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RESPONSABILIDADE CIVIL NAS RELAÇÕES DE CONSUMO: FATO X VÍCIO

Jarise Correa Mendes1


Cristiane Barreto Mena Azambuja2

RESUMO: As relações jurídicas de consumo são habituais a todas as pessoas,


pois comumente adquirimos produtos e usamos de serviços. Logo, todos
estamos sujeitos a infortuitos causados por defeitos tanto de natureza de vício
ou de fato do serviço, sendo essencial a identificação desses para buscarmos
um ressarcimento, ou seja, a responsabilidade civil.O objeto de estudo é
identificar através da legislação a responsabilidade civil nas relações de
consumo; bem como exemplificar os defeitos de fato e vício de um produto ou
serviço. A metodologia utilizada foi a realização de um curso EAD na
plataforma saberes do senado, a pesquisa bibliográfica em livros, na legislação
brasileira e jurisprudência.O estudo realizado terá continuidade em decorrência
da relevância do tema e da necessidade de uma pesquisa mais minuciosa e
completa. Contudo a proposta desenvolvida é fundamental na instigação e
indagações na compreensão das relações de consumo e a responsabilidade
civil.

PALAVRAS-CHAVE: Responsabilidade; Fato; Vício; Consumidor.

INTRODUÇÃO

As relações de consumo são intrínsecas e recíprocas em qualquer


sociedade, pois diariamente adquirimos produtos ou utilizamos de serviços.
Nesse âmbito a defesa do consumidor firmou-se como um direito fundamental
e um princípio da ordem econômica, através de legislações próprias como o
Código de Defesa do Consumidor. Contudo para usar deste instrumento
jurídico com maior eficácia é primordial entender a responsabilidade dos
agentes nas relações de consumo.
O objeto da responsabilidade civil é o ressarcimento do dano
causado, pois é cada vez mais comum a insatisfação de consumidores inerente
a prejuízos sofrido. Nesse sentido é possível elencar alguns tipos de

1 Acadêmica do 7 º semestre de Direito da URI - São Luiz Gonzaga. E-


mail:jarisemendeshahn@gmail.com.
2 Qualificação do autor. E-mail: email@email.com.br
responsabilidades podendo ser objetiva onde independe de análise de culpa;
subjetiva a qual deve se verificar a culpa como também a responsabilidade
solidária e penal.
Nesse aspecto é primordial identificar e diferenciar o fato e o vicio do
produto ou serviço. Embora ambos sejam recorrentes de um defeito do produto
ou do serviço, há uma grande discrepância no que tange a gravidade
acometida. Pois o fato é algo grave acarretando dano moral ou material,
enquanto o vício causa apenas um mau funcionamento ou o não
funcionamento.
Destarte que embora o Código de Defesa do Consumidor liste de
forma objetiva a responsabilidade civil pelo fato, há também as hipóteses de
excludente dessa responsabilidade. Logo, é fundamental o esclarecimento
dessas hipóteses e o seu enquadramento no intuito de evitar erros e ações
desnecessárias.

A metodologia “é o método ou o caminho que se usa para chegar a


determinado fim”. Logo a metodologia utilizada para o resumo expandido tem
como base o Curso em EAD Introdução ao direito do consumidor
disponibilizado pela plataforma saberes do senado. Onde é possível um
embasamento bibliográfico e prático com a realização de questões referentes
ao tema, além de material de apoio em pdf e vídeo.
Além de jurisprudências que visam exemplificar de maneira prática
os assuntos abordados no trabalho. A pesquisa centra-se ainda nas legislações
como a Constituição Federal e Código de Defesa do Consumidor, este o
principal instrumento de regulamentação das relações de consumo sendo fonte
primordial na investigação. Bem como na pesquisa bibliográfica de forma a
identificar e exemplificar os assuntos abordados.

