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Sudao Ocidental Historia de Africa i

Sudao Ocidental Historia de Africa i

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ABEL SAIA JUNIOR

Tema : Evolução politica, económica, cultural e social de: Sudão ocidental (Reinos de Kanem-Bornu e darfur). - Africa Oriental (Etiópia, Koldofon e Turre) - Africa Central ( Congo) - Africa Austral ( Zimbabué, Marave e Zulo).

Universidade Pedagógica Delegação de Gaza Faculdade de Ciencias Sociais

Trabalho a ser Apresentado Na Cadeira de Historia de Africa I sob orientação do docente Dr. Fanuel Chana

HIPOGEP 1O ANO 2009

INTRODUÇÃO Pretendo com o trabalho que segue, apresentar a evolução politica, económica, cultural e social do Sudão Ocidental ( Reinos Kanem-Bornu e Darfur), Africa Oriental (Etiópia, Koldofon e Turre), Africa Central ( Congo), Africa Austral ( Zimbabué, Marave e Zulu). Trata-se dum desafio não menor, porquanto, tratarei de buscar o mais importante da historia destes reinos, mas sempre encontrarei dificuldades de insuficiência de literatura a respeito destes temas na praça. Estou ciente que superar-os-ei a medida em que for fazendo a pesquisa, pois, só assim estarei a ouvir a palavra da historia africana escrita pelos africanos, como disse o saudoso Patrice Lumumba: “A historia dirá um dia a sua palavra...A Africa escreverá a sua própria historia...”( Ki-Zerbo. 1972) Primeiramente farei a localização geográfica de cada estado ou zona no contexto actual e posteriormente debruçar-me-ei no que diz respeito aos temas propriamente ditos referindo me ao período desde o seculo IX ao século XX . Assim, para melhor elucidação, passo a apresentar os temas objectos da analise ou de investigação, obedecendo a sequencia abaixo:

Evolução politica, económica, cultural e social de:
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Sudão ocidental (Reinos de Kanem, Bornu e Darfur). Africa Oriental (Etiópia, Koldofon e Turre) Africa Central ( Congo), Africa Austral ( Zimbabué, Marave e Zulo).

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AFRICA OCIDENTAL Sudão (região), extensa região geográfica da África setentrional tropical, que se estende desde a Mauritânia a oeste, até a actual República do Sudão a leste. Forma uma área de passagem entre a zona do Sahel ao norte e a zona equatorial ao sul. A região integra parte dos actuais estados do Senegal, Guiné-Bissau, Guiné, Mali, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Camarões, Chade, República Centro-Africana e o Sudão. Região de savana onde se cultiva milho e sorgo. ( In Enciclopédia Universal ) Actualmente, a Republica do Sudão, é o país mais extenso do continente. Limita-se ao norte com o Egipto; a leste com o Mar Vermelho, Eritréia e Etiópia; ao sul com Quénia, Uganda e Zaire; e a oeste com a República Centro-Africana, Chade e Líbia. Tem 2.505.814 km² e Khartum é a sua capital. (idem) TERRITÓRIO E RECURSOS É constituído de três regiões naturais. O deserto, ao norte, que ocupa 30% da superfície; o deserto líbio, uma planície em que se levantam montanhas abruptamente, ocupa a maior parte do país ao noroeste do Nilo; o deserto de Núbia, que se estende entre a zona oriental do Nilo e do rio Atbara; o sahel, com estepes e elevações de escassa altitude situadas no centro do país; e, no sul, uma região de ciénagas (As Sudd) e selvas tropicais. De especial importância são o rio Nilo, o Nilo Branco e o Nilo Azul e seus afluentes, como o Atbara. A maior parte do país se constitui de uma imensa depressão com pequenas elevações.

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O clima do Sudão é tropical

com

traços

continentais.

As

variações de estação são mais acentuadas nas zonas desérticas e a precipitação é insignificante. Ao sul o clima é equatorial. As secas provocam terríveis rachaduras. Há vegetação apenas nas zonas desérticas. No vale do Nilo, crescem algumas espécies de acácias; as zonas com grandes selvas se encontram na faixa central, ainda que o corte de árvores para a obtenção do combustível e pastos tenha reduzido sua extensão. Entre as espécies de árvores se encontram o hashab, o talh e o heglig (Balanites aegyptiaca). Nos vales do Nilo Azul e Branco, são comuns o ébano, o silag, o baobá e a caioba. Espécies autóctonas são o algodão, o papiro, o rícino e plantas da borracha ou resina. A fauna é abundante nas regiões equatoriais; os elefantes foram praticamente exterminados durante a guerra civil; nos rios, abundam crocodilos e hipopótamos. Entre os mamíferos de tamanho grande encontram-se as girafas e os leopardos. Outros animais são: babuínos e micos, numerosas espécies de pássaros tropicais e répteis venenosos. Entre os insectos encontram-se a mosca serot e a mosca tsetsé ― abundantes na faixa equatorial ― e os mosquitos, responsáveis por uma malária endémica no Sudão. ( idem)

POPULAÇÃO E GOVERNO Na região setentrional, a população se compõe de povos da antiga Núbia, descendentes de africanos e árabes, e das etnias beja, jamala e nuba. No sul, predominam os grupos nilóticos,

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como o dinka, nuer, shilluk e azande. Tem uma população de 36.080.373 habitantes (2001) e uma densidade de 14 habitantes por quilómetro quadrado. A guerra civil e os conflitos sociais têm modificado a distribuição das diferentes etnias. A cidade mais importante é Khartum, a capital, com 476.218 habitantes em 1983, que forma uma conturbação com Ondurmán, com 526.287 habitantes; e com o centro industrial de Khartum Norte com 341.146 habitantes. Outras cidades importantes são Port Sudan, com 206.727 habitantes; e Wad Medani. Cerca de 73% da população é muçulmana, com a maioria sunita situada ao norte; 17% pratica as religiões tradicionais; e existe uma minoria de cristãos, principalmente no sul. As diferenças culturais e religiosas são a base das tensões entre as regiões. A língua oficial é o árabe, falado por quase metade da população, e no oeste, no leste e no sul se fala outras línguas autóctones (ver Línguas africanas). A Constituição de 1973, que estabelecia uma república

presidencialista e unipartidarista, deixou de vigorar após o golpe militar de 1985. Novamente um golpe militar, em 1989, fez com que fossem proibidas todas as actividades políticas. Em 1993, Bashir assumiu a presidência. (idem)

ECONOMIA

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O produto interno bruto é de 1,1 milhão de dólares, com uma renda per capita de 340 dólares (1999). A base da economia é a agricultura. A seca e a guerra civil acabaram com os esforços para impulsioná-la. Cerca de 60% dos habitantes vivem da agricultura e do

pastoreio. Os principais produtos agrícolas são sorgo, milho, trigo, arroz, gergelim, mandioca, batatas e leguminosas, e o principal produto comercial é o algodão. Entre seus recursos florestais destacam-se a goma arábica, da qual é o maior produtor mundial. Outros produtos são cera de abelha, tanino, sena e madeira, em especial a caioba. A indústria agrícolas. A moeda do Sudão até Maio de 1992, quando foi substituída pelo dinar, foi a libra sudanesa, que ainda está em circulação. (idem) HISTORIA Desde tempos remotos, a faixa norte tem feito parte da região da Núbia. Em 1570 a.C., data em que começou a XVIII Dinastia, a Núbia era uma província egípcia. Desde o século VIII a.C., ocupam o território uma série de reinos independentes; o mais poderoso deles foi o de Makuria, um estado cristão fundado no século VI, o qual teve fim no início do século XIV como consequência da invasão dos mamelucos egípcios. O reino da Alwa foi destruído em torno do ano 1500 pelos funj, muçulmanos que fundaram um sultanato em Sennar. se orienta para a transformação dos produtos

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Próximo ao século XVIII, a falta de entendimento entre as tribos funj debilitou o reinado que, em 1820, foi invadido pelo Egipto, nessa época uma província do Império Otomano. O domínio turco-egípcio se manteve durante 60 anos. Mehemet Ali, também Muhammad Ali (1769-1849), paxá otomano do Egipto (1805-1849). Reformou o país e fundou uma dinastia que governou o país até meados do século XX. De 1820 a 1822 Mehemet Ali conquistou regiões no Sudão e, pouco depois, em 1823, fundou a cidade de Khartum Em 1882, uma revolução aniquilou o exército egípcio tomando o controle da província. Um califa tomou o poder em 1885; o caos económico e social invadiu o Sudão. O Egipto havia passado a ser uma possessão britânica. Em 1896, os governos britânico e egípcio mandaram uma expedição militar contra o califa e firmaram um acordo para compartilhar a soberania do Sudão. Na zona meridional, o controle britânico era menor. O descontentamento com o tratado do Egipto se fez mais patente após a Segunda Guerra Mundial. Em 1946, os dois países iniciaram negociações para revisar os termos do tratado. O governo egípcio pediu aos britânicos que abandonassem o Sudão, enquanto que estes propuseram modificações no regime de governo. Em 1953, a Grã-Bretanha e o Egipto firmaram um acordo, mediante o qual se garantia a independência do Sudão após um período de transição de três anos. Em 1954, o primeiro governo composto por sudaneses assumiu o poder e começou uma política de sudanização.

