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LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

S U M ÁRI O

ÉTICA E FUNÇÃO PÚBLICA..............................................................................................................................2


ÉTICA NO SETOR PÚBLICO. DECRETO N. 1.171/1994 (CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO
SERVIDOR PÚBLICO CIVIL DO PODER EXECUTIVO FEDERAL)......................................................................2
REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS DA UNIÃO (LEI N. 8.112/1990). DISPOSIÇÕES
PRELIMINARES: DO PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO.
ESTÁGIO PROBATÓRIO. DIREITOS E VANTAGENS. REGIME DISCIPLINAR, DEVERES E PROIBIÇÕES,
ACUMULAÇÃO, RESPONSABILIDADE E PENALIDADES..................................................................................7
LEI N. 8.429/1992. DISPOSIÇÕES GERAIS. ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA..............................41
PROCESSO ADMINISTRATIVO (LEI N. 9.784/1999): CONCEITO, PRINCÍPIOS, FASES E MODALIDADES......49
ESTATUTO E REGIMENTO GERAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (DISPONÍVEL EM
HTTP://WWW.UNB.BR/UNB/TRANSPARENCIA/DOWNLOADS/REGIMENTO_ESTATUTO_UNB.PDF)..........59
ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO que é moral. Assim, é diminuída a margem para que cada
um determine o que é, e o que não é moral, o que acabaria
CONSIDERAÇÕES GERAIS por acarretar na total relativização das regras (cada um tem
as suas e faz o que bem entender). Trata-se de um consenso
A ética é disciplina tradicional da filosofia, também mínimo, de um conjunto central de valores, indispensável
conhecida por filosofia moral, que estabelece princípios de à sociedade democrática, orientando nossas escolhas e
como o ser humano deve agir. decisões.
Uma ação é certa ou errada em função de suas
Outras definições: consequências ou resultados provocados, avaliados segundo
• É um padrão aplicável a um grupo bem definido, um determinado padrão de valor. A resposta à questão “o
o qual nos permite avaliar agentes e suas ações. que eu devo fazer?” é definida em função do cálculo das
• Pensamento reflexivo sobre os valores e as consequências.
normas que regem as condutas humanas. É necessário destacar que a ética não estabelece
• Conjunto de princípios e normas que um grupo mandamentos, uma vez que não existem regras definiti-
estabelece para o seu exercício profissional, vamente estabelecidas ou absolutas, mas sim um “eterno
como, por exemplo, os Códigos de Ética dos pensar, refletir, construir”. O pensamento ético se desen-
advogados, médicos, psicólogos, etc. volve em princípios, haja vista o caráter abstrato dos valo-
res em questão.
As pessoas não nascem boas ou ruins. É a sociedade
Ética e Moral
que educa moralmente seus membros através de influência
da família, da escola, dos meios de comunicação e do conví-
A palavra ética tem origem grega ethos, que significa o
vio com outras pessoas.
modo de ser, o caráter. A moral, por sua vez, vem do latim
mos, significando costume. A moral e a ética não nascem
com o homem, mas sim são adquiridas por ele com o hábito. Ética e Democracia: Exercício da Cidadania
Pode-se concluir então que, ética e moral tem origem nas
relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde A democracia é um regime político e também um modo
nascem e vivem. É justamente na vida social e comunitária de sociabilidade, tendo como pressupostos a justiça, a igual-
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que o homem se reconhece e se realiza como um ser moral dade e a equidade, regulando as relações sociais e permi-
e ético. tindo a expressão das diferenças e conflitos, logo, pertence
Apesar de serem muitas vezes usadas como sinôni- ao núcleo moral central da sociedade.
mos, alguns estudiosos fazem uma distinção entre essas Com a democracia, deve-se levar em conta a liberdade,
a tolerância, o diferente e a sabedoria de conviver com as difi-
duas palavras: Moral, como sendo um conjunto de normas,
culdades. Essa valorização da liberdade, ao contrário do que
princípios, preceitos, costumes e valores que norteiam o
se possa pensar, não colide com a presença de um conjunto
comportamento do indivíduo no seu grupo social, e ética
central de valores, mas sim garante a possibilidade da liber-
como algo filosófico e científico, que tem como objeto o com-
dade humana, estabelecendo limites para que todos possam
portamento moral, tentando perceber, fazer compreender,
fazer uso da mesma, de forma a mantê-la.
demonstrar e criticar a moral de uma sociedade.
A cidadania, por sua vez, vai além da conquista de igual-
A ética e a moral dizem respeito ao modo de agir perante
dade de direitos e deveres a todos os seres humanos, rela-
o outro. No Brasil, a ideia de moral ganha força na própria
cionando-se com uma vida digna para todos os cidadãos. A
Constituição que traz, ao longo de seu texto, alguns elementos
ideia de cidadania está adstrita a um conjunto de direitos e
que identificam questões éticas e morais, como por exemplo, deveres que permite aos cidadãos participar da vida política
em seu art. 5º, onde estabelece o repúdio ao racismo, ou até e da vida pública, como por exemplo, a possibilidade de votar
mesmo em seu art. 1º, em que estabelece como fundamento e ser votado, participar ativamente na elaboração das leis e
da República Federativa do Brasil a dignidade da pessoa exercer funções públicas.
humana, segundo o qual todo ser humano, sem distinção, Entretanto, para que o modelo de democracia seja justo
merece tratamento digno correspondente a um valor moral. e almeje a liberdade individual e coletiva, é necessário que a
A moralidade humana deve ser enfocada no contexto igualdade e a equidade sejam complementares, ou seja, que a
histórico-social. As decisões, escolhas, ações e comporta- equidade venha a estabelecer um princípio da diferença dentro
mentos fazem surgir os problemas morais do cotidiano, pois da igualdade. Se pensarmos em democracia, sem levar em
necessitam de um julgamento de valor do que é justo ou consideração as desigualdades existentes, acabamos por
injusto, bom ou mau, certo ou errado, pela moral da época. destruir a liberdade.
Portanto, uma lei somente poderá ser considerada justa
Valores e Princípios quando, além de reconhecer que todos são considerados iguais
perante ela, considerar as possíveis diferenças relacionadas
Um valor é, genericamente, tudo aquilo que afirmamos a seu cumprimento ou sua violação.
merecer ser desejado. Dá um caráter positivo a algo que o
possui. Ética e Função Pública
Os valores são eleitos pela própria sociedade, sendo
necessários ao convívio entre seus membros e limitando a Os agentes públicos, em sua atuação, agem em nome
discricionariedade que cada indivíduo tem de determinar o do Estado. Todos os desvios de sua conduta ética, direta

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ou indiretamente, abalam a confiança que toda a sociedade de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva
deposita na Administração Pública, sendo fator de desmo- Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empre-
ralização do serviço público e acarretando a insatisfação de gados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente.
todos os que pagam seus tributos. Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética
A imagem e a reputação do administrador deve ser pre- será comunicada à Secretaria da Administração Federal da
servada e sua conduta deve sempre estar de acordo com os Presidência da República, com a indicação dos respectivos
padrões éticos. As autoridades de nível superior hierárquico membros titulares e suplentes.
deverão ser exemplo para toda a Administração Pública, Art. 3º Este decreto entra em vigor na data de sua
para que assim a sociedade possa confiar na integridade e publicação.
legalidade do processo decisório governamental.
ANEXO
Ética no Setor Público CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIDOR PÚBLICO
CIVIL DO PODER EXECUTIVO FEDERAL
O serviço público envolve a confiança do público, sendo
assim, seu padrão ético, em grande parte, de sua própria CAPÍTULO I
natureza.
No intuito de desenvolver o pensamento ético entre os Seção I
seus servidores, a Administração, nos últimos anos, instituiu Das Regras Deontológicas
vários Códigos de Ética de observância obrigatória por todos
os seus agentes, no sentido de criar uma consciência ética I – A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a cons-
comum em todo o serviço público. ciência dos princípios morais são primados maiores que

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A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo
dos princípios morais devem nortear o servidor público, seja ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da voca-
no exercício do cargo ou função, ou fora dele, uma vez que ção do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e
irá refletir o exercício da vocação do próprio poder estatal. atitudes serão direcionados para a preservação da honra e
Os atos, comportamentos e atitudes do servidor público da tradição dos serviços públicos.
devem ser conduzidos a preservação da honra e da tradição II – O servidor público não poderá jamais desprezar o
dos serviços públicos. O servidor público jamais poderá des- elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir
prezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o con-
decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o veniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas
conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante
mas principalmente entre o honesto e o desonesto. as regras contidas no art. 37, caput, e §4º, da Constituição
O agente público deve ser probo, reto, leal e justo, Federal.
demonstrando toda a integridade do seu caráter, e III – A moralidade da Administração Pública não se limita
sempre buscando melhor e a mais vantajosa opção para à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da
o bem comum. ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre
a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público,
DECRETO N. 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994 é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.
IV – A remuneração do servidor público é custeada
Aprova o Código de Ética Profis- pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até
sional do Servidor Público Civil do por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que
Poder Executivo Federal. a moralidade administrativa se integre no Direito, como ele-
mento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade,
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribui- erigindo-se, como consequência, em fator de legalidade.
ções que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo V – O trabalho desenvolvido pelo servidor público
em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo
nos arts. 116 e 117 da Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante
1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n. 8.429, de 2 de junho da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado
de 1992, como seu maior patrimônio.
VI – A função pública deve ser tida como exercício pro-
DECRETA: fissional e, portanto, se integra na vida particular de cada
servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na con-
Art. 1º Fica aprovado o Código de Ética Profissional do duta do dia a dia em sua vida privada poderão acrescer ou
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com diminuir o seu bom conceito na vida funcional.
este baixa. VII – Salvo os casos de segurança nacional, investiga-
Art. 2º Os órgãos e entidades da Administração Pública ções policiais ou interesse superior do Estado e da Adminis-
Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, tração Pública, a serem preservados em processo previa-
as providências necessárias à plena vigência do Código mente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de

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qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e d) jamais retardar qualquer prestação de contas, con-
moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético dição essencial da gestão dos bens, direitos e serviços da
contra o bem comum, imputável a quem a negar. coletividade a seu cargo;
VIII – Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços
não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos inte- aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com
resses da própria pessoa interessada ou da Administração o público;
Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se f) ter consciência de que seu trabalho é regido por prin-
sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou cípios éticos que se materializam na adequada prestação
da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade dos serviços públicos;
humana quanto mais a de uma Nação. g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e aten-
IX – A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo ção, respeitando a capacidade e as limitações individuais de
dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela todos os usuários do serviço público, sem qualquer espécie
disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade,
direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da cor, idade, religião, cunho político e posição social, abs-
mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao tendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano moral;
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor
patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má von-
de representar contra qualquer comprometimento indevido
tade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às
da estrutura em que se funda o Poder Estatal;
instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos,
vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas
de contratantes, interessados e outros que visem obter quais-
esperanças e seus esforços para construí-los.
quer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrên-
X – Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera
cia de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;
de solução que compete ao setor em que exerça suas fun-
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigên-
ções, permitindo a formação de longas filas, ou qualquer
cias específicas da defesa da vida e da segurança coletiva;
outra espécie de atraso na prestação do serviço, não carac-
l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de que
teriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumani-
sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, refle-
dade, mas principalmente grave dano moral aos usuários
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tindo negativamente em todo o sistema;


dos serviços públicos.
m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e
XI – O servidor deve prestar toda a sua atenção às
qualquer ato ou fato contrário ao interesse público, exigindo
ordens legais de seus superiores, velando atentamente por
as providências cabíveis;
seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente.
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho,
Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tor-
nam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até seguindo os métodos mais adequados à sua organização e
mesmo imprudência no desempenho da função pública. distribuição;
XII – Toda ausência injustificada do servidor de seu o) participar dos movimentos e estudos que se relacio-
local de trabalho é fator de desmoralização do serviço nem com a melhoria do exercício de suas funções, tendo por
público, o que quase sempre conduz à desordem nas rela- escopo a realização do bem comum;
ções humanas. p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequa-
XIII – O servidor que trabalha em harmonia com a das ao exercício da função;
estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada q) manter-se atualizado com as instruções, as normas
concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce
pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o suas funções;
crescimento e o engrandecimento da Nação. r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as
instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou função,
Seção II tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez,
Dos Principais Deveres do Servidor Público mantendo tudo sempre em boa ordem.
s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por
XIV – São deveres fundamentais do servidor público: quem de direito;
a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, t) exercer com estrita moderação as prerrogativas
função ou emprego público de que seja titular; funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e -lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do
rendimento, pondo fim ou procurando prioritariamente resol-
serviço público e dos jurisdicionados administrativos;
ver situações procrastinatórias, principalmente diante de
u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função,
filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação
poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse
dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições, com
público, mesmo que observando as formalidades legais e
o fim de evitar dano moral ao usuário;
não cometendo qualquer violação expressa à lei;
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a
integridade do seu caráter, escolhendo sempre, quando esti- v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua
ver diante de duas opções, a melhor e a mais vantajosa para classe sobre a existência deste Código de Ética, estimulando
o bem comum; o seu integral cumprimento.

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Seção III XVII – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
Das Vedações ao Servidor Público XVIII – À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos
organismos encarregados da execução do quadro de car-
XV – E vedado ao servidor público; reira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética,
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para
tempo, posição e influências, para obter qualquer favoreci- todos os demais procedimentos próprios da carreira do ser-
mento, para si ou para outrem; vidor público.
b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros XIX – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
servidores ou de cidadãos que deles dependam; XX – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, coni- XXI – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
vente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao XXII – A pena aplicável ao servidor público pela Comis-
Código de Ética de sua profissão; são de Ética é a de censura e sua fundamentação constará
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o do respectivo parecer, assinado por todos os seus integran-
exercício regular de direito por qualquer pessoa, causando- tes, com ciência do faltoso.
-lhe dano moral ou material; XXIII – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao XXIV – Para fins de apuração do comprometimento
seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do ético, entende-se por servidor público todo aquele que, por
seu mister; força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste ser-
f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, viços de natureza permanente, temporária ou excepcional,
caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfi- ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta
ram no trato com o público, com os jurisdicionados admi- ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as
nistrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou autarquias, as fundações públicas, as entidades paraesta-

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inferiores; tais, as empresas públicas e as sociedades de economia
g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qual- mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do
quer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão, Estado.
doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares XXV – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou
para influenciar outro servidor para o mesmo fim; .
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva
encaminhar para providências;
i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite
do atendimento em serviços públicos; EXERCÍCIOS
j) desviar servidor público para atendimento a interesse
particular; Julgue os itens a seguir, acerca do Código de Ética
l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente Profissional do Servidor Público Civil do Poder Execu-
autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente tivo Federal.
ao patrimônio público;
m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no 1. É dever do servidor público ter respeito à hierarquia,
âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de razão pela qual ele não deve representar contra seus
parentes, de amigos ou de terceiros; superiores mesmo em situação em que estes compro-
n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele metam a estrutura em que se funda o poder estatal.
habitualmente;
o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente 2. É dever do servidor tratar cuidadosamente os usuários
contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa dos serviços, aperfeiçoando o processo de comunica-
humana; ção e contato com o público.
p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu
3. A Administração Pública Federal indireta não está
nome a empreendimentos de cunho duvidoso.
obrigada a criar comissão de ética profissional do
servidor; por outro lado, todos os órgãos e entidades da
CAPÍTULO II administração pública federal direta estão obrigados
DAS COMISSÕES DE ÉTICA a criar tal comissão.

XVI – Em todos os órgãos e entidades da Administra- 4. As penas aplicáveis ao servidor público por comissão
ção Pública Federal direta, indireta autárquica e fundacional, de ética são as mesmas que qualquer comissão de
ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições processo administrativo disciplinar pode sugerir, ou
delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comis- seja, advertência, suspensão e demissão.
são de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a
ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas 5. Para fins de apuração do comprometimento ético, enten-
e com o patrimônio público, competindo-lhe conhecer con- de-se por servidor público todo aquele que, por força de
cretamente de imputação ou de procedimento susceptível lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços
de censura. de natureza permanente, temporária ou excepcional,

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ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado 17. O servidor público, no exercício de suas funções, deve
direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, decidir sobre o que é oportuno e o que é inoportuno,
como as autarquias, as fundações públicas, as entidades mas, em relação ao que é honesto ou não, deve ser
paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de consoante à cultura do ambiente em que atua.
economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o
interesse do Estado. 18. A conduta do servidor público, ao equilibrar a legali-
dade e a finalidade do ato administrativo, consolida a
6. Não apenas a preocupação acerca do legal e do ilegal, moralidade na Administração Pública.
do justo e do injusto, do conveniente e do inconvenien-
te deve nortear as decisões do servidor público, mas, 19. Causar danos por descuido a bens do patrimônio pú-
principalmente, a preocupação com o honesto e o de- blico não constitui uma ofensa ao Estado, mas aos que
sonesto, de acordo com os parâmetros constitucionais. construíram esses bens.

7. Salvo os casos de segurança nacional, investigações 20. José, chefe de uma repartição, utilizando-se das suas
policiais ou interesse superior do Estado e da admi- prerrogativas e com o objetivo de tornar pública todas
nistração pública, a serem preservados em processo as benfeitorias, obras e serviços realizados por ele no
previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a pu- órgão, lançou uma campanha publicitária para promo-
blicidade de qualquer ato administrativo constitui regra ver-se, nessa circunstância José agiu de acordo com a
que deve ser seguida, sob pena de comprometimento ética no serviço público.
ético contra o bem comum.
21. É assegurado o acesso dos usuários a registros ad-
8. A função pública deve ser tida como exercício profissio-
ministrativos e a informações sobre atos de governo.
nal e, portanto, os fatos e atos verificados na conduta
do dia a dia do servidor, em sua vida privada, não po-
22. O servidor deve atender com presteza o público em
derão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida
geral, prestando todas as informações requeridas.
funcional.
23. A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciên-
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9. Em todos os órgãos e entidades da Administração Pú-


cia dos princípios morais são primados maiores que
blica Federal direta, indireta autárquica e fundacional,
devem nortear o servidor público, somente no exercí-
ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribui-
cio do cargo ou função pública, no âmbito profissional.
ções delegadas pelo poder público, deverá ser criada
uma comissão de ética, que pode instaurar procedi-
mento do qual, ao seu fim, pode resultar pena de cen- 24. A moralidade da Administração Pública deve ser pau-
sura ou suspensão. tada na distinção entre o bem e o mal.

10. Considera-se a função pública como integrada à vida 25. O servidor que não tem uma conduta moral na sua
particular do servidor, devido ao seu caráter de exercício vida particular, porém é um excelente profissional den-
profissional. tro do serviço cumpre com a ética no serviço público,
já que o essencial é exercer com zelo e dedicação as
atribuições do cargo, sempre com vistas a atender o
11. A conivência com o erro no serviço público é possível
fim público.
em situações em que o espírito de solidariedade entre
os colegas deva prevalecer.
26. A publicidade de todo e qualquer ato administrativo
12. A participação do servidor público em estudos que vi- constitui requisito de eficácia e moralidade, sendo que
sem à melhoria dos serviços prestados tem como obje- sua omissão enseja comprometimento ético contra o
tivo prioritário o seu aperfeiçoamento profissional. bem comum, imputável a quem negar.

13. É condição indispensável para o exercício da função 27. O servidor público que permite a formação de longas
pública o respeito à hierarquia, em qualquer circuns- filas na repartição está atentando contra a moral e a
tância. ética no serviço público.

14. É vedado ao servidor público sugerir qualquer tipo de 28. É dever fundamental do servidor público participar dos
prêmio para o cumprimento da sua missão. movimentos e estudos que se relacionem com a me-
lhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo
15. O trabalho do servidor público segue princípios éticos, a realização do bem comum.
assim, a eficácia na prestação dos serviços seria a ma-
terialização desses princípios. 29. É dever do servidor público abster-se, de forma abso-
luta, de exercer sua função, poder ou autoridade com
16. Embora contrário aos interesses da gestão pública, o finalidade estranha ao interesse público, mesmo que
servidor não poderá usar de falsidade na relação com observando as formalidades legais e não cometendo
o usuário. qualquer violação expressa à lei.

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30. Não constitui ato imoral ao serviço público o servidor 42. Sueli, servidora pública, apresenta um bom desem-
que embriaga-se habitualmente fora do serviço. penho e tem boas relações interpessoais no trabalho.
Devido a seus vínculos de amizade no ambiente de
31. Tadeu, funcionário de um órgão de atendimento ao trabalho, Sueli, algumas vezes, acoberta irregularida-
público, exerce suas atribuições com agilidade e cor- des, de diversas naturezas, praticadas pelos seus co-
reção e procura prioritariamente atender aqueles usu- legas. Nessa situação, a conduta de Sueli é antiética,
ários mais necessitados, conforme a sua avaliação. pois privilegia aspectos pessoais em detrimento de
Nessa situação Tadeu apresenta comportamento anti-
aspectos profissionais e da ética no serviço público.
ético, pois privilegia uns em detrimento de outros.

32. Márcio, servidor público, na certeza de que sua ausên- 43. Ricardo, servidor público, enquanto participava da
cia provoca danos ao trabalho e reflete negativamen- preparação de um edital de licitação para contrata-
te em todo o sistema do órgão, é assíduo, pontual e ção de fornecimento de refeições para o órgão em
produtivo. Nessa situação, Márcio apresenta conduta que trabalha, antecipou algumas das regras que
ética adequada ao serviço público. iriam fazer parte do edital para Carlos, dono de uma
empresa de fornecimento de marmitas, famosa pela
33. Francisco, no exercício de cargo público, presenciou qualidade e os ótimos preços dos seus produtos,
fraude praticada por seu chefe imediato no ambiente or- a fim de que esse pudesse adequar alguns proce-
ganizacional. Nessa situação, por ter consciência de que dimentos de sua empresa ao edital. A iniciativa de
seu trabalho é regido por princípios éticos, Francisco Ricardo deveu-se somente ao fato de ele conhecer
agiu corretamente ao delatar seu chefe aos superiores. bem os produtos da empresa de Carlos, não lhe tra-
zendo qualquer vantagem pecuniária. Nessa situa-
34. Adriana, competente nos aspectos técnicos e compor- ção, é correto afirmar que Ricardo agiu em prol do

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tamentais, frequentemente utiliza as prerrogativas de
interesse coletivo e que não fere a ética no serviço
seu cargo público em razão de interesses pessoais.
público.
Nessa situação, Adriana faz uso dos direitos do funcio-
nalismo público e age eticamente.
44. Marcos é servidor público e para aumentar sua ren-
35. Lucas é servidor público do setor de atendimento do da, comercializa, em seu ambiente de trabalho, mas
poder judiciário. Ele tem muitos afazeres e, por isso, fora do horário normal de expediente, cópias de CDs e
deixa os clientes à espera de atendimento enquanto DVDs. Nessa situação, a conduta de Cláudio não pode
resolve os problemas internos do setor. Nessa situa- ser considerada imprópria ao serviço público, pois en-
ção, o comportamento dele caracteriza conduta con- volve uma atividade que não guarda relação direta
trária à ética no serviço público. com as atribuições do cargo.

36. Uma das formas de se avaliar se é ético um comporta-


mento profissional é verificar como o servidor contribui GABARITO
para que a população tenha uma visão positiva a respei-
to da organização. 1. E 16. C 31. C
2. C 17. E 32. C
37. O servidor público deve abster-se de exercer sua fun- 3. E 18. C 33. C
ção, poder, ou autoridade com finalidade estranha ao 4. E 19. E 34. E
interesse público, mesmo não cometendo qualquer vio- 5. C 20. E 35. C
lação expressa à lei. 6. C 21. C 36. C
7. C 22. E 37. C
38. A cortesia no atendimento de qualquer usuário do ser- 8. E 23. C 38. C
viço público é fundamental para o desenvolvimento 9. E 24. E 39. E
profissional do serviço dentro da instituição. 10. C 25. E 40. C
11. E 26. E 41. E
39. O servidor público pode retirar da repartição documento 12. E 27. C 42. C
pertencente ao patrimônio público, sem prévia autorização 13. E 28. C 43. E
da autoridade competente, se exercer cargo de confiança
14. C 29. C 44. E
ou função à qual esse documento esteja relacionado.
15. C 30. E
40. O respeito à hierarquia e a disciplina não impede que o
LEI N. 8.112 DE 11 DE DEZEMBRO DE 1990
servidor público represente contra ato que caracterize
omissão ou abuso de poder, ainda que esse ato tenha REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS
emanado de superior hierárquico.
Âmbito de aplicação da Lei n. 8112/1990
41. A adequada prestação dos serviços públicos está re-
lacionada à questões de ordem técnica, sem, neces- A Lei n. 8.112 de 11 de dezembro de 1990 aplica-se aos
sariamente caracterizar-se por uma atitude ética no servidores públicos civis da União – Administração Direta,
trabalho. autarquias e fundações públicas federais.

7
Ressalte-se que a lei nº. 8.112/90 não se aplica aos • Poderá existir função sem cargo ou emprego (con-
empregados públicos, aos contratos temporários, aos milita- trato temporário).
res, aos agentes políticos (pois são regidos pela CF), e aos • As funções de confiança, criadas por lei, são plexos
servidores dos Estados, DF e Municípios (pois possuem seu unitários de atribuições correspondentes a encar-
próprio estatuto). gos de direção, chefia ou assessoramento, exer-
cidas por titular de cargo efetivo da confiança da
IMPORTANTE autoridade que as preenche. Os ocupantes desta
função submetem-se ao regime de integral dedica-
A Constituição de 1988 estabeleceu no caput do artigo 39 que ção ao serviço. (CF/1988, artigo 37, inciso V).
os servidores públicos deveriam ser regidos por um regime
jurídico único. A Emenda Constitucional n. 19 de 1998 extinguiu PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E
essa obrigatoriedade, permitindo que a Administração Pública SUBSTITUIÇÃO
escolha entre o vínculo estatutário ou contratual. Em 2 de
agosto de 2007, o Plenário do Supremo Tribunal Federal deferiu Provimento
cautelar na ADIN n. 2.135, para declarar inconstitucional a nova
redação dada pela EC n. 19/1998 ao caput do art. 39 da CF.
Provimento é o ato administrativo pelo qual se preen-
Com isso, voltou a vigorar o conhecido regime jurídico único,
che o cargo vago com designação do seu titular.
passando a vigorar o antigo texto do caput do artigo 39, qual
• Ocorrerá mediante ato da autoridade competente
seja:
de cada Poder.
• Formas de provimento:
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
instituirão, no âmbito de sua competência, regime –– Originário: independe de vínculo anterior entre
jurídico único e planos de carreira para os servidores a Administração e o agente. A única forma de
da administração pública direta, das autarquias e das provimento originário é a nomeação, seja para
fundações públicas. cargos efetivos ou em comissão.
–– Derivado: depende de vínculo anterior entre
a Administração e o nomeado. O provimento
CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICOS derivado dá continuidade à relação jurídica já
existente entre a Administração e o provido. As
IVAN LUCAS

Cargo público formas de provimento derivado são: promoção,


aproveitamento, reintegração, readaptação,
Cargo Público é o conjunto de atribuições e responsa- reversão e recondução.
bilidades previstas na estrutura organizacional que devem
ser cometidas a um servidor. Provimento Originário
• São criados e extintos por lei.
• Podem ser de caráter efetivo, exigindo-se aprova- Nomeação
ção prévia em concurso público; ou em comissão,
declarados por lei de livre nomeação e exoneração. Nomeação é um ato administrativo que formaliza o pro-
• É exclusivo ao servidor estatutário, regido pela Lei vimento originário, seja para cargos de provimento efetivo
n. 8.112 de 11 de dezembro de 1990. ou para cargos em comissão.
• Quando um cargo ocupado for extinto, seu atual • Para cargo efetivo, deverá ser precedida de prévia
ocupante, se não for estável, será exonerado. Se o habilitação em concurso público de provas ou
ocupante do cargo for estável, este será posto em provas e títulos.
disponibilidade com remuneração proporcional ao • Deverá ocorrer dentro do prazo de validade do con-
tempo de serviço. curso público.

Emprego Público IMPORTANTE


A aprovação em concurso público, dentro do número de vagas
Empregos públicos são preenchidos por agentes
previstas no edital, gera direito subjetivo à nomeação dentro
contratados para desempenhar atividades, sob regime tra-
balhista. do prazo de validade do certame, segundo entendimento do STF
• Seu provimento exige concurso público. e do STJ.
• Os empregados públicos são regidos pela Consolida-
ção de Leis Trabalhistas – CLT. Jurisprudência: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUS-
SÃO GERAL. CONCURSO PÚBLICO. PREVISÃO DE VAGAS EM
Função Pública EDITAL. DIREITO À NOMEAÇÃO DOS CANDIDATOS APROVA-
DOS.
Função Pública: qualquer pessoa que realiza uma ati- I. DIREITO À NOMEAÇÃO. CANDIDATO APROVADO DENTRO
vidade do Estado exerce uma função pública. DO NÚMERO DE VAGAS PREVISTAS NO EDITAL. Dentro do
• Quem exerce um cargo público desempenha uma prazo de validade do concurso, a Administração poderá escolher o
função pública. momento no qual se realizará a nomeação, mas não poderá dispor

8
sobre a própria nomeação, a qual, de acordo com o edital, passa cedimento e, principalmente, de garantias fundamentais que possi-
a constituir um direito do concursando aprovado e, dessa forma, bilitem o seu pleno exercício pelos cidadãos. O reconhecimento de
um dever imposto ao poder público. Uma vez publicado o edital do um direito subjetivo à nomeação deve passar a impor limites à atu-
concurso com número específico de vagas, o ato da Administração ação da Administração Pública e dela exigir o estrito cumprimento
que declara os candidatos aprovados no certame cria um dever das normas que regem os certames, com especial observância dos
de nomeação para a própria Administração e, portanto, um direito deveres de boa-fé e incondicional respeito à confiança dos cidadãos.
à nomeação titularizado pelo candidato aprovado dentro desse O princípio constitucional do concurso público é fortalecido quando
número de vagas. o Poder Público assegura e observa as garantias fundamentais que
II. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA viabilizam a efetividade desse princípio. Ao lado das garantias de
JURÍDICA. BOA-FÉ. PROTEÇÃO À CONFIANÇA. O dever de publicidade, isonomia, transparência, impessoalidade, entre outras,
boa-fé da Administração Pública exige o respeito incondicional às o direito à nomeação representa também uma garantia fundamental
regras do edital, inclusive quanto à previsão das vagas do concurso da plena efetividade do princípio do concurso público.
público. Isso igualmente decorre de um necessário e incondicional V. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO”.
respeito à segurança jurídica como princípio do Estado de Direito. (RE 598099, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno,
Tem-se, aqui, o princípio da segurança jurídica como princípio de julgado em 10/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-
proteção à confiança. Quando a Administração torna público um 189 DIVULG 30-09-2011 PUBLIC 03-10-2011 EMENT VOL-02599-
edital de concurso, convocando todos os cidadãos a participarem 03 PP-00314)
de seleção para o preenchimento de determinadas vagas no serviço
público, ela impreterivelmente gera uma expectativa quanto ao seu
comportamento segundo as regras previstas nesse edital. Aqueles Concurso Público
cidadãos que decidem se inscrever e participar do certame público
depositam sua confiança no Estado administrador, que deve atuar Concurso público é um método administrativo por meio
de forma responsável quanto às normas do edital e observar o prin- do qual a Administração Pública seleciona candidatos aos
cípio da segurança jurídica como guia de comportamento. Isso quer cargos e empregos públicos, obedecendo aos princípios da

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


dizer, em outros termos, que o comportamento da Administração isonomia, moralidade e eficiência.
Pública no decorrer do concurso público deve se pautar pela boa-fé, O inciso II do artigo 37 da Constituição Federal, dispõe
tanto no sentido objetivo quanto no aspecto subjetivo de respeito à
que:
confiança nela depositada por todos os cidadãos.
III. SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS. NECESSIDADE DE MOTIVA- a investidura em cargo ou emprego público depen-
ÇÃO. CONTROLE PELO PODER JUDICIÁRIO. Quando se afirma de de aprovação prévia em concurso público de
que a Administração Pública tem a obrigação de nomear os apro- provas ou de provas e títulos, de acordo com a na-
vados dentro do número de vagas previsto no edital, deve-se levar tureza e a complexidade do cargo ou emprego, na
em consideração a possibilidade de situações excepcionalíssimas forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações
que justifiquem soluções diferenciadas, devidamente motivadas de para cargo em comissão declarado em lei de livre
acordo com o interesse público. Não se pode ignorar que determina- nomeação e exoneração.
das situações excepcionais podem exigir a recusa da Administração
Pública de nomear novos servidores. Para justificar o excepcionalís-
O artigo 11 da Lei n. 8.112/1990 dispõe que:
simo não cumprimento do dever de nomeação por parte da Adminis-
tração Pública, é necessário que a situação justificadora seja dotada
O concurso será de provas ou de provas e títulos,
das seguintes características:
podendo ser realizado em duas etapas, conforme
a) Superveniência: os eventuais fatos ensejadores de uma situação dispuserem a lei e o regulamento do respectivo plano
excepcional devem ser necessariamente posteriores à publicação de carreira, condicionada a inscrição do candidato ao
do edital do certame público; pagamento do valor fixado no edital, quando indispen-
b) Imprevisibilidade: a situação deve ser determinada por circunstân- sável ao seu custeio, e ressalvadas as hipóteses de
cias extraordinárias, imprevisíveis à época da publicação do edital; isenção nele expressamente previstas.
c) Gravidade: os acontecimentos extraordinários e imprevisíveis
devem ser extremamente graves, implicando onerosidade exces- O prazo de validade do concurso público será de até
siva, dificuldade ou mesmo impossibilidade de cumprimento efetivo dois anos, prorrogável uma única vez, por igual período.
das regras do edital; • O prazo será contado a partir da homologação pela
d) Necessidade: a solução drástica e excepcional de não cumpri- autoridade competente.
mento do dever de nomeação deve ser extremamente necessá- • Homologação do concurso público é ato vinculado
ria, de forma que a Administração somente pode adotar tal medida no qual a Administração verifica os aspectos da
quando absolutamente não existirem outros meios menos gravosos legalidade.
para lidar com a situação excepcional e imprevisível. De toda forma,
• O prazo de validade e as condições da realização
a recusa de nomear candidato aprovado dentro do número de vagas
do concurso público serão fixados em edital, o qual
deve ser devidamente motivada e, dessa forma, passível de con-
trole pelo Poder Judiciário. será publicado no Diário Oficial da União e em jornal
de grande circulação.
IV. FORÇA NORMATIVA DO PRINCÍPIO DO CONCURSO PÚBLICO.
Esse entendimento, na medida em que atesta a existência de um
direito subjetivo à nomeação, reconhece e preserva da melhor forma IMPORTANTE
a força normativa do princípio do concurso público, que vincula dire-
A Lei n. 8.112/1990 estabelece que não se abrirá novo concurso
tamente a Administração. É preciso reconhecer que a efetividade da
enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com
exigência constitucional do concurso público, como uma incomensu-
rável conquista da cidadania no Brasil, permanece condicionada à prazo de validade não expirado. O inciso IV do artigo 37 da
observância, pelo Poder Público, de normas de organização e pro- Constituição, não proíbe a abertura de novo certame, mesmo

9
havendo concurso dentro do prazo de validade, desde que os • No ato da posse, o servidor apresentará declaração
aprovados anteriormente tenham prioridade, conforme a ordem de bens e valores que constituem seu patrimônio
de classificação. e declaração quanto ao exercício ou não de outro
cargo, emprego ou função pública.
• A posse em cargo público dependerá de prévia ins-
Deficiente peção médica oficial.

Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o A posse em cargo público de provimento efetivo é um


direito de se inscrever em concurso público para provimento direito subjetivo do nomeado, não podendo a nomeação ser
de cargos cujas atribuições sejam compatíveis com a defici- desfeita por livre vontade da Administração.
ência de que são portadoras. O prazo para investidura no cargo será contado do tér-
Para essas pessoas serão reservadas até 20% das mino do impedimento, na hipótese de o servidor, na data da
vagas oferecidas no concurso. nomeação, estar usufruindo de:

IMPORTANTE • Licenças:
–– por motivo de doença em pessoa da família;
A Constituição Federal dispõe que a lei reservará percentual
–– por convocação do serviço militar;
dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
–– para capacitação;
deficiência, não declinando, porém, qual o percentual a ser
–– gestante, adotante e paternidade;
observado. Ressalte-se que o percentual de até 20% foi definido
–– para tratar da própria saúde até o limite de 24
pela Lei n. 8.112/1990.
(vinte e quatro) meses;
–– por motivo de acidente em serviço ou doença
Posse
profissional.

A posse é um ato bilateral, pois depende da manifes-


• Afastamentos:
tação da vontade do nomeado declarando a aceitação do
–– por férias;
cargo.
–– para participação em programa de treinamento
• A investidura no cargo ocorrerá com a posse. Como
IVAN LUCAS

regularmente instituído;
requisitos básicos para a posse em cargo público a
–– para integrar júri e outros serviços obrigatórios
Lei n. 8.112/1990 enumera os seguintes: por lei;
• A nacionalidade brasileira; –– por deslocamento para nova sede de que trata o
Segundo a Constituição, o estrangeiro poderá ocu-
artigo 18 da Lei n. 8.112/1990;
par cargo público na forma da lei, ou seja, a lei de-
verá prever expressamente que determinado cargo –– para participar de competição desportiva nacio-
público pode ser ocupado por estrangeiro. nal ou convocação para integrar representação
desportiva nacional, no país e no exterior, con-
• O gozo dos direitos políticos; forme disposto em lei específica.
• A quitação com as obrigações militares e eleitorais;
• O nível de escolaridade exigido para o exercício do Exercício
cargo;
• A idade mínima de dezoito anos; Exercício é o efetivo desempenho das atribuições do
• Aptidão física e mental. cargo público ou da função de confiança.
• O prazo para o servidor empossado em cargo
É válido ressaltar que as atribuições do cargo po- público entrar em exercício é de 15 (quinze) dias,
dem justificar a exigência de outros requisitos es- contados da data da posse. Se o servidor não entrar
tabelecidos em lei, como por exemplo, carteira de em exercício no prazo previsto, será ele exonerado
motorista.
do cargo.
• É válido lembrar que o servidor somente fará jus às
• A posse dar-se-á pela assinatura do respectivo termo,
vantagens pecuniárias partir do exercício.
no qual deverão constar as atribuições, os deveres,
• A autoridade competente do órgão ou entidade para
as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo
onde for nomeado ou designado o servidor compete
ocupado.
dar-lhe exercício.
• A posse deverá ocorrer no prazo de 30 (trinta) dias,
• O início do exercício de função de confiança coin-
contados da publicação do ato de provimento.
cidirá com a data de publicação do ato de designa-
Se a posse não ocorrer no prazo previsto, 30 (trinta)
ção, salvo quando o servidor estiver em licença ou
dias, o ato de provimento será tornado sem efeito. afastado por qualquer outro motivo legal, hipótese
em que recairá no primeiro dia útil após o término
• A posse poderá ocorrer mediante procuração espe- do impedimento, que não poderá exceder a 30 dias
cífica. da publicação.

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QUADRO RESUMO

30 dias 15 dias

nomeação posse exercício

sem efeito exonerado

foi nomeado não toma posse toma posse não entra em exercício

Estágio Probatório –– para o serviço militar; e


–– para atividade política.
Ao entrar em exercício, segundo expresso na Lei n.
8.112/1990, o servidor nomeado para cargo de provimento • os afastamentos:
efetivo ficará sujeito a estágio probatório por período de 24 –– para exercício de mandato eletivo;
(vinte e quatro) meses, durante o qual a sua aptidão e capa- –– para estudo ou missão no exterior;
cidade serão objetos de avaliação para o desempenho do –– para servir organismo internacional que o Brasil
cargo, observados os seguintes fatores: participe; e
• Assiduidade;

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


–– para curso de formação decorrente de aprova-
• Disciplina; ção em concurso para outro cargo na Adminis-
• Capacidade de iniciativa; tração Pública Federal.
• Produtividade;
• Responsabilidade. O estágio probatório ficará suspenso durante:

IMPORTANTE
• as licenças:
Segundo decisão tanto do STF quanto do STJ, o prazo do estágio –– por motivo de doença em pessoa da família;
probatório será semelhante ao da estabilidade, ou seja, 3 anos. –– por motivo de afastamento do cônjuge ou com-
panheiro; e
–– para atividade política.
Jurisprudência: “Embargos de declaração em agravo regimental
em agravo de instrumento. 2. Vinculação entre o instituto da esta-
• os afastamentos:
bilidade, definida no art. 41 da Constituição Federal, e o do está-
gio probatório. 3. Aplicação de prazo comum de três anos a ambos –– para servir organismo internacional que o Brasil
os institutos. 4. Precedentes. 5. Embargos de declaração acolhidos participe; e
com efeitos infringentes”. –– para curso de formação decorrente de aprova-
(AI 754802 AgR-ED, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Segunda ção em concurso para outro cargo na Adminis-
Turma, julgado em 07/06/2011, DJe-118 DIVULG 20-06-2011
tração Pública Federal.
PUBLIC 21-06-2011 EMENT VOL-02548-02 PP-00357 RT v. 100,
n. 911, 2011, p. 462-465)
• Quatro meses antes de findo o período do estágio probatório, a • Nesses casos – licenças e afastamentos – o está-
avaliação do desempenho do servidor será submetida à homolo- gio probatório será retomado a partir do término do
gação da autoridade competente. Essa avaliação será realizada impedimento.
por comissão constituída para essa finalidade.
• O servidor não aprovado no estágio probatório será exonerado
Estabilidade
ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado.
• O servidor em estágio probatório poderá exercer quaisquer
cargos de provimento em comissão ou funções de direção, A estabilidade é uma garantia constitucional deferida
chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação. aos ocupantes de cargo efetivo.
• O servidor em estágio probatório somente poderá ser cedido a • Para adquirir estabilidade será necessário:
outro órgão ou entidade para ocupar cargos de Natureza Espe- –– Aprovação em concurso público para cargo efe-
cial, cargos de provimento em comissão do Grupo-Direção e
Assessoramento Superiores – DAS, de níveis 6, 5 e 4, ou equi-
tivo;
valentes. –– Aprovação no estágio probatório;
–– Aprovação em avaliação especial de desempe-
Ao servidor em estágio probatório somente poderão ser nho realizada por comissão instituída para essa
concedidas: finalidade;
–– Três anos de efetivo exercício.
• as licenças: • A estabilidade diz respeito ao serviço público e
–– por motivo de doença em pessoa da família; não ao cargo. Já o estágio probatório refere-se ao
–– por motivo de afastamento do cônjuge ou com- cargo, assim, a cada novo cargo efetivo, o servidor
panheiro; está sujeito a um novo estágio.

11
• O servidor estável aprovado em novo concurso • Verificação de insubsistência dos motivos que leva-
público não perderá a estabilidade desde que conti- ram a invalidez
nue na mesma esfera. Como, por exemplo, um ser- –– Essa hipótese ocorre quando uma junta médica
vidor efetivo estável que trabalhe no Ministério da oficial declara superados os motivos de aposen-
Saúde, uma vez aprovado em concurso do Tribunal tadoria do servidor por invalidez.
de Contas da União – TCU continuará estável no –– É um ato vinculado, pois a Administração, nesse
âmbito da União; se reprovado no estágio probató- caso, deve reverter o aposentado.
rio, será reconduzido ao Ministério da Saúde. –– Inexistindo vaga o servidor atuará como exce-
dente.
• Situação diversa seria do servidor estável no âmbito
• No interesse da Administração.
da União que seja aprovado em concurso no estado
–– Nesse caso, a reversão decorre do pedido do
de São Paulo. Nesse caso, por mudar de esfera,
servidor que, aposentado voluntariamente, pre-
esse servidor perderá a estabilidade junto à União.
tende voltar ao serviço ativo na condição de ser-
Assim, se reprovado em estágio probatório no novo vidor ocupante do mesmo cargo efetivo no qual
cargo que exerce no estado de São Paulo, não se deu a aposentadoria.
poderá ser reconduzido ao cargo de origem. –– Essa forma de reversão depende do interesse
• Hipóteses de perda da estabilidade: da Administração, sendo, portanto, um ato
–– em virtude de sentença judicial transitada em discricionário.
julgado;
–– mediante processo administrativo em que lhe • São requisitos para a reversão no interesse da
seja assegurada ampla defesa; Administração:
–– mediante procedimento de avaliação periódica –– solicitação do servidor;
de desempenho, na forma da lei complementar, –– o servidor ter se aposentado voluntariamente;
assegurada a ampla defesa; –– o servidor ter sido estável quando em atividade;
–– por excesso de despesa com pessoal. –– o servidor contar menos de 70 (setenta) anos;
• É importante estabelecer a diferença entre efetivi- –– o servidor estar aposentado a menos de 5
dade e estabilidade. Efetividade é atributo do cargo (cinco) anos da data de solicitação de reversão;
desde o instante da nomeação; estabilidade é a –– existência de cargo vago.
integração ao serviço público após três anos.
IVAN LUCAS

Aproveitamento
PROVIMENTO DERIVADO
Aproveitamento é o retorno ao serviço público do servi-
Promoção dor que estava em disponibilidade em razão da extinção do
cargo ou declaração de sua desnecessidade. Ou, ainda, em
Promoção é o movimento ascendente dentro da virtude de reingresso do servidor ilegalmente desligado de
mesma carreira, com acréscimo de vencimentos e respon- seu cargo, quando não for possível reconduzir o atual ocu-
sabilidades (movimento vertical – cargo em carreira previsto pante ao antigo posto ou aproveitá-lo em outro cargo.
em lei). O aproveitamento do servidor deve ocorrer em cargo
Atualmente, é requisito para promoção, a participação de atribuições e vencimentos compatíveis com o anterior-
em cursos de formação e aperfeiçoamento. mente ocupado.

