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101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari
Estudo Dirigido – Direito Processual Civil Recursos ATUALIZADO COM AS LEIS 11.187/05 - 11.232/05 - 11.280/06

1) Faça breve epítome sobre quando e como nasceram os recursos. 2) Quando teve inicio a moderna noção de recurso? 3) Hodiernamente, o que é recurso? 4) Quais as principais funções do recurso? 5) O que pode ser objeto de recurso? 6) Qual a finalidade de se inserir em um sistema legal os recursos? 7) O duplo grau sempre esteve inserto nas Constituições brasileiras? 8) O duplo grau de jurisdição, atualmente, é preceito constitucional? 9) Qual a natureza jurídica do recurso? 10) Defina: a. Juízo ad quem b. Juízo a quo c. Vício intrínseco d. Vício extrínseco 11) Em sede de recursos, defina: a. Reforma b. Invalidação c. Esclarecimento 12) Difira recurso de ação autônoma de impugnação. 13) Quais as maneiras de interposição dos recursos? 14) No direito brasileiro qual a principal função do recurso? 15) Como se classificam os recursos quanto a: a. Extensão b. Conteúdo 16) Quais são requisitos para o cabimento do recurso na forma adesiva? 17) Quando a parte não poderá interpor recurso adesivo? 18) O recurso adesivo é considerado acessório do principal. Explique essa assertiva.

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19) O que é sucumbência recíproca? 20) Na sucumbência recíproca pode haver recurso principal? E acessório? 21) Qual a importância dos princípios para a teoria dos recursos? 22) Quais são os princípios informativos dos recursos? 23) Defina os seguintes princípios a. Lógico b. Jurídico c. Político d. Econômico 24) Quais são os princípios fundamentais dos recursos? 25) Defina os seguintes princípios: a. Duplo grau de jurisdição b. Complementaridade c. Taxatividade d. Voluntariedade e. Efeito devolutivo ou vedação da reformatio in pejus f. Singularidade g. Fungibilidade h. Dialeticidade i. Consumação 26) O que é juízo de admissibilidade? 27) O que é juízo de mérito? 28) O que é dúvida objetiva? 29) O que é dúvida subjetiva? 30) Quais são os pressupostos objetivos de admissibilidade dos recursos? 31) Discorra sobre os pressupostos subjetivos dos recursos. 32) No juízo de mérito, como pode se dar o provimento jurisdicional? 33) Os termos condições da ação e pressupostos processuais podem ser utilizados na fase recursal? Explique. 34) O que ocorre quando o juízo de admissibilidade é rejeitado? E quando é admitido? 35) Qual o efeito do recurso, quando admitido, depois de proferida a decisão?

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36) Qual a função primordial do efeito substitutivo? 37) Havendo recurso, sendo este conhecido, provido ou improvido, quando se formará a coisa julgada? 38) Qual a importância da aferição do momento em que se forma a coisa julgada em sede recursal? 39) Como se classificam os pressupostos de admissibilidade dos recursos? 40) Defina e classifique os pressupostos genéricos objetivos de

admissibilidade dos recursos? 41) Defina e classifique os pressupostos genéricos subjetivos de

admissibilidade dos recursos? 42) Defina pressupostos objetivos de: a. Cabimento b. Tempestividade c. Regularidade formal d. Existência de fato impeditivo ou extintivo e. Preparo 43) Explique os pressupostos genéricos de admissibilidade subjetivos: a. Interesse em recorrer b. legitimidade 44) Como se afere o cabimento de um recurso? 45) Qual a conseqüência da perda do prazo para interposição do recurso? 46) Qual a regra geral aplicável aos prazos? 47) Se proferida a decisão em audiência, quando começa a fluir o prazo? E não sendo proferida em audiência? 48) O que vem a ser protocolo integrado? 49) Em sede recursal como se dá: a. Interrupção b. Suspensão 50) Não havendo obediência às formas pré-determinadas para interposição do recurso, o que ocorrerá? 51) Havendo necessidade de sustação do prazo, em sede recursal, qual a regra aplicável? Há exceções? Cite os artigos do CPC que trata sobre o assunto.

ir contra o interesse destes? 66) Quais são os efeitos dos recursos? 67) O que é efeito devolutivo? 68) Qual o significado do brocado “tantum devolutum quantum apelatum”? 69) Qual o campo de abrangência do efeito devolutivo? 70) O que foi impugnado pode ser objeto de recurso? Justifique a resposta. 71) O que é efeito suspensivo? 72) Qual a conseqüência do efeito suspensivo dos recursos? 73) O efeito suspensivo é aplicável a todos os recursos? 74) O que é efeito translativo? 75) Quais as matérias que podem ser objeto do efeito translativo? 76) O que é efeito expansivo dos recursos? 77) Quando não poderá haver aplicação do princípio expansivo? 78) O que é efeito substitutivo dos recursos? . feito no último dia de interposição do recurso. em processo proposto contra menor ou incapaz.com 4 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 52) Para que haja desistência na fase recursal é necessária à anuência do recorrido? 53) Qual a penalidade imposta pelo não pagamento do preparo? 54) Em que momento deve ser feito o preparo? 55) Qual a conseqüência d realização do preparo intempestivo? 56) O preparo insuficiente.www. leva a deserção? 57) Existem recursos que não exigem preparo? 58) Na relação processual qual (is) parte (is) tem interesse em recorrer? 59) O que é sucumbência? E como ela pode ser? 60) Em se de recursos defina parte. ingressando o denunciado no processo. 61) A quem a lei concede oportunidade de oferecimento de recurso? 62) Quem a lei considera terceiro prejudicado? 63) Havendo denunciação da lide e. será ele (denunciado) considerado parte ou terceiro interessado? 64) Pode o Ministério Público interpor recursos? Se afirmativo como se dará esta intervenção? 65) Pode o Ministério Público.direitofacil.

82) Em se tratando de error in procedendo.www. 80) Defina: a.com 5 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 79) Não sendo conhecido o recurso.direitofacil. Error in judicando 81) Versando o juízo de mérito sobre error in judicando. 96) Qual o procedimento a ser observado na apelação? 97) Qual o prazo para apelação? 98) Como deve ser a petição de apelação? Para quem deve ser endereçada? E o que deve conter? 99) É indispensável que a petição venha acompanhada de contra-razões? 100) 101) Quais os pressupostos são aplicados na apelação? Há possibilidade de devolução do prazo para recurso? . Error in procedendo b. quando haverá efeito substitutivo? Fundamente a resposta. 93) A que se dirige a apelação? 94) Com a execução da sentença tem-se a extinção do processo? 95) Quando o ato é apelável e quando a agravável? Explique. pode haver efeito substitutivo? Explique. 83) Remessa necessária é recurso? 84) O que é recurso adesivo? 85) Qual a finalidade do recurso adesivo? 86) Explique a maneira de interposição do recurso adesivo? 87) O pedido do recurso acessório pode ser diverso do pedido do recurso principal? 88) Há contra-razões para recurso adesivo? 89) A admissão do recurso adesivo está subordinada ao principal? 90) Em matéria recursal como é aplicado o direito intertemporal? Quais as regras a serem observadas? 91) Quais são as espécies recursais? 92) Conceitue apelação. com se dá o efeito substitutivo? Justifique a resposta.