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Esse programa agravou as diferenças geográficas, económicas e sociais entre o norte e o sul; os habitantes do sul se sentiam excluídos do novo governo. A República do Sudão foi oficialmente declarada em 1956. Em 1958, após as primeiras eleições, o novo governo foi

derrotado pelo tenente-general Ibrahim Abbud, o qual dissolveu o Parlamento, suspendeu a Constituição, declarou lei marcial e se auto proclamou primeiro-ministro. Em 1964, ele foi derrotado e assumiu o poder um Conselho de Estado. A revolta iniciada no sul, contra o domínio do norte, enquanto Abbud estava no poder, acabou numa guerra civil que se prolongou até 1972, ano em que o sul conseguiu certa autonomia. Em 1969, um grupo de militares dirigido por Yaffar al-Numeiry assumiu o poder e estabeleceu um novo governo. Numeiry negociou um cessar fogo com os separatistas do sul. Após várias tentativas de golpes de estado (1976), voltou-se para o Egipto, para os estados árabes conservadores do Ocidente, aos quais solicitou ajuda política e económica. A estabilidade do país, durante o final da década de 1970, se viu ameaçada pelo grande número de refugiados que chegaram procedentes da Eritréia, Uganda e Chade. O presidente Numeiry ganhou as eleições pela terceira vez em 1983. Após a entrada em vigor da lei islâmica (sharia), apareceu um novo grupo, o Movimento para a Libertação do Povo do Sudão, com o objectivo de derrotar Numeiry. Em 1985, um golpe de estado acabou com seu governo.

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Um ano depois, foram comemoradas as primeiras eleições livres depois de 18 anos. A economia estava paralisada e a guerra civil se agravou no sul do país. Em 1989, o general de brigada Omar Ahmad al-Bahir chefiou um golpe militar, declarou estado de emergência e nomeou um Conselho de Estado. O regime de Bashir enfrentou, no sul, o Movimento para a Libertação do Povo do Sudão, que havia se fraccionado em dois grupos litigantes entre si. Em Maio de 1998, o direito à autodeterminação dos povos do sul sudanês foi reconhecido, mas não surtiu efeito. O problema essencial não foi a independência, que as organizações do sul não reivindicavam formalmente, mas a decisão de aplicar a lei islâmica ao conjunto da população. Ajudado unicamente pelas organizações não-governamentais, o sul sudanês continuou devastado por uma guerra que não deve terminar enquanto o regime continuar se recusando a levar em conta as reivindicações dos não-muçulmanos. (idem)

O REINO DE KANEN

Reino de Kanen, estado africano, na região do lago Chade, que existiu do século IX ao XIX, cuja capital era Njimi. Foi fundado pelos Kanuri, uma mistura de povos negróides e berberes1 que viviam a leste do lago, e governado por mais (reis) da dinastia Sef (ou Sayfiyya). Sua prosperidade estava baseada no comércio através do Saara, e, desde o início, o Estado esteve sob a influência do islamismo, que, no século XI, passou a ser a religião oficial (idem)

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Também consta ainda que, nas origens do Kanem encontramos como em todos os outros pontos da bordadura sul do deserto, a conjunção e o casamento dos sedentários e dos nómadas (Zaghawas) também tidos como berberes ou tuaregues povo negro que ate hoje existe, estes que teriam chegados no século IX e tomado a direcção como os primeiros reis do Gana, como Za Aliamen e Abu Yezid (Ki-Zerbo. 1972) Segundo Ki-Zerbo,J de inicio os Reis deviam tomar mulheres entre Tabus, mas mais tarde, a partir do século XIII, casar-se-ão em meio kanuri. Os Kanuris apresentam se como povo individualizado a partir do ano 800, a leste
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Berberes, nome que recebe a língua e os habitantes de povos não árabes que habitam extensas regiões

ao norte da África. A língua berbere é um ramo da família linguística afro-asiática e compreende cerca de 300 dialectos. É uma língua falada, pois sua forma escrita é pouco conhecida e raras vezes utilizada. Os berberes constituem 40% da população do Marrocos, 30% da Argélia e 1% da Tunísia. A população berbere diminui lentamente, à medida que muitos adoptam a língua e a cultura árabes. A ocupação tradicional é a criação de gado, porém cada vez mais, os berberes se dedicam à agricultura. do Chade. Estes negros puros ( complete negrões) emigraram para a regiao ocidental onde fundaram numerosos reinos, cujo primeiro dele foi o de Zagwa situado na zona de Kanem.

O primeiro Rei conhecido foi o Dugu Bremi, descendente de Saif, que terá se instalado em Njimi, a leste do lago Chade, por volta do ano 800, tendo vivido no principio do século IX e sido morto pelas populações mbum do Adamawa, no decurso duma audácia expedição para o sul, e depois de ter fundado uma cidade Yeri Arbasan. Entre 1085-1097 foi introduzido o Islão no Kanem durante o reinado do Umé. O filho de Umé, Dunama I, no decorrer do seu

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longo reinado ( 1097-1150) tem tempo de fazer duas vezes a peregrinação a Meca. Morre afogado pelos piratas egípcios no mar Vermelho, ao empreender uma terceira viagem aos lugares santos. Na mesma época é estabelecida no Cairo uma estalagem-escola malekita para receber os peregrinos ou estudantes do Kanem. Os Reis seguintes serão sobretudo conquistadores. Salma (11941221), aproveitando-se, sem duvida, do velho parentesco e das alianças da dinastia com os Tabus do Tibesti, beneficiou da tenacidade e da coragem proverbial destes nómadas para conquistar e controlar as rotas comerciais do Norte ate a Feania, onde a capital foi se fixar em Njimi. Já por volta de 1221-1259, sob Dunama II, uma expansão para o norte é selada por uma aliança com os Hafecidas de Tunes (1128-1347). Dunama enviou-lhes a titulo de presente uma girafa demonstrando assim o êxito desta vedeta das savanas africanas. A oeste, a expansão estende-se ate o Níger pela dominação sobre os Haúças. A leste, o Kanem luta contra os Bulalas, gente de pele clara, as vassalas do reino dos Zaghwas. Para o Sul, a conquista é frenada pelos temíveis Saos, pelas regiões pantanosas do Logone e pelas montanhas do Adamawa. Os Bulalas, que proclamavam a mesma ascendência que os chefes do kanem, dominavam os autóctones das redondezas do lago Fitri. Contrariamente dos príncipes do Kanem que estavam profundamente presos aos cultos animistas.

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A Dinastia do Kanem conservava um “feitiço” venerado, chamado muné ou moni que era um espírito dos antepassados simbolizado numa efigie de carneiro, o que estabelece um laço cultural prodigioso com a pratica semelhante de méroe, dos países akans( Ghana) e de Kuba(Congo). ninguém devia destapar. O muné era um dos elementos essenciais do culto que os Kanembus prestavam ao seu rei, considerado um deus pelo menos no período pre-islamico. Este rei era responsável pela chuva e pelo bom tempo, assim como pela saúde dos seus súbditos. Matava a sede com hidromel, mas admitia-se que não precisava de comer, e ai daquele que visse o camelo a levar em segredo as provisões reais para o palácio! Era logo Exterminado. Ora Dunama II ousou descobrir o muné. Este acto sacrílego feriu profundamente as convicções animista muito vivas nos meios populares tekas e kanurus. Seguiram-se revoltas, habilmente atiçadas pelos rivais bulalas, e exílios ou migrações em massa, passando Saos. Com efeito, no Kanem, a guerra civil entre o clã dos idrisas e dos Dauds viera complicar ainda mais a luta contra os bulalas a leste. Finalmente, os Idrisas levam a melhor, mas o seu poder permanece instável. Aumentando a pressão dos bulalas, Omar (1384-1388) abandona o Kanem e instala-se em Gaga, no Bornu. Ai as lutas continuam. numerosos kanembus para o oeste do lago Chade, onde foram, em geral atacados e, por vezes massacrados pelos Para outros era um vaso sagrado que continha relíquias, como o tribo mossi, e que