Readaptação Reintegração

Readaptação é a investidura do servidor em cargo de A reintegração é a reinvestidura do servidor estável no


atribuições e responsabilidades semelhantes compatíveis cargo anteriormente ocupado ou no cargo resultante de sua
com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física transformação. Ocorrerá quando invalidada a sua demissão
ou mental. por decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento de
• Se julgado incapaz para o serviço público, o rea- todas as vantagens.
daptando será aposentado. Na hipótese de o cargo encontrar-se provido por servi-
–– A readaptação será efetivada em cargo de atri- dor estável, este será:
buições afins, respeitada a habilitação exigida, • reconduzido ao cargo de origem, sem direito à inde-
nível de escolaridade e equivalência de venci- nização;
mentos. • aproveitado em outro cargo;
–– Na hipótese de inexistência de cargo vago, o • posto em disponibilidade, com remuneração pro-
servidor exercerá suas atribuições como exce- porcional ao tempo de serviço.
dente, até a ocorrência de vaga.
Recondução
Reversão
Recondução é o retorno do servidor estável ao seu
Reversão é retorno do aposentado a ativa podendo cargo de origem por inabilitação no estágio probatório rela-
ocorrer de duas formas distintas: tivo a outro cargo ou reintegração do anterior ocupante.

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• Encontrando-se provido o cargo de origem, o servi- • por motivo de saúde do servidor, cônjuge, compa-
dor será aproveitado em outro cargo. nheiro ou dependente que viva às suas expensas
e conste do seu assentamento funcional, condicio-
IMPORTANTE nada à comprovação por junta médica oficial;
• em virtude de processo seletivo promovido, na hipó-
Há uma hipótese em que o servidor estável poderá pedir sua
tese em que o número de interessados for superior
recondução: o servidor é aprovado em outro concurso público, ao número de vagas, de acordo com normas prees-
dentro da mesma esfera, desiste do novo cargo e pede para ser tabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles
reconduzido ao cargo de origem, desde que o faça no período estejam lotados.
do estágio probatório.
A remoção não é forma de provimento ou vacância, pois
Vacância quem se desloca é o servidor dentre de um mesmo órgão ou
entidade. Ressalte-se que, o provimento e a vacância ocor-
Vacância é a situação decorrente de um ato adminis- rem no cargo.
trativo ou de um evento natural por meio do qual ocorre a
desocupação do cargo público, tornando-o vago. Redistribuição
São formas de vacância:
• Exoneração; Redistribuição é o deslocamento do cargo de pro-
• Demissão; vimento efetivo para outro órgão ou entidade do mesmo
• Promoção; Poder, independentemente do cargo estar ocupado ou vago,
• Readaptação; com prévia apreciação do órgão central do SIPEC, observa-
• Aposentadoria; dos os seguintes preceitos:

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


• Posse em outro cargo inacumulável; • Interesse da administração;
• Falecimento. • Equivalência de vencimentos;
• • Manutenção da essência das atribuições do cargo;
Destaca-se que: • Vinculação entre os graus de responsabilidade e
complexidade das atividades;
• Exoneração é ato administrativo que desliga o ser- • Mesmo nível de escolaridade, especialidade ou
vidor do serviço público encerrando vínculo funcio-
habilitação profissional;
nal. Não tem caráter punitivo.
• Compatibilidade entre as atribuições do cargo e as
• Demissão é ato administrativo que desliga o servi-
finalidades institucionais do órgão ou entidade.
dor ativo ocupante de cargo efetivo como forma de
punição por falta grave.
• A promoção e a readaptação são formas simultâ- A redistribuição é de cargos ocupados ou vagos; se
neas de provimento e vacância, segundo expressa- estiver ocupado, o servidor deverá acompanhar o cargo,
mente consignado na Lei n. 8.112/1990. ou seja, para onde o cargo for redistribuído seu ocupante o
acompanhará.
Remoção • A diferença entre a remoção e a redistribuição é que
nesta há o deslocamento do cargo de um órgão ou
A remoção é o deslocamento do servidor, a pedido entidade para outro; enquanto naquela, há o des-
ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem locamento do servidor dentro do mesmo órgão ou
mudança de sede. entidade.
• Entende-se por modalidades de remoção:
–– de ofício, no interesse da Administração; Substituição
–– a pedido, a critério da Administração;
–– a pedido, para outra localidade, independente- Os servidores investidos em cargo ou função de dire-
mente do interesse da Administração. ção ou chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Especial
terão substitutos indicados no regimento interno. No caso de
A remoção pode dar-se a pedido ou de ofício – por
omissão, os substitutos serão previamente designados pelo
atuação exclusiva da Administração Pública, em casos de
dirigente máximo do órgão ou entidade.
interesse público.
• O substituto assumirá automática e cumulativa-
• No caso de remoção de ofício, se o servidor passar
mente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o exer-
a ter exercício em nova sede, em caráter perma-
nente, fará jus, a título de indenização, à ajuda de cício do cargo ou função de direção ou chefia e
custo. os de Natureza Especial, nos afastamentos, impe-
A modalidade de remoção a pedido, para outra loca- dimentos legais ou regulamentares do titular e na
lidade, independentemente do interesse da Administra- vacância do cargo, hipóteses em que deverá optar
ção, ocorrerá nos seguintes casos: pela remuneração de um deles durante o respectivo
• para o servidor acompanhar cônjuge ou compa- período.
nheiro, também servidor público civil ou militar, de • Segundo consignado na Lei n. 8.112/1990,
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do
no interesse da Administração; cargo ou função de direção ou chefia ou de cargo de

13
Natureza Especial, nos casos dos afastamentos ou Vantagens
impedimentos legais do titular, superiores a trinta
dias consecutivos, paga na proporção dos dias de
Conforme o artigo 49 da Lei n. 8.112/1990, poderão ser
efetiva substituição, que excederem o referido pe-
ríodo. pagas ao servidor, além do vencimento, as seguintes van-
tagens:
• Nesse caso, o substituto somente receberia se a • Indenizações,
substituição fosse superior a 30 (trinta) dias conse- • Gratificações, e
cutivos e na proporção dos dias de efetiva substi- • Adicionais.
tuição, que excederem o referido período. Porém,
a Resolução n. 307, de 05 de março de 2003, do IMPORTANTE
Conselho da Justiça Federal, bem como o Ofício
Para efeito de concessão de quaisquer outros acréscimos
Circular n. 1, de 28 de janeiro de 2005, da Secre-
taria de Recursos Humanos do Ministério do Pla- pecuniários ulteriores, as vantagens pecuniárias não serão
nejamento, determinaram que o substituto fará jus computadas nem acumuladas sob o mesmo título ou idêntico
a remuneração do substituído desde o primeiro fundamento.
dia de efetiva substituição.
INDENIZAÇÕES
DIREITOS E VANTAGENS
As indenizações têm por finalidade compensar os
VENCIMENTO gastos eventuais que o servidor foi obrigado a fazer para o
exercício de sua atividade.
O vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício • Nunca se incorporam à remuneração para qualquer
de cargo público, com valor fixado em lei. efeito.
• Não tem caráter salarial.
REMUNERAÇÃO
• Constituem espécies de indenização: ajuda de
custo, diárias, transporte e auxílio-moradia.
Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido
das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei.
IVAN LUCAS

Ajuda de custo
• Nenhum desconto incidirá sobre a remuneração,
salvo por imposição legal ou mandado judicial. É
possível, mediante autorização do servidor, haver A ajuda de custo destina-se a compensar as despe-
descontos em favor de terceiros. sas de instalação do servidor que, no interesse do serviço,
• O vencimento, a remuneração e o provento não passar a ter exercício em nova sede, com mudança de domi-
serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, cílio em caráter permanente.
exceto nos casos de prestação de alimentos, resul- • No caso de o cônjuge ou companheiro, também
tante de decisão judicial. servidor, que vier a ter exercício na mesma sede, é
• O servidor perderá a remuneração: vedado o duplo pagamento da indenização.
–– do total do dia em que faltar ao serviço sem • A ajuda de custo é calculada sobre a remuneração
motivo justificado; do servidor, conforme dispuser regulamento, não
–– da parcela diária de atrasos salvo na hipótese podendo exceder a importância correspondente a
de compensação, segundo as regras estabele- três meses.
cidas pela chefia; • As despesas de transporte do servidor e de sua
–– no caso de dano ao erário (patrimônio público),
família, que compreendem passagem, bagagem e
a Administração descontará do servidor o per-
bens pessoais, serão custeadas pela Administra-
centual mínimo de 10% de sua remuneração
ção.
mensal, após conceder ao agente o direito de
• No caso de o servidor falecer na nova sede, à sua
defesa.
família são assegurados ajuda de custo e trans-
IMPORTANTE porte para a localidade de origem, dentro do prazo
de um ano, a contar do óbito.
A Lei n. 11.784 de 2008 incluiu o §5º ao art. 41 da Lei • Na hipótese de o servidor afastar-se do cargo ou
n. 8.112/1990, qual seja: “Nenhum servidor receberá
reassumi-lo em virtude de mandado eletivo não
remuneração inferior ao salário mínimo.” Observa-se que a
perceberá a ajuda de custo.
remuneração do servidor é que não poderá ser inferior ao salário
• Àquele que, não sendo servidor da União, for
mínimo, e não o vencimento.
nomeado para cargo em comissão, com mudança
de domicílio, perceberá, a titulo de indenização,
Provento ajuda de custo.
• Caso o servidor, injustificadamente, não se apre-
Provento é a remuneração percebida pelo aposentado sente na nova sede no prazo de 30 (trinta) dias,
ou pensionista. ficará obrigado a restituir a ajuda de custo.

14
Diária ou tenha sido proprietário, promitente comprador,
cessionário ou promitente cessionário de imóvel no
A diária será devida ao servidor que se afastar da sede Município onde for exercer o cargo, incluída a hipó-
a serviço, em caráter eventual ou transitório, para outro tese de lote edificado sem averbação de constru-
ponto do território nacional ou para o exterior. ção;
• As diárias têm por finalidade indenizar as despesas • nenhuma outra pessoa que residir com o servidor
extraordinárias que o servidor tiver com pousada, receba o auxílio-moradia;
alimentação e locomoção urbana, sendo concedi- • o servidor ter se mudado do local de residência para
das por dia de afastamento. ocupar cargo em comissão ou função de confiança
• Na hipótese de o deslocamento do servidor não do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores
exigir pernoite fora da sede, ou quando a União – DAS, níveis 4, 5 e 6, de Natureza Especial, de
custear, de uma outra forma, as despesas extraor- Ministro de Estado ou equivalentes;
dinárias cobertas por diárias, o servidor perceberá • o Município onde o servidor assumir o cargo em
a metade da diária. comissão ou função de confiança não se enqua-
• Não fará jus a diárias, na hipótese de o servidor drar nas hipóteses do §3º do artigo 58 da Lei n.
deslocar-se: 8.112/1990, em relação ao local de residência ou
–– Dentro da mesma região metropolitana, aglo- domicílio do servidor;
meração urbana ou microrregião, constituídas • o servidor não ter sido domiciliado ou residido no
por municípios limítrofes e regularmente insti- Município onde for exercer o cargo em comissão
tuídas; ou função de confiança nos últimos doze meses.
–– Para áreas de controle integrado mantidas com Nessa situação, desconsidera-se prazo inferior a 60
países limítrofes, cuja jurisdição e competência (sessenta) dias dentro desse período.

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


dos órgãos, entidades e servidores brasileiros • o deslocamento não ter sido por força de alteração
considera-se estendida; de lotação ou nomeação para cargo efetivo;
–– Na hipótese de o deslocamento da sede consti- • o deslocamento ter ocorrido após 30 de junho de
tuir exigência permanente do cargo. 2006.
• O servidor que receber diárias e não se afastar da –– O auxílio-moradia não será concedido por prazo
sede, por qualquer motivo, fica obrigado a restituí- superior a 8 (oito) anos dentro de cada período
-las integralmente, no prazo de 5 (cinco) dias. de 12 (doze) anos. Transcorrido o prazo de 8
(oito) anos dentro de cada período de 12 (doze)
IMPORTANTE anos, o pagamento somente será retomado se
Ressalte-se que para pagamento da diária o deslocamento observados, além do disposto no caput do artigo
do servidor, no interesse do serviço, deve ser eventual ou 60-C, os requisitos do caput do art. 60-B da Lei
transitório. Para o pagamento de ajuda de custo a mudança n. 8.112/1990, não se aplicando, no caso, o
de domicílio do servidor, determinada de ofício, deve ser em parágrafo único do citado art. 60-B.
caráter permanente. –– O valor mensal do auxílio-moradia é limitado
a 25% do valor do cargo em comissão, função
Transporte comissionada ou cargo de Ministro de Estado
ocupado.
A indenização transporte é devida ao servidor que rea- -- O valor do auxílio-moradia não poderá supe-
lizar despesas, por força das atribuições próprias do cargo, rar 25% (vinte e cinco por cento) da remune-
utilizando meio próprio de locomoção para a execução de ração de Ministro de Estado.
serviços externos, conforme se dispuser em regulamento. -- Independentemente do valor do cargo em
comissão ou função comissionada, fica
Auxílio-moradia garantido a todos os que preencherem os
requisitos o ressarcimento até o valor de R$
O auxílio-moradia consiste em ressarcir as despesas 1.800,00 (um mil e oitocentos reais).
comprovadamente realizadas pelo servidor com aluguel de –– O auxílio-moradia continuará sendo pago por
moradia ou com meio de hospedagem administrado por um mês, nos casos de falecimento ou exonera-
empresa hoteleira. ção do servidor, colocação de imóvel funcional
O servidor receberá a indenização no prazo de um mês à sua disposição ou na hipótese de aquisição
após a comprovação da despesa. de imóvel.
Para ter direito ao auxílio-moradia, deverão ser atendi-
dos os seguintes requisitos: DAS GRATIFICAÇÕES
• não existir imóvel funcional disponível para uso pelo
servidor; As gratificações têm o objetivo de retribuir o servidor pelo
• o cônjuge ou companheiro do servidor não ocupar exercício de alguma atividade.
imóvel funcional; • Da retribuição pelo exercício de Função de
• nos doze meses que antecederem sua nomeação, Direção, Chefia ou Assessoramento: o servi-
o servidor ou seu cônjuge ou companheiro não seja dor público que ocupar cargo efetivo, investido em

15
função de direção, chefia ou assessoramento, em justificada e previamente aprovada, a auto-
cargo de natureza especial ou em cargo de provi- ridade máxima do órgão ou entidade poderá
mento em comissão, fará jus a uma retribuição pelo autorizar o acréscimo de até 120 (cento e vinte)
seu exercício pelo fato de ter maiores responsabili- horas de trabalho anuais.
dades na sua função pública. –– A Gratificação por Encargo de Curso ou Con-
• Gratificação Natalina: corresponde a 1/12 (um curso não se incorpora ao vencimento ou salá-
doze avos) da remuneração calculada sobre o valor rio do servidor para qualquer efeito. Também
da remuneração a que o servidor fizer jus no mês não poderá ser utilizada como base de cálculo
de dezembro, por mês de exercício no respectivo para quaisquer outras vantagens, inclusive para
ano. Para fins desta gratificação, a fração igual ou fins de cálculo dos proventos da aposentadoria
superior a 15 (quinze) dias será considerada como e das pensões.
mês integral. Tal retribuição será paga até o dia 20 –– Somente será devida a Gratificação por
(vinte) do mês de dezembro de cada ano. O servi- Encargo de Curso ou Concurso se as ativida-
dor exonerado perceberá sua gratificação natalina, des referidas forem exercidas sem prejuízo das
proporcionalmente aos meses de exercício, calcu- atribuições do cargo de que o servidor for titular.
lada sobre a remuneração do mês da exoneração. Quando tais atividades forem desempenhadas
• Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso: durante a jornada de trabalho, a carga horária
é devida ao servidor que, em caráter eventual: deverá ser compensada.
–– I – atuar como instrutor em curso de formação,
de desenvolvimento ou de treinamento regu- DOS ADICIONAIS
larmente instituído no âmbito da administração
pública federal; São acréscimos na remuneração do servidor decorren-
-- Nessa situação, o valor máximo da hora tes de condições ou situações especiais de trabalho
trabalhada corresponderá ao percentual de
• Adicional por Tempo de serviço: FOI REVO-
2,2%, incidente sobre o maior vencimento
GADO. Os servidores que até o dia 8 de março de
básico da administração pública federal.
1999 completaram quinquênios fazem jus à per-
–– II – participar de banca examinadora ou de cepção dos respectivos adicionais que já estão
incorporados a suas remunerações.
IVAN LUCAS

comissão para exames orais, para análise curri-


• Adicionais de Insalubridade, Periculosidade e Ativi-
cular, para correção de provas discursivas, para
dade Penosa:
elaboração de questões de provas ou para jul-
O adicional de insalubridade é devido aos servidores
gamento de recursos intentados por candidatos;
que trabalham com habitualidade em locais insalubres ou
-- Nessa situação, o valor máximo da hora
em contato permanente com substancias tóxicas ou radio-
trabalhada corresponderá ao percentual de
ativas.
2,2%, incidente sobre o maior vencimento
O adicional de periculosidade é devido aos servido-
básico da administração pública federal.
res que trabalham com habitualidade em locais que ofere-
–– III – participar da logística de preparação e de
çam risco à vida.
realização de concurso público envolvendo ativi-
O adicional de atividade penosa é devido aos ser-
dades de planejamento, coordenação, supervi-
vidores que trabalham em zonas de fronteira ou em loca-
são, execução e avaliação de resultado, quando
lidades cujas condições de vida o justifiquem, nos termos,
tais atividades não estiverem incluídas entre as
condições e limites fixados em regulamento.
suas atribuições permanentes; • O servidor que fizer jus aos adicionais de insalubri-
-- Nessa situação, o valor máximo da hora dade e de periculosidade não poderá percebê-los
trabalhada corresponderá ao percentual de cumulativamente, devendo optar por um deles.
1,2%, incidente sobre o maior vencimento • O direito ao adicional de insalubridade ou pericu-
básico da administração pública federal. losidade cessa quando não mais existirem as con-
–– IV – participar da aplicação, fiscalizar ou ava- dições ou os riscos que deram causa a sua con-
liar provas de exame vestibular ou de concurso cessão.
público ou supervisionar essas atividades. • Adicional por Serviço Extraordinário: o serviço
-- Nessa situação, o valor máximo da hora extraordinário será remunerado com acréscimo de
trabalhada corresponderá ao percentual de 50% em relação à hora normal de trabalho. Este
1,2%, incidente sobre o maior vencimento serviço somente será permitido para atender à
básico da administração pública federal. situações excepcionais e temporárias, observado
o limite máximo de 2 (duas) horas por jornada. A
–– O valor da gratificação será calculado em horas. jornada de trabalho dos servidores será fixada de
Para este fim, serão observadas a natureza e a acordo com as atribuições pertinentes aos respecti-
complexidade da atividade exercida. vos cargos, respeitada a duração máxima do traba-
–– A retribuição não poderá exceder ao equiva- lho semanal de 40 (quarenta) horas e observados
lente a 120 (cento e vinte) horas de trabalho os limites, mínimo e máximo, de 6 (seis) horas e 8
anuais. Em situação excepcional, devidamente (oito) horas diárias, respectivamente.

16
• Adicional Noturno: o serviço noturno terá o valor- • por motivo de doença em pessoa da família;
-hora acrescido de 25%. Considera-se serviço • por motivo de afastamento do cônjuge ou compa-
noturno, aquele prestado em horário compreendido nheiro;
entre 22 (vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) • para o serviço militar;
horas do dia seguinte, computando-se cada hora • para atividade política;
como 52 (cinquenta e dois) minutos e 30 (trinta) • para capacitação;
segundos. No caso de serviço extraordinário, o adi- • para tratar de interesses particulares;
cional noturno incidirá sobre a remuneração do adi- • para desempenho de mandato classista.
cional por serviço extraordinário.
• Adicional de Férias: será pago ao servidor um adi- Essas licenças somente serão deferidas aos ocu-
cional correspondente a 1/3 (um terço) da remu- pantes de cargos efetivos, não abrangendo os cargos em
neração do período das férias, independentemente comissão.
de solicitação do servidor. A licença concedida dentro de 60 (sessenta) dias do
término de outra da mesma espécie será considerada
FÉRIAS como prorrogação.
As licenças são direitos que o Estatuto concede aos
• O servidor fará jus a 30 (trinta) dias de férias. servidores efetivos vinculadas a uma situação jurídica pre-
• No caso de necessidade do serviço, as férias viamente estabelecida, consistindo na ausência justificada
podem ser acumuladas até o máximo de dois perí- das atividades do cargo.
odos, ressalvadas as hipóteses em que haja legis-
lação específica. Da Licença por Motivo de Doença em Pessoa da
• Serão exigidos 12 (doze) meses de exercício para Família

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


o primeiro período aquisitivo de férias.
• Qualquer falta ao serviço não poderá ser descon- • Ao servidor poderá ser concedida licença por motivo
tada das férias. de doença do cônjuge ou companheiro, dos pais,
• As férias poderão ser parceladas em até 3 (três) dos filhos, do padrasto ou madrasta e enteado, ou
etapas, desde que assim requeridas pelo servidor, dependente que viva às suas expensas e conste
e no interesse da administração pública. Nesse do seu assentamento funcional, mediante compro-
caso, o adicional de férias será pago quando da vação por perícia médica oficial. (Lei n. 11.907 de
utilização do primeiro período. 2009).
• O servidor que opera direta e permanentemente • Somente será deferida se a assistência direta do
com Raios X ou substâncias radioativas gozará 20 servidor for indispensável e não puder ser pres-
(vinte) dias consecutivos de férias, por semestre de tada simultaneamente com o exercício do cargo ou
atividade profissional. Neste caso, a acumulação é mediante compensação de horário.
proibida, em qualquer hipótese. • Pode ser concedida no estágio probatório.
• As férias somente poderão ser interrompidas por • Enquanto o servidor estiver no gozo da licença, o
motivo de: estágio probatório ficará suspenso.
–– calamidade pública, • A licença, incluídas as prorrogações, poderá ser
–– comoção interna, concedida a cada período de doze meses nas
–– convocação para júri, seguintes condições:
–– serviço militar ou eleitoral, ou –– por até sessenta dias, consecutivos ou não, man-
–– necessidade do serviço declarada pela autori- tida a remuneração do servidor; e;
dade máxima do órgão ou entidade. –– por até noventa dias, consecutivos ou não, sem
• Na hipótese de interrupção das férias, o restante do remuneração.
período interrompido será gozado de uma só vez. • O início do interstício de doze meses será contado
• O pagamento da remuneração das férias será efe- a partir da data do deferimento da primeira licença
tuado até 2 (dois) dias antes do início do respectivo concedida.
período. • Contar-se-á apenas para efeito de aposentadoria e
• O servidor exonerado fará jus a uma indenização disponibilidade a licença para tratamento de saúde
relativa ao período das férias a que tiver direito e ao de pessoa da família do servidor, com remunera-
incompleto. Essa indenização, calculada com base ção, que exceder a trinta dias em período de doze
na remuneração do mês da publicação do ato exo- meses. Já o período concedido sem remuneração
neratório, será na proporção de 1/12 (um doze avos) não contará para nenhum efeito.
por mês de efetivo exercício ou fração superior a 14 • O servidor em gozo desta licença não poderá exer-
(quatorze) dias. cer qualquer atividade remunerada.

LICENÇAS Da Licença por Motivo de Afastamento do Cônjuge

Nos termos previstos no artigo 81 da Lei n. 8.112/1990, • Ao servidor poderá ser concedida licença para
conceder-se-á ao servidor as seguintes licenças: acompanhar cônjuge ou companheiro que foi deslo-

17
cado para outro ponto do território nacional, para o Da Licença para Capacitação
exterior ou para o exercício de mandato eletivo dos
Poderes Executivo e Legislativo. • Após cada quinquênio de efetivo exercício, o ser-
• Pode ser concedida no estágio probatório. vidor poderá, no interesse da Administração,
• Enquanto o servidor estiver no gozo da licença, o afastar-se do exercício do cargo efetivo, com a res-
estágio probatório ficará suspenso. pectiva remuneração, por até 3 (três meses), para
• A licença será por prazo indeterminado e sem remu- participar de curso de capacitação profissional.
neração. • Os períodos dessa licença não podem ser acumu-
• O período em que o servidor estiver em gozo dessa lados.
licença não contará para nenhum efeito. • O período de licença para capacitação é computado
• No deslocamento de servidor cujo cônjuge ou com- como efetivo exercício.
panheiro também seja servidor público, civil ou mili- • É importante ressaltar que a concessão dessa
tar, de qualquer dos Poderes da União, dos Esta-
licença constitui um ato discricionário da Adminis-
dos, do Distrito Federal e dos Municípios, poderá
tração.
haver exercício provisório em órgão ou entidade da
Administração Federal direta, autárquica ou fun-
Da Licença para tratar de Interesses particulares
dacional, desde que para o exercício de atividade
compatível com o seu cargo.
• A critério da Administração, ao servidor ocupante
Da Licença para o Serviço Militar de cargo efetivo poderá ser concedida licença para
o trato de assuntos particulares pelo prazo de até 3
• Ao servidor convocado para o serviço militar será (três) anos consecutivos, sem remuneração.
concedida licença, na forma e condições previstas • Não pode ser gozada por servidor em estágio pro-
em legislação específica. batório.
• Pode ser concedida no estágio probatório. • A concessão dessa licença constitui uma discricio-
• Será por prazo indeterminado e com remuneração. nariedade da Administração.
• Enquanto o servidor estiver no gozo da licença, o • Poderá ser interrompida a qualquer tempo pelo ser-
estágio probatório não será suspenso. vidor ou no interesse do serviço.
• Concluído o serviço militar, o servidor terá até 30 • Não havendo remuneração nem contribuição, seu
IVAN LUCAS

(trinta) dias sem remuneração para reassumir o período não conta para nenhum efeito.
exercício do cargo.
Da Licença para o Desempenho de Mandato Classista
Licença para Atividade Política
• É assegurado ao servidor o direito à licença para o
• O servidor terá direito a licença para atividade polí- desempenho de mandato em confederação, fede-
tica. Essa licença divide-se em duas etapas: ração, associação de classe de âmbito nacional,
–– Sem remuneração – durante o período que sindicato representativo da categoria ou entidade
mediar entre a sua escolha em convenção par- fiscalizadora da profissão.
tidária, como candidato a cargo eletivo, e a vés- • Será concedida sem remuneração.
pera do registro de sua candidatura perante a • Sua concessão é um ato vinculado.
Justiça Eleitoral; • Não pode ser gozada por servidor em estágio pro-
–– Com remuneração – a partir do registro da can- batório.
didatura na Justiça Eleitoral até o 10º (décimo) • A licença terá duração igual a do mandato. No caso
dia seguinte ao da eleição. Porém, essa remu- de reeleição, poderá ser prorrogada por uma única
neração somente se estenderá pelo prazo de vez.
3 (três) meses. No caso de o período eleitoral • Somente poderão ser licenciados servidores eleitos
ultrapassar 3 (três) meses, o servidor terá direito para cargos de direção ou representação nas enti-
a licença, mas não terá direito a remuneração dades.
ao que exceder este prazo. • Seu período será considerado para todos os efei-
• Pode ser concedida no estágio probatório. tos, exceto para promoção por merecimento.
• Enquanto o servidor estiver no gozo da licença, o
estágio probatório ficará suspenso. AFASTAMENTOS
• O período em que houver remuneração será com-
putado para fins de aposentadoria e disponibilidade. Os afastamentos são direitos que a Lei confere ao ser-
• O servidor, candidato a cargo eletivo na localidade vidor em casos especiais. O Estatuto prevê quatro espécies
onde desempenha suas funções, que exercer cargo de afastamentos:
de direção, chefia, assessoramento, arrecadação ou • Servir a outro órgão ou entidade;
fiscalização, dele será afastado, a partir do dia ime- • Exercício de mandato eletivo.
diato ao do registro de sua candidatura perante a • Estudo ou missão no exterior.
Justiça Eleitoral, até o 10º (décimo) dia seguinte ao • Para participação em programa de pós-graduação
do pleito. stricto sensu no país.

18
Servir a outro órgão ou entidade Estudo ou Missão no Exterior

• O servidor poderá ser cedido para ter exercício em • Poderá ser concedido ao servidor afastamento para
outro órgão ou entidade dos Poderes da União, dos estudo ou missão no exterior.
Estados, ou do Distrito Federal e dos Municípios, • Esse afastamento dependerá da autorização do
nos seguintes casos: Presidente da República (Executivo), Presidente
a) para exercício de cargo em comissão ou função dos Órgãos do Poder Legislativo (Legislativo) e Pre-
de confiança; sidente do Supremo Tribunal Federal (Judiciário).
• Pode ser concedido no estágio probatório.
b) em casos previstos em leis específicas.
• Enquanto o servidor estiver no gozo do afasta-
• Pode ser concedido no estágio probatório.
mento, o estágio probatório não será suspenso,
• Na hipótese da letra ‘a’, quando a cessão é para
salvo se for para servir organismo internacional.
Estado, DF ou Municípios o ônus da remunera-
• O prazo máximo para o afastamento é de quatro anos.
ção será do cessionário. Se a cessão do servidor • O afastamento será com remuneração, salvo se o
ocorrer entre órgão, entidades e Poderes da União, servidor for servir organismo internacional do qual
caberá ao cedente o pagamento da remuneração o Brasil participe.
de servidor relativamente ao seu cargo efetivo, e ao • O período em que o servidor ficar afastado é o
cessionário o pagamento pelo exercício do cargo mesmo período que ele tem de trabalhar novamente
em comissão ou da função de confiança. para fazer jus a um novo afastamento. Durante esse
• Na hipótese de o servidor cedido para empresa período, o servidor beneficiado pelo afastamento
pública ou sociedade de economia mista optar pela não poderá ser exonerado a pedido e nem poderá
remuneração do cargo efetivo, a entidade cessioná- afastar-se do cargo para tratar de assuntos particu-

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


ria efetuará o reembolso das despesas realizadas lares (Licença para tratar de assuntos particulares),
pelo órgão ou entidade de origem. ressalvada a hipótese de ressarcimento da despesa
• Na hipótese de a União requisitar servidor estadual, havida com seu afastamento.
distrital ou municipal, deverá arcar com o ônus da • O período de afastamento será contado como de
remuneração. efetivo exercício.
• O servidor em estágio probatório poderá exercer
Do Afastamento para participação em programa de
quaisquer cargos em comissão ou função comissio-
pós-graduação stricto sensu no país (Art. 96-A)
nada e somente poderá ser cedido para outro órgão
ou entidade para ocupar DAS de níveis 6, 5 e 4 ou
• O servidor poderá, no interesse da Administração, e
equivalentes. (Lei n. 8.112/1990 – artigo 20 §3º)
desde que a participação não possa ocorrer simul-
• O período de afastamento contar-se-á como de efe-
taneamente com o exercício do cargo ou mediante
tivo exercício. compensação de horário, afastar-se do exercício do
cargo efetivo, com a respectiva remuneração, para
Mandato eletivo participar em programa de pós-graduação stricto
sensu em instituição de ensino superior no país.
• Ao servidor investido em mandato eletivo é assegu- • Ato do dirigente máximo do órgão ou entidade defi-
rado o afastamento na seguinte forma: nirá, em conformidade com a legislação vigente, os
–– investido em mandato federal, estadual ou distri- programas de capacitação e os critérios para parti-
tal, ficará afastado do cargo; cipação em programas de pós-graduação no País,
–– investido no mandato de Prefeito, será afastado com ou sem afastamento do servidor, que serão
do cargo, podendo optar pela remuneração; avaliados por um comitê constituído para este fim.
–– investido no mandato de vereador: havendo • Os afastamentos para realização de programas
compatibilidade de horário, perceberá as vanta- de mestrado e doutorado somente serão concedi-
gens de seu cargo, sem prejuízo da remuneração dos aos servidores titulares de cargos efetivos no
do cargo eletivo; não havendo compatibilidade respectivo órgão ou entidade há pelo menos três
de horário, será afastado do cargo, sendo-lhe anos para mestrado e quatro anos para douto-
facultado optar pela sua remuneração. rado, incluído o período de estágio probatório, que
• Pode ser concedido no estágio probatório. não tenham se afastado por licença para tratar de
• Enquanto o servidor estiver no gozo do afasta- assuntos particulares para gozo de licença capaci-
mento, o estágio probatório não será suspenso. tação, nos dois anos anteriores à data da solicita-
• No caso de afastamento do cargo, o servidor con- ção de afastamento.
tribuirá para a seguridade social como se em exer- • Os afastamentos para realização de programas de
cício estivesse. pós-doutorado somente serão concedidos aos servi-
• O servidor investido em mandato eletivo ou clas- dores titulares de cargos efetivo no respectivo órgão
sista não poderá ser removido ou redistribuído de ou entidade há pelo menos quatro anos, incluído o
ofício para localidade diversa daquela onde exerce período de estágio probatório, e que não tenham se
o mandato. afastado por licença para tratar de assuntos particu-
• Este período será considerado para todos os efei- lares para gozo de licença capacitação, nos quatro
tos, exceto para promoção por merecimento. anos anteriores à data da solicitação de afastamento.

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• Afastado para participar em programas de pós-gra- • férias;
duação no país, o servidor terá de permanecer no • exercício de cargo em comissão ou equivalente, em
exercício de suas funções, após seu retorno, por órgão ou entidade dos Poderes da União, dos Esta-
um período igual ao do afastamento concedido. dos, Municípios e Distrito Federal;
• exercício de cargo ou função de governo ou admi-
CONCESSÕES nistração, em qualquer parte do território nacional,
por nomeação do Presidente da República;
O servidor poderá ausentar-se do serviço, sem qual- • participação em programa de treinamento regular-
quer prejuízo: mente instituído, ou em programa de pós-gradu-
• 1 (um) dia para doação de sangue;
ação stricto sensu no país, conforme dispuser o
• 2 (dois) dias para se alistar como eleitor;
regulamento; (Lei n. 11.907 de 2009)
• 8 (oito) dias para casamento – licença gala; ou fale-
• desempenho de mandato eletivo federal, estadual,
cimento – licença nojo do cônjuge, companheiro,
municipal ou do Distrito Federal, exceto para pro-
pais, padrasto, madrasta, filhos, irmãos ou menor
moção por merecimento;
sob sua guarda ou tutela.
• júri e outros serviços obrigatórios por lei;
–– Ao servidor estudante será concedido horário
especial quando comprovada a incompatibili- • missão ou estudo no exterior, quando autorizado o
dade entre o horário escolar e o da repartição, afastamento, conforme dispuser o regulamento;
sem prejuízo do exercício do cargo. Nesse caso, • licença:
será exigida a compensação de horário no órgão a) à gestante, à adotante e à paternidade;
ou entidade que tiver exercício, respeitada a b) para tratamento da própria saúde, até o limite
duração semanal do trabalho. de 24 (vinte e quatro) meses, cumulativo ao
–– Também será concedido horário especial ao longo do tempo de serviço público prestado à
servidor portador de deficiência, quando com- União, em cargo de provimento efetivo;
provada a necessidade por junta médica oficial, c) para o desempenho de mandato classista ou
independentemente de compensação de horá- participação de gerência ou administração em
rio. Esse horário especial também é extensível sociedade cooperativa constituída por servido-
ao servidor que tenha cônjuge, filho ou depen- res para prestar serviços a seus membros, ex-
dente portador de deficiência física, exigindo-se, ceto para efeito de promoção por merecimento;
porém, neste caso, que haja compensação de
IVAN LUCAS

d) por motivo de acidente em serviço ou doença


horário. profissional;
–– Outra hipótese de concessão de horário espe- e) para capacitação, conforme dispuser o regula-
cial, vinculada à compensação de horário, mento;
porém a ser efetivada no prazo de até 1 (um) f) por convocação para o serviço militar;
ano, refere-se ao servidor que desempenhe as
atividades previstas nos incisos I e II, caput do • deslocamento para a nova sede de que trata o
artigo 76-A da Lei n. 8.112/1990, quais sejam: artigo 18 da Lei n. 8.112/1990, qual seja:
I – atuar como instrutor em curso de formação,
de desenvolvimento ou de treinamento regu- O servidor que deva ter exercício em outro muni-
larmente instituído no âmbito da administra- cípio em razão de ter sido removido, redistribuído,
ção pública federal; requisitado, cedido ou posto em exercício provisó-
II – participar de banca examinadora ou de co- rio terá, no mínimo, dez e, no máximo, trinta dias
missão para exames orais, para análise cur- de prazo, contados da publicação do ato, para a
ricular, para correção de provas discursivas, retomada do efetivo desempenho das atribuições
para elaboração de questões de provas ou do cargo, incluído nesse prazo o tempo necessário
para julgamento de recursos intentados por para o deslocamento para a nova sede.
candidatos.
–– Ao servidor estudante que mudar de sede no • participação em competição desportiva nacional ou
interesse da administração é assegurada matrí- convocação para integrar representação desportiva
cula em instituição de ensino congênere na nacional, no País ou no exterior, conforme disposto
localidade da nova residência ou na mais pró- em lei específica;
xima, em qualquer época, independentemente • afastamento para servir em organismo internacional
de vaga. Esse direito estende-se ao cônjuge ou de que o Brasil participe ou com o qual coopere.
companheiro, aos filhos, ou enteados do servi-
dor que vivam na sua companhia, bem como Será considerado apenas para fins de aposentadoria e
aos menores sob sua guarda, com autorização disponibilidade os afastamentos em virtude de:
judicial. • o tempo de serviço público prestado aos Estados,
Municípios e Distrito Federal;
TEMPO DE SERVIÇO • a licença para tratamento de saúde de pessoal da
família do servidor, com remuneração, que exceder
Será considerado como de efetivo exercício, compu- a trinta dias em período de doze meses.;
tado para fins de promoção, aposentadoria, disponibilidade • a licença para atividade política, no caso do artigo
e outros, os afastamentos em virtude de: 86 §2º da Lei n. 8.112/1990;

20
• o tempo correspondente ao desempenho de man- ou proferido a primeira decisão, não podendo ser
dato eletivo federal, estadual, municipal ou distrital, renovado. Esse pedido de reconsideração deverá
anterior ao ingresso no serviço público federal; ser despachado no prazo de 5 (cinco) dias e deci-
• o tempo de serviço em atividade privada, vinculada dido em 30 (trinta) dias.
à Previdência Social; • Do indeferimento do pedido de reconsideração
• o tempo de serviço relativo a tiro de guerra; caberá recurso a ser interposta no prazo de 30
• o tempo de licença para tratamento da própria (trinta) dias.
saúde que exceder o período de 24 (vinte e quatro) • Também cabe recurso das decisões sobre os recur-
meses – este prazo consta da alínea b, inciso VIII, sos sucessivamente interpostos até o máximo de
artigo 102 da Lei n. 8.112/1990. três instâncias administrativas (Lei n. 9.784/1999).
• O recurso é encaminhado à autoridade imediata-
 Obs.: A contagem cumulativa de tempo de serviço pres- mente superior a que decidiu.
tado concomitantemente em mais de um cargo • O pedido de reconsideração é dirigido para mesma
ou função de órgão ou entidades dos Poderes da autoridade prolatora da decisão.
União, Estado, Distrito Federal e Município, autar- • Em regra, o recurso não terá efeito suspensivo, mas
quia, fundação pública, sociedade de economia a Administração, a juízo da autoridade competente,
mista e empresa pública é expressamente vedada poderá recebê-lo com efeito suspensivo.
por lei. • O direito de requerer prescreve em:
–– 5 (cinco) anos para atos de demissão e de
DIREITO DE PETIÇÃO cassação de aposentadoria ou disponibilidade
ou que afetem interesse patrimonial e créditos
O direito de petição é o direito que todo servidor tem de resultantes das relações de trabalho;

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


pedir, requerer aos Poderes Públicos, em defesa de direito –– 120 (cento e vinte) dias nos demais casos.
ou interesse legítimo. • A prescrição começa a correr na data da publicação
• O pedido sempre será dirigido à autoridade compe- do ato ou da ciência do interessado.
tente para decidi-lo. Tal pedido será encaminhado • O prazo de prescrição será contado da data da
por intermédio da autoridade a que o requerente publicação do ato impugnado ou da ciência pelo
estiver imediatamente subordinado, em obediência interessado.
à hierarquia na Administração. • O pedido de reconsideração e o recurso, quando
• O requerente encaminha à chefia imediata, que tem cabíveis, interrompem o prazo de prescrição.
prazo de 5 (cinco) dias para remeter à autoridade • A prescrição não pode ser relevada pela Administra-
competente. Esta tem o prazo de 30 (trinta) dias ção, uma vez que é de ordem pública.
para decidir. • A Administração deverá rever seus atos, a qualquer
• Caso o requerimento do servidor seja indeferido ou tempo, quando eivados de ilegalidade, em obediên-
deferido parcialmente caberá pedido de reconsi- cia ao Princípio da Autotutela.
deração à autoridade que houver expedido o ato

Direito do Servidor Pedir

Intermédio
Servidor pede Autoridade competente
Autoridade
imediatamente superior

5 dias para despachar 30 dias para decidir

Pedido Indeferido ou Deferido Parcialmente

Intermédio Autoridade que expediu o ato


Servidor pede ou proferiu a primeira decisão
reconsideração Autoridade
imediatamente superior

5 dias para despachar 30 dias para decidir

Pedido de Reconsideração Indeferido

Autoridade superior a que


Servidor proferiu a decisão

30 dias para recorrer

21
REGIME DISCIPLINAR –– Em regra, os documentos e objetos da reparti-
ção não devem ser retirados desta. Mas, depen-
Os artigos 116 ao 142 da Lei n. 8.112/1990 tratam do dendo da natureza e atribuições do cargo a reti-
Regime Disciplinar dos servidores públicos que consiste em rada de tais documentos é permitida.
um conjunto de normas que dispõem sobre os deveres, as –– Penalidade: advertência
proibições, as penalidades e as responsabilidades dos ser- • Recusar fé a documentos públicos;
vidores referentes ao exercício de seus cargos. –– Documentos públicos são públicos, como o pró-
prio nome define. Por isso, não podem ser recu-
DEVERES sados pelo servidor. Documentos públicos são
aqueles originados da repartição pública ou dos
Os deveres impostos aos servidores públicos, expres- ofícios públicos.
sos no artigo 116 da Lei n. 8.112/1990, são os seguintes: –– Penalidade: advertência
• Exercer com zelo e dedicação as atribuições do • Opor resistência injustificada ao andamento de
cargo; documento e processo ou execução de serviço;
• Ser leal às instituições a que servir; –– A oposição injustificada ao andamento de docu-
• Observar as normas legais e regulamentares; mento e processo constitui violação ao princípio
• Cumprir as ordens superiores, exceto quando mani- da eficiência e impessoalidade.
festamente ilegais; –– Penalidade: advertência
• Atender com presteza: • Promover manifestação de apreço ou desapreço no
a) ao público em geral, prestando as informações recinto da repartição;
requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo; –– Esta situação viola o princípio da impessoali-
b) à expedição de certidões requeridas para defesa dade.
de direito ou esclarecimento de situações de in- –– Penalidade: advertência
teresse pessoal; • Cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos
c) as requisições para a defesa da fazenda pública. casos previstos em lei, o desempenho de atribuição
• Levar as irregularidades de que tiver ciência em que seja de sua responsabilidade ou de seu subor-
razão do cargo ao conhecimento da autoridade dinado;
superior ou, quando houver suspeita de envolvi- –– As atribuições do cargo devem ser realizadas
IVAN LUCAS

mento desta, ao conhecimento de outra autoridade pelo servidor legalmente investido – Requisito
competente para apuração; da competência do ato administrativo.
• Zelar pela economia do material e a conservação –– Penalidade: advertência
do patrimônio público; • Coagir ou aliciar subordinados no sentido de filia-
• Guardar sigilo sobre assunto da repartição; rem-se a associação profissional ou sindical, ou a
• Manter conduta compatível com a moralidade admi- partido político;
nistrativa; –– O servidor não poderá obrigar alguém a filiar-
• Ser assíduo e pontual ao serviço; -se a associação profissional ou sindical, ou a
• Tratar com urbanidade as pessoas; partido político.
• Representar contra ilegalidade, omissão ou abuso –– Penalidade: advertência
de poder. Essa representação será encaminhada • Manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função
pela via hierárquica e apreciada pela autoridade de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até
superior àquela contra a qual é formulada, assegu- o segundo grau civil;
rando-se ao representando ampla defesa. –– Não é proibido que o parente seja subordinado
a outro, mas, sim, que seja titular de cargo ou
PROIBIÇÕES função de confiança sob chefia imediata de
outro parente.
O artigo 117 da Lei n. 8.112/1990 estabelece as condu- –– Considera-se parente até segundo grau: pais,
tas proibidas ao servidor. Na hipótese de violação, aplicar- filhos, avós, netos e irmãos.
-se-á uma penalidade ao servidor, autor da conduta, após –– Penalidade: advertência
processo de apuração. Neste caso, será assegurado ao ser- • Valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou
vidor o direito a ampla defesa. As proibições descritas no de outrem, em detrimento da dignidade da função
referido artigo são as seguintes: pública;
• Ausentar-se do serviço durante o expediente, sem –– O cargo não poderá ser utilizado para obter
prévia autorização do chefe imediato; favores pessoais ou de outrem. Violação dos
–– A ausência do servidor sem anuência da chefia princípios da moralidade e da finalidade.
imediata constitui irregularidade que prejudica o –– Penalidade: demissão
erário e a eficiência do serviço. • Participar de gerência ou administração de socie-
–– Penalidade: advertência dade privada, personificada ou não personificada,
• Retirar, sem prévia anuência da autoridade compe- exercer o comércio, exceto na qualidade de acio-
tente, qualquer documento ou objeto da repartição; nista, cotista ou comanditário;

22
• Exercer quaisquer atividades que sejam incompa-
Essa vedação não se aplica nos casos de: tíveis com o exercício do cargo ou função e com o
I – participação nos conselhos de administração e horário de trabalho;
fiscal de empresas ou entidades em que a União dete- – O servidor não poderá exercer qualquer ativi-
nha, direta ou indiretamente, participação no capital dade, pública ou privada, remunerada ou gra-
social ou em sociedade cooperativa constituída para tuita, transitória ou permanente, que seja incom-
prestar serviços a seus membros; e patível com o exercício do cargo ou função e
II – gozo de licença para o trato de interesses par- com o horário de trabalho;
ticulares, na forma do art. 91, observada a legislação – Penalidade: suspensão
sobre conflito de interesses. • Recusar-se a atualizar seus dados cadastrais
quando solicitado.
– Manter seus dados cadastrais atualizados é
uma obrigação do servidor.
– Penalidade: demissão
• Atuar, como procurador ou intermediário, junto a – Penalidade: advertência
repartições públicas, salvo quando se tratar de
benefícios previdenciários ou assistenciais de ACUMULAÇÃO
parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou com-
panheiro; É vedada a acumulação remunerada de cargos públi-
– O servidor poderá atuar como procurador ou cos, ressalvados os casos previstos na Constituição.
intermediário somente quando se tratar de O inciso XVI, artigo 37, da Constituição Federal dispõe
benefícios previdenciários ou assistenciais de que:
parentes até segundo grau, e de cônjuge ou

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


companheiro. É vedada a acumulação remunerada de cargos pú-
– Penalidade: demissão blicos, exceto, quando houver compatibilidade de
• Receber propina, comissão, presente ou vantagem horários, observado em qualquer caso o disposto no
de qualquer espécie, em razão de suas atribuições; inciso XI:
– A retribuição pelo exercício das atribuições do a) a de dois cargos de professor;
cargo é paga pelos cofres públicos. A percepção b) a de um cargo de professor com outro técnico
de propina, comissão, presente ou vantagem de ou científico;
qualquer espécie constitui ato de improbidade c) a de dois cargos ou empregos privativos de pro-
administrativa. fissionais de saúde, com profissões regulamenta-
– Penalidade: demissão das.
• Aceitar comissão, emprego ou pensão de estado
estrangeiro; • A proibição de acumular estende-se a cargos,
– O servidor não deverá aceitar comissão, empregos e funções em autarquias, fundações
emprego ou pensão de estado estrangeiro. públicas, empresas públicas, sociedades de econo-
– Penalidade: demissão mia mista da União, do Distrito Federal, dos Esta-
• Praticar usura sob qualquer de suas formas; dos, dos Territórios e dos Municípios.
– Usura é o empréstimo de dinheiro a juros exor- • Ainda que lícita, a acumulação de cargos fica con-
bitantes. dicionada à comprovação da compatibilidade de
– Penalidade: demissão horários.
• Proceder de forma desidiosa;
• O servidor, ocupante de cargo efetivo ou em comis-
– Entende-se por desídia a preguiça, lentidão,
são, poderá ser remunerado pela participação em
negligência.
conselhos de administração e fiscal das empresas
– Penalidade: demissão
• Utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição públicas e sociedades de economia mista, suas
em serviços ou atividades particulares; subsidiárias e controladas, bem como quaisquer
– Não é permito o uso de pessoal ou recursos empresas ou entidades em que a União direta ou
materiais da repartição em serviços ou ativida- indiretamente, detenha participação no capital
des particulares – Ato de improbidade adminis- social, observado o disposto em legislação especí-
trativa. fica.
– Penalidade: demissão • O servidor não poderá ser remunerado pela partici-
• Cometer a outro servidor atribuições estranhas ao pação em órgão de deliberação coletiva.
cargo que ocupa, exceto em situações de emergên-
cia e transitórias; Acumulação permitida aos inativos
– O servidor público ocupa cargo público e é
dotado de competência – Requisito da compe-
• Considera-se acumulação ilegal a percepção de
tência do ato administrativo. Todavia, em situ-
vencimento de cargo ou emprego público efetivo
ações de emergência e transitórias, o servidor
com proventos da inatividade, sob pena de demis-
poderá cometer a outro servidor atribuições dife-
rentes do cargo que ocupa. são, salvo quando os cargos de que decorram essas
– Penalidade: suspensão remunerações forem acumuláveis na atividade.

