Tipos de Responsabilidade

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Ética e Responsabilidade
Sérgio Biagi Gregório SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Histórico: 3.1. Antigüidade; 3.2. Idade Média; 3.3. Idade Moderna. 4. Ética e Moral. 5. Autodeterminação e Responsabilidade. 6. Comportamento Ético. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletir sobre a ética e a responsabilidade, no sentido de motivar as nossas ações para a prática do bem. Assim, analisaremos o problema do comportamento ético-moral e a autodeterminação do indivíduo dentro da sociedade.

2. CONCEITO
Ética - do gr. ethos significa originalmente morada, seja o habitat dos animais, seja a morada do homem, lugar onde ele se sente acolhido e abrigado. O segundo sentido, proveniente deste, é costume, modo ou estilo habitual de ser. A morada, vista metaforicamente, indica justamente que, a partir do ethos, o espaço do mundo torna-se habitável para o homem. Assim, o espaço do ethos enquanto espaço humano, não é dado ao homem, mas por ele construído ou incessantemente reconstruído. (Nogueira, 1989) Responsabilidade - do lat. responsabilitas, de respondere = responder, estar em condições de responder pelos atos praticados, de justificar as razões das próprias ações. De direito, todo o homem é responsável. Toda a sociedade é organizada numa hierarquia de autoridade, na qual cada um é responsável perante uma autoridade superior. Quando o homem infringe uma de suas responsabilidades cívicas, deve responder pelo seu ato perante a justiça. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) Responsabilidade moral. Filos. 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2. Obrigação de reparar o mal que se causou aos outros. (Dicionário Aurélio)

3. HISTÓRICO
3.1. ANTIGUIDADE Desde que o homem teve de viver em conjunto com outros homens, as normas de comportamento moral têm sido necessárias para o bem estar do grupo. Muitas destas normas eram extraídas das religiões existentes, que cheias de dogmas e tabus impunham uma dose de irracionalidade ao valor moral. Mesmo entre os chineses, que não possuíam uma religião organizada, havia muitas normas esotéricas de comportamento

a Ética. Para Kant a Ética é autônoma e não heterônoma. que distorcem a pureza do cristianismo primitivo. Sócrates. que penetram na ética axiológica. (Santos. ÉTICA E MORAL Ética . Aquilo que o homem procura está dentro dele mesmo. surge nesse contexto. IDADE MÉDIA Na Idade Média. mas nos valores éticos. isto é. pois a . a liberdade.2. fundamentalmente.3. Depois destes. Platão estabelece que a vida ética é gradativamente mais elevada pela adequação desta às idéias (eide) superiores. os valores éticos são condicionados pela religião cristã. Ética e Moral distinguem-se. e esta implica. análogas à forma do bem. Nesse período.ético. 3.do latim mores. surgem Scheller (1874-1928) . Porém. tão longe quanto lhe seja possível alcançar. Como vemos. examinados e procurados de per si. a ética do amor ao próximo. e o vício. de acordo com Sócrates. referindo-se aos costumes dos povos nas diversas épocas. Para os protestantes. estuda a ética do ângulo dos valores. A Ética. refere-se à norma invariante. o quebra tudo. a Moral. Jesus. essa ética é conspurcada pelos juízos de valores de seus representantes. procurando o nexo entre os meios e os fins dos referidos costumes. Sócrates dizia que a virtude é conhecimento. que é filho e Deus ao mesmo tempo. a lei é ditada pela própria consciência moral e não por qualquer instância alheia ao Eu. Kant dá prosseguimento à construção da própria moral. 1965) 4. convém fazermos uma distinção: a Moral é normativa. pela especulação da Lei. Moral . Muitos são os filósofos que seguiram Kant. no século XVI começou a sofrer a pressão do Protestantismo. O filósofo ético deve procurar os fundamentos ontológicos dessa disciplina. O Pai. há uma relação entre ambas.do grego ethos significa comportamento. Contudo. Contudo. é mais abrangente. A Patrística e a Escolástica são os seus representantes. Pode-se dizer. que a Ética é a ciência da Moral. enquanto a Ética é especulativa. Aristóteles deu à ética bases seguras. A Moral. costumes. à variante. ou seja. Ortega y Gasset etc. Embora utilizamos os dois termos para expressarmos as noções do bem e do mal. essencialmente. Müller. torna-se o grande arauto de uma nova ética. é mais específica. dá-se ênfase à revelação dos livros sagrados. As exortações católicas mantiveram-se por longos anos. e que a virtude é o caminho dessa felicidade. somente a educação pode tornar o homem moralizado. Não espera algo de fora. A especulação exotérica começa somente com o pensamento grego.. A revelação religiosa pertence à religião. 3. especificamente o Catolicismo. o Filho e o Espírito Santo determinam as normas de conduta. Dizia que o fim do homem é a felicidade temporal da vida de conformidade com a razão. IDADE MODERNA Kant. é o resultado da ignorância. a reação de algumas Igrejas às determinações da Igreja de Roma. Então. ou seja. a ética não é baseada na revelação. Platão e Aristóteles são os seus principais representantes.

