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Relatório de Estágio

Instituto de Medicina Tradicional - Porto


Curso: Acupunctura, Moxabustão e Fitoterapia Chinesa
Cadeira: Estágio Curricular
Orientador de Estágio: Dr. Luís Miguel Lavado (Cédula Profissional Nº 0500754)
Supervisor do Estágio: Enf. Amílcar Carvalho
Entidade de Acolhimento: Gesaúde, Organização e Gestão da Saúde nos Locais
de Trabalho, Lda.
Data: 18.01.2017 a 10.07.2017

José Miguel Ferreira Ferrer Antunes


Aluno: 8302
Turma: AMF08 - 4º Ano

Julho de 2017
Relatório de Estágio

Índice

1. Introdução 3

2. Contexto 4

3. Objetivos 8

4. Reflexão 10

5 Casos Clínicos 20

6. Bibliografia 31

7. Anexos 32

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1. Introdução

O estágio do Curso Geral de Acupuntura, Moxabustão e Fitoterapia Chinesa do


Instituto de Medicina Tradicional é realizado no 4º ano curricular. No âmbito da
realização do estágio, é redigido um relatório que pretende contextualizar e
descrever sumariamente as atividades desenvolvidas e o percurso do aluno na
sua primeira experiência, embora tutelada e ainda como estudante, num contexto
clínico profissional.

Este relatório tem como objetivo caracterizar a entidade de acolhimento,


descrever as principais metas propostas para o estágio curricular, os primeiros
obstáculos e como foram superados. São descritas algumas competências
adquiridas e desenvolvidas nestas etapas.

Muito embora se enumerem todos os pacientes e os casos clínicos associados


em contexto de estágio, foram selecionados cinco casos clínicos que se
destacaram pela sua singularidade e resultados alcançados, que serão
explorados em maior detalhe.

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2. Contexto

A Entidade de Acolhimento onde foi realizado o estágio foi a empresa Gesaúde –


Organização e Gestão de Saúde nos Locais de Trabalho, Lda. que labora desde
1994.

O âmbito de atuação da Gesaúde envolve a Medicina do Trabalho, Higiene e


Segurança Alimentar e no Trabalho. Os principais clientes são organizações do
sector do comércio, indústria e serviços. Presta ainda serviços de enfermagem,
cuidados médicos e apoio social a particulares.

Em Fevereiro de 2011 a Gesaúde passou a oferecer mais serviços de saúde


especializados e de proximidade, no Fórum Clínico de Vila Facaia e nos
Domicílios, essencialmente no Pinhal Interior, com uma resposta holística às
necessidades e dependências dos seus clientes, mobilizando meios humanos
especializados e tecnologias de diagnóstico e comunicação.

Já em 2015 foi inaugurado o Centro Ocupacional e de Desenvolvimento Funcional


e Cognitivo que oferece aos seus clientes, em instalações modernas, construídas
de raiz para o efeito, serviços diferenciados de fisioterapia, consultas médicas,
terapia da fala, hidroterapia, para além de uma série de atividades de cariz
formativo e ocupacional.

A Gesaúde é uma empresa que se distingue pela excelência dos serviços


prestados e cujo Sistema de Gestão da Qualidade é certificado ISO 9001.

Embora se localize no Pinhal Interior, mais especificamente em Vila Facaia,


concelho de Pedrógão Grande, a Gesaúde tem um leque de clientes que se
alarga a todo o território nacional, especialmente no âmbito da Medicina do
Trabalho, Higiene e Segurança no Trabalho e Segurança Alimentar.

As atividades do estágio foram realizadas nas instalações do Centro Ocupacional


e de Desenvolvimento Funcional e Cognitivo de Vila Facaia.

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Os serviços propostos no estágio foram consultas de Acupuntura à população.


Apesar de se utilizar a identificação de “Acupuntura” por ser mais facilmente
identificado pelos potenciais clientes, as técnicas utilizadas não se restringiram às
técnicas de Acupuntura mas também foram desenvolvidas técnicas de
Moxabustão, Ventosoterapia, Electroacupuntura, Tui Na, Auriculoterapia,
Dietética, Qi Gong e prescrita Fitoterapia Chinesa.

De modo a promover os novos serviços, a Gesaúde organizou um seminário


aberto à população, ministrado pelo aluno, de modo a apresentar os serviços e as
particularidades da Medicina Tradicional Chinesa. Anexa-se panfleto informativo
do referido seminário.

A Gesaúde facultou ainda uma consulta e cinco tratamentos gratuitos durante os


primeiros três meses, de modo a divulgar as consultas, criar a necessidade e
promover a fidelização dos pacientes.

As consultas foram realizadas de forma fixa às segundas e quintas-feiras. Se


existissem marcações que o justificassem, podiam ser agendados outros dias.

Os gabinetes utilizados reuniam todas as condições para a prática das consultas


em causa. Assim, para além de secretária e cadeiras, possuíam uma marquesa
com rolos de papel de celulose de utilização única, degraus para facilitar o acesso
à marquesa, biombo para garantir a privacidade na preparação para o tratamento,
lavatório e toalhas descartáveis, estante para material, ar condicionado,
purificador do ar, modelo anatómico, estimulador eléctrico de agulhas, sistema de
som, computador e impressora.

Todos os materiais e equipamentos necessários para as consultas foram sempre


disponibilizados com a quantidade, qualidade e variedade óptimas para uma boa
prática. A gestão do material consumível foi apoiada numa gestão de stocks com
inventário diário, desenvolvido e registado por mim, sendo os custos por consulta
permanentemente monitorizados.

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A todos os pacientes foram enquadradas as metodologias empregues nos


tratamentos, as consequências previstas dos tratamentos, tendo sido
sistematicamente assinado um consentimento informado (em anexo).

Os dados das consultas foram registados em ficha clínica (em anexo). Para além
da informação relativa à identificação do utente, é registado o uso de pacemaker,
a existência de alguma alteração neurológica ou epilepsia, a facilidade de
coagulação sanguínea e, quando aplicável, a gravidez. Os problemas anteriores
de saúde e medicação são questionados. A queixa principal assim como os sinais
e sintomas apresentados são aprofundados. Para apoio na identificação exaustiva
destes, principalmente numa primeira fase, foi utilizado o modelo Padrões de
Acupuntura, em anexo, sendo registados os padrões associados e o tratamento
realizado.

Em todas as consultas foi analisada a língua e pulso. Estes dados constam


também na ficha clínica. Foi realizado arquivo fotográfico da língua de todos os
pacientes, em todas as sessões. As fotografias das línguas encontram-se
arquivadas em base de dados, assim como todos os dados que constam na ficha
clínica.

