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CENTRO UNIVERSITÁRIO DA GRANDE DOURADOS

PEDAGOGIA – 2ª GRADUAÇÃO

Abordagem Didática em Educação de Jovens e Adultos

Prof.ª Esp. Rafaela Cavalheiro Rocha

Valor total da atividade – 5,0

Atividade 1

AULA 1

01) Faça uma pesquisa resultando em um breve resumo sobre o legado de Paulo
Freire para o ensino de Jovens e Adultos.
Em 1958, no II Congresso Nacional de Educação de Adultos, o pedagogo
pernambucano Paulo Freire traz ao congresso uma nova forma de se educar o adulto, e uma
nova forma de pensar sobre os analfabetos, propondo uma quebra de paradigma: o
analfabeto não devia ser visto como uma pessoa ignorante e que o analfabetismo não era o
principal problema a ser enfrentado. Era a miséria que causava essa situação que deveria ser
enfrentada. Influenciados pelo novo pensamento de Freire, surgiram várias iniciativas
populares para a Educação de Jovens e Adultos, como o “Campanha de Pé no Chão
Também se Aprende”, “Centros Populares de Cultura”, “Movimento de Educação de Base”,
entre outros. Freire viria a ser convidado a elaborar o Plano Nacional de Alfabetização no
governo de João Goulart.
Freire propôs uma nova forma de ensinar e uma nova forma de ver o educando. A
nova forma de ensinar proposta por Paulo Freire é a contextualização, adequando o ensino
a realidade dos estudantes, e a adequação da comunicação entre professores e alunos.
Essa nova forma foi sintetizada no Método Paulo Freire, que consiste nas seguintes
etapas: 1. Levantamento do universo vocabular dos estudantes; 2. Escolha das palavras
geradoras através desse universo vocabular; 3. Criação das situações comuns do grupo a
ser trabalhado; 4. Elaboração de fichas-roteiro, que nortearão o debate; 5. Elaboração de
fichas com a decomposição das famílias fonéticas das sílabas das palavras escolhidas.
Assim, se uma palavra escolhida for ENXADA, serão geradas fichas representando as
famílias das sílabas EN, XA e DA, respectivamente (MOURA, 2013).
Paulo Freire propõe que o professor trabalhe a partir da realidade, saberes e cultura
do educando, incentivando o pensamento crítico no estudante. Freire também propõe a
substituição da aula pelo que denominou “círculo de cultura” no qual, por meio de
relações horizontalizadas, educadores e educandos aprendem mutuamente, discutindo

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palavras, temas ou contextos geradores de suas próprias culturas. Além disso, Paulo
Freire acreditava em uma pedagogia do diálogo, valorizar o contexto de vida cultural das
pessoas, do outro, do ser humano como um todo, e do diálogo vem a pedagogia da
libertação e com isso vem a pedagogia do conhecimento, peça da vida da sociedade como
um todo.

02) Quais eram os maiores desafios enfrentados para que o EJA obtivesse êxito?
Cite e exemplifique ao menos 2.
Os desafios enfrentados para que o EJA obtivesse êxito no Brasil foram e são
diversos.
Analisando de maneira historicamente, os desafios enfrentados pelo EJA
foram muitos. No Brasil imperial recém-emancipado, o analfabeto era visto como uma
pessoa inferior. Como podemos observar na “Lei Saraiva” de 1881, no qual o voto era
permitido às pessoas que eram alfabetizadas, considerando a educação como forma de
ascensão social. A partir disso surgiram mobilizações para discutir o problema da
alfabetização de jovens e adultos, más mesmo a educação sendo mais prioritária, as taxas
de analfabetismo no Brasil eram enormes. A pessoa analfabeta era considerada ignorante,
incapaz, cabeça dura, sem jeito para as letras. No II Congresso Nacional de Educação de
Adultos, em 1958, Paulo Freire traz ao congresso uma nova forma de se educar o adulto,
e uma nova forma de pensar sobre os analfabetos, propondo uma quebra de paradigma: o
analfabeto não devia ser visto como uma pessoa ignorante e que o analfabetismo não era
o principal problema a ser enfrentado. Outro desafio enfrentado na época é que os
professores que lecionavam nos cursos supletivos eram voluntários, fato que ocorreu
mudança a partir de 1996, com a LDB, no qual, em seu artigo 62, determina que a
formação dos professores da educação básica será feita em nível superior
Atualmente, o EJA ainda enfrenta grandes desafios para obter êxito. Dentre eles
podemos citar:
 Segundo os dados do Censo Escolar realizado em 2016, 3,4 milhões de
estudantes estavam matriculados em programas da EJA. Apesar de ser um
número bom, devemos ressaltar que esse total de matrículas está caindo desde
2008.
 Em uma pesquisa realizada em 2015, pelo Instituto Paulo Montenegro,
apontou outro fato importante - o analfabetismo funcional, o qual apenas 8%
dos entrevistados atingiram os níveis proficientes na elaboração, na

