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Ética e Responsabilidade
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro da sociedade.

2. CONCEITO
Ética - do gr. ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989) Responsabilidade - do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO
3.1. ANTIGUIDADE Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento

Sócrates dizia que a virtude é conhecimento. fundamentalmente. enquanto a Ética é especulativa. A Moral. IDADE MODERNA Kant. especificamente o Catolicismo. à variante. a Moral. há uma relação entre ambas. a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu. torna-se o grande arauto de uma nova ética. ÉTICA E MORAL Ética . Nesse período. a Ética. o quebra tudo. a liberdade. O Pai. procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal.ético. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão. Pode-se dizer. e o vício. referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas. estuda a ética do ângulo dos valores. é mais específica. Müller. 1965) 4. que penetram na ética axiológica. somente a educação pode tornar o homem moralizado. mas nos valores éticos. e que a virtude é o caminho dessa felicidade. Contudo. ou seja.2. As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. Sócrates. Contudo. Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes. A Ética. os valores éticos são condicionados pela religião cristã. Para os protestantes. que distorcem a pureza do cristianismo primitivo. Ortega y Gasset etc.do grego ethos significa comportamento. análogas à forma do bem. Não espera algo de fora. a ética não é baseada na revelação. A revelação religiosa pertence à religião. (Santos. que é filho e Deus ao mesmo tempo. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina. Kant dá prosseguimento à construção da própria moral. é mais abrangente. e esta implica.do latim mores. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. refere-se à norma invariante. Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma. a ética do amor ao próximo. Porém. convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa. examinados e procurados de per si. Jesus. essencialmente. que a Ética é a ciência da Moral. A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego. Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. de acordo com Sócrates. 3. Aristóteles deu à ética bases seguras.. o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. tão longe quanto lhe seja possível alcançar. Depois destes. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes. Moral . pela especulação da Lei. Então.3. isto é. é o resultado da ignorância. Como vemos. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores. IDADE MÉDIA Na Idade Média. ou seja. Ética e Moral distinguem-se. 3. costumes. surge nesse contexto. pois a . surgem Scheller (1874-1928) . dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo.

a obediência aos . o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão. sobretudo quando esses direitos são espezinhados. já estão determinadas de uma forma. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida. Nomos vem do verbo nemo que significa dividir. A autonomia. mas que podem ser assumidas de outra forma. Sua origem etimológica encontra-se no termo nomos de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. Deus seria o autor da norma. COMPORTAMENTO ÉTICO A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. Liga-se. assim. (Nogueira. A ação humana. O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma. semelhante à do eremita no deserto. devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. assim. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem. A vivência. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE A autodeterminação expressa a essência do ser. que são especificamente diferentes do que podem ser. tem como objetivo o interesse público. Por isso. embora restrita à responsabilidade pessoal. Dessa forma.sistematização da segunda tem íntima relação com a primeira. É o poder que temos de atualizar nossas virtualidades. isto é. isto é. 1965) 5. é uma exceção. Em realidade. sugerindo a idéia de justiça. (Santos. mas são os aspectos psicológicos. se inativas. mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. Segundo Sócrates. é a criação de condições para que o outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado. ideológicos. Se ativas. que se eleva acima do consenso da opinião da multidão. não é agir de qualquer jeito. isto é. mas se consolida pelo contato entre os seres humanos. Deixarse guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo. não se realiza na solidão. mas defenderei o direito de você dizê-lo até o fim". É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. veio de fora do "eu". O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. Assim. A lei é o farol da ética. O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto. sabemos que estão em ato sob uma forma. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na transcendência do outro. O pensamento científico auxilia. as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos. generosa. as ações individuais no cumprimento dos deveres. As virtualidades podem ser ativas e passivas. religiosos e filosóficos que emprestam o maior peso à nossa deliberação na vida. mas de forma ordenada. surge das tensões das circunstâncias. que promova a pessoa e os direitos do outro. Voltaire afirma com veemência: "Não concordo com o que você diz. repartir com outro. Filosofia e Religião. a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma. a tolerância para com as faltas alheias. 1989) 6. Para os cristãos.

