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Apontamentos sobre Direitos

Humanos
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Publicado por Roberto F. de Macedo

há 2 anos

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As duas grandes características dos Direitos Humanos são a


Universalidade e a Indivisibilidade.

É universal porque clama pela extensão universal dos direitos


humanos, sob a certeza de que a condição de pessoa é o requisito
único para a dignidade e titularidade de direitos.

É indivisível porque a garantia dos direitos civis e políticos é uma


condição fundamental para a observância dos direitos sociais,
econômicos e culturais, e vice-versa.

O direito internacional dos direitos humanos pressupõe como


legítima e necessária a preocupação dos atores estatais e não-
estatais a respeito do modo pelo qual os habitantes de outros
Estados são tratado

Importa, portanto, reforçar a ideia de que a proteção dos Direitos


Humanos não pode ser limitada e restrita a um domínio reservado
de um Estado político, quer dizer, a defesa desses direitos não é
competência exclusiva de uma nação ou de uma jurisdição
doméstica. Com a Declaração Universal de 1948, e o tratamento
que passa a dar do tema dos direitos humanos, se inicia o
desenvolvimento do direito internacional desses direitos humanos,
a partir da prática da adoção de variados tratados internacionais
que são elaborados com o objetivo de proteger os direitos do
homem.

Os direitos humanos nascem, portanto, como direitos naturais


universais, desenvolvendo-se como direitos positivos particulares
que são incorporados por cada Constituição Nacional (na medida
em que elas passam a se constituir em declarações de direitos, de
reconhecimento de garantias e de normatização dos direitos
fundamentais). Todos os direitos humanos são universais,
interdependentes e inter-relacionados. A comunidade
internacional deve tratar os direitos humanos globalmente de
forma justa e equitativa, em pé de igualdade e com a mesma
ênfase.
O processo que permite compreender a consolidação atual dos
direitos humanos veio acompanhado de uma alteração na natureza
dos próprios direitos a partir de sua constitucionalização.

As 04 dimensões de direito estão presentes, hoje, na teoria dos


direitos humanos:

da primeira dimensão de direitos – os direitos civis e políticos


da segunda dimensão de direitos – os direitos econômicos, sociais
e culturais
da terceira dimensão de direitos – uma nova ordem
internacional, da solidariedade entre os povos ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado
da quarta dimensão de direitos – uma nova era na tecnologia
genética e comunicacional
Da Dimensão ética: os direitos humanos são inerentes à
natureza de todo e qualquer ser humano, e esses estão
reconhecidos na sua dignidade INTRÍNSECA. Portanto, eles se
constituem em um conjunto de valores éticos universais que estão
“acima” do nível estritamente jurídico e que devem orientar a
legislação dos Estados, uma vez que envolvem não um sujeito
nacional, mas uma condição de humanidade universal.
Da Dimensão jurídica: Importa lembrar que uma vez que todos
os princípios contidos na Declaração Universal de 1948 estão
especificados e determinados em protocolos, tratados, convenções
internacionais, eles se tornam parte do direito internacional, vez
que esses tratados passam a se constituir de um valor e uma força
jurídica enquanto assinados elos Estados Nacionais.
Da Dimensão política: Os direitos humanos, enquanto conjunto
de normas jurídicas, se tornam critérios de orientação e de
implementação das políticas públicas institucionais nos vários
setores da relação estado-sociedade.
Da Dimensão econômica: Não se pode desvincular a dimensão
econômica daquela dimensão política, ainda que se possa olhá-la
por ela mesma. Essa dimensão significa que sem a existência de
uma mínima satisfação de um mínimo de atendimento das
necessidades humanas básicas, isto é, sem a realização dos direitos
econômicos e sociais, não é possível o exercício dos direitos civis e
políticos, enfim, dos direitos humanos como se afirma na
Declaração Universal de 1948.
Da Dimensão social: Mas não cabe somente ao Estado a
implementação dos direitos, também a sociedade civil organizada
tem um papel importante na luta pela efetivação dos direitos,
através dos movimentos sociais, sindicatos, associações, centros de
defesa e de educação, conselhos de direitos. É a luta pela efetivação
dos direitos humanos que vai levar estes direitos no cotidiano das
pessoas e vai determinar o alcance que os mesmos vão conseguir
numa determinada sociedade.
Da Dimensão cultural: Os direitos humanos implicam algo
mais do que uma mera dimensão jurídica, isto significa que é
preciso que eles encontrem um respaldo e um espaço na cultura,
na história, na tradição, nos costumes de uma dada realidade
social se tornem de certa forma, parte do seu corpo coletivo, isto é,
de sua identidade cultural e maneira de ser.
Da Dimensão educativa: Afirmar que os direitos humanos são
“direitos naturais”, que as pessoas “nascem livres e iguais”, não
significa afirmar que a consciência dos direitos seja algo
espontâneo. O homem é um ser, ao mesmo tempo, natural e
cultural que deve ser socializado pelo espaço social. A educação
para a cidadania constitui, portanto, uma das dimensões
fundamentais para a efetivação dos direitos, tanto na educação
formal, quanto num aprendizado informal ou popular, bem assim
nos meios de comunicação.
Das características dos direitos humanos
Deve-se ressaltar a importância de uma visão integral dos direitos
humanos.
Imprescritibilidade: os direitos humanos fundamentais não se
perdem pelo decurso do prazo.
Inalienabilidade: não há possibilidade de transferência dos
direitos humanos fundamentais, seja a título gratuito, seja a título
oneroso.
Inviolabilidade: os direitos humanos são impossíveis de serem
violentados por desrespeito a determinações infraconstitucionais
ou por atos das autoridades públicas, sob pena de
responsabilização civil, administrativa e criminal.
Universalidade: a abrangência dos direitos humanos engloba
todos os homens, independente de sua nacionalidade, sexo, raça,
credo ou convicção político-filosófica.
Efetividade: a atuação do poder público estatal deve ser no
sentido de garantir efetivamente a realização dos direitos e
garantias previstos, com a previsão de mecanismos coercitivos
para tanto, uma vez que a Constituiçãonão se satisfaz com o
simples reconhecimento abstrato.
Interdependência: as várias previsões constitucionais, apesar de
autônomas, possuem diversas intersecções para atingirem suas
finalidades.
Complementaridade: os direitos humanos fundamentais não
devem ser interpretados isoladamente, mas sim de forma conjunta
com a finalidade de alcance dos objetivos previstos pelo legislador
constituinte.
Os direitos do homem são aqueles que cabem ao homem enquanto
homem. São os que pertencem, ou deveriam pertencer, a todos os
homens, ou dos quais nenhum homem pode ser despojado.

Direitos humanos não são sinônimos de direitos fundamentais,


pois os primeiros não são positivados, enquanto os segundos estão
inseridos, de forma positiva, na ordem jurídica. No caso do Brasil,
o artigo 5º, da CF/88, é um exemplo dessa positivação dos direitos
fundamentais que em essência são os mesmos dos direitos
humanos.
A Declaração dos Direitos do Homem, aprovada pela Assembleia
Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 representa,
como já visto, uma nova fase histórica. E este documento novo não
contém, apenas, os direitos individuais, de natureza civil e política
ou direitos de caráter econômico e social, mas é uma novidade na
medida em que afirmam novos direitos humanos, como os direitos
do povo e da humanidade, além de reconhecer a fraternidade, isto
é, uma ampla solidariedade. Os direitos humanos são os direitos de
liberdade, isto é, todos aqueles direitos que tendem a limitar o
poder do Estado e a reservar para o indivíduo, ou para os grupos
particulares, uma esfera de liberdade em relação ao Estado.