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Ética e Responsabilidade
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro da sociedade.

2. CONCEITO
Ética - do gr. ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989) Responsabilidade - do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO
3.1. ANTIGUIDADE Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento

Depois destes. no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo. que a Ética é a ciência da Moral. de acordo com Sócrates. Sócrates. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes.2. a Moral. surge nesse contexto. Então. análogas à forma do bem. que é filho e Deus ao mesmo tempo. Sócrates dizia que a virtude é conhecimento. Aristóteles deu à ética bases seguras. A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego. Müller. referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas. dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. mas nos valores éticos. e esta implica. a ética do amor ao próximo. Contudo. Ortega y Gasset etc. e o vício. e que a virtude é o caminho dessa felicidade. torna-se o grande arauto de uma nova ética. Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. (Santos. pela especulação da Lei. ou seja. Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma. é mais abrangente. Como vemos. Contudo. à variante. é mais específica. Para os protestantes. a liberdade. o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina.do grego ethos significa comportamento. costumes. procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes.ético. o quebra tudo.. essencialmente. surgem Scheller (1874-1928) . tão longe quanto lhe seja possível alcançar. ou seja. A Moral. que penetram na ética axiológica. examinados e procurados de per si. Platão e Aristóteles são os seus principais representantes. convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa. fundamentalmente. Porém. a Ética. IDADE MÉDIA Na Idade Média. a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores.3. Não espera algo de fora.do latim mores. é o resultado da ignorância. Pode-se dizer. especificamente o Catolicismo. Kant dá prosseguimento à construção da própria moral. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão. 3. IDADE MODERNA Kant. Moral . somente a educação pode tornar o homem moralizado. Muitos são os filósofos que seguiram Kant. que distorcem a pureza do cristianismo primitivo. Ética e Moral distinguem-se. há uma relação entre ambas. ÉTICA E MORAL Ética . A Ética. essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes. enquanto a Ética é especulativa. Nesse período. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal. As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. refere-se à norma invariante. O Pai. a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. A revelação religiosa pertence à religião. 1965) 4. Jesus. os valores éticos são condicionados pela religião cristã. pois a . 3. estuda a ética do ângulo dos valores. isto é. a ética não é baseada na revelação.

(Santos. Para os cristãos. que são especificamente diferentes do que podem ser. mas que podem ser assumidas de outra forma. Segundo Sócrates. ideológicos. Em realidade. é a criação de condições para que o outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado. Dessa forma. Deixarse guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem. Liga-se. mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido.sistematização da segunda tem íntima relação com a primeira. o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão. mas se consolida pelo contato entre os seres humanos. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida. não é agir de qualquer jeito. para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. É o poder que temos de atualizar nossas virtualidades. assim. O pensamento científico auxilia. 1965) 5. a obediência aos . as ações individuais no cumprimento dos deveres. sugerindo a idéia de justiça. que promova a pessoa e os direitos do outro. Assim. isto é. já estão determinadas de uma forma. As virtualidades podem ser ativas e passivas. sobretudo quando esses direitos são espezinhados. A autonomia. O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. tem como objetivo o interesse público. mas são os aspectos psicológicos. repartir com outro. O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma. semelhante à do eremita no deserto. A ação humana. sabemos que estão em ato sob uma forma. devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. Se ativas. Nomos vem do verbo nemo que significa dividir. mas defenderei o direito de você dizê-lo até o fim". que se eleva acima do consenso da opinião da multidão. Voltaire afirma com veemência: "Não concordo com o que você diz. é uma exceção. a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma. Por isso. surge das tensões das circunstâncias. A vivência. 1989) 6. isto é. as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos. Deus seria o autor da norma. a tolerância para com as faltas alheias. isto é. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE A autodeterminação expressa a essência do ser. generosa. embora restrita à responsabilidade pessoal. assim. se inativas. COMPORTAMENTO ÉTICO A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. Sua origem etimológica encontra-se no termo nomos de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. (Nogueira. religiosos e filosóficos que emprestam o maior peso à nossa deliberação na vida. não se realiza na solidão. Filosofia e Religião. mas de forma ordenada. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na transcendência do outro. A lei é o farol da ética. veio de fora do "eu". É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser.

