscometiclopara
que Deus nos prove tanto? Vou para o convento".E para o
conventofoil e oito dias depois a levavamao cemitério.
Por fim, a última filha, que contaria uns dezesseisanos,
disse à mãe: "Mãe, não chores; enquantseu viver, nã,ote fal-
tará um pedaço de pão. vou para a cidade aprendercostura'e
corte". E foi para a cidade; mas, no primeiro motim comunista,
uma bala perdida varou-lhea cabeçae ela caiu morta.
A mãe não tinha mais lágrimas nos olhos. Inclinavaa ca-
beça, chorava e rezava. Por fim, ficou doente,teve de meter-se
na cama, onde, durante anos, dores horríveis não ltre deram
descanso.Contudo,a Providênciadivina não a desamparou:nun-
ca faltaram almas boas que cuidassemdela.
um missionário,que por ali pregava,foi um dia visitá-la.
Sentou-seà cabeceirado catre e ela contou-lhea sua trágica
história. Quando terminou, chorava e soluçava.

t4l
l1
ï
i*""Ê'

- Filha disse-lheo Padre Missionário estás agora


conformadacom a vontade de Deus?
Padre respondeu iâ sou velha; já completeioi-
tenta e quatro anos. Oitenta e quatro anos, Padre, dizendomui-
tas vêzes ao dia: "Faça-se a vossa vontade,assim na terra co-
mo no céu".
Virou a cabeça e fixou o crucifixo pendurado à parede.
u'"
l: -ïJ* ïìïïïi,ï;er simpres, que
umamurhercamponesa,
aprendeu,na sua fé e no seu amor a Deus, a lição dificílima da
pãciênciae da conformidadenas penas e dores da vida.

131.
t O C O N S Ô L OD E L Ú C I F E R

\ Um dia, voltando da terta, chegou um demônio ao infer-


;\
no. Estava triste e abatido. Dirigindo-se a Lúciter, o rei das
trevas,disse:
- chefe, Íalhou completamenteo meu esfôrço. Mostrei ao

;'f Filho do homem tôdas as riquezas e grandezasdo universo 3
'i prometi-lhe dar-lhe tudo aquilo com a única condição de quc
me adorasse.. . E eis que êle me repeliu çom desprêzo.
- Consola-te,meu filho, respondeLúctier, mesmo que êsse
e s t e j ap e r d i d o ,t o d o s o s o u t r o s n o s p e r t e n c e m . . .
Depois de algum tempo regressa o demônio de sua nova
excursãopela terra e diz:
chefe, está tudo perdido. o Filho do homem acaba de
lazer ao povo, no monte Tabor, um sermãosem igual. Êle afasta
a todos das vaidadesterrenase impele-ospara o reino de Deus.
- consola-te,meu filho, diz Lúcifer,.êles gostam de ouvir
palavrasnovas e belas,mas não as põem em prática. Esquecer-
ie-ão delas como Se esqueceramdos ensinamentosdos profetas.
Faz o demônio outra excursãopela terra. Quando volta ao
inferno, chega-seao poderosorei Lúcifer e, desanimado,diz:
- Meu chefe, o nosso poder está liquidado pafa sempre.
O Filho do homem selou sua doutrina com a própria vida, pro-
vando assim que é realmenteo Filho de Deus.
- Não te atlijas demais,meu filho, replicou Lúcifer, êles
serão nossosApesarde tudo. O Filho do homem provou' é ver-
dade, por sua morte na cruz, que é o Filho de Deus. . . mas
consolá-te,meu fiel emissário,os homens não crerão nêle.

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I
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! ?_. "w
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,
Meu irmáo, tira dêste imaginârio diálogo uma preciosalição
para tua at'ma,isto é., que não deves viver, como os pagãos e
os libertinos,sem fé, sem religião, sem Deus.

it

132.
ç SEMPRE MAIS

Perguntai .a S. Paulo o que deveis ïazer para vos tornar-


des semelhantesa JesusCristo. S. Paulo não vos enganarâ.Ê,le
é o doutor que mais admiràvelmenteexpõe as leis divinas de
nossaperfeiçãona vida espiritual.. .
- Santo Apóstolo, temos a ïé de Pedro, o dlscípulo es-
colhidopor JesusCristo para seu vigário na terra... Basta-nos?
- Não basta.
- Temos a caridadepara com Deus e o amor para com o
próximo, que aprendemosdo discípulo predileto de Jesus.. .
Basta?
- Não.
- Temos a fortaleza heróica demonstradapelo Batista an-
te os inimigos.. . Basta?
- Não.
- Temos a ç nfiança em Deus que distinguiu o patriarca
S. José,o qual mer€ceuser tido por pai de Jesus.. . Basta?
- Não basta,não. . . Escutai o que vos digo:
JesusCristo
é o modêlo que deveis ter sempre diante dos olhos. . . é o re-
trato que haveis de reproduzir em vosso corpo e em vossa alma.
E quem era JesusCristo? Era a caridade, era a justiça, a man-
sidão, a prudênciae a paciência.. . Era a beleza de Deus ma-
nifestando-seaos olhos humanos, para que nêle nos transfor-
memos.Tendes, pois, de trabalhar, trabalhar muito, até que se-
j a i s r e t r a t o sp e r f e i t o sd ê s s ed i v i n o M o d ê l o . . .
- Mas, santo Apóstolo,nossa carne é ï.raca,nosso cora-
ção é louco, nossa concupiscênciaé animal, nossas inclinações
perversas,as tentaçõessão muitas, os demôniosrodeiam-nosdia
e noite, o mundo nos fascina.. .
- Trabalhai! E' preciso imitar a
Jesus Cristo. Essa e a
única segura garantia de nossa eterna salvação.Se temos a s u a
graça, temos tudo. . .
- Mas isso será trabalho de muitos anos.
- Tendes razão: é trabalho de tôda a vida. Mas para isso

143
L; 1',
ïr*"'-

é que Deus nos pôs no mundo,para isso é a vida. Se não a en-


tendeisassim, estais tristementeequivocados...
Trabalhai! . . . Tendes diante de vós uma eternidade para L
descansare gozaï de vossas virtudes.

133'
'
c A S T o . . . s E M R E L I G I Ã ' ?t
Estava aquêlemédlco na flor da idade. Era cabeçaleviana
e andavacheio de orguÌho por sua ciência vá. AIém disso, re- r
legara a fé a um canto de sua inteligênciae, segundo havia
aprendidode seus mestressem religião,afirmava que para viver
bem e ser feliz bastavaa luz da razão
Por aquêlesdi,as um famoso pregador, uffi homem de elo-
qüênciasingular,alvoroçaratôda a cidade.
O vaidoso doutor afirmava à bôca-cheia,no círculo de suas
amizadesrQU€iria entrevistaro famoso orador e que o havia de
encurralarCom a fôrça de sua discussão.
E lá se foi, com efeito, seguido de alguns amigos zombe-
teiros e curiosos.Achando-sefrente à frente com o missioná-
rio, o doutor disse entre outras coisas:
- Padre, eu nã,opraticoa religião; ,ou,-oporém, homemhon-
rado e posso garantir-lhe que sou casto.
Sorriu maliciosamente o ilustre pregador e observou: ^
- C a s t o ? . . . C a s t os e m r e l i g i ã o ? !
- Sim, casto - insistia o doutor.
- E vai a tôda espéciede cinema?
- Naturalmente.
- E lê tôda espéciede livros?
Tudo o que tai sob os meus olhos.
- Desvia o olhar quando se encontracom alguma beleza
provocadora?
- Oh ! pelo contráno.
- E diz que não reza?
- Nada.
- E diz que é casto?
- Digo.
- Pois bem replicou aquêle homem apostólico,aquêle ì
profundo conhecedordo coraçãohumano;- acreditoque o se-
nhor seja casto,mas casto como os cachorros.

r44
*r=- É-,*; ff.
s\" Ç$
',.:
:
.\tÍ

.a
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,+
E nada mais disse.. . E havia dito tudo. . . O doutor mor- .ì
d e u a l í n g u a . . . o s a m i g o ss o r r i r a mm a l i c i o s a m e n t e .e. . o m i s - È
j
sionário interrompeubruscarnenteo diálogo. Todos estavam de i:.

acôrdo: sem a prática da oraçãonão podiam ser castos.E seria .t


refinada loucura afirmar o contrário. i
1
I

134.
DIÁLOGO COM SÃO PAULO

JesusCristo diz de si mesmo: "Eu sou a luz do mundo".


Nos lábios seus e nos lábios de seus apóstolos,effi poucos anos,
viu o mundo a formosura dessa luz e ficou envolvido em seus
raios.
Duvidais? Interrogai S. Paulo, o gigante da verdade e do
amor, o apóstolo que náo descansa,a bôca que náo cala, as
mãos que náo desmaiam,o coração que nunca se apaga. Aí o
tendes:interrogai-o.
- Santo Apóstolo,donde vens?
- Da Grécia.
- Percorrestea Arëtbia?
- Tôda.
t
- E s t i v e s t en a ' Á s i a ? *
.- Chegueiàs Éuas praias mais remotas.
- E visitasteAtenas?
- Falei no Areópago,bem como nas ruas de Corinto, de
Tessalonicae Éfeso.
- Pensasem ir a Roma?
- Até lâ chegarei. Tenho ardentes clesejosde avistar-me
com os césaresdo mundo.
- Estivestena prisão?
- Muitas vêzes.
- Sofrestenaufrágios?
- Três vêzesme vi nos abismosdo mar.
- Estivesteem perigo de morte?
_- Em muitos; a cada passo.
- Sofrestefome?
- Sim.
- Frio?
- Também.
- odios e calúnias?

Tesor'*'t I - 10 t45
'r
L

- lss6, tôda a vida; prego a verdaclee não n-ÌecÍêem;pre-


i
gooamoreodeianl-me.
- Santo Apóstolo, descansa !
- Não posso.
- Modera tuas energias.
__ Tuclo nÌe parece pouco.
- Es incompreensível.
- Sor"ra lógica, a lógica da verclade,a logica clo amor.
O Apóstolocala-seum instante.Pensa.Levantaa cabeçae
prossegue:
- Vi o meu divino Mestre. Conheci-ona estraclade Da-
masco.Compreendique é a verdade,a luz. Levo-o no coração:
é um fogo que me abrasa. Levo-o nos lábios: é urÌa luz que
me guia e me arrebata. Poucos anos ïaz qlle andamos pelo
mundo, eu e os demais Apóstolos,pregando a sua doutrina,
anunciandoa sua lei. Erguei os olhos e vêde: a fé tem sido pre-
gada enl todo o universo.Jesus Cristo conquistatôda a terra,
porqLleêle é a luz, é o sol da verdade.Viva JesusCristo!

135.
UM MENTIROSO CRUFI-

O czar Nicolau,que há cem anos goverhouo império russo,


foi um dos homensmais sanguinários. A sua crueldadearrancou
a vida a milhares de filhos da Igreja Católica; nraior, porém,
foi o número dos que tiverarl uma nrorte lenta nos trabalhos
forçadose nos horrendoscárceresdo clima horrível da Sibéria.
Entretanto,cliantedos reis europeuse sobretudodiante do
SoberanoPontíÌice,lazia semprealarde de sentirnentos religio-
s o s e h u n r a n i t á r i o sI n. d o a R o m a ,o p o d e r o s oe s a n g u i n á r i oc z a r
Ìoi recebicloenr audiênciapor slla Santidadeo Papa Pio IX. O
Pontífice perguntou-lhecomo tratava os católicos.E o czar,
conl a mais vil hipocrisia,respondeu:
- Muito bem, SantíssimoPadre.
Não pôde o Papa sofrer a vileza daquelecoraçãotraidor.
Levantou-secle seu trono, fitou o poderosoimperadorconl má-
jestosacligniclacle e com voz forte e enérgicadissc:
- M e n t i s!
O imperadorÍusso não pôde conservar-se em pé; Ìicou co-
mo que aniquilado.. . e saiu dali aterrado,conro se unia tem-

146

*! 1'"::rr
-_ jF4s;

pestadetivesseestaladosôbre sua cabeça e o fogo de um raio


o ameaçasse. Desceuràpidamenteas escaclasdo Vaticano e foi
ocultar-seno palácio em que se hospedava.
Também a vós, milharesde cristãos.. . tambéma vós, rni-
lhares de católicos.. . pergunta o vigário de JesusCristo:
- Amais a JesusCristo?
E respondeiscom hipócrita serenidade:
- Amamos!
- Mentis! vos clirá o Papa e coÍn razã,o,pois:
Não sois vós que profanaisos dias santos de guarda?.. .
Não sois vós que abandonaisa oração e os Sacramentos?. ..
Não sois vós que desprezaisos Mandamentosdivinos?.. .
E não mentis aos homens,mas a Jesus Cristo.. . ao pró-
prio Deus!..

136.
O PUNHAL DA IMPUREZA

Aquêle môço não conheciamaior tesouro neste mundo do


que o coraçãode sua mãe.
Filho e mãe viviam sòzinhos no ntundo. E eram felizes,
porquepossuíama n lior felicidadeda vida: a felicidadedo amor.
Mas aquêle môço começoua soÌrer de uma doençaesqui-
sita. Tremiam-lheas pernas.. . O tremor nervososubia pouco
a poucopelo corpo e, quandochegayaà cabeça,estouravaa lou-
cura. Naquelesmomentosde furiosa loucura, o rapaz procurava
uma faca, empunhava-a e corria por tôcla a casa, com os olhos
arregalados,gesticulandoterozmente,e gritando: "Minha mãe,
minha mãe! Onde está minha mãe? Quero matar nrinhanrãe!"
Cessavaa loucura.O filho voltava a si. Conheciaslla lou-
c u r a e , d e j o e l h o s ,p e d i a m i l v ê z e sp e r d ã oa s u a m ã e . D i z i a - l h e :
"Mãe, rninha mãe, se um dia, nullì dêssesarrebatamentos, eu te
t i r a s s ea v i d a ? .. . Q u e s e r i a d e m i n t ? M o r r e r i ad e d o r " .
Assim, tão grandes eram os temores da mãe conlo as an-
gústias do filho. Sabeiso que êle resolveuïazer? Quando sen-
tia que o ïremor começavaa subir-lhepelo coÍpo, pegava unla
corda muito forte, corria para a mãe e dizia-lhe: "Amarra-me,
mãe, amarÍa-me".E a mãe amarravafortenienteas nrãosdo filho.
No momentoenr que a loucura subia à cabeça,êle soltava
rugidos de fera e gritava: "Onde está minha mãe? Quero matar

10i' t47
minha mãe!" Mas, como poderiafazer-lhemal, se tinha as mãos
bem .amarradas?
Passada a loucura, o môço tomava aquela corda e beija-
va-a.com loucurasde amor. . .
Meu irmã,o,alerta! Quando sentires que vem chegando a
tentação,o perigo, toma o rosário, cinge-tecom as cadeiasda
o r a ç ã o .R e z a e s e r á sf o r t e . . . Q u a n d op a s s a ro p e r i g o ,b e i j a r á s ,
reconhecidoe grato, o teu rosário, que te livrou do punhal da
impureza.

137.
D . B O S C O C O N F E S S AU M D E F U N T O

Havia um jovem, chamado Carlos, que só pensava em vi-


ver e divertir-se.Mas eis que cai doente, táo doente que o mé-
dico lhe dá apenasalgumashoras de vida. Quis confessar-se a
D. Bosco,que lhe era muito afeiçoado,mas D. Bosco não pôde
ir. Confessou-sea outro sacerdote,mas a confissãonão foi sin-
cera, pois ocultou faltas graves.
E o jovem morreu.. . Comunicaram logo a D. Bosco que
o seu querido Carlito falecera. Nesse momento uma voz mis-
teriosa parecia segredar a D. Bosco que c infeliz náo se con-
fessarabem. Saitou do leito, correu à cas* do defunto.. . Ali
estava Carlito imóvel, am,arelo,endurecido:ia ser colocadono
c a i x ã o . . . D . B o s c o o r d e n o uq u e t o d o s d e i x a s s e mo a p o s e n t o ;
ali só ficaram o santo e o cadáver.. .
D. Bosco, falando ão ouvido do defunto,disse:
- Carlito!
O rapaz abriu os olhos e fitou-os em seu santo diretor.
- Onde estiveste?- perguntou-lheo servo de Deus.
- p36l1s,numa região misteriosae desconheclda. Vi mui-
tos demôniose todos me queriamarrastarao inferno.Diziam que
tinham direito sôbre mim.
- Filho, é porque não te confessaste .bem. Ocultasteum
pecadopor vergonha,não é verdade?
- Sim, padre; mas agora quero declará-lo.
E o r,apazconfessoucom grande hum:ldadeseus pecados
e sacrilégios.
- Padre, se não fôra esta grande misericórdiade Deus,
eu estaria perdido païa sempre.

r48
rc

D. Bosco, erguendoa destra, deu-lhe a absolvição.Rece-


beu-a o jovem com grande recolhimentoe na atitude da mais
profunda gratidão. O santo abriu a porta e disse aos que espe-
ravam do lado de fora:
- Podem entrar.
Entraram.. . e l,ançaramum grito de surprêsae de terror.
O morto estava sentadona cama. Parentese amigos caíram de
joelhos,mudos de assombro.
D. Bosco inclinou-see disse ao ouvido do jovem:
- Carlito, agora que estás na graça de Deus, que é que
desejas:viver ou morrer?
- Padre, respondeuo rapaz, quero morrer.
Enquanto o santo lhe dava a bênção,Carlito deixava cair a
cabeça sôbre o travesseiro,juntava as ,mãossôbre o peito, fe-
chava os olhos e. . . morria.
r
i'
i

I
139. I

OFILÓSOFOEOBARQUEIRO
F

Um barqueiro transportavaum filósofo em sua barca. È


Durante a trave^sia,disse o filósofo ao barqueiro:
- Então, meu'-velho,você sabe alguma coisa?
- Eu? Sei remar e nadar. L
- Não sabe filosofia? I
- Nunca ouvi talar disso.
- Não sabe astronomia?
- Não, senhor.
- Não conhece a gramãtica?
- Também não, senhor.
E assim foi o filósofo perguntandomuitas coisase o bar-
queiro respondendo: i
I

- Não sei nada disso. ;i


- Pois, assim, você perdeu a metade da vida, acrescentou
o filósofo.
Nisso, distraídos pela conversa,deram contra um rochedo,
partiu-se a barca e os dois naufragaram.. . O barqueiro, frã-
dando, alcançoua margem; ao passo que o filósofo se afo-
gava. O barqueiro,malicioso,gritou-lhe:
- Senhor filósofo. não sabe nadar?
- Não.

t49
L r
- Ah! não sabe? Então o sr. é um infeliz; perdeu a vida
inteira. Suas astronomiase filosofiasnão lhe servem para nada.
Isto mesmo se pode dizer dos que sabem tudo dêste mun-
do, menos a doutrina cristã, pois: A ciência mais apreciadaé
que o homembem acabe:porque,no fim da jornada,aquêleque
se salva sabe, e o que nã,o,nã,osabe nada.

139.
OSOLDADOEOÕVO
A pessoa que sabe sofrer com paciênciaé semelhantea
um anjo.
_ Conta Spirago QUe, num hospital servido por Irmãs de
Caridade,achava-seum soldado em tratamento.Certo dia pe-
diu lhe trouxessenrum ôvo cozido. Poucos instantesapós uma
claslrmãs serviaao enfêrmoo ôvo coziclo;mas aquêleindivíduo,
querendo,ão que parece,provar a paciênciada religiosa,re-
j e i t o u o ô v o b r u s c a m e n t ed,i z e n d o :
- Está duro demais.
Retirou-sea Irmã em silêncioe, depois cle alguns minutos,
trouxe outro ôvo; mas o doenterejeiton-ode novo, alegando:
- Está mole demais.
sem mostrar o menor indício de imp .ciência,foi a lrmã,
pela terceiravez, à copa e trouxe ao soldad'oLlm vaso com água
ferventee um ôvo fresco e disse-lhecom tôda calma:
- Aqui tem o senhor tudo que é necessário;prepare o
ôvo do moclo que lhe agradar.
Essa paciênciainalterávelda boa Religiosacausouao sol-
daclo tal impressão,que não pôde deixar de exclamar:
- Agora compreend6que há um Deus no céu, uma vez
que há tais anjos na terra.
Por aí se vê que pela paciênciase pocle lazer um grande
bem ao próximo.

140.
POR QUE DEVO SOFRER TANTO?
s. Pedro Mártir (ï 1252), da ordem Dominicana,teve de
sofrer incríveis calúniase perseguições,
sendo êle, afinal, ino-
centee santo.Ajoelhouum dia aos pés do Crucifixoe queixou-se
a Nosso Senhorde seus sofrimentos:

150\.
k€

- Senhor,qlle mal tiz eu para sofrer tanto? j

Enquantoassim se lamentavaouviu o Santo, colllo vindas


da Cruz, estaspalavras: -+
- E que mal tiz eu pata sofrer tanto na cruz? Teus so- ,'1i

frirnentosnão se podent compararcom os meus. Suporta-ospor


isso com paciência.
Estas palavras deram ânimo ao Santo. Daí em diante,
quando tinha de sofrer, olhava païa o Crucifixo, lembrando-se
mais do que êle.
qlle o Filho de Deus teve de sofrer imensamente

l4l.
A CONFIANÇA RECOMPENSADA

O imperador Napoleão I entrou, certa vez, num restau-


rante de Paris, acompanhadocle seu ajutlante Dttroc. Ali nin-
guém os conhecia.Depois de haveretntomado a sua refeição,
e apresentadaa conta de 14 francos, aconteccuque nenhttm
clêlestinha dinheiroconsigo.
O imperadorestavaincógnitoe não queria dar-se a conhe-
pe-
cer. Seu ajuclanteDuroc, dirigindo-seà dona do restattrante,
cliu-lheque tivessepaciênciade esperaruma hora e o pagamento
seria feito pontual',€Íìte.A dona, porém, uma velha muito se-
gura, nã,oconcordou;pelo contrário,ameaçou-oscom a polícia
se não pagassemimediatamente.
A coisa ia ficando feia, quando o garçon, interessairdo-se
pelos hóspedes,disseà patroa:
- Êstes senhoresfazem-meboa impressão;náo devem ser iÌ
Ì
t

gente mâ. Pagarei por êles os 14 francos.Se me enganar,per- :1


.A
derei eu o dinheiro e não a senhora; ntas peço-lheque deixe t:r

i
lr
os homensem paz. i

Em seguidapagou a conta. Os dois senhoresagradeceram ï


e logo se retiraram.
,-l

Passadauma hora, ou pouco tnais, aparecede novo o aju- n- !


dante do imperadore, dirigindo-seà dona, pergunta: {
- Dona, quantovale êste seu restaurante?
- Em todo caso mais que 14 francos, respondeuela um
tanto agastada.
Mas o senhorinsiste:
- Diga sèriamente:quanto quer por êste seit restattrante?
- Bem; 30.000 francos e nem um cêntimopor menos.

151
Puxando a sua carteira, pagou-lhe Duroc aquela soma e
disse:
- Por ordem de meu âÍï1ofaço presentedêste
restaurante
ao garçon em reconhecimentopela confiança que depositoú
em nós.
Admirada,perguntoua velha:
- E quem era aquêle seu companheiro?
- E' o imperadorNapoleão.. .
se assim recompensaum homem a confiançanêle deposi-
tada, como não recompensaráo bom Deus a que nêle deposi-
t a r m o s ?. .

142.
VOCÊ TEM RAZÃO
Havia um senhor rico à moderna,que não queria saber de
religião,nem de igreja, nem de preceitopascal,n.m de oração.
com êle vivia, hâ muitos anos, um ótimo criado, piedóso,
fiel e que ihe queria muito bem. Êsse criado,valendo-seda con-
fiança que lhe dava o patráo, dizia-lhe às vêzes:
- Mas, senhor patrão, pense também um pouco
em Deus
e em sua alma.
- Fique traqüilo, respondia-rhe o patri;.veja: ou eu sou
predestinadoe entãome salvareida mesmaforma sem ir à igreja
receberos sacramentos e rezar; ou não sou predestinado, . .ìtão,
faça eu o bem que ïizer, me condenareidó mesmomodo.
AconteceuQUC,um clia, aquêlesenhorcaiu doente.chamou
logo o servo fiel e disse-lhe:
- Vâ chamar o médico para mim.
o criado ouviu, mas não foi. chegada a tarde sem que o
médico aparecesse, perguntouo enfêrmõ:
- Você não chamou o médico?
- Escute, senhor patrão; eu pensei assim:
ou Deus des-
tinou que meu patrão sare, e então sararâtambém sem médico;
ou destinouque morra, e então, mesmo com todos os médicos
clo mundo, morrerá, igualmente; por isso é inútil chamar o
médico.
- você é um bôbo, um imbecil! gritou o patrão,
furioso.
Deus não quer ïazer milagres sem motúo, quer que empregue-
mos os meios que estabeleceu. Em caso de doençãquer que se
c h a m eo m é d i c o ;e v o c ê v á c o r r e n d oc h a m á - l o .o u v i u ? . . . ^

t52 .
-*",.

- Sim; sim, senhor;vou iá: tlas, pur que o senhoÍ patrão


não raciocinado mesmomodo quandose trata de sua aima?.. .
A observaçãoera acertadae o patrão teve de responder:
- Você tem razã,o!

143.
O PRESENTEDE NATAL
Conta o acadêmicofrancês J. Marmier QU€,n,a manhá de
Natal, Bertinha, filha do porteiro, entregou-lheseus jornais e
cartas. Tinha na mão uma moeda de prata novinha de cinco
-'
francos e disse-lhe: '.q

Olha o que o Menino me encarregoude te dar. 'Ì:


' Olha a meninacom olhosJesus
grandesaquelamoedae cxclama: rr
- Como é bom o Menino
Jesus!
- Sim, êle queria pôr esta moeda em teus sapatinhosna i

chaminé,mas não os viu. \'


- Meus sapatinhos!E' possível?Lá estavam e de manhã, ':
lá encontreiuma bonecae uma laranja. . .
- Sim, mas como nesta noite de Natal tem
Jesus muito
que fazer e me conh-cebem, parou só um instantee disse: "lsto
é para a Bertinhâ".-
- Jesusinhosabe o meu nome?
- Como não? Sabe e deu-me essa moedinha para ti.
- Ah ! murmurou Bertinha iuntando as mãozinhas.terei
que lhe agradecermuito.
E subiu correndo escadaacima para mostrar à mamãe o
presenteque lhe mandarao Menino Jesus.
Se algum livre-pensadorlessepor acaso esta história,diria
provàvelmente que o acadêmicoe a Bertinha são dois idiotas, *çi
.j

mas. . . que talentosos,que sábios são os livre-pensadores


!
\.h
.3i

144.
'
o sAcRrFicro
PoRJESUS il

Um sacrifício disse a mãe seria, por exemplo,em ì*


lugar de gastar em brinquedosos cinco cruzeirosque te deu a
vovó pelo Natal, dá-los por amor de Jesusa algum menino po- :
bre que não tem o que comer nem o que vestir. Ì
+'

i'
153 " *ì
sÂ-
*
*
.. .\
ìc:. I


--------"-

O menino calou-se.Na manhã seguinte,porém, quando foi


abraçar a mamãe, disse-lhe:
- Mamãe, queÍo lazer um sacrifício pelo Menino Jesus,
Vou dar os cinco cruzeirosao pobrezinhoenfêrmoque um dia
dêstesfomos visitar.
Ao café pôs de lado o pão com manteiga.
- Não tens fome, filhinho?
- Guardo-o para 0 pobrezinho.
- Come, eu te darei outro para o pobrezinho.
- Não, não, mamãe! Não seria a mesma coisa; não seria
um sacrifíciopara 0 Menino Jesus.
Brotaram lágrimas dos olhos da ïeliz mãe. . .
3
i.,
h
:. 145.
s-. MAÇÃS E ROSAS DO CÉU
í_.
Ë No ano de 304, no maior furor da perseguiçãomovida poÍ
!àì -
Diocleciano,um,a virgem cristã, chamada Dorotéia, foi coudu-
zida ao tribunal do governadorde Cesaréia,na Capadócia.Co-
È.'"'.
mo nâo quis sacrificar aos deusese aos ídolos pagãos,a es-
éÍ'
! n pôsa cle Cristo teve de sofrer horrível mertírio. Tranqüila no
!Èì
meio dos tormentos,disse ao juiz
,i: - Apressa-tea fazer o que queres,e sejam os suplícioso
ç Ç-
9- caminhoque me leve ,ao celesteespôso.Amo-o e nada temo. De-
fk
I
!'
sejo os tormentos,pois são leves e passageiros,uma vez quc
* por êles chegamosàs deÌíciasdo paraíso,onde há frutos e flô-
-i
res de maravilhosaformosurae suavidade,que nunca murcham,
L
, fontes de águas vivas, onde os santosse desalteramna alegria
eterna de JesusCristo.
Ao ouvir estaspalavraso assessordo juiz, um letraclocha-
::
g : m a d o T e ó f i l o , d i n g i u - s e à S a n t a c a ç o a n d oe r i n d o :
,il- Envia-nte Íosas e maçãs do jardim de teu espôso do
paraíso quando lâ chegares.
- Sim, eu as enviarei,respondeua jovem.
Notemosquc se estavaem pleno inverno.
O verdugo apoclerou-seda virgent e cortott-lhe a cabeça.
Teófilo, chegandoem casa, contou a pilhéria aos amigos
entre zombariase sarcasmos.De repente,porém, apareceu-lhe
um menino de rara beleza, levando nas pregas de seu manto

t54
GTË* ---J '-rd

três magníficas maçãs e três rosas de cxtraordinâriafrescura


e fragrância.
- Eis aqui, disse, o que a virgenr Dorotéia prometeuen-
viar-lhe da parte de seu espôsodo céu.
Teótilo, estupefato,tomou as maçãs e as rosas e, contem-
plando-asum instante,exclamou:
- Verdadeiramente Jesus Cristo é Deus, o Deus que não
engana.
Fazendo esta confissão,Teófilo selava a sua sentençade
morte.
Algumas horas depois conduziam-noao suplício, tornan-
do-se mártir da mesma fé católica de que antes zombara.

146.
UM INSTINTO DIVINO

Há coisasque só Deus pode ensinaràs crianças.Elas tênt


às vêzes icléiasde anjos que espantamos grandes.Para cele-
trrar a primeira comunhãode seus filhinhos,costumamas mães
preparar lindos vestidos brancos que simbolizama alvura da
alma e completama testa interior do coração. Lindas flôres
enfeitamo dia da'-primeiracomunhão.A alma, entretanto,tem
lá suas flôres que ninguémvê nem suspeita.
Uma menina se preparava com admirável fervor pata re- ={
celrer Nosso Senhor,pela primeira vez, em seu coração.
Faltavam poucos dias para a solenidadee a mãe, julgan-
do causar alegria à filhinha, disse: - Amélia, venha experi-
nrentaro vestido branco.
Sôbre a mesa do quarto estavaestendidoum belíssimoves- 1,

ticlo de sêda branca. A mãe esperavauma explosãode alegria,


mas enganou-se.Vendo o vestido,Amélia parecia cobrir-se de
tristeza.
- Que é isso,Amélia? Não gosta do vesticlo? ..
- Ah ! mamãe, êle vai me distrair. Naquele clia quisera
ver só Jesus,pensar sòmentenêle e talar só com êle. Faça, ffiã-
mã,e,um vestido mais simples e serei feliz, como os pobrezi-
n h o s .. .
- Você é um anjo, dissea máe abraçando-a.Só Deus po-
de ter ensinadoa você essascoisas!
*-
tcc

t:
+_\rì

147.
BEIJARA MÃO DO PADRE

um grupo de alegres rapazescombinaram ïazer uma ex-


cursão. Iam bem dispostos,levando cada um a sua merenda,
quando se encontraramcom um padre modestoe bondoso.To-
dos beijaram a mão do ministro de Deus. Todos, nã,o,porque
dois, que pareciam ter idéias revolucionárias, Iogo depois ca-
çoaram dos companheiros e disseram:
- Vocês não passam de uns beatos.
- De modo nenhum, respondeuum dêles; bons cristãos,
isso sim. Por que beijam vocês as mãos de suas mães? porque
Ihes dão de cornere vestir, ou os curam quando é preciso,Ãão
é? Pois bem; nós beijamosa mão do sacerdotepotque com ela
nos reparteo pão da Eucaristia,nos abençoa,perdoa-nosos pe-
cados e dirige-nosno caminhodo céu.
- Bobagens ! responderamos mal educados.Isso era cos-
tume em tempos atrasados;hoje não se beija mais a mão cla
mãe e menosainda do padre.
- Vocês estão muito enganados.Se nãa beijam sua mãe,
nem são agradecidosao sacerdote,tambémnão merecemo nome
de homens,pois faltam-lhesos sentimentos t, 'manos.Temos que
respeitaros ministros de Deus, corllo a nossospais, porque real-
t
i;-
mente são pais de nossasalmas.
\: .i

l4g.
CASTIGO DO CÉU
A 18 de fevereirode 1881,numa sexta-feira,houve em Mô-
naco um escandaloso baile de máscaras.Muitos dos mascarados
ridicularizavamas vestessacerdotaise os hábitosreligiosos,fan-
tasiando-sede frades e de freiras,fingindo-semuito gordos com
enchimentosde estôpae lã.
Alguém imprudentementeusou de fogo para acender o ci-
garro, fogo êsse que pegou num dos vestidos e as chamas se
propagaram como um rastilho de pólvora. Doze daqueles sa_
crílegos mascaradosmorreram no meio do pânico, è os ou-
tros, sofrendodores horríveis,foram transportadosao hospital.
onde alguns vieram a falecere outros ficaram com as cicatrizes
das queimadurascomo lembrançado inteliz divertimento.

156
ft=:,r

Em presença desta horrível catástrofe,tôda a cidade ex-


clamou:
- Castigo! Foi castigo do céu!

149.
O RESPEITO DO IMPERADOR
No ano de 325, após três séculos de cruéis perseguições,
movidas pelos imperadorespagãos contra os discípulosde Je-
sus Cristo,puderamafinal reunir-seem Nicéia os bisposde todo
mundo, para celebraro primeiroConcílioecumênicoou universal
A êsseconcílioassistiramtrezentose quinze bispos e inú-
meros sacerdotes.A êle assistiu também o grande imperador
Constantino,que tizera cessara perseguiçãocontra a lgreja, con-
vertendo-seêle próprio ao catolicismo.
O imperador,cheio de respeitopara com os iiustresprela-
dos, quis ocupar o último lugar na augustaAssembléiae, além
disso,não se assentavaantes dos Bispos ou sem obter permissão
para isso.
Terminadoo grandiosoConcílio,perguntoualguém ao mo-
narca:
- Por que mostrava vossa majestadetanto respeito àque-
les homens?
- Meu amigo,'disseo imperador,o sacerdote,embora re-
vestido de uma dignidadedivina, é homem e pode pecaÍ; mas
nenhum de seus pecadosdeve diminuir o nosso respeito.Digo-
lhe mais: se visse um sacerdotepecar, em vez de publicar ou
divulgar o pecadodêle, cobriria o sacerdotecom meu manto irn-
perial paYasubtraí-loàs murmurações.
Aquêle imperador tinha razáo. o carâter sacerdotal é de-
um valor imenso, impressoembora, algumas vêzes, numa al-
ma fraca.

150.
V I V A C R I S T O R E I!
No México, não taz muitos anos, unt presidente,chamaclo
calles, perseguiucom furor não só os padres, mas também to-
dos os católicosmilitantes.Em setembrode lg27 os soldados
de Calles prenderamtrês jovens: José Valência, Nicolau Na-
varro e Salvador Vei'gas, porque laziam propaganda em favor
da religião.

t57
Depois de maltratá-losbrutalmente,conduziram-nos'a 3
cle janeiro cle 1928, para longe da cidade,e ali os espancaram
e ïeriram com cutelos.Repreendeu-os José Valência,dizendo:
- Sois uns perversos,martirizando-nosferozmente;Deus
vos perdoe!
E dirigindo-seaos companheiros,recordou-lhesque eram
catolicosrQU€ a verdadeira pâtria era o céu, para onde logo
partiriam.
E toclosos três gritaram: Viva Cristo Rei! Viva a Mãe cle
Deus! Furiosos,os cruéis soldadosoS espancaramcle novo e
cortaram-lhesa língua, dizendo:
- Vanrosver se agora falais e rezais!
Ao vo:ver-seo nrártir para seus compattheirospata mos-
trar-lhess céu, fuzilaram-noe em seguidacortaram-lhea cabeça.
Os outros dois companheirosimitaram o heroísurodo pri-
meiro.
Enr seguida aquela soldadescatomou os cadáverese, le-
Vando-osà ciclade,deixou-os no meio da praça, como Se ti-
vesse realizadouma grande façanha.
Acucliu logo uma multidão imensa de curiosos.Chatnaram
também a mãe do jovem mártir José Valência. A heróica se-
nhora, em vez cle chorar,olhos tixos no cétl exclamou:
- Senhor,bendigo-vospor terdes displrstoque eu fôsse e
mãe de um mártir!
E julganclo-seindigna de abraçar o corpo do filho, bei-
jou-lhe os pés devotamente.

"151.
QUE LHE PARECE?

certo dia, num convento,ttma jovem que cle-


Apresentoll-se,
nlas a
sejava seÍ rel;giosa.Parecia ter muito boas clisposições,
Supcriora, querendo experimentar-lhe a vocação, percorreuCom
ela as dependências da casa, e foi dizendo:
- Esta é a nossa capela.Aqui moÍa o Dono da casa: é
o
Jesus.o qlle Êle ntanda se laz; o que Êle proíbe, se deixa;
que não pecle,se adivinha.
Rezaram ali unÌ instante e, continuandoa visita, disse a
Superiora:

r5B
=

- Aqui é a sala de jantar: tudo pobre. Sendoassim,neste


refeitório não se prova nenhum manjar delicado,entende?
- Sim, senhora,respondea jovem.
- Esta é a sala de trabalhos;como sabe, tôdas as reli-
giosasvivem trabalhandoe rezando;descanso,só no céu.
Passarama outro corredore a Superioraindicou uma cela
à j o v e m ,d i z e n d o :
Êste será o seu quarto; é limpo, mas pobre, até na mo-
bília. Será a sua morada para tôda a vida: aqui você ïarâ pe-
nitênciapor seus pecadose pelos pecadosdo mundo, ouviu?
- Sim. senhora.
Saíram païa fora cla casa, andaramalguns passose:
- Olhe, disse a Superiora,neste hôrto, quando você fa-
lecer, será enterrada,sem nenhuma pompa, aos pés claquele
grande Cristo.
A jovem, sem dizer palavra, contemplavaa bela imagem
de JesusCrucificado.. .
- Q u e l h e p a r e c e ?T e m m ê d o ? . .
- Não, madre, respottdeu.Está tudo bem. Não tenho mê-
do, não; porque na capela,na sala de trabalhos,no refeitório,
na cela, no jardim e em tôda parte vi o Crucifixo; êle me darát
fôrças païa sofrer. Se tanto padeceuJesus por minr, por que
não hei de padecer, m pouco por êle? i*
E a jovem foi ateita. E tornou-sesanta.
t
t;
l

152. l.
i

H E R O Í S M OD E U M A N C I Ã O

S. Policarpo,uffi dos grandesheróis da Igreja Catolica,era ï


bispo de Esmirna e discípulo de S. João Evangelista.Foi um
clia detido por um piquêtede soldados,aos quais recebeue tra-
tou com rnuita caridade,convidando-osa se assentarenr à sue
I
I
lnesa para a ceia.
Pediu-lhes clepois lhe dessem tempo para encomendar
a Deus a Igreja e seus perseguidores. Feita a sua oração,pôs-
se a caminho com os soldados,QUe o maltrataramcruelmente
durante tôcla a viagern,pagando com violênciasos benetícios
que lhes fizera o santo bispo.
Conduzidoà presençado governador,quis êste convencê-lo
que era melhor sacrificaraos deusese salvar a vida do que dei-
xar-se martirizar.Falou-lheassim:

159
ã,

- Venerávelancião,amaldiçoaa Cristo e eu te porei em


.-: liberdade.
- Faz oitenta anos que sirvo a
JesusCristo e dêle só te-
nho recebido favores e benefícios;por gu€, pois, haveria de
s
g
arnaldiçoá-lo?
É - Se as feras não te dilacerar insistiu o governadoí
t'!' - serásqueimadovivo.
- Bem se vê que desconheceis o fogo eterno do inferno, e
por isso me ameaça:scom o tormento do fogo terreno e pas-
sageiro.
Condenadoà fogueira,o fogo, em vez de queirnâ-lo, formou
uma como grinalda ao redor dêle, não lhe causandoo menor
riaao.
Atravessaram-noentão conl a espada e, assim, terminorr
gloriosamentea sua vida terrena o heróico confessorde Jesus
Cristo e defensorintemeratoda Santa Igreja.

