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COMO ELABORAR UM PROJETO DE PESQUISA

GILLI, A.C. Como elaborar um projeto de pesquisa. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 2002.

Cap.1 Como encaminhar uma pesquisa?

Pesquisa é um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar


respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa geralmente é requerida por causa do
estado de desordem de sua resposta. A pesquisa desenvolve-se ao longo de um processo que
envolve inúmeras fases, desde a adequada formulação do problema até a satisfatória
apresentação dos resultados.

As pesquisas podem ter razão de ordem intelectual – pela própria satisfação do conhecer – e
ração de ordem prática – que visa fazer algo de maneira mais eficiente.

O processo de pesquisa deve ser efetivamente planejado, por isso se elabora um projeto de
pesquisa. O projeto é o documento explicitador de tais processos.

O projeto constitui: a formulação do problema; a construção de hipóteses; os objetivos; a


identificação do tipo de pesquisa; elaboração dos instrumentos e determinação da estratégia de
coleta de dados (metodologia); determinação do plano de análise dos dados; cronograma da
pesquisa.

Para uma pesquisa que visa conhecer os fatores que determinam os níveis de participação
política de uma população, a elaboração do projeto constitui algo bastante complexo.

Rigorosamente, um projeto só pode ser definitivamente elaborado quando se tem o problema


claramente formulado, os objetivos bem determinados, assim como o plano de coleta e análise
dos dados.

CAMINHO: FORMULAÇÃO DO PROBLMA  CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES DETERMINAÇÃO DO


PLANO  ELABORAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS PRÉ-TESTE DOS
INSTRUMENTOS  SELEÇÃO E COLETA DE DADOS  ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
 REDAÇÃO DO RELATÓRIO DE PESQUISA

LER:

Richardson, R.J. Pesquisa Social: métodos e técnicas. 3. Ed. São Paulo: Atlas, 1999.

Laville, Christian; Dionne, Jean. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em


ciências humanas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.

Problema: questão não resolvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do


conhecimento. O problema deve ser formulado como pergunta. O problema deve ser claro e
preciso. O problema deve ser empírico. O problema deve ser suscetível de solução e deve ser
delimitado a uma dimensão viável.

Meu problema: Quais os novos caminhos de preservação do patrimônio que se utilize de


participação social?É possível utilizar as TCI para aferição e participação social nos processos de
preservação do patrimônio cultural em grandes cidades como São Paulo? Em que medida as
redes socais e as TCI podem contribuir para a preservação do patrimônio?

Hipótese: Expressão verbal suscetível de ser declarada verdade ou falsa. Proposição testável que
pode vir a ser a solução do problema. Pode se basear através de resultados de outras pesquisas
que serão ampliadas. Derivam de teorias ou de intuições. Palpites e intuições conduzem a
importantes descobertas. Interessando procurar referências empíricas e se relacionar com uma
teoria.

Minha hipótese: Com o aumento ao acesso da população as redes digitais, é possível construir
novos caminhos para contribuição da proteção do patrimônio através destes que facilitam a
interação com moradores e usuários locais e isto é inclusive sugerido na Declaração de Quebéc.

Uma pesquisa exploratória tem como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a


descoberta de intuições. Seu planejamento é bastante flexível de modo que possibilite a
consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. Envolve: levantamento
bibliográfico; entrevistas com pessoas; análise de exemplos que estimulem a tal compreensão.
Na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso.

Tipos de pesquisa: bibliográfica (livros, periódicos, impressos diversos); documental (primários:


documentos encontrados em arquivos dos órgãos públicos, diários, fotografias, gravações,
ofícios; secundários: relatórios de empresas, tabelas, estatísticas, relatórios de pesquisa etc.);
experimental.

Levantamento: Procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas


acerca do problema estudado para, em seguida, obterem-se as conclusões correspondentes aos
dados coletados. São extremamente úteis, pois proporcionam informações gerais acerca das
populações, que são indispensáveis em boa parte das investigações sociais. Vantagens: Maior
alcance porém não tão aprofundado. Conhecimento direto da realidade a medida que as
próprias pessoas informam acerca de seu comportamento, crenças e opiniões; economia e
rapidez uma vez que se torna possível a obtenção de grande quantidade de dados em curto
espaço de tempo. Quando os dados são obtidos mediante questionário, os custos tornam-se
relativamente baixos. Limitações: ênfase nos aspectos perceptivos, ou seja, os levantamentos
recolhem dados referentes à percepção que as pessoas têm acerca de si mesmas. Pode levar a
dados distorcidos (há diferença entre o que as pessoas fazem ou sentem e o que elas dizem a
esse respeito).

Estudo de caso: Tem o propósito de explorar situações da vida real cujos limites não estão
claramente definidos; preservar o caráter unitário do objeto estudado; descrever a situação do
contexto em que está sendo feita determinada investigação; formular hipóteses ou desenvolver
teorias; e explicar as variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito complexas
que não possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos.