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compreensão e na interpretação de textos e gráficos. Ou seja, ainda temos


muito a caminhar no Brasil, em relação ao Ensino de Jovens e Adultos.
Apesar das taxas de analfabetismo diminuir, o analfabetismo funcional ainda é
elevado e o número total de matrículas dessa modalidade cai ano após ano. Para enfrentar
esses desafios necessitamos uma maior atenção a Educação de Jovens e Adultos, pelo
poder público, assim como toda a sociedade, esse ensino necessita ser mais aperfeiçoado,
assim como deve ser dada maior importância a essa parcela de educandos.

AULA 2

1) Qual o nome da Lei 9394/96 e o que a mesma corrobora?


O nome da Lei 9394/96 é Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
A mesma corrobora o que diz a Constituição Federal, em seu artigo 4º, colocando a
educação básica como dever do estado e a oferta de educação especial para jovens e
adultos. No seu quarto artigo, temos a definição dos deveres do estado na educação, sendo
um deles a oferta gratuita de ensino a aqueles que não concluíram em idade própria, e a
oferta do ensino de jovens e adultos para que os trabalhadores possam frequentar as aulas.
No seu artigo 37, ela delimita o conceito de Educação de Jovens e Adultos e fixa a idade
mínima para que os estudantes possam realizar os exames de certificação.

2) Qual o público alvo, qual a Lei e artigo que garante ao sujeito o acesso ao
EJA?
O texto atual da Constituição Federal assegura o direito de jovens e adultos
completarem os seus estudos através do artigo 208, delegando ao estado o dever de ofertar
o ensino básico a todos os estudantes de quatro a dezessete anos de idade, além daqueles
que não concluíram em tempo hábil.
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado
mediante a garantia de:
I - Educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos
17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta
gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade
própria;
II - Progressiva universalização do ensino médio gratuito;

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III - atendimento educacional especializado aos portadores de


deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - Educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5
(cinco) anos de idade;
V - Acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da
criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições
do educando;
VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação
básica, por meio de programas suplementares de material didático
escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (BRASIL,
1998, grifo nosso).

Complementando, além do artigo 208 da Constituição Federal, tem-se na


Educação de Jovens e Adultos a atuação da Lei 9394/96, no qual em seu quarto artigo,
tem-se a definição dos deveres do estado na educação, sendo um deles a oferta gratuita
de ensino a aqueles que não concluíram em idade própria, e a oferta do ensino de jovens
e adultos para que os trabalhadores possam frequentar as aulas. Além disso, a LDB dedica
uma pequena seção para esclarecer a Educação de Jovens e Adultos, compreendendo os
artigos 37 e 38. O artigo 37 esclarece que o público-alvo dessa modalidade, além de
prever iniciativas por parte do poder público para que os alunos dessa situação possam
ter acesso e manutenção às aulas: O artigo 38, por sua vez, prevê a instituição de cursos
e exames para indicar se o aluno concluiu ou não a etapa de ensino. Ele prevê idade
mínima para que o aluno seja considerado apto a fazer esses exames, que são 15 (quinze)
anos para o Ensino Fundamental e 18 (dezoito) anos para o Ensino Médio.

3) O artigo 38 da Lei 9394/96 prevê idade mínima para ingresso e conclusão do


aluno no EJA. Cite-as.
No artigo 38, por sua vez, prevê a instituição de cursos e exames para indicar se o
aluno concluiu ou não a etapa de ensino. Ainda prevê nas diretrizes a idade mínima para
que sejas considerado apto a fazer exames, que é de 15 (quinze) anos para o ensino
fundamental e de 18 (dezoito) anos para o ensino médio. Também faz o uso de exame
como forma de avaliação para aqueles que estudam informalmente, os autodidatas.

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Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos,


que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao
prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de
quinze anos;
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito
anos.
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por
meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames
(BRASIL, 1996).