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Ética e Responsabilidade
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro da sociedade.

2. CONCEITO
Ética - do gr. ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989) Responsabilidade - do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO
3.1. ANTIGUIDADE Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento

surge nesse contexto. a liberdade. procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. Para os protestantes. essencialmente. de acordo com Sócrates. mas nos valores éticos. convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa. Não espera algo de fora. Müller. há uma relação entre ambas. costumes. fundamentalmente. essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes. pela especulação da Lei. 3. isto é. somente a educação pode tornar o homem moralizado. e esta implica. e que a virtude é o caminho dessa felicidade. que penetram na ética axiológica. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão. a Moral. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal. ou seja. Sócrates. a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu.do grego ethos significa comportamento. especificamente o Catolicismo. Depois destes. Contudo. a Ética. Porém.do latim mores. Moral . o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. é mais abrangente. Então. 3. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores. no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo. Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. IDADE MÉDIA Na Idade Média. Ortega y Gasset etc. estuda a ética do ângulo dos valores. A revelação religiosa pertence à religião. Jesus. A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego.2. torna-se o grande arauto de uma nova ética. Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma. a ética do amor ao próximo.ético. dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. é o resultado da ignorância. a ética não é baseada na revelação. O Pai. que a Ética é a ciência da Moral. que é filho e Deus ao mesmo tempo. 1965) 4. A Moral. A Ética. é mais específica. e o vício. à variante. o quebra tudo. Nesse período. enquanto a Ética é especulativa. Como vemos. ÉTICA E MORAL Ética . referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas.3. examinados e procurados de per si.. refere-se à norma invariante. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes. Ética e Moral distinguem-se. Aristóteles deu à ética bases seguras. Contudo. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina. Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. surgem Scheller (1874-1928) . análogas à forma do bem. Pode-se dizer. IDADE MODERNA Kant. ou seja. (Santos. Sócrates dizia que a virtude é conhecimento. que distorcem a pureza do cristianismo primitivo. a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. pois a . tão longe quanto lhe seja possível alcançar. os valores éticos são condicionados pela religião cristã. Kant dá prosseguimento à construção da própria moral.

Segundo Sócrates. Sua origem etimológica encontra-se no termo nomos de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. semelhante à do eremita no deserto. repartir com outro. Nomos vem do verbo nemo que significa dividir. Filosofia e Religião.sistematização da segunda tem íntima relação com a primeira. Deus seria o autor da norma. O pensamento científico auxilia. (Santos. mas defenderei o direito de você dizê-lo até o fim". veio de fora do "eu". O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma. As virtualidades podem ser ativas e passivas. a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma. 1989) 6. devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. as ações individuais no cumprimento dos deveres. as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos. Deixarse guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo. já estão determinadas de uma forma. isto é. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. não se realiza na solidão. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida. Liga-se. Se ativas. mas que podem ser assumidas de outra forma. sugerindo a idéia de justiça. A ação humana. sabemos que estão em ato sob uma forma. isto é. surge das tensões das circunstâncias. que são especificamente diferentes do que podem ser. Dessa forma. É o poder que temos de atualizar nossas virtualidades. mas de forma ordenada. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE A autodeterminação expressa a essência do ser. Para os cristãos. Voltaire afirma com veemência: "Não concordo com o que você diz. A autonomia. ideológicos. COMPORTAMENTO ÉTICO A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. que promova a pessoa e os direitos do outro. assim. é a criação de condições para que o outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado. Por isso. Em realidade. é uma exceção. a tolerância para com as faltas alheias. O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto. Assim. assim. se inativas. sobretudo quando esses direitos são espezinhados. não é agir de qualquer jeito. A lei é o farol da ética. 1965) 5. religiosos e filosóficos que emprestam o maior peso à nossa deliberação na vida. (Nogueira. o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão. isto é. mas se consolida pelo contato entre os seres humanos. para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. tem como objetivo o interesse público. A vivência. a obediência aos . que se eleva acima do consenso da opinião da multidão. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na transcendência do outro. mas são os aspectos psicológicos. generosa. embora restrita à responsabilidade pessoal.

Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. s/d/p.. quero ou não quero. ed. Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). 1989. o dever. O fim do homem é. São Paulo. Matese.. o silêncio ante uma ofensa recebida. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. visto que a primeira é imediata face a um estímulo. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condici onantes (físicas. É de carácter racional. de H. Filosoficamente. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário. R. 7. visto que não vivemos sozinhos no mundo. Ética e Responsabilidade Pessoal. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. B. 1965. Acostumados a confundir os meios com os fins. SP. liberdade civil.superiores em uma hierarquia. o de realizar. Situada porque se realiza dentro da circunstância. a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. liberdade de expressão«). É também uma liberdade solidária. J. e mais concretamente a liberdade moral. a reacção é diferente da acção. a liberdade. de. Rio de Janeiro. é condicionada e situada. pelo exercício de sua liberdade. diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá -los sem coacções extremas. muitas vezes. logo. In MORAIS. FERREIRA. pois. Esta liberdade não é absoluta. Rio de Janeiro. . 3. se assim delimitar. Nova Fronteira. não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana. sociedade em que vivemos. psicológicas«). CONCLUSÃO A Ética. exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não. A liberdade humana (pode chamar -se assim porque é de carácter racional e. Filosofia. SANTOS. tempo. de S. liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física. C. imposto pela sua consciência. F. O exercício da liberdade exige reflexão e. Etimologicamente. Por isso. a palavra responsabilidade também vem do latim ( respondere) e significa ser capaz de comprometer -se. logo. Campinas. 1967. conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico.J. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. contrariando a própria. mundo. a obediência à vontade de Deus. Por isso. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA y y y y ÁVILA.E. primeiro que tudo. Implica. F. dos. M. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características. Papirus.C. A. NOGUEIRA. A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência. 8. No senso comum. B. a perfeição de sua natureza. pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo. M. porque cada u m de nós só é livre com os outros.

que acaba por ser um desmembramento da responsabilidade penal.A responsabilidade moral é. por sua vez. de assumirmos os nossos actos. Por outro lado. sem que seja possível separar . É reconhecermo -nos nos nossos actos. o que vai de encontro à própria definição de liberdade. visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo . Além disso. A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente. não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos. compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. Os autores de cada área buscam. conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta). delimitar cada uma delas. durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados). com especial atenção dada às duas primeiras. A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalme nte. A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis. sendo ainda comum a referência a um terceiro tipo: administrativa [01]. com consciência. é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção. Página 1 de 1 Desativar Realce a A Fala-se em basicamente em dois tipos de responsabilidade: civil e penal. distinção essencial pode ser identificada. visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. O mesmo ato danoso pode gerar mais de um tipo de responsabilidade. com variados graus de sucesso. se alguma. e ao mesmo tempo uma obrigação moral. A princípio. e só podemos ser responsáveis se formos livres. pouca. se não agirmos livremente. uma capacidade. a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Revista Artigo Os diversos tipos de responsabilidade jurídica Marcelo Azevedo Chamone Elaborado em 07/2008.

