Você está na página 1de 3

TUTELA É um encargo conferido por lei a uma pessoa capaz, para cuidar de uma pessoa menor e administrar seus

bens. Nas palavras de Sílvio Rodrigues é “um instituto de nítido caráter assistencial e que visa substituir o poder familiar em face das pessoas cujos pais faleceram ou foram julgados ausentes, ou ainda quando foram suspensos ou destituídos daquele poder”. É exatamente o que consta no art. 1728 CC. A tutela é incompatível com o poder familiar na medida em que só existirá se o menor não se encontrar sob o poder familiar, ou seja, só será nomeado um tutor ao menor caso os pais sejam destituídos desse encargo pelas situações presentes no art. 1728 CC. Por isso é considerada, nas palavras de Venosa “instituição supletiva do poder familiar”. O Código civil elenca três espécies de tutela: testamentária, legítima e dativa. A primeira é quando o tutor, escolhido pelos pais, é indicado no testamento ou documento autêntico; a segunda espécie ocorre na falta da testamentária, ou seja, quando os pais não indicam quem será o tutor e assim a lei elenca os parentes consanguíneos aos quais pode ser incumbida a tutela; a última espécie é derivada de sentença judicial. Algumas pessoas são impedidas de exercer a tutela, quais sejam aqueles que não podem administrar seus próprios bens, ou pessoas desonestas ao qual seria perigoso confiar à administração de bens de terceiros ou ainda quando possuem alguma relação com o menor e não podem ser tutor daquele. O art. 1735 enumeras essas hipóteses. A tutela é um múnus público, uma delegação do Estado, sendo assim os convocados não podem escusar-se. Entretanto, a lei abre algumas exceções que estão presentes no art. 1736. Isso ocorre devido a situação em que a pessoa se encontra no momento em que iria exercer a tutela, fazendo com que sua dedicação integral ao pupilo seja dificultada, facultando assim sua escusa. O exercício da tutela é assemelhado ao poder familiar, mas não equiparado, visto que sofre algumas limitações e ainda está sujeito a inspeções judiciais. O tutor é obrigado a apresentar balanços anuais e prestar contas em juízo sobre sua administração de dois em dois anos. Não poderá aplicar castigos físicos ao menor, ainda que moderadamente, também não poderá emancipar voluntariamente o pupilo. Além das situações citadas, existem outras em que o tutor só poderá agir diante da autorização do juiz, como nos casos de pagar as dívidas do menor, aceitar heranças por ele, vender bens móveis e imóveis, etc. Nota-se que essas situações envolvem diretamente o patrimônio do menor, por isso a necessidade da autorização judicial. A tutela, por ser um instituto de proteção possui vigência temporária, assim a cessação da tutela se dará com a maioridade ou emancipação, pois já não mais necessitará de proteção o menor, bem como ao cair sob o poder familiar. Além das hipóteses referentes às funções do tutor, como nos casos em que o prazo em que era obrigado a servir for expirado, sobrevier escusa legítima ou ao ser removido. CURATELA Assemelha-se à tutela por ter caráter assistencial, destinando-se à proteção de incapazes. Porém os incapazes relativos à curatela são maiores de idade. Nas lições de Caio Mário da Silva Pereira, “incidem na curatela todos aqueles que, por motivos de ordem

Nesse sentido. o CC prevê a curatela do nascituro e também a nomeação do curador ao relativamente incapaz (maior de dezesseis e menor de dezoito anos) que sofra das faculdades mentais.patológica ou acidental. 1736) e proibitórias (art. Para a decretação da curatela. aplicam-se basicamente as mesmas regras sobre a tutela. deve prestar caução quando exigida pelo juiz e prestar contas. . como o fato de só poder ser deferida pelo juiz. Como regra.). Os pródigos também poderão ser interditados. 1768. com apenas algumas modificações (art. Por ser semelhante à tutela. posto que maiores de idade”. deve haver a certeza absoluta da incapacidade do curatelado. a curatela destina-se aos incapazes maiores. pelo cônjuge ou qualquer parente e pelo MP. principalmente com relação às escusas. a interdição deverá ser promovida pelos pais ou tutores. alienar. obtida por meio do procedimento especial de interdição (art. o Ministério Público só a promoverá em caso de doença mental grave. 1775) ou dativa (quando faltam as pessoas do art. além do mais o poder do curador é mais restrito que o do tutor. transigir. o juiz nomeia um curador. dar quitação. existindo. 1735). se não existir ou não promover a interdição de alguma das pessoas designadas nos incisos I e II do art. Pode inclusive administrá-lo. não estão em condições de dirigir a sua pessoa ou administrar os seus bens. ou se. mas ficará privado de praticar atos que possam desfalcá-lo. Assim. demandar ou ser demandado” (CC. congênita ou adquirida. entretanto. Depois de decretada a interdição. hipotecar. a ela são aplicadas as disposições relativas a aquela. 1774 e 1782 CC). Todavia. porém a interdição só interfere em atos de disposição e oneração de seu patrimônio. art. A curatela possui alguns requisitos específicos. Vigoram para o curador as escusas voluntárias (art. a curatela pode ser legítima (pois a lei elenca as pessoas que devem ser nomeadas – art. anterior e o juiz escolhe o curador). não contrariando as peculiaridades do primeiro instituto. remoção do curador e cessação da curatela. como “emprestar. forem incapazes. 1782). 1177 e s. Quanto ao exercício da curatela.

pág. 6. Direito Civil: Direito de Família –vol. São Paulo: Saraiva.BIBLIOGRAFIA BRUM. Tutela e Curatela.viajus. Disponível em: <http://www. 2006.br/viajus. 2004. 398. . 446. Direito Civil: Direito de Família. São Paulo: Atlas.com. VENOSA. Sílvio.php?pagina=artigos&id=1258&idAreaSel=5&seeArt=yes> acesso em 09/11/11 RODRIGUES. 28. 6. pág. Flávia. ed. Sílvio de Salvo. ed.