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7/26/2011

Transferência de Energia no Exercício

Sistemas de transferência de Energia

“A contribuição relativa dos diferentes sistemas de transferência de energia difere acentuadamente na dependência da intensidade e da duração do exercício assim como no estado específico de aptidão do participante.” McArdle, 2003.

7/26/2011

Sistemas de transferência de Energia

Os sistemas de transferência de energia são basicamente divididos em:

SISTEMA ANAERÓBIO SISTEMA SISTEMA GLICOLÍTICO ATP-CP LÁTICO ENERGIA ENERGIA IMEDIATA CURTO PRAZO
SISTEMA ANAERÓBIO
SISTEMA
SISTEMA
GLICOLÍTICO
ATP-CP
LÁTICO
ENERGIA
ENERGIA
IMEDIATA
CURTO PRAZO
SISTEMA AERÓBIO SISTEMA OXIDATIVO ENERGIA LONGO PRAZO
SISTEMA AERÓBIO
SISTEMA
OXIDATIVO
ENERGIA
LONGO PRAZO

SISTEMA AERÓBIO e ANAERÓBIO

3 características

importantes dos sistemas aeróbio e anaeróbio, em condições de repouso e exercício, que merecem uma análise:

estão sendo

metabolizados. 2-Os papéis relativos desempenhados por cada sistema. 3-A presença e o acúmulo de ácido lático no sangue.

Existe

pelo

menos

1-Tipos

de

nutrientes

que

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REPOUSO

Em condição de repouso 2/3 do substrato usado é gordura e 1/3 restante é carboidrato.

O sistema aeróbio é o principal sistema energético em operação. Isto é verdade porque o sistema de transporte de oxigênio (coração e pulmões) é capaz

suficiente e, portanto,

ATP suficiente para atender todas as necessidades energéticas do estado de repouso.

de fornecer a cada célula O

2

Apesar do sistema aeróbio ser o principal sistema energético em operação, sabe-se que há a presença de ácido lático no sangue. Porém esta quantidade permanece constante, sendo assim um indicador de que o sistema da glicólise lática não está atuando significativamente no metabolismo de repouso.

REPOUSO GLICOSE ATP 1/3 GORDURAS 2/3 + O 2 AERÓBIO
REPOUSO
GLICOSE
ATP
1/3
GORDURAS
2/3
+ O 2
AERÓBIO

+

ÁCIDO LÁTICO

O sistema aeróbio fornece todo ATP necessário no estado de

repouso. Durante o repouso, o consumo de O 2 (0,3l/min)

permanece constante e costuma ser suficiente para fornecer

o ATP necessário; consequentemente, o nível sanguíneo de

ácido lático continua dentro da variação normal (10mg/dl de

sangue). A combinação desses fatores indica que o metabolismo é aeróbio.

ATP + + CO 2 H 2 O
ATP +
+
CO 2
H 2 O

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EXERCÍCIO

• Os sistemas tanto aeróbio quanto anaeróbio contribuem com ATP durante o exercício; porém, seus papeis relativos dependem da (o):

1- intensidade do exercício realizado 2- estado de treinamento 3- dieta do praticante

EXERCÍCIO • Os exercícios serão divididos em 2 categorias iniciais para melhor compreensão: 1-
EXERCÍCIO
Os
exercícios
serão
divididos
em
2
categorias
iniciais
para
melhor
compreensão:
1- Exercícios que podem ser realizados
apenas por curtos períodos de tempo mas
que exigem um esforço máximo ou
submáximo;
2- Exercícios que podem ser realizados por
períodos de tempo relativamente longos
mas que exigem um esforço submáximo;

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EXERCÍCIO

Os exercícios de curta duração e alta intensidade são eventos de velocidade tipo picos de 100, 200 e 400 metros, corridas de 800 metros e outros eventos nos quais o ritmo de trabalho necessário só pode ser mantido por 2 ou possivelmente 3 minutos.

metros e outros eventos nos quais o ritmo de trabalho necessário só pode ser mantido por

EXERCÍCIO

Em condição de exercício de alta intensidade e curta duração, o principal substrato energético será o carboidrato, deixando a gordura em um papel secundário.