surge das tensões das circunstâncias. O princípio da autodeterminação moral é a base do comportamento ético adulto. a tolerância para com as faltas alheias. não é agir de qualquer jeito.sistematização da segunda tem íntima relação com a primeira. Se ativas. É o poder que temos de atualizar nossas virtualidades. Assim. para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. Filosofia e Religião. O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem. que são especificamente diferentes do que podem ser. Em realidade. isto é. embora restrita à responsabilidade pessoal. religiosos e filosóficos que emprestam o maior peso à nossa deliberação na vida. é uma exceção. Voltaire afirma com veemência: "Não concordo com o que você diz. repartir com outro. assim. As virtualidades podem ser ativas e passivas. a obediência aos . sobretudo quando esses direitos são espezinhados. já estão determinadas de uma forma. Liga-se. mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. A lei é o farol da ética. sugerindo a idéia de justiça. sabemos que estão em ato sob uma forma. A ação humana. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. Para os cristãos. Deus seria o autor da norma. veio de fora do "eu". Sua origem etimológica encontra-se no termo nomos de que o vocábulo lei (lex) é a tradução latina. mas que podem ser assumidas de outra forma. A autonomia. Nomos vem do verbo nemo que significa dividir. devem salvaguardar a liberdade própria e a do outro. não se realiza na solidão. se inativas. O pensamento científico auxilia. A vivência. o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão. isto é. generosa. O caráter invariante da Lei possibilita-nos questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por que? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma. que promova a pessoa e os direitos do outro. as ações individuais no cumprimento dos deveres. a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma. mas se consolida pelo contato entre os seres humanos. Por isso. Segundo Sócrates. Deixarse guiar-se pelas máximas alheias é perder o eu em si mesmo. COMPORTAMENTO ÉTICO A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. é a criação de condições para que o outro realize plenamente o seu projeto de vida ao qual foi destinado. ideológicos. que se eleva acima do consenso da opinião da multidão. (Nogueira. assim. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida. as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos. 1965) 5. isto é. 1989) 6. semelhante à do eremita no deserto. (Santos. Dessa forma. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. mas são os aspectos psicológicos. tem como objetivo o interesse público. A questão ética diz respeito ao auxílio que cada um possa exercer na transcendência do outro. AUTODETERMINAÇÃO E RESPONSABILIDADE A autodeterminação expressa a essência do ser. mas defenderei o direito de você dizê-lo até o fim". mas de forma ordenada.