ANTES DE COMEÇAR A ESCREVER A PESQUISA, LER O CAPÍTULO 5 E 6

Questionários: Entende-se por um conjunto de questões que são respondidas por escrito pelo
pesquisado. As perguntas referentes a sentimentos, crenças, padrões de ação, bem como a
razões conscientes que os determinam, são mais difíceis de ser respondidas adequadamente.
Isso exige esforços redobrados na elaboração do instrumento e, sobretudo, na análise dos
dados.

O questionário constitui o meio mais rápido e barato de obtenção de informações. No entanto,


pode excluir analfabetos.

Elaboração: Cap. 10.4.2

As questões devem ser preferencialmente fechadas, mas com alternativas suficientemente


exaustivas para abrigar a ampla gama de respostas possíveis; não devem ser incluídas perguntas
cujas respostas podem ser obtidas de forma mais precisa por outros procedimentos; devem ser
evitadas perguntas que penetrem na intimidade das pessoas; as perguntas devem ser
formuladas de maneira clara, concreta e precisa; deve-se levar em consideração o sistema de
referência do entrevistado, bem como seu nível de informação; a pergunta deve possibilitar uma
única interpretação; a pergunta não deve sugerir respostas;

 Iniciar com perguntas mais gerais e simples e finalizar com as perguntas específicas e
complexas;
 Deve-se levar em consideração o sistema de referência do entrevistado, bem como seu nível
de informação;
 A pergunta deve possibilitar uma única interpretação;
 A pergunta não deve sugerir respostas;
 As perguntas devem referir-se a uma única ideia de cada vez;
 As questões devem ser simples possibilitando que possam ser respondidas sem maior
dificuldade.
 O número de perguntas deve ser limitado e de preferência evitar um questionário extenso
(que se torna cansativo contribuindo para que muitos respondentes não finalizem o
questionário);
 As perguntas devem ser dispersadas sempre que houver possibilidade de “contágio”;
 Evitar, se possível, perguntas personalizadas, diretas, que geralmente se iniciam por exemplo
com expressões do tipo “o que você pensa a respeito de...”, “na sua opinião”;
 Evitar perguntas que sugiram respostas;
 As perguntas devem referir-se a uma única ideia de cada vez;
 Cuidados devem ser tomados em relação à apresentação gráfica do questionário, tendo em
vista facilitar seu preenchimento
 O questionário deve conter uma introdução que informe acerca da entidade patrocinadora,
das razões que determinaram a realização da pesquisa e da importância das respostas para
atingir seus objetivos;
 Faça um pré-teste: selecione umas cinco pessoas e analise as dificuldades que tais pessoas
tiveram em responder as questões propostas e se possível solicite as pessoas que
responderem as informações quais as dificuldades encontradas.

Ler para formulação de questionários:


Babbie, Earl. Métodos de pesquisa de survey. Belo Horiznte: UFMG, 1999.

APÓS APLICAÇÃO DO QUETIONÁRIO LER CAP.10.8


LER CAP.13 – PESQUISA AÇÃO SE FOR FAZER O BLOG PARA JOGAR OS RESULTADOS OBTIDOS.
LER CAP. 16 – COMO REDIGIR UM PROJETO DE PESQUISA

Hartmut Gunther – Como elaborar um questionário

São três os caminhos principais para compreender o comportamento humano no contexto


das ciências sociais empíricas: 1- observar o comportamento que ocorre naturalmente no
âmbito real (observação); 2- criar situações aritificiais e observar o comportamento ante
tarefas definidas para essas situações (experimento); 3- perguntar às pessoas sobre o que
fazem (fizeram) e pensam (pensaram) (survey).
Survey: Termo inglês geralmente traduzido como levantamento de dados definido como
método para coletar informação de pessoas acerca de suas ideias, sentimentos, planos,
crenças, bem coo origem social, educacional e financeira.
O questionário é um conjunto de perguntas sobre um determinado tópico que não testa a
habilidade do respondente, mas mede sua opinião, seus interesses, aspetos de
personalidade e informação biográfica.
O pesquisador não tem poder sobre o respondente e precisa convencê-lo de que vale a pena
participar da pesquisa. O local por onde se aplica a pesquisa (shopping, metrô, etc.) terá
notável influência sobre a disposição do respondente de participar da pesquisa.
PRIMEIRA TAREFA: Estabeleça confiança – Apresente-se e indique com e para quem trabalha;
Capture o interesse do respondente pelo tema explicado o porquê o tema é importante,
ressaltando o quanto a opinião e experiência do respondente é imprescindível.
No caso de instrumento autoaplicável (e-mail, correio e redes sociais), a introdução não
somente precisa ser persuasiva, mas deve conter toda a informação necessária para poder
agir da maneira esperada pelo pesquisador. [observação minha (barara): Levando em
consideração que para se aplicar um questionário parte-se de suas maneiras possíveis: o
instrumento autoaplicável (correios, e-mail, etc) e a aplicação pessoal, onde o entrevistador
encontra-se cara a cara com o entrevistado. A vantagem das redes sociais é que apesar de
ser autoaplicável, o contado dos respondentes para solucionar dúvidas exige menos esforços
do que por correios ou e-mail, o que dá as redes sociais quase que uma característica de ser
uma aplicação pessoal]

Questionário = caso especial de troca social. Conversa com um objetivo.

