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FICHAMENTO: Interpretação e Produção de Textos

UNIDADE I
Objetivos gerais da disciplina Interpretação e Produção de
Textos consistem em ampliar o universo cultural e expressivo do
aluno; trabalhar e analisar textos orais e escritos sobre assuntos da
atualidade; produzir na linguagem oral e escrita textos diversos.
Quanto aos objetivos específicos, estes têm o propósito de
levá-lo a valorizar a leitura como fonte de conhecimento e prazer;
aprimorar as habilidades de percepção das linguagens envolvidas na
leitura; ler e analisar diversos estilos e gêneros discursivos com senso
crítico; identificar as ideias centrais do texto; ampliar seu vocabulário
ativo; expressar-se com coerência, concisão e clareza, visando à
eficácia da comunicação.
No contexto dos estudos da língua, signo quer dizer unidade
significativa de qualquer língua, dotada de duas faces: significante
(imagem acústica) e significado (conceito). Daí que toda e qualquer
palavra da nossa língua é um signo.
O sentido das coisas, portanto, vem até nós por meio da
leitura, um ato individual de construção de significado num contexto
que se configura mediante a interação autor/texto/leitor.
A leitura global ocorre sempre que o leitor se depara com
palavras conhecidas, familiares, na maioria das vezes usadas no
cotidiano. A leitura de análise e síntese significa detalhar a palavra ou
em letra ou em sílaba e depois relê-la de uma vez.
Dessa forma, o conhecimento prévio está relacionado com o
contexto e a linguagem e possui grande relevância na construção de
significados para um texto. Segundo Kleiman (1997, p. 25), “a
ativação do conhecimento prévio é, então, essencial à
compreensão”, pois o conhecimento permite e possibilita o
estabelecimento da coerência, recurso que, juntamente com a
coesão, está disposto no texto de modo a facilitar a articulação entre
as diversas partes que o compõem.
A leitura é, então, o resultado da interação entre o que o leitor
já sabe e o que ele retira do texto. Nesse sentido, a compreensão de
um texto é um processo que se caracteriza pela utilização de
conhecimento prévio, ou seja, é a partir do conhecimento que o
leitor adquire ao longo de sua vida: o conhecimento linguístico, que
corresponde ao vocabulário e às regras da língua; o textual, que
engloba as noções e os conceitos sobre o texto; e o de mundo, que
corresponde ao conhecimento pessoal do leitor. Por meio desses
conhecimentos ele irá construir o sentido do texto
Uma das estratégias cognitivas da leitura, que rege o
comportamento inconsciente e automático do leitor, é o princípio da
economia. O leitor tende a reduzir, ao menor número, personagem,
objeto, processo e evento à medida que vai lendo.
Outra estratégia cognitiva é a de canonicidade, relacionada à
expectativa do leitor em relação à ordem natural do mundo, como:
causa antes do efeito, ação antes do resultado. Isso significa que o
leitor espera frases lineares: sujeito e depois verbo; sujeito, verbo e
depois complemento do verbo; sujeito, verbo, complemento do
verbo e depois advérbio, e assim por diante.
A terceira estratégia é a da coerência. O leitor escolhe uma
interpretação que torne o texto coerente. O texto tem que seguir a
regra de não contradição, que é não apresentar nenhuma
informação que contradiga o seu conteúdo.
A última estratégia cognitiva é a da relevância, que é a escolha
da informação mais relevante para o desenvolvimento do tema por
parte do leitor.
É importante saber, caro aluno, que existe a informação textual
e a contextual. A ideia principal do autor é a informação textual, e a
ideia principal para o leitor é a contextual.
As estratégias cognitivas são aquelas inconscientes para o
leitor, as que ele realiza para atingir seu objetivo de leitura. Trata-se
de um conhecimento implícito, não verbalizado, são os chamados
“automatismos” da leitura. Esse conhecimento abrange desde
aquele sobre como pronunciar o português, passando pelo
conhecimento do vocabulário, até o conhecimento sobre o uso da
língua.
As metacognitivas:
Estratégia de previsão: torna possível prever o que ainda está
por vir com base em suposições, ou seja, por meio do gênero de
texto, do autor ou mesmo do título.
Estratégia de inferência: permite captar o que não foi dito no
texto de forma explícita. A inferência é aquilo que lemos, mas não
está escrito.