Filosofia. a palavra responsabilidade também vem do latim ( respondere) e significa ser capaz de comprometer -se.. ed. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. é condicionada e situada. SP.E. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA y y y y ÁVILA. 1965. visto que a primeira é imediata face a um estímulo. se assim delimitar. No senso comum. diz respeito a uma capacidade humana para escolher ou decidir racionalmente quais os actos a praticar e praticá -los sem coacções extremas. pelo exercício de sua liberdade. B. CONCLUSÃO A Ética.superiores em uma hierarquia. F. Nada nos obriga a ter apenas uma alternativa. mundo. logo. O exercício da liberdade exige reflexão e. É de carácter racional. pois os homens devem pensar nas causas e consequências dos seus actos e na sua forma e conteúdo. a obediência à vontade de Deus. e mais concretamente a liberdade moral. R. a reacção é diferente da acção. o silêncio ante uma ofensa recebida. Implica. Campinas. a Moral e a Responsabilidade determinam a perfeição do ser. 1967. dos. A liberdade humana (pode chamar -se assim porque é de carácter racional e. . SANTOS. Papirus. logo. 7. Esta liberdade não é absoluta. primeiro que tudo. muitas vezes. F. Educação e Sociedade (Ensaios Filosóficos). liberdade de expressão«). B. visto que não vivemos sozinhos no mundo. psicológicas«). Rio de Janeiro. In MORAIS. exclusiva dos homens) reside em se poder dizer sim ou não. Situada porque se realiza dentro da circunstância. contrariando a própria. M. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. NOGUEIRA. A. Acostumados a confundir os meios com os fins. Todas as nossas acções são fruto das circunstâncias e das nossas próprias características. A palavra liberdade tem uma origem latina (libertas) e significa independência. C. a perfeição de sua natureza. a liberdade. Ética e Responsabilidade Pessoal. liberdade civil.. 3. o erro crasso de conceber a Moral como um mero e fastidioso catálogo de proibições. Condicionada porque intervêm no seu exercício múltiplas condici onantes (físicas. Por isso. O fim do homem é. J.J. de S. o dever. FERREIRA. sociedade em que vivemos. não conseguimos visualizar claramente o fim último da existência humana. pois. tempo. M. Matese. Nova Fronteira. Por isso. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. imposto pela sua consciência. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Para se compreender a relação entre a liberdade e a responsabilidade é necessário. 8. o de realizar. Etimologicamente. Filosoficamente. s/d/p. liberdade é uma palavra que pode ser definida em variados sentidos (liberdade física. de H. Rio de Janeiro. de. 1989. É também uma liberdade solidária.C. conhecer o que significam estas liberdades e a sua integração no contexto filosófico. quero ou não quero. São Paulo. porque cada u m de nós só é livre com os outros.

e ao mesmo tempo uma obrigação moral. com variados graus de sucesso. A liberdade e a responsabilidade estão tão ligadas na medida em que só somos realmente livres de formos responsáveis. Os autores de cada área buscam. A princípio. compreender que são eles que nos constroem e moldam como pessoas. de assumirmos os nossos actos. A responsabilidade implica que sejamos responsáveis antes do acto (ao escolhermos e decidirmos racionalme nte. Além disso. a liberdade e a responsabilidade são parâmetros essenciais na construção de um indivíduo como pessoa. uma capacidade. visto que as circunstâncias atenuantes seriam muito fortes. se alguma. e só podemos ser responsáveis se formos livres. com especial atenção dada às duas primeiras. É reconhecermo -nos nos nossos actos. por sua vez. delimitar cada uma delas. com consciência. o que vai de encontro à própria definição de liberdade. Página 1 de 1 Desativar Realce a A Fala-se em basicamente em dois tipos de responsabilidade: civil e penal. Por outro lado. conhecendo os motivos da nossa acção e ao tentar prever as consequências desta). que acaba por ser um desmembramento da responsabilidade penal. é capaz de assumir as causas e as consequências da sua acção. se não agirmos livremente. visto que é através da liberdade e da responsabilidade que um sujeito é capaz de se tornar efectivamente autónomo . durante o acto (na forma como actuamos) e depois do acto (no assumir das consequências que advêm dos actos praticados). O mesmo ato danoso pode gerar mais de um tipo de responsabilidade. pouca. sendo ainda comum a referência a um terceiro tipo: administrativa [01]. não podemos assumir totalmente as consequências dos nossos actos. Jjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjj Revista Artigo Os diversos tipos de responsabilidade jurídica Marcelo Azevedo Chamone Elaborado em 07/2008. sem que seja possível separar . A responsabilidade implica uma escolha e decisão racional. Só o sujeito que é capaz de escolher e decidir racionalmente. distinção essencial pode ser identificada.A responsabilidade moral é.

