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Tribunal de Justiça de Pernambuco


Poder Judiciário
3ª Vara Cível da Comarca de Paulista

AV SENADOR SALGADO FILHO, S/N, CENTRO, PAULISTA - PE - CEP: 53401-440

Processo nº 0004527-96.2017.8.17.3090

AUTOR: MARIA DE LOURDES PARAIZO

RÉU: AMIL ASSISTENCIA MEDICA INTERNACIONAL S.A.

DECISÃO COM FORÇA DE MANDADO

Maria de Lourdes Paraizo ajuizou ação ordinária com pedidos de obrigação de fazer e
indenização por danos morais e em face de Amil Assistência Médica Internacional S/A, aduzindo em
síntese na inicial que: a) é portadora de diabetes atualmente estável, porém comatosa e traqueostomizada,
alimentando exclusivamente via gastrotomia; b) necessita de tratamento no seu domicílio conforme
prescrição médica; c) a ré se nega a fornecer o atendimento domiciliar de que necessita, em especial, o
fornecimento da alimentação enteral.

Liminarmente, requereu a concessão de tutela antecipada, a fim de que a ré fosse


compelida a prestar o atendimento médico em regime de home care, arcando com o custo de todas as
despesas decorrentes do referido atendimento.

Determinada a intimação da parte autora para anexar documentos ao processo, sobretudo


no que diz respeito ao laudo médico indicando o tratamento requerido, bem com o protocolo de
solicitação junto à empresa ré (ID 24392668).

Esse é o relatório. Passo a decidir.

Analisando os autos, verifico que não restam atendidos os requisitos para a


concessão em parte da tutela de urgência requerida pela autora. Conforme esclarecido pela parte autora na
petição de ID 25006237, a empresa ré não deixou de prestar o atendimento médico solicitado, alegando
tão somente que os medicamentos prescritos pelo médico assistente não estão sendo fornecidos (ID
25006759). Ocorre que os medicamentos descritos no referido laudo não constam do rol taxativo de
coberturas previsto pela ANS (Resolução nº 387/2015, Anexo I), se tratando, em verdade, de medicações
de uso contínuo, não havendo qualquer menção na prescrição médica de que tais fármacos devam ser
ministrados por via endovenosa, como ocorre em ambiente hospitalar.

Nesse cenário, entendo que não é possível impor referida obrigação à


empresa ré, pelo fato de não haver previsão contratual de fornecimento de medicamentos e itens de

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higiene de uso contínuo (fraldas, por exemplo), tampouco por não fazer parte do rol de eventos cobertos
pela ANS.

Ante o aduzido, com base no artigo 300 do CPC, nego a liminar perseguida,
sem prejuízo do reexame após a manifestação da empresa ré.

Intimações necessárias.

Cite-se a ré para, querendo, oferecer contestação à pretensão da


autora, no prazo de 15 (quinze) dias, nos termos do artigo 335 do Código de Processo Civil e com a
observância do artigo 344 do citado diploma legal.

Cópia da presente, autenticada por servidor em exercício nesta unidade, servirá de


mandado.

PAULISTA, 1 de novembro de 2017.

Jorge Eduardo de Melo Sotero

Juiz de Direito

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