CURSOS SUPERIORES DE TECNOLOGIA

CAMPUS ALPHAVILLE

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MARKETING & RECURSOS HUMANOS
NOTURNO

TURMAS

GM3P06  GM4P06  GM4Q06

 GH4P06  GH4Q06  GH4S06
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Prof. Rodrigo Marchesin
profe s s or@rodrigom a rc hes in.c om

SÃO PAULO ∙ 2010

DESENV. SUSTENTÁVEL

apostila de

Antes de iniciar este trabalho, cumpre observar o mérito de uma equipe de professores, sem os quais esta apostila não seria possível:

Profa. Angela Pizzo Profa. Daniela Sakumoto Profa. Kelly Mariano Prof. Mauro Trubianelli Profa. Raquel Caparrós

APRESENTAÇÃO

Apresentação
Você já parou para pensar no que significa a palavra progresso? Pois então pense: estradas, usinas, cidades, máquinas e muitas outras coisas que ainda estão pôr vir e que não conseguimos nem ao menos imaginar. Algumas partes desse processo todo são muito bons, pois melhoram a qualidade de vida dos seres humanos de uma forma ou de outra, como no transporte, comunicação, saúde etc. Mas agora pense só: será que tudo isso de bom não tem nenhum preço? Será que para ter toda essa facilidade de vida nós, humanos, não pagamos nada?

Já ouviu, também, alguém dizer que, para tudo na vida, existe um preço? Pois é, nesse caso não é diferente. O progresso, da forma como vem sendo feito, está destruindo o planeta Terra e a natureza. Um estudioso do assunto disse, certa vez, que é mais difícil o mundo acabar devido a uma guerra nuclear ou a uma invasão extraterrestre (ou uma catástrofe qualquer) do que acabar pela destruição que nós, humanos, estamos provocando em nosso planeta. Você acha que isso é um exagero?

O preço que se cobra, hoje, para garantir a perpetuação da espécie humana, em uma abordagem evolucionista; ou resguardar o direito à vida daqueles que ainda não vieram à luz, em um contexto ético; chama-se desenvolvimento sustentável. Ou melhor, este conceito provavelmente será o “troco” que as forças da natureza entregarão ao Homo sapiens, caso este faça uma escolha diferente daquela que tem praticado nos séculos precedentes.

O desenvolvimento sustentável, infelizmente, é um tema explorado de maneira oportunista por muitas organizações, que enxergam apenas um discurso estratégico “politicamente correto”, sem perceber os impactos do uso indiscriminado dos fatores de produção. Desenvolvimento sustentável não é e não pode ser, decididamente, um negócio.

Quando falamos de desenvolvimento sustentável, falamos da vida, do direito que cada cidadão, nascido neste planeta, tem de usufruir deste espaço e alcançar padrões de vida superiores às condições que muitos países estão entregues. Alijadas dos direitos humanos, comunidades inteiras passam fome, prostituem-se física e moralmente, morrem

APRESENTAÇÃO

em conflitos civis e vendem as famílias como forma de sobrevivência. Pagam com suas vidas, a qualidade de uma parcela da população que consegue, de fato, viver.

O objetivo deste texto é reunir um conjunto básico de informações, as quais possam esclarecer e orientar o aluno quanto à importância do tema e expandir a discussão para uma dimensão crítica, sem perder o viés acadêmico de debates fundamentados na argumentação técnica e lógica científica. Neste sentido, os capítulos encontram-se estruturados segundo o direcionamento da ementa proposta para o curso.

Como forma de aprofundar o trabalho acadêmico, seguem algumas outras informações de cunho relevante: o programa da disciplina e na parte final, nos anexos, constam sugestões para as atividades complementares (prazos de entrega e validação de horas), o conteúdo programático – na íntegra – e um roteiro básico, para orientação específica, relacionado à parte da disciplina Desenvolvimento Sustentável no PIM (Projeto Integrado Multidisciplinar).

Portanto, a realização deste material configura-se como uma extensão do acesso à informação e formação técnicas, de forma a ampliar a empregabilidade dos profissionais de diferentes campos de atuação, através de um processo de qualificação, pautado pela transparência nas relações humanas, respeito à diversidade e inovação dos paradigmas pedagógicos.

Prof. Rodrigo Marchesin

 não utilize de meios escusos para fazer trabalhos e provas.  combata a discriminação.CÓDIGO DE ÉTICA Como Aproveitar Seu Professor A base para um bom relacionamento.  não queira escolher o tema ou a forma da aula.  colabore com os colegas e estimule-os a prestarem atenção à aula. sempre. será o respeito mútuo. É fundamental que cada uma das partes envolvidas esteja consciente deste pressuposto básico da comunicação humana. faz-se necessário algumas observações relevantes:  evite endeusar ou menosprezar o professor.  respeite as diferenças e as dificuldades dos colegas.  procure estudar e realizar as tarefas determinadas pelo professor.  não pergunte o que já sabe. Lembre-se das 3 regras básicas para a vida: 01) As escolhas sempre são suas. e 03) Viva um dia de cada vez!! . Em uma sala de aula. no lugar daquilo que ainda não sabe. portanto. 02) Você não tem controle sobre tudo. este cuidado não foge à regra e. para um melhor aproveitamento das aulas e do professor. contribuindo para a criação de um ambiente sinérgico.  não busque competir com o professor.  preste atenção às aulas.

10 25. ATIVIDADES* 1 Apresentação da Disciplina.11.08.10 29.10 20. Resultados. Entrega AC 3 Avaliação NP1**. porém para efeito de planejamento. As turmas de Marketing terão. em função da grade curricular. através da organização e do planejamento dos estudos durante o segundo semestre letivo de 2010. Substitutiva 6 Resultados Finais.12.12.10 04.10 As datas de encerramento de cada uma das fases do curso estão anotadas com os finais de semana. Entrega AC 5 Avaliação NP2**.10 23.PLANEJAMENTO DAS AULAS/2010 AGENDA Agenda do Aluno Esta agenda serve ao propósito docente de auxiliar o aluno na construção dos alicerces para a aprovação acadêmica na disciplina DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.10 03.12. em caráter excepcional. Pede-se especial atenção aos prazos de entrega das Atividades Complementares – AC (destacadas no Cronograma de Aulas) e demais atividades especiais.10 24.10 24. como provas e trabalhos em sala (Plano de Aulas).10 28. Direcionamento Metodológico 2 Consolidação dos Conceitos Básicos da Disciplina.10.10. Calendário – 2º Semestre AGOSTO T Q Q 3 4 5 10 11 12 17 18 19 24 25 26 31 SETEMBRO T Q Q 1 2 7 8 9 14 15 16 21 22 23 28 29 30 OUTUBRO T Q Q 5 12 19 26 6 13 20 27 7 14 21 28 D 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 S 6 13 20 27 S 7 14 21 28 D 5 12 19 26 S 6 13 20 27 S 3 10 17 24 S 4 11 18 25 D 3 10 17 24 31 S 4 11 18 25 S 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 04 Início das Aulas 07 Independência do Brasil 12 Nossa Senhora Aparecida D 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 NOVEMBRO T Q Q 2 3 4 9 10 11 16 17 18 23 24 25 30 S 5 12 19 26 S 6 13 20 27 D 5 12 19 26 S 6 13 20 27 DEZEMBRO T Q Q 1 2 7 8 9 14 15 16 21 22 23 28 29 30 S 3 10 17 24 31 S 4 11 18 25 02 Finados 15 República 23 Encerramento do Semestre 25 Natal .08. Entrega AC 4 Consolidação dos Conceitos Avançados da Disciplina.10 FIM 23.11.10. Apresentação do PIM. uma antecipação do período de provas.10. devem ser considerados apenas os dias úteis (segunda a sexta-feira). para evitar a realização de duas provas no mesmo dia.10 17.08. Encerramento do Semestre * ** INÍCIO 04.

PLANEJAMENTO DAS AULAS/2010 AGENDA Cronograma de Aulas DIA dom 02 03 04 05 06 sáb dom 09 10 11 12 13 sáb dom 16 17 18 19 20 sáb dom 23 24 25 26 27 sáb dom 30 31 AULA 04 AULA 03 AULA 02 AULA 01 INÍCIO DAS AULAS AGOSTO DIA 01 02 03 sáb dom 06 07 08 09 10 SETEMBRO DIA 01 sáb dom 04 05 06 OUTUBRO DIA 01 02 03 04 NOVEMBRO DIA 01 DEZEMBRO FINADOS 02 03 sáb dom 06 07 08 PROVA NP1 (RH) 05 sáb dom 08 09 10 11 AULA 14 ENTREGA AC-3 INDEPENDÊNCIA 07 08 sáb dom 11 PIM 09 10 sáb dom 13 14 AULA 19 dom dom 13 14 15 16 17 sáb dom 20 21 22 23 24 sáb dom 27 28 29 30 PROVA NP1 (MKT) AULA 07 ENTREGA AC-1 AULA 06 12 13 14 15 sáb dom 18 19 20 21 22 sáb dom 25 26 27 28 29 sáb dom N. S. APARECIDA 12 sáb dom 15 16 17 18 REPÚBLICA AULA 15 15 16 17 sáb dom 20 21 22 AULA 20 AULA 11 ENTREGA AC-2 19 sáb dom 22 23 24 25 PROVA NP2 (MKT) 23 24 sáb dom 27 28 29 ENCERRAMENTO DAS AULAS AULA 12 26 sáb dom 29 30 PROVA NP2 (RH) 30 31 Curso/Turma: MAT NOT SEGUNDA MKT / RH TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA .

Desse modo. 49 a 57 Cap. 6 . 2 . . 26 a 33 Cap.Pág.Pág. 58 a 67 ----------------- ----Estudo de Caso Filme Estudo de Caso --------Estudo de Caso ----------------Filme ----Estudo de Caso ----Estudo de Caso ----------------- OBS: O Plano de Aulas tem por objetivo apresentar.Pág. 4 . 5 . de acordo com a ementa prevista pela Universidade.Pág. todas as temáticas a serem trabalhadas ao longo da disciplina. 34 a 39 ----Cap. 49 a 57 ----Cap. para cada etapa do conteúdo programático e adequado desenvolvimento discente.PLANEJAMENTO DAS AULAS/2010 AGENDA Plano de Aulas AULA CONTEÚDO LEITURA PRÉVIA ATIVIDADE 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Apresentação / Metodologia / Bibliografia Aspectos Históricos / A Questão Ambiental Conceitos / Desenvolvimento / Sustentabilidade / DS Dimensões da Sustentabilidade Feriado – Independência Responsabilidade Socioambiental / RSE Terceiro Setor Prova NP1 (Marketing) Prova NP1 (RH) Feriado – Nossa Senhora Aparecida Vista de Prova NP1 Política Ambiental / Instrumentos Feriado – Finados Legislação Ambiental Certificações Normas ISO Prova NP2 Apresentações do PIM Vista de Prova NP2 / Prova Substitutiva Encerramento do Semestre ----Cap. 7 . 44 a 48 ----------------Cap.Pág. 7 . detalhadamente. 3 . é importante que o estudante tome ciência da matéria a ser ministrada. 6 .Pág.Pág. 14 a 25 Cap.Pág. 5 . preparando-se através da leitura preliminar do capítulo programado para aquela data. 58 a 67 Cap.Pág. 40 a 43 Cap.

1 2.3 2.2 4.1 4.2 RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL 40 41 42 .3 4.2 2.rodrigomarchesin.1 CONCEITO 5.3 3.5 4.2 1.6 EXTERNALIDADES SUSTENTABILIDADE SOCIAL SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA SUSTENTABILIDADE ECOLÓGICA SUSTENTABILIDADE ESPACIAL SUSTENTABILIDADE CULTURAL 34 34 35 36 37 38 38 5 RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL 5.4 2.8 1.4 4.7 1.4 DESENVOLVIMENTO SUSTENTABILIDADE DESENVOLVIMENTO VERSUS SUSTENTABILIDADE? DEFINIÇÕES COMPLEMENTARES 26 26 28 30 32 4 DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE 4.1 3.3 1.2 3.4 1.com SUSTENTÁVEL Sumário 1 PROGRAMA DA DISCIPLINA 1.9 UNIDADE CURRICULAR PERÍODO LETIVO EMENTA CARGA HORÁRIA TOTAL OBJETIVOS CONTEÚDO PROGRAMÁTICO METODOLOGIA CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA 10 10 10 10 10 10 11 11 12 13 2 INTRODUÇÃO 2.5 ASPECTOS HISTÓRICOS A QUESTÃO AMBIENTAL CONFERÊNCIAS MUNDIAIS PROTOCOLO DE KYOTO MOVIMENTO AMBIENTALISTA NO BRASIL 14 15 17 18 19 22 3 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: QUE BICHO É ESSE? 3.6 1.1 1.www.5 1.

com SUSTENTÁVEL 5.2 POLÍTICA AMBIENTAL 6.1 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 6.5 NORMAS ISO 14000 NORMAS AA1000 SOCIAL ACCOUNTABILITY 8000 (SA 8000) NBR 16000 ISO 26000 58 61 63 63 64 66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ELETRÔNICAS 68 68 68 ANEXOS ANEXO 1: ATIVIDADES COMPLEMENTARES ANEXO 2: ROTEIRO DISCIPLINAR – PIM ANEXO 3: CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DETALHADO 71 72 75 77 .3 7.1 7.4 7.www.3 TERCEIRO SETOR 44 6 POLÍTICA AMBIENTAL 6.rodrigomarchesin.3 TRIBUTAÇÃO AMBIENTAL 49 49 51 53 7 CERTIFICAÇÕES 7.2 7.

3 Ementa Teorias sobre o desenvolvimento. A ética ambiental e países subdesenvolvidos. O conceito de desenvolvimento econômico-social.rodrigomarchesin.www. 1. Página 10 .4 Carga Horária Total 30 horas. 1.2 Período Letivo 4º Semestre. Críticas às visões economicistas do desenvolvimento.1 Unidade Curricular Desenvolvimento Sustentável. 1. Mercado e meio ambiente.com SUSTENTÁVEL 1 Programa da Disciplina 1.5 Objetivos Adquirir visão fundamentada quanto à possibilidade de estabelecer relações entre desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentado. 1. Desenvolvimento sustentável. A ética ambiental e o desenvolvimento sustentável.

