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ISLA - GAIA

ANÁLISE ERGONÓMICA DE POSTURAS

Autores: Armando Soares, Pedro Aguiar e


Pedro Raposo
Docente: Eng. Manuel Freitas
Disciplina: Ergonomia
Data: Junho de 2010
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 3

2. OBJECTIVOS ..................................................................................................................................... 4

I. Objectivo Geral ........................................................................................................................... 4

II. Objectivo específico .................................................................................................................... 4

3. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO POSTO DE TRABALHO ..................................................... 5

4. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA TAREFA .......................................................................... 11

III. Rolamento ................................................................................................................................. 12

5. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MÉTODO ADOPTADO ................................................... 15

6. APLICAÇÃO DO MÉTODO ADOPTADO ........................................................................................... 24

I. Avaliação Postural do 1º Elemento ........................................................................................... 25

II. Avliação postural dos 2º e 3º Elementos .................................................................................. 26

III. Avaliação postural do 4º elemento ........................................................................................... 27

7. RESULTADOS OBTIDOS .................................................................................................................. 28

8. ANÁLISE dos RESULTADOS OBTIDOS ............................................................................................. 28

9. MEDIDAS DE CORRECÇÃO PROPOSTAS ......................................................................................... 30

10. CONCLUSÃO .............................................................................................................................. 31

11. GLOSSÁRIO ................................................................................................................................ 32

12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................. 34

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

1. INTRODUÇÃO

Todos os dias somos confrontados com inúmeros acontecimentos que nos afectam, mesmo quando não
incidem directamente sobre nós. Situações de doença súbita, acidentes de viação, acidentes de trabalho
contribuem todos os anos para a mortalidade e morbilidade de milhões de pessoas em todo o Mundo.
Numa outra escala, os conflitos, os desastres naturais, os incidentes industriais, entre outros, afectam
irremediavelmente a vida de inúmeras de pessoas, muitas vezes para sempre e em poucos minutos.

O profissional de saúde assume a responsabilidade de ser um factor de mudança a partir do momento


em que escolhe assegurar-se do bem do outro. Contudo, é notória a falta de integração de conceitos e
técnicas como suporte básico e avançado de vida, abordagem ao trauma, gestão de situações multi-
vítimas, comando, logística, entre outros, na formação de base de qualquer prestador de cuidados.

Assim, demonstra ser primordial a formação e a actualização face aos desafios que surgem, tanto na
vertente pessoal como profissional, uma vez que a profissão de “prestador de cuidados” exige a
constante construção de conhecimento e aperfeiçoamento de técnicas.

Por outro lado, desviando a atenção do socorro às vítimas e olhando para os técnicos de emergência
pré-hospitalar, pode perceber-se a facilidade com que estes trabalhadores podem desenvolver lesões
músculo-esqueléticas pela adopção de posturas e movimentação de cargas que biomecânicamente não
são correctas.

Ao desenvolver o seu trabalho em condições muito variáveis e em múltiplos contextos, os técnicos de


emergência pré-hospitalar estão continuamente expostos a diversos factores de risco inerentes à sua
profissão, tais como stress, contaminação por microrganismos, lesões músculo-esqueléticas
relacionadas com o trabalho (LMERT) por posturas incorrectas, ruído, etc., ficando quase sempre para
segundo plano a preocupação consigo mesmo, em prol de todos quantos necessitam de cuidados
primários e especialmente aqueles que a condição de vida futura depende em grande parte da
qualidade dos cuidados prestados por estes profissionais. Neste sentido, optamos por estudar esta
temática pelo leque de situações particulares em que estes profissionais estão envolvidos.

Pelas inúmeras situações possíveis de serem encaradas em contexto de rua e pela impossibilidade de
transportar os grandes e dispendiosos equipamentos hospitalares de diagnóstico nas viaturas de
emergência, encara-se a maioria dos casos como suspeitas, sendo a prevenção uma atitude primária,
principalmente em situações de trauma.

Perante estas situações importa analisar os mecanismos de trauma que conduzem a lesões no corpo
humano. Para se perceber como estas forças podem provocar danos, tem de se ter presente os
seguintes factores:

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Energia:

 Quem ou o Quê e a que velocidade?

 Em que local e como?

Anatomia:

 Pré-Impacto;

 Impacto;

 Pós-Impacto.

Dentro deste tipo de lesões, os Traumatismos Vértebro-Medulares (TVM) e os Traumatismos Crâneo-


Encefálicos (TCE), carecem de especial atenção, pois são susceptíveis de danificar o sistema nervoso
central causando danos irreversíveis, como tal, todas as vítimas com TCE, são tratadas como tendo TVM
associado.

Por só em meio hospitalar ser possível efectuar uma avaliação clara e aplicar o tratamento adequado,
torna-se necessário proceder ao transporte deste tipo de vítimas. Para a mobilização deste tipo de
vítimas, torna-se necessário recorrer a técnicas específicas para as mobilizar, imobilizar e possibilitar o
transporte cuidadoso nas melhores condições possíveis. Para tal, vamos neste documento analisar as
posturas adoptadas pelos técnicos de emergência pré-hospitalar durante a aplicação da técnica de
rolamento, recorrendo para isso ao método REBA ( Rapid Entire Body Assessment).

2. OBJECTIVOS

I. OBJECTIVO GERAL

Contribuir para a melhoria da prestação do socorro pré-hospitalar, a vítimas politraumatizadas, pela


análise ergonómica das posturas adoptadas pelos socorristas.

II. OBJECTIVO ESPECÍFICO

Identificar as áreas problemáticas no contexto profissional das equipas de emergência pré-hospitalar,


nomeadamente na movimentação e imobilização de vítimas politraumatizadas;

Aplicação do método REBA (Rapid Entire Body Assessment) para avaliação das posturas adoptadas;

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Análise Ergonómica de Posturas

Sugerir medidas correctivas (novas posturas, novos equipamentos, etc.) de acordo com a análise
efectuada aos resultados obtidos.

3. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO POSTO DE TRABALHO

Todos os intervenientes no socorro (Médicos, Enfermeiros e Tripulantes de Ambulância) são


identificados como técnicos de emergência pré-hospitalar, no entanto para que se possa compreender o
que está por de trás de todo o seu trabalho iremos descrever detalhadamente a cadeia de
acontecimentos (SIEM) bem como os organismos envolvidos. Antes de procedermos à definição de
Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) parece útil decompor este conceito nas suas várias
partes ou seja, descrever todos os conceitos que se encontram implícitos. Por sistema entende-se um
conjunto de partes interligadas que estão coordenadas de forma a atingir um determinado objectivo
com a máxima economia de recursos. A expressão integrado significa as partes pertencem a um todo,
ou seja, todas as partes estão ligadas de forma a completarem-se, isto é, a atingir o mesmo fim.

Emergência é uma expressão utilizada para definir algo que ocorre subitamente e apresenta uma
gravidade excepcional.

A palavra Médica implica tudo aquilo que diz respeito à medicina, ou seja, o que se relaciona com saúde
e doença. Temos então que o Sistema Integrado de Emergência Médica é um conjunto de meios e
acções extra-hospitalares, hospitalares e inter-hospitalares, com a intervenção activa dos vários
componentes de uma comunidade, portanto pluridisciplinar, programados de modo a possibilitar uma
acção rápida, eficaz e com economia de meios, em situações de doença súbita, acidentes e catástrofes,
nas quais a demora de medidas adequadas, de diagnóstico e terapêutica, podem acarretar graves riscos
ou prejuízo para o doente.

A organização do Sistema Integrado de Emergência Médica exige um conjunto de programas


perfeitamente definidos que determinem a actuação dos diferentes intervenientes em cada fase. Cabe
ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) o papel de “organismo coordenador das actividades
da Emergência Médica a executar pelas diversas entidades intervenientes no Sistema e cuja actuação se
desenvolverá segundo um esquema de organização regional”.

Fases do SIEM

Face ao exposto anteriormente, torna-se fácil compreender que para que este objectivo seja atingido
tenhamos necessariamente uma sequência de várias fases a cumprir:

 Detecção;

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 Alerta;

 Pré-Socorro;

 Socorro;

 Transporte;

 Tratamento na unidade de saúde.

Detecção

A Detecção corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma ou mais vítimas
de doença súbita ou acidente.

Alerta

Esta fase corresponde ao momento em que se contactam os serviços de emergência. Normalmente, o


contacto com a Central de Emergência é feito através do Número Europeu de Socorro: “112”. Interessa
agora perceber o que é na realidade uma Central de Emergência.

As Centrais de Emergência são centros telefónicos, criados ao nível de cada distrito, que fazem a triagem
e encaminhamento das chamadas feitas através do Número Europeu de Socorro ou seja, têm por função
receber e encaminhar para a entidade adequada todos os pedidos de socorro que envolvem as mais
variadas situações:

 Segurança, geridas e/ou encaminhadas para a Polícia;

 Fogo, encaminhadas para os Bombeiros;

 Saúde, sempre que possível, encaminhadas para os CODU’s.

Os CODU’s (Centros de Orientação de Doentes Urgentes) são centrais rádio e telefónicas coordenadas
por um médico e que, dentro da área da saúde, fazem a gestão dos pedidos de ajuda e dos meios de
socorro disponíveis em cada momento na sua zona de actuação. Fundamentalmente, compete ao CODU
prestar, em tempo útil, orientação e apoio médico necessário ao eficiente socorro do doente, na área da
sua responsabilidade, quer em situações de emergência médica quer de doença súbita ou acidentes.
Nomeadamente, compete aos CODU’s:

 Proceder ao atendimento e triagem da situação de emergência médica;

 Proceder ao aconselhamento médico sobre a atitude a tomar pelo utente;

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ERGONOMIA
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 Accionar, sempre que necessário, o transporte das vítimas para os serviços de saúde
adequados, utilizando meios próprios ou de outras entidades;

 Enviar uma equipa médica, tendo em conta a disponibilidade de meios e quando a situação o
justifique;

 Identificar e promover em conjunto com os centros de Formação credenciados a formação de


pessoal de emergência médica na sua área de influência;

 Coordenar os meios de socorro de emergência médica dentro da área da sua responsabilidade,


isto num espírito de cooperação e de uma forma concertada com outras entidades e centrais.

PROTECÇÃO

Esta etapa é constituída pelas acções a desenvolver no sentido de evitar o agravamento de uma situação
de emergência. Estas medidas incluem a segurança do local, a da própria vítima e a de quem socorre e
podem ser executadas quer pelo socorrista, quer pelo cidadão anónimo. A protecção da equipa de
socorro e da vítima devem ser uma constante, pelo que não tem lógica aparecer Protecção como uma
fase isolada do SIEM.

Exemplo:

Colocação do triângulo de sinalização avisador num acidente de viação, o que normalmente é


feito antes do contacto com as Centrais de Emergência.

O balizamento do local de acidente e gestão de trânsito feito quando chegam as equipas de


socorro de modo a evitar a repetição de acidentes.

Pré-Socorro

Esta fase corresponde ao aconselhamento feito no momento do contacto com o médico, actualmente
apenas possível no CODU. Como vimos, os CODU’s são centrais coordenadas por médicos, logo dentro
da área da saúde estas centrais encontram-se devidamente habilitadas a proporcionar a ajuda adequada
a cada situação de doença, dentro dos meios disponíveis, sendo o objectivo o início do tratamento no
local e o encaminhamento para a unidade hospitalar mais adequada. Para que tal seja possível estas
centrais encontram-se dotadas de meios humanos e técnicos:

 Médico 24 horas por dia que, para além da sua formação base, recebe um curso direccionado
para a triagem, aconselhamento e atendimento telefónico e gestão de meios de socorro;

 Operadores, pessoal formado na área do atendimento rádio e telefónico;

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 Protocolos de atendimento e triagem;

 Protocolos de actuação específicos para cada situação;

 Meios de gestão de comunicações, meios telefónicos fixos e móveis, rádio-telecomunicações


para conversação com os meios de socorro da sua área de influência, possibilidade de ligação a
outras centrais de emergência na área do fogo e/ou segurança, unidades hospitalares, etc.

