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Ética e Responsabilidade
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro da sociedade.

2. CONCEITO
Ética - do gr. ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989) Responsabilidade - do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO
3.1. ANTIGUIDADE Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento

A Ética. é o resultado da ignorância. enquanto a Ética é especulativa. Jesus. Sócrates dizia que a virtude é conhecimento. Para os protestantes. os valores éticos são condicionados pela religião cristã. que é filho e Deus ao mesmo tempo. a liberdade. A Moral. tão longe quanto lhe seja possível alcançar. a ética do amor ao próximo.do grego ethos significa comportamento. examinados e procurados de per si. a Ética. ou seja. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. O Pai. Sócrates. surgem Scheller (1874-1928) . (Santos. especificamente o Catolicismo. IDADE MÉDIA Na Idade Média. ÉTICA E MORAL Ética . pois a . 3.2. mas nos valores éticos. de acordo com Sócrates. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina. essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes.do latim mores. Depois destes. Nesse período. isto é.ético. a Moral.3. dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo. Kant dá prosseguimento à construção da própria moral. Aristóteles deu à ética bases seguras. Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. pela especulação da Lei. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes. Contudo. o quebra tudo.. IDADE MODERNA Kant. ou seja. estuda a ética do ângulo dos valores. Moral . que distorcem a pureza do cristianismo primitivo. essencialmente. Então. fundamentalmente. Contudo. Ética e Moral distinguem-se. análogas à forma do bem. e que a virtude é o caminho dessa felicidade. e esta implica. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão. Como vemos. é mais específica. 1965) 4. procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes. é mais abrangente. surge nesse contexto. há uma relação entre ambas. costumes. As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. Porém. torna-se o grande arauto de uma nova ética. referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas. A revelação religiosa pertence à religião. Müller. convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa. Não espera algo de fora. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal. Ortega y Gasset etc. e o vício. Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma. o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu. somente a educação pode tornar o homem moralizado. que a Ética é a ciência da Moral. 3. a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. à variante. a ética não é baseada na revelação. Pode-se dizer. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores. Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. refere-se à norma invariante. A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego. que penetram na ética axiológica.

isto é. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. assim. generosa. que se eleva acima do consenso da opinião da multidão. que são especificamente diferentes do que podem ser. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem. não se realiza na solidão.sistematização da segunda tem íntima relação com a primeira. mas que podem ser assumidas de outra forma. 1989) 6. a obediência aos . mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. Se ativas. devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. É o poder que temos de atualizar nossas virtualidades. surge das tensões das circunstâncias. Sua origem etimológica encontra-se no termo nomos de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. mas são os aspectos psicológicos. se inativas. as ações individuais no cumprimento dos deveres. as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos. ideológicos. sabemos que estão em ato sob uma forma. tem como objetivo o interesse público. embora restrita à responsabilidade pessoal. Assim. 1965) 5. é a criação de condições para que o outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado. já estão determinadas de uma forma. O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. A ação humana. Voltaire afirma com veemência: "Não concordo com o que você diz. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida. Nomos vem do verbo nemo que significa dividir. Deixarse guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo. (Nogueira. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na transcendência do outro. é uma exceção. A autonomia. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE A autodeterminação expressa a essência do ser. religiosos e filosóficos que emprestam o maior peso à nossa deliberação na vida. O pensamento científico auxilia. isto é. isto é. (Santos. A lei é o farol da ética. mas se consolida pelo contato entre os seres humanos. assim. sobretudo quando esses direitos são espezinhados. Por isso. Para os cristãos. A vivência. semelhante à do eremita no deserto. Segundo Sócrates. repartir com outro. o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão. que promova a pessoa e os direitos do outro. Filosofia e Religião. a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma. As virtualidades podem ser ativas e passivas. mas defenderei o direito de você dizê-lo até o fim". veio de fora do "eu". não é agir de qualquer jeito. Deus seria o autor da norma. Em realidade. Dessa forma. O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto. sugerindo a idéia de justiça. COMPORTAMENTO ÉTICO A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. Liga-se. mas de forma ordenada. a tolerância para com as faltas alheias.