no elenco das instituições nem sempre é fácil distribuí-las em categorias estanques. enquanto na responsabilidade civil uma reparação. p. então. no plano biológico. por identificar a divisão na gravidade da violação à ordem jurídica. Aderimos. pois. com Pontes de Miranda. 1964. conclusão a que. isto é. p. atingindo pessoa determinada. p. e nem mesmo a responsabilidade administrativa. p. Aguiar Dias (1960. Para Zaffaroni et al (2004. 17-18) rejeita esta distinção. 71). p. da mesma forma. Código Brasileiro de Aeronáutica. p. Teixeira de Freitas (2003. como faz Magalhães Noronha (1967. p. Tampouco é útil tentar construir uma diferenciação com base no bem jurídico lesado. 18). ex. nega a haveria qualquer diferença ontológica entre as responsabilidades civil e penal. à sociedade como um todo. é dizer nada. afirma que toda lesão individual também atinge a ordem social. no entanto à posição de Aguiar Dias (1960. a diferenciação se faria pelo órgão que aplica a sanção. a responsabilidade penal com base na "sanção abstratamente cominada". 243-244). Textos relacionados y y y y y Convenção de Varsóvia. afinal. ou como aquela definida pela lei penal. estèticamente repartidas e catalogadas. cit. 1964. enquanto a penal tem um "caráter especificamente preventivo ou particularmente reparador". 19-20). a categoria hoje reconhecida de direitos difusos e coletivos torna essa distinção inidônea. 5-8) fazem a distinção com base na repercussão da lesão. Código de Defesa do Consumidor e extravio de bagagem Considerações sobre o adultério virtual A responsabilidade civil das instituições financeiras A responsabilidade civil aplicada às perícias médicas judiciais A responsabilidade civil das ferrovias e suas determinantes para o rompimento do nexo causal "Se. Ademais. 121). o que diferencia uma sanção civil de uma penal? Classificar. para quem a diferença estaria em que na responsabilidade penal se busca uma punição. Magalhães Noronha (loc.).) acaba. pois frequentemente a lesão a um mesmo bem jurídico pode gerar mais de um tipo de responsabilização. p. p. 17-18) situa a divisão em haver interesse público ou meramente individual. De forma semelhante. à feição do que se poderia denominar parnasianismo jurídico" (Brossard. de modo que a responsabilidade será penal se houver dano à ordem social. as divisas entre o mundo vegetal e o animal nem sempre são nítidas. cit. como faz Marcos Bernardes de Mello (2003. "no regime jurídico a que a repulsa estiver subordinada". e civil se o dano for privado. como faz Frederico Marques (apud Brossard. outrossim. Assim é que Régis de Oliveira (2005. Também Basileu Garcia (1968. Mas.que parte do ato leva a que tipo de responsabilidade. Os Mazeaud (1931. apoiado na lição de Merkl. p. p. 99) essa linha estaria no caráter da sanção ± a sanção civil proviria uma prevenção e reparação ordinária. também chegam os Mazeaud (loc. 64). p. Para o autor. LXII) entende ..

