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PROJETO

TÍTULO

Educação Infantil: Desenvolvimento psicológico; motor; físico;


intelectual; social; espiritual.
Idade: Aproximadamente entre 2 a 5 anos
Definição do Assunto: Estudo sobre o desenvolvimento da criança na
Educação Infantil.

OBJETIVOS

 Em primeiro lugar ,atender a nova Lei de Diretrizes e bases da


Educação nacional (Lei nº 9394/9 conhecida por Lei Darcy o
Ribeiro) Seção II da Educação Infantil Art.29 , nos diz
que: “ A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, tem
como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos
de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
complementando a ação da família e da comunidade.”

 Auxiliar os pais na educação da criança, para que a mesma, possa


alcançar um desenvolvimento saudável, enquanto seus pais
trabalham em busca do sustento familiar e sua realização
profissional.
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 Auxiliar no desenvolvimento dessa criança, dando-lhe um ambiente
confiável, pois, nessa faixa etária é que se formam as impressões de
tudo que a cerca, se interiorizando, para mais tarde, até na idade
adulta, se manifestarem através dos seus atos e maneiras de reagir a
diferentes situações.

JUSTIFICATIVA

Além do interesse pessoal de trabalhar no mesmo, o tema se impõe pela


necessidade de haver no estabelecimento de ensino um projeto adequado e
uma educação que se estenda desde os primeiros anos da criança, de acordo
com a nova L.D.B., em creches ou escolas.

ESTUDO DAS CARACTERÍSTICAS


DA CRIANÇA DE 2 A 5 ANOS.

 Fisicamente: Ativa, tímida, imitadora, descobridora, desejando


sempre a aprovação dos outros.
 Motricidade: Está desenvolvendo os músculos maiores, faz tudo
como todo ser.
 Intelectualmente: Concentração curta mas intensa; atenção de 5 a
20 minutos seguidos; aprende com ensino simples e repetido .
 Psicologicamente: Sensível as emoções dos outros; procura novas
sensações; não tem inibições; muito sensível; assusta fácil; confiante;
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descobre que já pode tomar algumas decisões; obs.: a disciplina
correta nesta idade vale por toda a vida.
 Socialmente: É egoísta e simpática apesar de seu vocabulário ainda
ser limitado.
 Espiritualmente: Está na idade da inocência e já tem sede de Deus,
sempre perguntando quem fez todas as coisas, aos 4 anos já é
capaz de distinguir entre o certo e errado.

SALA ADEQUADA E MOBÍLIA

É aconselhável que seja bem arejada e iluminada, com espaço


condizente a necessidade de liberdade e ação. O cálculo ideal de espaço para
esta sala é de 1 m2 por criança e adulto responsável.
É também interessante, e eficaz, uma ornamentação simples, funcional e
em harmonia com ensino, com uma música suave ao fundo sempre que
possível.

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1. Espelho para que vejam seu corpinho crescendo.


2. Tapete de material não alérgico,para brincar.
3. Armário para guardar brinquedos pedagógicos , pastas , lancheiras;
trocador de fraldas(na sala das crianças de 2 anos).
4. Mesinha para um gravador ou aparelho de som ; filtro.
5. Mural na altura das crianças para colocar os trabalhos manuais realizados
por elas.
6. Mesas (60 cm x 90 cm e com altura máxima de 50 cm), estas se possível
devem ser redondas evitando assim qualquer acidente, e cadeirinhas (de
25 cm de altura), calcula-se do piso ao assento. Todos os móveis devem ser
com as pontas arredondadas.
7. Armário de professor (para guardar todo material a ser utilizado).
8. Quadro-giz.
9. Espaço para colocar as cadeirinhas em frente ao quadro para ouvir histórias
; colchonetes no chão para as crianças descansarem ; casinha de madeira
para trabalhar espaço físico com a criança.
10. Pia para lavar as mãos, se possível o banheiro deve ser bem próximo a
sala de aula.

PROFESSOR

Um adulto, que esteja preparado, conhecendo com ocorre o


desenvolvimento da criança, as fases que atravessa segundo teóricos, tais
como: Piaget, Freud, Winnicott, Vygotsky e outros. Seja carinhoso, paciente,
seguro , simpático , goste de crianças e tenha formação exigida pela nova
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L.D.B.; Lei nº 9394/96 TÍTULO VI art.62. O professor pode atender entre 15
a 20 crianças, se possível um auxiliar de sala.

ENSINO

O ensino deve ser simples (de início deve-se trabalhar uma idéia por
vez), repetido e variado. Assim que a criança tiver 3 anos, já se pode
trabalhar mais de uma idéia. Toda criança tem uma necessidade imensa de se
sentir amada, por isso precisamos estar atentos, pois ela necessita de “olhos
nos olhos”, precisa a todo custo ser “ouvida e escutada” ,precisa de um toque
de carinho, mesmo que seja por breves instantes.
A atenção desta faixa etária é governada pelas circunstâncias, sua
compreensão é limitada, mas entende mais do que consegue repetir. Seu
vocabulário é pequeno, mas aprende com facilidade novas palavras. Luta com
um grande problema: O egoísmo; mas como deseja a aprovação das pessoas
que ama, este pode ser usado contra aquele.
A criança na Educação infantil pode: pintar, brincar sozinha ou em
grupos, cantar, ouvir histórias curtas, aprender frases curtas, ajudar a guardar
os lápis, as cadeirinhas, os brinquedos, etc. Ela necessita de reforço positivo,
tais como: “obrigada, continue assim, você é um amor... ,etc.”
A criança pode ainda trabalhar com: folha grande, gizão de cera,
massinha , tinta guache, cola colorida, dobradura, quebra-cabeça , fantoche,
blocos de construção, bola, boneca, teatro, música, brinquedo de encaixe,
sucata, argila, lápis de cor gigante, rasgadura, colagem, em atividade
individual ou coletiva .
Além de tudo a criança deve brincar!
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Veremos a importância e necessidade que as crianças tem de brincar,
para que haja aprendizagem prazerosa . O professor necessita
saber sobre as fases do desenvolvimento que a criança está passando, para
agir de maneira adequada frente ao comportamento que a mesma apresentar.
Diante deste fato é necessário neste projeto o levantamento sobre diversos
teóricos.

“Para trabalhar com crianças é preciso


aprender a jogar com elas antes de
interpretar.”
E. Pavlovsky
“A criança joga (brinca), para expressar
agressão, adquirir experiência, controlar
ansiedades, estabelecer contatos sociais como
integração da personalidade e por prazer.”
Winnicott

“Ninguém te sacudiu pelos ombros quando


ainda era tempo. Agora, a argila de que és
feitos já secou e endureceu e nada mais poderá
despertar em ti o místico adormecido ou o
poeta ou o astrônomo que talvez te
habitassem.”
(EXUPÉRY.)
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A cada dia que passa, as crianças vão mais cedo à escola. As escolas,
por sua vez, vangloriam-se do aceleramento de seus programas e da
objetividade de seus currículos. Encurta-se a infância, a tão preciosa, a sagrada
infância do ser humano, o período em que a semente brotada começa a
desabrochar, vivendo um processo que a transformará em adulto.
A fragilidade desta pequena plantinha deixa-a totalmente à mercê dos
que a cercam.
O homem, ao contrário dos animais, é totalmente dependente nos seus
primeiros anos de vida. E esta dependência não se refere somente ao seu
corpo, uma vez que também sua inteligência e sua sensibilidade estão sendo
desenvolvidas. O poeta, o artista, o pai, a mãe, o criminoso, o amigo, o
idealista ou o traidor estão latentes na criança pequena. Depende de nós a
nutrição e o cultivo destes diferentes aspectos da personalidade humana. A
preocupação com a saúde da criança tem que abranger também a sua saúde
emocional, caso contrário nunca chegaremos a ter adultos equilibrados,
capazes de construir uma sociedade mais harmoniosa. Não basta nutrir o
corpo, é preciso nutrir a alma. Não basta zelar pela qualidade dos alimentos, é
preciso zelar pela qualidade das oportunidades que estão sendo oferecidas à
criança para desenvolver suas potencialidades.
Quanto mais cedo colocarmos a criança em situações rigidamente
estruturadas e conduzidas, menos possibilidade terá ela de chegar a encontrar
seu jeito de ser, sua vocação, sua afetividade.
Sua espontaneidade é comprometida pela necessidade de cumprir
tarefas predeterminadas e de ter um desempenho que lhe assegure uma boa
colocação dentro da escala de valores situados entre o êxito e o fracasso.
A ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano, precisa
ser mais considerada; o espaço lúdico da criança está merecendo maior
atenção, pois é o espaço para a expressão mais genuína do ser, é o espaço do
exercícios da relação afetiva com o mundo, com as pessoas e com os objetos.
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BRINCAR FACILITA O APRENDER?

O brincar é oportunidade de desenvolvimento e aprendizagem.


Brincando, a criança experimenta, descobre, inventa, exercita, enfim aprende
com facilidade . O brincar estimula a curiosidade, a iniciativa e a
autoconfiança. Proporciona aprendizagem, desenvolvimento da linguagem, do
pensamento e da concentração da atenção.
Brincar é indispensável à saúde física, emocional e intelectual da
criança. É uma arte, um Dom natural que, quando bem cultivado, irá
contribuir, no futuro, para a eficiência e o equilíbrio do adulto.
A brincadeira espontânea pode ser considerada sob dois aspectos:
auto-expressão e auto-realização.
A nível de auto-expressão estão as atividades livres, construções,
dramatizações, música, artes plásticas, etc.
A nível de auto-realização, o brinquedo organizado, aquele que tem uma
proposta e requer determinado desempenho. Quanto mais simples o material,
mais fantasia existe; quanto mais sofisticado, maior desafio se constitui, mas é
sempre uma oportunidade para que a criança interaja, faça escolhas e tome
decisões.

BRINQUEDOS PARA APRENDER?


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“Os brinquedos são meios intermediários entre
a realidade da vida que a criança não pode
abarcar e a sua natural fragilidade.”
(SEGUIN.)

Porque o brinquedo é um convite ao brincar, facilita e enriquece


aprendizagem, proporcionando desafio motivação.
Ao ver o brinquedo, a criança é tocada pela sua proposta; reconhece
umas coisas, descobre outras, experimenta e reinventa; analisa, compara e
cria. Sua imaginação se desenvolve e suas habilidades também. Enriquecendo
seu mundo interior, tem mais coisas a comunicar e pode, cada vez mais,
participar do mundo que a cerca.
O brinquedo traduz o real para a realidade infantil. Suaviza o impacto
provocado pelo tamanho e pela força dos adultos, diminuindo o sentimento de
impotência da criança.
Um ursinho de pelúcia pode ser um bom companheiro. Uma bola que
convida para um pouco de exercício, um quebra-cabeças que desafia a
inteligência ou um colar de “pérolas” que faz a menina sentir-se bonita e
importante como a mamãe, todos são como amigos, servindo de
intermediários para que a criança consiga integrar-se melhor.
Através da experimentação, a criança aprende a controlar seus
movimentos e a estabelecer ordem em seu mundo.
Quando tem acesso a farto material, satisfaz suas necessidades de
desenvolvimento e sente-se atraída pelas possibilidades que eles representam.
As crianças trabalham com materiais não somente para alcançar um objetivo,
mas pelo prazer de experimentá-los e lidar com eles.
Os brinquedos são alimentos para a fome de conhecer e aprender da
criança.
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HISTÓRIA DO BRINQUEDO

O brincar fornece aos participantes a possibilidade de estabelecerem


uma rede de relações onde estão implicados valores e costumes.

Benjamim(1984) fez algumas reflexões importantes sobre o lúdico,


considerando o seu aspecto cultural. Brinquedo e brincar, para ele, estão
associados e documentam como o adulto se coloca em relação ao mundo
da criança. Seus estudos incursionam pela história cultural dos brinquedos,
desde épocas remotas atingindo o seu ápice no século XIX, quando os
objetos artesanais são substituídos paulatinamente pelos industrializados.
Segundo o autor, os brinquedos surgiram nas oficinas dos artesãos,
que só podiam fabricar produtos do seu ramo. Com a Reforma os artistas
que só produziam para a Igreja orientaram sua produção para objetos
artesanais de pequeno porte que segundo Benjamim, serviram de alegria às
crianças .Devido ao pequeno tamanho, exigiam a presença da mãe de forma
mais íntima, o que por certo aumentava as relações com os filhos.

No final do século XIX os brinquedos tornaram-se maiores devido


à emancipação do processo de industrialização e subtraíram-se
paulatinamente das famílias, tornando-se estranho às crianças e aos pais.
Começaram a sofisticar-se perdendo o vínculo com a simplicidade e com o
primitivo.
Os estudos de Benjamim mostraram como, desde as origens, o
brinquedo sempre foi um objeto do adulto para a criança. Mesmo os
brinquedos antigos com a bola, a pipa, são derivados de cultos
religiosos, uma vez dessacralizados, permitiram o desenvolvimento das
fantasias infantis. Apesar do fascínio que exercem sobre a criança, eles
constituem, da mesma forma, uma imposição dos mais velhos, para os
quais os pequenos respondem sabiamente através da correção ou da
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mudança na forma de brincar.

Há brinquedos feitos da sucata dos adultos, que se transformaram


em objetos importantes para as crianças, que, a partir do lixo da história,
conseguem fazer história.
A simplicidade de determinados objetos e materiais talvez seja
responsável pelo encanto que possuem. É isso que, segundo o autor,
aproxima a criança do artista, do colecionador e do mágico.
Segundo Benjamim, acreditava-se erroneamente que o conteúdo
imaginário do brinquedo é que determinava as brincadeiras infantis,
quando na verdade quem faz isso é a criança; pôr essa razão, quanto mais
atraentes forem os brinquedos, mais distantes estarão do seu valor como
instrumentos do brincar.

