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Ética e Responsabilidade
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro da sociedade.

2. CONCEITO
Ética - do gr. ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989) Responsabilidade - do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO
3.1. ANTIGUIDADE Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento

A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego. Porém. a Moral.2. que distorcem a pureza do cristianismo primitivo. ou seja. a ética do amor ao próximo. Pode-se dizer. é mais abrangente. (Santos. Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. 3. e esta implica. Contudo. Sócrates dizia que a virtude é conhecimento.3. Não espera algo de fora. no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo. que é filho e Deus ao mesmo tempo. a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu. fundamentalmente. essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes. A Moral. Contudo. Nesse período. Jesus. é mais específica. Depois destes. Então. procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes. convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa. essencialmente. especificamente o Catolicismo. pela especulação da Lei.do grego ethos significa comportamento. Moral . análogas à forma do bem. Para os protestantes. a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. costumes. surgem Scheller (1874-1928) . Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma. a Ética. torna-se o grande arauto de uma nova ética.. IDADE MÉDIA Na Idade Média. o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. somente a educação pode tornar o homem moralizado. Ética e Moral distinguem-se. de acordo com Sócrates. o quebra tudo.ético. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina. dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. pois a . Aristóteles deu à ética bases seguras. ou seja. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes. estuda a ética do ângulo dos valores. enquanto a Ética é especulativa. 1965) 4. examinados e procurados de per si. As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. A revelação religiosa pertence à religião. Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. Como vemos. refere-se à norma invariante. Ortega y Gasset etc. a liberdade. e o vício. há uma relação entre ambas. IDADE MODERNA Kant. surge nesse contexto.do latim mores. isto é. ÉTICA E MORAL Ética . os valores éticos são condicionados pela religião cristã. mas nos valores éticos. Müller. 3. tão longe quanto lhe seja possível alcançar. à variante. A Ética. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal. e que a virtude é o caminho dessa felicidade. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. O Pai. que a Ética é a ciência da Moral. a ética não é baseada na revelação. Sócrates. referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas. Kant dá prosseguimento à construção da própria moral. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores. que penetram na ética axiológica. é o resultado da ignorância.

generosa. que se eleva acima do consenso da opinião da multidão. O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto. Assim. isto é. O pensamento científico auxilia. O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma. mas se consolida pelo contato entre os seres humanos. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem. é uma exceção. as ações individuais no cumprimento dos deveres. 1965) 5. para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. 1989) 6. Se ativas. Voltaire afirma com veemência: "Não concordo com o que você diz. assim. Sua origem etimológica encontra-se no termo nomos de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. semelhante à do eremita no deserto. isto é. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE A autodeterminação expressa a essência do ser. ideológicos. embora restrita à responsabilidade pessoal. É o poder que temos de atualizar nossas virtualidades. A vivência. isto é. mas de forma ordenada. Dessa forma. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na transcendência do outro. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma. mas defenderei o direito de você dizê-lo até o fim". Segundo Sócrates. (Santos. A ação humana. A lei é o farol da ética.sistematização da segunda tem íntima relação com a primeira. Nomos vem do verbo nemo que significa dividir. tem como objetivo o interesse público. religiosos e filosóficos que emprestam o maior peso à nossa deliberação na vida. não é agir de qualquer jeito. Para os cristãos. é a criação de condições para que o outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado. COMPORTAMENTO ÉTICO A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. Deus seria o autor da norma. mas que podem ser assumidas de outra forma. sabemos que estão em ato sob uma forma. devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. veio de fora do "eu". Por isso. surge das tensões das circunstâncias. Em realidade. As virtualidades podem ser ativas e passivas. que são especificamente diferentes do que podem ser. repartir com outro. Liga-se. o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão. já estão determinadas de uma forma. A autonomia. Deixarse guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo. sobretudo quando esses direitos são espezinhados. mas são os aspectos psicológicos. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. se inativas. a tolerância para com as faltas alheias. não se realiza na solidão. Filosofia e Religião. assim. sugerindo a idéia de justiça. (Nogueira. a obediência aos . que promova a pessoa e os direitos do outro. as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos.