que correspondem a três fases distintas compreendendo cada um seu sistema processual típico: Primeira fase – legis actiones (processo das ações da lei). impedir a decisão sobre o mérito se a ação não era prevista na lei. na ordem edital ou não merecia ser dada in facutm. Esta fase perdurou até cerca do III d. ou dada para o caso apresentado. nessa fase. agente do poder oficial. Nesta fase as decisões do iudex eram privadas (o juiz não era funcionário estatal). os arbítrios. Nos dois períodos ut supra. por um órgão do Estado e sim pelo magistrado privado. Era um juízo arbitral. Parte da doutrina sustenta uma função mais ativa do pretor mesmo nessas épocas. Dividiam o processo em duas fases: In iure – composta da actio e da litiscontestatio. nos períodos da legis actiones e formulário. além das ações da lei.C. que correspondem à chamada ordo judiciorum privatorum. mantendo-se a distinção entre as fases in iuri e in iudicio. Assim. assim. Segunda fase – pré formulas (processo ou período formulário).com 6 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari RESPOSTAS 1) Os recursos nasceram como necessidade política. mas convencionado entre as partes. mas o iudex não era mais escolhido em assembléias populares. sendo as decisões nesta fase irrecorríveis. por exemplo. o que impedia a estruturação de um . No período formulário as decisões continuavam irrecorríveis. in factum. acordo pré-processual de limitação da autuação jurisdicional e de submissão ao resultado da decisão. ainda. ampliou-se a possibilidade da ação por meio das formulas pretorianas. o qual.direitofacil. era mais passiva e de supervisão. Os recursos tiveram seu nascedouro no processo civil romano. cabendo a decisão de mérito ao magistrado privado. a noção de recursos. contidas na ordem edital. a decisão não era proferida. isto é. a final.. a função do pretor. In iudicio – a decisão do litígio perante o magistrado. caracterizava-se pela sacramentalidade das ações. onde os árbitros eram nomeados em assembléias populares não havendo. com o intuito de possibilitar o reexame de questões equivocadas evitando. De qualquer sorte.www. já tinha a possibilidade da denegatio actionis.

a restitutuio in integrum. em momentos de mudança. pela própria inexistência de uma estrutura oficial jurisdicional. a se admitir a idéia de recurso. parecendo até estranha à idéia de recorrer. Suplicatio – o recurso era dirigido ao senado romano. Com a queda de Roma e a invasão bárbara. cumpre salientar que essa delimitação é apenas imperador. a partir da ascensão do direito canônico. Nesta fase a idéia de recurso. que por ser de inspiração divina (ordálias). 2) A noção de moderna de recurso foi consolidada com a Constituição francesa de 1795. mas novas ações ou meios políticos de proteção de direitos individuais. Entretanto. passando à responsabilidade do império estatal. a figura do pretor (agente público e não mais privado) e com ele a possibilidade de reexame. voltou-se a irrecorribilidade das decisões. Os existentes meios de impugnação intercessio. passou-se. então. . Os julgamentos eram presididos pelas assembléias públicas. com a ampliação da ação além da ordem legal e edital. para novo exame. as decisões do pretor passaram a ser recorríveis. Terceira fase – cognitio extraordinária (processo extraordinário). a revatio in duplum. surge. convencional. criando-se dois novos institutos: Apelatio – recurso das decisões pretorianas direcionadas ao que promovia o reexame. pois apesar das três fases específicas e distintas. como a intercessio. Assim. Havia uma classe de recursos que se dirigiam somente ao senado (inapeláveis) e outra que se dirigia ao imperador (apeláveis). novamente. a distribuição da justiça se oficializou. coexistiram dois sistemas processuais diferentes até que o mais antigo caísse em desuso. que evolui a partir do direito romano e paralelamente ao direito germânico.www. não cabia recurso. Na época do feudalismo havia uma integração igreja/Estado e o direito canônico era aplicado dentro e fora da igreja. a initiatio.direitofacil.com 7 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari sistema recursal. Contudo. aumentando as atribuições do agente oficial. não eram recursos.

Juízo recorrido (de cuja decisão se recorre) b.direitofacil. tomará conhecimento. com o intuito de minimizar a falibilidade humana. Segundo a Constituição vigente. Na CF 102. III do mesmo dispositivo. desta forma. observado o disposto na questão 04. das hipóteses que enumera.. evidentemente criou o duplo grau de jurisdição. no art. 102 da CR/88. a invalidação. a irrecorribilidade enseja arbitrariedade. embora de forma indireta. também. corrigindo eventuais erros da decisão de primeiro grau. mediante recurso extraordinário. decisão interlocutória ou acórdão. não cabe recurso contra atos processuais de caráter não decisório e contra atos dos serventuários da justiça ou das partes. Diz respeito à correta ou errônea aplicabilidade do direito (vício de forma) d. 6) Possibilitar o reexame de questões. II. 5) Só pode haver recurso de decisão judicial. 7) O duplo grau de jurisdição sempre esteve inserto nas constituições brasileiras. quando se estabelece que os tribunais do país terão competência para julgar causas originariamente e em grau de recurso. c) Suprir a necessidade humana do vencido de tentar reformar a decisão judicial. 8) Sim. pelo nº. Donde se infere que somente cabe recurso contra sentença. Vício de conteúdo (não de forma) 11) . com o intuito de corrigir eventuais erros. 10) verificar a. posto que. o esclarecimento ou a integração da decisão recorrida. b) Evadir-se da arbitrariedade de juízos de primeiro grau. Juízo do recurso (juiz ou tribunal para o qual se recorre) c. informa que o STF conhecerá em grau de recurso ordinário e. sendo assim um freio ao despotismo.com 8 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 3) Recurso é o poder de provocar o reexame de uma decisão judicial visando a obter a reforma. 4) O recurso tem por função: a) Provocar o reexame da decisão judicial. 9) No Brasil o recurso é tido como modalidade de prolongamento da ação.www. há previsão para o princípio do duplo grau de jurisdição. mas somente na Constituição do Império de 1824 era assegurado de forma explicita e ilimitada.

www. Nesta primeira hipótese a parte pede que se altere a decisão judicial e se profira outra. Invalidação – nesta hipótese. não visando modificação da decisão recorrida. Reforma e invalidação são aplicáveis à generalidade dos recursos. 1 . Havendo vício de forma tem-se a anulação (invalidação da decisão). d. ser alterada pela decisão de 2º grau. 3 Vícios intrínseco – diz respeito a correta ou errônea aplicabilidade do direito (vício de forma) Vício extrínseco – vício de conteúdo (não de forma). Ambos (direito processual e material) podem ser fundamento da pretensão de reforma no recurso. Havendo vício de conteúdo. Modificando a decisão do juízo a quo (primeiro grau).com 9 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari a. Integração – há integração quando se pretende fazer julgar algum ponto obscuro ou omisso da decisão recorrida. exceto embargos de declaração. O equivoco alegado advém da má aplicação da norma de direito adjetivo (processual) ou material e conduz a pretensão da reforma da decisão. destarte. pretende o recorrente que o juízo ad quem anule a decisão judicial. Reforma – O recurso visa reformar a decisão judicial quando a parte recorrente alega que a decisão recorrida está equivocada merecendo. b. integrando o julgamento do ponto omisso com o restante da decisão. ou seja. através do juízo ad quem1 (órgão superior). fundada em vícios intrínsecos3 da decisão. Ad quem = juízo do recurso A quo = juízo recorrido 2 Não é o juízo ad quem que profere nova decisão. O vício que se pretende expurgar com o recurso por integração da decisão é a omissão. Após a integração. determinando que outra seja prolatada em seu lugar pelo juízo a quo2. da decisão judicial. c.direitofacil. Esclarecimento – se dá quando a parte recorrente pretende aclarar algum ponto obscuro ou contraditório da decisão recorrida. a parte requer apenas o esclarecimento. A parte não quer modificá-la ou invalidá-la. quer apenas esclarecer a motivação. de certo ponto. em seu lugar. dependendo do caso pode haver modificação da decisão. o próprio juízo a quo. diz respeito à aplicação do direito objeto ao caso. há reforma da sentença. assim. Aqui o fundamento para invalidação de decisão é sempre norma processual. mas.