Foi descrito, em cada consulta, todo o tratamento realizado: pontos de


acupuntura, aurículoterapia, fitoterapia chinesa, ventosoterapia e massagem Tui
Na. No caso de existirem recomendações aos pacientes tais como dietética,
alteração de comportamentos e outros, estes foram apresentados a cada paciente
e foram também registados. Em cada consulta foram também identificados os
materiais utilizados, o respectivo lote e prazo de validade.

A base de dados acima referida foi elaborada em File Maker (ver anexo) com o
apoio do meu pai, Dr. Carlos Ferrer Antunes. Para além da facilidade de consulta,
esta base de dados esteve sempre acessível, em tempo real, ao Orientador do
Estágio, Dr. Luís Miguel Lavado.

Como se intui da apresentação dos serviços de Acupuntura pela Gesaúde, a


Clínica não possuía profissional na área.

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Foi essencial o acompanhamento próximo por parte do professor e Orientador,


Dr. Luís Miguel Lavado.

A Orientação de estágio foi efectivada de cinco formas:


- Deslocações do professor ao local de estágio assistindo à realização de
consultas;
- Acesso, em tempo real, ao registo do trabalho que estava a ser realizado
através da base de dados alojada em pasta partilhada por Dropbox;
- Relatórios diários com o resumo de cada uma das consultas, escolhas
efectuadas nos tratamentos e eventuais dúvidas para esclarecimento;
- Relatórios mensais com a autoavaliação do aluno relativamente aos pontos
fortes e debilidades do mês anterior assim como propostas de objetivos a
alcançar;
- Contacto telefónico semanal de modo a discutir com maior detalhe aspetos
específicos.

Para além deste acompanhamento, visto que tinha aulas com o Orientador do
Estágio, nomeadamente em Práticas Clínicas III, eram discutidas uma série de
questões pertinentes. Sempre foi facultada, pelo Orientador, documentação de
apoio para o enriquecimento de conhecimentos.

Quero, antes de mais, agradecer a disponibilidade e apoio facultado pelo Dr. Luís
Miguel Lavado que teve a arte de enriquecer toda a minha experiência de estágio
e dar-me confiança e à Entidade de Acolhimento, com quem manteve contacto.

Quero também agradecer ao Enfermeiro Amílcar Carvalho, responsável pela


Gesaúde, ter aceite apostar neste projeto e acreditado na minha capacidade para
o levar a bom porto colocando sempre todos os recursos necessários à
disposição.

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3. Objetivos

O estágio teve como objetivo principal a aplicação prática, em contexto clínico,


dos conhecimentos adquiridos ao longo do Curso Geral de Acupuntura,
Moxabustão e Fitoterapia Chinesa ministrado pelo Instituto de Medicina
Tradicional, no Porto entre os anos 2013 e 2017, inclusive.

Pretendia-se que, no final do estágio curricular, eu estivesse apto a desenvolver,


de forma independente, um processo de tratamento completo indicado para os
casos que fossem apresentados, com sucesso, utilizando para tal os
conhecimentos apreendidos, no âmbito da Medicina Tradicional Chinesa.

As principais competências a desenvolver estavam divididas em três etapas. A


primeira consistia na realização de um diagnóstico correto, elaborando uma ficha
clínica completa com todos os elementos relevantes da história clínica, recolha de
sinais e sintomas, definição da queixa principal, análise dos pulsos, língua e
diferenciação dos padrões presentes. Na segunda etapa era definido o plano de
tratamento a aplicar e o número de consultas previstas. A última era a aplicação
correta das técnicas de tratamento.

As aplicação das várias valências ao longo do estágio foram sendo aplicadas


progressivamente de modo a que, no final, estivesse apto a aplicar todo o leque
de conceitos e técnicas aprendidas no curso.

Foram assim desenvolvidos, progressivamente, os seguintes elementos:


- Recolha de sinais e sintomas;
- Análise da língua;
- Análise do pulso;
- Diferenciação de padrões;
- Definição do protocolo de acupuntura;
- Definição de alternativas ou técnicas complementares à acupuntura;
- Definição de protocolos de aurículoterapia e sua aplicação;
- Aplicação de técnicas de Tui Na;

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- Aplicação de exercícios de Qi Gong;


- Aplicação de técnicas de moxabustão;
- Aplicação de ventosoterapia;
- Aplicação de sangria;
- Aplicação de electroacupuntura;
- Prescrição de fitoterapia;
- Definição e aconselhamento dietético.

Para a realização das consultas e satisfação dos pacientes foi também um


objetivo a gestão rigorosa do tempo de modo a evitar atrasos. Cada consulta teve
a duração média de uma hora, com um desvio máximo admitido de quinze
minutos.

De modo a registar a satisfação dos pacientes e procurar oportunidades de


melhoria, no final de cada ciclo de tratamentos, foi solicitado o preenchimento de
um inquérito de satisfação (em anexo).

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4. Reflexão

Antes do início do estágio surgiu a necessidade de escolher o local onde este


seria realizado. A primeira questão foi a existência de um profissional da área de
Medicina Tradicional Chinesa a exercer no local ou se me sentiria suficiente
confiante para, com o Orientador de Estágio certo, enfrentar o desafio.

Embora ciente que seria mais confortável acompanhar um profissional e ir


ganhando espaço à medida que o orientador considerasse adequado, considerei
que a evolução seria mais lenta e poderia não ter oportunidade de gerir
completamente o processo. Por outro lado, uma clínica sem experiência na área
iria obrigar a começar todo o processo do princípio, para mim e para a clínica.
Pala além disso, a possibilidade de empregabilidade seria mais alta.
Escolhi esta segunda opção, o percurso seria mais exigente, rico e estimulante.

Após esta decisão estar tomada, foi necessário escolher o Orientador de Estágio
que me garantisse sucesso e diminuísse o risco da opção anteriormente tomada.
Teria de ser um professor com quem me identificasse no modo como via a
Medicina Tradicional Chinesa, que eu respeitasse pelos conhecimentos e modo
de leccionar e ainda que respeitasse os compromissos assumidos,
nomeadamente ao nível de celeridade de resposta. Tive o privilégio de o Dr. Luís
Miguel Lavado, que cumpria exemplarmente estes requisitos, ter aceite o meu
repto.

Após garantido o acompanhamento pelo Orientador, selecionei um local sem


profissional na área e distante dos grandes centros urbanos. Apesar de aumentar
o cansaço com as deslocações, a concorrência seria menor assim como a
facilidade de acesso dos pacientes a cuidados de saúde. Importava também que
a empresa fosse dinâmica e empreendedora.

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No meu percurso profissional sempre estive ligado ao processo de


implementação e manutenção de Sistemas de Gestão da Qualidade ISO 9001,
maioritariamente na área da saúde.