por identificar a divisão na gravidade da violação à ordem jurídica. 17-18) situa a divisão em haver interesse público ou meramente individual. Aguiar Dias (1960. outrossim. no entanto à posição de Aguiar Dias (1960. isto é. atingindo pessoa determinada. o que diferencia uma sanção civil de uma penal? Classificar. cit. 17-18) rejeita esta distinção. Para o autor. p. enquanto na responsabilidade civil uma reparação. e civil se o dano for privado. ou como aquela definida pela lei penal.que parte do ato leva a que tipo de responsabilidade. também chegam os Mazeaud (loc. conclusão a que. a responsabilidade penal com base na "sanção abstratamente cominada". 18). no plano biológico. Para Zaffaroni et al (2004. Código Brasileiro de Aeronáutica. da mesma forma. Código de Defesa do Consumidor e extravio de bagagem Considerações sobre o adultério virtual A responsabilidade civil das instituições financeiras A responsabilidade civil aplicada às perícias médicas judiciais A responsabilidade civil das ferrovias e suas determinantes para o rompimento do nexo causal "Se. p. 71). Aderimos. de modo que a responsabilidade será penal se houver dano à ordem social. as divisas entre o mundo vegetal e o animal nem sempre são nítidas. com Pontes de Miranda. então.) acaba. à feição do que se poderia denominar parnasianismo jurídico" (Brossard. p. 19-20). Teixeira de Freitas (2003. p. Assim é que Régis de Oliveira (2005. p. e nem mesmo a responsabilidade administrativa.). LXII) entende . nega a haveria qualquer diferença ontológica entre as responsabilidades civil e penal. 99) essa linha estaria no caráter da sanção ± a sanção civil proviria uma prevenção e reparação ordinária. afirma que toda lesão individual também atinge a ordem social. estèticamente repartidas e catalogadas. afinal. 5-8) fazem a distinção com base na repercussão da lesão. p. Ademais. no elenco das instituições nem sempre é fácil distribuí-las em categorias estanques.. 121). 243-244). à sociedade como um todo. é dizer nada. como faz Marcos Bernardes de Mello (2003. como faz Magalhães Noronha (1967. p. Textos relacionados y y y y y Convenção de Varsóvia. Os Mazeaud (1931. como faz Frederico Marques (apud Brossard. p. pois frequentemente a lesão a um mesmo bem jurídico pode gerar mais de um tipo de responsabilização. Também Basileu Garcia (1968. a diferenciação se faria pelo órgão que aplica a sanção. 64). Mas. Magalhães Noronha (loc. p. apoiado na lição de Merkl. p. para quem a diferença estaria em que na responsabilidade penal se busca uma punição. 1964. a categoria hoje reconhecida de direitos difusos e coletivos torna essa distinção inidônea. "no regime jurídico a que a repulsa estiver subordinada". p. enquanto a penal tem um "caráter especificamente preventivo ou particularmente reparador". pois. 1964. p. De forma semelhante. ex. Tampouco é útil tentar construir uma diferenciação com base no bem jurídico lesado. cit.

no que se refere aos poderes disciplinar e de polícia. 2004. 2.e. A nossa legislação trata de duas categorias diferentes de infrações penais (ou delitos. p. i. 2004. da mesma forma. p. Todos os entes estatais possuem poder de polícia referentemente à matéria que lhes cabe regular. 1997. Responsabilidade penal A responsabilidade penal tem como fundamento e objetivo a manutenção da paz social. 2004. sua readequação social. 304-305). 1. apenas reveladoras de perigo. 114).que é a "sancção da pena" que "estrema as Leis Criminaes das Leis Civis". segundo a orientação legislativa corrente. somente há apenamento para a conduta. que têm por fim último a prevenção e a retribuição do ato-fato criminoso e. "que a Administração Pública exerce sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade" (Hely Lopes Meirelles. p. principalmente. p. 435-436). economicamente viável e pacífica (Darlan Bittercourt et al. na definição de Welzel (apud Zaffaroni et al. 484-485). a que a lei comina sanções igualmente mais gravosas. 101). resultando na imposição de uma sanção punitiva. Responsabilidade administrativa A responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas. distinguindo-se pela natureza das sanções e pelos fins que cada um persegue. entende-se que a sanção administrativa . de modo a evitar a bellum omnium contra omnes. a ressocialização do infrator. Tanto o direito penal como o direito administrativo.. 57). 1996. 301. 458). são direitos sancionatórios. p. Na esfera penal o princípio da legalidade se faz presente com intensidade máxima. lesionando o bem jurídico tutelado (tipicidade penal) (cf. Dentre esses poderes. se houver prévia cominação em lei. sujeitando o infrator a uma sanção de natureza também administrativa. somente sendo admissível o enquadramento de determinada conduta como delito penal (tipicidade) se a conduta for legalmente proibida e violar a norma [02]. acrescendo ainda que "as disposições criminaes são a sancção inseparavel das disposições civis" (2003. A responsabilização penal se restringe às sanções próprias do Direito Penal. ela se fundamenta na capacidade que as pessoas jurídicas de direito público têm de impor condutas ao administrado ± é o poder administrativo. nos limites das respectivas competências institucionais (cf. ou crimes em sentido lato): crimes em sentido estrito ± ofensas graves a interesses juridicamente protegidos de alto valor. p. a que a lei comina sanções de pequena monta (cf. de que resultam danos ou perigos próximos. p. p. Zaffaroni et al. e contravenções ± condutas menos graves. José Afonso. Hely Lopes Meirelles. [03] Assim. é de especial interesse o poder de polícia administrativa. José Afonso. veiculados por meio de ações condenatórias. inerente à Administração dos entes políticos. visando a estabilidade social. tal como na esfera penal. 1996. 2004.