A essência do brincar não é fazer como se, mas fazer sempre de


novo. É nesse momento que há a aquisição de um saber fazer, capaz de
transformar a experiência em hábito.
Além da relevância que a brincadeira assume do ponto de vista
cultural e social, ela também possui um importante papel do ponto de vista
psicológico. É através do brincar que a criança vê e constrói o mundo,
expressa aquilo que tem dificuldade de colocar em palavras. Sua escolha é
motivada pôr processos e desejos íntimos, pelos seus problemas e
ansiedades. É brincando que a criança aprende que, quando perde no jogo,
o mundo não se acaba.
Do ponto de vista psicológico, a obra de Vygotsky (1984), entre
outras, assume um papel fundamental. Para ele, definir o brinquedo como
atividade que dá prazer é insuficiente, porque existem outras experiências
que podem ser mais agradáveis à criança. O que atribui ao brinquedo um
papel importante é o fato de ele preencher uma atividade básica da criança,
ou seja, ele é um motivo para ação.
A criança pequena, para ele, por exemplo, tem uma necessidade
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muito grande de satisfazer os seus desejos imediatamente. Quanto mais
jovem é a criança, menor será o espaço entre o desejo e a sua satisfação.

No pré-escolar há uma grande quantidade de tendências e desejos não


possíveis de ser realizados imediatamente e é nesse momento que os
brinquedos são inventados, justamente para que a criança possa
experimentar tendências irrealizáveis. A impossibilidade de realização
imediata dos desejos cria tensão e a criança se envolve com o ilusório e o
imaginário, onde seus desejos podem ser realizados. É o mundo dos
brinquedos.
É preciso um espaço onde a partir do brincar e do brinquedo as
pessoas lidam com a possibilidade de se aprender, permitindo a
aquisição\ressignificação de conhecimentos que se movimentam em
direção ao saber. Sob o olhar psicopedagógico, constitui um recurso
facilitador na construção de conhecimentos e vínculos entre as pessoas, na
criação da comunicação.

RESGATANDO O LÚDICO

“Resgatamos o brincar prazeroso, a alegria lentamente...


brincar para produzir ... brincar... pensar ... compartilhar... conhecer...
significar... saber... aprender... são os ingredientes para essa
construção.”(Noffs,1995,p.83).A criança aprende brincando, é necessário
que o ensinante (professor) esteja alerta, para não cair no cotidiano
repetitivo com atividades onde a criança só copia , enquanto deveria estar
construindo.

A brincadeira , na aprendizagem tem por objetivos :


 Desenvolver a capacidade lúdica ;
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 Propiciar a interligação entre o real e o imaginário;
 Propiciar a construção e a interligação de conceitos na aquisição o
conhecimento;
 Facilitar a ação, reflexão, ação após brincar ;
 Utilizar o seu próprio corpo como recurso para aprender;
 Propiciar a vivência e elaboração de diferentes papéis.

“ O uso dos brinquedos, jogos de materiais


pedagógicos, do ponto de vista psicopedagógico,
necessita da percepção do contexto onde se
encontram inseridos.É preciso que o ensinante
identifique a matriz simbólica anterior do objeto,
para entender melhor as necessidades e
dificuldades mais imediatas dos alunos.”
(Mrech,p.25)

CONTRIBUIÇÕES DE WINNICOTT SOBRE

O BRINCAR E O APRENDER

Para Winnicott, o brincar é universal, facilita o crescimento e,


portanto, a saúde, conduz os relacionamentos grupais, é uma forma de
comunicação consigo mesmo e com os outros; tem um lugar e um tempo
muito especiais, não sendo algo só de ‘dentro’ , subjetivo, interno, ou só
‘de fora’ , objetivo, externo, mas se constituindo justamente num espaço
potencial entre o eu e o não eu, entre o mundo interno e o externo, que
justamente vão se formando á medida em que o brincar se desenvolve de
forma criativa e original. Winnicott não observava de forma passiva as
crianças , ele brincava com elas, lidando com a superposição de duas
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áreas de brincar, a da criança e a do terapeuta, salientando a necessidade
do terapeuta( ou qualquer outra pessoa) ter condições de realmente saber
e poder brincar com. O brincar tem um papel insubstituível no processo
vital de encontro consigo mesmo e com o outro. O processo de
crescimento gera ansiedade, crescer é justamente aprender a lidar com a
frustração.

CONTRIBUIÇÕES DE VYGOTSKY
SOBRE O SIGNIFICADO DO BRINCAR

Sabendo que a criança tem um desenvolvimento maior brincando,


quero ressaltar sobre a ação e o significado no brinquedo. Segundo
Vygotsky , “Se a criança está brincando de ser irmã, ela tenta ser o que
pensa que uma irmã deveria ser. Na vida, a criança comporta-se sem
pensar que ela é a irmã de sua irmã. Se está brincando de ser mamãe,
obedece as regras de comportamento maternal .”(1984,p.92)
No brinquedo a criança, usa espontaneamente sua capacidade de
separar significado do objeto sem saber o que está fazendo. A criação de
uma situação imaginária não é algo fortuito, é a primeira manifestação de
emancipação em relação as restrições situacionais.
A criança não tem que satisfazer as necessidades básicas da vida,
mas pode viver a procura do prazer. A criança se desenvolve, através da
atividade de brincar. O brinquedo é muito mais a lembrança de alguma
coisa ( ou cena ) que realmente aconteceu do que imaginação, é mais
memória em ação do que uma situação totalmente imaginária nova. Até
para a criança o brinquedo é um jogo sério, assim como o é para um
adolescente , embora, em sentido diferente; para a criança o brinquedo
sério significa que ela brinca sem separar a situação imaginária da real.
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CARACTERÍSTICAS MOTORAS

A criança a partir de 2 anos tem mentalidade motora. A maior parte


de suas satisfações e as maiores características são de ordem muscular,
gosta da atividade motora grossa, possui articulações mais flexíveis,
equilíbrio superior que o permite correr, subir e descer escadas sozinha,
pode pular e saltar, efetuar giros rápidos. Se diverte com brincadeira de
reviravoltas com um acrobata, tanto sozinha como em resposta a um
estímulo . “ Expressa suas emoções de alegria dançando, saltando,
aplaudindo, gritando ou rindo.”(Gomes, 1997,p.140) Sente nos músculos
fundamentais a sensação do movimento. Meneia o polegar e move a língua.
Sua musculatura oral está madura. Mastiga quase automaticamente. O
controle manual permite virar páginas uma por uma. Constrói torres com
cubos. Já pode cortar com tesouras, enfiar contas numa agulha (sob
vigília de um adulto). Permanece sentado por mais tempo. Põe em
evidência sua crescente facilidade para o progresso cultural doméstico. A
medida que vai crescendo (por volta dos 3 anos )suas potencialidades vão
aumentando, se entretém com jogos sedentários durante períodos mais lon-
gos ; é atraída pelo lápis, gizão ,pincel, tesoura e etc. Diante de uma caixa
com um brinquedo dentro, trabalha tenazmente para tirar , uma vez que
consegue, prefere estudar o problema a brincar com ele. Tanto no desenho
espontâneo como no imitativo, mostra uma maior capacidade de inibição e
delimitação do movimento.
Seus traços estão melhor definidos, revelando um crescente
discernimento motor. Tem controle dos traços nos planos vertical e
horizontal . Pode dobrar um papel, mesmo sem modelo.
A criança , aproximadamente aos 4 anos gosta de realizar provas
motoras, também lhe proporciona prazer as provas que exigem coordenação
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fina. Tem facilidade para copiar o círculo, já tenta copiar outras formas
geométricas. Suas novas proezas atléticas se baseiam na maior
independência da musculatura das pernas .Abotoa as roupas e faz o laço dos
sapatos ,demonstrando maior refinamento e precisão.
A criança de 5 anos gosta de observar, cuidado com o que você faz
em sala de aula ,pois a criança imita tudo que os adultos em sua volta diz ou
faz. Necessita de modelos e gosta de copiar desenhos, letras e números. A
habilidade manual está, em geral, bem estabelecida, reconhece a mão que
usa para escrever. Quando é mantida em posição sentada, se inquieta, se
levanta, volta-se para um lado e outro, ou fica parada entre a mesa ea
cadeira.

BRINQUEDO - DESENVOLVER E APRENDER

O brinquedo proporciona o aprender-fazendo e para ser melhor


aproveitado é conveniente que proporcione atividades dinâmicas e
desafiadoras, que exijam participação ativa da criança.
As situações-problema contidas na manipulação de certos materiais, se
estiverem adequadas às necessidades do desenvolvimento da criança, fazem-
na crescer através da procura de soluções e de alternativas.
O desempenho psicomotor da criança enquanto brinca alcança níveis
que só mesmo a motivação intrínseca consegue.
Para que o brinquedo seja significativo para a criança é preciso que
tenha pontos de contato com a sua realidade.
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BRINQUEDO – INTELIGÊNCIA E
CONCENTRAÇÃO DA ATENÇÃO

O brinquedo estimula a inteligência porque faz com que a criança solte


sua imaginação e desenvolva a criatividade.
Mas, ao mesmo tempo, possibilita exercício de concentração, de atenção
e de engajamento.
Distrai, porque oferece uma saída para a tensão provocada pela pressão
do contexto adulto.
Possibilita exercício de atenção e concentração, porque leva a criança a
absorver-se na atividade.
Pode-se aumentar gradativamente a capacidade para a criança
permanecer em uma mesma atividade fornecendo-se, inicialmente, brinquedos
que exijam menos tempo para que as atividades sejam realizadas, e, à medida
que a criança já consegue executá-las, oferecer jogos que solicitem maior
tempo de utilização.
Como conseqüência da realização de uma atividade agradável e que
provocou concentração, a criança fica mais calma e relaxada

BRINQUEDO – DESENVOLVENDO A
LINGUAGEM

O brinquedo e as brincadeiras são excelentes oportunidades para nutrir a


linguagem da criança. O contato com diferentes objetos e diferentes situações
estimula também a linguagem interna e o aumento de vocabulário.
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O entusiasmo da brincadeira faz com que a linguagem verbal se torne
mais fluente e haja maior interesse pelo conhecimento de palavras novas. A
variedade de situações que o brinquedo possibilita pode favorecer a aquisição
de novos conceitos. A participação de um adulto, ou criança mais velha, pode
enriquecer o processo. A criança faz experiências descobrindo as leis da
natureza, o adulto introduz os novos conceitos por ela vivenciados,
completando assim, a sua integração.
No processo de evolução em direção à linguagem oral podemos
identificar três fatores que definitivamente concorrem para sua efetivação:
a rapidez com que as ligações entre os acontecimentos são feitas; o
pensamento que se apóia em extensões espaço-temporais cada vez mais
amplas e se liberta do imediato; a simultaneidade das representações, que vem
em decorrência dos fatores anteriores. A imitação tem um papel muito
importante no desenvolvimento da linguagem. É necessário reforçar que
vocabulário variado não é sinônimo de domínio de linguagem, duas frases
justapostas podem conter maior informação e adequada relação entre fatos do
que várias frases aleatórias, simplesmente emitidas, com vocabulários
repetidos. A respeito de comunicação fica claro perceber que a avaliação da
linguagem da criança nos primeiros anos, ou seja até os seis anos será feita
através da observação ativa na relação com o meio, com o indivíduo e com o
brinquedo. Deve- se lembrar sempre que: “A criança somente estará pronta à
expressão oral quando sua expressão motora estiver efetivada.”

BRINQUEDO – DESENVOLVENDO A
SOCIABILIDADE
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Brincando, a criança desenvolve sue senso de companheirismo; jogando
com companheiros, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando
entender regras e conseguir uma participação satisfatória.
No jogo, a lei não deriva do poder ou da autoridade, mas das regras,
portanto, do jogo em si. Conhecidas as normas, todos têm as mesmas
oportunidades, e participando do jogo, a criança aprende a aceitar regras, pois
o desafio está, justamente, em saber respeitá-las. Esperar sua vez, aceitar o
resultado dos dados ou de outro fator de sorte são excelentes exercícios para
lidar com frustrações, e, ao mesmo tempo, elevar o nível de motivação.
Nas dramatizações, a criança vive personagens diferentes, alargando
assim sua compreensão sobre os relacionamentos humanos.
As relação cognitivas e afetivas, conseqüentes da interação lúdica,
propiciam amadurecimento emocional e vão, pouco a pouco, construindo a
sociabilidade infantil. Especialmente nos jogos grupais, a interação acontece
de maneira mais fácil, pois é estimulada pela necessidade que os elementos de
grupo têm de alcançar determinadas metas. Para extrair resultados mais ricos
dessa interação é necessário mudar sempre os elementos dentro de cada grupo.

CRIANÇA X BRINQUEDO X ADULTO

A maneira como as crianças tratam os brinquedos está relacionada com


a forma como os receberam.
A criança sente quando está recebendo um brinquedo por razões
subjetivas do adulto, que, muitas vezes, compra o brinquedo que gostaria de
ter tido, que lhe dá status, que vai comprar afeto ou servir como recurso para
livrar-se da criança por um bom espaço de tempo.
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A forma de introduzir o brinquedo à criança é importante. Em certas
situações, pode apenas ser colocado no ambiente que a criança vai explorar;
outras vezes precisa ser apresentado a ela, e mostradas as possibilidades de
exploração que oferece. De qualquer maneira, é indispensável que a criança
seja atraída por ele.

Olhos para ver

O adulto transmite à criança uma certa forma de “ver” as coisas.


Quando apresentamos várias coisas ao mesmo tempo, ou então, por tempo
insuficiente ou excessivo, estamos desestimulando o estabelecimento de uma
atitude de observação.
Se quisermos que a criança aprenda a observar, se quisermos que ela
realmente veja o que olha, teremos que escolher o momento certo para
apresentar-lhe o objeto, motivá-la e dar-lhe tempo suficiente para que sua
percepção penetre o objeto; teremos também que respeitar o seu desinteresse.
Insistir quando a criança já está cansada é propiciar o aparecimento de certas
reações negativas.
Aprender a ver é o primeiro passo para o processo de descoberta.
É o adulto quem pode proporcionar oportunidades para a criança ver coisas
interessantes, mas é indispensável que respeitemos o momento de descoberta
da criança para que ela possa desenvolver sua capacidade de concentração.
Assim como a criatividade da pessoa que interage com a criança poderá
torná-la criativa, a paciência e a serenidade do adulto influenciarão também o
desenvolvimento da capacidade de observar e de concentrar a atenção.

“Brinca com a gente...”