Uma das empresas em que tive o privilégio de implementar um Sistema de


Gestão da Qualidade, foi a Gesaúde. Sendo o líder desta empresa, o Enf. Amílcar
Carvalho, uma pessoa extremamente ativa, inovadora e empreendedora, foi com
grande satisfação que recebi a sua aprovação à minha proposta.

Foi com entusiasmo que planeamos o lançamento desta nova área na Gesaúde.
A Gesaúde definiu um período de fidelização / lançamento de três meses.

Foi desenhado um folheto informativo (em anexo) que distribuímos pela


localidade e arredores e organizada uma palestra para a população, a realizar
logo após a missa dominical. Mais tarde foi enviado um artigo para um jornal da
região “O Ribeira de Pera” que publicou a nova valência da Gesaúde.

A divulgação realizada deu frutos. Na primeira semana existiam quatro marcações


e, nas seguintes, a média aumentou para cerca de oito marcações por dia de
consulta.

O contacto inicial com os pacientes foi cauteloso mas amistoso. Quando


começavam a sentir os efeitos dos tratamentos passaram a recomendar outros
familiares e amigos.

O processo de consulta era simples. Ao entrarem os pacientes, iniciava-se uma


nova ficha clínica (em anexo), e todo o processo de anamnese, sendo analisados
os sinais e sintomas.

Esta informação orientava a diferenciação de padrões e subsequentemente a


uma proposta terapêutica enquadrada no âmbito da Medicina Tradicional
Chinesa. O diagnóstico, diferenciação de padrões e propostas de tratamento
eram validados diariamente pelo Orientador de Estágio.

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A aplicação dos conhecimentos foi feita de um modo progressivo.

Foi aprofundada a análise das línguas, todas registadas fotograficamente para


que fosse possível o apoio do Orientador de Estágio. A identificação e análise das
características dos pulsos foi sujeita a alguma consulta e estudo adicional. Foram
revisitadas as funções dos órgãos e todo o conjunto de prontos de acupuntura
considerados essenciais. Foi ainda aprofundado o estudo dos canais
extraordinários e sua aplicabilidade.

O estudo de protocolos ao longo do curso abrangeram essencialmente os


padrões de vazio, de plenitude e síndromes BI, para além do estudo de
patologias, nomeadamente em Medicina Interna, e o estudo de casos práticos.

A regra normalmente utilizada na colocação de agulhas era de cima para baixo e


da esquerda para a direita nas mulheres e da direita para a esquerda nos
homens, seguindo a mesma ordem para retirar as agulhas.

No estudo de casos eram habitualmente aplicados pontos de acordo com os


sinais e sintomas dos pacientes e de acordo com as funções dos pontos, como os
pontos Shu antigos, pontos Mu, Shu dorsais, pontos Hui, entre outros.

Era comum definir protocolos que abarcassem todos os desequilíbrios


apresentados com o objetivo de atingir uma melhoria global do equilíbrio do
indivíduo. Evitava-se passar dos doze a quinze pontos.

Normalmente existia sempre uma seleção de pontos para o local afetado e outra
sistémica. A utilização dos pontos era sempre bilateral.

Esta abordagem implicava, a meu ver, demasiadas agulhas, uma grande


dispersão da intenção do tratamento e a sobrecarga do local afetado.

Sempre evitei, no contexto do estágio e nas aulas do Instituto de Medicina


Tradicional, utilizar outras metodologias que não as diretamente fundamentadas
nas referências recomendadas pelos professores do Instituto.

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Apesar disso, fui estudando outras abordagens com raízes na Medicina


Tradicional Chinesa e assisti a algumas formações, nomeadamente sobre a
metodologia do Mestre Tung (Tung Jingchang). Aqui são usados pontos
essencialmente distais e, tanto os pontos são diferentes como as suas regras de
seleção e punctura. Verifiquei efeitos muito rápidos.

Encontrei nos livros base no estudo do método do Mestre Tung (Lectures on


Tung’s Acupuncture – Points Study e Terapeutic System, de Dr. Wei-Chieh
Young) um conjunto de características que eram atribuídas a um bom acupuntor
que me pareceram muito interessantes.

Estas características eram, de um modo muito resumido, as seguintes:


1. Quanto menos pontos selecionados, melhor. É comum um protocolo conter
três pontos. Nunca mais de oito pontos;
2. Escolha criteriosa de pontos. Na linha de alguns mestres como Ma Dan
Yang Tian Xing que só usava doze pontos;
3. Nunca puncturar o local afetado ou doloroso. Apesar dos mestres clássicos
utilizarem pontos ashi em três condições: padrão de excesso, casos muito
simples, ou problemas caracterizados por dor.

Apesar de ter considerado esta abordagem um tanto radical, para mim fez
sentido, principalmente no enquadramento da metodologia Tung.

Eu não queria de modo algum desvalorizar o que tinha aprendido, com base nas
referências de Peter Deadman, Auteroche e Giovanni Maciocia, mas ainda não
tinha encontrado um modelo em que me sentisse confortável.

O Manual de Acupuntura de Peter Deadman sempre foi utilizado referencia para a


função dos pontos e localização. Auteroche era o guia para um bom diagnóstico
na Medicina Tradicional Chinesa e Macioccia, para além da fitoterapia,
enquadrava os fundamentos, elaboração de protocolos e análise de casos.

O professor Dr. Luís Miguel Lavado aconselhou-me uma abordagem, para mim
nova, na elaboração de protocolos recorrendo aos canais extraordinários.

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Para tal iniciei o estudo do livro relativo ao uso clínico de canais de acupuntura
secundários e dos oito vasos extraordinários, curiosamente de Macioccia. Percebi
que as respostas que procurava sempre tinham estado presentes.

Passei a utilizar com grande frequência, para a elaboração de protocolos, a


seguinte metodologia:
1. Selecionar o vaso extraordinário mais aplicável ao caso. De um modo
muito resumido:
a. Du Mai: áreas do corpo influenciadas: região dorsal, coluna vertebral
cervical, dorsal, lombar, sacro e região posterior da cabeça e
principal sintoma: rigidez na coluna;
b. Ren Mai: áreas do corpo mais influenciadas: abdómen, tórax,
pulmão, garganta e principais sintomas: asma, bronquite e enfizema;
c. Yang Wei Mai: áreas do corpo influenciadas: face lateral da perna,
lateral do corpo, lateral do pescoço, lateral da cabeça, ouvidos e
genitália externa e principal sintoma febre alternada com calafrios;
d. Yin Wei Mai: problemas emocionais e como principal sintoma as
lamentações;
e. Yang Qiao Mai: áreas do corpo influenciadas: face lateral da perna,
costas, cabeça e olhos e principal sintoma: insónia;
f. Yin Qiao Mai: áreas influenciadas: Rim, face medial das pernas,
abdómen e olhos;
g. Dai Mai: áreas do corpo influenciadas: cintura, quadril, face lateral
do joelho e genitália externa e principal sintoma: dor lombar em
faixa;
h. Chong Mai: problemas ginecológicos e relacionados com sangue e
principal sintoma: dor abdominal espasmódica.
2. Definir os canais principais diretamente relacionados com a queixa
principal.
3. Iniciar o protocolo com o ponto de abertura do canal extraordinário
selecionado em virtude da área do corpo afectada e/ou com os sinais e
sintomas.
4. Utilizar os pontos Mu para casos mais agudos e Shu dorsais para os mais
crónicos.