Há 4 Prover = mérito do recursos. Tem ele procedimento específico. sendo obstruído pela coisa julgada que é fato impeditivo para a utilização da via recursal. Já a ação autônoma não é obstada pela coisa julgada. a sua principal função é exatamente esta: a desconstituição da coisa julgada. em autos apartados.www. obrigatoriamente.direitofacil. a finalidade do recurso é evitar a coisa julgada. . nada obstante. No recurso não existe constituição de nova relação jurídica. enquanto a ação autônoma de impugnação é uma ação completamente diversa do processo que se pretende impugnar. este é apenas um prolongamento da ação. sendo que. O recurso não é ação autônoma. será ela julgada procedente. Os casos em que existe a possibilidade de ação rescisória são expressamente previstos no art. não há nova relação processual que se forma para atacar decisão interlocutória. O recurso ocorre antes do trânsito em julgado (coisa julgada material). tudo independentemente da ação originária. que receberam sentença. Nas ações de impugnação autônoma. por ser ele hábil. visto que. possuindo dependência nuclear em relação à ação onde a tutela é necessária (de conhecimento e execução). infere-se que o recurso é apenas uma fase do processo. tal fato não existe. nada obstante seja “instrumento do instrumento”. Isto acontece também com medida cautelar inominada. na ação autônoma. há. 485 CPC (numerus clausus).com 10 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 12) A primeira diferença entre ação autônoma de impugnação e recurso esta no fato de que enquanto aquela é uma ação completamente autônoma. mas pode haver negação do provimento4. quando nos referimos as ações autônomas de impugnação. Destarte. mas se classifica simplesmente no rol dos direitos processuais de que se socorrem às partes e outros interessados no processo. É nesse sentido que falamos em independência. No recurso pode haver admissão do mesmo. Na ação autônoma todas as medidas dão início a novo processo e procedimento. O mérito e a causa de pedir não se confundem. Conhecer = admissibilidade do recurso. mas gozando de independência do ponto de vista procedimental. no direito brasileiro. é um rol taxativo que demanda interpretação restritiva. dita “principal”. sentença ou acórdão. se se conhecer da ação.

sendo mais adequado os termos. o que não ocorre no recurso. improcedência ou provimento. O recurso insurge-se contra todo o comando sentencial. não há condição que o vincule. Quanto ao conteúdo – o recurso leva em conta a matéria que pode ser alegada. É acessório em relação ao principal. é pouco técnica a utilização dos termos conhecer e prover na rescisória. Ex. possui existência autônoma.: tomando por base o exemplo ut supra.direitofacil. se o recorrente desiste do recurso principal. buscando a anulação do mesmo. quaisquer das partes podem interpor recursos. No recurso pode-se alegar qualquer matéria que diga respeito à lide (atinentes aos elementos da causa).g.www. ou vício de forma da sentença ou 485 CPC. desta feita.. 13) Desconstituição da coisa julgada. onde são dissociados.com 11 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari uma fusão conceitual era causa de pedir e mérito. Havendo uma decisão judicial. Assim. pode ser: Total – é aquele no qual o recorrente vem se irresignar contra todo o conteúdo impugnável da decisão judicial (todo o dispositivo da decisão). 14) a) Principal .: ação de indenização julgada procedente a parte recorre pleiteando improcedência do pedido. Quanto à extensão – toma por critério a extensão de conteúdo do recurso. Ex. subdivide-se em: 5 Principal = independente Adesivo = acessório (acompanha o principal) .o recurso é principal quando é interposto de maneira independente em relação a qualquer outro. desde que atendidos os pressupostos de admissibilidade. é dizer. o recurso adesivo5 depende do desfecho do recurso interposto de maneira principal. a parte viesse a pedir o aumento do valor da ação. 15) e. Na ação autônoma de impugnação o rol é taxativo (numerus clausus). f. Parcial – é aquele em que o recorrente se irresigna contra parte do conteúdo impugnável da decisão judicial. o recurso do autor independe do recurso do réu. v. não há possibilidade de ampliação. automaticamente suprime-se o adesivo. se inadmitido o principal o adesivo também sucumbirá. b) é aquele cuja interposição é dependente de outra. Em face disto.

4) O recurso adesivo está sujeito aos requisitos e pressupostos específicos do recurso interposto. Comum – é aquele que estabelecem como pressuposto básico e suficiente à sucumbência. embargos infringentes. por ausência de qualquer um dos pressupostos. 17) Quando apresentar recurso independente (observado o prazo recursal).com 12 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari Recurso ordinário – são previstos no processo comum para correção de algum prejuízo.apesar de aplicar-se também ao processo comum.g. v.. podendo o recorrente impugnar tanto matéria de fato quanto de direito da decisão recorrida. ou seja. 5) Deve ser interposto no prazo para resposta (contra-razões) ao recurso principal interposto pela outra parte. aparta-se em: 1. o recurso adesivo também não o será.g. formalidades. Neste o recorrente pode impugnar apenas matéria de direito da decisão recorrida.direitofacil. etc. . recursos especial e extraordinário. 2) Que não tenha havido a interposição de recurso independente por todas as partes somente poderá recorrer na forma adesiva à parte que deixou de interpor o seu recurso independente.www. Se este não for conhecido. apelação. 2. não há possibilidade de apreciação de matéria de fato. embargos infringentes. 18) O recurso adesivo depende do principal. mas também a uniformidade de interpretação da legislação federal e a eficácia e integridade das normas da própria Constituição. v. 3)Apenas tem cabimento nos recursos de apelação.. estão consagrados em nível constitucional e têm por função não apenas a correção do caso concreto. Específico – exigem determinada situação ou pressuposto específico. 16) 1) Existência de sucumbência recíproca (sentença parcialmente procedente). Recurso extraordinário . O conteúdo do recurso ordinário é o direito subjetivo da parte. inclusive preparo prazo.

ex. Lógico – o processo deve ser lógico em sua estrutura. por sua vez. para v. obrigatoriamente. o autor. v. quando o pedido julgado parcialmente procedente. valer-se da analogia.. considerando aspectos políticos e ideológicos. em ação de danos morais o autor pede $100. ou seja. para tanto. 20) Na sucumbência recíproca pode haver recurso principal ou adesivo. deve ser deduzida antes da audiência de instrução e julgamento. observadas. o dever de sentenciar ainda que haja lacuna na lei (CPC 126). 23) a. . 301. p. aderir (através do recurso adesivo. as garantias das partes e as regras procedimentais e legais que regem o processo civil. não piorar a sua situação. recorrendo o réu pode. sempre. Jurídico – o processo deve seguir as regras preestabelecidas por determinado ordenamento jurídico c.. visto concordar ele com o pagamento de $60.direitofacil. b.00 e ganha $60.. d. Os princípios podem ser informativos que são considerados quase que axiomas. pois prescindem de maiores indagações e não precisam ser provados e fundamentais que são aqueles sobre os quais o sistema jurídico pode fazer opção. deve-se a ordem do CPC 282. jurídico.g. e esta.com 13 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 19) Sucumbência recíproca ocorre quando ambas as partes são ao mesmo tempo vencedora e perdedora. 21) Os princípios são a construção basilar sobre a qual se edifica toda a teoria geral dos recursos. devendo. dentre outras que informam a seqüência lógica que o processa deverá. político e econômico. 22) Lógico.www. Econômico – segundo esse princípio deve-se obter o máximo do processo com o mínimo dispêndio de tempo e de atividade.00) ou interpor recurso principal. Em suma. dos princípios gerais do direito e dos costumes.g. Político – As regras políticas são condutas que visam suprir as lacunas da lei. para tanto. obedecer. a petição inicial deverá vir antes da contestação.00.