. muitas vezes. Por isso.superiores em uma hierarquia. e mais concretamente a liberdade moral. Matese. se assim delimitar. F. 1965. visto que não vivemos sozinhos no mundo. Implica. SP. A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência. 7. tempo. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Por isso. O fim do homem é. não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana.. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA y y y y ÁVILA. Filosoficamente. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário. a obediência à vontade de Deus. R. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. o dever. Papirus. liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física. pois. Situada porque se realiza dentro da circunstância. No senso comum. imposto pela sua consciência. pelo exercício de sua liberdade. o silêncio ante uma ofensa recebida. NOGUEIRA. In MORAIS.C. a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. é condicionada e situada. de S. liberdade de expressão«). A. diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá -los sem coacções extremas. a perfeição de sua natureza. Rio de Janeiro. a liberdade. M. s/d/p. liberdade civil. São Paulo. CONCLUSÃO A Ética. quero ou não quero. Nova Fronteira. Rio de Janeiro. o de realizar. porque cada u m de nós só é livre com os outros. M. B. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não. A liberdade humana (pode chamar -se assim porque é de carácter racional e. de. SANTOS. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características. Acostumados a confundir os meios com os fins. ed. visto que a primeira é imediata face a um estímulo. 8. conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico. C. a palavra responsabilidade também vem do latim ( respondere) e significa ser capaz de comprometer -se. 3. pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo.J. Filosofia. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. psicológicas«).E. J. sociedade em que vivemos. 1989. O exercício da liberdade exige reflexão e. a reacção é diferente da acção. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condici onantes (físicas. Ética e Responsabilidade Pessoal. FERREIRA. o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. dos. logo. B. É de carácter racional. primeiro que tudo. de H. É também uma liberdade solidária. F. logo. 1967. . Etimologicamente. Esta liberdade não é absoluta. Campinas. contrariando a própria. mundo. Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos).

Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Revista Artigo Os diversos tipos de responsabilidade jurídica Marcelo Azevedo Chamone Elaborado em 07/2008. sem que seja possível separar . se não agirmos livremente. distinção essencial pode ser identificada. visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. sendo ainda comum a referência a um terceiro tipo: administrativa [01]. Página 1 de 1 Desativar Realce a A Fala-se em basicamente em dois tipos de responsabilidade: civil e penal. é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção. visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo . delimitar cada uma delas. A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalme nte. Além disso. Os autores de cada área buscam. não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos. A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis.A responsabilidade moral é. que acaba por ser um desmembramento da responsabilidade penal. A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional. de assumirmos os nossos actos. uma capacidade. É reconhecermo -nos nos nossos actos. O mesmo ato danoso pode gerar mais de um tipo de responsabilidade. o que vai de encontro à própria definição de liberdade. pouca. durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados). por sua vez. com consciência. se alguma. com variados graus de sucesso. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente. compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. e ao mesmo tempo uma obrigação moral. com especial atenção dada às duas primeiras. conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta). e só podemos ser responsáveis se formos livres. A princípio. Por outro lado. a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa.