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5. Se aplicável, utilizar os pontos Hui (mestre).


6. Eventualmente, em casos de excesso evidente, utilizar a Teoria dos Cinco
Movimentos ou Elementos tonificando a mãe para nutrir o filho ou
tonificando o avô para controlar o neto.
7. Em casos em que existe uma grande correspondência de sinais e sintomas
com o canal extraordinário, utilizar o ponto Terra do canal extraordinário
acoplado, ou seja:
a. Ren mai / Yin qiao mai;
b. Du mai / Yang qiao mai;
c. Chong mai / Yin wei mai;
d. Dai mai / Yang wei mai.
8. Utilizar, quando aplicável, pontos cujas funções são claramente indicadas
para o caso particular.
9. Finalizar com o ponto de abertura do vaso extraordinário acoplado.

A remoção das agulhas, é realizada por ordem inversa da inserção (começando


pela última inserida).

Procuro que a localização das agulhas seja o mais equilibrada possível quer entre
o alto e o baixo quer entre o lado direito e o esquerdo.

Embora procure utilizar o número de agulhas indispensável considero que, para


questões sistémicas, a utilização bilateral é mais eficaz embora, para todas as
outras, a colocação em só um dos lados do canal é suficiente. Evito utilizar o lado
afetado. Já por várias ocasiões os pacientes referiram sentir sensações no local
afetado quando só o outro lado está a ser utilizado.

Verifiquei ainda que, quando procuro incluir no protocolo mais do que duas
intenções de tratamento, os resultados têm efeitos menos intensos e mais
demorados.

Esta abordagem ajudou-me na fase de diagnóstico e de elaboração de


protocolos. Parece-me mais eficaz. Creio que as razões por trás desta percepção
se podem agrupar em dois grupos, as razões diretas e as indiretas.

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Quanto às razões diretas contam-se as propriedades dos pontos de abertura e


acoplados que têm por característica equilibrar os sistemas com recurso à energia
de reserva armazenada nos canais extraordinários em vez de recorrer à energia
“circulante” nos doze canais principais.

Em termos de razões indiretas são várias:


- Facilita o raciocínio. É mais simples, na definição de um protocolo, seguir
uma sequência na definição de pontos.
- Ajuda a que exista uma menor dispersão na escolha de pontos.
- Torna-se mais clara a causa do problema. É mais evidente agrupar os
elementos do diagnóstico. É realçado de uma maneira muito simples se
estamos perante uma questão Yin ou Yang, se é ao nível mais profundo ou
superficial, ou ainda se se trata de uma questão mais física ou emocional.
- O foco do que se está a tratar é também mais evidente e está diretamente
relacionado com uma série de sinais e sintomas agrupados por canal
extraordinário.

Como desvantagem verifiquei que os pontos (maravilhosos) utilizados são, tirando


7P (Lieque), mais dolorosos para o paciente.

Os protocolos criados durante o estágio tiveram por base esta abordagem.

A minha experiência anterior ao estágio foi essencialmente desenvolvida em


consultas realizadas aos colegas (com uma periodicidade sujeita aos fins-de-
semanas de aulas) e a familiares próximos.
No primeiro caso, os efeitos poderão ter sido menos eficientes pela distância
temporal entre tratamentos. No caso dos familiares, utilizava prioritariamente o
método Tung por ter resultados francamente rápidos, pela localização mais distal
dos pontos e por ser uma boa oportunidade para explorar esta técnica. Muitas
vezes utilizava ainda o método das três agulhas, ou uma conjugação de
metodologias.

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Não é assim simples demonstrar, com base em comparação de casos, a eficácia


da abordagem adotada no estágio por serem efetuados com condições tão
diferentes. De qualquer modo, os resultados foram sempre atingidos.

As primeiras consultas têm uma forte componente de diagnóstico, seguidas da


elaboração do protocolo e tratamento. Nas consultas posteriores é avaliado o
feedback do tratamento anterior e a evolução da língua e pulsos. Se pertinente,
ajustado o tratamento.

No início os tratamentos eram basicamente desenvolvidos com base em


acupuntura. Era a área em que me sentia mais seguro e tinha a sensação de
correr menos riscos. De qualquer modo, no final do dia, revia os casos e pensava
nas técnicas que poderiam ter sido utilizadas para potenciar os tratamentos.
Anotava esses elementos na ficha de cliente, na base de dados, para utilizar no
tratamento seguinte.

A introdução de novas técnicas foi progressiva e muito apoiada na discussão dos


casos clínicos com o Orientador de Estágio.

À medida que novos casos eram apresentados, fui começando a utilizar com mais
confiança outras técnicas como a moxabustão, Tui Na e aurículoterapia. Por
vezes eram utilizadas ventosas e, em raros casos, sangria.

Embora já recorresse a electroacupuntura em estética, passei a aplicar à dor e ao


aumento da eficácia dos tratamentos com efeitos que considerei abaixo das
minhas espectativas.

Sensivelmente após um terço do inicio do estágio, foi iniciada a prescrição de


fitoterapia e aconselhada a alteração de alguns hábitos em termos de dieta.

A fitoterapia não foi simples introduzir por várias razões. O acesso aos produtos
não é fácil no interior e a encomenda pela internet também não é usual para uma
quantidade significativa de pacientes.

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Existe também alguma desconfiança relativamente aos produtos de origem


chinesa muitas vezes conotados como de qualidade duvidosa.

Verifiquei receio dos pacientes nas contraindicações visto que muitos recorrem a
um grande número de medicamentos, uns com prescrição clínica e outros
automedicados.

Para contornar estas questões, eu encomendava os produtos e pedia a entrega


na morada do paciente, à cobrança. Para além disso informava sobre as
vantagens da prescrição e características da fitoterapia chinesa. Os pacientes que
tomaram fitoterapia referiam uma duração maior dos efeitos do tratamento.

Senti alguma dificuldade ao nível da dietética por não considerar possuir bases
suficientemente sólidas. Terei que investir nesta área com formação adicional e
literatura.

