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Tipos de Responsabilidade

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Ética e Responsabilidade
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro da sociedade.

2. CONCEITO
Ética - do gr. ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989) Responsabilidade - do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO
3.1. ANTIGUIDADE Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento

Sócrates dizia que a virtude é conhecimento. a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. Nesse período. a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu.. a liberdade. Ética e Moral distinguem-se. IDADE MODERNA Kant. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina. Porém. Depois destes. Jesus. Moral . dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. Sócrates. Aristóteles deu à ética bases seguras.3. Kant dá prosseguimento à construção da própria moral. Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. surgem Scheller (1874-1928) . tão longe quanto lhe seja possível alcançar. pois a . Como vemos. IDADE MÉDIA Na Idade Média. e que a virtude é o caminho dessa felicidade. As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas. enquanto a Ética é especulativa. mas nos valores éticos. que penetram na ética axiológica. ÉTICA E MORAL Ética . de acordo com Sócrates. os valores éticos são condicionados pela religião cristã. Pode-se dizer. há uma relação entre ambas. examinados e procurados de per si. que distorcem a pureza do cristianismo primitivo. Contudo. e o vício.2.do latim mores. Ortega y Gasset etc. a Ética. ou seja. a Moral. (Santos. que é filho e Deus ao mesmo tempo. pela especulação da Lei. ou seja. o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. 3. fundamentalmente. estuda a ética do ângulo dos valores. a ética não é baseada na revelação. Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. surge nesse contexto. A revelação religiosa pertence à religião. no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo. Müller. é mais específica. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes. O Pai. é mais abrangente. Contudo. Não espera algo de fora. essencialmente. que a Ética é a ciência da Moral. especificamente o Catolicismo. à variante. torna-se o grande arauto de uma nova ética. refere-se à norma invariante. o quebra tudo. costumes. Para os protestantes. essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes. A Moral. a ética do amor ao próximo. A Ética. é o resultado da ignorância. Então. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores. A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego.ético. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal. Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma. 1965) 4. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. isto é. convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa. somente a educação pode tornar o homem moralizado. análogas à forma do bem.do grego ethos significa comportamento. e esta implica. 3. procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes.

(Nogueira. Filosofia e Religião. Assim. mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. As virtualidades podem ser ativas e passivas. sugerindo a idéia de justiça. que promova a pessoa e os direitos do outro. não é agir de qualquer jeito. mas que podem ser assumidas de outra forma. 1965) 5. O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto. mas de forma ordenada. Deus seria o autor da norma. é uma exceção. A autonomia. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. A vivência. Sua origem etimológica encontra-se no termo nomos de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. as ações individuais no cumprimento dos deveres. isto é. sabemos que estão em ato sob uma forma. assim. tem como objetivo o interesse público. a obediência aos . Por isso. é a criação de condições para que o outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado. Deixarse guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo. ideológicos. não se realiza na solidão. isto é. a tolerância para com as faltas alheias. para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na transcendência do outro. isto é. embora restrita à responsabilidade pessoal. generosa. já estão determinadas de uma forma. a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma. se inativas. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida. Nomos vem do verbo nemo que significa dividir. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE A autodeterminação expressa a essência do ser. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. COMPORTAMENTO ÉTICO A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem. que são especificamente diferentes do que podem ser. 1989) 6. O pensamento científico auxilia. O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma. surge das tensões das circunstâncias. É o poder que temos de atualizar nossas virtualidades. Segundo Sócrates. as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos. religiosos e filosóficos que emprestam o maior peso à nossa deliberação na vida. veio de fora do "eu". Voltaire afirma com veemência: "Não concordo com o que você diz. Para os cristãos.sistematização da segunda tem íntima relação com a primeira. o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão. repartir com outro. Dessa forma. A lei é o farol da ética. Se ativas. que se eleva acima do consenso da opinião da multidão. mas são os aspectos psicológicos. semelhante à do eremita no deserto. sobretudo quando esses direitos são espezinhados. mas se consolida pelo contato entre os seres humanos. (Santos. mas defenderei o direito de você dizê-lo até o fim". Em realidade. Liga-se. devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. assim. A ação humana.