O sistema anaeróbio é o principal sistema energético em operação. Porém isso não significa que seja o único sistema em funcionamento. Isso apenas indica que a energia ou a ATP necessária para tais exercícios não pode ser fornecida apenas pelo sistema aeróbio. Consequentemente a maior parte da energia é fornecida pelo sistema ATP-CP e pela Glicólise anaeróbia.

sistema aeróbio. Consequentemente a maior parte da energia é fornecida pelo sistema ATP-CP e pela Glicólise

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7/26/2011 Exercício de Curta Duração e Alta Intensidade ANAERÓBIO ATP + ATP + ÁCIDO LÁTICO +

Exercício de Curta Duração e Alta Intensidade

Exercício de Curta Duração e Alta Intensidade ANAERÓBIO ATP + ATP + ÁCIDO LÁTICO + CO
ANAERÓBIO ATP +
ANAERÓBIO
ATP +

ATP +

ÁCIDO LÁTICO

+ CO H 2 O 2
+
CO
H
2 O
2
Existem pelo menos 3 razões para a limitação do sistema aeróbio no fornecimento de ATP
Existem pelo menos 3 razões para a limitação do sistema aeróbio no fornecimento de ATP
suficiente durante a realização de qualquer exercício:
1- A geração de ATP aerobiamente por meio da gordura tem um tempo maior, e a geração de ATP
aerobiamente por meio da glicólise necessita da passagem pela cadeia de transporte de elétrons .
2- Cada pessoa possui um teto para sua potência aeróbia ou para o ritmo máximo que pode
consumir oxigênio.
3- São necessários pelo menos 2 ou 3 minutos para o consumo de oxigênio alcançar um nível novo
mais alto.

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Exercício de Curta Duração e Alta Intensidade

EXEMPLO:

PROVA DE 100 METROS

Para realizar uma prova de 100mts, um atleta necessita aproximadamente de 8 litros de

oxigênio durante os 10 segundos da prova, isto quer dizer que ele deveria ter uma potência

aeróbia de 48 litros de O

por minuto. Atletas

bem treinados de ambos os sexos possuem

potência aeróbia máxima que varia entre 3,0 a

5,0 litros de O

por minuto. Já pessoas

destreinadas possuem no máximo 2,0 a 3,2

litros de O

por minuto. Isto determina o motivo

pelo qual tal prova é realizada quase que totalmente pelo sistema anaeróbio.

2

2

2

Cinética do O 2

• Como relatado anteriormente o consumo de oxigênio necessita de um determinado tempo para atingir uma condição estável dentro da mudança do estado de repouso para o exercício, ou entre os diferentes níveis de intensidade do exercício. Tal mecanismo é chamado de cinética do O 2.

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DÉFICIT DE O 2

TREINADOS DESTREINADOS DÉFICIT O 2 20 VO 2 EM RITMO ESTÁVEL 15 10 5 REPOUSO
TREINADOS
DESTREINADOS
DÉFICIT
O 2
20
VO 2 EM RITMO ESTÁVEL
15
10
5
REPOUSO
0
0
2
4
6
8
10

DURAÇÃO DO EXERCÍCIO (MIN)

* (ml/Kg/min)

DÉFICIT DE O 2

DÉFICIT DE O 2 + Déficit de O 2 O 2 consumido O 2 necessário Consumo
+
+

Déficit de O 2

O 2 consumido

O 2 necessário

Consumo de O 2 em repouso

O 2 necessário Consumo de O 2 em repouso P i q u e d e

Pique de 10 30 segundos

Corrida de 800mts – 2:00 min

Obs: a necessidade de oxigênio nesse tipo de atividade é muito alta, pois os íons de H+ se acumulam rapidamente, aumentando assim o valor do déficit de O 2 .

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7/26/2011 Exercício de Curta Duração e Alta Intensidade • Durante este tipo de exercício haverá um

Exercício de Curta Duração e Alta Intensidade

• Durante este tipo de exercício haverá um déficit de oxigênio que acabará por caracterizar a atividade como anaeróbia.

• Essa predominância inicial oferece um acúmulo de ácido lático (proveniente do acúmulo de íons de H+ da glicólise anaeróbia) que poderá atingir índices altos que provocarão uma diminuição da intensidade do exercício ou até mesmo sua interrupção.

• Esse aumento nos índices de ácido lático no sangue constitui um excelente indicador do sistema energético que está sendo usado predominantemente durante o exercício. Isto é, se os valores forem altos a predominância é glicólise anaeróbica (sist. Anaeróbio) e se forem baixos o sistema é aeróbio.