23
Acumulação de cargos em comissão por meio de desconto em folha de pagamento, com
parcelas não inferiores a 10%. (Ver artigo 46 da Lei
• O servidor não poderá exercer mais de um cargo n. 8.112/1990).
em comissão, ressalvado a hipótese de o servidor • Se o dano decorrer de ato doloso, o débito deverá
ser nomeado para ter exercício, interinamente, em ser quitado em uma única parcela, salvo inexistên-
outro cargo de confiança, sem prejuízo das atri- cia de pagamento e insuficiência ou inexistência de
buições do que atualmente ocupa, hipótese em bens que assegurem a execução judicial, quando o
que deverá optar pela remuneração de um deles servidor poderá quitar o débito conforme previsto na
durante o período da interinidade. (Ver artigo 9º, hipótese anterior.
parágrafo único da Lei n. 8.112/1990). • Quando o particular for o prejudicado, este poderá
promover ação contra o próprio servidor. Nesse
• O servidor público que acumular licitamente dois
caso, a ação indenizatória se processará na jus-
cargos efetivos, quando investido em um terceiro
tiça comum, e a vítima tem de provar a culpa ou
cargo de provimento em comissão, ficará afastado
dolo do servidor. A vítima também poderá acionar
de ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em
a pessoa jurídica a qual o servidor estiver subordi-
que houver compatibilidade de horário e local com o
nado. Nessa situação, a Administração responderá
exercício de um deles, declarada pelas autoridades de forma objetiva, independente de dolo ou culpa
máximas dos órgãos ou entidades envolvidos. do servidor. No entanto, após indenizar o particular,
a Administração deverá promover ação de regresso
Destaca-se que: contra o servidor para reaver o valor da indeniza-
ção, desde que comprove dolo ou culpa do servidor.
• Não há que se falar em acumulação para cargos •
não remunerados ou da iniciativa privada; As pessoas jurídicas de direito público e as de direi-
• Não há possibilidade de acumular três cargos públi- to privado prestadoras de serviços públicos respon-
cos remunerados; derão pelos danos que seus agentes, nessa quali-
dade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
• Em regra, o servidor não poderá exercer outro
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou
cargo, emprego ou função pública, salvo os casos culpa. (CF – art. 37 §6º)
previstos na Constituição.
• Em regra, o servidor poderá ter outros empregos
IVAN LUCAS

IMPORTANTE
privados, salvo se ocupar cargo de dedicação
O dever de reparar o dano causado ao patrimônio público é
exclusiva ou na hipótese de outras proibições espe-
imprescritível e estende-se aos sucessores do servidor até o
cíficas.
limite do valor da herança recebida.
• A acumulação sempre dependerá de compatibili-
dade de horário.
Responsabilidade civil-administrativa: é a responsa-
RESPONSABILIDADES bilidade do servidor perante a administração. Resulta de ato
omissivo ou comissivo praticado no desempenho do cargo
O servidor público tem o dever de exercer a atividade ou função.
administrativa nos termos das disposições constitucionais, • O servidor público que no exercício de suas funções
legais e regulamentares, observando os princípios da Admi- descumprir determinações legais terá como conse-
nistração Pública, em destaque o princípio da legalidade. quência a aplicação de sanções administrativas
pela própria Administração Pública, após o devido
Incidindo o servidor no exercício irregular de suas ati-
processo administrativo disciplinar em que seja
vidades, responderá civil, penal e administrativamente, con-
assegurada ampla defesa.
forme o caso. O artigo 121 da Lei n. 8.112/1990 dispõe que
• O descumprimento dos deveres do servidor público
“o servidor responde civil, penal e administrativamente pelo
previstos no artigo 116 da Lei n. 8.112/1990, a prá-
exercício irregular de suas atribuições”.
tica das proibições previstas no artigo 117 também
Essas três esferas são distintas, cumulativas e indepen- da Lei n. 8.112/1990 e qualquer descumprimento de
dentes. Porém, essa independência não é absoluta, pois a norma administrativa enseja a responsabilidade do
absolvição penal do servidor, por negativa de autoria ou ine- servidor.
xistência do fato, incorre em absolvição nas demais esferas. • Apurada a falta funcional do servidor público por
Entretanto, se o servidor for absolvido na esfera penal por meio de sindicância ou processo administrativo dis-
insuficiência de provas não vinculará as outras esferas. ciplinar, a Administração poderá aplicar a penali-
Responsabilidade civil: é a responsabilidade do servi- dade administrativa conforme o caso.
dor perante a sociedade. Decorre de ato omissivo ou comis-
sivo, doloso ou culposo que resulte em prejuízo ao erário ou Responsabilidade penal: abrange os crimes e contra-
a terceiros. Nesse caso, o servidor fica obrigado a reparar venções imputadas ao servidor, nessa qualidade.
o dano, após o devido processo administrativo ou judicial,
sendo assegurada ampla defesa. • A responsabilidade administrativa do servidor será
• Na hipótese de dano decorrente de comprovada afastada no caso de absolvição criminal que negue
culpa do servidor, poderá ser parcelado o débito a existência do fato ou sua autoria.

24
IMPORTANTE –– Manter sob sua chefia imediata, em cargo ou
função de confiança, cônjuge, companheiro ou
Se o servidor for absolvido na esfera penal por insuficiência de
parente até o segundo grau civil;
provas não vinculará as outras esferas.
–– Recusar-se a atualizar seus dados cadastrais
quando solicitado;
PENALIDADES
Suspensão
O servidor está sujeito a penalidades administrativas
pelo descumprimento de obrigações legais e regulamenta- • O prazo máximo é de 90 (noventa) dias, sem remu-
res, bem como o cometimento de condutas proibidas. Res- neração.
salte-se que as determinações manifestamente ilegais não • Prescreverá em 2 (dois) anos, a contar do conheci-
devem ser cumpridas pelo servidor. mento do fato pela autoridade competente.
As penalidades disciplinares previstas no artigo 127 da • Seu registro será cancelado após o decurso de 5
(cinco) anos.
Lei n. 8.112/1990 são as seguintes:
• Será aplicada em caso de reincidência da penali-
• Advertência;
dade de advertência, e quando o servidor:
• Suspensão;
–– Cometer a outro servidor atribuições estranhas
• Demissão;
ao cargo que ocupa, exceto em situações de
• Cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
emergência e transitórias;
• Destituição de cargo em comissão;
–– Exercer quaisquer atividades que sejam incom-
• Destituição de função comissionada;
patíveis com o exercício do cargo ou função e
–– Na aplicação das penalidades serão conside- com o horário de trabalho;

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


radas a natureza e a gravidade da infração, –– Recusar-se, injustificadamente, a ser submetido
os danos ao serviço público, as circunstâncias à inspeção médica oficial (suspensão pelo prazo
agravantes e atenuantes e os antecedentes fun- de até 15 dias).
cionais. • A critério da autoridade competente, a suspensão
–– A imposição da pena mencionará sempre o fun- poderá ser convertida em multa, na base de 50%
damento legal e a causa da sanção disciplinar. por dia de vencimento ou remuneração, ficando o
servidor obrigado a permanecer no serviço.
Advertência
IMPORTANTE
• Será aplicada por escrito e constará nos assenta-
O cancelamento da penalidade, advertência ou suspensão, não
mentos individuais do servidor.
surtirá efeitos retroativos.
• Prescreverá em 180 (cento e oitenta) dias, a contar
do conhecimento do fato pela autoridade compe-
tente. Demissão
• Seu registro será cancelado após o decurso de 3
(três) anos. • Demissão é o desligamento do servidor público
• Será aplicada no caso de inobservância de dever ocupante de cargo efetivo em decorrência da prá-
funcional previsto em lei, regulamentação ou norma tica de falta grave.
interna, que não justifique imposição de penalidade • Deve ser precedida de processo administrativo dis-
mais grave, e quando o servidor: ciplinar, sendo assegurado ao servidor o direito a
ampla defesa.
–– Ausentar-se do serviço durante o expediente,
• Prescreverá em 5 (cinco) anos, a contar do conheci-
sem prévia autorização do chefe imediato;
mento do fato pela autoridade competente.
–– Retirar, sem prévia anuência da autoridade
–– O prazo de prescrição será interrompido pela
competente, qualquer documento ou objeto da
abertura de sindicância ou instauração de pro-
repartição;
cesso administrativo até a decisão final profe-
–– Recusar fé a documentos públicos;
rida por autoridade competente.
–– Opor resistência injustificada ao andamento de
• Será aplicada nos seguintes casos:
documento e processo ou execução de serviço; –– Crime contra a administração pública;
–– Promover manifestação de apreço ou desa- –– Abandono de cargo – ausência intencional por
preço no recinto da repartição; mais de 30 (trinta) dias consecutivos;
–– Cometer a pessoa estranha à repartição, fora –– Inassiduidade habitual – falta ao serviço por 60
dos casos previstos em lei, o desempenho de (sessenta) dias, interpoladamente, durante o
atribuição que seja de sua responsabilidade ou período de 12 (doze) meses, sem causa justi-
de seu subordinado; ficada;
–– Coagir ou aliciar subordinados no sentido de -- Na apuração de abandono de cargo e inassi-
filiarem-se a associação profissional ou sindical, duidade habitual será adotado procedimento
ou a partido político; sumário.

25
–– Improbidade administrativa; • Será aplicada nos seguintes casos:
–– Incontinência pública e conduta escandalosa, –– Quando o servidor inativo houver praticado na
na repartição; atividade falta punível com a demissão.
–– Insubordinação grave em serviço; –– Quando o servidor for aproveitado em outro
–– Ofensa física, em serviço, salvo em legítima cargo e não assumi-lo no prazo legal, salvo
defesa própria ou de outrem; doença comprovada. (Ver artigo 32 da Lei
–– Aplicação irregular de dinheiros públicos; n. 8.112/1990).
–– Revelação de segredo do qual se apropriou em
razão do cargo; Destituição de cargo em comissão
–– Lesão aos cofres públicos e dilapidação do
patrimônio nacional; • Destituição de cargo em comissão é o desliga-
–– Corrupção; mento, em caráter punitivo, do servidor ocupante de
–– Acumulação ilegal de cargos, empregos ou fun- cargo em comissão – não ocupante de cargo efe-
ções públicas; tivo, pela falta punível com pena de suspensão ou
–– Transgressão dos incisos IX a XVI do artigo 117 demissão.
da Lei n. 8.112/1990, quais sejam: • Deve ser precedida de processo administrativo
-- Valer-se do cargo para lograr proveito pes- disciplinar, sendo assegurada ao servidor ampla
soal ou de outrem, em detrimento da digni- defesa.
dade da função pública; • Prescreverá em 5 (cinco) anos, a contar do conheci-
-- Participar de gerência ou administração de mento do fato pela autoridade competente.
sociedade privada, personificada ou não –– O prazo de prescrição será interrompido pela
personificada, exercer o comércio, exceto abertura de sindicância ou instauração de pro-
na qualidade de acionista, cotista ou coman- cesso administrativo até a decisão final profe-
ditário; rida por autoridade competente.
-- Atuar, como procurador ou intermediário,
junto a repartições públicas, salvo quando se  Obs.: Implica a indisponibilidade dos bens e o ressarci-
tratar de benefícios previdenciários ou assis- mento ao erário, se o servidor for demitido ou desti-
tenciais de parentes até o segundo grau, e tuído de cargo em comissão por:
IVAN LUCAS

de cônjuge ou companheiro; • improbidade administrativa;


-- Receber propina, comissão, presente ou • aplicação irregular de dinheiros públicos;
vantagem de qualquer espécie, em razão de • lesão aos cofres públicos e dilapidação do patri-
suas atribuições; mônio nacional;
-- Aceitar comissão, emprego ou pensão de • corrupção.
estado estrangeiro;  Obs.: Incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura
-- Praticar usura sob qualquer de suas formas; em cargo público federal, pelo prazo de 5 (cinco)
-- Proceder de forma desidiosa; anos, a demissão ou destituição de cargo em
-- Utilizar pessoal ou recursos materiais da comissão nos casos de o servidor:
repartição em serviços ou atividades parti- • valer-se do cargo para lograr proveito pessoal
culares. ou de outrem, em detrimento da dignidade da
–– Recusa pelo agente público de prestar declara- função pública;
ção dos bens dentro do prazo determinado, ou • atuar, como procurador ou intermediário, junto a
que a prestar falsa (Lei n. 8.429/1992 – artigo repartições públicas, salvo quando se tratar de
13 §3º). benefícios previdenciários ou assistenciais de
parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou
Cassação de Aposentadoria ou Disponibilidade companheiro.

• A cassação da aposentadoria ou disponibilidade  Obs.: Não poderá retornar ao serviço público federal, o
ocorre quando o servidor pratica uma conduta puní- servidor que for demitido ou destituído do cargo
vel com demissão e posteriormente é aposentado comissionado por:
ou posto em disponibilidade sem que a Administra- • crime contra a Administração Pública;
ção tenha ciência de sua conduta. • improbidade administrativa;
• Deve ser precedida de processo administrativo • aplicação irregular de dinheiros públicos;
disciplinar, sendo assegurada ao servidor ampla • lesão aos cofres públicos e dilapidação do patri-
defesa. mônio nacional;
• Prescreverá em 5 (cinco) anos, a contar do conheci- • corrupção.
mento do fato pela autoridade competente.
–– O prazo de prescrição será interrompido pela IMPORTANTE
abertura de sindicância ou instauração de pro-
A Lei n. 8.112/1990 prevê expressamente que o servidor
cesso administrativo até a decisão final profe-
demitido por improbidade administrativa, crime contra a
rida por autoridade competente.

26
Administração, lesão aos cofres públicos, aplicação irregular –– Para a aplicação de penalidade quando o ato
de dinheiro público ou corrupção não poderá retornar ao não exigir, expressamente, o processo adminis-
serviço público federal. Ressalte-se que o CESPE, em prova trativo.
do concurso para o TCU, considerou ser inconstitucional esse –– Quando não se consegue comprovar a autoria,
efeito da demissão por ter caráter perpétuo. por faltas cometidas em que haja aplicação das
penalidades de advertência e suspensão – até
30 (trinta) dias.
• As penalidades disciplinares serão aplicadas:
• Da sindicância poderá resultar:
–– pelo Presidente da República, pelos Presiden-
–– arquivamento do processo;
tes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribu-
–– aplicação de penalidade de advertência ou sus-
nais Federais e pelo Procurador-Geral da Repú-
pensão de até 30 (trinta) dias;
blica, quando se tratar de demissão e cassação
–– instauração de processo disciplinar.
de aposentadoria ou disponibilidade de servidor
• O prazo para conclusão da sindicância não exce-
vinculado ao respectivo Poder, órgão, ou enti-
derá 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado por
dade;
igual período, a critério da autoridade superior.
–– pelas autoridades administrativas de hierarquia
• Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar
imediatamente inferior àquelas mencionadas no
a imposição de penalidade de suspensão por mais
inciso anterior quando se tratar de suspensão
de 30 (trinta) dias, demissão, cassação de aposen-
superior a 30 (trinta) dias;
tadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo
–– pelo chefe da repartição e outras autoridades
em comissão, será obrigatória a instauração de pro-
na forma dos respectivos regimentos ou regu-
cesso disciplinar.
lamentos, nos casos de advertência ou de sus-

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


pensão de até 30 (tritna) dias;
AFASTAMENTO PREVENTIVO
–– pela autoridade que houver feito a nomeação,
quando se tratar de destituição de cargo em
O afastamento preventivo é uma medida cautelar que
comissão.
tem por objetivo afastar o servidor para que ele não influa na
apuração da irregularidade.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR – PAD
• A autoridade instauradora do processo disciplinar
poderá determinar o afastamento do servidor, pelo
INTRODUÇÃO
prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da
remuneração.
As irregularidades no serviço público podem ser apu-
• O afastamento poderá ser prorrogado por igual
radas mediante sindicância ou processo administrativo dis-
prazo, findo o qual cessarão os seus efeitos, ainda
ciplinar.
que não concluído o processo.
Processo administrativo disciplinar é a ferramenta utili-
zada para apurar irregularidades no serviço público. O PAD
PROCESSO DISCIPLINAR
também é utilizado pela Administração como instrumento
legal para a aplicação de penalidades por faltas graves O processo disciplinar é o instrumento destinado
cometidas pelo servidor público. a apurar responsabilidade de servidor por infra-
A autoridade que tiver ciência de irregularidade no ser- ção praticada no exercício de suas atribuições, ou
viço público deverá promover sua apuração imediata, assegu- que tenha relação com as atribuições do cargo
rado ao servidor contraditório e ampla defesa. Essa apuração em que se encontre investido. (Lei n. 8.112/1990 –
poderá ser promovida por autoridade de órgão ou entidade artigo 148).
diverso daquele que em que tenha ocorrido a irregularidade,
mediante competência específica para tal finalidade. • Será conduzido por uma comissão composta de 3
As denúncias serão objeto de apuração, desde que (três) servidores estáveis designados pela autori-
contenham a identificação e o endereço do denunciante e dade competente.
sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade. • A comissão indicará, dentre seus membros, o seu
Porém, quando o fato narrado não configurar evidente infra- presidente, que deverá ser ocupante de cargo efe-
ção disciplinar ou ilícito penal, a denuncia será arquivada, tivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de
por falta de objeto. escolaridade igual ou superior ao do indiciado.
• O secretário da comissão será designado pelo pre-
Sindicância sidente desta, podendo a indicação recair em um de
seus membros.
A sindicância é um processo mais célere e simples de • O cônjuge, companheiro ou parente do acusado,
apurar irregularidades. consanguíneo ou afim, em linha reta ou colate-
ral, até o terceiro grau, não poderão participar da
• A autoridade administrativa procederá à sindicância: comissão de sindicância ou de inquérito.
–– Quando houver necessidade de apurar a exis- • A Comissão exercerá suas atividades com indepen-
tência de falta ou sua autoria. dência e imparcialidade, assegurado o sigilo neces-
sário.

27
• As reuniões e as audiências das comissões terão –– Na hipótese de depoimentos contraditórios será
caráter reservado. feita a acareação.
• O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes • Concluída a inquirição das testemunhas, o acusado
fases: será ouvido, intimando-o por meio de mandado
–– instauração, com a publicação do ato que cons- expedido pelo presidente da comissão.
tituir a comissão; –– Na hipótese de mais de um acusado, os depoi-
–– inquérito administrativo, que compreende instru- mentos serão prestados separadamente, e
ção, defesa e relatório; sempre que divergirem em suas declarações
–– julgamento. sobre os fatos ou circunstancias, proceder-se-á
• O processo disciplinar deverá ser concluído no a acareação entre eles.
prazo de até 60 (sessenta) dias, contados da –– O incidente de sanidade mental será proces-
data de publicação do ato que constituir a comis- sado em auto apartado e apenso ao processo
são. Quando as circunstancias o exigirem, o prazo principal, após a expedição do laudo pericial.
poderá ser prorrogado por igual período. • Quando houver dúvida sobre a sanidade mental do
• A comissão dedicará tempo integral aos seus tra- acusado, a comissão proporá à autoridade com-
balhos sempre que necessário, ficando seus mem- petente que ele seja submetido a exame por junta
bros dispensados do ponto, até a entrega do rela- médica oficial, da qual participe pelo menos um
tório final. médico psiquiatra.
• Os atos do processo serão realizados por escrito. –– O incidente de sanidade mental será proces-
• As reuniões da comissão serão registradas em atas sado em auto apartado e apenso ao processo
e os depoimentos reduzidos a termo. principal, após a expedição do laudo pericial.
• Tipificada a infração disciplinar, a comissão promo-
INSTAURAÇÃO verá o indiciamento do servidor com a especificação
dos fatos a ele imputados e das respectivas provas.
A instauração é a primeira fase do processo adminis- • Com a imputação da infração ao acusado com a
trativo disciplinar que ocorre com a publicação do ato que indicação das provas, encerra-se a subfase de ins-
constitui a comissão. trução, passando à fase de defesa.
IVAN LUCAS

INQUÉRITO Defesa

O inquérito administrativo obedecerá ao princípio do • Após o indiciamento, a comissão citará o acusado


contraditório, assegurado ao acusado ampla defesa, com a por mandado expedido pelo presidente da comis-
utilização dos meios e recursos admitidos em direito. são para apresentar defesa escrita no prazo de 10
É a segunda fase do processo administrativo discipli- (dez) dias.
nar, subdividido em Instrução, Defesa e Relatório. –– Havendo dois ou mais indiciados, o prazo será
de 20 (vinte) dias.
Instrução –– O prazo de defesa poderá ser prorrogado pelo
dobro, para diligências reputadas indispensá-
• Principal fase investigatória do PAD que investiga veis.
os atos praticados pelo servidor investigado. • O indiciado que mudar de residência fica obrigado
• No caso de prévia sindicância, seus autos integra- a comunicar à comissão o lugar onde poderá ser
rão o processo como peça informativa de instrução. encontrado.
–– Se o relatório da sindicância concluir que a infra- • Encontrando-se o indiciado em lugar incerto e não
ção está capitulada como ilícito penal, a autori- sabido, será citado por edital, publicado no Diário
dade competente encaminhará cópia dos autos Oficial da União e em jornal de grande circulação na
ao Ministério Público, independentemente da localidade do último domicílio conhecido, para apre-
imediata instauração do processo disciplinar. sentar defesa. Nesse caso, o prazo para defesa
• A comissão promoverá a tomada de depoimentos, será de 15 (quinze) dias a partir da última publica-
acareações, investigações e diligências cabíveis, ção do edital.
objetivando a coleta de prova, recorrendo, quando • Não apresentando defesa escrita no prazo legal,
necessário, a técnicos e peritos, de modo a permitir o acusado, regularmente citado, será considerado
a completa elucidação dos fatos. revel.
• As testemunhas serão intimadas a depor mediante –– A revelia será declarada, por termo, nos autos
mandado expedido pelo presidente da comissão, do processo e devolverá o prazo para a defesa.
devendo a segunda via, com o ciente do interes- –– A revelia no processo administrativo disciplinar,
sado, ser anexado aos autos. diferentemente do processo civil, não enseja a
–– O depoimento das testemunhas deverá ser presunção de veracidade material da acusação.
prestado oralmente e reduzido a termo escrito. –– A autoridade instauradora do processo desig-
–– Na hipótese de mais de uma testemunha, os nará um servidor como defensor dativo para
depoimentos serão prestados separadamente. defender o indiciado revel. O defensor dativo

28
deverá ser ocupante de cargo efetivo superior • Caso a comissão reconheça a inocência do servi-
ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade dor, a autoridade instauradora do processo determi-
igual ou superior ao do indiciado. nará o seu arquivamento, salvo se flagrantemente
• Após o recebimento da defesa, encerra-se a contrária à prova dos autos.
subfase da defesa, passando-se à fase do relatório. • No caso de a punibilidade ser extinta pela prescri-
ção, a autoridade julgadora determinará o registro
Relatório do fato nos assentamentos individuais do servidor.
• Na hipótese de a infração configurar crime, o pro-
cesso disciplinar será remetido ao Ministério Público
• Apreciada a defesa, a comissão elaborará relatório
para instauração da ação penal, ficando trasladado
minucioso, onde resumirá as peças principais dos
na repartição.
autos e mencionará as provas em que se baseou
• O servidor que responder a processo disciplinar não
para formar a sua convicção.
poderá ser exonerado a pedido e nem aposentado
• O relatório será sempre conclusivo quanto à inocên- voluntariamente antes de:
cia ou à responsabilidade do servidor. –– concluído o processo;
• Reconhecida a responsabilidade do servidor, a –– cumprida a penalidade, caso houver.
comissão indicará o dispositivo legal ou regulamen-
tar transgredido, bem como as circunstâncias agra- REVISÃO DO PROCESSO
vantes ou atenuantes.
• O processo disciplinar, com o relatório da comissão, O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer
será remetido à autoridade que determinou a sua tempo, a pedido ou de ofício, sempre que surgirem fatos
instauração, para julgamento. novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a inocência

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


do punido ou a inadequação da penalidade aplicada.
JULGAMENTO • A simples alegação de injustiça da penalidade não
constitui fundamento para a revisão, que requer ele-
O julgamento é a última fase do processo administra- mentos novos, ainda não apreciados no processo
tivo disciplinar. originário.
• Na hipótese de penalidade a ser aplicada, o jul- • O processo de revisão pode ser requerido por qual-
quer pessoa da família, no caso de falecimento,
gamento do processo será feito pela autoridade
ausência ou desaparecimento do servidor. No caso
competente nos termos do artigo 141 da Lei
de incapacidade mental do servidor, a revisão será
n. 8.112/1990.
requerida pelo respectivo curador.
–– A autoridade julgadora deverá proferir a sua
• No processo revisional, o ônus da prova cabe ao
decisão no prazo de 20 (vinte) dias, contados do requerente.
recebimento do processo. • O requerimento de revisão do processo será diri-
–– Se a penalidade a ser aplicada exceder a alçada gido ao Ministro de Estado ou autoridade equiva-
da autoridade instauradora do processo, este lente, que, se autorizar a revisão, encaminhará o
será encaminhado à autoridade competente, pedido ao dirigente do órgão ou entidade onde se
que decidirá em igual prazo. originou o processo disciplinar.
–– Na hipótese de mais de um indiciado e diversi- • A revisão correrá em apenso ao processo originário.
dade de sanções, o julgamento caberá à auto- • A comissão revisora terá 60 (sessenta) dias para
ridade competente para a imposição da pena concluir os trabalhos.
mais grave. • O julgamento do processo revisional caberá à auto-
–– O julgamento acatará o relatório da comissão, ridade que aplicou a penalidade.
salvo quando contrário às provas dos autos. –– O prazo para julgamento será de 20 (vinte) dias,
Nesta hipótese, a autoridade julgadora poderá contados do recebimento do processo, no curso
agravar a penalidade proposta, abrandá-la ou do qual a autoridade julgadora poderá determi-
isentar o servidor de responsabilidade, desde nar diligências.
• Julgada procedente a revisão, será declarada sem
que motivadamente.
efeito a penalidade aplicada, restabelecendo-se
–– Em qualquer fase do processo, na ocorrência de
todos os direitos do servidor, exceto em relação à
vício insanável, a autoridade que determinou a
destituição do cargo em comissão, que será conver-
instauração do processo ou outra de hierarquia
tida em exoneração.
superior declarará a sua nulidade, total ou par- • A revisão do processo não poderá agravar a pena-
cial, e ordenará, no mesmo ato, a constituição lidade.
de outra comissão para instauração de novo
processo. SEGURIDADE DO SERVIDOR SOCIAL

IMPORTANTE Ao servidor e a sua família será assegurado Plano de


Seguridade Social mantido pela União. Para este fim, con-
O julgamento fora do prazo legal não implica nulidade do
sidera-se servidor aquele ocupante de cargo de provimento
processo. (Prazo impróprio)
efetivo.

29
O servidor ocupante de cargo comissionado que não • O recebimento indevido de benefícios havidos por
for, simultaneamente, ocupante de cargo ou emprego efetivo fraude, dolo ou má-fé, implicará devolução ao erário
na administração pública direta, autárquica e fundacional do total auferido, sem prejuízo da ação penal cabível.
não fará jus aos benefícios do Plano de Seguridade Social,
ressalvados os benefícios da assistência à saúde. Aposentadoria
• O Plano de Seguridade Social tem como finalidade
dar cobertura aos riscos a que o servidor e sua famí- • Aposentadoria é um direito constitucional à inativi-
lia estão sujeitos. Este Plano abrange um conjunto dade remunerada.
de benefícios e ações com as seguintes finalidades: • Aos servidores titulares de cargos efetivos da União,
–– garantir meios de subsistência nos casos de dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
doença, invalidez, velhice, acidente em serviço, incluídas suas autarquias e fundações, é assegu-
inatividade, falecimento e reclusão; rado regime de previdência de caráter contribu-
–– proteção à maternidade, à adoção e à paterni- tivo e solidário.
dade;
–– assistência à saúde. O servidor será aposentado:
• O servidor afastado ou licenciado do cargo efe- • por invalidez permanente, sendo os proventos
tivo, sem remuneração, inclusive para servir em proporcionais ao tempo de contribuição, exceto se
organismo oficial internacional de que o Brasil seja decorrente de acidente em serviço, moléstia profis-
membro efetivo ou com o qual coopere, ainda que sional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na
contribua para regime de previdência social no forma da lei;
exterior, terá suspenso o seu vínculo com o regime • compulsoriamente, aos setenta anos de idade,
do Plano de Seguridade Social do Servidor Público com proventos proporcionais ao tempo de contri-
enquanto durar o afastamento ou a licença. Neste buição;
• voluntariamente, desde que cumprido tempo
caso, os benefícios do regime de previdência não
mínimo de dez anos de efetivo exercício no ser-
lhes serão garantido durante o período em que esti-
viço público e cinco anos no cargo efetivo em que
ver afastado.
se dará a aposentadoria, observadas as seguintes
• Ao servidor licenciado ou afastado sem remune-
condições:
ração poderá permanecer vinculado ao Plano de
IVAN LUCAS

–– 60 (sessenta) anos de idade e 35 (trinta e cinco)


Seguridade Social do Servidor Público, mediante
de contribuição, se homem; e 55 (cinquenta e
o recolhimento mensal da respectiva contribuição,
cinco) anos de idade e 30 (trinta) de contribui-
no mesmo percentual devido pelos servidores em
ção, se mulher;
atividade.
–– 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e
60 (sessenta) anos de idade, se mulher, com pro-
BENEFÍCIOS
ventos proporcionais ao tempo de contribuição.

Os benefícios do Plano de Seguridade Social do servi-


• Os proventos de aposentadoria e as pensões, por
dor compreendem:
ocasião de sua concessão, não poderão exceder a
remuneração do respectivo servidor, no cargo efe-
• quanto ao servidor: tivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu
–– aposentadoria; de referência para a concessão da pensão.
–– auxílio-natalidade; • A aposentadoria compulsória será automática. Será
–– salário-família; declarada por ato e vigorará a partir do dia imediato
–– licença para tratamento de saúde; àquele em que o servidor atingir a idade limite de
–– licença à gestante, à adotante e licença-pater- permanência no serviço público
nidade; • A aposentadoria voluntária ou por invalidez vigorará
–– licença por acidente em serviço; a partir da data da publicação do respectivo ato.
–– assistência à saúde; • A aposentadoria por invalidez será precedida de
–– garantia de condições individuais e ambientais licença para tratamento de saúde, por período que
de trabalho satisfatórias; não exceda 24 (vinte e quatro) meses. Expirado o
período de licença e não estando em condições de
• quanto ao dependente: reassumir o cargo ou de ser readaptado, o servidor
–– pensão vitalícia e temporária; será aposentado.
–– auxílio-funeral; • A Lei n. 11.907 de 2009, estabelece que, para fins
–– auxílio-reclusão; de aposentadoria por invalidez, serão considera-
–– assistência à saúde. das apenas as licenças motivadas pela enfermidade
ensejadora da invalidez ou doenças correlacionadas.
• As aposentadorias e as pensões serão concedidas –– Outra redação dada pela Lei n. 11.907 de 2009
e mantidas pelos órgãos ou entidades em que o dispõe que a critério da Administração, o ser-
servidor encontra-se vinculado. vidor em licença para tratamento de saúde ou

30
aposentado por invalidez poderá ser convocado Licença para tratamento de Saúde
a qualquer momento, para avaliação das con-
dições que ensejaram o afastamento ou a apo- • Ao servidor será concedida licença para tratamento
sentadoria. de saúde, a pedido ou de ofício, com base em perí-
• O lapso de tempo compreendido entre o término da cia médica, sem prejuízo da remuneração a que
licença e a publicação do ato da aposentadoria será fizer jus.
considerado como de prorrogação da licença. • A licença para tratamento de saúde será concedida
• O servidor aposentado com provento proporcional com base em perícia oficial. (Lei n. 11.907 de 2009).
ao tempo de contribuição, se acometido de qual- –– Sempre que necessário, a inspeção médica
quer das moléstias especificadas no art. 186, §1º será realizada na residência do servidor ou no
da Lei n. 8.112/1990, e por este motivo for consi- estabelecimento hospitalar onde se encontrar
derado inválido por junta médica oficial, passará a internado.
perceber provento integral, calculado com base no
–– Inexistindo médico no órgão ou entidade no
fundamento legal de concessão da aposentadoria.
local onde se encontra ou tenha exercício em
(Lei n. 11.907 de 2009)
caráter permanente o servidor, e não se confi-
• O provento, quando proporcional ao tempo de con-
gurando as hipóteses previstas nos parágrafos
tribuição, não será inferior a 1/3 (um terço) da remu-
do art. 230, será aceito atestado passado por
neração da atividade
médico particular.
• O servidor aposentado fará jus à gratificação
natalina. • Excedido o prazo de 120 (cento e vinte) dias no
período de 12 (doze) meses a contar do primeiro dia
Auxílio-natalidade de afastamento, a licença será concedida mediante
avaliação por junta médica oficial. (Lei n. 11.907 de

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


• O auxílio-natalidade é devido à servidora por motivo 2009).
de nascimento de filho. Este benefício será no valor • A perícia oficial para concessão dessa licença, bem
correspondente ao menor vencimento do serviço como nos demais casos de perícia oficial previstos
público, inclusive no caso de natimorto. nesta lei, nas hipóteses em que abranger o campo de
• Na hipótese de parto múltiplo, o valor será acres- atuação da odontologia, será efetuada por cirurgiões-
cido de 50%, por nascituro. -dentistas. (Lei n. 11.907 de 2009).
• Quando a parturiente não for servidora, o auxí- • A licença para tratamento de saúde inferior a 15
lio será pago ao cônjuge ou companheiro servidor (quinze) dias, dentro de um ano, poderá ser dispen-
público. sada de perícia oficial, na forma definida em regula-
mento. (Lei n. 11.907 de 2009).
Salário-família
Licença à Gestante, à Adotante e da Licença-Pater-
• O salário-família é devido ao servidor ativo ou ao nidade
inativo, por dependente econômico.
• Consideram-se dependentes econômicos para • À servidora gestante será concedida licença por
efeito de percepção do salário-família: 120 (cento e vinte) dias consecutivos, sem prejuízo
–– o cônjuge ou companheiro e os filhos, inclusive da remuneração.
os enteados até 21 (vinte e um) anos de idade
ou, se estudante, até 24 (vinte e quatro) anos
IMPORTANTE
ou, se inválido, de qualquer idade;
–– o menor de 21 (vinte e um) anos que, mediante O Decreto n. 6.690, de 11 de dezembro de 2008, instituiu o
autorização judicial, viver na companhia e às Programa de Prorrogação da Licença à Gestante e à Adotante.
expensas do servidor, ou do inativo;
–– a mãe e o pai sem economia própria.
• Serão beneficiadas pelo Programa de Prorrogação
• Quando o beneficiário do salário-família perceber
da Licença à Gestante e à Adotante as servido-
rendimento do trabalho ou de qualquer outra fonte,
inclusive pensão ou provento da aposentadoria, em ras públicas federais lotadas ou em exercício nos
valor igual ou superior ao salário-mínimo não se órgãos e entidades integrantes da Administração
configura a dependência econômica. Pública federal direta, autárquica e fundacional.
• Quando o pai e mãe forem servidores públicos e • A prorrogação será garantida à servidora pública
viverem em comum, o salário-família será pago que requeira o benefício até o final do primeiro mês
a um deles; quando separados, será pago a um após o parto e terá duração de 60 (sessenta) dias.
e outro, de acordo com a distribuição dos depen- • A licença poderá ter início no primeiro dia do nono
dentes. Ao pai e à mãe equiparam-se o padrasto, mês de gestação, salvo antecipação por prescri-
a madrasta e, na falta destes, os representantes ção médica. No caso de nascimento prematuro, a
legais dos incapazes. licença terá início a partir do parto.
• O afastamento do cargo efetivo, sem remuneração, • No caso de natimorto, decorridos 30 (trinta) dias
não acarreta a suspensão do pagamento do salário- do evento, a servidora será submetida a exame
-família. médico, e se julgada apta, reassumirá o exercício.

31
• No caso de aborto atestado por médico oficial, a • As pensões distinguem-se, quanto à natureza, em
servidora terá direito a 30 (trinta) dias de repouso vitalícias e temporárias.
remunerado. –– A pensão vitalícia é composta de cota ou cotas
• O servidor terá direito à licença-paternidade de permanentes, que somente se extinguem ou
5 (cinco) dias consecutivos pelo nascimento ou revertem com a morte de seus beneficiários.
adoção de filhos. –– A pensão temporária é composta de cota ou
• Durante a jornada de trabalho, a servidora lactante cotas que podem se extinguir ou reverter por
terá direito a uma hora de descanso para amamen- motivo de morte, cessação de invalidez ou
tar o próprio filho até a idade de 6 (seis) meses. maioridade do beneficiário.
Esse descanso poderá ser parcelado em dois perí-
odos de meia hora. São beneficiários das pensões:
• À servidora que adotar ou obtiver guarda judicial de
criança até um ano de idade, serão concedidos 90 • Vitalícia:
(noventa) dias de licença remunerada. –– o cônjuge;
–– No caso de adoção ou guarda judicial de criança –– a pessoa desquitada, separada judicialmente ou
com mais de um ano de idade, o prazo será de divorciada, com percepção de pensão alimen-
30 (trinta) dias. tícia;
–– O Programa de Prorrogação da Licença à Ges- –– o companheiro ou companheira designado que
tante e à Adotante será igualmente garantido a comprove união estável como entidade familiar;
quem adotar ou obtiver guarda judicial para fins –– a mãe e o pai que comprovem dependência
de adoção de criança, na seguinte proporção: econômica do servidor;
-- 45 (quarenta e cinco) dias, no caso de –– a pessoa designada, maior de 60 anos e a
criança de até um ano de idade; e pessoa portadora de deficiência, que vivam sob
a dependência econômica do servidor.
-- 15 (quinze) dias, no caso de criança com
mais de um ano de idade.
• Temporária:
–– os filhos, ou enteados, até 21 (vinte e um) anos
Licença por Acidente em Serviço
de idade, ou, se inválidos, enquanto durar a
invalidez;
IVAN LUCAS

• Considera-se acidente em serviço o dano físico


–– o menor sob guarda ou tutela até 21 (vinte e um)
ou mental sofrido pelo servidor, que se relacione,
anos de idade;
mediata ou imediatamente, com as atribuições do
–– o irmão órfão, até 21 (vinte e um) anos, e o invá-
cargo exercido.
lido, enquanto durar a invalidez, que compro-
–– Equipara-se ao acidente em serviço o dano:
vem dependência econômica do servidor;
-- decorrente de agressão sofrida e não provo-
–– a pessoa designada que viva na dependência
cada pelo servidor no exercício do cargo;
econômica do servidor, até 21 (vinte e um) anos,
-- sofrido no percurso da residência para o tra-
ou, se inválida, enquanto durar a invalidez.
balho e vice-versa.
• O servidor acidentado em serviço será licenciado • A concessão de pensão vitalícia ao cônjuge ou
com remuneração integral. companheiro exclui desse direito a mãe; o pai; a
• Na hipótese de o servidor acidentado em serviço pessoa designada, maior de 60 (sessenta) anos; e
necessitar de tratamento especializado poderá ser a pessoa portadora de deficiência, observado o dis-
tratado em instituição privada, à conta de recursos posto acima.
públicos. • A concessão da pensão temporária ao cônjuge ou
• O tratamento recomendado por junta médica oficial a pessoa desquitada, separada ou divorciada exclui
constitui medida de exceção e somente será admis- desse direito o companheiro ou companheira; a
sível quando inexistirem meios e recursos adequa- mãe e o pai, observado o disposto acima.
dos em instituição pública. • A pensão será concedida integralmente ao titular da
• A prova do acidente será feita no prazo de 10 (dez) pensão vitalícia, exceto se existirem beneficiários
dias. Este prazo pode ser prorrogado quando as cir- da pensão temporária.
cunstâncias assim exigirem. –– Havendo vários titulares habilitados à pensão
vitalícia, o seu valor será distribuído em partes
Pensão iguais entre os beneficiários habilitados.
–– Havendo vários titulares habilitados às pensões
• A pensão é devida aos dependentes do servidor vitalícia e temporária, metade do valor caberá
falecido. ao titular ou titulares da pensão vitalícia, sendo
• Será paga mensalmente no valor correspondente a outra metade rateada em partes iguais, entre
ao da respectiva remuneração ou provento do ser- os titulares da pensão temporária.
vidor falecido. –– Ocorrendo habilitação somente à pensão tem-
• Será concedida a partir da data do óbito, observado porária, o valor integral da pensão será rateado,
o limite legal. em partes iguais, entre os que se habilitarem.

32
-- A pensão poderá ser requerida a qualquer • O auxílio será pago no prazo de 48 horas, por meio
tempo, prescrevendo tão somente as pres- de procedimento sumaríssimo, à pessoa da família
tações exigíveis há mais de 5 (cinco) anos. que houver custeado o funeral. No caso de o fune-
–– Concedida a pensão, qualquer prova posterior ral ser custeado por terceiro, este será indenizado.
ou habilitação tardia que implique exclusão de • Em caso de falecimento de servidor em serviço fora
beneficiário ou redução de pensão só produzirá do local de trabalho, inclusive no exterior, as des-
efeitos a partir da data em que for oferecida. pesas de transporte do corpo correrão à conta de
-- O beneficiário condenado pela prática de recursos da União, autarquia ou fundação pública.
crime doloso de que tenha resultado a morte
do servidor não fará jus à pensão. Auxílio-Reclusão

• Será concedida pensão provisória por morte presu- • À família do servidor ativo é devido o auxílio-reclu-
mida do servidor, nos seguintes casos: são, nos seguintes valores:
–– declaração de ausência, pela autoridade judici- –– metade da remuneração, durante o afasta-
ária competente; mento, em virtude de condenação, por sentença
–– desaparecimento em desabamento, inundação, definitiva, a pena que não determine a perda de
incêndio ou acidente não caracterizado como cargo;
em serviço; –– dois terços da remuneração, quando afastado
–– desaparecimento no desempenho das atribui- por motivo de prisão, em flagrante ou preven-
ções do cargo ou em missão de segurança. tiva, determinada pela autoridade competente,
-- A pensão provisória será transformada em enquanto perdurar a prisão. Nesse caso, o ser-
vitalícia ou temporária, conforme o caso, vidor terá direito à integralização da remunera-

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


decorridos 5 (cinco) anos de sua vigência, ção, desde que absolvido.
ressalvado o eventual reaparecimento do • O pagamento do auxílio-reclusão cessará a partir
servidor, hipótese em que o benefício será do dia imediato àquele em que o servidor for posto
automaticamente cancelado. em liberdade, ainda que condicional.

