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Tutela e Curatela Fins Inss

Tutela e Curatela Fins Inss

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EXMO. SR. DR.

JUIZ DE DIREITO DA 1 ª VARA DE FAMÍLIA DA COMARCA DE CASTRO/PR

CLEMILDINHA CREU CREU, brasileira, paranaense, desquitada, empregada doméstica, com endereço á Rua ........ nº ., Bairro Centro, Castro/PR, portadora do CPF nº ............ e RG nº ...........SSP/PR, por seu advogado abaixo assinado, nos termos dos artigos 1.768 do CC e 1.177 a 1.186 do Código de Processo Civil, e demais legislações aplicáveis à espécie, vem à presença de V. Exa., ajuizar o presente pedido de vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, propor a presente AÇÃO DE INTERDIÇÃO COM PEDIDO DE CURATELA PROVISÓRIA EM ANTECIPAÇÃO DE TUTELA em face de INTERDITANDA: JOANA LÁ LÁ LÁ, brasileira, catarinense, solteira, incapaz, portador ado RG nº .......... e CPF nº ............, com endereço á Rua ........ nº ........, Bairro Centro, Castro/PR, (residente e domiciliada na residência da suplicante), pelas razões expostas a seguir: 1A requerente e a interditanda são filhas de JOÃO JÁ JÁ, brasileiro, paranaense, casado, aposentado, portador do RG nº ......... e CPF nº ......, e MARIA MARIA JÁ JÁ, brasileira, paranaense, casada, aposentada, portadora do RG nº ...........SSP/SC e CPF nº ........., ambos com endereço á Rua ..........., Bairro ........, Castro/PR, conforme faz prova a inclusa documentação (nºs ...á .....). 2A interditanda consoante informamos inclusos documentos é portadora de um quadro de "DEFICIÊNCIA MENTAL GRAVE", além da doença de “EPLEPSIA”, possui “CRISES CONVULSIVAS” impedindo-a, consequentemente, de gerir e administrar sua pessoa. (vide doc.nº em anexo) 3A doença da interditanda, segundo informações médicas colhidas pela requerente, é irreversível, os quais, por tal motivo, fora matriculada na APAE (doc. ....), com o objetivo de amenizar as conseqüências da deficiência mental grave.

4Destarte, em virtude da idade avançada de seus pais, e diante da situação da interditanda, que não têm condições de gerir e administrar sua pessoa, é imprescindível que seja legalmente representada, até porque, há mais de dez anos a Requerente é quem vem representando a Interditanda em diversos órgãos (vide doc´s em anexo nº .... á ....), e também necessita de documentação legal de representação para realização de como por exemplo: matrícula na APAE, abertura de caderneta de poupança, representação em órgãos públicos, etc. Notadamente no que se refere ao direito de pleitear e receber a pensão junto ao INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL – INSS. II. DOS FUNDAMENTOS DA INTERDIÇÃO O art. 1º. do Código Civil estatui que toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. Assim, liga-se à pessoa a idéia de personalidade, que é consagrado nos direitos constitucionais de vida, liberdade e igualdade. É cediço que a personalidade tem a sua medida na capacidade de fato ou de exercício, que, no magistério de DINIZ, é a aptidão de exercer por si os atos da vida civil, dependendo, portanto, do discernimento, que é critério, prudência, juízo, tino, inteligência, e, sob o prisma jurídico, da aptidão que tem a pessoa de distinguir o lícito do ilícito, o conveniente do prejudicial. Todavia essa capacidade pode sofrer restrições legais quanto ao seu exercício, visando a proteger os que são portadores de uma deficiência jurídica apreciável. Assim, segundo DINIZ (2004:142), a incapacidade é a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil. Os artigos 3º e 4º do Código Civil graduam a forma de proteção, a qual assume a feição de representação para os absolutamente incapazes e a de assistência para os relativamente incapazes. A incapacidade cessa quando a pessoa atinge a maioridade, tornando-se, por conseguinte, plenamente capaz para os atos da vida civil. Entretanto, pode ocorrer, por razões outras, que a pessoa, apesar da maioridade, não possua condições para a prática dos atos da vida civil, ou seja, para reger a sua pessoa e administrar os seus bens. Persiste, assim, a sua incapacidade real e efetiva, a qual tem de ser declarada por meio do procedimento de interdição, tratado nos arts. 1.177 a 1.186 do Código de Processo Civil, bem como nomeado curador, consoante o art. 1.767 do Código Civil.