153.
SÃOCARLOSEAEPIDEMIA

.: tr
Em 1576 pfopagou-sea peste na cidale de Milão (ltália)
com fôrça e velocidadeaterradoras.As mçrtes eram contínuas.
s. carlos Borromeu, zelosíssimoarcebispodaquela infeliz
cidade, nã,o encontravapessoasque quisessemcuidar dos em-
pestados,nem sacerdotes que sacramentassem os agonizantes.
A angústiado Santo era grande; não podia ver aquela ca-
lanidade; precisavaremediá-la.Ia, êle mesmo,de casa em casa,
visitava e socorria os enfermos,começandopelos mais graves.
Saía, depois,à janela das casase, com vozes que cortavantos
corações,convidavatanto a sacerdotescomo a secularesa que
o ajudassemnaquelaobra de caridade.
Ante aquêle formoso exemplo do santo Arcebispo,muitos
cidadãosse sentiram impelidosa socorrer os empestados.Até
os sacerdotes,que haviam fugido, voltai:ampara sacramentar
os moribundos,sendo coadjuvadospor outros vindos do es-
trangeiro.
Naquelaterrível epidemia,gue durou ano e meio, perderam
a vida dois jesuítas,dois barnabitas,quatro frades capuchinhos
e centoe vinte sacerdotesseculares.

160
.\
lls;,:.-
'',
.

Assim sacrificarama sua vida corporal aquêleszelososmi-


nistros de Deus para a salvaçãoeteÍna das almas, muitas das
quais, sem os auxíliosda religião e sem os santossacramentos,
se teriam precipitadono inferno eternamente.
Para aplacat a cólera divina, organizou S. Carlos grandes
procissõesde penitência,sendo êle o primeiro a tomar parte
nelas. caminhandoa pé e descalçoe dirigindo ao céu fervoro-
sas preces.

154.
NÃO QUERO QUEBRAR O JEJUM

S. Frutuoso,bispo que era de Tarragona,na Espanha,foi


encarceradopor certo governador romano chamado Emiliano.
Condenadoa morrer queimadoa fogo lento, achava-seao pé da
fogueira quando, alguns cristãos,compadecldos, lhe ofereceram
de comer para que não desïalecesse.
- Não, disse o confessorda fé, não quero quebrar o je-
junr; assim chegareiao céu mais depressa.
Todos ficaranr muito edificados com tal exemplo de ficle-
lidade às leis da Santa lgreja.

155.
CORTEM-LHE A CABEÇA

Conta-se que Teodorico,famoso prínc;pe ariano, tinha a


seu serviço um católico, a quent estimava nruito, a ponto de
nomeá-loseu ministro. Êsse indivíduo,querendomerecerainda
mais as graçasdo príncipe,renunciouà Lelig:ãocatólicae abra-
çou a ariana, qlle era uma perigosaheresia.
Ao ter notícia dessa resoluçãodo seu ministro, dirigindo-
se aos seusdois guardas,disse-lheSo príncipe:
__ Cortem-lhea cabeça!
Estranhandoos guardas aquela ordem, acrescentouTeo-
clorico:
Cortem-lhea cabeçaporque, se êste homem é infiel a
Deus, não deixará de ser infiel a mim, que não passo de um
puro homem.
E o ministro, que esperavagrandes favores à custa de sua
religião,foi imediatamente decapitado.
Tesour"'I - 11 161
;.
t:!
-'t
{
I

156.
OSSANTOSEACARIDADE
a) S. Pedro Nolasco,filho de uma nobre família da Pro-
vença,era devotíssimode Nossa Senhora.Em conseqüência de
uma visão que tivera êle, S. Raimundo o e rei Jaime I, tun-
daram uma Ordem (de Nossa Senhoradas Mercês) para remir
oS cristãos cativos dos mouros. Os religiososcomprometer-se-
iam, se necessáriofôsse,a resgataros cristãosà custa da pró-
pria liberdade.
S . P e d r o f o i o p r i n t e i r oa d a r o e x e n r p l o... V e n d e ut u d o
quanto possuía,viveu paupérrimo,conìo bom religioso,e certa
vez, que pregava na Africa, ficou como refénl paÍa libertar al-
guns cativos.Sofreu inúmerose indizíveismartírios dos mouros
naquelasterras de bárbaros.
Recuperou, por fim, a liberdade,vincloa faleceraos sessenta
e nove anos de idade, numa noite de Natal.
Seu corpo exalava um suave odor que encheu todo o con-
vento, e seu rosto apresentavaum resplendorceleste:eram o
odor e o resplendorda santidade.

b) S. Pedro Claver foi, como todos q santos,um perfeito


imitador de Jesus Cristo.. . Não se dedicou, como S. Pedro
Nolasco, a remir os cativos, mas passou tôda a sua vida no
meio dos escravosnegros.Nascido em Verdú, perto de Lérida,
lëz sua carreira eclesiásticaem Barcelona.Aos vinte e um allos
entrou na Companhia de Jesus,e logo embarcou para a Amé-
rica, onde aguardayaa chegada das naus carregadasde escra-
vos negros. Explicava a doutrina cristã àqueles pobrezinhos,
curava os enfermose purgava-lhesas chagas, chegandoa bei-
já-las por mortificaçãoe amor de JesusCristo.
Conseguiudesta forma convertera muitos milhares de es-
cravos.E como se lhe mostravamgratos todos aquêlesque por
seu ministériose viam livres das enfermidadesdo corpo e da
ignorânciareligiosa!
Assim entendiame praticavamos santoso verdadeiroamor
ao próximo.

t62

fu.*.*
F

157.
. . .SAIU TOSQUIADO!

Um senhor,que gostava de festas farniliares,convidou seus


parentese amigos paÍa uma testa de família.
No meio dos convidadosapareceutambém um môço dêsses
que querem,nessasocasiões,passarpor engraçados.
Quando o dono da casa se pôs a ïazer as oraçõesda mesa,
o rapaz negou-sea rez.ar alegando ser ateu, isto é,, não crer
em Deus.
Todos reprovaram tal procedimento.Vendo-se contrariado
e meio envergonhado,disse:
De maneira que o único que nesta casa náo crê em
Deus sou eu? E deu uma grande gargalhada:ah! ah! ah!
Uma senhora,que estavaassentacla ao lado dêle, replicou:
- Não se ria tanto, môço: nesta casa, além do senhor,há
dois gatos e um cachorro que também nã,o crêem em Deus.
Mas, coÍÌro não têm entendimentonem sabem talat, não podem
dizer que pensamcomo o senhor.. .
F o i b u s c a rl á e . . .

158'
I castr.uE-ME!...
Chegou a uma vila uma professôraque náo cria em Deus.
E querendocorromper as alunas, disse-lhes:
Vamos ao ditado; escrevei!E ditou-lhesdespudorada-
mente:
- Não existe Deus; os que crêemnêle são uns bobos,aos
quais se deveriampôr orelhasde burro.
Ao recolhere corrigir os ditados viu que uma menina es-
crevera:
- Eu creio que existe Deus.
- Por que escrevesteisto, senhorita?Olha que te cas-
tigarei.
- Minha mãe - disse a menina- ensinou-meque existe
Deus, e acrescentouque é preferível deixar-se matar a ofender
a Deus, nosso Criador. Se a senhoraquiser castigar-me,casti-
gue-me; Deus e minha rnãe estarãocontentescomigo.
Comoveu-sea professôradiante daquelaspalavras pronun-
ciadas por sua alunazinha,e mais tarde converteu-se.

11. 163
159.
NA MINHA FÁBRICA NÃO SE TRABALHARÁ
Um comerciantetinha em sua fábrica centenasde operá-
rios, cujo trabalho devia ser contínuoe a suspensãodo mesmo
nos dias festivosimportava na perda de grandeslttcros.Apre-
scntou-scao bisptr e perguntouse podia considerarrazã'osu-
Ìiciente para trabalhaÍ ent dias festivosa considerávelperda que
sofria, e em consciênciapedia-lhelicençapara trabalhar depois
que os operáriostivessemouv:do ntissa.O bispo disse-lheque
escrevesse ao Papa. Êle'o ïêz e a respostafavorávelfoi enviada
ao próprio bispo, que toi encarregadode comunicá-laao co-
merciante.Cham.r-ru-o e disse-lhe:
- O Papa outorgou-vosa dispensasolicitada;mas o vosso
exemplo hâ de influir nos outros, os quais nunca entenderão
suficientemente o motivo da dispensa,pois o público não racio-
cina e só verá um favor concedidoa um rico. Vêde se quereis
tomar sôbrevós essaresponsabilidade e Se na hora da morte não
tereis de arrepender-vosde haver dado motivo para que outros
faltassemcontra a lei de Deus.
Está bem, senhor bispo; na minha fábrica náo se tra-
balharâ em nenhum dia de festa. Prefiro perder bom dinheiro a
aÍcar com tanta responsabilidade.

160.
CONTA UM MISSIONÁRIO

Foi chantado para assistir um velho moribundo que vivia


numa casinhaperdida numa vasta planície.Levou consigoo ne-
cessáriopara celebrara missa.Tratava-sede um senhorde ori-
gem francesaque há quarentaanos vivia na região de Filadélfia
e tazia vinte anos que não vira mais um padre. O missionário
atendeuao enfêrmo,celebroua ntissa païa dar-lhe a comunhão
e, terminadaa ação de graças,perguntouao doente:
Que prática especialïêz o senhor durante a sua vida
pafa merecera assistênciade Deus ttos seus derradeirosins-"
tantes?
O velho pensouum pouco e disse:
- O único bem que fiz foi caminhartodos os sábadosses-
comungare Ouvir
senta quilômetrospara ir à vila confessar-me,
a missa no domingo. Isto tiz sempre até que meus incômodos
mo impediram.

t64
ga!.Ë,t;i,..

Foi isso precisamente


que lhe mereceua graça de receber
os últimos sacramentos.

161.
COMO ÊLE MEDITAVA NA MORTE

S. Efrém ia freqüentemente, à tardinha, meditar junto às


sepulturas.Triste e pensativoia de túmulo em túmulo, lendo
as inscriçõese nomes dos defuntos: príncipesda cidade, ma-
gistrados da província, ricos senhores,sábios admirados pelo
mundo. . . As vêzes o Santo chamava-osem voz alta por seus
nomes: ninguémlhe respondia.Onde estão aquelassoberbasfi-
guras de homense de muiheresaos quais todos se sujeitavam?
Aquelaslínguas que só falavam de seus próprios méritos e dos
defeitosalheios?Onde estão? Onde estão aquêlesouvidos que
só queriam ouvir seus próprios louvoies?
Tudo se tornou pó e cinza. Lembra-te,ó homem soberbo,
que és pó! Então S. Efrém voltava para casa mais humilde e
mais paciente.

162.
G MUI\DO PERVERTE.

S. Gabriel da Virgem Dolorosa,depoisde passara primei-


ra juventudeentre as lisonjasdo mundo, refugiou-sena religião
e nos primeirosdias de convento,pensandoem seu amigo Fi-
lipe Giovanetti, que eÍa estudanteno liceu de Espoleto, e te-
mendo por êle, que se encontravaem muitas tentaçõesde pe-
cado, escreveu-lheassim: "Tens razã.ode dizer que o mundo
está cheio de perigos e tropeçose que é coisa muito difícil po-
der s.alvarnossa única alma; não devespor isso desanimar.De-
sejasa tua salvação?Foge dos maus companheiros. Desejasa tua
salvação?Foge dos teatros. Oh! é verdade,e eu sei por ex-
periênciaque é impossívelentrar nêles conl a graça de Deus e
sair sem a ter perdido ou pôsto em perigo. Desejasa tua sal-
vaçáo? Foge das diversões,porque naqueles lugares tudo se
conjura contra a nossa alma. Foge enlim dos maus livros, pois
é indizível o mal que êles podem causar aos coraçõesde todos
e especialmente dos jovens. Dize-me: podia ter eu maiores di-
versõese prazeresdo que gozei no mundo? Pois bem: que me
resta agora?Confesso-oa ti: Não me restamsenãoamarguras".

165
-

163.
QUERIA MORRER MÁRTIR
O pequenoOrígenestinha uma alma ardente e pura. Na-
quele havia perseguiçõescontra os cristãos. Bem o sa-
"tempo
bia o menino, e não tinha mêdo, antes tinha grande desejo do
martírio para testemunharcom a vida e o sangue seu amoÍ a
Jesus Cristo. Resolverasecretamenteentregar-senas mãos dos
verdugos e teria morrido mártir se a astúcia de sua mãe não
tivesseconseguidoimpedi-lo.Aquela santa mulher compreendera
o propósitodo filho e, antes que êste despertasse naquelama-
nhã, perigosa, escondeu-lheos vestidos e obrigou-o a ficar na
cama (Eusébio,Hist. Eclesiástica).
Como é possível que um menino tivesse tanta coragem,
tanta fé e tanto entusiasmoa ponto de desejar a morte? Era
possível,porque seu pai, o beato Leônidas,também morrera co-
mo mârtir.
Aí está, prezados pais, vossos filhos crescerãosegundo os
vossos exemplos.Vós os quereis obedientes:obedeceitambém
vós a Deus. Vós os quereisreligiosos,puros, honrados,traba-
lhadores: freqüentai também vós os sacramentose exercitai-
vos nas virtudescristãs.
' a

164.
AMOR AOS ENFERMOS

os missionárioscatólicos não encontramcampo mais difí-


cil de conquistarpara a fé do que entre os maometanos. euan-
tas experiênciasnão terminaramem sangue?! Escolheram,en-
tão, o método de praticar a caridadeantes de a ensinar.Ante
os missionários,que curam os enfermose protegemos infelizes,
também o orgulho muçulmans se dobra. rrmã Rosália, filha da
caridade,trabalhavanum dispensário.Para extrair os dentesda-
quelespobrezinhos,era mister primeiro vencer o horror às pin-
ças, e a lrmã, usava das mais carinhosasexpressõesárabes: Co-
ragem, meu coração,minha alma, meus olhos! E a pobre mu-
lher, depois de curada, retira-se dizendo: Que Alá cqnserve
s u a sm ã o s !
Alguns muçulmanos,que esperavamseu turno, diziam: "Se
todos os infiéis (chamam assim aos cristãos) vão para o in-
ferno, para lrmã Rosália far-se-á uma exceção,'.

166

Ê*;:....-
RT '.ã-l

Quando, em Damasco, a religiosa cuidava de um doente,


êste lhe disse: "Estou reduzido à última miséria; tenho espôsa
e filhos e nenhum dos meus pensa em consolar-me.Tü, que
és estrangeira,vens à minha pobre casa para me socorrer; tua
religiãoé melhordo que a minha".
Assistindoa uma jovem muçulmana,Irmã Rosália deu-lhe
uma medalha de Nossa Senhora que a enfêrm.abeijou e pôs
ao pescoço.A Irmã criou corageme apresentou-lhe um Cruci-
fixo. E' coisa inaudita para um muçulmanobeijar o Crucifixo.. .
entretantoa jovem o beijou; e os parentese amigos não só não
o impediram,como até o aprovaram.
Oh! quanto bem se pode fazer, tratando os doentes com
amor, com verdadeira caridade cristã.

ì
t'

165.
T E N S O N O M E D E C R I S T Ã O .. .
'*

O pobre "rei de Qoma", o pálido filho de NapoleãoI, teve
que passar na Austria os poucos anos de sua juventude.Fo-
ram dias dolorosospara êle. O ministroMetternich,quandoque- -t
ria mortificá-lo,dizia-lhe que não tinha nada de seu Pai, nada
que o fizessecapaz-Je governar."Tens o chapéu,mas não tens
a cabeçade teu pai". A quantos que se dizem cristãosse pode-
ria repetir o mesmo reproche: "Tens o nome, mas náo o cora-
ção de JesusCristo".
Por quê? Porque não ajudas o teu próximo nem te com-
padecesdêle.

166.
O QUE FALTAVA ERA A HUMILDADE

Serapião, o famoso Santo do deserto, recebeu um dia a


visita de certo monge que contìnuamente se dizia pecador,e pe-
dia-lhe conselhosde perfeição.O Santo, depois de havê-lo feito
assentar-seà sua mesa, permitiu-sefazer-lhealgumas observa-
ções paÍa o bem de sua alma. "Filho, - disse-lhecom grande
mansidãoe caridade estás no reto caminho,mas se queres
progredir na perfeição,não andes demaispor aqui e acolá; fica
em tua cela, atendeà oração, ao trabalho,ao recolhimentoin-
terior, do contrârio, , ,"

t67
f

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al
È,'
i:.
àtl
:i
Não pôde nem acabar a frase, porque o Ínonge ficou pâ-
lido, agitado e gritava como um possesso."lrmão meu, disse
Serapião,o que te falta é a humildade".
Vá alguém ï,azera mesma correçãoa uma senhora,a uma
l:
jovem, e diga-lhe: Criatura de Deus, estássemprefora de casa,
i::

a.
de manhã,,de tarde e à noite, gastando horas inteiras sem fa-
zer nada, proseandoinütilmente.. . Vereis que tempo-quente
!. . .
.1.

:-:-

È: 167.
B E T J O UA M Ã O D E S Ã O D O M T N G O S
L.:
t . .

Um homem entreguea todos os vícios e atormentadopelo


demônio,ouvindo d;zer que S. Domingos estava em Bolonha,
foi vê-lo, assistiuà missa que o Santo celebroue depoiscorreu
a beijar-lhea mão.
Apenas deu o respeitosoósculo, experimentouum tal per-
fume, que lhe parecia.fôssedo céu, e como jamais experimentara
em tôda a sua vida.
O mais maravtlhosoé que, imediatamente, se lhe apagou o
fogo da luxúria e êle se converteua uma vida sinceramente cristã.
Era o efeito da palavra de Cristo: "lrle e mostrai-vosaos
s a c e r d o t e s("L c 1 7 , I 1 ) . ',
cristãos! quandoas tentaçõesvos assaltarem;quandoo de-
mônio conseguir escravizara vossa alma, apresentai-vosao sa-
cerdote para ouvir a santa missa ou, melhor, para vos confes*,
sardes.Também vós, como o pecadorde Bolonha,experimenta-
reis um perfume celestial,que é o odor da graça divina.

169.
AQUÊLEFUSOFLORESCEU

conta-se que uma sanfa, a virgem Libéria, fiava todos os


dias por amor de Deus e dos pobres,e eis que, de repente,em
seu f uso f loresceramperfumadasf lôres como nunca se viranr
em parte alguma do mundo.
oh ! s€, como nos aconselhas. Paulo, f izéssemostudo por
amor de Deus, os Anjos veriam floresceros instrumentosde nos-
so trabalho: a enxada do lavrador, o malho do ferreiro, a te-
soura da costureira,a vassourada criada, a panela da cozi-
nheira, a pena do escritor!

Í68
\
,,--ï
\q
\\r.
\
169' , r\
sóFocLESE 'EUS FrLHos
Um dos grandespoetas da Grécia e do tttundo,Sófocles,
foi denunciadocomo louco por seus próprios filhos, que antes
do tempo pretendiama herança paterna. O processofoi inte-
ressantíssimoe muita gente acudiu ao tribunal. Por unl lado o
velho poeta estava tranqüilo e por outro seus desnaturadose
rebeldesfilhos se esforçavampor demonstrara demênciado paì. \
\'
Quando se calaram,reinou um profundo silêncioe todos tica-
ram na expectativa.Então Sófoclespuxou de sob a toga a sua I
última tragédia e declamou-acliante dos acusadores,juízes e
povo. Quando terminou,todos o aplaudiramtrenèticamente e pe-
diram que o glorioso ancião fôsse coroado com coroa de louro,
enquanto seus indignos filhos, humilhados,correram a escon-
der-se.
Para defender-se das acusações e calúniasde seusfilhos re-
beldes não tem a lgreja necessidadesenão de apresentarsell
Evangelhoe suas obras.

170. ^
- ZOMBAVAM DE NOÉ

Eram tantos os pecadosdo mundo que um dia Deus se


arrependeude ter criado o homem. Chamou a Noé, que era
justo, e ordenou-lheconstruísseum grande navio: a arca. Cen-
to e vinte anos levou êle na construção.S. João Crisóstomodes-
creve as zombariasque os homenscorrompidosdirigiam a Noé.
Diziam: Caduco! ó velho caduco! ó falso profeta! não vês, co-
mo o céu está limpo e sereno,enquantotu ameaçascom o di-
lúvio? Noé, porém, continua,martelandosem descanso.E aquê-
les homensdiziam: Todos anseiampelo ar livre e o céu espaçoso
e êste está a fazer uma casa de madeirapara meter-sevivo nela
com sua família, com seus bens e com os animais! . . . Noé ter-
mina a arca e entra. E aquelagente mâ andaao redor assoblando
e escarnecendo. Mas depois de sete dias as cataratasdo cétr
abrem-secom estrondo,todos os rios transbordame as ondas
do mar inundama terra. Todos pereceramno dilúvio universal;
mas a arca flutuava sôbre as águas e Noé louvava a Deus.
Nossavida na terra é como a arca de Noé. Tôda boa obra, gü0

169
praticamos, é motivo de zombaria e de perseguiçõesda parte
dos inimigos de Deus. Não recuemos,nã.o nos envergonhemos
do Evangelho,não nos deixemosvencer pelo respeito humano-

17l.
FASCINADO PELO DINHEIRO

Num domingo, em Nova-York, um excêntrico milionário


chamou um de seus empregadose disse-lhe:"Sôbre esta mesa
há um milhão de notas de um dólar. Tudo é teu, se conseguires
contá-lasaté meia-noite.Olha, são seis horas da manhã". O em-
pregado ficou por uns instantesatordoado diante daquela mesa
coberta de notas. Em seguida,com mão febril começoua con-
t a r : u f f i , d o i s , d e z , c e m . . . u m p a c o t e ,d o i s p a c o t e s . . . e q u a s c
que nem respirava.Está ali com a cabeçareclinada,o olhar fi-
Xo, o corpo imóvel.. . só as mãos se agitam, e vão e vêm rà-
pidamentecom a regularidadede uma máquina.Os sinos tocam
para a santa missa, chamandoo povo. Êle, debruçadosôbre o
dinheiro, não ouve nada. Passamas horas.. . é meio-dia.Deve
sentir fome, mas nem pensaem comer.Conta e conta.. . Entra
o sol. Onde estarãoseus filhos? terão o cÌr€ comer? Chega a
noite.. . as ruas estão desertas.. . a habitaçãocheia de silên-
cio e de sombras.Um criado acendea luz e leva-lhe um copo
de vinho. O contador nem o percebe.Os olhos já estão pesados,
os nervosretraem-Se, os músculosdas mãos entorpecem. . . Está
próxima a meia-noite.Êle, conta e conta sempre.Diante dêle, o
milionário que o contemplacom frieza e de repentetoma-lhe as
mãos e grita: "Basta! é meia-noite".O infeliz não tinha chegado
nem à metade de sua faina. Dilata horrìvelmenteos olhos sem
luz e um ataque cardíaco o acometee êle cai morto.
Pobre louco que se deixaraalucinare seduzirpelo ouro! Em
lugar do que esperava,. só encontroudesenganose a morte. Dês-
tes loucoshá por aí inúmeros.Para a igreja, para a missa,para
a alma, não há tempo: devem ganhar dinheiro! Até que vem o
d e m ô n i oe d i z : " B a s t a ! "

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172.

A VOZ DO SANGUE CRISTÃO

O sanguedos mártires dâ testemunhoda verdadecatólica.


Não foram raros os episódioscomo o seguinte:
Nas catacumbas,no dia de Páscoa,muitíssimoscristãoses-
tavam reunidose assistiamà missa do PontíficeCaio. Durante
a elevaçãoda hóstia, enquanto o povo a adorava, ouviram'se
gritos: "Morte aos Cristãos!"Eram gritos dos beleguinsde Dio-
cleciano'queali penetrarampor traição.Sem se mover do lugar,
a multidão continuouadorandoa Cristo na Eucaristia.Os sol-
dados com suas espadasiam ferindo à direita e à esquerda.
"Filhos caríssimo exclamouo PontíficeCaio - Cristo
morreu e ressuscitou por nós. Coragem! êle quer coroar-nos".E
todos a uma voz gritaram: "Somos cristãos".
A matança continuou,mas ninguém vacilou.
As mães, apertando ao peito os filhinhos, dlziam: "Vamos
paÍa o céu; o SenhorJesusvem buscar-nos".
O Papa Caio disse por sua vez: "Sou cristão"; e ao ser
clecapitado,sua cabeça rolou pelos degraus do altat. Morreram
o s c r i s t ã o s... l ï l o Í f r u o P a p a .. . m a s a I g r e j a n ã o m o r r e ! O
tempo dos mártireç não terminou. Em nossos dias temos tido
mártires gloriosos, cujo sangue ilustra a nossa fé, fortalece a
nOSSa COntiança, entUsiasma o nosso ardor e laz CreSCer o nOS-
so amor à lgreja.

173.
E' ÊLE, E' A VIDA!

Numa linda manhã,assentadodebaixode frondosocarvalho


do cabo Montenegro,Lamartineassistiaà saída do sol. Tôda a
criaçãopareciaolhar para o oriente.Num instantebrilhou o sol
e pareciaincendiarcom seus raios o mar Mediterrâneo.Então c
p o e t al a n ç o uu m g r i t o d e e n t u s i a s m o":E ' ê l e , é a v i d a ! "
Ah ! êsse grito do poeta deveria ser também o nosso; co-
nheço outro sol, o Sol divino, em comparaçãodo qual (diz Mi-
guel Ângelo) o nosso sol é uma sombra. O Sol clivino é
Jesus.Quando todos os dias se eleva sôbre o altar, quando irra'
dia sôbre o cibório, deveríamossentir fome dêle; sim, devería-
mos correr à sagradamesa cantando:"E' Êle, é a vida!"

17l
174.
AGORA ÉS MUITO RICO
Quando Jacob entrou na casa de Labã,o,tôdas as coisas
começarama prosperar:aumentoua propriedadedos campos,o
número dos servos,o número do gado e tôdas as riquezas au-
mentaram.
- Olha, Labão - disse-lheum dra
Jacob - muito pouco
possuíasquando eu cheguei;"agora és muito rico".
Estas palavrascom mais verdadeno-las repeteJesus,quan-
do vem à nossaalma na comunhão."vê como eras pobre antes
ì. que eu entrasseem tua alma! agora és rico com os meus dons".
!
Os que se aproximamdo banquetedivino terão tudo o que ne-
cessitame ainda mais.
1

t: 175.
SANTA CLARA E OS SARRACENOS
:.t,
Muitos sarracenos,seclentosde sangue e de ódio, assalta-
ram uma noite o convento de Santa Clara, em Assis.
No meio do pranto e das oraçõesdas boas religiosas,a
Irmã Clara corre à capela, toma o cibório que continha as hós-
tias consagradase, por divina inspiração,levanta-o contra os
í.t bárbaros que subiam ao mosteiro.os primêÌrosficam cegos por
uma luz deslumbrante;os demais,batidos por uma fôrça pro-
.\. digiosa,fogem aterrorizados.
o demônio,o mundo e as paixõessão como ondas de fero-
zes sartacenosque de vez em quando assaltama nossa alma.
Nós somos fracos e medrososcomo aquelasreligiosas,inermes
contra um exércitode bárbarosarmados;mas, se, como s. clara,
corrermosa Jesus,se levarmosa Eucaristiano coração,sere-
mos valorosose invencíveis.Os apóstolos,os mártires,as vir-
gens de onde tiraram fôrça e coragem nas perseguições,nas
lutas contra o mal, contra os inimigos de criito? Ã comunhão
foi a sua fôrça; a comunhãoserá tambéma nossa fôrça.
:
176.'
A RECOMPENSADA ESMOLA
Um dia apresentou-seum pobre a S. Catarina de Sena e
pediu-lheuma esmolapor amor de Deus. Encontrava-se a Santa
na igrejados frades Pregadorese não tinha nada para dar ao
mendigo."Vem à minha casa e te darei bastante,'.

t72

-il+St,':--==.--
-.-,
ìt*

Mas o pobre insistiu: "Se tens alguma coisa, dá-me logo;


não posso esperar".
Catarin,aprocurou ansiosamentee encontrou uma cruzinha
de prata, Qü€,com gôsto, passouàs mãos do pobre
Na noite seguinte,Nosso Senhor apareceuà Santa, tendo
na mão a pequeninacruz adornada de pedras preciosas."Co-
;
nhecesesta cruzinha?" d

Conheço-a respondeuCatarina mas não era tão ':


linda". :
{
i

"Ontem tu a deste: a virtude da caridade tornou-a tão i

bela. Prometo-tegue, no dia do Juizo, em presençados anjos ;


e dos homens,mostrarei esta cruzinhapara que tua glória seja Ì
infinita".
ì

177.
SANTA TERESA E A SECURA ESPIRITUAL

Durante dois anos não soube a Santa abrir a bôca para


rezaÍ. Quando se punha de joelhos,apenasjuntava as mãos e
ficava recolhida,sentia um fastio tal que se levantavae ia fa-
zeÍ outra coisa. Até na comunhãosentia sua alma vazia e não
conseguiapronunciar nenhuma palavra. E, por dois anos, iâ
que o confessor lhe ordenava que comungasse,em lugar de
tazer a açãode graças,punha-sea limpar os bancosda igreja.
('O' disse uma vez com grande aflição não é
Jesus
verdadeque me abandonastes?"
E Jesusrespondeu-lhe: "Em tôda a tua vida nunca fizeste
tanto bem como nestesdois anos". À
Também a muitos cristãos vem a provação da secura e ì
perdem o gôsto da oração,das boas obras. Ai daquelesque se I

1
deixam vencer e não Íezam, não praticam o bem, não obedecem I
1
i
ao confessor! t
t
i
I
178. !t
I
O SINAL DA CRUZ E AS CRUZES I

I
,l
!

Quando S. Gregório Magno era secretáriona côrte de I


1
Constantinopla, reinava no trono do Oriente o jovem imperador i

Tibério II. Êste,passandoum dia por um corredorestreitoe es- I

curo de seu palác:o,viu no mármoredo piso gravada uma cïvz


e exclamou:"Meu Deus! fazemoso sinal da cÍuz na testa, na

t73
bôca e no peito e depois a pisamos". Imediatamentemandou
arrancar aquela do piso; debaixo, porém, havia outra gravada
com o mesmo sinal. Depois a terceira,a quarta e mais outras
semprecom o sinal da cruz. Quando estavamretirando a sétima
pedra, ouv;u-seum murmúrio de admiração.Havia debaixo da-
quela pedra anéis de ouro, prata, rubis, pérolas,esmeraldas,co-
lares, um tesouro de grandíssimovalor. O imperador contem-
plava aquelasjoias a tremer de al'egriae sem dizer uma palavra.
O imperadordo Oriente pode ser um símbolo de todo ho-
mem que passa peio corredor escuroe estreito desta vida. Apre-
sentam-se-nosmuitos anos dolorosos,gravados com a qvz do
sofrimento.Passam-seos anos, termina a nossa carreira e, na
outra vida, encontramosas cruzes transformadasem intenso
tesouro.

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I
í,
i
l7g'
f
coRAçÃo APEGAD' À TERRA
-f,

i.
: S. Ambrósio fôra convidado a visitar a casa de um rico
.; i
banqueirode Milão. Recebidocom grande honra, o dono osten-
' i tava todo o luxo de seu palácio, mostrant'o ao bispo as colu-
nas vindas de Constantinopla,os vasos de\ ouro, os ricos apo-
sentos e a criadagem.S. Ambrósio calava-se; o banqueiro co-
meçou, então, a contar-lhe os êxitos extraordinários de suas
especulações comerciaislos contratosde comprae vendal o elen-
co de seus bens na cidade e na campanha.Dizia-se Ïeliz em
tudo e tudo atribuía à sua habilidadee boa sorte. O semblante
clo bispo denotavatristeza; sem aceitar coisa alguma, levantou-se
l.
e retirou-seapressadamente daquela casa.
I
I
I
No dia seguintechegou-lhea notícia de que o palácio do
t banqueiro ruíra, sepultandodebaixo de seus escombrosas co-
t
lunas vindas de Constantinopla, os vasos de ouro e com êles o
seu proprietário.
O que sucedeucom aquêleproprietário,mais ou nlenos se
dá com tôdas as pessoasque se deixam seduzir pelas riquezas
e prazeres,e se esquecemque tais bens, embora vindos da bon-
dade de Deus, duram pouco. E que aproveitatudo o mais, se
a alma vier a perder-se?

174
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'::;":S

Ìì.\
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Ì
190. Ì'
FAZENDO SENTINELA A JESUS Ì . i

Ì
I

Estando um regimento de infantaria estacionadoem Or-


t'
leans,notou o cura da catedralque, todos os dias, das treze às .\-
Ì
quinze horas, um devoto soldado estava imóvel no meio da
aprumado du- _í
igreja. Chegava,ïazia genutlexãoe conservava-se [:
rante duas horas a fio e com o olhar fixo no tabernáculo. t

Certo dia foi um capitão visitar a catedral e o cura ex-


pôs-lhe o que se passava,dizendo: "Se o senhor esperar um i

pouco poderá vê-Io". Passadoalgum tempo chegou o bom sol- j

dado e pôs-se em seu lugar. O capitão, reconhecendo-o, cha-


mou-o e dis.se-lhe: "Que fazes neste lugar?" 1

"Duas horas de sentinel.aao meu Deus", respondeucom


franquezao soldado,e acrescentou: "Em Paris os grandesdigni-
tários têm seus guardas, meu general tem dois, o coronel tem ì
um... e o Rei d o s R e i s ,JesusC r i s t o ,n ã o t e r á n e n h u m ?V e n h o
ï.azer duas horas de guarda, porque amo a Jesus".
Sejamos também nós sentinelasde Jesus Cristo não pela
Íôrça, mas pelo amor. Êle é o Rei dos céus e da terra. Diante
dêle, na igreja, devemos guardar muito respeito e sobretudo
confiançae amor Íil al.

181.
E ' P R E C I S OD E S T R U I RO S I D O L O S

Cromácio, governador de Ronta, estava atacado de uma


doençaestranhaque nenhum médico era capaz de curar. Disse-
ram-lhe então que em Roma havia dois cristãosque taziam curas
miraculosase talvez curassemtambém a êle. Cromácio mandou Ì
-..!
chamá-los.Eram Sebastiãoe Policarpo. I

- Cromácio,- disseramos dois santosao governadorpa- i


I
t
ì
gão - se queressarar, dá-nos todos os ídolos de tua casa para I
t:.

os destruirmos. ì
- Se é necessário, - respondeumuito a seu pesar - eu
vos d:rei onde êles estão e vós os levareis para que eu não os
veja mais.
Sebastiãoe Policarpo levaram tôdas as imagens dos falsos
deusese as quebraram.Depois voltaram a Cromácio,mas êle
não estavacurado, antes pior.

175

j1i:t-,
' '
-==--
-_ì
í--ï.:
t
I
t':
I
t-

['
r.
í - Cromácio disseramos santos, olhando fixamente a
névoa que tinha no branço dos olhos - Cromácio,mentiste,em
tua casaainda há dois ídolos.
E o governador teve que dizer a verdade. Escondera al-
l

.-, i1 !

l-'o:
;:Ì':i' guns em seu quarto, bem junto de si, porque os queria muito.
fa
't..
Só depoisque os entregou,pôde sarar da enfermidade.
';
O mesmoacontececom a conÍissão.Aos que têm escondido
no fundo .da alma um só pecado mortal, não se lhes perdoará
nem êsse nem os outros; antes ficará a consciênciaagravada
com um grandesacrilégio.

E.
182.
FICOU A FOLHA EM BRANCO

Certo dia apresentou-se a S. Antônio de Pádua um pecador


para confessar-se.Estava, porém, tão perturbadoe confuso,que
apenas soluçavasem poder pronunciar nem uma palavra.
Vai, meu filho, disse o Santo escreveteus pecados
e volta de novo.
Voltando,o pecadorfoi lendo seus pecados,como os havia
escrito. Quando terminou a l,eitura,com r'rande surprêsa viu
que desaparecerado papel tudo o que escràverae só restava a
fôlha em branco.
Assim sucederácom a nossa alma quando nos confessar-
mos com humildadesincerae dor profunda.
Tôda mancha de pecado desaparecerá do nosso coraçãoe
aparecerâo candor, todo o candor da inocênciarecuperada.

183'
A MoDÉsrrADE sÃo LUis
No ano de 1581, Maiia da Austria, filha do imperador
Carlos V, passavapela ltéúìa.O imperador e todos os príncipes
foram convidadosa recebê-lae entre os demaisestavatambém
Luís Gonzaga,filho do marquês de Castiglione.Que magnífica
festa naquelebelo dia de outono, em todo balcão,em tôda ja-
nela! Todos queriam ver a soberana.Finalmenteela aparece.
Todos agitam seuslençosde sêdae a contemplam.O jovem Luís
naqueleinstantelevantoua mã,oassociando-se à festa, mas con-

176
\*

ib:
'*,R:.,,. **s|*-.
-''
servou os olhos fechados;a filha do imperador passou e êle
nã(l a viu.
Alguns pensarãoque isso era escrúpuloe exagêro; tam-
bem S. Luís sabia que não cometia pecado por ver a rainha,
nras sabia igualmenteque a pérola preciosada castidadenós a
levamosem vasos frágeis e às vêzesbasta um só olhar impru-
clentepara perdê-la.

I 84.
O VESTIDO CELESTIAL

Caía a noite. Em sua celazinha cheia de sombra, S. Ca-


tarina de Sena pensava na festa que terminava. Via os estan-
dartes agitados pelos jovens; via a multiclãoapinhada no cam-
po sob o sol de verão, os palcos repletosde luxuosasdamas.
Naquele momento começouo demônio a tentâ-la: "Também.tu,
Catarina,poderias estar com êles. Por que cortaste teus cabe*
los louros, por que trazes o cilí'cio sôbre o teu corpo delicado,
por que queres ïazer-te religiosa?Olha êste vestido,não é mais
lindo que o místico hábito claustral?" Na dúbia claridade da
noite,a Santajulgou ver diantede si um jovem que lhe apresen..
tava um rico vestido feito de pétalas de rosas.
Enquanto Catatina estava como que suspensa,apareceu-lhe
Maria Santíssima.Como o tentador, também ela trazia nos bra-
ços um esplêndidevestido bordado a ouro e pérolas,radiantc
cle pedraspreciosas."Deves saber,minha filha, disse a Mãe dc
Jesuscom voz dulcíssima,que os vestidostecidospor mim no
coração de meu Filho, morto por ti, são mais preciososque
qualquer outro vestido trabalhado por outras mãos que náo as
minhas".
Então Catar:na,ardendo em desejo de possuí-loe tremendo
de humildade,inclinoua cabeçae a Virgem vestiu-acom a tú-
nica celestial.
O demônioapresenta-se às almas com seu vestidode rosas
e prazerescarnais;Maria, ao contrârio,com seu vestido de pu-
reza e santidade.
Dai preferênciaa êste último; sòmentecom êle podereisen-
trar no céu.

Tesouro L - Lz
t77
..- -- - -..1i

185.
O SINAL DA CRUZ

Henrique IV, clepoisde hunrilhar-seetn Canossa,tnostrou-


se de novo inimigo do Papa e ïoi com seu exércitositiar Roma.
No segundoassalto,apesarda heróicaresistênciados sitia-
dos, incendioutôdas as muralhas.Um espantosoanel de fogo
rodeavaa cidade, da qual não se erguianl senão gentidosdos
agonizantese pranto das mulheresaterrorizadas.Então no alto
de uma tôrre, majestosoe pálido, entre o clarão e o fumo do
incêndio,apareceuo Papa Gregorio VII, e colll gesto solenee
calmo tëz o sinal da crrtz contra aS chamas,e imediatatnente o
togo se apagoll como se tivesserecebidouma chuva torrencial.
'fôclas
as vêzcs que nos encontraÍnlosenl perigos e angús-
tias, contessentos a SS. Trinclaclefazencloo sinai da ctuz, e
grande alívio sentirá a nossa alma.