• Acarreta perda da qualidade de beneficiário: ASSISTÊNCIA À SAÚDE


–– o seu falecimento;
–– a anulação do casamento, quando a decisão • A assistência à saúde do servidor, ativo ou inativo, e
ocorrer após a concessão da pensão ao côn- de sua família compreende:
juge; –– assistência médica,
–– a cessação de invalidez, em se tratando de –– assistência hospitalar,
beneficiário inválido; –– assistência odontológica,
–– a maioridade de filho, irmão órfão ou pessoa –– assistência psicológica e
designada, aos 21 anos de idade; –– assistência farmacêutica.
–– a renúncia expressa;
–– a acumulação de pensão na forma do artigo 225 • A assistência à saúde do servidor e de sua famí-
da Lei n. 8.112/1990: “Ressalvado o direito de lia terá como diretriz básica o implemento de ações
opção, é vedada a percepção cumulativa de preventivas voltadas para a promoção da saúde e
mais de duas pensões.” será prestada pelo Sistema Único de Saúde – SUS,
diretamente pelo órgão ou entidade ao qual estiver
• Por morte ou perda da qualidade de beneficiário, a vinculado o servidor, ou mediante convênio ou con-
respectiva cota reverterá: trato, ou ainda na forma de auxílio, mediante ressar-
–– da pensão vitalícia para os remanescentes desta cimento parcial do valor despendido pelo servidor,
pensão ou para os titulares da pensão temporá- ativo ou inativo, e seus dependentes ou pensionis-
ria, se não houver pensionista remanescente da tas com planos ou seguros privados de assistência
pensão vitalícia; à saúde, na forma estabelecida em regulamento.
–– da pensão temporária para os cobeneficiá- • Nas hipóteses previstas na Lei n. 8.112/1990 em
rios ou, na falta destes, para o beneficiário da que seja exigida perícia, avaliação ou inspeção
pensão vitalícia. médica, na ausência de médico ou junta médica
oficial, para a sua realização o órgão ou entidade
Auxílio-Funeral celebrará, preferencialmente, convênio com unida-
des de atendimento do sistema público de saúde,
• O auxílio-funeral é devido à família do servidor fale- entidades sem fins lucrativos declaradas de utili-
cido na atividade ou aposentado, em valor equiva- dade pública, ou com o Instituto Nacional do Seguro
lente a um mês da remuneração ou provento. Social – INSS. Na impossibilidade, devidamente
• No caso de acumulação legal de cargos, o auxílio justificada, o órgão ou entidade promoverá a contra-
será pago somente em razão do cargo de maior tação da prestação de serviços por pessoa jurídica,
remuneração. que constituirá junta médica especificamente para

33
esses fins, indicando os nomes e especialidades Ao servidor público civil é assegurado, nos termos da
dos seus integrantes, com a comprovação de suas Constituição Federal, o direito à livre associação sindical e
habilitações e de que não estejam respondendo a os seguintes direitos, entre outros, dela decorrentes:
processo disciplinar junto à entidade fiscalizadora • de ser representado pelo sindicato, inclusive como
da profissão. substituto processual;
• Para os fins do disposto acima, ficam a União e • de inamovibilidade do dirigente sindical, até um ano
suas entidades autárquicas e fundacionais autori- após o final do mandato, exceto se a pedido;
zadas a: • de descontar em folha, sem ônus para a entidade
–– celebrar convênios exclusivamente para a pres- sindical a que for filiado, o valor das mensalidades
tação de serviços de assistência à saúde para e contribuições definidas em assembleia geral da
os seus servidores ou empregados ativos, apo- categoria.
sentados, pensionistas, bem como para seus
respectivos grupos familiares definidos, com Assim dispõe o art. 8º da Constituição Federal:
entidades de autogestão por elas patrocinadas Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,
por meio de instrumentos jurídicos efetivamente observado o seguinte:
celebrados e publicados até 12 de fevereiro de I – a lei não poderá exigir autorização do Estado
2006 e que possuam autorização de funcio- para a fundação de sindicato, ressalvado o registro
no órgão competente, vedadas ao Poder Público a
namento do órgão regulador, sendo certo que
interferência e a intervenção na organização sindical;
os convênios celebrados depois dessa data II – é vedada a criação de mais de uma organização
somente poderão sê-lo na forma da regulamen- sindical, em qualquer grau, representativa de cate-
tação específica sobre patrocínio de autoges- goria profissional ou econômica, na mesma base
tões, a ser publicada pelo mesmo órgão regu- territorial, que será definida pelos trabalhadores ou
lador, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias da empregadores interessados, não podendo ser infe-
vigência desta Lei, normas essas também apli- rior à área de um Município;
cáveis aos convênios existentes até 12 de feve- III – ao sindicato cabe a defesa dos direitos e inte-
resses coletivos ou individuais da categoria, inclusi-
reiro de 2006;
ve em questões judiciais ou administrativas;
–– contratar, mediante licitação, na forma da Lei
IV – a assembleia geral fixará a contribuição que, em
n. 8.666, de 21 de junho de 1993, operadoras se tratando de categoria profissional, será descontada
de planos e seguros privados de assistência à
IVAN LUCAS

em folha, para custeio do sistema confederativo da re-


saúde que possuam autorização de funciona- presentação sindical respectiva, independentemente
mento do órgão regulador. da contribuição prevista em lei;
V – ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS filiado a sindicato;
VI – é obrigatória a participação dos sindicatos nas
negociações coletivas de trabalho;
No âmbito dos Poderes Executivo, Legislativo e Judi-
VII – o aposentado filiado tem direito a votar e ser
ciário, poderão ser instituídos os seguintes incentivos fun- votado nas organizações sindicais;
cionais, além daqueles já previstos nos respectivos planos VIII – é vedada a dispensa do empregado sindicali-
de carreira: zado a partir do registro da candidatura a cargo de
• prêmios pela apresentação de ideias, inventos ou direção ou representação sindical e, se eleito, ainda
trabalhos que favoreçam o aumento de produtivi- que suplente, até um ano após o final do mandato,
dade e a redução dos custos operacionais; salvo se cometer falta grave nos termos da lei.
• concessão de medalhas, diplomas de honra ao
mérito, condecoração e elogio. –– Consideram-se da família do servidor, além do
–– O Dia do Servidor Público será comemorado em cônjuge e filhos, quaisquer pessoas que vivam
28 (vinte e oito) de outubro. às suas expensas e constem do seu assenta-
–– Os prazos serão contados em dias corridos, mento individual.
excluindo-se o dia do começo e incluindo-se o –– Equipara-se ao cônjuge a companheira ou com-
do vencimento, ficando prorrogado, para o pri- panheiro, que comprove união estável como
meiro dia útil seguinte, o prazo vencido em dia entidade familiar.
em que não haja expediente. –– Para os fins da Lei n. 8.112/1990, considera-se
–– Por motivo de crença religiosa ou de convicção sede o município onde a repartição estiver insta-
filosófica ou política, o servidor não poderá ser lada e onde o servidor tiver exercício, em caráter
privado de quaisquer dos seus direitos, sofrer permanente.
discriminação em sua vida funcional, nem exi-
mir-se do cumprimento de seus deveres. EXERCÍCIOS
ninguém será privado de direitos por motivo
de crença religiosa ou de convicção filosófi- 1.  (CESPE / Técnico de Controle Externo / MS / 2010)
ca ou política, salvo se as invocar para exi- Além do vencimento, poderão ser pagos ao servidor
mir-se de obrigação legal a todos imposta e indenizações, gratificações e adicionais, sendo que as
recusar-se a cumprir prestação alternativa, primeiras se incorporam ao vencimento ou provento
fixada em lei (CF/1988, art. 5º, inciso VII) para qualquer efeito.

34
2.  (CESPE / Técnico de Controle Externo / MS / 2010) O 12.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS /
servidor público que não for aprovado no estágio pro- 2010) O afastamento de servidor para treinamento re-
batório será exonerado ou, se estável, reintegrado ao gularmente instituído somente será autorizado quando
cargo anteriormente ocupado. o horário do evento de capacitação inviabilizar o cum-
primento da sua jornada semanal de trabalho.
3.  (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo / TCU /
2010) Em processo administrativo disciplinar, a remo- 13.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS / 2010)
ção de ofício de um servidor pode ser utilizada como A ação disciplinar prescreverá em cinco anos quanto às
forma de punição. infrações puníveis com demissão, suspensão, cassa-
ção de aposentadoria ou destituição de cargo em co-
4.  (CESPE / Agente Administrativo / AGU / 2010) Durante missão, contados da data da consumação do fato.
a tramitação de um processo administrativo disciplinar,
é possível o afastamento preventivo do servidor públi- 14.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS /
co, pelo prazo máximo de até cento e vinte dias, sem 2010) A autoridade julgadora poderá decidir em des-
prejuízo de sua remuneração, para que tal servidor não conformidade com o relatório elaborado pela comissão
venha a influir na apuração da irregularidade eventual- responsável pela condução do processo disciplinar
mente cometida. quando reputá-lo contrário às provas dos autos.

5.  (CESPE / Agente Administrativo / AGU / 2010) No que 15.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS /
se refere ao julgamento do processo administrativo dis- 2010) O servidor público que for punido após regular
ciplinar, na hipótese de o relatório da comissão contra- processo administrativo poderá remanescer sujeito

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


riar as provas dos autos, a autoridade julgadora pode- a rejulgamento do feito para fins de agravamento da
rá, motivadamente, agravar a penalidade proposta. sanção, desde que surjam novas provas em seu des-
favor.
6.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS /
2010) O edital do concurso público é o instrumento idô- 16.  (CESPE / Todos os Cargos / MS / 2010) É possível
neo para o estabelecimento do limite mínimo de idade que o servidor se afaste do exercício do cargo efetivo,
para a inscrição no concurso. com a respectiva remuneração, para participar de pro-
grama de pós-graduação stricto sensu em instituição
7.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS / 2010) de ensino superior no país, desde que haja interesse
O servidor que irá exercer sua atividade em outro mu- da administração e que essa participação não possa
nicípio, por motivo de ter sido removido, redistribuído, ocorrer simultaneamente com o exercício do cargo ou
requisitado, cedido ou posto em exercício provisório, mediante compensação de horário.
terá, no mínimo, dez e, no máximo, trinta dias de pra-
zo, contados da publicação do ato, para a retomada do 17.  (CESPE / Todos os Cargos / MS / 2010) O servidor que
efetivo desempenho das atribuições do cargo, incluído responder a processo disciplinar só pode ser exonera-
nesse prazo o tempo necessário para o deslocamento do a pedido ou aposentado voluntariamente depois de
para a nova sede. encerrado o processo e cumprida a penalidade, caso
seja aplicada.
8.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS /
2010) Em caso de reintegração, encontrando-se provi- 18.  (CESPE / Agente Administrativo / MPS / 2010) Uma
do o cargo de origem, o servidor reintegrado será apro- das hipóteses de aplicação da pena de suspensão é
veitado em outro, ou colocado em disponibilidade. a reincidência em faltas punidas com a pena de ad-
vertência.
9.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS /
19.  (CESPE / Agente Administrativo / MPS / 2010) É ca-
2010) O ocupante de cargo em comissão ou função de
bível aplicação de pena de demissão a servidor que
confiança submete-se ao regime de integral dedicação
atue de forma desidiosa, isto é, que apresente conduta
ao serviço e pode ser convocado sempre que houver
negligente de maneira reiterada.
interesse da administração.

20.  (CESPE / Agente Administrativo / MPS / 2010) As van-


10.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS / 2010)
tagens pecuniárias não são computadas nem acumu-
O servidor poderá afastar-se para servir em organismo
ladas para efeito de concessão de quaisquer outros
internacional de que o Brasil participe, ou com o qual
acréscimos pecuniários ulteriores, sob o mesmo título
coopere, sem a perda da remuneração.
ou idêntico fundamento.
11.  (CESPE / Analista Técnico – Administrativo / MS /
21.  (CESPE / Agente Administrativo / MPS / 2010) É cabí-
2010) O tempo em que o servidor estiver afastado para
vel a exoneração de ofício quando não satisfeitas as
desempenho de mandato eletivo será contado somen-
condições do estágio probatório.
te para efeito de aposentadoria e disponibilidade.

35
22.  (CESPE / Assistente em Ciência e Tecnologia / INCA 29.  (CESPE / Analista Administrativo / MPU / 2010) A
/ 2010) A gratificação natalina corresponde a um doze vacância do cargo público decorre de: exoneração,
avos da remuneração a que o servidor fizer jus no mês demissão, promoção, ascensão, transferência, rea-
de dezembro, por mês de exercício no respectivo ano daptação, aposentadoria, posse em outro cargo inacu-
e será paga no mês de aniversário do servidor. mulável e falecimento.

23.  (CESPE / Assistente em Ciência e Tecnologia / INCA 30.  (CESPE / Todos os Cargos – Nível Superior / ANEEL /
/ 2010) Considere a seguinte situação hipotética. Um 2010) João, servidor público da ANEEL, teve sua de-
servidor público civil da União, lotado no Ministério da missão invalidada por decisão administrativa. Nessa
Saúde em Brasília, afastou-se de sua sede, por três situação, João deverá ser reintegrado ao cargo ante-
dias, para realizar serviços extraordinários na cidade riormente ocupado, estando sua aposentadoria auto-
de Unaí – MG. O transporte foi realizado por meio de maticamente sujeita a cassação.
carro oficial e as alimentações e a pousada foram pa-
gas antecipadamente pelo ministério. Nessa situação, 31.  (CESPE / Todos os Cargos – Nível Superior / ANEEL /
o servidor não receberá as diárias, uma vez que a 2010) Paulo, em função da reintegração de um colega,
União custeou as despesas extraordinárias do traba- será reconduzido ao cargo que anteriormente ocupa-
lho fora da sede. va, cabendo-lhe devolver ao erário os emolumentos
percebidos no período. Nessa situação, caso Paulo
24.  (CESPE / Assistente em Ciência e Tecnologia / INCA / não faça a devolução dos referidos emolumentos no
2010) Considere a seguinte situação hipotética. Joana, prazo de noventa dias, ele estará sujeito à suspensão
servidora pública do INCA, derramou café na CPU do e ao pagamento de multa diária.
computador que utilizava para trabalhar, causando-lhe
danos. Instaurado processo administrativo, a adminis- 32.  (CESPE / Todos os Cargos – Nível Superior / ANEEL
tração determinou que a servidora ressarcisse o Erá- / 2010) No que se refere aos vocábulos cargo, empre-
rio. Joana concordou e dividiu o valor correspondente go e função pública, é correto afirmar que o servidor
em doze vezes, pagando-o mediante desconto em contratado por tempo determinado para atender a ne-
seu contracheque. Ao final do quarto mês, a servidora cessidade temporária de excepcional interesse público
pediu exoneração para tomar posse no cargo de pro- exerce função pública.
IVAN LUCAS

curadora do estado do Pará. Nessa situação, Joana


deve arcar com as oito parcelas restantes, mediante o 33.  (CESPE / Técnico Administrativo / MPU / 2010) As
pagamento de oito boletos bancários expedidos men- pessoas com qualquer tipo de deficiência física têm
salmente pelo INCA. garantido o direito de se inscrever em concurso públi-
co para provimento de cargo cujas atribuições sejam
25.  (CESPE / Assistente em Ciência e Tecnologia / INCA / compatíveis com a deficiência de que são portadoras,
2010) Considere que Maria, servidora pública civil da além da reserva de, pelo menos, 25% das vagas ofe-
União, não tenha comparecido ao seu local de traba- recidas no concurso.
lho na quinta e na sexta-feira após o carnaval, tam-
pouco tenha apresentado justificativa pela ausência a 34.  (CESPE / Técnico Administrativo / MPU / 2010) Os
Paulo, seu superior. Nessa situação hipotética, Paulo servidores temporários, ao serem contratados por
pode cortar o ponto de Maria, uma vez que o servidor tempo determinado para atender à necessidade tem-
público perde a remuneração do dia em que faltar ao porária de excepcional interesse público, exercem fun-
serviço sem motivo justificado. ção pública e, portanto, passam a estar vinculados a
emprego público.
26.  (CESPE / Procurador Municipal / PGM-RR / 2010) O
chefe imediato do servidor tem a faculdade de autori- 35.  (CESPE / Analista Processual / MPU / 2010) Assegu-
zar ou não a compensação de horário. Não havendo ra-se a isonomia de vencimentos para cargos de atri-
tal compensação, o servidor perderá a parcela da re- buições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou
muneração correspondente ao atraso, sem que, nessa entre servidores dos três Poderes, ressalvadas as van-
hipótese, se caracterize violação ao princípio da irre- tagens de caráter individual e as relativas à natureza
dutibilidade de vencimentos. ou ao local de trabalho.

27.  (CESPE / Procurador Municipal / PGM-RR / 2010) A 36.  (CESPE / AGENTE TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA
comissão de sindicância não é pré-requisito para a ins- / ABIN / 2010) Suponha que um servidor público
tauração do processo administrativo disciplinar. apresente ao setor de recursos humanos do órgão
em que seja lotado atestado médico particular para
28.  (CESPE / Analista – Arquivologia / MPU / 2010) A comprovar que seu pai é portador de doença grave e
vacância do cargo público decorre de: exoneração, informar que necessita assisti-lo durante a realização
demissão, promoção, ascensão, transferência, rea- de tratamento em cidade distante do local de trabalho.
daptação, aposentadoria, posse em outro cargo inacu- Nesse caso, o referido servidor fará jus a licença por
mulável e falecimento. motivo de doença.

36
37.  (CESPE / AGENTE TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA / 45.  (CESPE / Analista Judiciário / TRT – 21ª Região (RN) /
ABIN / 2010) O servidor público que faltar ao serviço 2010) Quando uma penalidade de suspensão é cance-
injustificadamente estará sujeito à pena de censura, lada dos registros de um servidor, o cancelamento tem
aplicável pela comissão de ética, mas não à perda da efeitos retroativos à data da sanção.
remuneração do dia não trabalhado.
46.  (CESPE / Analista Judiciário / TRT – 21ª Região (RN) /
38.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA / 2010) Caso o padrasto de determinado servidor públi-
ABIN / 2010) De acordo com a Constituição Federal de co esteja acometido de doença em que seja indispen-
1988 (CF), podem ser estabelecidos, por meio de lei sável a sua assistência direta, não podendo esta ser
complementar, requisitos e critérios diferenciados para prestada simultaneamente com o exercício do cargo,
a concessão de aposentadoria dos servidores públicos poderá ser concedida ao servidor licença por motivo
portadores de deficiência. de doença em pessoa da família, por até sessenta
dias, ainda que não consecutivos, sem prejuízo da re-
muneração.
39.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA /
ABIN / 2010) Um servidor público federal que, admitido
no serviço público, sem concurso público, em 1982, e 47.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRT – 21ª Região (RN) /
atualmente lotado em determinado órgão público fede- 2010) Entre as licenças estipuladas em favor dos servi-
ral, seja indicado para integrar comissão de processo dores públicos federais, está a que pode ser concedida
administrativo disciplinar estará impedido legalmente para acompanhamento do cônjuge que foi deslocado
de presidir essa comissão. para outro ponto do território nacional, para o exterior
ou para o exercício de mandato eletivo dos Poderes

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


40.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA / Executivo e Legislativo, cujo prazo será de até quatro
anos, com uma única prorrogação.
ABIN / 2010) O servidor público concursado que pre-
encha, antes de completar o estágio probatório, os
48.  (CESPE / Analista Judiciário / TRT – 21ª Região (RN)
requisitos legais para a aponsentadoria voluntária de-
/ 2010) É assegurado ao servidor o exercício do direito
verá aguardar o término do referido estágio para obter
de petição, sendo cabível pedido de reconsideração à
o citado benefício.
autoridade que houver expedido o ato ou proferido a
primeira decisão; não se admite, contudo, a renovação
41.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA /
do pedido de reconsideração.
ABIN / 2010) Considere que a autoridade competente
de um órgão público tome conhecimento da ocorrência
49.  (CESPE / Analista Judiciário / TRT – 21ª Região (RN)/
de infração disciplinar cometida por um ex-servidor pú-
2010) Função, cargo e emprego público são unidades
blico federal que ocupava, exclusivamente, cargo em
de atribuições para as quais a investidura somente
comissão. Nessa situação, deve-se proceder à instau-
pode dar-se mediante prévia aprovação em concurso
ração de processo administrativo disciplinar contra o
público, ressalvadas as nomeações para cargo em
referido ex-servidor.
comissão declarado em lei de livre nomeação e exo-
neração.
42.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA /
ABIN / 2010) Em 06.06.1994, Paulo, servidor público 50.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA /
federal, praticou determinada infração disciplinar, des- ABIN / 2010) Afasta-se a responsabilidade penal do
coberta em 10/5/2000. Em 5/5/2005, foi instaurado o servidor público que pratique fato previsto, na legisla-
processo administrativo disciplinar para a apuração ção, como contravenção penal, dada a baixa lesivida-
do fato, no prazo de sessenta dias, prorrogáveis por de da conduta, subsistindo a responsabilidade civil e
mais sessenta dias, o que efetivamente ocorreu. Em administrativa.
10/9/2010, foi publicada a penalidade de demissão de
Paulo. Nessa situação, não ocorreu a prescrição da 51.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA /
pretensão punitiva da administração pública. ABIN / 2010) O servidor público removido de ofício, no
interesse da administração, pode alegar a garantia da
43.  (CESPE / OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA / inamovibilidade para permanecer no local onde exerce
ABIN / 2010) Aplica-se à aposentadoria compulsória suas funções.
o requisito de tempo mínimo de dez anos de efetivo
exercício no serviço público. 52.  (CESPE / Engenheiro Civil / INSS / 2010) Além da res-
ponsabilidade civil e penal, o servidor responde admi-
44.  (CESPE / Analista Judiciário / TRT – 21ª Região (RN) / nistrativamente pela prática de ilícitos administrativos
2010) Se determinado servidor não puder estar pre- definidos na legislação de regência, situação em que a
sente no dia da posse, ela poderá ocorrer mediante infração deve ser apurada pela própria administração
procuração específica. pública, por intermédio de procedimento adequado.

37
53.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-BA / 2010) É cabí- 63.  (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo – Psico-
vel a aplicação da pena de demissão ao servidor que logia / TCU / 2011)A administração pode deferir pedido
receber propina, comissão, presente ou vantagem de de licença sem remuneração, por até três anos conse-
qualquer espécie. cutivos, a servidor público ocupante de cargo efetivo
que esteja no segundo ano do estágio probatório, se a
54.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-BA / 2010) O servi- licença for para tratar de interesses particulares.
dor público é proibido de ausentar-se do serviço sem
prévia autorização do chefe imediato. 64.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/
2011) A gratificação por encargo de curso ou concurso
55.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-BA / 2010) O servi- não se incorpora ao vencimento ou salário do servidor
dor que faltar ao serviço sem motivo justificado perde- para qualquer efeito e não poderá ser utilizada como
rá o dia de remuneração. base de cálculo para quaisquer outras vantagens, in-
clusive para fins de cálculo dos proventos da aposen-
56.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-BA / 2010) A remo- tadoria e das pensões.
ção a pedido ocorre apenas se houver interesse da
administração.
65.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/
2011) A conversão da penalidade de suspensão em
57.  (CESPE / Analista Judiciário / TRT – 21ª Região (RN)/ multa, na base de 50% por dia de vencimento ou re-
2010) São formas de provimento do cargo público, en- muneração, poderá ocorrer na hipótese de o servidor
tre outras, a nomeação, a ascensão, a readaptação e permanecer obrigatoriamente na repartição e quando
a reversão. houver conveniência para a prestação do serviço.

58.  (CESPE / Analista Judiciário / TRT – 21ª Região (RN)/ 66.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/
2010) As vantagens pecuniárias mais frequentes do 2011) Na condução dos processos disciplinares, as
servidor são as indenizações, os adicionais e as gra- reuniões e as audiências das comissões serão abertas
tificações, os quais se incorporam ao vencimento ou
ao público e não poderão ter caráter reservado, sob
provento, nos casos e nas condições indicados em lei.
pena de nulidade.
IVAN LUCAS

59.  (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo – Psi-


67.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/
cologia / TCU / 2011) A revisão do processo adminis-
2011) O servidor que tiver exercício em outro muni-
trativo disciplinar é cabível quando se apresentarem
cípio em razão de ter sido removido tem, obrigatoria-
novos fatos ou circunstâncias suscetíveis de justificar
mente, prazo de trinta dias, contado da publicação do
a inocência do punido ou a inadequação das penalida-
ato, para a retomada do efetivo desempenho das atri-
des aplicadas, podendo ocorrer de ofício ou a pedido,
buições do cargo, incluído nesse prazo o tempo neces-
a qualquer tempo.
sário para o deslocamento para a nova sede.
60.  (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo – Psico-
68.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB /
logia / TCU / 2011) Em sentido estrito, todas as pesso-
2011) Na hipótese de licença do servidor por motivo de
as que servem ao poder público, de forma transitória
doença em pessoa da família, e mesmo quando com-
ou definitiva, remuneradas ou não, são consideradas
servidores públicos. provado que a sua assistência direta é indispensável e
não puder ser prestada simultaneamente com o exer-
61.  (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo – Psico- cício do cargo ou mediante compensação de horário, o
logia / TCU / 2011) Servidor público que ocupe cargo período do estágio probatório não será suspenso.
de médico na administração direta da União e cargo de
professor em uma universidade pública federal, ambos 69.  (CESPE / Técnico Judiciário / STM / 2001) As formas
remunerados, pode, havendo compatibilidade de ho- de provimento de cargo incluem a readaptação, que
rários entre as atividades, ocupar outro cargo público consiste no retorno de servidor aposentado por invali-
remunerado de médico, desde que esse cargo se situe dez à atividade, em decorrência de comprovação, por
no âmbito da administração de um estado-membro, do junta médica oficial, de cessação dos motivos da apo-
Distrito Federal ou de um município. sentadoria.

62.  (CESPE / Auditor Federal de Controle Externo – Psi- 70.  (CESPE / Técnico Judiciário / STM / 2001) Aplica-se
cologia / TCU / 2011) A estabilidade diz respeito ao suspensão em caso de reincidência de falta punida
cargo público, e o estágio probatório, ao serviço públi- com advertência e de violação de proibição que não ti-
co. Dessa forma, a estabilidade, em regra, é adquirida pifique infração sujeita à penalidade de demissão, não
uma única vez pelo servidor na administração pública podendo a suspensão exceder a noventa dias.
de um mesmo ente federado; por outro lado, o servidor
pode submeter-se a vários estágios probatórios, se en- 71.  (CESPE / Cargos de Nível Superior / Correios / 2001)
trar em exercício em diferentes cargos públicos. ocupantes de cargo público ou de emprego público

38
têm vínculo estatutário e institucional regido por esta- espécie, a qualquer título, no âmbito do Poder Executi-
tuto funcional próprio, que, no caso da União, é a Lei vo, pelos ministros de Estado, estando incluídos nesse
n. 8.112/1990. limite a gratificação natalina e o adicional de férias.

72.  (CESPE / Analista Judiciário / TJ-ES / 2011) Visando 80.  (CESPE / Professor – Direito / IFB / 2011) A obrigação
suprir necessidade urgente, a administração poderá de reparar dano causado por servidor público ao erário
realizar concurso público para provimento de cargo estende-se aos sucessores, e contra eles será execu-
efetivo com base em entrevistas, análise curricular e tada, até o limite do valor da herança recebida.
testes psicotécnicos.
81.  (CESPE / Professor – Direito / IFB / 2011) O acesso a
73.  (CESPE / Analista Judiciário – Economia / STM / 2011) emprego público, regido pela Consolidação das Leis
Paulo tomou posse, pela primeira vez, em cargo efeti- do Trabalho, de natureza contratual e celebrado por
vo no âmbito da administração pública direta da União, prazo indeterminado, prescinde de prévia aprovação
em fevereiro de 2008, e, em março de 2010, requereu em concurso público.
a concessão de afastamento para participação em pro-
grama de pós-graduação stricto sensu no Brasil. Nes-
82.  (CESPE / Analista em Ciência e Tecnologia Júnior /
sa situação, Paulo poderá ser afastado sem perda de
CNPQ / 2011) O auxílio-moradia deve ser concedido
remuneração.
a servidor público federal que, entre outros requisitos,
tenha se mudado do local de residência para ocupar
74.  (CESPE / Analista Judiciário – Economia / STM / 2011) cargo em comissão ou função de confiança do grupo
João, servidor público estável e detentor de cargo efe- direção e assessoramento superiores (DAS), níveis 4,

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


tivo, aposentou-se voluntariamente em 05.10.2006, 5 e 6, de natureza especial, de ministro de Estado ou
quando tinha 68 anos de idade, e, em 10.06.2009, equivalentes.
requereu a sua reversão a cargo vago no serviço pú- 83.  (CESPE / Analista em Ciência e Tecnologia Júnior /
blico, visto que era estável e sua aposentadoria havia
CNPq / 2011) Desde que haja interesse da administra-
ocorrido nos últimos cinco anos. Nessa situação hipo-
ção, é possível a remoção de servidor público federal
tética, João não poderá retornar à atividade no interes-
para acompanhar, por motivo de saúde, cônjuge, com-
se da administração.
panheiro ou dependente que viva às suas expensas e
conste do seu assentamento funcional, condicionada a
75.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/
remoção à comprovação por junta médica oficial.
2011) Na hipótese de o servidor trabalhar em local in-
salubre e em contato permanente com substâncias ra-
84.  (CESPE / Cargos de Nível Médio / FUB / 2011) Na
dioativas, a lei determina a obrigatoriedade de o servi-
hipótese de reintegração decorrente de decisão
dor optar por apenas um dos adicionais: insalubridade
ou periculosidade. administrativa ou judicial, o servidor deve ser ressarcido
de todas as vantagens e, caso o cargo anteriormente
76.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/ ocupado esteja provido, o seu eventual ocupante deve
2011) O prazo para a conclusão do processo adminis- ser reconduzido ao cargo de origem, sem direito à
trativo disciplinar submetido ao rito sumário não exce- indenização, ou aproveitado em outro cargo ou, ainda,
derá sessenta dias, contados da data de publicação posto em disponibilidade.
do ato que constituir a comissão, admitida a sua pror-
rogação por até trinta dias, quando as circunstâncias 85.  (CESPE / Cargos de Nível Médio / FUB / 2011) É
o exigirem e estiverem devidamente fundamentadas. vedada a percepção de vencimento de cargo ou
emprego público efetivo com proventos da inatividade,
77.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/ salvo quando os cargos de que decorram essas
2011) A abertura de sindicância e a instauração de pro- remunerações forem acumuláveis na atividade, na
cesso disciplinar interrompem a prescrição, até a deci- forma estabelecida pela Constituição Federal.
são final proferida por autoridade competente.
86.  (CESPE / Cargos de Nível Médio / FUB / 2011) Na
78.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/ hipótese de o servidor público praticar nepotismo sob
2011) De acordo com entendimento do Supremo Tri- sua chefia imediata, a penalidade atribuída pelo regi-
bunal Federal, a falta de defesa técnica por advogado me jurídico dos servidores federais, via de regra, é a
no processo administrativo disciplinar não ofende a suspensão pelo prazo de trinta dias.
Constituição.
87.  (CESPE / Cargos de Nível Médio / FUB / 2011) Os ser-
79.  (CESPE / Analista de Tecnologia da Informação / FUB/ vidores efetivos cumprem jornada de trabalho fixada
2011) Nenhum servidor poderá perceber, mensalmen- em razão das atribuições pertinentes aos respectivos
te, a título de remuneração, importância superior à cargos, respeitada a duração máxima do trabalho se-
soma dos valores percebidos como remuneração, em manal de 44 horas.

39
88.  (CESPE / Cargos de Nível Médio / FUB / 2011) É ve- 98.  (CESPE / Analista Ambiental / MMA / 2011 – I) Os de-
dado ao servidor em estágio probatório a cessão a ou- veres dos servidores públicos civis federais incluem a
tro órgão ou entidade para ocupar qualquer cargo de observância das normas legais e regulamentares, o
provimento em comissão até o decurso do prazo do cumprimento incondicional das ordens superiores e
estágio e a eventual aprovação do servidor pelo órgão o exercício, com zelo e dedicação, das atribuições do
competente, sob pena de desvirtuamento da função. cargo.

89.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-ES / 2011) O ven- 99.  (CESPE / Escrivão de Polícia / PC-ES / 2011) O adi-
cimento, a remuneração e o provento de um servidor cional por tempo de serviço é direito do servidor da
somente podem ser objeto de penhora nos casos de administração direta e indireta, calculado sobre o ven-
indenização ao erário e prestação alimentícia que re- cimento básico do cargo ou emprego no qual esteja
sultem de decisão judicial. efetivamente investido, pelo simples decurso de um
prazo de prestação de serviço.
90.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-ES / 2011) O gozo
de férias do servidor pode ser interrompido, entre ou- 100.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) O ocupante
tros motivos, por convocação de júri, serviço eleitoral de cargo em comissão que não tenha vínculo efetivo
ou por necessidade do serviço declarada pela autori- com a administração, caso incorra em fatos puníveis
dade máxima do órgão ou entidade em que o servidor com suspensão ou demissão, sujeita-se à destituição
desempenhe suas funções. do referido cargo.

91.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-ES / 2011) Ainda 101.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) Um servi-
que interinamente, é vedado ao servidor público exer- dor público federal que, por meio de concurso público,
cer mais de um cargo em comissão. ingressar como enfermeiro em um hospital federal e,
após quatro anos, concluir o curso de medicina poderá
ser promovido ao cargo de médico.
92.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-ES / 2011) Se de-
terminado servidor, por ato cometido no exercício da
102.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) Ao se apo-
IVAN LUCAS

função, for absolvido criminalmente por falta de pro-


vas, ele não poderá ser responsabilizado administrati- sentar, o servidor público que receba vale-alimentação
vamente pelo mesmo fato. deve receber o valor equivalente a esse benefício jun-
tamente com os vencimentos.
93.  (CESPE / Técnico Judiciário / TRE-ES / 2011) Se de-
terminado servidor, na data de publicação do ato de 103.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) No caso
provimento de certo cargo público, estiver em gozo de de reintegração, o servidor deve retornar ao cargo de
licença por motivo de doença em pessoa da família, o origem, com o ressarcimento de todas as vantagens
prazo para a posse será contado do término do res- a que teria direito durante o período de afastamento,
pectivo impedimento. inclusive as promoções por antiguidade.

94.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) A remune- 104.  (CESPE / Técnico Judiciário – Área Administrativa/
ração de servidor público pode ser fixada ou alterada TRT 17ª Região/ES / 2011) A remoção de servidor ocu-
apenas mediante lei específica. pante de cargo efetivo para localidade muito distante
da que originalmente ocupava, com intuito de puni-lo,
95.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) Servidor decorre do exercício do poder hierárquico.
público federal que esteja cumprindo o período de es-
tágio probatório pode obter licença para exercer man- 105.  (CESPE / Técnico Judiciário – Área Administrativa /
dato classista em um sindicato. TRT 17ª Região/ES / 2011) A aplicação de penalida-
de criminal exclui a sanção administrativa pelo mesmo
96.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) Tanto os fato objeto de apuração.
cargos com provimento em caráter efetivo quanto os
cargos em comissão devem ser criados por lei, com 106.  (CESPE / Técnico Judiciário – Área Administrativa /
denominação própria e vencimento pago pelos cofres TRT 17ª Região/ES / 2011) As faltas justificadas de-
correntes de caso fortuito podem ser compensadas a
públicos.
critério da chefia imediata e, então, são consideradas
como efetivo exercício.
97.  (CESPE / Analista Judiciário / STM / 2011) Todas as
licenças, previstas em lei, a que o servidor público faz
107.  (CESPE / Técnico Judiciário – Área Administrativa /
jus são contadas como de efetivo exercício, razão pela
TRT 17ª Região/ES / 2011) O servidor reprovado no
qual dar-se-ão com contagem de tempo de serviço
estágio probatório é demitido.
efetivo do servidor para todos os efeitos legais.

40
108.  (CESPE / Técnico Judiciário – Área Administrativa / tenha uma conduta ética. Conforme mandamento constitu-
TRT 17ª Região/ES / 2011) O Superior Tribunal de Jus- cional, a lesão à moralidade administrativa leva a prática da
tiça entende que o candidato aprovado em concurso improbidade administrativa (art. 37, §4º da CF/1988).
público dentro do limite das vagas previstas em edital Para Di Pietro (2009, p. 696) “a inclusão do princípio da
tem direito à nomeação. moralidade administrativa na Constituição foi um reflexo da
preocupação com a ética na administração Pública e com o
109.  (CESPE / Técnico Judiciário – Área Administrativa/ combate à corrupção e à impunidade no setor público”.
TRT 17ª Região/ES / 2011) O preenchimento dos A Lei n. 8.429, de 02.06.1992, que ficou conhecida
requisitos para percepção de pensão por morte tem como “lei da improbidade administrativa” prevê a punição do
como data de aferição o dia do óbito do autor da he- agente público que praticar atos imorais (desonestos) e prin-
rança. cipalmente os atos ilegais.
A Constituição Federal determina que a administração
110. (CESPE / Assistente em Ciência e Tecnologia / INCA/ pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
2010) A vacância do cargo público pode decorrer de dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
promoção aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência (art. 37, caput).
GABARITO Sobre a improbidade administrativa, o art. 37, §4, da
CF, estabelece que:
1. E 29.  E 57.  E 85.  C
2. E 30.  E 58.  E 86.  E §4º “os atos de improbidade administrativa impor-
tarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da
3.  E 31.  E 59.  C 87.  E

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


função pública, a indisponibilidade dos bens e o res-
4.  C 32.  C 60.  E 88.  E
sarcimento ao erário, na forma e gradação previstas
5.  C 33.  E 61.  E 89.  E em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.
6.  E 34.  E 62.  E 90.  C
7.  C 35.  C 63.  E 91.  E
O diploma legal que regula os atos de improbidade
8.  E 36.  E 64.  C 92.  E
administrativa é a Lei n. 8.429/1992, que “dispõe sobre as
9.  C 37.  E 65.  C 93.  C
sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enri-
10.  E 38.  C 66.  E 94.  C
quecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego
11.  E 39.  C 67.  E 95.  E
ou função na administração pública direta, indireta ou funda-
12.  C 40.  C 68.  E 96.  C
cional e dá outras providências”.
13.  E 41.  C 69.  E 97.  E
A referida lei regula as sanções aplicadas aos agen-
14.  C 42.  C 70.  C 98.  E
tes públicos. Essas sanções não têm natureza penal, são
15.  E 43.  E 71.  E 99.  E
16.  C 72. 100. elas de natureza política (suspensão dos direitos políti-
44.  C  E  C
17.  C 45.  E 73.  E 101.  E cos), civil (ressarcimento ao erário, indisponibilidade dos
18.  C 46.  C 74.  C 102.  E bens, ressarcimento de danos, multa civil) e administrativa
19.  C 47.  E 75.  C 103.  C (perda da função pública, proibição de contratar como Poder
20.  C 48.  C 76.  E 104.  E Público, proibição de receber benefícios fiscais ou credi-
21.  C 49.  E 77.  C 105.  E tícios do Poder público). Para Di Pietro (2004, p. 704) por
22.  E 50.  E 78.  C 106.  C serem sanções de natureza civil e política, a aplicabilidade
23.  E 51.  E 79.  E 107.  E destas não é competência da Administração Pública, mas
24.  E 52.  C 80.  C 108.  C isso não impede que seja instaurado processo administra-
25.  C 53.  C 81.  E 109.  C tivo para apurar a responsabilidade de servidores envolvi-
26.  C 54.  C 82.  C 110.  C dos nos atos de improbidade administrativa para a aplicação
27.  E 55.  C 83.  C de penalidades previstas no respectivo Estatuto dos Servi-
28.  E 56.  E 84.  C dores. Poderá, então, por exemplo, um servidor público do
Ministério da Saúde ser processado por ato de improbidade
administrativa no juízo competente e, concomitantemente,
LEI N. 8.429/1992
responder a processo administrativo disciplinar regulamen-
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
tado na Lei n. 8.112/1990.
Ao disciplinar a improbidade administrativa, o texto
INTRODUÇÃO
constitucional prevê as medidas sancionais cabíveis (polí-
Inicialmente, é importante entender que a moralidade tica e civil), e acrescenta a expressão “sem prejuízo da ação
administrativa e probidade administrativa estão relaciona- penal cabível”. Assim está disposto em razão de alguns atos
das à honestidade na administração pública. Não basta o ilícitos alcançados pela lei da improbidade administrativa ser
administrador alcançar apenas a legalidade formal (obser- tipificado, também, como ilícito penal enquadrado no Código
vância da lei), é necessário, também, observar os princípios Penal. Desse modo, muitos atos de improbidade podem
éticos, de lealdade e de boa-fé. O princípio da moralidade resultar simultaneamente em infração penal, administrativa
(art. 37, CF/1988) determina que o administrador público e cível.