singularidade. que lhe dá os contornos e limites (CF/88. voluntariedade. juizados especiais). No Brasil o duplo grau é garantia inserta na Constituição (de forma indireta). o duplo grau é irrestrito.direitofacil. fazê-lo. 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 24) Duplo grau de jurisdição. fazer a adequação entre a realidade no contexto social e o direito a segurança das decisões judiciais. sentindo a necessidade de haver novo julgamento sobre a causa já decidida. o direito de recurso é um direito subjetivo público das partes. portanto. É.com 14 complementaridade. este. se houver alteração ou integração da decisão. o duplo grau de jurisdição é garantia constitucional de que toda decisão judicial possa ser objeto de reexame por outro órgão jurisdicional. por sua vez. o duplo grau não é ilimitado. 102. Ideemos o seguinte exemplo: o réu condenado a indenizar perdas e danos. f. fungibilidade. efeito devolutivo ou vedação da reformatio in pejus. Não poderá interpor novo recurso. que reside o cerne do duplo grau. embora O CPC não faça restrições ao cabimento da apelação. de hierarquia superior (exceção turmas recursais. interpõe desde logo recurso de apelação pleiteando a reforma da sentença. II). No processo penal. poderia. taxatividade. opõe . consumação. com o fito de conseguir a improcedência da pretensão do autor. No direito brasileiro. mormente. o objetivo do duplo grau de jurisdição. em virtude de acolhimento de embargo de declaração.www. Princípio da complementaridade – o recorrente poderá complementar a fundamentação de seu recurso já interposto. dialeticidade. pois admite recurso contra toda e qualquer sentença. sendo garantido ao réu um segundo julgamento em grau de recurso. portanto. sem nenhuma limitação. Princípio do duplo grau de jurisdição – o duplo grau de jurisdição teve seu nascedouro no direito romano que. contudo. Destarte. Sendo nesta possibilidade de reexame. garantia constitucional do jurisdicionado. a menos que a decisão modificativa ou integrativa altere a natureza do pronunciamento judicial o que se nos afigura difícil de ocorrer. portanto. 25) e.

aduzindo novos fundamentos e pedindo a reforma da sentença. o réu não poderá oferecer nova apelação. As espécies recursais estão previstas no 4967 do CPC. consequentemente. Em razão deste princípio não há possibilidade de criação ou ampliação das espécies recursais. havendo-se opera a preclusão consumativa. é vedação a criação de novos recursos é fruto da adoção do princípio da taxatividade. g. não impugnando toda a matéria contida na sentença e que lhe fora adversa. já que a sentença sofrera alteração. por lei federal. 496. Princípio da taxatividade dos recursos – preceitua que o rol de recursos cabíveis é taxativo e demanda expressa previsão legal. Quanto ao autor. legalmente previstas. somente são considerados recursos aqueles como tais designados.direitofacil. apenas no que concerne a matéria que fora objeto da integração. isto sim. 7 Art. Como surgiram fatos novos. ou seja. quais sejam: Esta é a exceção à regra. Não poderá apresentar segunda apelação. aumentar o já interposto recurso de apelação. Desta forma. segundo o qual. poderá. deverá. que ainda não havia interposto recurso algum quando embargara a declaração. embargos declaratórios. São cabíveis os seguintes recursos: 6 . somente quanto à parte nova da decisão.www. quando modificam a decisão. por vontade das partes (ou qualquer outro meio que não seja lei). integrada a sentença para condenar o réu também naquela verba. a complementação do recurso não poderá atingir a matéria já preclusa. neste caso. o recorrente pode complementar suas razoes com o fito de completar o recurso. complementar o recurso já interposto.com 15 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari embargos de declaração contra aquela mesma sentença. por acréscimo. em numerus clausus. dessa mesma sentença pelo acolhimento dos embargos de declaração. constante do pedido inicial. porque o juiz deixara de manifestar-se quanto ao pedido de lucros cessantes. pois esse direito já fora exercido. pois já havia exercido esse direito. estará reservado o direito de apelar da sentença já complementada pela decisão dos embargos6. Se a apelação houvera sido parcial. Se forem acolhidos e.

direitofacil. Desta feita. existem os sucedâneos recursais. Princípio da voluntariedade – todo recurso tem que ser voluntário. II .recurso ordinário. VII . É o caso das ações autônomas de impugnação. são exercitados em processo distinto em relação àquele que lhe deu origem.embargos de declaração V . hábeas corpus e medida cautelar inominada se a decisão ainda não estiver acobertada pela preclusão. VIII . O recurso se compõe de duas partes distintas sob o aspecto de conteúdo: 1) declaração expressa sobre a insatisfação com a decisão (elemento volitivo).embargos infringentes. IV . embora se pareçam com recursos. Inobstante ao princípio da taxatividade. manifesto através de um ato de vontade das partes. da ação rescisória.recurso especial.recurso extraordinário. medidas que parecem recursos. Temos os recursos previstos no CPC 522 e ss: • • Agravo instrumento Agravo retido Há também os agravos internos e os recursos existentes fora do sistema do CPC. III .www.apelação. mas não o são.com 16 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari • • • • • • • • Apelação Agravo Embargos infringentes Embargos de declaração Recurso ordinário Recurso especial Recurso extraordinário Embargos de divergência em recurso especial e recurso extraordinário. ou dos embargos de terceiro. h. já que se dirigem as decisões judiciais.agravo. 2) Os motivos dessa insatisfação I . VI . se a decisão impugnada já houver transitado em julgado.embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário . mandado de segurança.

ainda.Por essa razão. p. Assim. p. deve ser observada a regra do tantum devolutum quantum apellatum (o tanto devolvido é o quanto apelado).www. não podendo dele se afastar em face do princípio da congruência. não haverá reforma in pejus se o tribunal acolher qualquer dos recursos de ambas as partes. ou porque extrapole o âmbito da devolutivadade fixado com a interposição do recurso. condição de eficácia da sentença8. Manifestação do princípio da voluntariedade é. a matéria No recurso pretende-se que a decisão seja modificada. se a parte adversa também interpõe recurso. sendo-lhe defeso apreciar questões que não sejam objeto do recurso. Na remessa obrigatória busca-se a manutenção da decisão. não se pode conferir à remessa obrigatória o caráter de recurso. 8 . Recurso que fora interposto sem o conhecimento e vontade da parte recorrente não pode ser conhecido. Desta feita. pois o juiz não manifesta “vontade em recorrer”. ou seja. mas obrigatoriedade (remessa obrigatória). i. A proibição da reformatio in pejus tem por objetivo evitar que o tribunal destinatário do recurso possa decidir de modo a piorar a situação do recorrente.. Ao determinar a subida doa autos à superior instância para reexame necessário não há ato volitivo. por ser mais técnica.com 17 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari (elemento da razão ou descritivo). ou.ex.direitofacil. O objeto do recurso é tão-somente.. embora aquela seja preferível a esta. o não conhecimento do recurso.ex. que ele não seja modificada. ou ainda aquiescência à decisão que se pretenda ver modificada ou invalidada: faltaria a “vontade” inequívoca de recorrer. quando houver fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. em virtude de não haver recurso da parte contrária. No processo civil princípio do efeito devolutivo e reformatio in pejus são sinônimos. o juízo ad quem só pode conhecer de matéria objeto da impugnação. A reforma para pior fora dos casos mencionados não se insere na proibição da qual estamos tratando. Efeito devolutivo ou vedação da “reformatio in pejus” – por este princípio também chamado de princípio da defesa da coisa julgada parcial. devendo-se ater o tribunal à matéria constante do recurso. tal como a renuncia ou desistência do recurso.

j. Pode haver vários recursos em um . acrescida daquelas questões que o juiz deva conhecer de oficio. mas também às demais partes. ou seja. há decisões judiciais que se consideram atos complexos. Cumpre lembrar que a remessa obrigatória não é recurso. Por exemplo: em uma mesma decisão o juiz acata carência de ação e nega incompetência absoluta. podem decidir varias questões de teores diversos. Singularidade ou incomunicabilidade – também denominado princípio da unirrecorribilidade ou unicidade. transferindo-se toda a matéria suscitada e discutida no processo ao conhecimento do tribunal ad quem. se tivesse negado os dois (carência da ação e incompetência absoluta) ter-se-ia uma decisão interlocutória. o simples dato de a sentença haver sido proferida contra a fazenda pública faz com que seja obstada a preclusão. para que se examinasse sob o ângulo da reformatio in pejus. neste caso. neste caso. mas condição de eficácia da sentença. Contudo.www. Donde se infere que. sendo vedada a interposição simultânea ou cumulativa de mais de um recurso visando a impugnação do mesmo ato judicial. que são as matérias de ordem pública. é importante somente a aferição finalística do conteúdo desse mesmo ato para que se defina qual o recurso adequado. Por tal razão estaria incorreto desviar-se do raciocínio de reforma da sentença sujeito ao duplo grau obrigatório.com 18 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari efetivamente impugnada. De outra parte. não só com relação àquela. podendo o tribunal modificar a sentença no que entender correto.direitofacil. o recurso cabível será o que melhor se adequar ao resultado final da decisão. neste caso tem-se sentença. a regra tantum devolutum quantum apellatum é mitigada. por possuírem conteúdo misto. a remessa obrigatória tem devolutivadade plena. sejam processuais. Assim. no caso concreto. sejam de direito material. Este princípio preicetua que para cada decisão judicial há um único recurso cabível previsto pelo ordenamento jurídico. visto ter colocado termo ao processo sem julgamento de mérito. instituto que se refere única e exclusivamente aos recursos.