ed. dos. NOGUEIRA. o de realizar. não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana. imposto pela sua consciência. 8. 7. 3. SP. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. de H. tempo.. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. Acostumados a confundir os meios com os fins. exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não. Implica. liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física. São Paulo. s/d/p. e mais concretamente a liberdade moral. J. a reacção é diferente da acção. a obediência à vontade de Deus. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características. diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá -los sem coacções extremas. logo. É de carácter racional. F. o dever. Ética e Responsabilidade Pessoal. é condicionada e situada.C. a perfeição de sua natureza. Situada porque se realiza dentro da circunstância. A liberdade humana (pode chamar -se assim porque é de carácter racional e. Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). o silêncio ante uma ofensa recebida. liberdade civil. pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo. porque cada u m de nós só é livre com os outros. a liberdade.superiores em uma hierarquia. FERREIRA. conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico. M. B. A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência. Campinas. O exercício da liberdade exige reflexão e. muitas vezes. sociedade em que vivemos. de. logo. Rio de Janeiro. primeiro que tudo. Papirus. pois. pelo exercício de sua liberdade.E. A. . SANTOS. liberdade de expressão«). 1989. Por isso.J. Filosoficamente. Matese. Rio de Janeiro.. visto que não vivemos sozinhos no mundo. mundo. de S. visto que a primeira é imediata face a um estímulo. É também uma liberdade solidária. contrariando a própria. psicológicas«). quero ou não quero. No senso comum. a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. 1965. B. F. Por isso. CONCLUSÃO A Ética. a palavra responsabilidade também vem do latim ( respondere) e significa ser capaz de comprometer -se. In MORAIS. M. Filosofia. o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. O fim do homem é. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA y y y y ÁVILA. 1967. R. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Esta liberdade não é absoluta. Etimologicamente. C. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condici onantes (físicas. Nova Fronteira. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário. se assim delimitar.

que acaba por ser um desmembramento da responsabilidade penal. visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo . Os autores de cada área buscam. compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. com consciência. A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis.A responsabilidade moral é. durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados). A princípio. É reconhecermo -nos nos nossos actos. o que vai de encontro à própria definição de liberdade. com especial atenção dada às duas primeiras. se alguma. O mesmo ato danoso pode gerar mais de um tipo de responsabilidade. visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. se não agirmos livremente. A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalme nte. a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa. pouca. e só podemos ser responsáveis se formos livres. conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta). de assumirmos os nossos actos. A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional. e ao mesmo tempo uma obrigação moral. por sua vez. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Revista Artigo Os diversos tipos de responsabilidade jurídica Marcelo Azevedo Chamone Elaborado em 07/2008. sendo ainda comum a referência a um terceiro tipo: administrativa [01]. não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos. Além disso. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente. uma capacidade. com variados graus de sucesso. delimitar cada uma delas. é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção. Página 1 de 1 Desativar Realce a A Fala-se em basicamente em dois tipos de responsabilidade: civil e penal. distinção essencial pode ser identificada. Por outro lado. sem que seja possível separar .