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Ao norte são os chefes de bandos árabes que se entregam a escravatura, como o prova a carta enviada em 1391 pelo rei Bornu, Biri Ben Idriss, ao Sultão Al Malik Az Zahir Barquq, a queixar-se das incursões de Jodam, que, dizia ele, lhe matou o irmão e levou numerosos súbditos que, no entanto, eram muçulmanos, homens, mulheres e crianças. A luta continua também contra os Saos e os Haúças. O maior príncipe desta nova fase da historia do Kanem-Bornu é Ali ibn Dunama, chamado Al-Ghazi ( ou o Conquistador) (14721504). Este organiza a administraçao e funda Ngazargamu, conhecida por Birnim bornu (fortaleza de Bornu), na margem do rio Yo. Submete a tributo as cidades Haúças. Era assim que os escravos trazidos por Zamfara eram trocados pelo Bornu por cavalos árabes. Os imãs procuraram então que a moral dos notáveis fosse pautada pelas prescrições do Alcorão. Um certo Masbarma tentou impor a regra das quatro mulheres. O soltao Ali conformou-se, mas numerosos notáveis recusaram-se a isso. Sob o seu sucessor Idriss Katagarmabe (1504-1526), o Kanem foi conquistado aos Bulalas, cuja capital estava instalada em Gaw, ao norte do lago Fitri. Mas os Bulalas não integrados permaneceram autónomos e constituíram mais tarde o Reino de Wadai, dando Lugar ao reino Kanem.( Ki-Zerbo. 1972) Religião: A religião islâmica predominou na regiao devido a presença dos árabes, assim, todos hábitos e obrigações estavam fundamentadas no islao. Organização do Reino Kanem

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O Kanem foi, com o Maly e o Songai, um dos mais vastos impérios dos grandes séculos africanos. A organização Politica e a administração são do mesmo género que no Maly e sobretudo no Songay ou seja, uma monarquia feudal descentralizada, tendo no cume o sultão, reverenciado como um deus e que, no decurso das audiências publicas está sempre oculto por uma cortina. O Conselho de estado (notiena) é formado por doze príncipes ou emires, com uma competência territorial ou funcional: assim o Yerima ( província do Yeri) ao norte, o galadima (Província do Oeste) o Futuma ( Governador da Capital) o Kaigamma ( o Generalíssimo, ministro da guerra e da província do Sul) o Mestrema ( grande eunuco, chefe do harém e da província de Leste) o Yiroma ( ao serviço da rainha, sob controlo do mestrema). A rainha-mãe (magira) era alva de honras especiais. Os assuntos correntes eram tratados por um conselho privado. As finanças reais eram alimentadas pelos impostos em espécies, pelos tributos pagos com frequência em géneros e pelo trafico dos escravos. A justiça dos Cádis muçulmanos permaneceu circunscrita sobretudo nos centros e não pode substituir o direito consuetudinário. O Exercito, que compreendia ate 100.000 cavaleiros ( Certos contingentes dos quais eram couraças) e 180.000 homens a pé, era uma das maiores forças da época. Era composto de tropas Kanembus, soldados de oficio e guardas do palácio, a que se dava o nome de divisões da casa, às quais se juntavam corpos recrutados pelos governadores provinciais, chamados continentes do mato. Tinha como pontos de apoio

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grandes fortalezas, cujos vestígios se encontram espalhados em lugares hoje solitários. São construções de tijolos cozidos, devidas talvez à técnica dos ferreiros e arquitectos saos . Em Njimi, Wadi, Ngazargamu e Nguru constituem ainda um testemunho da grandeza do Kanem. O reino Bornu 1. Idriss Alooma No fim do século XVI e no principio do século XVII, a potencia dominante é incontestavelmente o Bornu, sobre tudo a partir do grande reinado de Idriss Alooma(1581-1617). Este, a quem a mãe, Amsa, teve de proteger na infância contra o seu primo tornando sultão, enviando-o ao Kanem, sucedeu, enfim, em 1580,a sua irmã, a famosa Aicha. No decorrer da sua peregrinação pode ele informar-se sobre as técnicas militares do Egipto. Aproveitou estas observações para comandar caravanas inteiras de mosquetes, assim como instrutores e conselheiros militares turcos. Os escravos domésticos foram arregimentados como mosqueteiros. Tal como Achantia ou, mais tarde, o Daome, ele deverá a sua superioridade ás armas de fogo. Além disso, os nobres bornuanos, calçados de botas escarlates, montavam os cavalos protegidos com couraças de tecido espesso. Havia também um corpo de guerreiros armados de lanças e protegidos com escudos de pele, aos quais se juntavam

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contingentes

de

temíveis arqueiros enviados

pelas tribos

vassalas e animais do sul e que iam ao combate ataviados como mulheres: com colares, braceletes e diademas de conchas e de penas. A tribo aliada de Koyam fornecera mesmo uma boa porção de camelos. Graças a esta formidável maquina de guerra, Idriss Alaoma impôs -se facilmente. Tomou o habito de mandar cercar de paliçadas ou de sebes o acampamento do exercito a fim de evitar os roubos, as perdas de gado, a imoralidade e as surpresas do inimigo. Construiu grandes chalupas no Komadugu Yobe o transporte rápido de viveres e de tropas. Assinou acordos com os seus vizinhos para fixar as fronteiras, como, por exemplo, com o sultão de Bulalas: Muitos assuntos foram abordados e foi delimitada a fronteira entre o Bornu e o Kanem, pela qual obtivemos Kangusti e todo o pais siru. As tropas eram inspeccionadas. Nos dias fixados, todos os corpos de exercito em grande uniforme tomaram lugar um por um em grande numero sem confusão para que o sultão os passasse em revista. Venceu as tribos animistas do Sul (Mandaras, Musgus,Kotokos) no decorrer de batalhas como o a de Amsaka. Atacou o reino de Cano sem lhe conseguir tomar a cidade de Dala. Apoiado pelos cameleiros do Koyam lançou operações contra os Tuaregues e abrigou-os a renunciar a suserania do Sultão de Agades pela de Bornu. Foi-lhe assegurada a aliança dos Tedas de Bilma, cujas as salinas constituíam um pólo comercial importante. Foram também

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saqueados os Tabus e mantidos em respeito, ao mesmo tempo que eram estreitados os laços com a Africa do Norte, apoderando-se das salinas do Kawar. Atacando o Kanem e os bulalas, transferiu parte dos seus habitantes para o Bornu e instalo-os como colonos no Sudeste do lado Chade não longe do Bahal el-Ghazal. Idriss Alaoma foi um prosélito do Islão que estendeu e melhorou a construção das mesquitas substituindo o colmo tradicional pela arquitectura em tijolo. Foi também um por itano que lutou contra o desregramento dos costumes, em particular contra o adultério, que, segundo Ibn Fartwa, se tornara pratica corrente. Mandou construir em Meca um albergue para os peregrinos, dotados de uma criadagem composta de escravos. esforçou se por substituir nos processos os chefes militares por juízes religiosos (cades). Durante o seu reinado a hegemonia Kanur foi incontestada na bacia do logo Chade e criou um pólo politico religioso imponente, no quadro do qual os territórios vassalos conservavam a sua autonomia mediante um tributo controlado por notáveis da corte de Ngazargamu. O reino Bornu não tardou a ser contestada e a partir do reinado do Ali Omar (1645-1684), os Tuaregues e os Jukuns vem sitiar a capital Ngazargamu. Com efeito o Bornu só se mantêm porque não se encontra a sua volta qualquer vizinho poderoso. Eram um estado onde florescia a escravatura e o trafico negreiro orientado para o Magrebe e o Egipto. Mas a escravatura local conservava ai um carácter moderado, pois se encontravam antigos escravos como Governadores de províncias.

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No principio do século XVII, de varias tentativas sem sucesso de ocupação pelos reinos dos povos Bolewas e Kanurs, Katsina toma a direcção comercial e militar do Sudão central enquanto o Bornu exerce um incomparável influencia cultural e religiosa. No fim do século XVIII por consequência, duas potencias ocupam uma posição preponderante no Sudão central: Gobir e Katsina, este ultimo tomando o lugar de Tombucto, brilha pela sua irradiação intelectual e pelo refinamento nos usos e na língua Haúças. O Bornu domina também pelas suas guias espirituais versadas no Alcorão. Já em 1790 uma crise abala Zamfara e Kano e os Junkuns de Karorofo são atacados pelos peule começando um grande abalo de Usman dan Fodio e no principio do século XIX o Bornu procura reconquistar um pouco da sua Hesmonia passada lançando operações ofensivas contra o oeste e o Sul e controla não apenas o Kanu mas também as tribos do planalto Bauchi e as que habitam entre o Chade e o curso médio do Benue. O Bornu era dirigido por uma dinastia muçulmano, mas ela foi também acusada pelos partidários de Usmam dan Fodio de criptopaganismo: aquele que faz oração, mas se inclina diante de ídolo, destroe assim mil actos de religiao.2 Os peules atiraram se contra o Bornu estando este doente depois da morte do seu general.