J. visto que a primeira é imediata face a um estímulo. Nova Fronteira. a palavra responsabilidade também vem do latim ( respondere) e significa ser capaz de comprometer -se. O exercício da liberdade exige reflexão e. s/d/p. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características. Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). Novo Dicionário da Língua Portuguesa. primeiro que tudo. A liberdade humana (pode chamar -se assim porque é de carácter racional e. o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. M. Matese. liberdade de expressão«). 3. Por isso.E. A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência. CONCLUSÃO A Ética. FERREIRA. e mais concretamente a liberdade moral. É de carácter racional. o silêncio ante uma ofensa recebida. 1967. a reacção é diferente da acção. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA y y y y ÁVILA. pelo exercício de sua liberdade. exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não. logo. visto que não vivemos sozinhos no mundo. a liberdade. 8. psicológicas«). 1989. de H. . liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física. é condicionada e situada. São Paulo. a obediência à vontade de Deus. NOGUEIRA. C. Implica. não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana. pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo. Esta liberdade não é absoluta.C. dos. contrariando a própria. a perfeição de sua natureza. se assim delimitar. sociedade em que vivemos. O fim do homem é. de. porque cada u m de nós só é livre com os outros. SP. a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. No senso comum. A. 1965. imposto pela sua consciência. pois. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condici onantes (físicas. o de realizar. 7. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Por isso. R. Campinas. de S. In MORAIS. Situada porque se realiza dentro da circunstância. F. Ética e Responsabilidade Pessoal.. Filosofia. B. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. Rio de Janeiro. liberdade civil. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. SANTOS. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário. Filosoficamente. Papirus. tempo. conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico.. diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá -los sem coacções extremas. Etimologicamente. M. B. ed. o dever. É também uma liberdade solidária. Acostumados a confundir os meios com os fins. quero ou não quero. muitas vezes. F. mundo. Rio de Janeiro. logo.superiores em uma hierarquia.J.

se não agirmos livremente. O mesmo ato danoso pode gerar mais de um tipo de responsabilidade. é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção. se alguma. com variados graus de sucesso. sendo ainda comum a referência a um terceiro tipo: administrativa [01]. A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional. visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Revista Artigo Os diversos tipos de responsabilidade jurídica Marcelo Azevedo Chamone Elaborado em 07/2008. compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. uma capacidade. Por outro lado. que acaba por ser um desmembramento da responsabilidade penal. delimitar cada uma delas. A princípio.A responsabilidade moral é. por sua vez. sem que seja possível separar . visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo . com especial atenção dada às duas primeiras. de assumirmos os nossos actos. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente. Página 1 de 1 Desativar Realce a A Fala-se em basicamente em dois tipos de responsabilidade: civil e penal. não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos. durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados). Os autores de cada área buscam. distinção essencial pode ser identificada. o que vai de encontro à própria definição de liberdade. e só podemos ser responsáveis se formos livres. conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta). É reconhecermo -nos nos nossos actos. A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalme nte. e ao mesmo tempo uma obrigação moral. A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis. Além disso. a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa. pouca. com consciência.