6.  Estudos de casos.  Vídeos.6.6.7 Metodologia Para o desenvolvimento do conteúdo proposto.rodrigomarchesin.www.2 Desenvolvimento Sustentável  Dimensões da Sustentabilidade  Responsabilidade Social e Ambiental  Terceiro Setor 1.  Estudos dirigidos.com SUSTENTÁVEL 1. 1 O detalhamento do Conteúdo Programático encontra-se no Anexo 3 desta apostila.  Resenhas.3 Instrumentos de Desenvolvimento Sustentável  Política Ambiental  Legislação  Certificações 1. serão utilizadas as seguintes técnicas:  Aulas expositivas dialogadas.6 Conteúdo Programático1 1. Página 11 .1 Nova Ordem Mundial  Aspectos Históricos  Desenvolvimento x Sustentabilidade  Sobrevivência ou Modismo? 1.

sem consulta a qualquer fonte bibliográfica. de acordo com a fórmula abaixo e disposta no Manual de Informações Acadêmicas/UNIP 2010: MS = NP1 x 4 + PIM x 2 + NP2 x 4 10 Página 12 . estudos dirigidos (individuais e/ou em grupo) e participação ativa nas atividades desenvolvidas durante o andamento da disciplina.0 (cinco) no conjunto das habilidades que compõem a disciplina cursada e obtiver freqüência mínima de 75% (setenta e cinco por cento). e terão pesos proporcionais ao seu grau de importância e dificuldade.www. através de uma escala de 0 (zero) ponto até 10. A Avaliação Bimestral é o instrumento final de acompanhamento do(a) aluno(a) para classificação do nível de domínio da matéria lecionada e será aplicada individualmente.rodrigomarchesin. anotações ou outros meios classificados como material de apoio à aprendizagem. O(A) aluno(a) é considerado(a) aprovado(a) se alcançar média semestral (MS) igual ou superior a 5. através de provas escritas.0 (dez) pontos. textos de interpretação e/ou planilhas de cálculos. divididos por 10. Todas as atividades previstas serão medidas. 2 A Média Semestral (MS) é composta do somatório das notas NP1 e NP2 (peso 4) e PIM (peso2). de acordo com o quadro a seguir: Avaliações Atividades Programadas Avaliação Bimestral Pesos 20% 80% As Atividades Programadas referem-se aos estudos de caso.com SUSTENTÁVEL 1.8 Critérios de Avaliação2 O processo de avaliação será contínuo.

GUIMARÃES. 2ª ed. VEIGA. Rio de Janeiro: Garamond. Indicadores de sustentabilidade: uma análise comparativa. Experiências empresariais em sustentabilidade: avanços. Página 13 .9 Bibliografia Recomendada ALMEIDA. José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI.www. Gabriela. 2009. 3ª ed. Petrópolis. Lia. ZATZ.com SUSTENTÁVEL 1. 2006. 2008. Fernando. 2008. RJ: Vozes. SCOTTO. Desenvolvimento sustentável. VEIGA. BELLEN. Isabel C. SP: Autores Associados. 2008. Hans Michael van. Rio de Janeiro: Elsevier. Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse? Campinas. CARVALHO. dificuldades e motivações de gestores de empresas. José Eli da. Leandro B. Rio de Janeiro: FGV.. 3ª ed.rodrigomarchesin.

www. síntese química e irrigação. 3) Crescente contaminação da água e dos solos pelos derramamentos e descargas de resíduos industriais e agrícolas: a disponibilidade de água é o mais preocupante problema de recursos que o mundo enfrenta hoje. Os modelos climáticos prevêem que enchentes. estimular o reuso e combater o desperdício.rodrigomarchesin. Estavam se produzindo mudanças imprevistas na atmosfera. Foi necessário reconhecer que a velocidade da transformação era tal que superava a capacidade científica e institucional para minimizar ou inverter o sentido de suas causas e efeitos. contribuindo assim para a preservação dos recursos hídricos. custando vidas. processamento de alimentos. entre as plantas e os animais e nas relações entre todos eles. ambientalistas e governo estão fazendo para tornar processos industriais mais eficientes. nos solos. nas águas. A água é essencial para todos os seres vivos. Página 14 . fazendo com que as emissões resultantes de gases efeito estufa causem mudanças na temperatura e aumentem os riscos de mudanças climáticas. A crescente escassez de água e o alarmante declínio na biodiversidade aquática evidenciam práticas e políticas falhas em diversas partes do mundo para a proteção do recurso mais importante da vida. colheitas e progresso econômico. A demanda acelerada por energia gera crescimento econômico.com SUSTENTÁVEL 2 Introdução Durante as décadas de 1970 e 1980 tornou-se cada vez mais claro que os recursos naturais estavam sendo dilapidados em nome do “desenvolvimento”. Veremos adiante o que as empresas. mas ameaça o clima da Terra. tem moldado as sociedades humanas por milênios e é a base de atividades como refrigeração. secas e fortes tempestades devem se tornar cada vez mais freqüentes e severas. 2) Esgotamento da camada de ozônio da estratosfera. Estes grandes problemas ambientais incluem: 1) Aquecimento global da atmosfera: combustíveis fósseis dominam o suprimento mundial de energia.

5) Extinção de espécies. A fumaça das queimadas também estaria alcançando o sul do continente.www. em conseqüência do desmatamento amazônico esteja afetando o regime de chuvas em toda a América do Sul. A produção de alimentos é a base de muitas economias. mão de obra e terra do que qualquer outra atividade. florestas. Especialistas em meteorologia têm fortes razões para acreditar que a mudança de clima. além de desgastar e contaminar o solo com agentes químicos e pesticidas. Dennis Meadows e os pesquisadores do "Clube de Roma" publicaram o estudo Limites do Crescimento. Tais discussões ganharam tanta intensidade que levaram a ONU a promover uma Conferência sobre o Meio Ambiente em Estocolmo (1972). ecossistemas. 2. com graves conseqüências para o clima do planeta. A produção mundial de grãos utiliza mais água. A produção de alimentos ecologicamente eficaz é hoje uma das principais metas do desenvolvimento econômico e humano. 6) Degradação do solo. O estudo concluía que.rodrigomarchesin. mantidos os níveis de Página 15 .com SUSTENTÁVEL 4) Destruição da cobertura florestal/desmatamento: aproximadamente 30% da área potencial de florestas temperadas subtropicais e tropicais e 40% das pastagens temperadas foram convertidas para a agricultura.1 Aspectos Históricos A preocupação da comunidade internacional com os limites do desenvolvimento do planeta datam da década de 60. inclusive na Bacia do Prata. mas ameaça os ecossistemas dos quais depende. O modo que escolhemos para produzir alimentos pode determinar o futuro de pastagens. No mesmo ano. Acompanhar o crescimento da população e reduzir a desnutrição existente demandará uma produção de alimentos bem maior e com menos impacto ambiental. quando começaram as discussões sobre os riscos da degradação do meio ambiente.

o canadense Maurice Strong lançou o conceito de eco-desenvolvimento. poluição.com SUSTENTÁVEL industrialização. apresentou um relatório que diz “desenvolvimento sustentável é desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”.rodrigomarchesin.www. envolvendo uma crítica à sociedade industrial. Em 1973. participação da população envolvida. segurança social e respeito a outras culturas. o limite de desenvolvimento do planeta seria atingido. Assim. O relatório não apresenta as críticas à sociedade industrial que caracterizaram os documentos anteriores. produção de alimentos e exploração dos recursos naturais. No ano de 1987. preservação dos recursos naturais e do meio ambiente. os caminhos do desenvolvimento seriam seis: satisfação das necessidades básicas. Para a ONU. programas de educação. provocando uma repentina diminuição da população mundial e da capacidade industrial. a Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED). não há apenas um limite mínimo de recursos para proporcionar bemestar ao indivíduo. Esta teoria referia-se principalmente às regiões subdesenvolvidas. Foram os debates em torno do eco-desenvolvimento que abriram espaço ao conceito de desenvolvimento sustentável. que também gerava a destruição desenfreada dos recursos naturais. solidariedade com as gerações futuras. Outra contribuição foram às declarações que afirmavam que a causa da explosão demográfica era a pobreza. Os países industrializados contribuíam para esse quadro com altos índices de consumo. no máximo. em 100 anos. há também um máximo. elaboração de um sistema social que garanta emprego. foi bem aceito pela comunidade internacional. inclusive ligando a superação da pobreza nestes últimos ao crescimento contínuo dos primeiros. Página 16 . demanda crescimento tanto em países industrializados como em subdesenvolvidos.

determinado pelo modo como a sociedade apropria-se e utiliza os recursos naturais. comprometendo o meio ambiente.2 A Questão Ambiental A partir das últimas décadas a questão ambiental tornou-se uma preocupação mundial. ignorando ou desconhecendo suas causas. Natureza. A destruição da camada de ozônio. uma vez que reduz os fluxos de bens e serviços que a natureza pode oferecer à humanidade. desenvolvimento sustentável como o desenvolvimento que tratando de forma interligada e interdependente as variáveis econômica. Pode-se considerar. seguramente prejudica o próprio crescimento. A grande maioria das nações do mundo reconhecem a emergência dos problemas ambientais. perda de biodiversidade são algumas das questões a serem resolvidas por cada uma das nações do mundo. espaço devem compor o processo de desenvolvimento como elementos de sustentação e conservação dos ecossistemas.com SUSTENTÁVEL 2. A questão ambiental deve ser tratada de forma global. É necessário introduzir um nova abordagem decorrente da compreensão de que a existência de uma certa qualidade ambiental está diretamente condicionada ao processo de desenvolvimento adotado pela nações. pois inviabiliza um dos fatores de produção: o capital natural. um desenvolvimento centrado no crescimento econômico que relegue para segundo plano as questões sociais e ignore as aspectos ambientais não pode ser denominado de desenvolvimento. pressão populacional sobre os recursos naturais.www. armazenamento e transporte de resíduos perigosos. acidentes nucleares. portanto. alterações climáticas. social e Página 17 . O modo como se dá o crescimento econômico. Logo. considerando que a degradação ambiental é resultante de um processo social.rodrigomarchesin. Entretanto. terra. desertificação. a complexidade dos problemas ambientais exige mais do que medidas pontuais que busquem resolver problemas a partir de seus efeitos. Não é possível pretender resolver os problemas ambientais de forma isolada. pois de fato trata-se de mero crescimento econômico. segundo suas respectivas especificidades. A degradação ou destruição de um ecossistema compromete a qualidade de vida da sociedade. poluição atmosférica. poluição hídrica.

3 Conferências Mundiais3 A partir do século XX. se acentuou. No processo de implementação do desenvolvimento sustentável a educação ambiental torna-se um instrumento fundamental. O sucesso das ações que devem conduzir ao desenvolvimento sustentável dependerá em grande parte da influência da opinião pública. exercendo desse modo o direito a cidadania torna-se instrumento indispensável no processo de desenvolvimento sustentável. Ms. O período entre guerras (1919-1939) foi marcado pela crise econômica em 1929. Página 18 . 2. Logo.com SUSTENTÁVEL ambiental é estável e equilibrado garantindo melhor qualidade de vida para as gerações presentes e futuras. e de suas decisões individuais. recessão e desemprego em massa nos EUA e Europa. do comportamento das pessoas. As notas reproduzidas neste trecho correspondem às observações da professora e não fazem parte da pesquisa bibliográfica desta apostila. pp. 23-26. 3 Texto retirado do artigo produzido pela Profa. Irinéia M. Mesmo considerando que existe certo interesse pelas questões ambientais há que reconhecer a falta de informação e conhecimento dos problemas ambientais. É certo que a implementação do desenvolvimento sustentável passa necessariamente por um processo de discussão e comprometimento de toda a sociedade uma vez que implica em mudanças no modo de agir dos agentes sociais. Franco (Natureza. o processo de industrialização que foi iniciado no XIX com a Revolução Industrial. Após a Segunda Guerra (1940-1945) os Estados Unidos e a União Soviética despontam como as grandes potências industriais.www. 10-2. Socieda e Ecologia). Com a experiência socialista na URSS manteve-se até fins da década de 1980 dois sistemas políticos e econômicos distintos e antagônicos.rodrigomarchesin. uma vez que a Europa estava em “reconstrução”. buscando transformar essas pessoas em indivíduos que participem das decisões sobre seus futuros. a educação ambiental que tenha por objetivo informar e sensibilizar as pessoas sobre os problemas (e possíveis soluções) existentes em sua comunidade. A tensão decorrente da concorrência entre as duas potências ficou conhecida na História como Guerra Fria.

rodrigomarchesin. Vejamos a seguir os pontos mais importantes da discussão apresentados pelos relatórios e suas sugestões para a resolução desses problemas.  Ecodesenvolvimento (1973). 29.4 Protocolo de Kyoto As discussões científicas em torno da questão climática (aquecimento global) começam em 1988. como um acontecimento marcante para a tentativa de solução dos problemas ambientais advindos da industrialização. Página 19 . Já nesta primeira reunião os cientistas apontavam para a gravidade do aumento da temperatura nas próximas décadas. In Cavalcanti. principal causador do efeito estufa. O IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental Sobre Mudança Climática) advertia sobre a necessidade de estabilizar a emissão de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera. na primeira reunião realizada em Toronto.  Relatório Brundtland (1987). Editora Cortez.com SUSTENTÁVEL Foi com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) nos anos 50. no Canadá. São Paulo.) Desenvolvimento e Natureza: estudos para uma sociedade sustentável.  Dag-Hammarskjöld (1975). Franz Bruseke4 apresenta como os mais importantes:  Clube de Roma (1972). 2002) e assinatura do Protocolo de Kyoto em fevereiro desse ano (2005). 1995. Podemos incluir na lista a Conferência Rio+10 (Johanesburgo. Os relatórios e conferências específicos sobre a questão ambiental surgem a partir dos anos 70. Clóvis (org. Franz Josef.  Rio 92 – Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992). 2. p. O problema do desenvolvimento sustentável. entre cientistas e governantes. com vários organismos internos que se iniciam programas específicos para o estudo do desenvolvimento econômico e das conseqüências ambientais da industrialização. A diminuição deveria 4 BRUSEKE. Em 1990 aparece o primeiro informe com colaboração científica internacional.  Declaração de Cocoyok (1974).www.