Socorro

Os meios ao dispor na área da saúde para serem accionados pelos CODU’s são de três tipos:

 Meios INEM;

 Meios Reserva;

 Meios não INEM.

Meios INEM

Os CODU têm à sua disposição diversos meios de comunicação e de actuação no terreno, com sejam as
Ambulâncias INEM, os Motociclos de Emergência, as VMER, as Viaturas de Intervenção em Catástrofe
(VIC) e os Helicópteros de Emergência Médica. Através da criteriosa utilização dos meios de
telecomunicações ao seu dispor tem capacidade para accionar os diferentes meios de socorro, apoiá-los
aquando da sua prestação de socorro no terreno e, de acordo com as informações clínicas recebidas das
equipas no terreno, seleccionar e preparar a recepção hospitalar dos diferentes doentes.

 Ambulâncias INEM, também conhecidas por Ambulâncias de Socorro, destinadas à


estabilização e transporte de doentes que necessitem de assistência no local e durante o
transporte, cuja tripulação e equipamento permitem providenciar a abordagem inicial em
trauma, emergências médicas e Suporte Básico de Vida. Estas Ambulâncias estão sediadas em
vários pontos do País, quer associadas às diversas Delegações do INEM quer em corpos de
Bombeiros.

 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), são veículos de Base Hospitalar cuja
filosofia de funcionamento é servirem como extensão do Serviço de Urgência para a
comunidade ou seja é um “Serviço de Urgência Hospitalar sem paredes”. Estes veículos são
tripulados por um Médico e um Enfermeiro ou um Tripulante de Ambulância de Socorro, sendo
a equipa tipo actualmente preconizada a de Médico e Enfermeiro. Além daquilo que se espera
de uma Ambulância INEM, podem executar manobras de Suporte Avançado de Vida e Suporte
Avançado de Trauma.

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ERGONOMIA
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 Helicópteros de Emergência Médica, permitem um rápido acesso às Unidades de Saúde e


consequentemente, uma intervenção em tempo útil, mesmo a longas distâncias. Se a isto
juntarmos a agilidade e a versatilidade que vai desde o transporte de doentes, pessoal ou
equipamento, rapidamente percebemos a vantagem deste meio na Emergência Médica. Não é
possível ter equipas médicas em todo o lado, mas é possível ter equipas diferenciadas dotadas
de uma grande mobilidade. Os Helicópteros funcionam ao nível das unidades de cuidados
intensivos e intervêm tanto no transporte primário (do local de ocorrência para a unidade de
saúde) como no transporte secundário (entre unidades de saúde progressivamente mais
diferenciadas).

 Motociclos de Emergência (ME), que com a sua agilidade quando comparada com a de uma
ambulância no meio do trânsito citadino, permitem a chegada mais rápida do primeiro socorro
junto de quem dele necessita. Reside aqui a sua principal vantagem relativamente aos meios de
socorro tradicionais. A carga da moto dispõe de equipamento que permite ao Tripulante a
adopção das medidas iniciais, necessárias à estabilização da vítima até que estejam reunidas as
condições ideais para o seu eventual transporte.

 Viaturas de Intervenção em Catástrofe (VIC), é um veículo que se destina a dar apoio aos
operacionais destacados para as situações de excepção. Permite transportar e apoiar o Posto
Médico Avançado (PMA), garantir a iluminação do local, transportar material específico e
garantir as telecomunicações. O seu principal material é: macas, gerador, coluna de iluminação,
tenda e material para o PMA, material diverso e o centro de telecomunicações.

Meios Reserva

São os meios de socorro habitualmente denominados por:

 Ambulâncias Reserva, em cada PEM - Posto de Emergência Médica - ou em Corporações com


protocolos específicos, existe uma Ambulância Reserva, cujo equipamento é semelhante às
Ambulâncias INEM. Mediante um protocolo e a utilização de verbetes INEM os seus
accionamentos equiparam-se às Ambulâncias INEM dos PEM.

Meios não INEM

È o conjunto de meios que pode ser utilizado no socorro de vítimas e que não pertencem ao INEM.
Assim temos:

 Ambulâncias não INEM, pertencentes às corporação que não são PEM ou reserva mas que,
mediante critério médico do CODU, poderão ser accionadas sendo o valor deste acto da
responsabilidade do INEM. Na prática, por vezes intervêm no socorro mas carecem de
enquadramento reconhecido no SIEM.

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ERGONOMIA
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 Helicópteros da Força Aérea Portuguesa.

 Helicópteros do Serviço Nacional de Bombeiros.

Na fase de Socorro prestam-se os primeiros cuidados de saúde, ainda no local de ocorrência, às vítimas
de doença súbita ou acidente. Esta actuação pode englobar todas as áreas da emergência médica,
dependendo dos meios de socorro envolvidos:

 Suporte Básico de Vida.

 Suporte Avançado de Vida.

 Abordagem do traumatizado.

 Emergências médicas.

 Emergências obstétricas.

 Emergências pediátricas.

 Situações de excepção.

Transporte

Nesta fase, após a estabilização do doente, o médico responsável (no CODU ou no local) toma a decisão
do transporte. Pretende-se que a filosofia presente seja “o doente certo no sítio certo”. Assim, o doente
pode ser encaminhado para a unidade de saúde que mais se adequa à sua situação clínica. O doente
poderá ser encaminhado para os Serviços de Urgência Hospitalares; salas de Reanimação ou Trauma,
Unidades Cuidados Intensivos, Serviços de atendimento permanente, entre outros. Nesta fase torna-se
igualmente importante ponderar o transporte: o meio de transporte certo com o equipamento e
pessoal certo garantem o nível de cuidados de emergência até ao destino.