196.
CREDO- EU CREIO

S. Pedro cle Verona, apostolo cle Jesus Cristo, eÍ.a perse-


guido de morte pelos ininiigos de sua fé.
Unr dia teve de atravessarulra Ìloresta. Ia rezandoo satttcl
varã,o.. . Naquele ntomentoarrojaln-sesôbre êle os initnigos,
cravam-lheno peito o punhal assassinoe fogent.Caiu ferido de
morte o santo mâr|ir. Compreendeuque chegara a sua última
hora. Queria ainda confessara sua santa té, mas não podia
f a l a r . . . M o l h a n d oo c l e d on o s a n g u eq u e j o r r a v a c l e s e u p e i t o ,
escreveusôbre o pó: Cretlo,Dontine. . . Senhor,eu creio.
Tambémeu não sei quandonem como me sobreviráa morte,
Enqrrantocanrinho,vou rezandoo credo de minha fé e dizendo:
Creio em Deus - çrsie stx JesusCristo - creio na Igreja ca-
t ó l i c a ,a p o s t o l i c ae r o m a n a . . . P r o t e s t oq u e n e s t af é q u e r o v i v e r
e morrer. E quando morrer, qllero que gravenl no meu túnrulo
t.:

1,,,:
estas nlesnlaspalavrasdo santo rnártir Credo, Dontine... Se-
nhor, em ti creio, em ti cspero,e te amo. Senhor,clá-nleo céu
que prometesteaos que crêem,esperante amam.

:ì-.ì;. 178
ì:'.,

aì.4 -

-É*'+
.,r",{
Ëâ*---**"' ì-_;..

187.
MIGUEL ÂNGELO

Foi, talvez, o maior dos escultoresqlle os séculosjamais


viram. A história o admira. Num dos famosostemploscle Roma
há um sepulcrovisitadopor todos os turistasdo mundo.E' obra
de Miguel Ângelo.
Ali aparece Moisés sentado no trono da autoridade,que
exerciacomo chete do povs de Israel.Que f ronte, que olhos.. .
q u e r o s t o , q u e a t i t u d e . . . q u e n r a j e s t a d eS
! ó unl gênio podia #
dar uma vida assim ao mármore,à pedra morta.. . :iì'
.f

O maravilhosoartista, terminaclaa obra, conternplou-ae 1

ficou extasiadodiante del,a.. .


Dizem que, com o marteloque tinha na mão, deu-lheïortes
marteladassôbre o joelho, dizendo: "Fala, Moisés,que só isso
te falta: falar!"
Mas a estátuacontinuoumuda.
Repicam os sinos de nossasigrejas. Católicos,não ouvis?
Das altas tôrres vem essa voz do céu. E' a voz de Deus. do
Artista divino, que vos chama à santa rnissa.Sois cristãos,sois
a o b r a - p r i m ad o A l t í s s i m o . . . P a r a s e r d e sc r i s t ã o sc l e v e r d a d e ,
levantai-vose can nhai para a igLeja, onde cumprireiso pre-
ceito da oração, da Missa.
Mas tantos cristãosde hoje são como estátuaspetrificadas
pela ignorância reiigiosa.. . são blocos de bronze e mármore,
modeladospela indiferençae impiedade.. . Não se nloveÍn.. . E
quandose movent,é, para ir aos jogos, às praias,aos cinernas.. .
P a r a a i g r e j a :n ã o v i v e m . . . m o r r e m !

189.
PROPóSITO TNQUEBRAÌ.{'rÁVEL

Cambronnepertenciaao reginrentode Nantes. Bebia com


freqüência.um dia, em estado cle cnrbriaguez,bateu em seu
chefe.Seu coronel,depoisde conscguirque se revogassea sen-
tença,chamou-oe disse-lhe:
- D e t : d e p e n d ea t u a h o n r a e a t u a l i b e r c l a d e !
- Meu coronel,a sentençaé rtruitojusta.
- Não importa respondeuo chefe; - não morrerás;
deves,porém, pronteterque não mais te embriagarás.

72*
r7g
-
ì

- Meu corÒnel,prefiro nunca mais beber em tôda a minha


vida.
- Seriascapaz de tal promessa?
- sim; já que meu coronelfoi capaz de tanta generosidade.
Passaram-seanos. cambronne subiu a general e estava em
Paris, acompanhandoa Napoleão. Hospedou-sena casa de seu
antigo coronel.À hora do brinde foi oferecidoa Cambronneo
rnelhorvinho. Êle, porém, recusou,lembrandoa seu antigo chefe
.a promessaà qual devia a vida.

199.
OS PAIS DESEDUCAM

Aquêle colégio figura entre os mais afamados.Dirigem-no


religiosos eminentespor sua ciência e virtude.
Desfilaramdiante de nós primeiramente os estudantes.
Eram
uns 130 internos.. . Havia entre êles jovenzinhosde poucos
anos; e havia outros já crescidos,belos rapazes.Todos traziam
no rosto a alegria, a esperanç a. . .
- Padre (dizia-me o Diretor), aí vê o sr. cento e trinta
rapazes.Dêstes,uns cento e vinte comungan todos os dias; os
outros, ao menos um3 vez por semana.
Atrás vinham os PadresProfessôres. Seriamuns trinta apro-
ximadamente.Uns começavama carreira do magistério, outros
haviam encanecidono ensino. Depois que passaram clisse-me
o Reitor:
- Todos êles têm, às vêzes, tentaçõesde desânimo.. .
quase de desespêro.
- Por quê? - interroguei.
Porque trabalham nove meses no ano. Com grandes sa-
crifícios conseguemimplantar nos coraçõesdêssesmeninos o
amor da virtude e o lespeitoàs leis divinas.. . São bons.. . são
h o n e s t o s. ..
Mas saem daqui e em quinze dias os pais, meio descrentes,
indiferentese relaxados no cumprimento dos deveres cristãos,1
destróemo labor de um ano inteiro.. . Nas férias, a exemplo
dos pais, f.altamà missa,aos sacramentos. . . Terminadoo curso,
tornam-se ímpios, Iibertinos.. . Lançam muitos a culpa nos re-
ii.
F.!1
+l
Iigiosos,esquecendo-se de que os pais é que deseducamos filhos.
È,
180
\
190.
VINHAM NADANDO

Conta um missionáriogu€, quando chegava a alguma ilha


da Oceânia, para anunciar a sua presençalevantavaum mastro
bem grande. Os negros acudiam de tôda a parte e vinham até
de muito longe. Um domingo, pela manhã, viu chegar uma tur-
ma de negros que vinham nadando de outra ilha, para terem
o consôlode ouvir a santa Missa. -rl:,*
, l8
:-*!
'i.l

191. ij
,.
DOMINCOS SÁVIO AJUDA À MISSA

Êste angélico jovem, aos cinco anos de idade, iâ sabia


ajudar à missa e fazia-o com grandes demonstrações de amor a
Jesus.Como era muito pequeno, o pâdre mesmo tinha de mudar
o missal. Mas era tão grande o seu desejo de servir ao altar,
que muitas vêzes chegava à igreja quando esta ainda estava
fèchada,e ali permaneciaesperandoe rezando.Numa fria manhã
de janeiro de 1847 ali o encontraramtiritando de frio, e coberto
de neve que caía copiosamente.
Pode servir dr modêlo aos coroinhas.

lg2'
sAcERDorE MÁRTIR
Santo era aquêle sacerdote.Foi condenadoà morte tão sò-
mente pelo "crime" de ser sacerdote,porque os comunistases-
panhóis (êle era cônego de Vich) tinham ódio mortal aos mi-
nistros de Cristo.
Saiu para a morte.. . Tem iá diante dos olhos o pelotão
de milicianos que o hão de matar. Êle está calmo: tem a paz
da alma. . . Pode-sedizer que um gõzo celestialse espelh,aem
seu semblante.Abriu a bôca e disse: Milicianos, três graças
pedi a Deus durante a minha vida: a gr.açade ser sacerdote,
a de morrer mártir e a de ser a minha morte a salvaçãode al-
gum de meus assassinos.Consegui a primeira. Agora morro
mártir de minha fé e de amor a Jesus Cristo. . . E neste mo-
mento peço-lheque me concedaa úrltima:que algum de vós se
salve pelos méritos do sangue que vou derramar por amor de
Deus.

181
---T--

Acabou de falar; e um de seus assassinos ajoelhou-seat-


rependidoe quis ser assassinadoe martirizado ao lado daquele
sacerdoteque até à hora da morte era tão santo e generoso.

193.
TUDO PELO CÉU

S. Martinho era naqueletempo um soldado.. . Encontra-se


c o m u m p o b r e d e s n u d oq , u e l h e p e d e u m a e s m o l a. . D á - l h e a
metade de sua capa.. . Pelos sécr-rlos dos séculosgozará dêsse
a t o d e g e n e r o s i d a d e. !..
a ) S . J o ã o d e D e u s e n c o n t r o uu m p o b r e c h e i o d e c h a g a s
e horrível de ver. . . Tomou-o sôbre seus orlbros, levou-o a seu
hospital e, ali, o curou com carinhosquase maternais.. . Pelos
s é c u f o sd o s s é c u l o sg o z a r â d ê s s ea t o d e c a r i d a d e !.. .
!-..

i.:
b) S. Isidoro, lavrador,ia para a roça. Arava a terra du-
ì' Íã, recolhia os feixes à eira e com o calor do verão batia o
s'.
trigo e dorntia ao relento.Em meio de suas ocupaçõeselevava
o coraçãoa Deus. . . Pelos séculosdos séculosgozarâ da re-
compensadessasfadigas suportadascom paciência.. .
c) S. Zita servia na casa de uma distirÌrasenhora.. . Ía à
fonte buscar água, varria a casa, acendia o lume na cozinha,
agtientavaas insolênciasde sua patroa e remendavaseus pró-
prios e pobres vestidos.. . Enquanto suas mãos trabalhavam,
seu coração orava.. . Pelos séculosdos séculosgozarâ a re-
compensadessas hurnilhaçõesdos serviços domésticos. ..
d ) S . B e n t o J o s éL a b r e p e d i a e s m o l ad e p o r t a e m p o r t a .. .
Comia a mísera comida que lhe deitavamna pobre escudela.. .
Levava aos ombros um saco.. . suas vesteseram um mosaico
c l e m a l c o s t u r a d orse m e n d o s . . .O n d e d o r m i a ?N u m p a l h e i r o . . .
Onde descansava de suas longas canrinhadas? À sombra de al-
guma árvore ou à beira dos caminhos.Onde rezava?Sua vida
de peregrinoera uma oração contínua.. . Pelos séculosdos sé-
culos gozará de seu surrão de pobrezae do ladrar dos cães e
d o d e s p r ê z od o s h o m e n sq u e p a s s a v a ma o s e u l a d o . . .
Q u a l é a v o s s a v i d a ? Q r " r a i sa s v o s s â so c u p a ç õ e s ? . . .O
que importa é que penseisno céu, suspireispelo céu e pelo céu
e para o céu trabalheis,porque sòmenteassim gozareisdos mé-
ritos de vossasobras pelos séculosdos séculos.. .

182

.
#' :r '-\á
"1";:Ë-\

194.
S N O S! . . .
M Ã 8 , T E N H OD E Z E S S E IA
MonsenhorBougaucl,Uffi dos lnais ilustres escritoresfran-
çg,ieSdo sécttlopassado,fala-nos de uma Senhoracatólica,com
Se passouo triste acontecimento que vamos transcrever.
Qt.rem
-
Tinha aquela senhora um filho. Nos primeiros anos edu-
cjoll-o cristãmente.Ensinava-lheas rezas,levava-oà igreja, da-
,'ra-lheconselhos. . . Aos doze anos o menino entrou no Insti-
tuto de França.. .
A n t e s n ã o t i v e s s ee n t r a d o !Q u e v i u a l i ? . . . q u e o u v i u n a '
quela escola?.. . A mãe julgava-o ainda um rapaz piedoso e
honesto.Mas não era assim. Como havia de sê-lo, se em casa
tivera semprediante dos olhos os exentplosperversosdo pai. . '
e no Institutovivia no meio dos amigosmais ímpiose dissolutos?
A m ã e s o n h a v aa i n d a . . . s o n h a v aq u e s e u f i l h o ( c o m a q u ê - Ê
3

les dezesseisanos que começavama despertarno coraçãolou-


curas cle libertinagem)era ainda uma alma de fé. Chegou Llm
dia cle grande festa religiosa.Pela manhã disse-lhea mãe:
_'- Filho, qllere'sir comigo à igreja? Farás ttta confissãoe
comungaráscomigo.. .
Ao que o rapaz respondeufria e secamente:
) - Mãe, já tenho dezesseis anos.lâ náo creio dm Deus' nem
N E S S A SC O i S A S .
Q u e g o l p e , q u e f a c a d a n o c o r a ç ã od a q u e l ap o b r e m ã e ! . . "
- l)aquele tempo a esta parte os jovens como aquêle,os ope-
rários, os cavalheirosassim, multiplicam-secoÍt1olarvas de in-
setos nos charcosde água podre. Só uma graÇa extraordinária
de Deus os poderâ arrancardêssescharcos.

195.
DUAS MORRERAA4. S A L V O U - S E U M A !
\ l

Eram três jovens.. . quase meninas.Acabavam de deixar ii


{, il
"Jl
o colégio, um bom colégio, onde tinharrrsido eclucadas.Lan- 'I
.

çaram-Seao mundo e o mundo,colllo ttm absorventeredemoinho, .:.ì


arrastott-asa suas festas e diversõcs.Não sonhavatnSenãocom ïÍ
,5
c i n e m a st,e a t r o se b a i l e s . . . E r a m j o v e n s ! . . . A i n d a t e r i a mt e m -
f. i;
po para tazer penitência ! Não iriam passar os rnelhoresanos "'\
cta vida encerradas,colno freiras, em casa e na igreja! Ah!
isso não!

183 a

\5ì
..*' -.-..1b."{èj+!*+.-._ _ *J _, - *Èr
+t

uma tarde, uma delas me procurou.chegou chorandoe o


terror espelhava-seno seu rosto. sabeis o que se passara?
. Poucos dias gntes as três amigas tinhàm suiumbido, c!ei-
xando-se vencer por uma tentação perversa. Das más leitur.as
haviam passado às más conversas,das más conversasàs peli-
gosas amizadese das perigosasamizadesao passo fatal. . . Es,-
tavam nas garras do demônio! . . .
Isso acontecerapoucos dias antes da festa da Imaculada,
Conceição.Como ainda não tinham perdido a fé, os remorsos
gritaram em seus corações protestando contra a sua conduta
louca e pecadora.Mas as três convieramem responderà cons-
ciência:
- No dia da Imaculadairemos confessar-nos tudo
e estará
em ordem.. . No dia seguinteiriam a uma cidade vizinha para
se divertirem.. . Encontrar-se-iam na estaçãoà hora da pârti-
da... só chegaramduas. A terceira,chegavaapressada,quun-
do o trem ia saindo.. . As arnigas,da janela do caÍro, diziam-
lhe adèus entre
lsos e gargalhadasde alegria.. . Elas, quanto
i r i a m g o z a r l . . . E l a , a b a n d o n a dea s ó . . . q u e r a i v a !
Poucas hlras se passaram. um tremendo telegrama. . . e
uma notícia aterradoracirculava por tôda a cidade,ìera-se um
encontrode frens.. . e as vítimas eram muitas.. . Entre as ví-
timas achavam-seas duas amigas,mortas instantâneamente!
- Paclre!- disse-mea que ticara - hoje Deus me livrou
do inferno. Se tivesse i,do com minhas amigas, com elas esta-
ria morta e com elas condenada.Bendita seja a misericórdiade
D e u s!
"Filhos dos homens,temei a justiça divina!,'

l96.
TUDO POR DEUS

Quereisum exemplo?Ei-ro: s. FranciscoXavier. Amou a


ciência.. . as ilusõesda juventude.. . as alegrias dos camara-
das. . . os entusiasmosda esperanç a. . . amou as diversões,o
'
mundo.um dia, porém,compreendeu que tudo aquilo era vaidade
i ì
I
e que corria perigo a sua salvação eterna e. . . deixou tudo.
J

?.r_d. fguêle dia só teve um ideal, o ideal de seu amigo Inácio


i
:t
'i i

i{
de Loiol.a:A maior glória de Deus.
,ü Ei-lo: não é velho, completouquarentae seis anos, está no
9

vigor da vida. . . consomem-noas ânsias da salvaçãodas al-

184

ì,i.:.
Jtìì

.,.i'

sìl
nas e da glória de Deus. . . Não o interrogueisporque nunca
'.alarâdo que realizoupelo nome de Deus. Eu
o recordareirà-
l i d a m e n t e .P e r c o r r e ua I t á l i a . . . E m b a r c o up a r a a i n d i a , p e n e -
: i - o ue m G o a e a l i f o r m o u u m a c r i s t a n d a d n eu m e r o s a . . . E d a l i ?
F,ri a Pesc.aria.E dali? A Travancor. E dali? Foi percorrer as
. has Molucas e alcançouo arqurpélagofilipino. E daii? Vol-
: ru novamenteà Índia para visitar as cristandadese consolidar
:elas a fé cristã.
- E não descansoununca?
- O amor de Deus náo consenteque repouse;parte païa
:rs costasde Yamaguchie de Bungo.
- E continuoucaminhando?
- Sim; soube que além de mares longínquoshavia um
irovo de muita inteligênciae amigo de grandesemprêsas:o Ja-
pão, e. . . para lá se foi. Percorreu-osem descansoe regressoll
l e n o v o à Í n d i a .. .
- Nem então lhe deu descansoo seu zêlo?
- Pelo contrário;soubeque havia um império imenso,cha-
:lado império da China, e concebeuo pensamentode ganhá-lo
para Deus.
E põe-se logo a caminho.
- E percorreumuitas léguas?
- Mais de três mil léguas.
- E batizou muitos pagãos?
- Contam-sepor milhares, talvez por milhões.
- Sofreu muito?
- Não hâ língua humana que o possa d i z e r .
F
- Sofreu muitas perseguições?
- Contínuase grandes. **
ih
- E nunca desanimou? it
Ìç
t
- Nunca. Teve a sublime loucura de ganhar almas para Í
Í
Deus e levar a luz da fé e da verdade a todos os povos do *
*
mundo. ;t
it
Abraçado ao crucifixo, morreu amando com todo ardor a fÌ
ìt
Ì.
Deus e as almas imortais. l}
JT
\i
lg7. \ç
i[:


UMA ÚLTIMA COMUNHÃO NO BOSQUE rt
il
5
lc
No Tirol (austria), uffi sacerdotefoi chamado para so- !
!!
correr a um doente num sítio distante,na montanha.Tomou .[
logo os Santos oleos e o Santíssimoe montou a cavalo.

185

{

Muito linda era a serra, entrecortadade límpidos regatose


vales cobertos de árvores. Ao voltar, pensava o padre, desfru-
taria do ar fresco e perfumadodos pinheirais.
Chegou ao sítio, socorreuao doente,mas. . . ao dar-lhe a
comunhão,notou que levara duas hóstias.Isto o contrariouum
pouco, pois, enl vez de passear,teria de regressarcom o San-
tíssimo,em silêncioe rezando.
De sobrepelize estola ia descendoe rezando,quando ou-
viu um gritoi
- Um padre! Um padre!
Um môço veio correndoe disse:
- SenhorVigário, depressa,depressa ! Um lenhadoracaba
de ter o peito esmagadopor uma árvore.
Compreendilogo por que levara duas hóstias.Era a Divi-
na Providência ! Confessou-se o pobre homente recebeuali m e s -
mo a última comunhão.Perguntei-lhese, em vida, lizera algo
especialpaÍa merecertáo grande graça.
- Padre, disse-me,cada vez que via um sacerdotelevar o
viático a algum doente,rezav.auma Ave-Maria para ter a graça
de não morrer sem recebero SantíssimoSacramento.

198.
PROFANAÇÃO DAS FESTAS
O famoso Antíoco, querendodestruir Jerusalém,enviou o
odioso capitão Apolônio com um exército de vinte e dois mil
homens,com ordem de matar os homense vender as mulheres
e os adolescentes.Apolônio entrou na cidade e, simulandopã2,
estêvetranqüilo algum tempo, esperandoo dia de festa em que
todo o povo com as mulherese criançassairiam alegrementeàs
praças e ruas a fim de gazar do espetáculode seus soldados.
Na hora em que a multidão era mais densa,a um sinal do ca-
pitão, todos os soldadosse lançaramsôbre aquêlepovo e per-
correndoa cidade encheramas ruas de mortos e de sangue.
Essa matançade corpos é figuia de outra mais horrível,a
das almas, que o demônio mata nas festas realizarlasnas vilas
e cidades.Vêclecomo a juventude(e os outros também) espera
o domingo, o dia santo (mesmo os maiores) para correr aos
camposde jogos e desportes.A religião não proíbe os diverti-
mentos honestos,ufiÌa vez que se não omitam os deveresreli-
giosos.Quais são, porém,os dias em que mais se peca e ofende
a Deus?

186
:
?

L
199.
CAÍRAM MORTOS

N o s é c u l oV , d o i s i r m ã o s g r e g o s ,ó r f ã o s e d o n o s d o s b e n s \,',t .
.,
paternos,tiveram a crueldadede expulsarde casa e abandonar I
ï, ,
na rua a sua única irmã chamadaAtenais.De nada valeram as li .r'

i . Ì

lágrimase súplicasda abandonada,que teve de ir errando pela t,


Ì J ,
'
,i
terra. I
I
'desapiedados i
D e p o i sd e a l g u n sa n o s o s d o i s i r m ã o sf o r a m
L
c h a m a d o sp e ) o i r n p e r a d o rd e C o n s t a n t i n o p l aA.p r e s e n t a r a l l - see t;I
f'*
'g:l
foram conduzidosà sala do trono e ali viram sentaclano esplen- l-1
Ì
dor de sua beleza e poder a Atenais, a rainhazinha,a errante, It - .

gue, por uma série de casosprovidenciais,chegaraa ser impe- i,


il
ratriz e espôsado imperadorTeodósio.Ela pôs-se cle pé e di-
I
rigiu-lhes estas tremendaspalavras: "Vós não me conheceis? r[ .
I

'I
Sou vossa irmã Atenais". Vendo o que viar.n,e ouvindo o que I
è
ouviram, aquêlesdesgraçadoscaíram mortos. i
t
I.
Tambérl nós, com nossospecados,nã.oï.az.emos outra coisa Í
l
t"
que expulsarde casa rlossoirmão maior, JesusCristo; mas, den- ,.t
la
nl
tro de poucosanos,quando a morte nos chamar,nós o veremos
no seu trono resplandecente e ouviremosa sua voz: "Não me
conheceis?sou Jesus-Cristo,vosso irmão,.a quem tanto maltra-
tastes".

200.
O TESOURODA FÉ 1
1 I

a) Dizem que.S. Luís, rei de França,todos os anos se di-


rigia à vila, onde nascerae Íôra batizado.Ali passavaalguns
dias em recolhimento e oraçã,o. No último dia dirigia-seà igreja,
ajoelhava-se aos pés da pia batismale a beijava e regava com
suas lágrimas,por ter sido ali feito cristão e filho de Deus, que
lhe dera o dom da santa té.

b) O grande S. Afonso de Ligório, que recebeude Deus,


a mãos cheias,o dom da santidadee o dom da c:ência,tôdas
as noites,antes de recolher-seao descanso,ajoelhava-sediante
do Sacrárioe dava graçasa Deus pelo tesouroda fé e pelo ba-
tismo que o tornarafilho do mesmoDeus, irmão de JesusCristo
e herdeirodo Céu.

r87
!

L
n-

201.
MORTO E CONDENADO

O conde Orloff e um general russo, ambos incrédulos,ju-


raram por zombaria que o, primeiro dêles que morresseapare-
ceria ao outro, paÍa comunicar-lhese há inferno.
Poucos mesesmais' tarde, teve o general de seguir para a
guerra, pois as tropas do imperador trancês Napoleão haviam
invadido a Rússia.
Eis que um dia, ao amanhecer,estandoo conde Orlotf em
seu leito, mas bem acordado,abrem-se de par em par as cor-
tinas do aposentoe apareceo general,em pé, com o rosto muito
pálido e as mãos sôbre o peito.
Espantou-senão pouco o conde; maior, porém, foi o seu
espanto,quando ouviu estas palavras:
- ('[xisfs e inferno e eu estou nêle!" - E a visão desa-
pareceu.
Poucos dias depois recebia o conde uma carta em que se
lhe comunicavaa morte do general.Precisamente no dia e hora,
em que apareceraao conde,receberauma bala no peito e falecera.
E'
O inferno existe. uma verdadede fé. Foi Deus que o re-
velou.
-
De Deus não se zomba impunemente.

202.
VENCIDO PELA PACIÊNCIADE DEUS

A vida do venerávelQueriolet,contemporâneo de S. Vicente


de Paulo, é a mais bela prova da paciênciade Deus com o pe-
cador. Até aos trinta anos, esta alma impetuosa vivera numa
contínua alternativa de confissõese pecados.
Depois, possuídode um ódio satânicocontra Jesus Cristo,
partiu para Constantinoplapara se lazer maometano.Num bos-.
que da Alemanhafoi assaltadopor assassinosque, depois de ma-
tarem seus dois companheiros,queriam acabar com êle também.
Diante da morte iminente, Queriolet ïêz voto a Nossa Senhora
de converter-sese ela o livr.assedos assassinos.
Ela o livrou, mas
êle não se converteue, não tendo podido fazer-se maometano,
fêz-se huguenoteao regressarà França. Deus, p,orém,o seguia
como o pastorprocuraa ovelhadesgarrada. Numa tenebrosanoite
cle grande tempestade,acorda com a queda de um raio sôbre a

188

L*r
rçi

casa. Queriolet salta do leito coms üÍïlâ fera, cerÍa os punhos e


blasfema.Qualquer homem lâ se teria cansadode suportá-lo;
mas Deus não se cansa e o segue.Em Loudun, uma pobre mu-
lher desconhecida o detém e lhe diz: ',Tu tens um voto a cum-
prir. Lembras-t9d9 Que, naquele bosque na Alemanha, te que-
riam assassinar?"Queriolet treme como naqueledia, em que es-
têve nas mãos dos assassinos.
Mas, como o sabia aquela mulher, se êre a ninguém o co-
municara?
Teria Deus suscitadoaquela mulher para a sua conversão?
Deus ainda tinha compaixão dêle pata o chamar daquela ma-
H
t ,:ã
l:'r
t,.
neira? Êste pensamentovenceu-ofinalmentee, depois àe alguns lç

anos, Queriolet ressuscitava graça para nunca mais cair, tor-
nando-sea admiraçãodo mundo inteiro por suas virtudes.
Não obstante nossos grandes pecados, não desesperemos;
voltemosa Deus.
Êle nos espera.

203.
A CONFIANÇA NA PROVIDÊNCIA

Uma vez, estanC I S. Catarina muito atribulada,apareceu-


lhe Jesus e disse-lhs "catarina, pensa em mim e eu pensarçi
em ti e em tuas necessidades".
Quando as cruzes, as desgraçase perseguiçõesnos afligi-
rem' pensemosem Deus, pondo nêle a nossa confiança.
Sem a confiançana Providência,como S. Camilo, S. Je-
rônimo Emiliani, S. J,oãoBosco,S. José Cottolengoe tantos ou-
tros teriam podido asilar e manter milhares de pessoas,milha-
res de infelizes?Lede a história dêles.
Alguma vez chegou a faltar o dinheiro, a roupa, o páo. . .
e o único que não faltou foi a confiança na pr,ovidência.E esta
encarregava-se de provê-los de tudo.

204.
PENSAI NO VOSSO FIM!

Quando otão III, imperador da Alemanha,impelido pela


extraordináriafama de santidadee dos milagresde S. Nilo, foi
visitá-lo e ofereceu-lhemagníficos presentes,o Santo, agrade_
cendo humildemente,assegurou-lheque em sua pobreza.ia táo
rico, que não careciade coisa algumã.

189
r:i-: -ì

- Se não quereisaceitar os meus pÍ€sentes- replicouo


imperador- ao menospedi-mealguma graça para que se rÌão
diga que uíÌl monarca veio pedir-vos conselhoscom as mãos
vazias.
Isto sim, respondeo Santo com o rosto iluminado 't
isto sim. Uma graça, uma so graça desejo muitíssimo,isto é: t
" P e n s a in o v o s s o f i m ! "
O imperador prometeu não se esquecerdaquela recomen-
dação. Feliz dêle, pois, tendo apenas22 anos, quando esperava
grandestriunÌos políticos,e quando sua noiva vinha da Grécia
para a ltâlia, trazendo em dote grandes tesouros e terras, êle
morria em Paternó.

205.
O MUNDO É ENGANADOR
Regressando CristóvãoColomboda América,espalhou-se em
tôda a Europa a notícia desta região mai:avilhosa, onde os fru-
tos eram tão grandesque quebravamos galhos das árvorese as
ntontanhasescondiamouro e prata e as criançasbrincavamcont
pérolas.Acudiram então muitos aventureirosdesejososde rique-
zas e gozos.Por meio de enganoe dissimr'açãoaproximaram-se
dos índiose, enganando-os, trocavamespelhos,campainhase ou-
tras bagatelaspor barras de ouro e prata. E se alguns, perce-
bencloo engano,não queriam dar a verdadeira riqueza em troca
cle ninharias,obrigavanl-nos com violênciae matavam-nosaté.
A indignaçãoque sentis ao pensar nessa ignóbil astúcia e
crueldade a j u d a r - v o s - á a c o m p r e e n d e r o q uoe ém u n d o O
. mun-
do é um mercadocliabólico.Satanássabe gue, pelos rnéritosde
JesusCristo, possuímosriquezasinestimáveis;conhece,também.
a rÌossaingenuidade;e por isso percorre as praças do mundo
com slras mercadoriasinfernais (principalmenteas más Ieitu-
ras) e ninitos são os que se deixam iludir e engodar.

206.
CUIDADO COM O MUNDO!
S. Anselmo,arroubadoem êxtase,vitt um grande rio cheio
de imundíciese as águas coalhadasde cadáveresde homens,
mulherese crianças.Interrogandoo céu sôbre o sign:ficadoda-
quela visão, foi-lhe reveladoque o rio é o mundo e os nâufua-
gos são os seus amadores

r90
\

b --- r ^ +
u.fuJf

Essa visão seria, hoje em dia, muito mais espantosa.Por


isso é precisolevantara voz e clamarcom Jeremias:"Fugi dessa
Babilônia,se quereissalvar a vossa alnta". Sim; é precisofugir
do mundo, de seus enganos,de suas loucuras,de suas obras.
Não podeis servir a dois senhores!

207.
NÃO ACREDITAVA NA ALMA

Flerbois,íntimo amigo do famoso Robespierre,ambos ho-


mens sanguinários,atacavacom fúria a existênciade Deus e a
inrortalidacle da alma. Foi desterradoem 1795.
No destêrro foi acometidodum.aÍebre violenta que o con-
sumia.Com granclesgritos pedia a Deus (êle que dizia não existir
Deus) que o socorresse.Um soldado,a quem perverteracom
suas couversasímpias,perguntou-lhe: :l
- Olhe: conroó que há algunsmeseso senhorzombavade À'
Deus e da alma?
,i

*r
- Amigo, quem mentia pela bôca não era a cabeça,mas
o coração. E hortorizava aos que o ouviant, gritando:
M e u D : u s ! m e u D e u s ! n ã o p o s s o e s p e r a ro p e r d ã o d e
minhas maldadçs? invia-me quem me console.. .
Era tão horrível a agonia, que correram a chamar um pa- ;,ij
.::
::.1
dre para que o confessasse; mas, quando chegouo padre, o in-
ïeliz iâ estava morto.
E o corpo daqueleque vivera como animal, foi devorado , a..;

pelos animais,para os quais não existe outra vida. .ï{


'.,,:!

208. ;{
U M A C O N T R A R I E D A D EQ U E S A L V A A V I D A ,: ì

S. Franciscode Sales embarcouum dia païa Veneza.Na- :


quele navio iá estava alojada uma dama distinta com seu sé- - {í-
quito. Ao ver a dama que o santo Bispo viajaria no lneslnonavio. ;l'

irritada, insultou-o e exigiu conr ameaçasque êle ficasse em :.


terra. Os companheirosdo Santo também se irritaram; êle, po-
. í'.:
rént, cheio cle mansidão e doçura, clesceuda rÌau, dizendo:
"Neste mar são nruito freqiientesas tempestacles. Quem sabe
.d

se não está algurnarriuitopróxima!" A embarcaçãopôs-sea ca-


minho. Poucashoras depois chegavaao Santo a notícia de que
o navio fôra engolidopelas águas. ;,',..
-,
;:i':;

191
:ì.,.
*.t-\
:. \,

tr\
209.
DANDO A VIDA POR SUAS OVELHAS

Era em 1849.os canhõesretumbavamespantosamente peras


ruas de Paris; uma revoluçãodo povo contra o exército enchia
a cidade de ruínas e de ódios, e regava as ruas com sangue
humano. um homem de aspectovenerando,com o rosto transfi-
ìt.
'Èi ,
gurado de dor, apareceentre os mortos e feridos e exclamacom
i:ì-.
a c e n t od e c a r i d a d ee a f l i ç ã o :- M e u s f i l h o s ,b a s t a ! p a z l p a z l
Ao surgir aquela figura e ao ouvir aquela voz, cessouo fo-
go; os feridos perguntavam:- Quem é êste homem?
lrlaqueleinstante ouve-seuma descarga.Aquêle homem cai
ferido. . . Corre-lheo sanguedo peito.
À...
'À As suas últimas palavras'foram: - Meu Deus, que o meu
.."*ì
:* sangueseja o último que se derrameaqui.
f +-"
ÍÌt
'ls .
,|', Assim foi. Cessoua luta.
{:
:ì ' Aquêle homem era o arcebispode Paris, Mons. Affre; era
bl.r'
ilr
ï!i-
o Pastor que dava a vida por suas ovelhas.
1ìi
i.,

\**.
210.
UM TRABALHO DESTRUIDO,UUTRO
t RECOMPENSADO
çit "

A naturezaé mestra do homem. Há dois insetos muito la-


boriosos: a aranha e a abelha. A aranha trabalha de manhã e
de noite, estendesua teia sutil e anda sem descansode um fio
a outro. Alarga, une, uuza os fios e forma polígonosconcêntri-
cos. A abelha,ao contrário,vai de flor em flor, liba o néctar,
transformando-o, ao chegarà colmeia,em dulcíssimomel.
Passao dono da casae com a vassouradestróifuriosoo tra-
balho da ar,anha;diante do favo de mel, fabricado pela abelha,
porém, pfua e sorri contente.
Assim é no mundo: todos trabalhamos,uns segundoa pa-
lavra de Deus e outros segundoa palavrado demônio.Mas quan-
'ì,r
$-,ll
do Nosso Senhor passaÍ, destruirá a obra dêstese recompensará
a daqueles.

t92
LB:*". ."
'- .- l
\--

2ll.
A ALMA OCIOSA NÃO ENTRARÁ NO CÉU

Como é triste ver um cadáver,frio, inerte, estendidonuma


cama!Aquêlesolhos outrora brilhantes,agora não se movemmais,
estão apagadospaÍa sempre.
Os lábios, antes abertosaos sorrisgse às mais doces ex-
pressõesdo coração, agora estão cerrados e imóveis para sem-
pre. Mais alguns dias e aquêle corpo será reduzido a um pu-
nhado de pó que o vento poderáespalhar.
Ora, o apóstoloS. Tiago diz que, se a nossafé não estiver
acompanhadade boas obras, também ela estará morta (Tiago
2, 26).
E'um corpo que tem todos os meios para agir, para tra-
balhar, para mover-se.. . mas não ïaz nada. Mas, então, que
aproveitamos olhos, se náo vêem? Para que servem os lábios,
se não falam? Para que as mãos, se não apalpam?
Façamoso bem enquantotemos tempo, pois como o corpo
acaba numa cova, como a planta inf rutuosa é cortada e lançada
no fogo, do mesmo modo a alma ociosa cairâ no inferno. No
reino do céu entra sÒmentequem faz a vontade do Pai celeste.

212.
Q U E MS E H U M I L H A .

Quando S. Hilário chegou,o Concíliojá havia começadoe


os demaisbispos estavamreunidosem assembléia. O Santo en-
trou. Todos ocupavamsolenementeseus altos assentose nin-
guém se moveu, ninguém se levantou para oferecer-lheo lugar.
Então o santo bispo, que se tinha por indigno de estar ao lado
dos outros, assentou-se no chão, dizendohumildementea pala-
vra do profeta: Dómini est terra: a terra é de Deus.No momento
em que o corpo de S. Hilário, ao assentar-se, tocou a terra, esta
ergueu-sede tal modo que colocou o santo à mesma altura dos
outrosbispos;e todos,vendo o exemploe o milagre,lembraram-
se das palavrasde Cristo SenhorNosso: Qui se himiliat exalta-
bitur: aquêleque se humilha será exaltado.
Não nos queixemosse outros nos estimam pouco, ou nos
deitam só o último pôsto, ou nos negam aquêle pouco mérito
que poderíamoster. Deus saberá exaltar-nosno paraíso.
'Iesour- I - 13 193
213.
O DOM DA FORTALEZA

Prenderama virgem S. Apolônia e, diante duma Íogueira,


1
declaratam-lheQU€,se não renegassea JesusCristo, seria lan- t

çada ao fogo. Vendo a enormefogueira,ela não só não se es-


pantou, mas ainda, movida interiormentepelo Espírito Santo, aL

desembaraçou-se dos soldados,e ela mesma se arrojou às cha-


mas. Foi efeito do dom da tortaleza.

214. '
COMO SE CONVERTEU LUÍS VEUILLOT

Êste grande escritor católicotinha um filho de muito mau


gênio.A mãe dizia a miúdo ao pai: "Tem paciêncialverás como
mudará de gênio quando ïizer a primeira comunhão".
E assim toi. Tornou-setão bom, que chegoua conseguira
conversãodo pai, até então incréduloe inimigo de nossareligião.

I'a
215.
O TRABALHO INÚTIÈ
I

l
Ìi
I
Apresentou-se na côrte de HenriqueIV um homem pedindo I
ao rei permissãopara executarum jôgo de muita habilidade,que ;
a

nunca se vira em nenhumafesta. O rei consentiue todos foram


assistirà façanha.
O homem afincouno meio da arena uma estacade madeira ; t

e na pontg colocouuma agulha de coser. Nos olhos cle todos


i,

notava-segrande curiosidade.Eis que o homem, montandoum


cavaloarreado,e tendo na mão uma linha muito comprida,passa t
t
I
galopandoao lado da estacae enfia a linha na agulha,tirando-a t,

pelo lado opostosem parar. Entre os calorososaplausosda ntul- I

ao rei para receberum prêmio ou um louvor.


I

tidão, apresenta-Se I
l

Quantos anos empregastenesse trabalho? indagou i


i
o rei. l
Doze anos. Ensaiei,e tornei a ensaiar,trabalhandodu-
I

t
I
rante doze anos - respondeuo homem. t-
I
Pois bem replicou o rei ticarás encarceradodu-
rante cloze anos, por teres gasto tantos Sem honra paÍa teu rei
e sem utilidade para tua pâtria.

194
\

l-:1-.
ffi
-
^,eF
'r
I

Ah ! quantoscristãosnão terão de ouvir no dia do luizo:


empregastes tôda a vida num trabalho que não honrou a Deus
nem aproveitouà vossaalma. E é por isso que permanecereisno
cárceredo inferno por tôda a eternidade(Cf . Mt 25).