FATO X VÍCIO
O fato é característica extrínseca do produto ou serviço seu
regramento está previsto nos artigos 12,13,14,15,16,17 do Código de Defesa
do Consumidor de 11 de setembro de 1990.Enquanto o vício encontra sua
previsão nos artigos subsequente do mesmo código nos artigos
18,19,20,21,22,23,24,25.Sendo que o vício está intrínseco ao produto ou
serviço.
Nesse sentido, temos o fato como uma ocorrência, um
acontecimento, um defeito que se externalizou causando um dano particular ao
consumidor podendo ser material físico ou moral. Em contrapartida o vício
permanece junto ao produto, causando o seu mau funcionamento ou o seu não
funcionamento, deixando de atingir o seu fim desejado.
Destarte, a explicação de Sérgio Cavalieri Filho:

A palavra-chave neste ponto é o defeito. Ambos decorrem de


umdefeito do produto ou do serviço só que no fato do produto ou
doserviço o defeito é tão grave que provoca um acidente que atinge o
consumidor, causando-lhe dano material ou moral. O defeito
compromete a segurança do produto ou serviço. Vício, por sua vez, é
de.feito menos grave, circunscrito ao produto ou serviço em si; um
defeito que lhe é inerente ou intrínseco, que apenas causa o seu mau
funcionamento ou não funcionamento.(FILHO,p.208, 2011)

Logo tanto o vício como o fato são resultantes de um defeito, ou


seja, uma falha, um erro apresentado pelo produto ou serviço. Sendo que para
ocorrer o fato é necessário o vício, porém não ocorrendo de forma diversa.
Neste aspecto Grinover(2004) salienta que um produto ou serviço é defeituoso
quando deixar de atender a expectativa do consumidor, comprometendo o seu
real fim sua prestabilidade ou servibilidade.
Para melhor identificar o seria fato ou vício usaremos das seguintes
proposições: O consumidor A adquiriu um veiculo automotor um carro Ford KA,
contudo o carro começou a esquentar demais o motor. Se o motor
simplesmente esquenta e o carro para de funcionar estamos diante de um
vício. No entanto, se o motor esquenta e o carro pega fogo estamos diante de
um fato.
Exemplificando no que tange a prestação de serviços temos: A
contra uma empresa para a limpeza do seu escritório. A empresa por sua vez
deixa partes sujas, neste caso estamos diante de um vício. Contudo, essa
empresa faz uso de produtos muito fortes e prejudiciais à saúde causando forte
mal estar a todos que frequentam o ambiente, neste caso ocorre o fato.
Ademais, quando se trata somente de vício este concerne a
qualquer problema de funcionalidade apresentado pelo produto ou serviço.
Podendo ter como natureza vícios ocultos ou redibitórios, os quais
comprometem algum fim destinado pelo negócio jurídico. Como exemplo: o
contrato de aluguel de uma casa com muitas goteiras.
O Código de Defesa do Consumidor trouxe ainda vícios de
qualidade, produtos ou serviços que comprometem o real funcionamento para
o qual foi destinado, diminuindo a sua funcionalidade. Como exemplo: um carro
que funciona, porémsuperaquece o motor em trajetos mais longos, tendo o
consumidor que aguardar para prosseguir viagem. Além do vício de quantidade
onde o consumidor recebe quantia inferior do que a negociada.

RESPONSÁBILIDADE CIVIL NAS RELAÇÕES DE CONSUMO

A Carta Magna Brasileira, promulgada em 1988, determinou, em seu


art. 5º, inciso XXXII, que “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do
consumidor”. Sendo que o seu artigo 48 trouxe o seguinte mandamento: “O
Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias da promulgação da
Constituição, elaborará código de defesa do consumidor”. Assim a defesa do
consumidor tornou-se um direito fundamental e o princípio geral da ordem
econômica.

Nesse aspecto o Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 12


elenca possíveis responsáveis pelo fato do produto ou serviço: O fabricante,
produtor,construtor e o importador.Conduto há ainda previsões a cerca do
comerciante e profissionais liberais. Portanto, o CDC dispõe que devem sanar
possíveis prejuízos sofridos por consumidores nas relações de consumo.
Salienta ainda Maria Helena Diniz (2004, p.131) a responsabilidade civil tem
uma função essencial reparadora ou indenizatória.