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EXERCÍCIO

Os exercícios de longa duração e baixa intensidade são eventos de resistência tipo corridas de 5 Km, 10 Km, a maratona e outros eventos nos quais o ritmo de trabalho irá perdurar por mais de 10 minutos.

corridas de 5 Km, 10 Km, a maratona e outros eventos nos quais o ritmo de

EXERCÍCIO

Em condição de exercício de baixa intensidade e longa duração, os principais substratos energéticos serão o carboidrato e a gordura. Porém a predominância vai depender de alguns fatores:

a) Tempo de duração do exercício (ex: até + 20 min gasto maior de carboidrato do que gordura)

b) As reservas iniciais de glicogênio

c) A predominância dos tipos de fibras I e II

d) Estado de treinamento (R)

b) As reservas iniciais de glicogênio c) A predominância dos tipos de fibras I e II
b) As reservas iniciais de glicogênio c) A predominância dos tipos de fibras I e II

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Exercício de Longa Duração e Baixa Intensidade

O sistema aeróbio é o principal sistema energético em operação. Porém isso não significa que seja o único sistema em funcionamento. O sistema da glicólise anaeróbia e do ATP-CP também contribuem, porém com maior efetividade no início do exercício, antes do consumo de oxigênio alcançar um novo estado estável (steady- state); durante esse período é contraído um novo déficit de oxigênio.

Exercício de Longa Duração

Exercício de Longa Duração ATP + ÁCIDO LÁTICO ATP + Nos primeiros segundos a atividade passa
Exercício de Longa Duração ATP + ÁCIDO LÁTICO ATP + Nos primeiros segundos a atividade passa
Exercício de Longa Duração ATP + ÁCIDO LÁTICO ATP + Nos primeiros segundos a atividade passa
ATP + ÁCIDO LÁTICO
ATP +
ÁCIDO LÁTICO
ATP +

ATP +

Nos primeiros segundos a atividade passa por um período anaeróbio alático (ATP-CP), depois caminha dentro de um período de glicólise anaeróbia lática até atingir uma predominância aeróbia.

CO 2
CO
2

+

H 2 O
H
2 O

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DÉFICIT DE O 2

TREINADOS DESTREINADOS DÉFICIT O 2 20 VO 2 EM RITMO ESTÁVEL 15 10 5 REPOUSO
TREINADOS
DESTREINADOS
DÉFICIT
O 2
20
VO 2 EM RITMO ESTÁVEL
15
10
5
REPOUSO
0
0
2
4
6
8
10

DURAÇÃO DO EXERCÍCIO (MIN)

* (ml/Kg/min)

DÉFICIT DE O 2 Déficit de O 2 O 2 consumido + O 2 necessário
DÉFICIT DE O 2
Déficit de O 2
O 2 consumido
+
O 2 necessário
Consumo de O 2 em repouso
Volume
de O 2
Por minuto
ESTADO ESTÁVEL
0
Tempo do Exercício (minutos)
60

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Interação das Fontes Energéticas

• Até o momento foi discutido os sistemas energéticos durante exercícios de curta duração e alta intensidade (anaeróbio) e de longa duração e baixa intensidade (aeróbio). Como será que se comporta o metabolismo com as atividades que estão no meio desses extremos?

• Existe

realidade um “continuum”“continuum”

energéticoenergético. Essa interação de diferentes metabolismo dificulta a preparação do atleta.

na

Interação das Fontes Energéticas FONTES ENERGÉTICAS PRIMÁRIAS Sistemas ATP- % anaeróbio % aeróbio Sistemas
Interação das Fontes Energéticas
FONTES ENERGÉTICAS PRIMÁRIAS
Sistemas
ATP-
% anaeróbio
% aeróbio
Sistemas ATP-CP e de Ácido Lático
(glicolítico lático)
CP, de ácido
lático e de
oxigênio
Sistema de oxigênio
(oxidativo)
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
100 200
400
800
1500 3200
5.000
10.000 42.200
0:10
0:20
0:45
1:45
3:45 9:00
14:00
29:00 2h 15 min
PIQUE (Metros)
TEMPO (min:seg)
Percentual aproximado de contribuição das fontes energéticas aeróbia e anaeróbia em
provas de pista. As áreas sombreada representam eventos nos quais ambas são de
importância quase igual. Quanto mais se aproxima do centro da reta mais difícil e
preparar um atleta.

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TESTES FISIOLÓGICOS

• Além de conhecer a predominância da atividade (anaeróbia ou aeróbia) o profissional de educação física necessita conhecer o condicionamento inicial do seu atleta para poder prescrever um treinamento coerente. Com isso se faz necessário o conhecimento de algumas variáveis.

TESTES FISIOLÓGICOS

• A potência e a capacidade anaeróbia são um dos itens importantes para uma boa preparação.