a categoria hoje reconhecida de direitos difusos e coletivos torna essa distinção inidônea. p. Para Zaffaroni et al (2004. como faz Frederico Marques (apud Brossard. a responsabilidade penal com base na "sanção abstratamente cominada". 19-20). ou como aquela definida pela lei penal. a diferenciação se faria pelo órgão que aplica a sanção. "no regime jurídico a que a repulsa estiver subordinada". como faz Marcos Bernardes de Mello (2003. apoiado na lição de Merkl. 17-18) rejeita esta distinção. enquanto a penal tem um "caráter especificamente preventivo ou particularmente reparador". Ademais. como faz Magalhães Noronha (1967. à sociedade como um todo. para quem a diferença estaria em que na responsabilidade penal se busca uma punição. p. Também Basileu Garcia (1968.) acaba. atingindo pessoa determinada. e civil se o dano for privado. p. e nem mesmo a responsabilidade administrativa. p. 71). 64). nega a haveria qualquer diferença ontológica entre as responsabilidades civil e penal. p. no elenco das instituições nem sempre é fácil distribuí-las em categorias estanques. enquanto na responsabilidade civil uma reparação.que parte do ato leva a que tipo de responsabilidade.. Os Mazeaud (1931. 17-18) situa a divisão em haver interesse público ou meramente individual. cit. 99) essa linha estaria no caráter da sanção ± a sanção civil proviria uma prevenção e reparação ordinária. p. afirma que toda lesão individual também atinge a ordem social. então. isto é. p. 5-8) fazem a distinção com base na repercussão da lesão. p. p. também chegam os Mazeaud (loc. conclusão a que. pois frequentemente a lesão a um mesmo bem jurídico pode gerar mais de um tipo de responsabilização. p. p. o que diferencia uma sanção civil de uma penal? Classificar. estèticamente repartidas e catalogadas. 1964. com Pontes de Miranda. 121). ex. LXII) entende . Tampouco é útil tentar construir uma diferenciação com base no bem jurídico lesado. De forma semelhante. é dizer nada. da mesma forma. Código Brasileiro de Aeronáutica. cit. Magalhães Noronha (loc. as divisas entre o mundo vegetal e o animal nem sempre são nítidas. Aderimos. 243-244). Textos relacionados y y y y y Convenção de Varsóvia. no entanto à posição de Aguiar Dias (1960. por identificar a divisão na gravidade da violação à ordem jurídica. Para o autor. 1964. outrossim. Mas. afinal. Código de Defesa do Consumidor e extravio de bagagem Considerações sobre o adultério virtual A responsabilidade civil das instituições financeiras A responsabilidade civil aplicada às perícias médicas judiciais A responsabilidade civil das ferrovias e suas determinantes para o rompimento do nexo causal "Se. p. Aguiar Dias (1960. Assim é que Régis de Oliveira (2005. de modo que a responsabilidade será penal se houver dano à ordem social. 18).). Teixeira de Freitas (2003. no plano biológico. pois. à feição do que se poderia denominar parnasianismo jurídico" (Brossard.

José Afonso. 1996. nos limites das respectivas competências institucionais (cf. 57). Tanto o direito penal como o direito administrativo. economicamente viável e pacífica (Darlan Bittercourt et al. de modo a evitar a bellum omnium contra omnes. 435-436). p. segundo a orientação legislativa corrente. apenas reveladoras de perigo. p. somente há apenamento para a conduta. resultando na imposição de uma sanção punitiva. p. visando a estabilidade social. somente sendo admissível o enquadramento de determinada conduta como delito penal (tipicidade) se a conduta for legalmente proibida e violar a norma [02]. [03] Assim. 2. A nossa legislação trata de duas categorias diferentes de infrações penais (ou delitos. Responsabilidade administrativa A responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas. José Afonso. 114). "que a Administração Pública exerce sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade" (Hely Lopes Meirelles. entende-se que a sanção administrativa . ou crimes em sentido lato): crimes em sentido estrito ± ofensas graves a interesses juridicamente protegidos de alto valor. 2004. 458). sujeitando o infrator a uma sanção de natureza também administrativa. são direitos sancionatórios. distinguindo-se pela natureza das sanções e pelos fins que cada um persegue. da mesma forma. i. veiculados por meio de ações condenatórias.que é a "sancção da pena" que "estrema as Leis Criminaes das Leis Civis".. ela se fundamenta na capacidade que as pessoas jurídicas de direito público têm de impor condutas ao administrado ± é o poder administrativo. e contravenções ± condutas menos graves. que têm por fim último a prevenção e a retribuição do ato-fato criminoso e. p. principalmente. 1997. 301. lesionando o bem jurídico tutelado (tipicidade penal) (cf. 2004.e. se houver prévia cominação em lei. tal como na esfera penal. Dentre esses poderes. p. sua readequação social. Zaffaroni et al. no que se refere aos poderes disciplinar e de polícia. 304-305). a que a lei comina sanções igualmente mais gravosas. Todos os entes estatais possuem poder de polícia referentemente à matéria que lhes cabe regular. A responsabilização penal se restringe às sanções próprias do Direito Penal. Hely Lopes Meirelles. 101). a ressocialização do infrator. a que a lei comina sanções de pequena monta (cf. inerente à Administração dos entes políticos. 1996. 1. p. é de especial interesse o poder de polícia administrativa. 2004. de que resultam danos ou perigos próximos. p. Na esfera penal o princípio da legalidade se faz presente com intensidade máxima. na definição de Welzel (apud Zaffaroni et al. Responsabilidade penal A responsabilidade penal tem como fundamento e objetivo a manutenção da paz social. 2004. acrescendo ainda que "as disposições criminaes são a sancção inseparavel das disposições civis" (2003. p. 484-485).