Ademais Finkelstein ressalta que:

No que tange à reparação de danos patrimoniais e morais sofridos


pelo consumidor, o Código de Defesa do Consumidor não
estabeleceu parâmetros de indenização, deixando o valor a ser fixado
pelo juiz quando do julgamento da lide, muito embora tenha previsto a
redução equitativa da indenização na medida da culpabilidade do
fornecedor.(FINKELSTEIN,p.54,2010)

Logo trata-se de um direito objetivo pois há previsão legal, todavia


com natureza sentencial subjetiva pois não há tabela no que refere ao
ressarcimento de dano. O Código Civil dispõe em seu artigo 944 que se
tratando de indenização esta mede-se pela extensão do dano.Este por sua vez
nem sempre é de caráter mensurável, restando ao juiz fixar o valor quano do
julgamento da lide.

No que concerne a responsabilidade pelo fato ou serviço temos duas


hipóteses: A objetiva a qual independe da análise de culpa, ou seja,
imprudência, negligência e imperícia, portanto basta a existência do dano e do
nexo causal que o desencadeou. Além da responsabilidade solidaria neste
caso quando mais de um individuo é responsável pela disponibilização do
produto ou serviço no negócio jurídico. Logo a responsabilidade de um não
exclui a de outro.(saberes do senado)

A seguinte jurisprudência retrata a responsabilidade civil no que refere


ao fato do produto:
Apelação cível. Responsabilidade civil. CDC. Acidente de consumo.
Defeito do produto. Botijão de gás. Explosão. Responsabilidade
objetiva. Danos morais. Danos materiais. Considerando-se a
aplicação da legislação especial para acidentes de consumo, impõe-
se a responsabilização dos fornecedores componentes da cadeia de
consumo na forma objetiva, o que significa a dispensa da prova de
culpa para restar evidenciado o dever de indenizar, bastando a
existência do dano e do nexo de causalidade. (155454 RN
2010.015545-4, Relator: Des. Expedito Ferreira, Data de Julgamento:
12/04/2011, 1ª Câmara Cível).
Como é possível identificar trata-se de um defeito do produto onde é
dispensada a existência de prova. Sendo que caracteriza um fato pois houve a
explosão do botijão de gás. Na continuidade temos uma jurisprudência de fato
referente à prestação de um serviço:

Tratamento realizado por clínica odontológica comprometimento dos


dois dentes incisivos superiores e exposição das raízes – nexo de
causalidade configurado - responsabilidade objetiva - fato do serviço
inteligência do caput do art. 14 do CDC – recurso desprovido.
(9188394282006826 SP 9188394-28.2006.8.26.0000, Relator: Milton
Carvalho, Data de Julgamento: 31/08/2011, 7ª Câmara de Direito
Privado, Data de Publicação: 05/09/2011)

CONSIDERAÇÕES

A temática abordada é de grande relevância para o cotidiano das


pessoas, pois comumente adquirimos produtos e usamos de serviços
disponibilizados nas relações jurídicas de consumo. Logo todos estamos
sujeitos a infortuitos decorrentes de falhas, erros, defeitos os quais
impossibilitam de alcançarmos as pretensões ensejadas.

A responsabilidade civil, a dicotomia entre fato e vício são propostas


para um estudo mais minucioso e com probidade, devendo a pesquisa ser
prosseguida. Todavia por ora o intuito pretendido com o referido resumo foi se
exemplificar de forma sintética e com exemplos práticos através de suposições
e jurisprudências a existência do direito do consumidor perante tais incidência
caracterizando o que pode ser caracterizado como fato ou vício.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Código Civil. 2002. Disponível no site:


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/l10406.htm Em 01/08/2018.
Acesso em 01/08/2018
BRASIL. Código de Defesa do Consumidor.1990. Disponível no site: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8078.htm> Acesso em 01/08/2018.
BRASIL. Constituição Federal.1988. Disponível no site:<
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm> Acesso em
01/08/2018.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil: Parte Geral, 21 ed. SP:
Saraiva 2004.(p.131)
FINKELSTEIN,Maria Eugênia Reis. Manual do Direito do Consumidor.
RJ: Elsevier.2010.
PELLEGRINI GRINOVER, Ada et al. Código Brasileiro de Defesa do
Consumidor, comentado pelos autores de anteprojetos. RJ: Forense ,2004.
SABERES DO SENADO. Introdução ao Direito do Consumidor.