41
A responsabilidade penal visa a apurar ilícito previsto Vale dizer que o parágrafo único do art. 1º da referida
no Código Penal, a administrativa segue as regras estabe- lei estabelece que as pessoas de cooperação governamen-
lecidas nos estatutos dos servidores públicos e a civil está tal (serviços sociais autônomos – ex.: SESI, SENAI, SESC
estabelecida na Lei n. 8.429/1992. Pode-se então dizer que ETC.), as organizações não governamentais, as organiza-
as instâncias poderão ser cumulativas. ções sociais (Lei n. 9.637/1998 – ex: Hospital Sarah Kubits-
Simplificando: Considere que um agente público soli- chek) e as organizações da sociedade civil de interesse
cite determinado valor para favorecer uma empresa em lici- público (Lei n. 9.790/1998) poderão ser sujeitos passivos
tação pública. Nesse contexto, o agente responderá ação de improbidade administrativa, visto que podem receber
de improbidade administrativa (ação civil) e outra ação na subvenções, benefício ou incentivo fiscal ou creditícios de
órgãos públicos. Logicamente que a ação de improbidade
esfera penal, pois, corrupção é crime tipificado no art. 317
administrativa alcança apenas as parcelas oriundas do
do Código Penal.
Poder Público.
QUESTÕES DE CONCURSO:
SUJEITO ATIVO
(CESPE/ CÂMARA DOS DEPUTADOS/ ANALISTA
Sujeito ativo é aquele que pratica o ato de improbidade,
LEGISLATIVO/ TÉCNICA LEGISLATIVA/ 2012) Se
um agente público tiver percebido vantagem econô-
concorre para sua prática ou obtém vantagens indevidas.
mica para intermediar liberação de verba pública de Sujeito ativo é o autor da conduta de improbidade.
qualquer natureza, ele terá praticado ato de impro- A Lei de improbidade administrativa descreve os sujei-
bidade administrativa que importará enriquecimento tos ativos capazes de cometerem crime de improbidade:
ilícito e, por essa razão, estará sujeito exclusiva- 1) os agentes públicos, que são definidos pela referida
mente às sanções impostas na Lei de Improbidade lei como sendo todo aquele que exerce, ainda que transitoria-
Administrativa. mente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, desig-
nação, contratação ou qualquer outra forma de investidura
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

Justificativa: O agente poderá responder na esfera ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entida-
penal (crime contra a administração pública). Questão des que recebam subvenção, benefício ou incentivo, fiscal
errada. ou creditício, de órgão público (art. 2º da Lei n. 8.429/1992);
2) terceiros que “mesmo não sendo agente público,
(CESPE/ HEMOBRÁS/ ANALISTA ADMINISTRATI- induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou
VO/ 2008) A Lei da improbidade administrativa cui- dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta” (art.
da dos atos de improbidade praticados por agentes 3º da Lei n. 8.429/1992).
públicos contra o Poder Público na esfera federal.
Faz-se importante dizer que o Supremo Tribunal Fede-
Justificativa: A Lei da improbidade administrativa ral, apesar do disposto na Lei n. 8.429/1992, em relação a
cuida dos atos de improbidade praticados por agentes públi- sua abrangência (arts. 1º a 3º), decidiu que ela não se aplica
cos contra o Poder Público na esfera federal, estadual e a todos agentes políticos. Para o STF, a Lei n. 8.429/1992
municipal. A questão está certa, pois, em nenhum momento não se aplica aos agentes políticos sujeitos ao “regime
fez referência que a Lei da improbidade é aplicada apenas de crime de responsabilidade” (Rcl n. 2138/DF, rel. orig.
na esfera federal. Min. Nelson Jobim, rel. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes,
13.06.2007).
SUJEITO PASSIVO Nesse julgado, o STF assevera que os agentes políti-
cos são regidos por normas especiais de responsabilidade.
O sujeito passivo é a vítima do ato de improbidade. O Por esse motivo, não respondem por improbidade admi-
art. 1º da Lei n. 8.429/1992 enumera os sujeitos passivos nistrativa disciplinada pela Lei n. 8.429/1992, mas apenas
dos atos de improbidade: por crime de responsabilidade em ação que somente pode
a) Administração direta ou indireta, de qualquer dos ser proposta perante o STF nos temos do art. 102, I, c, da
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos CF/1988.
Municípios; Pela importância do julgado, vale transcrever parte
b) empresa incorporada ao patrimônio público ou de constante no Informativo 471 do STF:
entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concor-
Quanto ao mérito, o Tribunal, por maioria, julgou
rido ou concorra com mais de cinquenta por cento do patri- procedente a reclamação para assentar a compe-
mônio ou da receita anual; tência do STF para julgar o feito e declarar extinto
c) entidade que receba subvenção, benefício ou incen- o processo em curso no juízo reclamado. Após fa-
tivo, fiscal ou creditício, de órgão público bem como daque- zer distinção entre os regimes de responsabilidade
las para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou político-administrativa previstos na CF, quais sejam,
o do art. 37, §4º, regulado pela Lei n. 8.429/1992,
concorra com menos de cinquenta por cento do patrimônio
e o regime de crime de responsabilidade fixado
ou da receita anual, limitando-se, nestes casos, a sanção no art. 102, I, c, da CF e disciplinado pela Lei n.
patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos 1.079/1950, entendeu-se que os agentes políticos,
cofres públicos. por estarem regidos por normas especiais de res-

42
ponsabilidade, não respondem por improbidade Pela importância do tema em provas de concursos, vale
administrativa com base na Lei n. 8.429/1992, mas reproduzir o texto da lei que estabelece os atos de improbi-
apenas por crime de responsabilidade em ação que dade que importam enriquecimento ilícito:
somente pode ser proposta perante o STF nos ter-
mos do art. 102, I, c, da CF.
I – receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem mó-
vel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econô-
Nos termos da decisão do Superior Tribunal Federal,
mica, direta ou indireta, a título de comissão, per-
a abrangência de agente político que responde por crime
centagem, gratificação ou presente de quem tenha
de responsabilidade (Lei n. 1.079/1950) restringe-se aos
interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido
cargos de Presidente da República, de Ministros de Estado,
ou amparado por ação ou omissão decorrente das
de Ministros do STF, dos Governadores e Secretários de
atribuições do agente público;
Estado-membro, tendo em vista os arts. 2º e 74, da Lei n.
II – perceber vantagem econômica, direta ou indireta,
1.079/1950.
para facilitar a aquisição, permuta ou locação de
Simplificando: Para o STF os agentes políticos que
bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços
descritos na Lei n. 1.079/1950 não estão sujeitos a ação de
pelas entidades referidas no art. 1º por preço supe-
improbidade administrativa. Os agentes públicos previstos
rior ao valor de mercado;
na referida lei são: Presidente da República, Ministros de
III – perceber vantagem econômica, direta ou indireta,
Estado, Ministros do STF, Governadores e Secretários de
para facilitar a alienação, permuta ou locação de
Estado-membro. Assim, os demais agentes públicos podem
bem público ou o fornecimento de serviço por ente
ser processados com fundamento na Lei n. 8.429/1992,
estatal por preço inferior ao valor de mercado;
como por exemplo: Secretário Municipal, Vereador, Depu-
IV – utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, má-
tado etc.
quinas, equipamentos ou material de qualquer na-

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


tureza, de propriedade ou à disposição de qualquer
ATOS CAUSADORES DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, bem
como o trabalho de servidores públicos, emprega-
A Lei n. 8.429/1992 dispõe os atos de improbidade em dos ou terceiros contratados por essas entidades;
três modalidades distintas: V – receber vantagem econômica de qualquer nature-
a) atos de improbidade que importam enriquecimento za, direta ou indireta, para tolerar a exploração ou
ilícito (art. 9º); a prática de jogos de azar, de lenocínio, de narco-
b) atos de improbidade que causam prejuízo ao erário tráfico, de contrabando, de usura ou de qualquer
(art. 10); outra atividade ilícita, ou aceitar promessa de tal
c) atos de improbidade que atentam contra os princí- vantagem;
pios da Administração Pública (art. 11). VI – receber vantagem econômica de qualquer nature-
za, direta ou indireta, para fazer declaração falsa
Os arts. 9º, 10, e 11 trazem um rol de atos de impro- sobre medição ou avaliação em obras públicas ou
bidade, no entanto essas enumerações são meramente qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso,
exemplificativas e não taxativas já que inúmeras outras situ- medida, qualidade ou característica de mercadorias
ações causadoras de improbidade podem inserir-se no rol ou bens fornecidos a qualquer das entidades men-
desses artigos. cionadas no art. 1º desta lei;
Características VII – adquirir, para si ou para outrem, no exercício de
mandato, cargo, emprego ou função pública, bens
a) enriquecimento ilícito: conforme o do art. 9º da lei de qualquer natureza cujo valor seja desproporcio-
em estudo “constitui ato de improbidade adminis- nal à evolução do patrimônio ou à renda do agente
trativa importando enriquecimento ilícito auferir público;
qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida VIII – aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de
em razão do exercício de cargo, mandato, função, consultoria ou assessoramento para pessoa física
emprego ou atividade nas entidades mencionadas ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser
no art. 1º desta lei”. Esse artigo estabelece uma atingido ou amparado por ação ou omissão decor-
conduta genérica de enriquecimento ilícito, já os rente das atribuições do agente público, durante a
incisos de I a XII trazem as condutas específicas. atividade;
Para esse dispositivo é irrelevante se vai ou não IX – perceber vantagem econômica para intermediar a
haver dano ao erário, isso significa que o autor da liberação ou aplicação de verba pública de qualquer
conduta improba tenha vantagens sem que haja le- natureza;
são aos cofres públicos. Tem-se como exemplo o X – receber vantagem econômica de qualquer nature-
servidor que recebe propina de terceiros para dar za, direta ou indiretamente, para omitir ato de ofício,
andamento a um processo administrativo. O enri- providência ou declaração a que esteja obrigado;
quecimento ilícito tem como elemento subjetivo da XI – incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio
conduta do agente o dolo, já que não se consegue bens, rendas, verbas ou valores integrantes do
visualizar o recebimento de vantagens indevidas acervo patrimonial das entidades mencionadas no
por culpa (imprudência, negligência e imperícia); art. 1º desta lei;

43
XII – usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou IX – ordenar ou permitir a realização de despesas não
valores integrantes do acervo patrimonial das enti- autorizadas em lei ou regulamento;
dades mencionadas no art. 1º desta lei; X – agir negligentemente na arrecadação de tributo ou
renda, bem como no que diz respeito à conserva-
b) danos ao erário: nos termos do art. 10, constitui ato ção do patrimônio público;
de improbidade administrativa que causa lesão ao XI – liberar verba pública sem a estrita observância das
erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culpo- normas pertinentes ou influir de qualquer forma
sa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropria- para a sua aplicação irregular;
ção, malbaratamento (desperdiçar, dissipar, vender XII – permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se
com prejuízo) ou dilapidação (destruição) dos bens enriqueça ilicitamente;
ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta XIII – permitir que se utilize, em obra ou serviço particular,
lei”. O objetivo desse dispositivo é preservação do veículos, máquinas, equipamentos ou material de
patrimônio público. Para que seja caracterizado o qualquer natureza, de propriedade ou à disposição
ato de improbidade nessa conduta é necessário o de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º
dano ao erário. Entendemos que o dano ao erário desta lei, bem como o trabalho de servidor público,
não alcança apenas o patrimônio econômico, mas empregados ou terceiros contratados por essas en-
também, em sentido amplo, o moral, o artístico, o tidades.
histórico etc.; XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha
por objeto a prestação de serviços públicos por
É a seguinte a redação do art. 10 da Lei n. 8.429/1999: meio da gestão associada sem observar as formali-
dades previstas na lei; (Incluído pela Lei n. 11.107,
Art. 10. Constitui ato de improbidade administra- de 2005)
tiva que causa lesão ao erário qualquer ação ou XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público
omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda pa- sem suficiente e prévia dotação orçamentária, ou
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

trimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou sem observar as formalidades previstas na lei. (In-
dilapidação dos bens ou haveres das entidades re- cluído pela Lei n. 11.107, de 2005)
feridas no art. 1º desta lei, e notadamente: c) violação a princípios: pelo art. 11, “constitui ato de
I – facilitar ou concorrer por qualquer forma para a in- improbidade administrativa que atenta contra os
corporação ao patrimônio particular, de pessoa físi- princípios da administração pública qualquer ação
ca ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores ou omissão que viole os deveres de honestidade,
integrantes do acervo patrimonial das entidades imparcialidade, legalidade, e lealdade às institui-
mencionadas no art. 1º desta lei; ções”. A violação aos princípios da administração
II – permitir ou concorrer para que pessoa física ou ju- pública caracteriza-se como ato de improbidade
rídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valo- administrativa. Para Carvalho Filho (2008, p. 1000)
res integrantes do acervo patrimonial das entidades “o pressuposto exigível é somente a vulneração
mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância em si dos princípios administrativos. Consequente-
das formalidades legais ou regulamentares aplicá- mente, são pressupostos dispensáveis o enrique-
veis à espécie; cimento ilícito e o dano ao erário. A improbidade,
III – doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente portanto, cometida com base no art. 11 pode não
despersonalizado, ainda que de fins educativos ou provocar lesão patrimonial público, nem permitir o
assistências, bens, rendas, verbas ou valores do enriquecimento indevido de agentes e terceiros. É
patrimônio de qualquer das entidades mencionadas o caso em que o agente retarda a prática de ato
no art. 1º desta lei, sem observância das formalida- de ofício (art. 11, II)”. O elemento subjetivo da con-
des legais e regulamentares aplicáveis à espécie; duta do agente é sempre o dolo (a lei não se refe-
IV – permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação re à culpa). Por fim, condutas comissivas (art. 11,
de bem integrante do patrimônio de qualquer das III) e omissivas (art. 11, II) podem ensejar violação
entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a aos princípios administrativos. Nos termos do art.
prestação de serviço por parte delas, por preço in- 11 da lei em estudo, são os seguintes os atos de
ferior ao de mercado; Improbidade Administrativa que atentam contra os
V – permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação princípios da Administração Pública:
de bem ou serviço por preço superior ao de mer-
cado; Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa
VI – realizar operação financeira sem observância das que atenta contra os princípios da administração
normas legais e regulamentares ou aceitar garantia pública qualquer ação ou omissão que viole os de-
veres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e
insuficiente ou inidônea;
lealdade às instituições, e notadamente:
VII – conceder benefício administrativo ou fiscal sem a
I – praticar ato visando fim proibido em lei ou re-
observância das formalidades legais ou regulamen- gulamento ou diverso daquele previsto, na re-
tares aplicáveis à espécie; gra de competência;
VIII – frustrar a licitude de processo licitatório ou dispen- II – retardar ou deixar de praticar, indevidamente,
sá-lo indevidamente; ato de ofício;

44
III – revelar fato ou circunstância de que tem ciên- a. praticar ato administrativo que dispense ou de-
cia em razão das atribuições e que deva per- clare a inexigibilidade de processo licitatório.
manecer em segredo; b. retardar ou deixar de praticar, indevidamente,
IV – negar publicidade aos atos oficiais; ato de ofício.
V – frustrar a licitude de concurso público; c. revelar ou permitir que chegue ao conhecimen-
VI – deixar de prestar contas quando esteja obriga- to de terceiro, antes da respectiva divulgação
do a fazê-lo; oficial, teor de medida política ou econômica
VII – revelar ou permitir que chegue ao conhecimen- capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou
to de terceiro, antes da respectiva divulgação serviço.
oficial, teor de medida política ou econômica d. negar publicidade aos atos oficiais.
capaz de afetar o preço de mercadoria, bem e. deixar de prestar contas quando for legalmente
ou serviço. obrigado a fazê-lo.

As bancas de concurso cobram com frequência os dis- Justificativa: A resposta à primeira questão, cuja alter-
positivos acima. Passamos a analisar algumas questões: nativa é a b, está no art. 9, VII, da Lei n. 8.429/1999 (atos
que importam enriquecimento ilícito). Já à segunda, que tem
(CESPE/ TRT-SP/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2008) como alternativa correta a letra “b”, está no art. 11, VI, da
Constitui ato de improbidade administrativa, impor- mesma lei (atos que atentam contra os princípios da admi-
tando enriquecimento ilícito,
nistração pública). A terceira questão tem como alterna-
a. facilitar ou concorrer por qualquer forma para a
tiva correta a letra “a”, pois é a única alternativa de atos de
incorporação ao patrimônio particular, de pes-
soa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas improbidade que não atentam contra os princípios, uma vez
ou valores integrantes do acervo patrimonial que são considerados atos que causam prejuízo ao erário.

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


das entidades mencionadas no art. 1º da lei que
trata deste assunto. SANÇÕES
b. aceitar emprego, comissão ou exercer atividade
de consultoria ou assessoramento para pessoa
O art. 37, §4º, da Constituição, estabelece as seguintes
física ou jurídica que tenha interesse suscetí-
vel de ser atingido ou amparado por ação ou
sanções aos atos de improbidade:
omissão decorrente das atribuições do agente a) suspensão dos direitos políticos;
público, durante a atividade. b) a perda da função pública;
c. conceder benefício administrativo ou fiscal sem c) a indisponibilidade dos bens;
a observância das formalidades legais ou regu- d) e o ressarcimento ao erário.
lamentares aplicáveis à espécie.
d. permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro
No entanto, ao disciplinar as sanções destinadas
se enriqueça ilicitamente.
aos agentes causadores dos atos de improbidade, a Lei
e. revelar ou permitir que chegue ao conhecimen-
to de terceiro, antes da respectiva divulgação n. 8.429/1992 em seu art. 12 indicou outras medidas de
oficial, teor de medida política ou econômica sansão, indo além da norma constitucional, a saber:
capaz de afetar o preço de mercadoria, bem ou
serviço. a) a perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamen-
te ao patrimônio;
(CESPE/ AUGE-MG/ AUDITOR INTERNO/ 2009) b) a multa civil;
Os atos de improbidade administrativa se caracte-
c) e a proibição de contratar com o Poder Público ou
rizam como os que importem enriquecimento ilícito,
os que causam prejuízo ao erário e os que atentam receber benefícios ou incentivos fiscais ou credití-
contra os princípios da Administração pública. Os cios, direta ou indiretamente, ainda que por inter-
atos que atentam contra os princípios da Adminis- médio de pessoa jurídica da qual seja sócio majori-
tração pública incluem: tário. Para Di Pietro (2004, p. 716) a ampliação das
a. dispensar, indevidamente, o processo licitatório. medidas sancionatórias não constitui infrigência à
b. deixar de prestar contas quando houver obriga- norma constitucional. Vimos que a CF/1988 esta-
ção de fazê-lo.
beleceu algumas sanções para os atos de improbi-
c. utilizar em serviço particular o trabalho de ser-
vidores públicos, empregados ou terceiros con-
dade, mas não limitou a competência do legislador
tratados por entidades públicas. para estabelecer outras. As sanções impostas aos
d. realizar operação financeira aceitando garantia sujeitos causadores de improbidade administrati-
insuficiente. va são aplicadas conforme a gravidade do ato. A
e. exercer atividade de consultoria ou assessora- Lei n. 8.429/1992 estabelece em seu art. 12 uma
mento por pessoa física ou jurídica que tenha gradação decrescente em termos de gravidade.
interesse suscetível de ser amparado por ação
As maiores sanções estão estabelecidas para os
ou omissão decorrente das atribuições do agen-
autores que praticarem atos de enriquecimento ilí-
te público, durante a atividade.
cito (art. 9º), já os autores dos atos de improbidade
(CESPE/ TER-MG/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 2009) causadores de danos ao erário (art. 10) receberão
Não constitui ato de improbidade administrativa, sanções mais brandas que os primeiros e, por fim,
considerado pela Lei n. 8.429/1992 como atentató- os autores de atos de improbidade administrativa
rio aos princípios da Administração pública,

45
violadores dos princípios da Administração (art. 11) cos, no entanto, admite a sua suspensão (art. 15.
receberão sanções mais brandas que os segun- da CF/1988). Ao término da suspensão dos direi-
dos. tos políticos, o interessado deverá ser novamente
realistado para poder exercer novamente os seus
As sanções dispostas no art. 12 da Lei n. 8.429/1992 direitos políticos;
têm a seguinte gradação: d) a ação de improbidade administrativa deverá ser
a) suspensão dos direitos políticos: para os atos que proposta na Justiça Federal se houver interesse da
acarretam enriquecimento ilícito varia de 8 a 10 União, autarquias, fundações ou empresas públi-
anos; para os atos que causam prejuízo ao erário cas federais (art. 109, I, CF), no caso da ação ser
varia de 5 a 8 anos; para os atos que atentam con- de interesse de outros entes a competência será
tra os princípios varia de 3 a 5 anos; da Justiça Estadual;
b) multa civil, que poderá ser de até 3 vezes o valor e) segundo o STF, a prerrogativa de foro especial por
do acréscimo patrimonial, no caso de atos de enri- prerrogativa de função disciplinada pela Constitui-
quecimento ilícito; de até 2 vezes o valor do dano, ção só alcança os processos da esfera penal, não
no caso de dano ao erário; e de até cem vezes o se estendendo, portanto, na ação de improbidade
valor da remuneração percebida pelo agente se o administrativa, porque esta é uma ação de nature-
ato violar os princípios Administrativos;
za civil e não penal. Diante desse posicionamento,
c) proibição de contratar com a Administração ou re-
qualquer autoridade sujeita às penalidades da lei
ceber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios
n. 8.429/1992 será processada no juízo de primeiro
pode ser aplicada pelo prazo de 10 anos (atos que
grau.
acarretam enriquecimento ilícito), 5 anos (atos que
causam dano ao erário) e 3 anos (atos que viola-
PRESCRIÇÃO
rem os princípios).
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

QUESTÕES DE CONCURSO:
O art. 23 da Lei n. 8.429/1992 dispõe a respeito da
prescrição nos seguintes termos:
(CESPE/ TRT 10ª REGIÃO/ ANALISTA JUDICIÁ-
RIO/ ÁREA: ADMINISTRATIVA/ 2013) O ressarci-
mento ao erário e a suspensão dos direitos políticos
são penas aplicáveis aos servidores públicos que Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as
cometerem atos de improbidade administrativa. sanções previstas nesta lei podem ser propostas:
I – até cinco anos após o término do exercício de
mandato, de cargo em comissão ou de função
Justificativa: O §4º do art. 37 da CF estabelece as
de confiança;
seguintes sanções ao ímprobo, além da indisponibilidade
II – dentro do prazo prescricional previsto em lei
dos bens e o ressarcimento ao erário. Questão certa. específica para faltas disciplinares puníveis
com demissão a bem do serviço público, nos
(CESPE/ ANAC/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ casos de exercício de cargo efetivo ou
2012) Se condenado por improbidade adminis- emprego.
trativa, o servidor público que, para beneficiar um
amigo, tiver deixado de praticar, indevidamente, ato
de ofício deverá realizar o ressarcimento integral do
dano causado e perderá sua função pública, sendo Primeiro deve-se registrar que a prescrição disciplinada
vedada a suspensão de seus direitos políticos. pela Lei da improbidade não atinge o direito das pessoas
públicas de pleitear o ressarcimento de danos sofridos. As
Justificativa: A questão está errada, pois, uma das ações de ressarcimento ao erário são imprescritíveis.
sanções pelo ato de improbidade realizado é a suspensão Vimos que o art. 23 da Lei n. 8.429/1992 no inciso I
dos direitos políticos. disciplina que em se tratando de mandato, cargo em comis-
são e função de confiança, o prazo de cinco anos inicia-se
Características a partir da extinção do vínculo com a Administração; já se o
causador da improbidade for servidor efetivo ou empregado
público, o prazo prescricional é o mesmo estabelecido para a
a) a perda da função pública e a suspensão dos di- demissão a bem do serviço público. No âmbito federal (Lei n.
reitos políticos só se efetivam com o trânsito em 8.112/1990) o prazo estabelecido para demissão é de cinco
julgado da sentença condenatória (art. 20); anos contados da data da ciência do fato. Nos demais entes
b) uma só conduta pode ofender simultaneamente os federativos, o prazo será o fixado nos respectivos estatutos.
arts. 9º, 10 e 11 da Lei n. 8.429/1992. Portanto, se
uma só conduta ofender ao mesmo tempo mais de Chegamos ao fim de mais um estudo. Agora é com
um dispositivo, a pena deverá ser de forma que a você. Resolva as questões propostas. Lembre-se de que
sanção mais grave absorva as de menor gravida- estamos à disposição para o esclarecimento de eventuais
de; dúvidas que surgirem. J. W. Granjeiro & Rodrigo Cardoso -
c) a Constituição veda a cassação se direitos políti-
Email: direito.adm.simplificado@gmail.com

46
11. (CESPE/ TRT 9ª REGIÃO/ TÉCNICO ADMINISTRATI-
EXERCÍCIOS
VO/ 2007) Considere a seguinte situação hipotética.
João, que tinha cargo exclusivamente em comissão
1. (CESPE/ ANAC/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ 2012) na administração pública direta, praticou, entre outros,
De acordo com a legislação, para que determinado ato ato de improbidade previsto na Lei n. 8.429/1992. Em
seja caracterizado como ato de improbidade adminis- razão disso, foi exonerado do cargo, alguns dias de-
trativa, é necessário ter havido lesão ao erário, em vir- pois. Nessa situação, João não poderá mais sofrer a
tude de ação ou omissão, desde que na modalidade aplicação da penalidade administrativa de destituição
culposa. do cargo em comissão.

Acerca da improbidade administrativa, julgue os se- 12. (CESPE/ TRT 9ª REGIÃO /TÉCNICO ADMINISTRATIVO/
guintes itens. 2007) As penalidades previstas na lei de improbidade
(Lei n. 8.429/1992) se aplicam, no que couber, àquele
2. (CESPE/ HEMOBRAS/ ANALISTA ADMINISTRATIVO/ que, mesmo não sendo agente público, induza ou con-
2008) Mesmo que não importe em enriquecimento ilí- corra para a prática do ato de improbidade ou dele se
cito ou não cause prejuízo ao erário, poderá um ato beneficie sob qualquer forma, direta ou indiretamente.
administrativo ser considerado ato de improbidade ad-
ministrativa. 13. (CESPE/ STF/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ 2008)
Considera-se agente público, para os efeitos da lei de
3. (CESPE/ HEMOBRAS/ ANALISTA ADMINISTRATIVO/ improbidade administrativa, todo aquele que exerce,
2008) A perda da função pública e a suspensão dos ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


direitos políticos só se efetivam com o trânsito em jul- eleição, nomeação, designação, contratação ou qual-
gado da sentença condenatória. quer outra forma de investidura ou vínculo, mandato,
cargo, emprego ou função nas entidades que recebam
4. (CESPE/ HEMOBRAS/ ANALISTA ADMINISTRATIVO/ subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício,
2008) A aplicação das sanções legais depende da efe- de órgão público.
tiva ocorrência de dano ao patrimônio público em fun-
ção da improbidade administrativa desenvolvida. 14. (CESPE/ STF/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ 2008) A
aquisição, para si ou para outrem, no exercício de fun-
5. (CESPE/ HEMOBRAS/ ANALISTA ADMINISTRATIVO/ ção pública, de bens cujo valor seja desproporcional à
2008) As ações civis de ressarcimento ao erário são evolução do patrimônio ou à renda do agente público
imprescritíveis. configura ato de improbidade administrativa na modali-
dade dos que importam em enriquecimento ilícito.
6. (CESPE/ HEMOBRAS/ ANALISTA ADMINISTRATIVO/
2008) Os atos de improbidade administrativa que im- 15. (CESPE/ OAB-SP/ ADVOGADO / 2008) Assinale a op-
portem em enriquecimento ilícito podem acarretar o ção correta no que se refere à lei que dispõe sobre as
pagamento de multa civil até o valor do acréscimo pa- sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de
trimonial ocorrido. enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo,
emprego ou função na Administração pública direta,
7. (CESPE/HEMOBRBAS/ANALISTA ADMINISTRATIVO/ indireta ou fundacional.
2008) Podem acarretar a suspensão dos direitos políti- a. Os atos de improbidade administrativa somente se-
cos pelo prazo de oito a dez anos, os atos de improbi- rão punidos quando praticados por agentes públi-
dade administrativa que importem em enriquecimento cos que sejam também servidores públicos.
ilícito. b. São três as espécies genéricas de improbidade
administrativa: os atos de improbidade adminis-
8. (CESPE/ HEMOBRBAS/ ANALISTA ADMINISTRA- trativa que importam enriquecimento ilícito, os que
TIVO/ 2008) O objeto da ação de improbidade admi- causam lesão ao erário e os que atentam contra os
nistrativa é a punição do agente e não a anulação do princípios da Administração pública.
contrato. c. Reputam-se como agentes públicos para fins de
sanção decorrente da prática de improbidade ad-
ministrativa apenas os que exercem mandato, car-
9. (CESPE/ ABIN/ AGENTE DE INTELIGÊNCIA/ 2008)
go, emprego ou função administrativa permanente
As sanções aplicáveis aos atos de improbidade têm
e mediante remuneração.
natureza civil e, não, penal.
d. Caso o ato de improbidade configure também
sanção penal ou disciplinar, não serão impostas ao
10. (CESPE/ TCU/ ANALISTA DE CONTROLE EXTER-
ímprobo as sanções previstas na Lei de Improbida-
NO/ 2008) A probidade administrativa é um aspecto
de Administrativa, para que não ocorra bis in idem,
da moralidade administrativa que recebeu da Consti-
ou seja, dupla punição pelo mesmo fato.
tuição Federal brasileira um tratamento próprio.

47
16. (CESPE/ PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLI- 21. (CESPE/ ANEEL/ NÍVEL SUPERIOR/ 2010) Constitui
CO/ TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA BAHIA/ enriquecimento ilícito o ato de um agente público rece-
2010) A configuração do ato de improbidade que viola ber para seu filho um automóvel zero quilômetro como
princípios administrativos independe da ocorrência de presente de um empresário que tenha tido interesse
dano ou lesão ao erário público. direto amparado por omissão decorrente das atribui-
ções desse agente público como servidor público.
17. (TRT 14ª REGIÃO/ JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/
2008) Sobre a improbidade administrativa, assinale a 22. (CESPE/ TJES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2011) As
alternativa falsa. sanções penais, civis e administrativas previstas em
a. Está sujeito às cominações da lei de improbidade lei podem ser aplicadas aos responsáveis pelos atos
administrativa, até o limite do valor da herança, o de improbidade, de forma isolada ou cumulativa, de
acordo com a gravidade do fato.
sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio
público ou se enriquecer ilicitamente.
23. (CESPE/ ANEEL/ NÍVEL SUPERIOR/ 2010) Conside-
b. Mesmo o particular que induza ou concorra para a
re que Pedro tenha denunciado o agente público João
prática do ato de improbidade ou dele se beneficie
por ato de improbidade, sabendo que este era inocen-
sob qualquer forma, direta ou indiretamente, pode
te. Nesse caso, Pedro perderá automaticamente sua
ser responsabilizado com base na lei de improbida-
função pública e terá seus direitos políticos suspensos,
de administrativa.
além de ser condenado à pena de reclusão e ao paga-
c. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções mento de multa.
da lei de improbidade administrativa prescrevem
no prazo de cinco anos contado do término do 24. (CESPE/ CÂMARA DOS DEPUTADOS/ ANALISTA
exercício de mandato, de cargo em comissão ou LEGISLATIVO/ TÉCNICA LEGISLATIVA/ 2012) Em
de função de confiança. caso de ato de improbidade, o ressarcimento do poder
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

d. O integral ressarcimento pelo dano causado ao pa- público só será cabível se o ato causar prejuízo ao erá-
trimônio público somente ocorrerá quando o agen- rio ou ao patrimônio público.
te causador do respectivo dano agir com dolo. Tendo em vista as disposições da Lei n. 8.429/92 – Lei de
e. A aplicação das sanções previstas na lei de impro- Improbidade Administrativa – e da Lei n. 9.784/1999,
bidade administrativa não depende da efetiva ocor- que regula o processo administrativo no âmbito da
rência de dano ao patrimônio público. Administração pública Federal, julgue os itens subse-
quentes.
18. (CESPE/ TRT-SP/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2008) Nas
hipóteses de atos de improbidade administrativa que 25. (CESPE/ TRT 17ª REGIÃO/ ANALISTA JUDICIÁRIO/
importam enriquecimento ilícito, o agente está sujeito, ADMINISTRATIVA / 2009) Podem ser sujeitos ativos
dentre outras penalidades, à suspensão dos direitos do ato de improbidade administrativa o agente público
políticos de: e terceiro que induza ou concorra para a prática do
a. oito a doze anos e pagamento de multa civil de até ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer
cinco vezes o valor do acréscimo patrimonial. forma direta ou indireta.
b. cinco a oito anos e pagamento de multa civil de até
duas vezes o valor do dano. 26. (CESPE/ CÂMARA DOS DEPUTADOS/ ANALISTA
c. três a cinco anos e pagamento de multa civil de LEGISLATIVO/ TÉCNICA LEGISLATIVA/ 2012) Tra-
até cem vezes o valor da remuneração percebida tando-se de crime por ato de improbidade, a perda de
função pública e a suspensão dos direitos políticos so-
pelo agente.
mente se efetivam com o trânsito em julgado da sen-
d. oito a dez anos e pagamento de multa civil de até
tença condenatória.
três vezes o valor do acréscimo patrimonial.
e. seis a dez anos e pagamento de multa civil de até
27. (CESPE/ PREVIC/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/
três vezes o valor do dano.
2011) Na forma da CF, os atos de improbidade ad-
ministrativa importam, entre outras consequências, a
19. (CESPE/ TJES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2011) Os suspensão dos direitos políticos e a indisponibilidade
atos de improbidade administrativa estão taxativamen- dos bens.
te previstos em lei, não sendo possível compreender
que sua enumeração seja meramente exemplificativa. 28. (CESPE/ PREVIC/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/
2011) Considere a seguinte situação hipotética. Um
20. (CESPE/ CÂMARA DOS DEPUTADOS/ ANALISTA vereador, no exercício de seu mandato legislativo, exi-
LEGISLATIVO/ TÉCNICA LEGISLATIVA/ 2012) Mor- giu que os servidores comissionados lotados em seu
rendo o servidor que tiver causado lesão ao patrimônio gabinete entregassem-lhe um percentual de seus ven-
público, restará extinto qualquer tipo de punição a ele cimentos mensais, percebidos da administração públi-
determinada em decorrência do ato de improbidade ca municipal, com vistas a custear os gastos do próprio
praticado. gabinete, de outros funcionários (fantasmas) e de suas

48
atividades junto a sua base eleitoral. Nessa situação ficou comprovado que o crime fora praticado por duas
hipotética, os princípios administrativos da finalidade, pessoas, uma delas servidor efetivo do próprio órgão
da moralidade, do interesse público e da legalidade e outra, um particular. Com base nessa situação hi-
foram violados pelo edital, o que o sujeita às sanções potética, julgue os itens consecutivos à luz do direito
previstas na Lei n. 8.429/1992. administrativo e da Lei de Improbidade Administrativa.

29. (CESPE/ MMA/ ANALISTA AMBIENTAL ESPECIALIS- 34. (CESPE/ MCTI/ ANALISTA EM CIÊNCIA/ GESTÃO
TA EM MEIO AMBIENTAL/ 2009) Considere que um ADMINISTRATIVA/ 2012) Se, à época de sua aposen-
servidor público requisite, seguidamente, para proveito tadoria, o servidor acusado do furto estiver responden-
pessoal, os serviços de funcionários de uma empresa do a processo na esfera disciplinar, ele não poderá se
terceirizada de serviços de limpeza, contratada pelo aposentar voluntariamente.
órgão em que o servidor exerce função de chefia. Nes-
sa situação, esse fato é caracterizado como ato de im- 35. (CESPE/ MCTI/ ANALISTA EM CIÊNCIA/ GESTÃO
probidade administrativa que importa enriquecimento ADMINISTRATIVA/ 2012) Caso seja absolvido por fal-
ilícito. ta de provas na esfera criminal, o servidor não poderá
ser punido na esfera disciplinar.
30. (CESPE/ TRE-ES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2010) Os
atos de improbidade administrativa que, nos termos 36. (CESPE/ MCTI/ ANALISTA EM CIÊNCIA/ GESTÃO
da Constituição Federal, importem na suspensão dos ADMINISTRATIVA/ 2012) A atuação da Polícia Fede-
direitos políticos, na perda da função pública, na indis- ral, nesse caso, é um exemplo do exercício do poder
ponibilidade de bens e no ressarcimento ao erário têm de polícia administrativo.

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


natureza penal.
37. (CESPE/ MCTI/ANALISTA EM CIÊNCIA/ GESTÃO
31. (CESPE/ TRE-ES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2010) De ADMINISTRATIVA/ 2012) Para os efeitos dessa lei,
acordo com a CF, os atos de improbidade administra- considera-se agente público toda pessoa que exerça
tiva, entre outras consequências, importaram a cassa- cargo, emprego, mandato ou função pública, excluídos
ção dos direitos políticos. os casos de exercício transitório ou não remunerado.

32. (CESPE/ ABIN/ DIREITO/ 2010) Foi proposta, em GABARITO


05/06/1998, ação civil pública por ato de improbidade
administrativa contra um ex-prefeito, por ilícito pratica- 1. E 11. E 21. C 31. E
do na sua gestão. Na ação, foram requeridos não ape- 2. C 12. C 22. C 32. C
nas a sua condenação por ato de improbidade, mas 3. C 13. C 23. E 33. C
também o ressarcimento dos danos causados ao erá- 4. E 14. C 24. C 34. C
rio. O término do mandato do referido prefeito ocorreu 5. C 15. b 25. C 35. E
em 31/12/1992. Nessa situação, de acordo com a Lei 6. E 16. C 26. C 36. E
n. 8.429/1992 e os precedentes do Superior Tribunal 7. C 17. d 27. C 37. E
de Justiça (STJ), o ex-prefeito não poderá ser punido 8. C 18. d 28. C
pelo ato de improbidade, já prescrito, mas não ficará 9. C 19. E 29. C
impune da condenação pelos danos causados ao erá- 10. C 20. E 30. E
rio, que são imprescritíveis.
LEI N. 9.784/1999
33. (CESPE/ PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLI- PROCESSO ADMINISTRATIVO NA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL
CO/TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DA BAHIA/
2010) Atos de improbidade administrativa são os que
INTRODUÇÃO
geram enriquecimento ilícito ao agente público ou cau-
sam prejuízo material à administração pública. Quem
O objetivo do nosso estudo, nesse momento, será a
pratica esses atos pode ser punido com sanções de
Lei n. 9.784/1999, que estabelece regras para o processo
natureza civil e política – mas não penal – como o res-
administrativo na esfera federal. Após a leitura do tema é
sarcimento ao erário, a indisponibilidade dos bens e a
necessário que você leia a Lei na íntegra. Você vai observar
perda da função pública.
que ela é autoexplicativa. Também, irá perceber que já foram
estudados vários artigos desta lei, especialmente na parte
O chefe de determinada repartição de um órgão públi-
de atos administrativos e princípios.
co federal, ao chegar ao seu local de trabalho pela ma-
Primeiro você tem que entender o que é processo
nhã, constatou que a janela da sala estava quebrada e
administrativo! Considere que determinado servidor requeira
que um computador que integrava o patrimônio público
uma licença capacitação, nesse caso, irá ser iniciado um
do órgão havia sido furtado. O chefe da repartição, en-
processo administrativo. Uma licitação pública, também, é
tão, acionou a Polícia Federal, que instaurou inquérito
um processo administrativo. Outro exemplo: considere que
policial para apurar o furto. Após algumas diligências,
um particular entre com o pedido de aposentadoria no INSS,

49
nesse caso, teremos outro processo administrativo. Enten- pode-se dar quando um administrado solicita um
deu? Na administração, quase tudo vira processo adminis- laudo técnico à Administração para posteriormente
trativo (não há folha solta na administração). Por essa razão, obter alvará de licença. Nesse caso, a Administração
Pública irá iniciar um processo ad­ministrativo para o
a Lei n. 9.784/1999 vai ser cobrada em seu concurso, pois,
consentimento ou não da referida licença.
a partir do momento que você começar a trabalhar, irá a
todo momento praticar ato para dar início a um processo ou
mesmo para dar prosseguimento ao mesmo. Para fixar:
É necessário entender que há três modalidades de pro-
cesso: (CESPE/ STJ/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ ÁREA: JUDI-
a)Processo judicial: é o instrumento por meio do qual o CIÁRIA/ 2012) Os preceitos dessa lei aplicam-se à admi-
juiz exerce o poder jurisdicional, com objetivo de decidir con- nistração pública direta e indireta no âmbito do Poder Exe-
flito entre as partes. Essa modalidade de processo é típica cutivo federal, mas não alcançam os Poderes Legislativo e
do Poder Judiciário. Judiciário da União, que dispõem de autonomia para editar
b) Processo legislativo: consiste nas regras a serem atos acerca de sua organização e funcionamento quando no
observadas pelo legislador ao elaborar as leis. Essa modali- desempenho de função administrativa.
dade de processo é típica do Poder Legislativo.
c) Processo administrativo: consiste no instrumento Justificativa: A Lei n. 9.784/1999 é aplicada a adminis-
utilizado pela Administração para decidir conflito ou atender tração pública direta e indireta no âmbito do Poder Execu-
pedido de natureza administrativa. Essa modalidade de pro- tivo, bem como ao Poder Judiciário e Legislativo, em suas
cesso é típica do Poder Executivo. funções administrativas. Questão errada.
A partir de então, é necessário entender que há pro-
cesso administrativo em todos os poderes do Estado e, não PRINCÍPIOS ORIENTADORES DOS PROCESSOS
só no Poder Executivo. Exemplificando: considere que um ADMINISTRATIVOS
servidor do Poder Judiciário requeira licença para tratar de
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

assuntos particulares, nesse momento será iniciado um pro- Com base na doutrina de Hely Lopes Meirelles, o pro-
cesso administrativo dentro desse Poder. No mesmo sen- cesso administrativo deve observância constante a cinco
tido, considere que um particular entre com um requerimento princípios: o da legalidade objetiva, o da oficialidade, o
administrativo solicitando indenização por danos materiais do informalismo, o da verdade material e o da garantia de
em razão de um acidente envolvendo seu veículo e um veí- defesa.
culo oficial da Câmara dos Deputados. Nesse contexto, será
iniciado um processo administrativo para apurar os fatos. a) Legalidade objetiva
Entendeu? Há processo administrativo em todos os Poderes.
A Lei n. 9.784/1999 tem características de lei federal, O princípio da legalidade objetiva exige que o processo
visto que é aplicada apenas na tramitação dos processos administrativo deve ser instaurado e conduzido com base na
administrativos dentro da Administração Pública Federal lei. Todo processo administrativo deve emba­sar-se em uma
(Executivo, Legislativo e Judiciário Federal). Os Estados, o norma legal específica para estar em conformidade com a
Distrito Federal e os Municípios, em razão de suas autono- legalidade objetiva, portanto, se o processo for conduzido
mias, podem estabelecer suas próprias regras a respeito de contrariamente a determinação da lei, esse deverá ser inva-
seus processos administrativos. No entanto, nada impede lidado.
que essas pessoas se utilizem dos dispositivos contidos na
Lei n. 9.784/1999. b) Oficialidade (princípio do impulso oficial)
Por fim, vale destacar que as normas contidas na Lei n. Compete à Administração a movimentação dos pro-
9.784/1999 têm caráter genérico e subsidiário, nesse sen-
cessos administrativos, mesmo os iniciados pelo particu-
tido o art. 69 disciplina que “os processos administrativos
lar. Por esse princípio, após o início do processo, mesmo
específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-
os iniciados pelo particular, aquele passa a pertencer ao
-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”.
Poder Público, a quem compete seu impulsionamento, até
Sendo assim, os processos administrativos específicos,
a decisão final. Diferentemente do processo administrativo,
como é o caso do Processo Administrativo Disciplinar (regu-
é o judicial, naquele a Administração movimenta o processo
lado pela Lei n. 8.112/1990); os processos tributários, regu-
mesmo que o particular não dê prosseguimento; no judicial,
lados pelo Código Tributário Nacional, ou seja, as leis refe-
cabem às partes impulsionar o processo, sob pena da para-
rentes a processos administrativos específicos continuam
lisação.
sendo normalmente aplicadas.

Exemplificando o tema: considere que uma equipe Para fixar:


de fiscalização do IBAMA, ao fiscalizar uma deter-
minada empresa, aplicasse uma multa motivando a (CESPE/ ANEEL/ NÍVEL SUPERIOR/ 2010)
ocorrência de dano ambiental. Nessa situação hipo- A administração pública pode, independente-
tética, a empresa multada poderia exercer o direito do mente de provocação do administrado, instau-
contraditório e da ampla defesa, no qual seria aberto rar processo administrativo, como decorrência
um processo administrativo para apurar a legalidade
da aplicação do princípio da oficialidade.
e a veracidade da situação narrada. Outro exemplo

50
Justificativa: O processo administrativo pode ser ini- • motivação: indicação dos pressupostos de fato e
ciado a pedido do particular, ou de ofício pela administração. de direito que determinarem a decisão.
Questão certa. • razoabilidade: adequação entre meios e fins. Cri-
tério de bom senso, o admi­nistrador deve ter uma
c) Informalismo atitude equilibrada.
• proporcionalidade: “princípio da proibição de
Pelo princípio do informalismo são dispensados ritos excesso”. A edição do ato deve ser proporcional ao
sacramentais e formas rígidas para o processo adminis- dano ou ao perigo. Segundo a Lei n. 9.784/1999
trativo. Bastam as formalidades estritamente necessárias a proporcionalidade “veda a imposição de obriga-
à obtenção da certeza jurídica e à segurança processual. ções, restrições e sanções em medida superior
Esse princípio é justamente para beneficiar o particular, pois àquelas estritamente necessárias ao atendimento
não é necessária a participação, em regra, de advogado. do interesse público”.
Meirelles (2008, p. 696) leciona que o processo admi- • moralidade: atuação segundo padrões éticos de
nistrativo deve ser simples, despido de exigências formais probidade, decoro e boa-fé.
excessivas. No entanto, “quando a lei impõe uma forma ou • ampla defesa: possibilidade de utilização de todos
uma formalidade, esta deverá ser atendida, sob pena de os meios, pelo acusado, para provar sua inocência.
nulidade do procedimento”. • contraditório: é necessário que seja dado ao acu-
Outra característica dos processos administrativos é sado a oportu­nidade de manifestar-se a respeito de
que o interessado tem a faculdade de atuar pessoalmente todos os fatos a ele imputados e de todas as provas
sem o acompanhamento de um advogado. Mesmo nos pro- contra ele produzidas.
cessos administrativos instaurados para o fim de aplicação • segurança jurídica: veda a aplicação retroativa de
nova interpretação de lei no âmbito da Administra-

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


de sanções disciplinares a servidores públicos não é exigido
a presença de advogado, é esse o conteúdo da Súmula Vin- ção Pública. O princípio da segurança jurídica não
culante n. 5: “A falta de defesa técnica por advogado no pro- permite que novas orientações extraídas de inter-
cesso administrativo disciplinar não ofende a Constituição”. pretações firmadas pela Ad­ministração sobre deter-
minadas matérias tenham aplicação retroativa.
d) Verdade material • interesse público: é decorrente da impessoalidade
(vedada a promoção pes­soal de agentes ou autori-
O princípio da verdade material retrata uma das diferen- dades).
ças entre os processos administrativos e judiciais. Por esse • eficiência: o processo deve ser conduzido de
princípio o importante é conhecer o fato efetivamente forma eficiente. O resultado do processo deve ser
ocorrido. Importa saber como ocorreu o fato no mundo eficiente.
real. As provas podem ser apresentadas em qualquer
fase do processo. Para fixar:
Nos processos judiciais vale “o que não está nos autos,
não está no mundo jurídico”. Partindo do princípio da ver- (CESPE/ MPS/ AGENTE ADMINISTRATIVO/
dade material é aceito a reforma em prejuízo reformatio in 2010) Nos processos administrativos, busca-
pejus. Logo, por exemplo, se uma pessoa jurídica em um -se a adequação entre meios e fins, até mes-
processo fiscal levar duas multas e recorrer, e por acaso mo com a imposição de obrigações, restri-
for acolhido que uma delas é indevida, poderá haver outro ções e sanções em medida superior àquelas
recurso para uma instância superior, logo, esta poderá refor- estritamente necessárias ao atendimento do
mar a decisão, mantendo a multa que foi invalidada primei- interesse público, visando à prevenção das
ramente. Isso decorre da verdade material, que é proibida irregularidades.
nos processos judiciais.
Justificativa: No processo administrativo busca-se
PRINCÍPIOS EXPRESSOS NA LEI N. 9.784/1999 adequação entre meios e fins (princípio da proporcionali-
dade), até mesmo com a imposição de obrigações, restri-
Está disposto no art. 2º da Lei do processo administra- ções e sanções em medida proporcional àquelas estrita-
tivo que “a Administração Pública obedecerá, dentre outros, mente necessárias ao atendimento do interesse público.
aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoa- Como se vê a questão está errada, pois não se admite a
bilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, con- imposição de obrigações, restrições e sanções em medida
traditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”. superior àquelas estritamente necessárias.
Esses princípios devem ser atendidos de maneira conjunta
com os princípios informadores dos processos administrati- DIREITOS DO ADMINISTRADO
vos em geral.
• legalidade: exige que o processo administrativo A partir desse momento passaremos a comentar artigo
seja conduzido com base em lei e no direito. por artigo da Lei n. 9.784/1999. Você irá observar que ela é
• finalidade: o processo administrativo deve ser con- autoexplicativa, ou seja, muito fácil de ser entendida. Vamos lá!
duzido de modo a satisfa­zer o interesse público e São direitos do administrado em relação aos processos
não o interesse particular. administrativos:

51
I – ser tratado com respeito pelas autoridades e servi- I – expor os fatos conforme a verdade;
dores, que deverão facili­tar o exercício de seus direitos e o II – proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;
cumprimento de suas obrigações; III – não agir de modo temerário;
IV – prestar as informações que lhe forem solicita-
II – ter ciência da tramitação dos processos administra-
das e colaborar para o escla­recimento dos fatos.
tivos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos
autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhe- Para fixar:
cer as decisões proferidas;
III – formular alegações e apresentar documentos antes (CESPE/ MINISTÉRIO DA SAÚDE/ ANALIS-
da decisão, os quais serão objetos de consideração pelo TA/ 2010) A lei que regula o processo admi-
órgão competente; nistrativo no âmbito da administração pública
IV – fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, federal assegura ao administrado a possibili-
salvo quando obrigató­ria a representação, por força de lei. dade de fazer-se assistido por advogado.
Em razão do exposto, a lei do processo administra-
tivo federal disciplina uma lista exemplificativa de direitos Justificativa: A presença de advogado no processo
dos administrados perante a administração no decorrer dos administrativo é facultativa, salvo quando a lei específica
processos. Vale dizer que o Poder Público deve atender, exigir. Questão certa.
também, ao disciplinado no art. 5º, LXXVIII, da CF/1988, que
estabelece a condução do processo nos seguintes termos: INÍCIO DO PROCESSO
“a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegura-
dos a razoável duração do processo e os meios que garan- Conforme dispõe o art. 5º, o processo administrativo
tam a celeridade de sua tramitação”. Essa determinação pode ser iniciado pela Administração (de ofício) ou pelo inte-
constitucional é conhecida como princípio da celeridade pro- ressado (a pedido).
cessual. O requerimento inicial do interessado deve ser formu-
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

Cabe mencionar outro direito dispensado ao adminis- lado por escrito, salvo nos casos em que for admitida solici-
trado incluído pela Lei n. 12.008/2009, que acrescentou o tação oral, e conterá os seguintes elementos:
art. 69-A ao texto da Lei n. 9.784/1999, nos seguintes termos:
I – órgão ou autoridade administrativa a que se di-
Art. 69-A. Terão prioridade na tramitação, em qual- rige;
II – identificação do interessado ou de quem o re-
quer órgão ou instância, os procedimentos adminis-
presente;
trativos em que figure como parte ou interessado:
III – domicílio do requerente ou local para recebi-
(Incluído pela Lei n. 12.008, de 2009)
mento de comunicações;
I – pessoa com idade igual ou superior a 60 (ses-
IV – formulação do pedido, com exposição dos fatos
senta) anos; (Incluído pela Lei n. 12.008, de 2009)
e de seus fundamentos;
II – pessoa portadora de deficiência, física ou men-
V – data e assinatura do requerente ou de seu re-
tal; (Incluído pela Lei n. 12.008, de 2009)
presentante.
III – (Vetado) (Incluído pela Lei n. 12.008, de 2009)
IV – pessoa portadora de tuberculose ativa, es-
clerose múltipla, neoplasia ma­ ligna, hanseníase,
O art. 8º orienta que os pedidos de diferentes interes-
paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia sados poderão ser formulados em um único requerimento,
grave, doença de Parkinson, espondiloartrose an- quando estes tiverem conteúdo e fundamento idêntico, salvo
quilosante, nefropatia grave, hepa­topatia grave, es- preceito legal em contrário. Por fim, o art. 9º define como
tados avançados da doença de Paget (osteíte de- legitimadores no processo, na qualidade de interessados:
formante), contaminação por radiação, síndrome de I – pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como
imunodeficiência adquirida, ou outra doença grave, titulares de direitos ou inte­resses individuais ou no
com base em conclusão da medicina especializada, exercício do direito de representação;
mesmo que a doença tenha sido contraída após o II – aqueles que, sem terem iniciado o processo,
início do processo. (Incluído pela Lei n. 12.008, de têm direitos ou interesses que possam ser afetados
2009) pela decisão a ser adotada;
§1º A pessoa interessada na obtenção do benefício, III – as organizações e associações representati-
juntando prova de sua con­dição, deverá requerê- vas, no tocante a direitos e in­teresses coletivos;
-lo à autoridade administrativa competente, que IV – as pessoas ou as associações legalmente
determi­ nará as providências a serem cumpridas. constituídas quanto a direitos ou interesses difusos.
(Incluído pela Lei n. 12.008, de 2009)
§2º Deferida a prioridade, os autos receberão iden- Regra: São considerados capazes, para fins de pro-
tificação própria que eviden­cie o regime de tramita- cesso administrativo, os maiores de 18 anos.
ção prioritária. (Incluído pela Lei n. 12.008, de 2009)
COMPETÊNCIA
Esse direito de prioridade na tramitação do processo é
justificado pela situação pessoal do administrado. A competência para apreciar o processo administrativo
É oportuno observar que o administrado não tem é do órgão administra­tivo a que foi atribuída esta função.
apenas direitos. A lei em estudo disciplina que são deveres No entanto, nos casos admitidos, a competência poderá ser
do administrado perante a Administração (art. 4º): delegada ou avocada.