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Os partidários de Usman designavam tais muçulmanos como Hipócritas ou munafiq em

árabe.

Gwani Muktar tomou o comando das tropas que se atiraram em direcção a leste a ponderando se de Ngazargamu em 1808. Mas, abandonado, logo após a pilhagem, por quase todos os seus partidários, nómadas ou não, Gwani Muktar foi surpreendido na capital Bornuana e exterminado. Estado de Darfur Segundo Joseph Ki-Zerbo, foi neste estado que se registou a confluência racial e étnica desde a mais alta antiguidade, sobretudo depois da queda dos reinos da Nubia e da chegada dos Árabes. Os primeiros habitantes são os furs e os Dajus negróides. No século IV da nossa era chegam os Tondjurs, sem duvida negróides também. Os Dujus são repelidos para o oeste. Século XIII, o Kanem-Borno de que me referi anteriormente, exerce uma grande influencia comercial ( controla dando a rota do Nilo) e religiosa, como o testemunham as numerosas mesquitas de tijolos encarnado em Ain Farah, assim como os títulos principescos oriundos do Darfur. Alem disso, o fundo cultural negro-africano reflecte se na importância ritual dos tambores e do fogo real, tal como ele existe no Mossi e em numerosos reinos da Africa central, oriental e meridional. Suleiman Solon ( 1596-1637) impõe o reino Darfur, expulsando Tunsan, que vai criar no Cordofão o cla dos Massabaats. Findo este reinado, veio o grande reinado do Ahmed Bokor (1682-

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1722) que se espalha o Islão e garante uma segurança relativa. Tendo o Wadai recusado pagar-lhe tributo de uma jovem princesa para o seu harem, ataca este estado, e abatido primeiro e depois, graças a mosquetes encomendados ao Egipto, bate Aruss du Wadai em Kekebra, este, morre, mas o seu filho Abul Kassin (1739-1752) tenta reunir um exercito de doze mil soldados, porem também fracassa, tendo lhe sucedido Maohammed Tirab (1752-1782), é ao mesmo tempo um intelectual este dividia o seu tempo, sendo as especulações religiosas, e o harem ou a bebida. Contudo, em princípios do seculo XIX o Cordofão liberta de Darfur cujo rei abd ar Rahman funda capital El Fasher. O Príncipe Hussein (1839-1874) esclarecido e capaz, consegue encontrar um equilíbrio nas relacoes com o Egipto e o Wadai, porem, o negreiro Zubeir Paxa que devasta o sul do Darfur é em breve nomeado governador o que traz consigo a anexação do país pelo Egipto ate a sublevação do Mahdi.

ETIÓPIA Uma república situada no leste da África, limita-se a noroeste com a Eritréia e com a República de Djibuti, a leste e sudeste com a Somália, a sudoeste com o Quénia, e a oeste e noroeste com o Sudão. A superfície é de 1.128.176 km2. A capital é Adis Abeba. TERRITÓRIO

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O maciço etíope, com uma altitude média de 1.675 m, cobre mais da metade da superfície do país. É dividido pelo Great Rift Valley e cortado por numerosos rios e profundos vales. O lago Tana, onde nasce o Nilo Azul, encontra-se no norte. As margens norte -orientais do maciço estão definidas por pronunciadas escarpas na direcção da depressão de Danakil. A margem ocidental desce suavemente até as áreas desérticas do Sudão. Pelo extremo sul, o planalto vai até o lago Turkana (ou lago Rudolf) no Quénia. O clima varia conforme a altitude: tropical até os 1.800 m, subtropical entre 1.830 e 2.440 m, e temperado nas altitudes mais altas. POPULAÇÃO E GOVERNO A população (2001) é de 65.891.874 habitantes, com uma

densidade de 58 hab/km2. A composição étnica é muito diversa. Destacam-se: os oromo (40% da população), os amhara, povo com uma origem parcialmente semítica, os tigrenses (32%), os shangalla (5%) e os somalis (5%). Addis Abeba (1990) possui 1.912.500 habitantes. Outras

grandes cidades são Diredawa (117.000 habitantes) e Desde (1989) com 87.601 habitantes. Aproximadamente a metade da população é cristã. A Igreja Unida ortodoxa etíope, uma das mais antigas do mundo cristão e ligada à Igreja copta egípcia, foi a igreja estatal até 1974; há também uma alta percentagem de muçulmanos e animistas. A Etiópia albergou os falashas.

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São falados mais de 70 idiomas, a maioria pertencente aos ramos semíticos e cusíticos da família afro-asiática. O idioma litúrgico da Igreja etíope, ge’ez, deu lugar ao grupo de idiomas: amárico (idioma oficial e falado por 60% da população), tigrinya e tigré. A Constituição de 1987 estabeleceu uma república liderada por um presidente eleito pelo Shengo, uma assembleia nacional unicameral. Em 1994, foi adotada uma nova Constituição. ECONOMIA A Etiópia era uma das nações mais pobres da Terra. Seu produto interno bruto em 1999 era de 6,438 milhões de dólares, cerca de 100 dólares per capita. A fome é uma ameaça constante. A economia segue dependendo da receita do sector agrícola, sobretudo do café. O birr etíope é a moeda oficial, mas em grande parte do comércio se usa o trueque. A mineração não é importante, embora se tenha encontrado jazidas de petróleo e gás natural. Há consideráveis depósitos de potássio que ainda não foram explorados. A indústria é de transformação dos produtos agrícolas e têxteis.

HISTÓRIA Restos fósseis de hominídeos encontrados no vale de Awash datam de aproximadamente 3 milhões de anos, e evidências posteriores sugerem uma ocupação humana contínua. Durante o

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primeiro milénio a.C., povos semíticos de Sabá cruzaram o mar Vermelho e conquistaram os camitas da costa. Até o século II d.C., os vencedores haviam estabelecido o reino de Aksum, governado pela dinastia Salomônica, que se considerava descendente do rei bíblico Salomão e da rainha de Sabá. Aksum se converteu ao cristianismo no século IV, seguindo a tradição dos cristãos coptas do Egipto. Durante o reinado de Zara Yakub (1434-1468) surgiu um sistema político que duraria até meados do século XX, caracterizado por monarcas absolutistas que exigiam serviço militar e dízimos em troca de concessões de terras. Após o falecimento em 1706 de Iyasus I, que reinava desde 1682, começou outro longo período de confusão dinástica e de decadência, durante o qual o país se dividiu em várias regiões. A única força unificadora durante todo esse período foi a Igreja etíope. Com o apoio de altos hierárcas eclesiásticos, Ras Kassa se fez coroar como imperador com o nome de Teodoro II em 1855. Por volta de 1870, o Império era pouco mais que uma colecção de estados semi-independentes. Menelik II, que estabeleceu sua capital em Addis Abeba, conseguiu unificar as províncias de Tigre e Amhara em seu reino de Shoa. A partir da abertura do canal de Suez, a costa do mar Vermelho se transformou em uma área muito atractiva para os poderes europeus. Após o ditador Benito Mussolini chegar ao poder em 1935, a Itália invadiu o país, mas o imperador Hailé Selassie foi restituído ao trono pelas forças britânicas e etíopes em 1941.

