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Setembro / 2007

Por Angelo Moreira Rios (Supervisor Regional de Vendas), Marco Antônio Parâmetros
Fiuza (Assistente Técnico) e Paulo Alfredo Nicolau (Assistente Técnico) –
Idade (dias) 1 14 28 42 56
Aviagen do Brasil
Peso (g) *40 – 45 400 – 600 1100 – 1300 2000 – 2200 2900 – 3100
A dinâmica de criação e abate tem por objetivo atingir o menor tempo
Água (%) 74 – 75 71 – 73 70 – 72 63 – 65 62 - 65
possível na obtenção de melhores resultados econômicos e performances
zootécnicas, fazendo com que a ave seja cada vez mais exigida. * 18% da água ingerida é utilizada para a formação de tecidos (Favret et al., 1967).

Devemos considerar como manejo um conjunto básico de fatores que 6 – Comedouros:


contribuem para o sucesso ou não da criação e que devem ser checados
ü Manutenção, limpeza, regulagem, relação e altura correta para cada
de forma rotineira pelos técnicos de campo, conforme seguem abaixo
fase da ave evitando desperdícios e aumento da conversão alimentar;
recomendações para as fases inicial e final:
ü Garantir que a ave tenha livre acesso ao alimento principalmente na
Fase inicial fase inicial de sua vida;
1 – Instalações: ü Amostragem de papo cheio após 24 horas è indicativo da qualidade
ü Devem atender as exigências mínimas de conforto e controle ambien- do manejo.
tal para as aves;
ü Passar por processos de higiene e desinfecção (prioridade em
biosseguridade);
ü Se inadequadas, reduzem a eficiência dos equipamentos, aumentam os
custos e comprometem o desempenho das aves.
2 – Temperatura:
Acesso facilitado ao alimento
ü Manutenção de uma temperatura ambiente e de cama correta em todos
os pontos do aviário, proporcionando conforto às aves (distribuição);
ü Controle de temperatura evitando grandes variações (amplitude
térmica elevada associada a umidade relativa baixa são fatores que
contribuem para a desuniformidade dos lotes, baixo peso inicial, piora
da qualidade entérica e aumento da conversão alimentar);
ü Ave fora da zona de conforto, gasto de energia desnecessário.
3 – Ventilação Mínima:
Amostragem de papo cheio após 24 horas
ü Deve ser de acordo com o tamanho do aviário, lote e idade das aves;
ü Limita o calor, excesso de gases, pó e umidade;
7 – O uso de papel:
ü Contribui para o crescimento e saúde das aves (Ascite e problemas ü Juntamente com o adensamento de prato comando, ambos constituem
respiratórios); práticas de manejo auxiliares para a melhoria do desempenho das aves;
ü Evita o aparecimento de camas molhadas e formação de calos de peito ü A observação de campo proporcionou à Aviagen do Brasil investir
e pé, depreciando a carcaça; neste experimento com grande êxito na obtenção de melhores pesos
ü Impede a queda do peso corporal e aumento da conversão alimentar; iniciais. Há uma tendência nas primeiras horas que as aves consumam
ü Baixo nível de ventilação inibe o nível de atividade das aves (baixos mais ração no papel do que propriamente nos equipamentos (é uma
condição comportamental da ave). Após o primeiro dia as aves passam
pesos iniciais e desuniformidade);
a ocupar os equipamentos infantis com maior freqüência;
ü Estabelece uma condição de conforto à ave (melhor consumo).
ü Os números já foram divulgados na Circular Técnica do mês de junho
4 – Cama: (“Utilização de papel para forração de pinteiros”, disponível em www.
ü Requisitos básicos como bom poder de absorção, seca, bem distribuí- aviagen.com.br), tornando-se um forte indicativo da melhoria de consumo.
da, altura correta e que não seja tóxica (quando de maravalha, cuidado Comentários:
para não ser de madeira tratada);
A compreensão dos pontos acima citados certamente proporcionará um
ü A temperatura de cama nos primeiros dias deve ser monitorada em melhor desempenho das aves, tanto em peso como na conversão alimentar.
todos os pontos do aviário e estar próxima a temperatura ambiente - Sendo assim, o resumo deste assunto, na fase inicial, deve ser entendido
quanto melhor for a uniformidade da temperatura, mais rápido as aves da seguinte forma:
passam a consumir.