Os Mazeaud (1931. 19-20). p. Aguiar Dias (1960. cit. Código Brasileiro de Aeronáutica. Ademais. p. Mas. 18). outrossim. como faz Marcos Bernardes de Mello (2003. também chegam os Mazeaud (loc. cit. Textos relacionados y y y y y Convenção de Varsóvia. afirma que toda lesão individual também atinge a ordem social. nega a haveria qualquer diferença ontológica entre as responsabilidades civil e penal. afinal. Para o autor. pois frequentemente a lesão a um mesmo bem jurídico pode gerar mais de um tipo de responsabilização. apoiado na lição de Merkl. ou como aquela definida pela lei penal.. e civil se o dano for privado. e nem mesmo a responsabilidade administrativa. estèticamente repartidas e catalogadas. enquanto na responsabilidade civil uma reparação. de modo que a responsabilidade será penal se houver dano à ordem social.). p. 71). 243-244).que parte do ato leva a que tipo de responsabilidade. p. Também Basileu Garcia (1968. "no regime jurídico a que a repulsa estiver subordinada". Aderimos. com Pontes de Miranda. Tampouco é útil tentar construir uma diferenciação com base no bem jurídico lesado. 5-8) fazem a distinção com base na repercussão da lesão. enquanto a penal tem um "caráter especificamente preventivo ou particularmente reparador". De forma semelhante. pois.) acaba. p. isto é. p. p. as divisas entre o mundo vegetal e o animal nem sempre são nítidas. LXII) entende . para quem a diferença estaria em que na responsabilidade penal se busca uma punição. 17-18) situa a divisão em haver interesse público ou meramente individual. p. 99) essa linha estaria no caráter da sanção ± a sanção civil proviria uma prevenção e reparação ordinária. a responsabilidade penal com base na "sanção abstratamente cominada". ex. como faz Magalhães Noronha (1967. então. Assim é que Régis de Oliveira (2005. conclusão a que. no plano biológico. Teixeira de Freitas (2003. Código de Defesa do Consumidor e extravio de bagagem Considerações sobre o adultério virtual A responsabilidade civil das instituições financeiras A responsabilidade civil aplicada às perícias médicas judiciais A responsabilidade civil das ferrovias e suas determinantes para o rompimento do nexo causal "Se. Para Zaffaroni et al (2004. é dizer nada. atingindo pessoa determinada. no elenco das instituições nem sempre é fácil distribuí-las em categorias estanques. p. por identificar a divisão na gravidade da violação à ordem jurídica. 17-18) rejeita esta distinção. p. 64). a diferenciação se faria pelo órgão que aplica a sanção. à sociedade como um todo. p. no entanto à posição de Aguiar Dias (1960. 121). da mesma forma. a categoria hoje reconhecida de direitos difusos e coletivos torna essa distinção inidônea. 1964. 1964. o que diferencia uma sanção civil de uma penal? Classificar. como faz Frederico Marques (apud Brossard. Magalhães Noronha (loc. p. à feição do que se poderia denominar parnasianismo jurídico" (Brossard.

veiculados por meio de ações condenatórias. 2004. que têm por fim último a prevenção e a retribuição do ato-fato criminoso e.e. p. se houver prévia cominação em lei. Zaffaroni et al. no que se refere aos poderes disciplinar e de polícia. p. Na esfera penal o princípio da legalidade se faz presente com intensidade máxima. A nossa legislação trata de duas categorias diferentes de infrações penais (ou delitos. principalmente. entende-se que a sanção administrativa . acrescendo ainda que "as disposições criminaes são a sancção inseparavel das disposições civis" (2003. 1. Responsabilidade penal A responsabilidade penal tem como fundamento e objetivo a manutenção da paz social. 101). Todos os entes estatais possuem poder de polícia referentemente à matéria que lhes cabe regular. p. a que a lei comina sanções igualmente mais gravosas. apenas reveladoras de perigo.. 1996. [03] Assim. visando a estabilidade social. 2004.que é a "sancção da pena" que "estrema as Leis Criminaes das Leis Civis". 301. sua readequação social. é de especial interesse o poder de polícia administrativa. lesionando o bem jurídico tutelado (tipicidade penal) (cf. 114). 1997. tal como na esfera penal. Dentre esses poderes. somente há apenamento para a conduta. Responsabilidade administrativa A responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas. distinguindo-se pela natureza das sanções e pelos fins que cada um persegue. na definição de Welzel (apud Zaffaroni et al. são direitos sancionatórios. p. 304-305). de que resultam danos ou perigos próximos. nos limites das respectivas competências institucionais (cf. 2004. p. "que a Administração Pública exerce sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade" (Hely Lopes Meirelles. resultando na imposição de uma sanção punitiva. e contravenções ± condutas menos graves. 484-485). a que a lei comina sanções de pequena monta (cf. i. 458). 2004. 435-436). José Afonso. p. somente sendo admissível o enquadramento de determinada conduta como delito penal (tipicidade) se a conduta for legalmente proibida e violar a norma [02]. ela se fundamenta na capacidade que as pessoas jurídicas de direito público têm de impor condutas ao administrado ± é o poder administrativo. economicamente viável e pacífica (Darlan Bittercourt et al. Hely Lopes Meirelles. segundo a orientação legislativa corrente. p. 1996. da mesma forma. A responsabilização penal se restringe às sanções próprias do Direito Penal. José Afonso. 57). de modo a evitar a bellum omnium contra omnes. p. 2. ou crimes em sentido lato): crimes em sentido estrito ± ofensas graves a interesses juridicamente protegidos de alto valor. sujeitando o infrator a uma sanção de natureza também administrativa. inerente à Administração dos entes políticos. a ressocialização do infrator. Tanto o direito penal como o direito administrativo.