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Depois da II Guerra Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU) votou a federação da Eritréia com a Etiópia. Uma vez que esta foi estabelecida, Hailé Selassie acabou com a autonomia da Eritréia, dando lugar ao movimento nacional de resistência e ao início de um confronto militar. Hailé Selassie ignorou, em grande parte, problemas internos urgentes (desigualdade na distribuição da riqueza, subdesenvolvimento, corrupção, inflação, desemprego e as severas secas e fomes no norte entre 1972 e 1975) e em 1974 começou uma forte oposição que culminou em um golpe militar. Criou-se o Conselho Administrativo Provisório Militar, ou Dergue, que em 1974 anunciou o estabelecimento de uma economia socialista. Em 1975, a terra foi nacionalizada, a monarquia abolida e a República instaurada. Durante a década de 1970, Mengistu Hailé Mariam foi a principal figura política, enfrentando uma forte oposição. O governo recebeu ajuda militar de Cuba e da URSS e, em 1984, Mengistu estabeleceu um regime marxista-leninista. Entretanto, a grande fome e seca unidas à guerra civil impediram durante toda a década de 1980 a ajuda internacional. Em 1990, o colapso do bloqueio soviético e a drástica restrição de sua ajuda tornaram o governo de Mengistu vulnerável. Após a mediação dos Estados Unidos nas conversações de paz, foi constituído um governo nacional interino. Sob a presidência de Meles Zenawi, o novo governo se encontrou com o enorme trabalho de reconstruir a nação. Em 1995, foram realizadas eleições multipartidárias.

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Depois que em 1993 os eleitores aprovaram Etiópia.

a secessão, a

Eritréia declarou sua independência, que foi reconhecida pela

Do século XVI ao século XIX, e Etiópia, isolada do interior, terá de viver a sós com os Árabes e os turcos muçulmanos de um lado os Galas animistas do outro. É um período difícil, em que as perturbações internas e as guerras externas serão atravessadas de tempos a tempos por uma alta figura, coo o de Iyasu-oGrande ou o de Teodoro. Já o imperador que toma o poder em 1563, Sarsa Denguel (1563-1597), é um príncipe que se põe pela sua autoridade e pelo vigor da sua politica externa. Na esperança de varrer a implantação turca da costa do mar Vermelho, cerca o ultimo porto muçulmano, Arkiko, que resiste ate que o paxa envie ricos presentes para obter a paz. A Etiópia surgia de novo como uma grande potencia com a qual se tinha contar. Infelizmente, perturbações graves vão dilacerar o pais. Za Denguel, que sucede no trono, era um homem de uma coragem física excepcional e que parecia destinado a prosseguir a expansão territorial já iniciada. Mas pendeu para o catolicismo e, vencido pelos seus súbditos revoltados, foi morto e abandonado no campo de batalha. Trava-se então uma luta encarniçada pela sucessão, luta da qual foi vencedor Susneyos (1608). Este ultimo continuou as campanhas já presentes a mostrar a sua suserania, braceletes lhe duas do ouro, o Sultão cegas. Baadyreplicou remetendo velkas pilecas

Susneyos entregou se a duas campanhas de represália. Mas não era daí que vinha o perigo.

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Após a expedição portuguesas eram mandadas para Etiópia missões jesuítas. A obra católica, depois de um começo pouco animador com o tão falado Mendes, reconquistara terreno graças a vida austera levada pelo patriarca André Oviedo. No entanto era a chegada, em 1603, do padre espanhol Paez que devia trazer consigo mais consequências. Este missionário era um homem de excepcional envergadura. Á forca de manhas, conseguiu fazendo se passar por arménio, introduzir se através das possessões árabes e turcas e chegar a Etiópia. Linguística excepciona, tanto ele como os seus companheiros dominavam dai a pouco o guês é língua falada: Reino de Aksum, antigo reino que floresceu entre os séculos I e VII ao norte da actual Etiópia, cuja capital era Aksum. Foi fundado, provavelmente, por imigrantes procedentes do sul da Arábia. Manteve relações comerciais com o mundo grecoromano e com a Índia. Durante os séculos III e VI d.C., Aksum dominou o Iêmen, na península arábica. IMPERIO SAMORI TURE No final do século, a acção de um chefe que construiu bem dois impérios e resistiu eficazmente e por muito tempo ás forças francesas, Samori Ture reassumiu todas as características da dinâmica politica na região numa fase de, entretanto evidente, penetração e conquista colonial. O califado de Sokoto e o de Masina tinham crescido de dinâmicas religiosas e económicas internas, mesmo que intelectual e comercialmente ligadas a sistemas regionais e mundiais: o movimento reformista islâmico em sentido lato e a transição para o comercio legal. Umar Tal tivera de enfrentar a presença e as intrigas francesas na região,

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prelúdio da penetração colonial que se viria a verificar pouco depois. As Jihad e a islamização dos reinos interior da Senegambia tinham assumido costeiros e do características

militantes não só em sentido religioso mas também antieuropeias. No último quarto do século XIX, samori Ture estabeleceu na região do alto Níger o reino Wasulu, unindo sob a sua hegemonia e liberdade militar, aos sem os destruir, não numerosos islamizados. Estados Samori mandinka e deixando bastante espaço para as classes mercantis tradicionalistas distinguiu-se portanto como chefe de um movimento vasto de contestação dos sistemas tradicionais da região mandinka, provocado primeiro pelos conflitos criados pelo trafico de escravos e, depois, pela penetração das ideias e do exemplo das jihad das savanas que influenciou a minoria diola formada por comerciantes islamizados que dominavam o trafico comercial com as zonas costeiras. Sobre este vasto movimento, cuja força propulsionadora original tinha sido os interesses comerciais a que se se refere de um modo geral como segunda revolução diola ( a primeira teve lugar no império Kong, no inicio do século XVIII), Samori construiu um grande Estado sob a sua autoridade, o qual resistiu de 1871 a 1881, ano de invasão francesa. De movimento de reforma de facto da sociedade Mandinka, nascido para dar poder às categorias de comerciantes, a acção de Samori foi forçada, a partir de 1881, a virar-se contra a invasão estrangeira. De Chefe militar, FaamaI, Samori, com o titulo ao mesmo tempo religioso politico de Almani, adoptada em 1884, transformou-se em centro de acção de Samori deixou de ser o problema de como reconstruir e unificar a região para remediar a profunda crise interna das sociedades e passou a

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ser autónoma. Forçado pelo avanço francês

a abandonar a

região Samori deslocou-se para oriente em 1894, para a região que hoje faz parte das Republicas do Burkina Faso e da Costa do Marfim, ai construindo um segundo estado. Os franceses só conseguiram destruir em 1898. Samori, exilado no Gabão, não recuperou o poder perdido mas o mito por ele criado continuou vivo na cultura da região, passando a ser uma mensagem de difusão do Islão militante. A seguir, todos os movimentos de contestação anti-colonial viriam a fazer referencia aos feitos e à resistência de Samori, ate na construção da identidade nacional e de organização politica nacionalista em mais de um país da região.

AFRICA CENTRAL Congo República do Congo, país africano que faz fronteira ao

norte com Camarões e a República Centro-Africana, a leste e ao sul com a República Democrática do Congo, a sudoeste com Angola (enclave de Cabinda) e o oceano Atlântico, e a oeste com o Gabão. Tem 342.000 km2 de superfície e sua capital é Brazzaville. TERRITÓRIO E RECURSOS Ao longo da costa atlântica estende-se uma planície de baixa altitude, que se eleva na direcção do interior. Afluentes do rio Congo ocupam a parte nordeste do país. Densas selvas tropicais cobrem aproximadamente a

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metade do território. A vegetação de savana se encontra no norte e nas áreas mais elevadas. O clima é tropical, muito quente e húmido. A temperatura média é 23,9°C. POPULAÇÃO E GOVERNO A população do Congo compreende quatro grandes grupos étnicos, todos pertencentes ao tronco banto, sendo o principal deles o kongo, que corresponde a 50% do total. O país tem 2.894.336 habitantes professado por 55% da e uma os densidade protestantes

demográfica de 8,5 hab/km2 (2001). O catolicismo é população, representam 25% e os seguidores das religiões tribais e outras, cerca de 20%. Embora o francês seja a língua oficial, a maioria fala alguma língua africana. As cidades mais importantes do Congo são Brazzaville, a capital e principal centro industrial, com 937.579 habitantes (1992), e Pointe-Noire. A nova Constituição, adoptada sistema pluripartidário com em um 1991, estipula e um um

presidente

Parlamento bicameral eleitos democraticamente.

