Você está na página 1de 3

Universidade do Sul de Santa Catarina

Unidade Acadêmica de Ciências Tecnológicas


Curso de Graduação em Engenharia Química

Determinação do coeficiente de difusão molecular através de


uma Célula de Arnold
Daiane C. Rosso1, Diego Hobols Tonello1, Maycon Marcos1, Vagner José Pereira1, Diogo Buss1
1 Curso de Engenharia Química. Universidade do Sul de Santa Catarina. Av. José Acácio Moreira, 787 – Caixa Postal
370 - CEP 88704-900. Tubarão – SC, Brasil.

Palavras Chave: Coeficiente difusão molecular, pseudo-estacionário, Célula de Arnold.

Introdução P=pressão do sistema; M A = massa molecular do


Na natureza, tudo tende ao equilíbrio. Sendo composto líquido; D AB = Coeficiente de difusão
assim, quando há diferença de concentração de
algum componente em algum sistema, ocorre uma
mássica; ρ A = massa específica do composto
transferência de massa até que este entre em líquido; C= concentração molar do gás; ∆t =variação
equilíbrio. do tempo; y A1 =concentração do líquido no tubo
Fenômenos de transferência de massa é o
estudo da movimentação da matéria. De forma mais capilar; y A 2 =concentração do composto líquido no
específica, é o estudo da movimentação de gás.
componentes específicos (A, B...) em um sistema De acordo com o formato da equação 1,
com vários componentes. Esta movimentação se dá pode-se plotar um gráfico com as variações de altura
por difusão molecular ou convecção 1 . ao longo do tempo, resultando em um gráfico de
A difusão molecular ocorre em um sistema dispersão de pontos, permitindo encontrar uma
com pelo menos duas espécies químicas. Com isso, equação de reta no formato da equação 2, onde y
essa transferência de massa por difusão é objeto de representa a variação da altura da superfície líquida,
estudo para a determinação do coeficiente de difusão x o intervalo de tempo entre as medições, e com o
molecular ou coeficiente de difusão mássica (DAB) de coeficiente angular a encontrado, pode-se obter o D
uma espécie química em outra em certas condições AB .
físicas (temperatura e pressão). y=a.x (2)
A célula de Arnold é um importante
experimento para determinar-se o coeficiente de No experimento teve-se como objetivo
difusão molecular, onde esta célula é composta por determinar experimentalmente o coeficiente de
um capilar onde um líquido volátil é introduzido até difusão molecular (DAB) do clorofórmio e do éter
um determinado nível, e o restante do capilar é etílico no ar através de uma célula de Arnold, para
composto por ar estagnado. Assim, com o passar do então, comparar com os coeficientes destes
tempo é possível perceber que a altura do nível do compostos encontrados na literatura. Utilizou-se da
liquido vai diminuindo, comprovando-se a equação 1 para encontrar os valores dos coeficientes
evaporação do mesmo e permitindo assim o cálculo de cada composto.
do coeficiente de difusão mássica deste líquido no ar.
A equação 1 representa matematicamente o exposto
acima, descrevendo o fenômenos de difusão pseudo- Resultados e Discussão
estacionária através de um filme estagnado.
O experimento da Célula de Arnold, foi
reproduzido no Laboratório de Engenharia Química
∆z ' 2 ∆z 2 P.M A .C.D AB . ln 1 − y A 2  da Unisul, utilizando-se de dois capilares de diâmetro
- =
ρA  1 − y  . ∆t (1)
2 2  A1  desconhecido preenchidos com clorofórmio e éter
etílico até uma altura de 21,8cm e 21,3cm
Onde; ∆z =altura inicial da superfície líquida;
respectivamente. O experimento foi montado de
∆z ' =altura da superfície líquida após ∆t ; acordo com figura 1. Foram realizadas 10 medições

Disciplina de Laboratório de Engenharia Química II


Professor: Diogo Quirino Buss
ao total a uma pressão constante (cidade de Éter etílico
Tubarão/SC pressão atmosférica=735mmHg), e à 225

temperatura ambiente, como segue na tabela 1. 200

diferença h-hinicial [cm^2]


175
150
125
100
75
50
y = 0,0002x
25
R2 = 0,6749
0
0 250000 500000 750000 1000000 1250000
Tempo em segundos