3. i. §ú). vol. 927. a evolução levou à ampla aceitação da idéia de responsabilidade objetiva para casos determinados a partir da previsão casos específicos de presunção de culpa e de responsabilidade sem culpa. Hoje. 1985. art. o dano a ser reparado não será necessariamente da ordem patrimonial. A aplicação de sanção administrativa. MARCONDES. sendo desnecessária a demonstração do dolo. "delito administrativo será somente o descumprimento de uma obrigação positiva que o cidadão tem para com a Administração enquanto membro da sociedade e. 2005. o nosso sistema agasalha um sistema que vem sendo chamado de dúplice. 2005. possa ser expresso em valores monetários. 4. para fins de indenização. BITTENCOURT. XLV). para a responsabilidade civil bastava a caracterização da culpa. In: Revista dos tribunais. p.. p. portanto. com duas regras gerais: uma de responsabilidade subjetiva (CC. 186) e outra de responsabilidade objetiva (art.). deve necessariamente ser precedida de processo administrativo. . definindo pena e sanção administrativa por sua essência. 2ª ed.. e excepcionalmente a culpa.de natureza punitiva não deve passar ao sucessor do infrator (CF 5º. Darlan Rodrigues. Lineamentos da responsabilidade civil ambiental. Direito penal. Responsabilidade civil A responsabilidade civil impõe ao agente a obrigação legal de tornar indene a vítima do dano. enquanto na responsabilidade penal. ainda que. e administrativa. LV). p. 46-47). 5º. Lisboa: AAFDL. tal como a penal. Bibliografia BELEZA. Régis de Oliveira. Atualmente.e. reparar o dano ou ressarcir o prejuízo causado por sua conduta antijurídica. Na responsabilidade civil encontramos o regime menos estrito de todos. transmitindo-se tão somente a sanção de natureza reparatória (cf. Ricardo Kochinski. Partindo de um sistema onde a regra era a responsabilidade subjetiva. via de regra somente se sanciona o dolo. 1. 740. observando-se o devido processo legal (CF. jun/1997. 53-95. São Paulo: RT. art. enquanto parte desta Administração". ao contrário do que lecionava a doutrina clássica. Para Goldschmidt (apud Régis de Oliveira. 35. onde haverá contraditório e ampla defesa. n. Tereza Pizzaro.