ECONOMIA A economia congolesa depende da agricultura de

subsistência e da exploração dos recursos naturais. As

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atividades comerciais são também importantes. Em 1999, o produto interno bruto era 2,2 bilhões de dólares; e o PIB per capita 780 dólares. A unidade monetária é franco CFA (Comunidade Financeira Africana). HISTÓRIA Alguns povos bantos já ocupavam o território antes do ano 1000 d.C. Em 1482, quando chegaram os europeus, havia na região dois grandes estados: o reino de Loango ao norte e a leste do rio e, ao sul, o de Bakongo. Os portugueses e o tráfico de escravos destruíram o reino Bakongo e causaram sérios danos ao de Loango. A área tornou-se uma colónia francesa entre 1879 e 1880 e ficou conhecida como o Congo Médio. Em 1910, tornou-se uma das quatro colónias federadas na África Equatorial Francesa. Em 1960, constituiu-se na República do Congo. A instabilidade caracterizou o período posterior à

independência. Em 1970, uma Constituição revolucionária rebatizou o Estado como República Popular do Congo, aproximando-o dos países socialistas. Durante os governos de Marien N’Gouabi (1968-1977) e Denis Sassou-Nguesso (1979-1989), o regime de partido único se consolidou, mas, com a dissolução do bloco socialista e o fim da União Soviética, o modelo revolucionário entrou em colapso. Uma Conferência Nacional realizada em 1991 devolveu ao Estado seu nome anterior de República do Congo e aprovou uma nova Constituição para dar ao país um

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regime democrático e pluripartidário. O presidente eleito em 1992, Pascal Lissouba, foi acusado de favoritismo étnico e de reprimir a oposição política, o que provocou levantes das milícias populares sobreviventes do regime socialista. A integração dessas milícias às Forças Armadas foi um problema que Lissouba não conseguiu resolver, e os frequentes levantes armados obrigaram-no a pedir a ajuda de tropas francesas e de países africanos para proteger a retirada dos cidadãos estrangeiros residentes em Brazzaville. Diante de uma tentativa de suspender as eleições presidenciais de 1997 e prorrogar o mandato de Lissouba, o ex-presidente Denis Sassou-Nguesso, que liderava a oposição, deu um golpe de estado apoiado pelas forças angolanas presentes no país e assumiu o poder em Outubro de 1997.

Reino do Congo Os portugueses chegam na costa congolesa em 1482, já havia século e meio que se estabelecera um grande reino inferior no Congo, transformando em Zaire. Os autóctones eram de origem ambundu cujo fundador chamou-se Nimia Lukeni. Neste ano, o navegador português Diogo Cão, contornando a costa africana, observou certa manha que a agua do mar se tornara turva e trazia ervas e restos vegetais. Não tardou em compreender que estava perto de embocadura de um rio muito caudaloso. Subiu um pouco mais a corrente e mandou levantar um padrão na margem sul desse rio, ao qual chamou rio Padrão. No decorrer de

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uma segunda viagem, Diogo Cão levava missionários e negros de Guine a quem mandou descer perto do rio como interpretes. A força de gestos, acabou-se por compreender que, não muito longe, para o interior, existia um rei poderoso. Foi portanto, mandada uma delegação naquela direcção, sem qualquer receio, pois, os autóctones nem estavam amedrontados nem eram hostis, simplesmente mostravam sinais de doçura e amizade, mas estes nunca mais voltaram, assim Diogo Cao, aproveitando-se do facto de os notaveis congoleses se encontravam abordo para levantar ferro e leva-los como refens. No ano seguinte, voltou com os congoleses baptizados e trajando como nobres de Lisboa. O povo reunido na margem nao os reconheceu logo e gritava com espanto: Mindele miandombe( Negros brancos). Quando porem os reconheceu, foi um delirio. A notici projectou-se ate a capital Mbanza Congo, onde o rei Nzinga Nkuyu lhes apresentou os delegados e missionarios, que, por sua vez, haviam tambem retido como refens. Ouviu com viva curiosidade os congoleses que regressavam da sua missao forçada. Os portugueses largaram com uma embaixada real para um banquete oficial, onde o chefe da delegaçao Nsuka, adoptava em breve o nome de Joao da Silva, tendo como padrinho o proprio rei. Em 1491, as caravelas portuguesas foram, pois, recebidas no congo com entusiasmo redobrado, cantando, fazendo soar trombetas, cimbalos e cinquenta milhas que separa o mar da cidade de Sao Salvador( Mbanza Congo fora

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baptizado por Sao salvador) e as estradas estavm varridas e limpas e fornecidas abundantemente fornecidas de alimento e de coisas uteis para os portugueses, ai houve nova troca de produtos ou de presentes, ou seja era uma lua de mel, mas nao durou muito. O rei baptizado, agora afasta a pratica religiosa para voltar aos seus manipansos , sem, no entanto, abjurar nem perseguir ninguem. A sua sucessao pos frente a frente o partido tradicionalista chefiado por Mmpanzu, e o do seu irmao mais velho Afonso, candidato cristao, este que veio ganhar em 1506 tendo um longo reinado dominado pelas relacoes tempestuosas com os portugueses. AFRICA AUSTRAL Reino Zulu Zulus, povo de língua bantu do sul da África, ligados aos swázis e xhosas. Guerreiros, os zulus resistiram corajosamente à dominação dos holandeses e ingleses e só foram derrotados, em uma sangrenta batalha que dizimou a tribo, devido à superioridade tecnológica dos armamentos de seus inimigos. Com uma população que supera 2 milhões de pessoas, os zulus vivem principalmente em Zululândia, na República da África do Sul. Tradicionalmente ligados à agricultura e à pecuária, os zulus foram obrigados a entregar suas terras aos colonizadores, no século XIX. Actualmente, muitos têm migrado para as grandes cidades ou são assalariados em

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fazendas brancos. Não

ou

minas

de

propriedade

de

sul-africanos

dispomos

das

fontes

sobre

os

processos

de

centralização dos Ngunis do norte, assim não permite identificar a natureza exacta das forcas que impulsionaram os processo requeridos, é certo que estes processos accionaram, as mudanças politicas e sociais de grande alcance, particularmente a transformação funcional das instituições que socializavam os jovens, conhecidas por Amabutho (singular, Ibutho), originariamente, escolas periódicas de circuncisão que juntavam os jovens da mesma idade com o propósito de os guiar através dos ritos que marcavam a passagem da adolescência a idade adulta. As Amabutho tornaram produtoras de riqueza e forca militar ao serviço do chefe que passou assim exercer uma autoridade efectiva e não apenas ritual, sobre varias entidades subordinadas através do monopólio de uma forca militar que lhe era devota e que dele dependia completamente para a sua sobrevivência . No fim do século XVIII, Mthethwa e Ndwandwe eram os principados em que o processo de expansão, centralização e estratificação, com uma distinção nítida entre o grupo dominante e as classes subordinadas se encontrava mais adiantado. Os conflitos pelo controladas terras de pasto e do gado intensificaram-se nos últimos anos do século XVIII por

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causa

do

declino

do

comercio

de

marfim

e

de

intensificação da procura de gado causada pela presença de navios de caça a baleia americanos e ingleses na baia Delagoa e, no inicio do século XIX, pelos efeitos devastadores da seca, recordada ainda com Horror cem anos mais tarde. A vitoria de Ndwande em 1817 abriu caminho em 1819, para o poderoso exercito criado por shaca Ka Senzangakhona, filho ilegítimo do chefe do principado Zulu, cujo acesso ao trono só fora possível graças a sua capacidade como estratega militar. A partir dessa data os Zulus tornara se o poder predominante na região entre o phongolo e o tugela, uma região muito mais vasta e populosa do que qualquer que alguma vez fora submetida a autoridade de um só soberano de toda a historia da africa Sul oriental. A vitoria de Shaka tornou se possível pela organização do seu exercito e pelas suas capacidades de estratega mas a capacidade de manter o controlo sobre as populações disciplina rigorosa exercida por meio de uma definição e uma estratificação hierárquica das competências e responsabilidades. O sistema de Amabutho tornou se um instrumento de controle social interno e um meio de defesa e ataque ao exterior. Depois da conquista do principado de Ndwande, Shaka estendeu o seu sistema de amabuthu aos principados subordinados, de maneira que os jovens em idade militar absolutamente proibida de casar, eram recrutados para o

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serviço do seu soberano e subtraídos a dependência e a infância das suas família e grupos de descendências. O rei zulu, tornou-se o chefe ritual e efectivo dos jovens, fosse qual fosse a sua origem, e a fonte principal do seu bem estar e da posição na sociedade. Foram criadas formas de controlo das mulheres com a amabutho femininas e a instituição de izigodlo, um sistema pelo qual as mulheres concedidas ou pretendidas como tributo ao rei eram assimiladas e passavam a ser irmãs ou filhas da linhagem real e podiam assim ser objecto de trocas matrimoniais com homens de casas aristocráticas do reino ou estrangeiras. A instituição azigodlo permitiu ao soberano zulo o usufruto de um parentesco feminino alargado e funcional para criar alianças matrimoniais importantes e estratégica com a aristocracia interna e com outras populações.