Para apreender o interesse do respondente e maximizar as respostas:


1- Recompense o respondente: demonstre consideração, ofereça apreciação verbal, torne
o instrumento interessante.
2- Reduza o custo de responder: faça parecer que a tarefa é breve. Reduze esforços físicos
e mentais; elimine possibilidades de embaraços; elimine custos financeiros.
3- Estabeleça confiança: Identifique-se com uma instituição conhecida e legitimada. Faça
uma introdução se apresentando e desta forma estabelecendo um nível de confiança.

Não esqueça de se despedir com o mínimo e cortesia através de um agradecimento pela


“valiosa colaboração” do respondente. Iniciar com perguntas mais gerais e menos pessoais
para depois abordar perguntas mas específicas e pessoais.

Cada vez que escrever uma pergunta indague o porquê você quer que ela seja respondida,
por que saber tal assunto.

Evite o constrangimento de parecer que o respondente não conheça o assunto.

PESQUISA QUALITATIVA

Seu objetivo é o aprofundamento da compreensão de um grupo social, portanto não se


preocupa com dados numéricos. Diferente da pesquisa quantitativa, seus dados não podem ser
quantificados e é menos objetiva. Pressupõe que cada pesquisa possui caminhos investigativos
diversos. Os dados analisados se valem de diferentes abordagens e o desenvolvimento da
pesquisa é imprevisível uma vez que o objetivo não é provar algo mas interpretar/compreender
o que se é investigado e captar novas informações. “Preocupa-se com aspectos da realidade que
não podem ser quantificados, centrando-se na compreensão e explicação da dinâmica das
relações sociais. ” Associada a ações de descrever, compreender, explicar, observar, interagir.

Limitantes: influência da interpretação do pesquisador na análise dos dados; falta de


aprofundamento; sensação de domínio da pesquisa.

QUESTIONÁRIOS

Vantagens  Atinge grande número de pessoas; menores gastos; garante anonimato; permite
ser respondido no momento em que o entrevistado julgar mais conveniente; evita influência do
entrevistador.

Desvantagens  exclusão de analfabetos; pode acarretar interpretações equivocadas ao


informante; não oferece garantia de que os questionários sejam devidamente preenchidos;
envolve número relativamente pequeno de perguntas (se for extenso as pessoas não o
preenchem até o final)

Tipos de questões

 Fechadas  Questões com alternativas oferecendo maior uniformidade nas respostas.


 Abertas  Liberdade de resposta: os participantes oferecem suas próprias respostas.
Dependentes  Perguntas que só fazem sentido para alguns respondentes. (Ex.: Fuma?
Quantas vezes por dia? A segunda pergunta é voltada apenas para alguns respondentes
da primeira, portanto é dependente.

As questões podem se referir ao que as pessoas sabem (gênero, idade, naturalidade, endereço,
etc.), ao que pensam, esperam, sentem (relações emocionais diante fatos, etc.) ou preferem
(crenças e atitudes). ”

ELABORAÇÃO DE QUESTIONÁRIOS

 Iniciar com perguntas mais gerais e simples e finalizar com as perguntas específicas e
complexas;
 Deve-se levar em consideração o sistema de referência do entrevistado, bem como seu nível
de informação;
 A pergunta deve possibilitar uma única interpretação;
 A pergunta não deve sugerir respostas;
 As perguntas devem referir-se a uma única ideia de cada vez;
 As questões devem ser simples possibilitando que possam ser respondidas sem maior
dificuldade.
 O número de perguntas deve ser limitado e de preferência evitar um questionário extenso
(que se torna cansativo contribuindo para que muitos respondentes não finalizem o
questionário);
 As perguntas devem ser dispersadas sempre que houver possibilidade de “contágio”;
 Evitar, se possível, perguntas personalizadas, diretas, que geralmente se iniciam por exemplo
com expressões do tipo “o que você pensa a respeito de...”, “na sua opinião”;
 Evitar perguntas que sugiram respostas;
 As perguntas devem referir-se a uma única ideia de cada vez;
 Cuidados devem ser tomados em relação à apresentação gráfica do questionário, tendo em
vista facilitar seu preenchimento
 O questionário deve conter uma introdução que informe acerca da entidade patrocinadora,
das razões que determinaram a realização da pesquisa e da importância das respostas para
atingir seus objetivos;

GILLI, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2008.

GERHARDT, Tatiana E; SILVEIRA Denise T. Métodos de Pesquisa. Curso de Graduação


Tecnológica – Planejamento e Gestão para o desenvolvimento rural da SEAD/UFRGS. – Porto
Alegre: UFRGS, 2009.