p. de que resultam danos ou perigos próximos. 57). p. i. é de especial interesse o poder de polícia administrativa. inerente à Administração dos entes políticos. a que a lei comina sanções de pequena monta (cf. segundo a orientação legislativa corrente. economicamente viável e pacífica (Darlan Bittercourt et al. Dentre esses poderes. 101). Responsabilidade penal A responsabilidade penal tem como fundamento e objetivo a manutenção da paz social. José Afonso. ou crimes em sentido lato): crimes em sentido estrito ± ofensas graves a interesses juridicamente protegidos de alto valor. distinguindo-se pela natureza das sanções e pelos fins que cada um persegue. 458). 2004. são direitos sancionatórios. p. p. a ressocialização do infrator. principalmente. de modo a evitar a bellum omnium contra omnes. Zaffaroni et al. somente há apenamento para a conduta. Hely Lopes Meirelles. visando a estabilidade social. sujeitando o infrator a uma sanção de natureza também administrativa. somente sendo admissível o enquadramento de determinada conduta como delito penal (tipicidade) se a conduta for legalmente proibida e violar a norma [02]. 2004. 2004. lesionando o bem jurídico tutelado (tipicidade penal) (cf. 1. resultando na imposição de uma sanção punitiva.e. Tanto o direito penal como o direito administrativo. 1996. 484-485). p. "que a Administração Pública exerce sobre todas as atividades e bens que afetam ou possam afetar a coletividade" (Hely Lopes Meirelles. acrescendo ainda que "as disposições criminaes são a sancção inseparavel das disposições civis" (2003. que têm por fim último a prevenção e a retribuição do ato-fato criminoso e.. tal como na esfera penal. veiculados por meio de ações condenatórias. no que se refere aos poderes disciplinar e de polícia. A responsabilização penal se restringe às sanções próprias do Direito Penal.que é a "sancção da pena" que "estrema as Leis Criminaes das Leis Civis". 2. apenas reveladoras de perigo. A nossa legislação trata de duas categorias diferentes de infrações penais (ou delitos. 435-436). da mesma forma. Todos os entes estatais possuem poder de polícia referentemente à matéria que lhes cabe regular. 301. sua readequação social. na definição de Welzel (apud Zaffaroni et al. p. entende-se que a sanção administrativa . e contravenções ± condutas menos graves. José Afonso. p. se houver prévia cominação em lei. ela se fundamenta na capacidade que as pessoas jurídicas de direito público têm de impor condutas ao administrado ± é o poder administrativo. Responsabilidade administrativa A responsabilidade administrativa resulta de infração a normas administrativas. 304-305). 2004. nos limites das respectivas competências institucionais (cf. Na esfera penal o princípio da legalidade se faz presente com intensidade máxima. 1997. [03] Assim. 1996. a que a lei comina sanções igualmente mais gravosas. 114). p.

1. Lisboa: AAFDL. o nosso sistema agasalha um sistema que vem sendo chamado de dúplice. a evolução levou à ampla aceitação da idéia de responsabilidade objetiva para casos determinados a partir da previsão casos específicos de presunção de culpa e de responsabilidade sem culpa. Régis de Oliveira. via de regra somente se sanciona o dolo. art. §ú). p. 186) e outra de responsabilidade objetiva (art. 46-47). n. vol. MARCONDES.e. "delito administrativo será somente o descumprimento de uma obrigação positiva que o cidadão tem para com a Administração enquanto membro da sociedade e. In: Revista dos tribunais..de natureza punitiva não deve passar ao sucessor do infrator (CF 5º. 35. LV). e administrativa. deve necessariamente ser precedida de processo administrativo. 2005. 3.. observando-se o devido processo legal (CF. ainda que. para a responsabilidade civil bastava a caracterização da culpa. ao contrário do que lecionava a doutrina clássica. Lineamentos da responsabilidade civil ambiental. 53-95. enquanto na responsabilidade penal. possa ser expresso em valores monetários. i. o dano a ser reparado não será necessariamente da ordem patrimonial. Bibliografia BELEZA. enquanto parte desta Administração". para fins de indenização.). 4. BITTENCOURT. p. onde haverá contraditório e ampla defesa. Darlan Rodrigues. p. Para Goldschmidt (apud Régis de Oliveira. reparar o dano ou ressarcir o prejuízo causado por sua conduta antijurídica. art. transmitindo-se tão somente a sanção de natureza reparatória (cf. . sendo desnecessária a demonstração do dolo. jun/1997. Atualmente. 740. 1985. Na responsabilidade civil encontramos o regime menos estrito de todos. e excepcionalmente a culpa. portanto. XLV). Direito penal. 927. definindo pena e sanção administrativa por sua essência. Ricardo Kochinski. com duas regras gerais: uma de responsabilidade subjetiva (CC. Partindo de um sistema onde a regra era a responsabilidade subjetiva. Hoje. 2ª ed. Responsabilidade civil A responsabilidade civil impõe ao agente a obrigação legal de tornar indene a vítima do dano. 2005. 5º. Tereza Pizzaro. A aplicação de sanção administrativa. tal como a penal. São Paulo: RT.