52
• Delegação: os atos podem ser delegados, desde sada, o ato praticado pela autoridade suspeita será válido. O
que não tenham impedimento legal. O art. 13 da lei art. 20 da lei em estudo dispõe que: “pode ser arguida a sus-
em estudo estabelece as matérias indelegáveis, a peição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima
saber: ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os
respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: terceiro grau”.
I – a edição de atos de caráter normativo; Segundo essa orientação a suspeição é disciplinada
II – a decisão de recursos administrativos; como faculdade da parte interessada, visto que a lei não
III – as matérias de competência exclusiva do órgão estabelece para o servidor a obrigação de se declarar sus-
ou utoridade.
peito, como ocorre no caso de impedimento.

Características: FORMA, TEMPO E LUGAR DOS ATOS DO PROCESSO

a) a competência é irrenunciável; Em razão ao princípio do informalismo, os atos do pro-


b) é admitida a delegação entre órgãos que não sejam cesso não dependem de forma determinada senão quando
subordinados. Ex.: O Ministério da Saúde delega ao Ministé- a lei expressamente a exigir. No entanto, devem ser produ-
rio do Trabalho a competência para estabelecer regras refe- zidos por escrito, em vernáculo (língua portuguesa), com a
rente a prevenção de doenças laborais. Note que não há data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade
hierarquia entre os órgãos envolvidos; responsável.
c) o ato de delegação e sua revogação deverão ser Atendendo ao princípio do informalismo, o §2º do art. 22
publicados no meio oficial (art. 14); dispõe que o reconhecimento de firma somente será exigido
d) o ato de delegação é revogável a qualquer tempo quando houver dúvida de autenticidade. E o §3º do mesmo

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


pela autoridade delegante (§2º do art. 14); artigo estabelece que a “autenticação de documentos exi-
e) as decisões adotadas por delegação devem mencio- gidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo”.
nar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão edita- Em regra “os atos do processo devem realizar-se em
das pelo delegado (§3º do art. 14). dias úteis, no horário normal de funcionamento da repartição
• Avocação: é o exercício de atribuição de órgão na qual tramitar o processo” (art. 23). No entanto os atos já
inferior pelo superior (o ór­gão chama para si a com- iniciados poderão ser concluídos depois do horário normal,
petência originariamente atribuída ao órgão infe- pois, em determinadas situações, o adiamento pode prejudi-
rior). Para haver a avocação é necessário haver car o curso regular do procedimento ou cause dano ao inte-
poder hierárquico entre os órgãos envolvidos. ressado ou à Administração.
Em relação ao lugar dos atos processuais, o art. 25 dis-
ciplina que “os atos do processo devem realizar-se preferen-
Enquanto a delegação é a regra, a avocação é medida
cialmente na sede do órgão, cientificando-se o interessado
excepcional. O art. 15 dis­ciplina a matéria nos seguintes
se outro for o local de realização”.
termos: “será permitida, em caráter excepcional e por moti-
Por fim, o art. 24 estabelece o prazo de cinco dias,
vos relevantes devidamente justificados, a avocação tem-
podendo ser prorrogado por até mais cinco (mediante jus-
porária de competência atribuída a órgão hierarquicamente
tificativa), para a prática de atos processuais pela Adminis-
inferior”.
tração ou pelo particular quando inexistentes disposições
específicas. Logo, a lei estabeleceu um prazo genérico que
IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO só deverá ser utilizado quando na falta de prazos específi-
cos previstos na lei.
O impedimento gera a incapacidade absoluta de pra-
ticar o ato; o servidor fica absolutamente impedido de atuar Para fixar:
no processo. O servidor impedido deve comunicar o ato à
autoridade competente, abstendo-se de atuar, sob pena de (CESPE/ ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO/
incorrrer em falta grave, para efeitos disciplinares. PROCURADOR FEDERAL/ 2010) Os atos do
processo administrativo dependem de forma
O art. 18 estabelece que é impedido de atuar em determinada apenas quando a lei expressa-
processo administrativo o servidor ou autoridade mente a exigir.
que:
I – tenha interesse direto ou indireto na matéria;
Justificativa: O processo administrativo é informal
II – tenha participado ou venha a participar como
(princípio do informalismo). Isso significa que os atos do pro-
perito, testemunha ou re­presentante, ou se tais situ-
ações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou cesso administrativos só terão forma determinada quando a
parente e afins até o terceiro grau; lei fizer tal exigência. Questão certa.
III – esteja litigando judicial ou administrativamente
com o interessado ou respectivo cônjuge ou com- INTIMAÇÃO DO INTERESSADO
panheiro.
O particular deve ser intimado das decisões do pro-
A suspeição gera uma incapacidade relativa, restando cesso ou da realização de diligências. Se necessário o com-
o vício sanado se o interessado não alegá-la no momento parecimento do particular à repartição, deverá ser ele inti-
oportuno. Se não for alegada a suspeição pela parte interes- mado com no mínimo três dias úteis de antecedência.

53
O §3º do art. 26 estabelece que “a intimação pode ser A abertura da consulta pública será objeto de divulga-
efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso ção pelos meios oficiais, a fim de que pessoas físicas ou
de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure jurídicas possam examinar os autos, fixando-se prazo para
a certeza da ciência do interessado”. Quando a Administra- oferecimento de alegações escritas.
ção pretender intimar interessados indeterminados, desco- Quando o interessado declarar que fatos e dados estão
nhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser registrados em docu­mentos existentes na própria Adminis-
efetuada por meio de publicação oficial (§4º do art. 26). tração responsável pelo processo ou em outro órgão admi-
A intimação por meio de edital somente deverá se rea- nistrativo, o órgão competente para a instrução proverá,
lizada quando não for possível a intimação pelos outros de ofício, à ob­tenção dos documentos ou das respectivas
meios autorizados pela lei, como: ciência no processo, via cópias.
postal, por telegrama etc. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da
Em observância ao princípio da verdade material, o tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, reque-
desatendimento da inti­mação não importa o reconhecimento
rer diligências e perícias, bem como aduzir alegações refe-
da verdade dos fatos, nem a renúncia do direito pelo admi-
rentes à matéria objeto do processo.
nistrado (art. 27).
Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao
interessado forem ne­cessários à apreciação de pedido for-
Para fixar:
mulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administra-
ção para a respectiva apresentação implicará arquivamento
(CESPE/ STM/ ANALISTA ADMINISTRATI-
do processo.
VO/ 2011) Se um servidor público federal inti-
Os interessados serão intimados de prova ou diligên-
mado, em processo administrativo, a solicitar
cia ordenada, com antece­dência mínima de três dias úteis,
ou apresentar provas a seu favor não atender
mencionando-se data, hora e local de realização.
à intimação nem fizer nenhum requerimento,
Quando deve ser obrigatoriamente ouvido um órgão
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

ficará configurado o reconhecimento da ver-


dade dos fatos contra ele imputados. consultivo, o parecer deve­rá ser emitido no prazo máximo
de quinze dias, salvo norma especial ou comprovada neces-
Justificativa: O desatendimento, pelo administrado, a sidade de maior prazo.
qualquer intimação não configura a verdade dos fatos nem a Se um parecer obrigatório e vinculante deixar de ser
renúncia de direito. Questão errada. emitido no prazo fixado, o processo não terá seguimento até
a respectiva apresentação, responsabili­zando-se quem der
INSTRUÇÃO causa ao atraso.
Se um parecer obrigatório e não vinculante deixar de
É a fase do processo que se destina ao levantamento ser emitido no prazo fixado, o processo poderá ter prosse-
de todas as provas e elementos capazes de confirmar ou guimento e ser decidido com sua dispen­sa, sem prejuízo da
refutar os fatos alegados. responsabilidade de quem se omitiu no atendimento.
As atividades de instrução destinadas a averiguar e
comprovar os dados necessários à tomada de decisão reali- Simplificando: Considere que o INCRA (Instituto
zam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão responsá- Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para realizar o
vel pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados assentamento de algumas famílias precisa consultar tecni-
de propor atuações probatórias. camente o IBAMA. Nesse contexto, considere que o IBAMA
São inadmissíveis no processo administrativo as provas não forneceu o parecer técnico solicitado. Assim, poderá
obtidas por meios ilícitos. ocorrer duas situações: a) se o parecer for obrigatório e vin-
O art. 31 da lei prevê a possibilidade de haver consulta culante o processo não terá prosseguimento, responsabili-
pública na qual a Administração procura obter a opinião dos zando-se quem se omitiu no atendimento; b) se o parecer for
administrados sobre assuntos relevantes discutidos no pro- obrigatório e não vinculante (o parecer não vincula a decisão
cesso. É o seguinte o teor do art. 31 da Lei n. 9.784/1999: do processo, ou seja, o processo poderá ser decidido con-
trariamente a orientação do parecer) o processo poderá ter
Art. 31. Quando a matéria do processo envolver prosseguimento, responsabilizando-se quem se omitiu no
assunto de interesse geral, o órgão competente
atendimento.
poderá, mediante despacho motivado, abrir período
de con­sulta pública para manifestação de terceiros,
antes da decisão do pedido, se não houver prejuízo Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de
para a parte interessada. manifestar-se no prazo máximo de dez dias, salvo se outro
prazo for legalmente fixado.
O art. 32 prevê a possibilidade de realização de audi- Os interessados têm direito à vista do processo e a
ência pública, que também é uma forma de consulta, e tem obter certidões ou cópias reprográficas dos dados e docu-
como função obter manifestações orais e provocar debates mentos que o integram, ressalvados os dados e docu­mentos
em sessão pública realizada para debater sobre matéria de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privaci-
específica. dade, à honra e à imagem.

54
O órgão de instrução que não for competente para DESISTÊNCIA E EXTINÇÃO DO PROCESSO
emitir a decisão final elabo­rará relatório indicando o pedido
inicial, o conteúdo das fases do procedimento e formulará A desistência do processo poderá ser requerida a qual-
proposta de decisão, objetivamente justificada, encami- quer momento pelo interessado. O art. 51 estabelece que “o
nhando o processo à autoridade competente. interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir
total ou parcialmente do pedido formulado ou, ainda, renun-
DECISÃO DO PROCESSO ciar a direitos disponíveis”.
Se houver vários interessados no processo, a desis-
Concluída a instrução, a Administração tem o prazo de tência ou renúncia atinge somente a quem a tenha formu-
até 30 dias para emitir a decisão, esse prazo poderá ser lado (§1º do art. 5º). A desistência ou a renúncia do inte-
prorrogado, desde que motivado, por mais 30 dias (art. 49).
ressado não prejudica o prosseguimento do processo, se a
Disciplina o art. 48 que a “Administração tem o dever de
Administração considerar que é de interesse público o seu
explicitamente emitir decisão nos processos administrati-
prosseguimento (§2º do art. 5º).
vos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua
competência”.
ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO
Por fim, quando o órgão responsável pela instrução não
for competente para emitir a decisão final, elaborará relatório
indicando o pedido inicial, o conteúdo das fases do procedi- Embora a Lei n. 9.784/1999 tenha como objetivo esta-
mento e formulará proposta de decisão, objetivamente justi- belecer regras referentes ao processo administrativo, seus
ficada, encaminhando o processo à autoridade competente mandamentos têm grande influência na teoria dos atos
(art. 47). administrativos. Com efeito, esse tema já foi amplamente

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


lecionado no capítulo específico que trata desta teoria dos
MOTIVAÇÃO atos, contudo vale repetir alguns pontos estabelecidos pela
lei em estudo.
Em regra, os atos devem ser motivados. O art. 50 da lei Os atos ilegais devem ser anulados pela própria Admi-
em estudo exemplifica alguns atos de motivação obrigatória, nistração Pública ou pelo Poder Judiciário. Já a revogação
a saber: só é realizada pela própria Administração. Nesse sentido, o
art. 53 disciplina que “Administração deve anular seus pró-
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser moti- prios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode
vados, com indicação dos fatos e dos fundamentos revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade,
jurídicos, quando:
respeitados os direitos adquiridos”.
I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interes-
ses; O art. 55 admite a possibilidade da convalidação dos
II – imponham ou agravem deveres, encargos ou atos administrativos defeituosos. Com o advento da lei do
sanções; processo administrativo federal, ficou pacificada a possibili-
III – decidam processos administrativos de concur- dade de convalidação, pois a doutrina até então não admitia
so ou seleção pública;
a possibilidade da convalidação dos atos administrativos.
IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de
Os autores que não admitiam a convalidação argumenta-
processo licitatório;
V – decidam recursos administrativos; vam que: os atos são legais ou ilegais, válidos ou nulos,
VI – decorram de reexame de ofício; não existindo a possibilidade de correção e são incapazes
VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre de produzir efeitos. O teor do art. 55, que disciplina a con-
a questão ou discrepem de pareceres, laudos, pro- validação, é o seguinte:
postas e relatórios oficiais;
VIII – importem anulação, revogação, suspensão ou Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acar-
convalidação de ato ad­ministrativo. retarem lesão ao interesse público nem prejuízo a
terceiros, os atos que apresentarem defeitos saná-
Deve-se entender que não são só apenas os atos veis poderão ser convalidados pela própria Admi-
transcritos nesse artigo que devem ser motivados. Di Pietro nistração.
(2004, p. 204) leciona “que a motivação é, em regra, neces-
sária, seja para os atos vinculados, seja para os atos discri- Prazo para anulação do ato na esfera federal (art. 54
cionários, pois constitui garantia de legitimidade, que tanto da Lei n. 9.784/1999):
diz respeito ao interessado como à própria Administração
Pública; a motivação é que permite a verificação, a qualquer a) é de 5 anos, se o ato for favorável ao administra-
momento, da legalidade do ato, até mesmo pelos demais do e se este estiver de boa-fé;
Poderes do Estado”. b) não há prazo se for desfavorável ao administra-
Por fim o §1º do art. 50 disciplina que “a motivação do ou se em ato favorável o administrado estava
deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em de má-fé.
declaração de concordância com fundamentos de anteriores No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo
pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste de decadência contar-se-á da percepção do primei-
caso, serão parte integrante do ato”. ro pagamento (5 anos).

55
RECURSO ADMINISTRATIVO E REVISÃO Em regra, a lei estabelece a inexigibilidade de caução
para interposição de recurso administrativo. Essa inexigibili-
Das decisões administrativas cabe recurso, em face de dade é disposta nos seguintes termos (§2º do art. 56):
razões de legalidade e de mérito (art. 56). §2º Salvo exigência legal, a interposição de recurso
A Lei n. 9.784/1999 autoriza a interposição de recurso administrativo independe de caução.
administrativo para combater suas próprias decisões. Nesse Consoante se consta, a lei deixou oportunidade para
caso, estamos diante do denominado recurso hierárquico outras leis específicas adotarem ou não a necessidade de
(decidido por autoridade superior à que proferiu a decisão depósito de valores como garantia como condição para a
recorrida) interposição de recursos em processos administrativos.
O art. 57 estabelece que o recurso administrativo trami- Contudo, o Supremo Tribunal Federal entende ser
tará no máximo por três instâncias administrativas, salvo dis- inconstitucional a existência, mesmo que estabelecida em
posição legal diversa. Isso que dizer que haverá no máximo lei, de caução como condição de admissibilidade de recur-
dois recursos, como, por exemplo: cabe um recurso da pri- sos em processos administrativos concernentes a tributos.
meira decisão, que levará o processo a ser decidido em Para o STF, a exigência dessa ordem configura ofensa ao
segunda instância, e outro recurso para combater a decisão art. 5º, LV, da Constituição: “aos litigantes, em processo judi-
proferida na segunda instância, que levará o processo a ser cial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegu-
decidido em terceira instância. Vale lembrar que outras leis rados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recur-
específicas podem disciplinar processos com mais de três sos a ela inerentes”.
instâncias ou com menos instâncias recursais. Esse posicionamento foi cristalizado na redação da
O §1º do art. 56 disciplina que “o recurso será dirigido à Súmula Vinculante n. 21, que tem a seguinte redação:
autoridade que proferiu a decisão, aqueles, se não a recon-
siderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade É inconstitucional a exigência de depósito ou arrola-
superior”. Vale repetir: antes de ser encaminhado o recurso mento prévios de dinheiro ou bens para admissibili-
à autoridade superior, a autoridade que proferiu a decisão dade de recurso administrativo.
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

recorrida terá de manifestar-se quanto à possibilidade de


reconsideração (possibilidade de modificar a decisão que Decorre, então, que, se alguma lei estipular exigên-
ela própria proferiu), no prazo de cinco dias, contudo, se não cia de depósito ou arrolamen­to de bens como condição de
houver reconsideração, o recurso será encaminhado para admissibilidade de recursos em processo administrati­ vo,
autoridade superior – recurso hierárquico. será inconstitucional nessa parte.
O prazo para interpor recurso, não havendo disposição O art. 61 dispõe que: salvo disposição legal em contrá-
específica, é de dez dias contados da ciência ou divulgação rio, o recurso não tem efeito suspensivo. Isso quer dizer que,
oficial da decisão recorrida, restando à autoridade decidir o em regra, o recurso só possui efeito devolutivo (será apre-
recurso no prazo de trinta dias (podendo ser prorrogado por ciado por outra autoridade), isso significa que a Administra-
igual período mediante justificativa) a partir do recebimento ção não fica impedida de praticar o ato que esteja sendo
do recurso. revisionado por outra esfera administrativa.
O prazo de 10 dias para interpor recurso é preclusivo, Como exemplo, temos a interdição de um estabe-
desse modo o recurso interposto fora do prazo não será lecimento comercial realizado pelos fiscais da vigilância
reconhecido. O art. 58 da lei em estudo arrola os legitimados sanitária. Nesse exemplo, se o interessado entrar com um
para interpor recurso administrativo: recurso questionando o ato de interdição, o estabeleci-
mento continuará fechado até a decisão do recurso (efeito
I – os titulares de direitos e interesses que forem devolutivo), se esse tivesse efeito suspensivo o estabeleci­
parte no processo; mento seria primeiro reaberto, e posteriormente decidido o
II – aqueles cujos direitos ou interesses forem indi- recurso.
retamente afetados pela de­cisão recorrida;
Contudo, o efeito suspensivo pode ser excepcional-
III – as organizações e associações representati-
mente concedido conforme disciplina o parágrafo único do
vas, no tocante a direitos e in­teresses coletivos;
IV – os cidadãos ou associações, quanto a direitos art. 61, a saber: “havendo justo receio de prejuízo de difícil
ou interesses difusos. ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade
recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou
Questão relevante a respeito do provimento do recurso a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso”.
é disciplinado no art. 63, o qual estabelece a seguinte regra: O art. 64 estabelece que o órgão competente para
Art. 63. O recurso não será conhecido quando in- decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou
terposto: revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a
I – fora do prazo; matéria for de sua competência. E no caso da decisão
II – perante órgão incompetente; recorrida ocorrer gravame à situação do recorrente (refor-
III – por quem não seja legitimado;
matio in pejus), este deverá ser cientificado para que for-
IV – após exaurida a esfera administrativa.
mule suas alegações antes da decisão.
De forma diversa, o art. 65 que dispõe sobre a revisão
Contudo, o §2º do art. 63 possibilita, em decorrência
do processo administrativo não se admite o agravamento
da autotutela administra­tiva, que “o não conhecimento do
das sanções (reformatio in pejus). Os processos adminis-
recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato
trativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a
ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa”.

56
qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem Chegamos ao fim de mais um importante tema. Antes
fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de de resolver às questões leia a lei “seca”, ou seja, sem
justificar a inadequação da sanção aplicada (art. 65). comentários. Após resolva os exercícios propostos. Se errar
alguma questão, volte a fazê-la e identifique o seu erro,
Para fixar: pois, se assim fizer, nunca mais errará a mesma questão, e
lembre-se que as questões se repetem em provas de con-
(CESPE/ STF/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 2008) curso. Se tiver alguma dúvida, entre em contato conosco.
A exigência do depósito prévio como pressu- Teremos o maior prazer em auxiliá-lo. J. W. Granjeiro &
posto de admissibilidade do recurso adminis- Rodrigo Cardoso.
trativo é uma exigência compatível com a CF. E-mail: direito.adm.simplificado@gmail.com

Justificativa: A Súmula Vinculante n. 21 proíbe a


cobrança de qualquer valor como condição de admissibi- EXERCÍCIOS
lidade de recurso administrativo. Entenda: considere que
um particular queira propor recurso administrativo para 1. (CESPE/ TRT 17ª REGIÃO/ ANALISTA JUDICIÁRIO/
contestar uma multa aplicada pela administração. Ainda, 2009) Os processos administrativos de que resultem
considere que a lei que regulamenta a matéria em âmbito sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pe-
estadual exija o pagamento da multa como condição de dido ou de ofício, quando surgirem fatos novos; entre-
admissibilidade do recurso. Com certeza essa lei, nesse tanto, dessa revisão não poderá resultar agravamento
aspecto, é inconstitucional, pois se o particular não tiver da sanção.
dinheiro para realizar o pagamento não poderá exercer os

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. 2. (CESPE/ ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO/ PROCU-
Questão errada. RADOR FEDERAL/ 2010) Se um parecer obrigatório
e vinculante deixar de ser emitido no prazo fixado, o
(CESPE/ STM/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ 2011) O processo pode ter prosseguimento e ser decidido com
prazo para a interposição de recurso administrativo é, em sua dispensa, sem prejuízo da responsabilidade de-
regra, de dez dias, contados a partir da ciência ou da divul- quem se omitiu no atendimento.
gação oficial da decisão recorrida e quando a lei não fixar
prazo diferente.
3. (CESPE/ STJ/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ ÁREA: JUDI-
CIÁRIA/ 2012) Os processos administrativos de que
Justificativa: O prazo genérico para o administrado
resultem sanções podem ser revistos a qualquer tem-
interpor recuso é de 10 dias, contados da ciência ou da
po, a pedido ou de ofício; dessa revisão pode resul-
divulgação oficial da decisão. Questão certa.
tar o agravamento da sanção, diferentemente do que
DECISÃO DE RECURSO CONTRA SÚMULA DO STF ocorre na esfera judicial.

Caso o recorrente alegar que a decisão administra- 4. (CESPE/ TCU/ TÉCNICO FEDERAL DE CONTROLE
tiva contrariou enunciado de súmula vinculante editada pelo EXTERNO/ 2012) Cidadãos ou associações têm legi-
STF, “caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, timidade para interpor recurso administrativo para a
se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o defesa de direitos ou interesses difusos.
recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade
ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso” (§3º do Com base na Lei n. 9.784/1999, que regula o proces-
art. 56). so administrativo no âmbito da administração pública
Não reconsiderada a decisão que contrariou o enun- federal, julgue os itens subsecutivos.
ciado de súmula vinculante, a autoridade encaminhará o
recurso ao órgão competente para decidir o recurso, a qual 5. (CESPE/ STJ/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 2012) No pro-
explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da cesso administrativo, a norma administrativa deve ser
súmula, conforme o caso (art. 64-A). interpretada de forma a garantir o atendimento do fim
Finalmente, se o interessado entender que a admi- público a que se destine, vedada a aplicação retroati-
nistração violou enunciado de súmula vinculante, poderá va de nova interpretação.
propor reclamação perante o STF, no entanto deverá pri-
meiramente esgotar as vias administrativas (art. 7º da Lei n. 6. (CESPE/ STJ/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 2012) A admi-
11.417/2006). nistração pode anular seus próprios atos por motivo
Nos termos do art. 64-B se “acolhida pelo Supremo
de conveniência ou oportunidade.
Tribunal Federal à reclamação fundada em violação de
enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autori-
7. (CESPE/ STJ/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 2012) A Lei
dade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do
n 9.784/1999 não se aplica aos órgãos dos Poderes
recurso, que deverão adequar às futuras decisões adminis-
Judiciário e Legislativo, ainda que no desempenho de
trativas em casos semelhantes, sob pena de responsabiliza-
ção pessoal nas esferas cível, administrativa e penal”. funções de natureza administrativa.

57
No que tange ao processo administrativo federal, jul- administrativo no âmbito da administração pública di-
gue os itens a seguir. reta e indireta, e seus preceitos também se aplicam
aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, quan-
8. (CESPE/ CORREIOS/ ANALISTA DE CORREIOS/ do no desempenho de função administrativa.
ESPECIALIDADE: ADMINISTRADOR/ 2011) As inti-
mações dos atos administrativos devem obedecer às Acerca da Lei n. 9.784/1999 — marco legal referente
prescrições legais, contudo, ainda que apresentem ao processo administrativo — e de aspectos relaciona-
algum vício que as tornem nulas, o comparecimento dos a esse tema, julgue os itens:
espontâneo do administrado suprirá a irregularidade.
15. (CESPE/ TCU/ TÉCNICO FEDERAL DE CONTROLE
9. (CESPE/ CORREIOS/ ANALISTA DE CORREIOS/ ES- EXTERNO/ 2009) A lei em apreço regulamenta o pro-
PECIALIDADE: ADMINISTRADOR/ 2011) O processo cesso administrativo no âmbito da União, dos estados
administrativo pode ser instaurado exclusivamente a
e dos municípios, visando, entre outros aspectos, à
requerimento do interessado; no entanto, caso se ca-
proteção dos direitos dos administrados e ao melhor
racterize flagrante conduta ilegal do servidor, o proces-
cumprimento dos fins da administração.
so administrativo pode ser instaurado de ofício.

A respeito do que dispõem as Leis n. 8.112/1990,


10. (CESPE/ CORREIOS/ ANALISTA DE CORREIOS/
n. 8.666/1993 e n. 9.784/1999, julgue os próximos
ESPECIALIDADE: ADMINISTRADOR/ 2011) Os prin-
itens.
cípios da razoabilidade e da proporcionalidade, embo-
ra não estejam mencionados no texto constitucional,
estão previstos, de forma expressa, na lei que rege o 16. (CESPE/ ANCINE/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/
processo administrativo federal. 2012) O recurso contra o indeferimento da alegação
de suspeição terá efeito suspensivo e devolutivo.
J.W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

Acerca de direito administrativo, julgue os itens a se-


guir. 17. (CESPE/ TCU/ TÉCNICO FEDERAL DE CONTROLE
EXTERNO/ 2009) Segundo jurisprudência recente do
11. (CESPE/ TRE-ES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ ÁREA: STF, é inconstitucional a exigência de depósito prévio
JUDICIÁRIA/ 2010) Entre os princípios que orientam da multa aplicada pela administração pública como
a condução do processo administrativo, está o da ver- condição de admissibilidade do recurso na esfera ad-
dade formal, segundo o qual a administração pública ministrativa.
deve decidir a controvérsia fundamentando-se somen-
te nas provas produzidas no processo. 18. (CESPE/ TRT 17ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/
2009) Em regra, o recurso da decisão proferida em
De acordo com o que estabelece a lei que regulamenta processo administrativo não tem efeito suspensivo.
o processo administrativo no âmbito da administração Isso significa, salvo disposição legal em contrário, que
pública federal, julgue o próximo item. a decisão proferida pela autoridade pode ser imediata-
mente cumprida, mesmo quando houver recurso pen-
12. (CESPE/ TRE-ES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ ÁREA: dente de julgamento da parte que teve seus interesses
JUDICIÁRIA/ 2010) O administrado tem o direito de afetados.
ter ciência da tramitação dos processos administrati-
vos nos quais figure na condição de interessado, bem
De acordo com o que estabelece a lei que regulamenta
como o direito de ter vista dos autos e o de obter có-
o processo administrativo no âmbito da administração
pias de documentos neles contidos, mediante autori-
zação prévia da autoridade hierarquicamente superior. pública federal, julgue o próximo item.

Tendo em vista as disposições gerais da lei que regula 19. (CESPE/ ANATEL/ TÉCNICO ADMINISTRATIVO/
o processo administrativo no âmbito da administração 2012) O princípio da segurança jurídica resguarda a
pública federal (Lei n. 9.784/1999), julgue os itens a estabilidade das relações no âmbito da administração;
seguir. um de seus reflexos é a vedação à aplicação retroativa
de nova interpretação de norma em processo admi-
13. (CESPE/ MPU/ ANALISTA PROCESSUAL/ 2010) O nistrativo.
processo administrativo pauta-se por uma série de
princípios que devem ser observados pelas autorida- 20. (CESPE/ TRT 17ª REGIÃO/ ANALISTA JUDICIÁRIO/
des, entre os quais se inclui o impulso de ofício, que 2009) Se o recorrente de decisão administrativa ale-
lhes permite adotar as medidas necessárias à adequa- gar que a decisão contraria enunciado de súmula
da instrução do processo. vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão
impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de
14. (CESPE/ MPU/ANALISTA PROCESSUAL/ 2010) A re- encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões
ferida lei estabelece normas básicas sobre o processo da inaplicabilidade da súmula.

58
21. (CESPE/ STF/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2008) Nos 30. (CESPE/ TCU/ TÉCNICO FEDERAL DE CONTROLE
processos administrativos, em decorrência do princí- EXTERNO/ 2012) O indeferimento da alegação de
pio da verdade material, existe a possibilidade de ocor- suspeição pode ser objeto de recurso, cujos efeitos
rer a reformatio in pejus. serão devolutivo e suspensivo.

22. (CESPE/ STF/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2008) Ser- 31. (CESPE/ TCU/ AUDITOR FEDERAL DE CONTRO-
vidor que esteja litigando administrativamente com o LE EXTERNO/ 2010) As normas previstas na Lei
interessado em um processo administrativo não está n. 9.784/1999, que disciplina o processo administrati-
necessariamente impedido de atuar nesse processo, vo no âmbito da administração federal, são aplicáveis
pois não existe litígio judicial. apenas à administração federal direta.

23. (CESPE/ STF/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2008) Como 32. (CESPE/ TCE-BA/ PROCURADOR DO MINISTÉRIO
regra geral, são considerados capazes, para fins de PÚBLICO/ 2010) De acordo com a jurisprudência do
processo administrativo, os maiores de dezoito anos. STF, será inconstitucional qualquer norma editada por
ente da Federação que exija depósito ou arrolamento
Lei n. 9.784/1999, julgue os itens que se seguem. prévios de dinheiros ou bens para admissibilidade de
recurso administrativo.
24. (CESPE/ STJ/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 2008) Quando
os membros do Tribunal de Justiça do Distrito Federal Acerca do processo administrativo, genericamente re-
e Territórios se reúnem para decidir questões adminis- gulado pela Lei n. 9.784/1999, julgue os itens subse-
trativas, têm de observar apenas a respectiva lei de quentes.
organização judiciária e seu regimento interno, haja

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


vista a Lei n.º 9.784/1999 ser aplicável tão somente 33. (CESPE/ MPS/ AGENTE ADMINISTRATIVO/ 2010) O
aos órgãos do Poder Executivo da União.
processo administrativo, na administração pública fe-
deral, visa à proteção dos direitos dos administrados
25. (CESPE /TCU/ TÉCNICO FEDERAL DE CONTROLE
e ao melhor cumprimento dos fins da administração.
EXTERNO/ 2012) O interessado pode renunciar ao
processo administrativo ou dele desistir. Nesses ca-
34. (CESPE/ MPS/ AGENTE ADMINISTRATIVO/ 2010) Nos
sos, a administração poderá dar prosseguimento ao
processos administrativos, busca-se a adequação entre
feito caso considere que o interesse público assim o
meios e fins, até mesmo com a imposição de obriga-
exige.
ções, restrições e sanções em medida superior àquelas
estritamente necessárias ao atendimento do interesse
26. (CESPE/ STJ/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 2008) Ainda
público, visando à prevenção das irregularidades.
que um ato praticado pela administração tenha obser-
vado todas as formalidades legais, ela poderá revogá-
-lo se julgar conveniente, desde que respeite os direi- GABARITO
tos adquiridos por ele gerados.
1. C 10. C 19. C 28. E
27. (CESPE/ ANVISA/ 2007) São considerados legitima- 2. E 11. E 20. C 29. C
dos como interessados no processo administrativo in- 3. E 12. E 21. C 30. E
clusive aqueles que, sem terem iniciado o processo, 4. C 13. C 22. E 31. E
têm direitos ou interesses que possam ser afetados 5. C 14. C 23. C 32. C
pela decisão a ser adotada. 6. E 15. E 24. E 33. C
7. E 16. E 25. C 34. E

28. (CESPE/ TRT 17ª REGIÃO/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ 8. C 17. C 26. C


2009) No processo administrativo instaurado para apu- 9. E 18. C 27. C
rar fato praticado por determinado servidor, caso este
não compareça ao processo quando regularmente inti- ESTATUTO DA UNB. PUBLICADO NO DOU N. 7, DE
mado para apresentar defesa, não devem ser conside- 11/1/1994 – 8ª EDIÇÃO
rados verdadeiros os fatos a ele imputados. No pros-
seguimento do processo, contudo, não pode o servidor TÍTULO I
apresentar alegações, produzir provas ou recorrer da DA UNIVERSIDADE, PRINCÍPIOS E FINALIDADES
decisão proferida.
Art. 1º A Universidade de Brasília é uma instituição
29. (CESPE/ IBAMA/ ANALISTA AMBIENTAL/ 2009) Os
pública de ensino superior, integrante da Fundação Universi-
processos administrativos devem ser guiados por
dade de Brasília (Lei n. 3.998, de 15 de dezembro de 1961),
critérios que observem as formalidades essenciais à
com sede na Capital Federal.
garantia dos direitos dos administrados, adotadas de
Parágrafo único. A Universidade de Brasília rege-se
formas simples e desburocratizadas, suficientes para
pelo presente Estatuto e, subsidiariamente, pelo Regimento
garantir grau de certeza, segurança e respeito a esses
Geral e por normas complementares.
direitos.

59
Art. 2º A Universidade de Brasília goza de autonomia Art. 7º A criação, extinção ou modificação das Uni-
didático-científica, administrativa e de gestão financeira e dades Acadêmicas, Órgãos Complementares ou Centros
patrimonial, em conformidade com a ConstituiçãoFederal. deverão ser fundamentadas em prévia avaliação institucio-
Parágrafo único. Na organização de seu Regime Didá- nal em conformidade com o disposto no Regimento Geral.
tico, inclusive de currículo de seus cursos, a Universidade
de Brasília observará tão somente o disposto no parágrafo CAPÍTULO II
único do art. 14 e no art. 15 da Lei n. 3.998, de 15 de dezem- DA GESTÃO
bro de 1961.
Art. 3º São finalidades essenciais da Universidade de Art. 8º A Universidade de Brasília observará, em todas
Brasília o ensino, a pesquisa e a extensão, integrados na as instâncias deliberativas, os seguintes princípios:
formação de cidadãos qualificados para o exercício profis- I – publicidade dos atos e das informações;
sional e empenhados na busca de soluções democráticas II – planejamento e avaliação periódica de atividades;
III – prestação de contas acadêmica e financeira;
para os problemas nacionais.
IV – quorum mínimo para o funcionamento de órgãos
Art. 4º A Universidade de Brasília organiza e desen-
colegiados e para a eleição de dirigentes e representantes;
volve suas atividades em conformidade com os seguintes
V – condições de manutenção e de perda do direito de
princípios:
representação.
I – natureza pública e gratuita do ensino, sob a respon-
Art. 9º Os cargos e funções sujeitos ao princípio eletivo
sabilidade do Estado;
têm mandato de dois anos, permitida uma única recondu-
II – liberdade de ensino, pesquisa e extensão e de difu-
ção, excetuados aqueles mandatos previstos em lei.
são e socialização do saber, sem discriminação de qualquer Parágrafo único. Os representantes em Órgãos Cole-
natureza; giados têm suplentes, escolhidos pelo mesmo procedimento
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

III – indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a que o dos titulares.


extensão; Art. 10. Está aberta, a pessoas e entidades, a participa-
IV – universalidade do conhecimento e fomento à inter- ção, com direito ao uso da palavra, em reuniões de instân-
disciplinaridade; cias colegiadas, a critério destas.
V – garantia de qualidade;
VI – orientação humanística da formação artística, lite- CAPÍTULO III
rária, científica e técnica; DA ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR
VII – intercâmbio permanente com instituições nacio-
nais e internacionais; Art. 11. A Administração Superior da Universidade de
VIII – incentivo ao interesse pelas diferentes formas de Brasília tem como órgãos deliberativos, normativos e con-
expressão do conhecimento popular; sultivos o Conselho Universitário, o Conselho de Ensino,
IX – compromisso com a democracia social, cultural, Pesquisa e Extensão e o Conselho de Administração; como
política e econômica; órgão consultivo, o Conselho Comunitário, e, como órgão
X – compromisso com a democratização da educação executivo, a Reitoria.
no que concerne à gestão, à igualdade de oportunidade de
acesso, e com a socialização de seus benefícios; Seção I
XI – compromisso com o desenvolvimento cultural, Dos Conselhos Superiores
artístico, científico, tecnológico e socioeconômico do País;
XII – compromisso com a paz, com a defesa dos direi- Art. 12. O Conselho Universitário é o órgão máximo da
tos humanos e com a preservação do meio ambiente. Universidade de Brasília e tem por atribuições, entre outras:
I – formular as políticas globais da Universidade;
II – propor ao Conselho Diretor da FUB/Fundação Uni-
TÍTULO II
versidade de Brasília a programação anual de trabalho e as
DA ESTRUTURA ACADÊMICA E ADMINISTRATIVA
diretrizes orçamentárias;
III – avaliar o desempenho institucional;
CAPÍTULO I
IV – aprovar a criação, a modificação e a extinção das
DA ORGANIZAÇÃO
unidades previstas nos incisos III, IV e V do art. 6º deste
Estatuto;
Art. 5º A Universidade de Brasília observará os princí- V – propor ao Conselho Diretor da FUB o Regimento
pios de gestão democrática, de descentralização e de racio- Geral e as suas alterações, bem como emendas a este Esta-
nalidade organizacional, conforme estabelece este Estatuto. tuto;
Art. 6º A Universidade de Brasília está estruturada da VI – criar cursos de graduação e de pós-graduação
seguinte forma: stricto sensu, ouvido o Conselho de Ensino, Pesquisa e
I – Conselhos Superiores; Extensão;
II – Reitoria; VII – apreciar recursos contra atos do Reitor nos casos
III – Unidades Acadêmicas; e na forma definidos no Regimento Geral;
IV – Órgãos Complementares; VIII – aprovar os regimentos internos das Unidades
V – Centros. Acadêmicas, Órgãos Complementares e Centros;

60
IX – apreciar, em grau de recurso, as decisões do Con- §1º O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão deli-
selho de Ensino, Pesquisa e Extensão e do Conselho de bera em plenário ou por meio das
Administração, nos casos e na forma definidos no Regi- Câmaras de Ensino de Graduação, de
mento Geral; Pesquisa e Pós-Graduação e de Extensão, presididas
X – aprovar o Código de Ética; pelos respectivos Decanos.
XI – aprovar as vinculações orgânicas das Unidades §2º A composição das Câmaras a que se refere o §1º
Acadêmicas, Órgãos Complementares e Centros. deve possibilitar a representação, em cada uma delas, de
Art. 13. Integram o Conselho Universitário: todas as Unidades Acadêmicas.
I – o Reitor, como presidente; Art. 17. O Conselho de Administração delibera sobre
II – o Vice-Reitor, como vice-presidente; a matéria administrativa, econômica, financeira, de planeja-
III – os Decanos; mento e orçamento, de gestão de pessoas e sobre relações
IV – os Diretores das Unidades Acadêmicas; sociais, de trabalho e de vivência, em conformidade com a
V – 5 (cinco) representantes do Conselho de Ensino, programação anual de trabalho e diretrizes orçamentárias
Pesquisa e Extensão; estabelecidas no art. 12, inciso II, ressalvados os casos pre-
VI – 1 (um) representante do Conselho Comunitário, vistos no inciso X do art. 12. (Redação dada pela Resolução
eleito entre seus membros; n. 29/2010, de 7/12/2010, do Conselho Universitário da UnB)
VII – 1 (um) representante dos Órgãos Complementa- Art. 18. Integram o Conselho de Administração:
res; I – o Reitor, como presidente;
VIII – 1 (um) representante dos Centros; II – o Vice-Reitor, como vice-presidente;
IX – 1 (um) representante docente de cada Unidade III – os Decanos de Administração, de Assuntos Comu-
Acadêmica, eleito por seus pares; nitários, de Gestão de Pessoas e de Planejamento e Orça-
mento; (Redação dada pela Resolução n. 29/2010, de