Tratamento na unidade de saúde

Esta fase corresponde ao tratamento no serviço adequado ao estado clínico da vítima. Pode, no
entanto, incluir a intervenção de um estabelecimento de saúde (SAP, CATUS, hospital distrital, etc.),
onde são prestados os cuidados necessários com vista à sua estabilização definitiva e posterior
transferência para um hospital mais diferenciado e/ou adequado à situação.

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ERGONOMIA
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4. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA TAREFA

Mediante a descrição efectuada no ponto anterior, pela diversidade de possíveis áreas de intervenção
dos técnicos de emergência pré-hospitalar, vamos direccionar este trabalho à abordagem do
traumatizado.

As técnicas de imobilização e remoção de vítimas de trauma, obedecem sempre aos mesmos princípios.
De entre deles, um dos mais importantes é, mover a vítima somente o necessário para a sua correcta
remoção e imobilização, mantendo ou melhorando o seu estado, após a chegada das equipas de
socorro.

As técnicas são:

 Estabilização cervical com alinhamento manual

 Abordagem posterior da vítima sentada

 Abordagem lateral da vítima sentada

 Abordagem frontal com a vítima de pé

 Abordagem com a vítima em decúbito dorsal

 Aplicação de colar cervical

 Rolamento

 Levantamento

 Extracção controlada com colete de extracção

 Extracção rápida com um socorrista

 Extracção rápida com três socorristas

 Remoção de capacete

 Imobilização vertical

 Imobilização – Membros superiores

 Imobilização – Membros inferiores

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

De entre estas variadas técnicas, seleccionamos a técnica de “Rolamento” executada pelos técnicos de
emergência pré-hospitalar como objecto de análise ergonómica às posturas adoptadas na sua execução.

“Devem ser evitados movimentos desnecessários


na execução das técnicas”

III. ROLAMENTO

Objectivos:

Mobilizar uma vítima para um plano duro, mantendo estabilização com alinhamento manual e com o
mínimo movimento da coluna vertebral.

Indicações:

1. Para posicionar uma vítima para cima de um plano duro ou outro equipamento que permita
transportá-la.

2. Para rodar uma vítima com suspeita de trauma Vértebro-Medulares, com o objectivo de
examinar a face posterior do tronco.

Contra-indicações:

Vítimas em decúbito dorsal com suspeita de trauma da bacia; trauma bilateral dos membros, objectos
empalados e eviscerações.

Técnica:

A técnica tem de ser adaptada de acordo com a posição em que a vítima se encontra.

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

VÍTIMA EM DECÚBITO DORSAL

Ilustração 1

1. Enquanto o primeiro socorrista se coloca à cabeça da vítima e mantém o alinhamento com


estabilização em posição neutra, o segundo socorrista aplica o colar cervical de tamanho
adequado;

2. O primeiro socorrista continua á cabeça (mantendo o alinhamento com estabilização em


posição neutra), o segundo socorrista ajoelha-se ao nível do tórax da vítima e o terceiro
ajoelha-se ao nível dos joelhos;

3. Os braços são alinhados com as palmas das mãos colocadas junto ao tronco. As pernas são
alinhadas em posição neutra;

4. A vítima é agarrada pelos ombros e pelas ancas em simultâneo, de modo a manter as


extremidades alinhadas em posição neutra e é rolada suavemente na direcção do segundo e
terceiro socorristas;

5. O plano duro, colocado por um quarto elemento, é apoiado no bordo lateral e aplicado contra
o dorso da vítima. Deve ser posicionado de forma que a sua porção terminal (zona dos pés)

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

fique na região entre os joelhos e os tornozelos da vítima e a porção superior (zona da cabeça)
fique colocada acima da cabeça da vítima.

Ilustração 2

6. A vítima é rolada para cima do plano duro e este é descido para o chão com a vítima em cima;

7. Uma vez o plano colocado no chão, a vítima é firmemente agarrada pelos ombros, região
pélvica e membros inferiores, sendo de seguida deslocada para cima e para o lado, ao longo do
plano duro, até ser posicionada com a cabeça colocada no topo do plano e o corpo centrado;

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Ilustração 3

A manutenção da estabilização com alinhamento em posição neutra deve ser feita sem puxar
pela cabeça (ou pescoço) da vítima;

5. IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO MÉTODO ADOPTADO

A metodologia escolhida para fazer a avaliação das posturas adoptadas pelo técnico de emergência pré-
hospitalar no desempenho da tarefa acima descrita é o método REBA (Rapid Entire Body Assessment).

O método REBA foi proposto por Sue Hignett e Lynn Mactamney e publicado na revista Applied
Ergonomics no ano 2000. É resultado do trabalho conjunto de uma equipa de ergonomistas,
fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e enfermeiros que identificaram cerca de seiscentas posturas.

Este método surgiu pela necessidade de superar as dificuldades de alguns métodos que devido à sua
especificidade não são possíveis de aplicar na avaliação de determinadas posturas nomeadamente as
encontradas ao nível dos cuidados de saúde.

O método permite a análise conjunta das posições adoptadas pelos membros superiores (braço,
antebraço e punho), pelo pescoço, pelo tronco e pelas pernas. Reconhece como fundamental para a

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

avaliação final da postura, a carga ou força manobrada, o tipo de pega, se há ou não apoios durante o
manuseamento da carga e o tipo de actividade muscular levada a cabo pelo trabalhador. Permite avaliar
tanto posturas estáticas como dinâmicas e admite a possibilidade de haver mudanças bruscas de
postura e posições instáveis. O método inclui também um novo factor que avalia se a postura dos
membros superiores é adoptada a favor ou contra a gravidade.

O método REBA divide o corpo em segmentos e atribui uma pontuação à actividade muscular resultante
das posturas adoptadas (estáticas; dinâmicas), dos movimentos repetitivos e instabilidade do tronco e
das mãos.

Para ser feita uma aplicação rigorosa do método é necessário que, quem efectua a análise proceda a
observações sistemáticas do desempenho da tarefa, recorrendo a observação in loco, assim como a
observação de registos fotográficos. Estes últimos são particularmente importantes pois permitem
observar posturas que por vezes não são perceptíveis através da simples observação. Na elaboração
deste trabalho apoiamo-nos em registos fotográficos, observação da execução da técnica em situações
simuladas (treino) e na experiencia profissional.