F. R. M. a liberdade. 7. sociedade em que vivemos. psicológicas«). . SANTOS. liberdade civil. J. pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). Rio de Janeiro. O fim do homem é. o dever. dos. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condici onantes (físicas. Implica. B. C. Etimologicamente. Por isso. a obediência à vontade de Deus. muitas vezes. tempo. s/d/p. de S. o de realizar. É também uma liberdade solidária.J. Filosofia. logo. é condicionada e situada. Matese. imposto pela sua consciência. São Paulo. 3. 1965. FERREIRA. liberdade de expressão«). não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana. conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico. É de carácter racional. 1967. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário. quero ou não quero. CONCLUSÃO A Ética. M. primeiro que tudo. o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições.superiores em uma hierarquia. exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não. diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá -los sem coacções extremas. Campinas. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. F. 1989. A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência. Por isso. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. contrariando a própria. pelo exercício de sua liberdade. logo. Acostumados a confundir os meios com os fins. Rio de Janeiro. No senso comum..E. visto que não vivemos sozinhos no mundo. liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física. visto que a primeira é imediata face a um estímulo. Nova Fronteira. e mais concretamente a liberdade moral. A.C. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. B. In MORAIS. NOGUEIRA. ed. O exercício da liberdade exige reflexão e. a reacção é diferente da acção. Filosoficamente. 8. a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. Ética e Responsabilidade Pessoal. a palavra responsabilidade também vem do latim ( respondere) e significa ser capaz de comprometer -se. pois. Papirus. SP. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA y y y y ÁVILA. porque cada u m de nós só é livre com os outros. Situada porque se realiza dentro da circunstância. a perfeição de sua natureza. mundo. o silêncio ante uma ofensa recebida. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características.. de. A liberdade humana (pode chamar -se assim porque é de carácter racional e. se assim delimitar. Esta liberdade não é absoluta.

e ao mesmo tempo uma obrigação moral. de assumirmos os nossos actos. visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. Além disso. por sua vez. É reconhecermo -nos nos nossos actos. é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção. sendo ainda comum a referência a um terceiro tipo: administrativa [01]. se alguma. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente. pouca. com variados graus de sucesso. se não agirmos livremente. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Revista Artigo Os diversos tipos de responsabilidade jurídica Marcelo Azevedo Chamone Elaborado em 07/2008. delimitar cada uma delas. A princípio. a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa. não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos. e só podemos ser responsáveis se formos livres. conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta). sem que seja possível separar . A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional. o que vai de encontro à própria definição de liberdade. distinção essencial pode ser identificada. Os autores de cada área buscam. A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalme nte. Página 1 de 1 Desativar Realce a A Fala-se em basicamente em dois tipos de responsabilidade: civil e penal. Por outro lado. uma capacidade. compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo . durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados).A responsabilidade moral é. O mesmo ato danoso pode gerar mais de um tipo de responsabilidade. A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis. com consciência. com especial atenção dada às duas primeiras. que acaba por ser um desmembramento da responsabilidade penal.