Figura 3 – Variação da altura da superfície líquida de acordo com


as considerações das equações 1 e 2, ao longo do tempo

Fonte: Dos autores, 2011


Os coeficientes de difusão molecular
Figura 1 – Célula de Arnold. Clorofórmio e éter etílico foram encontrados na literatura para os dois compostos
introduzidos no capilar até uma altura de 21,8cm e 21,3cm foram de 0,0847 cm 2 .s −1 e 0,0896 cm 2 .s −1 , para o
respectivamente. clorofórmio e para o éter etílico respectivamente,
sendo que para o clorofórmio necessitou-se calcular
Fonte: Dos autores, 2011 este valor através da equação de Spotz, que leva em
Tabela 1 – Dados do experimento da Célula de Arnold, pressão consideração integral de colisão e outros parâmetros
atmosférica constante de 735mmHg. tabelados.
O coeficiente obtido para o clorofórmio foi
Amostra
Data
Hora Tempo(s) T (ºC)
Altura (cm) Altura (cm) próximo ao tabelado, não sofrendo tanto com a
(ago/2011) Clorofórmio Éter Etílico queda da temperatura dos últimos dias quanto o éter
1 10 20:20 0 15 21,8 21,3
etílico. O gráfico de dispersão mostrou boa
2 11 18:55 81300 19 21,5 18,5
3 12 13:55 68400 20 21,2 17,2 correlação, onde os pontos apresentaram boa
4 15 09:51 244560 18 20 12,2 linearidade (figura 2), permitindo um resultado mais
5 16 17:47 114960 21 19,6 10,4 próximo do real.
6 17 14:21 74040 21 19,3 9,3
Já o coeficiente obtido para o éter etílico foi
7 18 15:22 90060 20 18,9 8,2
8 19 14:15 82380 19 18,6 7,3 cerca de 41,72% abaixo do encontrado na literatura.
9 22 08:35 238800 15 17,4 3,7 Isso explicasse, porque o éter sofreu com a queda de
10 24 20:20 215100 16 17,1 2,8 temperatura nos últimos dias de medição, diminuindo
Com os dados da tabela 1, pode-se plotar os sua difusividade no ar, como mostrado na figura 3. O
gráficos da figura 2 e da figura 3; utilizando como gráfico também apresentou baixa correlação e pouca
temperatura média 20 °C , pois a temperatura linearidade entre os pontos, sendo que as possíveis
causas foram medições feitas em tempos muito
nesses dias girou em torno deste valor. distantes e não seguindo um intervalo de tempo
Para o clorofórmio obteve-se um coeficiente padrão, não levando em consideração a variação da
angular de 8.10 −5 e para o éter etílico 2.10 −4 . Assim, temperatura neste intervalo sem mensuração.
aplicando este valor na parte que representa o
coeficiente angular na equação 1, obteve-se os Conclusão
valores de D AB , sendo encontrado para o clorofórmio Os coeficientes de difusão molecular foram
obtidos através da Célula de Arnold. Os resultados
um coeficiente de 0,1014 cm 2 .s −1 e para o éter obtidos foram distorcidos dos encontrados na
etílico um coeficiente de 0,0522 cm 2 .s −1 . literatura, sendo que o valor do coeficiente obtido
para o clorofórmio foi 0,1014 cm 2 .s −1 e o tabelado é
Clorofórmio

100
0,0847 cm 2 .s −1 . Para o éter etílico, o valor do
90
coeficiente obtido foi 0,0522 cm 2 .s −1 e o tabelado é
diferença h-hinicial [cm^2]

80
70
60
0,0896 cm 2 .s −1 .
50
40
Seria interessante o experimento ser
30 realizado com medições em um intervalo de tempo
20
10
y = 8E-05x menor e com uma regularidade menos dispersa, ou
0
R2 = 0,9834
seja, nos mesmos horários ao longo do dias, pois
0 250000 500000 750000
Tempo em segundos
1000000 1250000
isso permitiria um melhor acompanhamento da
variação da temperatura ao longo das medições.
Figura 2 – Variação da altura da superfície líquida de acordo com
as considerações das equações 1 e 2, ao longo do tempo. Referências Bibliográficas
Tranferência de Massa – Série de Concursos Públicos, disponível em:
Fonte: Dos autores, 2011
<http://www.tecnicodepetroleo.ufpr.br/apostilas/engenheiro_do_pet
roleo/trans_massa.pdf> Acessado em: 30/08/2011