Magalhães. 1968.. 2005. nos sistemas parlamentaristas. 2ª ed. 2003. não é pacífica a sua natureza. vol..º. 1. 1970. São Paulo: Saraiva. José Henrique.BROSSARD. Basileu. São Paulo: RT. Marco Bernardes de. p. 1967. Teoria do fato jurídico: plano da existência. 4ª ed. MELLO. 21ª ed. Já quanto ao crime de responsabilidade. OLIVEIRA. atual. 1931. p. NORONHA. 2004. v. 12ª ed. São Paulo: Malheiros. criminal (Pontes de Miranda. SILVA. 1. Rio de Janeiro: Forense.. 2001. São Paulo: Saraiva. Francisco Cavalcanti. Délcio Balestero Aleixo e José Emmanuel Burle F. São Paulo: Max Limonad. 2003. apud Brossard. 1960. Augusto Teixeira de. 64). Germano Marques da. Porto Alegre: Livraria do Globo. fac-similar. ex. A primeira nos parece descabida. à moção de desconfiança. pois ainda que quando julgado pelo Legislativo a decisão seja ... 2004. Notas 1. e não tem qualquer relação com a categoria ora estudada. Régis Fernandes de.. Léon. São Paulo: RT. Hely Lopes. 355). 3v. O impeachment. 5ª ed. 1. III. E.. Brasília: Senado Federal. PONTES DE MIRANDA. por Eurico de Andrade Azevedo. Paulo. t. Direito penal português. Ed. 1970. Eugenio Raúl. vol. Direito administrativo brasileiro. Paris: Recueil Sirey. SILVA. 4ª ed. p.. Lisboa: Verbo. Consolidação das leis civis. 2v. José de Aguiar. 1996. Traité théorique et pratique de la responsabilité civile délictuelle et contractuelle. ZAFFARONI. José Afonso da. Comentários à Constituïção de 1967 com a emenda nº 1 de 1969. 2ª ed. ou ainda mista (José Frederico Marques. FREITAS. Manual de direito penal brasileiro ± parte geral. GARCIA. São Paulo: RT. 1964). 1. MEIRELLES. prevalecem os entendimentos de que seja de natureza política (Brossard. 4ª ed. Há ainda quem fale em responsabilidade política quanto aos crimes de responsabilidade e. Direito penal. vol. Infrações e sanções administrativas. PIERANGELI. MAZEAUD. 2ª ed. MAZEAUD. 5ª ed. Da responsabilidade civil. DIAS. São Paulo: Malheiros. Esta última é completamente não-jurídica. Direito ambiental constitucional. 1964. 2v. Instituições de direito penal.. Henri..

insindicável em seu mérito. por ser ele a espécie mais trabalhada. verificase se o bem lesado estava juridicamente protegido no caso concreto. por aquilo que mais convenha ao seu desempenho actual e futuro" (p. Mas aquelas sanções têm essencialmente em vista o interesse da função que defendem e a sua actuação repressiva e preventiva é condicionada pelo interesse dessa função. p. "Tendo embora um carácter menos agressivo que o direito penal. O termo norma é utilizado como o resultado do diálogo entre as regras proibitivas e as preceptivas e fomentadoras de determinada conduta. p. Cf. e que tem como única conseqüência a perda do cargo político. Germano Marques da Silva. "as sanções disciplinares têm fins idênticos às das penas criminais. menos enfaticamente. . É por isso que a doutrina. 2001. diversamente da verdadeira responsabilidade política. que não pressupõe ilícito e nem dano. i.Lei nº 201/1967). 1985. 145). Este ramo mais vasto é naturalmente dominado pelas ideias e princípios do direito penal. 144. adaptada. de tais ideias e princípios ao direito disciplinar" (Teresa Pizarro Beleza. µdireito sancionatório de carácter punitivo¶. tem defendido a aplicação. Ainda segundo o mesmo autor. o direito disciplinar integra-se com ele e com alguns outros ramos (como o direito de mera ordenação social. o direito penal administrativo ou o chamado direito penal económico) num género mais vasto a que costuma chamar-se µdireito repressivo¶ ou. 2.e. como elas reprovam e procuram prevenir faltas idênticas por parte de quem quer que seja obrigado a deveres disciplinares e especialmente daquele que os violou. somente terá cabimento a condenação quando fundamentada em uma das hipóteses previstas em lei (Lei nº 1079/1950 e Dec. além de prever sanções que não apenas a perda do cargo público. 61). 3. ainda que com resistências esporádicas.

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