Foi muito cuidada a gestão da duração das consultas, tendo sido cumpridos os
objetivos propostos. De modo a evitar atrasos foi utilizado, algumas vezes, um
segundo gabinete, de modo a gerir duas consultas simultaneamente.

A aposta na realização de inventário diário, gestão de stocks e contabilização dos


consumos por consulta resultou. Veio trazer confiança à Direção da Gesaúde e
clareza relativamente à rentabilidade do processo. Nunca existiu ruptura de
stocks.

O inventário era realizado diariamente e as encomendas mensalmente. A meio do


estágio as encomendas passaram a trimestrais por uma questão de economia.

Os registos clínicos foram arquivados em papel e em suporte informático. Deste,


foram realizadas cópias de segurança mensais.

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Foi criada uma dinâmica muito particular em todas as partes interessadas.

A Direção da Gesaúde assistia a um acréscimo de movimento de pacientes e a


resultados pelo envolvimento e investimento.

O Orientador de Estágio verificava a minha dedicação. Notava que eu tinha o


estágio como prioridade e respondia aos desafios lançados.

Os pacientes estavam satisfeitos pelos resultados obtidos.

O Instituto de Medicina Tradicional, através da Dra. Patrícia Mendes e os


professores, deram sempre um reforço e estímulo muito positivo acompanhando
com interesse a evolução do estágio.

Eu só podia estar muito satisfeito visto que a concretização do que tinha planeado
teve resultados muito superiores às espectativas.

Findo o estágio, sinto-me capaz de gerir autonomamente uma consulta utilizando


as técnicas e conhecimentos de Medicina Tradicional Chinesa mais adequados a
cada caso.

Considero ainda que a constante autoavaliação, atualização e aprofundamento de


conhecimentos, e a forte dedicação ao trabalho são fundamentais para um bom
desempenho profissional.

Em conclusão, as expectativas que possuía inicialmente foram claramente


excedidas. Para tal foram determinantes, por um lado, as condições e
envolvimento da Direção da Gesaúde e por outro o apoio efetivo do Orientador de
Estágio que sempre me desafiou a ir mais longe e a aprofundar os
conhecimentos, para além de transmitir confiança na abordagem clínica.

Durante o período de estágio foram atendidos 37 pacientes e realizadas 225


consultas.

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5. Casos Clínicos acompanhados


A listagem de todos os pacientes, idade, sexo e patologia encontra-se no Anexo 3
deste Relatório para evitar exceder o número de páginas recomendado.

Caso 1 (VB)
Homem com 60 anos, reformado do trabalho de motorista de cargas para obras
de construção. Como antecedentes relevantes teve poliomielite aguda na perna
direita em criança e um AVC aos 28 anos. A sequela principal do AVC, minorada
com fisioterapia, foi hemiplegia de todo o lado direito. Recentemente (5 anos)
sofreu um acidente de trabalho em que lesou o joelho esquerdo. Na primeira
consulta coxeava ligeiramente e tinha dificuldade em sentar-se.

A queixa principal era dor em facada no joelho quando dobrava a perna esquerda
a mais de 45º.

Como sinais e sintomas iniciais, estão relacionados essencialmente a três órgãos,


Coração, Fígado e Baço. No que se refere ao Coração, apresentava agitação,
insónia, palpitações e sinais psíquicos. Relativamente ao Fígado, irritabilidade e
patologia musculo-tendinosa. Quanto ao Baço, a língua com saburra densa e
branca demonstram a existência de humidade. A ponta da língua vermelha
evidencia ansiedade, o que confirma as características associadas ao Coração. A
boca e garganta secas significam Calor por Vazio. O pulso tinha características
Hua Mai (deslizante) sentindo-se em todas as posições e níveis, embora mais
forte do lado esquerdo.

O diagnóstico pela Medicina Tradicional Chinesa foi Estase de Sangue do


Coração, Vazio de Yin do Fígado e Baço, e Humidade no Jiao Inferior.

Foram realizados três tratamentos, recorrendo só a acupuntura, com uma


periodicidade semanal dirigidos essencialmente à queixa principal com uma
duração de 30 minutos.

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No primeiro tratamento o objectivo foi equilibrar o Qi com os “Quatro Portões” (3F


e 4IG), Mover e Nutrir o sangue (10BP, 8F). Foi utilizado o Vaso Extraordinário
Yin Qiao Mai (6R e 7P), e pontos locais (34E, 35E e Xiyan).
Assim, o protocolo foi: 6R (esq), 3F (bi), 4IG (bi), 10BP (esq), 34E (esq), 35E
(esq), Xiyan (esq), 10R (esq), 8F (esq) e 7P (dt).

Após o primeiro tratamento, o paciente não notou grande diferença e acordou um


dia com uma dor muito forte na parte lateral da perna esquerda com rigidez
muscular localizada no ponto de acupuntura E32. Verificou-se alguma agitação.

No segundo tratamento manteve-se o protocolo de acupuntura embora se tenha


acrescentado Yintang para serenar e 32E para dispersar a tensão no ponto. Após
o segundo tratamento, sentiu que melhorou em relação ao joelho. Faz bicicleta
durante mais tempo. Dorme melhor. Começa a estar preocupado com outras
coisas. Nunca mais teve as “guinadas” que eram frequentes e fortes.

No terceiro tratamento optou-se por reforçar a parte lateral da perna com Yang
Qiao Mai (62B, 3ID), mantendo-se o protocolo inicial.

Uma semana após o terceiro tratamento verificou-se que não havia queixas em
relação ao joelho. Nunca mais voltou a ter a dor tipo facada nem espasmos
dolorosos sobre E32.

Foi recomendado que voltasse três semanas após o tratamento para consolidar
os efeitos obtidos.
Princípio Meio Fim

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Caso 2 (CS)
Mulher com 37 anos, Técnica Auxiliar de Saúde. Sem antecedentes clínicos
relevantes.

A queixa principal era lombalgia com uma grande sensibilidade ao toque. A dor
limitava o caminhar assim como a inclinação do tronco.

Os sinais e sintomas inicias estão relacionados essencialmente com cinco órgãos:


Coração, Rim, Baço, Estômago e Pulmão. Relativamente ao Coração a paciente
apresentava falta de equilíbrio, tonturas, amnésia ou lapsos momentâneos de
percepção a que chamou "apagões", memória fraca, cada vez mais esquecida
(recente e antiga), já fez exames e nada foi detectado. Sentia desconforto na
zona do coração que melhorava com a pressão e palpitações. Estes estão
também relacionados indiretamente com o Rim que também se evidencia pela dor
de costas lombares (desde a adolescência) não suportando o toque. Quanto ao
Estômago e Baço, queixa-se de gastrite, refluxo esofágico. O Pulmão manifesta-
se no ressonar e provável apneia, na comichão na pele e ainda na obstipação
pelo comprometimento da função de controlo da dispersão e descendência dos
fluidos. A língua é grossa, larga e dentada (Baço-Pâncreas) com sinais de Estase
de Sangue (Coração). A mobilidade era trémula (Fígado). O pulso era profundo
com características Chen Mai e lento (Chí Mai). Não se sentiam as posições do
Rim.
O diagnóstico pela Medicina Tradicional Chinesa foi de Plenitude de Qi do Fígado
que agride o Baço e o Estômago com sintomas de excesso na lombar. Apresenta
ainda Estase de Sangue do Coração.