XLV). art. enquanto na responsabilidade penal. a evolução levou à ampla aceitação da idéia de responsabilidade objetiva para casos determinados a partir da previsão casos específicos de presunção de culpa e de responsabilidade sem culpa. Responsabilidade civil A responsabilidade civil impõe ao agente a obrigação legal de tornar indene a vítima do dano. enquanto parte desta Administração". o nosso sistema agasalha um sistema que vem sendo chamado de dúplice. LV). 186) e outra de responsabilidade objetiva (art. tal como a penal. Para Goldschmidt (apud Régis de Oliveira. 2005. 2005. sendo desnecessária a demonstração do dolo. Atualmente. 1. transmitindo-se tão somente a sanção de natureza reparatória (cf. "delito administrativo será somente o descumprimento de uma obrigação positiva que o cidadão tem para com a Administração enquanto membro da sociedade e. observando-se o devido processo legal (CF. com duas regras gerais: uma de responsabilidade subjetiva (CC. 46-47). Direito penal. para a responsabilidade civil bastava a caracterização da culpa. 53-95. MARCONDES. portanto. Na responsabilidade civil encontramos o regime menos estrito de todos. i. Tereza Pizzaro. p. onde haverá contraditório e ampla defesa. reparar o dano ou ressarcir o prejuízo causado por sua conduta antijurídica.e. São Paulo: RT. via de regra somente se sanciona o dolo.. In: Revista dos tribunais. BITTENCOURT.). A aplicação de sanção administrativa. Bibliografia BELEZA. 740. o dano a ser reparado não será necessariamente da ordem patrimonial.de natureza punitiva não deve passar ao sucessor do infrator (CF 5º. e excepcionalmente a culpa. 1985. jun/1997. Lineamentos da responsabilidade civil ambiental. Hoje. vol. §ú). Ricardo Kochinski. deve necessariamente ser precedida de processo administrativo. ainda que. ao contrário do que lecionava a doutrina clássica. 4. n. Darlan Rodrigues. Partindo de um sistema onde a regra era a responsabilidade subjetiva. possa ser expresso em valores monetários. p. p. 35. para fins de indenização. definindo pena e sanção administrativa por sua essência. 927. 2ª ed. Régis de Oliveira.. art. Lisboa: AAFDL. . 5º. e administrativa. 3.