teve a assinatura de mais de 160 governos. Nele tem-se pela primeira vez um acordo que compromete os países do Norte a reduzir suas emissões. Para entrar em vigência ele deveria ser assinado por. As negociações em torno das metas para essa diminuição permaneceram em discussão ainda por seis anos.2% em relação aos níveis de 1990 para o período de 2008-2012.br/vestibuol/atualidades/ult1685u163. Em 1995 um novo informe do IPCC deixa clara a influência na mudança climática por motivos humanos. com a assinatura de 141 países. Fernando. Protocolo de Kyoto. nos níveis de 1990. Disponível em www. b) promoção do uso de fontes energéticas renováveis. apenas confirmaria a tendência da política econômica norte-americana em privilegiar seus interesses. Bush “declarou que os EUA. Dois anos após o informe (1997) em Kyoto no Japão. Data de acesso 15/11/2005. por ser danoso à sua economia”. é assinado o Protocolo de Kyoto. Carlos.rodrigomarchesin. Assim.1% das emissões dos países industrializados.6 Este fato. em 16 de fevereiro de 2005 o Protocolo entra em vigor. começando pelos países do norte.brasilescola. todos os países deveriam dentro do “princípio da responsabilidade comum” (Nosso Futuro Comum). Em 2001. Folha de São Paulo. que somariam 55% das emissões de CO2. Protocolo de Kyoto.com/geografia/protocolo-kyoto. pp. 6 FERREIRA.www. Dentro da perspectiva da sustentabilidade esperava-se proceder de forma que os países industrializados mantivessem suas emissões de “gases estufa”. p. esperava-se “evitar interferências antropogênicas perigosas no sistema climático”.jhtm. Disponível em http://noticias.5 Assim. htm. responsáveis em 1990 por 36. Basicamente o protocolo “compromete a uma série de nações industrializadas a reduzir suas emissões em 5. abandonariam o protocolo. 55 governos. com informações da BBC e do Ministério da Ciência e Tecnologia. ter a responsabilidade de proteger o clima. durante a Eco-92. ainda que não se tenha chegado a um acordo sobre o significado desse item”. Data de acesso 15/11/2005. 1. no mínimo.1-3. Com isso. Esses países devem mostrar um progresso visível no ano de 2005. em 2000.com SUSTENTÁVEL ser em torno de 60% na década de 90. o presidente norte-americano George W. A Convenção Marco sobre a Mudança Climática.uol. Página 20 .com. 5 YUJI. Entre as medidas para a redução das emissões de gases estufa tem-se: a) reforma dos setores de energia e transportes.

www. enviará para outros países. principalmente aqueles em “desenvolvimento” para investir em programas de reflorestamento. Em 2012 quando o prazo para os Página 21 . ele teria de pagar a dívida no segundo. d) redução das emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos. Mesmo não sendo obrigado a reduzir sua emissão de gases por ser um país em desenvolvimento.rodrigomarchesin. A discussão do Protocolo de Kyoto entre os ambientalistas acentua a influência humana nas mudanças climáticas e a responsabilidade dos países industrializados. Uma crítica à abordagem dos problemas ambientais e do desenvolvimento pode ser feita se considerarmos os efeitos históricos de todo o processo. Estes são “investimentos financeiros” que um país caso não consiga (ou não queira) reduzir sua emissão dentro de sua meta. já que o protocolo prevê uma nova etapa com a estipulação de cortes além de 2012”. b) Programa Nacional do Álcool (Proálcool). e c) Programa de Redução de Emissões Veiculares. ou qualquer outra atividade que auxilie na redução do aquecimento global. No entanto. reciclagem. e) proteção de florestas e outros sumidouros de carbono. Os programas desenvolvidos pelo governo brasileiro para “implantação da convenção do clima” são: a) Programa Nacional de Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural. é responsável pela produção de 250 milhões de toneladas de carbono – dez vezes menos que os EUA. Um dos pontos em aberto no Protocolo é a punição aos países que não cumpram suas metas até 2012.com SUSTENTÁVEL c) eliminação de mecanismos financeiros e de mercado inadequados aos fins da Convenção de Kyoto. O Brasil assinou a carta de ratificação do acordo em 23 de julho de 2002. caso um país não cumpra a meta no primeiro período de compromisso. “Segundo o acordo. Um dos mecanismos mais comentados são os chamados Créditos Carbono.

2. Afirma que poucos movimentos ou instituições no mundo possuem essa visão. saúde. não faziam parte da agenda dessas organizações. pp. tanto que.com SUSTENTÁVEL primeiros resultados terminar é que poderemos avaliar com certeza o alcance dessas medidas. transporte. De acordo com o almanaque o socioambientalismo é um movimento brasileiro. moradia. A partir dos anos 90 houve uma crescente influência na “promoção de estratégia para um novo estilo. contribuindo para uma visão limitada da realidade”. JACOBI. de desenvolvimento”. p. 374.cit.rodrigomarchesin. a palavra socioambiental não têm tradução literal para nenhum outra língua e precisa ser interpretada pela idéia que transmite. Pedro. Durante a ditadura militar (1964-1985). dava-se em termos de conflito e cooperação. O movimento ambiental soma-se aos outros movimentos do período. 2005. São Paulo.www. op. “A principal crítica é à excessiva tolerância com as indústrias pela poluição provocada e à morosidade dos processos de fiscalização.5 Movimento Ambientalista no Brasil7 A aglutinação das demandas ambientais no Brasil começou a se dar nos anos 1970.. quando os primeiros grupos estruturados aparecem e com o estímulo da Conferência de Estocolmo em 1972. dentro das estruturas federal e estadual. A cooperação se fortalece a partir de aproximações restritas a pequenos grupos da sociedade civil e pessoas que. no entanto. 374-377. acreditavam na importância de proteger o meio ambiente. etc. 9 JACOBI. Página 22 . tais como crescimento populacional e déficit de saneamento.9 7 8 Ver nota de rodapé 3. Houve uma confluência entre as agências ambientais estatais e algumas entidades ambientalistas.8 Esse movimento teria tido maior relevância na sociedade brasileira em meados da década de 70. deu origem ao socioambientalismo”. “a aproximação das lutas ambientais e sociais no Brasil. Instituto Socioambiental. Socioambientalismo. Outras questões diretamente ligadas ao agravamento da degradação ambiental. In: Almanaque Brasil Socioambiental. sustentável. há uma série de movimentos sociais que tentam encontrar respostas para seus problemas locais. Essa relação. Segundo Pedro Jacobi.

Segundo Jacobi essas campanhas obtiveram repercussão internacional e ajudaram na multiplicação de pressões contra o governo brasileiro. proteção a ambientes ameaçados etc. levando muito pouco em consideração as dimensões socioeconômicas da crise ambiental”. Exemplos: (a) aproximação entre com os seringueiros da Amazônia e o apoio das ONGs à criação das reservas extrativistas (que teriam ficado conhecidas internacionalmente após o assassinato de Chico Mendes em 22 de 10 Idem. educação ambiental. escolha de parte dos ambientalistas em entrar em instituições políticas (Partido Verde) e uma busca das ONGs ambientalistas em se profissionalizar e se aproximar das ONGs sociais. com a crise econômica e a crítica em relação ao modelo de desenvolvimento adotado surgem também maiores pressões internacionais para a crise ambiental. Muitas ações eram feitas como denúncias e conscientização.www.10 Desde os anos 1990. Página 23 . Também contra a construção das usinas nucleares no Rio de Janeiro no período 1977-1985.com SUSTENTÁVEL Esses grupos se concentravam na região sul-sudeste e eram compostos por ativistas que desenvolviam uma série de atividades. Uma das deficiências do movimento ambientalista era não possuir “nenhum diálogo ou repercussão na população mais excluída. p. 375. Houve articulações entre Organizações Não Governamentais (ONGs) européias e norte-americanas com as entidades brasileiras. Algumas campanhas tiveram atuação nacional. esse período. Exemplo: comunidades rurais. por “iniciativas para aprimorar os instrumentos legais de gestão ambiental” (legislação). trabalhos de proteção e recuperação de ambientes degradados. no entanto. Haveria uma série de parcerias estabelecidas entre os ambientalistas e as ONGs ou movimentos sociais. o movimento ambientalista brasileiro teria conseguido superar essas barreiras. Caracterizou-se também.rodrigomarchesin. contra a inundação de Sete Quedas no rio Paraná (1979-1983). como a Campanha Nacional contra o Desmatamento da Amazônia em 1978. Na década de 1980.

como dito acima. com o Desenvolvimento Sustentável. a necessidade de ampliar o escopo de sua atuação com engenharias institucionais que ampliem seu reconhecimento na sociedade e estimulem o engajamento de novos atores”.11 Como podemos perceber pela enumeração de ações e parcerias. No 11 12 Idem.com SUSTENTÁVEL dezembro de 1988). incorporando a luta tradicional dos índios pela proteção de suas terras e a preservação do meio ambiente. Idem. Página 24 . A sustentabilidade e a gestão de recursos. Principalmente. As implicações da ideologia adotada pelo movimento que podemos identificar como uma mistura entre o biocentrismo e o antropocentrismo. Muito da discussão em torno do desenvolvimento sustentável incentiva a participação da sociedade civil. No entanto. uma introdução à história do movimento ambientalista no Brasil. movimentos e grupos especializados em ações protecionistas e de cobrança para aplicação das legislações adequadas. Até mesmo. p. aponta essa participação como essencial na solução da crise ambiental. (c) aproximação com setores do Movimento dos Sem Terra (MST). que procurariam agora incluir a questão ambiental em suas demandas. são as palavras de ordem para qualquer ação que seja direcionada ao meio ambiente. (d) aproximação junto a diversas associações de bairro. para que estas possam ser aceitas pelos organismos governamentais. e. incluindo a “variável ambiental na luta pelo acesso a terá”.www. De outro. (b) interação das ONGs com o Movimento Indígena. nas ações que são realizadas pelo movimento. o desafio de ter uma participação cada vez mais ativa na governabilidade dos problemas socioambientais e na busca de uma ambientalização dos processos sociais. por sua vez.rodrigomarchesin. De um lado. 376. identifica-se. nos âmbitos político e social. muitos desafios ainda precisariam de solução. assim. criaria a impressão de um amplo movimento favorável às indicações do Nosso Futuro Comum. “O socioambientalismo do século XXI tem uma complexa agenda pela frente.12 Temos. A variedade de ONGs. haveria uma tendência no movimento brasileiro em buscar uma ampliação de suas ações.

perde ênfase ao ser confrontado com os problemas da miséria e distribuição desigual das riquezas. Nos países periféricos muito da questão ambiental. mesmo com as ações dos movimentos ecológicos.com SUSTENTÁVEL entanto. Os partidos políticos com enfoque ambiental. como o Partido Verde (PV) brasileiro não atinge as camadas da população mais pobres.www. Página 25 . Mantendo-se como demanda identificada com as classes média. dos países periféricos. de 1987 a 2005 percebemos que há uma distância muito grande entre o discurso das Nações Unidas e a realidade global. Principalmente.rodrigomarchesin.

Por essa razão. pois muitos autores atribuem apenas os incrementos constantes no nível de renda como condição para se chegar ao desenvolvimento. antes de apresentar definições do assunto em foco desta apostila. principalmente quanto à distinção entre desenvolvimento e crescimento econômico. se preocupar como tais incrementos são distribuídos. que de maneira exemplar. Na verdade.www. em Maio/Agosto de 2002. pertinente e acessível. sem. elas não são excludentes. Deve-se acrescentar que apesar das divergências existentes entre as concepções de desenvolvimento. Dessa forma. a clássica questão econômica da escassez tem um enorme peso sobre o processo decisório dos agentes econômicos.rodrigomarchesin. 13 O título do capítulo refere-se à uma obra do professor José Eli da Veiga e da escritora Lia Zatz. elas se completam.1 Desenvolvimento14 O debate acerca do conceito de desenvolvimento é bastante rico no meio acadêmico. publicado originalmente na Revista da FAE. é fundamental desviarmos nosso olhar para os dois conceitos construtores da expressão que tem produzido a maior revolução no uso dos fatores de produção desde a Revolução Industrial. sejam famílias ou empresas. Página 26 . as palavras desenvolvimento e sustentabilidade parecem um tanto quanto conflituosas para conviverem em harmonia no conceito de desenvolvimento sustentável. em alguns pontos. compreender cada um destes conceitos ajuda a explicar a intrincada rede de ações e reações que a sociedade humana criou e as necessidades de construção de um modelo econômico sustentado. no entanto. Hoje.com SUSTENTÁVEL 3 Desenvolvimento Sustentável: Que Bicho é Esse?13 À princípio. 3. 14 Texto baseado no artigo do economista Gilson Batista de Oliveira. abordaram o tema de forma ampla.

transporte. Os debates sobre o desenvolvimento econômico foram acirrados no período posterior à segunda grande guerra. condições de saúde. de forma a melhorar os indicadores de bem-estar econômico e social (pobreza. basicamente. ou seja. Com o término do conflito bélico. humana e social. discriminação racial.rodrigomarchesin. política e. desemprego.com SUSTENTÁVEL O desenvolvimento. o tema foi encarado por todos os países. econômicas e sociais. educação. principalmente os aliados. alimentação. do mesmo ano. educação e moradia). políticos e históricos muito profundos. deve resultar do crescimento econômico acompanhado de melhoria na qualidade de vida. Página 27 . Tais intenções foram reafirmadas em diversas declarações e conferências que sucederam o período de guerra. deve incluir “as alterações da composição do produto e a alocação de recursos pelos diferentes setores da economia. dos problemas que os perseguiam (e ainda perseguem) nos períodos anteriores: guerra. que expressavam o desejo de criar condições para que todos os homens possam desfrutar de seguridade econômica e social. que podem ser vislumbrados tanto na primeira Declaração Inter-aliada de 1941. Os economistas vêem surgir a necessidade de elaborar um modelo de desenvolvimento que englobe todas as variáveis econômicas e sociais. lazer. que não cabe analisar aqui. seus próprios territórios. habitação. em qualquer concepção. O debate sobre o tema é acirrado pela conceituação econômica do termo desenvolvimento. como na Carta do Atlântico. desigualdade. desenvolvimento é. tais como: saúde. e. principalmente. desemprego. Essa preocupação revelou os anseios de progresso e de melhoria das condições de vida das nações e regiões. isto é. dentre outras. incremento na quantidade de bens e serviços por unidade de tempo à disposição de determinada coletividade. Desenvolvimento nada mais é que o crescimento – incrementos positivos no produto e na renda – transformado para satisfazer as mais diversificadas necessidades do ser humano. miséria. Sob o prisma econômico. alimentação. obviamente. O desenvolvimento deve ser encarado como um processo complexo de mudanças e transformações de ordem econômica. que visavam livrar o mundo. que foi resultado de fatores econômicos. aumento do fluxo de renda real.www. desigualdades políticas.