Foram realizados três tratamentos recorrendo a acupuntura com uma duração


média de 25 minutos focados essencialmente na lombalgia e da estase de
sangue, tonificando o Rim, Baço e Rim. O intervalo entre os tratamentos foi, em
média, de três dias.

O primeiro tratamento foi: 3ID (bi), 7P (dt), 10BP (dt), 3R (esq), 6BP (esq), 40E
(bi), 26B (bi), 40B (bi), 60B (dt) e 62B (bi).

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Foi utilizado o Canal Extraordinário Du Mai (3ID, 62) visto que a dor lombar era
bilateral e ao longo da coluna, 7P para tonificar a função de distribuição e
descendência dos fluidos, 10BP de modo a revigorar o sangue e eliminar a
estase. Foi utilizado o 3R para nutrir o Yin do Rim, tonificar o Yang do Rim e
fortalecer a coluna vertebral. Foi utilizado o 6BP de modo a tonificar o Baço,
harmonizar o Fígado, tonificar o Rim, e revigorar o sangue. 40E para transformar
a fleuma e humidade. O ponto local 26B foi também utilizado. De modo a
beneficiar a região lombar recorreu-se a 40B para aliviar a dor e reforçar a lombar.
O 60B permitiu tratar a dor.

O efeito da primeira sessão foi a redução significativa das dores lombares sem ter
no entanto reduzido a carga de trabalho.

No segundo tratamento, para além do protocolo inicial, foi substituído o ponto


local de 28B para 54B por estar mais sensível e acrescentados os “Quatro
Portões” (3F e 4IG) para equilibrar o Qi, o Ponto Mu do Fígado (14F) para
harmonizar o Fígado e Estômago, regular e dispersar o Qi do Fígado e ainda o
ponto de acupuntura 36E para harmonizar o Estômago e redirecionar o Qi.

O resultado da segunda sessão foi a ausência de dores lombares apesar de ter


realizado tarefas agrícolas. Não voltou a ter falta de equilíbrio, não teve gastrite,
nem refluxo nem palpitações. Dorme muito bem. Não tem tido obstipação.

O protocolo da terceira sessão foi idêntico ao da segunda. O resultado final, após


três semanas foi a ausência de dores lombares. Ainda apesenta, em algumas
situações, gastrite com refluxo, apesar de menos violenta e irritabilidade.
Princípio Meio Fim

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Caso 3 (MH)
Mulher com 57 anos, reformada. Situação familiar complicada com marido
alcoólico e violento. Sofreu várias depressões, tem psoríase com surtos
associados ao stress, muitas varizes, dores articulares generalizadas e
dificuldade em dobrar-se.

Como queixas principais, tem a psoríase com muita comichão (Pulmão), dores
articulares (Rim) e “medo de ficar maluca” (Coração). Como sinais e sintomas,
tem problemas digestivos com gastralgias tipo distensão epigástrica (Estômago).
Queixa-se de estar muito esquecida (Coração), garganta seca (Estômago) e
zumbidos (Rim). A língua é vermelha, fissurada na zona do Estômago e capa
branca gordurosa (Baço). O pulso é Rou Mai – profundo, frágil e Chí Mai – lento.
Não se sentem as posições do Baço nem do Rim.

O diagnóstico pela Medicina Tradicional Chinesa aponta para um Vazio de Qi do


Baço, Pulmão e Rim, Estase de Sangue do Coração e Fogo no Estômago.

Neste caso existem claramente problemas emocionais decorrentes do


enquadramento em que vive. Curiosamente o Fígado não se apresenta muito
alterado, provavelmente por algum mecanismo de proteção sendo o Coração
mais afetado.

O tratamento utilizou acupuntura, electroacupuntura, fitoterapia e aurículoterapia.


O princípio foi Dispersar a Estase de Sangue do Coração, Clarear o Fogo do
Estômago, Tonificar o Qi do Baço, Pulmão e Rim e Acalmar a Mente.

Foram realizados cinco tratamentos com uma periodicidade semanal e duração


media de 30 minutos. Entre o terceiro e o quarto tratamento existiu um intervalo
de quinze dias, o que não ajudou. Por outro lado, embora tivessem sido
recomendada a toma de fitoterapia Lian Qiao Bai Du Pian – Forsythia Form
durante três meses, só foi tomada durante quinze dias (por questões
económicas).

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Primeiro tratamento: 5SJ para abrir o Yang Wei Mai, 36E para Harmonizar o
Estômago, Clarear o Fogo e Acalmar o Shen, 6BP para Harmonizar o Centro,
Resolver Humidade e Tonificar o Baço, 9P de modo a Tonificar o Pulmão e
promover a função de descida do Qi e Harmonizar os Vasos, 6C e 7C para
Regular o Sangue do Coração, Regular e Tonificar o Coração e Acalmar o
Espírito, 41VB para fechar o Yang Wei Mai. Todos os pontos bilaterais.
Como resultado deste tratamento sentiu-me mais calma, dormiu melhor, teve
menos crises de psoríase, ou seja, menos comichão e menos lesões novas. Já se
sentia o pulso nas posições do Baço e do Rim Yin, embora profundos.

No segundo tratamento, o protocolo evoluiu para 5SJ, 36E, 6BP, 7C, 17VC, Ponto
Mu do Mestre Coração e Mar de Qi, de modo a libertar o peito e regular o Qi,
11IG para Clarear Calor, arrefecer o Sangue, aliviar a comichão e Drenar
Humidade, 10BP para Mover o Sangue e eliminar a Estase de Sangue, Arrefecer
o Sangue e beneficiar a pele e, por último, 41VB. Todos os pontos bilaterais. Foi
ainda recomendada a toma de fitoterapia Lian Qiao Bai Du Pian – Forsythia Form
durante três meses e a utilização da Pomada Sana.

O feedback deste tratamento foi sentir-se mais relaxada, com menos ardor no
Estômago e sem crises de psoríase. Apresenta dor no braço, do lado de fora.