A aplicação do método pode resumir-se nos seguintes passos:

1. Divisão do corpo em dois grupos, sendo o grupo A o correspondente ao Tronco, Pescoço e


Pernas e o grupo B formado pelos membros superiores (Braço, Antebraço e Punho). Atribuição
de pontuação individual através de consulta das tabelas correspondentes.
2. Consulta da tabela A para obtenção da pontuação inicial do grupo A partir das pontuações
individuais do tronco, pescoço e pernas.
3. Valoração do grupo B através das pontuações do braço, antebraço e punho
4. Modificação da pontuação atribuída ao grupo A em função das cargas ou forças aplicadas
5. Correcção da pontuação atribuída ao grupo B tendo em conta o tipo de pega da carga
manuseada
6. A partir da pontuação atribuída ao grupo A e da pontuação atribuída ao grupo B obtém-se uma
nova pontuação mediante consulta da tabela C.
7. Modificação da pontuação C, de acordo com o tipo de trabalho muscular que é desenvolvido
(estático ou dinâmico).
8. Consulta do nível de acção, risco e urgência de actuação correspondentes ao valor final
calculado.

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

A. GRUPO A: PONTUAÇÕES DO TRONCO, PESCOÇO E PERNAS

Pontuação do tronco

O primeiro membro a avaliar do grupo A é o tronco. Deve-se determinar se o trabalhador realiza a


tarefa com o tronco erguido ou não, indicando neste último caso o grau de flexão ou extensão
observado. Selecciona-se a pontuação adequada da tabela 1.

Pontuação do Tronco

ALTERAÇÃO DA
POSIÇÃO PONTUAÇÃO IMAGEM
PONTUAÇÃO

Tronco Erguido 1
0
Tronco entre os 0 e +1
0
20 de Flexão ou 2
Extensão Torção
0 0
Tronco entre 20 e 60
ou
de Flexão ou mais de 3
0
20 de Extensão
Inclinação Lateral
Tronco Flectido mais
0
4
de 60
Tabela 1

Pontuação do pescoço

O método considera duas posições possíveis para o pescoço como se demonstra na tabela 2.

Posições do pescoço

ALTERAÇÃO DA
POSIÇÃO PONTUAÇÃO IMAGEM
PONTUAÇÃO
0
Pescoço entre 0 e +1
0
1
20 de Flexão
Torção
Pescoço Flectido ou
Extendido mais de 2 e/ou
0
20
Inclinação Lateral
Tabela 2

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Pontuação das Pernas

Para finalizar, no que diz respeito à atribuição de pontuações do grupo A, será avaliada a posição das
pernas. A consulta da tabela 3 permite obter a pontuação atribuída às pernas em função da distribuição
de peso.

Pontuação das Pernas

ALTERAÇÃO DA
POSIÇÃO PONTUAÇÃO IMAGEM
PONTUAÇÃO

Suporte bilateral, +1 se joelho


1 0
em pé ou sentado. flectido entre 30
0
e 60
Suporte unilateral.
Peso leve distribuído 2 +2 se joelho

ou postura instável flectido mais de


0
60
Tabela 3

Pontuação do grupo A

As pontuações individuais do Tronco, Pescoço e Pernas permitem-nos obter uma única pontuação para
o grupo A através da consulta da tabela A.

A carga ou força manobrada aumentará a pontuação a atribuir ao grupo A excepto se a carga for inferior
a 5 kg de peso.

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Tabela A

TABELA A

PESCOÇO
TRONCO
1 2 3

PERNAS 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4

1 1 2 3 4 1 2 3 4 3 3 5 6

2 2 3 4 5 3 4 5 6 4 5 6 7

3 2 4 5 6 4 5 6 7 5 6 7 8

4 3 5 6 7 5 6 7 8 6 7 8 9

5 4 6 7 8 6 7 8 9 7 8 9 9

CARGA FORÇA

0 1 2 3
Contracção ou força
< 5 Kg 5 a 10 Kg > 10 Kg
rápida
Tabela 4

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

B. GRUPO B: PONTUAÇÕES DOS MEMBROS SUPERIORES

Depois de terminada a avaliação dos membros do grupo A, atribuiremos pontuação a cada membro do
grupo B, formado pelo braço, antebraço e punho.

Pontuação do braço

Para determinar a pontuação a atribuir ao braço, deve-se medir o seu ângulo de flexão. Em função do
ângulo formado pelo braço, obter-se-á a pontuação através da tabela 4.

Pontuação do Braço

ALTERAÇÃO DA
POSIÇÃO PONTUAÇÃO IMAGEM
PONTUAÇÃO
0 0
Entre 0 e 20 de flexão +1 Braço em :
1
ou extensão
0
Entre 20 a 45 de
0  Abdução

flexão  Rotação
2
Mais de 20 em
0 +1 se Ombros elevados

extensão
0 0 -1 se apoiado (apoio de
Entre 45 a 90 de
3 braço ou postura
flexão
facilitada pela
0
Mais de 90 de flexão 4 gravidade)
Tabela 5

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ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Pontuação do Antebraço

Em seguida será analisada a posição do antebraço. A partir da consulta da tabela 5, obter-se-á a


pontuação do antebraço em função do seu ângulo de flexão.

Posição do Antebraço

MOVIMENTO PONTUAÇÃO IMAGEM

0 0
Flexão entre 60 e 100 1

0
Menor que 60

Ou 2

0
Maior que 100

Tabela 6

Pontuação do Punho

Para finalizar com a pontuação dos membros superiores, analizar-se-á a posição do punho. De acordo
com o ângulo de flexão do punho atribui-se a pontuação correspondente de acordo com a tabela 6.