216.
P E R D O A RA O S I N I M I G O S

Sublime é o exemplode S. Joana d'Arc, a jovem singular


vinda da Lorena para salvar v França. Depois de haver rompido
o cêrco de Orléanse de haver levado Carlos VII de triunfo em
triunfo até a coroação do mesmo em Reims, foi desprezada,
abandonada,atraiçoada.Deus queria indicar-lheque sua missão
terminarae só faltava o supremosacrifíciode sua vida.
Em Compiegnetoi feita prisioneirae vendida aos inglêses
que a condenaramà fogueira.Apareceuna Ptaça de Ruão, aos
18 anos de idade,condenadaà morte, mas não mostrounenhum
temor.
O rei banqueteava-se bem distante dali sem nenhum senti-
mento de compaixãopara com aquelaque viera da Lorena para
salvar a França.
tas envolvefam,como numa tormentosaau-
Quando as cha*.inocente,
réola, aquêle corpo Joana ergueu os olhos cheios de
esperançae exclamouem alta voz que perdoaYaao rei, aos fran-
ceses,e aos inglêsesque a queimavam.

217.
E S C O L H E I !.. .

Depoisque Moisésexplicouao povo a Lei de Deus,concluiu


assim: "Filhos de Israel, eis que eu ponho hoje diante dos vos-
sos olhos a bênçãoe a maldição;a bênção,se observardesos
mandamentos de Deus; a maldição,se não obedecerdes aos man-
s o S e n h o rv o s s o D e u s " . E s c o l h e i !
c l a m e n t od ( D t 11, 26 ss).

218.
A MALDIçÃO DE UMA MÃE

Antes da aurora foi Agostinho,o santo bispo de Hipona,


despertadopor uns gemidose profundossoluçosque vinham da
rua. Dois homensseminus,de barba e cabeloscompridos,sujos,

13* 195
fracos e famintos, tremiam convulsivamente diante da residência
do bispo.
- Como vos chamais?- perguntouAgostinho.
- Paulo e Paládio,responderamsern cessarde choiar.
- Tranqüilizai-vos,nós vos socorreÍen1os.
- E' impossíveltranqüilizar-nos. Vimos de Cesaréiada Ca-
padócia;em nossafamília éramosseteirmãose três irmãs.Ofen-
demosa nossamãe viútvae ela nos amaldiçooue a maldiçãope-
netrou em nossa carne, em nosso sangue,em nossosossos.Li-
vra-nos,Santo de Deus, da maldiçãode llossa mãe. E se não o
podes,faze-nosao menosmorÍer.
S. Agostinhorogou a Deus por êles e curou-os.
Se tanto pôde naquelesfilhos a maldiçãode uma mãe ter-
rena, que não será a terrível, irrevogável e final maldição de
Deus, pai nosso ofendido por nossospecados:Ite, maledicti, in
ignem aeternum? )

2lg.
OS MORTOS ESTAVAM DE PÉ. . .

Quando, na grande guerra européia,os bolcheviquesentra-


ram em Sebastopol,mataram muitas pesso s sem processoal-
-atavam-lhes
gum. Levavamaos escolhosos condenados, aos pés
grandes pedras e precipitavam-nos ao maÍ.
Assim foi executadotambém um almirante;mas quando o
atiraram ao mar, desconfiaramque levava consigo documentos
importantes.Ordenarama um escafandristaque fôsse buscar o
cadáver.Desceuo homem, mas antes de tocar o fundo do mar,
fêz sinal para que o erguessemà superfície.
Voltou louco de terror e pronunciavapalavras sem sentido.
Curado após alguns dias, contou Qüê,ao aproximar-sedo fun-
do do mar, se encontrouno meio duma espantosaassembléia: to-
dos os mortos estavamali de pé e pareciam ir-lhe ao encontro
ameaçando-ocom vingançasterríveis.
Era um fenômenonatural QU€,naquele momento,o esca-
fandrista não soube explicar. Os cadáveresque hâ alguns dias
estavamnas águas,aligeiradospela decomposição, tendiama su-
bir à superfície; mas nã,o podiam pelo pêso das pedras que
tinham atadas aos pés.
Se a vista de alguns cadáveres,que cambaleavam pelo im-
pulso das correntes,fêz desmaiare enlouquecer de susto um ho-

196 't
.'
-

mem habituado ao perigo, pensai o que será, então, quando os


maus se encontraremdiante do Filho de Deus vivo, agitado pela
ira terrível de sua inexoráveljustiça. lâ náo será o Cordeiro que
tira os pecados,mas o leão prestesa destroçarseus inimigos.

220'
A REC'MPENSA Do MUND'

A rainha Isabel da Inglaterra, de tnste memória, tinha en-


tre os nobresde sua côrte um extraordináriobailarino,chamado
Tomás Pando.
Quando bailava, todos gritavam com delírio: "Outra vezt
bis, bis!"
E êle continuavabailando. Mas um dia estava tão cansado
que suas fôrças não lhe permitiam nenhum estôrço.Mas a fa-
nátìca rainha gritou: "Repete, repete". E Tonrás, para fazer-lhe
a vontade,bailou,nas últimas voltas, porém, teve vertigem e caiu
ao solo. Puseram-setodos a rir, e a rainha gritou: "Levanta-
te, boi !"
O pobre bailarinoouviu o insulto,mordeuos lábios e levan-
tou-se. No dia seg-inte desapareceuda côrte. Fugiu para os
montes e nunca mais foi visto bailar.
Assim são as recompensas do mundo. Aos aplausos,Iou-
vores e sorrisossucedemquasesempreo abandono,o desprêzo
e o amaÍgo insulto: "Levanta-te,boi!"
à
È
--i
221. t;
I
A ORAçÃONASTENTAÇÕES l"
r
I
It :
Em Roma foi metida no cárcere Daria, a santa espôsade l:
Crisanto,por seÍ cristã e haver convertidoinúmerasmulheresda I

idolatria à verdadeirareligião. Empregaramcontra ela os mais I


I .
t-
I
dolorosostormentosl puseram em prática tôdas as astúcias in- I

I
t
fernais para arrebatar-lhea virtude, nada conseguindo. t'

Levaram-na,finalmente,a um lugar infame; mas Daria, le-


i
vantandoas mãos e os olhos aos céus,pôs-sea oraÍ. Nem bem i

começaraa Íezar e eis que aparece,ao lado dela, uffi majestoso


leão dispostoa despedaçara quem quer que se atrevessea mo-
lestá-la (Leonis tutela a contuméliadivínitusdefénditur).

t97
Nossa alma está rodead.ade terríveis inimigos, como a de
S. Daria.
Qual será a nossa deÍesa?A oraçã,o.Sem ela não há sal-
vação.
ì.-

222.
SÃO E SALVO NO MEIO DOS LEÕES

Houve um rei que proibira severamentetôda oração. Ora,


numa casa com a janela aberta, vê-se um homem orando de
joelhos e com o rosto voltado para Jerusalém,a cidade santa.
Quem orava era Daniel, o grande ministro do rei.
Espiaram-nomuito os inimigos e viram que três vêzes ao
dia (de manhã,,ao meio-drae à noite), naquelahumildeatitude,
fazia sua recolhidaoração.Foi denunciadoe condenado.a mor-
rer despedaçado pelos leões.Meteram-nona cova dessasteras
e fecharama aberturada mesmacom uma grande pedra selada
com o sêlo real.
Ao amanhecerDario, que não pregara os olhos, correu à
cova e encontrouDaniel ileso e sorridente.
O homem que ora em nome de Jesus-será vitorioso. Nem
o mundo, nem o teroz leão (o demônio) poderãocausar-lheal-
gum dano.

223.
o T E M O RD O I U | Z O
Na ntanhãde 14 de setembrodo ano de 258, no campoSéx-
tio, molhadoainda pelo orvalho da noite, degolaramo bispo de
Cartago. Prenderam-noos inimigos de Cristo e conduziram-no
ao tribunal do procônsulGalério,QU€lhe lêz esta pergunta:"É,s
tu Táscio Cipriano?" Cipriano respondeucom tirmeza: "Sou".
Galério ordenou: "Táscio Cipriano seja degolado".E o mártir
respondeu:"Deo gratias".
Mas, quando os soldadosse dispunhama executara sen-
tença; quando, despidosos ornamentosepiscopais,os fiéis es-
tendiamseuslençospara recolhero sangueque ia jorrar, o Santo
tremeu e cobrindo as faces com as mãos exclamou:"Vae mihi
cum ad judícium vénero", isto é, ai de mim! quando chegar ao

r98

* .*- >;- --.È--!"*;:#ìi-_


-*\:.

luízo! Foi um instante, pois logo inclinou a cabeça e ofereceu


a Deus o sacrifício.
Se a lembrançado Juízo ïazia tremer os mártires, que será
de nós? que diremosao divino luiz?

224.
A VITÓRIA SERÁ NOSSA

S. Joana d'Arc está no sítio de Orléans. Combaterasete


horas, Semprecalma e intrépidano meio dos soldados.E' che-
gado o momento de totnar ao inimigo a famosa lortaleza de
Tourelles.De repenteavança,toma a escadae sobe impetuosa
à tôrre. Fere-a no peito uma flecha.Jorra o sangue.Ela empa-
lidece, treme indecisano meio da escada.Chora de dor e de
mêdo. Descee oculta-separa se curar. Era a debilidadehunta-
na. Os inglêsesanimam-see oS francesesatemorizadoscedem
o campo e tocam a retirada.Mas ao primeiro toque de clarim
vozes que
Joana levanta-se,recorda-seda visão que tivera, das
ôuvira e laz uma breve oração. Em seguida, de um golpe ar-
rancaa flechae conl o peito manchadode sanguegrita: "Avante!
Somosos vencedores".E venceu.
ida é uma batalha pela conquistado reino
Cristãos,a *dia
de Deus. Se algum nos assaltaremo temor e a debilidade'
recorclemos notú fé, avivemosnossasconvicçõese fortaleçamo-
nos cont a oração.Em segttida,como S. Joana, sigamosavante'
segurosde que a vitória será nossa.

225.
ANIMAVESTRAIN MANIBUSVESTRIS
O Pe. Segneri costumavacontar o seguinteepisódio:
Havia na praça de Atenasum famosoadivinho,que a todos
dava prognósticos, prediziao futuro e descobriao passado.Um
dia, querendo zombar dêle, apresentou-se-lhe um homem astuto
que tinha um pequenopassarinhotechadona mão.
Sabes dizer-me perguntou ao adivinho se êste
passarinhoestá vivo ou morto?
O astuto pensavaassim: se êle disser que está morto, eu
o cleixareivoar; e se disserque está vivo, eu o apertareicom o
polegar e o Ïarei morrer.

199 t
-- ii
I
O adivinho,porém,foi mais espertoe respondeu:Cavalheiro,
êsse passarinhoestá como o Sr. quiser: se o quiser vivo, está
vivo; se morto, morto. Todos os espectadores
aplaudiramo adi-
vinho.
- Amigos, aquela sagaz respost4 nós a podemos dirigir
também a vós. Vossa alma será tal qual a quiserdes:se salva,
salva; se condenada,condenada.
Anima vestra.. .

226.
CUIDADO COM A ALMA

Conta um poeta latino, Horácio,que um jovem, levado pela


loucura de gastar seu patrimônio,dissolveuem vinagre uma pé-
r o l a p r e c i o s í s s i meab e b e u - ad e u m t r a g o ( H o r . , S a Í . I I , 3 ) . U r n
movimentode indignaçãose apodera do leitor ao recordar ta-
manha falta cle juízo daquelejovem. Mas, que dirão os Anjos,
quando vêem os homensdestruir a formosurade sua alma por
um amargo prazer?
Um quadro do célebrepintor Rafael,u ra estátuade Miguel
Ângelo são avaliadasa preços Íabulosos,'porquesaíram das
mãos de artistas famosos.E a nossa alma não saiu das mãos
do.Artista supremo?Notai ainda que ela foi criada à semelhança
de Deus; leva, pois, em si algo de sua beleza,de sua grandio-
sidade,da sabedoriade Deus.

227.
VIVIA NUMA COLUNA

um santo ermitão mandou levantar no desertouma coluna


muito alta e no tôpo da mesmaviveu muitos anos. Aii no alto,
elevado sôbre a terra má e olhando para o céu sereno,repetia
com freqiiência:"Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,'.
Se tôdasas vêzesque temosrezadoo Gloria patri o tivésse-
mos feito com o respeito daquele anacoreta, quantos méritos
não teríamosacumuladopara o céu! euantos méritos se tivés-
semos começadoe terminadocada uma de nossasoraçõesem
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!

200
-__----.-ík
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'.
t 1

229.
POR QUE OS PADRES NÃO SE CASAM
i

Íamos passandodiante duma igreja e um companheiroma-


nifestou desejo de conhecê-la. Como havia na fachada uma t
grande crt)z, julgamos ser uma igreja católiea. A um menino, r{

que estava ali perto, perguntei:


- Sabesonde está o pároco? .ï* 1

- Sim; o pastor é meu pai, eu vou chamá-lo.


- Não; não é precisoincomodá-lo.Eu tinha compreendido *
que se tratava.de um templo protestante.Mas, por cortesia,ti-
vemos de esperar,pois o menino toi correndochamar o pai.
Passadosalguns minutos, aparece o sacristão e diz:
- Desculpai,senhores;o pastor não pode vir. Tendo vol-
t a d o h á p o u c o p a r a c a s a ,e n c o n t r o ua s e n h o r ad ê l e d e s m a i a d a . . .
O menino,que foi chamá-lo para os senhores,saiu correndoà
procura do médico.
Disse-meo pastor que despedisse, sem mais, todos os que
a l a r - l h e . . . P o b r e p a s t o r !Q u e p e n a t e n h o d ê l e ! . . .
d e s e j a s s e fm
Uma filha dêle está doente no hospital; um dos filhos está no
\
manicômioe outro num reformatório.. . O ún:co filho que tem
saúde é o menino_1ueencontrastes aqui.
Apenas saímos do templo, disse-meo meu companheiro,
um advogado:
Desculpai-me,senhor Padre, se vos digo sinceramente
que as palavras dêsse sacristão me convencerammais do que
as vossas da conveniênciado celibato do clero católico.Como
poderia cuidar sèriamentede seus paroquianosquem se achasse \
nas condiçõesdêssepobre pastor? (José Colombo, Uma tt'iagem
ao redor do mundo).
',

229.
DOIS ITALIANOS E O VÍCIO DE BLASFEMAR

Infelizmente, na Itâlia muitos têm o detestável vício de


blasfemarou xingar a Deus. Numa cidade dos EstadosUnidos,
onde a blasfêmiaé punida severamente, um italiano várias vê-
zes admoestouum patrício que deixassede blasfemar.Mas a
respostaeÍa sempreesta: "Vai cuidar dos teus negócios!"
Um dia, porém, um polícia, que entendiaitaliano, ouviu-o

20r
blasfemare sem clemoraprendeu-oe levou-o ao iuiz. Êste per-
guntou-lhe:
- Que respondeisà acusaçã,o dêste polícia?
- Que blasfemei,mas foi em italiano.
- Então pensaisque Deus não entendeo italiano?!
- Mas foi na Itália que me habituei a blasfemar.
- [ su, na América, me habituei a condenaros blasfema-
dores. Por esta vez, condeno-vosa pagaÍ ap'enasa multa de
dez dólares.
- Como! tanto dinheiro por uma só blasfêmia?!
E aqui o tal perdeu o contrôle de si mesmo e soltou outra
blasfêmia.E o juiz acrescentou logo:
- Por esta segundablastêmiapagareisvinte dólares.
- Mas isso é uma grave injustiça,senhorjuiz. Não sabeis
que na ltália. . . e solta a terceirablasfêmia.
- Por esta terceira blasfêmia pagareis trinta dólares; a
não ser que pretirais ficar tantos clias na cadeiaquanto são os
dólares que deveis pagar.
O blasfemadorcalou-see aprendeua lição. Desde aquêle
dia não mais o ouviram blasfemar.

230.
D E V E P R E F E R I R - S EA T I . D O
'l
S. João de Gota, um dos mártiresdo Japão,foi condenado
pelo tirano. Contavaapenasdezenovqanos e pouco tempo tazia
L
que entrara na Companhiade Jesus..lndo seu pai despedir-se
dêle, o jovem, no momentode ser crucificado,disse-lhe:
- Meu pai, a salvaçãodeve preferir-se a tudo. O senhor,
paía assegurá-la,não se descuidede nada.
- Muito obrigado,meu f ilho! e você, também,agüentefir-
me. Sua mãe e eu estamospreparadospara morrer pela mesma
causa.
E o generosopai, tendo beijado seu filho mârtir, retirou-se
molhaclopelo sangue da generosavítima.

231.
S U P E R S T I C I O S OC R U E L
Luís XI, rei dc França, condenaraà morte um astrólogo
por haver pressagiadocoisas desagradáveis.
Êste, em tom pÍo-
fético, disse aos familiares do r e i :

202
%

,,LinoSaStroSquevivereiatéumaidadeavançadae
que morrerei três dias antes de sua majestade".
Bastou isso para que o rei revogassea sentençae prodi-
galizasseao astrólogotôda sorte de cuidadospara prolongar-lhe
a vida.

232.
UMA REPRESENTAÇÃO
SACRÍLEGA
O imperadorMiguel II, de Constantinopla, que contribuíra
para o cisma d,a Igreja Grega, ordenaraque no dia da Ascensão
se representasse uma comédia para escarneceros sacramentos.
Na noite seguinteum espantosoterremoto,acompanhadode fu-
riosa tempestadeno mar, devastouaquelacidade.Pouco depois,
o imperador,enquantodormia após uma de suas bebedeiras,foi
assassinadopoÍ/ seJJ filho.
..próprio \
a
I t
233. l
CORTADOSOS LÁBIOS
,(
A perseguiçãoreligiosa, ordenada pela rainha Isabel, da
Inglaterra, fêz inúÈrerasvítimas.
Entre os muitos confessôresda nossa fé, achava-seo sa-
cerdote Tiago Bell, que afostatara, mas QU€,depois'de haver
il
refletido melhor, se arrependerae trabalhavacom muito zêlo
pela salvaçãodas almas. .Ë
Prêso e condenadoà morte, pediu ao luiz que lhe fôssem {ì
cortadosos lábios e os dedos por ter pronunciadoo juramento
e ter assinado,os artigos heréticoscontráriosà consc:ência
e à
verdadedivina.

234.
DE ONDE FUGIU O SENHOR?

Um pastor protestante,que sempre afirmava que os cató- ,


licos adoram as estátuase imagens,e que por isso são idólatras, 'ì
vendo certo dia que uma boa velha rezavadevotamente ajoelha'
da diante dum crucifixo, disse-lheem tom de mofa:
- A senhoraador.aessa imagem?
A mulher fixou-o admiradae disse:

203

\
-"*

- 0 senhor está louco? De que manicômiofugiu? Ajoe-


lho-me diante desta imagem que nte representaJesus Cristo,
mas meu coraçãoê para Deus.

235.
UM TIRO SACRÍLEGO
Perto de valença, na Espanha,celebrava-se uma festa em
honra do Santo Cristo numa ermida. Muita gente desfilara du-
rante o dia, rezandodiante de Jesus.À tarde, quando todos se
tinham retirado, voltava da fábrica um operário, o qual, paran-
$...
Ì do, puxou do revólver e com um riso satânico,apontotr para a
È1
imagem e atirou, esmagando-lhe o dedo do pé direito, e depois
retirou-se.
À noite, indo a um baile, enquantose divertia,deixou cair
o revólver, saiu um tiro e a bala esmagou-lheum dedo do pé
s: direito, como esmagarao do Cristo da ermida.
F .

um médico. o tratou, mas a ferida nunca se fechava.Foi


necessáriocortar-lhe o dedo, depois o pé, mais tarde a perna,e
a gangrenacaminhavasempre,e ninguém compreendiapor que
aquela ferida nã,o se fechava. Era uma ci.aga produzida pela
justiça de Deus, chaga que levou o operárioaçumamorte horrível.

236.
QUERIA PÔ-LASCOMO FLORES
t Em 1873 um homem de Wisembach,povoado dos Voges,
: amontoavaimundíciesnum depós:to.Aos que lhe perguntavam
para que serviria aquilo, respondia:
- Este lixo eu o porei como flôres nas ruas por onde há de
passara procissãode Corpo de Deus. Três dias depoisfoi ata-
cado de apoplexia,morrendosem recobraros sentidose sendo
enterradono próprio d:a de Corpus Christi.

237.
CAIU A PEDRA
N o d o m i n g o , 2 2 d e d e z e m b r od e 1 8 6 l , e m V o l t e r r a ,a l g u n s
jovens se haviam reunido perto duma muralha, sôbre a qual so-
bressaíauma graqde pedra. Um dêles,que perdergno jôgo, co-

204 \
- -.*
-Èç
t'

meçou a dizer horríveis blasfêmiascontra Nossa Senhora.Os


companheirosprocuraramacalmá-lo,mas foi pior. Chegada a
hora da missa, convidaram-noa entrar com êles na igrefa; res-
pondeu-lhes,porém, com a mais horrível das blastêmiãs.Apenas
fechoua bôca, ca:u sôbre êle a grande pedra e o e.magou.

23g.
VEREISCOMO ISTO PÁRA!

_Em agôsto de tSgl foi uma ardeiaaçoitadapor uma chu-


va de pedras, que devastouvinhedose hortas:"Váiios campone-
ses reunidos numa taberna se queixavãm,blasfemando,da tem-
pestadeque os arruinava.O taberneiro,furioso, blasfemavamais
que todos e, tomando uma espingarda,sai,uà rua, dizendo:
"Atirarei contra Deus e vereis como isto pára jâ!".
o blasfemoergueu a espingardacontra o céu. . . nlas, no
momentoprecisamente,caiu um raio, matando-oiuntamenteconl
um cigano que o acompanhava.

239.
Cí MPADECIAM-SE DÊLE

Na cidade de õunour, em maio de rgoz, enquantoos fiéis


saíam da igreja de s. Teodoro, após as funçõessagradas,um
indivíduo começoua insultar os que tinham ido à Ìgreja e a
blasfemarcontra Deus e Nossa Senhora.os fiéis qu.
f,us avam,
espantados, compadeciarn-se dêle. De repente,o hômem cala-se,
empalidecee cai como que fulminadopor um raio. Tôda tenta-
tiva para socorrê-lo foi inútil.

240.
CEGO PELO RESTO DA VIDA

um homem voltava da venda depois de ter ouvido ali tôda


sorte de impiedades.Ao' ver o crucifixo à cabeceiracla cama,
pôs-se a blasfemare xingar a sagrada imagem. Foi além: to-
mou uma faca e arrancousacrìlegamente os o,lhosdo cruciÍixo.
No dia seguintecomeçoua sentir uma dor agudíssimanos olhos.
Levaram-noao hospital, donde saiu completamentecego, vendo-
se obrigadoa mendigaraté o fim da vida.

205

J
241.
NEGRO COMO CARVÃO

Um jovem universitário,inteligentemas incrédulo, achava-


se em térias em casa de família amiga.
Uma noite, à hora do jantar, proÍeriu horríveisblasfêmias
contra a ImaculadaConceição;tais, como nunca se tinham ou-
vido naquelacasa.
Ficaram todos horrorizadose a dona estêve a ponto de
despedi-lo.Retiraram-seaborrecidose silenciosos,pedindo a
Nossa Senhoraque lhe perdoasse.Na manhã seguinte,quando
o toram despertir, enconlraram-nomorto e negro como carvão'

242.
EXPIAçÃO

Um capelãofrancêsvisitava uma ambulânciae aproximan-


do-se dum soldadodisse-lhe:
- Amigo, disseram-meque você está gravementeferido e
sofre muito.
- O sr. levante o cobertor que nle cs'bre.
Horrorizadoviu s capelãoum peito rofisto sem braços'
- Não se assuste- disse o soldado; levante agora a co-
berta dos pés.
Faltavamas Pernasaté os joelhos.
- Pobrezinho!- exclamouo sacerdote'
- Não se compadeçade mim, padre; dê-meantesparabéns'
porque antes da guerra eu reduzi ao mesmoestadouma imagem
de -JesusCruciflcado.
Foi assim: Ao chegarmosà encruzilhadado caminho,eu e
meus cornpanheiros encontramosum grande crucifixo e o en-
chemosde insultos e blasfêmias.Quis avantajar-mea êles em
impiedadee com meu sabrecortei os braçose as pernasda ima-
g.nr. Quandocomeçarama sibilar as primeirasbalas é que com-
fireendia enormid.adede meu crime. Lembrei-mede minha igreja,
d. r.u vigário, de minha defunta mãe, de meu catecismo'
pedi ã D.ur que me castigassenesta vida. E Deus me ou-
viu como o sr. est'ávendo. como tratei ao crucifixo' assim fui
tratado. Q,uantomaioresforem os meus sofrimentos,tanto maior
será o meu consôlo;pois assim estou se$uro de que DeuS quer
perdoar-me.

206
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243.
JORGEWASHTNCTON
Estava certa vez sentadoà mesa com alguns oficiais,quan-
do um dêlesproferiu uma vil blasfêmia.Washingtonsentiu-sein-
teriormenteferido e, deixando cair o talher com indignaçãoe
olhando com desdém para o infeliz que acabava de blasfemar,
disse: "Senhores;eu julguei que todos os que aqui nos encon-
tlamos éramospessoasdecentes".Todos se calarame o culpado
corou e baixou os olhos envergonhado.

244.
O HOMEM DO FUZIL

Em 1915 o capelãode um regimentofoi transferidopara


outro corpo. Em seu lugar puseramum padre trapista que foi
bem recebidopor todos, menospor um anticlerical,que, furioso,
dizia: "Que necessidadetemos de padres? Deus não existe. Se
hit Deus, vejamos se é capaz de quebrar o tuzil que tenho na
mão". E acompanhandoas palavras com a açã,o,apontou o fuzil
para o céu em atitrrJe de desafio. No mesmo instante, porém,
uma bala inimiga - eu no f.uzil, despedaçando-oe penetrando
no crânio do blasfemo,que caiu morto ali mesmo.

245.
UM MENINO HERÓI

Não taz muito tempo, numa vila da ltália chegavaem casa


um meninode 12 anos, pálido e choroso.
Que acontecera?Alguns malvatlos,movidos de ódio contra
êle porque ïizera a primeira comunhão,disseram-lhe:
- Tens cle repetir as blasfêmiasque dissermos.
- Não (disseo meninocom firmeza), eu não blasfemo.
. - Tens de blasfemar,por bem ou por mal.
Dito e feito: atiraram-noao chão e bateram-lhebrutalmente,
Mas dos lábios do menino não saiu nenhumablasfêmiae nem
sequer uma palavra de queixa.

207
É
F-

r-'-
È.
246.
DECORAI ÊSTES CINCO PONTOS

O trabalho de domingo nunca enriquece.


A fortuna mal adquirida nunca aproveita.
A esmolanunca empobrece.
O encomendar-se a Deus pela manhã e à noite nunca atrasa
o trabalho.
Um filho rebeldee libertinoiamais será feliz.

247.
. PRIMEIRO IREI À MISSA
Refere S. Afonso que três negociantesestavamprontos para
partir juntos da cidade de Gúbio. Era domingo,e um dêlesquis B
i

ouvir antesa missal os outros,porém,não qu:seramnem mesmo


esperá-lo.Mas, quando atravessavam a ponte do rio Borfoune,
cheio pelas últimas chuvas, caiu a ponte, perecendoafogados
os dois negociantes.

249.
POR UM PECADO MENìS

Voltava da missa um domingo,em Londres,uma dama, ir-


mã dum ministro do reino. Encontrouuma mulher a varÍer a tva,
Soubeque era católica.Perguntou-lhese tinha ido à missa.
Respondeúa vaÍredouraque não tinha tempo,porque antes
do meio-dia tinha de acabar a limpeza. A dama deu-lhe uma
moeda e, mandandoque fôsse à missa, disse-lhe:
- Cumpra o seu dever de cristã,QUeeu farei seu trabalho.
E assim dizendo,pegou da vassourae pôs-sea vaÍÍer. t;

Interrogada por que se humilhavaassim em lugar tão pú-


blico, respondeu: t

- Por um pecadomenos!

249.
A ÁRVORE CRESCIA

O erm:tão Nicolau, de Suíça, estandoa ouvir Missa, teve


uma visão. Viu uma àrvorezinha,que, brotando do piso da igreja,
crescia ràpidamentee em poucos segundosestava coberta de

208

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flôres, resplandecentescomo estrêlas.Essas flôres caíam sôbre


a cabeçados f iéis: em alguns murchavame perdiam o brilho;
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em outros aumentavamde resplendor,adornando-lhes as frontes F

como uma coroa de luz.


A á,rvoreeÍa figura da bênção celestee as flôres simboli-
zavam a bênção que caia sôbre cada üffi, frutificando nos fer-
vorosose murchandonos distraídose desatentos.

250.
SEMPRE CHEGAVA TARDE

Um homem da Westïâlia,durantemuitos anos sempreche-


gava tarde à Missa nos dias de preceito.
Adoeceupan morrer e mandou chamar o padre com ur-
gência. O Vigário sem demora pôs-se a caminho, mas dizia
consigo:"Não será para estranharque JesusCristo cheguetarde
a êle, como castigo de sempre ter chegadotarde à Missa". E
com efeito; quando o padre chegavaà casa, o enfêrmo expirava
sem os sacramentos.

251.
-
SAÍAM DA IGREJA

S. Hilário, vendo que algumas pessoas,depois da leitura


do Evangelho,saíam da igreja, interrompeua prâtica exclaman-
do: "Podeissair da igreja, mas do infernonão podereissair!"

252.
SANTA JULIANA

Era uma religiosade clausuraem Florença,ltália. Adoeceu


tã,o gravemente,QUe,ao administrarem-se-lhe os sacramentos,
nã,o foi possível dar-lhe a comunhão,porque não podia reter
nada no estômago.Chorandorogava ao sacerdoteQU€,iâ que
não podia receberJesus pela bôca, pelo menos o colocasseal-
guns instantessôbre o seu peito, para que estivessemais perto
de seu coração.
Assim o lêz o sacerdote,desaparecendo a sagrada Partí-
cula, ao mesmo tempo que a Santa morria de gõzo. Sôbre seu
peito acharamgravada, à maneira de sêlo, a imagem de Jesus.

fesoul., I - 14 209
---\--*
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i
253. .
TRÊS COMUNHÕES

S. Catarina de Gênova achava-semuito doente, e os nté-


dicos desesperavam de sua vida e não encontravamremédio
para aliviá-la.
A Santa recebeuuma luz do alto que lhe fêz conhecerque
com três comunhõesrecobrariaa saúde. O confessoradminis-
trou-lhe êsse remédiodivino, e depois da terceiracomunhãoela
estava perfeitamentecurada.
Uma noite, sonhouque no dia seguintenão poderiacomun-
gãr, e sentiu uma dor tã.o viva que ao despertar encontrou o
travesseirobanhadode lágrimas.

254.
O QUE VALE UMA MISSA

Achava-seum missionáriomuito esgotadopor seus traba-


lhos apostólicos.Seus companheiros, para induzi-lo ao descanso, ''
diziarn-lhe:"Se o médico conhecesse o vosso estado de saúde, :
não vos p e r m i t i r i aa c e l e b r a ç ã d
o a M issa'.
Mas o enfêrmo replicou: "Pelo contrá ìo, se o médico sou-
besse o que vale uma Missa, êle me aniàaria a dizê-la dià-
riamente".
.'
255.
PAI TODO-PODEROSO

Falava um pastor protestantecom um menino que se pre-


patava para a primeira comunhão,e perguntou-lhe:
Você crè que na Hóstia, que vãi receber,está Jesusem
corpo e alma?
- Creio, sim, senhor.
- Você sabe o Pai-Nosso?
- Sei, sim, hâ muito tempo.
- Então,Íeze-o.
- Pai nosso que estaisno céu. .
- Chega! Você compreendeque Deus está no céu; logo, ìì
não pode estar na Hóstia.
O meninopensouum instantee d:sse:
- O senhoré capazde rezaÍ o Credo?

2t0

=.
ffi: W r€ -*s
g
5

I
r:

È
- Sou, sim: Creio em Deus Pai todo-poderoso... *

- Basta! O sr. iâ compreendegu€, sendo Deus todo-po- Ì:
deroso, pode lazer o que quiser, e assim pode estar no céu e ã :i

ao mesmo tempo na Hóstia consagrada. --


O pastor, não sabendoque responder,contundido,deu por
'
't{

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Ìt
terminadoo diálogo. 'ì
i-

il
, E

:,
256. .i
Ì
MEU ÚNICO REMÉDIO _ì
'Ìl

Carlos V perguntoua um servo de Deus, que vivia na côrte, .f



coÍïlo lazia para conservar-sena graça de Deus no meio da li-
'.a
cençade costumesdos cortesãose de tantas ocasiõesde pecado.
- Majestade- responcleu- meu único rentédiopara não -
. .Ìj.

sucumbir é o temor de Deus e a comunhãodiâria. 3

,.4
-.
257.
ESTOU MELHOR

O generalDrourt estiveragravementeenfêrmo.Vendo che-


gar o médico, dissc,lhe:
- Doutor, esl,u melhor.
- De onde lhe vem esta melhora?
- Doutor, comungueiesta manhã - respondeuo general.

259.
OS DOIS VASOS

ApareceuJesusà serva de Deus Paula Maresca,e mostran-


do-lhe dois vasos,um de ouro e outro de prata, disse-lhe:
"Neste vaso de ouro guardo as comunhõessacramentais, e
neste de prala guardo as comunhõesespirituais".

259.
S E R V I A . S ED O S M E N I N O S

S. FranciscoXavier, não podendono curso de suas missões


cuidar dos enfermose da instruçãodos fiéis, servia-sedos nre-
ninos que batizara,os quais, seguindosuas recomendações, re-
zavam muito. Por suas oraçõessaravam os doentes,os demô-
nios eram afugentadose os idólatras, convertidos.

L4.
.-- 2tl
---_.-- - J-::rl+---'í-

260.
PROCISSÃO
UMAGRANDIOSA
Em 1450 a cidade de Paris foi testemunhade um formoso
espetáculo.Por ordem do bispo Guilherme,uma procissãode
doze mil criançasde menos de catorzeanos saiu da igreja dos
Santos Inocentes,percorreua cidade cantando e dirigiu-se à
igreja de Notre Dame.
A voz da infância atraiu os olhares de todos e abrandou
os corações.Foi o meio mais eïicaz para desarmar a cólera
divina.

261.
POUCAS PALAVRAS

Um dia foram duas pessoasperguntara S. Macário como


deviam rezar. Respondeu-lheso Santo: "Não são necessárias
muitas palavras; dizei sòmente: Senhor, seja feita a vossa
vontade!"

262.
DIANTE DE UMA IMAGEM Db MARIA

Conta o bispo cle Verdun:


Dois homenstiveram uma discussãomuito forte e um dêles,
enfurecido,pôs-se a correr após o outro, com uma taca na mão.
Quando estava para ser alcançadoo que fugia agarrou-sea uma
estátuade Nossa Senhora,dizendo:
"Terás coragemde ferir-me em presençada Virgem, nossa
Mãe?"
A estas palavras, ao homem antes táo fur:oso caiu-lhe a
faca da mão.

26g.
ESTUDE MEIA HORA MENOS
- Como vão seusestudos? - perguntouum sacerdotea um
seu antigo aluno.
- Muito mal! Estudo o mais que possoe sempretiro notas
baixas.

212

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-:- .Ìa.jE-ú€lÀàÈ;
b\ \ftf--"- .;;:

- Estudemeia hora menos- disse-lheo antigo mestre-


e empregueessa meia hora em pedir a Nossa senhora que o
ajude.
O rapaz seguiu o conselho,e após algumas semanascome-
çou a progredir nos estudos,obtendsqualificaçãohonoríflca.

264.
UMA BÊNÇÃO POR TELEGRAMA
Uma co,ndessa fôra a Nice para pedir a D. Bosco que fôsse
benzer a um seu netinho, que padecia dolorosasconvulsõese
parecia que se afogava.Não encontrandoa D. Bosco, enviou-lhe
um telegramaa Cannes,onde se achava.
O Santo, ao recebê-lo,enviou-lhea bênçãode Maria Auxi-
liadora também por telegramae na mesma hora cessaramas
convulsõese a criança sarou.

265.
SAÍA SEM ESCOLTA
Os cortesãosce lsuravamo rei HenriqueIV por sair, às vê-
zes, sem escolta.i e respondia: "O mêdo não deve existir na
alma de um rei. Encomendo-mea Deus quando me levanto e
quando me deito, e durante o dia lembro-medo Senhor. Estou
sempreem suas mãos".

266.
OITO HORAS POR DIA
S. Alfredo Magno, rei da Inglaterra, consagravatodos os
dias oito horas à oração ou à leitura de livros piedosos.Oito
horas aos negóciosdo Estado e oito horas ao descansoe às de-
mais necessidades e ocupações.Levantava-semuito cedo e ia à
capela,onde, prostrado por terra, ïazia sua oração.

267,
UM PROTESTANTE
Um protestanteteve a curiosidadede entrar numa igreia
durantea Missa num domingo,e pôs-sea observaros fiéis. Ao
sair d:sse: "Os católicosdizem que Jesus Cristo está presente

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na Eucaristia;mas muitos dêlesnão o crêem; do contráriopro-


cederiamcom mais respeitodurantea Missa".

268.
EM QUE TE OCUPAS?

Queixava-seum jovem ao seu confessor,dizendo-lhe que


ouvia mal a missa.
- Que fazes durantea Missa? Em que te ocupas?
- Não faço outra coisa senãochorar os meus pecados.
- Continua,meu amigo; dêssemodo ouves muito bem a
missa.

269.
AQUÊLE É MEU PAI

O imperadorda Austria, José II, ordenaraque os presidiá-


rios fôssemempregadosem trabalhospúblicos.Alguns dêlesvar-
riam a praça de S. Estêvão,em Viena. Um ministro observou
que um môço bem trajado se aproximavad um daquelesvarre-
dores e beijava-lhe a mão. Um dia m.andor,chamar o môço e
disse-lheque aquêlemodo de agir não lhe co-nvinha.
(($s1fie1-
disse o jovem êsse condenadoé meu pai".
Comovido,o ministro referiu o fato ao imperador,o qual pôs
o prêso em liberdade,dizendo: "Quem sabe educar seus tilhos
destamaneiranãe pode ser um malfeitor".

270.
GUARDÁ-LO-EI COMO LEMBRANçA

. Um inglês visitavaa cidadede Viena. Entrou numa loja de


cabeleireirono momentoem que uma jovem ofereciasua formosa
cabeleirapelo preço de dez coroas.Já se dispunhao cabeleireiro
a cortá-la,quandoo visitantequis saber por que a jovem ia sa-
crificar seuscabelos.
- Senhor- dissea jovem - meu pai foi negocianteopu-
lento; mas as coisasforam mal; agora é velho e desamparado; -
minha mãe está enfêrma e, como não encontro outra solução.
vejo-me obrigada a vender a minha cabeleira.

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A senhora não venda seus cabelos tao úíríÍu o, I

pagarei melhor. E, entrtgando-lhecem libras esterlinas,tomou I


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a tesourae disse: I
:
- Permita-meque lhe corte um só fio de cabelo,que guar- t

darei como lembrançade seu.amor filial.


Aquelas cem libras serviram de base para,.em pouco tempo.
reconstituira fortuna perdida.

271.
DEU-LHE A LIBERDADE

Serapião,o Dionita, fêz-seescravode um pagão, pata con-


vertê-lo, e conseguiu-ode fato. Seu amo deu-lhe a liberdade,e
presenteou-o com um vestido,uma túnica e um Livro dos Evah-
gelhos. Serapiãodeu o vestido ao primeiro pobre que enion-
trou e, pouco depois, a túnica a outro e, depois,mostrandoo
Evangelho, dizia: "Eis aqui o que me despojou de tudo".
Entretanto,vendeu também o livro para socorrer a uma
viúva.

272'
s. ToMÁs MoRo
Êste grande chancelerda côrte da Inglaterra,sendo iâ ca-
sado e em idade avançada,nunca saía de casa sem pedir de
joelhosa bênçãode seu velho pai, a quem demonstravaaliás a
maior veneraçãoe respeito.

273.
CASTIGO DE UM MAU FILHO

A 19 de outubro de lgl4, próximo de Turim, uffi rapaz dis-


cutiu com sua mãe por questão de interêsses,chegandoa es-
pancá-la brutalmente,quebrando-lheo braço e causando-lhefe-
rimentosgraves.
A mãe teve de ser hospitalizadae o filho foi prêso. Quan-
do o levaram à estaçãopara cond,uzi-loao tribunal de Turim,
o rapaz tentou atirar-se debaixo do trem que se aproximava.