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Brincar junto reforça os laços afetivos. É uma maneira de manifestar
nosso amor á criança.
Todas as crianças gostam de brincar com os pais, com a professora, com
os avós ou irmãos mais velhos.
A participação do adulto no jogo da criança eleva o nível de interesse,
pelo enriquecimento que proporciona; pode também contribuir para o
esclarecimento de dúvidas referentes às regras do jogo.
A criança sente-se ao mesmo tempo prestigiada e desafiada quando o
parceiro da brincadeira é um adulto. Este, por sua vez, pode levar a criança a
fazer descobertas e a viver experiências que tornam o brinquedo mais
estimulante e mais rico em aprendizado.
Através da observação do desempenho das crianças com seus
brinquedos podemos avaliar o nível de seu desenvolvimento motor e
cognitivo. Dentro da atmosfera lúdica, manifestam suas potencialidades e, ao
observá-las poderemos enriquecer sua aprendizagem, fornecendo, através dos
brinquedos, elementos nutrientes para seu desenvolvimento.
Devemos aproveitar esses momentos utilizando palavras adequadas,
escutar as próprias palavras para verificar se estamos falando claramente e
procurar responder por observações, perguntas ou ações. Não colocar
informações novas em excesso para que a criança possa aprender o que ouve;
adaptar as frases ao nível da compreensão da criança, mas sem infantilizá-las.
O adulto interessado pode perceber o início do cansaço e do
aborrecimento, momento em que a sua intervenção poderá ou animar ou
propor uma outra atividade. Mas isto só deve acontecer quando realmente a
atividade estiver se esvaziando, para evitar que a saturação aconteça.
O adulto que interage pode despertar a atenção e a compreensão da
criança, enriquecendo seu brincar. Mas é imprescindível que antes de mais
nada se observe como ela está brincando para respeitá-la, respeitando sua
iniciativa, suas preferências, seu ritmo de ação e suas regras de jogo.
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Não se deve interromper a concentração de uma criança que brinca,
seria um sacrilégio. O momento em que ela está completamente absorvida
pelo brinquedo é um momento mágico e precioso, em que está sendo
exercitada uma capacidade da maior importância, da qual depende sua
eficiência quando adulto, que é capacidade de observar e manter a atenção
concentrada.
A criança deve explorar livremente o brinquedo, mesmo que a
exploração não seja a que esperávamos. É preciso cuidado para a intervenção
do adulto não interrompa a linha de pensamento da criança e não atrapalhe a
simbolização que estava fazendo.
Para preservar a ludicidade, o adulto deve limitar-se a sugerir, a
estimular, a explicar, sem impor determinada forma de agir. Que a criança
aprenda a utilizar o jogo descobrindo e compreendendo, e não por simples
imitação.
Por ser importante que as atividades envolvam operações do
pensamento, que solicitem a imaginação, a criatividade, e que possibilitem a
descoberta, é necessária a participação eventual do adulto. A criança precisa de
alguém que a escute e que a motive a falar, a pensar e a inventar. Precisa tanto
de atividades grupais que a levem a sociabilizar-se quanto de atividades
individualizadas que possibilitem o atendimento às suas necessidades
pessoais.
E quando a atividade tiver que ser interrompida, deve dar-se um tempo
para a transição e mudança de atividade. Não podemos violentar a criança
invadindo bruscamente o seu mundo.

“Brinque... mas depois você tem que arrumar tudo.”


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Esta frase antipática , mas necessária ,certamente tem uma justificativa,
porém existem formas bem mais eficazes de fazer com que a criança adquira
hábitos de ordem.
A arrumação dos brinquedos, colocada nestes termos, assume caráter
punitivo, que irá provocar má vontade na hora de guardá-los.
O hábito de guardar os brinquedos com cuidado pode ser desenvolvido
através da participação da criança na arrumação feita pelo adulto. Quando os
pais ou a professora têm o hábito de, constante e naturalmente, guardar as
peças com carinho depois de utilizá-las, automaticamente a criança adquire o
mesmo hábito e aprende que zelar pela ordem e conservação do brinquedo é
normal, e pode haver satisfação em guardar como houve no brincar.

BRINCAR X TRABALHAR: UM HÁBITO A


SER CULTIVADO

Porque no brincar existe necessariamente participação e engajamento, o


brinquedo é certamente uma forma de desenvolver a capacidade de engajar-se,
de manter-se ativo e participante. A criança que brinca bastante será um adulto
trabalhador. A criança que sempre participou de jogos e brincadeiras grupais
saberá trabalhar em grupo; por ter aprendido a aceitar as regras do jogo, saberá
também respeitar as normas grupais e sociais. É brincando bastante que a
criança vai aprender a ser um adulto consciente, capaz de participar e engajar-
se na vida de sua comunidade.
O brinquedo é o trabalho da criança. Como já dissemos antes, o
brinquedo exercita capacidades indispensáveis a qualquer adulto
profissionalmente bem-sucedido.
24
Se a criança brinca, acostuma-se a ter seu tempo livre criativamente
utilizado. Este hábito, se bem cultivado, além de trazer satisfação, irá se
transformando, com a maturidade, em atitudes de predisposição para o
trabalho. O importante é que seja preservada a gratuidade e o prazer; o gosto
de fazer as coisas por elas mesmas e não somente pelos resultados que possam
ser alcançados.
Permanecendo o prazer e o hábito de ocupar-se criativamente, a escolha
profissional certamente será mais fácil e trabalho e lazer ficarão tão próximos
que a única coisa que os distinguirá será a obrigatoriedade.
Quando a educação pela inteligência for uma realidade, não haverá mais
razão para se conceituar opostamente lazer-trabalho, pois sendo o prazer e a
criatividade preservados, a ludicidade estará igualmente presente.

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DIVERSOS


TIPOS DE BRINQUEDO
BRINQUEDOS DE AFETO

“A criança goza e sofre de maneira tanto mais


aguda quanto está inteira na impressão
presente, sem nenhuma inquietude e aumentar-
lhe a alegria e nenhuma esperança a limitar-lhe
a dor: os pesares da criança são
incomensuráveis.”
(HUBERT)
25
Macios, gostosos de pegar, de aparência simpática, estes brinquedos
despertam, em todos que os vêem, uma vontade de acariciá-los e abraçá-los.
Ursinhos, gatinhos ou bebês muito “fofos” são um convite a ternura e ao
gesto meigo. Provocam aconchego e oferecem consolo à criança.
Devem estar à sua disposição e merecer o respeito dos adultos.
Entre os vários que possam estar disponíveis, sempre haverá um que
será o “bichinho de estimação”. Algumas crianças apegam-se de tal maneira a
suas bonecas ou bichinhos, que não dormem sem eles e querem trazê-los
consigo mesmo quando vão à escola. Talvez estes brinquedos de afeto tornem-
se companheiros tão indispensáveis por representarem o apoio de um amigo
silencioso que nada pergunta e nada pede, só oferece conforto.
Este é um brinquedo que, pelo tipo de vínculo afetivo que possibilita,
deve realmente pertencer à criança. Não é aconselhável tê-lo em
brinquedotecas para empréstimo pois a criança poderia ficar triste ao ter que
devolvê-lo.

BRINQUEDOS PARA O “FAZ-DE-CONTA” –


JOGO SIMBÓLICO

O pensamento da criança evolui a partir de suas ações. As crianças


precisam vivenciar suas idéias em nível simbólico para poder compreender
seu significado na vida real.
Podem conhecer objetos ou pessoas, mas suas idéias a respeito vão
tornar-se mais claras quando representarem em seu jogo simbólico.
Os brinquedos de “faz-de-conta” funcionam como elementos
introdutórios e de apoio à fantasia; facilitam o processo de simbolização e
propiciam experiências que. Além de aumentarem o repertório de
26
conhecimentos da criança, favorecem a compreensão de atribuições e de
papéis; não é necessário que sejam cópias idênticas da realidade: um bloca de
madeira pode ser utilizado para representar um boneco. Entretanto, quando
forem miniaturas de objetos reais, devem possibilitar utilização semelhante a
eles; por exemplo, um carrinho deve rodar, um barquinho deve flutuar e um
bule deve poder conter um pouco de líquido; as ferramentas também devem
poder ser utilizadas. Caso contrário, perderão a finalidade de provocar a
vontade de brincar com eles como se fossem “de verdade”.
Quando a vontade de “brincar de...” já existe, a atuação da criança poder
ser mais criativa, pois ela mesma poderá inventar os objetos, valendo-se de
qualquer sucata. A brincadeira fica até mais divertida quando as crianças têm
que descobrir o que está representando o quê.
O “faz-de-conta” dá oportunidade para expressão e elaboração em
forma simbólica de desejos e conflitos; quanto mais rica for a fantasia e a
imaginação da criança, maiores serão suas chances de ajustamento ao mundo
ao seu redor.

CASA DE MADEIRA

A casa de madeira é um excelente brinquedo, pois nela é possível :


arrumar os diversos ambientes de diversas maneiras , nomear cada móvel e
dizer qual a sua utilidade e de que foi feito (madeira , plástico , etc.),
dramatizar situações que ocorrem no dia-a-dia de uma casa, os personagens
podem representar a família.
Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:
 Definição funcional dos objetos.
 Brincadeiras de faz-de-conta.
 Imaginação e criatividade.
 Dramatização.
27
 Desenvolve a sociabilização, atenção e memória.

TELEFONE

O Telefone é outro brinquedo que as crianças gostam muito, são


coloridos , de diversas formas e tamanhos; não nos esquecendo que enquanto
se brinca estamos explorando o aprender. O telefone pode ser usado na
dramatização, escolhendo participantes e tema central. Pode ainda ser discado,
explorando o som . Pode-se comunicar uma mensagem com clareza usando
cumprimentos e saudações .

Ação no plano objetivo e subjetivo:


 Fluência verbal.
 Elaboração de diálogos.
 Sociabilização.
 Faz-de-conta.
 Atenção e concentração.

BOLICHE

O boliche é um jogo em plástico colorido, contendo seis garrafas de


cores diferentes e duas bolas para fazer os arremessos. Para jogar o boliche ,
rola-se a bola em direção às garrafas e procura-se derrubar o maior número
delas, é interessante variar a distância. Pode-se jogar : de costas , por entre as
pernas ,usar as mãos direita e esquerda , chutar a bola com o pé direito e
esquerdo.
Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:
 Brinquedo possibilita socialização e competição.
28
 Coordenação motora ampla (arremessar).
 Coordenação viso-motora ( acertar o alvo ).
 Controle da força muscular.
 Percepção de semelhanças e diferenças (cores ).
 Posição no espaço e relações espaciais.
 Concentração e atenção.
 Desenvolve a sociabilização.

BONECA

Não só as crianças são atraídas por bonecas, mas também os adultos e


até animais.
Como miniaturas do ser humano, elas recebem a forma que o adulto
aprecia e imagina que a criança vá gostar.
Mas se o adulto as faz, é a criança que lhes dá vida e lhes atribui
sentimentos, projetando nelas suas próprias emoções.
Quando são muito perfeitas ou sofisticadas, provocam admiração e a
criança, em vez de utilizá-la para a sua brincadeira de “faz-de-conta”, passa a
investigá-las ou exibí-las.
As crianças pequenas preferem bonecas macias e flexíveis e não
valorizam tanto os detalhes da aparência.
Os meninos também gostam de bonecas, mas, como não as têm, usam
outros objetos para representar pessoas.
29
As bonecas são imprescindíveis porque dão à criança a oportunidade de
exercer poder sobre elas, de sentir-se forte e grande como um adulto, de
repreender, de superproteger, de castigar, de cuidar, de amar ou rejeitar.
Como objetos de afeto, fazem companhia e transmitem segurança.
O brinquedo com bonecas dá à criança a oportunidade de amadurecer
através da elaboração de sentimentos e da vivência do papel de adulto.
Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:
 Brinquedo que constitui um bom suporte de investimento afetivo.
 Favorece os primeiros jogos de imitação e as personificações .
 Vida cotidiana(vestir, despir, banhar, alimentar, fazer dormir).
 Conhecimento do corpo humano.
 Esquema corporal, desenvolvimento do pensamento, coordenação
motora .
 Criatividade a partir da boneca(acessórios necessários para interagir,
criar.)

CARRO

Os carros de plástico ou de madeira , desmontável ou não , é um


brinquedo muito atrativo . Pode ser puxado , empurrado ou desmontado .Toda
criança , menino ou menina gosta de brincar com carrinhos seja de que
modelo for .
Ação no plano objetivo e subjetivo :
 Coordenação dos movimentos amplos ( puxar, empurrar ).
 Coordenação viso- motora (encaixar, se for de encaixe ).
 Discriminação de formas.
 Orientação espacial.
 Percepção auditiva.
 Controle de força muscular ( se for de pressionar ).
30

FAZENDA

A fazenda é uma opção que encanta as crianças. É composta por:


cavalos , vacas , cachorros , ovelhas , árvores e cercas. Pode-se: brincar
livremente, explorando todas as peças que compõem o jogo; nomear as peças,
descrevendo suas características principais; organizar uma fazenda,
dramatizando as atividades que ocorrem numa fazenda, podendo ser segundo a
imaginação de cada um ou baseada em memória do vivido anteriormente ;
manipular o brinquedo de forma a vivenciar conceitos espaciais, de tamanho,
de quantidade : dentro, fora, atrás, na frente, de um lado, do outro, entre, perto,
longe, pequeno, grande, maior que, menor que, muito pouco, mais que, menos
que, alguns; classificar os objetos segundo suas características .
Ação no plano objetivo e subjetivo:
 Imaginação e criatividade.
 Enriquecimento de vocabulário.
 Classificação.
 Orientação temporoespacial.
 Noção de tamanho e quantidade.
 Desenvolve a sociabilização.