cit.). 243-244). 1964. com Pontes de Miranda. p. à feição do que se poderia denominar parnasianismo jurídico" (Brossard. como faz Frederico Marques (apud Brossard. também chegam os Mazeaud (loc. por identificar a divisão na gravidade da violação à ordem jurídica. p. De forma semelhante. Os Mazeaud (1931. cit. LXII) entende . à sociedade como um todo. Código Brasileiro de Aeronáutica.) acaba. Para o autor. no plano biológico. 64). enquanto na responsabilidade civil uma reparação. como faz Magalhães Noronha (1967. 19-20). ou como aquela definida pela lei penal. no entanto à posição de Aguiar Dias (1960. 121). atingindo pessoa determinada. o que diferencia uma sanção civil de uma penal? Classificar. "no regime jurídico a que a repulsa estiver subordinada". 1964. Ademais. afirma que toda lesão individual também atinge a ordem social. da mesma forma. Para Zaffaroni et al (2004. como faz Marcos Bernardes de Mello (2003. e nem mesmo a responsabilidade administrativa. 5-8) fazem a distinção com base na repercussão da lesão. Código de Defesa do Consumidor e extravio de bagagem Considerações sobre o adultério virtual A responsabilidade civil das instituições financeiras A responsabilidade civil aplicada às perícias médicas judiciais A responsabilidade civil das ferrovias e suas determinantes para o rompimento do nexo causal "Se. isto é. outrossim. 18). de modo que a responsabilidade será penal se houver dano à ordem social.. pois. nega a haveria qualquer diferença ontológica entre as responsabilidades civil e penal. Aguiar Dias (1960. p. p. e civil se o dano for privado. p. é dizer nada. Também Basileu Garcia (1968. estèticamente repartidas e catalogadas. as divisas entre o mundo vegetal e o animal nem sempre são nítidas. p. Textos relacionados y y y y y Convenção de Varsóvia. ex.que parte do ato leva a que tipo de responsabilidade. apoiado na lição de Merkl. Magalhães Noronha (loc. p. no elenco das instituições nem sempre é fácil distribuí-las em categorias estanques. a responsabilidade penal com base na "sanção abstratamente cominada". p. p. p. Tampouco é útil tentar construir uma diferenciação com base no bem jurídico lesado. enquanto a penal tem um "caráter especificamente preventivo ou particularmente reparador". Teixeira de Freitas (2003. conclusão a que. 99) essa linha estaria no caráter da sanção ± a sanção civil proviria uma prevenção e reparação ordinária. p. Mas. Aderimos. p. a diferenciação se faria pelo órgão que aplica a sanção. pois frequentemente a lesão a um mesmo bem jurídico pode gerar mais de um tipo de responsabilização. a categoria hoje reconhecida de direitos difusos e coletivos torna essa distinção inidônea. afinal. 71). Assim é que Régis de Oliveira (2005. 17-18) rejeita esta distinção. então. 17-18) situa a divisão em haver interesse público ou meramente individual. para quem a diferença estaria em que na responsabilidade penal se busca uma punição.

p. p. Responsabilidade administrativa A responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas. "que a Administração Pública exerce sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade" (Hely Lopes Meirelles. economicamente viável e pacífica (Darlan Bittercourt et al. entende-se que a sanção administrativa . Na esfera penal o princípio da legalidade se faz presente com intensidade máxima. que têm por fim último a prevenção e a retribuição do ato-fato criminoso e. de modo a evitar a bellum omnium contra omnes. a ressocialização do infrator. 1997. da mesma forma. p. Hely Lopes Meirelles.que é a "sancção da pena" que "estrema as Leis Criminaes das Leis Civis". 114). 458). José Afonso. i. principalmente. 57). 2. 2004. lesionando o bem jurídico tutelado (tipicidade penal) (cf. 2004. 484-485). ela se fundamenta na capacidade que as pessoas jurídicas de direito público têm de impor condutas ao administrado ± é o poder administrativo. 2004. nos limites das respectivas competências institucionais (cf. e contravenções ± condutas menos graves. a que a lei comina sanções igualmente mais gravosas. acrescendo ainda que "as disposições criminaes são a sancção inseparavel das disposições civis" (2003. inerente à Administração dos entes políticos. A nossa legislação trata de duas categorias diferentes de infrações penais (ou delitos. resultando na imposição de uma sanção punitiva. p. se houver prévia cominação em lei. Zaffaroni et al. na definição de Welzel (apud Zaffaroni et al. p. tal como na esfera penal. 101). 2004. no que se refere aos poderes disciplinar e de polícia.. [03] Assim. 1. A responsabilização penal se restringe às sanções próprias do Direito Penal. 304-305). é de especial interesse o poder de polícia administrativa. Todos os entes estatais possuem poder de polícia referentemente à matéria que lhes cabe regular. apenas reveladoras de perigo. p. sujeitando o infrator a uma sanção de natureza também administrativa. a que a lei comina sanções de pequena monta (cf. distinguindo-se pela natureza das sanções e pelos fins que cada um persegue. 1996. sua readequação social. visando a estabilidade social. somente há apenamento para a conduta. 1996. veiculados por meio de ações condenatórias. Dentre esses poderes. Tanto o direito penal como o direito administrativo. somente sendo admissível o enquadramento de determinada conduta como delito penal (tipicidade) se a conduta for legalmente proibida e violar a norma [02]. 435-436). José Afonso. 301. de que resultam danos ou perigos próximos.e. são direitos sancionatórios. segundo a orientação legislativa corrente. p. Responsabilidade penal A responsabilidade penal tem como fundamento e objetivo a manutenção da paz social. ou crimes em sentido lato): crimes em sentido estrito ± ofensas graves a interesses juridicamente protegidos de alto valor. p.