que também procura abrir o tal “caminho do meio”. no entanto. mais pessoas com títulos de doutor. José Eli da. cuja maturidade se dá ao atingir o crescimento autosustentado. apesar de não ser condição suficiente para o desenvolvimento. Contudo. é um requisito para superação da pobreza e para construção de um padrão digno de vida. Mesmo com tanta controvérsia.rodrigomarchesin. mais publicações científicas. são consideradas desenvolvidas as sociedades capazes de produzir continuamente. como no caso do desenvolvimento. o que as diferencia não é seu grau de complexidade. É por isso que as nações perseguem o desenvolvimento (este como sinônimo de crescimento econômico) com o objetivo de acumular cada vez mais bens. mais anos de vida. sem. estão os que simplesmente acreditam que não exista dilema entre conservação ambiental e crescimento econômico. Como pode ser entendida a sustentabilidade. dentre vários outros. o crescimento econômico. Nesse sentido. Crêem. Já a terceira. Aqui. que seja 15 VEIGA. há duas teses extremas. não importando a qualidade desse acréscimo.2 Sustentabilidade15 O que é sustentável? Esta indagação também provoca três padrões básicos de resposta. que criam um impasse e um anátema no âmbito da retórica científica. Em nome do desenvolvimento buscam-se valores crescentes: mais mercadorias. por enquanto só faz parte da retórica político-ideológica. In: Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. os três tipos de respostas serão brevemente apresentados antes de serem examinados com mais atenção.www.com SUSTENTÁVEL É desta maneira que o desenvolvimento passa a ser entendido como uma resultante do processo de crescimento. se preocupar com os efeitos dessa acumulação desenfreada. Dessa maneira. Outra vez. de maneira contínua. na procura pelo crescimento sempre está presente o sentimento de que o bom é quando se tem mais. 3ª ed. ao contrário. 3. ou seja. 2008. Em primeiro lugar. talvez alcançar a capacidade de crescer sem fim. Página 28 . Rio de Janeiro: Garamond.

maio 1995. Há tudo quanto é tipo de curva. O debate científico internacional passou recentemente a ser pautado pela hipótese ultra-otimista de que o crescimento econômico só prejudicaria o meio ambiente até um determinado patamar de riqueza aferida pela renda per capita. Todavia. Página 29 . mas melhorava depois de ultrapassar certo patamar de riqueza. levaram Simon Kuznets a achar que pudesse existir uma lei que regeria a relação entre o crescimento do PIB e a desigualdade de renda. além de serem apenas sobre um punhado de casos. pp. não há qualquer evidência científica sobre as condições em que poderia ocorrer tal conciliação. a tendência seria inversa. Piorava na arrancada. as relações entre crescimento e desigualdade foram das mais heterogêneas.rodrigomarchesin. Ao examinar a relação entre o comportamento da renda per capita e quatro tipos de indicadores de deterioração ambiental – poluição atmosférica urbana. oxigenação de bacias hidrográficas e duas de suas contaminações (fecal e por metais pesados) – Gene M. Para o desgosto do que acham que o capitalismo é o fim da história.com SUSTENTÁVEL factível combinar essa dupla exigência. tal hipótese foi descartada quando estatísticas sobre um grande número de países que. Idêntica conjectura sobre a relação entre crescimento e meio ambiente foi lançada nas páginas de um dos mais respeitados periódicos científicos de economia: o “QJE” (The Quarterly Journal of Economics. Tanto é. Grossman e Alan B. em 1971. A partir dele. Os precários dados estatísticos disponíveis no pós-Segunda Guerra Mundial. até em “U” invertido. fazendo com que o crescimento passasse a melhorar a qualidade ambiental. que essa hipótese tem sido chamada de “curva ambiental de Kuznets”. por analogia à famosa curva em “U” invertido proposta em meados dos anos 1950 pelo terceiro ganhador do prêmio Nobel de Economia. Raciocínio idêntico à velha parábola sobre a necessidade de primeiro fazer o bolo crescer para depois distribuí-lo melhor. E as posições dos economistas podem variar de “A” a “Z” justamente porque ainda não é possível demonstrar uma das duas possibilidades extremas da polêmica.www. Krueger concluíram que as fases de desgraça e recuperação ambiental estariam separadas por um ponto de mutação que se situaria em torno de 8 mil dólares de renda per capita. 353-77). nos últimos cinqüenta anos.

e para quem tudo parecia correr às mil maravilhas. social e espacial. o que já está claro é que a hipotética conciliação entre o crescimento econômico moderno e a conservação da natureza não é algo que possa ocorrer no curto prazo. ou em locais específicos. Esse conceito foi apresentado em 1987 no Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum. Centenas de sofisticadíssimos testos serão relatados em periódicos do calibre do QJE até que ela possa cair em descrédito. é fundamental que seus usuários rompam com ingenuidade e se informem sobre respostas disponíveis para a pergunta “o que é sustentabilidade”.rodrigomarchesin. já existem bons indicadores que revelam as tragédias ambientais de países riquíssimos (.. sobretudo as necessidades dos mais pobres”.com SUSTENTÁVEL O destino dessa hipótese certamente será idêntico. Quando um grande número de países tiver indicadores confiáveis sobre um leque mais amplo de variáveis ecológicas. que professava um otimismo beato. em certas atividades. 3. que deve ser rejeitada a idéia de tão linear relação entre qualidade ambiental e renda per capita.www. de Voltaire). Para que a utilização desse adjetivo não seja tão abusiva. até que a comunidade científica se convença do contrário. que foi elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e 16 Relativo à figura literária do doutor Pangloss (personagem do romance Cândido.3 Desenvolvimento versus Sustentabilidade? “Desenvolvimento Sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de gerações futuras atenderem suas próprias necessidades. a panglossiana16 proposição de Grossman & Krueger continuará a pautar o debate.). constatar-se-á que são tão diversos os estilos de crescimento e as circunstâncias em que ele ocorre. Todavia. Aliás. É a fusão do crescimento econômico com responsabilidade ambiental. Página 30 .. de forma isolada. e muito menos. Por isso. Visa promover a harmonia entre os seres humanos e a natureza. nada pode ser mais bisonho do que chamar de “sustentável” esta ou aquela proeza. Seja qual for o futuro resultado dessa colossal polêmica.

mas em todo o planeta e até um futuro longínquo. um novo padrão de desenvolvimento. justiça social e eficiência econômica. contidos no relatório Nosso Futuro Comum. a fim de atender às necessidades e aspirações humanas". conciliando métodos de proteção ambiental. o "desenvolvimento sustentável" é um objetivo a ser alcançado não só pelas nações ‘em desenvolvimento’. ". que constitui a mais ousada e abrangente tentativa já realizada de promover. em escala planetária. o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos.. resultaram desse processo cinco outros acordos: a Declaração do Rio. Ele contém dois conceitos chaves: i) o conceito de ‘necessidades’. sobretudo as necessidades essenciais dos pobres do mundo. Os pontos centrais do conceito de desenvolvimento sustentável.www.. Página 31 . a direção dos investimentos. mas também pelas industrializadas. em 1992. também conhecida por ECO-92. o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas. de modo que sejam preservados. Assim. que não existe apenas um limite mínimo para o bem-estar da sociedade. criada pelas Nações Unidas e presidida pela então Primeira-Ministra da Noruega. a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro.. Tratase de um documento consensual para o qual contribuíram governos e instituições da sociedade civil de 179 países num processo preparatório que durou dois anos e culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD). Esta ação faz parte de uma série de iniciativas que reafirmam uma visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento. tipo de desenvolvimento capaz de manter o progresso humano não apenas em alguns lugares e por alguns anos. a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas.rodrigomarchesin.. (NOSSO FUTURO COMUM. no Rio de Janeiro. há também um limite máximo para a utilização dos recursos naturais. impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras. Além da Agenda 21. 1991) 17 A Agenda 21 é um programa de ação. Gro Harlen Brundtland. baseado num documento de 40 capítulos. Fica muito claro. a Agenda 2117: ". também tornaram-se referência para o delineamento de outro conjunto de intenções. nessa visão das relações homem-meio ambiente. atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades. que devem receber a máxima prioridade e: ii) "a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõem ao meio ambiente. Em essência. e que ressaltam os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade de suporte dos ecossistemas.com SUSTENTÁVEL Desenvolvimento.

4 Definições Complementares O modelo de desenvolvimento sustentável é uma forma de conciliar as necessidades de modificação da biosfera com a capacidade de suporte da mesma. aspectos políticos e culturais também devem ser levados em conta. no entanto. Ou seja. Dentro do conceito de desenvolvimento sustentável. de modo a garantir que os bens e serviços naturais estejam disponíveis também para as gerações vindouras. a idéia é crescer sem destruir o ambiente e esgotar os recursos naturais. Planet and Profit18. assim esta é outra crítica ao conceito de desenvolvimento sustentável. é considerada limitada por alguns cientistas já que não aborda outros aspectos como o político e o social. Os três P’s do Triple Bottom Line são: People.www. não adianta tentar mudar algumas coisas se a lógica do consumo continua a mesma. que é baseado no PIB que inclui outros itens como custos do crime. exaustão 18 Pessoas.rodrigomarchesin. Figura 1 – Quadro do Triple Bottom Line Um índice que surgiu com o conceito de sustentabilidade é o Índice de Progresso Genuíno (GPI). Planeta e Lucro.com SUSTENTÁVEL 3. Página 32 . foi criado o Triple Bottom Line (Figura 1). Essa definição. que pode ser traduzido como tripé da sustentabilidade. Além dos P’s.

www. mas que se popularizou por todos os continentes. principalmente no plano local. É possível afirmar que chegamos ao início do século XXI com um conceito de desenvolvimento sustentável bem mais amadurecido. uma verdade que abre grandes perspectivas para o futuro. de defensores e contestadores. passando a fazer parte da vida cotidiana das pessoas. Também temos os três R’s do consumo consciente são reduzir. reutilizar e reciclar. Página 33 .rodrigomarchesin. Um conceito que está presente desde as pequenas atitudes diferenciadas de comportamento. como a separação e a reciclagem do lixo doméstico. Uma forma de desenvolvimento que não está mais no plano abstrato. quanto dos processos produtivos que o envolvem. e que se mostra cada dia mais real e possível. tomadas pelo cidadão comum.com SUSTENTÁVEL de recursos e diminuição do tempo de lazer. até as grandes estratégias e investidas comerciais de algumas empresas as quais se especializaram em atender um mercado consumidor em franco crescimento. que hoje cobra essa qualidade diferenciada tanto dos produtos que consome. que não está mais restrito as discussões acadêmicas e políticas.

Desse modo. produzem impactos nas comunidades envolvidas. as quais possam contribuir para o efetivo alcance da eqüidade sócio-econômica. ao mesmo tempo. e estes não são compensados efetivamente no mercado. direta ou indiretamente. 4. é fundamental analisarmos.www. miséria. educação e outros aspectos que interferem diretamente na nossa qualidade de vida. economia. sem que isso signifique produzir uma perspectiva sombria à existência do Homem na Terra. interferem nas nossas ações e. em 1920. ou seja. habitação.com SUSTENTÁVEL 4 Dimensões da Sustentabilidade Para discutir a sustentabilidade. que estabeleceu que existe uma externalidade quando a produção de uma empresa (ou um consumo individual) afeta o processo produtivo ou um padrão de vida de outras empresas ou pessoas. é necessário a reflexão relacionada ao local onde habitamos. Para a compreensão ampla sobre as dimensões da sustentabilidade. Para a economia. Externalidades surgem quando o consumo ou a produção de um bem gera efeitos adversos (ou benefícios) a outros consumidores e/ou firmas. o conceito foi desenvolvido pelo economista inglês Arthur Cecil Pigou. temos que necessariamente abordar temas específicos como: saúde . via o sistema de preços. Página 34 .1 Externalidades O conceito de externalidade refere-se à ação que um determinado sistema causa em outros sistemas externos. o Planeta Terra. Ao discutirmos isso. primeiramente. de alguma forma.rodrigomarchesin. pobreza. Apenas baseado neste pressuposto que será possível definir novas políticas de desenvolvimento. na ausência de uma transação comercial entre elas. o conceito de externalidades. alterando o meio que as cercam devem ter especial atenção e criteriosa observação. todos os aspectos que.

como na construção de uma hidroelétrica. vemos que muitas vezes sai mais caro para a empresa manter-se como está. Negativas quando a ação causada trás malefícios a outros sistemas.www. encontrado o responsável. e está intimamente ligada à noção de bem-estar. que ao mesmo tempo em que beneficia irrigando áreas antes não irrigadas e ajudando na agricultura. sem modificar seu modo de produção e diminuir seus efeitos de destruição ambiental. Em alguns casos pode ocorrer externalidades positivas e negativas ao mesmo tempo. a qualidade da água melhora e assim as terras ao redor dele são valorizadas. ou seja. como o caso contrario dado à cima. 4. Positivas quando a ação causada por um sistema beneficia outros. Os princípios da sustentabilidade social Página 35 . é dele a responsabilidade de corrigir esse problema. seja por meio de tratamento de seus resíduos ou modificação de seu modo de produção. uma empresa não trata seus resíduos. Quando ocorre uma externalidade negativa. ele é obrigado a internalizar esse problema. do que aos poucos investir em melhorias e se tornar uma empresa sustentável e assim contribuir para uma melhoria ambiental. No caso da externalidade não poder mais ser revertida.com SUSTENTÁVEL As externalidades podem ser positivas ou negativas. ela também ajuda na proliferação de mosquitos na água parada e na destruição animal e vegetal do local.rodrigomarchesin. No caso de a externalidade ser negativa. assim polui o rio e as cidades q ficam no decorrem do rio são prejudicadas pela água contaminada. o responsável é multado e tem que pagar multas até deixar de ser causador da externalidade em questão. como quando a empresa trata seus resíduos antes de jogálos nos rios. o de internalização. é feito um estudo para descobrir o causador dessa externalidade. isso quando a externalidade pode ser corrigida.2 Sustentabilidade Social Esta dimensão social da estabilidade realça o papel dos indivíduos e da sociedade. Com isso. entre em regimento um novo conceito.

a sustentabilidade ecológica só pode ser alcançada por sociedades que desenvolvam comportamentos economicamente sustentáveis. pois cada geração deve. assim como o espaço de manobra para as gerações futuras. prevenindo a inflação. • no fato dos custos dos benefícios e serviços deverem ser pagos pela geração que deles beneficia-se. Estes são:  a garantia da auto-determinação e dos direitos humanos dos cidadãos.  a garantia de segurança e justiça através de um sistema judicial fidedigno e independente.www. Além disso.3 Sustentabilidade Econômica O conceito é redutor já que também os recursos econômicos têm de ser preservados. Os seus princípios residem sobretudo: • na organização de estruturas econômicas de longo prazo que devem responder às exigências de sistemas estáveis.  a garantia de meios de proteção social fundamentais para os indivíduos mais necessitados. • a promoção da igualdade de oportunidades. preservar o seu próprio capital recebido da geração dos seus pais e passálo à geração seguinte. tendo por objetivo a estabilidade social beneficiam também as gerações futuras. Página 36 . que não deve ser reduzida ao bem-estar material.rodrigomarchesin. pelo menos.  a luta constante pela melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. como infra-estruturas e edifícios. • na restrição parcial ou total do endividamento. • na estabilização do valor monetário.com SUSTENTÁVEL clarificam o papel dos indivíduos e a organização da sociedade e. 4. • na preservação do capital real. a promoção da autonomia da solidariedade e da capacidade de auto-ajuda dos cidadãos.  a inclusão dos cidadãos nos processos de decisão social.

rodrigomarchesin.4 Sustentabilidade Ecológica Sendo o ambiente fundamental para a vida. Até porque é contemporânea das primeiras percepções de risco ambiental e ameaças à vida no planeta. é natural que estes aspectos tenham dominado a discussão inicial em volta da sustentabilidade. • no fato de os impostos pagos por cidadãos e empresas serem orientados para a sua capacidade de pagamento. à preservação da biodiversidade e dos ecossistemas.www. 4. Recentemente. estendida à todas as espécies.com SUSTENTÁVEL • no uso eficaz dos recursos. • os riscos e o perigo para a vida humana provocados pelo Homem devem ser evitados. Os princípios fundamentais associados à sustentabilidade ambiental são: • a restrição ao uso de energias não renováveis (como o petróleo) que só devem ser usadas mediante compromisso de criação proporcional de fontes de energia alternativas. assumiu maior peso a abrangência da dimensão ambiental. As questões ambientais estiveram sempre no cerne do conceito de sustentabilidade e também sempre que se verificavam perigos iminentes para a sobrevivência da espécie humana. • a limitação de descarga de substâncias no meio ambiente que não deve ultrapassar a capacidade de assimilação do mesmo. • na negociação de pactos inter-gerações justos. • o uso cuidadoso das energias renováveis que nunca devem ser consumidas de forma a exceder a sua capacidade de regeneração. • na garantia de todos os serviços econômicos serem produzidos de forma transparente e tendo em conta todas as despesas. que não coloquem em desvantagem as gerações futuras. Página 37 .