2t5
Caindo,porém,ao lado, o trem cortou-lhesòmenteas duas mãos
com que maltratara a mãe e, assim, t€ve de apresentar-seno
tribunal.

274.
QUERO IR COM MINHA MÃE
Enquantose torturava a má,rtirS. Julieta,Ciro, seu filhinho
de três anos, ao ver que sua mãe derramavasangue,começoua
gritar de maneira enternecedora.
O governadortomou-o nos bra-
ços para acalmá,-lo,mas êle o repeliu, gritando: "Sou cristão e
quero ir com minha mãe". E para escapar-se,arranhava-lheo
rosto. Furioso,o governadortomou-o pelo pé e partiu-lhea ca-
beça contra as grades do tribunal.A mãe deu graças a Deus e
logo a ela mesmase lhe cortou a cabeça.

275.
SANTA MACRINA
Era irmã de S. Gregório Nisseno.Est santa mulher nunca
perdeu de vista sua mãe. Concentrounela todos os seus cui-
dados e afetos e jamais permitiu que os lnados a servissem,
reservando-sea honra de preparar-lhea comida e de servi-la.
Quando a mãe enviuvou,Macrina dedicou-seinteiramentea aju-
dâ-la na educaçãodos quatro filhos e das cinco filhas que res-
tavam.

276.
MINHA MÃE ERA POBRE

O papa Bento XI, filho de pais pobres,foi elevadoao pon-


tificado em 1303. Estando o papa de passagemem Perúsia,
sua mãe mandou pedir para falar-lhe. o papa perguntoucomo
ela estavavestida.Responderam-lhe que estava com vestido de
sêda."Então não é minha mãe - disseo papa - minha máe é
pobre e mulher do povo". Levaram-lheessa resposta clo papa;
ela pôs seus vestidoshumildese apresentou-se de novo. Desta
vez o filho recebeu-ae abraçou-acom efusão.

2t6
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*'\+!*'*-?'

277.
G U I A V A - O .. .
o célebrecornélio cipião, por gratidãoe respeitoa seu pai
que ficara cego, guiava-o êle mesmoa tôda a parte e tinha para
.:
com êle as maioresatenções.

278.
QUANTO CUSTASTE A TEUS PAIS?
o arcebispode salzburgo,D. AgostinhoGruber, ao visitar
uma escolano Tirol, perguntoua uma menina se sabia quanto
custaraa seuspais.
A menina,surpreendida,corou e não soube responder.
- vamos ver, disse:quantosanos tens?
euanto lhes custas
por dia, por mês e por ano?
- A menina, auxiliada pelo arcebispo,consegui,ulazer as
contaspedidas.
O arcebispoacrescentou:
- como poderáspagar os cuidadosde tua mãe e os suores
de teu pai?
Não com ollro ou prata, lras com amor, respeito e obe-
diência.
Êsse cálculo i-rpressionoude modo salutar toclosos meni-
nos da escola. !
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279.
E S Q U E C E R I AM E U S D E V E R E S
.,
o imperadorDécio quis coroar imperadora seu filho, _{
mas êste recusoua honra, dizendo: "Eu creio
QUe,sendo im-
perador,esqueceria meus deveresde filho. prefiro não ser impe-
t
rador mas filho bom e obed:ente,a ser imperadore filho revol- a

toso. Que meu pai mande e minha glória consistiráem obede- ì


cer-lhe com tôda fidelidade". Ì i

290. i

O RETRATO DO PAI â a

Boleslau,rei da Polônia,levavasempreao pescoÇoo retra- 1


to de seu pai. Quando tinha argo de importante,olháva para o
retrato, beijava-o e dizt^a:"Deus não permita faça eu âlguru ì

coisa que desonrea memóriade meu querido pai,'. I
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è-l. .+ ..-,='

281.
OS FILHOS DE TEODÓSIO
O imperadorTeodósioentregaraseus dois filhos a Arsênio
para que os educasse.Um dia entrou o imperador para assistir
à aula e encontrouos dois meninossentadose o mestrede pé.
"Neste momento- clisse-lhes - sois discípulose, portanto,de-
veis respeitoa vosso mestre".
E obrigou-osa assistir à aula de pé.

282,
SENTENçA SEVERA
Ìi.
Em Esparta,os juízes condenaramà morte um menino por
ter arrancadoos olhos a um animal. Aos que reclamaramque
1.
a sentençaera muito severa,responderam:"O ânimo cruel de
um menino que assim procedecom os animais,amanhãse vol-
tarâ contra os homens".

283'
DEVoRADos
PELosuRsos
O profeta Eliseu,venerávelancião,sub a à cidadede Betel.
Um bando de meninosmal educadossaírat -lhe ao encontroe
insultaram-nodizendo: *
"Sobe, calvo! Sobe, calvo!" Naquele momento saíram do
bosquevizinho dois ursos e matarama quarentae dois dêles.

284.
SALOMÃO HONRA SUA MÃE
Durante uma audiênciasolene,estava Salomão sentado em
)t
magníficotrono. Ao ver entrar sua mãe, a rainha Betsabé,que
{.
ia pedir-lheuma gÍaça, pôs-sede pé, foi ao seu encontro,fêz-lhe
profunda reverênciae mandou preparar-lheum trono para que
se sentasseà sua direita.

i 295.
AMOR FILIAL
Èâ
N. era pai de vários tilhos e havia anos que estava de ca-
k.'
ma. A filha maior tazia de enfermeira;ao vê-lo próximo da
morte e sem sentimentosreligiosos,chorava sem consôlo. O
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doente indagou a razão de tanto chôro.
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--: Papai, o que me laz chorar é o pensamentode que temol;
de separar-nose não nos veremosmais.
- E' preciso ter paciência,replicou o pai; a separaçáonão
será para sempre,pois no outro mundo nos tornaremosa ver.
- Oh! não - dissea menina;nunca mais nos veremos.
- Sim, filha, havemosde ver-nos; por que não?
- Não, meu pai; porque,se o sr. morrer em pecadomortal,
irâ para o inferno e eu quero ir para o céu. E não quero vê-lo
no inferno, mas no céu.
A estas palavras cheiasde dor e c a ri n h o da fi l ha, o enfêr-
mo resolveuconfessar-see morreu s a n ta me nte.

286.
CASTIGO SEM PRECEDENTE
I

Em Palma, Colômbia,deu-seum fato duplamentetriste. Um .:,


velho de nome Ruben Miranda tinha um filho chamadoRogério, \
de péssimosantecedentes. Várias vêzeshavia batido no pai.
Desta vez espancou-obrutalmentecom um pau diante de
muita gente. As pessoasque assistiramà cena quiseram casti-
gar o mau filho, qu(, vendo-seem perigo, fugiu para um po-
treiro. Apengs ali ct :gado, abriu-seuma fenda aos pés do fu-
gitivo. Produziram-s tremores e a terra começoua tragar o
filho desnaturado. Foi tragadopouco a pouco.Nenhum dos pre-
sentesse atreveua socorrê-lo,pois temiam afundar-se.Foi de-
saparecendo no meio de gritos espantosos,que cessaramquando
a terra lhe fechou a bôca.
Os assistentes retiraram-sehorrorizados.
{
287. 1

\
FAÇO UM PRATO DE PAU i

;
Um camponêsestava ocupado a ïazer um prato de pau.
Seu filho, que o observava,perguntou-lheo que ïazia.
- Faço um prato de pau para seu avô, - respondeuo ho- :
mem - porquesempredeixa cair e quebraro prato de louça.
O meninoreplicou: \
- Pai, faça-o resistente,pâr4 qus eu possa dar ao senhor
quandofôr velho.
Estas pafavras causaram-lhetal impressão qLle imediata-
mente desistiuda obra e tratou melhor a seu velho pai.

2t9
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288.
91-
E, AONDE IDES?
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!

iJr Crates, filósofo pagão, indignava-semuito contra os pais


':. : que descuravamo dever da educaçãodos filhos, e costumavâ
dizer: "Se me fôsse possível,subiria à parte mais alta da ci-
2 dade e gritaria com tôdas as minhasfôrças: Aonde ides, homens,
cuja única preocupaçãoé amontoar riquezas,descuidando-vos de
t-.
vossostilhos, aos quais as deixareis?
I
t'
I
ì
t."
289.
E''
f, COMPRA-OE ASSIM TERÁS DOIS
3ì;
F
r- Um pai perguntoua Aristipo quanto lhe cobraria pela edu-
t cação de seu filho:
F--
a
- Mil dracmas respondeuo educador.
- E' muito - replicouo pai; por êssepreço eu possocom-
prar um escravo.
Compra-o e assim terás dois (o,,escravoe teu filho),
acrescentou
Aristipo.

290.
SEI SER FIEL

uma mulher espartanapediu emprêgonuma casa. euando


Ihe perguntaramo que sabia fazer,respondeu:"Eu sei ser fiel".

2gl.
EU O SEREI, MAMÃE

Uma boa mãe tinha quatro filhos, aos quais formava na


piedade.uma noite, depois de Íezar com êles e falar-lhes de
Deus, disse-lhescom grande ternura: "Que feliz seria eu se um
de vocês chegassea ser santo!"
O mais pequeno lançou-senos braços da mãe, dlzendo:
"Eu o serei,mamãe!" E cumpriua palavra:Foi o papa S. Pedro
Celestino.
tï'rL
l'1

Yz
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292.
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A C O N T E C I M E N T OF U N E S T O
L:
Um jovem foi condenadoa quinzeanos de presídio.Ouvida ;
&
, : J

a sentença,pediu lhe permitissemralar, e disse: "Perdôo aos juí- .


zes pela sentença,que é justa; perdôo a quem me conduz ao Ì
cárcere,porque cumpre o seu dever; mas não posso perdoar a *:
meu pai, que ali está, porque se me tivessedado bom exemplo, \
corrigidoe castigadoa tempo,eu não estariaaqui". Ouvida esta
acusação,o pai caiu morto.

293. -&
,.
QUEM É ÊSSEMORTAL?
4-

:
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q
A irmã do rei S. Luís estavaum dia a confeccionar um JL+

vestido.O santodisse-lhe: ì
:-. .
- Minha irmã: logo me fareis presentedêssevestido,não é ? \\*^
- Meu irmão: eu o destino a um príncipe maior que V. Ìì
Majestade.
- E quem é êss: afortunadomortal? ì -:r

- E' um pobre de
Jesus Cristo, e portanto é Jesus Cristo
mesmoa quem eu o prometi. ri

L a.

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294. \; '?
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S E R V I A - O SE L E M E S M O '3

::
A caridadede s. Luís, rei de França, era prod:giosa.Tô.
:-
das as quartas, sextas e sábados da euaresma e do Advento
dava de comer em seu palácio a treze pobres que êle mesmo í
i-
servia. i

ï
Servia-lhesuma sopa e duas espéciesde alimentos.Cortava n
,i
e distribuíao pão. Punha, além disso,ao lado de cada um dois
pães, para que levassempara casa. Se entre os pobres havia
algum cego,punha-lheas coisasna mão e guiava-o.Dava, tam-
bém, a cada um dêlesuma esmolaem dinheiro,conformeas ne- \-
cessidades.Finalmente,aos sábados,tazia separar os três mais \
pobres e lavava-lhesos pés. ì r'
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i.ç . 295.
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àt-, O B E D I Ê N C I AA O M A R I D O
i:

S. FranciscaRomanaestavarecitandoo Ofício da SS. Vir-


\i
,i
g€ÍTì,quando seu marido a chamou.Deixou a oraçãoe foi aten-
dê-lo; depois continuou.Mas, enquanto Íezava uma antífona,
quatro vêzes a chamou o rnarido, e quatro vêzes interrompeua
F=,
:; ,- oração e foi atendê-lo,continuandodepois de terminadaa ocu-
pação. Na quarta vez, viu com surprêsaque a antífona estava
f:.
'--t'a escrita com letras de ouro, e foi-lhe reveladoque Deus lhe con-
cederaaquela graça para que soubessequanto a Nossa Senhora
agradavaa obediênciaao marido.

Ì' 296.
,F--
t INFLUÊNCIA DA MÃE RELIGIOSA

O tamoso pianista Chopin teve uma mãe muito boa. Êle,


porém, freqüentandoo mundo corrompido,perdeu a fé. Em sua
derradeiraenfermidadevisitou-oum grande.amigo seu, o sacer-
dote polonêsJelowieski,que lhe talou de )eus. Nada conseguiu'
E vendo que os dias iam passandosem n, da conseguir,toma o
Crucifixo,coloca-onas mãos de Chopin e . liz-lhe: "Tu te recu-
sarás a crer o que tua mãe te ensinou qu-andoeras ctiança?"
Chopin pôs-sea chorar e pediu os santossacramentos, que re-
cebeucom grande fervor. Agradecidoa tão bom amigo, ao des-
pedir-sedêle antesde morrer, disse: "Adeus,Jelowieski;tu fôste
para mim o amigo mais fiel". A lembrançada sua mãe salvou
a Chopin.

297.
DESTINO DE UMA ALMA

Um comercianteque se enriqueceramttito cometendotôda


a sorte de fraudes,à hora da morte,chamouum tabeliãoe orde-
nou-lhe que ao seu testamentoacrescentasse o seguinte:
"Quero QUe,depois de morto, o meu corpo seja devolvido
à terra de onde saiu, e minha alma ao clemônioao qual per-
tence". As pessoaspresentesticararn.aterrorizadas,e esforça-
ram-se por d:ssuadi-lo;mas êle insistiu conl energia,dizendo:
"Não me retrato. Quero que minha alma seja entregueao de-
mônio,junto com a de minha espôsae de meus filhos. A minha,

222
e' .:ã].=r-,:;::.-:

:
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porque me enriquecia custa de f urtos e f raudes; a de minha I


espôsa,porque ela me induziu a tais pecadoscom seu luxo des-
medido; as de meus filhos, porque, levado pelo amor que lhes
tenho,nunca me decidi a restituiro que não é meu". Ditas essas
palavras, expirou o infeliz sem poder reparar o mal que ïizera.

299.
I N T E R E S S A N T EE L O C I O F Ú N E B R E

Em 1887 morreu na cidade de N. uma velhinhaque pas- ':.


sava dos cem anos. Fôra sempre muito admirada, porque em :
sua longa existêncianunca a ouviramfalar mal do próximo nem
murmurar. E como ao morÍer ainda conservavatodos os den-
tes, fêz-lheo párocoêste elogio original: "Esta boa mulher con-
servou todos os dentes porque nunca mordeu a ninguém". ì

299. .!r

ACHADO FUNESTO

Um pedreiroencrntrou uma caixinhana parededa casa ent


que trabalhava.Abr r-a, e encontÍou-acheia de jóias e moedas
de ouro e prata. A'uinguém deu parte do achado,e levou a cai-
xinha para casa. Três dias depois, indo a uma joalheria paÍa
venderas jóias encontradas,o joalheirochamouimediatamente a
polícia para que o prendessem:é que o joalheiro reconheceuas
jóias que há um ano apenasvendera a um senhor que fôra as-
sassinadoe roubado.O pedreironão pôde justificar a possedas
jóias e foi condenadoa muitos anos de prisão.

300.
A CAPA DE SÃO MARTINHO

MonsenhorGuibert, arcebispode Tours, numa de suas vi-


sitas pastorais,advertiuque as meninas,que se apresentavampa-
ra recebero sacramentoda crisma, vestiam com muita imoclés-
tia. Não as teria admitido ao sacramento,se o vigário não lhe
houvesseapresentado tôda a sorte de escusas.Contudo,o santo
prelado não se absteve de dizer em voz alta, para que o ou-
vissem: "Seria mister que S. Martinho dessea estas meninasa
metade de sua capa".

223
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F
ts 301.
.\ JUSTO REMORSO
O heregeBerengário,mesmo depois de ïazer penitênciade
seus pecados,à hora da morte experimentougrandesangústias,
causadaspelos remorsosda consciência.E dizia ao sacerdote
qlle o socorria e animava naquela hora ,tremenda:"Não temo
os meus pecados,mas os que cometeramas almas a quem dei
escândalo".E tudo isto, apesarde QUe,pan reparar êssespe:
cados de escândalo,dera muito bom exenrploe se dedicaraem
sua casa ao ensinodo catecismo.

302.
MAUS CONSELHEIROS

Os cortesãosdo imperadorFredericoIII, tutor do rei La-


dislau da Hungria, sugeriram-lheo envenenamento de seu pu-
pilo para se apoderarda coroa. Mas o nobre imperadorrepli-
t:
cou-lhes: "E' êste o conselhoque nte dais, homens sem fé e
sem honra? Fora daqui! Que meus olhos não vos tornem a ver".
t
E os cortesãosforam expulsosda côrte d( desterradosem cas-
tigo de seu criminosoconselho.

303,
O MELHOR CILÍCIO

Uma senhorapiedosa- ou qug o julgava ser - era muito


inclinada à maledicênciae encontravadefeitos em tôda gente.
Um dia pediu ao diretor espirituallicençapara pôr-se o cilício.
O sacerdote,homemde muita experiência, conheciaa fundo a sua
penitente.Pôs os dedos sôbre os lábios e clisse:"Filha, para a
senhorao melhor cilíc:oserá prestaratençã,oa tudo o que passa
por esta porta".

304.
FUNDAMENTO DO DEVER

O dogma é a base da moral. Quando Miguel Renaud,em


1871,foi eleitodeputado,ao chegara Versalhesalugouum apar-
tamentopor 150 francos mensais.Pagou adiantado.O proprie-
tário perguntou-lhese queria que lhe passasseo reciho.O .Jepu-
tado respondeu:

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- Para que passar recibo entre homens de bem? Deus ..
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nos vê. :
- O senhorcrê em Deus? - perguntouo dono da casa. 1

- Creio, naturalmente respondeuMiguel. :


- Pois eu não - replicouo outro. *
- Nessecaso,passe-melogo o recibo- disseo deputado
- porque quando nã,ohâ fé, a moral carecede fundamento.

305.
CARLOS MAGNO E OS MANDAMENTOS
Carlos Magno, um dos maiores soberanos,foi provado por -€
.+
Deus com a morte de qu.atro de seus filhos. Restando-lhesò-
.s
mente seu filho Luís, quis associá-loao império. Chegadoo mo-
mento solene,quando todos os magnatasrodeavamo altar sôbie
o qual estava a coroa, Carlos Magno volveu-se para o filho e,
cheio de emoção,disse: "Filho querido de Deus e do povoi tu,
a quem Deus conservoupara meu consôlo,vês que minha vida
está declinando;que os meus anos passame a morte se apro-
xima. Prometes-metemer a Deus, guardar os manclamentose
protegera lgreja?" [-tís prometeuchorandode comoção.Carlos
Magno, pondo a corc.âsõbre a cabeçade seu filho, acrescentou:
"Recebe,pois, a coL)a e jamais te esqueçasde teu juramento!"

306.
POR TER QUEBRADO UM VASO

Um grande de Roma convidou à sua mesa o imperador


Augusto. Durante o festim, um escravoquebrou um vaso de
cristal, pelo que seu amo o condenouà morte. Indignado,Au-
gusto quebrou tôda a baixela, dizendo: "CrueMgnoras que a
vida de um homem é mais preciosaque tôdas estasbaixelas?"
Deus, às vêzes,faz o mesmo com algum pecador: tira-lhe
todos'os bens païa que abra os olhos e veja o grande mal que
fê2, porque,se lhos deixa ate ao fim, o castigo será mais terrível.

307.
É S UMA GRANDE PECADORA
S . F i l i p e N é r i ïoi visitar a lrmã, Escolástica,da Congrega-
ção de S. Marta, que se julgava condenada,e disse-lhe:
- O céu lhe pertence:é seu.

Teso,uro I - 15
225
-
E' impossível,sr. padre - disse ela.
- Aí está a sua loucura respondeuo santo. Por
quem morreu Jesus?
- Pelos pecadores.
- Pois bem, a sra. é uma grande pecadorae JeSusmorreu
para salvá-la;portanto,o céu é seu.

309.
DEUS EXISTE

Tornou-se muito conhecido nos Estados Unidos o ateu


Whitney. Encontrando-se, ültimamente,num hotel de Baltimore
em companhia de alguns amigos,começarama falar de assuntos
rellgiosos.Whitney negou ìmpiamente a existênciade Deus, e
acrescentou:"Vou provar-vos claramenteque Deus não existe.
Exijo que o assim chamadoTodo-poderosome mate imediata-
mente; náo o farâ porquenão existe".
Apenas o ateu tinha pronunciadoessa blasfêmiae já caiu
por terra. 'Os amigos acudiram, mas em ão. O homem estava
morto. A morte trágica dêsseateu causou I or tôda a parte uma
terrível impressão(N. Y. H., 1904). .*,

309.
NAPOLEÃO E LAPLACE

O imperadorNapoleãoI perguntouum dia ao ímpio astrô-


ÍÌolÌ1oLaplace se admitia a existênciade Deus. Laplace respon-
deu: "Estudei e observeiminuciosamente o f irmamentoe não
encontreiDeus". Napoleãoacertadamente observou:"Coisa estra-
nha! Se encontrouma obra de .arte, suponhoum artista, e se
contemploo universo,essaobra tão maravilhosaem si e em tô-
das as suas partes, digo a mim mesmo: Deve ser obra de um
artista que é tanto mais superior que o universo,pois sobre-
puja tôdas as obra-primasfeitas pelos homens.[Jma máquina
pressupõeo engenheiro,uma casa um construtor,o relógio um
relojoeiro,etc. A simples razão nos diz isto, e não é preciso
ser grande sábio para possuirum tal conhecimento".

226

h-
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310'
A GRATTDÃ'PARAcoM DEU'
A venerávelAmélia de Vannes tinha o santo costume de
elevar o seu espírito a Deus. Vendo um cão, por exemplo, ela
fazi.aesta consideração:Ê,steanimal é amigo do homem; fiel e
grato, acompanha-osempre, faz-lhe festa, retribui com carícias
o bom trato que se lhe dá. O homem, porém,'que recebe de
Deus benefíciossem conta, benefíciosa cada instante- o ho-
mem, pel,asalvaçãodo qual Deus deu seu Filho Unigênito, mui-
tas vêzes se esquecede agradecerao seu supremobenfeitor. Se
toma alimento,não se lembra de quem lho deu; se se entregaao
repouso,nenhuma palavra de gratidão pelos benefíciosque re-
cebeu no correr do dia. O cáo, o animal grato, envergonhao
homem ingrato e mal agradecido.

311.
AMABILIDADES ENTRE ESPOSOS

Ao falecer uma rainha da Espanha, dizia o rei: "Com sua


morte causou-meo p'.'imeirodesgôstoapós vinte e dois anos de
casados".Oxalá se pudessedizer o mesmo de tôdas as espô-
sas. . . e de todos5rs maridos!

312.
P R E F E R I R U M E S P Ô S OR E L I G I O S O

Aconselharamà jovem Joana Franciscade Chantal,hoje ve-


nerada sôbre os altares,que se cas.asse
com um môço muito no-
bre. A isso estava a Santa muito inclinada, quando, üÍïr dia,
da janela de seu castelo,viu que aquêle nobre senhor no mo-
mento em que passou o sacerdotelevando o santo Viático não
se ajoelhou."Não se ajoelhou exclamouela indignada
nem sequerse descobriu.Não será jamais meu marido".

313.
TRATO AFÁVEL ENTRE ESPOSOS

Ao grande Franklin chamou a atençãoum trabalhadorque


sempreapareciaalegree sorridente.Perguntou-lheum dia: "Por
que estais sempre táo contente?" "E' porque em casa vivemos

15{, 227
em muita paz; tenho uma espôsaque vale ma:s que pesa. Quan-
do saio de casa despede-memuito anrável;quando volto rece-
be-me muito alegre.Traz tudo em ordem: a casa limpa como
uma taça de prata; a comida preparada,que é uma delícia.
Minha mulher - eis o segrêdoda minha alegria".

314.
NÃO SE DEIXAR ENGANAR PELA FORMOSURA
Um.a jovem, não obstante as advertênciasde seu pároco,
obstinou-seem casar-secom um perdido. "Senhor Vigário, aïir-
mava ela, depois de casados,eu o converterei. . . Êle é rico, e
sobretudoé a f igura mais eleganteque conheço;no casamento
é preciso haver também alguma coisa que entre pelos olhos".
Calou-se o vigário. Celebrou-seo casamento.Passadosalguns
meses,o vigário encontra-secom a recém-casada.Ela tem um
dos olhos feridos e horrìvelmenteinchado. "Veja, senhor vigâ-
rio, o que me fêz meu m.arido!""Filha - respondeuo padre -
náo dizias que no casamentoprecisa haver alguma coisa que
entre pelos olhos? Pois aí o tens; não te rodes queixar".

315.
O QUE OS ESPÍRITASDEVEM SABER
Em 1875,o CardealBonnechèse, arcebispode Ruão (Fran-
ça), desejandoinformar-sepessoalmente acêrca do espiritismo,
assistiua uma sessãoespírita na residênciado barão de Gul-
denstube,€ffi Paris. Ao iniciar-se a sessão,o Cardeal colocou
um crucifixo sôbre a mesa.A sagrada imagem foi imediatamente
atirada ao chão, sem que se pudesseverificar por quem. Colo-
cado novamentesôbre a mesa, repetiu-sea mesma cena. Teve o
Cardeal uma prova de que os tais espíritosnão são amigos nern
sequeÍdas imagensde JesusCristo.E' isso.Nas sessões, em mui-
tos casosatua o demônioe em muitos orrtrosimpera a fraude.
Desculpam-seos espíritas,dizendo que são cristãos. (tE' poÍ
isso mesmo que eu aborreço os invocadoresde espíritos e os
detesto,porque abusam do nome de Deus e o desonram;cha-
mam-se cristãos,e tazem obras de pagãos".

228
re::' =5
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316.
POR QUN ERA ATEU

Encontraram-se,certo dia, um pároco e um homem notòria-


mente ímpio e avarento.Na conversacom o padre náo tëz se-
grêdo de sua irnpiedadee declarou abertamenteQU€, embora
respeitadordas crençasalhelas, nã,oacreditavaem Deus. O vi-
gário, tomando uma fôlha de papel, escreveusôbre ela a pa-
lavra "Deus".
- O senhorestá vendo esta palavra?- perguntouao ateu.
- Perteitamente,respondeuo outro.
O pároco tirou do bôlso uma moeda de dois mil réis (das
antigas) e colocou-aexatamentesôbre a palavra que escrevera
e tornou a perguntar:
- Ainda vê a pal.avra"Deus"?
- Agora náo a vejo, porque a moeda mo impede.
- Pois é isso mesmo,meu amigo,o que se está dando com
a sua pessoa.O sr. vê só o dinheiroe por isso não enxergamais
a Deus. O Salvadordisse: "Os cuidadosdêstemundo e a ilusão
das riquezas sufocam a palavra de Deus".
I

317.
OCULTARA OS PECADOS

Em Lima, capital do Peru, uma senhoratinha três criadas.


Uma era cristã, convertida do paganismo. Deixou, porém, a
prática da oração, tornou-se leviana e livre nos costumes.Ten-
do adoecido,recebeuos sacramentoscom pouca devoção.Reve-
lou, depois, às suas companheirasde serviço, que tivera o cui-
dado de ocultar ao sacerdotetodos os pecados que cometera.
Alarmadas,as companheiraslevaram o fato ao conhecimentode
su,a patroa, a qual alcançou da enfêrma a promessa de tazer
.uma confissãosinceral Marta, assim se chamava ela, contessa-se
de novo e morre depois de algum tempo. Apenas exalou o últi-
mo suspiro, começouo seu cadáver a espalhar um mau cheiro
insuportável,e tiveram de levá-lo para fora da casa. O cão, por
naturezatranqüilo, pôs-se a uivar lügubremente.Uma das cria-
das, indo dormir no quarto onde Marta falecera,foi despertada
por rumores espantosos;todos os móveis eram como que agita-
dos por uma fôrça invisível e atirados ao solo. Com a outra
criada deu-se a mesma cena espantos.a. Resolveram,pois, pas-

229
sar juntas a noite. Ouviram, a certa altura, a voz clara e dis-
tinta de Marta, eu€ se lhes apresentouem estado horrível e ro-
deada de chamas. Disse-lhes que, por ordem de Deus, vinha
fazer-lhes conhecerem que estado se achava e que fôra conde-
nada por seus pecadosde impureza e por suas confissõesmal
feitas. E acrescentou:"Contai a outros o que acabo de revelar-
vos, para que não sejam vítimas da mesma desgraça".A estas
palavras lançou um grito de desespêroe desapareceu(Villard,
v. III).

318.
DUAS CLASSESDE PESSOAS

Um pároco convidou um seu paroquianoa ïazer a páscoa.


Mas, senhor vigário, para que contessar-mese eu não
tenho pecado?
Respondeu-lhe o padre: - Olhe, senhor;só há duas classes
de pessoasque nâo têm pecados: os que ainda não chegaram
ao uso da razão e os que já a perderam.

319. !
l^ FÊ,2 A PÁSCOA?
Um dia, indo D. Bosco a Carignano,sentou-seao lado do
cocheiroe durante a conversadisse-lhe:
- Espero que o sr. iâ tenha feito a páscoa.
- Ainda não - respondeuo bom homemi - €, ademais,
ïaz muito tempo que não me confesso.Eu gostaria de confessar-
me com o padre com quem me contesseia última vez, se o en-
contrasse.
- E quem é êssepadre?
- E' D. Bosco; não sei se o sr. o conhece;confessei-me
com êle no cárcerede Turim.
- Sou eu mesmo,respondeuo Santo.
Fixando nêle o olhar, o condutorreconheceu-o.
- Como farei para confessar-meagora mesmo?
- Dê-me as rédease ajoelhe-se.
E enquanto os cavalos caminhavamlentamente,o homem
confessou-secom grande alegria de alma.

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320.
NÃO SABECALAR
Sócrates talava muito pouco. Um indiscreto perguntou-lhe, .t
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certa ocasião,se guardavasilênciopor ignorância.


Sócratesrespondeu:"Um ignorantenão sabe calar-se!" :
j

32r.
t
UMA SÓ BÕCA tl

Zenão, est3ndoem companhiade um jovem que falava de- Ë


s
:.
mais, disse-lhe:"Fica sabendoque temos dois ouvidos e uma
só bôca, para escutarmosduas vêzes mais do que falamos".

322.
SILÊNCIO
GUARDANDO
Alguém perguntoua Pitágoras como poderia chegar a ser
seu discípulo.O lilósofo respondeu:"Guardandosilêncioaté que
seja necessáriotalar; não dizendosenãoo que sabeisbem; fa-
zendo o maior bem possívele talando pouco, porque o silêncio
é sinal de prudênciae a tagareliceé sinal de tolice. Não vos
apresseisa respondrr, e deixai que aquêle que pergunta acabe
de Íalar. Não faleis'mal de ninguém".Costumavacondenarseus
discípulosa cinco anos de silêncio.

323.
ADULAçÃO EXAGERADA

Alexandre Magno atravessavaum grande rio numa barca -ç


em companhia de Aristobulo. Êste, durante a travessia,pôs-se ,
a ler em alta yoz 4 história do conquistador,
mescladacom elo- I
gios de uma adulaçãoexagerada.Alexandre tomou o livro e ati-
rou-o ao rio, dizendo que o autor mereciaa mesma sorte, pof
ser mais culpadoque seus escritos.

324.
NÃO RESPONDEREI

Um dia estava Metelo a falar mal de Tácito, Qüe, ouvin-


do-o, disse-lhe:"Podes falar como te aprouver, porque eu nã'o
responderei.Se aprendestea ïalar mal, eu aprendi a desprezar
a maledicência".

231
F
t

È:
: 325.
DIANTE DE UM QUIOSQUE
5.
i
È RegressavaD. Bosco ao oratório numa tarde de 1851. Ao
t passar diante de um quiosque,parou para olhar os livros. O
vendedordisse-lhe:
Êsseslivros não servem para o senhor porque são to-
dos protestantes.
- Estou vendo, disse o Santo; mas, na hora da morte es-
tarâ o sr. tranqüilo,depois de haver vendido tais livros e ha-
ver propagadoo êrro?
Ditas estaspalavras,saudou-oe retirou-se.O vendedorper-
guntou quem era aquêlesacerdotee, ao saber que era D. Bosco,
tratou de conversarcom êle. Em seguida levou-lhetodos os li-
vros para serem queimados,e dali em diante seguiu sempre o
bom caminho.

326.
DOIS ANÉIS

S. Edmundo de Cantuâria,ao terminâr seus estudos,con-


sultou sôbre sua vocação a um doutor da . tniversidadede Ox-
ford, célebre por sua ciência e piedade. Èste, conhecedorda
virtude de seu discípulo,aconselhou-oa consagrar-sea Deus
com o voto de castidadeperpétua.Edmundo mandou confeccio-
nar dois anéis, gravando nêles as palavras: "Ave Maria": em
seguida, diante da imagem de Maria pronunciou o seu voto e,
tomandoos anéis,colocouum no dedo da estátuada Virgem e
outro em seu dedo, protestandoque não queria outra espôsa
senão Maria Santíssima.Tôda a sua vida conservouo anel co-
mo lembrançade seu juramento.

327.
TERRÍVEL TESTAMENTO

Uma jovem, pouco antes de morrer, escreveu:"Tenho 18


anos; sou a criatura mais desgraçadae por isso vou morrer. Aos
15 anos eu era inocente.Maldito o dia em que meu tio me abriu
a bibliotecae me disse: "Lê!" Melhor fôra güe, dando-meum
punhal, me dissesse:"Mata-te!" Eu não teria percorridoo ca-
minho da desgraça".

232

k,._ . -. .$:Ë*-
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329.
TERRÍVELCASTIGO
O imperador Leão IV retirou da catedral de Constantinopla
uma coroa de ouro adornada com brilhantes que o imperador
Heráclio dera àquela igreja. Apenas a pôs na cabeça,cobriu-se
de pústulas e chagas repugnantes.Três dias depois morria no
meio de atrozessofrimentos,recebendoassim o castigo de seu
roubo sacrílego.

329.
UMA COROA DE OURO E DIAMANTES
Na igreja de Poli, próxima de Roma, venera-seuma ima-
gem maravilhosade Nossa Senhora.Possui muitas joias e uma
coroa de ouro e diamantesque custou 25 mil liras e que foi
doada pelo papa Pio IX. Um ladrão entrou, na noite de 23 de
dezembrode 1911, para roubar as jóias e as pedras preciosas.
Para conseguirseu intento sacrílego,subiu ao pedestalda ima-
g€ffi, o qual cedeue caíram ambos pesadamente ao solo, ficando
o ladrão sacrílegoesr-tagado pela estátua.Encontraram-nomor-
to na manhã seguinte.

330.
ACHO-O ENCANTADOR
Duas damas num teatro assistiramà atuaçãodum afamado
ator. Uma delas disse à outra:
Não sei coÍÌlo poclemaplaudir tanto a êsse homem re-
pugnante.Não acho graça no seu modo de trajar.
Eu, ao contrário, acho-o encantador respondeua
outra.
- Será possível?
- Certaúente,porque é meu marido.
A primeira corou de vergonhae não se atreveua dizer nem
uma palavra mais

331.
COISAS PIORES
S. Vicentede Paulo fôra caluniado,e Ana de Austria, rainha
de França,disse-lhe:- Sabe,padre, que coisa dizem do senhor?
- SenhoÍa- respondeuo santo,- sou um pobre pecador.

233
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-Mas é preciso que se defenda- Íeplicou a rainha.
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F}
Mas Vicente, sem perder a calma: - Senhora,coisas pio-
EI res disseram contra Nosso Senhor e Êle calou-se! . . .
FJ
Ê.-À

FI 332.
CINCO FRANCOS

O generalDasmene,ferido mortalmenteem 1848 pela bala


de um rebelde,antes de morrer entregou à lrmã de Caridade,
que o tratava, cinco francos, dizendo-lhe: "lrmã, peço-lhe que
pÌ mandecelebrarduas missas,sendouma por quem me assassinou
Frl
e outra por mim".
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Fl 333'
e:
+' 'ERD'AR


tr-:'
O duque de Guise, grande defensor da religião católica,
.'* estava sendo espreitadopor um protestanteque o queria matar.

ì:l
:tt.
Quando soube disso o duque chamou-oe disse-lhe:
si - Fiz alguma coisa contra ti?
Í.t.
',,t ,r
a.l
:i - Não senhor, respondeuo protestante.
j:t - Quem te induziu a atentar contra a minha vida?
;i - Ninguém; sòmentequeria defenderos direitos de minha
seita, matando ao seu maior inimigo.
- Se a tua religião - disse o duque - manda matar, a
católicamanda perdoar.Eu te perdôo.Julga por aí qual será a
verdadeira.

334.
NOVELAS SENSACIONAIS

O tribunal de Colôniacondenou,em 1908,um rapaz de 16


anos a 12 anos de prisão,por ter matadoum meninode 9 anos,
O rapaz, leitor assíduo de novelas de bandidos, Quis imitar os
protagonistas;e para isso amarrou o menino a uma árvore e
deu-lhe a morte como havia lido nos livros.

234
.
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335.
UMAFAMÍLIADE HOMICIDAS
Certo senhor Barat do Alto Loire (França) exigira que
seus filhos não fôssem à missa nem ao c.atecismoe que odias-
sem ao padre. Dizia-lhes: "Deixo-vos livres e podeis Ïazer o
que quiserdes;mas, se vos encontrar rezando,eu vos mato".
Os seis filhos aprenderama lição. Cinco morreram guilho-
tinados; e o último, porque seus pais lhe negaramdois francos,
para seus vícios, matou-os cìnicamente.

336'
DEV' EscoLHER AS ARMAS

O padre Fidélis, franciscano,dirigia-se a uma igreja de


Paris para celebrara santa Missa. Passandoem frente dum ca-
fé, um oficial o insultou.Parou o padre e disse-lhe:
O sr. insultou-mee eu exijo satisfação,e como ofen-
dido tenho direito de escolheras armas. Escolhoa confissãoe
espero-oesta noite.
E retirou-se, deixando as senhas. O oficial, homem hon-
rado, não faltou; cc tfessou-sedevotamentee comungou no dia
seguinte.

337.
OFÍCIO DO DIABO

S. Ambrósio encontrou à porta da Igreja uma jovem ves-


tida com vaidade e imodéstia.Perguntou-lheaonde ia.
- À igreja, para Íezar - respondeuela.
- Vestida dessa maneira?Não vais rezaÍ, mas escandali-
zar os fiéis, lazer o ofício do diabo, isso sim. Fora daqui, es-
candalosa ! Retira-te a tua casa, para chorar os teus pecados!

338.
E' DEMASIADO PARA UMA CRISTÃ

S. Elói, vendo um dia a rainha Batilde, espôsade Clodo-


miro II, vestida com magniticênciaexagerada,fêz-lhe alguma
observação.

235
,!

ill-l :

- Meu padre - disse a rainha - isto não é demais paft


uma rainha.
- Para uma rainha, não - replicou o santo - mas, para
uma cristã, ë demais.
Batilde aproveitoua lição e chegoua ser santa.

339.
O CRUCIFIXO NUM ESPELHO
Uma jovem demorava-secom freqüência a contemplar-se
com vaidadenum espelho.Em vésperasde casar-se,ataviadapa-
ra a cerimônia,admirava-sevaidosamenteno espelho.De repente,
em lugar de sua figura, viu nêle Jesus Crucificado,coberto de
chagas,derramandosangue.Tal foi a sua impressãoque caiu des-
falecida.Voltando a si, pediu perdão a Deus, prometendomudar
de vida. Jesus,na visão, ordenou-lheque fôsse paÍa Roma e ali
fundasseuma ordem destinada à adoraçãoperpértuado SS. Sa-
cramento.
E' S. Madalenada Encarnação.

340.
CAÍRAM AS ARMAS'
Ninguém ignora o nome e os feitos de NapoleãoBonaparte.
Polìticamentefoi grande inimigo da Igreja e do papa, a quem
perseguiude diversosmodos. Ameaçadocom a pena de excomu-
nhão, vangloriava-sede que "as excomunhõesdo papa não fa-
riam cair as armas das mãos dos seus soldados".
i

Pouco tempo depois, na campanha da Rússia, as armas


{ 'caíamdas mãos de seus soldadosvencidospelo frio; e na bata..
lha de Waterloo, pelo pânico. Destronadoe desterrado,o grande
imperador terminou sua vida como triste prisioneiro em Santa
Helena.
Quem luta contra Deus será vencido.