para a responsabilidade civil bastava a caracterização da culpa. 3. jun/1997. e administrativa. portanto. Atualmente. Lineamentos da responsabilidade civil ambiental. 186) e outra de responsabilidade objetiva (art. n. Direito penal. 740. enquanto parte desta Administração". observando-se o devido processo legal (CF. 46-47).). reparar o dano ou ressarcir o prejuízo causado por sua conduta antijurídica. art. art. tal como a penal. 927. 1. para fins de indenização. A aplicação de sanção administrativa. 2ª ed. sendo desnecessária a demonstração do dolo. Lisboa: AAFDL. transmitindo-se tão somente a sanção de natureza reparatória (cf. Hoje. 2005. Régis de Oliveira. LV).. XLV). Partindo de um sistema onde a regra era a responsabilidade subjetiva. Ricardo Kochinski. §ú). ainda que. Tereza Pizzaro. Darlan Rodrigues. 5º. vol. Na responsabilidade civil encontramos o regime menos estrito de todos. p. definindo pena e sanção administrativa por sua essência. e excepcionalmente a culpa. p. 53-95. enquanto na responsabilidade penal. Bibliografia BELEZA.e. ao contrário do que lecionava a doutrina clássica. o nosso sistema agasalha um sistema que vem sendo chamado de dúplice.. Responsabilidade civil A responsabilidade civil impõe ao agente a obrigação legal de tornar indene a vítima do dano. 1985. MARCONDES. São Paulo: RT. Para Goldschmidt (apud Régis de Oliveira. deve necessariamente ser precedida de processo administrativo. via de regra somente se sanciona o dolo. 35. 2005. In: Revista dos tribunais. a evolução levou à ampla aceitação da idéia de responsabilidade objetiva para casos determinados a partir da previsão casos específicos de presunção de culpa e de responsabilidade sem culpa. o dano a ser reparado não será necessariamente da ordem patrimonial. com duas regras gerais: uma de responsabilidade subjetiva (CC. possa ser expresso em valores monetários. onde haverá contraditório e ampla defesa.de natureza punitiva não deve passar ao sucessor do infrator (CF 5º. i. . BITTENCOURT. "delito administrativo será somente o descumprimento de uma obrigação positiva que o cidadão tem para com a Administração enquanto membro da sociedade e. p. 4.