4. • estabelecimento de uma rede de reservas naturais e de biosfera para proteger a biodiversidade. associada a tecnologias de nova geração (especialização flexível). por processos de colonização descontrolados. proporcionando para isso o acesso a pacotes técnicos adequados.rodrigomarchesin. operados por pequenos produtores. com especial atenção às indústrias de transformação de biomassa e ao seu papel na criação de empregos rurais não agrícolas. ao crédito e aos mercados. Os princípios que regem a sustentabilidade cultural e educativa são a criação de condições para o desenvolvimento da personalidade de adolescentes e jovens através de: Página 38 .com SUSTENTÁVEL 4. • promoção de projetos modernos de agricultura regenerativa e agroflorestamento. com ênfase nas seguintes questões: • concentração excessiva nas áreas metropolitanas.5 Sustentabilidade Espacial Voltada a uma configuração rural-urbana mais equilibrada e a uma melhor distribuição territorial de assentamentos humanos e atividades econômicas. • ênfase no potencial para industrialização descentralizada. • destruição de ecossistemas frágeis. Num mundo onde cada vez mais culturas se cruzam e aproximam-se. pois incorporam os princípios básicos da sociedade e a sua forma de vida. salvaguardando especificidades culturais ao mesmo tempo que se constroem sentimentos maiores e mais abrangentes com que os indivíduos se possam identificar.6 Sustentabilidade Cultural Os aspectos culturais e educacionais desempenham um papel fundamental para a sustentabilidade. é fundamental encarar o desafio da diversidade cultural como forma de enriquecimento coletivo. muitas vezes através de processos dolorosos. mas vitalmente importantes.www.

rodrigomarchesin.www. • a atenção dada pela sociedade à complexidade dos sistemas e à dinâmica de mudanças criando competências para enfrentar os seus riscos e desafios. justiça e liberdade. Página 39 . condições de bemestar. • a transmissão de valores fundamentais e do sentido de responsabilidade e ordem social. • facilitar a educação com objetivos profissionais e investir no desenvolvimento de um sistema de educação sólido entre gerações.com SUSTENTÁVEL • a garantia de condições mínimas como estruturas apropriadas. solidariedade.

impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura.com SUSTENTÁVEL 5 Responsabilidade Socioambiental Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. empresas de saúde.www. empresas de transporte e mobilidade. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. produtos e.19 19 Texto retirado de reportagem publicada. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo. Por outras vezes. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não podem ser atribuídas apenas em nível institucional. nos processos. conseqüentemente. na realidade. Em outras palavras. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. Página 40 . a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. na Revista de Apoio à Tecnologia (2005). as empresas automobilísticas. Em muitos casos. originalmente. em última análise. Em última análise. a lógica de mercado. e assim sucessivamente. A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto.rodrigomarchesin. mas precisam ser ratificadas pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. de forma permanente e estruturada. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. nos modelos de negócio.

relaciona-se com os trabalhadores e. a gestão das empresas não pode e não deve ser norteada apenas para o cumprimento de interesses dos proprietários das mesmas. de evolução de pensamento e de práticas relacionadas a situações circunscritas a determinados organismos – sistemas econômicos e políticos vigentes em determinados países e suas organizações.idec.br/bancos/responsabilidade_social_bancos/o_que_e_responsa bilidade_socioambiental. de um processo relacionado a questões específicas de tempo e espaço. um processo dinâmico. contribuir para uma sociedade mais justa e para um ambiente mais limpo.com SUSTENTÁVEL 5. portanto. podemos entender a responsabilidade socioambiental como um conceito. Página 41 . autoridades públicas. Disponível em: http://www. clientes. O nível externo. posto que reflete o próprio 20 IDEC. notadamente. os valores professados na ação prática cotidiana no mercado de consumo – refletida na publicidade e nos produtos e serviços oferecidos. também. a responsabilidade social.” Dessa forma. E. concorrentes e sociedade em geral. segundo o qual. o ambiente e os seus parceiros de negócio.1 Conceito Entre as diversas abordagens e definições em torno do tema. deve ser o pressuposto e a base da atividade empresarial e do consumo. a todas as partes interessadas alcançadas pela empresa e que. fornecedores. por seu turno. mas também pelos de outros detentores de interesses (stakeholders) como trabalhadores. comunidades locais. meio ambiente e trabalhadores. as empresas decidem. é interessante observarmos conceito proposto pelo IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor: “(…) uma postura ética permanente das empresas no mercado de consumo e na sociedade.www. nível interno.html. no nosso entendimento. por sua vez. a transparência nas relações com os envolvidos nas 20 suas atividades. O primeiro. o conceito de responsabilidade socioambiental deve ser entendido em dois níveis. Engloba a preocupação e o compromisso com os impactos causados a consumidores. mais genericamente.rodrigomarchesin. Trata-se.org. numa base voluntária. ainda. Muito mais que ações sociais e filantropia. podem influenciar os seus resultados. Entretanto. Com base nesse pressuposto. e. tem em conta as conseqüências das ações de uma organização sobre os seus componentes externos. a postura da empresa em busca de soluções para eventuais problemas.

org.br/EthosWeb/pt/29/o_que_e_rse/ o_que_e_rse. e dos recursos financeiros e humanos disponíveis. Se por um lado o setor privado tem cada vez mais lugar de destaque na criação de riqueza. Instituto. no qual se entrecruzam diversos fatores de ordem econômica. da INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação.portal-rp. A responsabilidade social e a contribuição das relações públicas. complementa este conceito: “Responsabilidade Social consiste no somatório de atitudes assumidas por agentes sociais – cidadãos. no XXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. vem grande responsabilidade. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. 21 22 FERNANDES. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras.”22 As transformações sócio-econômicas dos últimos 20 anos têm afetado profundamente o comportamento de empresas até então acostumadas à pura e exclusiva maximização do lucro.com SUSTENTÁVEL meio social. por outro lado. privadas com ou sem fins lucrativos – estreitamente vinculadas a ciência do dever humano (ética) e voltadas para o desenvolvimento sustentado da sociedade. organizações públicas.”21 5. empresas têm uma intrínseca responsabilidade social. Em função da capacidade criativa já existente.ethos. Disponível em: http://www. Manaus – AM. O que é RSE. realizado de 2 a 6 de setembro de 2000 na Universidade do Amazonas. envolvendo diversos segmentos da sociedade – cidadãos. Ângela.rodrigomarchesin.br/ bibliotecavirtual/responsabilidadesocial/0098.com.2 Responsabilidade Social Empresarial De acordo com o Instituto Ethos. Comunicação apresentada ao GT de Relações Públicas. consumidores.aspx.htm. Acesso em: 16/09/2010. Disponível em: http://www1. comunidades etc. política e cultural. ETHOS. organizações públicas ou privadas. Página 42 . a Responsabilidade Social Empresarial pode ser compreendida como: “… a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade.www. Numa tentativa de aplicação racional do termo responsabilidade social.

Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou sociais. portanto. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e à sociedade. deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. mas também significa maior legitimidade social. A responsabilidade social nos negócios é um conceito que se aplica a toda a cadeia produtiva. por fim. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros. à mídia. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de desenvolvimento sustentável.www. grosso modo. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios. muitos ainda confundem o conceito com filantropia.rodrigomarchesin. Página 43 .  É distributiva. portanto. às comunidades com que opera. Assim como consumidores. conseqüentemente. relativamente recente. mas também envolvem melhor performance nos negócios e. Um diálogo mais participativo não apenas representa uma mudança de comportamento da empresa. A busca da responsabilidade social corporativa tem. empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações.com SUSTENTÁVEL A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é. O desenvolvimento sustentável não só se refere ao ambiente. empresas também são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços usados ao longo de seus processos produtivos.  É sustentável. mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. Infelizmente. ao setor não-governamental e ambiental e. mas as razões por trás desse paradigma não interessam somente ao bem estar social. como impactos ambientais ou processos judiciais. Empresas não devem satisfações apenas aos seus acionistas. ao governo. mas por via do fortalecimento de parcerias duráveis. maior lucratividade. Empresas só têm a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. mas o conceito é de interesse comum e. não só garante a não escassez de recursos. Muito pelo contrário. promove a imagem da empresa como um todo e por fim leva ao crescimento orientado. as seguintes características:  É plural.

mas o Brasil tem dado passos largos no sentido da profissionalização do setor e da busca por estratégias de inclusão social através do setor privado. o terceiro setor é constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais. o setor privado começou a ajudar nas questões sociais.3 Terceiro Setor O primeiro setor é o governo.www. como aquele de iniciativas de participação cidadã. que têm como objetivo gerar serviços de caráter público. composta por organizações que visam a benefícios coletivos. A globalização traz consigo demandas por transparência. o terceiro setor é visto como derivado de uma conjugação entre as finalidades do primeiro setor e a metodologia do segundo. responsável pelas questões individuais.com SUSTENTÁVEL  É transparente. O espaço criado pelo terceiro setor se configura. Não mais nos bastam mais os livros contábeis. Nesse sentido. onde sua performance é aferida nas mais diferentes modalidades possíveis. que é responsável pelas questões sociais. ou seja. então. Página 44 . empresas serão obrigadas a publicar relatórios anuais. genericamente. Com a falência do Estado. mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo.23 5. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental. através das inúmeras instituições que compõem o chamado terceiro setor. Muitas empresas já o fazem em caráter voluntário.rodrigomarchesin. Portanto. os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes. Ou seja. O segundo setor é o privado. As ações que se constituem neste espaço são tipicamente extensões da 23 Texto retirado do sítio: http://www. Muito do debate sobre a responsabilidade social empresarial já foi desenvolvido mundo afora.responsabilidadesocial.php?id=1.com/institucional/institucional_view.

temos também as fundações mistas que doam para terceiros e ao mesmo tempo executam projetos próprios. Nos Estados Unidos já existem 40. 5. não sendo controladas por entidades externas.  Privada: Estas organizações não têm nenhuma relação institucional com governos. Depois de 5 anos. o GIFE . o que distingue essas organizações não é o fato de não possuírem ‘fins lucrativos’. e sim. o destino que é dado a estes. quando existem.com heróico esforço.  Autônoma: Possuem os meios para controlar sua própria gestão.com SUSTENTÁVEL esfera pública não executadas pelo Estado e caras demais para serem geridas pelos mercados.3.  Voluntária: Envolvem um grau significativo de participação voluntária (trabalho não remunerado).rodrigomarchesin.Grupo de Instituições. muitas fundações no Brasil têm pouca atuação na área social.1.3. sendo que a 10º colocada tem 10 bilhões de dólares de patrimônio. fazendo doações às entidades beneficentes. No Brasil.www. Página 45 . embora possam dele receber recursos. A participação de voluntário pode variar entre organizações e de acordo com a natureza da atividade por ela desenvolvida. Fundações e Empresas . Nossa maior fundação tem 1 bilhão. As organizações que fazem parte deste setor apresentam as seguintes características:  Estruturada: Possuem certo nível de formalização de regras e procedimentos.  Não distribuidoras de lucros: Nenhum lucro gerado pode ser distribuído entre seus proprietários ou dirigentes. Portanto.1 Principais Personagens 5. ou algum grau de organização permanente. No entanto.000 fundações. Temos poucas fundações no Brasil. conseguiu 66 fundações como parceiras.1 Fundações São as instituições que financiam o terceiro setor.

Em vez de cada empresa doar para uma entidade. combatem a violência. 5.rodrigomarchesin. dão suporte aos desamparados. fazem tudo. seqüestros de dinheiro e congelamentos. estas doações mínguam.2 Entidades Beneficentes São as operadoras de fato. a maioria de nossas fundações não tem fundos. atendem suicidas às quatro horas da manhã. drogados e alcoólatras. merenda. O conceito de fundação é. profissionalizam. reabilitam vítimas de poliomelite.000 a 220.1. promovem os direitos humanos e a cidadania. o de acumular fundos nos anos bons para poder usá-los nos anos ruins. justamente quando os problemas sociais aumentam. velhos e adultos. ensinam esportes. Página 46 . o que inclui escolas. e administram efetivamente a distribuição do dinheiro. cuidam de cegos. doam sangue. cuidam dos carentes. 5.3 Fundos Comunitários Community Chests são muito comuns nos Estados Unidos. ajudam a preservar o meio ambiente. Um dos poucos fundos existente no Brasil. órfãos e mães solteiras. surdosmudos. livros. meninos de rua. sendo que os empresários avaliam. protegem testemunhas. de Campinas.1. justamente.3. todas as empresas doam para um Fundo Comunitário. associações de bairro e clubes sociais. Em épocas de recessão. sopão. educam jovens.www.000 entidades existentes no Brasil. estabelecem prioridades. cuidam de filhos de mães que trabalham. Vivem de doações anuais das empresas que as constituíram. enfim. é a FEAC. com resultados comprovados.3. idosos. São publicados números que vão desde 14. A Fundação Bradesco é um dos raros exemplos de fundação com fundos.com SUSTENTÁVEL Devido à inflação.