No senso comum. o de realizar. In MORAIS. quero ou não quero. contrariando a própria. pois. liberdade civil. O exercício da liberdade exige reflexão e. M. 1989. Implica. Papirus. Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). Por isso. A liberdade humana (pode chamar -se assim porque é de carácter racional e. exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não. São Paulo. logo. dos. O fim do homem é. Rio de Janeiro. imposto pela sua consciência. Situada porque se realiza dentro da circunstância. a palavra responsabilidade também vem do latim ( respondere) e significa ser capaz de comprometer -se. s/d/p. SANTOS.C. sociedade em que vivemos. A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência.. Por isso.. diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá -los sem coacções extremas. não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana. J. 1967. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário. R. a reacção é diferente da acção. Ética e Responsabilidade Pessoal. é condicionada e situada.J. psicológicas«). a perfeição de sua natureza. pelo exercício de sua liberdade. Esta liberdade não é absoluta. primeiro que tudo. F. porque cada u m de nós só é livre com os outros. 7. F. FERREIRA. 8. Campinas. pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo. Filosofia. B. CONCLUSÃO A Ética. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condici onantes (físicas. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. de H. ed. 3. se assim delimitar. conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. A. a obediência à vontade de Deus.E. logo. Acostumados a confundir os meios com os fins. Matese. o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. visto que não vivemos sozinhos no mundo. a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA y y y y ÁVILA. É também uma liberdade solidária. de S. Rio de Janeiro. muitas vezes. SP. liberdade de expressão«). e mais concretamente a liberdade moral. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. mundo. visto que a primeira é imediata face a um estímulo. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. o silêncio ante uma ofensa recebida. . tempo. de. B. M. Filosoficamente. liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física. 1965. C. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características. a liberdade.superiores em uma hierarquia. NOGUEIRA. Nova Fronteira. É de carácter racional. Etimologicamente. o dever.

sem que seja possível separar . A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalme nte. o que vai de encontro à própria definição de liberdade. Por outro lado. Página 1 de 1 Desativar Realce a A Fala-se em basicamente em dois tipos de responsabilidade: civil e penal. A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional. que acaba por ser um desmembramento da responsabilidade penal. é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção. não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos. sendo ainda comum a referência a um terceiro tipo: administrativa [01]. Além disso. se não agirmos livremente. Os autores de cada área buscam.A responsabilidade moral é. visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo . A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis. pouca. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente. A princípio. e só podemos ser responsáveis se formos livres. com consciência. delimitar cada uma delas. e ao mesmo tempo uma obrigação moral. a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa. distinção essencial pode ser identificada. uma capacidade. conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta). se alguma. compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. É reconhecermo -nos nos nossos actos. O mesmo ato danoso pode gerar mais de um tipo de responsabilidade. com variados graus de sucesso. por sua vez. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Revista Artigo Os diversos tipos de responsabilidade jurídica Marcelo Azevedo Chamone Elaborado em 07/2008. visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. de assumirmos os nossos actos. com especial atenção dada às duas primeiras. durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados).