Estratégia de visualização: a visualização consiste nas imagens
mentais, como cenários e figuras. É uma forma de inferência, em que
o leitor faz elaboração de significados do texto, seja de ficção ou não
ficção.
Estratégia de seleção: permite que o leitor se atenha às
palavras “úteis”, desprezando as irrelevantes.
Estratégia de pensamento em voz alta: é quando o leitor
verbaliza seu pensamento enquanto lê. Ele faz reflexões sobre o
conteúdo que está assimilando em voz alta.
Estratégia de questionamento: é fazer perguntas ao texto
desde o início até o fim da leitura, objetivando o melhor
entendimento.
Estratégia de conexão: relacionar o que se lê com os
conhecimentos prévios.
Permeando todas as estratégias cognitivas, existem, então, as
metacognitivas, que dizem respeito aos conhecimentos do leitor
sobre o processo de leitura. As estratégias metacognitivas têm
também a ver com a capacidade do leitor de perceber quando não
compreende um texto e utilizar, nesse caso, estratégias apropriadas
para resolver o problema.
Segundo Souza (2010, p. 22), a leitura é, basicamente, o ato de
perceber e atribuir significados por meio de uma conjunção de
fatores pessoais com as circunstâncias, como o momento e o lugar.
Diz ela que ler é interpretar uma percepção sob as influências de um
determinado contexto e que esse processo leva o indivíduo a uma
compreensão particular da realidade.
Apesar de esse quadro ser muito generalizado, podemos
afirmar que o sentido pode ser identificado em três aspectos: 1.
Linguístico: o sentido se acha nos usos comuns do dicionário. 2.
Psicológico: o sentido se dá pelo uso intencional. 3. Interacional: o
sentido ocorre no processo interativo entre o leitor e o texto (autor).
Comunicação: “comum” + “ação”, ou melhor, “ação em
comum”. De modo geral, todos os significados encontrados para a
palavra comunicação revelam a ideia de se estabelecer relação com
alguém, de haver transferência de informação.
Nessa abordagem, a língua é fato social, produto de ações de
seres humanos organizados em comunidades. A linguagem é, em
outras palavras, uma prática social, e como tal exige do usuário da
língua um olhar a partir de algum lugar sócio-historicamente
marcado e atravessado por conotações ideológicas
A língua é atividade simbólica, uma vez que as palavras criam
conceitos, que ordenam e categorizam o mundo.
Nossa língua apresenta uma imensa possibilidade de variantes
linguísticas, tanto na linguagem formal (padrão) quanto na
linguagem informal (coloquial).
Por fim, citando Bechara (1999): a linguagem é sempre um
estar no mundo com os outros, não como um indivíduo em
particular, mas como parte do todo social, de uma comunidade.
Existem seis tipos de texto: descritivo, narrativo, expositivo,
opinativo, argumentativo e injuntivo.
O texto descritivo tem por base um sujeito observador, o qual
descreve o mundo de maneira objetiva ou subjetiva. A primeira
forma diz respeito a uma descrição da realidade tal como ela é, em
que o sujeito tem como objetivo primeiro informar sobre objetos,
pessoas ou lugares. A segunda é a descrição da realidade da maneira
como o sujeito a sente, passando a exprimir a afetividade que tem
em relação ao objeto, à pessoa ou ao lugar descrito.
O texto narrativo é aquele que serve de estrutura para narrar,
contar uma história, seja ela real ou ficcional. Os gêneros textuais que
têm tal estrutura são: romance, conto, crônica, que são em prosa,
essencialmente, mas também podemos encontrar narrativa em
poemas. O texto narrativo pode ser achado em conversações (duas
pessoas conversando face a face podem narrar uma história
acontecida com elas), MSN, Orkut e em outros textos do nosso
cotidiano. O texto narrativo igualmente estrutura filmes, novelas
televisivas, séries e games.
Então, para que um texto seja narrativo, é preciso criar
personagens (e apresentá-las), instaurar um problema que
determinará o conflito central em torno do qual as personagens se
relacionam em busca da solução. Quando chega ao auge, tem-se o
clímax, e daí em diante torna-se necessário apresentar a resolução
do problema, que constitui o desfecho. Normalmente, um texto
narrativo contém, ainda, uma moral, que corresponde a uma
avaliação, a um juízo de valor implícito no texto
Geralmente, em textos narrativos há passagens descritivas. As
passagens descritivas não tornam o texto, que é essencialmente
narrativo, em descritivo. Elas servem para ajudar na caracterização
da personagem, de um lugar, de um julgamento de valor.