341.
O S E N H O RM E S M O O V E R Á
um capelãoda Escola Militar de saint cyr acabavade pre-
gar sôbreo interno,quandoum capitãoirônicamenteo interrogou:
- Padre, no inferno seremosassados,Ìritos ou cozidos?

236 v

+\
b"\
\1
\.
I

\
-- Capitão, o senhor mesmo o verá quando lá estiver. \
\\
o capitão riu-se da resposta,'masaquelaspalavr.asnão rhe
deram sossêgo.Lutou cinco anos com sua incredulidade,
mas por Ì
\
fim converteu-se.

342.
CASTICO DA IRA
Após a grande guer(a emigiou para a América um homem
de Neusadeuz,na Galícia. Passados alguns anos sua espôsa,
que o tinha por morto, recebeuma cartê do ausente.Aberto o en-
velope,encontraapenaso retrato e a assinaturado marido. De-
senganadapor não encontraro que desejava,atira ao fogo a fo-
tografia. No dia seguinterecebeoutra carta do marido: Êle avi-
sava que 'na fotografia ela encontrariaescondidosseiscentosdó-
lares, auxílio que lhe enviava.
Foi tamanha a tristeza daquela mulher, vítima de seu mau
gênio, que logo depois faleceu.

343.
ÃMOR AOS INIMIGOS
o arcebispode Paris, Mons. Darboy, prêso e injustamente
condenadoa ser fuzilado pelos revolucionáriosde l Bz0, enquanto
aquêlesdesumanoslhe apontavamcontra o peito os fuzis, gritou:
"Meus filhos, esperaium momento,que pela última vez vou dar-
vos a bênção pastoral". Ainda estava dando a bênção, quando
uma descargaprostroupor terra o bondosoarcebispo.

344.
BATISMO DE SANGUE

s. Enrerenc:ana, ainda catecúmena,(portanto,ainda não ba-


tizada), ia orar junto ao sepulcrode S. Inês. Ali a encontraram
os pagãose a matarama pedradas.Pelo batismo de sanguevoou
para o céu, e a Igreja venera-âcoÍïte mârtir, isto é, como santa.

237
E

345.
QUANDO MUDARÁS DE VIDA
S. Tomás Moro disse muitas vêzes a um libertino: "Muda
de vida, que já é tempo!" e o outro respondia:"Não temas,ami-
go, em caso de morte repentinatenho esta jaculatória:Perdão,
S e n h o!r"
Uma vez ao passar a cavalo a ponte do rio Tâmisa, o cava-
lo empacoue atirou o infeliz ao rio, onde, não sabendonadar,
pereceuafogado. Os amigos, que o acompanhavam,ouviram-lhe
as últimas palavras,Qü€, por certo, não eram uma jaculatÓria,
mas uma blasfêmia.Dirigindo-seao cavalo disse: "Que o diabo
t e c a r r e g u e a t ie a m i m ! "
Com Deus não se brinca impunemente, diz S. Paulo.Por isso
é temeráriopretenderna hora da morte aquela graça que agora
repelese desprez.as.

346.
A GLÓRIA VÃ DÊSTE MUNDO

Napoleão, para conquistar um reinoy sofreu frio, cansaço,


sono e expôs-semuitas vêzes aos perigos da guerra. Seu reina-
do toi meteorode um instantee êle morria*derramando lágrimas
na
de desengano, ilha de S. Helena, no meio do mar.
César, suspirandopelo império de Roma, combateuárduas
batalhasnas Gálias e apenasalcançouo umbral do sonhadoim-
pério, caiu apunhaladoaos pés da estátuade Pompeu.
Alexandre combateucom fôrça de vontade jamais vista na
terra; e quando conseguiuo domínio do mundo, colheu-oa morte,
e com êle esfacelou-se o seu império.
Ora, se os filhos do séculosabemsofrer indizíveistormentos,
superar terríveisdificuldades para alcançaro re:no de um dia, -
por que os fiihos da luz não hão de saber suportar pequenos
sofrimentos,comb.ateras paixões, repelir a lisonja do mundo
para conquistarum reino eterno de telicidade?

347.
EIS AQUI OS MEUS TESOUROS
(ìuando levavamà morte o diáconoS. Lourenço,os solda-
dos, sendoinformadosde que êle era o tesoureirodo Bispo, co-
meçaram a maltratá-lo para que lhes contasseonde havia escon-

238 ì

tÊâi--:
!lRF:.

dido os tesouros.. . O santo diácono mandou chamar os pobres,


com os quais repartiratodos os bens,e disseaos soldados:"Eis
aqui os meus tesouros".
Tinh.a razão, porque tudo o que se dá aos pobres se con-
verte em tesourospara a eternidade.

349.
VERDADEIRACARIDADE

Qualqueramor não é caridade.Amor de caridadeera aquêle


de S. Joana de Chantal,que curava os enfermos,levava-osà sua
casae beijava-lhesas chagas."Mas que fazes?" perguntaram-lhe
um dia. "Beijo as chagasde Jesus".se alguém ama a uma pes-
soa, porque é rica e poderosaou porque ê, capazde socprrê-loe
protegê-lo,seu amor não é caridade;é interêsse.
"caridade é. . amar ao próximo como a si mesmopor amor
de Deus.

349.
PEDIR A VOCAçÃO PARA OS FILHOS
"peoir
os pais podem a Deus a vocação para seus firhos.
Durante trinta anos rezava uma mãe de Íamíiia para que Deus
concedesse a seus filhos a vocaçãoreligiosa,e Deus a ouviu. Te-
ve cinco filhas freiras e seis filhos padres,dentre os quais dois
arcebispose um cardeal, o célebre Vaughan, falecido em 1903.

350.
O PADRE NÃO SE CASA

um rei da Escócia,antepassadodos stuart, tinha grande


admiraçãopor S. Columbano,e chegoua oferecer-lhesua p1ópria
filha em matrimônio.
Agradeceu-lheo santo a distinção,porém não a aceitou.Ad-
mirou-seo rei de que fôsserejeitadaa sua filha, famosapor sua
formosurae distinção;mas o santo respondeu-lhe que preferia
ser tôda a vida sacerdotede Cristo, € o sacerdoterenúnciaa for-
mar família própria, para poder constituir uma grande família
espiritualcom todos os fiéis.

239
351.
MÃES BOAS, FILHOS SANTOS

Vão aqui alguns exemplos mais conhecidos.S. Agostinho,


Íilho de S. Mônica; S. João Crisóstomo,filho de S. Antusa; S.
GregórioMagno, fiiho de S. Sílvia; S. Basílio, S. Gregório Nis-
seno, S. Pedro de Sebastee S. Macrina, filhos de S. Emélia;
S. Bento, filho de S. Nona; S. Bernardo,filho, de S. Alata; S.
Domingosde Gusmão,f:lho de S. Joana de Aza; S. Catarinade
Suécia,filha de S. Brígida, etc.

352.
VIRTUDE DA ÁCUA BENTA

Evélia, nobre dama de Antioquia, recorreua S. João Crisós-


tomo, pedindo-lheque rogassepor um ïilho seu enfêrmo, o úl-
timo que lhe restava de quatro que tivera. Foi o Santo à casa
daquela senhora,deu uma bênção ao entêrmo e aspergiu-ocom
água-benta.A graça da cura não se fêz esperar.

353.
AS VELASNO DIA DE SÃGBRÁS

S. Brás primeiro Íoi médicoe depoisbispo. Certo dia apre-


sentou-se-lheuma mulher cont um menino que tinha atravessada
na gargantauma espinhade peixe e se achavaem perigo de vida.
O Santo colocousôbre o pescoçodo menino duas velas em forma
de cruz e deu-lhe uma bênção.Saltou fora a espinhae o menino
salvou-se.Em memória dêsse fato benzem-se,na festa de S.
Brás, velas apropriadaspara preservarda dor de garganta e do
engasgo.

354.
VIRTUDE DA MEDALHA "MILAGROSA''

[Jm rapaz de vida selvageme escandalosa,em abril de 1904,


entrou no hospital de Lérida ferido por duas punhaladas.Seu
nome eÍa Libório Menasil, mais conhecidopela alcunha de "o
Demônio'.'.No hospital blasfemavacontìnuamente,insultava as
Irmãs e escandalizavaa todos; quis mesmo agredir a lrmã por-

240

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que lhe falou de Deus.Apesarde tudo, puseÍam-lhedissimulada-


llìenteuma medalhamilagrosadebaixodo travesseiroe começa-
Íam a orar por êle na capela.Pouco depois"o Demônio" pedia
um sacerdote,confessava-secom grende arrependimentoe pedia
a todos perdão dos escândalosdados.

355.
POR QUE ME CONDENASTE?

Um santo teve uma visão, na qual viu como Satanás,de pe


diante de Deus, dizia-lhe: "Por que me condenastepor um só
pecadoque cometi,e ao contráriosalvasa tantosque te ofende-
ram milharesde vêzes?
E Deus respondia:"Porqueo homemme pede perdão,e tu,
nunca.O homemse confessa.tu. não".

356.
A CONFISSÃODÁ-NOS A PAZ

A condessaHahrI-Hahnpercorreumuitos países,visitando
suas cidades,museus,teatros, para ver se encontravaa tranqüi-
lidadeque desejava. roi tudo inútil. Por fim, um dia entrounuma
igreja e confessou-se,declarandoo pecado, que) con.Ìoenorme
pedra, lhe oprimia o coração.A conïissãodeu-lhea paz e a tran-
qüilidadeque em vão buscaraem suas viagens.

357.
ÊLE ERA DESCENDENTE DE MACACO

A senhoraBrossard, anciã rica e piedosa,tinha só um pa-


rente, o senhorAumaitre,grande propagandistado darwinismo.
Ao morrer aquela senhora,o senhor darrvinistanão faltou aos
funeraisda parentarica, cuja tortuna esperava.
No d:a seguinteapresentou-se em casa do tabelião,que leu
para êle o testamentoda deÍunta, redigido na seguinteforma:
"Deixo tudo ao Hospital.Cria ter um parente,Luís Aumaitre,a
quem deixar minha fortuna. Êle me fêz saber que descendedo
macaco; ora eu sei que nem meus pais, nem meus avós, nenhum
outro de minha famíiia descedemde macacos;portanto,não po-
demosser parentes".
Tesouro I - 16 241
358.
MODÉSTIADE UM PRINCIPE

Um missionárioconverteraum príncipe de certo país do


Oriente.Tendo, em seguida,de assistira uma função na igreja,
indicaram-lheum genuflexóLio preparadoespecialmente para êle.
O príncipe negou-sea ocupá-lo, dizendo: "Fora da igrela
poderei ser um príncipe real; mas aqui não sou mais que um
pecador".E foi colocar-seno meio dos simplesfiéis.

359.
A MISSA OBTÉM GRAçAS

João Sobieski, antes cle dar combate aos turcos, mandou


celebrara santa Missa diante de seu exércitoformado em ordem
de batalha,e quis ajudá-la êle mesmocom os braços em cruz.
Preparadocom a santa Missa, atacou os turcos, e ganhou a
memorávelbatalhade Viena,que a Históriaimortalizou.

360.
OUVIA A MISSA DE JOE.HOS

A imperatrizEleonora,espôsade LeopoldoI, ouvia sempre


dejoelhosasantaMissa'Disseram-lhequeseassentasseaome-
nos durante a prática; mas ela respondeu:"Se meus cortesãos
não se atrevema sentar-seem minha presença,apesarde ser eu
uma pobre pecadora,hei de atrever-mea assentar-mediante
de Deus?"

36r. ì
E ' P R E F E R IV EALMISSA
, :
HenriqueIII, rei cla Inglaterra,ouvia duas ou três missas
cada dia.
Quandoum cortesãolhe disseque, a seu juízo, era preferí-
vel ouvir sermões,replicouo rei: "Ouvir serrnõesé muito bom; j
mas eu prefiro ver o amigo a ouvir falar dêle, por muito que o
louvem".

k
362.
O SEGRÊDO DA CONFISSÃO

Um sacerdoterenegado,excomungadoe apóstata,anunciotl
que, no teatro Lírico de Santiagodo Chile, revelariaos mais in-
teressantessegtedos de confissão dos tempos de seu sagrado
ministério.Era 18 de maio de 1905.
No momentoexato em que o desgraçadoia abrir a bõca para
começara falar, desabaramestrepitosamente as galerias do tea-
tro, ficando sepultadas debaixo de suas ruínas 600 pessoas.
Assim Deus os castigou, não permitindo que se violasse o se-
grêdo da Coniissão.

363.
SE NÃO BLASFEMARES, DOU-TE UMA MOEDA

Um soldadoblasfemadordizia que não se corrigia por não


poder.
Disse-lheum dia um cavalheiro:"Se hoje não blasfemares,
dou-te uma moeda de ouro". O soldado,naqueledia, percorreu
a caserna,falou, discutiu com os outros soldados,mas não dei-
xou escaparnem uma blasfêmia.Deu-lhe o cavalheiroa moeda,
mas fêz-lhe notar qte se não se corrigia era porque não queria,
não lazia propósito eïicaz; pois, se pôde abster-sede blasfemar
por uma moeda,muito mais devia abster-separa ganhar o céu.
E com esta lição emendou-seaquêle soldado.

364.
P E Q U E N O SE X E M P L O S

Em 1763,o generalmarquêsde Broc inspecionava o regi-


mento do conde de Provença.Perguntoua um cabo do regimen-
to: - Camarada,por onde começaso dia? - Meu general,co-
meço rezando as minhas orações.- Basta, venha outro. Um
soldado que como tu começa por aí, seguramentecumprirá seu
dever.
a) Um senhor Bispo visitava um hospital militar. Aproxi-
mando-sede um soldado, recomendou-lheque não deixassede
rezar pela manhã e à nolte. Respondeu-lhe:
Senhor,eu rezo tô-
das as manhãse tôdasas noites,mas à moda militar,brevemente.
- E comoé que fazes?- Assim: de manhã,ao despertar,.digo:

16*
-;-:,,=Êl
_ ,----

Meu Deus, teu servo se levanta,tem compaixãodêle. E ao dei-


tar-me, digo: Meu Deus, teu servo se deita, tem compaixãodêle.
- Bravo! Magnífico!

b) Nos terremotosde 1906 em São FranciscolCalifórnia),


enquantotodos corriam como loucos de um lugar para outro, as
Irmãs do SagradoCoraçãode Jesus,cla rua Franklin,com sua su-
periora Madre German, refugiaram-sea oÍar na capela e reza-
vam a ladainha do Coraçãode Jesus,entre os gritos de espanto
da multidão.Num instanteum maÍ de fogo e Ìumo cercoutodo
o convento;mas, acalmadoo incêndio,entre as ruínas dos arre-
dores apareceuo conventsintacto,sem se ter queimadonem uma
persiana.
c) Um homem casado,mas muito desordeiro,que por con-
selho de sua espôsa íezava sempre uma Ave-Àilaria,viu que o
Menino Jesusestavacoberto de chagase lhe virava as costas.
Compreendeuque eram seus pecadose pediu perdão, e rogou a
Nossa Senhoraque intercedesse por êle. Assim o fêz Nossa Se-
nhora, mas o Menino recusava-sea perdoar. Pareceuentão que
a Virgem se pôs de joelhos drante do Filho. Êste comoveu-se,
perdoou,mas exigiu que o pecadorlhe beijasseas chagas,e es-
tas, à medida que as beijava, desapareciam. Aquêle espôsomu-
dou de vida e tornou-se cristão fervoroso.-

d) Era na Alemanha.Um capelãonão conseguiaconverter


um condenadoque ia ser enforcado.Por fim, disse-lhe:Reze
comigo ao menos uma Ave-Maria. Êle a Íezou e, banhado em
lágrimas, confessou-see morreu bem.

e) A missaé tão longa! - dizia alguémao bispo de Amiens,


Mons. de la Motte.
- Que vergonha!- respondeuo prelado- Llm filho se
cansa de estar com seu pai; um homem se cansa de estar cont
seu Deus!

f) CarlosXII, rei da Suécia,embriagou-se e fêz um insulto


à sua mãe. Esta retirou-se, e no outro dia não se apresentou
ao filho. Carlos,ao saber da causa,tomou unl copo de vinho e,
apresentando-se à rainha, disse: "Senhora,sei que ontem vos
insultei; perdoai-me.Bebo êste vinho à vossa saúde". Em se-
guida quebrouo copo e acrescentou: "Êste é o último copo de
vinho que bebo em minha vida". - E cumpriu a palavra.

244
f:.i

g) HenriqueVIII, rei católico,paÍa casar-secom Ana Bo-


lena (pôsto que já era casado com outra), abjurou a religião
católica e tornou-se um rei perseguidore sanguinário.Imolou
2 cardeais,13 abades,l8 bispos,50 doutôres,200 padres,3ô0
senhorese mais de 72.000 vítimas.Ao morrer dizia: "Desgra-
çado de mim ! Não perdoei durante minha vida nem a urn ho- È
I
mem em minha cólera,nem a uma mulher em minha sensuali-
F
dade, e morro execradodos homense amaldiçoadocle Deus".

h) S. Medardo possuíauma novilha, que trazia ao pescoço'


um cincerro.Um dia um amigo do alheio roubou-lhea novilha.O
cincerro começoua soar; o ladrão encheu-ode palha, e soava;
tirou-o do pescoçoda vaca e meteu-onum balaio, e continuavaa
tinir; enterrou-o,e ali estava a tinir. Cheio de terror, devorado
pelo remorso,aquêleladrão confessoua sua culpa, entregandoa
noviiha a seu iegítimo dono.

i) Um rapaz foi condenadoà morte. Estava prêso e na-


queledia seria executado.Sua mãe foi visitá-lo,mas êle repeliu-a,
não a quis receber,di:endo: "4 senhoratem a culpa. Se, quando
eu ïazia pequenosfurtos, me tivesse castigado,eu não estaria
aqui. A senhora,mã3 má, aprovou aquêlesfurtos e agora estou
condenado".
j) Washington,um dos mais célebrespresidentesdos Es-
tados Unidos, era um menino travêsso.Um dia, deu uma ma-
chadada numa cerejeira, que seu pai estimava muito, e a àr-
vorezinhasecou. Perguntou o pai aos criados quem tinha feito
aquelabarbaridade.Não fôra nenhumdos criados.O menino,a
essa altura, apresentou-seao pai e disse: "Papai, eu não devo
mentir: fui eu". E o pai: "Muito mais estimoa tua sinceridade
que tôdas as cerejeirasdo mundo. Perdôo-te por teres dito a
verdade".

k) O médico Hipócrates,que chegou à idade de 140 anos,


dizia: Nunca comi até Ìicar farto. S. Franciscode Paula che-
gou aos 9l e S. Afonso também; S. Hilário chegouaos 104 e,
comoêles,muitosoutrosjejuadoreschegarama idadesavançadas.

l) Um santo bispo mandou pôr em seu epitáfio estas pa-


lavras: "Lembrai-vos de santificar o dia do Senhor".
O santo bispo de Poitiers,Mgr. Pie, dizia: "Quisera que

245
\**,-"=

na sepulturade todos os nossosdiocesanosse pudessepôr êste


epitáfio: "Êste homem descansoutodos os domingos,e os san-
tificou".
O s a n t oc u r a d e A r s d i z i a : " O d o m i n g oé d i a d e D e u s . . .
Conheço dois meios de empobrecer:trabalhar em domingo e
roubar".

m) Alguém perguntou ao sábio Diógenesque deveria fazer


para vingar-sede um inimigo. Diógenesrespondeu:"Ser mais
virtuoso que êIe".

365.
. SAVONAROLA E O CARNAVAL

Conta-se que, em represáliaaos excessosdo carnaval flo-


rentino, organizouSavonarolaem 1496 uma procissãode 10.000
jovens, que desfilou pelas ruas principais da cidade cantando
hinos religiososde penitência.Chegandoa uma praça, onde se
erguerauma grande pirâmide de livros maus, recolhidoscom an-
tecedência,a um sinal dado, deitaram-lhesrfogo.Ao mesmo tem-
po soavamas trombetasda "Signoria",repicavamos sinosde S.
Marcos e a multidão prorrompia em aclanuções.Encerrou-sea
função.com uma missa solene no meio da praça, onde fôra er-
guido um grande Crucifixo.

366.
O MELHOR CARNAVAL

Um oficial espanholviu um dia S. Pedro Claver com um


grande saco às costas.
- Padre, aonde vai com êssesaco?
- Vou tazer carnaval; pois não é tempo de folgança?
O oficial quer ver o que acontece:acompanha-o.
O Santo entra num hospital. Os doentesalvoroçam-see
fazem-lhefesta; muitos o rodeiam,porque o Santo, passando
com êles uma hora alegre, lhes reparte presentese regalos até
esvaziar completamenteo saco.
- E agora? - pergunta o oficial.
- Agora venha comigo; vamos à igreja Í.ezarpor êssesin-
felizes que, lâ Lora, julgam que têm o direito de ofender a
Deus livrementepor ser tempo de carnaval.

246

-+-J
..?

367.
PROFANAçÃO DAS FESTAS RELICIOSAS

Diz uma lenda que certo dia os demôniosse reuniram em


congressopara estudar o melhor meio de cancelardo calendário
os dias festivos.Os dias santos- diziam êles - são um de-
sastrepara nós: nessesdias honra-sea Deus,celebra-se a missa
pela remissãodos pecadose muitos dos que conquistamosdu-
rante a semanaescapamde nossasmãos!... E' preciso acabar
com as festas religiosas!
Mas, hoje em dia, creio que, se Deus mesmo quisesseabo-
lir as festas,os demôniosse reuniriamnum segundocongresso
para protestarcontra essa medida e diriam: "Não, não; deixai
como está; os dias festivossão para nós os de maior negócio;
preferimosque multipl:queisos dias festivos,porque assim lu-
craremosmuito mais!"
Acautela-te,meu irmão; não entres na fila dêssesprofa-
nadores dos donringose dias santos, dêssessequazesdo de-
mônio!

368. -
EIS O LIVRO

S. Boaventurarecebeuum dia a visita de S. Tomás de


Aquino, o qual lhe mani{estouo desejo de conhecera biblio-
teca onde adquirira tantos e tão sublimes conhecimentos. S.
Boaventura,em lugar da biblioteca, mostrou-lheo seu Cruci-
fixo gasto pelos ósculose lágrimas com que o inundava.Aquêle
dêle hauriraa ciênciaque possuía.
era o seu livro de meditações;

369.
VAI E ENTERRA-O!

Dois mendigos,que com falsos remendosfingiam necessi-


dade, sabendoque por ali ia passaro bispo S. Epifânio, paÍa
conseguirdêle uma gorda esmola,usaramdo seguinteardil. Um
se fingiu de morto e o outro começoua lamentar-sepedinclo
dinheiroao Santo para a mortalhae o entêrro.O Santo paÍou,
fêz uma oração e, tendo-lhedado o quÈ pedia, prosseguiuo
seu caminho,

247
"Pregamos-lheuma boa! Levanta-tel"Mas, que levantar-se
nada! O homemmorÍera deveras.Aflito, correuo outro atrás do
Santo e confessou-lhe o seu pecado,pedindo misericórdia.Mas
o santo bispo, muito sério e gÍave, disse-lhe:"Com Deus não
se bfinca. Essa é a recompensados mentirosos.Agora vai e
enterra-o
!"

370.
AONDE VAIS?

O venerávelPadre José de Anchieta,fundador da cidade de


São Paulo e grande missionário,viu um dia um homem, que
saía precipitadamentepara ir matar um inimigo seu.
- Aonde vais? - pergunta-lheo seÍvo de Deus.
- Vou dar um passeio,Padre.
- Não, meu amigo; vais lançar-teno inferno,como bem o
prova o punhal que levas aí escondido.
Vendo-sedescoberto,o homem se arrependeue desistiu de
seu mau intento.

37t.
ENORME PERDA

Nero, antes de ser imperador, numa noite cle jôgo perdeu


um milhão de sestérclos.Sua mãe mandoupôr sôbre uma mesa
uma quantia igual em moedas e disse-lhe:"Vê o que perdeste,
o que te custou uma só noite de jôgo!" Ao ver aquilo, Nero
concebeugrande horror àquelaespéciede jôgo.

372.
A MÃO COM QUE JURARA

RodolÍo da Suéciajurara fidelidadeao imperadorHenrique


IV. Rebelou-se violandoseu juramento,e na batalha de Merse-
buigo sofreu a amputaçãoda mão direita por parte de Godo-
fredo de Bouillon. Rodolfo,agonizando,contemplavaa mão trun-
cada e exclamou:"E' a mão com que eu tinha jurado fidelidade
a meu imperador!"

248

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373.
MARTÍRIO
DE SÃOCANUTO
S. Canuto, rei da Dinamarca,ordenaraque em s.u reino
se pagasseo dízimo à Igreja, como era de justiça. Um tal Blan- '.t

con excitou o povo, o qual, ind:gnado contra o soberano,lhe ã


deu morte cruel. Deus enviou sôbre a Dinamarcauma terrível t
carestia,enquantoque nos povos vizinhos havia abundânciade ì
tudo. Êsse castigo não cessouenquantoo povo não reconheceu J
I
o seu crime e pediu perdão a Deus.
1

i
374. I
NÃO MURMURAR
Santo Agostinhonão admitia que, em sua presença,se mur- \
mutasseou ofendessea honra do próximo. Razão por que nran- ã:{
dou pôr sôbre a sua mesa esta inscrição: "4 esta mesa não se J
assentequem fala mal do ausente". .n
â .4
375, ã,
,-!
NÃO TINHA O NECESSÁRIO ã
+ a
Apresentou-seão missionárioum velho chinês, e pediu-lhe
que mandasseconstruiruma igreja em sua vila. Respondeu-lhe
o misslonário que não era possível por não dispor dos meios
necessários.
- Eu vos ajudarei- disse o chinês.
- Sim; mas seriam necessários cêrca de dois mii escudos
- respondeuo missionárioao ver a aparênciatão pobre de seu
interlocutor.
- Tenho-ose estão à vossa disposição- disse o velho -
porque há quarentaanos que pensona necessidade de uma igre.la
e, gastando apenas o necessário,para comer e vestir, consegui
,.
economizaressa soma.
{
Belíssimoexemplode um pagão convertidol

376. I
I
COMO RECEBIA AS INJÚRIAS .-J

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S. Joana de Orvieto suportava com indizível alegria tôdas l
as injúrias de que era alvo. Tinha o costumede rezar duzentas ' lì
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vêzes a oraçã,odominical por aquêlesque lhe haviam feito mal. I
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Suas amigas diziam: "Se alguém deseja obter as orações de
Joana, basta cobri-la de injúrias".
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\ 3V7.
t"
ULTRAJE CASTIGADO

O doutor Favas narrou a Luís Veuillot o seguinte: "Um


dia apresentou-se-me um indivíduo com uma chaga na perna
direita,causada por uma bala de fuzil. A ferida era de um ca-
ráter todo especial.Depois de deixar-se examinar, disse-me o
pacienteem tom resolutoe seguro:
- Senhor doutor, todo o remédio será inútil: esta chaga
t me acompanharáaté à sepultura.
ltò:
I - Por quê? - perguntei-lhe.
\
- E' o seguinte:"Em 1793 o meu regimentorecebeuor-
dem de paLticiparda campanhada Espanha.Tendo transposto
os Pirineus,encontramo-nos numa pequenaaldeia. Eu estavaem
companhiade outros dois soldados, Franciscoe Tomás; tínha-
mos as idéias daqueles tempos, isto é, é_.amosincrédulos ou,
melhor, ímpios, como era a moda então. Tomás, vendo uma es-
tátua de NossaSenhorasôbre a porta de uma casa,disse: "Ve-
jamos quem acerta melhor naqueleinlame objeto de superstição".
Dispara e a bala fere a estátuana fronte. Francisco,por sua
vez, aponta o fuzil e fere-a no peito. Eu não queria seguir o
exemplodos companheiros: lembrava-mede minha mãe, que era
muito religiosa;não pude, porém,resistiràs zombariasdos com-
panheiros:tremendo,encosteio fuzil ao ombro, fechei os olhos
quase involuntàriamente e feri a estátua.. .
- Na perna? indaguei.
- Sim, exatamenteonde recebi esta ferida. Uma velha que
nos observavaexclamou: "Os senhoresvão à guerra, e o que
acabamde fazer não lhes trará felicidade!"E a profeciareali-
zou-se. Tomás foi o primeiro ferido, e precisamentena testa,
como êle ferira a estátua.
Reconhecemos logo que era uma lição do céu. No outro dia
bem cedo, Francisco,prevend6o que ia acontecer,apertou-mea
mão e disse-me:"Hoje é a minha vez!" E não se enganou.
Meu Deus! Não me esquecerei nunca do que vi: Uma bala atra-
vessou-lheo peito de um lado ao outro. Êle rolava no pó, cha-
-. ì\
:{. mando um padre que naquele momento foi impossívelencon-

250
gs-; ,E

trar. Eu não tinha mais dúvida, e esperavao que ia ne acon-


tecer.Realmente:Íui ferido na perna; aí está o meu caso. Não
sararei nunca, mas dou graças a Deus e a Nossa Senhora que
me concederam tempo para reparar o mal que fiz".
i

378.
O CASTIGO NÃO SE FÊZ ESPERAR '\u

Em 1931, na festa de Corpus Christi, o bispo de Nantes


(França), por causa do mau tempo, suspendeua procissãodo
SS. Sacramento.No dia seguinteos jornais socialistase maçô-
nicos de Nantes zombavamda decisão do prelado. "Que faz o'
vosso Deus? (escreviaum dêlesem tom de desprêzo).Nós nos
rimos dêle. Para o próximo domingo, 7 de junho, organizamos \
uma excursãoa Saint-Nazairepelo vapor "Saint Philibert".Ve-
reis como tudo correrá bem, apesar de que todos os excursio-
nistas perderãoa missa par,atomar o cruzeiro".
Chegou o domingo 7 de junho. Eram 600 os passageiros t

que bem cedo embarcaramno vapor. O "Saint Phiiibert" desceu a

bem o Loire, chegou-a Saint-Nazairee depois saiu do estuárìo


e entrou no Atlântico para um breve giro ao largo. De repente
formou-se um densc nevoeiro; não se via nem se ouvia nada a
dez metros de distância.Não demoroumuito a catástrofe:um
choque tremendo com um poclerosotransatlântico,que partia
pelo meio o pequenovapor francês.Após dois minutosde gritos
de terror, um silênciode morte. O "Saint Philibert" submergia
no oceano para sempre. 499 excursionistasdesapareceramnas
ondas; quatro enlouqueceram;os outros foram salvos com di-
ficuldade por outro vapor; o capitão, desesperado,deixou-se
afundar com seu navio.
Assim respondiaDeus à provocaçãodos míseroshomenzi-
nhos da seita.

379.
HEROINA CHINESA

Maria Lu-te, presidenteda CongregaçãoMariana das mô-


ças de Wu-hu, na China, apesar de recebidana Religião há
dois anos apenas,distingue-sepor sua modéstiae fervor. To-
dos os professôres de certa escolacatólicabandearam-separa a
igreja cismâïica,organizadapelos comunistas,exceto Maria. No

251
dia 12 de maio, vésperade Pentecostes,
enfrentouo tribunal popu-
lar, permanecendo firme na fé, sem que a pudessemde modo al-
gum seduzir ou amedrontar.Até os professôres,seus colegas,a
injuriavam.Antes que lhe atassemas mãos, escreveunum bilhe-
tinho: "Eu sou chinesae, como tal, amo a minha pátria. Eu
sou cristã e, assim sendo,amo a Deus, a lgreja, o Santo Padre
e os missionários".Enquanto isso o povo estendiao punho, ex-
clamando: "Matem-na! Matem-na!" - Maria olhava para todos
com grande serenidadeaté que a arremessanm à prisão (A.
o. 1951).

380.
RESPEITO HUMANO CASTIGADO
,ut":':

ì O respeito humano é uma vileza e uma escravidão.Eusé-


F.
bio, pai de ConstantinoMagno, passavaem revista os seus sol-
" dados. Parado no meio do campo,exclamou:
- Os que forem cristãos venham para a minha direita.
s. Alguns tremeram,pois sabiam que Eusébio era idólatra.
Eusébio por sua vez sabia que muitos dos seus soldadoseram
q
cristãos.Alguns valentes,com passo resoluto,puseram-seà sua
É direita,exclamando: -
- Nós somos cristãos.
; O imperadorolhou para êles com ferezae disse:
t: - Sois vós sòmente?
Nenhum dos outros se moveu do lugar. Então dirigindo-se
aos que estavamà sua direita, disse Euséb:o:
- Vós formareisa minha legião de honra e todos os outros
Ë:
serão expulsos de minhas f ileiras, porque da mesma maneira
È
E. com que hoje se envergonharamde seu Deus diante do impera-
!
dor, amanhã,terão vergonhado imperador diante do inimigo.
,_
F

381.
NA IGREJA ESTÁ A SALVAçÃO
Terrível foi o dia em que Deus abandonoua terra às vin-
ganças das águas do dilúvio. Tôda a ordem do universo foi
transtornada.Condensaram-seas nuvens umas sôbre as outras
com trovões espantosose o munclo foi sacudido por grandc
convulsão.Os mares transbordaram;as cataratas do céu abri-
ram-se e todos os sêres viventes pereceramafogados.

252
.:|@---\É,<r .
-t-

Incólumesôbre a universalruína, flutuava a arca de Noé.


Todos os que nela se haviam refugiado cantavam os louvores
de Deus. Esta é a mais bela imagemcla Igreja Católica,a lgreja
de Jesus Cristo, que, no meio do ditúvio universal dos erros e
da fúria das perseguições,flutua incólumesôbre os séculos,le-
vando à eterna salvaçãoos que nela se refugiam.
Quem por sua culpa estiver f ora da Igreja Católica não
esperesalvação,como, fora da arca de Noé, ninguém se salvou,
porque é a única verdadeiralgreja ïundada por
Jesus Cristo.

382.
O CRANDELIVRO
S. Filipe Benício estavapregado em seu leito cle morte e \
exclamava:"Dai-me o meu livro, dai-nleo meu livro!"
Os assistentesapresentaramum após outro toclos os livros
encontradosno quarto do enfêrmo, mas nenhum o satisfez.Fi-
nalmente,tendo alguém notado que o Santo tinha os olhos vol-
tados para o Crucifixe suspensoà parede,deram-lhoe êle, abra-
çando-o afetuosamente, exclamou:
"Êste, sim, é o rnïu livro predileto,e será o meu testamento: i
I

eu o li e reli muitgs vêzes e com êle quero acabar a minhzr


vida". l
t
383.
PENSAVA NA MORTE
S. Adelaide, viú_vade Lotário, rei da ltália, e depoiò do
impelador Otão, o Grande, passou seus últimos anos àe vida
no mosteirode seiy. Três dias antes de falecer terminou a con-
fecçãode sua veste mortuâriae disse ao seu confessoÍ:,,Eu a
fiz ôda com as minhas mãos, cada dia um pouco. Convinha
que eu aparecesseem público com tôda a magnificênciaimpe_
rial, com um longo manto de sêda cintilante de ouro e prata;
mas, regressandoaos meus aposentos,tr abalhava nesta veste
para lembrar-medo meu fim último e não me deixar cegar pelrr
mundo. Vendo-a,tocando-a,dizia: ,,Adelaide,pensa no caixão,
na sepultura,nos vermesdo cemitério!"
Pensa,tambémtu, meu irmão, na morte! pensa que os pÍa_
zeres terminarão depressa,ao passo que as penas do inferno
não terão fim.

253
1t

384'
os sANTosPERD'AM
Na vida de S. Franciscode Saleslê-se o seguinteepisódio;
Um dia, quando o Santo atravessavaum pequenobosque acom-
panhado apenasde um sacerdotee um criado, um fanático quc'
o odiava por causa de suas pregaçõescontra a heresia,estando
oculto atrás de uma moita, fêz Íogo contra êle para matá-lo. Fe-
lizmenteerrou o alvo e Francisconada sofreu.Pessoas,que ou-
viram o tiro, acorrerame quiseramprendero assassinoe entre-
gá-lo à justiça. O santo, porém, manso e sorridente,procurolt
acalmar a gc'nte,pedindo que deixassemem paz aquêlepobre
iludido, e o assassino,vencido pela bondade do Santo, conver-
teu-see abjuroua heresia.

385.
RESPOSTAPREMIADA

Aos leitoresde um jornal francêsfoi ieita, há poucosanos,


esta pergunta:"Por que há na cadeiama,s homensque mulhe-
1gs?" - O jornal recebeuas mais disparatadasrespostas.De-
clarada digna de prêmio foi a seguinte:"Só Deus pròpriamente
sabe por quê; mas o que todos podem constataré que: nas ruas
se vêem maìs rapazesque môças, nas vendas mais homens que
mulheres,nas igrejas muito mais senhorasdo que cavalheiros".
\
E' exato.Confere.

386.
O MÀRTIRZINHODE UM BEIJO

Era um menino albanêsde oito anos apenas.Residia em


Ilbah, na Albânia.Perdidosos pars,foi acolhidopor um tio turco.
Cheio de ódio contra JesusCristo, Quis êsseinimigo da religião
obrigar o meninoa renegara fé cristã que herdaracle seuspais.
Empregoutodo artifício, todo embuste,mas em vão: o menino
não renegavaa fé. Um dia, enfurecido,tonta o turco um crucifixo
e entregando-oao menino,exclamacom rosto carregadoe olhos
ameaçadores: "Cospenêle!" O meninonão se perturba;toma res-
peitosamente a querida imagem do Salvador e imprime-lhena
chaga do coraçãoum quentee prolongadobeijo.

Íf..
--,r
*'- E
Ìl 1:
l'l
t;
l:
1
Foi a causa de seu martírio. Com dois tiros de revólver i:
l,-i
aquêle tio desnaturadoabate o pequenoherói da fé. Ì'.

Ìr
I'
387. j,
REI DAS NOSSAS ALMAS i',
i
I
JerônimoSavonarolapregava em Florençasôbre JesusCristo Ì
no Domingo de Ramos de 1496. Suas palavras caíam como gra- Ì,
nizo sôbre as almas de seu numerosíssimo auditório.No ardor
do discurso,mostrandoao povo um crucifixo, exclamou:
- Florença!Eis o Rei do universo,que quisera ser tam-
bém o teu rei. Tu o queres?
Uma imponentíssimaaclamaçãoïoi a resposta.Quando ..r
frade desceudo púlpito, a multidão,comovidaaté às lágrimas,
acompanhou-o ao conventono meio de vivas a Jesus-Rei. As au.
toridadesde Florençamandaram gravar sôbre a entrada do pa-
lácio da "Signoria" estas palavras: /esas Christus Rex Floren-
tini Populi SenatusqueDecreto Electus,isto é, JesusCristo eleito
rei por decretodo senadoe do povo de Florença.
Gravemostambém nós essaspalavrasem nossoscorações:é
uma exigênciada gratidão, da necessidadeque temos de Jesus
e sobretudodo amor que lhe devemos.

388.
O FATO FALA POR SI
i
'Na vida de S. Franciscode Sales, grande Bispo
o de Ge- I

nebra, lê-se o seguinte:


Uma vez o Santo, movido por espírito de zêlo, fêz uma vi-
sita ao famoso filósofo apóstataTeodoro Beza, esforçando-sepor
f
reconduzi-loà Igreja Católica que abandonaraignominiosamente.
Na discussão,que teve com o filósofo, soube apertá-lo de tal \.
modo com a sua argumentação, que o apóstatateve de confessar
o seu êrro. dizendo: ï
- Sim, tendesrazão.
- E agora, concluiuo Santo, o que é que vos impedede
abjurar à heresiae retornar à verdade católica?
Teodoro Beza, a esta respostaconclusiva,abre a porta de
um aposentocorrtíguoe indicando-lheuma criatura, que era
o objeto de sua paixão, disse:
- Eis o que me impedede retornara vós!