• Cabe relembrar que a Potência Anaeróbia é definida como sendo o máximo de energia liberada por unidade de tempo pelo sistema, enquanto a Capacidade Anaeróbia é a quantidade total de energia disponível pelo sistema (Franchini 2002).

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TESTES FISIOLÓGICOS

• A potência e a capacidade anaeróbia podem ser medidas utilizando diferentes tipos de protocolos.

- Biopsia muscular (mede a quantidade de ATP- CP e Glicose muscular).

- Lactato Sanguíneo ( mede a concentração de ácido lactico na corrente sanguínea).

- Teste

de

Wingate

(verifica

a

potência

e

a

capacidade

anaeróbia

através

de

um

ciclo

ergômetro).

TESTES FISIOLÓGICOS

• O teste de Wingate foi desenvolvido para estimar a potência dos sistemas ATP-CP e Glicolítico (ácido lático).

• O teste consiste do máximo de pedaladas durante um período de 30 segundos, e a cada 5 segundos são contadas as RPMs.

• A resistência do ergômetro é calculada através de uma fórmula:

• peso corporal (KG) X 0.075 ( + 9% da massa corporal p/ os membros inferiores e 6% da massa corporal p/ os membros superiores).

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TESTES FISIOLÓGICOS

PROTOCOLO:

1- Aquecimento de 2 minutos 2- Repouso ativo (pedalando lentamente) 3- Aceleração em um período de 15 segundos com aumento da carga até atingir a carga ideal. 4- Início do teste de Wingate 30 segundos sem parar com o máximo de pedaladas. Não esquecer de anotar as RPMs a cada intervalo de 5 segundos.

TESTES FISIOLÓGICOS

Capacidade Anaeróbia (Potência média): A média do trabalho realizado dentro dos 30 segundos.

Potência Anaeróbia (Potência de Pico): É o maior número de RPMs realizado em um período de 5 sec (normalmente os primeiros 5 sec).

A potência de pico está associada ao Sistema ATP-CP.

A

potência

média

está

associada

ao

Sistema

Glicolítico.

 

Obs:

10%

das

pessoas

apresentam

tonturas,

vômitos e desmaios.

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TESTES FISIOLÓGICOS

WINGATE TEST
WINGATE TEST
TESTES FISIOLÓGICOS WINGATE TEST LACTATE TEST BIOPSIA
LACTATE TEST
LACTATE TEST
BIOPSIA
BIOPSIA

TESTES FISIOLÓGICOS

existe alguns

mecanismos que podem ser utilizados para mensurar a capacidade aeróbia. 1- Consumo Máximo de Oxigênio (VO 2 max). 2- Consumo Máximo de Oxigênio de pico (VO 2 pico). 3- Limiar de Lactato e Limiar Anaeróbio.

aeróbio

No

sistema

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TESTES FISIOLÓGICOS

Espirometria com cicloergômetro de braço
Espirometria com cicloergômetro de braço
TESTES FISIOLÓGICOS Espirometria com cicloergômetro de braço Espirometria com cicloergômetro de pernas

Espirometria com cicloergômetro de pernas

DÚVIDAS??

Qual será o sistema que eu estou usando? É o glicolítico ATP-CP ou aeróbia alático
Qual será o sistema que eu estou usando?
É o glicolítico ATP-CP ou aeróbia alático ou
anaeróbia lático com creatina fosfato ????
Que salada!!!!

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RESPONDA

1- Quais são as características que devem ser analisadas para podermos categorizar os sistemas aeróbio e anaeróbio quando em utilização? 2- Em repouso qual é o sistema predominante? E por que? 3- Os sistemas tanto aeróbio quanto anaeróbio contribuem com ATP durante o exercício; porém, seus papeis relativos dependem de quais variáveis? 4- Em um exercício de curta duração e alta intensidade o sistema predominante é o anaeróbio. Explique essa afirmativa. 5- Quais são as 3 razões claras para a afirmação acima ser verdadeira? 6- O que se entende por “Déficit de O 2 ”? 7- Por que no exercício de longa duração e curta intensidade o sistema aeróbio é o predominante, visto que há a presença de ácido lático, e este é um indicativo do metabolismo anaeróbio? 8- Defina Potência Anaeróbia e Capacidade Anaeróbia. Como posso medí-la? 9- Explique o gráfico abaixo?

anaeróbio? 8- Defina Potência Anaeróbia e Capacidade Anaeróbia. Como posso medí-la? 9- Explique o gráfico abaixo?