Uma ONG que defenda os direitos da mulher. Na legislação brasileira. que ajuda os carentes do bairro. elas são muito poderosas politicamente. Lá.1.4 Entidades Sem Fins Lucrativos Infelizmente. nunca de uma empresa jurídica. essas entidades também podem ser caracterizadas ou definidas como OSCIP’s – Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público. é sempre do indivíduo. sem fins lucrativos. ao invés de assumirem para si. lucrativas ou atendem os interesses dos próprios usuários. por exemplo. Um clube esportivo. Se procurarmos no Código Civil ou em outra lei a sigla ONG.1.5 ONG’s (Organizações Não Governamentais) Nem toda entidade beneficente ajuda prestando serviços a pessoas diretamente. Não há uma espécie de sociedade chamada ONG no Brasil. mas um reconhecimento supralegal.3. fazendo pressão sobre nossos deputados. a OSCIP é entendida como uma instituição em si mesma. não vamos encontrar. porém.6 Empresas com Responsabilidade Social A Responsabilidade Social. 24 Existe uma certa confusão no que diz respeito ao termo OSCIP. no fundo. Não há no direito brasileiro qualquer designação de ONG. político e sociológico que está em vigor mundo afora. de cunho cultural. organizações que lutam por uma causa. estes números chegam a 220.rodrigomarchesin. é sem fins lucrativos. 5. isto é. está ajudando indiretamente todas as mulheres. Página 47 . OSCIP é uma qualificação decorrente da lei nº 9. universidades e hospitais eram no passado. as pessoas repassariam as suas responsabilidades às empresas e ao governo.3. Nos Estados Unidos.www. O importante é diferenciar uma associação de bairro ou um clube que ajuda os próprios associados de uma entidade beneficente.790 de 23/03/99. somente no nome. como aqui.1. mas beneficia somente os seus respectivos sócios.000.24 5. na realidade. esta categoria é chamada também de Advocacy Groups. nem de um Estado impessoal. Muitas escolas. Caso contrário.com SUSTENTÁVEL 5. muitas entidades sem fins lucrativos são. De modo geral.3. Por isto.

No Brasil. notadamente da classe média. leilões e eventos.foi um dos pioneiros nesta área.1. As fundações doam 40%. as empresas contribuem somente com 10% da verba filantrópica global. produzidos sem danos ambientais. o governo repassa 26% e o resto vem de bingos beneficentes. doam os 90% restantes.7 Pessoas Físicas No mundo inteiro. Página 48 . acessíveis. O Instituto Ethos – organização sem fins lucrativos criado para promover a responsabilidade social nas empresas .com SUSTENTÁVEL Mesmo conscientes disso. algumas empresas vão além da sua verdadeira responsabilidade principal. menos que 28% do total das doações. 5. e de estimular seus funcionários a serem mais responsáveis. em média. Porém. a nossa classe média doa. vivem reclamando que os "outros" não resolvem os problemas sociais do Brasil. enquanto as pessoas físicas.www.3.rodrigomarchesin. que é fazer produtos seguros. 23 reais por ano.

realizada em 1972. a “Declaração sobre o Ambiente Humano” ou “Declaração de Estocolmo” e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). apresenta como alguns de seus instrumentos: Página 49 . como níveis de poluição altamente comprometedores da qualidade de vida e elevado risco de esgotamento dos recursos naturais. com desenvolvimento sustentável. de onde saiu o documento Agenda 21. regida pela Lei nº 6. 6. e o Protocolo de Kyoto (1997).com SUSTENTÁVEL 6 Política Ambiental A preocupação com o meio ambiente entrou na agenda em escala mundial a partir dos anos 1970. a II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – RIO92 (1992). se passou a perceber que o boom do pós-guerra havia redundado em problemas de outra natureza. Desde então. O debate veio a evidência com a realização da I Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Conferência de Estocolmo). em meio à crise econômica. ou seja. como a elaboração do Protocolo de Montreal (1987). com o devido reconhecimento de sua gravidade. e também de criam instrumentos de regulamentação de fiscalização. além da tendência mundial de ações governamentais que apóiam uma gestão empresarial verde. quando. constituindo-se um marco fundamental na política ambiental global.938 de 31 de Agosto de 1981. Atualmente já está em discussão a formulação de um novo protocolo para a substituição do protocolo de Kyoto.www. representando o primeiro fórum de discussões dos problemas ambientais.1 Legislação Ambiental A Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA).rodrigomarchesin. que determinava a redução de 50% na produção e consumo dos CFC's. Resultaram desta conferência. a política demonstra a preocupação com o meio ambiente. para a redução da emissão de carbono e gases na atmosfera.

771.  a aplicação de penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção de degradação ambiental. Página 50 .  a avaliação de impactos ambientais.  Lei 9. com a função de promover.985 – Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).  Resolução CONAMA nº 237/97 – Licenciamento Ambiental. dos territórios e dos Municípios.257 – Estatuto das Cidades.com SUSTENTÁVEL  o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. O órgão superior do SISNAMA é o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). ainda.www. de 12 de Fevereiro de 1998.  Lei 9. com a função de assistir ao Presidente da República na formulação de diretrizes da PNMA. de 18 de Junho de 2000.  o zoneamento ambiental.  o licenciamento ambiental.433 – Lei Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.  a criação de áreas legalmente protegidas. A Lei 6. do Distrito Federal. de 20 de Março de 2002. a estruturação do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA). podemos citar também:  Lei 9. composto por órgãos e entidades da União. disciplinar e avaliar a implementação da PNMA. responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental.  Resolução do CONAMA nº 001/86 – Avaliação de Impactos Ambientais.605 – Lei de Crimes Ambientais. Dentre outras leis. de 10 de Julho de 2001.rodrigomarchesin. O órgão central do SISNAMA é o IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente). de 8 de Janeiro de 1997. alterada pela Lei 7.803 – Áreas de Preservação Permanentes e Reservas Legais.  Lei 10.938/81 apresenta.  Lei 4. dos Estados.

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Tais leis amparam os órgãos fiscalizadores brasileiros no cumprimento do dever de preservação e desenvolvimento sustentável e punem, conforme sanções previstas, empresas que descumprem as orientações e determinações legais.

6.2 Política Ambiental 6.2.1 Intervenção Governamental
Por que os governos precisam realmente intervir? A resposta é que em assuntos ambientais a mão invisível do mercado não consegue alinhar os interesses individuais ou empresariais com os sociais em geral. As pessoas podem guiar seus carros e não tomar ônibus para ir ao trabalho, as empresas podem usar clorofluorcarbonatos em seus refrigeradores comerciais.

Em ambos os casos, os custos para a sociedade em geral, pela fumaça do transito num caso e pela camada de ozônio danificada no outro, excedem qualquer custo privado individual ou empresarial. Só o mercado não basta. Os governos precisam intervir para alinhar os custos privados com os da sociedade como um todo.25

Para que o governo consiga controlar são criados mecanismos para garantir um desenvolvimento sustentável, como por exemplo, a criação de padrões de emissão de poluentes, que além das emissões controlam os processos e equipamentos, que é o caso do protocolo de Kyoto.

Outro mecanismo a ser citado é o zoneamento, que é a determinação de áreas em que não são permitidas certas atividades, como por exemplo, mineração, e também as licenças, que é a concessão via acordo de áreas para produção, a fim de restringir atividades em determinadas áreas ou a certos períodos do ano, como por exemplo, a indústria pesqueira.
25

CAIRNCROSS, p. 99, 1992. Página 51

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Por fim, a criação de cotas regulamenta a extração de recursos naturais, para que não haja uma produção predatória e garanta a preservação do meio ambiente. Ainda temos os órgãos de fiscalização governamental que fazem com que as leis e regulamentações vigentes sejam cumpridas, como veremos posteriormente.

6.2.2 Instrumentos Econômicos
A teoria econômica que fundamenta a maior parte da discussão sobre políticas ambientais em nível internacional tem por base o conceito de externalidade. Isto é, a degradação ambiental é traduzida como discrepância entre os custos privados e sociais. A melhor recomendação política é segundo essa orientação, a aplicação de instrumentos econômicos que incentivem os agentes a considerar os custos sociais nas suas decisões individuais. A idéia é que passem a sofrer algum ônus pela poluição causada ou mesmo a receber algum ganho por poluir menos.

Os tipos de instrumentos econômicos são os seguintes:  taxas e tarifas;  subsídios;  sistemas de devolução de depósitos;  criação de mercado.

As taxas são utilizadas porque as empresas passam a se preocupar com algum fator a partir do momento que ele possa gerar algum custo adicional para ela. Há vários tipos de taxa: taxa sobre efluentes, que são pagas sobre descargas no meio ambiente seja no ar, na água, no solo, baseada na quantidade ou qualidade do efluente; taxa sobre usuários, que é o pagamento pelos custos de tratamento público ou coletivo de efluente; taxa sobre produto, que é a adição ao preço dos produtos que geram poluição.

Os subsídios são formas de assistência financeira cujo objetivo é incentivar os poluidores a reduzir os níveis de poluição. Podem ser: subvenções, que são formas de
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assistência financeira condicionada a adoções de medidas antipoluição; empréstimos subsidiados, que são financiamentos de investimentos antipoluição a taxas de juros abaixo das de mercado; incentivos fiscais, os quais referem-se a depreciação acelerada de investimentos ou outras formas de isenção ou abatimento de impostos em casos de adoção de medidas antipoluição.

Os sistemas de devolução de depósitos são sobretaxas que incidem no preço final do produto potencialmente poluidor, devolvidas quando do retorno devido ao produto.

E, por fim, a criação de mercado consiste na criação de licenças de poluição negociáveis, como por exemplo, a compra e venda de direitos (cotas) de poluição, como a de emissão de carbono.

Entretanto, convém observar que dependendo do mercado, se for monopolizado, o custo pode recair sobre o consumidor. Alguns estudos microeconômicos demonstram que a determinação de limite para emissão de poluição funciona melhor que o imposto nesses casos.

6.3 Tributação Ambiental
A partir da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em 1972 realizada em Estocolmo, que introduziu a complexidade da problemática ambiental na agenda internacional representando um marco na percepção dos problemas decorrentes do binômio desenvolvimento e meio ambiente, grande parte das nações industrializadas promulgou legislações e regulamentos ambientais, criando organismos encarregados de cuidar do meio ambiente. Organizações governamentais passaram a inserir a questão ambiental em seus programas e um grande número de ambientalistas e de organizações não governamentais surgiram em todo o mundo. Todavia, foram poucos os resultados no sentido de diminuir o impacto do crescimento econômico no meio ambiente.

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Em 1987 a publicação do relatório da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento “Nosso Futuro Mundial” veio alertar as autoridades governamentais para a necessidade de adoção de políticas públicas efetivas no combate à poluição, e motivar a realização no Rio de Janeiro, em 1992, da Conferencia sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Dentre os documentos gerados na Conferência destacou-se a Agenda 21, programa de ação para se implementar o desenvolvimento sustentável, que reconhecia que as leis e regulamentos ambientais, embora tivessem um papel importante, não eram suficientes para determinar novas atitudes e comportamentos das empresas e agentes poluidores. Para isso seria necessário que se fizessem acompanhar por instrumentos econômicos que adotassem o princípio do poluidor-pagador, internalizando os custos ambientais nos custos privados que os agentes econômicos incorressem em atividades de produção e consumo.

Considerando os instrumentos econômicos utilizados em políticas públicas de combate à poluição, os tributos são, sem dúvida, aqueles que vêm obtendo melhores resultados, impondo às indústrias e aos agentes poluidores o pagamento, de forma individual, pelo custo da poluição e degradação que geram e pelos malefícios que criam para a coletividade.

6.3.1 Tributação Ambiental no Brasil
O princípio do “poluidor-pagador” afirma que o poluidor deve arcar com o custo das medidas antipoluição adotadas pelas autoridades públicas para assegurar que o meio ambiente esteja num estado aceitável. Este princípio deve ser considerado como uma forma específica de distribuir os custos da proteção ambiental entre os poluidores ou usuários dos recursos e aqueles que se beneficiam desses melhoramentos.

O princípio do “poluidor-pagador” foi adotado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento dos Estados – OCDE em 1972 como orientação para políticas ambientais por parte dos governos e agências de assistência, estando hoje incluído no Princípio 16 da
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www. solventes. O estudo demonstra que a tributação é também aplicada com freqüência na administração do lixo e no combate a poluição da água. o interesse das autoridades governamentais centrou-se muito mais em instrumentos de política ambiental de base mercadológica. pilhas. complementam o papel dos instrumentos de comando e controle na alteração do comportamento e da atitude dos agentes poluidores.vitaecivilis. abrindo espaço para políticas ambientais mais eficientes economicamente e adequadas em relação às políticas setoriais. O Sistema Tributário Brasileiro permite que os impostos incidentes sobre a produção. processos produtivos ou consumos voltados à preservação do meio ambiente. Um estudo desenvolvido pela OCDE. ao internalizar os custos da degradação ambiental. revela a existência de cerca de 40 modalidades de tributos ambientais utilizados em âmbito nacional e concentrando-se basicamente sobre combustíveis e outros tipos de produtos energéticos e foram instituídos com a finalidade de controlar a poluição gerada por veículos automotores. diferentes tipos de bens como pneus. como sendo as principais categorias de instrumentos econômicos em termos de impacto e freqüência de aplicação. enfocando a utilização de tributos ambientais por 28 países membros da organização.asp?site_Acao=mostraPagina&paginaId=2013.br/default. o consumo e a propriedade possam ser utilizados como instrumentos de 26 Disponível em: http://www. que reconhece que os instrumentos econômicos. Página 55 . A análise da experiência brasileira com a utilização de instrumentos econômicos revela o surgimento de alguns instrumentos legais que adotaram princípios indutores de atividades. tais como a poluição sonora dos aviões.rodrigomarchesin.org. Outros elementos nocivos à biodiversidade também são tributados. Nos anos de 1994 e 1995 novos estudos da OCDE identificaram os tributos. nas suas diferentes formas. No final dos anos 1980 e durante os anos 1990.com SUSTENTÁVEL Declaração do Rio de Janeiro sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento de 199226. embalagens de papel e de plásticos.

evitando assim que sejam consideradas improdutivas. da infraestrutura do distrito e do acesso e fruição do patrimônio natural de Fernando de Noronha. No caso dos estados que adotaram o ICMS ecológico como Paraná.rodrigomarchesin. embora de uso isolado por algumas unidades da federação como indica o estudo Instrumentos Econômicos e Financeiros:  há previsões para utilização do abatimento do Imposto sobre a Renda – IR de importâncias despendidas em atividades de florestamento e reflorestamento. Existem ainda outras possibilidades de utilização de tributos ambientais no Brasil.com SUSTENTÁVEL tributação ambiental. São Paulo. O imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é de competência estadual e segundo a legislação vigente.  as alíquotas do Imposto sobre Produtos Importados – IPI e do Imposto sobre Veículos Automotores – IPVA incidentes sobre veículos movidos a álcool e a gasolina são diferenciadas. No Brasil. por meio de um sistema de graduação de alíquotas. Página 56 . há uma variável indutora nos critérios de distribuição da quotaparte que procura compensar os municípios que adotam uma conduta ambiental conservacionista e abrigam unidades de conservação em seus territórios. Minas Gerais. instituído na década de 1990 é sem dúvida a experiência mais importante no campo da tributação ambiental e vem ganhando importância dentro da estrutura regulatória.  encontramos ainda dentre os preceitos legais a existência de uma taxa de preservação ambiental que é cobrada pela utilização pelos visitantes. dando origem à transferência intergovernamental denominada quota-parte do ICMS. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. previstos legalmente. um quarto do produto de sua arrecadação deve ser distribuído para os municípios segundo critérios econômicos. isenções e restituições. o ICMS Ecológico.www.  na utilização do Imposto Territorial Rural – ITR devem ser excluídas das áreas tributáveis as de preservação permanente e de reserva legal. o que com certeza induz à exclusão da cobertura vegetal.

o trabalho.com SUSTENTÁVEL  há várias experiências de utilização do Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU nos municípios de São Paulo. Rio de Janeiro. a utilização da tributação ambiental continua crescendo. Página 57 . Em suma.  no município do Rio de Janeiro foi instituída a contribuição de melhoria sobre proprietários de imóveis valorizados por obras públicas que apresentem conteúdo ambiental. onde ficaram isentas do ônus tributário as áreas de interesse ecológico ou relevante do ponto de vista ambiental para o município. vêm substituir a tributação de “coisas boas” como. Embu e Diadema. de modo que os tributos que recaem sobre “coisas ruins”. verificando-se uma tendência de integração dos tributos ambientais às estruturas fiscais existentes. por exemplo.rodrigomarchesin.www. como a poluição.