A partir do terceiro tratamento começou a tomar a fitoterapia recomendada. Foi


acrescentado o ponto de acupuntura 12VC, Ponto Mu do Estômago, para tonificar
o Estômago, Fortalecer o Baço e Harmonizar o Jiao Médio. Usada
electroacupuntura nos pontos locais 13IG e 14IG de modo a aliviar a dor. O efeito
deste tratamento foi um aumento de apetite, principalmente por doces (Baço),
melhoras na comichão, sem novas lesões e desapareceu a dor nos braços. Não
utilizou a Pomada Sana por esta cheirar mal.

No quarto tratamento foi mantido o Canal Yang Wei Mai, 5SJ, 6BP, 12VC, 10B,
7C e 41VB e acrescentado o 2BP para tonificar o Baço e 15VC para Regular o
Coração e Pulmão, Descer o Qi do Pulmão e Acalmar a Mente. Recorreu-se a
aurículoterapia com os pontos Shen Men, Fome, R, BP.

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O objectivo foi controlar o apetite, tonificar o Baço e o Rim e Acalmar a Mente.


Recomendou-se ainda um copo de água 15 minutos antes de qualquer refeição.

O efeito deste tratamento foi um maior controlo do apetite, menos vontade de


doces, urina mais clara e garganta menos seca. Não voltou a ter zumbidos.
Passaram os problemas digestivos. A psoríase tem secado gradualmente.

Princípio Meio Fim

Caso 4 (ED)
Mulher de 77 anos, doméstica. Como antecedentes clínicos, foi operada aos
joelhos e colocadas próteses. Operada a um glaucoma e cataratas ambos do lado
esquerdo. Já tirou a vesícula biliar (colecistectomia).

Como queixa principal, tem dor em ambos os ombros e lombar. Não levanta os
braços acima do nível do peito nem para trás impossibilitando tarefas simples
como vestir e comer autonomamente.

Apresenta os seguintes sinais e sintomas: dor nos ombros que piora à noite, não
se sente melhor com o calor, Insónia (Coração), edema nas pernas (Rim),
alterações de memória (Coração), agitação (Coração), tudo piora à noite (Vazio
Yang do Rim), tosse e picadas na garganta, sinusite (Pulmão), falta de equilíbrio
nas pernas (Rim), lombalgias (Rim), debilidade nas pernas (Rim), patologia
muscular (Baço), alterações de visão (Fígado). Tonturas (Coração). A língua
estava violácea, o pulso Fu Mai – escondido e Chí Mai – Lento. Não era sentido o
pulso direito, só o Coração e Fígado, do lado esquerdo.

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O diagnóstico pela Medicina Tradicional Chinesa indica Vazio de Yang do Rim e


Estase de Sangue do Coração.

No primeiro tratamento foi aberto o Canal Extraordinário Yang Qiao Mai com 62B,
34VB para beneficiar os tendões e articulações, 38E para beneficiar os ombros,
36E para tonificar o Qi, nutrir o Sangue e o Yin, 6BP e 10BP para tonificar o Baço
e Estômago e Mover o Sangue eliminando a Estase, 3R para nutrir o Rim Yin,
Tonificar o Rim Yang e Fortalecer a região lombar. 14SJ, 14IG, 15IG, 21VB, 10ID
como pontos locais, 4IG para reforçar a ação de 14IG e 15IG, ativar o canal e
aliviar a dor e 3ID para fechar o Yang Qiao Mai. Todos os pontos foram bilaterais.
Os ombros não doeram durante o dia da consulta nem à noite. Voltaram a doer no
dia seguinte mas com menos intensidade. Tem-se sentido com pouca força, mais
antes dos tratamentos. Já levanta as mãos acima da cabeça.

O segundo e terceiro tratamentos seguiram o mesmo protocolo. O resultado do


segundo tratamento foi levantar completamente os braços que também já iam
atrás das costas. Só doem quando força. Já após o terceiro tratamento não tinha
dificuldade em levantar os braços e bater palmas e levar as mãos atrás das
costas até tocar com os dedos. Ainda sentia dor nos deltoides. No quarto
tratamento foram retirados alguns pontos de acupuntura (36E, 3R e 10ID) mas
utilizada electroacupuntura entre 14IG e 15IG, 14SJ e 13SJ para reduzir as dores
musculares nos ombros. Os tratamentos tiveram todos uma duração média de 30
minutos.
Após os tratamentos não tinha qualquer limitação de movimento nem dor ao nível
aos ombros. A região lombar não tinha voltado a doer desde o segundo
tratamento.
Princípio Meio Fim

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Caso 5 (PL)
Homem de 44 anos, serralheiro de profissão. Não apresenta histórico clínico para
além de um acidente de viação em que deslocou a anca e fez a rotação de 180º
da perna direita tendo sido submetido a várias cirurgias.

Os sinais e sintomas foram: cervicalgia, lombalgia e ciatalgia (Rim), dor no ombro


esquerdo (Rim), gastrite nervosa (Fígado e Estômago), boca seca (Estômago) e
muita eructação (Estômago). A urina é clara e frequente. Edemas nas pernas
(Rim), quisto sebáceo no pé (Baço), quistos nos testículos (Baço e Fígado),
alterações visuais (Fígado), dor de cabeça no vértex (Fígado), ansiedade
(Coração). A língua era vermelha com capa branca gordurosa (Baço) com a ponta
e lados de um vermelho mais intenso (Coração e Fígado). O pulso possuía
características Hua Mai – deslizante e rápido apresentando (Calor e Mucosidade)
ocorrendo grandes variações ao nível da profundidade ao longo dos tratamentos.
As posições do Rim não foram sentidas.

Apesar da queixa principal ter sido ciatalgia na perna direita que irradia da lombar
até ao tornozelo, valorizaram-se os vários quistos.

O diagnóstico de padrões pela Medicina Tradicional Chinesa foi de Estase do Qi


do Fígado, Estase do Sangue do Coração, Qi do Estômago contra corrente e
Mucosidade.

O paciente foi alertado que, visto que um dos factores que contribuíam para a
queixa principal era um trauma severo com provável comprometimento estrutural,
o incómodo poderia ser minorado mas as espectativas não deviam ser demasiado
ambiciosas.

O primeiro tratamento foi orientado para a redução da dor ao longo da coluna


vertical e redução da Estase de Qi do Fígado com Calor. Foi utilizada acupuntura
com a duração de 30 minutos. Os pontos utilizados foram 3ID (abertura do Canal
Extraordinário Du Mai) bilateral, 60B (bi) para tratar a dor, 40B (bi) para aliviar a
dor e reforçar a lombar, o ponto extra Pin Xue Ling para a lombalgia e pontos Hua
Tuo Jia Ji bilaterais ao longo das vértebras L1, L2 e L3.