FANTOCHE

Basta observar a fisionomia das crianças assistindo a um teatrinho de


fantoches para verificar como este tipo de brinquedo é fascinante para elas.
Fantoches de cara, de mão, de dedo, são sempre excelentes
estimuladores da imaginação e da linguagem.
31
Facilitando a concretização das fantasias e a expressão dos mais íntimos
e até desconhecidos sentimentos, os bonecos manipuláveis atraem a atenção e
encantam a criança.
Proporcionam o prazer de dar vida e voz a animais e a bonecos. Através
de um fantoche pode ser superada uma timidez que dificultava a comunicação
e podem ser expressos sentimentos antes difíceis de comunicar, porque ele
passa a ser o foco da atenção em vez da criança que o manipula.
Ela fala através deles, fala com eles e por eles e às vezes lhes atribui
papéis que não têm nada a ver com a sua caracterização.
O processo criativo que envolve a manipulação de fantoches estimula
também o desenvolvimento da linguagem e do pensamento, faz com que a
criança aprenda a tomar decisões e a expressar-se.
Quando as crianças brincam com fantoches, extravasam emoções e
manifestam sentimentos que talvez não se autorizassem a expressar
diretamente; quando os adultos os manipulam, têm em suas mãos um recurso
mágico de fácil penetração no mundo infantil.

Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:


 Brincadeira que desenvolve : imitação, fluência verbal, jogo simbólico,
imaginação, criatividade, dramatização e comunicação.
 Favorece a projeção das tensões e dos conflitos pôr intermédio do
fantoche e que pode ajudar na integração em um grupo.
 Coordenação de movimentos finos(fantoche de dedo).
 Coordenação de movimentos amplos (fantoche de mão).
 Desenvolve a sociabilização e o faz-de-conta.

Dicas para confecção de fantoche :


32
A confecção de fantoches é uma atividade divertida e criativa que vai
acrescentar ao prazer de manipulá-los o prazer de os haver criado.
Desde um lenço amarrado no dedo indicador até os mais elaborados
feitos com massa de papel marchê, há um grande número de possibilidades.
Garrafas de plástico vestidas com retalhos de pano ou cortadas
longitudinalmente para fazer a grande boca do jacaré .

CAIXA CURIOSA OU BAÚ SURPRESA

A caixa curiosa , é uma caixa que tem dois cortes, uma de cada lado:
um maior para a criança colocar a mão e apalpar para adivinhar o que tem
dentro; e um menor para a criança tenta adivinhar com os olhos. Dentro desta
caixa podemos colocar vários objetos de : higiene ,limpeza, material escolar,
objetos de casa, roupas de bonecas, carrinhos, miniaturas ,etc. Cada dia os
objetos podem ser trocados, depois de identificados .
Ação no plano objetivo e subjetivo:
 Desenvolvimento do pensamento lógico – imaginação , atenção e
memória.
 Percepção esterognóstica.
 Vocabulário.
 Desenvolve a sociabilização.

FANTASIAS

Já dizia o antigo ditado popular que o “hábito faz o monge”; um


capacete de bombeiro certamente ajudará o menino a sentir-se adulto e forte
como um bombeiro; paletós, gravatas, colares, brincos e pulseiras estimularão
33
o jogo simbólico, enriquecendo o “faz-de-conta”, facilitando a representação
de papéis.
Vestidos compridos, sapatos de salto alto, bolsa e maquilagem são
excelentes elementos de apoio para a fantasia.
Quando a menina faz de conta que é a mamãe, assumindo seu papel,
passa a entender melhor suas atitudes.
Os objetos que sugerem determinadas profissões são também
fundamentais, pois facilitam o processo de busca de identificação.
Um bom baú de fantasias deve ter ainda chapéus femininos e
masculinos, de enfermeiras e de cozinheiros, uniformes, máscaras, perucas,
bigodes e fantasias de bichos. Peças avulsas como golas, lenços, xales, punhos
e colarinhos facilitam também a criação de personagens.

TEATRINHO DE SOMBRAS

Este tipo de teatrinho encanta as crianças pelo mistério representado


pelas sombras que se movem. Está baseado na combinação de três elementos:
1 – Uma tela para projetar as sombras;
2 – Um foco de luz colocado atrás da tela;
3 – Silhuetas recortadas em papelão ou ... as nossas mãos.
A tela pode ser feita do fundo de uma caixa de onde tiramos a maior
parte da superfície, deixando apenas uma moldura na qual se prenderá a tela,
de papel de seda ou de tecido translúcido.
A luz pode ser a de uma lanterna, de uma vela ou de uma lâmpada
voltada para a tela.
Para produzir as sombras, utilizam-se figuras recortadas em cartolina e,
para ter melhor efeito, podem-se fazer articulações que possibilitem
movimentação das partes que as compõem.
34
Para dar colorido às sombras, corta-se a parte interna das figuras e cola-
se papel celofane colorido.
Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:
 Despertar a curiosidade.
 Trabalhar o medo com o escuro e o claro.
 Atenção.
 Concentração.

BRINQUEDOS HIPNÓTICOS OU QUE EXERCEM


FASCINAÇÃO

São aqueles que atraem a atenção e proporcionam gratificação rápida


em troca de uma manipulação que requer apenas um mínimo de habilidade, tal
como apertar um botão ou girar uma peça.
Não têm um final determinado, pois enquanto persistir o fascínio
despertado a contemplação persistirá.
Proporcionam alheamento e experiências relaxantes. Ajudam a
descarregar tensões e desenvolvem a concentração da atenção. São jogos
hipnóticos o calidoscópio, o “Vai caindo” e os jogos de controle remoto. Um
aquário poderia também proporcionar este tipo de situação.

Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:


35
 Experiências de relaxamento.
 Concentração.
 Atenção.

BOLA

A bola é o brinquedo para todas as idades. Vale por um companheiro


para uma criança que está só. Porque pula, porque rola, é um eterno convite à
ação e ao jogo.
O bebê tenta pegá-la e engatinha atrás dela; o menino chuta , cabecea,
dribla ,arremessa; a menina joga para o alto, canta ou bate palmas. Em todas
as situações, há ludicidade e desenvolvimento da coordenação dos
movimentos amplos e da sociabilidade.
A bola é um brinquedo básico e indispensável a qualquer criança que
possa movimentar-se.
Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:
 Bom suporte para uma atenção prolongada.
 Educação do sentido do ritmo: atenção ,observação , destreza e
agilidade.
 Favorece a sociabilização.
 Utilização possível em esquema corporal.
 Estimulação psicomotora.
 Coordenação de movimentos amplos.
 Desenvolvimento de ação antecipatória.
36
BRINQUEDOS PEDAGÓGICOS

Costuma-se chamar brinquedo pedagógico ao que foi fabricado com o


objetivo de proporcionar determinadas aprendizagens, tais como cores, formas
geométricas, números ou letras, etc.
Entretanto, tal denominação é bastante relativa pelas seguintes razões:
1) O que caracteriza o brinquedo é a atitude que envolve a sua
utilização. Um brinquedo pedagógico com as letras do alfabeto
impressas em cubos de madeira, por exemplo, pode ser usado para
montar um trenzinho, e um trenzinho pode ser usado como
instrumento de alfabetização, quando a criança se interessa em ler o
nome do seu fabricante, por exemplo.
2) O que é e o que não é pedagógico? Será que a pedagogia se restringe
a ensinar formas, cores, números e letras? A educação é um processo
global e contínuo. Cada etapa de desenvolvimento, cada momento da
vida de uma criança tem prioridades diferentes, que a atuação
pedagógica precisa atender. O ursinho de pelúcia é o mais
pedagógico que se pode oferecer em certos momentos, como uma
bola de futebol pode ser em outros. Seguindo esta linha de
pensamento, poderíamos dizer que brinquedo pedagógico é todo o
objeto que atende à necessidade da criança no momento em que ela o
utiliza.

Esta definição seria mais correta do ponto de vista conceitual, pois


também são tarefas da educação o desenvolvimento emocional e social, a
preservação da alegria e da saúde mental da criança.
Como já dissemos antes, todo brinquedo pode ser pedagógico,
dependendo das circunstâncias, assim como também o mais educativo dos
brinquedos pode deixar de sê-lo em determinada situação, pois o valor do
37
brinquedo está diretamente relacionado com o que consegue provocar na
criança.
Podemos adotar a denominação brinquedo pedagógico não a nível
conceitual, mas apenas para caracterizar um tipo de brinquedo que tem uma
proposta mais objetiva.
No brinquedo simbólico, a satisfação acontece no decorrer da atividade.
Ao passo que no brinquedo pedagógico o desafio é justamente obter a
satisfação do final da atividade, ou seja, quando o objetivo do jogo foi
alcançado. Mas este prazer de ter conseguido pode ser tão importante que a
criança queira repetir o mesmo jogo muitas vezes, só para revivê-lo.
Montessori ,constatou, que um determinado jogo pode atender de tal
forma a uma necessidade interior da criança, que ela o executa algumas
dezenas de vezes, polarizando sua atenção de tal forma que, ao largar o jogo,
está mais calma e relaxada, podendo até passar a ter comportamento mais
equilibrado.
O maior valor do brinquedo está na sua gratuidade. No brinquedo livre e
espontâneo, a criança chega a alcançar um nível de participação, uma
profundidade que a enriquece na medida em que aumenta sua capacidade de
engajamento, pelo livre exercício de concentração de atenção.
Nem só os jogos que alimentam a fantasia da criança atendem a suas
necessidades, visto que existem outras necessidades inerentes ao seu processo
de desenvolvimento.
A proposta definida de um brinquedo pedagógico pode funcionar como
desafio à participação da criança. É motivador o subjacente convite a uma
auto-avaliação de habilidades ou à possibilidade de obter sucesso e reforçar o
autoconceito. As crianças gostam de superar-se.
38
MATERIAIS PEDAGÓGICOS

A diferença entre brinquedos pedagógicos e materiais pedagógicos


pode ser muito pequena. Ambos objetivam uma aprendizagem, mas no
material pedagógico o aspecto lúdico pode não estar presente.
A ludicidade pode estar restrita ao desafio que a proposta do jogo
apresenta ou ao prazer que a manipulação do material tridimensional
representa.

BLOCOS DE CONSTRUÇÃO

Os blocos de construção são provavelmente o brinquedo mais antigo e


mais usado na pré-escola.
A variedade de tamanhos, formas e cores que eles possuem possibilita
diferentes formas de utilização e de manifestação de criatividade.
Não constituem um jogo, pois não há regras para seu uso, mas são uma
excelente matéria-prima para concretização das mais diferentes idéias.
Pesquisas realizadas por Hartley trazem-nos a informação de que só o
jogo dramático, o “faz-de-conta”, supera os blocos no interesse que despertam
na criança. Na verdade, os blocos também são matéria-prima para o
“faz-de-conta”.
A construção com blocos favorece diversos aspectos do
desenvolvimento infantil:
- desenvolvimento da atenção e concentração;
- desenvolvimento de movimentos amplos e finos;
- desenvolvimento da coordenação viso-motora;
- desenvolvimento da noção de equilíbrio, proporção e simetria;
- desenvolvimento de paciência e perseverança;
39
- desenvolvimento da independência;
- desenvolvimento do sentimento de realização, que tanto reforça a
auto-imagem;
- conhecimento das formas geométricas e suas peculiaridades;
- desenvolvimento do pensamento abstrato
- exploração de tamanhos, formas e espaços;
- reconhecimento de semelhanças e diferenças;
- aquisição de conceitos matemáticos (maior do que, menor do que,
em cima, em baixo, ao lado, etc.);
- encorajamento à solução de problemas e à formulação de projetos;
- oportunidade para aprendizagem seqüencial e utilização no nível de
pensamento de cada criança;
- satisfação de inventar, construir, destruir e transformar.

Geoffrey Matthervs (organizador do Projeto Matemático Nuffield para


crianças de 5 a 13 anos) afirma que a compreensão de certos conceitos
matemáticos não pode ser alcançada através de ensino. As crianças só podem
alcançá-los através de experiências com manipulação de materiais. A
construção com bloco proporciona experiências práticas das noções de
ordenação, inclusão, invariabilidade, permanência, etc. Se a criança já usou os
blocos quando os conceitos são introduzidos na matemática, logo os
entenderá.
A forma como as crianças utilizam os blocos de construção varia de acordo
com o estágio de desenvolvimento em que a criança se encontra. Podemos
dividir a atividade com blocos de 4 fases:
1ª) a criança coloca os blocos uns sobre os outros, de maneira aleatória;
2ª) constrói torres ou faz filas de blocos;
3ª) copia modelos e desenvolve novas técnicas de construções mais
complicadas;
4ª) reproduz estruturas mais difíceis e usa os blocos de forma simbólica.
40
Inicialmente, a criança junta os objetos e, quando surge alguma coisa
que ela reconheça, fica contente por ter realizado algo. Mais tarde começa
então a planejar e selecionar o material que necessita para expressar suas
idéias.
Elizabeth Hurlock diz que a criança que é muito realista, ou então
muito sonhadora, não brinca criativamente. Se for muito realista, não
conseguirá imaginar coisas que não está acostumada a ver, nem aceitará
uma representação apenas aproximada; portanto, o criticismo inibirá a
criatividade. Se for muito sonhadora, poderá gastar suas energias em
devaneios sem chegar a reproduzir suas criações porque se satisfará só
com sua imaginação.
As crianças pequenas precisam de blocos maiores, que não exijam
habilidades muito desenvolvidas e que possibilitem construções que apareçam
mais, proporcionando mais facilmente a satisfação de realizar algo. À medida
que as crianças crescem, os blocos podem diminuir de tamanho. É difícil
encontrar blocos grandes à venda, pois se fossem de madeira ficariam pesados,
o que tornaria o seu manuseio perigoso para a criança pequena. De plástico
ficariam muito caros. Assim, a melhor solução é fazê-los de sucata, utilizando
caixas de ovos, de sapatos, latas de óleo. Estas últimas ainda têm a vantagem
de serem laváveis e fazer ruído ao caírem, o que desafia ainda mais.
O principal requisito para um bom conjunto de blocos é que as medidas
das peças maiores sejam múltiplos exatos das menores.
É importante que haja número de peças suficiente e compatível com o
número de crianças. Para 3 a 5 crianças, aproximadamente 110 blocos; para
um conjunto de 15 crianças, 480 blocos; para 30 crianças, 1.000 blocos.
Um bom conjunto de blocos para 15 crianças deveria ter as seguintes
peças:
28 pilares 12 triângulos
28 ½ unidades 8 arcos maiores
192 unidades 8 arcos menores
41
100 unidades dobradas 2 arcos
48 unidades quadruplicadas 1 em forma de Y
20 telhados 1 em forma de X
20 rampas 12 cilindros grandes
e uma embalagem adequada, que estimule a vontade de guardar.
Os blocos de encaixe possibilitam construções mais sólidas e estimulam
a elaboração de estruturas mais complexas. Podem transformar-se em quebra-
cabeças tridimensionais, desenvolvendo assim o pensamento lógico através do
enriquecimento das situações-problema. Basta para isso que sejam propostos
modelos para serem reproduzidos.
Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:
 Concentração e observação.
 Estruturação espacial .
 Criação , imitação, desenvolvimento da intencionalidade e do
pensamento.
 Abordagem mecânica.
 Auto-realização.
 Coordenação bimanual ( empilhar, encaixar ) .
 Coordenação motora ampla.
 Reconhecimento de semelhanças e diferenças.
 Discriminação de cor e tamanho.
 Domínio do espaço.