. ainda que. tal como a penal. e excepcionalmente a culpa. §ú).e. XLV). a evolução levou à ampla aceitação da idéia de responsabilidade objetiva para casos determinados a partir da previsão casos específicos de presunção de culpa e de responsabilidade sem culpa. ao contrário do que lecionava a doutrina clássica. "delito administrativo será somente o descumprimento de uma obrigação positiva que o cidadão tem para com a Administração enquanto membro da sociedade e. Direito penal. p. reparar o dano ou ressarcir o prejuízo causado por sua conduta antijurídica. Tereza Pizzaro. 4. o dano a ser reparado não será necessariamente da ordem patrimonial. para a responsabilidade civil bastava a caracterização da culpa. 2005. . definindo pena e sanção administrativa por sua essência. Responsabilidade civil A responsabilidade civil impõe ao agente a obrigação legal de tornar indene a vítima do dano. Darlan Rodrigues. 2005. 927. p. Ricardo Kochinski. 46-47).. e administrativa. São Paulo: RT. possa ser expresso em valores monetários. enquanto na responsabilidade penal. onde haverá contraditório e ampla defesa. o nosso sistema agasalha um sistema que vem sendo chamado de dúplice. p. vol. art. 2ª ed. Para Goldschmidt (apud Régis de Oliveira. 186) e outra de responsabilidade objetiva (art. observando-se o devido processo legal (CF. 1985. A aplicação de sanção administrativa. portanto. LV). com duas regras gerais: uma de responsabilidade subjetiva (CC. 53-95.). i. n. Hoje. 5º. 35. 740. deve necessariamente ser precedida de processo administrativo. para fins de indenização. Atualmente. Lisboa: AAFDL. MARCONDES. Partindo de um sistema onde a regra era a responsabilidade subjetiva. via de regra somente se sanciona o dolo. Lineamentos da responsabilidade civil ambiental. Bibliografia BELEZA. Na responsabilidade civil encontramos o regime menos estrito de todos. jun/1997. sendo desnecessária a demonstração do dolo. art. In: Revista dos tribunais. enquanto parte desta Administração". BITTENCOURT. 1. transmitindo-se tão somente a sanção de natureza reparatória (cf. 3.de natureza punitiva não deve passar ao sucessor do infrator (CF 5º. Régis de Oliveira.