A argumentação está mais ligada ao conteúdo e pode
apresentar-se de outras formas (como narração ou descrição). Esse é
o tipo de texto que revela a intenção do sujeito de convencer e/ou
persuadir “o outro” sobre a validade de uma tese, que compreende
uma proposição (ideia proposta) a ser defendida no desenvolvimento
do texto. Estrutura de um texto argumentativo:
1- afirmação (tese, proposição); 2- posicionamento: que pode
demonstrar concordância ou discordância com uma tese já existente;
3- quadro de problematização: situa a argumentação em uma
perspectiva (social, econômica, política, ideológica, religiosa etc.),
direcionando o discurso do sujeito; 4- formulação de argumentos:
provas, raciocínio lógico, justificativas ou explicações que deem
sustentação à tese; 5- conclusão: resultado que se pretende com a
defesa da tese pelos argumentos apresentados e sua pertinência e
adequação ao quadro de problema.
Muitas vezes, no entanto, o que seria um texto argumentativo
com conclusão, em decorrência de proposições plausíveis, pode não
sê-lo por conta do produtor do texto que, por razões diversas,
escamoteia o raciocínio e incorre, portanto, em falácias.
O objetivo do texto expositivo é informar o leitor sobre um
dado referente. Os textos expositivos são utilizados em discursos da
ciência, da filosofia, em livros didáticos, em divulgação científica etc.
Os textos, de forma geral, não são puros, pois se valem de
diferentes tipos textuais. No caso do texto expositivo, quando o
produtor considera como válida uma explicação e não outra, assume
um ponto de vista, ou seja, segue a estrutura básica da exposição,
mas recorre também à argumentação.
O texto de opinião é muito veiculado nas esferas da política e
do jornalismo. Ele serve para apresentar o ponto de vista do autor
sobre um tema, como no exemplo a seguir.
“(...)o texto opinativo é um pronunciamento sobre uma
questão da vida social”.
Os textos citados anteriormente são exemplos de textos
injuntivos e estruturam os gêneros textuais, respectivamente,
exercício didático, receita culinária e autoajuda. O termo injuntivo
exprime uma ordem ao interlocutor para executar ou não uma
determinada ação. Construção do texto basicamente no imperativo.
Retextualização é um processo de operações que envolve
tanto a língua quanto o sentido do texto original (o texto oral). O
autor ressalta que “a passagem da fala para a escrita não é a
passagem do caos para a ordem; é a passagem de uma ordem para
outra ordem”.
Na perspectiva interacionista, fala e escrita têm a mesma
eficácia na comunicação, exigem das pessoas coerência,
colaboração, envolvimento etc.

UNIDADE II

Estilos e gêneros discursivos.


Assim é o texto: ele tem uma base, uma estrutura de
sustentação, que é o tipo, e tem variedade, que é o gênero.
Deparamo-nos com diferentes gêneros durante as mais
diversas situações comunicativas das quais participamos
socialmente: anúncios, relatórios, notícias, palestras, piadas, receitas
etc.
De modo geral, todos os gêneros textuais têm em comum,
basicamente, três características: 1. O assunto: o que pode ser dito
por meio daquele gênero. 2. O estilo: as palavras, as expressões, as
frases selecionadas e o modo de organizá-las. 3. O formato: a
estrutura em que cada agrupamento textual é apresentado.
O conjunto dos gêneros é potencialmente infinito e mutável,
materializado tanto na oralidade quanto na escrita. Os gêneros são
vinculados à vida cultural e social e contribuem para ordenar e
estabilizar as atividades comunicativas no dia a dia. Assim, são
exemplos de gêneros textuais: telefonema, carta, romance, bilhete,
reportagem, lista de compras, piadas, receita culinária, contos de
fadas etc.