BRINQUEDO DE ENCAIXE

Os brinquedos de encaixe são uma opção muito agradável , podem ter


formato de tartaruga, locomotiva, cachorro, palhaço, pirâmide, etc. São
encontrados na maioria em material plástico, sendo de diversos tamanhos e
42
cores .Pode-se desmontar e montar o brinquedo quantas vezes a criança
desejar .
Ação no plano objetivo e subjetivo:
 Coordenação motora bimanual ( montagem).
 Favorece sociabilização.
 Discriminação de cores.
 Noção e ordenação de tamanho( maior / menor ).
 Orientação espacial.
 Desenvolvimento do pensamento lógico e concentração.

QUEBRA-CABEÇA

O interesse despertado por um quebra-cabeça está diretamente ligado à


relação entre o grau de dificuldade que ele apresenta e a capacidade de quem
vai montá-lo; se for fácil demais, não constituirá desafio, mas também se for
difícil demais, provocará desistência em vez de motivação.
Para avaliar o grau de dificuldade de um quebra-cabeça vários aspectos
podem ser considerados: o número de peças que o compõem, o tipo de recorte
das peças, as cores e os detalhes da figura. Quanto maior o número de peças,
mais difícil é a montagem. No quebra- cabeça podemos explorar as cores e
figuras; se são de animais, alimentos ou pessoas.
Os recortes retos são mais difíceis porque não dão a sugestão dos
encaixes. Os espaços com a mesma cor, que não tenham detalhes de desenhos
para serem compostos, ficam mais difíceis.
Para facilitar a graduação das dificuldades dos quebra-cabeças,
elaboramos uma classificação por níveis, que é a seguinte:
43

1º nível – encaixe sem figuras de 1 peça redonda


2º nível – encaixe sem figuras de 1 peça de lados iguais
3º nível – encaixe sem figuras de 1 peça de forma irregular
4º nível – encaixe de várias peças únicas separadas
5º nível – encaixe de 2 peças com figura
6º nível – encaixe de 4 peças com figura
7º nível – encaixe de até 10 peças com figura
8º nível – encaixe de até 25 peças com figura
9º nível – encaixe de até 50 peças com figura
10ºnível- encaixe de mais de 50 peças com figura

É importante ressaltar que outros critérios podem eventualmente ser


mais significativos para a determinação do grau de dificuldade de um quebra-
cabeça do que o número de peças, pois os detalhes da figura, ou o recorte das
peças, podem facilitar ou dificultar a sua montagem.
A graduação dos níveis de dificuldade dos quebra-cabeças também não
deve ser utilizada para indicação por idade cronológica, pois a habilidade para
montar quebra-cabeças depende de vários outros fatores, especialmente de
treinos anteriores. Algumas crianças montam quebra-cabeças muito mais
rapidamente que adultos.

Algumas sugestões para facilitar a utilização de quebra-cabeças:

 No caso de se ter um quebra-cabeça de complexidade maior do que a


criança poderia montar, pode-se usar o recurso de deixar o quebra-
cabeça montado e retirar apenas algumas peças para que ela
recoloque. Gradativamente, aumenta-se o número de peças a serem
recolocadas.
44
 Para facilitar a utilização correta do quebra-cabeça, risque no fundo
da prancha o contorno de suas peças. Com o jogo montado, retire
uma peça e risque o vão que ficou; coloque a peça de volta, retire
outra e faça a mesma coisa até Ter o contorno de todas as peças
desenhado no fundo da prancha. Esta medida facilitará a montagem e
estimulará o comportamento de colocar as peças reconhecendo o seu
formato.
Ação sobre o plano objetivo e subjetivo:
 Bom treinamento óculo-motor.
 Estruturação espacial: reconstituição de um todo a partir de seus
elementos, análise dos contornos.
 Reconhecimento das formas, cores, objetos apresentados.
 Ocupação estabilizante.
 Discriminação visual.
 Composição e decomposição de figuras.
 Atenção e concentração.
 Discriminação de formas.
 Coordenação motora fina.
 Percepção tátil.
 Sociabilização.
 Vocabulário.
 Suporte atraente para exercícios com figura correspondente.

CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DE


BRINQUEDOS
45
O que é um bom brinquedo?
- É o que atende às necessidades da criança.
Os seguintes fatores são importantes para que isso aconteça:

INTERESSE

O brinquedo mais lindo e sofisticado não tem valor algum se não der
prazer à criança, pois sua validade é o interesse da criança que irá determinar.
Bom brinquedo é o que convida a criança a brincar, é o que desafia seu
pensamento, é o que mobiliza sua percepção, é o que proporciona experiências
e descobertas.
Para diferentes momentos, diferentes brinquedos poderão ser mais
indicados. Um brinquedo que estimula a ação, outro que possibilite uma
aprendizagem, ou que satisfaça a imaginação e a fantasia da criança; às vezes,
apenas um ursinho de pelúcia que lhe faça companhia.
Dar um carrinho para um menino de 10 anos pode ser tão ofensivo
quanto seria desapontador oferecer um quebra-cabeças de 500 peças a um
garoto de 5 anos.
Mas nem sempre a criança sozinha irá escolher o melhor brinquedo para
ela; um menino, ao entrar numa loja, pode procurar só revólveres ou carrinhos,
mas isto não significa que só goste deste tipo de brinquedo, mas sim que só
reconhece estes objetos. Os carros estão nas ruas por onde a criança passa e os
revólveres e as metralhadoras são a fonte do poder, segundo a mensagem
passada pelas dezenas de filmes que a criança assiste todos os dias na
televisão.
Certos brinquedos precisam ser apresentados à criança para que possa
imaginar o que pode fazer com eles.
O que torna um brinquedo atraente para uma criança?
46
Um brinquedo pode tornar-se irresistível e até imprescindível pelas
seguintes razões:
- Por haver-se tornado um objeto de afeto, quantas vezes a ligação
com uma boneca, ou um ursinho, é tão forte que a criança não dorme
sem ele.
- Por representar status, como no caso dos brinquedos anunciados na
televisão ou importados.
- Por darem sensação de segurança, como os revólveres e as fardas de
soldados e super-heróis.
- Por atender a uma hiperatividade.
- Por funcionar como objeto intermediário entre a criança e uma
situação difícil para ela.
- Por satisfazer uma determinada carência ou atender a uma fantasia.
- Por ser desafio a uma determinada habilidade, como os ioiôs,
bambolês, skates, etc.
- Porque alguma amigo tem.

ADEQUAÇÃO

O brinquedo deve ser adequado à criança, considerada como indivíduo


especial e diferenciado; deve atender à etapa de desenvolvimento em que a
criança se encontra e às suas necessidades psicológicas, sócio-culturais, físicas
ou intelectuais.

APELO À IMAGINAÇÃO
47
O brinquedo deve estimular a criatividade. Quando muito dirigido e não
oferece alternativas, passa a ser apenas uma tarefa a ser cumprida.
É aconselhável que haja sempre um convite à participação criativa.
Entretanto, este apelo deve estar à altura da criança. Os jogos muito
abstratos não conseguirão motivá-la, pois, para poder criar, ela precisa ter
alguns pontos de referência.

VERSATILIDADE

O brinquedo que pode ser utilizado de várias maneiras é um convite à


exploração e à inventividade. A criança pode brincar com algo que já conhece,
mas criando novas formas ou alcançando objetivos diferentes.
É interessante que o jogo possibilite à criança a obtenção de sucesso
progressivo, para que, à medida que ela via conhecendo melhor os recursos
que ele oferece, possa alcançar níveis mais altos de realização. Um jogo bem
versátil pode representar um constante desafio às habilidades da criança.

COMPOSIÇÃO

As crianças gostam de saber como o brinquedo funciona ou como ele é


por dentro. Por esta razão, os jogos desmontáveis são mais interessantes. O
pensamento lógico é bastante estimulado pelo manuseio dos jogos de montar,
nos quais a criança tem oportunidade de compor e observar a seqüência
necessária para a montagem correta.
48
COR E FORMA

As cores mais fortes e as formas mais simples atraem mais as crianças


pequenas. Mas as maiores preferem cores naturais e formas mais sofisticadas.
De qualquer maneira, a variedade no colorido, na forma e na textura irá
contribuir para a estimulação sensorial da criança, enriquecendo sua
experiência.

TAMANHO

Deve ser compatível com a motricidade da criança. Um bebê não pode


brincar com peças pequenas pois poderá levá-las à boca, engolir ou engasgar-
se com elas. Também não terá coordenação motora suficiente para manipular
peças miúdas. Brinquedos grandes e pesados podem machucar a criança ao
caírem no chão.

DURABILIDADE

Os brinquedos muito frágeis causam frustração não somente por se


quebrarem facilmente, mas também porque não dão à criança o tempo
suficiente para que estabeleça uma boa relação com eles.

SEGURANÇA

Tintas tóxicas, pontas e arestas, peças que podem se soltar, tudo isto
deve ser observado num brinquedo, para evitar que a criança se machuque.
49
Com os bebês, o cuidado deve ser ainda maior, pois, levando tudo à
boca, correm o risco de engolir ou engasgar-se com uma pequena peça que se
desprenda.
Cuidado com os sacos plásticos, porque podem provocar sufocação se
levados à boca ou enfiados na cabeça.. É melhor evitá-los.
Nem sempre será possível atender a todos estes pré-requisitos para fazer
uma escolha. Mas, pelo menos o primeiro e o último desta lista será
indispensável considerar.

IMPORTÂNCIA DA EMBALAGEM

O valor da embalagem do brinquedo pode ser considerado sob vários


aspectos:

1º) Motivação – A motivação que pode proporcionar uma embalagem


atraente pode ser parte importante no desafio que o brinquedo deve
representar. Mas deve haver coerência entre e embalagem e o seu conteúdo.
Uma caixa grande e vistosa pode despertar o interesse da criança, mas
se contiver um brinquedo muito pequeno provocará decepção por não atender
à expectativa criada.

2º) Organização – Uma caixa bem adequada ao brinquedo oferece uma


certa segurança à criança. Se o interior da caixa for bem organizado, com
repartições que surgiram o que deve ser guardado ali, despertará a vontade de
arrumar por despertar a capacidade de fazê-lo. Quando a embalagem é
adequada, mesmo que a utilização do jogo não se concretize, a criança será
motivada a guardar as peças em seus devidos lugares. A embalagem adequada
proporciona atividade mais organizada, pois tem um começo, ao abrir-se a
caixa, um período de exploração e o final, com a arrumação do jogo, e... a
50
colocação da tampa na caixa, o que certamente dá à criança a agradável
sensação de “dever cumprido”.

3º) Conservação – Para a conservação do jogo, uma boa embalagem é


indispensável. Alguns brinquedos vêm em sacos plásticos que são rasgados ao
abrir-se e não permitem fechamento posterior. Este tipo de embalagem
concorre para que se percam as peças do jogo.
Certos jogos podem dura muito se providenciarmos uma embalagem
adequada. Não estaremos fornecendo exemplo de ordem e organização se
oferecermos às crianças brinquedos e materiais que não propiciem hábitos de
organização.
Alguns jogos merecem que se compre uma boa caixa de plástico para
guardá-los, pois, se forem jogos que possibilitam exploração de dificuldades
progressivas, as crianças poderão usá-los por vários anos, aumentando a
complexidade de suas construções.

SUCATA –ALTERNATIVA E DESAFIO À CRIATIVIDADE

Costuma-se chamar de “sucata” ao material descartável, àquele material


que aparentemente não tem mais utilidade, mas que, com um pouco de
criatividade, pode ser reaproveitado.
Por que reaproveitar? É mais econômico e às vezes pode ser o único
tipo de matéria-prima disponível; mas não é só isso.
A criação de brinquedos com sucata é também uma proposta de
mudança e um desafio à nossa capacidade; e um convite para uma pequena
aventura.
O processo criativo nos introduz ao prazer de transformar, de tornar útil
e belo algo que até então era considerado inútil e feio.
51
Esta magia pedagógica pode ajudar o professor a construir os recursos
que enriquecerão e facilitarão o seu trabalho, mas o mais importante é que ele
também será transformado pelo prazer de criar.
Mas este livro não aborda a criatividade no sentido da auto-expressão e
sim da criação de recursos que possam proporcionar maior número de
descobertas e de experiências às crianças.
Quando partilhamos com uma criança a descoberta de um objeto uma
utilização pode ser reinventada, estamos também mostrando o valor e o
encanto das pequenas coisas. Esta atitude pode ser bem mais do que uma
alternativa de material para brincar; é também uma alternativa para uma escala
de valores.
Utilizamos sucata não só por ser gratuita, mas porque nos proporciona
oportunidade para criar e para nos libertarmos do vício do consumismo.
O processo criativo, uma vez iniciado, vai-se multiplicando. O primeiro
brinquedo é feito quase que por necessidade, o segundo já é mais fácil e os
outros já vão fazendo parte de um processo contínuo de criação em que
qualquer sucata passa a ser um desafio irresistível.