Criada em 1997 pelo Council on Economic Priorities Accreditation Agency (CEPAA). Selo criado pela Fundação Abrinq para empresas que não utilizem mão-de-obra infantil e contribuam para a melhoria das condições de vida de crianças e adolescentes. O ISO 14000 dá destaque às ações ambientais da empresa merecedora da certificação. O AA1000 foi criado em 1996 pelo Institute of Social and Ethical Accountability. Um certificado desse nível. trabalho escravo ou discriminação. como trabalho infantil. consagrado mundialmente. é a comprovação das boas práticas empresariais. ou stakeholders. uma série de instrumentos de certificação foi criada nos últimos anos. o SA8000 enfoca.rodrigomarchesin. primordialmente. O apelo relacionado a esses selos ou certificados é de fácil compreensão.  SA8000. O ISO 14000 é apenas mais uma das certificações criadas pela International Organization for Standardization (ISO). enumeramos as seguintes:  Selo Empresa Amiga da Criança. Uma de suas principais características é o caráter evolutivo. já que é uma avaliação regular (anual).  ISO 14000. A Social Accountability 8000 é uma das normas internacionais mais conhecidas. A pressão por produtos e serviços socialmente corretos faz com que empresas adotem processos de reformulação interna para se adequarem às normas impostas pelas entidades certificadoras. Entre as certificações mais cobiçadas atualmente. Página 58 . Esta certificação de cunho social enfoca principalmente a relação da empresa com seus diversos parceiros. relações trabalhistas e visa assegurar que não existam ações anti-sociais ao longo da cadeia produtiva. empresas vêem vantagens corporativas em adquirir certificações que atestem sua boa prática empresarial.  AA1000.com SUSTENTÁVEL 7 Certificações No intuito de estimular a responsabilidade social empresarial. Num mundo cada vez mais competitivo.www.

E.rodrigomarchesin. Deste modo aumenta a competitividade das empresas certificadas frente às empresas que não estão.www.com SUSTENTÁVEL Figura 2 – Selos de Instituições Certificadoras Além das mudanças impostas pelo mercado. A certificação também aumenta a satisfação do cliente e facilita a venda de produtos e a introdução destes em novos mercados já que são comprovadamente projetados e fabricados de acordo com as expectativas do mercado consumidor. se as normas nacionais a serem aplicadas são equivalentes às normas dos países de destino ou Página 59 . evita a necessidade de certificação pelo país de destino. reduzindo desperdício e ampliando a produtividade das empresas. Neste sentido. diminuindo a perda de produtos e os custo da produção. como a ABNT. possui acordos de reconhecimento com outros países.  Benefícios para o exportador: quando a certificação é feita por um Organismo de Certificação que. a certificação também carrega no seu bojo aspectos que podem ser considerados benéficos na medida em que colaboram para um sistema gerencial mais eficaz. são benefícios da certificação:  Benefícios para o fabricante: a certificação garante a implantação eficaz dos sistemas de controle e garantia da qualidade nas empresas.

 revisão que as empresas realizam em todo seu processo produtivo para a obtenção da certificação ISO 14001.com SUSTENTÁVEL às internacionais. Se a marca é conhecida e procurada. por outro lado. se evita a competição desleal. permite identificar e eliminar/reduzir desperdícios. além da economia dos gastos com a sua aquisição. A otimização das matériasprimas. Dentro desse contexto. Página 60 . revertida em bonificação financeira para a empresa. a certificação de acordo com estas normas protege o exportador de barreiras técnicas ao comércio. evitando punições legais do seu não cumprimento. a certificação oferece vantagens específicas como:  atender a legislação ambiental. também funciona como meio de precaução contra futuras indenizações por danos ao meio-ambiente. proporciona a garantia de troca e consertos e permite a comparação de ofertas. pode produzir uma economia de energia. impedindo a importação e consumo de produtos de má qualidade.rodrigomarchesin.  otimização do tempo de produção.www. pode auxiliar o desenvolvimento de políticas de proteção ao consumidor. auxiliando a escolha dos produtos por parte dos consumidores. melhorando o nível de qualidade dos produtos industriais nacionais. A certificação assegura uma relação favorável entre qualidade e preço.  Benefícios para o consumidor: o produto certificado dá maior confiança e é um meio eficaz através do qual o consumidor pode identificar os produtos que são controlados e testados conforme as normas nacionais e internacionais. Além destes benefícios. A certificação evita também o estabelecimento de controles obrigatórios desnecessários e. também gera diminuição de resíduos e dos custos para a sua destinação.  Benefícios para o governo: a certificação é um instrumento que o governo pode utilizar para criar uma infra-estrutura técnica adequada que auxilie o desenvolvimento tecnológico.

A série. que adaptam os objetivos de desempenho ambiental à realidade da empresa. rotulagem ambiental. auditorias ambientais. Possui hoje mais de 200 comitês técnicos (TCs) e cerca de mil Subcomitês (SCs) para o desenvolvimento de normas internacionais em várias áreas. para analisar a necessidade de desenvolvimento de normas internacionais na área do meio ambiente. Define um sistema de gerenciamento que é implantado e acompanhado por auditores. ISO/TC207. apoiou a criação de um comitê específico. a ISO27 criou um Grupo Assessor Estratégico sobre Meio Ambiente (Strategic Advisory Group on Environment – SAGE). 27 A ISO foi estabelecida em 1946 como uma confederação internacional de órgãos nacionais de normalização (ONNs) de todo o mundo. 7. pois evidencia sua postura correta e sustentável e assim passa a atender às expectativas de consumidores exigentes.com SUSTENTÁVEL  certificação interfere positivamente e diretamente na imagem da empresa. a exemplo do que já vinha sendo feito pelo ISO/TC 196. refere-se a vários aspectos. para desenvolver uma série de normas internacionais de gestão ambiental. para tratar das questões de gestão ambiental. que recebeu o nome de ISO 14000. avaliação do ciclo de vida e terminologia. As normas preparadas propõem um modelo simples para organizar uma empresa que pretenda monitorar seu impacto ambiental.rodrigomarchesin. a ISO estabeleceu o Comitê Técnico de Gestão Ambiental. avaliação do desempenho ambiental. como sistemas de gestão ambiental. realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992. com a série ISO 9000 de Gestão de Qualidade. É uma organização não governamental. O objetivo da ISO é publicar documentos que estabeleçam práticas internacionalmente aceitas. Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.www. e tem a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT como um de seus membros fundadores. na ISO. Página 61 . presidido pelo empresário suíço Stephan Schmidheiny. A ISO série 14000 trata de um grupo abrangente de normas e instrumentos referentes à gestão ambiental. Em março de 1993.1 Normas ISO 14000 Em 1991. o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável.

Nessa fase a comunicação interna é muito importante. Declaração da organização. Definida a política ambiental. A justificativa para a manutenção de procedimentos documentados é que eles possibilitam o monitoramento e medição das características principais de suas operações que possam ter um impacto significativo sobre o meio-ambiente. devendo retornar ao 1º item no sentido de uma espiral em constante movimento. que deverão ser documentadas e comunicadas aos membros da organização. deverão ser promovidas ações corretivas e registros. 5) Análise crítica constante pela administração. em períodos por ela determinados. Nesta etapa a administração promoverá a análise dos resultados trazidos pelos instrumentos do estágio anterior.www. O Página 62 . em especial da auditoria do sistema de gestão. 2) Planejamento. responsabilidades e autoridades.com SUSTENTÁVEL O caminho percorrido na implantação das normas ISO 14000 pode ser dividido nas seguintes fases: 1) Elaboração da política ambiental. Em ocorrendo a não conformidade. sendo obrigatória a “melhoria contínua”. do estabelecimento dos objetivos e metas para então elaborar o programa de gestão ambiental. Quando da sua implementação a empresa deverá estruturar e definir as funções. Ainda nesta etapa deverão ser estabelecidos e mantidos programas para auditorias periódicas do sistema de gestão ambiental. ponderando sobre a eventual necessidade de alterações na política ambiental. expondo suas intenções e princípios em relação ao seu desempenho ambiental global. 3) Implementação e operação. em função de atender o comprometimento com a melhoria contínua. o qual consiste inicialmente em efetuar um levantamento dos aspectos ambientais. dos requisitos legais. 4) Verificação e ação corretiva. assim como fornecido treinamento para obter conscientização e competência necessárias para a conformidade com a política ambiental. a organização passa a fazer seu planejamento. que provê uma estrutura para a ação e definição de seus objetivos e metas ambientais. que não cessa.rodrigomarchesin.

www.3 Social Accountability 8000 (SA 8000) A SA8000 é uma norma que visa aprimorar o bem estar e as boas condições de trabalho bem como o desenvolvimento de um sistema de verificação que garanta a contínua conformidade com os padrões estabelecidos pela norma. responsável pelo desenvolvimento e supervisão da norma internacional Social Accountability 8000 (SA 8000). de qualquer tamanho e situada em qualquer local. consultores e organizações certificadoras. auditores. a AA 1000 (AccountAbility 1000) é uma norma que define princípios e processos para prestação de contas visando assegurar a qualidade da contabilidade. Página 63 .com SUSTENTÁVEL comprometimento com a melhoria contínua do sistema de gestão ambiental é o que dá eficácia à proposta da norma. como a Global Reporting Initiative (GRI). A AA 1000 é uma norma de diretrizes. 7. 28 Disponível em: http://www. e apresenta os principais tópicos ligados à responsabilidade social. 7. e normas padrões como as ISO e SA 8000. social.org/glossario/a. os pontos de divergência e de convergência com os demais padrões. A SAI (Social Accountability International. antiga CEPAA) é uma organização nãogovernamental. sejam públicas. ela pode ser usada isoladamente ou em conjunto com outros padrões de prestação de contas. auditoria e relato de informações de caráter. sendo aplicável em organizações de qualquer setor. sediada nos Estados Unidos. privadas ou da sociedade civil.crescer. Desenhada para auxiliar empresas. ambiental e financeiro.rodrigomarchesin. acionistas. não certificável.2 Normas AA100028 Lançada em 1999.htm.

ONGs e organizações sindicais. Espanha. no Brasil. a norma ABNT NBR 16001 – Responsabilidade Social – Sistema de Gestão – Requisitos. foi publicada em dezembro de 2004. Após dois anos de preparação. A partir daí.rodrigomarchesin. 7. tais como: Estados Unidos. Várias empresas multinacionais nos Estados Unidos e na Europa estão implementando a norma SA8000 e exigindo que seus fornecedores operem dentro destes padrões. os procedimentos da organização precisam ser conduzidos dentro de um sistema de gestão estruturado.4 NBR 16000 Para ser realmente eficiente. Seus requisitos são baseados nas normas internacionais de direitos humanos e nas convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Página 64 . a SA8000 quer encorajar a participação de todos os setores da sociedade na busca de boas e dignas condições de trabalho. Desenvolvida por um conselho internacional que reúne empresários. manutenção e verificação de condições dignas de trabalho.www. que atualmente é apresentado por mais de 300. a Certificação do Sistema de Gestão de Responsabilidade Social demonstrará ao mercado que a organização não existe apenas para explorar os recursos econômicos e humanos.com SUSTENTÁVEL A SA8000 é cada vez mais reconhecida no mundo como um sistema efetivo de implementação. A norma SA8000 apresenta-se como um sistema de auditoria similar ao ISO 9000.000 empresas em todo o mundo. Inglaterra. por meio da realização profissional de seus colaboradores e da promoção de benefícios ao meio ambiente e às partes interessadas. mas também para contribuir com o desenvolvimento social. Há várias empresas certificadas com SA8000 em diversos países. Itália e Brasil.

ou seja. criar sistemas de planejamento. em função dela. análise e proposição de melhorias. diferentemente da ISO. incluindo o de livre associação. benefícios básicos e saúde e segurança (falta o complemento “no trabalho”) estão definidos muito vagamente. segundo a norma. de implementação. Vale destacar que não foi utilizado o termo “negociação coletiva” que expressa a negociação como atividade conjunta dos trabalhadores e suas organizações.  direitos do trabalhador.rodrigomarchesin. a remuneração justa e benefícios básicos. Página 65 . Também. A questão da cadeia produtiva é indiretamente mencionada (padrões de desenvolvimento sustentáveis). • promoção da saúde e segurança. a ABNT. de negociação. a organização (não apenas as empresas) deve definir sua política de Responsabilidade Social e. fazer. medição. Entre os objetivos mínimos que a política de Responsabilidade Social deve ter. de comunicação. • promoção da diversidade e combate à discriminação (por exemplo: cultural. de PDCA (Plan-Do-Check-Act). bem como o combate ao trabalho forçado. ou seja. verificar (monitorar) e atuar (melhorar.www. alguns estão mais diretamente ligados à questão trabalhista: • os direitos da criança e do adolescente. planejar. • compromisso com o desenvolvimento profissional. encaminhou a elaboração da norma NBR 16001 como uma norma de especificação. termos como remuneração justa. Em síntese. passível de auditoria ou certificação. corrigir). A NBR 16001 tem uma concepção semelhante às normas ISO 9000 e ISO 14000.com SUSTENTÁVEL No Brasil. de gênero. de raça/etnia. pessoa com deficiência). documentação. idade. incluindo o combate ao trabalho infantil.