LXII) entende . pois. a responsabilidade penal com base na "sanção abstratamente cominada". Código de Defesa do Consumidor e extravio de bagagem Considerações sobre o adultério virtual A responsabilidade civil das instituições financeiras A responsabilidade civil aplicada às perícias médicas judiciais A responsabilidade civil das ferrovias e suas determinantes para o rompimento do nexo causal "Se. com Pontes de Miranda. p. Código Brasileiro de Aeronáutica. nega a haveria qualquer diferença ontológica entre as responsabilidades civil e penal. p. como faz Frederico Marques (apud Brossard. 18). Magalhães Noronha (loc. Tampouco é útil tentar construir uma diferenciação com base no bem jurídico lesado. atingindo pessoa determinada. 64). por identificar a divisão na gravidade da violação à ordem jurídica. 121). estèticamente repartidas e catalogadas. p. p. outrossim. p. enquanto na responsabilidade civil uma reparação. "no regime jurídico a que a repulsa estiver subordinada". 17-18) rejeita esta distinção. Aderimos. também chegam os Mazeaud (loc. de modo que a responsabilidade será penal se houver dano à ordem social. p. isto é. Teixeira de Freitas (2003. 1964. Textos relacionados y y y y y Convenção de Varsóvia. afinal.) acaba. De forma semelhante. à sociedade como um todo.. para quem a diferença estaria em que na responsabilidade penal se busca uma punição. e nem mesmo a responsabilidade administrativa. então. Aguiar Dias (1960. como faz Marcos Bernardes de Mello (2003. ex. como faz Magalhães Noronha (1967. Para o autor. p. a categoria hoje reconhecida de direitos difusos e coletivos torna essa distinção inidônea. pois frequentemente a lesão a um mesmo bem jurídico pode gerar mais de um tipo de responsabilização. 99) essa linha estaria no caráter da sanção ± a sanção civil proviria uma prevenção e reparação ordinária. 5-8) fazem a distinção com base na repercussão da lesão. no entanto à posição de Aguiar Dias (1960. Ademais.). Mas. afirma que toda lesão individual também atinge a ordem social. Assim é que Régis de Oliveira (2005. o que diferencia uma sanção civil de uma penal? Classificar. e civil se o dano for privado. cit. é dizer nada. da mesma forma. p. p. Os Mazeaud (1931. no plano biológico. Também Basileu Garcia (1968. conclusão a que. p. p. p. Para Zaffaroni et al (2004. 1964. à feição do que se poderia denominar parnasianismo jurídico" (Brossard. no elenco das instituições nem sempre é fácil distribuí-las em categorias estanques. a diferenciação se faria pelo órgão que aplica a sanção. as divisas entre o mundo vegetal e o animal nem sempre são nítidas. 243-244). ou como aquela definida pela lei penal. cit. 19-20). 71). enquanto a penal tem um "caráter especificamente preventivo ou particularmente reparador". apoiado na lição de Merkl.que parte do ato leva a que tipo de responsabilidade. 17-18) situa a divisão em haver interesse público ou meramente individual.

somente sendo admissível o enquadramento de determinada conduta como delito penal (tipicidade) se a conduta for legalmente proibida e violar a norma [02]. lesionando o bem jurídico tutelado (tipicidade penal) (cf. a que a lei comina sanções de pequena monta (cf. na definição de Welzel (apud Zaffaroni et al. que têm por fim último a prevenção e a retribuição do ato-fato criminoso e. 458). 2. apenas reveladoras de perigo. Tanto o direito penal como o direito administrativo. sua readequação social.que é a "sancção da pena" que "estrema as Leis Criminaes das Leis Civis". de que resultam danos ou perigos próximos. [03] Assim. 304-305). i. a que a lei comina sanções igualmente mais gravosas. 2004. segundo a orientação legislativa corrente. 2004. Dentre esses poderes. tal como na esfera penal. 484-485). a ressocialização do infrator.. "que a Administração Pública exerce sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade" (Hely Lopes Meirelles. p. é de especial interesse o poder de polícia administrativa. p. p. e contravenções ± condutas menos graves. p. 1997. 1996. 2004. somente há apenamento para a conduta.e. ela se fundamenta na capacidade que as pessoas jurídicas de direito público têm de impor condutas ao administrado ± é o poder administrativo. distinguindo-se pela natureza das sanções e pelos fins que cada um persegue. Responsabilidade administrativa A responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas. 57). Na esfera penal o princípio da legalidade se faz presente com intensidade máxima. 2004. p. nos limites das respectivas competências institucionais (cf. inerente à Administração dos entes políticos. José Afonso. se houver prévia cominação em lei. resultando na imposição de uma sanção punitiva. Responsabilidade penal A responsabilidade penal tem como fundamento e objetivo a manutenção da paz social. p. Zaffaroni et al. economicamente viável e pacífica (Darlan Bittercourt et al. 1. entende-se que a sanção administrativa . A responsabilização penal se restringe às sanções próprias do Direito Penal. 435-436). principalmente. sujeitando o infrator a uma sanção de natureza também administrativa. da mesma forma. de modo a evitar a bellum omnium contra omnes. Todos os entes estatais possuem poder de polícia referentemente à matéria que lhes cabe regular. José Afonso. Hely Lopes Meirelles. acrescendo ainda que "as disposições criminaes são a sancção inseparavel das disposições civis" (2003. 101). p. p. 114). 1996. A nossa legislação trata de duas categorias diferentes de infrações penais (ou delitos. ou crimes em sentido lato): crimes em sentido estrito ± ofensas graves a interesses juridicamente protegidos de alto valor. visando a estabilidade social. no que se refere aos poderes disciplinar e de polícia. são direitos sancionatórios. 301. veiculados por meio de ações condenatórias.