Posição do Punho

ALTERAÇÃO DA
POSIÇÃO PONTUAÇÃO IMAGEM
PONTUAÇÃO

0 0
Entre 0 e 15 de
1
Flexão ou Extensão
+1 se o punho for
0 desviado ou sofre
Mais de 15 de
2 rotação
Flexão ou Extensão

Tabela 7

21
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Pontuação do grupo B

A pontuação a atribuir ao grupo B obter-se-á a partir das pontuações atribuídas ao Braço, Antebraço e
Punho de acordo com a tabela B.

Interface - Pontuação devido ao tipo de Pega

A pontuação atribuída ao grupo B aumentará devido ao tipo de pega, excepto no caso de se considerar a
pega boa. A tabela seguinte mostra a pontuação que se deve adicionar ao grupo B de acordo com o tipo
de pega.

Tabela B

TABELA B

ANTEBRAÇO
BRAÇO
1 2

PUNHO 1 2 3 1 2 3

1 1 2 3 1 2 3

2 1 2 3 2 3 4

3 3 4 5 4 5 5

4 4 5 5 5 6 7

5 6 7 8 7 8 8

6 7 8 8 8 9 9

INTERFACE

0 = Bom 1 = Aceitável 2 = Pobre 3 = Inaceitável

Pega aceitável não Desfavorável


Boa pega a médio
sendo a ideal
alcance Pega inaceitável apesar
Pega insegura
de possível
Interface aceitável via
Boa força de agarre
outra parte do corpo Sem pegas
Tabela 8

22
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Pontuação Final

A tabela C permite determinar a pontuação C, que é o resultado da intersecção das pontuações


atribuídas aos grupos A e B. A Pontuação Final do método é o resultado da soma da Pontuação C com a
pontuação atribuída devido ao tipo de actividade. Os três tipos de actividade considerados pelo método
não são excludentes e, como tal, podem aumentar o valor da Pontuação C até três unidades.

Tabela C

TABELA C

PONTUAÇÃO B

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

1 1 1 1 2 3 3 4 5 6 7 7 7

P
2 1 2 2 3 4 4 5 6 6 7 7 8

O
3 2 3 3 3 4 5 6 7 7 8 8 8

N
4 3 4 4 4 5 6 7 8 8 9 9 9

T
5 4 4 4 5 6 7 8 8 9 9 9 9
U
6 6 6 6 7 8 8 9 9 10 10 10 10
A
7 7 7 7 8 9 9 9 10 10 11 11 11
Ç
8 8 8 8 9 10 10 10 10 10 11 11 11
Ã
9 9 9 9 10 10 10 11 11 11 12 12 12
O
10 10 10 10 11 11 11 11 12 12 12 12 12

11 11 11 11 12 12 12 12 12 12 12 12 12
A
12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12 12

PONTUAÇÃO DA ACTIVIDADE

 +1 se uma ou mais partes do corpo estão estáticas

 +1 se executa acções repetidas a pequenas distâncias (caminhada excluída)

 +1 se a acção causa mudanças rápidas e acentuadas das posturas ou destabilização

Tabela 9

23
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

O método classifica a pontuação final em cinco categorias de valores. A cada categoria corresponde um
nível de acção. Por sua vez, cada nível de acção determina um nível de risco e recomenda uma actuação
sobre a postura avaliada, assinalando em cada caso a urgência de intervenção.

Níveis de Risco e Acção

ACÇÃO (Incluindo
NÍVEL DE ACÇÃO PONTUAÇÃO REBA NÍVEL DE RISCO
Nova Avaliação)

0 1 Negligenciável Desnecessário

1 2–3 Baixo Pode ser necessário

2 4–7 Médio Intervenção Necessária

3 8 – 10 Alto Intervenção a curto prazo

4 11 – 15 Muito Alto Intervenção imediata

Tabela 10

6. APLICAÇÃO DO MÉTODO ADOPTADO

A técnica de rolamento é um procedimento que deve ser realizado por quatro elementos. Na aplicação
da metodologia vamos analisar as posturas dos elementos intervenientes no procedimento durante
todas as fases do desempenho da tarefa, no entanto visto o 2º e 3º elemento efectuarem movimentos
iguais, assumiremos a mesma análise para os dois.

As folhas de cálculo seguintes, representam a aplicação do método REBA directamente à tarefa


desenvolvida por cada técnico de emergência de forma isolada, recorrendo às tabelas identificadas no
ponto anterior, “Identificação e caracterização do método adoptado” .

24
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

I. AVALIAÇÃO POSTURAL DO 1º ELEMENTO

A De acordo
com a Tabela
A
De acordo
com a Tabela
B
B
Tronco 4+1 Braço 2+1+0-1

Pescoço 2+1 9 2 Antebraço 1

Pernas 1+2
+1 +3 Punho 1+1

=10 =5
Carga - Força Interface

Pontuação A Pontuação B

11 De acordo
com a Tabela
C
Pontuação
da
Actividade +0

=11

25
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

II. AVLIAÇÃO POSTURAL DOS 2º E 3º ELEMENTOS

A De acordo
com a Tabela
A
De acordo
com a Tabela
B
B
Tronco 3+0 Braço 3+0+1-0

Pescoço 2+1 7 5 Antebraço 2

Pernas 1+2 Punho 1+0


+2 +3

Carga - Força
=9 =8 Interface

Pontuação A Pontuação B

De acordo
11 com a Tabela
C
Pontuação
da
Actividade +0

=11

26
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

III. AVALIAÇÃO POSTURAL DO 4º ELEMENTO

A De acordo
com a Tabela
A
De acordo
com a Tabela
B
B
Tronco 3+0 Braço 3+0

Pescoço 2+0 Antebraço 2


6 4
Pernas 1+2 Punho 1+0
+1 +0

Carga - Força
=7 =4 Interface

Pontuação A Pontuação B

8 De acordo
com a Tabela
C
Pontuação
da
Actividade +0

=8

27
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

7. RESULTADOS OBTIDOS

TÉCNICO DE ACÇÃO (incluindo


NÍVEL DE ACÇÃO PONTUAÇÃO REBA NÍVEL DE RISCO
EMERGÊNCIA nova avaliação)

1º 4 11 Muito Alto Intervenção imediata

2º e 3º 4 11 Muito Alto Intervenção imediata

Intervenção a curto
4º 3 8 Alto
prazo

Tabela 11

8. ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS

1º Elemento:

Atendendo aos ângulos identificados e decorrente da aplicação do método seleccionado para avaliação
0
postural do primeiro elemento, observa-se uma postura de tronco com flexão superior a 60 sendo
atribuída a pontuação de 4, à qual se adicionou o ajustamento de +1 ponto por inclinação lateral.