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


X – os representantes discentes, eleitos por seus pares,
em número correspondente a 1/5 (um quinto) dos demais 7/12/2010, do Conselho Universitário da UnB)
IV – o Prefeito do Campus;
membros do Conselho, sendo 1/4 (um quarto) dessa repre-
V – os Diretores das Unidades Acadêmicas;
sentação composta por alunos de pós-graduação;
VI – 1 (um) representante de cada Conselho de Instituto
XI – os representantes dos servidores técnico-adminis-
e Faculdade, eleito entre seus membros;
trativos, eleitos por seus pares, em número correspondente
VII – 1 (um) representante dos Centros vinculados à
a 1/10 (um décimo) dos demais membros do Conselho;
Reitoria;
XII – 1 (um) representante dos ex-alunos da Universi-
VIII – 1 (um) representante dos Órgãos Complemen-
dade de Brasília.
tares;
Parágrafo único. Os representantes a que se referem
IX – os representantes discentes, eleitos por seus
os incisos VII, VIII, IX e XI, quando docentes ou técnico-
pares, em número correspondente a 1/10 (um décimo) dos
-administrativos, devem ter pelo menos 5 (cinco) anos de
demais membros do Conselho, sendo 1/4 (um quarto) dessa
efetivo exercício na Universidade de Brasília.
representação composta por alunos de pósgraduação;
Art. 14. O Conselho Universitário pode constituir Câma-
X – os representantes dos servidores técnicoadminis-
ras, conforme a natureza dos assuntos, obedecido o princí-
trativos, eleitos por seus pares, em número correspondente
pio de representatividade.
a 1/10 (um décimo) dos demais membros do Conselho.
Art. 15. O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão §1º O Conselho de Administração delibera em plenário
delibera sobre as matérias acadêmica, científica, cultural e ou por meio das Câmaras de Administração, de Assuntos
artística, sendo a última instância de deliberação para recur- Comunitários, de Gestão de Pessoas e de Planejamento e
sos nessas áreas, ressalvados os casos previstos no inciso Orçamento, presididas pelos respectivos Decanos. (Reda-
X do art. 12. ção dada pela Resolução n. 29/2010, de 7/12/2010, do Con-
Art. 16. Integram o Conselho de Ensino, Pesquisa e selho Universitário da UnB)
Extensão: §2º A composição das Câmaras a que se refere o
I – o Reitor, como presidente; §1º deve possibilitar a representação, em cada uma
II – o Vice-Reitor, como vice-presidente; delas, de todas as Unidades Acadêmicas.
III – os Decanos de Ensino de Graduação, de Pesquisa Art. 19. O Conselho Universitário, o Conselho de
e Pós-Graduação e de Extensão; Ensino, Pesquisa e Extensão e o Conselho de Administra-
IV – 1 (um) representante de cada Conselho de Instituto ção podem criar comissões especiais, não deliberativas,
e Faculdade, escolhido entre os seus membros; para estudos, assessoramento ou coordenação de assuntos
V – 1 (um) representante por Unidade Acadêmica, específicos.
eleito entre os coordenadores dos cursos de graduação, dos Art. 20. O Conselho Comunitário é um órgão consul-
cursos de pós-graduação e de extensão; tivo da Administração Superior da Universidade de Brasília,
VI – 2 (dois) representantes dos Centros afins a ativida- reunindo-se uma vez por ano, ordinariamente, ou quando
des de ensino, de pesquisa e de extensão; convocado pelo Reitor ou por requerimento da maioria do
VII – os representantes discentes, eleitos por seus Conselho Universitário.
pares, em número correspondente a 1/5 (um quinto) dos Art. 21. Integram o Conselho Comunitário:
demais membros do Conselho, sendo 1/4 (um quarto) dessa I – o Reitor, como presidente;
representação composta por alunos de pós-graduação. II – o Vice-Reitor, como vice-presidente;

61
III – uma representação de entidades de trabalhadores; CAPÍTULO IV
IV – uma representação de entidades empresariais; DAS UNIDADES ACADÊMICAS
V – uma representação do Governo do Distrito Federal;
VI – uma representação da Câmara Distrital; Art. 27. São Unidades Acadêmicas os Institutos e as
VII – uma representação de organizações governamen- Faculdades, que têm como atribuições:
tais e não governamentais ligadas ao ensino, à pesquisa e I – coordenar e avaliar as atividades de ensino, pes-
quisa e extensão nas respectivas áreas;
à extensão;
II – decidir sobre a organização interna, respeitados
VIII – uma representação dos ex-alunos da Universi-
este Estatuto e o Regimento Geral;
dade de Brasília;
III – planejar e administrar os recursos humanos, orça-
IX – – uma representação dos aposentados da Univer-
mentários, financeiros e materiais sob sua responsabilidade.
sidade de Brasília. Art. 28. As Unidades Acadêmicas são:
Parágrafo único. As representações previstas nos inci- I – Instituto de Artes;
sos III a IX são definidas pelo Conselho Universitário a cada II – Instituto de Ciência Política; (Acrescentado pela
2 (dois) anos. Resolução n. 21/2003, de 29/8/2003, do ConselhoDiretor da
FUB)
Seção II III – Instituto de Ciências Biológicas;
Da Reitoria IV – Instituto de Ciências Exatas;
V – Instituto de Ciências Humanas;
Art. 22. Ao Reitor, nomeado na forma da lei, compete VI – Instituto de Ciências Sociais; (Acrescentado pela
representar a Universidade de Brasília, bem como coorde- Resolução n. 19/2001, de 21/9/2001, do Conselho Diretor
nar e superintender as atividades universitárias. da FUB)
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

VII – Instituto de Física; (Acrescentado pela Resolução


§1º Nas faltas e impedimentos do Reitor, a Reitoria é
n. 19/2001, de 21/9/2001, do Conselho Diretor da FUB)
exercida pelo Vice-Reitor.
VIII – Instituto de Geociências;
§2º Nas faltas e impedimentos do Reitor e do Vice-
IX – Instituto de Letras;
Reitor, a Reitoria é exercida pelo Decano mais antigo no X – Instituto de Psicologia;
exercício de atividades acadêmicas na Universidade de Bra- XI – Instituto de Química; (Acrescentado pela Resolu-
sília. ção n. 19/2001, de 21/9/2001, do Conselho Diretor da FUB)
Art. 23. O Reitor pode apor veto às deliberações XII – Instituto de Relações Internacionais; (Acrescen-
dos Conselhos Superiores, justificando-o no prazo de 15 tado pela Resolução n. 21/2003, de 29/8/2003, do Conselho
(quinze) dias ao Conselho Universitário, o qual pode revogar Diretor da FUB)
o veto pela maioria qualificada de 3/5 (três quintos) dos seus XIII – Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária;
membros. (Acrescentado pela Resolução n. 19/2001, de 21/9/2001, do
Art. 24. Ao Vice-Reitor, nomeado na forma da lei, com- Conselho Diretor da FUB)
pete exercer as atribuições definidas no Regimento Geral e XIV – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo;
nos atos de delegação baixados pelo Reitor. XV – Faculdade de Ciência da Informação; (Acrescen-
tado pela Resolução n. 10/2010, de 3/5/2010, do Conselho
Art. 25. A Reitoria é integrada por:
Universitário da UnB)
I – Decanatos, com a atribuição de supervisionar e
XVI – Faculdade de Ceilândia; (Acrescentado pela
coordenar as respectivas áreas: Ensino de Graduação, Pes-
Resolução n. 6 /2007, de 29/6/2007, do Conselho Diretor
quisa e Pós-Graduação, Extensão, Assuntos Comunitários,
da FUB)
Administração, de Gestão de Pessoas e de Planejamento e XVII – Faculdade de Ciências da Saúde;
Orçamento; (Redação dada pela Resolução n. 29/2010, de XVIII – Faculdade de Comunicação;
7/12/2010, do Conselho Universitário da UnB) XIX – Faculdade de Direito; (Acrescentado pela Resolu-
II – Procuradoria Jurídica; ção n. 19/2001, de 21/9/2001, do Conselho Diretor da FUB)
III – Auditoria; XX – Faculdade de Economia, Administração e Con-
IV – Ouvidoria; (Redação dada pela Resolução n. tabilidade; (Acrescentado pela Resolução n. 1/2004, de
7/2011, de 24/5/2011, do Conselho Universitário da UnB) 29/3/2004 do Conselho Diretor da FUB)
IV – Assessorias. XXI – Faculdade de Educação;
§1º Os Decanos são designados pelo Reitor, com a XXII – Faculdade de Educação Física; (Acrescentado
aprovação do Conselho Universitário. pelaResolução n. 19/2001, de 21/9/2001, do Conselho Dire-
§2º Os chefes dos órgãos especificados nos incisos tor da FUB)
XXIII – Faculdade do Gama; (Acrescentado pela Reso-
II, III e IV, bem como os assessores, são designados pelo
lução n. 6/2007, de 29/6/2007, do Conselho Diretor da FUB)
Reitor.
XXIV – Faculdade de Medicina; (Acrescentado pela
Art. 26. São órgãos auxiliares da Reitoria:
Resolução n. 19/2001, de 21/9/2001, do Conselho Diretor
I – o Gabinete; da FUB)
II – a Prefeitura do Campus. XXV – Faculdade de Planaltina; (Acrescentado pela
Parágrafo único. Os dirigentes dos órgãos a que se Resolução n. 6/2006, de 19/5/2006, do Conselho Diretor da
refere este artigo são designados pelo Reitor. FUB)

62
XXVI – Faculdade de Tecnologia. Art. 37. O Departamento tem como instância delibe-
Parágrafo único. A relação das Unidades Acadêmicas rativa sobre políticas, estratégias e rotinas acadêmicas e
de que trata este artigo pode ser alterada em conformidade administrativas, o Colegiado, e como instância executiva, a
com o art. 12, inciso IV, deste Estatuto. Chefia.
§1º Nas faltas e impedimentos do Chefe, a chefia é
Seção I exercida pelo Subchefe.
Da Gestão §2º Nas faltas e impedimentos do Chefe e do
Subchefe, a chefia do Departamento é exercida pelo
Art. 29. As Unidades Acadêmicas têm como órgão docente mais antigo no exercício do magistério na Universi-
máximo deliberativo e de recurso, em matéria administrativa dade de Brasília.
e acadêmica, o Conselho de Instituto ou de Faculdade e, Art. 38. Integram o Colegiado do Departamento os
como órgão executivo, a Direção. docentes em exercício e as representações discente e téc-
Art. 30. As Unidades Acadêmicas são organizadas na nicoadministrativa.
forma definida em seus regimentos internos, em conformi- Parágrafo único. As representações discente e técnico-
dade com o disposto neste Estatuto e no Regimento Geral. administrativa não podem exceder a 1/5 (um quinto), cada
Art. 31. O regimento interno de cada Unidade Acadê- uma, do total dos membros docentes do Colegiado.
mica deve definir um ou mais colegiados responsáveis pela Art. 39. A forma de eleição de Chefe e Subchefe de
coordenação didática dos cursos por ela oferecidos. Departamento é definida pelo Colegiado de Departamento,
Parágrafo único. Dos colegiados fazem parte os coor- assegurada a participação de docentes, discentes e servido-
denadores dos cursos envolvidos, representantes de outras res técnico-administrativos.
unidades participantes dos cursos e representantes discen-
tes, na forma definida no Regimento Geral.

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


CAPÍTULO V
Art. 32. Integram o Conselho de Instituto ou de Facul- DOS ÓRGÃOS COMPLEMENTARES E CENTROS
dade:
I – o Diretor, como presidente;
Art. 40. Aos Órgãos Complementares competem ati-
II – o Vice-Diretor, como vice-presidente;
vidades de caráter permanente de apoio, necessárias ao
III – os Chefes de Departamento da Unidade;
desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão.
IV – os representantes docentes dos Departamentos da
Art. 41. Os Órgãos Complementares são:
Unidade;
I – Biblioteca Central;
V – os representantes discentes matriculados nos
II – Centro de Informática;
cursos ministrados pela Unidade;
III – Editora Universidade de Brasília;
VI – os representantes dos servidores técnico-adminis-
IV – Fazenda Água Limpa;
trativos lotados na Unidade;
V – Hospital Universitário;
VII – outros representantes.
VI – Rádio e Televisão Universitárias.
Parágrafo único. As representações previstas nos inci-
Art. 42. Aos Centros competem as atividades de cará-
sos IV a VII são especificadas no regimento interno da Uni-
ter cultural, artístico, científico, tecnológico e de prestação
dade.
Art. 33. Os Diretores e Vice-Diretores das Unidades de serviços à comunidade, com finalidades específicas ou
Acadêmicas são nomeados na forma da lei. multidisciplinares.
Art. 34. Ao Diretor compete superintender e coordenar Art. 43. Os Órgãos Complementares e Centros são
as atividades da Unidade Acadêmica, bem como exercer as geridos por seus Diretores, que respondem administrativa-
atribuições definidas no Regimento Geral e no regimento mente por estes órgãos.
interno da Unidade. §1º Os Diretores de Órgãos Complementares são
§1º Nas faltas e impedimentos do Diretor, a direção é designados pelo Reitor, com a aprovação do Conselho Uni-
exercida pelo Vice-Diretor. versitário.
§2º Nas faltas e impedimentos do Diretor e do Vice- §2º Os Diretores dos Centros vinculados à Reitoria são
-Diretor, a direção é exercida pelo membro do Conselho de designados pelo Reitor, com a aprovação do Conselho de
Instituto ou de Faculdade mais antigo no exercício do magis- Ensino, Pesquisa e Extensão ou do Conselho de Administra-
tério na Universidade de Brasília. ção, conforme a natureza de suas atividades.
Art. 35. Ao Vice-Diretor compete exercer as atribuições Art. 44. Os Órgãos Complementares e Centros têm
definidas no Regimento Geral, no regimento interno da Uni- conselhos deliberativos ou consultivos, na forma definida
dade e nos atos de delegação baixados pelo Diretor. nos seus regimentos internos.

Seção II TÍTULO III


Dos Departamentos DO REGIME DIDÁTICO-CIENTÍFICO

Art. 36. Os Departamentos, organizados por área de CAPÍTULO I


conhecimento, são vinculados às Unidades Acadêmicas e DO ENSINO
têm como atribuição principal a coordenação e a execução
de atividades de ensino, pesquisa e extensão, no âmbito de Art. 45. O ensino na Universidade de Brasília é minis-
sua competência. trado em cursos de:

63
I – Graduação; TÍTULO IV
II – Pós-Graduação; DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA
III – Extensão.
Parágrafo único. Aos alunos regulares é assegurada Art. 56. A comunidade universitária é constituída por
a orientação acadêmica sistemática, na forma definida no docentes, discentes e técnico-administrativos, diversificados
Regimento Geral e nas resoluções do Conselho de Ensino, em suas atribuições e funções, unidos na realização das
Pesquisa e Extensão. finalidades da Universidade.
Art. 46. Os cursos de graduação têm como objetivo a Art. 57. Os papéis sociais, os relacionamentos estru-
formação de profissionais para o exercício de atividades que
turais, as responsabilidades individuais, os limites de autori-
demandem estudos superiores.
dade e os requisitos exigidos dos membros da comunidade
Art. 47. Os cursos de graduação são abertos à admis-
universitária, bem como os seus direitos, são pautados nos
são no limite preestabelecido de vagas, em conformidade
princípios e nas finalidades expressos neste Estatuto, defini-
com o disposto no Regimento Geral e nas resoluções do
Conselho Universitário e do Conselho de Ensino, Pesquisa dos no Regimento Geral e no Código de Ética.
e Extensão, nos seguintes casos:
I – candidatos admitidos por meio de concurso de sele- CAPÍTULO I
ção; DO CORPO DOCENTE
II – portadores de diploma de curso superior;
III – transferências obrigatórias e facultativas; Art. 58. O corpo docente da Universidade é constituído
IV – bolsistas de acordo cultural entre o Brasil e outros por professores que exercem atividades de ensino, pesquisa
países; e extensão em nível superior.
V – alunos de outras instituições, nas condições esta- Art. 59. O ingresso, a nomeação, a posse, o regime
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

belecidas em convênios com a Universidade de Brasília; de trabalho, a promoção, o acesso, a aposentadoria e a


VI – matrículas autorizadas nas condições de reciproci- dispensa do docente são regidos pela legislação maior em
dade diplomática, previstas em lei. vigor, pelo Regimento Geral, pelo Plano de Carreira Docente
Art. 48. Os cursos de pós-graduação têm como obje- da Universidade e pelas Resoluções do Conselho Universi-
tivo a formação de docentes, pesquisadores e profissionais tário e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.
de alto nível.
Art. 49. Os cursos de pós-graduação são abertos a
CAPÍTULO II
candidatos que preenchem os requisitos estabelecidos pelo
DO CORPO DISCENTE
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.
Art. 50. Cada curso tem um coordenador, escolhido
Art. 60. O corpo discente é constituído por alunos regu-
entre os professores com pelo menos dois anos de efetivo
lares e especiais.
exercício no Quadro Docente da Universidade de Brasília,
com as atribuições previstas no Regimento Geral e no regi- §1º Aluno regular é aquele matriculado em curso de
mento interno da Unidade Acadêmica. graduação e de pós-graduação.
Art. 51. Os cursos de extensão têm como objetivo §2º Aluno especial é aquele inscrito em cursos de
difundir e atualizar conhecimentos, sendo abertos à partici- extensão, disciplinas isoladas ou atividades congêneres.
pação da comunidade em geral, conforme requisitos esta- Art. 61. A Universidade presta assistência ao corpo
belecidos pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. discente, sem prejuízo de suas responsabilidades com os
demais membros da comunidade, fomentando, entre outras
CAPÍTULO II iniciativas:
DA PESQUISA I – programas de alimentação, alojamento e saúde;
II – promoções de natureza artística, cultural, esportiva
Art. 52. A pesquisa tem como objetivo produzir, criticar e recreativa;
e difundir conhecimentos culturais, artísticos, científicos e III – programas de bolsas de trabalho, de extensão, de
tecnológicos, associando-se ao ensino e à extensão. iniciação científica e de estágio;
Art. 53. Cabe à Universidade assegurar o desenvolvi- IV – orientação psicopedagógica e profissional.
mento da pesquisa e da produção acadêmica e consignar
em seu orçamento recursos para esse fim.
CAPÍTULO III
DO CORPO TÉCNICO-ADMINISTRATIVO
CAPÍTULO III
DA EXTENSÃO
Art. 62. O corpo técnico-administrativo da Universi-
dade de Brasília é constituído por servidores integrantes do
Art. 54. A extensão tem como objetivo intensificar rela-
ções transformadoras entre a Universidade e a sociedade, Quadro de Pessoal, que exercem atividades de apoio téc-
por meio de processo educativo, cultural e científico. nico, administrativo e operacional necessárias ao cumpri-
Art. 55. Cabem à Universidade assegurar o desenvol- mento dos objetivos institucionais.
vimento dos programas e projetos de extensão e consignar Art. 63. O ingresso, a nomeação, a posse, o regime
em seu orçamento recursos para esse fim. de trabalho, a promoção, o acesso, a aposentadoria e a

64
dispensa do servidor técnico-administrativo são regidos REGIMENTO GERAL
pela legislação maior em vigor, pelo Regimento Geral, pelo
Plano de Carreira da Universidade e pelas Resoluções do REGIMENTO GERAL DA UNB. APROVADO PELA RESOLU-
Conselho Universitário e do Conselho de Administração. ÇÃO N. 015/2000, DO CONSELHO DIRETOR DA FUB, PUBLI-
CADA NO DOU N. 80-E, DE 25/4/2001 – 3ª EDIÇÃO
TÍTULO V
TÍTULO I
DOS DIPLOMAS, CERTIFICADOS, TÍTULOS E HONRARIAS
PREÂMBULO

Art. 64. Ao aluno regular que concluir curso de gradua- Art. 1º O presente Regimento Geral complementa
ção ou de pós-graduação, com observância das exigências o Estatuto da Universidade de Brasília e regulamenta os
contidas neste Estatuto e no Regimento Geral, a Universi- aspectos de organização e de funcionamento comuns aos
dade confere o grau e expede o correspondente Diploma. vários órgãos e às instâncias deliberativas.
Art. 65. Ao aluno especial que concluir curso de exten- Parágrafo único. As disposições deste Regimento
são, disciplina isolada ou atividade de outra natureza, a Uni- Geral são implementadas e interpretadas à luz das finalida-
versidade expede o correspondente Certificado. des e dos princípios constantes nos artigos do título I e no
Art. 66. A Universidade pode atribuir título de: art. 5º do Estatuto da Universidade.
I – Mérito Universitário, a membro da comunidade que
se tenha distinguido por relevantes serviços prestados à TÍTULO II
Universidade; DA ADMINISTRAÇÃO UNIVERSITÁRIA
II – Professor Emérito, ao docente aposentado na Uni-

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


CAPÍTULO I
versidade de Brasília, que tenha alcançado uma posição
DA ADMINISTRAÇÃO SUPERIOR
eminente em atividades universitárias;
III – Professor Honoris Causa, ao professor ou cientista Art. 2º A Administração Superior da Universidade de
ilustre, não pertencente à Universidade de Brasília, que a Brasília é responsabilidade dos Conselhos Superiores,
esta tenha prestado relevantes serviços; como órgãos normativos, deliberativos e consultivos, e da
IV – Doutor Honoris Causa, à personalidade que se Reitoria, como órgão executivo.
tenha distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das
artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor Seção I
entendimento entre os povos. Dos Conselhos Superiores

TÍTULO VI Art. 3º Os Conselhos Superiores da Universidade de


DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Brasília são:
I – Conselho Universitário (CONSUNI);
Art. 67. Ficam a cargo dos órgãos da Administração II – Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE);
III – Conselho de Administração (CAD);
Superior da Universidade, ressalvados os casos de delega-
IV – Conselho Comunitário.
ção, os pagamentos e recebimentos, bem como a escritura-
Art. 4º O Conselho Universitário é o órgão máximo da
ção de sua despesa.
Universidade e tem como atribuições:
Art. 68. O Reitor, ouvido o Conselho de Administração, I – formular as políticas globais da Universidade;
pode delegar aos Diretores de Unidades Acadêmicas, de II – aprovar a programação anual de trabalho e as
Órgãos Complementares e de Centros, a competência para diretrizes orçamentárias da Universidade, elaboradas pela
a realização de despesas específicas. Administração Superior;
Art. 69. Na elaboração do regimento interno de cada III – avaliar o desempenho institucional;
Unidade Acadêmica, participam os docentes e técnico- IV – aprovar o orçamento interno da Universidade,
-administrativos lotados nesta e os discentes matriculados ouvido o Conselho de Administração;
nos cursos por esta oferecidos. V – aprovar a criação, a modificação e a extinção de
Art. 70. O Colégio Eleitoral Especial a que se refere Departamentos, de Unidades Acadêmicas, de Órgãos Com-
o inciso plementares e de Centros;
I – do art. 16 da Lei n. 5.540, de 28 de novembro de VI – aprovar alterações do Regimento Geral;
VII – aprovar emendas ao Estatuto;
1968, deve consultar a comunidade universitária para sub-
VIII – criar e extinguir cursos de graduação e de pós-
sidiar a sua votação.
graduação stricto sensu, ouvido o Conselho de Ensino, Pes-
Art. 71. Os órgãos deliberativos previstos no inciso III
quisa e Extensão;
do art. 16 da Lei n. 5.540, de 28 de novembro de 1968, para
IX – apreciar os recursos contra Atos do Reitor, nos
a eleição de nomes para Diretor e Vice-Diretor de Unidade casos e na forma definidos nos artigos 60 e 61 deste Regi-
Acadêmica, são os respectivos Conselhos de Instituto ou de mento;
Faculdade, os quais devem consultar as respectivas comu- X – aprovar os Regimentos Internos de Unidades Aca-
nidades para subsidiar sua votação. dêmicas, de Órgãos Complementares e de Centros;

65
XI – apreciar, em grau de recurso, as decisões do Con- XI – representantes dos servidores técnico-administra-
selho de Ensino, Pesquisa e Extensão e do Conselho de tivos, eleitos por seus pares, em número correspondente a
Administração, nos casos e na forma definidos nos artigos 1/10 (um décimo) dos demais membros do Conselho;
60 e 61 deste Regimento; XII – 1 (um) representante dos ex-alunos da Universi-
XII – dirimir dúvidas e conflitos de jurisdição entre o dade de Brasília, escolhido na forma definida pelo Conselho
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão e o Conselho de Universitário. (Regulamentado pela Resolução n.
Administração; 23/2011, de 20/9/2011, do Conselho Universitário da UnB)
XIII – aprovar o Código de Ética; Parágrafo único. Os representantes referidos nos inci-
XIV – criar prêmios destinados a distinguir atividades sos V, VII, VIII, IX, XI, quando docentes ou servidores téc-
universitárias; nico-administrativos, devem ter, pelo menos, 5 (cinco) anos
XV – regulamentar a atribuição de títulos honoríficos; de efetivo exercício na Universidade de Brasília, para serem
XVI – decidir, após inquérito administrativo, sobre inter- inscritos no processo de escolha.
Art. 6º O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
venção em qualquer órgão universitário;
delibera sobre matéria acadêmica, científica, cultural e artís-
XVII – homologar proposta de destituição de Diretor e
tica, sendo a última instância de deliberação para recursos
de Vice-Diretor de Unidade Acadêmica;
nessas áreas, ressalvados os casos previstos nos incisos XI
XVIII – aprovar a abertura de inquérito para apurar res-
e XII do art. 4º.
ponsabilidade do Reitor, do Vice-Reitor ou de ambos;
Art. 7º Compete ao Conselho de Ensino, Pesquisa e
XIX – apreciar veto do Reitor a decisão de Conselho
Extensão regulamentar:
Superior; I – as atividades de ensino, pesquisa e extensão;
XX – constituir Câmaras deliberativas e suas vincu- II – a admissão e a transferência de alunos;
lações, conforme a natureza dos assuntos e obedecido o III – a avaliação do desempenho escolar;
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

princípio de representatividade; IV – a revalidação de diplomas estrangeiros;


XXI – decidir sobre suspensão de atividades universi- V – a concessão de bolsas de natureza acadêmica;
tárias; VI – os cursos de graduação e de pós-graduação;
XXII – definir representações do Conselho Comunitá- VII – o aproveitamento de estudos;
rio, na forma do art. 16; VIII – o ingresso, a avaliação e a progressão na carreira
XXIII – deliberar ou opinar sobre outras matérias de docente;
sua competência; IX – o desligamento e a reintegração de alunos;
XXIV – resolver os casos omissos deste Regimento X – a legislação e as normas superiores de sua com-
Geral. petência.
§1º As decisões referidas nos incisos VI, IX, XI, Art. 8º Competem, ainda, ao Conselho de Ensino, Pes-
XVI – dependem do voto da maioria absoluta dos quisa e Extensão:
membros do Conselho. I – opinar sobre a criação ou a extinção de cursos regu-
§2º As decisões referidas nos incisos VII, XVIII, lares;
XIX – dependem do voto de 3/5 (três quintos) dos II – aprovar os currículos e os regimentos dos cursos de
membros do Conselho. graduação, de mestrado e de doutorado;
§3º As decisões referidas nos incisos II, IV, VI, III – determinar a composição e as atribuições das
VII, X, XVIII dependem também de aprovação poste- Câmaras vinculadas ao Conselho;
rior pelo Conselho Diretor da Fundação Universidade de IV – aprovar o calendário universitário e alterações
Brasília. deste;
Art. 5º Compõem o Conselho Universitário: V – apreciar, em grau de recurso, decisões de instân-
cias inferiores sobre matérias de competência deste Conse-
I – o Reitor, como presidente;
lho, de acordo com o disposto nos artigos 60 e 61;
II – o Vice-Reitor, como vice-presidente;
VI – deliberar ou opinar sobre outras matérias de sua
III – os Decanos;
competência.
IV – os Diretores de Unidades Acadêmicas;
Art. 9º Compõem o Conselho de Ensino, Pesquisa e
V – 5 (cinco) representantes do Conselho de Ensino,
Extensão:
Pesquisa e Extensão, eleitos entre seus membros;
I – o Reitor, como presidente;
VI – 1 (um) representante do Conselho Comunitário, II – o Vice-Reitor, como vice-presidente;
eleito entre seus membros; III – os Decanos de Ensino de Graduação, de Pesquisa
VII – 1 (um) representante dos Órgãos Complementa- e Pós-Graduação e de Extensão;
res, eleito entre seus diretores; IV – 1 (um) representante de cada Conselho de Instituto
VIII – 1 (um) representante dos Centros vinculados à e de Faculdade, eleito entre seus membros;
Reitoria, eleito entre seus diretores; V – 1 (um) representante por Unidade Acadêmica,
IX – 1 (um) representante docente de cada Unidade eleito, pelos docentes nela lotados, entre os coordenadores
Acadêmica, eleito por seus pares; dos cursos de graduação, dos cursos de pós-graduação e
X – representantes discentes, eleitos por seus pares, de extensão;
em número correspondente a 1/5 (um quinto) dos demais VI – 2 (dois) representantes dos Centros vinculados
membros do Conselho, sendo 1/4 (um quarto) desta repre- à Reitoria, afins a atividades de ensino, de pesquisa e de
sentação composta por alunos de pós-graduação; extensão, designados pelo Reitor;

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VII – representantes discentes, eleitos por seus pares, X – representantes dos servidores técnico-administra-
em número correspondente a 1/5 (um quinto) dos demais tivos, eleitos por seus pares, em número correspondente a
membros do Conselho, sendo 1/4 (um quarto) dessa repre- 1/10 (um décimo) dos demais membros do Conselho.
sentação composta por alunos de pós-graduação. §1º O Conselho de Administração delibera em plenário
§1º O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão deli- ou por meio das Câmaras de Administração, de Assuntos
bera em plenário ou por meio das Câmaras de Ensino de Comunitários, de Gestão de Pessoas e de Planejamento
Graduação, de Pesquisa e Pós-Graduação e de Extensão, e Orçamento, presididas pelos respectivos Decanos, ou,
presididas pelos respectivos Decanos, ou, ainda, por outras ainda, por outras Câmaras criadas em conformidade com
Câmaras criadas em conformidade com o art. 4º. o art. 4º. (Redação dada pela Resolução n. 29/2010, de
§2º A composição das Câmaras referidas no §1º deve 7/12/2010, do Conselho Universitário da UnB)
possibilitar a representação de todas as Unidades Acadêmi- §2º A composição das Câmaras, referidas no §1º, é
cas em cada uma destas Câmaras. definida em Resolução do Conselho de Administração e
Art. 10. São atribuições das Câmaras do Conselho de deve possibilitar a representação de todas as Unidades Aca-
Ensino, Pesquisa e Extensão – cada uma em sua competên- dêmicas em cada uma destas Câmaras.
cia – emitir pareceres, analisar propostas e projetos, regu- Art. 14. O Conselho Comunitário é um órgão consul-
lamentar normas do Conselho e apreciar recursos de deci- tivo da Administração Superior da Universidade de Brasí-
sões dos Conselhos de Institutos e de Faculdades, quando lia, devendo se reunir uma vez ao ano, ordinariamente, ou
atenderem aos critérios de admissibilidade. quando convocado pelo Reitor ou por requerimento da maio-
Art. 11. O Conselho de Administração delibera sobre ria dos membros do Conselho Universitário ou, ainda, nos
a matéria administrativa, econômica, financeira, de plane- termos do art. 48 deste Regimento.
jamento e orçamento, de gestão de pessoas e sobre rela- Art. 15. São funções do Conselho Comunitário opinar
ções sociais, de trabalho e de vivência, em conformidade sobre estudos, projetos, planos e relatórios da Universidade

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


com a programação anual de trabalho e com as diretrizes e recomendar ações e medidas à Administração Superior.
orçamentárias. (Redação dada pela Resolução n. 29/2010,
Art. 16. Compõem o Conselho Comunitário:
de 7/12/2010, do Conselho Universitário da UnB)
I – o Reitor, como presidente;
Art. 12. Competem ao Conselho de Administração:
II – o Vice-Reitor, como vice-presidente;
I – emitir pareceres e fixar normas em matérias de sua
III – representação de entidades de trabalhadores;
competência;
IV – representação de entidades empresariais;
II – aprovar o Plano de Desenvolvimento Institucio-
V – representação do Governo do Distrito Federal;
nal (PDI); (Acrescentado pela Resolução n. 29/2010, de
VI – representação da Câmara Distrital;
7/12/2010, do Conselho Universitário da UnB)
VII – representação de organizações governamentais
III – aprovar o orçamento interno da Universidade;
e não governamentais ligadas ao ensino, à pesquisa e à
IV – opinar sobre a aceitação de legados, de donativos
extensão;
e de heranças;
VIII – representação dos ex-alunos da Universidade de
V – decidir sobre propostas, indicações ou representa-
Brasília;
ções em assunto de sua competência;
IX – representação dos aposentados da Universidade
VI – regulamentar serviços e programas comunitários;
VII – regulamentar a moradia estudantil e os imóveis de Brasília.
destinados à ocupação por servidores; Parágrafo único. As representações previstas nos inci-
VIII – opinar a respeito de projetos relativos à utilização sos III a IX são definidas pelo Conselho Universitário, a cada
de prédios, de instalações da Universidade e de áreas do dois anos.
Campus;
IX – deliberar ou opinar sobre outras matérias de sua Seção II
competência. Da Reitoria
Art. 13. Compõem o Conselho de Administração:
I – o Reitor, como presidente; Art. 17. Compõem a Reitoria:
II – o Vice-Reitor, como vice-presidente; I – o Gabinete do Reitor;
III – os Decanos de Administração e de Assuntos II – os Decanatos;
Comunitários; III – a Procuradoria Jurídica;
IV – o Prefeito do Campus; IV – a Auditoria;
V – os Diretores de Unidades Acadêmicas; V – a Ouvidoria; (Redação dada pela Resolução n.
VI – 1 (um) representante de cada Conselho de Instituto 7/2011, de 24/5/2011, do Conselho Universitário da UnB)
e de Faculdade, eleito entre seus membros; VI – as Assessorias;
VII – 1 (um) representante dos Centros vinculados à VII – o Serviço de Apoio aos Colegiados Superiores;
Reitoria, designado pelo Reitor; VIII – a Prefeitura do Campus.
VIII – 1 (um) representante dos Órgãos Complementa- Art. 18. Ao Reitor competem, além de outras funções
res, designado pelo Reitor; decorrentes de sua condição:
IX – representantes discentes, eleitos por seus pares, I – representar a Universidade;
em número correspondente a 1/10 (um décimo) dos demais II – coordenar e superintender as atividades universi-
membros do Conselho, sendo 1/4 (um quarto) desta repre- tárias;
sentação composta por alunos de pós-graduação; III – administrar as finanças da Universidade;

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IV – admitir, distribuir, licenciar e dispensar o pessoal Art. 21. Competem aos Decanos, além de outras fun-
docente e o técnico-administrativo, na forma da lei e das ções decorrentes de sua condição:
normas pertinentes; I – superintender, coordenar e fiscalizar as atividades
V – requisitar pessoal de outros órgãos, na forma da lei; universitárias em suas áreas respectivas, dentro das atribui-
VI – exercer o poder disciplinar; ções que lhes sejam delegadas;
VII – outorgar graus e assinar diplomas; II – convocar e presidir as reuniões da Câmara corres-
VIII – firmar contratos e convênios; pondente;
IX – reformar, de ofício, a deliberação ou o ato de órgão III – cumprir as decisões da Câmara, baixando os Atos
não colegiado; necessários;
X – delegar atribuições, especialmente ao Vice-Reitor IV – cumprir e fazer cumprir, em toda a Universidade,
e aos Decanos; as disposições do Estatuto, deste Regimento Geral e das
XI – propor a destituição de Diretor e, no caso de inter- demais normas pertinentes;
venção em Instituto ou em Faculdade, designar o Diretor V – cumprir e fazer cumprir as deliberações dos cole-
interino; giados superiores e as instruções ou determinações do
XII – apresentar os projetos, as propostas, os relató- Reitor relacionadas com suas áreas de atuação;
rios e as prestações de contas da Universidade ao Conselho VI – adotar, em casos de urgência, medidas de com-
Diretor da Fundação, quando couber; petência da Câmara que presida, submetendo seus atos à
XIII – praticar atos, em circunstâncias especiais, ad ratificação desta, na reunião seguinte;
referendum dos órgãos competentes; VII – apresentar ao Reitor relatório circunstanciado das
XIV – baixar Resoluções decorrentes de decisões dos atividades do ano anterior, relacionadas com suas áreas
Conselhos Superiores assim como praticar atos próprios do específicas, durante o primeiro trimestre do ano seguinte.
exercício de seu cargo;
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Art. 22. A Prefeitura do Campus tem suas atribuições


XV – instituir comissões para estudar problemas espe- definidas em Regimento próprio.
cíficos;
XVI – designar o Prefeito do Campus e o Chefe do
CAPÍTULO II
Gabinete, o da Procuradoria Jurídica, o da Auditoria e o da
DAS UNIDADES ACADÊMICAS
Ouvidoria, bem como os Assessores;
XVII – apor veto às deliberações dos Conselhos Supe-
Art. 23. As Unidades Acadêmicas são os Institutos e as
riores, justificando-o, no prazo de 15 (quinze) dias úteis,
Faculdades, que têm como atribuições:
ao Conselho Universitário, o qual pode revogar o veto pela
I – coordenar e avaliar as atividades de ensino, pes-
maioria qualificada de 3/5 (três quintos) dos seus membros.
quisa e extensão nas respectivas áreas;
§1º Nas faltas e nos impedimentos do Reitor, a
II – decidir sobre a organização interna, respeitado o
Reitoria é exercida pelo Vice-Reitor.
disposto no Estatuto e neste Regimento Geral;
§2º Nas faltas e nos impedimentos do Reitor e do Vice-
III – planejar e administrar os recursos humanos, orça-
-Reitor, a Reitoria é exercida pelo Decano mais antigo no
mentários, financeiros e materiais sob sua responsabilidade.
exercício de atividades acadêmicas na Universidade de Bra-
§1º As Unidades Acadêmicas são organizadas na
sília.
forma definida nos seus Regimentos Internos, que, uma vez
§3º O Reitor tem prazo máximo de 60 (sessenta)dias, a
partir da data de decisão de Conselho Superior, para apor o aprovados, constituem anexos deste Regimento Geral.
veto referido no inciso XVII. §2º As Unidades Acadêmicas organizam-se por áreas
Art. 19. Compete ao Vice-Reitor exercer as atribuições amplas de conhecimento em que há tradição consolidada
definidas nos Atos de delegação baixados pelo Reitor. na Universidade, de reconhecidas relevância e qualidade no
Parágrafo único. Nas faltas e nos impedimentos do ensino de graduação e de pós-graduação e em pesquisa e
Reitor, compete ao Vice-Reitor substituí-lo. extensão.
Art. 20. A supervisão e a coordenação cometidas ao §3º Unidade Acadêmica é criada ou extinta por pro-
Reitor são distribuídas pelos seguintes Decanatos, confia- cesso de emenda ao Estatuto.
das aos respectivos Decanos: Art. 24. As Unidades Acadêmicas têm o Conselho de
I – de Ensino de Graduação; Instituto ou de Faculdade como órgão máximo deliberativo
II – de Pesquisa e Pós-Graduação; e de recurso, em matéria administrativa e acadêmica, e a
III – de Extensão; Direção, como órgão executivo.
IV – de Administração;
V – de Assuntos Comunitários; Seção I
VI – de Gestão de Pessoas; (Acrescentado pela Reso- Do Conselho da Unidade
lução n. 29/2010, de 7/12/2010, do Conselho Universitário
da UnB) Art. 25. São atribuições do Conselho de Instituto ou de
VII – de Planejamento e Orçamento. (Acrescentado Faculdade:
pela Resolução n. 29/2010, de 7/12/2010, do Conselho Uni- I – conduzir o processo interno de escolha de nomes
versitário da UnB) para Diretor e para Vice-Diretor da Unidade;
Parágrafo único. Os Decanos são designados pelo II – propor o Regimento Interno da Unidade e suas
Reitor, com a aprovação do Conselho Universitário. modificações;

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III – regulamentar, no âmbito da Unidade, as normas V – cumprir e fazer cumprir as deliberações do Conse-
baixadas por instâncias superiores; lho da Unidade, bem como os atos e as decisões de órgãos
IV – decidir sobre alocação interna de recursos orça- e de autoridades a que se subordinam;
mentários; VI – administrar o pessoal lotado na Unidade de acordo
V – apreciar recurso de decisão do Diretor; com as normas pertinentes;
VI – apreciar, em grau de recurso, as decisões de cole- VII – elaborar relatório anual de atividades, durante o
giados menores da Unidade; primeiro trimestre do ano seguinte.
VII – propor a atribuição de honrarias universitárias; Art. 29. Compete ao Vice-Diretor exercer as atribuições
VIII – propor o afastamento ou a destituição do Diretor definidas no Regimento Interno da Unidade e nos Atos de
da Unidade, na forma da lei e deste Regimento Geral; delegação baixados pelo Diretor.
IX – deliberar a respeito da utilização de equipamentos Art. 30. O Regimento Interno de cada Unidade Acadê-
e de instalações sob a guarda da Unidade; mica deve definir um ou mais Colegiados de Curso respon-
X – estabelecer normas e critérios de gestão de pes- sáveis pela coordenação didático-científica dos cursos ofe-
soal lotado na Unidade; recidos pela Unidade.
XI – aprovar projetos de cursos e programas de ensino, §1º Pelo menos 50% (cinquenta por cento) dos mem-
pesquisa e extensão; bros do colegiado devem ser compostos de docentes vincu-
XII – apreciar proposta de Departamento sobre destitui- lados à Unidade Acadêmica responsável pelo curso.
ção do seu Chefe; §2º Do colegiado também fazem parte o seu coordena-
XIII – opinar ou deliberar sobre outros assuntos de sua dor, os representantes de outras unidades participantes do
alçada. curso e os representantes discentes, cujo número não deve
Art. 26. O Conselho de Instituto ou de Faculdade tem a exceder a 1/5 (um quinto) do total dos membros docentes,
na forma do Regimento Interno da Unidade Acadêmica.

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


seguinte composição:
I – o Diretor, como presidente; §3º Os representantes de outras Unidades não são
contados para o estabelecimento do quorum mínimo para
II – o Vice-Diretor, como vice-presidente;
deliberação.
III – os Chefes de Departamento da Unidade;
Art. 31. São atribuições do Colegiado de Curso:
IV – 1 (um) representante docente de cada Departa-
I – propor, ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Exten-
mento, eleito em reunião do Colegiado;
são, o currículo do curso, bem como modificações neste;
V – representantes dos discentes matriculados nos
II – propor, ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Exten-
cursos ministrados pela Unidade;
são, a criação ou a extinção de disciplinas do curso, bem
VI – representantes dos servidores técnico-administra-
como alterações do fluxo curricular;
tivos lotados na Unidade;
III – aprovar os programas das disciplinas, bem como
VII – outros representantes.
modificações nestes;
§1º Os representantes definidos nos incisos III e
IV – aprovar a lista de oferta de disciplinas para cada
IV – excluem-se da composição do Conselho, caso a
período letivo;
Unidade não possua Departamento(s).
V – zelar pela qualidade do ensino do curso e coorde-
§2º Os representantes referidos nos incisos
nar a avaliação interna dele;
V – a VII são escolhidos de acordo com os procedimen-
VI – decidir ou opinar sobre outras matérias pertinentes
tos estabelecidos no Regimento Interno da Unidade. ao curso.
Seção II – Da Direção
Art. 27. Os Diretores e os Vice-Diretores das Unidades Seção III
Acadêmicas são escolhidos na forma da lei. Dos Departamentos
§1º Nas faltas ou nos impedimentos do Diretor, a Dire-
ção é exercida pelo Vice-Diretor. Art. 32. Os Departamentos, organizados por área de
§2º Nas faltas ou nos impedimentos do Diretor e do conhecimento, são vinculados às Unidades Acadêmicas e
Vice-Diretor, a Direção é exercida pelo membro do Conse- têm, como atribuição principal, a coordenação e a execução
lho de Instituto ou de Faculdade mais antigo no exercício do de atividades de ensino, pesquisa e extensão, no âmbito de
magistério na Universidade de Brasília. sua competência.
Art. 28. Compete ao Diretor exercer as seguintes atri- Parágrafo único. Os Departamentos de cada Unidade
buições, além daquelas previstas no Regimento Interno da Acadêmica devem ser elencados no seu Regimento Interno.
Unidade: Art. 33. O Departamento tem, como instância delibe-
I – representar, superintender, coordenar e fiscalizar o rativa sobre políticas, estratégias e rotinas acadêmicas e
funcionamento da Unidade; administrativas, o Colegiado e, como instância executiva, a
II – convocar e presidir as reuniões do respectivo Con- Chefia.
selho; §1º Nas faltas ou nos impedimentos do Chefe, a Chefia
III – promover a articulação das atividades dos órgãos é exercida pelo Subchefe.
integrantes da Unidade; §2º Nas faltas ou nos impedimentos do Chefe e do Sub-
IV – cumprir e fazer cumprir as disposições do Estatuto, chefe, a Chefia do Departamento é exercida pelo docente,
deste Regimento Geral, do Regimento Interno da Unidade desse Departamento, mais antigo no exercício do magistério
e, no que couber, dos demais Regimentos da Universidade; na Universidade de Brasília.