mas para cada decisão só pode haver um recurso. infração a norma federal infraconstitucional. tendo em vista a natureza do pronunciamento judicial que se pretenda atacar. para que seja julgado (via de regra). 12 Dúvida objetiva – é dúvida plenamente justificável pelas circunstancias e que poderia ser impingida a qualquer um. 538 . infração de norma constitucional. a multa é elevada a até 10% (dez por cento). é que se pode lançar Art. ficando condicionada a interposição de qualquer outro recurso ao depósito do valor respectivo. Dúvida subjetiva – não é dúvida plenamente justificável. como também pela dúvida doutrinária e jurisprudencial que envolva determinado caso. os embargos de declaração serão julgados pelo juiz e a apelação pelo tribunal. entretanto há hipóteses em que a espécie recursal cabível gera duvida objetiva12. e tão-somente estas hipóteses.direitofacil. para cada decisão cabível há um só recurso.com 19 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari mesmo processo. Se uma decisão judicial viola ao mesmo tempo lei federal e norma constitucional.Quando manifestamente protelatórios os embargos. condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente de 1% (um por cento) sobre o valor da causa. declarando que o são. interpor-se-á apelação sobre a mesma decisão9 (duas ações cumuladas). caberá interposição simultânea de recurso especial e extraordinário. esse princípio pode ser mitigado em algumas situações: 1) Possibilidade de interposição concomitante de embargos de declaração e apelação. Mas.Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos. Como embargos de declaração visam esclarecer ou integrar sentença de mérito contraditória ou obscura. Mas. neste caso não pode ser invocado o princípio da fungibilidade. b) Possibilidade de interposição simultânea de recurso especial10 e extraordinário11.www. 9 . 10 Excepcional – matéria de direito. Parágrafo único . competência STJ. quando o embargo referir-se somente a parte da sentença. Não só por impropriedades constantes do próprio código. k. devem ser elaborados em peças distintas. Neste caso indagase: Qual recurso usar? Nestas hipóteses em que se torna difícil aferir qual o recurso cabível. Para estas. para que a outra parte não transite em julgado. embora haja dois recursos para uma mesma decisão. Na reiteração de embargos protelatórios. Fungilibilidade – o rol dos recursos é taxativo. 11 Excepcional – competência STF. visto que. ficando este aguardando a solução daquela. por qualquer das partes. o juiz ou o tribunal.

2) Quando a doutrina e a jurisprudência divirjam quanto à classificação de determinados atos judiciais e. consequentemente. quais sejam: 1) A inexistência de erro . 3) O juiz profere um pronunciamento em lugar de outro.g. ou seja. de per si.g. ao ato que julga o incidente de falsidade documental. Verificada a existência de dúvida objetiva sobre qual recurso cabível em determinada hipótese. a própria lei é vacilante na classificação do ato processual.www. que diz ser “sentença” o ato do juiz que. caput. Entretanto. no curso da execução. é sentença. Isto porque. quanto à adequação do respectivo recurso para atacá-los. Outros dois elementos servem de circunstância norteadora para que incida este princípio. Destarte. o CPC 718. indica que o ato do juiz que decide o pedido de remição de bens na execução é decisão interlocutória e não sentença como erroneamente consta do CPC 790. é decisão interlocutória. a fim de que a parte não fique responsabilizada e prejudicada por algo a que não deu causa: dúvida na interposição do recurso correto. o nosso código não deu importância à forma do ato judicial para efeitos de defini-lo. que pode ocorrer em três hipóteses: 1) O próprio código designa uma decisão interlocutória como sentença ou vice-versa. se colocou fim ao processo. o primeiro requisito a ser preenchido para que se possa aplicar o princípio da fungibilidade é a existência de dúvida objetiva sobre qual o recurso correto a ser interposto. seria suficiente para aplicação do princípio da fungibilidade. v.. conjugado com o CPC585. decreta o usufruto de imóvel ou de empresa. ainda que não haja julgamento de mérito. Neste caso.direitofacil. este fator. rejeição de liminar em reconvenção (CPC 318) ou ação declaratória incidental (CPC 325).com 20 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari mão do princípio da fungibilidade. CPC 790. v. O fator preponderante e essencial para tanto é a finalidade do pronunciamento judicial: se decidiu questão incidente sem pôr termo ao processo. conhecendose do recurso erroneamente interposto em lugar de outro. refere-se o CPC 395 como sendo “sentença”. que.. fazendo-o obscura ou impropriamente. as hipóteses que ensejam ocorrências são mais raras.

. l. alternativamente. Deve pois. Já Nelson Nery Junior. Tendo em vista que o recurso visa. As razões do recurso são elementos indispensáveis a que o tribunal.direitofacil. para o qual se dirige. precipuamente. nada obstante agisse o recorrente e má-fé. ou não há um desses pressupostos e o princípio não incide.. ponderando-as em confronto com os motivos das decisão recorrida. pois o CPC 296 fala textualmente: “Indeferida a petição inicial. discursivo.com 21 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari grosseiro. Princípio da dialeticidade – segundo esse princípio o recurso deverá ser dialético. Erro grosseiro é aquele criado em situações onde não se admitiria dúvida.g. o recorrente declinar o porquê do pedido de reexame da decisão. seria uma manobra para não perder o prazo de recurso. pois havendo este não há que se falar em dúvida objetiva. a má-fé não precisa ser demonstrada.”. mas o recurso tem de ser conhecido. por ser indubitável o recurso adequado. a má-fé não é elemento a ser considerado para a admissibilidade do recurso: ou há dúvida ou. v.g. agravar-se da sentença que indefere petição inicial. modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal. pode ser presumida. possa julgar o mérito do recurso. Havendo um dos pressupostos para a aplicação da fungibilidade e. considera esta hipótese irrelevante. o autor poderá apelar. é um erro injustificável. v. Só assim a parte contrária poderá contra-arrazoá-lo. A sua falta acarreta o não conhecimento. se a parte interpor apelação no 9º dia não que se falar em má-fé. para que proporcione a parte recorrida entender o processo para que possa contradizê-lo. neste caso.. isto é. esta hipótese constitui erro grosseiro. 2) Boa-fé – Haveria má fé se a parte interpusesse recurso errado propositadamente. é mister a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial. formando-se o imprescindível contraditório em sede recursal. segundo opinião do professor. . Valendonos do exemplo ut supra. deve ser alcançado pela sanção geral do CPC 17 e 18. após ter perdido o prazo de agravo que é de 10 dias interpõe apelação que tem prazo de 15 dias (no 15º dia).www. inexiste erro grosseiro e esse aplica a fungibilidade. pois para o referido autor..