Gêneros virtuais é o nome dado às novas modalidades de
gêneros textuais surgidas com o advento da internet, dentro do
hipertexto. Eles possibilitam, entre outras coisas, a comunicação
entre duas ou mais pessoas mediadas pelo computador. Conhecida
como Comunicação Mediada por Computador (CMC), essa forma de
intercâmbio caracteriza-se, basicamente, pela centralidade da escrita
e pela multiplicidade de semioses: imagens, sons, texto escrito (cf.
MARCUSCHI, 2004).
Suporte de um gênero textual é uma superfície física, em
formato específico, que suporta, fixa e mostra um texto. Essa ideia
comporta três aspectos: a) Suporte é um lugar (físico ou virtual). b)
Suporte tem formato específico. c) Suporte serve para fixar e mostrar
o texto.
O conteúdo não muda, mas o gênero textual é classificado
conforme sua relação com o suporte.
Marcuschi (2008) distingue duas categorias de suporte textual.
O autor identifica a categoria dos suportes convencionais, típicos,
criados apenas para ser suporte. Um exemplo dessa categoria é o
suporte livro. Outra categoria é a de suporte incidental, que pode
fixar texto, mas não é destinado a esse fim. O corpo é um exemplo
de suporte incidental.
A coerência de um texto é construída pela interação de fatores,
entre eles, o que está escrito no texto – ou seja, a língua manifestada
–, e os conhecimentos do leitor.
Existem, então, fatores fora do texto que interferem tanto na
sua produção quanto na leitura. Esses fatores são: intencionalidade,
aceitabilidade, situacionalidade, informatividade e intertextualidade.
A intencionalidade é um fator externo ao texto e se relaciona
ao produtor do texto. O produtor preocupa-se em construir um texto
coerente, coeso e capaz de atender aos objetivos do leitor.
A aceitabilidade diz respeito ao leitor, que, durante a leitura do
texto, tenta recuperar a coerência textual, atribuindo-lhe sentido. O
leitor recebe o texto como aceitável, tendo-o como coerente e coeso,
passível de interpretação.
Para produzir e interpretar um texto de modo satisfatório,
além do princípio de cooperação entre autor e leitor, deve haver três
competências fundamentais:
1. Competência linguística: é aquela em que autor e leitor
precisam ter o domínio da língua, base da comunicação.
2. Competência enciclopédica: é o conhecimento de mundo.
3. Competência genérica: o autor deve adequar seu texto a
certo gênero discursivo para que o leitor seja capaz de, ao menos,
distinguir diferentes gêneros para melhor compreender e interpretar
o texto lido.
Com base no exposto por Kleiman (1997), podemos presumir
que o autor e o leitor se tornam responsáveis no processo de leitura.
Assim, o autor, ao elaborar um texto, deve fazê-lo de modo claro,
deixando pistas para que o leitor o compreenda e reconstrua o
caminho percorrido pelo autor. O papel do leitor, nesse processo, é
confiar e perceber que as informações contidas no texto apresentam
algo de relevante e que são enunciadas de modo claro e coerente.
Se, porventura, o leitor se depara com possíveis entraves no processo
de leitura, ele deve valer-se de seu conhecimento linguístico, textual
e de mundo. Tais conhecimentos são preponderantes para que esse
leitor compreenda um texto de modo eficiente. Sendo assim, ainda
conforme Kleiman (1997), a construção de sentido de um texto é o
resultado da interação dos diversos níveis de conhecimentos de que
dispõe o leitor.
A situacionalidade realiza-se na adequação à situação
comunicativa do produtor/texto/leitor, inteirados no contexto. A
produção e a leitura do texto ocorrem em determinadas situações –
social, cultural, ambiental etc. Assim é com qualquer texto que exige
situações definidas. Ou, em outras palavras, o texto “conserva em si
traços da situação”.
A informatividade diz respeito ao grau de informatividade do
texto, tanto no aspecto formal quanto no conceitual. O texto atende
à expectativa do leitor ou rompe com ela. O fator de informatividade
é importante como norteador para o produtor do texto. O produtor,
antes de iniciar seu texto, precisa ter em mente o tipo de leitor que
ele quer ou que tipo de leitor será destinado a ele.
A intertextualidade é fenômeno ocorrido no texto quando este
faz referência a outro. A palavra intertextualidade é derivada de inter
(entre) + texto + dade significando, então, relação entre textos.