estèticamente repartidas e catalogadas. a diferenciação se faria pelo órgão que aplica a sanção. como faz Magalhães Noronha (1967. Teixeira de Freitas (2003. isto é. p. o que diferencia uma sanção civil de uma penal? Classificar. p. afirma que toda lesão individual também atinge a ordem social. afinal. 64). 71). LXII) entende . as divisas entre o mundo vegetal e o animal nem sempre são nítidas. 18). no entanto à posição de Aguiar Dias (1960. Mas.. p. como faz Marcos Bernardes de Mello (2003. p. e civil se o dano for privado. Para o autor. outrossim. à feição do que se poderia denominar parnasianismo jurídico" (Brossard. p. 121). ex. a categoria hoje reconhecida de direitos difusos e coletivos torna essa distinção inidônea. Também Basileu Garcia (1968. Magalhães Noronha (loc. Código Brasileiro de Aeronáutica. p. e nem mesmo a responsabilidade administrativa. 17-18) situa a divisão em haver interesse público ou meramente individual. Aderimos. p. apoiado na lição de Merkl. pois frequentemente a lesão a um mesmo bem jurídico pode gerar mais de um tipo de responsabilização. p. é dizer nada. "no regime jurídico a que a repulsa estiver subordinada". pois. Tampouco é útil tentar construir uma diferenciação com base no bem jurídico lesado. no elenco das instituições nem sempre é fácil distribuí-las em categorias estanques. 243-244). a responsabilidade penal com base na "sanção abstratamente cominada". por identificar a divisão na gravidade da violação à ordem jurídica.) acaba. de modo que a responsabilidade será penal se houver dano à ordem social. para quem a diferença estaria em que na responsabilidade penal se busca uma punição. p. Assim é que Régis de Oliveira (2005. nega a haveria qualquer diferença ontológica entre as responsabilidades civil e penal. De forma semelhante. Aguiar Dias (1960. 1964. enquanto a penal tem um "caráter especificamente preventivo ou particularmente reparador". enquanto na responsabilidade civil uma reparação. com Pontes de Miranda. Textos relacionados y y y y y Convenção de Varsóvia. Os Mazeaud (1931.que parte do ato leva a que tipo de responsabilidade. p. Ademais. conclusão a que. 5-8) fazem a distinção com base na repercussão da lesão. Para Zaffaroni et al (2004. 19-20). p. 99) essa linha estaria no caráter da sanção ± a sanção civil proviria uma prevenção e reparação ordinária. p. cit. atingindo pessoa determinada. também chegam os Mazeaud (loc. 1964. à sociedade como um todo. no plano biológico.). então. 17-18) rejeita esta distinção. ou como aquela definida pela lei penal. Código de Defesa do Consumidor e extravio de bagagem Considerações sobre o adultério virtual A responsabilidade civil das instituições financeiras A responsabilidade civil aplicada às perícias médicas judiciais A responsabilidade civil das ferrovias e suas determinantes para o rompimento do nexo causal "Se. da mesma forma. como faz Frederico Marques (apud Brossard. cit.

a que a lei comina sanções igualmente mais gravosas. 458). ou crimes em sentido lato): crimes em sentido estrito ± ofensas graves a interesses juridicamente protegidos de alto valor. 2. José Afonso. "que a Administração Pública exerce sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade" (Hely Lopes Meirelles. entende-se que a sanção administrativa . 2004. Responsabilidade administrativa A responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas. distinguindo-se pela natureza das sanções e pelos fins que cada um persegue.que é a "sancção da pena" que "estrema as Leis Criminaes das Leis Civis". 1997. Todos os entes estatais possuem poder de polícia referentemente à matéria que lhes cabe regular. Na esfera penal o princípio da legalidade se faz presente com intensidade máxima. na definição de Welzel (apud Zaffaroni et al. se houver prévia cominação em lei. que têm por fim último a prevenção e a retribuição do ato-fato criminoso e. acrescendo ainda que "as disposições criminaes são a sancção inseparavel das disposições civis" (2003. Tanto o direito penal como o direito administrativo. principalmente. 101). 1. p. inerente à Administração dos entes políticos. Dentre esses poderes. Responsabilidade penal A responsabilidade penal tem como fundamento e objetivo a manutenção da paz social. i. 2004. somente há apenamento para a conduta. 2004. José Afonso. veiculados por meio de ações condenatórias. 484-485). apenas reveladoras de perigo. e contravenções ± condutas menos graves. 1996. 304-305). 435-436).e. Hely Lopes Meirelles. lesionando o bem jurídico tutelado (tipicidade penal) (cf. p. p. a ressocialização do infrator. é de especial interesse o poder de polícia administrativa. [03] Assim. sua readequação social. A nossa legislação trata de duas categorias diferentes de infrações penais (ou delitos. de modo a evitar a bellum omnium contra omnes. a que a lei comina sanções de pequena monta (cf. nos limites das respectivas competências institucionais (cf. p. sujeitando o infrator a uma sanção de natureza também administrativa. segundo a orientação legislativa corrente. p. no que se refere aos poderes disciplinar e de polícia.. A responsabilização penal se restringe às sanções próprias do Direito Penal. resultando na imposição de uma sanção punitiva. somente sendo admissível o enquadramento de determinada conduta como delito penal (tipicidade) se a conduta for legalmente proibida e violar a norma [02]. p. 1996. economicamente viável e pacífica (Darlan Bittercourt et al. p. p. 301. 2004. são direitos sancionatórios. 57). visando a estabilidade social. tal como na esfera penal. 114). Zaffaroni et al. de que resultam danos ou perigos próximos. da mesma forma. ela se fundamenta na capacidade que as pessoas jurídicas de direito público têm de impor condutas ao administrado ± é o poder administrativo.