Produção de brinquedos de sucata

Para confeccionar brinquedos com sucata em maior quantidade é


necessária uma infra-estrutura mínima para possibilitar o trabalho e assegurar
a continuidade da proposta.
A esse respeito, alguns aspectos podem ser considerados:

1. Coleta da sucata – Nos lares das famílias de classe média muitas


tampinhas e embalagens são descartadas todos os dias. Uma escola pode
recorrer aos seus alunos para constituir seu acervo de sucata.
52
Mas, em zonas mais carentes, a sucata é praticamente inexistente; de
qualquer maneira, para que se tenha material suficiente para produzir um
número maior de jogos é necessária uma quantidade maior de sucata.
Na zona rural a sucata é substituída pelos elementos que a natureza
fornece e que, quando bem aproveitados, podem oferecer às crianças
experiências ricas e variadas. Mudam os objetos: em vez de tampinhas
coloridas para classificar as crianças podem ter flores ou folhas; experiências
com tamanho, posição, texturas, conservação de quantidade e volume, tudo
isto pode ser extraído da manipulação de terra, água, galho, etc. Pois, na
verdade, quantidade e volume, tudo isto pode ser extraído da manipulação de
terra, água, galho, etc. Pois, na verdade, qualquer objeto serve para aquisição
de qualquer conceito, dependendo para tanto da forma como é manipulado.
Em zonas industriais, os materiais descartáveis abundam e se
recorremos a indústrias, a cabeleireiros, lanchonetes, etc., encontraremos
nossos fornecedores de sucata.
2. Limpeza do material – Antes de mais nada, a sucata precisa ser
limpada e desinfetada.
Água e sabão (ou detergente) são suficientes para limpar as embalagens
de água sanitária, desinfetantes, álcool ou água. Mas alguns tipos de sucata
requerem uma desinfecção mais bem feita. Uma maneira eficiente seria
colocar a sucata, os brinquedos, numa câmara de raio ultravioleta. Como nem
sempre isso é possível, mergulhar as peças em uma solução de água com
formol também é uma forma de conseguir uma boa higienização.
3. Armazenamento – Quando a sucata chega, ela ainda é lixo; para que
deixe de sê-lo e passe a ser matéria-prima, vamos examiná-la para selecionar
o que pode ser aproveitável. Depois da limpeza, é hora de classificar e guardar
de maneira organizada.
A classificação prévia da sucata é indispensável para facilitar o acesso
aos diferentes tipos de materiais quando for necessário.
53
Prateleiras com caixas de papelão ou de madeira podem também ser
muito funcionais. É conveniente escrever fora das caixas ou gavetas o nome
do material guardado.

Dicas sobre materiais:

Garrafas – As garrafas de plástico mole podem ser transformadas em


pedaços de plástico que pode ser recortado para ser utilizado como cartolina
na confecção de figuras para alinhavas. Este material possui ainda a vantagem
de ser lavável e de durar mais.
As letras escritas no plástico da garrafa podem ser apagadas com
acetona.
As garrafas de plástico duro, como os garrafões, podem ser cortadas
com faca de pão, de serrinha, ou então com uma faca aquecida. Servem como
embalagens para brinquedos pequenos.
As garrafas de água de plástico transparente dão excelentes embalagens
para pequenos objetos. Podem ser recortadas coma tesoura.
Com uma garrafa faz-se o corpo da embalagem e com o fundo de outra faz-se
a tampa. Convém arrematar as bordas colocando um viés de tecido, para que
não machuque a mão de quem vai manuseá-la.

Revistas – Quantas figuras bonitas existem nas revistas. Se começarmos


a colecioná-las, colando-as em cartolina e plastificando-as, em pouco tempo
teremos um arquivo de figuras que pode ser um recurso valioso para a
professora que estiver trabalhando com desenvolvimento da linguagem e do
pensamento.
Com duas revistas iguais podem ser feitos jogos de loto e de memórias
muito apreciados pelas crianças.
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Com revistas em quadrinhos também podem ser feitos jogos desse tipo
e jogos de atenção e discriminação visual.
No índice analítico deste livro estão relacionados os jogos feitos com
revistas.

Tampas – As tampas de plástico colorido são um excelente material


para as crianças brincarem e inventarem mil utilizações.
As tampas maiores (encontradas nos frascos de desodorante, xampu,
spray, etc.), pelo seu colorido rico, são utilizadas como material básico para
mil jogos diferentes. Apresentamos a seguir algumas sugestões para estimular
o desenvolvimento do pensamento através de brincadeiras com tampas.
(tampas de tamanho que as crianças não consigam engolir.)

BRINQUEDO INESGOTÁVEL

Uma caixa cheia de tampas de plástico é um brinquedo inesgotável. As


tampas podem ser utilizadas para várias atividades recreativas.
Estes são alguns exemplos:
1. Tampa ao cesto – Colocar um cesto a 2 m de distância. Distribuir as
tampas entre as crianças. As crianças na sua vez deverão tentar lançá-las
dentro do cesto. Ganhará aquele que conseguir encestar maior número de
tampas.
2. Dominó por cores – Joga-se da maneira tradicional, sendo que a cada
jogada o jogador usará 2 tampas: A 1ª que combine com a tampa da mesa
(mesma cor) e a segunda tem que ser diferente, para dar prosseguimento ao
jogo.
3. Dominó de semelhança – Também se joga da forma tradicional,
sendo que entre uma tampa e outra deve haver pelo menos um fator em
comum (cor, forma, tamanho).
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4. Jogo da memória – Colocar várias tampas diferentes, viradas para
baixo, sobre a mesa; embaixo de uma delas colocar um pequeno objeto.
Modificar a posição inicial das tampas e perguntar à criança onde está o
objeto.
5. Escravos de Jó – Jogo musicado que faz parte do folclore nacional.
6. Apalpe e acerte – Colocar vários pares de tampas dentro de um saco,
pedir à criança que, com as duas mãos dentro do saco, encontre, através do
tato, duas tampas iguais.
7. Qual está faltando? – Mostrar um conjunto de tampas para a criança
e, sem que ela veja, retirar uma delas e perguntar qual está faltando.
8. Jogo da torre – A professora coloca a tampa maior no centro da
mesa. As crianças deverão ir colocando uma tampa sobre a outra para formar
uma torre. Perderá aquele que não puder contribuir na construção da torre ou
aquele que derrubá-la.

BRINQUEDOS PARA DIVERSAS FASES


DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

O desenvolvimento infantil segue princípios básicos que devem ser


conhecidos pelos educadores e que planejarão e realizarão atividades com
crianças no seu processo educacional. Estes princípios são universais e
ocorrem em crianças em todas as faixas econômicas e culturais. Os princípios
são os seguintes:

1. O desenvolvimento segue uma direção céfalo-caudal, ou seja, as primeiras


aquisições da criança iniciam-se na região da cabeça e continuam em
direção aos pés.
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2. O desenvolvimento segue uma direção próximo-distal, da região central


para as extremidades. No desenvolvimento motor, as primeiras aquisições
envolvem a região do tronco caminhando para os braços, mãos e
finalmente os dedos.

3. O desenvolvimento provoca a aquisição a princípio de comportamentos


mais gerais, passando posteriormente a comportamentos mais específicos e
diferenciados (exemplo: a criança de poucos meses, quando quer agarrar
algo, usa o corpo todo, depois a mão e finalmente realiza o ato de pegar um
objeto apenas com os dedos.

4. O desenvolvimento implica uma evolução, passando de comportamentos


simples a operações coordenadas com o intuito de atingir uma meta
(exemplo: a criança começa a emitir sons aparentemente desconexos, que
se juntam para formar as primeira palavras, posteriormente frases, até que a
linguagem verbal passa a ser uma das formas mais precisas de
comunicação).

5. O desenvolvimento ocorre numa seqüência de estágios. Alguns autores,


entre os quais Piaste, definiram o conceito de estágio como sendo períodos
nos quais a função e a ênfase de determinados comportamentos ou atitudes
diferem dos outros (exemplo: no estágio sensório-motor a ênfase recai
principalmente na obtenção de informações através de canais sensórios e as
respostas são fundamentalmente de caráter motor; já no período pré-
operacional a ênfase é no desenvolvimento da linguagem e do
pensamento). Há determinadas aquisições que são fundamentais naquele
estágio, caracterizando-se o chamado “ período crítico “ para o
desenvolvimento daquela função (exemplo: o primeiro ano é crítico para o
desenvolvimento motor, é nesta época que a criança adquire praticamente a
57
base para o desenvolvimento posterior). Os estágios seguem uma seqüência
que é sempre a mesma, sendo porém variável o ritmo com que cada criança
supera um determinado estágio.

6. Um determinado estágio é o produto dos seus antecedentes e será um


preparo para o estágio subsequente.

É importante frisar que o desenvolvimento é um processo cumulativo


que agrega todas as experiências vividas pelo indivíduo. As primeira
experiências são as que mais influenciam os comportamentos posteriores.

OS ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO
SEGUNDO PIAGET

Os estágios do desenvolvimento descritos por Piaget que podemos


utilizar para a criança na Educação infantil:

I – Período sensoriomotor (0 a 2 anos): Invenção de novos meios através de


combinações mentais (18 a 24 meses).

II – Período das operações concretas (2 a 12 anos) ou Pré-operacional (2 a 7


anos), especificamente o Preconceitual (2 a 4 anos).
58
Neste período, após a experimentação ativa que ocorreu no subestágio
anterior, a criança internaliza as ações realizadas. A grande passagem do
estágio sensoriomotor para o pré-operacional é quando a criança passa a
representar mentalmente as experiências que foram adquiridas. Através do
início do pensamento, da coordenação de representações ou imagens que
adquiriu, ocorre um tremendo desenvolvimento da sua relação com o mundo.
A noção de permanência foi adquirida. A criança lembra das pessoas e dos
objetos mesmo que não estejam presentes naquele momento. Pede coisas que
quer que lembrem. (Por exemplo: aquele pirulito que viu na rua. Na
brincadeira de esconde-esconde procura objetos através das trajetórias em que
viu serem escondidos. Não desiste facilmente de seus projetos.).
A motricidade, tanto ampla como fina, se aperfeiçoa. Nesta etapa a
criança inicia a corrida, o trepar e pode começar a subir e descer escadas. Sua
manipulação também se aperfeiçoa.
A linguagem ainda em seus rudimentos vai ser futuramente um dos
veículos de expressão do seu pensamento. Os objetos passam a ter nomes e
sons. A imitação se desenvolve tremendamente, sendo uma grande auxiliar
para a aprendizagem. A criança imita várias coisas que vê à sua volta. Este é o
início do que no próximo estágio se caracterizará como o jogo simbólico, o
brinquedo do faz-de-conta. Gosta de música.
A sua independência aumenta, quer comer sozinha mesmo que faça
sujeito. Ajuda no vestir, estendendo braços e pernas.
É um período de transição em que se percebem vários aspectos do
estágio posterior. O desenvolvimento ocorre como um fluxo; de repente, se
observa que a criança reage de uma forma diferente ao seu meio,
caracterizando-se o início de um novo período.

ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS


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Este estágio é muito longo, indo aproximadamente da idade de dois
anos até os doze. Está subdividido em dois subestágios:
a) Subestágio pré-operacional (± 2 a 7 anos).
b) Subestágio das operações concretas (± 7 a 12 anos).
Veremos neste projeto somente o preconceitual (2 a 5 anos) que se
encontra dentro do subestágio pré-operacional.

SUBESTÁGIO PRÉ-OPERACIONAL

Neste período a criança desenvolve o pensamento, e o planejamento


mental ocorre antes de sua ação. A função representativa reveste-se de grande
importância. Um objeto representa o outro, e com isto a imaginação da criança
sofre um grande impulso. (Por exemplo: uma simples caixa de sapatos pode
ora se tornar um carro, ora um potente cavalo que viu na televisão.) Inicia-se e
atinge pleno desenvolvimento o chamado jogo simbólico ou faz-de-conta.
Neste tipo de atividade, a criança dá significados pessoais a objetos e a
brincadeiras que realiza. Observa o que acontece à sua volta, em sua casa, na
rua, e reproduz posteriormente em suas brincadeiras o que viu, apresentando,
inclusive, sentimentos e emoções frente ao fato. (Por exemplo: a criança
brinca com a boneca, vestindo-a, dando de comer ou até dando-lhe umas
palmadinhas.) É interessante observar como ela brinca, pois suas emoções,
sentimentos e compreensão da realidade são expressos neste momento. Na
brincadeira do faz-de-conta, a criança modifica a realidade em função dos seus
desejos; pode trazer à tona experiência do passado e explorar o que imagina
que vai acontecer depois.
O pensamento no subestágio pré-operacional tem algumas
características básicas, que serão enumeradas a seguir:
a) Egocentrismo: É a tendência da criança de ligar tudo que lhe
acontece com seus sentimentos e ações. Ela pensa que tudo tem a ver
60
com suas vontades e ocorre por causa de alguma coisa que tenha
feito. É incapaz de ver o ponto de vista do outro. (Por exemplo: à
noite, quando eu durmo, o mar pára; se eu apagar a luz e ficar
escuro, o mar também vai dormir.)
b) Centração: A criança, para dar resposta a um problema, considera só
um aspecto de cada vez.
c) Irreversibilidade do pensamento: A criança não consegue reverter as
operações que realizou ao começo para comprovar o seu raciocínio.
d) Raciocínio transdutivo: A criança liga dois fatos que não mantêm
relação entre si. “Eu bati no meu irmãozinho, Papai do Céu vai dar
um castigo, é o trovão.” O raciocínio transdutivo está ligado ao
egocentrismo, onde a criança sente que os fatos da natureza estão
ligados, ou são influenciados, pela sua vontade.
e) Animismo: A criança atribui sentimentos humanos a objetos à sua
volta. Ao observar a chuva, comenta: “Está chovendo, porque as
nuvens estão tristes”. Portanto, o seu pensamento não tem um
caráter lógico e é baseado em vivências pessoais, desejos e temores,
adquirindo características muito peculiares.

Há um grande desenvolvimento da fala, as palavras se organizam em


frases e a linguagem passa, juntamente com a ação, a ser uma possibilidade da
criança expressar suas idéias e emoções.