Intertextualidade é um recurso riquíssimo – com recorrência
em textos literários, científicos, conversacionais, cotidianos, enfim,
de todas as esferas do conhecimento – que pode se valer tanto da
forma oral quanto da escrita da língua. A intertextualidade é
recorrente também em textos não verbais, como tirinhas, charges,
HQ (história em quadrinhos) e outros.

FATORES INTERNOS DOS TEXTOS


Fatores importantes para a qualidade de um texto, como
coesão e coerência; clareza e concisão e correção gramatical.
Assim, a coesão equivale à relação entre as palavras, entre as
orações, entre os períodos, enfim, entre as partes que compõem um
texto. Quando chegamos ao “todo”, ao sentido global, temos a
coerência do texto. Então, um fator depende do outro, isto é, a
coerência pressupõe a coesão.
É preciso que haja organização sintático-semântica.
Coesão por retomada ou por antecipação (coesão referencial).
São classes gramaticais (artigos, pronomes, numerais,
advérbios, verbos) que funcionam, no texto, como elementos de
retomada (anafóricos) ou de antecipação (catafóricos) de outros
termos enunciados no texto.
É a isso que se denomina “retomada ou antecipação por uma
palavra gramatical”. Podemos então encontrar em um texto vários
elementos que estabelecem essa retomada ou antecipação. São eles
que formam as ligações no texto, ou seja, são esses termos que
instituem o que se denomina coesão referencial.
Retomada por palavra lexical (substantivos, verbos, adjetivos).
Além das palavras gramaticais, há outra forma de se retomar
as palavras no texto. É o mecanismo de substituição por sinônimos,
por hiperônimos, por hipônimos ou por antonomásias.
No exemplo referente ao item Retomada ou antecipação por
uma palavra gramatical, podemos observar um desses mecanismos:
em “(...) de uma questão simples”, o substantivo “questão” retoma
“o caso” por um processo de substituição por sinônimos.
A relação de hipônimo/hiperônimo corresponde à relação de
“contém”/“está contido”. O primeiro está contido no segundo e vice-
versa. Por exemplo, cachorro é hipônimo de mamífero e vice-versa.
Quanto à antonomásia, é o processo de substituição de um
nome próprio por um comum ou de um comum por um próprio.
Geralmente é utilizada para personalidades.
Entre os mecanismos de coesão referencial também se
encontra a elipse, quer dizer, o apagamento de palavras (que podem
ser recuperadas pelo contexto) em uma sequência, para que não haja
repetição indevida.
Coesão por conexão Estabelecida por conectores (ou
operadores discursivos) que fazem a relação entre segmentos do
texto. Esses conectores, além de estabelecer relação lógico-
semântica entre as partes do texto (de causa, finalidade, conclusão
etc.), têm função argumentativa, que, segundo Fiorin e Savioli (1999),
podem ser dos seguintes tipos: gradação, conjunção, disjunção,
conclusão, comparação, explicação ou justificativa, contrajunção,
argumento decisivo, generalização ou amplificação, os que
especificam ou exemplificam o que foi dito, retificação, explicitação.
Coesão por justaposição.
Como já dissemos, a coerência é o todo de sentido em que
resulta o texto. Para que ela se estabeleça, é preciso observar a não
contradição de sentidos entre partes do texto, o que se constrói pelos
mecanismos de coesão já explicitados. Além disso, de acordo com
Fiorin e Savioli (1999), há vários níveis que devem ser levados em
conta, como o narrativo, o figurativo, o temporal, o argumentativo,
o espacial e o de linguagem. Para todos eles, dois tipos de coerência
são fundamentais: a coerência intra e a extratextual.
A primeira corresponde à organização e ao encadeamento das
partes do texto, ao passo que a segunda pode estar relacionada tanto
ao conhecimento de mundo como ao conhecimento linguístico do
falante.
No entanto, há textos que aparentemente podem ser
incoerentes. Para se verificar se o texto tem sentido, é preciso
considerar vários fatores que podem levar à atribuição de significado
ao texto. São eles: o contexto, a situação comunicativa, o gênero, o(s)
intertexto(s).
A clareza e a concisão compreendem duas qualidades
primordiais de um texto bem elaborado. A primeira diz respeito à
organização coerente das ideias, de modo a não deixar dúvidas sobre
o que foi proposto pelo texto, desde seu início até sua conclusão,
enquanto a segunda está associada à não prolixidade do texto, ou
seja, uma está ligada à outra.