uma vez já exercido o direito de recorrer. Notificado de que o réu R houvera apelado de toda a sentença. o juízo de admissibilidade é um juízo prévio em relação a análise do mérito jurisdicional. Excetua-se do alcance da preclusão consumativa o fato de haver rescisão integrativa. Poderia. visto haver dois sérios óbices a trancar a via adesiva àquela que já se utilizara da autônoma para atacar a mesma decisão judicial: o princípio da singularidade recursal e o da consumação. aclaradora ou modificadora de outra já impugnada. sem os quais. assim. nos limites do acréscimo sofrido pela decisão antes impugnada. 26) São condições de admissibilidade que necessitam estar presente para que o juízo ad quem possa proferir o julgamento do mérito do recurso.com 22 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari m. v. alteração essa provocada pelo acolhimento de embargos de declaração. interpõe o recurso de apelação buscando conseguir o beneplácito do tribunal ad quem somente quanto ao pedido y. Consumação – por este princípio tendo a parte deixado de recorrer na oportunidade devida. Assim. y. A análise do juízo de admissibilidade do recurso antecede lógica e cronologicamente a análise do . não é dado ao órgão jurisdicional julgar o mérito recursal. z. o princípio da complementaridade.. A resposta restritiva parece ser mais adequada. Incide. autor A. mesmo já havendo interposto recurso autônomo de apelação? Embora a doutrina registre tanto resposta afirmativa quanto negativa. que ajuizara ação objetivando pedidos x.direitofacil.g. deixando de impugnar a sentença quanto a z. haverá preclusão quanto a impugnação do ato judicial. à vista da apelação da parte contraria lançar mão do recurso de apelação adesiva para este alvitre. É um juízo de valor feito pelo órgão jurisdicional a cerca dos pressupostos genéricos e específicos de admissibilidade dos recursos. já examinado. aí. de sorte a impedir que o recorrente torne a impugnar o pronunciamento judicial já impugnado. sucumbindo quanto a y e z. consumou-se a oportunidade de fazê-lo. A parte que já recorrera poderia completar o recurso interposto.www. o autor pretendente contra atacar ampliando o seu inconformismo para pleitear também o pedido z junto à instância superior.

Sendo admitido. intimará o recorrido para oferecer contra razões. dará seguimento ao recurso e remeterá os autos para o juízo ad quem. 35) Julgado o recurso substituir-se-á a decisão recorrida pela decisão do recurso. c) regularidade formal. sendo este negativo não se passará a análise do juízo de mérito. Os relativos ao juízo referem-se à competência e à inexistência de impedimentos. a capacidade para estar em juízo e a capacidade postulatória.. dizem respeito a espécie recursal. e) preparo. sendo positivo. é um erro injustificável.”. fazendo o juízo a quo o juízo de admissibilidade.www. mais correto seria a utilização do termo requisitos de admissibilidade. v. pois o CPC 296 fala textualmente: “Indeferida a petição inicial. b) tempestividade. agravar-se da sentença que indefere petição inicial. 27) É um juízo de valor feito pelo órgão jurisdicional a cerca do próprio mérito recursal. É no juízo de mérito que o órgão jurisdicional analisará as questões objeto do recurso posto em discussão. negará provimento ao recurso. embora fujam a boa técnica. portanto. 33) Os termos condições da ação e pressupostos processuais podem ser utilizados na fase recursal. Os relativos às partes são: a capacidade de ser parte. esta hipótese constitui erro grosseiro. por ser indubitável o recurso adequado. podem ser: a) cabimento. 31) Os pressupostos subjetivos podem dizer respeito às partes (interesse em recorrer) e ao juízo (legitimidade).. objetivamente considerado. d) inexistência de fato impeditivo. 28) Existirá dúvida objetiva quando a doutrina ou jurisprudência divergirem no tocante ao recurso apto a reformar certa decisão judicial. 30) São pressupostos objetivos aqueles que dizem respeito ao recurso em si. ou seja.com 23 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari mérito.direitofacil. sendo negativo.g. o autor poderá apelar. admitido e provido e não admitido. 29) Haverá duvida subjetiva quando o erro é oriundo de situações onde não se admitiria dúvida.. 32) Pode ser admitido e improvido. Confirme ou não a decisão de segundo grau o acórdão substitui a decisão de primeiro grau (efeito substitutivo – decisão posterior substitui decisão anterior) . 34) Sendo o juízo de admissibilidade rejeitado o juízo a quo não conhecerá do recurso.

pois. Assim. existência de fato impeditivo ou extintivo.ex. sempre. que visa perquirir sobre a existência da espécie recursal manejada bem como sua . O cabimento é um pressuposto genérico objetivo de admissibilidade. Cabimento – deve-se primeiramente perquirir se o recurso está previsto. significa dizer. apelação julgada seis meses após a interposição: a) sendo conhecida. 38) A relevância da aferição do momento da formação do prazo diz respeito ao prazo para contagem da ação rescisória.direitofacil. Havendo substituição transita em julgada o acórdão e não a sentença. A coisa julgada se formará após o transcurso do prazo do recurso sobre a decisão recorrida (15 dias). ou seja. Se o recurso não foi conhecido a coisa julgada se fará sobre a sentença.. norteiam-se pelos sujeitos da relação processual. Nelson Nery ainda os classifica de extrínsecos e intrínsecos (o professor acha pouco didática essa classificação). 41) São pressupostos subjetivos aqueles que levam em conta a pessoa do recorrente e recorrido (sujeitos do recurso). retroagi o momento de atuação da coisa julgada. substitui-se a decisão recorrida pela decisão do recurso. em abstrato. 39) Objetivos e subjetivos (Vicente Grego). p. a coisa julgada formar-se-á seis meses e quinze dias após a interposição. no ordenamento jurídico (lei processual) e ainda se é adequado à utilização no caso. b) não sendo conhecida a coisa julgada se formará 15 dias após a prazo de interpelação da sentença. podem ser: cabimento. é mister a correta determinação da data para que se configure o marco inicial da contagem do prazo. sendo este de dois anos a contar a decisão. regularidade formal. ou seja. dizem respeito a própria espécie recursal. objetivamente considerados.www. preparo. 40) São pressupostos objetivos os que dizem respeito ao recurso em si.com 24 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 36) O efeito substitutivo é importante para evitar a formação da coisa julgada até o apreciamento do recurso. subdividi-se em: interesse em recorrer e legitimidade. 42) a. tempestividade. 37) Provido ou improvido a coisa julgada se dará. sobre a decisão do recurso.

é dizer. Existência de fato impeditivo ou extintivo – é mister que exista fato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer. b. decorrido o prazo gera preclusão da matéria impugnada.com 25 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari adequação no caso. da abdicação do direito de recorrer e não da res in iudicium deducta16. devendo também haver observância do princípio da fungibilidade. Tempestividade é pressuposto genérico objetivo do recurso. Destarte. Tempestividade – todos os recursos devem observar para sua interposição o prazo previsto em lei. O procedimento recursal é semelhante ao inaugural. A constante. o recurso tem que ser tempestivo para sua aceitação. conter os fundamentos de fato e de direito e o pedido. deverá. trata-se. por expressa disposição legal. será conhecido. segundo o qual a parte manifesta a sua vontade no sentido de extinguir o exercício do poder de recorrer. pois. d. Regularidade formal – é a forma segundo a qual. é que há exigência de que o recurso seja motivado. porém. havendo o recurso não será sequer conhecido. se inobservado gera preclusão da matéria impugnada. que corresponde a necessidade de obediência ao prazo legal de sua interposição. 17 Feita após o oferecimento do recurso.direitofacil. A renúncia17 ao recurso é um negócio jurídico de disponibilidade de uma posição jurídica. o recurso deverá se revestir15. 16 Coisa deduzida em juízo. Se não observada a regularidade formal o recurso. Assim para que o recurso seja cabível deve observar a equação: previsão legal em abstrato + adequação ao caso13. pois em sede recursal. este prazo é próprio14. 514. vontade essa que pode ser manifestada 13 Possibilidade jurídica do pedido (previsão legal) e interesse de agir ( adequação da via recursal). isto é. A petição de recurso. a renúncia.www. 524. São fatos extintivos: a) Renúncia – a renúncia ao recurso não se confunde com a renúncia ao direito material que se discute em juízo. 14 Não pode ser dilatado. 536 CPC. c. 15 Exemplos art. pois. . sequer. de que o recorrente leve ao órgão ad quem as razões de seu inconformismo. Tanto é assim que a interposição de recurso sem motivação é causa de inépcia.

