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Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 05ª Vara Cível desta Capital.

CONDOMÍNIO EDIFÍCIO ANA KARENINA, já devidamente qualificado na


inicial dos autos n.º 1423/2003 de AÇÃO COBRANÇA PELO RITO
SUMÁRIO, que nesse respeitável juízo move contra HAMAD AJAGE
HALABI JUNIOR, por intermédio de seus procuradores judiciais infra-
assinados, vem respeitosamente perante V. Exa., oferecer IMPUGNAÇÃO À
CONTESTAÇÃO, pelos seguintes fatos e fundamentos:

O condomínio - autor ingressou com a presente ação de cobrança pleiteando o


recebimento de taxas de condomínio em atraso dos meses de julho de 1999 até
outubro de 2003, mais as vincendas.

Devidamente citado compareceu na audiência designada e ofereceu contestação


alegando em síntese:

- Que discorda do valor total da inicial;

- Que entende ser a cobrança excessiva;

- No final requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito


admitidas, especialmente perícia contábil.
- Também discorda da cumulação de juros e de honorários extrajudiciais sem
propositura de ação.

Em que pese o esforço do Ilustre Procurador do requerido, nenhuma das suas


alegações podem prosperar, senão vejamos:

O requerido é o proprietário do imóvel Apartamento 131 do Condomínio Edifício


Ana Karenina, descrito na Certidão do Registro de Imóveis da 5ª Circunscrição
Imobiliária desta Capital, (doc. de fls. 18).

Portanto, como faz prova a Certidão do Registro de Imóveis de fls. 18, o


contestante é o proprietário do imóvel.

Não há que se acolher as alegações do requerido, neste sentido a jurisprudência é


pacifica:

“A responsabilidade pelo pagamento das despesas de condomínio é daquele


em nome de quem se encontra registrado o imóvel”. AC da 4ª Câm. Cível do
TJPR.

O texto da lei, bem como a doutrina, afirmam que o proprietário do imóvel é


aquele devidamente inscrito no Registro de Imóveis competente, sendo portanto,
quem responde pelas despesas condominiais.

Não resta, portanto, dúvidas que o autor pleiteou a cobrança das taxas de
condomínio em atraso do proprietário do imóvel.
Os julgados de nossos Tribunais, seguindo o entendimento do texto da lei e da
doutrina dominante, tem se manifestado no seguinte sentido:

“DESPESAS DE CONDOMÍNIO. RESPONSABILIDADE PELO


PAGAMENTO. CONDÔMINO COM TÍTULO INSCRITO NO REGISTRO
DE IMÓVEIS. A responsabilidade pelo pagamento das despesas de
condomínio é daquele em nome de quem se encontra registrado o imóvel. A
obrigação perante o condomínio é do condômino, isto é, aquele que ostenta a
condição de proprietário da unidade e contra ele deve ser dirigida a cobrança
de cotas em atraso. E, proprietário, é aquele que tem título de propriedade
registrado em seu nome”. (Ac. 4ª Câm. Cível TARJ - Votação unânime - Rel.
Juiz Murillo Fábregas - In. ADV - n.º 14 - p. 220 - ementa 27/08/82)

“CONDOMÍNIO - COTAS RESPONSABILIDADE DECORRENTE DO


DOMÍNIO. A obrigação de pagamento das cotas condominiais decorre do
domínio”. (5ª Câm. TARJ - Ap. 29.304/85 - Ac. Unâm. Rel. Juiz Lindemberg
Montenegro).

Então é indiscutível que o requerido é o proprietário do imóvel, e como tal tem


obrigação legal de efetuar o pagamento da taxas de condomínio reclamadas na
presente ação, independente de interpelação judicial ou extrajudicial.

Quanto a multa e juros, constantes do demonstrativo de débito fls. 04 dos autos, o


autor esclarece que o índice utilizado para correção monetária foi a média do
INPC/IGPM, ou seja o mesmo índice utilizado pelo forum.

O não pagamento das taxas de condomínio na data fixada acarreta a cobrança de


multa de 20%, juros de mora de 1%, correção monetária, honorários advocatícios,
calculados sobre o valor total do débito, alem das custas processuais.
E a multa de 20% é perfeitamente legal, pois esta prevista no Regimento Interno
do Condomínio artigo 07, fls. 16 dos autos, e também existe a Lei 4.591/64, que
prevê a multa de até 20%, juros de mora de 1% ao mês.

A impontualidade do requerido acarreta grandes dificuldades para o condomínio –


autor, gerando com isso prejuízo aos demais condôminos.

Dever de pontualidade, das despesas condominiais, na forma usual (via banco,


resgate no escritório do síndico ou administrador, ou no local determinado através
de assembléia etc...), constitui dever moral de solidariedade, lealdade e honradez
de cada um dos condôminos para com os demais, visto que tem por fim o custeio
da manutenção do edifício, que é a morada de todos eles.
No conceito de pontualidade integra-se o dever de pagar no dia e local de praxe,
de sorte que não fica a critério do devedor pagar sob forma diferente, como por
exemplo, mediante depósito bancário, quando o local estabelecido é o escritório do
síndico, ou outro designado por ele.

O pagamento só se considera juridicamente eficaz para elidir a mora se feito de


forma habitual. E o atraso importa em autêntico parasitismo, visto que para pagar
despesas inadiáveis tem o síndico de fazer o rateio extra, junto aos demais
condôminos pontuais, assim forçados a suprir o caixa condominial e a se tornarem
financiadores compulsórios dos faltosos.

Diante do exposto, considerando os documentos juntados aos autos, se comprova,


que não ocorreu a transcrição e nem a averbação no Registro de Imóveis, e em
face disso, as alegações do requerido devem ser rejeitadas, por ser o requerido
contestante devedor das taxas condominiais, mais as que se vencerem até o efetivo
pagamento, devendo no mérito, ser a presente ação julgada procedente, com a
condenação do requerido ao pagamento dos encargos condominiais pleiteados na
inicial, acrescidas das cominações legais de estilo.

Quanto as provas que a contestante pretende produzir é meramente protelatória,


pois a matéria é somente de direito, e o contestante não juntaram aos autos
nenhum documento que desconstitua o direito do Condomínio em cobrar as taxas
em atraso.

POSTO ISTO, requer a V.Exa., que se digne a julgar procedente a presente


ação, para condenar o requerido ao pagamento do principal acrescido de multa
estabelecida na Convenção do Condomínio, correção monetária desde o
vencimento, juros de mora de 1% ao mês, custas processuais e honorários.

N. Termos,
P. Deferimento.
Curitiba 19 de dezembro de 2003.

Manoel Alexandre S. Ribas


Advogado