e excepcionalmente a culpa. onde haverá contraditório e ampla defesa. 2ª ed. A aplicação de sanção administrativa. Direito penal. art. 740. Tereza Pizzaro. p. 35. Bibliografia BELEZA. Régis de Oliveira. enquanto parte desta Administração". 927. o nosso sistema agasalha um sistema que vem sendo chamado de dúplice. XLV).e. "delito administrativo será somente o descumprimento de uma obrigação positiva que o cidadão tem para com a Administração enquanto membro da sociedade e. vol. Hoje. 5º. definindo pena e sanção administrativa por sua essência. São Paulo: RT. deve necessariamente ser precedida de processo administrativo. transmitindo-se tão somente a sanção de natureza reparatória (cf. sendo desnecessária a demonstração do dolo. 4. Para Goldschmidt (apud Régis de Oliveira. com duas regras gerais: uma de responsabilidade subjetiva (CC. a evolução levou à ampla aceitação da idéia de responsabilidade objetiva para casos determinados a partir da previsão casos específicos de presunção de culpa e de responsabilidade sem culpa. Lineamentos da responsabilidade civil ambiental. p. 53-95. observando-se o devido processo legal (CF. Partindo de um sistema onde a regra era a responsabilidade subjetiva. MARCONDES. In: Revista dos tribunais. Ricardo Kochinski. Responsabilidade civil A responsabilidade civil impõe ao agente a obrigação legal de tornar indene a vítima do dano. Atualmente. enquanto na responsabilidade penal. Na responsabilidade civil encontramos o regime menos estrito de todos.). jun/1997. 2005. para a responsabilidade civil bastava a caracterização da culpa.. LV). reparar o dano ou ressarcir o prejuízo causado por sua conduta antijurídica. tal como a penal. Lisboa: AAFDL. possa ser expresso em valores monetários. 2005. 186) e outra de responsabilidade objetiva (art. BITTENCOURT. portanto. ainda que. p. art. para fins de indenização.de natureza punitiva não deve passar ao sucessor do infrator (CF 5º. 3. i. ao contrário do que lecionava a doutrina clássica. 46-47). n. §ú). Darlan Rodrigues. 1.. . 1985. e administrativa. o dano a ser reparado não será necessariamente da ordem patrimonial. via de regra somente se sanciona o dolo.