2v.. Instituições de direito penal. PONTES DE MIRANDA.. 3v. Da responsabilidade civil. Direito administrativo brasileiro. 2004. Henri. Régis Fernandes de. São Paulo: Malheiros.. v. MEIRELLES. Eugenio Raúl. t.. prevalecem os entendimentos de que seja de natureza política (Brossard.. 2005. Porto Alegre: Livraria do Globo. José Henrique. 5ª ed. Notas 1. ex.º. Direito ambiental constitucional. MAZEAUD. 1970. 1996.. criminal (Pontes de Miranda. 4ª ed. A primeira nos parece descabida. nos sistemas parlamentaristas. atual. Paulo. ou ainda mista (José Frederico Marques. p. Augusto Teixeira de. PIERANGELI. 1970. Germano Marques da. SILVA.. vol. 1964). não é pacífica a sua natureza. 1. 2003. p. ZAFFARONI. MELLO. Lisboa: Verbo. São Paulo: RT. José de Aguiar. NORONHA.BROSSARD. 1964. 2ª ed. Direito penal. São Paulo: Saraiva. DIAS. Léon. Infrações e sanções administrativas. Hely Lopes. p. por Eurico de Andrade Azevedo. Traité théorique et pratique de la responsabilité civile délictuelle et contractuelle. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: RT. apud Brossard. 4ª ed. 2ª ed. 1. E. São Paulo: RT. 1960. FREITAS. Consolidação das leis civis. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle F.. São Paulo: Malheiros. Brasília: Senado Federal. Já quanto ao crime de responsabilidade. Há ainda quem fale em responsabilidade política quanto aos crimes de responsabilidade e. Magalhães. GARCIA. OLIVEIRA. 5ª ed. Marco Bernardes de. e não tem qualquer relação com a categoria ora estudada. O impeachment. 1. São Paulo: Saraiva. José Afonso da. 4ª ed. 1968. Francisco Cavalcanti. à moção de desconfiança. Esta última é completamente não-jurídica. vol. 1. vol. Teoria do fato jurídico: plano da existência. MAZEAUD. fac-similar. Basileu. Paris: Recueil Sirey. III. 21ª ed. 2v. 12ª ed. 64). 2ª ed. 1967. 1931.. 2004. 2001. pois ainda que quando julgado pelo Legislativo a decisão seja .. São Paulo: Max Limonad. 2003. Comentários à Constituïção de 1967 com a emenda nº 1 de 1969. Direito penal português. Ed. Manual de direito penal brasileiro ± parte geral. 355). SILVA.

de tais ideias e princípios ao direito disciplinar" (Teresa Pizarro Beleza. como elas reprovam e procuram prevenir faltas idênticas por parte de quem quer que seja obrigado a deveres disciplinares e especialmente daquele que os violou. O termo norma é utilizado como o resultado do diálogo entre as regras proibitivas e as preceptivas e fomentadoras de determinada conduta. adaptada. 2. p. tem defendido a aplicação. µdireito sancionatório de carácter punitivo¶. 2001. "as sanções disciplinares têm fins idênticos às das penas criminais.e. por ser ele a espécie mais trabalhada. somente terá cabimento a condenação quando fundamentada em uma das hipóteses previstas em lei (Lei nº 1079/1950 e Dec. o direito penal administrativo ou o chamado direito penal económico) num género mais vasto a que costuma chamar-se µdireito repressivo¶ ou. além de prever sanções que não apenas a perda do cargo público. por aquilo que mais convenha ao seu desempenho actual e futuro" (p. Este ramo mais vasto é naturalmente dominado pelas ideias e princípios do direito penal. "Tendo embora um carácter menos agressivo que o direito penal. verificase se o bem lesado estava juridicamente protegido no caso concreto. diversamente da verdadeira responsabilidade política. ainda que com resistências esporádicas. 145). . 1985. e que tem como única conseqüência a perda do cargo político. p. i. que não pressupõe ilícito e nem dano. Germano Marques da Silva. É por isso que a doutrina. Ainda segundo o mesmo autor. 144. menos enfaticamente.Lei nº 201/1967). o direito disciplinar integra-se com ele e com alguns outros ramos (como o direito de mera ordenação social.insindicável em seu mérito. Mas aquelas sanções têm essencialmente em vista o interesse da função que defendem e a sua actuação repressiva e preventiva é condicionada pelo interesse dessa função. 61). 3. Cf.

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