GARCIA. 2ª ed. Manual de direito penal brasileiro ± parte geral. 2ª ed. prevalecem os entendimentos de que seja de natureza política (Brossard. 355). São Paulo: RT. e não tem qualquer relação com a categoria ora estudada. 1970. não é pacífica a sua natureza. José de Aguiar. Direito penal português. A primeira nos parece descabida. 1.. 1964. E. DIAS. Henri. Consolidação das leis civis... Ed. 4ª ed. São Paulo: Malheiros. 2004. Eugenio Raúl. nos sistemas parlamentaristas. Paulo.. 5ª ed. Francisco Cavalcanti. Germano Marques da. pois ainda que quando julgado pelo Legislativo a decisão seja . v. 2001. NORONHA.º. Paris: Recueil Sirey. III. SILVA. 1. MAZEAUD. Traité théorique et pratique de la responsabilité civile délictuelle et contractuelle. 1996. Direito administrativo brasileiro. 1. Lisboa: Verbo. 1960. atual.BROSSARD. Comentários à Constituïção de 1967 com a emenda nº 1 de 1969. 2003. Direito penal. Notas 1. ou ainda mista (José Frederico Marques. José Henrique. Rio de Janeiro: Forense. PIERANGELI. São Paulo: Malheiros. por Eurico de Andrade Azevedo. José Afonso da. 2ª ed. vol.. Instituições de direito penal. p. Há ainda quem fale em responsabilidade política quanto aos crimes de responsabilidade e. FREITAS. 1. PONTES DE MIRANDA. ZAFFARONI. 5ª ed. 21ª ed. Porto Alegre: Livraria do Globo. fac-similar. 1931. 2004. 1967. 4ª ed. Já quanto ao crime de responsabilidade. p. MELLO. à moção de desconfiança. vol. 1964). vol. criminal (Pontes de Miranda. São Paulo: RT. OLIVEIRA. 3v.. 64). Magalhães. MAZEAUD. Da responsabilidade civil. 12ª ed. Direito ambiental constitucional. Léon. t... Esta última é completamente não-jurídica. São Paulo: Saraiva. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle F.. O impeachment. Régis Fernandes de.. São Paulo: Max Limonad. SILVA. apud Brossard. 1968. 2v. 2003. Augusto Teixeira de. 2005. Teoria do fato jurídico: plano da existência. Infrações e sanções administrativas. São Paulo: RT. São Paulo: Saraiva. Basileu. Marco Bernardes de. p. 1970. 4ª ed. Hely Lopes. 2v. Brasília: Senado Federal. ex. MEIRELLES.

3. tem defendido a aplicação.insindicável em seu mérito. somente terá cabimento a condenação quando fundamentada em uma das hipóteses previstas em lei (Lei nº 1079/1950 e Dec. "as sanções disciplinares têm fins idênticos às das penas criminais. 61). diversamente da verdadeira responsabilidade política. que não pressupõe ilícito e nem dano. verificase se o bem lesado estava juridicamente protegido no caso concreto. menos enfaticamente. Mas aquelas sanções têm essencialmente em vista o interesse da função que defendem e a sua actuação repressiva e preventiva é condicionada pelo interesse dessa função. 144. Cf. 1985. além de prever sanções que não apenas a perda do cargo público. por aquilo que mais convenha ao seu desempenho actual e futuro" (p. Ainda segundo o mesmo autor. Germano Marques da Silva.e. o direito penal administrativo ou o chamado direito penal económico) num género mais vasto a que costuma chamar-se µdireito repressivo¶ ou. i. µdireito sancionatório de carácter punitivo¶. o direito disciplinar integra-se com ele e com alguns outros ramos (como o direito de mera ordenação social. p. . 2001. O termo norma é utilizado como o resultado do diálogo entre as regras proibitivas e as preceptivas e fomentadoras de determinada conduta. e que tem como única conseqüência a perda do cargo político. de tais ideias e princípios ao direito disciplinar" (Teresa Pizarro Beleza. como elas reprovam e procuram prevenir faltas idênticas por parte de quem quer que seja obrigado a deveres disciplinares e especialmente daquele que os violou. p. 2. "Tendo embora um carácter menos agressivo que o direito penal. adaptada. por ser ele a espécie mais trabalhada. É por isso que a doutrina. ainda que com resistências esporádicas.Lei nº 201/1967). 145). Este ramo mais vasto é naturalmente dominado pelas ideias e princípios do direito penal.

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