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Art. 34. Competem ao Colegiado do Departamento: CAPÍTULO III
I – elaborar os planos de trabalho do Departamento; DOS ÓRGÃOS COMPLEMENTARES
II – atribuir encargos de ensino, pesquisa e extensão
ao pessoal docente que o integra; Art. 38. Competem aos Órgãos Complementares as
III – coordenar o trabalho do pessoal docente, visando atividades de caráter permanente de apoio, necessárias
à unidade e à eficiência do ensino, da pesquisa e da exten- ao desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão,
são; estabelecidas nos seus Regimentos Internos.
IV – adotar ou sugerir as providências de ordem §1º Órgão Complementar é criado e extinto por pro-
didática, científica e administrativa aconselháveis ao bom cesso de emenda ao Estatuto.
desenvolvimento dos trabalhos; §2º O Regimento Interno de cada órgão é aprovado
pelo Conselho Universitário.
V – aprovar os projetos de pesquisa e os planos dos
Art. 39. Os Órgãos Complementares são geridos por
cursos de especialização, de aperfeiçoamento e de exten-
seus Diretores, que respondem administrativamente por
são situados no seu âmbito de atuação;
estes órgãos, e têm conselhos deliberativos e/ou consulti-
VI – adotar providências para o aperfeiçoamento do
vos, na forma definida em seus Regimentos.
seu pessoal docente;
Parágrafo único. Os Diretores de Órgãos Complemen-
VII – propor, pelo voto de 2/3 (dois terços) de seus tares são designados pelo Reitor, com aprovação do Conse-
membros, o afastamento ou a destituição do respectivo lho Universitário.
Chefe; Art. 40. Competem ao Diretor de Órgão Complementar:
VIII – decidir ou opinar sobre outras matérias de sua I – administrar e representar o Órgão;
alçada. II – convocar e presidir o Colegiado maior do Órgão;
Art. 35. Compõem o Colegiado do Departamento os
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III – zelar pela ordem e pela eficiência dos trabalhos;


docentes em exercício, a representação discente e a repre- IV – articular-se com as Unidades Acadêmicas cujas
sentação técnico-administrativa, na forma do Regimento atividades sejam suplementadas pelo Órgão;
Interno da Unidade Acadêmica. V – exercer atividades de fiscalização no ambiente do
Parágrafo único. A representação discente e a repre- Órgão;
sentação técnico-administrativa não podem exceder a 1/5 VI – cumprir e fazer cumprir o Regimento do Órgão e as
(um quinto), cada uma, do total de membros docentes do disposições estatutárias e regimentais aplicáveis;
Colegiado. VII – cumprir e fazer cumprir as Instruções e as determi-
Art. 36. O processo de eleição de Chefe e Subchefe nações do Reitor e dos Conselhos Superiores;
de Departamento é definido previamente pelo Colegiado de VIII – apresentar ao Reitor relatório anual das ativida-
des do Órgão;
Departamento, assegurada a participação de docentes, de
IX – assumir outras responsabilidades previstas no
discentes e de servidores técnico-administrativos.
Regimento Interno do Órgão.
Art. 37. Competem ao Chefe do Departamento:
I – administrar e representar o Departamento;
CAPÍTULO IV
II – convocar e presidir as reuniões do Departamento;
DOS CENTROS
III – submeter, na época devida, à consideração do
Departamento, conforme instrução dos órgãos superiores, Art. 41. Competem aos Centros as atividades de cará-
o plano das atividades a serem desenvolvidas em cada ter cultural, artístico, científico, tecnológico e de prestação
período letivo; de serviços à comunidade, com finalidades específicas ou
IV – fiscalizar a observância do regime acadêmico, o multidisciplinares.
cumprimento dos programas de ensino e a execução dos Art. 42. Os Centros são vinculados à Reitoria quando
demais planos de trabalho; desenvolvem atividades de natureza geral ou multidiscipli-
V – verificar a frequência do pessoal lotado no Depar- nar; e às Unidades Acadêmicas quando têm funções de
tamento, comunicando-a ao Diretor da Unidade Acadêmica; ensino, pesquisa ou extensão nas áreas de atuação especí-
VI – supervisionar, no plano administrativo, os cursos ficas destas unidades.
de especialização, de aperfeiçoamento e de extensão, bem Art. 43. O Centro vinculado à Reitoria é criado e extinto
como os projetos de pesquisa, realizados no âmbito do em Resolução do Conselho Universitário.
Departamento; Art. 44. O Centro vinculado à Unidade Acadêmica
VII – zelar pela ordem no ambiente do Departamento e tem a finalidade e a estrutura especificadas no Regimento
pelo patrimônio deste; Interno desta.
Art. 45. Os Centros vinculados à Reitoria são geridos
VIII – cumprir e fazer cumprir as deliberações do
por seus Diretores, que respondem administrativamente
Departamento, bem como os Atos e as decisões dos órgãos
pelos Centros, e têm conselhos deliberativos e/ou consulti-
a que se subordina;
vos, definidos nos seus Regimentos Internos.
IX – administrar o pessoal técnico-administrativo do
Art. 46. Os Diretores dos Centros vinculados à Reitoria
Departamento; são designados pelo Reitor, com aprovação do Conselho de
X – elaborar relatório anual de atividades, durante o Ensino, Pesquisa e Extensão ou do Conselho de Administra-
primeiro trimestre do ano seguinte. ção, conforme a natureza de suas atividades.

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Art. 47. Aplicam-se, aos Diretores dos Centros vincula- Parágrafo único. Para deliberação, prevalece a meto-
dos à Reitoria, as responsabilidades atribuídas aos Direto- dologia de apreciação de pareceres elaborados por mem-
res de Órgãos Complementares, conforme art. 40. bros do colegiado, com prazos, estipulados pelos próprios
colegiados, para análise e decisão.
CAPÍTULO V Art. 54. Admite-se solicitação de vista de processo em
DISPOSIÇÕES COMUNS pauta, por parte de membro de colegiado, antes da delibe-
ração formal, com o objetivo de apresentar parecer adicional
Seção I fundamentado.
Do Funcionamento dos Órgãos Colegiados §1º A solicitação de vista não pode ter objetivo mera-
mente protelatório.
Art. 48. A convocação de colegiado deliberativo é feita §2º Se a solicitação de vista for contestada por algum
pelo seu presidente, por escrito, com antecedência mínima membro, o plenário vota, como preliminar, a concessão de
de 48 (quarenta e oito) horas, ou, excepcionalmente, por 2/3 vista.
(dois terços) dos seus membros, com indicação da pauta de Art. 55. Os Órgãos colegiados, por proposta de um ou
assuntos a ser considerada na reunião. mais de seus membros, podem avocar para si matéria de
§1º A antecedência de 48 (quarenta e oito) horas pode sua competência que esteja tramitando em instâncias infe-
ser abreviada e a convocação escrita pode ser dispensada riores, quando entenderem que estejam ameaçados direitos
quando ocorrerem motivos excepcionais. individuais, preceitos legais ou princípios de gestão univer-
§2º Em situações de urgência ou de excepcionali- sitária.
dade, o dirigente pode tomar decisões de competência do Art. 56. As deliberações dos colegiados tomam-se por
colegiado que preside, ad referendum deste, submetendo maioria simples de votos dos membros presentes, a partir

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sua decisão à apreciação do colegiado, em reunião subse- do mínimo fixado no art. 49, respeitados os casos em que
quente. expressamente se exigir maior número de votos.
Art. 49. Os colegiados deliberam com presença da §1º A votação é simbólica, nominal ou secreta, ado-
maioria dos seus membros, exceto nos casos explicitados tando-se a primeira forma sempre que uma das duas outras
neste Regimento Geral. não seja requerida por um ou mais membros do colegiado,
§1º Excluem-se da contagem, para o estabelecimento nem esteja expressamente prevista.
do quorum mínimo nas reuniões dos colegiados, os casos §2º Cada membro de colegiado tem direito apenas a 1
em que o membro titular e seu substituto ou suplente, (um) voto nas deliberações, mesmo que pertença a este sob
quando houver, encontrarem-se afastados, licenciados ou dupla condição.
em gozo de férias. §3º O Presidente de colegiado deliberativo tem também
§2º O quorum mínimo, quando consideradas as exclu- o voto de qualidade.
sões previstas no §1º, não pode ser menor que 1/3 (um Art. 57. De cada reunião de colegiado deliberativo,
terço) da composição plena do colegiado. lavra-se ata assinada pelo Secretário, que é lida na reunião
Art. 50. Está aberta, a pessoas e a entidades, a parti- seguinte, e, após aprovação e subscrição pelo Presidente, é
cipação, com direito ao uso da palavra, em reuniões de ins- distribuída a todos os membros.
tâncias colegiadas, a critério destas. Art. 58. Além de aprovações, autorizações, homologa-
Art. 51. É obrigatório o comparecimento dos mem- ções e outras decisões, as deliberações dos órgãos cole-
bros às reuniões dos colegiados deliberativos de que façam giados podem, conforme sua natureza, tomar forma de Atos
parte, tendo, esta atividade, prioridade sobre outras de natu- ou Resoluções baixados pelos seus presidentes e eventual-
reza acadêmica ou administrativa. mente podem ser sujeitos a prazos.
§1º A ausência, sem justificativa aceita pelo Presidente
do Órgão, do membro de colegiado deliberativo em 3 (três) Seção II
reuniões consecutivas ou em 6 (seis) alternadas, importa a Do Recurso
perda da investidura, à exceção dos cargos efetivos e dos
mandatos previstos em lei. Art. 59. Das decisões adotadas nos vários níveis da
§2º Da decisão do Presidente do Órgão sobre acei- administração universitária, cabe pedido de reconsideração
tação de justificativa de falta, cabe recurso ao colegiado, para o próprio órgão ou recurso para o órgão imediatamente
sendo a decisão deste irrecorrível. superior.
§3º Falta contumaz às reuniões de colegiados por Art. 60. Os recursos devem obedecer à seguinte ordem:
membros natos é passível de sanção disciplinar. I – de decisão do Chefe de Departamento ao Colegiado
Art. 52. Na falta ou no impedimento do Presidente de deste;
colegiado deliberativo, a presidência é exercida pelo seu II – de decisão do Diretor de Unidade Acadêmica ao
substituto legal, quando houver, e, na falta ou no impedi- Conselho da Unidade;
mento deste, pelo docente mais antigo na Universidade de III – de decisão do órgão subordinado a Decanato ao
Brasília, entre os membros do colegiado. respectivo Decano;
Art. 53. A pauta da reunião do colegiado pode ser alte- IV – de decisão do Diretor de Órgão Complementar, do
rada no decorrer da reunião, com anuência deste. Diretor de Centro e do Decano ao Reitor;

71
V – de decisão do Reitor, em conformidade com a §1º Para o cumprimento deste artigo, o exercício de um
matéria versada, ao Conselho Universitário da Universidade cargo ou função eletivos por mais da metade do mandato,
de Brasília ou ao Conselho Diretor da Fundação Universi- ainda que interinamente, é contado como mandato pleno.
dade de Brasília; §2º A inelegibilidade nos termos deste artigo estende-
VI – de decisão do Colegiado de Departamento e de -se por período igual ao da metade do mandato.
outros, constituídos no âmbito de Unidade Acadêmica, ao §3º Os mandatos previstos em lei são sujeitos, no que
Conselho da Unidade; couber, ao presente Regimento Geral.
VII – de decisão do Conselho de Unidade, em conformi- §4º Nos casos de Chefia de Departamento e Direção
dade com a matéria versada, ao Conselho de Administração de Unidade Acadêmica, são eleitores e elegíveis, entre os
ou ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão; docentes, aqueles pertencentes ao Quadro de Pessoal Per-
VIII – de decisão da Câmara do Conselho de Adminis- manente da Universidade;
tração ou do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão ao §5º Em procedimentos de escolha de dirigentes ou de
correspondente Conselho pleno;
representantes discentes ou técnico-administrativos, são
IX – de decisão do Conselho de Administração e do
eleitores os alunos regulares e os servidores técnicoadmi-
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão ao Conselho
nistrativos do Quadro de Pessoal Permanente da Universi-
Universitário.
dade, respectivamente.
§1º O pedido de reconsideração é admissível apenas
Art. 64. Os representantes em Órgãos Colegiados têm
quando fundamentado, apresentando dados novos à consi-
suplentes, escolhidos pelo mesmo procedimento de escolha
deração do dirigente ou do órgão.
§2º O recurso à instância superior é admissível apenas dos titulares.
quando fundamentado, apontando vício de forma ou levan- Art. 65. É obrigação dos dirigentes, nos diversos níveis,
tando questão de interpretação das normas ou da legislação promover os processos sucessórios de sua alçada.
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

pertinente ao caso. §1º Todo processo sucessório deve estar concluído em


§3º Os critérios específicos de admissibilidade de recur- 30 (trinta) dias, ao menos, antes do término do mandato em
sos aos Conselhos de Administração e de Ensino, Pesquisa curso.
e Extensão e ao Conselho Universitário são estabelecidos §2º Constitui descumprimento das obrigações do cargo
em Resoluções destes órgãos. ou da função de dirigente, passível de sanção, não pro-
§4º Não cabe recurso de ato do Reitor que lhe seja mover o processo sucessório no prazo estipulado no §1º,
privativo por força de lei, do Estatuto ou deste Regimento exceto quando comprovado motivo de força maior.
Geral, exceto por vício de forma. Art. 66. As eleições cumprem a regulamentação espe-
Art. 61. Os pedidos de reconsideração e os recursos cífica para cada caso, garantindo-se a publicidade, a trans-
a órgãos internos podem ser interpostos dentro do prazo parência do processo de escolha, o quorum mínimo e o
improrrogável de 10 (dez) dias úteis a partir da comunicação direito de recurso fundamentado em comprovação de vício
da decisão, não tendo efeito suspensivo, a não ser que da de forma.
imediata execução do ato ou da deliberação possa resultar Parágrafo único. Havendo empate, tem-se por eleito o
lesão irreparável de direitos. mais antigo na Universidade de Brasília, e, entre os de igual
§1º O dirigente do órgão, perante o qual for interposto o antiguidade, o de maior idade.
recurso, decide se o recebe com efeito suspensivo. Art. 67. São inacumuláveis mandatos de cargos e fun-
§2º O dirigente do órgão perante o qual se interpuser o ções de chefia e de direção, exceto em casos de substitui-
recurso pode determinar o arquivamento deste quando este ção ou de exercício interino.
não satisfizer os critérios de admissibilidade pertinentes, jus- Art. 68. A perda de mandato eletivo pode ocorrer, além
tificando sua decisão por escrito. dos casos previstos em lei:
Art. 62. Os serviços dos colegiados deliberativos são
I – por renúncia;
realizados:
II – por acúmulo de cargos e/ou funções de chefia ou
I – para os plenos do Conselho de Administração e
direção;
do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, assim como
III – por faltas excessivas a reuniões deliberativas, de
para o Conselho Universitário, pela Secretaria dos Órgãos
acordo com o previsto no art. 51;
Colegiados, vinculada ao Gabinete do Reitor;
IV – em razão de condenação em processo disciplinar
II – para os demais colegiados, incluindo as Câmaras
do Conselho de Administração e do Conselho de Ensino, administrativo;
Pesquisa e Extensão, pelas Secretarias dos Órgãos Exe- V – por impedimento;
cutivos, cujos titulares exerçam a presidência de cada cole- VI – nos casos previstos no Código de Ética.
giado. Parágrafo único. Aquele que perde o mandato nos
termos dos incisos III, IV, V e VI é inelegível, na Universi-
Seção III dade, por período igual ao do mandato interrompido.
Do Mandato Eletivo Art. 69. Configura impedimento quando o colegiado
maior do órgão administrado ou representado propuser,
Art. 63. Os representantes eleitos e os ocupantes de por maioria qualificada de 2/3 (dois terços), a destituição do
cargos e funções sujeitos ao princípio eletivo têm mandato detentor do mandato e quando esta proposta for homolo-
de 2 (dois) anos, permitida uma única recondução, à exce- gada pelo colegiado maior do órgão imediatamente superior,
ção dos casos previstos em lei. ressalvados os casos previstos em lei.

72
Parágrafo único. É garantido ao detentor do mandato Parágrafo único. Os currículos plenos dos cursos regu-
defesa escrita e oral nas instâncias em que o impedimento lamentados em lei não podem exceder a carga horária legal
for apreciado. mínima em mais de 10% (dez por cento).
Art. 77. A coordenação geral do ensino na Universi-
TÍTULO III dade cabe, no plano executivo, aos Decanatos de Ensino de
DO REGIME DIDÁTICO-CIENTÍFICO Graduação, de Pesquisa e Pós-Graduação ou de Extensão,
conforme o caso, e, no plano deliberativo, ao Conselho de
Art. 70. A Universidade de Brasília organiza e desen- Ensino, Pesquisa e Extensão, diretamente ou pelas Câma-
volve suas atividades didático-científicas de acordo com os ras a este vinculadas.
seguintes princípios: Art. 78. A coordenação didático-científica de cada
I – liberdade de pensamento e de expressão, sem dis- curso regular fica a cargo do respectivo Colegiado de Curso,
criminação de qualquer natureza; na forma do art. 31 do Estatuto e do art. 30 deste Regimento
II – indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a Geral.
extensão; Art. 79. Os cursos podem ser mantidos exclusivamente
III – universalidade do conhecimento e fomento à inter- pela Universidade ou resultar da associação desta com
disciplinaridade; outras instituições, devendo a coordenação, neste último
IV – avaliação e aprimoramento constante da quali- caso, sofrer os ajustamentos necessários, conforme o plano
dade; específico de cada curso.
V – orientação humanística da formação do aluno; Art. 80. O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
VI – compromisso com o desenvolvimento do País e a estabelece o calendário do ano letivo da Universidade.
busca de soluções democráticas para os problemas nacio- Art. 81. As atividades acadêmicas desenvolvidas no
nais; ano letivo ocupam, no mínimo, 180 (cento e oitenta) dias de

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


VII – compromisso com a paz, com a defesa dos Direi- trabalho escolar efetivo.
tos Humanos e com a preservação do meio ambiente.
Art. 82. Há, no ano, 2 (dois) períodos letivos regulares
de atividades, podendo haver um período especial.
CAPÍTULO I
Art. 83. Os cursos têm alunos regulares e alunos espe-
DO ENSINO
ciais.
§1º O aluno regular é aquele matriculado em curso
Art. 71. O ensino na Universidade de Brasília é minis-
de graduação e de pós-graduação nos termos do Estatuto,
trado em cursos de:
nos deste Regimento Geral e nos termos das normas bai-
I – Graduação;
xadas pelo Conselho Universitário e o de Ensino, Pesquisa
II – Pós-Graduação;
e Extensão.
III – Extensão.
§2º O aluno especial é aquele inscrito em cursos de
Art. 72. Na organização dos currículos de seus cursos,
extensão, em disciplinas isoladas ou em atividades congê-
a Universidade de Brasília não está adstrita às exigências
neres, nos termos das normas específicas aprovadas pelo
gerais da legislação do ensino superior, ressalvado o dis-
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, diretamente, ou
posto no parágrafo único do art. 14 e no art. 15 da Lei n.
3.998, de 15 de dezembro de 1961. pelas Câmaras a este vinculadas.
Art. 73. As matérias dos currículos dos cursos regula-
res são ministradas na forma de disciplinas ofertadas nos Seção I
períodos letivos previstos no calendário acadêmico, estabe- Dos Cursos de Graduação
lecido pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.
Parágrafo único. Entende-se por disciplina o conjunto Art. 84. Os cursos de graduação têm como objetivo a
de estudos e de atividades correspondentes a um programa formação de profissionais qualificados para o exercício de
de ensino, com um mínimo prefixado de horas. atividades que demandem estudos superiores.
Art. 74. O programa de cada disciplina, sob a forma de Art. 85. Os cursos de graduação devem oferecer base
plano de ensino, é elaborado pelo respectivo departamento, ampla à formação do aluno, abrangendo matérias de áreas
com aprovação do Colegiado do Curso. fundamentais e conexas que contribuam para os conteúdos
Parágrafo único. Cada programa é encabeçado por específicos dos cursos, possibilitando o acesso aos conhe-
uma ementa dos temas nele incluídos. cimentos de áreas correlatas.
Art. 75. O controle da integralização curricular é feito Art. 86. Atividades de extensão e de iniciação à pes-
pelo sistema de créditos, correspondendo 1 (um) crédito a quisa, adequadas às áreas específicas de conhecimento e à
15 (quinze) horas-aula. natureza dos temas abordados, integram-se aos programas
Parágrafo único. A hora-crédito corresponde a 55 (cin- de ensino.
quenta e cinco) minutos, no mínimo, para atividades de Art. 87. Os cursos regulares de graduação são abertos
ensino diurnas, e a 50 (cinquenta) minutos, para atividades à admissão, nos limites preestabelecidos de vagas, em con-
de ensino noturnas, em trabalho efetivo sob coordenação formidade com o disposto nas resoluções do Conselho Uni-
docente. versitário e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão,
Art. 76. Os cursos regulares têm seus currículos, bem nos seguintes casos:
como suas alterações, aprovados pelo Conselho de Ensino, I – candidatos admitidos por meio de concurso de sele-
Pesquisa e Extensão. ção;

73
II – portadores de diploma de curso superior; Seção II
III – transferências obrigatórias, disciplinadas em norma Dos Cursos de Pós-Graduação
própria;
IV – transferências facultativas, disciplinadas em norma Art. 95. Os cursos de pós-graduação, constituídos por
própria; ciclos de atividades regulares que visam a aprofundar os
V – bolsistas beneficiados por acordos culturais entre o conhecimentos adquiridos na graduação e desenvolver a
Brasil e outros países; capacidade criadora, são os de especialização ou de aper-
VI – alunos de outras instituições, nas condições esta- feiçoamento (pós-graduação lato sensu) e os de mestrado
belecidas em convênios com a Universidade de Brasília; ou de doutorado (pós-graduação stricto sensu).
VII – matrículas autorizadas nas condições de recipro- Art. 96. Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
cidade diplomática, previstas em lei ou em acordos interna- cabe regulamentar a criação e a organização de cursos de
cionais de que seja signatário o Brasil.
pós-graduação lato sensu.
Art. 88. Os cursos regulares de graduação são estrutu-
Art. 97. Os cursos de pós-graduação stricto sensu
rados para dar sequência e complementaridade adequadas
caracterizamse pela integração plena de ensino, criação
às matérias dos currículos e flexibilidade à integralização
intelectual e flexibilidade na composição do programa de
curricular, na forma definida pelo Conselho de Ensino, Pes-
estudos do aluno.
quisa e Extensão.
Art. 98. O curso de mestrado objetiva formar docentes,
Art. 89. O aluno de curso regular de graduação compõe
pesquisadores e/ou profissionais especializados, capazes
o seu programa de estudos com disciplinas do Módulo Inte-
grante e do Módulo Livre. de atuar em atividades de pesquisa.
§1º As disciplinas do Módulo Integrante são aquelas Art. 99. O curso de doutorado objetiva formar profissio-
que compõem o currículo do curso e incluem: nais de alto nível, para que possam atuar como pesquisado-
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

I – disciplinas obrigatórias, que devem ser cursadas res autônomos e como docentes em cursos de graduação
com aproveitamento para a conclusão do curso; e de pós-graduação.
II – disciplinas optativas, que possibilitam ao aluno Art. 100. O curso de pós-graduação stricto sensu é
escolher entre as disciplinas oferecidas para integralização criado por decisão do Conselho Universitário, cabendo ao
do currículo. Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão opinar quanto à
§2º As disciplinas obrigatórias de cada curso consti- conveniência de sua criação e aprovar a estrutura curricular
tuem, no máximo, 70% (setenta por cento) dos créditos exi- e os projetos de credenciamento.
gidos para conclusão do curso. Art. 101. Os cursos de pós-graduação stricto sensu
§3º As disciplinas do Módulo Livre são de livre escolha são abertos a candidatos que preencham os requisitos esta-
do aluno entre as disciplinas oferecidas pela Universidade belecidos pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.
e correspondem a 24 (vinte e quatro) créditos, pelo menos, Parágrafo único. O processo seletivo para ingresso
para os cursos regulares de duração plena. em curso de pós-graduação é normatizado no seu regula-
Art. 90. A matrícula em disciplina é condicionada à mento, cabendo ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Exten-
aprovação em disciplinas que são requisitos e à disponibili- são estabelecer as exigências gerais.
dade de vagas em turma. Art. 102. Cada programa de pós-graduação é desig-
Art. 91. Cada curso de graduação tem um Coordena- nado por área definida do conhecimento ou, quando de
dor, com pelo menos 2 (dois) anos de efetivo exercício de natureza multidisciplinar, por denominação específica.
magistério na Universidade de Brasília, escolhido entre os Art. 103. Quando pertencentes à mesma área do
professores do Quadro de Pessoal Docente Permanente da conhecimento, os cursos de mestrado e/ou de doutorado
Universidade, segundo o Regimento Interno da Unidade. devem compor um mesmo programa.
Art. 92. Compete ao Coordenador de curso de gradua-
Art. 104. A coordenação didático-científica dos progra-
ção gerenciar as atividades do programa e representá-lo ao
mas de pós-graduação fica a cargo dos respectivos Cole-
Colegiado do Curso, do qual é membro nato, e às demais
giados de Curso, na forma do art. 31 do Estatuto e do art.
instâncias internas pertinentes.
30 deste Regimento Geral.
Art. 93. A orientação acadêmica nos cursos regulares
Art. 105. Cada programa de pós-graduação tem um
de graduação tem como objetivo fornecer ao aluno as infor-
Coordenador, com mais de 2 (dois) anos no exercício do
mações e as recomendações necessárias ao bom desenvol-
magistério na Universidade de Brasília, escolhido entre os
vimento de seus estudos durante sua permanência no curso.
§1º Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão cabe professores orientadores, segundo o Regimento Interno da
regulamentar a orientação acadêmica. Unidade.
§2º Os diversos serviços de apoio e de atendimento da Art. 106. Compete ao Coordenador de programa de
Universidade, de enfoques social, pedagógico, psicológico pósgraduação gerenciar as atividades do programa e repre-
e de saúde, podem ser mobilizados em prol da orientação sentá-lo ao Colegiado do Curso, do qual é membro nato, às
acadêmica. instâncias internas pertinentes e às agências de fomento.
Art. 94. Para obter o grau relativo ao seu curso, o aluno Art. 107. Os Regimentos Internos das Unidades Aca-
regular de graduação deve completar, com aprovação, o dêmicas podem prever Comissões de Pós-Graduação pre-
total de créditos fixado para o curso e atender às demais sididas pelos Coordenadores dos Programas e subordina-
exigências curriculares. das aos respectivos Colegiados de Curso.

74
Art. 108. O aluno de curso regular de pós-graduação Art. 119. O curso de extensão pode integrar o Módulo
tem um Professor Orientador escolhido entre os professores Livre do currículo do aluno regular quando o curso atender
orientadores de dissertação ou tese, segundo o regulamento aos critérios estabelecidos pelo Conselho de Ensino, Pes-
do curso. quisa e Extensão.
Art. 109. Cabe ao Conselho de Ensino, Pesquisa e
Extensão estabelecer os prazos mínimos e máximos para Seção IV
a conclusão de cursos de mestrado e doutorado, bem como Do Registro, da Matrícula e da Avaliação
regulamentar o trancamento de matrícula.
Art. 110. O Colegiado do curso de pós-graduação Art. 120. É autorizado o registro como alunos regula-
stricto sensu pode autorizar o aproveitamento de discipli- res aos que atenderem aos critérios de admissão estabele-
nas cursadas com aprovação em cursos de pós-graduação cidos nos artigos 87 e 101, regulamentados pelo Conselho
stricto sensu, de outras instituições, até o limite de 70% de Ensino, Pesquisa e Extensão.
(setenta por cento) dos créditos em disciplinas do curso. Art. 121. A matrícula refere-se ao procedimento da ins-
Art. 111. O regulamento de cada curso de pós-gradua- crição e obtenção de vaga em disciplinas e será realizada
ção estabelece os créditos correspondentes às disciplinas e para cada período letivo.
aos limites integralizáveis por período. §1º A escolha de disciplina, para efeito de matrícula,
Art. 112. Para obter o grau de Mestre, o aluno deve dependerá de inclusão dessa na lista de oferta do período
completar com aprovação o número mínimo de créditos letivo considerado.
estabelecido para o curso e obter a aprovação de sua dis- §2º A priorização de acesso de alunos a vagas em
sertação. disciplinas seguirá as normas definidas pelo Conselho de
Parágrafo único. A dissertação de mestrado é julgada Ensino, Pesquisa e Extensão.
Art. 122. As menções atribuídas ao rendimento aca-

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


por uma Comissão Examinadora, aprovada conforme regu-
lamentação estabelecida pelo Conselho de Ensino, Pes- dêmico do aluno em disciplina e sua equivalência numérica
são as seguintes:
quisa e Extensão.
Art. 113. Para obter o grau de Doutor, o aluno deve
completar com aprovação o mínimo de créditos estabele- MENÇÕES EQUIVALÊNCIAS NUMÉRICAS
cido para o curso, ser aprovado em exame de qualificação e
SS 9,0 a 10,0
obter a aprovação de sua tese.
Parágrafo único. A tese de doutorado é julgada por uma MS 7,0 a 8,9
Comissão Examinadora, conforme regulamentação estabe- MM 5,0 a 6,9
lecida pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão.
Art. 114. A Comissão Examinadora de dissertação ou MI 3,0 a 4,9
de tese deve atribuir uma das seguintes menções: Aprova- II 0,1 a 2,9
ção, Revisão de Forma, Reformulação ou Reprovação.
SR zero
Parágrafo único. A critério da Comissão Examinadora,
a tese de doutorado, de excepcional qualidade, pode rece-
ber a atribuição com louvor. §1º A divulgação das menções faz-se pelo número de
Art. 115. O aluno do curso de pós-graduação stricto matrícula dos alunos, sendo vedada a divulgação nominal.
sensu pode requerer certificado de especialização após §2º O aluno tem o direito de solicitar a revisão da
haver cursado o número de créditos equivalentes à carga de menção que lhe for atribuída em uma disciplina, fundamen-
360 (trezentas e sessenta) horas de atividades, atendidas as tando o seu pedido.
demais normas pertinentes. §3º Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão cabe
regulamentar o processo de revisão de menção, de forma
Seção III que a avaliação do mérito se encerre no âmbito da Unidade
Dos Cursos de Extensão Acadêmica responsável pela disciplina.
Art. 123. É aprovado na disciplina o aluno que obtiver
Art. 116. Os cursos de extensão destinam-se ao menção igual ou superior a MM.
público em geral, com os objetivos de criação e de difusão §1º É reprovado na disciplina o aluno que:
de conhecimento, de atualização ou de aperfeiçoamento I – comparecer a menos de 75 (setenta e cinco) por
científico, tecnológico, cultural e profissional. cento das respectivas atividades curriculares, com a menção
Art. 117. Cada curso de extensão está sujeito a um SR;
plano específico, elaborado pelo órgão proponente, do qual II – obtiver menção igual ou inferior a MI.
deve constar o nome de seu responsável. Art. 124. Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
Art. 118. A coordenação didático-científica de cada compete normatizar a atribuição das menções finais por dis-
curso de extensão cabe: ciplina, uma vez cumprido o respectivo programa, de forma
I – ao departamento em cuja área o curso se contiver a refletirem:
por inteiro; I – a assimilação progressiva de conhecimentos pelo
II – ao competente colegiado, quando ultrapassar o aluno, avaliada em provas e/ou outras tarefas exigidas ao
âmbito de um departamento. longo do período letivo;

75
II – a capacidade adquirida pelo aluno de aplicar os VI – divulgação dos resultados das pesquisas realiza-
conhecimentos em trabalho individual; das em suas unidades;
III – o domínio, pelo aluno, do conjunto da matéria lecio- VII – promoção de congressos, de simpósios e semi-
nada. nários para estudo e debate de temas científicos, bem como
Art. 125. O aluno de curso regular de graduação é des- participação em semelhantes iniciativas de outras institui-
ligado quando: ções.
I – não cursar, com aproveitamento, 4 (quatro) disci- Art. 130. A pesquisa na Universidade obedece a uma
plinas do seu curso em 2 (dois) períodos letivos regulares programação geral de grandes linhas prioritárias que, uma
consecutivos; vez atendida, não impede outras iniciativas de unidades e
II – for reprovado 3 (três) vezes em disciplina obrigató- de departamentos, bem como de docentes, individualmente.
ria do seu curso; Parágrafo único. Cada projeto de pesquisa tem um res-
III – enquadrar-se nos critérios eliminatórios específicos ponsável pela sua coordenação.
Art. 131. A coordenação geral dos programas de pes-
do seu curso, estabelecidos pelo Conselho de Ensino, Pes-
quisa na Universidade cabe, no plano executivo, ao Deca-
quisa e Extensão;
nato de Pesquisa e de Pós-Graduação; no plano deli-
IV – cometer infração disciplinar cominada com expul-
berativo, ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão,
são, de acordo com o Código de Ética;
diretamente, ou por intermédio de sua Câmara de Pesquisa
V – não concluir seu curso no prazo máximo legal.
e Pós-Graduação.
Parágrafo único. Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e
Extensão cabe regulamentar o presente artigo, prevendo
CAPÍTULO III
a orientação e o acompanhamento do desempenho dos
DA EXTENSÃO
alunos e a concessão de fase probatória, quando entender
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

justificável, a alunos incursos nos incisos I, II e III. Art. 132. A extensão tem como objetivo intensificar as
Art. 126. O aluno de curso regular de pós-graduação é relações transformadoras entre a Universidade e a socie-
desligado deste se for reprovado em 2 (duas) disciplinas, se dade, por meio de processo educativo, cultural e científico.
não cumprir as etapas do curso nos prazos regimentais e/ Art. 133. À Universidade cabe assegurar o desenvolvi-
ou se cometer infração cominada de expulsão pelo Código mento dos programas e dos projetos de extensão e consig-
de Ética. nar, em seu orçamento, recursos para esse fim.
Parágrafo único. Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Art. 134. A extensão na Universidade abrange progra-
Extensão cabe regulamentar o presente artigo, prevendo mas, projetos, prestações de serviços, cursos e eventos de
orientação aos alunos, acompanhamento do seu desempe- todas as áreas do conhecimento, integrados ao ensino e à
nho e concessão de prazos excepcionais, quando justificá- pesquisa, voltados ao público interno e externo, por meio do
vel. atendimento às demandas sociais, de forma que contribua
para a solução dos problemas da região e do País.
CAPÍTULO II §1º Os cursos de extensão são oferecidos ao público,
DA PESQUISA com o propósito de divulgar conhecimentos e técnicas de
trabalho, podendo desenvolver-se em nível universitário ou
Art. 127. A pesquisa na Universidade tem como objetivo não, de acordo com o conteúdo e com o sentido que assu-
produzir, criticar e difundir conhecimentos culturais, artísti- mam em cada caso.
cos, científicos e tecnológicos, associando-se ao ensino e §2º Os serviços de extensão são prestados sob formas
à extensão. diversas de atendimento e/ou consultas, realização de estu-
Art. 128. À Universidade cabe assegurar o desenvolvi- dos, de elaboração e de orientação de projetos, bem como
mento da pesquisa e da produção acadêmica e consignar, de participação em iniciativas de qualquer setor do conhe-
cimento.
em seu orçamento, recursos para esse fim.
Art. 135. A execução dos programas de extensão,
Art. 129. A Universidade deve incentivar a pesquisa
quando não individuais, é coordenada:
com os meios que estiverem ao seu alcance, entre os quais
I – pelo departamento;
os seguintes:
II – pelo colegiado, em cuja área se contiverem por
I – concessão de bolsas especiais de pesquisa em cate-
inteiro, quando se referirem a mais de um departamento;
gorias diversas, principalmente as de iniciação científica;
III – por um colegiado especial, no qual todos os órgãos
II – formação de pessoal em cursos de pós-graduação,
envolvidos se representem, quando incidirem na área de
próprios ou de outras instituições nacionais e/ou estrangei- dois ou mais cursos.
ras; §1º As atividades de extensão devem contribuir para
III – concessão de auxílios para execução de projetos a formação de profissionais críticos, envolvendo os alunos,
específicos; direta e sistematicamente, com os problemas da sociedade
IV – intercâmbio com outras instituições científicas, relacionados às suas áreas de formação acadêmica.
estimulando os contatos entre professores e o desenvolvi- §2º A cooperação com as entidades públicas e priva-
mento de projetos comuns; das deve ser privilegiada em programas de cunho social.
V – realização de convênios com instituições nacio- §3º A Universidade deve manter os programas de
nais, estrangeiras e internacionais, visando a programas de bolsas para dar suporte à realização dos objetivos da exten-
investigação científica; são.

76
§4º Nos programas de extensão, a Universidade se Art. 146. O ingresso, a nomeação, a posse, o regime
abstém de substituir as funções do Estado que não lhe de trabalho, a promoção, o acesso, a aposentadoria e a
sejam peculiares. dispensa do docente são regidos pela legislação maior em
Art. 136. A extensão na Universidade obedece a uma vigor, por este Regimento Geral, pelo Plano de Carreira
programação geral de linhas prioritárias e a outras iniciati- Docente da Universidade e pelas Resoluções do Conselho
vas de unidades e departamentos, bem como de professo- Universitário e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Exten-
res, individualmente. são.
Parágrafo único. Cada projeto de curso e/ou serviço de Art. 147. O docente da Universidade desenvolve ati-
extensão tem um responsável pela sua coordenação. vidades de ensino, pesquisa, extensão e gestão universitá-
Art. 137. Cabe ao Conselho Universitário aprovar a ria de acordo com as atribuições definidas pela natureza do
política global de extensão na Universidade. seu vínculo, de sua classe e do seu regime de trabalho, nos
Art. 138. A coordenação geral dos programas de termos deste Regimento Geral e das normas baixadas pelo
extensão na Universidade cabe, no plano executivo, ao Conselho Universitário e pelo Conselho de Ensino, Pesquisa
Decanato de Extensão e, no plano deliberativo, ao Con- e Extensão.
selho de Ensino, Pesquisa e Extensão, diretamente ou por Art. 148. A lotação do docente define o contexto insti-
intermédio da sua Câmara de Extensão. tucional de sua atuação, de sua subordinação hierárquica e
de sua participação em atividades acadêmicas, de gestão
TÍTULO IV universitária e de órgãos colegiados.
DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA Art. 149. Os docentes têm lotação permanente em
órgãos voltados para as atividades-fim de ensino, pes-
Art. 139. A comunidade universitária é constituída por quisa e extensão, sendo permitida sua lotação temporária

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


docentes, discentes e servidores técnico-administrativos, em órgãos de natureza administrativa, complementar e de
diversificados em suas atribuições e funções, unidos na apoio, para exercer funções de gestão universitária e/ ou
realização das finalidades da Universidade. para desenvolver atividades técnicas.
Art. 140. É dever de todo membro da comunidade con- Art. 150. A alteração da lotação do docente depende
tribuir para a realização das finalidades da Instituição. de sua anuência formal, a não ser se motivada por deci-
Art. 141. Os papéis sociais, os relacionamentos estru- são do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, cabendo,
turais, as responsabilidades individuais, os limites de autori- nesse caso, recurso ao Conselho Universitário por parte do
dade e os requisitos exigidos dos membros da comunidade docente.
universitária, bem como os seus direitos, são pautados Parágrafo único. A lotação de um docente deve ter o
pelos princípios e pelas finalidades expressos no Estatuto, objetivo de maximizar sua contribuição para o cumprimento
neste Regimento Geral, no Código de Ética e nas Resolu- dos fins da Universidade, prevalecendo, sobre outros crité-
ções do Conselho Universitário e do Conselho de Adminis- rios, a afinidade de sua formação e produção com as ativida-
tração, diretamente ou por intermédio das Câmaras a este des desenvolvidas pelo órgão.
vinculadas. Art. 151. O docente em regime de tempo integral pode
Parágrafo único. Ao Conselho Universitário cabe apro- ter dupla lotação, dividida entre dois órgãos da Universi-
var o Código de Ética. dade, sendo um definido como o órgão de lotação primária e
Art. 142. Entre outras iniciativas, a Universidade o outro como o de lotação secundária.
presta assistência aos membros da comunidade universi- Parágrafo único. A lotação secundária é definida em
tária mediante: termos do número de horas semanais que o docente dedica
I – programas de alimentação, moradia e saúde; às atividades do órgão e da duração de seu vínculo, quando
II – promoções de natureza artística, cultural, esportiva for o caso.
e recreativa; Art. 152. Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão
III – programas de bolsas de treinamento para alunos; cabe regulamentar a lotação docente, em consonância com
IV – orientação psicopedagógica e profissional. o previsto neste Regimento Geral.
Art. 143. Ao Conselho Universitário cabe aprovar a Art. 153. A cada 7 (sete) anos ininterruptos de serviço
política comunitária global da Universidade. em regime integral, o docente faz jus a 1 (um) semestre
Art. 144. A coordenação geral dos programas comuni- sabático, para que possa desenvolver programa de aperfei-
tários na Universidade cabe, no plano executivo, ao Deca- çoamento e/ou pesquisa e/ou extensão, livre dos encargos
nato de Assuntos Comunitários e, no plano deliberativo, ao regulares de ensino, pesquisa, extensão e gestão universi-
Conselho de Administração, diretamente ou por intermédio tária.
da Câmara de Assuntos Comunitários. §1º Para a contagem de tempo do interstício previsto
neste artigo, excluem-se os períodos de afastamento sem
CAPÍTULO I vencimentos, ou aqueles para aperfeiçoamento, e o tempo
DO CORPO DOCENTE que o docente estiver cedido para prestar serviços em outra
instituição ou órgão.
Art. 145. O corpo docente da Universidade é constitu- §2º Durante o semestre sabático, as obrigações do
ído por professores que exercem as atividades de ensino, docente restringem-se àquelas previstas no programa apro-
pesquisa e extensão, em nível superior. vado.

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§3º Ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Art. 164. A Universidade pode atribuir títulos de:
cabe regulamentar o usufruto do semestre sabático, sendo I – Mérito Universitário, a membro da comunidade que
vedado o seu parcelamento. se tenha distinguido por relevantes serviços prestados à
Universidade;
CAPÍTULO II II – Professor Emérito, a docente aposentado na Uni-
DO CORPO DISCENTE versidade de Brasília, que tenha alcançado posição emi-
nente em atividades universitárias;
Art. 154. O corpo discente é constituído por alunos III – Professor Honoris Causa, a professor ou cientista
regulares e especiais, admitidos na forma deste Regimento ilustre, não pertencente à Universidade de Brasília, que a
Geral e das Resoluções do Conselho Universitário e do Con- esta tenha prestado relevantes serviços;
selho de Ensino, Pesquisa e Extensão. IV – Doutor Honoris Causa, a personalidade que se
Art. 155. Para orientação, representação e participação tenha distinguido pelo saber e/ou pela atuação em prol das
nas atividades universitárias, o vínculo do aluno se define artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor
em função do curso e/ou do programa em que estiver matri- entendimento entre os povos.
culado ou inscrito. Parágrafo único. O Conselho Universitário pode esta-
Art. 156. Ao Conselho Universitário cabe decidir sobre belecer e regulamentar a atribuição de outros títulos honorí-
a participação estudantil em órgãos deliberativos, observado ficos, condizentes com a atividade universitária, objetivando
o disposto no Estatuto e neste Regimento Geral. o reconhecimento de mérito acadêmico e/ou de serviços
prestados à Universidade.
CAPÍTULO III Art. 165. Ao Conselho Universitário cabe regulamentar
DO CORPO TÉCNICO-ADMINISTRATIVO a atribuição dos títulos a que se refere o artigo anterior, de
forma que:
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Art. 157. O corpo técnico-administrativo da Universi- I – a concessão do título de Mérito Universitário seja


dade de Brasília é constituído por servidores que exercem
aprovada pelo Conselho Universitário com base em pro-
atividades de apoio técnico, administrativo e operacional,
posta fundamentada do Reitor ou de Conselho de Unidade
necessárias ao cumprimento dos objetivos institucionais.
Acadêmica;
Art. 158. O ingresso, a nomeação, a posse, o regime
II – a concessão do título de Professor Emérito e a de
de trabalho, a promoção, o acesso, a aposentadoria e a dis-
Professor Honoris Causa sejam aprovadas pelo Conselho
pensa do servidor técnico-administrativo são regidos pela
Universitário, com base em proposta fundamentada, apro-
legislação maior em vigor, o Regimento Geral, inclusive pelo
vada por maioria absoluta do Conselho da Unidade Acadê-
Plano de Carreira da Universidade e pelas
mica à qual o indicado prestou serviços;
Resoluções do Conselho Universitário e do Conselho
III – a concessão do título de Doutor Honoris Causa
de Administração.
seja aprovada por maioria absoluta do Conselho Universitá-
Art. 159. Ao Conselho Universitário cabe decidir sobre
rio, baseada em proposta fundamentada.
a participação técnico-administrativa em órgãos deliberati-
vos, observado o disposto no Estatuto e neste Regimento
TÍTULO VI
Geral.
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS
TÍTULO V
DOS DIPLOMAS, CERTIFICADOS, TÍTULOS E HONRARIAS Art. 166. A Universidade tem o compromisso com a
capacitação dos servidores técnico-administrativos e dos
Art. 160. Os títulos relativos aos cursos regulares de docentes.
graduação e de pós-graduação são especificados nos res- Art. 167. As normas, os regimentos e as resoluções,
pectivos regulamentos curriculares. em vigor na Universidade, devem ser ajustadas ao disposto
Parágrafo único. Os diplomas correspondentes aos neste Regimento Geral, no prazo de 6 (seis) meses, a contar
títulos a que refere este artigo são assinados, em cada caso, da data de sua promulgação.
pelo Reitor e pelo diplomado. Art. 168. Os Regimentos Internos das Unidades Aca-
Art. 161. A outorga dos graus relativos aos cursos dêmicas, dos Órgãos Complementares e Centros existentes
regulares de graduação e de pós-graduação é feita publica- devem ser submetidos à aprovação do Conselho Universitá-
mente, em solenidade presidida pelo Reitor, ou, por delega- rio, no prazo de 6 (seis) meses, a contar da data de promul-
ção, a outro dirigente da Universidade. gação deste Regimento Geral.
Art. 162. Ao aluno que concluir o curso regular de gra- Art. 169. Ficam a cargo dos órgãos da Reitoria da Uni-
duação ou de pós-graduação stricto sensu, observadas as versidade, ressalvados os casos de delegação, os paga-
exigências contidas no Estatuto, neste Regimento Geral e mentos e recebimentos, bem como a escrituração de sua
nas demais normas aplicáveis, a Universidade confere o despesa.
grau e expede o correspondente diploma. Art. 170. O Reitor, ouvido o Conselho de Administra-
Art. 163. Ao aluno especial que concluir curso de exten- ção, pode delegar aos Diretores de Unidades Acadêmicas,
são, disciplina isolada, curso de pós-graduação lato sensu e/ de Órgãos Complementares e de Centros a competência
ou qualquer atividade programada de outra natureza, cum- para a realização de despesas específicas.
pridas as exigências regulamentares pertinentes, a Universi- Art. 171. Na elaboração do Regimento Interno de cada
dade expede o correspondente certificado. Unidade Acadêmica, participam os docentes e servidores

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técnico-administrativos lotados nesta e os discentes matri-
culados nos cursos por esta oferecidos, na forma definida
pelo respectivo Conselho.
Art. 172. A escolha de nomes para Reitor e Vice-Rei-
tor, bem como para Diretor e Vice-Diretor de Institutos e de
Faculdades, dá-se na forma da legislação em vigor e da prá-
tica universitária.
§1º O Colegiado que organiza o processo de escolha
para Reitor e Vice-Reitor, composto na forma da legislação
em vigor, deve realizar consulta prévia à Comunidade Uni-
versitária para subsidiar sua votação.
§2º Os colegiados que organizam processos de esco-
lha para Diretor e Vice-Diretor de Instituto e de Faculdade
são os respectivos Conselhos, os quais devem realizar con-
sulta prévia às comunidades das respectivas Unidades para
subsidiar sua votação.
Art. 173. Revogam-se o Regimento Geral da Universi-
dade de Brasília, publicado no Diário Oficial da União em 6
de maio de 1970, com as alterações publicadas em 19 de
janeiro de 1976, e as demais disposições em contrário ao
disposto neste Regimento Geral, na data de homologação
deste.

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