255
-\J

\
a\

O Santo compreendeuque se tratava de um caso perdido e


retirou-sedeplorandoaquela pobre vítima da paixã.osensual.

389.
SACRILÉCIO DESCOBERTO
Do venerávelPe. Antônio Chevrier lê-se que na noite de
Natal de 1862, enquanto distribuia o Pão Eucarísticoa nume-
rosas meninas de um Instituto, de repente empalideceue ficou
indeciso:os rostosde duas meninasque estavamdiantedêle para
recebera santa Comunhãopareciamnegros como carvão. O ser-
vo de Deus compreendeu logo que elas não estavamem estado
de graça. Após um instante de hesitação,para obedeceràs leis
da Igreja e não ditamá-las diante do público, depositou cont
mão trêmula o Deus de tôda santidadenaquelescoraçõespossuí-
dos do demônio. Chamou-as,depois, à parte e deu-lhes a en-
tender que conheciao sacrilégioque tinham cometido.As duas
meninas, surpreendldas,puseram-sea chorar. O Padre chorou
também e, a seguir, ouviu-lhesa confissãoe reconciliou-ascom
Deus, aquêle Deus a quem tinham ofendido tão gravemente.

390.
TERRÍVEL REMORSO

Foi em agôstode 1860.Uma jovem senhora,vestidade luto,


viajava entre Civittavech!ae Marselha. Estava pálida e triste.
Assentadanuma preguiceira,olhava, ora para o céu estrelado,
ora para as ondas do mar e grossas lágrimas deslizavam-lhe
pelas faces.
Uin jovem senhor,Augusto Prenni, alma fervorosae cân-
dida, aproxima-se da angustiada senhora e, com suma delica-
deza, procura um lenitlvo para aquêle coração ferido.
A jovem senhora, ouvindo aquelas meigas palavras, abre-
lhe o coração."Vós só, diz, sabereiso secretoremorso de meu
coração.Tive uma irmã, chamadaAdélia,inocentee piedosa,um
verdadeiroanjo. Contavaentão 15 anos, quando eu, já corrom-
pida pelas más leituras, um d:a ïiz o papel de demônio tenta-
dor e arrastei-aao pecado.Foi o primeiro e o último pecado de
minha pobre Adélia, a qual no entanto continuavaa ser o en-
canto da família: piedosa,simples,pura.
Aos l7 anos, acometidade terrível enfermidade,ïoi em

256

! ;,,
l: :.
'.*È*,a';.
!Ç$1'"-'i1"'
i

breve reduzida às últimas. Depois de recebero Santo Viático e


os últimos confortos da Religião, chamou-me:
- Ermelinda, venha cá.
Corri ao seu leito. Ela, com sua mão gelada, apertou a mi-
nha mão e, fitando-me com olhar moribundo,disse:
- Ermelinda,lembras-tedaquelepecado?
- Lembro-me,siml mas' já te conÍessaste, já fôste per-
d o a d a. .
- Não - respondeuela - nunca o confessei;com aquêle
pecado fiz tantas confissõessacrílegase sacrìlegamentecomun-
guei, agora, neste leito de morte. Aquêle pecado,meu primeiro e
último pecado, está aqui no meu coração. Vou morrer e por
causa dêle me condeno;mas ai de ti! ai de ti!
Apertou-mecom mais fôrça a mão e expirou.. .
Daqueleinstantepara cá não tive mais sossêgo.Parece-me
sempre ver a ntinha pobre Adélia no meio das chamas eternasl
paÍece-n1e ouvir o seu derradeirobrado: "Ai de ti!"

301'
A sAUDAçÃocRrsrÃ
O famoso poeta protestanteKlopstock contava, numa carta
ao poeta ÌVl;chaelDènis, que, numa viagem pela Suíça, todo.s
os homens,quando desciado carro, lhe dirigiam a bela sauda-
ção: "Louvado seja Nosso SenhorJesusCristo". Êle nunca ou-
vira aquelaspalavras e não sabia que fôssem uma saudação,e
por isso não sabia responder.Mas elas calaram no seu coração
e mais tarde admirou-sede não ter pensadonuma Íespostatão
natural e tão simples,como: "PaÍa sempreseja louvado".Quan-
do a ficou sabendo,aquela saudaçãopareceu-lhe"tão bela e
tão oportunapara os cristãosde tôdas as cond:ções, que dese-
jaria ouvi-la em tôdas as circunstâncias
e em todo o lugar".
Como seria belo, realmente,se todos os cristãosa adotas-
sem! E' a saudaçãocristã por excelência.

392.
UMA BOA LIçÃO

Foi nos primeiros anos do govêrno de Napoleão. Na vi-


gília de Natal um general convidara para uma ceia alguns ofi-
ciais gradu.adose um marechal.
Tesouro | - f7 257

Terminado o banquete, surgiu a questão como passariam


alegrementemais algumashoras. Um dêles disse levianamente:
"Vamos à missa da meia-noite".
- Otimo! à missa da meia-noite!
Entraramna igreja de S. Roque.Pode-seimaginarcom que
devoção entravam na igreja aquêlesque haviam ceado lauta e t.

alegremente:sem dúvida não procuravamoutra coisa que sa-


tisfazer a curiosidadee passar o tempo.
Mas eis que inesperadanrenteum homem de baixa estatura,
que se oculiarano seu capote,surge diante dêles e diz-lhesenr
voz alta e em tom sêco e imperioso':
- Estais procedendomal. Quando se vem à igreja, é pre-
ciso ter uma conduta convenienteao lugar sagrado. Guardai
respeitoe permaneceiem silêncio,senhores!
O homenr oculto no capote era o Imperador em pessoa,
Napoleão I, que ïazia guarda na igreja de S. Roque, em Paris.

393.
UMA LUZ SAIA DO TÚMULO

Numa ilha do Lago Maior, na Itálil, um jovem e ardente


diácono foi martirizadocruelmente.Seu Lome era Arialdo. Os
carrascossepultaram-lhe o cadáverno mesmosít:o do martírio,
julgandoque tudo estavaacabado.Mas eis que, à noite,uma luz
vivíssimasaía da tumba e todos os pescadores do lago, vendo-a,
acudiram ao local. Oliva, a mulher peÍversa que o mandara
matar, cansaclado que se falava, ordenou que levassemo cadá-
ver para outra ilha. Ali também se renovouo prodígio e com
mais luzes ainda. O cadáverfoi então arrojado a um sótão do
castelode Travallio.Mas fachos de luzes,que traspassavam as
paredese as profundidades, :ndicavamaos homensonde se acha-
va o corpo do Santo. Resolveu-se, por isso, lançá-lo ao lago
atado com uma grande pedra, para que o corpo não voltasse
nunca mais à superfície.
Note-seque o que aqui se refere está nas memóriascon-
temporâneas sôbre as quais não há motivo de dúvida alguma.
Dez mesesdepois,reapaÍeceuo coÍpo à fÌor cla água e foi
pôsto intacto sôbre a margem do Valtravaglia. Oliva teve re-
ceio e procurousufocar a notícia do maravilhosocaso.Mandou
transportaro corpo ao penhascode Arona, encarregandoseus
servosde o destruírema ferro e fogo. Mas tudo em vão. O povo

258
F

,t

da cidade de Milão, logo que soube do sucesso,saiu com ban- ':


J,
deiras e armas à conquistado santo corpo. Foi numa manhã lu-
minosa: O corpo do mártir Arialdo, colocadonuma nau, nave-
gava ao largo do rio Ticino. O'maravilhoso triunfo da fé! Sô-
bre as duas margensdo rio o povo estavaapinhado,empunhan-
do cruzese velas. Repicavamos sinos.As criançastocavamcam-
painhas, tôda árvore e todo lugar alto era ocupado pelos fiéis
desejososde ver o corpo; os enfermos saravam, os pecadores
choravam suas culpas e todos se sentiam trocados e mudados
para uma vida melhor (Cf. Meda, Bassorilievi).
Como o esplendordds santos, assim é a Ìôrça e a luz d,a
verdade que emana da Igreja. Em vão se quer combater a fé,
combatero papa. A Igreja triunÍarâ com Cristo hoje e sempree
por todos os séculos.

Lendas

PODER DE SÃO JOSÉ

Havia um homer., devoto de S. José, que não se preparo,.r


para a morte e, assim mesmo,quis entrar no céu.
Mas' S. Pedro,vendo-ochegarmanchado,fechou-lhea porta
e deixou-osentadono côrno da lua. Entretanto,não faltou quem
fôsse contar o caso a S, José, o qual se apresentoudiante do
trono de Deus para pedir graça para seu devoto. O Senhor ne-
gou-lhe a graça. S. José disse que era um devoto seu. "Devoto
q u e a c e n d eu m a v e l a a t i e d u a s a o d e m ô n i o ? . . . " S . J o s é ,p o -
rém, decidido a vencer, disse:
- Se meu devoto não entrar no céu, eu me vou embora.
- Pois, vai-te! - disse o Senhor.
S. José,que não esperavaessa resposta,de chapéu na máo
dirigia-se para a porta; mas, no meio do caminho,virou-se e
disse:
- Se eu fôr, não irei só; deve ir comigo minha espôsa.
- Pois que vá!
- Mas levando minha espôsa, clevo levar tudo que lhe
pertence.. .
- Pois leva tudo! - disse o Senhor.
- Tenho aqui uma lista completa.- E S. José,ent pé no
meio do paraíso,começoua ler: "Rainha dos Anjos!" - E iâ
todos os Anjos voam para a porta. Rainha dos Patriarcas!e

259
-l
:+
...*I

êles vão se enfileirando perto da porta; Rainha dos Mártires!


vão também êles para a porta".
E quando.S. José ia cantar: Rainha de todos os Santos!
disseo Senhor:
- Olha, José; corre, vai dar um banho no teu devoto e,
depois,fá-lo entrar no céu; porque, se me empenhoem não dei-
xá-lo entrar,poÍ justiça fico sòzinhono céu!

395.
A S S O P I N H A SD E J E S U S

A SagraclaFamília'estavano destêrrodo Egito. Ia cain-


do a tarde e S. José não conseguiraterminar seu trabalho para
receber o pagamento. Suspirando olhava para sua castíssima
espôsa, a qual, adivinhando o que se passava no coração de
José,disse-lhe:
- "\f,e temas;tenho um pouco de leite e,pão e farei uma
sopinha paÍa o nosso querido Menino; nós comeremosamanhã,
se Deus quiser".
No mesmo instante em que se dispuSha a dar a Jesus tl
humilde alimento,uma voz trêmula implorava uma esmola.O
Menino olhou para sua Mãe e ela disse: -; "Não temos nada,
meu Filho!" O Menino corre, toma a tigelinha de sopa e leva-a
ao velhinho que pedia esmola.
Entretanto José e Maria choram em silêncio, vendo Jesus
fazer aquêle sacrifício, prelúdio do sacrifício da Cruz, que êle
mesmo ofereceriaao Pai eterno.

396.
A S P O M B I N H A SD O M E N I N O J E S U S

O Menino Jesus eslava brincando com outros nleninos às


margensdo rio Nilo. Faziam passarinhos de areia.Jesusfazia-os
tã,o lindos, que Nossa Senhora, ao contemplá-los,exclamou:
"Que pena que não tenhamvida!" Jesuspara comprazera sua
mãe, deu vida às suas duas pomb:nhase Ïê-las voar. Recomen-
dou-lhesque não fôssem para muito longe e não se ajuntassem
com as aves de rapina. Sôbre a cúpula do templo de MenÍis es-
tavam as outras pombas e para lá se foram elas também. Eis
que, ao chegar o gavião para persegui-las,uma fugiu imediata-
mente e foi refugiar-sejunto de Nossa Senhora; a outra clemo-

260
--**r::a

H . l

rou-se e, ao regressarà tarde, apresentavamuitos ferimentose


poucaspenas.Jesustomou-a entre as mãos e curou-a.No dia
seguinterepetiu-sea cena,e a pombinhaferida regressouquan-
do a Sagrada Família já se havia recolhido em su,a casinha.
Assentou-sena janela e S. José recebeu-ae Jesus curou-a de
novo e fêz-lhe muitas advertências,deu-lhe muitos conselhos.
Na manhã seguinterepetiramas pombas o seu passeio,mas a
desobediente foi devoradapelo gavião.
O mesmo acontececom tantos cristãos que, por sua im-
prudência, caem nas garras do demônio, que os corrompe e
mata!

397.
A MÃO MAIS LINDA

Três meninos iam muito alegres à cidade, onde o que ti-


vessea mão mais linda ganhariaum prêmio.
Chegou um clêlesao bosquezinhode nardos: uma a unla
foi tocando as olorosasflôres que, em sinal de gratidão, deixa-
vam naquelasmãos brancas suas côres e seu aroma.
Encontrou o oütro um regato e, em suas cristalinaságuas,
perfumadasde tlôres de laranjeiras,banhou suas mãos, que saí-
ram mais formosas.Tímido e modesto,o outro vacilava em pe-
dir perfume às flôres e beleza ao regato. Passou um mendigo
que pediu uma esmolapor amor de Deus. Puxou o meninouma
moeda e deu-lha. Ao recebê-la,o mendigo beijou aquela mão
benfeitora,deixando cair uma lágrima de agradecimento.Aquela
lágrima transformou-seem belíssimapérola que tomou mil côres
do arco-íris e esmaltoua mão do angélicomenino.
Esta foi a mão que brilhou com encantadorascintilações,
porque foi purifrcadapela lágrima de um pobre.

398.
AS ROSAS

Segundouma lenda antiga,


Maria, com São José,
Fugindo à gente inimiga,
Transpôs caminhosa pé.

261
E à proporçãoque Maria
Deixav.arastro no chão,
Todo o caminho floria
De rosas em profusão.

Pelos trilhos e barrancas


Das estradas,viu-se em breve
O estendalde rosas brancas
Tudo enteitandode neve.
De um branco suave e doce
As rosas; nenhumahavia
Pela terra, que não fôsse
Da côr dos pés de Maria.

Depois de tempos volvidos,


Ao pêso de imensacruz,
Pelos caminhosfloridos
Um homempassa- Jesus.
E sôbre o estendalde flôres.
De seu corpo o sangue v.ai
Caindo,e Êle entre mil dores
Não geme, não solta um ai.

Passou e pelas barrancas,


Sob as asasdas abelhas,
Dos tufos das rosas brancas
Brotavam rosas vermelhas.

Só duas côres havia


De rosas que aqui registo:
A côr dos pés de Maria
E a côr das chagas cle Cristo.
B. Braga

399.
o ORGULHOSONÃO SE AJOELHA

Diz uma lenda que na cidade de Colônia vivia um padre


santo.Não era sábio; não era eloqüente;era um grandeconfes-
sor. Dizem que toclosos que se levantavamde seu confessioná-
rio levavamna fronte o ósculo da paz,

262

h
ì,
fr;*-*-..- .
Foi na vésperade uma gr.andesolenidade.Uma grande mul-
:1-, de penitentesesperavaao redor do confessionário daquele
::i.il sacerdote.Entre êles achava-seum homem, o único que
: = c o n s e r v a vd a e p é . . . E r a u m r o s t o t r i s t e . .' e s c u r o 'q u a s e
negro. . . atitude que revelava imensa ttisteza e desconcertante
inquietação.Chegou a sua vez. Acercou-se do confessionário,
mas não se ajoelhou.
- Irmão - disse brandamenteo contessor- ajoelhe-se"
- N u n c a ! .. . E u n u n c am e a j o e l h o .
- Q u e mé ' o s e n h o r ?
- Isso não lhe imPorta.
- De onde vem?
- Também isso não lhe imPorta.
- O sr. tem razão - respondeuhumiidemente o confessor
- n a d a d : s s om e i m p o r t a . . . M a s , e n t ã o ,q u e d e s e j a ?
- Confessar-me,porque trago dentro do meu coração um
inferno que me abrasa.Busco a Paz.
- Irmão - replicouo confessorcom iôcla a humildadede
slra alma - se procura a paz, aqui a encontrará,mas. . .
ajoelhe-se !
O penitente,com um gesto de soberba,respondeu:
- N u n c a !J á l h e d i s s eq u e n u n c am e a j o e l h o . .'
- Irmão - disse então o conÍessorcom grande ntansidão
- compadeço-me clo senhor; faça de pé a sua confissão,pois
quandotiver diante dos olhos a gravidadede seuspecados,cer-
tamentese ajoelhará.
- Nunca! - atalhou o penitente.- Ajoelhar-me?NUn-
c a l M : l v ê z e sl h e d i r e i q u e n ã o m e a j o e l h on u n c a ! . . .
- I r m ã o ,c o m e c e .! .
E começouo penitentea contar os seuspecados.. ' E eram
tantos e tão horríveis,que o confessor,que até então conservara
os olhos baixos, levantou-os,fixou o penitentee disse-lhecom
extremabondade:
- Irmão, o senhorestá me enganando.
- Não o engano.
- Êssespecadoso sr. não pôde cometê-los.
- Mas eu os cometi.
- Para ter cometidotantos pecadosseria mister qtle o sr.
Ì ô s s em u i t o v e l h o . . . e o s r . é m ô ç o .
, - M ô ç o ? . . . J á t e n h o m u i t o ss é c u l o s !
. - i l l u i t o ss é c u l o s ? . . ,

263
Ì.

- Sim. . . muitos séculos!


- Quem é o sr., afinal?
- Não lhe importa.
- De onde vem?
- De uma região onde não há sol.
.Y
- Então já adivinho quem é... Irmão, ainda há perdão
e misericórdiapara o sr.. . . mas ajoelhe-se.
- N u n c a ! . . n u n c am e a j o e l h a r e i . . .
- E n t ã oo s r . é . . .
- SouSatanás...
E desapareceu. ..
Sim; há perdãopara todos os pecadores. Nosso Senhorexi-
ge apenas que o pecador, reconhecendoe detestandoseus pe-
cados,humildee sinceramente os acuseno tribunalda penitência.

400.
A MORTENIVELATUDO
Morreu em 1916 FranciscoJosé,imperadorda Áustria,que
por muitos anos souberaconservarsob o -poderiopaternal de seu
cetro a muitos povos que antes viviam em contínuasguerras.O
féretro foi levado à cripta da igreja dos Padres Capuchinhosde
Viena, onde jazem outros reis e imperadores.
O mestrede cerimôniasbateu à porta.
- Quem é? - perguntoudo outro lado de dentro, segundo
o cerimonial,um padre capuchinho.
Os cortesãosresponderam:
- FranciscoJosé,imperadore rei.
De Iá de dentro a mesmavoz austerado frade respondeu:
- Não o conheço.
U m m o m e n t od e s i l ê n c i od e n t r o d a c r i p t a . . . D o l a d o d c
fora, à porta, deliberavamos senhorese políticos.. . Batem
outra vez. E outra vez insiste de dentro o guardião daquelas
tumbas: \
- Quem é?
- Francisco
José de Habsburgo- respondemde fora os
que sustentamem seus ombros o régio féretr-o.
E de novo ouve-sea voz do frade:
- Não o conheço.
Mais um momento de silêncio.. . mais um instante de de-
liberação... Urge, porém,entregarà terra aquêlesrestosmortais

--.^''=--
-ì.*ï*' 113ïq
ttsrffih+,-

que foram ontem de homem tão grande e que hoje ninguém os


quer em parte alguma... Por isso, após um instantede impo-
nente silêncio, outra vez a voz do Capuchinhointerroga:
- Quem é?
E o que respondeem nome da política e da grandeza do
império austríaco,respondeagorai
- Um pobre morto.. .
A voz seÍenae imutável do guardião daquelestúmulos res-
ponde imediatamente:
- Entre!
E abriram-se as portas, e entrava o cadáver e ali, como
pobre morto, foi enterradoo célebreimperador: FranciscoJosé,
rei e imperador da Áustria.
E' certo que a morte nivelatudo. De tôda a grandeza,como
de tôda a miséria, após a morte resta um cadáver que dentro
em pouco não será mais que pó e cinza.

401.
O REI MIDAS

Narra a mitologia que o rei Midas, o qual era muito ava-


rento, por ter tratado bem a Sileno,seu prisioneiro,recebeudos
deusesa grancle recompensade converter em ouro tudo quan-
to sua mão tocasse.Uma beta fortuna, não é verdade?
Uma fortuna?!.. .
Fora de si de contente,aquêle rei tocou seu bastão, e o
bastão se converteuem ouro cintilante; tocou a parede e a pa-
rede tornou-setôda de ouro; meteua mão na algibeira,e tôda
a sua veste converteu-senum bloco de ouro preciosíssimo. ..
No palácio real, tudo agora erâ ouro. . . O rei assentou-seà
mesa... A sopa, apenaslhe tocou os lábios, tornou-seouro; o
pão, a carne,tudo ouro... de sorte que o rei M:das não pôde
tomar alimento algum e depois de alguns dias ia morrendo de
fome rodeadode ouro.
Assim diz a tá-óula.
Mas eu vos digo, em outro sentido, que também nós pos-
suímos um meio de converter em ouro, isto é, em mérito pre-
ciosíssimo, tôdas as nossasobras.Êsse meio é: Conformarsem-
pre e em tudo a nossavontade com a vontade de Deus.
{
{
t
I
:, ..
;ì: ,ì,' ,

402.
TOMAÊSTECÁLICE,
. . ENCHE-ODE ÁGUA
Meninos, ouvi. Sabemosque era um jovem e que cometera
pecadoshorríveis.Mas tinha fé e, às vêzes, punha-sea pensar
na hora da morte e na eternidade... e aquêlejovem sentiaque
o desespêroo arrastava à condenaçãoeterna.
De vez em quando sentia um desejo ardente de voltar ao
bom caminho, de converter-sea Deus, de tazer penitência.En-
tretanto, do fundo da alma parecia que uma voz lhe gritava:
- Não há perdão para ti.
Ao passar um dia por uma igreja, não pôde vencero de-
sejo de entrar. Qualquercoisa o atraía. E acertouencontrar-se
diante do Cristo crucificado.Rezoue com os olhos rasos de lá-
grimas, disse:
- Senhor,haverá ainda misericórdiapara mim?
E ouviu uma voz que lhe dizia:
- Teus pecadosserão perdoados,quando tiveres chorado
muito.
- Senhor- replicouo jovem - chorareitôda a minha
vida; mas qnisera ter certeza de que choréi bastante e de que
me perdoaste.
Então o divino Crucificado,estendendoã mão, entregou-lhe
um cálicee disse:
- Toma-o. Quando o encheresde água, será sinal de que
teus pecadoste foram perdoados.
Tremendode comoção,tomou o penitenteo preciosocálice.
Pouco distantedali havia uma grande pedra. Das entranhas
daquela rochg brotava uma fonte.
- No jato daquela fonte enchereio meu cálice.
Subiu ao alto do morro. Acercou-seda rocha. Encostou o
cáliceà água, mas. .. a fonte secou.
- Secou-sea fonte - diz consigoo pecador- mas não
secaráa torrenteque corre atrás daquelasmontanhas.
E subiu aos montes e desceuaos vales e, por fim, chegou
à susplradatorrente.Mas, quando quis encher o cálice.. . a
torrente secou.
-- Secou-sea fonte e secou-sea torrente - murmurou o
jovem; certamentequer Deus que eu faça penitênciae busque
com trabalhose suoresa água do perdão. Detrás daquelesmon-
tes, do outro lado destas terras, está o mar. Secou-sea fonte,

266
E:.9{:;u çÌ 5
j.

secou-sea torrente.. . não secará o mar. Nas águas salgadas


do mar enchereio meu cálice.
E pôs-se a caminho.Andou muito através de campos,mon-
tes e vales e, finalmente,do alto da gigantescaserra contemplou
o mar distante,- O' mar - exclamou- és a minha esperan-
ça. . . em tuas águas inesgotáveisenchereio meu cálice.
E desceue correu ansiosamente. . . Já estavammuito per-
to as praias do mar. Dá um grito de alegria e avança com o
cálice na máo para enchê-lo nas ondas que vinham beijar-lhe l
os pés. . . Mas, de repente,vê com horror que as ondas se afas-
tam e fogem e o mar retrocecle diante dêle... Cai de joelhoso i
pobre jovem e não se atrevea erguer os olhos ao céu; inclina o ì5
cabeçae rompe em copiosopranto de arrependimento. f

Chorou muito, muito. Quando voltou a si, quando quis en-


xugar a última lágrima de seus olhos inilamados,viu que o cá-
lice estavacheio de água, de água de suas lágrimas.. .
Aí está: essa é a água que lava nossasalmas e nos obtém
o perdão.

403.
A CRUZ DO ROSÁRIO

Sôbre S. Pedro, o chaveirodo céu, há várias lendas,sendo


a seguintebastanteinteressante e instrutiva.
Dizem que, um belo dia, S. Pedro fechou a porta do céu
por fora e veio dar umas voltas pelo mundoI paÍa ver como an-
davam as coisaspor aqui. Parecia-lheque estavachegandopou-
ca gente ao céu e era preciso conhecera causa dessa triste
situação.
Terminado o seu inquérito,e achandomais prudente não
concederentrevistas aos jornais bisbilhoteiros,dirigiu seusapÍes-
sadospassoslá para cima. Aconteceu,porém, QU€,ao chegarà
porta do paraíso,meteua mão nos bolsose, ai! não encontrou
mais a chave.Perdera-ae não sabia nem onde nem como. Que
fazer em tamanha aflição?
- Descereide novo à terra, disse,e procurareium bom
serralheiroque me faça um,anova chave. .\
De fato, não custoua encontrarum muito entendido,e dis-
se-lhe:
- Olhe, eu precisocom urgênciade uma chavepara abrir I
a porta do céu. Você pode tazê-la? i
ti

267 j
i.
I
n
i,
È
r ' ,:'
l:

,.
I - Perfeitamente;mas custará mais, porque há de ser uma
chave extraordinária.
: - Que homens!disse consigoS. Pedro, nem para o céu
h.
Ì.azemuma chave de graça!... Bem! Não há dúvida; vamos lá
:
para cima.
. Subiu o serralheiroao céu e, orgulhosode sua arte, exami-
i
nou o modêlo,tirou as medidase voltou à terra. Tomou dos ins-
.. trumentos,talhou a chave, Iimou-a, poliu-a e, triunfante, apre-
,$
t3.
i+:
;i. : sentou-seà porta do céu. Mas, ai! a chave entrava no buraco
ti
da fechadura,dava voltas, mas... nada! não abria.
t: - Venha outro serralheiro,mas depressa,disse S. Pedro.
a:. Chegou outro, mais presumidoque o primeiro, fêz as mes-
't,
, 1 ,. m a s m a n o b r a se . . . n a d a ! a c h a v en ã o a b r i a .
;ç: Assim foram fracassando,uns após outros, todos os serra-
it: lheiros.Entretanto,as almas que vinham chegando,dos quatro
* cantos do mundo, começavama impacientar-se,porque demo-
'ii.
{a.: rava muito a entrada no céu. S. Pedro suava frio, pois, por seu
t ' ,' descuido,já ninguémpodia entrar na glória. Por fim, uma hu-
1-Ì.:
i,,. milde velhinha se ofereceupara abrir a porta.
5. - Bem. Experimente;vamos ver, disse S. Pedro.
s
& E a velhinha,que, na terra, fôra devotíssimade Nossa Se-
>:"
ri' nhora, meteu a cruz de seu rosário na fechadura,deu meia volta
à chave improvisadae a porta estava aberta.
- Bravo! Bravo! exclamaramtodos. é o rosário de Nossa
Senhoraque nos abre o céu.
E lá entraram cheios de alegria e contentamento.

404.
POBREZA FELIZ

Corre entre os russos a segulntenovela.


O czar (imperador) caiu gravementeenfêrmo. Não encon-
trando remédio,disse:
- Darei a metadede meu reino a quem me curar.
Reuniram-seentão todos os sábios para uma consulta,cujo
tema era:
:ì - Como havemosde curar o imperador?
ii
Depoisde muito discutirem,disseum:
- Procurai um homem feliz, tirai-lhe a camisa e levai-a
;. ao czaÍ e, vestindo-a,êle sarará.
tt'
f.


Ã
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F.,
*s i . :
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''..:;ü-id*.ì.i
. :
.*i*n#.:ir
M.nrugeiros percorriamtodo o império à procura do homem
. ..
feliz, mas não o encontravam,porque: um era rico, mas
sempre
doente; outro era.são, mas pobre; êste, são e rico, mas
sem fi-
lhos; aquêle são, rico e com filhos, mas atribuladol todos,
en-
fim, tinham do que lamentar-se.
Um dia, o filho do czar aproximou_se à noitinhade uma ca_
bana, parou e ouviu que denlro um homem lalava assim:
- Gr.açasa Deus, trabalhei,comi e
vou para a cama con_
tentede ter cumpridoo meu dever.Nada me ialta, sou feliz.
..
o filho do czar não cabia em si de contente,pois encontrara
afinal o homemfeliz e estavadispostoa dar-lhe qrunto dinherro
quisessepela camisa, que Ievaria imediatamenteao czar,
seu
pai. Bateu à porta, entrou, pôs-se diante do homem leliz para
comprar-lhe a c o b i ç a d ac a m i s a ,m a s . . . q u e é q u e v i u ?
O homem ïeliz náo possuís nem uma camisal!
Bem-aventurados os pobres

405.
A LENDA DE FREI PACÔMIO

princípios dJ século décimo, vivia num convento.de


_fm
Beneditinosum santq religioso, chamado frei pacômio, qr"
nao
podia compreendercomo os bem-aventurados não se cansam de
contemplar por tôda a €ternidade as mesmas belezas e gozar
dos mesmosgozos.
Um dia mandou-oo p. prior a um bosquevizinho para re_
colher alguma lenha. Foi com gôsto, mas mesmono trabalho não
o largavam as dúvidas.De repenteouviu a voz de uma avezinha À
que cantava maravilhosamente entre os ramos. Ergueu-se
um animalzinhotão encantadorcomo jamais vira
-em e viu I

sua vida. 1I
Saltava de um ramo para outro, cantando,brincando e inter_
nando-sena selva. Seguiu-o frei pacômio, todo encantado,sem
dar-se conta nem do tempo nem do lugar. l
A certa allura a avezinhaatirou aos ares o úrtimo e mais I
doce gorjeio e desapareceu.Lembrando-seentão de seu traba_
Iho, procurou o machado para voltar ao convento, mas, coisa
esquisita!- achou-o enferrujado.euis pegar o feixe de renha,
que ajuntala, mas não o encontrou.
Alguém mo terá roubado? disse consigo. pôs_se a an_
dar, mas não encontravao caminho.Chegou,ãÍinal, à beira
do
bosque,mas não encontrouo mato de ouïroia; ali estava agora
II. I

íÈ
h
*:
'ÌI

um campo de trigo, em que trabalhavamhomens desconhecidos.


t
q. Perguntou a um dêles o camtnho do mosteiro,pois de certo se
F-. havia extraviado,Todos olharam para êle com surprêsa;em se-
ï'. guida indicaram-lheo mosteiro.
+
Ë
Chegou,mas, - grande Deus! - como estava mudado!
!t. +-1
B
;j:
Em lugai da casa modeita de sempre,viu um edifício magnífico
n ao lado de uma grandiosa capela. lntrigado, bateu à porta;
:r
it.
Éi:
um irmão desconhecido ve:o abrir.
- Sois recém-chegado, disse-lhePacômio,eu venho do bos-
I que onde me mandouest,amanhã o Prior D. AnselmopaÍa bus-
r! car lenha.
ri
,,1
i Admirado o porteiro,deixandoali o hóspede,foi avisar o
j
I Prior que na portaria estavaum monge com hábito veiho,barba
I e cabelosbrancoscomo a neve,perguntandopelo prior Anselmo.
'l O caso era curioso. O prior, abrindo os registos do con-
:f vento, descobr:iuna lista o nome do prior Anselmo, que ali vi-
,t-
-t;
vera há quatrocentosanos. Continuou a ler e achou nos anais
t daquele
- tempo o seguinte:
È
:l - Está manhí Frei Pacômio foi mandado buscar lenha no
,-\ bosque e desapareceu.
-Chamaram -entrar
:I
{ o hóspedee fizeram-no e contar a sua
,t
,,1 história. Frei Pacômio narrou o caso de ruas dúvidas sôbre a
i' felicidacledo paraísoe o prior começoua cõmpreender o mistério
.i
Deus quis mostrarao pio religiosoque, se o canto de uma ,
avezinhaeÍa capaz de encantar-lhea alma por séculosinteiros,
quanto mais a formosurade Deus nã,ohâ de embeveceros bem-
: aventurados por tôda a eternidadesem que êlesjamais se cansem.
af
I.t

rti 406.
:- O GIGANTE SÃO CRISTÓVÃO
i{
A história clêstegigante tem para as criançasum atrativo
especial.
j Era S. Cristóvão um gigante que ganhava a vida carre-
gando em seus ombros os viajantes de uma margem par,aoutra
de um rio caudalososôbre o qual não havia ponte. A correnteza
não podia com êle. Dava alguns passoslargos e já estava do
outro lado. Largava ali o passageiro,recebia os cobres e ia
carregar outro.
Contam que um dia S C apresentouà beira do rio um me-
nino louro como um raio de sol e sorridentecomo uma rosa de

270
!'lF*- l:-:!+.
!:

i.
í

primavera. Era pequeno,pesava pouco,


mas era lindo como um
anJo.
Logo que o viu, disse S. Cristóvão
com muito carinho:
-.Menino, queresque te
passepara o outro lado? Andas
tão sòzinho por êstes caminhos.'
O formoso menino respondeu:
- Ando pelo mundo ã procura
de. um tesouro que perdi.
Quiserapassar para a outra banda Oo ,i.,-.,rrì;;:""::, ^
campose caminhos o encontrol
*u. ,#3 ?:'âr"rï ;;,'ÏË:.uttt'
Cristóvãosoltou uma gargalhada:
- Não poderei contifo?
Anjinho de Deus, não te levarei
ao ombro, mas na ponta do dedo.
Dito isso, aquêleviqoloso--gigante tomou o menino e, co_
*o fôsse uma pena, pô_lo sôbie-os ombros
:.. e, saltanJo ao rio,
caminhavapara a margem oposta. Mas,
quando estava no meio
da torrente, o menino a pesar tanto, tanto que o gi_
gante tremia. Vendo que^i:r.çb"
a correntezao arrastava, exclamou
estupefato:
Menino, pesas muito; tens que ser mais
.- que um simples
menino.
E o menino resfondeu:
- Tens razão_Cristóvão;
eu peso mais que todo o mun_
do, porque eu sou o- menino Deus.
Ando por estas terras à pro_
cura de um tesouro que são as almas.
Agora ;;;;;r*a tua
alma. Se crês em mlm e ,n" urnur,
não ,õ não"i;te j.ruÃì ,our.
os ombros, mas ainda te levarei no meu
coraçãoe te farei Ìeliz
neste mundo e no outro.
Chegandoà margem oposta, Cristóvão
pôs o menino - sen_
tadinho sôbre a areia-e,ajoìlhando_se
diante'OCle, Oisse:
- Menino, tu és Deus.
Creio em ti e amo_te,e só a ti quero
amar por tôda a vida.
E
- _ cumpriu a sua palavra, porque aban,donouaquêle rio e
desdeaquêle dia se dedicoua sórvir e
amar a Deus.

407.
AS TRÊSLÁGRIMAS
Haviano céuum anjo curioso!
s a v ap e l o m u n d o :e s c a p o u _dsoe eueria sabero que se pas_
c é u b a i x o uà t e i r a . . . e u e
amargafoi a suadecepção!...Não e
viu senão."ngu.; nao'pisou
t.nto, barro.Agitourúui uru, nrun.u,
. rumou parao céu.. .

271
F? €:- í\ t-

k**:

Estavamfechadasas portas. Ouviu uma voz que lá de dentro


Ihe dizia:
- Anjo, não poderás entrar de novo no céu se não irou-
xeres da terra, num cálice, uma lágrima que recolherespor um
ato de caridadeque fizeres.
Rápido baixou o anjo à terra... Ouviu um leve gemido,
que saía de uma casa perdida no meio do campo.. . En-
trou. . . Era um menino que estava a morÍeí sòzinho, abando-
nado de todos.O anjo olhou para êIe... O pobrezinhosorriu-lhç
e de seus olhos correu uma lágrlma... e morÍeu. O anjo re-
colheu em seu cálice de ouro aquela \ágrima e, rico com aquêle
tesouro, Íende os ares, atravessa as nuvens, chega às portas
do céu.
- Anjo, que trazesaí?
- Senhor, uma lágrima que recolhi dos olhos de um me-
nino agonizanteque não tinha a seu lado nem os olhos carinho-
sos de sua mãe. . .
- Anjo, não basta.
E à terra desceunovamenteo anjo... E outro ai lasti-
m o s oc h e g o u - l haeo s o u v i d o s . . . V i n h a d e m u i t ol o n g e . . . V o a . . .
chega ao fundo do deserto e entra numã caverna. Um santo
anacoretaentraYaem agonia. . . !
Pôs o anjo a sua mão esquerdadebaix-oda cabeçado ho-
mem de Deus, à maneira de macio travesseiro,e com a mão
direita indicava-lhe os belos horizontes da eternidade.O ana-
coreta sorriu e morreu. . . Uma lágrima caía de seus olhos aber-
tos. . . O anjo colheu aquela lágrima e, rico com aquêletesouro'
fende os ares, atravessaas nuvens,chega à porta do céu.
- Anjo, que trazesaí?
- Senhor, uma lágrima recolhida dos olhos de um anaco-
reta a quem consoleiem sua última agonia.
- Não basta!
E outra vez o anjo desceuà terra... Uma multidão imen-
sa conduzia à fôrca uma jovem rainha. Já se achava no fatal
banquinhodos condenados.O anjo aproximou-sedela, ouviu-a e
viu que era inocente.Levanta-se,f.az um discursoe prova àquela
multidão revoltadaque aquela jovem rainha é inocente... E a
multidão entusiasmadaproclama-a de novo sua rainha e sobe-
rana. De seu banquinhofatal levanta-sea rainha.. . cai de joe-
lhos diante do anjo. . . Uma lágrima de gratidão rola de seus
olhos.

272

-ta--r,'
@f.-.!.:iÍË,:. :ì''rrã--Ì-r r

O anjo recolhe em seu cálice aqueia preciosa lágrima e,


rico com aquêle tesouro, fende os ares, atravessa as nuvens,
chega às portas do céu.
- Anjo, que trazes aí?
- Senhor, uma lágrima colhida dos olhos de uma rainha
vilmente caluniadae por mim defendida.. .
- Não basta. não.
O anjo baixou de novo à terra triste e acabrunhado. . . As-
sentou-senuma pedra. . . Olhou para o céu e exclamou cho-
r a n d o :A d e u sc é u ,a d e u s ! . . . E u t e p e r d i e n ã o t e g o z a r e im a i s ,
porque não encontro na terra uma lágrima que mereça tuas
alegrias... Deixou cair a cabeça... O desespêro c o m e ç a v aa
apoderar-sedêle.. .
De repente a terra treme, o mundo estremece,o sol oculta
sua face, as rochaspartem-se,as trevas cobrem o universo..'.
O anjo levanta espantadoa cabeça,olha por tôda a imensidade
do escuro horizonte.. . Lá, ao longe, descobreum ponto de
l u z . . . u m a c o l i n a . . . s ô b r ea c o l i n a u m a c Í u t . . . n a c Í u z u m a
vítima... ao pé da ütima uma mulherque chora... O anjo
agitaimpetuoso a s a s a s . . . V o a , c h e g a . . . o l h a : S a n t oD e u s !-
-
e x c l a m a q u e é q u . v e j o ? E s t a v í t i m aé J e s u s é ! meuDeus!...
Esta mulher é minha rainha... é Maria! Jesus,uma de tuas
lágrimas.. . Maria, outra de tuas lágrimas.. .
E o anjo recolheuem seu cálice de ouro uma lágrima de
Jesuse outra lágrima de Maria... O anjo chorou também, e
aquela lágrima sua caiu no mesmo cálice e fundiu-se com as
outras duas... E o anjo, rico com aquêle tesouro,fende os
ares, atravessaas nuvens,chega às portas do céu.
- Anjo, que trazesaí?
- Senhor,uma lágrima de Jesus,uma lágrima de Maria
e outra lágrima que é minha.. .
- E n t r a !e n t r a ! . . .
E entrava de novo no reino da Ìelicidade o anio das três
lágrimas.. .