0
Relativamente ao pescoço observa-se postura com ângulo superior a 20 pelo que se atribui +2 pontos
e ainda pela realização do movimento de torção efectua-se o ajustamento de +1 ponto.

Quanto à posição de pernas, foi atribuído +1 ponto por haver apoio equilibrado bilateral e adicionado +2
0
pontos por os joelhos se encontrarem flectidos num ângulo > 60 .

De acordo com a tabela 4 (TABELA A), obtêm-se 9 pontos pelo somatório das pontuações dos membros
do grupo A (tronco, pescoço e pernas), acrescido de +1 ponto para o factor Carga/Força, assumindo o
peso médio da cabeça de um adulto +/- 6kg.

Para o grupo B, foram atribuídos +2 pontos à postura do braço, mais +1 ponto por abdução, -1 ponto
pelo apoio do cotovelo sobre a coxa/joelho.

Quanto ao antebraço, foi atribuído +1 ponto dado o ângulo da acção que se observa na imagem.

Relativamente ao punho foi atribuído +1 ponto dado o ângulo de flexão e rotação do punho.

28
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

De acordo com a tabela 8 (TABELA B), pelo somatório das pontuações dos membros do grupo B, obtém-
se 3 pontos, sendo atribuídos +3 pontos devido ao interface pela inexistência de pega.

Aplicando a tabela 9 (TABELA C) do método de REBA, encontramos uma pontuação de 11, considerando
nula a pontuação da actividade, ao que corresponde um nível de acção 4, com nível de risco muito
elevado sendo sugerida intervenção ergonómica imediata neste contexto.

2º e 3º Elementos

0
Pela análise das posturas dos elementos, observa-se uma postura de tronco com flexão entre os 20 e
0
60 , sendo atribuído +3 pontos.

o
Relativamente ao pescoço observa-se postura com ângulo superior a 20 de flexão atribui-se +2 pontos
e ainda a posição de torção pelo que se atribui por ajustamento a pontuação de +1 ponto.

Quanto à posição de pernas, foi atribuído +1 ponto por haver apoio equilibrado bilateral e adicionado +2
0
pontos por os joelhos se encontrarem flectidos num ângulo > 60 .

De acordo com a tabela 4 (TABELA A), obtêm-se 7 pontos pelo somatório das pontuações dos membros
do grupo A (tronco, pescoço e pernas), acrescido de +2 ponto para o factor Carga/Força, assumindo o
peso médio de uma vítima adulta cerca de 70Kg. Atenuado pelo facto de estar sobre o chão e ser
movimentada pelos vários técnicos envolvidos na execução da manobra, atribuímos mesmo assim um
peso superior a 10 Kg por elemento.

Para o grupo B, foram atribuídos +3 pontos à postura do braço, mais +1 ponto por abdução.

Quanto ao antebraço, foram atribuídos +2 pontos, dado o ângulo da acção variado na execução da
tarefa, assumindo a postura mais grave.

Relativamente ao punho foi atribuído +1 ponto dado o ângulo de flexão do punho na execução da
tarefa.

De acordo com a tabela 8 (TABELA B), pelo somatório das pontuações dos membros do grupo B, obtém-
se 5 pontos, sendo atribuídos +3 pontos devido ao interface pela inexistência de pega.

Aplicando a tabela 9 (TABELA C) do método de REBA, encontramos uma pontuação de 11, considerando
nula a pontuação da actividade, ao que corresponde um nível de acção 4, com nível de risco muito
elevado sendo sugerida intervenção ergonómica imediata neste contexto.

4º Elemento

0 0
Pela análise das posturas do elemento, observa-se uma postura de tronco com flexão entre os 20 e 60 ,
sendo atribuído +3 pontos.

29
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas
o
Relativamente ao pescoço observa-se postura com ângulo superior a 20 de flexão atribui-se +2 pontos.

Quanto à posição de pernas, foi atribuído +1 ponto por haver apoio equilibrado bilateral e adicionado +2
0
pontos por os joelhos se encontrarem flectidos num ângulo > 60 .

De acordo com a tabela 4 (TABELA A), obtêm-se 6 pontos pelo somatório das pontuações dos membros
do grupo A (tronco, pescoço e pernas), acrescido de +1 ponto para o factor Carga/Força, assumindo o
peso médio de um “plano duro” +/- 8kg.

0 0
Para o grupo B, foram atribuídos +3 pontos à postura do braço (entre 45 e 90 ).

Quanto ao antebraço, foram atribuídos +2 pontos, dado o ângulo da acção variado na execução da
tarefa, assumindo a postura mais grave.

Relativamente ao punho foi atribuído +1 ponto dado o ângulo de flexão do punho na execução da
tarefa.

De acordo com a tabela 8 (TABELA B), pelo somatório das pontuações dos membros do grupo B, obtém-
se 4 pontos. Não é atribuída pontuação devido ao interface pela existência de boa pega.

Aplicando a tabela 9 (TABELA C) do método de REBA, encontramos uma pontuação de 8, considerando


nula a pontuação da actividade, ao que corresponde um nível de acção 3, com nível de risco alto, sendo
sugerida intervenção ergonómica a curto prazo.

9. MEDIDAS DE CORRECÇÃO PROPOSTAS

A singularidade das situações e o carácter de emergência das mesmas condicionam as posturas dos
técnicos na abordagem das vítimas, tornando-se muitas vezes impraticável a adopção de posturas
ergonómicas mais correctas optando-se pela postura possível em detrimento da postura ideal. Na
técnica estudada – técnica de rolamento, a vítima encontra-se sempre no chão, onde se torna difícil
adoptar uma posição ergonómica de baixo risco.