PERÍODO PRÉ-CONCEITUAL

Ocorre um grande progresso no desenvolvimento motor da criança. Os


movimentos adquirem maior graça e harmonia; salta, corre, usa os aparelhos
do parquinho (balanço, escorregador, gangorra), sobe e desce escadas. É o
início do uso de triciclos e outros tipos de veículos similares.
61
Os movimentos finos se tornam mais preciosos, com o uso das duas
mãos, coordenado ou dissociados: a criança enfia contas, rosqueia, empilha e
encaixa. Neste período, ocorre um planejamento da ação, há uma substituição
da ação ao acaso por uma ação coordenada, preestabelecida mentalmente. As
peças dos quebra-cabeças são encaixadas num determinado lugar e não ao
acaso, como no estágio anterior.
Os hábitos da vida diária sofrem um grande progresso neste período,
tornando-se a criança cada vez mais independente quanto aos hábitos
higiênicos (uso do banheiro, o tomar banho), o tirar e pôr a roupa.
Este período recebe o nome de pré-conceitual, porque ainda não existem
conceitos verdadeiros, ou seja, a atribuição de uma palavra a uma classe de
objetos. Os conceitos carecem de generalização; quando a criança pensa num
cachorro, é somente aquele que conhece e não há uma generalização para toda
a classe de cachorros.
As percepções da criança têm um significado baseado na sua
experiência. Esta começa a separar e agrupar objetos segundo alguns atributos,
como: cores, formas e tamanhos. Começa a nomear atributos, porém se
confunde ainda. Sua linguagem verbal se amplia. Compreende ordens e as
executa quando quer. Nomeia objetos de sua vida cotidiana, da casa, escola,
comunidade. Quer saber o nome de tudo.
Inicia-se a definição das coisas à sua volta pela sua função, isto é, para
que servem as coisas. Às vezes, os objetos recebem um nome pela sua função
(“corta/corta’ e a faca).
Começa a se interessar por livros com figuras que identifica a partir da
sua experiência: por isto, as figuras devem ser o mais próximo do real.
O jogo simbólico inicia-se neste período a partir da imitação do
cotidiano. Depois, a criança simboliza, atribuindo características pessoais e
interpretações próprias à realidade, envolvendo sua percepção de mundo.
Bonecos, objetos que representam coisas de casa, como panelinhas, mobília,
62
vassoura, etc., já são fonte de grande prazer para a criança e ela brinca com
eles de forma semelhante ao que vê a sua volta.
Podemos ver a criança ,nas fases desenvolvidas por Freud, para
entendermos melhor o seu comportamento na fase anal e fálica.

DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
SEGUNDO FREUD

FASE ANAL

No início do segundo ano de vida, a libido passa da organização oral


para a anal. Temos insistido sempre que a psicanálise deve ser vista dentro de
um modelo anaclítico, ou seja, sempre há organizações biológicas de base
sobre as quais os modelos psicológicos são organizados. Examinamos no item
anterior como isto se dá com a modalidade incorporativa, que é a estrutura
básica do primeiro ano de vida.
No segundo e terceiro anos de vida, dá-se a maturação do controle
muscular na criança, isto é, dá-se a organização psicomotora de base. É o
período em que se inicia o andar, o falar e em que se estabelece o controle de
esfíncteres. A mão sai do tateio e preensão mais grosseiros, para desenvolver
grande precisão na pinça indicador-polegar. Embora ainda com o andar
apoiado na ponta dos pés, desequilibrado, aparentando o anjinho barroco que
vai alçar vôo, a criança já pode sair para conhecer o mundo de pé, frente a
frente, e não mais de baixo para cima como ocorria na fase oral. As funções
corticais substituem as condutas anteriormente reflexas. A segmentação
neuromuscular permitirá o aparecimento de movimentos finos e coordenados
dominando sobre os antigos comportamentos globais.
63
Dos processos básicos estão se organizando na evolução psicológica. O
primeiro diz respeito ao conteúdo, ou seja, às fantasias que a criança elabora
sobre os primeiros produtos realmente seus que coloca no mundo. O segundo
diz respeito ao modelo de relação a ser estabelecido com o mundo através
destes produtos.
Primeiramente desenvolve-se o sentimento de que criança tem coisas
suas, coisas que ela produz e que pode ofertar ou negar ao mundo. Ao nível
mais imediato, poderemos perceber isto no andar ou no falar. Só anda quando
está bem; se chega um estranho, volta a engatinhar em busca da mãe. Fala,
mas só o faz se sente que é aceita. Quando assustada, emudece, negando seu
produto “fala” ao ambiente que a rejeita ou a ataca.
O período é denominado fase anal, porque a libido passa a organizar-se
sobre a zona erógena anal. A fantasia básica será ligada aos primeiros
produtos, notadamente ao valor simbólico das fezes. Duas modalidades de
relação serão estabelecidas: a projeção e o controle.

Valor simbólico dos produtos anais:

Dentre os produtos que a criança elabora, as fezes assumem um lugar


central na fantasia infantil. São objetos que vêm de dentro do próprio corpo,
que são, de certa forma, partes da própria criança. São objetos que geram
prazer ao serem produzidos. Durante o treino de esfíncteres, as fezes são dadas
aos pais como prendas ou recompensas. Se o ambiente é hostil, são recusadas.
A nós, adultos, pode parecer ingênuo enfatizar tanto o valor psicológico das
fezes. Pois bem, observemos uma mãe ensinando a criança a utilizar o
“troninho”: ela elogia o esforço da criança, incentiva, torce para que ela
consiga e, quando o produto finalmente vem, é recebido com honrarias; canta-
se “Parabéns” para o cocô. Todo este processo é vivido por nós como
absolutamente normal. Mas imaginem um personagem emocionalmente frio,
64
como o famoso Dr. Spock de “Jornada nas Estrelas”, assistindo o processo. No
mínimo o definiria como uma loucura a dois. Tomem outros exemplos
normais adultos, como o ritual de contemplar as fezes antes da descarga, ou o
procedimento de transformar o banheiro num salão de estar, com música,
revistas e cigarros. Tomem ainda o exemplo antropológico de várias tribos que
defecam em cima do túmulo do ente querido, em sinal de respeito. Ou ainda o
fato de que o odor das próprias fezes é sentido como agradável pela maior
parte das pessoas, enquanto causa náuseas às outras. Os exemplos poderiam
ser ampliados e analisados em profundidade, tarefa que reservamos para a
análise específica desta fase, num volume seguinte.
Quando o desenvolvimento é normal, ou seja, quando a criança ama e
sente que é amada pelos pais, cada elemento que a criança produz é sentido
como bom e valorizado. O sentimento básico que fica estabelecido a levará em
todas as etapas posteriores da vida a sentir que ela é adequada e que seus
produtos são bons; portanto, estará sempre livre e estimulada a produzir.
Temos visto vários livros correlacionando fase anal com capacidades
artísticas. Isto é só uma parte do processo. O sentimento de que o que
produzimos é bom, é necessário para todas as relações produtivas que
estabelecemos com o mundo. Produzimos no trabalho, e temos de sentir que
nosso produto é bom. Produzimos filhos, e temos de sentir que nosso produto
é bom. Só poderemos criar se houver um sentimento interior de que nossos
produtos são bons. O sentimento de autonomia que Erik Erikson descreve
como correspondente a esta fase, talvez pudesse ser melhor definido como um
sentimento geral de adequação.

Etapas anais:

Abrahan e Freud subdividem a fase anal em duas etapas. A etapa inicial


é biologicamente caracterizada pelo domínio dos processos expulsivos, sobre
65
os quais se assentará o mecanismo psicológico da projeção. A Segunda etapa é
retentiva, o que propiciará a base para os mecanismos psicológicos ligados ao
controle. Temos de levar em conta que a Teoria Psicanalítica surge de
trabalhos clínicos; portanto, é natural que muitos dos processos descritos
derivem sua denominação da psicopatologia. Assim, todos os mecanismos
psicológicos que surgem são necessários e adaptativos dentro de um certo
momento de vida, mas à medida em que um mecanismo psicológico infantil se
fixar e se tornar o centro da organização afetiva, termos a configuração de um
quadro psicopatológico definido e estruturado por este mecanismo. Vimos que
é um processo normal a criança pôr coisas no mundo, como também é normal
discriminar quando e para quem dá seus produtos.
Mas pode ocorrer que as relações de angústia predominem sobre as
relações de amor. Os primeiros produtos infantis não são mais objetos de
valor, mas se constituem em armas destrutivas que agridem o mundo toda vez
em que são produzidos. Pensemos, por exemplo, em uma mãe neurótica que
entra em pânico toda vez que em que a criança suja as fraldas ou que, por não
suportar barulho, obriga a criança ao silêncio. Isto concretiza para a criança a
fantasia de que seus produtos são maus e destrutivos. É uma defesa usual
expelir tudo que há em nós e que sentimos que é mau. Atiramos então nossos
produtos destrutivos no mundo e, como depositário de nossas agressões, o
mundo se tornará mau e destruidor. A projeção dos maus produtos sempre cria
um mundo perseguidor. A paranóia é a primeira filha do fracasso em
estabelecer a colocação dos produtos infantis no mundo.
A neurose obsessiva é a segunda conseqüência no fracasso do
desenvolvimento da fase anal. Se os produtos foram projetados numa estrutura
paranóica, na estrutura obsessiva são retidos e controlados. Se os produtos
geram angústia “necessito exercer um grande controle sobre o que posso
liberar e sobre as pessoas para quem liberarei minha produção”. O amor e o
afeto vão progressivamente cedendo terreno à temática do controle e da
organização, até que um mundo, que deveria ser estruturado sobre o afeto, seja
66
substituído por um mundo frio e formal. O obsessivo torna-se afetivamente
desativado, robotiza-se nas ritualizações frias e formais e torna-se. Incapaz de
criar.

FASE FÁLICA

Por volta dos três anos de idade, a libido inicia nova organização. A
erotização passa a ser dirigida para os genitais, desenvolve-se o interesse
infantil por eles, a masturbação torna-se freqüente e normal e a preocupação
com as diferenças sexuais entre meninos e meninas passam a contaminar até a
percepção dos objetos: “O ônibus tem pipi?” – “Se não tem, é mulher”.
Curiosamente esta discriminação sexual não caracteriza a existência de dois
genitais, o masculino e o feminino, mas apenas a presença ou ausência de
pênis. A vagina é e continuará sendo desconhecida ainda por muito tempo. Os
homens, e o gênero masculino, são definidos pela presença do órgão fálico, ao
passo que as mulheres identificam-se pela sua ausência.
Nas fases oral e anal já vimos que cada uma delas tem uma erotização
corporal, uma fantasia particular e uma modalidade de relação de objeto. A
erotização dos genitais, que se inicia neste período, traz a fantasia de meninos
e meninas serem possuidores de um pênis. A erotização masculina, portanto,
recairá normalmente sobre o pênis, enquanto que a feminina se manifestará no
clitóris, que será fantasiado como sendo um pequeno pênis que ainda crescerá.
O menino exibe seu membro, orgulhoso, com ares de superioridade,
apregoando que é homem. A menina reage, protestando que o seu ainda
crescerá e ficará igual ao do menino. Mas, à medida em que o
desenvolvimento se processa, a percepção correta da realidade confirmará aos
olhos infantis que só o homem é portador de pênis, ficando a mulher na
condição de castrada. Numa visão freudiana, esta configuração primitiva do
pensamento sexual infantil fornecerá as bases diferenciais das organizações
67
psicológicas masculina e feminina. Ao homem adjudica-se um elemento de
superioridade, que é a posse do pênis. Em decorrência, configura-se uma
grande ameaça diante dos conflitos interpessoais, que é o temor de ser atacado
naquilo que mais valoriza, ou seja, o temor de castração. À mulher atribui-se
um elemento de inferioridade, a castração, e uma inveja decorrente, a inveja
do pênis, que a mobilizará no sentido de conseguir o que só o homem tem, ou
de compensar esta inferioridade sentida no plano da fantasia.
Na fase fálica, a libido erotiza os genitais, A fantasia básica é fálica. E
qual a tarefa básica desta fase, ou seja, qual a sua modalidade de relação? A
tarefa básica deste momento consiste em organizar os modelos de relação
entre o homem e a mulher. Os genitais erotizados dirigem uma busca de
satisfações de desejos sexuais, Nunca devemos nos esquecer de que estamos
nos referindo à organização da fantasia infantil. A procura do parceiro para a
satisfação sexual real é uma tarefa do adulto, é um trabalho da fase genital. Ao
nível da criança, é a modalidade de relação que se define, ou seja, é no menino
que se forma uma espécie de sentimento de busca de prazer junto a uma
mulher, Por parte da menina, o processo é similar e inverso, ou seja, existe a
busca de prazer junto a um homem.
A procura do sexo oposto é uma estrutura comportamental instintiva nos
animais, enquanto grupo geral. Por exemplo, dois coelhos, um macho e uma
fêmea, criados individualmente isolados durante toda a vida, se postos juntos,
quando adultos, partem imediatamente para um relacionamento sexual. Mas à
medida em que se sobe na escala filogenética, notadamente entre os
mamíferos primatas, a relação macho-fêmea não é só ditada por traços
instintivos. Ela requer etapas de socialização onde o desenvolvimento inicial
tem particular importância. Por exemplo, macacos superiores criados isolados,
sem a mãe, quando postos juntos, são incapazes de um relacionamento sexual.
Macho e fêmea ficam excitados, agarram-se e agridem-se, mas não sabem o
que fazer. É como se o traço instintivo fosse difuso e necessitasse de uma fase
de aprendizado de amor para se organizar. Quando falamos em atração sexual
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infantil, é mais ou menos neste termos que o processo deve ser considerado.
Há a fantasia de busca do parceiro, mas dentro de processos difusos (embora
permeados pela fantasia fálica), que devem ser organizados para que se
estabeleça uma adequada atração masculino-feminina.
A libido está organizada sob o primado da zona erógena genital, mas
configurada sob a fantasia fálica. A erotização de uma zona corporal cria um
desejo a ser satisfeito. A erotização de uma zona de um modelo homeostático,
ou seja, há um acúmulo de tensão que deve ser descarregado. A descarga
corresponde à sensação de que permitirá a obtenção de prazer, ou seja, um
elemento do sexo oposto. É portanto, natural que durante a fase fálica, como
reação à emergente erotização, o menino seja dirigido para a busca de uma
figura feminina. Buscá-la faz parte de uma organização filogenética de
preservação e continuação da vida. E quem é a figura feminina mais próxima,
e de quem o menino gosta mais? É a mãe. A maior parte dos vínculos de
prazer da infância estão ligados à mãe. É também natural que na fantasia
infantil o menino a configure como seu objeto de atração sexual. O menino
está genitalmente erotizado, sente que isto é bom e que precisa compartilhar
isto com uma figura feminina. A figura da mãe preenche na fantasia este papel.
E esta relação estabelecida servirá de suporte para que mais tarde, quando
adulto, possa buscar uma parceira sexual externa à família, com quem
estabelecerá vínculos afetivos importantes e constituirá sua própria família.
Podemos dizer que é aprendendo a amar em casa que a criança se tornará o
adulto capaz de amar fora.
Se aprender a amar é uma relação positiva, o amor incestuoso é uma
relação proibida. O tabu do incesto é a lei mínima da organização humana. Foi
necessário aprender a amar, mas a relação incestuosa que serviu de suporte
para esta aprendizagem deve agora ser reprimida. O esquema repressor é
desencadeado com a entrada do pai em cena. O pai soma as fantasias
filogenéticas de pai totêmico, dono da mãe e das mulheres, com a
configuração real de pai, marido e símbolo da autoridade. A autoridade usará
69
de sua força para fazer cumprir a lei. Tem o poder de recompensar e punir. O
pai coloca-se então como um interceptor entre o filho e a mãe. As fantasias
infantis de se casar com a mãe, de ser seu namorado (expressões estas, todas
usuais de crianças desta idade), ficam vedadas pelo pai. Paralela e
ambivalentemente ao amor que o menino devota ao pai, fica-lhe dirigido um
sentimento mesclado de ódio e temor. A criança configura o desejo de eliminar
aquele que lhe impede o acesso à mãe. Fica então configurado o triângulo que
Freud denomina Complexo de Édipo, numa referência ao drama “Édipo Rei’,
de Sófocles.
Com o estabelecimento do triângulo edípico, o pai, maior, mais forte e
dono da mãe, é sentido pelo filho como um adversário contra o qual não
poderá lutar. Se o elemento mais valorizado pela criança é o pênis, se o ponto
de competição com o pai é sua erotização, parece decorrência lógica que, na
fantasia infantil, o pari o puna, atacando-o no ponto fundamental do conflito,
ou seja, o pai o castrará. Configura-se então, na relação com o pai, o temor de
castração, que o obrigará a reprimir a atração sentida pela mãe. Com esta
repressão fica encerrada a etapa fálica infantil. Mas o modelo de busca de um
amor heterossexual foi estabelecido e será posteriormente retomado com a
adolescência.
O Complexo de Édipo, também chamado por Freud de Complexo
Nuclear, é o ponto central da organização afetiva dentro do modelo
psicanalítico. Ele envolve vários elementos evolutivos, alguns dos quais se
tornam pontos de dissidência dentro da psicanálise.