Direito administrativo brasileiro. São Paulo: RT. criminal (Pontes de Miranda. 21ª ed. Comentários à Constituïção de 1967 com a emenda nº 1 de 1969. Eugenio Raúl. Manual de direito penal brasileiro ± parte geral. ZAFFARONI. 2003. apud Brossard. Ed. 2005. p.. v. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle F. prevalecem os entendimentos de que seja de natureza política (Brossard. por Eurico de Andrade Azevedo. 1967. não é pacífica a sua natureza. fac-similar. MAZEAUD. E. 5ª ed. 2003. São Paulo: Saraiva. 2ª ed. MEIRELLES. p. 1968. NORONHA. Porto Alegre: Livraria do Globo. Há ainda quem fale em responsabilidade política quanto aos crimes de responsabilidade e. SILVA. MELLO. 1964). Da responsabilidade civil.. Notas 1. 1. 355). ex. São Paulo: RT. 2ª ed. 2004. FREITAS. 2v. Hely Lopes. Infrações e sanções administrativas. Direito penal. Francisco Cavalcanti. 3v. 5ª ed. 1. 1. 4ª ed. Lisboa: Verbo. São Paulo: Saraiva. 2v. Germano Marques da. Marco Bernardes de. São Paulo: Max Limonad. A primeira nos parece descabida. O impeachment. atual. 1970.º. José Afonso da. 12ª ed. Brasília: Senado Federal. 2004. 4ª ed. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: RT. 2001. Léon. vol.. 2ª ed. III. José de Aguiar. Esta última é completamente não-jurídica.. ou ainda mista (José Frederico Marques.. e não tem qualquer relação com a categoria ora estudada. Direito penal português. p. GARCIA. Henri. SILVA.. 4ª ed.. Paris: Recueil Sirey. Direito ambiental constitucional. OLIVEIRA. MAZEAUD. Augusto Teixeira de. 64).. Teoria do fato jurídico: plano da existência. Já quanto ao crime de responsabilidade. Instituições de direito penal. Paulo. 1.BROSSARD. vol. t. Magalhães. Traité théorique et pratique de la responsabilité civile délictuelle et contractuelle. PIERANGELI. São Paulo: Malheiros. DIAS. vol.. Basileu. pois ainda que quando julgado pelo Legislativo a decisão seja . PONTES DE MIRANDA. 1970. 1960. 1964. José Henrique. à moção de desconfiança. Régis Fernandes de. 1931.. nos sistemas parlamentaristas. 1996. São Paulo: Malheiros. Consolidação das leis civis.

145). p. além de prever sanções que não apenas a perda do cargo público. O termo norma é utilizado como o resultado do diálogo entre as regras proibitivas e as preceptivas e fomentadoras de determinada conduta. menos enfaticamente. diversamente da verdadeira responsabilidade política.insindicável em seu mérito. adaptada. e que tem como única conseqüência a perda do cargo político.Lei nº 201/1967). Mas aquelas sanções têm essencialmente em vista o interesse da função que defendem e a sua actuação repressiva e preventiva é condicionada pelo interesse dessa função. 61). Este ramo mais vasto é naturalmente dominado pelas ideias e princípios do direito penal. que não pressupõe ilícito e nem dano. por ser ele a espécie mais trabalhada. p. verificase se o bem lesado estava juridicamente protegido no caso concreto. 2. "as sanções disciplinares têm fins idênticos às das penas criminais. É por isso que a doutrina. o direito disciplinar integra-se com ele e com alguns outros ramos (como o direito de mera ordenação social. de tais ideias e princípios ao direito disciplinar" (Teresa Pizarro Beleza. ainda que com resistências esporádicas. . somente terá cabimento a condenação quando fundamentada em uma das hipóteses previstas em lei (Lei nº 1079/1950 e Dec. Cf. tem defendido a aplicação. Ainda segundo o mesmo autor. 1985. o direito penal administrativo ou o chamado direito penal económico) num género mais vasto a que costuma chamar-se µdireito repressivo¶ ou. 2001. µdireito sancionatório de carácter punitivo¶. i. Germano Marques da Silva. 3. 144. "Tendo embora um carácter menos agressivo que o direito penal. como elas reprovam e procuram prevenir faltas idênticas por parte de quem quer que seja obrigado a deveres disciplinares e especialmente daquele que os violou.e. por aquilo que mais convenha ao seu desempenho actual e futuro" (p.