Posto isso, depreende-se que a interditanda faz jus à proteção, a qual será assegurada ante a sua interdição e a nomeação da autora como sua curadora, a fim de que esta possa representá-la ou assisti-la no exercício dos atos da vida civil, de acordo com os limites da curatela prudentemente fixados na sentença de interdição. III- DA LEGITIMIDADE PARA A PROPOSITURA DA AÇÃO: Art. 1.768. A interdição deve ser promovida: I - pelos pais ou tutores; II - pelo cônjuge, ou por qualquer parente; III - pelo Ministério Público. Verificamos que a interdição pode ser requerida pelas pessoas acima elencadas, que, após a devida apreciação pelo magistrado competente, serão denominados de Curador. O curador, por sua vez, é aquela pessoa que tem a incumbência de tratar das pessoas e dos bens ou negócios daqueles que estão incapacitados de fazê-lo. Os incisos I e II tratam dos parentes mais próximos do curatelado e, portanto, detentores de conhecimentos suficientes para melhor gerir e administrar os bens do interditado. Evidente que os curadores devem ser pessoas maiores e plenamente capazes de exercer os atos da vida civil. Logo, a Autora possui os requisitos legais para a propositura desta ação em favor de sua irmã Interditanda, haja visto, possuir a concordância de seus pais, e, pelo fato de que vem zelando e guardando pela irmã há mais de dez anos.(vide como prova doc.nº em anexo). IV. DA CURATELA PROVISÓRIA EM ANTECIPAÇÃO DE TUTELA : A prova inequívoca do défice intelectual duradouro deflui dos elementos de convicção em anexo (nº ....) e dos fatos já aduzidos, os quais demonstram a incapacidade da interditanda para reger a sua pessoa.

Desse modo, consubstanciada está a verossimilhança da alegação, a plausibilidade do direito invocado (fumus boni juris), ante a proteção exigida pelo ordenamento jurídico pátrio aos interesses do incapaz. Ademais, conforme exposto alhures, a interditanda vive sob a vigilância da autora e ainda não recebe pensão do órgão INSS e vive com a ajuda da irmã autora, a qual decorre da sua incapacidade de prover a própria subsistência. Todavia, como a interditanda não detém o elementar discernimento para a prática dos atos da vida civil, torna-se temerária e incerta a adequada gestão dos recursos fundamentais à sua manutenção. Assim, demonstrado está o fundado receio de dano de difícil reparação (periculum in mora) ao patrimônio da interditanda, até a efetivação da tutela pleiteada. Destarte, mister a concessão de medida liminar de antecipação de tutela, consoante o art. 273 do Código de Processo Civil, de modo a nomear a autora como curadora provisória à interditanda. VDO DIREITO:

Pois bem, a doença de que é portadora Interditanda tornoua completamente incapaz de gerir por si só os atos de sua vida civil, enquadrando-se na moldura legal do art. 3º, II, do Código Civil que preceitua, in verbis: Art. 3º – São absolutamente incapazes para exercer pessoalmente os atos da vida civil: I – (...) II – os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; Assim sendo, a manifesta incapacidade da Interditanda para atuar na vida civil reclama a incidência do instituto da curatela, que visa em última análise, a proteção das pessoas em condições especialmente previstas pelo legislador, bem como de seus bens, conforme preceitua o artigo 1.767 do Código Civil: Art. 1.767 – Estão sujeitos a curatela: I – aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil;

A interdição, outrossim, é essencial para que a Requerente postule benefício previdenciário à Interditanda junto ao INSS, o que virá a garantir-lhe a sobrevivência, bem como fará frente às despesas envolvidas no tratamento da doença de que é portador o incapaz e também para poder matricular e representar legalmente a mesma em entidades como por exemplo a APAE (vide doc em anexo- ) haja visto, que apesar de ter matriculado outrora, será impossível futuramente sem representação legal. Em suma, não tendo a Interditanda o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil (alimentar, vestir, trabalhar, casar, viajar, etc), em virtude de deficiência mental, deve ser-lhe decretada a interdição, aplicando-lhe o instituto da curatela. VI- DA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA – CURATELA PROVISÓRIA : A antecipação dos efeitos prático da tutela encontra supedâneo no art. 273 da Lei Adjetiva Civil, podendo ser concedida sempre que existindo prova inequívoca dos fatos articulados como causa de pedir, o órgão judicante se convença da verossimilhança da alegação, bem como do fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. Há, ainda, o terceiro requisito, que consiste na possibilidade de reversibilidade do provimento. No caso em tela, estão presentes os requisitos para a concessão da medida antecipatória, senão vejamos: DA VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES – A verossimilhança do alegado pode ser claramente verificada através da análise da legislação civil, que preceitua expressamente acerca das hipóteses de incidência da curatela, dentro das quais se encontra inserido o caso em tela. Com efeito, na vertente exordial, estão amplamente relatadas e demonstradas as alegações da Requerente. Foram colocadas e comprovadas as patologias psíquicas e mentais que vêm acometendo a Interditanda, as quais o têm impossibilitado de reger-se a si próprio. Portanto, a prova inequívoca da verossimilhança das alegações da Promovente se mostra presente nas asseverações e na documentação junta à inicial. DO PERIGO DA DEMORA – No que pese ao segundo requisito, restou por demais demonstrado a sua presença, já que a Requerente necessita ser nomeada curadora da Interditanda para representa-la em diversos locais e entidades, além de pleitear qualquer benefício junto ao INSS. Tal benefício é almejado para manter a doente, vislumbrando-se, assim, o seu caráter alimentar.