PROPOSTA DE AVALIAÇÃO: BRINCAR E


APRENDER
70
“ Conhecendo melhor a evolução da brincadeira e
do desenho, podemos, através da observação e
análise da atividade da criança, formar uma idéia
mais clara sobre sua estruturação mental (leitura
epistemológica), assim como sobre sua
organização egóica frente ao meio, sua
flexibilidade e mecanismos de defesa (leitura
psicanalítica).”
(Oliveira,1997,p.47)

Conforme a lei nº 9394/96, Seção II, da Educação Infantil Art. 31.


“Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento
e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo
para o acesso ao ensino fundamental.” Sendo assim , para se fazer registros
do desenvolvimento da criança levantamos algumas questões:

 Como a criança manifesta suas representações lúdicas ? Aparecem


de forma esparsa ou já forma cenas complexas ?
 Como a criança representa a realidade ? De forma caótica ou
organizada ?
 Como se utiliza da linguagem enquanto brinca para se comunicar
ou se expressar ?
 Utiliza-se de suas lembranças pessoais para brincar ?
 Como trabalha com a realidade e a fantasia ? Consegue organizar
representações dramáticas cheias de vida ao mesmo tempo que
se mantém alerta e flexível ao que se passa a sua volta ?
71
 Como coordena seus esquemas motores, organiza seu corpo num
contexto simbólico ? Seus movimentos são flexíveis,
preciosos e espontâneos ?
 Como se organiza frente ao novo e ao inesperado? E frente a
tensão, à frustração a perda ?
 Altera de forma significativa seu comportamento frente a
determinadas situações ou pessoas ?

Podemos observar e avaliar a criança , como se comporta aprendendo


ou brincando, para detectar qualquer dificuldade em relação a realidade.

REFLEXÕES SOBRE BRINCAR E


APRENDER

 O que ocorre quando o professor seleciona uma atividade lúdica para o seu
aluno ?
 O professor sabe como o seu aluno aprende ?
 O professor conhece e respeita a fase de desenvolvimento da criança?
 Como se sente a criança que não sabe quais são os seus limites de
comportamento ?

Os professores necessitam estar conscientes sobre a vital importância


do brincar na aprendizagem.
A criança tem necessidade de sentir que pertence a alguém, quando
o professor ensina e brinca com a criança sente que pertence a ele.
A idéia de pertencer é uma necessidade psicológica profunda.
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A sensação de pertencer é essencial para a segurança da criança e seu
sentimento de dignidade e valor. Quando uma criança sente que pertence à
alguém e é valorizada, é fácil sentir-se aceita, amada e de valor para
outros e para Deus
A escola deverá providenciar material adequado para alcançar o
objetivo proposto para o desenvolvimento total da criança.
O cronograma deve ser desenvolvido de acordo com o tempo diário
disponível para realização das atividades com as crianças.

SUGESTÃO DE CRONOGRAMA

Aproximadamente 4 horas diárias de 2ª a 6ª feira, no período matutino


ou vespertino.
O professor deve chegar 15 minutos mais cedo, preparando assim, a sala
e o material que vai ser usado diariamente, deixando tudo a mão.
A criança deve ser recebida pelo nome, deixando-a a vontade; deixe que
a criança ajude em alguma coisa; deixe que ela fale por si mesma; dê o
privilégio da escolha e respeite suas opiniões; encoraje o sentimento de
dignidade e importância, confiando na criança. A criança precisa de segurança
e aceitação ; trate a criança como uma pessoa de valor ; ajude a criança a
descobrir satisfação em seus empreendimentos. A criança precisa de
disciplina, se os limites são deixados de lado , não conseguidos realizar um
bom trabalho.
Cada criança é única como o são as nossas impressões digitais.
A criança pode ver neste período, livros, figuras ou brinquedos;
adequados a idade.
O período de músicas, com gestos de preferência.
O ensino do dia.
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Período de descanso e lanche, ir ao banheiro etc.
Dramatização ou trabalho, manual reservado para o dia.
O ambiente sendo evangélico, as histórias da Bíblia e cânticos podem
ser acrescentadas.
Guardar materiais e brinquedos e término da aula.
A avaliação será realizada segundo a Lei n º 9394/96 Seção II da
Educação Infantil art.31 “ Na Educação Infantil a avaliação far-se-á
mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o
objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.”

SUGESTÃO DE CONTEÚDO
PROGRAMÁTICO ANUAL

COR:
todas as cores, sem introdução individual (fazer nomeação e
diferenciação).

FORMAS:
círculo, quadrado, triângulo (fazer nomeação e diferenciação).

TAMANHO:
grande/pequeno – maior/menor.

QUANTIDADE:
muito/pouco – mais/menos – cheio/vazio – tudo/nada.

ALTURA:
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alto/baixo.

COMPRIMENTO:
curto/comprido.

ESPESSURA:
grosso/fino.

PESO:
leve/pesado.

TEMPERATURA:
quente/frio – gelado.

TEXTURA:
duro/mole – macio.

ORIENTAÇÃO ESPACIAL(posição no espaço ):


lateralidade ( do lado )– de dentro/ de fora – em cima /embaixo –
de frente/ de costa.
LOCALIZAÇÃO:
ao lado – na frente/atrás .

DISTÂNCIA :
perto/longe.

SEQUENCIAÇÃO:
primeiro/último.

FRONTEIRA:
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aberto/fechado.

ORIENTAÇÃO TEMPORAL ( Posição no tempo ):


noção do tempo( dia/noite – ontem/hoje – amanhã – manhã/tarde/
noite – novo/velho).

VELOCIDADE:
depressa/devagar.

QUALIDADE:
igual/diferente.

MOTRICIDADE:
GLOBAL – ESQUEMA CORPORAL
Corpo: braços, mãos , dedos , pés , pernas , barriga , peito , costas,
cabeça , rosto, pescoço , ombros , cotovelos , joelhos ,
tornozelos.
Habilidades : andar, pular, correr , marchar , subir, saltar , agachar,
levantar, deitar , dobrar o corpo , ajoelhar , engatinhar,
rolar, rastejar, chutar, balançar, rodar o corpo , empurrar/
puxar, arremessar, praticar a respiração, soprar objetos,
transportar objetos, imobilizar-se, deslizar, equilibrar-se.

MANUAL – ESQUEMA CORPORAL(mãos , dedos)


Habilidades: abrir/fechar, apalpar, amassar, pegar /apertar, segurar,
colar, rasgar, separar com os dedos, empilhar, alinhar ,
enrolar, abotoar/desabotoar, encaixar, perfurar, dobrar
papéis .
ORAL – ESQUEMA CORPORAL(boca, lábios, língua, dentes,
bochechas, queixo)
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Habilidades: movimentar os lábios, morder, apertar os lábios, beijar ,
gritar, sussurrar, assobiar , reproduzir sons.

VISUAL – ESQUEMA CORPORAL( olhos, cílios, sobrancelhas)


Habilidades: abrir/fechar, piscar, movimentar os olhos.

AUDITIVA - ESQUEMA CORPORAL( orelhas, ouvidos)


Habilidades: ruídos/silêncio , sons (fortes /fracos).

GUSTATIVA – ESQUEMA CORPORAL(língua , dentes)


Habilidades: mastigar/engolir ,lamber, beber, discriminar sabores
( doce/salgado/azedo).

OLFATIVA- ESQUEMA CORPORAL(nariz)


Habilidades: cheirar, movimentar, discriminar odores( perfume/
´ álcool).

GRAFISMO:
Seqüência: traçado livre

ATITUDES:
 Identidade: características de si mesmo(nome, idade, cor dos olhos,
da pele, dos cabelos , interesses/preferência , direitos/
deveres /individualidade).
 Outro: mãe, pai, irmãos, colegas, professores.
 Meio ambiente: animais e plantas.
 Sociabilidade: convivência ,amizade, companheirismo, participação,
cooperação, colaboração , aceitação/respeito, igualdade.
 Responsabilidade: cumprimento de normas e tarefas.
 Criatividade: curiosidade, observação, questionamento(indagação),
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valorização.

HÁBITOS DE HIGIENE:
 Corporal: mãos, unhas, rosto, nariz, banhos, dentes, cabelos .
 Ambiental: manutenção da limpeza, uso dos cestos de lixo, guardar
objetos pessoais, sanitários.
 Postura: andar, sentar, deitar, ficar de pé.
 Boas maneiras: cumprimentar, solicitar(por favor), pedir licença,
desculpas, agradecer, em grupo( esperar a vez de
falar, respeitar normas e filas).
 Alimentação: lavar as mãos, comer e beber corretamente, tentar comer sem
ajuda, usar copo e guardanapo.
 Segurança: evitar acidentes (remédios, objetos pontiagudos, quedas,
eletricidade, água, fogo, animais, plantas),prevenir acidentes
de trânsito( ao andar à pé ou carro ).
 Vestuário(diversos): para dormir, nadar, ir à escola, passear, brincar ;
usar roupa limpa e bem cuidada (tentar vestir e
calçar sozinha).
 Lazer: brincar ao ar livre, sozinho ou em grupo ,todos os dias.
 Repouso: descansar após as atividades propostas.
 Estudos: horário.

CRIATIVIDADE:
 Expressão plástica: desenho, pintura, rasgadura, colagem, montagem,
dobradura , modelagem, sucata.

 Expressão corporal: mímica, dança(espontânea ou dirigida).


 Expressão teatral: fantoches, sombra, máscara, recitação(rimas, versinhos,
parlenda, poesia).
 Expressão literária: histórias(orais, ouvidas ou inventadas)
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 Expressão musical: vocal(canções), instrumental de sopro(apito,flauta),
percussão(triângulo, pandeiro, chocalho, reco-reco,
prato, tambor).

CONCLUSÃO

O projeto, foi elaborado com o intuito de trazer a teoria e juntá-la à


prática, conforme solicitado pela nova L.D.B.. Deixando sempre ,bem
claro, é obrigatório o professor entender e compreender como
ocorre o desenvolvimento da criança ,suas fases, seu comportamento e

etc . “O brincar é peça chave para o aprender.”

Edslene Dias Pereira Schütz


Pedagoga e Psicopedagoga
Elaboradora do Projeto
79

BIBLIOGRAFIA:

APEC, Apostilas João Sérgio e Viviene.

CNTE, Confederação Nacional dos trabalhadores em Educação;Cadernos de

Educação, Ano II nº 3 2ª Edição.Lei de Diretrizes e Bases da

Educação Nacional.

CUNHA, Helena da Silva; NYLSE. Brinquedo, desafio e descoberta 1ª edição


2ª tiragem FAE/MEC/RJ

DRESCHER, John M. Sete necessidades básicas da criança.3ª edição, S.


. Paulo Mundo Cristão, 1988.

FERNANDEZ, Alícia. A Inteligência aprisionada. Artes Médicas, 2ª reedição


1990.

MUSSEN, CONGER, KAGAN. Desenvolvimento e Personalidade da


Criança .São Paulo: Haper e Row do Brasil, 1977.

NOFFS, Neide de Aquino. Psicopedagogia Institucional: A trajetória de seus


atores – autores. São Paulo, USP (tese de Doutorado em educação)

BOSSA, Nádia A. ;Outros. Avaliação Psicopedagógica da criança de Zero a


Seis anos. ED. Vozes ,5ª Edição, Petrópolis-RJ,1997.

RAPPAPORT, CLARA REGINA e outros. Psicologia do desenvolvimento.


Volume 1, Editora EPU.
80

VYGOTSKY,L.S. A Formação Social da mente. Trab. José Cippola Neto ,


Luís Silveira M. Barreto, Solange C. Afeche. São Paulo: Martins
Fontes, 1984.

WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Trad. José O. de Aguiar


Abreu e Vanede Nobre. Rio de Janeiro: Imago, 1975.