O fundamental é garantir que haja uma hierarquia de ideias e
fatos na relação intratextual, a fim de se organizar um todo coeso e
coerente.

COMPLEMENTO GRAMATICAL
A fonologia é parte da gramática que estuda os sons da língua
quanto à sua função no sistema de comunicação linguística, quanto
à sua organização e classificação. Também cuida de aspectos
relacionados à divisão silábica, à ortografia e à acentuação de
palavras, de acordo com o padrão culto da língua. Estuda o aspecto
fônico e tem como unidade básica de estudo o fonema.
A morfologia é o nível de análise linguística que se ocupa do
estudo das palavras, de sua formação, de sua classificação e de suas
flexões. Estuda palavras que pertencem a grupos bem diferentes:
substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo, advérbio,
preposição, conjunção e interjeição.
A sintaxe é o estudo das combinações e relações entre as
palavras de um enunciado e entre as frases de um texto. A
morfossintaxe é a parte central da gramática pura: é estudada em
dois domínios: a morfologia e a sintaxe.
A semântica é definida, de maneira genérica, como o estudo
do sentido das palavras e dos enunciados. Só atingimos o sentido dos
enunciados linguísticos, em qualquer contexto, por meio de um
exercício de interpretação, a partir do qual os possíveis significados
das palavras e de suas combinações são avaliados em situações
específicas, na busca daquele que melhor se ajusta ao contexto de
enunciação.
A língua é um fenômeno social, e, quando recorremos a ela
para falar ou escrever, nós assumimos uma responsabilidade.
A escrita é apenas um entre inúmeros outros sistemas de
linguagem visual, como os desenhos, a mímica, sinais marítimos e
terrestres, gestos, e é considerada a primeira revolução técnico-
linguística.
Em suma, o ciclo criador parece contar com cinco fases que,
apesar de logicamente separadas, só raramente se mostram muito
distintas na experiência. Primeiro há um impulso para criar.22 Segue-
se a este um período, frequentemente demorado, em que o criador
recolhe o material e investiga diferentes métodos de trabalhá-lo.
Vem a seguir um tempo de incubação, no qual a obra criadora
procede inconscientemente. Então surge o momento da iluminação,
e o inconsciente anuncia, de súbito, os resultados de sua luta. Há, por
fim, um processo de revisão, em que os dados (do problema) da
inspiração são conscientemente elaborados, alterados e corrigidos.

PRODUÇÃO ACADÊMICA

Primeiro, escrever é um processo em que se estabelecem


relações entre o autor e o leitor, de forma a acontecer a colaboração
entre eles – produtor e leitor – em que cada um participa em razão
de um objetivo.
Outro aspecto é o planejamento. O texto escrito precisa ter
coerência e correção gramatical. Além disso, o produtor seleciona e
organiza os conhecimentos e faz adequação da linguagem ao gênero
e tipo de texto e à situação comunicativa.
A função comunicativa da linguagem pressupõe um produtor,
um leitor, uma intenção e um contexto.
RESUMO: O primeiro passo para produzir um resumo é
conhecer e saber utilizar as fontes de informação. Saber delimitar o
tipo de informação procurada, distinguindo o que é tema geral no
texto lido e o que são temas parciais. É preciso também saber
localizar as fontes: biblioteca, hemeroteca, arquivo.
Aplicar, então, a leitura seletiva para a obtenção da
informação; comparar e/ou completar a informação sobre um
mesmo tema; e fazer nota com referência bibliográfica do texto lido.
O terceiro passo é a elaboração do texto com os materiais
colhidos. A redação de cada parágrafo pode corresponder a cada um
dos temas (subtemas) abordados. Se houver gráfico, figuras etc., é
necessária uma explicação correspondente. O texto produzido deve
conter as informações obtidas de maneira hierárquica, com
prioridade para o conteúdo básico e, se for o caso, com exemplos.
O artigo científico veicula a opinião sobre determinado tema,
geralmente relacionado a um universo de conhecimento a ser
apresentado. A política e a sociologia representam universos
bastante explorados pelos artigos de jornais. O artigo científico tem
caráter opinativo e a linguagem é adequada ao perfil do público-alvo.