Como é em nome da própria interditanda (quem receberá seu benefício previdenciário), esta se encontra inacessível diante de sua debilidade, pois as quantias precisam ser sacadas através de cartão magnético do qual apenas o beneficiário (no caso a incapaz) conhece a senha. Por isso, mister seja urgentemente providenciada a sua representação, para poder perante o INSS, viabilizar o pedido de benefício e a aplicação de tais recursos na satisfação de suas carências essenciais. Dessa forma, como o INSS estabeleceu a necessidade de curador para a Requerente perceber o benefício, torna-se imprescindível o deferimento do pedido de tutela antecipada, a fim de evitar que a Postulante e a Interditanda passem por extremas dificuldades, já que aludido benefício tem nítido CARÁTER ALIMENTAR. Assim vêm julgando os Tribunais do nosso país: EMENTA: INTERDIÇÃO - BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO - LAUDO DO INSS PERÍCIA MÉDICA - NECESSIDADE - CPC 1.183. A perícia médica prevista no CPC 1.183 é essencial para a decretação da medida extrema da interdição, e não deve ser substituída por laudo do INSS, desjudicializado, mormente quando este não se mostra minucioso e circunstanciado. A curatela provisória evita prejuízos com a demora e a realização do exame garante a segurança jurídica. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0000.00.337094-7/000 - COMARCA DE CATAGUASES APELANTE(S): MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADO MINAS GERAIS, PJ 2 V CV COMARCA CATAGUASES - APELADO(S): ILDA CORDEIRO PEREIRA DA SILVA RELATOR: EXMO. SR. DES. WANDER MAROTTA ) DA REVERSIBILIDADE DA MEDIDA – por fim, o terceiro requisito, pertinente à possibilidade de reversão jurídica da medida, também se encontra preenchido, uma vez que, no mérito, ou há qualquer outro momento do procedimento, pode esse Juízo designar nosso Curador Provisório. Vale lembrar a V.Exa, que os genitores da Autora e Interditanda, concordam com o presente processo e declaram sua concordância em documento com assinatura reconhecida em cartório (vide doc.nº em anexo). VII. DO PEDIDO : Diante do acima exposto, requer: 1) A concessão de liminar de antecipação dos efeitos da tutela, com a nomeação da autora como curadora provisória à interditanda, a fim de que aquela possa representá-la nos atos da vida civil, sobretudo na adequada gestão dos recursos fundamentais à sua manutenção.

2) A intimação/citação aos genitores da interditada para que, em dia a ser designado, estejam presentes e que seja efetuado o seu interrogatório juntamente com o da interditanda se assim achar necessário este Digno Juízo; 3) A representação da interditanda nos autos do procedimento pelo digno Membro do Ministério Público, nos termos do § 1º do art. 1.182 do CPC; 4) seja julgado procedente o pedido, confirmando-se a antecipação da tutela, para nomear em definitivo a autora como curadora à interditanda, que deverá representá-la ou assisti-la em todos os atos de sua vida civil, de acordo com os limites da curatela prudentemente fixados na sentença bem como, em seguida: a) Determinar a intimação da Autora a prestar o compromisso de estilo no prazo legal; b) Determinar o registro da sentença de interdição junto ao Cartório de Registro Civil competente; e, por fim, c) Determinar a sua publicação pela imprensa local e pelo Órgão Oficial por 03 (três) vezes, com intervalo de 10 (dez) dias, devendo constar no edital os nomes da Interdita e da Curadora, além da causa da interdição; 5) Desde logo, dispensar a especialização em hipoteca legal de imóveis, em consonância com o art. 1.190 do CPC, para que a Postulante possa entrar em exercício imediato da curadoria, haja vista ser a mesma pessoa reconhecidamente idônea e não haver bens a serem administrados. Informa que as intimações deverão ser encaminhadas ao Advogado: Alberto Moussallem Filho, no endereço do seu escritório, sito na ....... nº ., Bairro ........, Curitiba/PR,CEP: ................ Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, que ficam desde já requeridos, ainda que não especificados. Atribui-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (Hum mil reais), para fins de alçada. Termos em que, Pede deferimento. Curitiba/PR, 18 de Outubro de 2008. _____________________________________ Alberto Moussallem Filho Advogado OAB/

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