p. Porto Alegre: Livraria do Globo. Direito administrativo brasileiro. O impeachment. Ed. São Paulo: RT. São Paulo: Max Limonad. Germano Marques da. 4ª ed. 2v. Há ainda quem fale em responsabilidade política quanto aos crimes de responsabilidade e. Teoria do fato jurídico: plano da existência. 2004. MEIRELLES.BROSSARD. Infrações e sanções administrativas. vol. ex.. pois ainda que quando julgado pelo Legislativo a decisão seja . 1967. 2005. 12ª ed. PIERANGELI. 5ª ed. 1968. Direito penal português. José Henrique. Paulo. t. São Paulo: Saraiva. v. 2v.. 1. 1970. A primeira nos parece descabida. José de Aguiar. 2001. 4ª ed.. Direito ambiental constitucional. Régis Fernandes de. PONTES DE MIRANDA. Já quanto ao crime de responsabilidade. III.. Consolidação das leis civis. Lisboa: Verbo. 2ª ed. Instituições de direito penal. 1. p. 1996. MELLO. 4ª ed. 1970. 2003. Francisco Cavalcanti.. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle F. Comentários à Constituïção de 1967 com a emenda nº 1 de 1969. 2003. prevalecem os entendimentos de que seja de natureza política (Brossard. Augusto Teixeira de. Notas 1.. Brasília: Senado Federal.. São Paulo: RT. 1931. São Paulo: Malheiros. Paris: Recueil Sirey. criminal (Pontes de Miranda. José Afonso da.. vol. Rio de Janeiro: Forense. FREITAS. SILVA. MAZEAUD. 1964). São Paulo: RT. Basileu. Traité théorique et pratique de la responsabilité civile délictuelle et contractuelle. ZAFFARONI. fac-similar.. Magalhães. 355). Manual de direito penal brasileiro ± parte geral. Hely Lopes. Direito penal. 1964.º. 1. ou ainda mista (José Frederico Marques. Da responsabilidade civil. SILVA. OLIVEIRA. vol. 2004. por Eurico de Andrade Azevedo. MAZEAUD. nos sistemas parlamentaristas. São Paulo: Malheiros. 5ª ed. NORONHA. e não tem qualquer relação com a categoria ora estudada. 64). São Paulo: Saraiva. Léon. GARCIA. 3v. Eugenio Raúl. Henri. à moção de desconfiança.. apud Brossard. 1. atual. 2ª ed. não é pacífica a sua natureza. p. 2ª ed. DIAS. Marco Bernardes de. 1960. Esta última é completamente não-jurídica. 21ª ed. E.

insindicável em seu mérito. como elas reprovam e procuram prevenir faltas idênticas por parte de quem quer que seja obrigado a deveres disciplinares e especialmente daquele que os violou. além de prever sanções que não apenas a perda do cargo público. por ser ele a espécie mais trabalhada. verificase se o bem lesado estava juridicamente protegido no caso concreto. Ainda segundo o mesmo autor. Cf. por aquilo que mais convenha ao seu desempenho actual e futuro" (p. Germano Marques da Silva. p. É por isso que a doutrina. menos enfaticamente. o direito penal administrativo ou o chamado direito penal económico) num género mais vasto a que costuma chamar-se µdireito repressivo¶ ou. 1985. 2.Lei nº 201/1967). 3. . que não pressupõe ilícito e nem dano. 2001. 61).e. adaptada. diversamente da verdadeira responsabilidade política. e que tem como única conseqüência a perda do cargo político. somente terá cabimento a condenação quando fundamentada em uma das hipóteses previstas em lei (Lei nº 1079/1950 e Dec. i. de tais ideias e princípios ao direito disciplinar" (Teresa Pizarro Beleza. 144. Mas aquelas sanções têm essencialmente em vista o interesse da função que defendem e a sua actuação repressiva e preventiva é condicionada pelo interesse dessa função. µdireito sancionatório de carácter punitivo¶. p. tem defendido a aplicação. Este ramo mais vasto é naturalmente dominado pelas ideias e princípios do direito penal. ainda que com resistências esporádicas. "Tendo embora um carácter menos agressivo que o direito penal. 145). o direito disciplinar integra-se com ele e com alguns outros ramos (como o direito de mera ordenação social. "as sanções disciplinares têm fins idênticos às das penas criminais. O termo norma é utilizado como o resultado do diálogo entre as regras proibitivas e as preceptivas e fomentadoras de determinada conduta.

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