Responsabilidade civil A responsabilidade civil impõe ao agente a obrigação legal de tornar indene a vítima do dano. . 927. e administrativa. Lisboa: AAFDL. transmitindo-se tão somente a sanção de natureza reparatória (cf. art. 53-95. Régis de Oliveira. 186) e outra de responsabilidade objetiva (art. jun/1997. LV).de natureza punitiva não deve passar ao sucessor do infrator (CF 5º. Ricardo Kochinski. sendo desnecessária a demonstração do dolo. o dano a ser reparado não será necessariamente da ordem patrimonial. portanto. 35. 4. São Paulo: RT. tal como a penal. vol. 2005. definindo pena e sanção administrativa por sua essência. "delito administrativo será somente o descumprimento de uma obrigação positiva que o cidadão tem para com a Administração enquanto membro da sociedade e. MARCONDES. ao contrário do que lecionava a doutrina clássica. XLV). Bibliografia BELEZA. p. Partindo de um sistema onde a regra era a responsabilidade subjetiva. Na responsabilidade civil encontramos o regime menos estrito de todos. e excepcionalmente a culpa. Darlan Rodrigues. art. onde haverá contraditório e ampla defesa. 1. possa ser expresso em valores monetários. n. 740. ainda que. o nosso sistema agasalha um sistema que vem sendo chamado de dúplice. para a responsabilidade civil bastava a caracterização da culpa.. via de regra somente se sanciona o dolo. Direito penal. Para Goldschmidt (apud Régis de Oliveira. 2ª ed. deve necessariamente ser precedida de processo administrativo..e. 46-47). BITTENCOURT. 1985. enquanto na responsabilidade penal. Tereza Pizzaro. reparar o dano ou ressarcir o prejuízo causado por sua conduta antijurídica. 2005. 3. a evolução levou à ampla aceitação da idéia de responsabilidade objetiva para casos determinados a partir da previsão casos específicos de presunção de culpa e de responsabilidade sem culpa. com duas regras gerais: uma de responsabilidade subjetiva (CC. In: Revista dos tribunais. enquanto parte desta Administração". Atualmente. Hoje.). i. p. A aplicação de sanção administrativa. 5º. observando-se o devido processo legal (CF. Lineamentos da responsabilidade civil ambiental. §ú). para fins de indenização. p.