2003. 1964. 1.. São Paulo: RT. Direito administrativo brasileiro. 4ª ed. São Paulo: Max Limonad. ZAFFARONI. Direito ambiental constitucional. 2v. 64). 12ª ed. São Paulo: RT. Já quanto ao crime de responsabilidade. v. Germano Marques da. 1970. SILVA. 21ª ed.. III. nos sistemas parlamentaristas. São Paulo: Malheiros. MAZEAUD. MEIRELLES. Régis Fernandes de. Direito penal português. 2ª ed. Manual de direito penal brasileiro ± parte geral. José Afonso da.º. Notas 1. São Paulo: Malheiros. Lisboa: Verbo. 4ª ed. Traité théorique et pratique de la responsabilité civile délictuelle et contractuelle. Paris: Recueil Sirey. 1968. São Paulo: Saraiva. Paulo. Magalhães. 1. 2004. Da responsabilidade civil. 2ª ed. MAZEAUD. A primeira nos parece descabida. Hely Lopes. criminal (Pontes de Miranda. 1967. 2ª ed. DIAS. Há ainda quem fale em responsabilidade política quanto aos crimes de responsabilidade e. GARCIA.BROSSARD. 1931. fac-similar. 1960. José de Aguiar. Francisco Cavalcanti. ou ainda mista (José Frederico Marques. Basileu. 2004. Esta última é completamente não-jurídica. Eugenio Raúl. vol. Marco Bernardes de. Instituições de direito penal. 4ª ed. 2001. NORONHA. São Paulo: Saraiva. José Henrique. ex. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle F. E. FREITAS. por Eurico de Andrade Azevedo. 1964).. MELLO. Teoria do fato jurídico: plano da existência. apud Brossard. Rio de Janeiro: Forense. Comentários à Constituïção de 1967 com a emenda nº 1 de 1969. 355).. 2003. 1996. p. prevalecem os entendimentos de que seja de natureza política (Brossard. não é pacífica a sua natureza. vol. São Paulo: RT. PIERANGELI. atual. Augusto Teixeira de.. OLIVEIRA. 1.... SILVA. PONTES DE MIRANDA. 2v. e não tem qualquer relação com a categoria ora estudada. O impeachment. 5ª ed. Porto Alegre: Livraria do Globo. 5ª ed. 1. pois ainda que quando julgado pelo Legislativo a decisão seja . à moção de desconfiança. Infrações e sanções administrativas. Direito penal. 2005. Consolidação das leis civis. Henri. p. p. Ed. vol. t.. Brasília: Senado Federal. 1970. 3v.. Léon.

1985. "as sanções disciplinares têm fins idênticos às das penas criminais. 61). "Tendo embora um carácter menos agressivo que o direito penal. e que tem como única conseqüência a perda do cargo político. i. verificase se o bem lesado estava juridicamente protegido no caso concreto. por ser ele a espécie mais trabalhada. diversamente da verdadeira responsabilidade política. por aquilo que mais convenha ao seu desempenho actual e futuro" (p. 2. .insindicável em seu mérito. o direito penal administrativo ou o chamado direito penal económico) num género mais vasto a que costuma chamar-se µdireito repressivo¶ ou. Germano Marques da Silva. O termo norma é utilizado como o resultado do diálogo entre as regras proibitivas e as preceptivas e fomentadoras de determinada conduta. além de prever sanções que não apenas a perda do cargo público. Mas aquelas sanções têm essencialmente em vista o interesse da função que defendem e a sua actuação repressiva e preventiva é condicionada pelo interesse dessa função. tem defendido a aplicação. ainda que com resistências esporádicas. 145). µdireito sancionatório de carácter punitivo¶. que não pressupõe ilícito e nem dano.Lei nº 201/1967). o direito disciplinar integra-se com ele e com alguns outros ramos (como o direito de mera ordenação social.e. de tais ideias e princípios ao direito disciplinar" (Teresa Pizarro Beleza. somente terá cabimento a condenação quando fundamentada em uma das hipóteses previstas em lei (Lei nº 1079/1950 e Dec. Este ramo mais vasto é naturalmente dominado pelas ideias e princípios do direito penal. menos enfaticamente. p. Ainda segundo o mesmo autor. 2001. É por isso que a doutrina. Cf. como elas reprovam e procuram prevenir faltas idênticas por parte de quem quer que seja obrigado a deveres disciplinares e especialmente daquele que os violou. 3. 144. adaptada. p.