1. Ave fora da zona de conforto representa gasto de energia desnecessário
5 – Água: e queda de desempenho;
ü Manutenção do equipamento, regulagem diária, limpeza do sistema, 2. É preciso respeitar a fisiologia das aves e jamais utilizar práticas de
cloração e temperatura que a ave está ingerindo esta água è temperatu- manejo que não proporcionem bem-estar animal (conforto);
ras elevadas restringem o consumo. 3. A curva ou perfil de crescimento é diferente para cada linhagem e deve
ü A ingestão de água vai facilitar o trânsito alimentar, uma vez que papo ser compreendido pelos técnicos de campo - é sempre indicada a obten-
e moela possuem uma motilidade baixa. ção do melhor peso aos 7 dias;
ü Porcentagem (%) de água no organismo: 4. O estímulo para consumo é fundamental na boa formação do sistema
digestivo, pois 70% do objetivo para obtenção de peso está na qualidade Umidades relativas maiores, além de aumentar a sensação térmica, dimi-
entérica das aves; nuem a capacidade de perda de calor insensível (perda evaporativa), que é
5. O Programa de Luz deve ser específico para cada linhagem, pois trata-se mais importante em altas temperaturas, conforme vemos na tabela abaixo:
de um mecanismo auxiliar para melhoria do consumo. Porém, fatores
como qualidade de pintos, nutrição adequada, manejo e peso de abate Tabela 2: Efeito da temperatura e umidade relativa do ar no
devem ser sempre considerados. percentual de perda evaporativa da ave

Fase final Temperatura (ºC) Umidade Relativa (%) Perda Evaporativa (%)
1 - Consumo: 20 40 25
20 87 25
O estímulo ao consumo através do adensamento do prato comando e de
programa de luz é uma prática comum, principalmente em regiões quentes 24 40 50
e também nas regiões com clima temperado durante o verão. 24 84 22
O adensamento do prato comando realizado em granjas com comedouros 34 40 80
automáticos mostrou, em experimento realizado a campo pela equipe de 34 90 39
serviços técnicos da Aviagen do Brasil, um acréscimo de 1g no ganho de Furlan, 2006
peso diário (GPD) por ave. O adensamento deve ser feito isolando-se o
A velocidade do ar irá afetar a sensação térmica, sendo que toda vez que
prato comando por uma divisória com tela, dobrando a quantidade de aves
aumentarmos a velocidade do ar diminuiremos a sensação térmica, favo-
recomendada por prato e checando a relação de aves/bicos de nipple ou be-
recendo assim o conforto térmico da ave. A velocidade do ar de 2,5 m/s é
bedouros pendulares de tal forma que a relação nesta área nunca ultrapasse
recomendada para frangos na fase final. Essa velocidade reduz em até 6°C
1:10 no nipple e 1:80 no bebedouro pendular. A densidade também deve
a percepção de temperatura para a ave na 6ª semana de sua vida.
ser menor no restante do galpão.
Desta forma, torna-se imprescindível que façamos a conjugação de
Outra forma de estimular o consumo é utilizar um programa de luz com
temperatura, umidade relativa e velocidade do ar para que tenhamos
períodos maiores de luz artificial. Nas regiões mais quentes do Brasil é
uma ave explorando seu máximo potencial genético para ganho de peso,
comum usar luz artificial até atingir períodos acima de 20 horas de luz
consumindo a menor quantidade de ração possível.
total (natural + artificial) por dia. Ë importante salientar que nas empresas
que necessitam atender as normas de bem estar animal, bem como nas 3 - Manejo de comedouros:
empresas que adotam o Eurepgap, é necessário que as aves tenham pelo Quando as aves são mais novas é necessário garantir acessibilidade à
menos quatro horas consecutivas de escuro durante a noite. ração aumentando a quantidade de ração nos pratos dos comedouros.
Via de regra, quanto maior a dificuldade de manter a temperatura ambiente Já para aves em fase final (acima dos 21 dias) é necessário adequar a
próxima da zona de conforto das aves, maior quantidade de luz artificial quantidade de ração nos pratos (1/3 do volume), sejam eles manuais ou
devemos oferecer as aves. automáticos, afim de evitar o desperdício.