No

período

do

reino

Shaka,

surgiu

um

sistema

politicamente centralizado e uma ordem social rigidamente hierarquizada e estratificada dominada pela aristocracia Zulu que utilizava o sistema de amabuthu para manter alargar e legitimar o seu domínio sobre uma sociedade heterogénea. A forca do sistema encontrava-se na redistribuição da riqueza constituída principalmente por gado, por guerreiros e funcionários. A sua fraqueza, residia nos conflitos que surgiam quando escasseavam os recursos.

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O Estado Zulu esteve constantemente em guerra porque os recursos para reforçar o poder do soberano tinham de ser conseguido pela guerra pela razia e, assim, principalmente a custa das sociedades vizinhas. A partir de 1819, os zulus lançaram-se a conquista de terras para alem de Black Mfolozi para estender a sua hegemonia aos principados que eram anteriormente tributários de Ndwande de Mabhudu ou de principados aos ronga: Este ultimo para controlar as rotas comerciais que se dirigiam a baia Delagoa. A sul do Tugela, tinham-se formado vastas áreas despovoadas por causa da fuga das populações bhele, thembu e chunu para escaparem ao avanço Zulu. Nos anos vinte, Shaka e suas tropos efectuaram razias no território dos mpondo e colonizaram a região costeira entre a Tugela e o Mkhomazi, uma expansão que os aproximou dos comerciantes ingleses que se encontravam em Port Natal ( Durban) desde 1824. Durante esta expedição, reforçou-se o sistema de

estratificação hierárquica da sociedade zulu: O rei detinha o poder absoluto; Privilégios específicos era apanágio da aristocracia zulu e das famílias originarias do território zulu de origem; os chefes e notáveis dos principados submetidos eram encorajados a alinhar com a aristocracia zulu; as populações dos principados conquistados eram empurradas ou forçadas a assimilar-se a cultura zulu através do sistema das amabutho. O Estado zulu conseguiu, em poucas gerações, criar um sentimento de

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identidade étnica comum, entre estes grupos e categorias, que fez esquecer a heterogeneidade das suas origens. As população da periferia do sistema do domínio zulu ficaram excluídas deste processo de assimilação e eram tratadas como culturalmente inferiores, portanto, consideradas com a capacidade para apenas fornecer força de trabalho servil. A criação de um forte sentido de identidade étnica foi acompanhado pela descriminação para com aqueles que não pertenciam a nação Zulu. Guerreiro e alimentado por guerras Zulu, o estado Zulu consolidou-se conspirações e e expandiu-se massacres apesar das continuas com o que culminaram

assassinato de Shaka em 1828, pela mão de dois meiosirmãos seus. Um desses, Dingane, sucedeu-lhe no trono que teve de enfrentar varias revoltas de internas e principalmente, a importância crescente da presença comercial, politica e territorial três comunidades a partir de dos rios brancas: os portugueses na baia Delagoa os comerciantes ingleses em Port-Natal, os missionários e, 1837, os colonos Tugela e Mzinyathi. Durante o reino de Dingane a ameaça mais pesada a coesão e a integridade do reino zulu partiu dos Voortrekkers. A cessão a Piet Retief, Chefe dos bóeres, do território a sul de Tugela em 1827, a sua morte e dos sequazes em 1828, a que se seguiu o ataque zulu aos acampamentos entrincheirados bóeres (lageer) no Natal: a subsequente reorganização dos boeres sob a chefia de Adries Pretorius e a sua vitoria sobre as forças de Dingane Bóeres instalados a sudeste

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no rio Ncome (Blood River), são as etapas principais de um conflito sangrento. A derrota de Dingane significou a concessão do território a sul do Tugela aos bóeres que ai proclamaram a Republica de Natalia em 1838. a tenção continuou com a intervenção bóer no conflito dinástico dos zulus, a favor do meio irmão Mpande retomou sem conseguir as tentativas de Dingane para se apoderar das terras dos swazi, também por causa da oposição inglesa; teve de enfrentar a ira dos ingleses por ter cedido o distrito do rio Klip aos bóeres que ali instituíram uma republica independente em 1847; reafirmou o poder zulu sobre as populações tsonga do nordeste. Em 1856, quando começou o longo conflito dinástico protagonizado por dois filhos de Mpande, apesar de cercado e ameaçado, o reino zulu continuava sólido e ao ataque. Em 1872, quando morreu Mpande e o seu filho Chetshwayo, cuja a posição politica já estava consolidada desde 1857, ficou rei, a situação tinha mudado completamente. A integração cada vez maior da economia do reino na do natal e do Transvaal estava a provocar transformações internas radicais: migrações e fugas de grupos que não aceitavam a subordinação aos zulus: a possibilidade de os jovens escaparem ao sistema da Amabutho e de encontrarem meios de sustento na economia moderna. A descoberta dos diamantes Gricualand West tinha

revirado completamente e em poucos anos o panorama económico da região a presença europeia associada ao interesse aumentado de desenvolvimento do investimento capitalista tornou-se o motor dos projectos de

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restruturaçao politica. O reino zulu considerado pelos ingleses um baluarte de controle de expansão bóer no Transval ate aos anos sessenta, passou a ser um obstáculo para os objectivos hemogenicos da potencia colonial que se orientavam para a constituição de uma confederação sob domínio inglês onde não se reconhecia nenhum espaço autónomo para os estados autóctones históricos. (Anna Maria Gentili. Pag.107-110. 1999)

Estados e reinos de Zimbabwe Zimbábue, república do sul da África sem saída para o mar. Faz fronteira ao norte com a Zâmbia e com Moçambique, a leste com Moçambique, ao sul com a República da África do Sul e a sudoeste e a oeste com Botsuana. Tem 390.759 km2 de superfície. TERRITÓRIO Zimbábue abrange parte da grande meseta da África meridional. O Alto Veld (Campo Alto) corta o país do sudoeste ao nordeste; ao norte, o terreno desce até o rio Zambeze; e, ao sul, até o rio Limpopo. É a zona conhecida como Baixo Veld. Situado na zona tropical, seu clima é moderado pela altura. As precipitações médias anuais são de 890 mm no Alto Veld e de menos de 610 mm no Baixo Veld. A vegetação dominante é de savana. A fauna inclui elefantes, hipopótamos, leões, hienas, crocodilos, antílopes, impalas, girafas e babuínos.

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POPULAÇÃO E GOVERNO A população é formada por dois grupos étnicos de língua banto: os shona (70% da população) e os ndebele (15%). Tem uma população de 11,.365.366 cidades mais importantes são: habitantes, Harare, com com uma densidade de 29 habitantes por quilómetro quadrado (2001). As 1.184.169 habitantes; Bulawayo, com 620.936 habitantes; e Gwelo, com 124.735 habitantes. O inglês é o idioma oficial. Quarenta e quatro porcento da população são cristãos e 40% praticam religiões tradicionais. A Constituição de 1980 garantiu os direitos e liberdades do indivíduo. ECONOMIA A mineração e a agricultura são os sectores mais importantes, mas a indústria também conheceu um considerável crescimento. O produto interno bruto era de 5,6 bilhões de dólares em 1999; e o PIB per capita 470 dólares. O principal produto de exportação do país é o tabaco, embora também sejam importantes o café, o algodão, a cana-de-açúcar, o amendoim, as batatas, o feijão e as laranjas. O Zimbábue é rico em recursos minerais: cromo, do qual é um grande produtor mundial, cobre, asbesto, níquel, ouro, prata e o ferro. Há grandes reservas de carbono. Possui também cobalto e estanho. As principais indústrias são: alimentos processados, bens de capital, tecidos, fertilizantes, roupas, calçados, produtos químicos e metálicos e bebidas alcoólicas. A unidade monetária é o dólar do Zimbábue.