é extintivo do direito de recorrer. O recurso tem que ser tempestivo para ser conhecido. 510 CPC. tal fato. nos casos em que este é exigido e sem justa causa. consoante art. devendo efetuado pelo recorrente. ao menos em parte.com 26 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari expressa ou tacitamente. 45) Obediência ao prazo é pressuposto de admissibilidade do recurso. Deve também existir possibilidade jurídica do pedido (previsão legal) e interesse de agir (adequação da via recursal). assim. 44) Para que o recurso seja cabível deve haver: previsão legal em abstrato + adequação ao caso.direitofacil. b. b) aquiescência à decisão – por óbvio. 18 Art. Legitimidade – equipara-se a legitimidade ad causam nas condições da ação. São fatos impeditivos: a) desistência – é fato impeditivo do direito de recorrer consistente na manifestação expressa ou tácita do recorrente no sentido de não oferecimento do recurso antes de sua interposição (antes do oferecimento do recurso). 46) 15 dias. quando legalmente exigido. se inobservado gera preclusão da matéria impugnada. São as partes que tem legitimidade para recorrer (parte vencida. quando não haja justa causa para se considerar inexigível o preparo. . 43) a. bem como porte de retorno18 (volta do recurso ao juízo de origem). terceiro prejudicado e MP. se houve assenso à decisão. c) Preparo – pressuposto genérico objetivo de admissibilidade do recurso que consiste na necessidade. além da observância do princípio da fungibilidade. b) deserção – é um fato impeditivo da vontade de recorrer derivado da ausência de preparo do recurso (inobservância da lei). 508 CPC. de per si. terá interesse em recorrer. Haverá interesse em recorrer quando a parte vencida estiver inconformada com a decisão. de pagamento prévio das despesas processuais inerentes ao recurso. quando couber). somente a parte sucumbente. ou seja. deriva da ausência de preparo recursal.www. Interesse em recorrer – em sede de recursos é comparável ao interesse de agir.

b. Suspensão – suspende-se o prazo e. art. a interrupção uma exceção. Pois. o prazo começa a fluir deste momento (visto haver identidade de momento entre a publicação e a intimação). . 19 20 No acórdão a intimação é sempre por publicação (art. Interrupção – havendo interrupção o prazo começará a fluir do começo (devolve-se-lho por inteiro). mas a interpretação é restritiva. o recorrido não tem interesse algum. 54) O preparo deve ser necessariamente concomitante a interposição do recurso. 50) Para que o recurso seja conhecido deve atender aos requisitos de forma indispensáveis ao seu conhecimento (regularidade formal).com 27 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 47) Se proferida em audiência a decisão. 49) a. 506 CPC. fluirá a partir a intimação (não há identidade de momento entre publicação e intimação)19. A norma do 507 CPC é especial em face da norma do 180. Se for nos autos. portanto. cessando a causa que motivou a suspensão. nos demais casos aplicar-se-á a regra do 180 do CPC. 53) É a deserção20. tal conduta conduzirá a deserção do recurso e a seu não conhecimento. começa a contagem do prazo do ponto onde havia sido interrompido. 51) A regra á a suspensão sendo. somente o recorrente tem interesse. 52) Na fase recursal para que haja desistência não é imprescindível a anuência do recorrido (CPC 501. 48) É o Sistema que permite ao advogado apresentar recursos e/ou petições à Justiça em região diversa daquela em que corre o processo. no momento da interposição do recurso não confirmar o pagamento do preparo ou do porte de retorno (quando for o caso). visto que. Questão 42. D. 502. 503).direitofacil. Não sendo atendidas as formas pré-determinadas não haverá o conhecimento do recurso. o provimento jurisdicional já fora dado em seu favor. 506.www. adstrita às hipóteses previstas no 507 CPC. aplica-se aquela em nome do princípio da especialidade. 55) Se o recorrente. não se admite (desde 1998) o preparo posterior. Esse procedimento não é possível em todas as Comarcas do Estado. III).

o Ministério Público pode atuar como fiscal da lei “custus legis” ou parte. são considerados parte. sofrerá prejuízo com a decisão terceiro com interesse de fato ou meramente econômico não é parte legitima para propor recurso. inserto nos Arts. é todo aquele que tenha efetivamente integrado o contraditório na primeira fase do processo. O recorrente terá cinco dias para suprir o prepara. litisconsorte.www. ún. quando for a menor. 20 e seguintes do Código de Processo Civil. 499. sob pena de não o fazendo. 59) É o princípio que atribui à parte vencida em um processo judicial o pagamento de todos os gastos decorrentes da atividade processual. será ele considerado parte. De sorte que. 64) Sim. mesmo que ela não concorde com o fundamento. Se atuar como parte. para que o MP tem legitimidade para recorrer deverá haver sucumbência. não leva a imediata deserção. não poderá recorrer (CPC. p. par.ex.. será como parte que deverá recorrer. Como . é a regra do 511.) e nos embargos de declaração (CPC 536). ou seja. Aqueles que são terceiros interessados (denunciado. caput). ser o recurso considerado deserto. o Ministério Público. A sucumbência pode ser total ou parcial. 60) A noção de parte nos recursos é um pouco diferente. mas participaram na primeira fase. 62) Terceiro prejudicado é aquele que tem interesse jurídico na causa. tal dispensa ocorre por lei. no agravo retido (CPC 522. 61) A parte vencida. Aqueles que podendo ser litisconsortes (litisconsórcio facultativo) não o foram. Parte. ao menos parcialmente. 63) Participando a denunciado da primeira fase do processo. 58) O interesse de recorrer cinge-se a noção de sucumbência. A parte que não for vencida não poderá utilizar-se da via recursal. assistente. §2º CPC. mas não participou não participou da primeira fase do processo e.direitofacil. quando couber.com 28 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 56) O preparo insuficiente. poderão recorrer como terceiro com interesse jurídico. só a parte sucumbente terá interesse em recorrer. Não havendo sucumbência há falta de interesse em recorrer. etc. 57) Quando não há necessidade de preparo. em sede recursal. o terceiro prejudicado.). mesmo não havendo prejuízo à parte. desta forma.

devendo aguardar a provocação da parte ou interessado. que é princípio fundamental no direito processual brasileiro. não pode agir de ofício. Passando esses fundamentos para a esfera recursal. 65) Sim. 66) Efeito evolutivo. a parte não impugnada transita em julgado. não podendo o juiz julgar extra. 67) Efeito devolutivo é manifestação do princípio dispositivo21. Como o juiz. 262: “O processo civil começa por iniciativa da parte. conforme o pedido do recorrente.com 29 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari fiscal da lei não precisará ser sucumbente. Não é aplicável a todos os recursos. 69) Total ou parcial. julgar apenas nos limites do pedido (CPC 460). 21 Pelo princípio dispositivo. encerradas com o pedido de nova decisão. poderá o MP ir contra o interesse do menor ou do incapaz. ou seja. efeito translativo e efeito substitutivo. efeito suspensivo. indeferindo as diligencias inúteis ou meramente protelatórias”. em regra. Esta regra é aplicável a todos os recursos no direito brasileiro. 2º do CPC. 72) Suspende temporariamente a força executiva da decisão.direitofacil. verifica-se que o juízo interposto devolve ao órgão ad quem o conhecimento da matéria impugnada. verbis: “Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer. neste caso. é a correta aplicação da lei. Se o fizer estará cometendo excesso de poder. determinar as provas necessárias à instrução do processo. que são ficados na petição inicial pelo autor (CPC 128). 71) Efeito suspensivo é qualidade do recurso que adia a produção dos efeitos da decisão impugnada do julgado até o julgamento do recurso. descrito no art. deve. complementado pelos arts.www. o tanto devolvido cingi-se a matéria impugnada. 70) Em observância ao efeito devolutivo. visto que a função do Ministério Público é propiciar a correta aplicação da lei e. mas se desenvolve por impulso oficial” e 130: “Caberá ao juiz de ofício ou a requerimento da parte. Assim. se o interesse do menor for contra a lei. . efeito expansivo. pois o que se visa. nos casos e forma legais” e. O juízo destinatário do recurso somente poderá julgar o que o recorrente tiver requerido nas suas razoes de recurso. É esse pedido de nova decisão que fixa os limites e o âmbito de devolutividade de todo e qualquer recurso (tantum devolutum quantum apellatum) 68) O tanto devolvido é o quanto apelado. o que não foi impugnado não pode ser objeto de recurso. ultra ou citra petita. igualmente.