Teso,uro-I - 18
Éq*e:

iNDICE ONOMÁSTICO

Adelaide,383. Filipe Néri, 307.


Afonso de Ligório, lO4, 2W. 247. Frarrcisca Romana.99. 295.
Alonso Rodríguez,42. Franciscode Sales,208, 384,388.
Agostinho,208,374. FranciscoXavier, 196.259.
Aliredo, 266. Frutuoso,154.
Ambrósio,179,337. Gabriel da Virgem Dolorosa,162.
Anselmo,206. GemaCalgani,22.
Antão, 128. CeraldoMajela,32, 95, 96.
A n t ô n i o ,1 8 2 . GregórioMagno, 178.
A p o l ô n i a2, 1 3 . Gregório Nisseno,275.
Bárbara,98. Grignion de Montfort, 104.
Bento Labre, 193. H i l á r i o ,2 1 2 , 2 5 1 .
Boaventura, 368. Isidoro, 193,
Brás, 353. Joana d'Arc, ll9, 216, 224.
Caio, 172. Joanade Chantal,312, 348.
Canuto,373. Joanade C;vieto, 376.
Carlos, 153. J o ã oB o s c o ,4 1 , 1 3 7 , 2 6 4 , 3 1 9 , 3 2 5 .
Cassilda,87. João Crisóstomo,352.
Catarinade Bolonha,102. João de Deus,193.
Catarinade Gênova,84, 253. João de Cota, 230.
Catarinade Sena,88, 176,184. João Guatberto,109.
Cecília,97. João Nepomuc,eno, 89.
Cipriano, 223. João Vianney,93, 123.
Clara,175. José,67-78.
ClementeMaria, 83. José de Anchieta,370.
Cura de Ars, 47. Julìana, 252.
Daniel, 222. lulieta, 274.
Daria,221. Leão, 106.
Dimas,85. I-uís Oonzaga,183.
D o m i n g u i n h o9,4 . L.uis, rei, 2W, 293, 294.
Domingos,167. Lourenço,347.
D o m i n g o sS á v i o ,1 9 1 . Macário,261.
D o r o t é i a ,1 4 5 . Macrina,275.
Edmundo,326. Madalenada Encarnação, 339.
Efrém, 161. À/tãesSantas,351.
Eliseu,283. M a r g a r i d aA l a c o q u e1, 1 8 .
Erói, 338. Margarida de Cortona,80.
Ernerenciana, 344. Maria SS.,43 ss.
Epifânio,369. Maria Madalena,92.
Filipe Benício,382. Martinho. 193.300.

274
F ;:1ìr

-',i: 'r

Militão, 82. Policarpo,152.


Nicolau.249. Rita de Cássia,90.
,
J
Nilo, 204. Sebastião,181.
Paula,79, S e r a p i ã o1, 6 6 , 2 7 1 .
Paulo, 132, 134. Simeão Eslilita, 227.
Paulo da Cruz, 101, 104. Tarcísio,17.
P e d r o .9 1 . Teresa,43, 177.
Pedro Claver, 156,366. Teresinha,37.
Pedro Damião, lO2. Tiago, 211.
Pedro Mártir, 140. T o m á sM o r o , 1 1 0 ,2 7 2 , 3 4 5 .
Pedro Nolasco,156. VicenteFerrer,86.
Pedro de Verona, 186. Vicentede Paulo,331.
P e r p é t u a8, 1 , 1 0 1 . Zita, tg3.

ÍNDICE ALFABETICO
dos principaisassuntostratados

Adulação,323.
Água benta, virtude da 352.
Alma, salvar a 10, 31; amava mais a 9, amava as almas 192, nã,oacre-
ditava na 207; salva ou condenada225; valor da 226; amor à 285;
a ao demônio297.
A m o r a D e u s ,1 1 4 ,v . D e u s .
Amor ao próximo (fi$l) 279, 280, 284, 285, 348.
A n j o s , 9 9 , 1 0 0 ; d e v o ç ã oa o s I 0 4 ; p r o t e ç ã o , 1 0 7 , 1 0 8A; n j o , Á t i l a e S .
Leão,106; ll5.
A t e u , 1 5 7 ;p o r q u e e r a 3 1 6 .
B a i l e ,1 2 3 .
Batismode sangue,344.
Bernadete,o sorriso de 50.
Blasfêmia,229; caiu a pedra, 237; um raio,238,239; cego, 240; como
carvão,241; rüashington,243; 244, 245, 308, 363.
C a r i d a d e1 , 56,156 a,164,168, 209,271; náo falavamal, 298; maledi-
cência,303.
Carnaval,365, 366.
C a r o l a ,o u C r i s t ã o ,1 2 5 .
Castidade,183; dois anéis,326, Casto? 133,388.
C a s t i g od, e u m e s t u d a n t e , 5 4d;e u m l i b e r t i n o , 3 4 5d; o c é u , 3 7 3 .
C é u , t u d o p e l o 1 9 3 ; o o c i o s on ã o e n t r a r án o 2 1 1 ; m é r i t o sp a r a o 2 2 7 ;
o é s e u ,3 0 7 ; à c a ç a d o 3 0 . . .
. C o l e g i a lc o n v e r t i d a1, 2 6 .
Comunhão,dos cruzados12, lreqüente,12 b, diária, 35, a de dois sábios
é a v i d a , 1 7 3 ; é a r i q u e z a ,' 1 7 4 ;u m m e n i n od i s t r i b u ia 1 5 ; d e s e j od e
ïazer a l" 20, 21, 22, 27 tt; de S. Teresinha,43; dá lôrça, 24, 175;
d á c o r a g e m , 2 5d;á s a ú d e , 2 5 7d; e s e j od a 3 4 a , 3 5 a , 2 5 2 ; q u eé a 2 7 ; a
g r a v a t ab t a n c a ,2 8 ; v a l o r d a 3 4 ; i m p e d i aa d o f i l h o , 3 8 ; a n o b o s -
que, 197; graça da 14 214; sarou com a 253; livra do pecado,256;
sacramentale espiritual,258.
v
18r 275
ç , ,,tìh'l
i

Comunismo.122.
t.
ConÍiançaem Deus, l4l; na Providência, 203; depoisme confessarei, 1g5.'
í^
F: C o n f i s s ã om , a l f e i t a , 3 3 , 1 3 7 , 1 8 1 , 3 1 7 ; b e m f e i t a , 1 8 2 ; r e m o r s o ,3 0 l ;
Ë., i á t ë z a p á s c o a ?3 1 9 ; p r o p ó s i t o 1, 8 8 ; d . áa. p a z , 3 5 6 ; s i g i l o , 3 6 2 ; a r r e -
:: pendimento,370, 371; sacrílega,389; mártir da 23.
,,. çristão, de'nome,165;ingratos,169;sou crístão!274; saudação cÍistã,391. .ì
j: Cruz, sinal da 185.
., Cruzc.s,l7B.
:: Dcsmancha-prazeres,124.
'. D e u s ,n ã o a c r e d i t a v ae m 1 5 7 ,3 0 4 ; e x i s t e ,1 5 8 ,3 0 8 , 3 0 9 ; t u d o p o r 1 g 6 ;
,. paciênciade 202; de Deus não se zomba,232, 236,269,378; confiança
em 265; guardar os mandamentos c1e305; gratidão a 310; amaldiçoa-
1", do de 364 f.
D i a b o ,b a i l a n d oc o m o 1 2 3 .
i D o m i n g os, a n l i f c a ro 1 0 6 ,1 7 1 ,1 8 7 ,1 9 8 ,3 6 4 l ; p r o l a n a ç ã o ' d afse s t a s3, ô 7 .
, E s c â n d a l o3, 0 1 , 3 3 4 .
." Esmola,167.
E s p í r i t a s3, 1 5 .
,, E s p o s o s3, 1 1 ,3 1 2 , 3 1 3 ,3 1 4 .
Eucaristia,mártir da 17; S. Ceraldoe a 32; presençade Jesusna 255.
, Fé, 1, 2, 6, 12 c; Íirmezana 110, 150,152;tesouroda 2O0,200 a; viva, 115,
i' 1 2 2 ,1 2 5 ; m o r r e rp e l a 1 8 6 ,3 8 6 ; i n f i e ta D e u s ,1 5 5 .
i. F e l i c i d a d el 2
, B.
' Festasreligiosasprofanadas,367.
Fim, pensaino 204.
i; Cárcia Moreno,54.
t' Cenerosidade, 375.
i Graça da conversão, 4.
H e r o í s m o1, 1 2 ,1 2 7 ,1 5 2 ,1 5 3 ,1 7 2 , 2 1 3 , 3 7 9 .
H u m i r d a d e1, 8 ( P i o X ) , 1 6 6 ,2 1 2 , 3 3 1 .
l g r e j a ,n ã o m o r r e , 1 7 2 ;r e s p e i t on a 1 8 0 ,3 9 2 ; n a - e s t á a s a l v a ç ã o , 3 8 1 ;
a Igreja triunfará, 393.
Inferno,201, 341.
,-. Injúria, 37ô.
ì,' Inirnigo,perdoar ao 109, 118, 127, 1g2, 216, 332, 333, 343, 364 m; ia
matar, 370.
I n v e j a ,B .
.,.. Ira castigada,342.
i: Jejun, 154; e vida longa, 364 k.
i J e s u s ,d e f e n d i a ma 1 6 ; n ã o f i c a r a s ô ; a n r o r d e à s c r i a n ç a s , 1 ;s e n t i n e l a
i a 1 8 0 ; c o m p a i x ã od e 2 ; q u e m é 7 , 1 3 4 ; c r u c i f i c a d oc o n f o r t a ,1 l g , d á
F c o r a g e m ,1 5 1 ; a m a i s a J e s u sC r i s t o , 1 3 5 ; m e u l i v Í o , 3 ô g , 3 g 2 ; n o s s o
Rei, 387.
J o s é ( S . ) , , e a 1 r c o m u n h ã o , 6 7 ;c o n v e r t i d o p o r 6 9 , 7 3 ; s o c o r r en a s
d i f i c u l d a d e s6 ,9 , 7 7 ; n a s d o e n ç a sZ, 0 ; o u v e a s o r a ç õ e sd a s c r i a n ç a sZ, l ,
7 l a ; e a b o a m o r t e , 7 2 ; c o n l . i a n çeam Z 3 i o c o r d ã o d e 7 4 ; o I . "
' asilado,78.
Juiz eterno, 199, 219.
Juízo,lembrançado 223; toma êste cálice,402.

276

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L r e n d a sp,o d e r d e S . J o s é , 3 9 4 ; s o p i n h a sd e J e s u s , 3 9 5 ;p o m b i n h a sd e
Jesus,396; a mão Ínais linda, 397; as rosas, 398; o orgulhoso,399;
a morte, 4C0; o rei Midas, 401; a cruz do rosáÍio, 403; pobreza f.efiz,
404; frei Pacômio,405;o giganteS. Cristóvão,406;as três lágrimas,407.
L ú c i f e r ,c o n s ô l od e 1 3 1 .
Maçãs (e rosas) do céu, 145.
Mãe, calvário de 130; de mártir, 150; maldiçãode 218; desejode 291;
i n f i u ê n c i ad e 2 9 6 ; m ã e se f i l h o ss a n t o s , 3 5 1 ; i n s u l t oau m ã e , 3 6 4Í .
Maledicência,303, 324.
Maria, amor a 42,44; mãe dos órÍãos,43; e uma conversão,45; Filhas
de 46; devoçãodo Cura de Ars a 471,de Garcia Moreno,54; socorre
nos perigog 55, 56,57; o rosário de Ampère,47a, de Garcia Moreno,
5 4 ; o r o s á r i on o , sp e r i g o s , 5 9 , 6 2 ; o v e l h o r n i l i t a r€ o r o s á r i o ,6 3 ; o
rosário livra da rnorte, 65; Ave-Maria dos agonizantes,55; devoçãoa
Maria, 55; dá valor, 61; converteo pecador,58, 64; o Anjo do Senhor
ante a fôrca, 66; o sr. ama sua mãe? 60; proteçãode Maria, 262;
oÍar a Maria. 2ô3.
Más leituras, 325, 327, 390.
Medaiha milagrosa,354.
Mentira,8, 135; não mentiu,364 j; 369; 370.
M i s s ap , e l o p a p a i ,1 0 ; p e l a sa l m a s ,1 l ; h o n r a d e a j u d a rà 1 8 , 1 9 1 ; m ê d o
d o c o r o i n h a , 4 0a; n t e si r à 2 4 7 ; c h e g a v at a r d e à 2 5 0 ; o q u e v a l e a 2 5 4 ;
respeitodurante a 267; como ouvia a 268; a obtém graças,359, 360'
3 6 1 ; v i n h a mà n a d a n c t o1,9 0 .
Micsões,115.
Modéstia,183, 358.
Morte, meditavana 1b'1,383, 400.
Mundo,perigosdo 162;enganador,205; Iugir do 306; recompensa do 220;
glória vã do 346.
Murmuração,374.
O b e d i ê n c i aa,n l e s a D e u s , 9 ; a o s p a i s , 2 7 8 ; a o m a r i d o , 2 9 5 .
Oração, de criança,129; nas tentações,221, 222; vitória pela 224; dos
a t e n t o se d o s d i s t r a i d o s , 2 4 9d; o s m e n i n o s , 2 5 S , 2 6 0 , 2 6 l ;o r a v a B
horas, 266; pequenosexemplos,364 a, b, c, d,
Paciência,130, 139, 140,208.
Padreq , u e r i as e r 2 1 ; a m ã e n ã o c o n s e n t i a . 4 lr;e s p e i t aor 1 4 7 , 1 4 8 , 7 4 9 ,
1ô7; por que o não casa,228, 350; insultouo 336.
P a i s ,e x e m p l od o s 1 6 3 ; o s d e s e d u c a m , 1 8 9s ;a b i ae d u i a r , 2 6 9 ; a m o r a o s
2 7 0 , 2 7 2 , 2 7 7 ;m a u f i l h o .2 7 3 ,2 8 6 ; n ã o p e r d o aa o 2 9 2 ;c a s t i g od o s 3 3 5 .
P a l a v r ad e D e u s ,1 1 3 ; o u v i r a 1 1 6 , 1 2 4 ;s a í a md a i g r e j a , 2 5 1 .
Papa, delpastorzinhoa 36; maltratouo 340.
Paula, santa 79.
Pecado, não dormir em 51; assassino,120; arrependimento, 233; um
menos,248; grande mal, 306; não tenho, 318.
Perdoar, 384; v. vossosInimigos.
Pobre, (ou rei), 117; minha mãe é 276; para um 293; o rei servia aos
294; dera tudo aos 347.
Prazeres,179.
P r e s o s ,i n o c e n t e s ?l l,l .
Proteslantes,imagens,234.

277

'q*"

Provação(secura), I77; sofrimento,178.


P u r g a t ó r i o , 1 0 1c; r i a n ç a sn o 1 0 2 s s . ; a s a l m a ss o f r e mn o 1 0 5 .
Respeito,humano,52,53, 170; respeitohum. castigado,380; à velhice,283.
Riquezas,apêgo às 5.
Rosárlo,136; v. Maria.
Roubo, sacrílego,328, 329, 364 g; furtos, 364 h.
Sacrifício,13, 261,reco,mpensado, 121; por Jesus,144.
Sacrilégio,um tiro sacrílego,235; pernas cortadas,242; 377.
Salvação,trabalhar pela 132; ciênciada 138; salvar-sesem mérito, 142;
a salvaçãoantes de tudo, 230.
Santíssimo,visita ao 14, 2O; Jesus no 29; hóstias consagradas,30;
uma cura, 39.
Silêncio,320, 321, 322, 330.
Superstição, 231.
Tentação,184, 221, 3W.
T r a b a l h o ,n o s d i a s s a n t o s , , 1 5 9 ;p a r a D e u s , e p a r a o d e m ô n i o ,2 1 0 ;
infrtil para o céu, 215.
Velas de S. Brás, 353.
Vestido,da 1Ecomunhão,146; imodestos,300, 337, 338, 339.
Vocação,dos filhos,349.
Vidas santase exemplares:Bárbara, 98; Cassilda,87; Catarinade Gê-
n o v a , 8 4 ; C a t a r i n ad e S e n a , 8 8 ; C e c í l i a , 9 7 ;C l e m e n t M e aria,83;
D i m a s , 8 5 ; G e r a l d oM a j e l a , 9 5 ; D o m i n g u i n h o9, 4 ; J o a n a d ' A r c , l l 9 ;
J o ã o N e p o m u c e n o , 8 9J; o ã o V i a n , n e y , 9 3 ;M a r i a M a d a l e n a g, 2 ; M a r -
garida de Cortona, 80; Pedro, 9l ; Perpétua;8l; Quarenta Legioná-
rios, 82; Rita, 9ô; Vicente Ferrer, 86.
Z ë l o , d e S . P a u l o ,1 3 4 ; d e S . C a r l o s ,1 5 3 . s

Nola: Muitos exemplos,além das aplicaçiressugeridas,uma vez lidos


e meditados,poderão servir a várias outras ,explicaqões,
segundoo cri-
tério do narrador.

o. M. D. G.

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INDICE GERAL

1. Menina, levanta-te! 9
2. O filho da viúva 10
3. A cura de um criado ll
4. Hoje entrou a salvaçãonesta casa 12
5. O môço rico . . 13
6. O cegoà beira da estrada 15
7. Sejamosretratos de Deus 16
8 . O p a j e ms a l v op e l aM i s s a. .....'. 17
9. O meninoque foi enforcadotrês vêzes 18
10. As missaspelo papai l9
1 1 . U m a m i s s a ,u m c a v a l h e i r ou, m r e t r a t o 20
12. Bravos cruzadinhos(4) 21
1 3 .C r u z a d ae s a c r i t i c i o 22
14. Visitandoo Santíssi'no 23
15. Um meninodistribui a Comunhâo 24
16. Meninos mártires 25
17. O primeiro mártiÌ*da Eucaristia 25
18. A honra de ajudar à missa 27
19. Jesus não ficará só 27
20. Que é que pedes a Jesus? 28
2 1 . Q u e r os e r p a d r e ! 29
2 2 . D a i - m eJ e s u se s e r e ib o a z i n h a. . . . 30
23. Um mártir da Conlissãoe da Eucaristia. . . 31
24. A Comunhãodá fôrça 32
25. O pão dos lortes 33
26. A fôrça para o sacrifício 34
27. O amor dos pequeninos(2) .
28. A gravata branca 36
29. Quero ir aondeestá Jesus JO

30. Num tribunal revolucionário 37


31. Estou vendo os chineses 38
32. S. Ceraldo e a Ettcaristia. . 39
33. Novo Judas . 40
34. O valor da Comunhão(2) . 4l
35. As criançasdão belos exemplos(2) 42
36. O pastorzinhoveio a ser PaPa 42
37. Uma primeiraComttnhãoe uma cura 43
3 8 . N ã o o s a l a s t e i sd o s s a c r a m e n t o.s. . 44
39. Uma cura em Lourdes 45
40. O rnêdodo coroinha 46

279
*oç

41. Êste menino será padre 47


42. Amor de um velhinho . . .. 48
43. Senhora,sêde vós a minha mãe .. 48
44. Não chores, minha mãe 49
45. Diante da imagem de Maria 50
46. Valor digno de imitação 51
47. A devoção a Nossa Senhora (2) 52
48. Um grande devoto de Maria . 53
49. Os dois soldados .... 53
50. O sorriso da Imaculada . .. . 54
51. Não irei dormir em pecado 5J
52. Entre na minha guarita 5r)
53. Um castigo e uma gtaça . 3t
54. Castigo de um estudante 58
55. Deus me chama 59
56. Um sacristão e uma voz misteriosa 6l
57. Salvo por Nossa Senhora 62
58. Nossa Senhora e o famoso caçador 63
59. O rosário nos perigos .... 64
60. O senhor ama a sua mãe? 65
6 1 . A d e v o ç ã oa M a r i a d á v a l o r 66
62. Salvo pelo rosário OI
63. última Ave Maria, último suspiro .... 68
64. Um pecador se converte 69
65. Escaparam da guilhotina 70
66. Os três degraus da fôrca 71
67. S. José e a primeìra Comunhão 72
68. A estàtuazinha de S. José 73
69. A pomba mensageira de S. José 1^

70. S. José chama o padre para uma doente 75


7 1 . S . J o s é e a s c r i a n ç a s( 2 ) . . . 76
72. Padroeìro da boa morte . lt
73. Recuperou a vista 78
74. Um lôbo que se torna cordeiro 79
75. Padroeiro dos impossiveis . . . 7S
76. A casa da Sagrada Família 80
77. O viajante e S. José 80
78. S. José e o primeiro asilado 82
79. S. Paula 83
80. S. Àitargarida de Cortona 84
81. Visões de S. Perpétua 86
82. Os Quarenta Legionários 87
83. S. Clemente Maria 88
84. S. Catarina de Gênova 90
85. A vida lendária de S. Dimas 91
86. Pregador que sacudia o auditório 93
87. S. Cassilda . . . 94
88. S. Catarina de Sena 95
89. O sigilo da confissão (S. João Nepomuceno) 97
90. S. Rita de Cássia 98

280
-
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.aìs l
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91. S. Pedro, o Apóstolo 99


92. S. Maria Madalena 101
93. S. João Maria Vianney . . . 102
94. Nunca pisarei em meu Deus 104
95. S. Geraldo Majela 105
96. O nigromantesanto 106
9 7 . H i s t ó r i a , d eS . C e c í l i a 108
98. Um pai bárbaro, uma filha santa . 109
99. Demônios,Anjos e uma Santa 110
100.Um salto maravilhoso 112
101.As horas são séculos 112
102.As criançase o Purgatório(3) . 113
103M . o r r e a m ã e ;a c r i a n ç an, ã o . . . . . . . . . l14
104.Devoçãoaos SantosAnjos . 115
105.Quantosofremas almas 115
106.Átila e S. Leão 116
107.Não teria sido um anjo? r17
108.Inspiraçãodo Anjo da Guarda n7
109.Perdoar aos inimigos 118
1 0 . F i r m e z an a f é n9
1 1 .D e s i i l ed e p r e s o s r20
12. Heroísmode uma família 121
1 1 3 .E ' D e u s q u e m e f a l a t22
114. O coração d,e ouro 123
l15. O tio Pedro assiste- às missões t24
1 1 6 .H i s t ó r i ad e u m a p e n e i r a 125
1 1 7 .U m m o n g ee a s p a c u r i o s i d a d e . 126
1 1 8 .F i l h a ,t e u p a i e s t án o c é u . . . 127
l l 9 . O c o n s o l a d odr o s q u e s o f r e m 128
1 2 0 .S o u u m a s s a s s i n o. .! . . . \
t2s
121.Deus recoÍnpensa os sacrifícios 131 i
122. Oito cadár,reres 132 i
1 2 3 .B a i l a n d oc o m o d i a b o 133
1 2 4 .U m p r e f e i t ol i v r e - p e n s a d.o. .r . . 1 a,l

125.Olá! vocêvirou carola?. 135 1


126.A colegialque se converteu 136 \
127.Como morÍe um vigário 137 \
-'t
128.Olhai para o alto . . r38 ì
1 2 9 .A m e n i n aÍ e z a v ap e l o s a v i a d o r e s. . . 140
1 3 0 . C a l v á r i od e u m a m ã e . . 140
l 3 l . O c o n s ô l od e L ú c i f e r . . . . . 142
132.Sempremais . 143
1 3 3 .C a s t o . . s e m r e l i g i ã o ? ! 144
134.Diálogo com S. Paulo . 145
135.Um mentirosocruel . 146
1 3 ô .O p u n h a ld a i m p u r e z a. . . . 147
1 3 7 .D . B o s c oc o n f e s s a u m d e { u n t o. . . . 148
1 3 8 . O f i l ó s o f oe o b a r q u e i r o t49
l39.Osoldadoeoôvo I50
140.Por que devo solrer tanto? I50

281
l 4 l . A c o n f i a n ç ar e c o m p € n s a d. .a. . . . . l5l
142.Você tem razão 152
143.O presentede Natal 153
144.O sacrifíciopor Jesus 153
145.Maçãs e rosas do céu 144
146.Um instinto divino 155
147.Beijar a mão do padre . 156
148.Castigo do céu r56
149.O respeitodo imperador r57
l5O. Viva Cristo Rei r57
1 5 1 .Q u e l h e p a r e c e ? r58
152.Heroísmode um ancião . 159
153.S. Carlos e a epidemia r60
154.Não quero quebrar o jejum 161
155. Cortem-mea cabeça 161
156.Os Santos e a caridade (2) r62
1 5 7 .. . . s a i u t o s q u i a d o 163
1 5 8 .C a s t i g u e - m e. .! 163
159.Na minhafábricanão se trabalhará.. 164
1 6 0 .C o n t a u m M i s s i o n á r i o. . . . 164
l6t. Como êle meditavana morte 165
162.O mundo perverte 165
163.Queria morrer mártir . 166
164.Amor aos enfermos 166
1 6 5 .T e n s o n o m e d e c r i s t ã o ..:.... r67
166.O que faltava era a humiïdade.. 167
167.Beijou as mãos de S. Domingos 168
1 6 8 .A q u ê l ef u s o f l o r e s c e u. . . . 168
169.Sófoclese seus filhos . 169
l 7 O .Z o m b a vdae N o é ........ 169
1 7 1 .F a s c i n a dpoe l o d i n h e i r o . ....... 170
172.A voz do sangue cristão l7l
1 7 3 ,E ' ê l e ,é a v i d a . . ... ..,. l7l
174. Agora és muito rico 172
1 7 5 .S . C l a r a e o s s a r r a c e n o. s. . . ........ 172
::r,,.
176.A recompensada esmola 172
r.i
177.S. Teresa e a secura 173
178.O sinal da Cruz e as cruzes 173
l?9. Coraçãoapegadoà terra 174
180.Fazendosentinelaa lesus 115
l 8 l . E ' p r e c i s od e s t r u i ro i í d o l o s . 175
182.Ficou a fôlha em branco 176
183.Modéstiade S. Luís 176
184.O vestidocelestial 177
1 8 5 .O s i n a ld a C r u z 178
1 8 6 .C r e d o . . . e u c r e i o 178
187.Miguel Ângelo 179
188.Propósitoinquebrantável .. 179
1 8 9 .O s p a i s d e s e d u c a .m. . . 180
1 9 0 .V i n h a mn a d a n d o .. ' '.. ' ' 181

282
Fr'"- :+:**kÈì.-Ì F:J+ -+ì

191.DomingosSávio ajuda à Missa .


1 9 2 .S a c e r d o m r8l \
t eá r t i r ........ l8l
l?s. Ilo" pelocéu(b) ...
194. Mãe, tenho dezesseisanos 182 I
{
1 9 5 .D u a s m o r Í e r a m . . . s a l v o u _ suem a . . 183 t

r83
1 9 6 .T u d o p o r D e u s
197.Uma última Comunhãono bosque 184
185
198P . r o f a n a ç ãdoa s f e s t a s. . . . . . : .
199.Caírammortos 186
187
200. O tesouro da fé (2)
201.Morto e condenado t87
188
202. Vencidopela paciênciade Deus
188
203. Confiançana providência..
204. Pensaino vosso fim ... 189
t89
?O^1I mundo é enganador r90
2 0 6 .C u i d a d oc o m o m u n d o ! . . . .
190
207.Não acreditavana alma
l9r
208. Uma contrariedade que salva a vida . r91
209. Dando a vida por suasovelhas
210. Um trabalho destruído,outro recompensado
r92
t92
2 1 1 .A a l m a o c i o s an ã o e n t r a r án o c é u . : . . . . ,
t93
2 1 2 .Q u e m s e h u m i l h a.. .
193
213. O dom da iortaleza
r94
214. Como se converteuLuís Veuillot
r94
2 1 5 .O t r a b a t h oi n ú t i l
2 1 6 .P e r d o aur o r i n ì Ã i g o r ' .:.. . : . . . . : : : . . : . : 154
2 1 7 .E s c o l h e i ! . . . . . . : . t95
218.A matdiçãode uma mãe . . r95
195
3i3?',#:;ï:":Íïïï;i"oi::
2?! A oraçãonas tentações
. : ,. r96
197
222. São e salvo no meio dos leões 197
198
??1 9 temor do Juízo . t98
224. A vitória será nossa .
199
225. Anima vestra in manibus vestris .
226. Cuidado com a alma . 199
227. Yivia numa coluna 200
240
228. Por que os padresnão se casam ,''
229. Dois italianose o vício Oe ütasiemar . 201
' 20r
2 3 0 .D e v ep r e f e r i r - sae t u d o . . ...... 202
231. Supersticioso cruei 202
ll2_. U_narepresentação sacrílega 203
233. Cortadosos lábios
203
? 1 ! . D _ " o n d ef u g i u o s e n h o r ? 203
?ll Ir tiro sacrílego 204
236. Queriapô-lascomo flôres .
204
237^.Caiu a pedra
204
238. Vereis como isto pârat! . I
205
zJy. uompadecíam_se dêle 205 i
f
240. Cego pelo resto da vida 205 Ì

283
(6:::s. -S*;

fi:i' ,
'
i: i
1..
i., l

'&i 2 4 1 .N e g r o c o m o c a r v ã o ....... 206


i i .: 2 4 2 .E x p i a ç ã o. . . . 206
fi' 243. Jorge Washington 207
244. O homemdo fuzil 207
l', 245. Um m,eninoherói 207
l 246. Decorai êstes cinco pontos 208
l:r
ìr-.
247. Primeiro irei à missa 208
248. Por um pecadomenos . 208
2 4 9 .A á r v o r ec r e s c i a. . . . . 208
250. Sempre chegavatarde . 20s
251. Saíam da igreja 209
252. S. Juliana 209
253. Três Comunhões 210
2 5 4 .O q u e v a l e u m a m i s s a 214
2 5 5 . P a iT o d o - p o d e r o s o . . . . ..:.... 2ro
2 5 6 .M e u ú n i c or e m é d i o ..... .:..... 211
257. Estou melhor 211
258. Os dois vasos 211
2 5 9 .S e r v i a - sdeo s m e n i n o s. . . . . 211
260. Uma grandiosaprocissão 212
: 2 6 1 .P o u c a sp a l a v r a s 212
I
262. Diante de uma imagem de Maria 212
i, 263. Estude meia hora menos . 212
264. Uma bênçãopor telegrama . . . . 213
I 2 6 5 .S a í as e me s c o l t a ..:.... 213
2 6 6 .O i t o h o r a sp o r d i a . . . .....* 213
,'. 267. Um protestante 213
2 6 8 .E m q u e t e o c u p a s ? .....1..... 214
269. Aquêle é meu pai 214
]' 270. Guardâ-lo-eicomo lembrança 214
271. Deu-lhe a liberdade 215
272. S. Tomás Moro 215
273. Castigo de um mau filho 215
274. Quero ir com minha mãe 216
275. S. Macrina 216
276.Minha mãe era pobre . 216
2 7 7 .C u i a v a - o..... 217
278. Quantocustastea teuspais? 217
279. Esqueceriameus deveres 217
280. O retrato do pai 217
281. Os filhos de Teodósio 218
282. Sentençasevera 218
283. Devoradospelos ursos . 218
284. Salomãohonra sua mãe .. 218
.i 285. Amor filial . 218
2 8 6 .C a s t i g os e m p r e c e d e n t e. . . . 219
287. Faço um prato de pau 219
288. Aonde ides? . 220
289. Compra-o e assim terás dois 220
290. Sei ser fiel 220

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284

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tEè.!::É, .,: -- :"j:.ç;t:tv.:3ç1*-
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.i.:i. :,

291. Eu o ser,ei,mamãe 220 ,;i


2 9 2 .A c o n t e c i m e n {t o
u n e s t o. . . . Z2l i;
2 9 3 .Q u e m é ê s s em o r t a l ? . . . . 221 i
294. Servia-osêle mesmo Z2l
Ì
2 9 5 .O b e d i ê n c i a o m a r i d o . . . . Z2Z JJ

1.

296. Influênciada mãe 2Zz


297. Destino de uma alma . 222
298. Interessante elogio Íúnebre 223
299. Achado funesto 223
300.AcapadeS.Martinho ........223 ï
301. Justo remoÍso 224 t
I
302. Maus conselheiros 224 l
n
303. O melhor cilício . 224 Ì;
i'
304. Fundamentodo clever . 224 .!
't
305. Carlos Magno e os Mandamentos. 225 1j
306. Por ter quebrado um vaso 225 ì
307. És uma grande pecadora 225 it
3 0 8 .D e u s e x i s t e ....... 226 i
309..Napoleãoe Laplace 226 I
310. A gratidãopara com Deus . 227 t r
311. Amabilidadesentre esposos 227
312. Preferirum espôsoreligioso 277
313. Trata afável entre esposos 227
3 1 4 .N ã o s e d e i x ee n g a n a rp e l a f o r m o s u r a. . . .
Ì:
228 ri
3 1 5 .O q u e o s e s p í r i t a d
s e Í e ms a b e r ........ ZZB i
3 1 6 .P o r q u e e r a a t e u . . 229 :
317.Ocultara os pecafnn 229
318. Duas classesde pessoas 230
3 1 9 .J á f ê z a p á s c o a ?. . . . 230
3 2 0 .N ã o s a b e c a l a r ........ 231
321. Urna só bôca 231
322. Cuardando silêncio 231
323. Adulação exagerada 231
3 2 4 .N ã o r e s p o n d e r e i ........ 231
3 2 5 .D i a n t ed e u m q u i o s q u e. . . . 232
326. Dois anéis . 232
327. Terrível testamento 232
328. Terrível castigo 233
329.Umacoroadeouroediamantes ........233
330. Acho-o encantador 233
331. Coisaspiores . 233
332. Cinco lrancos 234
333. Perdoar 2s4
334. Novelasse.n.u.ion.i, . . : . : . : : : : : : : : : : : : : : : : : : : . . . . : . : . : : . : : . 234
3 3 5 .U m a Í a m i l i a d e h o m i c i d a s. . . . 235
33ô. Devo escolheras armas 235
337. Ofício do diabo 235
338. E' demasiadopara uma cristã . 235
339. O crucilixonum espelho 236
340. Caíram as armas 236

285
*r-r

341. O senhor mesmo o verá 236


342. Castigo da ira 237
iì43. Amor aos inimigos 237
344. Batismo de sangue 237
345. Quando mudarás de vida? 238
346. A glória vã dêste mundo 238
3 4 7 . E i s a q u i o s m e u s t e s o u r o s. . . . . 238
348. Verdadeira caridade 239
349. Pedir a vocação para os Iilhos . 239
350. O padre não se casa 239
351. Mães boas. filhos santos . 240
352. Virtude da água benta . 240
353. As velas no dia de S. Brás .. 240
354. Virtude da medalha milagrosa 240
355. Por que me condenaste? 241
356. A confissão dá-nos a paz . 24r
357. ,Êle era descendentede macaco . . . . . 24r
358. Modéstia de um príncipe . . . 242
359. A missa obtém graças 242
360. Ouvia a missa de joelhos 242
361. E' preferivel a missa 242
: 362. O segrêdo da confissão 243
3 ô 3 . S e n ã o b i a s Í e m a r e s. . . 243
3 6 4 . P e q u e n o se x e m p l o s ( 1 3 ) . . 243
365. Savonarola e o carnaval 246
P 366. O melhor carnaval 246
í 3 6 7 . P r o f a n a ç ã od a s l e s t a s r e l i g i o s a s . . . . . . . . . : . z+I

t._ 368. Eis o livro 247


369. Vai e enterra-o! 247
370. Aonde vais? . 248
371. Enorme perda . 248
372. A mão com que jurara 248
1173.Martírio de S. Canuto 249
374. Não murmuraÍ 249
375. Não tinha o necessário 249
376. Como recebia as injúrias 245 .
377. Ultraje castigado 2fi
378. O castigo não se fêz esperar 251
370. Heroína Chin,esa 251
330. Respeito humano castigado 252
381. Na lgreja está a salvação 252
F 382. O grande livro .. 253
3 8 3 . P e n s a v an a m o r t e .:..... 253
38.1.Os santos perdoam . . . 254
385. Resposta premiada 254
386. O nràrtilzinho de um beijo 254
387. Rei das nossas almas . 255
388. O fato iala por si . 255
389. Sacrilégio descoberto 256
390. Terrível remorso 256

286

--;:-;;.." \-*
Fi

391. A saudaçãocristã . 257


392. Uma boa lição Zb7
393.Umaluzsaíadotúmulo ........258
3 9 4 .P o d e rd e S . J o s é ........ 2Sg
395. As sopinhasde Jesus 2ffi
396. As pombinhasdo Menino Jesus . 260
397. A mão mais linda . 2ú
398. As rosas . 26l
399. O orgulhoso não se ajoelha 262
400. A morte nivela tudo
4or.o reiMidas
... :::..: : : :. : : : : : :. : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : : ffii
402.Toma êste cálioe... enche-ode água zffi #*.o5
4O4.Pobreza feliz .. ' ' $, ' ç.d-''ã{i
AO5 A lpnÃq do Froi Dâ^^-;^ "

1q. O giganteS. Cristóvão .. ?70


407.As três tágrimas . &Zf,
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OBRAS DE PALPITANTE ATUALIDADE:

A Família. Sua Origem e Evolução. Pelo Cgo. Florentino


Barbosa.320 pp. (Findo) Broclr.
A Reconstruçãodo Mundo. Anotações às ilIensagensde S. S.
Pio XII. Por Guido Gonella. Tradução de Afonso J. Iìo-
cha. 378 pp. (Frasco) Broch.
Bases de uma Ordem Social. Anotações às l\lensagens de
S. S. Pio XII. Por Guido Gonella. 3M pp. '"
(Frasca) Brocb.
Psiquiatria Pastoral. Pelo P. Paulo Lachapelle. Tradução do
P. Dinarte PassosC. M. 222 pp. (Fasto) Bloclt-
O Carddal Newinan. Pelo P. Dr. i\t. Teixeira-Leite PrftÍdo.
222 pp. (Embu) BrccÌr
O Itinerário Místico de São João da Cruz. Pelo P. Dr. M.
Teixeira-Leite Penido. 256 pp. (Alne) Brcch.
História do Povo de Israel. Pelo P. Américo- Ceppi S. S.
352 pp. (Slori) Brocb.
Apontamentos de tlistória Eclesiâstica. Por D. Jaime de
Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro.
392 pp. (Mirti) Enc.
Compêndio da História da lgreja. Por Frri Dagoberto
Romag O. F. l!Í. 3 vols.
Volume I: Antiguidade Cristõ. 315 pp. (l\Iaci) Euc.
Volume II: A lãade \Íédia. 356 .pp. (Mafa) Enc
Volume tII: A Idade Moderna. 385 pp. (NÍapu) Euc-
Dicionário Litúrgico. Por Frei Basilio Rõwer O. F. M. S edi-
ção. 233 pp. (Fane) Broch. - (Fala) Enc"
Problemas do Catolicismo Contemporâneo. Por l\Iesquita
Pimentel. 336 pp. (Falce) Broch.
Catecismo Romano. Tradução de Frei Leopoldo Pires NIar-
tins O. F. l\I. 734 pp. (l\Íilta) Enc-
Iniciação Teológica. PeÌo P. Dr. lI. Teixeira-Leite Peuido.
I. O Mistério da Igreja. 4(D pp. (Nlacu) Broch.
II. O i\Íistério dos Sacramentos.480 pp.
-Por (i\Iarte) Broch.
O Conflito Maçônico-Religiosode f8?2. Ramos de Oli-

tt-, veira. 240 pp. (Fade) Broch.


Os Jesuítas de sua origem aos nossos dias Por Henrique
Rosa.S. J. Pieparada e completadaaté 1951 por P. -Fèr-
nando Pedreira de Castro. 480 pp. (Mága) Brpch.
História Literária das Grandes Invasões Germânieas. Por
Pierre Courcelle. Tradução de Frei Evaristo Paulo Arns
O. F. II. 352 pp. (Fanga) Broch.
Compêndio de Teologia Pastoral (oferecido aos Seminaris-
tas do Brasil pelo Cardeal Jaime de Barros Câmara, Ar*
tt : cebispodo Rio de Janeiro). 400 pp. (Mani) F.nc"
l,o
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ìf, , : Palavra telegráfica dêste volume - MIVA Broch.
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