Neste processo.tempsite.www.ws/iso26000/iso-26000-o-que-e/a-norma-iso-26000/. práticas de trabalho. Abordará temas que englobam desde direitos humanos. trabalhadores. 29 Disponível em: http://uniethos. empresas. meio ambiente e governança. • será consistente e não conflitante com normas da ISO e outros documentos. a até questões de implementação. em 2005. entre outros. governos. sociedades e contextos. A norma deverá ser capaz de orientar organizações em diferentes culturas. algo inovador dentro da ISO. Página 66 .5 ISO 2600029 A ISO constituiu. e serviço. Este grupo é responsável pela elaboração da norma internacional de Responsabilidade Social – a ISO 26000. A ISO 26000 deverá ser um grande guia sobre Responsabilidade Social. A futura norma seguirá as seguintes deliberações: • será uma norma de diretrizes. representantes de diversas categorias de stakeholders – consumidores.rodrigomarchesin. um fórum internacional que conta com a participação de mais de 400 pessoas e 78 países e cerca de 40 organizações internacionais e regionais. tratados e convenções internacionais já existentes. suporte.com SUSTENTÁVEL 7. • será aplicável a qualquer tipo de organização. como empresas. sem propósito de certificação. prevista para publicação em setembro de 2010. ongs. Outra característica importante do processo de construção da norma é seu caráter multistakeholder. • não terá caráter de sistema de gestão (modelo PDCA). ONGs. governos. o Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social. pesquisa e outros – se encontram para debater as principais tendências e buscar um futuro consensual para a responsabilidade social no mundo.

Swedish Standards Institute). Página 67 . e um país desenvolvido. pela primeira vez na ISO.www. o Brasil (ABNT.com SUSTENTÁVEL Além disso.rodrigomarchesin. a Suécia (SIS. a liderança de um processo desta natureza é compartilhada entre um país em desenvolvimento. Associação Brasileira de Normas Técnicas).

3ª ed. v. Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse? Campinas. São Paulo: Instituto Socioambiental. 2ª ed. Gilson Batista. Disponível em: http://www. Lia. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. JACOBI. 1992. São Paulo: Nobel.org/glossario/a. Página 68 . 1995. In: Almanaque Brasil Socioambiental. 5. Meio ambiente: custos e benefícios. 37-48. José Eli da. Socioambientalismo.www. Nosso Futuro Comum. 2008. Maio/Agosto 2002. Clóvis (org.crescer. 2005. OLIVEIRA. CMMAD. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Eletrônicas CRESCER. Rio de Janeiro: Garamond. CAIRNCROSS. Glossário. 2008. Franz Josef. O problema do desenvolvimento sustentável. p. Uma discussão sobre o conceito de desenvolvimento. VEIGA.). ZATZ.com SUSTENTÁVEL Referências Bibliográficas BRUSEKE. José Eli da. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas. In: CAVALCANTI. Curitiba: Revista da FAE. VEIGA. Frances. 1991.htm. nº 2.rodrigomarchesin. SP: Autores Associados. Pedro. São Paulo: Cortez. Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável.

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www.com SUSTENTÁVEL ANEXOS Anexos Página 71 .rodrigomarchesin.

As AC possibilitam o reconhecimento. por avaliação. Os relatórios deverão ser. em consonância com as respectivas Diretrizes Curriculares Nacionais. preferencialmente.rodrigomarchesin.4. ao final do relatório. com no mínimo 20 linhas e no máximo 2 páginas. Página 72 . como cumprimento de horas de AC do semestre. as horas a serem validadas e os respectivos prazos de entrega. obrigatoriamente. nas ações de extensão junto à comunidade e no envolvimento inicial com a pesquisa acadêmica. conhecimentos e competências do aluno. opcionais e de caráter interdisciplinar. e comprovantes anexos. A1. deverá ser anotado. uma cópia do mesmo deverá ser anexada. Somente serão validadas.2 Orientações Nas tabelas do item A1. de habilidades. o link (endereço) referente ao material pesquisado. incluindo a prática de estudos e atividades independentes.1 Apresentação As Atividades Complementares – AC são componentes curriculares obrigatórios dos Projetos Pedagógicos dos Cursos Superiores de Tecnologia da UNIP. transversais. Nos casos de artigos e/ou reportagens.com SUSTENTÁVEL Anexo 1: Atividades Complementares A1. as indicações de AC estão distribuídas por categorias e em cada atividade proposta constam os conceitos-chave da matéria correlata.www. as atividades realizadas no próprio semestre. Se os artigos/reportagens forem retirados de textos eletrônicos (internet). os originais da atividade realizada. Estes comprovantes deverão ser. de AUTORIA DO ALUNO e MANUSCRITOS. especialmente nas relações com o mundo do trabalho.

se o(a) aluno(a) receber 2. para que o(a) aluno(a) alcance a pontuação máxima – passível de atribuição – é fundamental estar atento(a) aos seguintes critérios e pesos: Elementos de Análise Texto Manuscrito Formulário Apropriado Quantidade de Linhas/Páginas30 Comprovante Adequado/Legível Adequação ao Tema Argumentação Pesos 10% 10% 10% 10% 20% 40% Para efeito de cálculo. Por fim. a matemática produzir um resultado diferente de um número inteiro. Entretanto.5 o número inteiro imediatamente superior. Em nenhuma hipótese. elencadas no item A1.www. a atribuição obedecerá as seguinte norma de arredondamento: considerando para horas “quebradas” abaixo de 0. serão aceitos textos entregues fora do prazo determinado. Formulário Apropriado.4 horas.3 Critérios para Atribuição de Horas Conforme as orientações. a pontuação anotada será 4 horas. e na hipótese de acima de 0.2.rodrigomarchesin.com SUSTENTÁVEL A1. quando da ponderação. Quantidade de Linhas/Páginas e Comprovante Adequado/Legível – invalidará totalmente o relatório. é importante lembrar que o não cumprimento dos elementos de análise – Texto Manuscrito. 30 Os únicos casos que não serão considerados o número de linhas/páginas são os referentes à participação nas campanhas solidárias ou em doação de sangue.5 o número inteiro imediatamente abaixo. ou seja. Caso o resultado seja 3. Página 73 . Por exemplo. a atribuição será 2 horas. tornando a AC nula para efeito de atribuição de horas. na hipótese de horas “quebradas”. o(a)s aluno(a)s devem estar atento(a)s aos prazos de entrega dos relatórios de AC.7 horas.

Filme Documentário. Até 10 horas. Scott Burns. Sustentabilidade. Burns. Gênero: Conceitos-Chave: Validação de Horas: Data de Entrega: *Disponível no site: www. Sociedade e Ambiente. Até 10 horas. 2006. 28/setembro/2010.rodrigomarchesin. Aquecimento Global. 31 As horas a serem atribuídas dependem do teor (conteúdo) do relatório. nº 59. 17 p. In: Revista Brasileira de Ciências Sociais. EUA: Lawrence Bender Productions / Participant Productions. 19/outubro/2010. Artigo Científico. Cristina.com c) Atividade Complementar 3: Descrição: Gênero: Conceitos-Chave: Validação de Horas: Data de Entrega: Atividade Livre Livro / Artigo / Seminário / Palestra / Curso / Evento.www. Desenvolvimento Econômico. podendo chegar às horas previstas. Até 05 horas. Sustentabilidade. Desenvolvimento Sustentável. Laurie Lennard e Scott Z. Direção: Davis Guggenheim. O desenvolvimento sustentável em unidade de conservação: a naturalização do social. 100 min. Desenvolvimento Sustentável. Roteiro: Lawrence Bender. Legendado. 09/novembro/2010. vol. Responsabilidade Social. Página 74 .com SUSTENTÁVEL A1.rodrigomarchesin. Gênero: Conceitos-Chave: Validação de Horas: Data de Entrega: b) Atividade Complementar 2*: Descrição: TEIXEIRA.3 Indicações31 a) Atividade Complementar 1: Descrição: UMA VERDADE INCONVENIENTE (An Inconvenient Truth). 20.

na forma de como devem proceder para atender aos requisitos exigidos pelo PIM. ao oferecer o espaço acadêmico para a pesquisa. baseado nessa visão. com caráter prático complementar do processo de ensino-aprendizagem. reunidos em grupo. Neste sentido. Página 75 . Os alunos. A2. Este roteiro é uma breve orientação aos alunos. e onde o aluno pode envolver-se com o tema (matéria) e reconhecer sua aplicabilidade social e empresarial.rodrigomarchesin. o PIM é a ferramenta de intermediação na busca de reflexões.com SUSTENTÁVEL Anexo 2: Roteiro Disciplinar – PIM A2. a pergunta que busca uma resposta capaz de prover a manutenção da vida humana da terra. onde possa observar-se eqüidade social? Dessa forma.2 Procedimentos As mudanças provocadas pelo avanço tecnológico e crescimento econômico trouxeram uma realidade nova e preocupante aos governos e corporações de todo planeta.1 Apresentação O Projeto Integrado Multidisciplinar – PIM. pode ser resumida da seguinte forma: como articular o uso dos recursos produtivos à uma realidade inclusiva. na dimensão relativa à disciplina Desenvolvimento Sustentável – DS. deverão realizar o levantamento das características e práticas existentes numa organização. faz parte do Programa Pedagógico dos Cursos Superiores de Tecnologia da UNIP – Universidade Paulista.www. O PIM busca inserir o aluno nas práticas gerenciais fundamentadas nos conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula.

produtos e equipamentos.com SUSTENTÁVEL Para que a parte de DS. Na hipótese de um projeto.www. o contato com o professor e suas orientações in loco são insubstituíveis!! Bom trabalho!! Página 76 . Informações complementares serão apresentadas no decorrer das aulas de DS. os alunos (grupos) deverão observar os seguintes pontos: 1) Importância do DS para a organização.  emprego da energia limpa. apenas. baseando sua análise nos seguintes aspectos:  redução do consumo de recursos naturais e energia.  propagação do conceito de sustentabilidade. 4) Caso a empresa não possua alguma prática relacionada ao DS.  reutilização de materiais. descrevendo um projeto passível de envolvimento pela organização objeto da pesquisa.rodrigomarchesin. ao propósito de contribuir ao suporte da elaboração textual do PIM.  qual a importância das pessoas para a organização (Balanço Social).  eliminação de substâncias tóxicas.  substituição de materiais virgens por materiais reciclados. 2) Descrição de práticas que envolvam a lógica sustentável e a responsabilidade socioambiental. Indubitavelmente. apresente os subsídios necessários para a correta descrição da empresa. com o DS. o grupo poderá oferecer uma solução. o grupo do PIM poderá buscar observar a realidade interna ou externa à empresa. Este roteiro serve. 3) Resultados alcançados pela organização. no PIM.

Críticas às visões economicistas do desenvolvimento. III . II – Objetivos Adquirir visão fundamentada quanto à possibilidade de estabelecer relações entre desenvolvimento econômico e desenvolvimento sustentado. A ética ambiental e países subdesenvolvidos.rodrigomarchesin.www. Ética e desenvolvimento social Ética na organização Ética nas negociações A relação ética e desenvolvimento social A norma SA 8000 6.5 horas/aula I – Ementa Teorias sobre o desenvolvimento. Mercado e meio ambiente. Desenvolvimento sustentável. A gestão ambiental nas organizações Um esboço histórico A gestão ambiental A família de normas ISO 14. As empresas e o ambiente externo local A responsabilidade empresarial e a legislação ambiental A demanda por qualidade de vida A singularidade da administração ambiental 3.000 5. As empresas e a cultura ambiental interna Uma reflexão sobre a política ambiental A cultura ambiental nas organizações As perspectivas no desenvolvimento da cultura ambiental 4. A ética ambiental e o desenvolvimento sustentável. Histórico do conceito de desenvolvimento sustentável A relação homem-natureza O meio ambiente torna-se um problema A problemática ambiental pós-guerra fria O papel das organizações não-governamentais O desenvolvimento sustentável como novo paradigma 2.com SUSTENTÁVEL Anexo 3: Conteúdo Programático Detalhado CURSO: Superior de Tecnologia em Marketing / Recursos Humanos Série: 4º semestre Período: Noturno Disciplina: Desenvolvimento Sustentável Carga Horária Semanal: 1. Plano de desenvolvimento sustentável Página 77 . O conceito de desenvolvimento econômico-social.Conteúdo Programático 1.

A exposição será feita por meio de colocação dos pontos a serem discutidos de forma esquemática. ISO. utilizando: Aulas expositivas Aulas reflexivas com análise de casos Dinâmica de grupos Seminários Vídeos Debates Será sempre indicada a bibliografia básica e específica necessária ao acompanhamento do curso e orientação do aluno na vida acadêmica e profissional. NBR ISO 14. 2002. sempre envolvendo os assuntos voltados à gestão das organizações.rodrigomarchesin.001. Para todas as exposições e para todos os pontos deverão ser utilizadas apresentações de casos práticos. Campinas: Alínea. 1996. nº 1. The desirability and feasilibity of ISO Corporate Social Responsibility Standards.com SUSTENTÁVEL IV . São Paulo: Atlas. NBR ISO 14. R. 2002. VI – Bibliografia Bibliografia Básica DIAS. Costa et al. 4ª ed. 40% da nota da P2 e 20 % da nota do PIM. Página 78 .001. ZAVAGLIA. 22./mar. M. seguida de apresentação por parte do professor. mais o projeto PIM. v. José Carlos. 1996. MATA. Sistema de gestão ambiental: diretrizes gerais sobre princípios. Sistema de gestão ambiental: especificações e diretrizes para uso. sendo que a média do semestre será constituída por 40% da nota da P1. Social Accountability International.Estratégias de Trabalho O curso contará com equilíbrio teórico – prático por meio de exposições e discussão de casos práticos.www. Desenvolvimento e meio ambiente: as estratégias de mudanças da agenda 21. T. V. CASSAR. A ética ambiental e o desenvolvimento sustentável. SOUZA. SAI. 2001. Petrópolis: Vozes.. 2003. Rio de Janeiro: ABNT. Bibliografia Complementar BARBIERI. Desenvolvimento econômico. 1997. São Paulo: Revista Economia Política. 5ª ed. jan.. Henrique T. Rio de Janeiro: ABNT. USA: SAI. Introdução à administração: da competitividade à sustentabilidade. N. sistemas e técnicas de apoio. International Standartization Organization. 1999.Avaliação Duas provas teóricas/práticas bimestrais e trabalhos individuais ou em grupo. Suíça: ISO. Social Accountability 8000 (SA 8000).

www.com .rodrigomarchesin.

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