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HISTÓRIA Os bantos conquistaram a área em 800 d.C. Em 1100, tinham desenvolvido um importante comércio de ouro e marfim com Moçambique. No começo do século XIV, surgiu um grande estado centralizado, o Império Monomotapa, e, no século XV, ao sul, estabeleceu-se o reino de Changamir. Em 1629, os portugueses converteram Monomotapa em um estado vassalo. Changamir conquistou Monomotapa no final do século XVII. Durante o Mfecane (período de guerras e grandes migrações no começo do século XIX), os ngoni, em sua marcha para o norte, destruíram Changamir e depois os ndebele se estabeleceram no oeste do país. Na diáspora provocada pelo mfecane, teve também origem o Estado de Matabele do Zimbabwe. A região, cuja cultura e língua prevalecente era shona e se estendia do planalto ate ao vale do Zambeze e a região de Quelimane e Sofala, tinha sido dominada historicamente por diferentes formações de estado, de que as do Zimbabwe foram as principais, predominantes entre os séculos XII e XV, Torwa ou Butua do século XV ao século XVII, Changamire do século XVII ao século XIX e Mutapa (Monomotapa) do século XV ao século XIX. Os Estados da região tinham conhecido em diferentes épocas um desenvolvimento notável da agricultura e da pastorícia e eram conhecidos pelos recursos auríferos existentes principalmente na zona sulocidental e no vale do alto Zambeze, que foi durante séculos a base de um comercio lucrativo com a costa oriental. (Anna Maria Gentili. Pag.113. 1999)

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A civilização do Zimbabwe (grandes construções de pedra), de que sobraram testemunhas arquitectónicos imponentes, referencia com o mais alto valor simbólico em toda região, decaiu e foi abandonada provavelmente logo no inicio do século XVI altura em que os portugueses se tinham já substituído aos árabes como potencia dominante no porto e em toda costa de Sofala. No entanto, a tradição oral liga ao Zimbabwe todos os mitos de origem dos estados da região que mais tarde lhe sucederam. O reino Mutapa, entre os rios Zambeze, Mazoe e Muzengezi, foi provavelmente formado por exilados do Zimbabwe no século XV. Posto em crise durante o século XVI pelos impostos dos portugueses e por causa da perda de hegemonia sobre varias entidades politicas situadas na costa, o Mutapa continuou a exercer um papel na região, mesmo se territorialmente redimensionado e enfraquecido por uma serie de lutas internas e, na primeira metade do século XIX, ainda dominava o vale do Zambeze e algumas áreas do planalto. O Estado era uma confederação de principados em que o Mutapa, ou rei, era o primus inter pares, dotado de uma estrutura militar que, embora não estivesse institucionalizada, permitiu uma oposição eficaz aos objectivos de expansão e as razias dos prazeiros portugueses. Torwa ou Butua, situado a oeste de Mutapa, também ele descendente do Zimbabwe, foi conquistado por volta de 1680 pelos Rozvi, fundadores do estado de Changamire no sudoeste. Foi este Estado que pôs fim a todas as tentativas portuguesas de se apoderarem do planalto. O século XVIII e o inicio do século XIX foram caracterizados por invasões e migrações: Rozvi deslocaram-se de nordeste para o centro e sudoeste e para a

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planície de Teve. Outros povos vieram de norte, sul e oeste ocupar o vazio. (Anna Maria Gentili. Pag.113. 1999) Toda estrutura politica, social e religiosa do planalto foi depois modificada pela invasão dos Ndebele fundadores do estado de Matabele. A população que chegou ao planalto para se instalar, guiada pelo seu chefe Mzilikazi, tinha uma origem muito complexa: Provinha do principado de Kumalo, do território Nguni do norte, obrigada a fugir para lá do Drakensberg em 1822 por causa do conflito com os Zulu de Shaka. Durante a fuga for a absorvendo aos poucos outros grupos nos territórios que conquistava, ao longo de um percurso que, primeiro, tinha levado Mzilikazi e os seus a raziar no território dos Pedi e, posteriormente, nos 15 anos que se seguiram, acrescida de outros grupos da diáspora nguni que se juntaram, a estabelecer-se em três localidades do Transvaal meridional, central e ocidental. Em todos os territórios foram constituídos regimentos militares em que foram integradas as populaçoes submetidas, pertencentes a principados sotho-tswana. Foram atacados duas vezes pelos Zulu de Dingane e outras vezes pelos Griqua e pelos Kora. Mzilikazi revelou interesse pela missao de Moffat, homem influente entre os Griqua e na colonia do Cabo. Em 1835, os Ndebele foram visitados por uma missao guiada pelo doutor Adrew Smith e mais tarde, em 1836, assinaram um tratado de amizade com o governo do Cabo que lhes devia garantir protecçao contra ataques dos Griqua e dos Kora vindos de sul. A sua derrota no Transvaal foi determinada pela chegada dos boeres que se aliaram aos seus adversarios. Em 1837, os Ndebele, divididos em dois grupos, dirigiram-se para noroeste e em direcçao ao planalto do Zimbabwe para se tornarem a juntar nos anos quarenta, perto da capital do reino

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Rozvi-Changamire, em decadencia razias feitas por outras

por causa das repetidas Nguni. O Mzilikazi

populaçoes

reconstituiu o reino dos Ndebele, absorvendo as populacoes Shona da mesma forma que haviam sido integrados os Pedi e os Sotho-Tswana e mantendo a organizaçao militar original, que devia funcionar como instrumento de integraçao social, e alingua. Os regimentos estavam organizados em sistemas regionais e nao de forma fortemente centralizada como no caso Zulu. (Anna Maria Gentili. Pag.113-114. 1999) No interior da Rodesia actual, na savana escalvada da Maxonalandia, semeada de afloramentos de granito peneplados, perto de Forte Vitoria, levanta-se um conjunto de ruínas monumentais: é o grande Zimbabwe. Com Efeito, a palavra Zimbabwe significa “ grande casa de pedra” (Joseph Ki-Zerbo. Pag.239, 1972) As casas eram implantadas em plataformas de pedras com caves dispostas, sem duvida, para guardar os cereais ou recolher o gado. Mais ao sul, no Transvaal do norte, em Mapungubwe, na margem direita do limpopo e na confluencia do rio Shashi, um camponês prospector descobriu por acaso em 1932, numa elevação considerada pelos autóctones como uma colina sagrada, numerosos restos de objectos revestidos de folhas de ouro de uma pureza notável, como por exemplo, estatuetas de rinocerontes do mesmo estilo que em Zimbabwe. Havia também doze mil pérolas de ouro, objectos de cobre, fragmentos de porcelana chinesa, tudo isto associado a esqueletos que pareciam carregados de ornamentos cujo tipo antropológico se aproxima do género hotentote-bosquimano , ao ( em geral residência de um chefe) e a região pulula ruínas deste género.

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passo que estes povos se encontram hoje muito mais ao sul. . (Joseph Ki-Zerbo. Pag.239, 1972) Em 1923, os britânicos criaram a Rodésia do Sul. Entre 1953 e 1963, foi membro da Federação da Rodésia e da Niassalândia. Os nacionalistas africanos dirigidos por Joshua Nkomo se opuseram à federação, mas suas ações foram proibidas pelo governo branco. Esse governo, dirigido por Ian Douglas Smith, declarou a independência em 1965. No entanto, a Rodésia nunca foi reconhecida por nenhuma nação. Em 1976, Nkomo e Robert Mugabe formaram a Frente Patriótica, que começou uma campanha de guerrilhas para depor o regime de Smith. A independência chegou em Abril de 1980. Em 1985, Mugabe venceu as primeiras eleições realizadas depois da independência. A União Nacional Africana do Zimbabué (ZANU) e a União do Povo Africano do Zimbabwe (ZAPU) se uniram como a ZANU-PF e ganharam as eleições de 1990.

CONCLUSAO Foi apresentado o trabalho de pesquisa sobre a Evolução politica, económica, cultural e social de:Sudão ocidental(Reinos de Kanem-Bornu e darfur), Africa Oriental (Etiópia, Koldofon e Turre) Africa Central ( Congo), Africa Austral ( Zimbabué, Marave e Zulo). Em toda historia percorrida, foi notória a questão de que os reinos e impérios Africanos se caracterizaram por: • Conquistas;

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• Guerra pós guerra; • Os estados surgiram em consequencia de falancia de outros e quase sempre preservavam os habitos culturais dos anteriores habitantes. • Poder centralizado a classe minoritária e nalguns casos não poucos, nas mas do Rei ou imperador. • As classes mais fracas sempre foram dominadas e subjugadas. Assim, senti ao longo da realização deste trabalho que a historia estava a me dizer a sua própria palavra. Agradecimentos Acredito nao ter sido facil para se chegar ate este estremo, contudo, os meus agradecimentos vao para todos aqueles que me proporcionaram ou disponibizaram as fontes de consulta que usei neste arduo trabalho. Meus agradecimentos estendem-se a biblioteca da Escola Secundaria de Xai-Xai e a UDEBA Lab. Abel Saia Junior

BIBLIOGRAFIA

1. GENTILI, Anna maria, O Leao e o Caçador. Uma historia da Africa Sub-Saariana. 1a Ediçao, Maputo, Arquivo Historico de Moçambique, Volume 14, 1999, Pp.426.

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2. KI-ZERBO,Joseph. Historia de Africa Negra. 3a Ediçao, Portugal, Publicaçoes Europa-America,Lda, Volume I, 1972, pp452.

3. Enciclopedia livre -Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation

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