. São Paulo: Max Limonad. José Henrique. A primeira nos parece descabida. Da responsabilidade civil. 1970. PONTES DE MIRANDA. atual. p. 1. 2ª ed. 2003. Rio de Janeiro: Forense. Eugenio Raúl. Henri. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle F. Esta última é completamente não-jurídica.. p. 1964. São Paulo: Saraiva. Direito penal. Traité théorique et pratique de la responsabilité civile délictuelle et contractuelle. SILVA.. fac-similar. 1964). 12ª ed. Direito ambiental constitucional. Teoria do fato jurídico: plano da existência. Direito administrativo brasileiro. 2v. Magalhães. Léon. Já quanto ao crime de responsabilidade. José de Aguiar. SILVA. 2ª ed. 3v. E. vol. ZAFFARONI. MAZEAUD. prevalecem os entendimentos de que seja de natureza política (Brossard. Hely Lopes. não é pacífica a sua natureza. O impeachment. ou ainda mista (José Frederico Marques. Há ainda quem fale em responsabilidade política quanto aos crimes de responsabilidade e. 1967. Marco Bernardes de. Consolidação das leis civis. 5ª ed. criminal (Pontes de Miranda. Notas 1. São Paulo: RT. apud Brossard. FREITAS. p. 355).. São Paulo: Saraiva. e não tem qualquer relação com a categoria ora estudada. Lisboa: Verbo.. 1. OLIVEIRA. 5ª ed. MAZEAUD. Francisco Cavalcanti. vol. vol. DIAS. ex. 4ª ed. à moção de desconfiança. 1. 2004. 4ª ed. nos sistemas parlamentaristas. 2v. Augusto Teixeira de. José Afonso da. pois ainda que quando julgado pelo Legislativo a decisão seja . Manual de direito penal brasileiro ± parte geral.º.. Porto Alegre: Livraria do Globo. Brasília: Senado Federal.. Comentários à Constituïção de 1967 com a emenda nº 1 de 1969. 64). NORONHA. Instituições de direito penal. São Paulo: RT. São Paulo: Malheiros. Régis Fernandes de. PIERANGELI. t. Paulo. São Paulo: Malheiros. 2003. 1970. III. Infrações e sanções administrativas. Direito penal português. 2004. 1960. 21ª ed. 2005. São Paulo: RT. 2001. 1.BROSSARD. MEIRELLES. 1996. 2ª ed. Ed.. Basileu. v. MELLO... por Eurico de Andrade Azevedo. Germano Marques da. 1931. Paris: Recueil Sirey. 4ª ed. 1968. GARCIA.

como elas reprovam e procuram prevenir faltas idênticas por parte de quem quer que seja obrigado a deveres disciplinares e especialmente daquele que os violou. . diversamente da verdadeira responsabilidade política. 2. 2001. p. É por isso que a doutrina. somente terá cabimento a condenação quando fundamentada em uma das hipóteses previstas em lei (Lei nº 1079/1950 e Dec. 3. Ainda segundo o mesmo autor. verificase se o bem lesado estava juridicamente protegido no caso concreto. 145). 144. por ser ele a espécie mais trabalhada. Cf. tem defendido a aplicação. 61). i. Germano Marques da Silva. µdireito sancionatório de carácter punitivo¶. além de prever sanções que não apenas a perda do cargo público. o direito disciplinar integra-se com ele e com alguns outros ramos (como o direito de mera ordenação social. O termo norma é utilizado como o resultado do diálogo entre as regras proibitivas e as preceptivas e fomentadoras de determinada conduta. o direito penal administrativo ou o chamado direito penal económico) num género mais vasto a que costuma chamar-se µdireito repressivo¶ ou. Mas aquelas sanções têm essencialmente em vista o interesse da função que defendem e a sua actuação repressiva e preventiva é condicionada pelo interesse dessa função. que não pressupõe ilícito e nem dano. adaptada.e. "Tendo embora um carácter menos agressivo que o direito penal. p. menos enfaticamente. "as sanções disciplinares têm fins idênticos às das penas criminais. e que tem como única conseqüência a perda do cargo político. ainda que com resistências esporádicas. por aquilo que mais convenha ao seu desempenho actual e futuro" (p. 1985. Este ramo mais vasto é naturalmente dominado pelas ideias e princípios do direito penal. de tais ideias e princípios ao direito disciplinar" (Teresa Pizarro Beleza.insindicável em seu mérito.Lei nº 201/1967).

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