solidariedade ativa ou passiva (CPC 509). sendo conhecido opera-se o efeito substitutivo do recurso. Não sendo conhecido. ações de despejo. consignação em pagamento. independente de terem sido objeto de recurso. conhecido. infra ou ultra petita. p. não haverá efeito substitutivo. recurso ordinário constitucional. assim.. mesmo sendo conhecido o recurso. 75) Só matérias de ordem pública podem ser conhecidas de ofício. Error in procedendo = erro no proceder (vício de forma) b.ex. deve-se se observar o disposto na legislação. só haverá efeito substitutivo se o recurso for provido (recurso de mérito negativo). 79) Se se tratar o recurso de error in procedendo.g. só a elas se aplica o efeito translativo. não sofrem efeitos suspensivos. ao menos. visto que haverá prolação de nova sentença (CPC 512). Há casos em que o sistema processual autoriza o órgão ad quem julgar fora do que consta das razões ou contra-razões do recurso. 78) O efeito substitutivo do recurso consiste na substituição da decisão recorrida pela decisão do recurso necessário. trata-se de matérias que podem ser conhecidas de ofício a qualquer tempo e grau de jurisdição. Error in judicando = erro no julgar (vício de conteúdo) . 74) É uma exceção ao efeito devolutivo. v. ocorrerá o efeito substitutivo. o conhecimento destas não configurará sentença citra. sempre que for conhecido. destarte. evidentemente. em nenhuma das hipóteses acima arroladas.. portanto. 77) Quando houver contradição de interesses. 76) Consiste na possibilidade da eficácia prática da decisão do recurso afetar quem não tenha sido sujeito deste (recorrente ou recorrido).com 30 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 73) Não. Sendo improvido haverá anulação da sentença. que o recurso seja. Expandemse.g. pois.www. duas fábricas uma imputando a outra responsabilidade por poluição sonora. se houver reforma valerá o acórdão. se não houver reforma valerá a confirmação da sentença.. etc. Sendo o juízo de mérito sobre error in judicando. visto que haverá substituição da decisão recorrida pela decisão do recurso. v.direitofacil. e que. os efeitos dos recursos para pessoas que deles não participaram. 80) a. e não reforma. independente de ser dado ou não provimento.

nem sempre há identidade de pedidos.direitofacil. 88) Sim. Sendo o recurso uma fase do processo não pode o seu rito ser misto (parte de uma lei e parte de 22 23 Qual lei é aplicável no tempo.www. o pedido do recurso adesivo pode ser diverso do pedido do principal. O que se busca com a remessa necessária é a confirmação da decisão e não sua reforma. caso esta o tenha interposto. 84) Recurso adesivo é aquele que cabe à parte que não apelou nos 15 dias de prazo. Assim. subordinando-o ao recurso da parte contrária (recurso principal). o oferecimento de recurso adesivo não desobriga a apresentação de contra razoes. também. não é resposta a este. inadmitido o principal sucumbirá o adesivo (CPC 500. aplica-se o princípio tempus regit actum 23 (princípio da aplicabilidade imediata). implica. 87) Sim. no direito material a lei aplicada é a lei do tempo do fato.com 31 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 81) Vide questão 80. inclusive. na desistência ao recurso adesivo. mas apenas a translação de toda a matéria constante da sentença para o tribunal superior para que reexamine tudo o que foi pedido na instância superior. possibilitando que a parte venha no prazo de oferecimento da resposta principal. . mas como uma adesão à oportunidade recursal aproveitada pelo oponente. Este recurso será dependente do principal. Como regra geral o processo civil. 86) Sendo intimado para contra-razões oferecerá. recurso adesivamente. pois embora o recurso adesivo seja dependente do recurso principal. não tendo vida autônoma. A desistência da parte ao recurso principal. 82) Vide questão 80. conforme o princípio de que o acessório segue o principal. 85) A finalidade do recurso adesivo é reduzir o número de recursos interpostos. 89) Sim. mas o recurso adesivo é acessório em relação ao principal. o recorrido. pois. pois na remessa necessária não há pedido de ninguém. O termo "adesivo" deve ser compreendido não como uma adesão ao recurso interposto pela parte contrária. 90) Em sede recursal a matéria de direito intertemporal22 é um pouco diversa da primeira fase. 83) Não. interpor recurso adesivamente. I). A lei do tempo rege o ato.

com 32 outra). embargos 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari infringentes e embargos de declaração. a execução passa a ser uma fase do processo de conhecimento. 2ª) quanto ao rito de processamento do recurso (procedimento) a ser seguido se aplicará a espécie a lei vigente no momento da interposição. 267 e 269 desta lei”.direitofacil. embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário. . 162 CPC é “ato do juiz que implica algumas das situações previstas nos arts. Ou recurso inominado. portanto. 24 25 Deve-se usar uma só lei para reger o procedimento. 27 CPC 269. agravo e suas espécies. 93) Reforma ou invalidação da sentença. 26 CPC 267. recurso extraordinário. pois. 1ª) quanto ao cabimento do recurso aplica-se à lei da época da publicação da decisão recorrida (data da publicação da decisão). também os atos que extinguem o processo sem julgamento de mérito (CPC 267) são considerados sentenças e. 95) Todo ato decisório que resolve questão incidente é agravável. Não cabe apelação oral28. devendo ser observado o princípio da unidade recursal24. 97) O prazo é de 15 dias na forma do 508 CPC. Contado da intimação da decisão. 92) A apelação25 foi o primeiro dos recursos. não pondo termo ao processo. recurso especial. Aplicam-se as regras de prazo dobrado para aqueles que têm prerrogativa para tal (CPC 188) apenas para recorrer e não para contra-razoar. É a mais primordial e mais antiga de todas as espécies recursais.www. 96) A apelação inicia-se com uma petição recursal escrita. 91) Recursos em espécie: apelação. Todo ato que dá resolução da pretensão exposta na ensila ou na contestação é sentença. mas apenas um estágio do processo (fase de execução). nesse último caso o prazo é comum. 94) Não. Havendo alteração da lei no curso do processo observar-se-á a seguintes regras. visto não ser a execução uma ação autônoma. como sentença na definição do art. recurso ordinário. 28 Sendo a apelação oral faltar-lhe-á o pressuposto de admissibilidade genérico de regularidade formal. A apelação se dirige a reforma ou invalidação de sentenças (terminativa26 ou definitiva27). deriva da apellatio do direito romano. apeláveis.

100) recursos. 99) É indispensável que a petição venha acompanhada de razões em observância ao princípio da complementaridade. As razões recursais podem ser una (razões e interposição) ou em petição de apelação anexa as razões recursais (prática forense). As partes (apelante e apelado) fazendo parte da primeira fase do recurso não precisaram ser novamente qualificadas. 2) indicação do órgão competente para conhecimento do recurso. pois está ainda não foi feita. por não estar ele (terceiro) nos autos.com 33 101 Perguntas Sobre Teoria Geral dos Recursos – Márcia Pelissari 98) A petição escrita deverá ser interposta ao juízo a quo. greve no banco.ex. A apelação é juntada aos autos. bastando citar “as partes já devidamente qualificadas nos autos”. sob pena de inadmissão (falta de regularidade formal). 5) conter o pedido de reforma ou invalidação da decisão29. 3) qualificação das partes do recurso (recorrente e recorrido). . nesta hipótese não há como se efetuar o pagamento (CPC 519). 29 Objeto do recurso = pedido da parte recorrente.www. No recurso de terceiro prejudicado. O pedido deverá ser certo e poderá ser de reforma da decisão (error in judicando) ou de nulidade da sentença (error in procedendo). 101) Sim. contendo: 1) juízo ao qual é dirigida. deverá haver a exposição de fato e de direito. haverá necessidade de qualificação. havendo justo impedimento pode-se devolver o prazo para Os mesmos pressupostos genéricos de admissibilidade dos preparo do recurso. p. 4) exposição dos fatos e do direito que fundamentam a pretensão (princípio da dialeticidade).direitofacil.