2 - Ambiência: Além da regulagem é preciso garantir uma boa relação de equipamento/
ave e uma distribuição regular dos equipamentos na área do galpão. A
O controle da ambiência é cada dia mais importante no processo de criação dos
relação de comedouros deve ser menor ou igual a 1:45, devendo ser
frangos de corte. Isto se dá por vários fatores como os que seguem abaixo:
esta relação diminuída quanto maior for a temperatura ambiente e/ou a
ü A necessidade de obtenção de aves cada vez mais pesadas em menores densidade de criação. Há empresas no país que já trabalham com uma
intervalos de tempo, elevando os níveis de metabolismo da ave; relação comedouro/ave de 1:35.
ü Densidades cada vez maiores nos sistemas de produção afim de torná-lo 4 - Nutrição:
mais lucrativo, tanto para a integradora quanto para o integrado;
Além dos níveis nutricionais da ração que devem ser adequados à temperatura
ü Aumento na deposição de carne nobre pela exigência do mercado e o ambiente e ao peso alvo das aves, outro fator que pode afetar a CA e o GPD
que é atendido pela seleção genética. é a forma física da ração. Rações peletizadas e com pellets de boa qualidade
É preciso incorporarar o conceito de sensação térmica (que contempla melhoram a performance do frango tanto no GPD quanto na CA (tabela 3).
temperatura, umidade relativa e velocidade do ar) e abandonarmos defi-
nitivamente o conceito de que “é preciso baixar a temperatura do galpão”, Tabela 3: Efeito da forma física no desempenho de frangos de corte
substituído-o por: Peso vivo: CA:
Tratamento 10 21 31 10 21 31
“É preciso sempre gerar conforto térmico para a ave!”
Controle 297 975 1972 1.39 1.53 1.63
Conforto térmico, na prática, significa que as aves conseguem se alimentar Finos 264 797 1579 1.54 1.67 1.71
durante todo o dia, sem nenhuma restrição devido a ambiência. Mix 287 916 1835 1.42 1.60 1.69
Temperaturas altas, fora da zona de conforto, levam a uma diminuição do Controle: Triturada até 10 dias e peletizada até o abate
consumo de ração com conseqüente diminuição do peso final das aves e Finos: do nascimento ao abate
Mix: 50% finos e 50% triturada até 10 dias e 50% finos e 50% peletizada até o abate
aumento da conversão alimentar (CA), como visto na tabela abaixo:
Como visto na tabela 3, quanto melhor a qualidade dos pellets, ou seja,
Tabela 1: Efeito da temperatura no GPD e CA quanto menos “finos” na ração, melhor é o desempenho, tanto em peso,
de acordo coma idade da ave quanto em CA.
Temperatura 21 a 28 dias 28 a 35 dias 35 a 42 dias Soma
(ºC) GP CA GP CA GP CA GP
Conclusão:
21,1 574 1,59 698 1,74 740 1,94 2012 Os desafios de campo são cada vez mais exigentes, principalmente em um
25,6 490 1,56 666 1,72 634 2,03 1790
ambiente onde o potencial genético da ave é cada vez maior e a necessidade
de sermos mundialmente competitivos nos estimula a explorar o máximo deste
28,9 528 1,56 617 1,76 603 2,02 1748
potencial.
31,1 600 1,65 548 1,83 493 2,19 1640
Para que isto se torne realidade é preciso partir da premissa do bônus: o
May et al., 1997
objetivo de todo animal é sobreviver! Ganhar peso é um bônus que ele
Temperaturas abaixo da zona de conforto não afetarão o consumo, mas nos dá quando conseguimos atender todas as suas necessidades!
resultarão em aumento da conversão alimentar, ocasionados pelo aumen- E a partir disso, assumimos a missão do bom manejo: proporcionar à
to do gasto de energia para manter a temperatura corporal. ave a melhor condição ambiental possível para que ela possa expressar
Além da temperatura, é importante considerar a umidade relativa (UR) seu máximo potencial genético.Utilizando-se estes parâmetros devemos
do ar e a ventilação, representada pela velocidade do ar no galpão, obtida proporcionar para a ave: equipamentos bem mantidos, distribuídos e
invariavelmente com o uso de sistemas artificiais de controle ambiental regulados, estímulo suficiente, bom ambiente para que a ave possa res-
(ventiladores e nebulizadores). Estas duas variáveis afetam a percepção ponder a estes estímulos e uma nutrição adequada, afim de obter o bônus
da temperatura pela ave, ou seja, a sensação térmica (ST). do bom peso ao abate com o menor consumo de ração possível.