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Recorreu-se ao ponto de acupuntura 30VB (dt) para a ciatalgia, 2F e 3F (esq) em


transfixação para o Calor do Fígado e eliminar a Estase de Qi. Para fechar, o
Canal Extraordinário 62B (bi).

A reação ao tratamento foi de melhoria na ciatalgia mas dor na cintura toda.


Sentiu os dedos das mãos "encortiçados". Conduziu muito no fim-de-semana
(1.500Km) o que o obrigou a estar sentado muito tempo seguido. Reparou que a
água não o saciava. Apresentava o nariz muito entupido. Sentiu uma grande
compressão no tornozelo direito no dia seguinte após a sessão.

No segundo tratamento ainda não foi focada a questão dos quistos. Para além da
dor da cintura aliviou-se a obstrução nasal e a ansiedade. Utilizou-se 41VB (dt)
para abrir o Canal Extraordinário Dai Mai, 30VB para a dor ciática e seguiu-se o
trajeto da dor com o ponto extra Yao Gan (Ex. 77) e os pontos 31VB, 33VB e
36VB, todos do lado direito. Manteve-se 60B para tratar a dor. De modo a reduzir
a ansiedade usaram-se 6C, 7C (esquerdos) em transfixação e Yintang. 17VC com
22VC para libertar o peito e direcionar o Qi do Pulmão. Para a questão da
obstrução nasal recorreu-se aos pontos locais 20IG, Bitong, ajudando também
com Yintang. Fechou-se o Canal Extraordinário Dai Mai com 5SJ (dt).

O efeito do tratamento foi a melhoria da dor na cintura, da ansiedade e o nariz


desobstruído. Continua a dor relativa à queixa principal.

No terceiro tratamento começou-se a focar a questão dos quistos. Foi utilizado o


ponto de acupuntura B62 para abrir o Canal Extraordinário Yang Qiao Mai e
tonificou-se o Baço para promover a função de transporte e transformação das
mucosidades com os pontos 2BP, 4BP, 9BP, 10BP para mover o Sangue e 40E
para transformar a Mucosidade e Humidade. Para o trajeto da dor ao longo do
espaço entre os Canais da Vesícula Biliar e Estômago, recorreu-se a 54B, 30VB,
32VB, 35E, a um ponto Ah Shi 5 cun proximal a 32VB e outro a 1 cun lateral a
41E. Fechou-se o Canal Extraordinário com 3ID.

O paciente apresentou no tratamento seguinte quistos de menor dimensão e uma


menor dor ao longo da perna. A capa da língua já não era gordurosa.

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Relatório de Estágio

No quarto tratamento foi acrescentada aurículoterapia com Shen Men, Coração,


Ansiedade, Fígado e Rim e mantido o protocolo no quinto tratamento. Foi
receitada fitoterapia para a questão emocional recorrendo-se a An Shen Bu Nao
Pian (Calming Form).

No final do ciclo de tratamentos foram verificadas melhoras significativas em


relação à dimensão do tumor do pescoço e do testículo. Ainda existe dor na perna
mas de menor intensidade e trajeto mais pequeno. O paciente fez um segundo
ciclo de tratamentos com o objectivo de controlar a ansiedade e agitação.

Princípio Meio Fim

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6. Bibliografia

Auteroche, B.; Navailh, P. (1992) O Diagnóstico na Medicina Chinesa. São Paulo:


Organização Andrei Editora.

Deadman, Peter; Al-Khafaji, Mazin; Baker, Kevin. (2011). Manual de Acupuntura.


São Paulo: Editora Roca.

Macioccia, Giovanni. (1996) Fundamentos da Medicina Chinesa. São Paulo:


Editora Roca.

Macioccia, Giovanni. (2007) Canais de Acupuntura: Uso Clínico dos Canais


Secundários e dos Oito Vasos Extraordinários. São Paulo: Editora Roca.

Macioccia, Giovanni. (2010) A prática da Medicina Chinesa: Tratamento de


Doenças com Acupuntura e Ervas Chinesas. São Paulo: Editora Roca.

Young, Wei-Chieh. (2013) Lectures on Tung’s Acupuncture: Points Study. USA:


American Chinese Medical Culture Center.

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7. Anexos

1. Plano Individual de Estágio

2. Ficha de Avaliação da Entidade de Acolhimento

3. Listagem de Pacientes

4. Panfleto informativo de apresentação dos serviços à população

5. Ficha clínica

6. Padrões de acupuntura

7. Consentimento informado

8. Avaliação da satisfação dos pacientes

9. Base de dados

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1. Plano Individual de Estágio

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2. Ficha de Avaliação da Entidade de Acolhimento

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3. Listagem de Pacientes

Nome: Sexo: Idade: Patologia:

AC F 36 Irritabilidade, obstipação, gastrite

AS F 47 Stress, dores de costas (cervical e lombar)

AA F 38 Ansiedade

AC F 67 Ciatalgia

CS F 37 Lombalgia muito sensível ao toque

CC F 82 Peso na cintura e pernas

CS F 30 Enxaqueca e insónia

DA F 33 Emagrecer

DS F 51 Lombalgia que impede rotação

EA F 77 Não levanta os braços, dor nos ombros

FS M 47 Depressão

HP F 88 Dores nos ombros

IB F 32 Dores nos joelhos

JF M 48 Dor lombar, formigueiro no pé esquerdo

JF M 81 Dificuldades respiratórias

JP M 64 Lombalgia

LB F 75 Dor nos ombros que impossibilita movimento

LN F 63 Dor articular que muda de sítio (BI Vento)

LC F 55 Dificuldade em caminhar, depressão

LS F 20 Dor severa nas costas (cervical a lombar)

LH F 28 Emagrecer

LR F 60 Ciatalgia

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Nome: Sexo: Idade: Patologia:

MN F 61 Dor ao longo da coxa

ML F 51 Dor costas, ombros, híper-hidrose

MG F 84 Falta de equilíbrio, má circulação sanguínea

MD F 50 Equilíbrio, insónia

MS F 43 Ansiedade, depressão

MG F 61 Híper-hidrose

ML F 56 Dor no braço e falta de sensibilidade nos dedos

MA F 85 Dores nos ombros

MH F 57 Psoríase, dores articulares, depressão

OB M 86 Falta de sensibilidade nas mãos

PS F 54 Emagrecer

PL 44 44 Ciatalgia, depressão

SN M 33 Emagrecer

TB M 33 Dores lombares fortes

VB M 60 Limitação de movimento do joelho esquerdo

Durante o período de estágio foram atendidos 37 pacientes e realizadas 225


consultas.

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4. Panfleto informativo de apresentação dos serviços à população

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5. Ficha clínica

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6. Padrões de acupuntura

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7. Consentimento informado

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8. Avaliação da satisfação dos pacientes

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9. Base de dados

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