Apesar das condições adversas do trabalho, pensamos que os saberes de uma equipa multidisciplinar
podem ajudar a melhorar na abordagem das vítimas, sobretudo na técnica estudada.

A adopção de qualquer outra técnica para mobilização e ou imobilização deste tipo de situações
emergentes, que possibilitem posturas ergonómicas mais favoráveis aos técnicos de emergência,
deverão ser priorizadas.

30
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

De forma complementar, a utilização de equipamentos auxiliares como


sistemas de elevação adaptados às viaturas de emergência, a utilização de
maca pluma que possibilita transferir a vítima para o plano duro,
executando um pequeno levantamento com pegas adequadas, com
distribuição equitativa do peso da vítima, movimentação em bloco mais
segura, permitindo a adopção de posturas mais correctas na execução da manobra.

Quando não é possível melhorar a condição do trabalho a medida que propomos será a de melhorar a
condição do trabalhador. Para tal estes profissionais deverão ser incentivados à prática de actividades
de reforço muscular e de actividades de relaxamento muscular. Deverão ser sujeitos a consultas de
medicina do trabalho com periodicidade maior, para despiste de patologias decorrentes de lesões
músculo-esqueléticas. Outra medida que sugerimos passa pela promoção de campanhas periódicas de
sensibilização e formação destes profissionais, de forma a que nas mais diversas situações e sempre que
possível se possam adoptar posturas mais correctas.

10. CONCLUSÃO

No inicio do trabalho começamos por ir de encontro com a realidade dos acidentes de trabalho e à
mortalidade que deles advêm, abordamos o papel importante dos vários profissionais de saúde que
tentam ajudar na perspectiva de minimizar os danos sofridos. Os meios logísticos e de transporte de
sinistrados envolvidos na ajuda desses profissionais também mereceram a nossa atenção.

31
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

Observamos uma equipa de prestação de socorro, na qual foram analisadas e documentadas as várias
posturas adoptadas nessa prestação de serviço, as técnicas de imobilização e remoção de vítimas de
trauma e em particular a técnica de “rolamento”. Da análise dos valores recolhidos e utilizando o
método REBA para a interpretação ergonómica desses valores, concluímos que esta equipa, tem
necessidade imediata de intervenção profissional do Técnico de Higiene e Segurança, sendo foco de
atenção prioritária os três primeiros elementos, seguido do quarto elemento.

No capítulo próprio foram sugeridas algumas possibilidades de melhoria desta problemática, no entanto
pensamos que outras opiniões e experiências de toda uma equipa multidisciplinar podem ajudar a
minorar os riscos identificados para o grupo de profissionais estudado, pese embora o carácter especial
das situações deste trabalho.

Para concluir o trabalho queremos ainda referir o quanto foi proveitoso para o grupo envolvermo-nos
mais directamente nestes problemas no terreno, por quanto tivemos a percepção real das dificuldades
em analisar tecnicamente as situações que à primeira vista nos pareciam “normais”. Consideramos
importante a oportunidade de aplicar a metodologia seleccionada e de comprovar o que empiricamente
nos era referido pelos próprios profissionais envolvidos.

Esperamos de alguma forma que com este trabalho possamos ser úteis e poder ajudar os que connosco
colaboraram.

11. GLOSSÁRIO

 Suporte Básico de Vida – é o conjunto de medidas e procedimentos técnicos que têm como
objectivo o suporte de vida à vítima, traçando um padrão para atendimento, tendo como
objectivo principal não agravar lesões já existentes ou causar novas lesões

 Suporte Avançado de Vida – é o conjunto de manobras médicas invasivas (intervenções


cirúrgicas, administração de medicamentos, etc.) destinadas à estabilização clínica de um
paciente.

 Trauma – é uma lesão mais ou menos extensa, produzida por acção violenta, de natureza física
ou química, externa ao organismo.

 TCE – O Traumatismo Crâneo-Encefálico (TCE) é uma agressão ao cérebro, não de natureza


degenerativa ou congénita, mas causada por uma força física externa, que pode produzir um
estado diminuído ou alterado de consciência, que resulta em comprometimento das
habilidades cognitivas ou do funcionamento físico. Pode também resultar no distúrbio do

32
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

funcionamento comportamental ou emocional. Este pode ser temporário ou permanente e


provocar comprometimento funcional parcial ou total, ou mau ajustamento psicológico.

 TVM – Traumatismo Vértebro-Medular - É uma lesão provocada por traumatismo ao nível da


coluna vertebral, que não permite que a informação cerebral passe na zona atingida e chegue
ao músculo. Origina frequentemente paraplégia ou tetraplégia, acompanhadas por perda de
sensibilidade e dificuldades no controlo esfincteriano. No caso das lesões mais altas, podemos
acrescentar ainda problemas respiratórios e hipotonia muscular.

 Decúbito – é um termo médico que se refere à posição da pessoa que está deitada. Pode ser
referido como Decúbito dorsal (pessoa deitada de barriga voltada para cima); Decúbito Ventral
(pessoa deitada de bruços) ou Decúbito Lateral (esquerdo ou direito).

33
ERGONOMIA
Análise Ergonómica de Posturas

12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 Classificação Nacional das Profissões, Instituto do Emprego e Formação Profissional, 1994;

 Freitas, Manuel, Slides e Textos de Apoio da Disciplina de Ergonomia, ISLA, 2010;

 Freitas, Luís Conceição; Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho – Volume 2, 4ª Edição,


Edições Universitárias Lusófonas, 2006;

 http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal;

 Iida, Itiro, Ergonomia, Projeto e Produção, 2ª Edição, Editora Edgard Blücher, S.P., 2005;

 Manual de Tripulante de Ambulância de Socorro, INEM, 2006;

 www.ergonautas.upv.es/metodos/reba;

 www.scribd.com/doc/6717621/Licao-10-Movimentacao-e-Transporte-de-Acidentados;

 http://www.prof2000.pt/users/apcalvo/deficiências%20motoras.htm;

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